Eu vou desdizer
Aquilo tudo que eu lhes disse antes
Não, tudo não, só uma parte. A da casa noturna.
Eu fui tomando conhecimento da ocorrência por telefone celular, aos pedaços. No fim, o que parecia uma cobra + um leque + duas lanças + um espanador era um elefante (vocês conhecem a história dos cegos, não conhecem?).
A casa foi fechada em função de uma série de queixas, denúncias e irregularidades. O proprietário diz que tomou providências que não aparecem, nas nossas consultas, como tendo sido tomadas.
Havia mesmo um guincho diante da casa, fechada com malotões. Havia mesmo um carro de polícia atrás do guincho, mas os policiais alegam que foram verificar o que estava acontecendo.
Dali a pouco havia oito viaturas diante da casa - aí eu realmente já não sei mais o que aconteceu. Exceto que foi todo mundo para a delegacia e foi registrada uma ocorrência com as várias versões da história. Coisa de louco.
Durma-se com um barulho desses - e com a casa noturna fechada, vejam só.
***
Mas isso é que dá ir narrando os fatos ao vivo e de orelhada. Pega fogo na fábrica de colchão e a gente diz que caiu um avião.
***
Mais uma história que chegou agora no começo da madrugada, contada pelos assessores que estavam na Aldeinha:
"Lembra aquele bode que eu fotografei no começo da semana? Pois é, a dona dele tem um sítio em São Roque. Não quis albergue, não quis nada, disse que ia voltar para o sítio. Queria a verba de indenização, mas se não ia rolar..."
***
Sabe do que eu lembrei? De "Faça a Coisa Certa", do Spike Lee. Só treta, só B.O., só gente irada, cheia de motivos, perdendo a razão.
"...But when you talk about destruction/Don't you know that you can count me out"
sábado, 31 de janeiro de 2009
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Quase no fim
Finalmente, desci (demorei porque ao mesmo tempo apareceu outro problema inacreditável, que precisei encaminhar por telefone).
Encontrei três famílias. Uma mulher de rosto encovado, ainda muito nervosa, com duas meninas lindas. A mais novinha não tem dois anos; ainda anda cambaleando e tem poucos dentes na boca. E sorri sem parar, a coisa mais doce. A mais velha é magrelíssima, muito mirradinha, mas muito animada também. Corre, brinca, dança.
A mãe conversava em um canto com a Assistente Social.
Outra mulher, menos judiada que essa, deixou os filhos debaixo do viaduto tomando conta das coisas deles, e havia ainda um casal com um menino de seis anos.
A primeira mulher foi uma das que resistiu furiosamente. Qual o receio dela? Que fossem lhe tirar os filhos. Por isso virou bicho, não admitia de jeito nenhum, ficou apavorada.
Quem olha para ela diz "essa não tem a menor condição de cuidar de duas crianças". Quem olha para as filhas, se encanta: "Que crianças gentis, educadas". Inacreditável. Uma graça. Eu tirei fotos, mas são só para mim... Não posso publicá-las aqui.
Quando as Conslheiras Tutelares e a Assistente Social, com muita paciência e doçura, garantiram que elas NÃO IAM tirar as crianças dela, que iam todos para o mesmo lugar, ela se acalmou. Mas ainda chorava e tremia de frio e de nervoso.
Depois, as outras três pessoas vieram falar comigo. Uma delas disse que chegou à area "uns quinze dias depois do cadastro da Habitação". Comprou lá um barraco não cadastrado (ou estava vazio ou foi construído depois do cadastramento) - e reconhece que quem vendeu a tapeou...
Mas ela e o casal juram, e juram com sinceridade que me convenceu, que alguém da Habitação (segundo dizem, uma assistente social) garantiu que podiam ficar ali, que a Habitação só ia mexer com "os [barracos] pretos" (os cadastrados, não sei de onde vem o apelido), que o caso deles era para depois.
Meia verdade, mentira inteira. A Habitação só ia mesmo "mexer com os cadastrados", quer dizer, encaminhar esses para os apartamentos da CDHU e não alocar os que se instalaram depois, que precisariam de um atendimento da Assistência Social. Mas não passou a bola para a Assistência... Os "pós-instalados" acreditaram que poderiam esperar algo melhor por ali mesmo. No fim, ficaram sem um e sem outro, sem Habitação e sem Assistência.
Eu argumentei, "Mas vocês viram que estavam desmanchando tudo. Estão lá a semana inteira. Não começou hoje. Não começou às oito da noite".
Também com muita sinceridade, responderam: "Se ela tivesse dito 'gente, sai daí que não vai ter jeito, procura outro lugar que é melhor para vocês', a gente saía. Mas ela ficou enrolando".
***
Sei lá, quantas vezes a gente acredita no que quer acreditar? Eu me convenci de que eles entenderam mesmo a história dessa maneira. Que a "mulher da Habitação" os enrolou.
***
"Soninha, no que você pode nos ajudar? Nós estamos sem nada, a gente só tem a roupa do corpo, nossas coisas ficaram todas lá na chuva".
"Hoje, a essa hora, a única coisa que a gente consegue arrumar para vocês é abrigo, um lugar para passar a noite, ficar o fim-de-semana. Aí na segunda-feira nós vamos atrás de outras coisas - hotel social, moradia provisória... A gente tem de ver. Vamos juntos procurar a Habitação, Cohab, CDHU, ver o que dá para resolver. Vamos ver isso juntos, a Assistente Social daqui acompanhando. Se eu disser que segunda arrumo apartamento pra vocês, é mentira...".
"Mas lá na CDHU que eles foram, tem um monte de apartamento vazio".
"Só que esses com certeza estão reservados pra outras pessoas. Quem já foi desocupado de algum lugar, tá saindo de área de risco, tá em moradia provisória... Esses vão pra apartamento e liberam a vaga da provisória, e a fila vai andando".
Eles concordaram completamente.
***
Chegamos a falar sobre os cinco mil reais. Eu: "Isso não dá pra nada. Parece muito dinheiro, mas não resolve".
"Pra nós é muito dinheiro!"
"Não pra morar".
"Isso é verdade. Dá pra ir pra outra favela igual, mais nada".
"Pois é, outra favela que daqui a pouco tá na mesma situação. Não é assim que resolve".
Concordaram também.
***
Aí se queixaram da violência. Da truculência de um não-sei-quem que deu um tapa na cara de uma mulher ("Não dessa vez, de uma outra"). Que chega de moto antes de todo mundo, ameaçando: "Olha aí, o bicho vai pegar, vocês tem uma hora pra sair daí". Que anda armado.
Reclamaram de quem consegue receber duas vezes a tal da verba, porque é pilantra - e eles sem nada.
***
"Ontem passaram lá e disseram que era pra gente sair que a coisa ia ficar feia. A gente pensou que ia vir o choque".
***
Uma das mulheres mostrou o braço todo machucado e disse que começaram a derrubar as coisas com ela dentro, arrumando as sacolas.
Disseram que se a TV não tivesse ido, "teria sido feio". Que o mesmo que deu na cara da mulher ficou "bem quietinho". "E eu dei nele, ah, dei mesmo". E: "Você vai ver o fim de uma favela na televisão".
Se escandalizaram com o desmonte da "igrejinha do pastor". "O pastor tinha casa cadastrada, mas não sei o que os irmãos dele fizeram que ficaram com a casa e passaram ele pra trás. Aí ele ficou com a igrejinha [um barraco também], aí foram lá e derrubaram até a igrejinha na frente dele. Coitado".
E ficaram indignados com uma pessoa que dizia estar intercedendo por eles, representando as famílias, e que depois de "sapear" bastante por lá desapareceu. Intercedeu coisa nenhuma.
***
"E as nossas coisas?"
"A gente mandou um caminhão lá para pegar".
"Ah, que adianta? Jogaram tudo no chão, tacaram no meio da lama. Que horas foi o caminhão? Só se foi depois das nove".
"Foi agora há pouco".
"Agora já estragaram tudo, já quebrou tudo. Se a gente voltasse lá podia pegar as roupas, dar um jeito de lavar".
"Imagine... Como é que vocês iam lavar? De que jeito? Pára..."
"E que adianta pegar com o caminhão agora? Há quanto tempo está chovendo?"
"Olha, adianta tirar da lama e levar para um lugar coberto e fechado. Depois a gente vê. O que der para consertar, conserta. O que der pra lavar, lava".
***
Daqui a pouco me ligam de lá da Aldeinha (era o nome da favela): "Precisamos de outro caminhão... O nosso já encheu e vai lá pra garagem".
Toca arrumar um caminhão extra. Liga daqui, de lá, conseguiram.
***
Toca o telefone de novo: "Agora tem o problema de amanhã. Ainda tem muito resto de madeira aqui, entulho, tem de limpar tudo. Se sobrar alguma coisa, vai vir gente subir barraco, certeza. E caíram duas árvores agora; nossos carros precisam cuidar disso também".
Liga daqui, liga de lá, conseguimos mais um caminhão para amanhã.
***
Fiquei fotografando e filmando as crianças - nunca vi UMA que não ficasse fascinada com a possibilidade de sair na foto. Dos meninos mais ranhetas e encrenqueiros e anti-sociáveis às meninas mais tímidas e retraídas e ressabiadas. Depois elas pedem para tirarem fotos elas mesmas, é infalível.
Coloquei no modo vídeo e perguntei se queriam cantar alguma coisa. O menino cantou uma longa música de amor - que no começo pensei que já existia, mas depois concluí que não. Ele confirmou: estava improvisando.
Depois começou a cantar um pancadão falando de tiros e mortes. "E eu puxo a arma" e não sei quê... (Seis anos!). Eu disse "ah, não, tenho horror de revólver". Ele ainda deu uma provocadinha, pegou um pedaço de plástico do chão e disse "isso aqui é um revólver da polícia!", mas não levou muito adiante.
***
As mulheres disseram que alguns policiais e GCMs se escandalizaram com a desocupação. "Vocês têm de ir lá, exigir seus direitos. Isso não pode ser assim".
***
Dois funcionários da Sub, em compensação, comentavam entre si: "E aquela nazista, lá?" Eu: "Que nazista?". "Uma GCM que só ficava olhando as crianças e falando: se mandar essa daí pra França, quanto vale, uns quinze mil?"
***
Outra cena:
A mulher doida de crack, com uma garrafa em uma mão e uma faca na outra, segurando bebê debaixo do braço, ameaçava tocar fogo na casa com os filhos dentro. Um GCM atiçou: "Você é louca. Sua louca". Ela foi com a faca pra cima de um dos assessores e não acertou por pouco.
***
Outra cena:
Pessoas que receberam verba de indenização voltavam só pra agitar.
***
TEM-DE-TUDO-NO-MUNDO-O-TEMPO-TODO. Pobre e rico de caráter irretocável e pobre e rico filha-da-puta. Policial-herói e policial-bandido.
O outro grande problema de hoje foi o fechamento de uma casa noturna que a Sub não tinha a menor, a menor possibilidade de deixar funcionando. Eu pedi para a assessoria de comunicação - o assessor é incrivelmente caxias e levanta todas as informações existentes sobre tudo em minutos - o relatório de todo o processo de fiscalização, autuação, liminares, etc. Eram toneladas de reclamações de vizinhos, regras não cumpridas, declarações inverídicas, taxas não recolhidas, prazos desrespeitados... Da parte da Subprefeitura, a ação obrigatória era interditar.
E assim foi feito. Não foi "surpresa", não foi arbitrário, foi o fim de um processo que se arrastou por meses a fio de idas e vindas de pedidos e ordens não cumpridas.
À tarde foram colocados malotões para impedir a entrada (o prédio todo tem irregularidades, não se trata apenas do funcionamento da casa).
À noite aparece um guincho lá para retirar os malotões. Com cobertura de uma viatura da PM (???????!!!!!).
Fazer o quê? Chamar a polícia. Sério. Policiais militares deram voz de prisão a policiais militares, e lá se foram para a delegacia registrar a ocorrência.
Acho que estão lá até agora. Aconteceram outros percalços que nem dá pra detalhar agora.
Deu a louca no mundo.
***
A mãe das meninas era a mais detonada, mais molhada. Peguei uma camiseta que ganhei outro dia e dei para ela.
Dali a pouco, volta de casa o rapaz que bancou as esfihas com um par de tênis (em ótimo estado) para ela. Acho que ele falou "tchau" umas dez vezes até conseguir ir embora, e acabou voltando...
As outras pessoas resolveram ir para a Água Branca - outra favela - para a casa de parentes. Com seis filhos, se juntariam a outra família grande em um lugar já apertado.
Ficamos de falar amanhã para conseguir mais roupas para eles.
***
Uma das nossas kombis estava lotada com os pertences da mãe das meninas (vou chamá-la de Bia, para facilitar). A Assistente Social estava com a chave de uma sala que eles acabaram de desocupar, e me consultou se podia deixar as coisas dela lá. Claro que podia.
Pegamos várias caixas de papelão (molhadas) e algumas sacolas de ráfia com uma ou outra roupa e muitos, muitos brinquedos. Alguns bem novos, certamente distribuídos no Natal.
Enquanto carregávamos as coisas para a sala, a menina menor (que vou chamar de Luíza) saiu desesperada atrás das caixas. Afinal, ali estavam suas bonecas... A Conselheira Tutelar e a agente do CAPE (programa que tem aquelas kombis coloridas da SMADS, Secretaria da Assistência Social) ajudaram a escolher duas ou três para levar consigo, aí ela sossegou.
Bia, Luíza e sua irmã foram, com a kombi, para um abrigo em Santo Amaro. Na segunda-feira elas voltam aqui para a Assistência Social delinear um trabalho de médio prazo.
***
Exausta, ela só fala em voltar para a casa do pai em Minas Gerais. "Sul de Minas?". "Não, norte, a última cidade antes da Bahia".
"Tem lugar para você lá?"
"Tem, meu pai tem um sítio".
Calou-se um pouco.
"O problema é que ele não tem paciência com criança, fica nervoso".
Mais um curto silêncio. Começa a chorar.
"E eu vou chegar lá sem nada? Sem dinheiro nenhum? E minhas filhas vão comer o que? Como é que eu posso voltar de mão vazia?"
"Mas lá é um sítio, você não consegue plantar?"
Sorriso amargo, com a lágrima escorrendo. "Lá não nasce nada, filha. É seco, seco, seco".
***
"A gente pode te ajudar a voltar para o seu pai. Mas será que assim é melhor você voltar? Sem dinheiro, sem nada pra comer, seu pai não tem paciência com as crianças... Fica aqui".
"Fica aqui como, meu sonho acabou, derrubaram meu sonho".
"Mas que sonho ruinzinho esse, hein? Um barraco em um lugar daquele? Se é pra sonhar, sonho tem de ser melhor que isso".
"A gente tem de ter um objetivo na vida. Qual é o meu?" disse, entre lágrimas.
"Criar suas filhas. Elas estudarem, se formarem, terem outra vida".
"Ah, isso com certeza", afirmou com orgulho decidido.
"A gente vai atrás de um albergue familiar pra você. Você vai ver que diferença. Tem sempre uma parte mais chata que tem muita regra: depois das dez ninguém entra, tem hora pro café, hora pro almoço... Mas também tem teto que não goteja, tem comida, televisão, chuveiro quente, luz que não é gato... E na hora que você fechou a porta do quarto, ali dentro é seu".
"E não tem rato..." Suspirou. "Olha que pensando bem é até bom sair de lá. Era cada camundongo [e fez um gesto mostrando o tamanho de uma ratazana] que passava por cima da gente a noite toda, eu agarrava minha nenê assim pra eles não pegarem ela". E chorou de novo, de dó da filha. E a filha, gente, eu não tô exagerando, é uma das crianças mais encantadoras, mais radiosas que eu já vi.
"Aquilo não era jeito e ali não era lugar para viver. Você tem de acreditar".
***
Finalmente nos despedimos. As Conselheiras Tutelares (duas ficaram) ainda tinham feito café para todo mundo (famílias, funcionários da limpeza, do CAPE, assistente social) e foram arrumar suas coisas. A Assistente Social foi embora. A kombi levou as pessoas.
Ainda tem gente do Gabinete lá recolhendo pertences, acompanhando a saída das últimas pessoas (que ficaram tomando conta dos objetos e também vão precisar das kombis para irem embora). São dois assessores que passaram o dia lá, tentando filtrar as mentiras, tentando fazer as coisas transcorrerem sem agressões, sendo bem-sucedidos em algumas tentativas e fracassando em outras...
As baterias dos celulares começam a acabar. As baterias deles, imagino, também.
***
Acho que por hoje chega, né? A semana foi agitadinha. Fora tudo mais que eu não contei (só de hoje, ficaram de fora pelo menos sete assuntos, sem brincadeira). Fora o que eu só vou contar daqui a quarenta anos.
***
Chegaram meus três assessores - os dois que eu sabia que estavam lá mais o motorista. Em estado inacreditável. Acabados. Dois moram no extremo leste.
Um outro motorista também ficou lá o dia todo, com a maior disposição,e agora ainda está fazendo uma última viagem com algumas pessoas da favela até Pirituba. Sem reclamar.
Os assessores que vieram pra cá ainda querem passar na delegacia para ver se a ocorrência lá acabou (a turma que foi daqui pra lá não volta, não dá sinal de vida...)
Ô dia que não termina.
Encontrei três famílias. Uma mulher de rosto encovado, ainda muito nervosa, com duas meninas lindas. A mais novinha não tem dois anos; ainda anda cambaleando e tem poucos dentes na boca. E sorri sem parar, a coisa mais doce. A mais velha é magrelíssima, muito mirradinha, mas muito animada também. Corre, brinca, dança.
A mãe conversava em um canto com a Assistente Social.
Outra mulher, menos judiada que essa, deixou os filhos debaixo do viaduto tomando conta das coisas deles, e havia ainda um casal com um menino de seis anos.
A primeira mulher foi uma das que resistiu furiosamente. Qual o receio dela? Que fossem lhe tirar os filhos. Por isso virou bicho, não admitia de jeito nenhum, ficou apavorada.
Quem olha para ela diz "essa não tem a menor condição de cuidar de duas crianças". Quem olha para as filhas, se encanta: "Que crianças gentis, educadas". Inacreditável. Uma graça. Eu tirei fotos, mas são só para mim... Não posso publicá-las aqui.
Quando as Conslheiras Tutelares e a Assistente Social, com muita paciência e doçura, garantiram que elas NÃO IAM tirar as crianças dela, que iam todos para o mesmo lugar, ela se acalmou. Mas ainda chorava e tremia de frio e de nervoso.
Depois, as outras três pessoas vieram falar comigo. Uma delas disse que chegou à area "uns quinze dias depois do cadastro da Habitação". Comprou lá um barraco não cadastrado (ou estava vazio ou foi construído depois do cadastramento) - e reconhece que quem vendeu a tapeou...
Mas ela e o casal juram, e juram com sinceridade que me convenceu, que alguém da Habitação (segundo dizem, uma assistente social) garantiu que podiam ficar ali, que a Habitação só ia mexer com "os [barracos] pretos" (os cadastrados, não sei de onde vem o apelido), que o caso deles era para depois.
Meia verdade, mentira inteira. A Habitação só ia mesmo "mexer com os cadastrados", quer dizer, encaminhar esses para os apartamentos da CDHU e não alocar os que se instalaram depois, que precisariam de um atendimento da Assistência Social. Mas não passou a bola para a Assistência... Os "pós-instalados" acreditaram que poderiam esperar algo melhor por ali mesmo. No fim, ficaram sem um e sem outro, sem Habitação e sem Assistência.
Eu argumentei, "Mas vocês viram que estavam desmanchando tudo. Estão lá a semana inteira. Não começou hoje. Não começou às oito da noite".
Também com muita sinceridade, responderam: "Se ela tivesse dito 'gente, sai daí que não vai ter jeito, procura outro lugar que é melhor para vocês', a gente saía. Mas ela ficou enrolando".
***
Sei lá, quantas vezes a gente acredita no que quer acreditar? Eu me convenci de que eles entenderam mesmo a história dessa maneira. Que a "mulher da Habitação" os enrolou.
***
"Soninha, no que você pode nos ajudar? Nós estamos sem nada, a gente só tem a roupa do corpo, nossas coisas ficaram todas lá na chuva".
"Hoje, a essa hora, a única coisa que a gente consegue arrumar para vocês é abrigo, um lugar para passar a noite, ficar o fim-de-semana. Aí na segunda-feira nós vamos atrás de outras coisas - hotel social, moradia provisória... A gente tem de ver. Vamos juntos procurar a Habitação, Cohab, CDHU, ver o que dá para resolver. Vamos ver isso juntos, a Assistente Social daqui acompanhando. Se eu disser que segunda arrumo apartamento pra vocês, é mentira...".
"Mas lá na CDHU que eles foram, tem um monte de apartamento vazio".
"Só que esses com certeza estão reservados pra outras pessoas. Quem já foi desocupado de algum lugar, tá saindo de área de risco, tá em moradia provisória... Esses vão pra apartamento e liberam a vaga da provisória, e a fila vai andando".
Eles concordaram completamente.
***
Chegamos a falar sobre os cinco mil reais. Eu: "Isso não dá pra nada. Parece muito dinheiro, mas não resolve".
"Pra nós é muito dinheiro!"
"Não pra morar".
"Isso é verdade. Dá pra ir pra outra favela igual, mais nada".
"Pois é, outra favela que daqui a pouco tá na mesma situação. Não é assim que resolve".
Concordaram também.
***
Aí se queixaram da violência. Da truculência de um não-sei-quem que deu um tapa na cara de uma mulher ("Não dessa vez, de uma outra"). Que chega de moto antes de todo mundo, ameaçando: "Olha aí, o bicho vai pegar, vocês tem uma hora pra sair daí". Que anda armado.
Reclamaram de quem consegue receber duas vezes a tal da verba, porque é pilantra - e eles sem nada.
***
"Ontem passaram lá e disseram que era pra gente sair que a coisa ia ficar feia. A gente pensou que ia vir o choque".
***
Uma das mulheres mostrou o braço todo machucado e disse que começaram a derrubar as coisas com ela dentro, arrumando as sacolas.
Disseram que se a TV não tivesse ido, "teria sido feio". Que o mesmo que deu na cara da mulher ficou "bem quietinho". "E eu dei nele, ah, dei mesmo". E: "Você vai ver o fim de uma favela na televisão".
Se escandalizaram com o desmonte da "igrejinha do pastor". "O pastor tinha casa cadastrada, mas não sei o que os irmãos dele fizeram que ficaram com a casa e passaram ele pra trás. Aí ele ficou com a igrejinha [um barraco também], aí foram lá e derrubaram até a igrejinha na frente dele. Coitado".
E ficaram indignados com uma pessoa que dizia estar intercedendo por eles, representando as famílias, e que depois de "sapear" bastante por lá desapareceu. Intercedeu coisa nenhuma.
***
"E as nossas coisas?"
"A gente mandou um caminhão lá para pegar".
"Ah, que adianta? Jogaram tudo no chão, tacaram no meio da lama. Que horas foi o caminhão? Só se foi depois das nove".
"Foi agora há pouco".
"Agora já estragaram tudo, já quebrou tudo. Se a gente voltasse lá podia pegar as roupas, dar um jeito de lavar".
"Imagine... Como é que vocês iam lavar? De que jeito? Pára..."
"E que adianta pegar com o caminhão agora? Há quanto tempo está chovendo?"
"Olha, adianta tirar da lama e levar para um lugar coberto e fechado. Depois a gente vê. O que der para consertar, conserta. O que der pra lavar, lava".
***
Daqui a pouco me ligam de lá da Aldeinha (era o nome da favela): "Precisamos de outro caminhão... O nosso já encheu e vai lá pra garagem".
Toca arrumar um caminhão extra. Liga daqui, de lá, conseguiram.
***
Toca o telefone de novo: "Agora tem o problema de amanhã. Ainda tem muito resto de madeira aqui, entulho, tem de limpar tudo. Se sobrar alguma coisa, vai vir gente subir barraco, certeza. E caíram duas árvores agora; nossos carros precisam cuidar disso também".
Liga daqui, liga de lá, conseguimos mais um caminhão para amanhã.
***
Fiquei fotografando e filmando as crianças - nunca vi UMA que não ficasse fascinada com a possibilidade de sair na foto. Dos meninos mais ranhetas e encrenqueiros e anti-sociáveis às meninas mais tímidas e retraídas e ressabiadas. Depois elas pedem para tirarem fotos elas mesmas, é infalível.
Coloquei no modo vídeo e perguntei se queriam cantar alguma coisa. O menino cantou uma longa música de amor - que no começo pensei que já existia, mas depois concluí que não. Ele confirmou: estava improvisando.
Depois começou a cantar um pancadão falando de tiros e mortes. "E eu puxo a arma" e não sei quê... (Seis anos!). Eu disse "ah, não, tenho horror de revólver". Ele ainda deu uma provocadinha, pegou um pedaço de plástico do chão e disse "isso aqui é um revólver da polícia!", mas não levou muito adiante.
***
As mulheres disseram que alguns policiais e GCMs se escandalizaram com a desocupação. "Vocês têm de ir lá, exigir seus direitos. Isso não pode ser assim".
***
Dois funcionários da Sub, em compensação, comentavam entre si: "E aquela nazista, lá?" Eu: "Que nazista?". "Uma GCM que só ficava olhando as crianças e falando: se mandar essa daí pra França, quanto vale, uns quinze mil?"
***
Outra cena:
A mulher doida de crack, com uma garrafa em uma mão e uma faca na outra, segurando bebê debaixo do braço, ameaçava tocar fogo na casa com os filhos dentro. Um GCM atiçou: "Você é louca. Sua louca". Ela foi com a faca pra cima de um dos assessores e não acertou por pouco.
***
Outra cena:
Pessoas que receberam verba de indenização voltavam só pra agitar.
***
TEM-DE-TUDO-NO-MUNDO-O-TEMPO-TODO. Pobre e rico de caráter irretocável e pobre e rico filha-da-puta. Policial-herói e policial-bandido.
O outro grande problema de hoje foi o fechamento de uma casa noturna que a Sub não tinha a menor, a menor possibilidade de deixar funcionando. Eu pedi para a assessoria de comunicação - o assessor é incrivelmente caxias e levanta todas as informações existentes sobre tudo em minutos - o relatório de todo o processo de fiscalização, autuação, liminares, etc. Eram toneladas de reclamações de vizinhos, regras não cumpridas, declarações inverídicas, taxas não recolhidas, prazos desrespeitados... Da parte da Subprefeitura, a ação obrigatória era interditar.
E assim foi feito. Não foi "surpresa", não foi arbitrário, foi o fim de um processo que se arrastou por meses a fio de idas e vindas de pedidos e ordens não cumpridas.
À tarde foram colocados malotões para impedir a entrada (o prédio todo tem irregularidades, não se trata apenas do funcionamento da casa).
À noite aparece um guincho lá para retirar os malotões. Com cobertura de uma viatura da PM (???????!!!!!).
Fazer o quê? Chamar a polícia. Sério. Policiais militares deram voz de prisão a policiais militares, e lá se foram para a delegacia registrar a ocorrência.
Acho que estão lá até agora. Aconteceram outros percalços que nem dá pra detalhar agora.
Deu a louca no mundo.
***
A mãe das meninas era a mais detonada, mais molhada. Peguei uma camiseta que ganhei outro dia e dei para ela.
Dali a pouco, volta de casa o rapaz que bancou as esfihas com um par de tênis (em ótimo estado) para ela. Acho que ele falou "tchau" umas dez vezes até conseguir ir embora, e acabou voltando...
As outras pessoas resolveram ir para a Água Branca - outra favela - para a casa de parentes. Com seis filhos, se juntariam a outra família grande em um lugar já apertado.
Ficamos de falar amanhã para conseguir mais roupas para eles.
***
Uma das nossas kombis estava lotada com os pertences da mãe das meninas (vou chamá-la de Bia, para facilitar). A Assistente Social estava com a chave de uma sala que eles acabaram de desocupar, e me consultou se podia deixar as coisas dela lá. Claro que podia.
Pegamos várias caixas de papelão (molhadas) e algumas sacolas de ráfia com uma ou outra roupa e muitos, muitos brinquedos. Alguns bem novos, certamente distribuídos no Natal.
Enquanto carregávamos as coisas para a sala, a menina menor (que vou chamar de Luíza) saiu desesperada atrás das caixas. Afinal, ali estavam suas bonecas... A Conselheira Tutelar e a agente do CAPE (programa que tem aquelas kombis coloridas da SMADS, Secretaria da Assistência Social) ajudaram a escolher duas ou três para levar consigo, aí ela sossegou.
Bia, Luíza e sua irmã foram, com a kombi, para um abrigo em Santo Amaro. Na segunda-feira elas voltam aqui para a Assistência Social delinear um trabalho de médio prazo.
***
Exausta, ela só fala em voltar para a casa do pai em Minas Gerais. "Sul de Minas?". "Não, norte, a última cidade antes da Bahia".
"Tem lugar para você lá?"
"Tem, meu pai tem um sítio".
Calou-se um pouco.
"O problema é que ele não tem paciência com criança, fica nervoso".
Mais um curto silêncio. Começa a chorar.
"E eu vou chegar lá sem nada? Sem dinheiro nenhum? E minhas filhas vão comer o que? Como é que eu posso voltar de mão vazia?"
"Mas lá é um sítio, você não consegue plantar?"
Sorriso amargo, com a lágrima escorrendo. "Lá não nasce nada, filha. É seco, seco, seco".
***
"A gente pode te ajudar a voltar para o seu pai. Mas será que assim é melhor você voltar? Sem dinheiro, sem nada pra comer, seu pai não tem paciência com as crianças... Fica aqui".
"Fica aqui como, meu sonho acabou, derrubaram meu sonho".
"Mas que sonho ruinzinho esse, hein? Um barraco em um lugar daquele? Se é pra sonhar, sonho tem de ser melhor que isso".
"A gente tem de ter um objetivo na vida. Qual é o meu?" disse, entre lágrimas.
"Criar suas filhas. Elas estudarem, se formarem, terem outra vida".
"Ah, isso com certeza", afirmou com orgulho decidido.
"A gente vai atrás de um albergue familiar pra você. Você vai ver que diferença. Tem sempre uma parte mais chata que tem muita regra: depois das dez ninguém entra, tem hora pro café, hora pro almoço... Mas também tem teto que não goteja, tem comida, televisão, chuveiro quente, luz que não é gato... E na hora que você fechou a porta do quarto, ali dentro é seu".
"E não tem rato..." Suspirou. "Olha que pensando bem é até bom sair de lá. Era cada camundongo [e fez um gesto mostrando o tamanho de uma ratazana] que passava por cima da gente a noite toda, eu agarrava minha nenê assim pra eles não pegarem ela". E chorou de novo, de dó da filha. E a filha, gente, eu não tô exagerando, é uma das crianças mais encantadoras, mais radiosas que eu já vi.
"Aquilo não era jeito e ali não era lugar para viver. Você tem de acreditar".
***
Finalmente nos despedimos. As Conselheiras Tutelares (duas ficaram) ainda tinham feito café para todo mundo (famílias, funcionários da limpeza, do CAPE, assistente social) e foram arrumar suas coisas. A Assistente Social foi embora. A kombi levou as pessoas.
Ainda tem gente do Gabinete lá recolhendo pertences, acompanhando a saída das últimas pessoas (que ficaram tomando conta dos objetos e também vão precisar das kombis para irem embora). São dois assessores que passaram o dia lá, tentando filtrar as mentiras, tentando fazer as coisas transcorrerem sem agressões, sendo bem-sucedidos em algumas tentativas e fracassando em outras...
As baterias dos celulares começam a acabar. As baterias deles, imagino, também.
***
Acho que por hoje chega, né? A semana foi agitadinha. Fora tudo mais que eu não contei (só de hoje, ficaram de fora pelo menos sete assuntos, sem brincadeira). Fora o que eu só vou contar daqui a quarenta anos.
***
Chegaram meus três assessores - os dois que eu sabia que estavam lá mais o motorista. Em estado inacreditável. Acabados. Dois moram no extremo leste.
Um outro motorista também ficou lá o dia todo, com a maior disposição,e agora ainda está fazendo uma última viagem com algumas pessoas da favela até Pirituba. Sem reclamar.
Os assessores que vieram pra cá ainda querem passar na delegacia para ver se a ocorrência lá acabou (a turma que foi daqui pra lá não volta, não dá sinal de vida...)
Ô dia que não termina.
Ainda o plantão
As pessoas têm, cada uma delas, um milhão de problemas.
Uma é ex-presidiária (uma coisa horrível de se dizer, porque carrega o "presidiária" para sempre), HIV positivo, ficou furiosa e descontrolada porque sem o encaminhamento desejado, fica sem saber para onde ir. De um jeito ou de outro, nesse grupo de resistentes ela se sentia "enturmada", protegida.
Apesar do acesso de fúria, o Conselheiro Tutelar conseguiu acalmá-la e convencê-la a deixar o local.
Outra tem problema de drogadição (crack) e já tem o histórico de ter esfaqueado uma vizinha.
E assim caminha...
***
Ainda na favela, uma mulher dizia para as outras: "Vamos lá, vamos para a minha casa, fiquem lá comigo". (Ela tem uma "casa" - talvez um barraco também... - em outro lugar). Uma das mulheres aceitou; a outra quis ficar lá com os filhos.
A Conselheira Tutelar (são quatro no total, agora há noite conseguimos contar com todos eles) insistiu: "Vai com a sua amiga, vai com as crianças para a casa dela", mas não adiantou.
Agora elas estão aqui... E a Assistente Social está fazendo contato com tudo quanto é albergue (familiar, só de homem, só de mulher) para conseguir vaga para essas pessoas.
***
Um funcionário da Sub (aquele que fez concurso para o serviço público porque "acredita", falei dele dias atrás) mandou trazer umas esfihas do Habib´s por conta dele. Tá errada a atitude? Talvez as normas de atendimento determinem que ele jamais deveria ter feito isso. Mas alguém aí tem a manha de condená-lo?
***
Agora as pessoas estão preocupadas com seus pertences, largados na chuva.
Porque ficaram lá móveis, roupas...
Levadas de última hora?
Levadas nas últimas semanas? (Tem gente que jura que foi para lá em outubro - quando a Habitação já tinha feito o cadastro das famílias "antigas", desmanchado alguns barracos e deixado um aviso geral para ninguém mais se instalar, mas é claro que "avisar" só não adianta... Tem-se que tomar providências para efetivamente "congelar a área".
O fato é que é o que eles têm, é o que eles querem manter. Sofás rotos, roupas puídas... E, segundo alguns, eletrodomésticos também. Agora está escuro, continua chovendo, mal dá para enxergar o que sobrou. Mas tem um caminhão da Sub recolhendo esses materiais e levando para um lugar coberto na nossa garagem/oficina, para que na segunda-feira eles possam retirar. Ou amanhã, não sei bem.
Uma das pessoas queria que os seus materiais fossem levados para a Zaki Narchi. Aí eu bronqueei - Não dá para fazer serviço de entrega a essa hora! Tivessem pensado nisso antes! (Foi só um desabafo, não disse isso a eles). O fato é que seria inviável ir a vários lugares, então o jeito seria levar tudo para um lugar só. E assim será.
Uma é ex-presidiária (uma coisa horrível de se dizer, porque carrega o "presidiária" para sempre), HIV positivo, ficou furiosa e descontrolada porque sem o encaminhamento desejado, fica sem saber para onde ir. De um jeito ou de outro, nesse grupo de resistentes ela se sentia "enturmada", protegida.
Apesar do acesso de fúria, o Conselheiro Tutelar conseguiu acalmá-la e convencê-la a deixar o local.
Outra tem problema de drogadição (crack) e já tem o histórico de ter esfaqueado uma vizinha.
E assim caminha...
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Ainda na favela, uma mulher dizia para as outras: "Vamos lá, vamos para a minha casa, fiquem lá comigo". (Ela tem uma "casa" - talvez um barraco também... - em outro lugar). Uma das mulheres aceitou; a outra quis ficar lá com os filhos.
A Conselheira Tutelar (são quatro no total, agora há noite conseguimos contar com todos eles) insistiu: "Vai com a sua amiga, vai com as crianças para a casa dela", mas não adiantou.
Agora elas estão aqui... E a Assistente Social está fazendo contato com tudo quanto é albergue (familiar, só de homem, só de mulher) para conseguir vaga para essas pessoas.
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Um funcionário da Sub (aquele que fez concurso para o serviço público porque "acredita", falei dele dias atrás) mandou trazer umas esfihas do Habib´s por conta dele. Tá errada a atitude? Talvez as normas de atendimento determinem que ele jamais deveria ter feito isso. Mas alguém aí tem a manha de condená-lo?
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Agora as pessoas estão preocupadas com seus pertences, largados na chuva.
Porque ficaram lá móveis, roupas...
Levadas de última hora?
Levadas nas últimas semanas? (Tem gente que jura que foi para lá em outubro - quando a Habitação já tinha feito o cadastro das famílias "antigas", desmanchado alguns barracos e deixado um aviso geral para ninguém mais se instalar, mas é claro que "avisar" só não adianta... Tem-se que tomar providências para efetivamente "congelar a área".
O fato é que é o que eles têm, é o que eles querem manter. Sofás rotos, roupas puídas... E, segundo alguns, eletrodomésticos também. Agora está escuro, continua chovendo, mal dá para enxergar o que sobrou. Mas tem um caminhão da Sub recolhendo esses materiais e levando para um lugar coberto na nossa garagem/oficina, para que na segunda-feira eles possam retirar. Ou amanhã, não sei bem.
Uma das pessoas queria que os seus materiais fossem levados para a Zaki Narchi. Aí eu bronqueei - Não dá para fazer serviço de entrega a essa hora! Tivessem pensado nisso antes! (Foi só um desabafo, não disse isso a eles). O fato é que seria inviável ir a vários lugares, então o jeito seria levar tudo para um lugar só. E assim será.
As crianças...
Chegaram aqui na Sub... Daqui providenciaremos o encaminhamento para abrigos. Vou descer para vê-las. Tem adultos com elas. Eles estão com fome. Compramos esfihas? Procuramos biscoitos entre materiais apreendidos de comércio ambulante? Qualquer coisa que fizermos, estará "errada". Faremos o que for possível...
***
Mudando de assunto, já que o dia não ficou só em torno disso (nenhum dia gira em torno de uma coisa só), hoje era o último dia para inscrição de oficineiros com propostas de atividades no Tendal da Lapa.
É que nem festa de aniversário: eu fiquei com medo que não viesse ninguém. Que nada, só hoje (último dia...) veio um monte de gente.
***
À tarde estive na Ceagesp, que em 2009 comemora 40 anos (em 69 houve a fusão de Ceasa + Cagesp - e eu até hoje digo "vou comprar flor no Ceasa", "ali perto do Ceasa"...). Já nos prometemos várias reuniões para tratar de temas como caixaria, cessão de área, etc.
O primeiro presidente da Ceagesp foi convidado para a cerimônia. Na saída, perguntou se eu "ainda era de Santana". "Eu não moro mais lá, mas uma parte da minha família continua". "Quem é sua família?". Expliquei: meu avô era um dos sócios da Padaria do Comércio; meu bisavô fundou a Comércio e também a Polar. (Para quem é antigo do bairro, não tem como não conhecer). "Quem era seu bisavô?". Benjamin Ferreira. "Não... Eu era muito amigo dele! E quem era seu avô, o Osvaldo?". "Não, quem era filha dele era a minha avó, irmã mais velha do Osvaldo. Ela era casada com o Manoel Gaspar".
Ele realmente sabia quem era. "Minha mãe adorava o Manoel! A gente morava na esquina da Salete com a Dr. César. Um dia, meu irmão caiu no banheiro e não conseguia levantar, um baita homenzarrão. Minha mãe era menor que você, também não conseguiu ajudar. Correu na Comércio e chamou o Manoel, que era fortão, lutava boxe, e ele foi ajudar na mesma hora. Ela nunca esqueceu".
Meu avô era mesmo fortão. Lutava box, caratê, remava no Tietê, fazia um pouco de ginástica olímpica ("E o cano era de ferro, viu? Não era essa barrinha mais flexível"), adorava basquete. Era no Maverick amarelo dele que o time feminino de basquete do Tietê às vezes se espremia para conseguir chegar em algum lugar de competição.
***
Mudando de assunto, já que o dia não ficou só em torno disso (nenhum dia gira em torno de uma coisa só), hoje era o último dia para inscrição de oficineiros com propostas de atividades no Tendal da Lapa.
É que nem festa de aniversário: eu fiquei com medo que não viesse ninguém. Que nada, só hoje (último dia...) veio um monte de gente.
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À tarde estive na Ceagesp, que em 2009 comemora 40 anos (em 69 houve a fusão de Ceasa + Cagesp - e eu até hoje digo "vou comprar flor no Ceasa", "ali perto do Ceasa"...). Já nos prometemos várias reuniões para tratar de temas como caixaria, cessão de área, etc.
O primeiro presidente da Ceagesp foi convidado para a cerimônia. Na saída, perguntou se eu "ainda era de Santana". "Eu não moro mais lá, mas uma parte da minha família continua". "Quem é sua família?". Expliquei: meu avô era um dos sócios da Padaria do Comércio; meu bisavô fundou a Comércio e também a Polar. (Para quem é antigo do bairro, não tem como não conhecer). "Quem era seu bisavô?". Benjamin Ferreira. "Não... Eu era muito amigo dele! E quem era seu avô, o Osvaldo?". "Não, quem era filha dele era a minha avó, irmã mais velha do Osvaldo. Ela era casada com o Manoel Gaspar".
Ele realmente sabia quem era. "Minha mãe adorava o Manoel! A gente morava na esquina da Salete com a Dr. César. Um dia, meu irmão caiu no banheiro e não conseguia levantar, um baita homenzarrão. Minha mãe era menor que você, também não conseguiu ajudar. Correu na Comércio e chamou o Manoel, que era fortão, lutava boxe, e ele foi ajudar na mesma hora. Ela nunca esqueceu".
Meu avô era mesmo fortão. Lutava box, caratê, remava no Tietê, fazia um pouco de ginástica olímpica ("E o cano era de ferro, viu? Não era essa barrinha mais flexível"), adorava basquete. Era no Maverick amarelo dele que o time feminino de basquete do Tietê às vezes se espremia para conseguir chegar em algum lugar de competição.
Plantão
As famílias ou grupos de pessoas que se instalaram na favela ao lado da ponte Julio de Mesquita continuam lá.
A maioria delas está debaixo da ponte. Um barraco ainda está de pé, com uma mulher e várias crianças junto de si.
Durante o dia, houve várias tratativas, sem solução. Eles não quiseram ser encaminhados para albergues ou abrigos; queriam "solução habitacional" (claro que não seria possível; as famílias cadastradas, que realmente estavam ali há muito tempo, foram encaminhadas para isso) ou "indenização" (a que também não fariam jus, porque não estavam perdendo suas moradias, e sim o cenário montado da noite para o dia).
O Conselho Tutelar foi chamado para ajudar com as crianças. Um Conselheiro foi até lá e fez a abordagem e o cadastramento das famílias, que continuaram não querendo sair de debaixo da ponte. Mas, com muito esforço e habilidade, ele conseguiu convencê-las a aceitar abrigamento em outro lugar.
Estou resumindo a história, que é muito extensa e intricada.
Houve episódios de todos os tipos - de agitação e revolta, sincera ou forçada, e de tristeza profunda de quem realmente se sente desamparado e está ali procurando um "pronto-socorro" no desespero.
Quando sairemos desse quadro de miséria, desigualdade, desespero, violência? Quando essas situações ficarão obsoletas, completamente abandonadas no passado, porque não haverá mais ocupações irregulares, moradias precárias, situações de conflito?
Não dá, de jeito nenhum, para o poder público ficar brigando com pessoas por causa de móveis apodrecidos, pedaços de madeira, telhas vagabundas e um arranjo tosco chamado de "barraco". Não devemos tolerar que São Paulo tenha pessoas vivendo de lá para cá por absoluta falta de estabilidade (emocional, sócio-econômica), servindo como freguesia para mercadores de vários tipos de opressão, sem nenuma perspectiva de levar uma vida "normal"?
A maioria delas está debaixo da ponte. Um barraco ainda está de pé, com uma mulher e várias crianças junto de si.
Durante o dia, houve várias tratativas, sem solução. Eles não quiseram ser encaminhados para albergues ou abrigos; queriam "solução habitacional" (claro que não seria possível; as famílias cadastradas, que realmente estavam ali há muito tempo, foram encaminhadas para isso) ou "indenização" (a que também não fariam jus, porque não estavam perdendo suas moradias, e sim o cenário montado da noite para o dia).
O Conselho Tutelar foi chamado para ajudar com as crianças. Um Conselheiro foi até lá e fez a abordagem e o cadastramento das famílias, que continuaram não querendo sair de debaixo da ponte. Mas, com muito esforço e habilidade, ele conseguiu convencê-las a aceitar abrigamento em outro lugar.
Estou resumindo a história, que é muito extensa e intricada.
Houve episódios de todos os tipos - de agitação e revolta, sincera ou forçada, e de tristeza profunda de quem realmente se sente desamparado e está ali procurando um "pronto-socorro" no desespero.
Quando sairemos desse quadro de miséria, desigualdade, desespero, violência? Quando essas situações ficarão obsoletas, completamente abandonadas no passado, porque não haverá mais ocupações irregulares, moradias precárias, situações de conflito?
Não dá, de jeito nenhum, para o poder público ficar brigando com pessoas por causa de móveis apodrecidos, pedaços de madeira, telhas vagabundas e um arranjo tosco chamado de "barraco". Não devemos tolerar que São Paulo tenha pessoas vivendo de lá para cá por absoluta falta de estabilidade (emocional, sócio-econômica), servindo como freguesia para mercadores de vários tipos de opressão, sem nenuma perspectiva de levar uma vida "normal"?
Piorou
Como era de se esperar, durante a noite foram construídos 19 "barracos" no terreno que está sendo desocupado (ver abaixo).
São amontoados de madeira com uma telha jogada por cima.
As pessoas que alegam ser "moradoras" dos barracos dizem que só saem de lá com indenização.
Em nome da justiça, da decência, do respeito ao dinheiro público e à honestidade (porque o comportamento delas é desonesto; é uma manobra para conseguir ganhar dinheiro de maneira indevida), elas não podem ser "indenizadas".
Ao mesmo tempo, uma molecada está deliberadamente "zoando". "Vamos tocar fogo em ônibus! Vamos virar!". Alguns começaram a arrancar fios dos postes e largar as pontas vivas no meio da rua. Um fez menção de estar armado.
A discussão a céu aberto ganhou um agravante quando as pessoas entraram para dentro dos barracos e disseram que só saem quando a Assistência Social cuidar delas (com o tal pagamento). Depois trouxeram as crianças para junto delas.
Os servidores da prefeitura já não podiam desmontar os barracos com as pessoas dentro (CLARO). E a GCM não vai agir por causa das crianças.
Estabelecido o impasse, a perspectiva de confronto, o medo de ações extremadas, foi chamada a polícia.
So help us god.
São amontoados de madeira com uma telha jogada por cima.
As pessoas que alegam ser "moradoras" dos barracos dizem que só saem de lá com indenização.
Em nome da justiça, da decência, do respeito ao dinheiro público e à honestidade (porque o comportamento delas é desonesto; é uma manobra para conseguir ganhar dinheiro de maneira indevida), elas não podem ser "indenizadas".
Ao mesmo tempo, uma molecada está deliberadamente "zoando". "Vamos tocar fogo em ônibus! Vamos virar!". Alguns começaram a arrancar fios dos postes e largar as pontas vivas no meio da rua. Um fez menção de estar armado.
A discussão a céu aberto ganhou um agravante quando as pessoas entraram para dentro dos barracos e disseram que só saem quando a Assistência Social cuidar delas (com o tal pagamento). Depois trouxeram as crianças para junto delas.
Os servidores da prefeitura já não podiam desmontar os barracos com as pessoas dentro (CLARO). E a GCM não vai agir por causa das crianças.
Estabelecido o impasse, a perspectiva de confronto, o medo de ações extremadas, foi chamada a polícia.
So help us god.
Meia dúzia de problemas graves e coisas muito, muito legais
Só para registro inicial, ontem o dia foi bem melhor do que o anterior.
Não porque problemas tenham desaparecido, mas ao menos apareceram várias soluções (ou ao menos bons encaminhamentos também).
***
Entre os problemas, a nossa desorganização, burocracia, arcaísmo. Existem muitas, muitas coisas que ainda não foram informatizadas, padronizadas, e por conta disso existem milhares de informações armazenadas em toneladas de papel. Olha que eu gosto de guardar papel, mas não desse jeito. Felizmente, existem várias iniciativas no sentido de simplificar, padronizar e informatizar processos, mas o que fazer com o "passivo", isto é, com o que já existe? Para não ficarmos parados esperando, estamos fazendo o que está imediatamente ao nosso alcance: destacando alguém para digitar tudo de maneira organizada e armazenar no computador.
***
Outro problema é lidar com a necessidade urgente de remoção de pessoas de áreas de risco ou degradadas. Sobre áreas de risco, não há nem o que dizer - onde o barranco pode despencar, não pode haver nenhuma casa ou barraco. Mas é incrível a persistência de uns e a agilidade de outros, que constróem um arremedo de barraco da noite para o dia e não há meio de quererem sair.
Quanto a áreas degradadas - não é possível que qualquer um de nós ache aceitáveis as favelas à beira da marginal, com gente dependurada sobre a via expressa. Milhões de pessoas devem passar ali todo dia e, tirando as que já ficaram indiferentes, pensar: "Não é possível que ninguém faça nada em relação a isso".
Uma dessas favelas, debaixo de um viaduto, está passando por uma intervenção agora. O lugar é horrível - lama, trânsito, poluição - e inviável para construção ou urbanização. A Habi-Centro (uma divisão da Secr. da Habitação) foi lá inúmeras vezes, cadastrou as famílias, negociou, providenciou apartamentos da CDHU (companhia de habitação do estado) para elas. Mas um dos conjuntos habitacionais para onde elas se mudariam sofreu ação de vandalismo e adiou a mudança. Resultado - mais gente aproveitou o hiato para se instalar ali. Algumas, porque realmente procuravam lugar para viver. Muitas porque sabiam da desocupação iminente e subiram quatro paredes toscas apenas para serem indenizados com a remoção (porque os que têm direito a solução habitacional imediata são os que estavam lá há mais tempo. E lastimavelmente tem muita gente esperando há anos e não se pode criar esse precedente de furar a fila. Além do quê, não há como os recém-chegados alegarem ignorância do que está para acontecer - só se não falarem português).
Quatro paredes, oito, doze... Tem gente que faz logo quatro barracos e "contrata" alguém para ficar dentro deles. Um amigo meu andou por lá observando, conversando - ok, xeretando - e soube de uma mulher que conseguiu quatro indenizações (20 mil reais no total) em função de quatro barracos destruídos, todos feitos por ela. Ficou com 17 mil reais e pagou mil para cada "inquilino".
Tanta gente se matando para ganhar dois salários mínimos... Ou querendo vender pano de prato sem ser perseguido, mas não consegue. Assim a gente realmente desencoraja a honestidade.
"Vocês têm de impedir isso!". CLARO que temos. Mas a área é enorme, a topografia permite que partes dela fiquem bem escondidas dos olhos de quem passa, há uma organização criminosa por trás disso (não são apenas iniciativas isoladas, e sim coordenadas), é fácil mobilizar a opinião pública contra a desocupação (duas vezes a marginal foi paralisada por protestos) e difícil ser firme sem perder a mão. É o certo, é o certo, é o certo, mas como é difícil.
***
Em outros casos de moradias precárias, é possível reurbanizar mantendo o formato original (casas auto-construídas). Em outros ainda - como no Morro do Sabão, adivinhem por quê o nome - as casas precisam ser demolidas porque não se seguram.
Eu defendo que, quando for possível, quase sempre é desejável que as pessoas permaneçam onde estão, ou se mudem para bem perto. Elas já têm laços de amizade com a vizinhança, filhos na escola ali perto... No Sabão, por exemplo, quem quis mudar dali teve essa opção, mas quem quis ficar ficou morando de aluguel (pago pela Habitação) até que fossem construídos predinhos no lugar.
Não era o melhor terreno para um conjunto habitacional (por que não "condomínio", como nos empreendimentos privados?) - o certo é ter espaço para o lazer, convivência, equipamentos de educação e saúde... Mas ao menos preservou-se a relação com o lugar.
Depois de muitas negociações, explicações, resistências, persistência, foi feito. E mudou-se a cara do lugar.
***
Só que esse é um pedaço apenas da favela do Jaguaré, que tem 4 mil famílias. A Habitação quer reurbanizar ela toda, fazer daquele mais um bairro da "cidade formal", como dizem. Outros operações do tipo remoção temporária + construção de unidades novas + retorno dos moradores já foram feitas. Mesmo a reurbanização exige algumas remoções - para abrir ruas em que passem carros e caminhões de gás e de lixo, ambulâncias, etc. Os bequinhos inviabilizam o atendimento de necessidades báscias, criam enclaves e favorecem o domínio de criminosos que mantêm a população sob sua dependência. E que freqüentemente obstruem essas obras, envenenam ou oprimem a população. Em outro lugar da cidade, as pessoas queriam sair, queriam pegar as cartas de crédito que permitiriam adquirir um imóvel da sua escolha (adoro esse programa do governo do estado, queria que a prefeitura aderisse mais a essa prática, com seus próprios recursos) mas os bandidos não deixavam, porque iam perder a freguesia, óbvio, para seus serviços de "assistência e proteção". E ameaçavam: "Podem vir com 12 que nós temos AR-15". (E me parece que ainda fazem mais esforço para apreender maconha do que armas e munição, não me conformo).
Enfim, voltando ao Jaguaré. As obras de alargamento e pavimentação de ruas e calçadas, sistema de água e esgoto, luz elétrica, construção de praças e áreas de lazer, área para coleta de lixo, construção de novas unidades estão paralisadas. Existem quatro ou cinco famílias que estão lá há anos, foram devidamente cadastradas, abordadas, informadas mas não querem sair de lá de jeito nenhum. Não aceitam nada. Até mudança imediata para um apartamento, sem o estágio do aluguel provisório, foi oferecido. Não querem saber. Por que? Bom, cada uma tem seu motivo. Uma delas mora em uma casa muito grande, e não admite morar em um apartamento de "x" (poucos) metros quadrados. Então fica lá com sua residência espaçosa, bloqueando o que seria uma rua importante para atender as pessoas que moram muito precariamente atrás dele - inclusive em um barranco "de risco".
As obras não andam, novos barracos são feitos no terreno que precisa ser desocupado/ reorganizado, os moradores que já tinham aceitado as condições começam a ficar impacientes e desacreditar do poder público...
Então aqui está uma mega-mandioca compartilhada com a população. Valei-me Nossa São Paulo, assistentes e cientistas sociais, arquitetos e urbanistas, mediadores de conflito, ONU, Hábitat, PNUD, agentes culturais, artistas, personalidades, psicólogos, padres, pastores... Como a gente impede que milhares de famílias sejam prejudicadas pelo impasse com cinco? Como conciliar o atendimento necessário e urgente às necessidades da maioria com desejos individuais incontornáveis?
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Putz, eu ia fazer o relato breve das coisas muito, muito legais... Fica para depois.
Não porque problemas tenham desaparecido, mas ao menos apareceram várias soluções (ou ao menos bons encaminhamentos também).
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Entre os problemas, a nossa desorganização, burocracia, arcaísmo. Existem muitas, muitas coisas que ainda não foram informatizadas, padronizadas, e por conta disso existem milhares de informações armazenadas em toneladas de papel. Olha que eu gosto de guardar papel, mas não desse jeito. Felizmente, existem várias iniciativas no sentido de simplificar, padronizar e informatizar processos, mas o que fazer com o "passivo", isto é, com o que já existe? Para não ficarmos parados esperando, estamos fazendo o que está imediatamente ao nosso alcance: destacando alguém para digitar tudo de maneira organizada e armazenar no computador.
***
Outro problema é lidar com a necessidade urgente de remoção de pessoas de áreas de risco ou degradadas. Sobre áreas de risco, não há nem o que dizer - onde o barranco pode despencar, não pode haver nenhuma casa ou barraco. Mas é incrível a persistência de uns e a agilidade de outros, que constróem um arremedo de barraco da noite para o dia e não há meio de quererem sair.
Quanto a áreas degradadas - não é possível que qualquer um de nós ache aceitáveis as favelas à beira da marginal, com gente dependurada sobre a via expressa. Milhões de pessoas devem passar ali todo dia e, tirando as que já ficaram indiferentes, pensar: "Não é possível que ninguém faça nada em relação a isso".
Uma dessas favelas, debaixo de um viaduto, está passando por uma intervenção agora. O lugar é horrível - lama, trânsito, poluição - e inviável para construção ou urbanização. A Habi-Centro (uma divisão da Secr. da Habitação) foi lá inúmeras vezes, cadastrou as famílias, negociou, providenciou apartamentos da CDHU (companhia de habitação do estado) para elas. Mas um dos conjuntos habitacionais para onde elas se mudariam sofreu ação de vandalismo e adiou a mudança. Resultado - mais gente aproveitou o hiato para se instalar ali. Algumas, porque realmente procuravam lugar para viver. Muitas porque sabiam da desocupação iminente e subiram quatro paredes toscas apenas para serem indenizados com a remoção (porque os que têm direito a solução habitacional imediata são os que estavam lá há mais tempo. E lastimavelmente tem muita gente esperando há anos e não se pode criar esse precedente de furar a fila. Além do quê, não há como os recém-chegados alegarem ignorância do que está para acontecer - só se não falarem português).
Quatro paredes, oito, doze... Tem gente que faz logo quatro barracos e "contrata" alguém para ficar dentro deles. Um amigo meu andou por lá observando, conversando - ok, xeretando - e soube de uma mulher que conseguiu quatro indenizações (20 mil reais no total) em função de quatro barracos destruídos, todos feitos por ela. Ficou com 17 mil reais e pagou mil para cada "inquilino".
Tanta gente se matando para ganhar dois salários mínimos... Ou querendo vender pano de prato sem ser perseguido, mas não consegue. Assim a gente realmente desencoraja a honestidade.
"Vocês têm de impedir isso!". CLARO que temos. Mas a área é enorme, a topografia permite que partes dela fiquem bem escondidas dos olhos de quem passa, há uma organização criminosa por trás disso (não são apenas iniciativas isoladas, e sim coordenadas), é fácil mobilizar a opinião pública contra a desocupação (duas vezes a marginal foi paralisada por protestos) e difícil ser firme sem perder a mão. É o certo, é o certo, é o certo, mas como é difícil.
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Em outros casos de moradias precárias, é possível reurbanizar mantendo o formato original (casas auto-construídas). Em outros ainda - como no Morro do Sabão, adivinhem por quê o nome - as casas precisam ser demolidas porque não se seguram.
Eu defendo que, quando for possível, quase sempre é desejável que as pessoas permaneçam onde estão, ou se mudem para bem perto. Elas já têm laços de amizade com a vizinhança, filhos na escola ali perto... No Sabão, por exemplo, quem quis mudar dali teve essa opção, mas quem quis ficar ficou morando de aluguel (pago pela Habitação) até que fossem construídos predinhos no lugar.
Não era o melhor terreno para um conjunto habitacional (por que não "condomínio", como nos empreendimentos privados?) - o certo é ter espaço para o lazer, convivência, equipamentos de educação e saúde... Mas ao menos preservou-se a relação com o lugar.
Depois de muitas negociações, explicações, resistências, persistência, foi feito. E mudou-se a cara do lugar.
***
Só que esse é um pedaço apenas da favela do Jaguaré, que tem 4 mil famílias. A Habitação quer reurbanizar ela toda, fazer daquele mais um bairro da "cidade formal", como dizem. Outros operações do tipo remoção temporária + construção de unidades novas + retorno dos moradores já foram feitas. Mesmo a reurbanização exige algumas remoções - para abrir ruas em que passem carros e caminhões de gás e de lixo, ambulâncias, etc. Os bequinhos inviabilizam o atendimento de necessidades báscias, criam enclaves e favorecem o domínio de criminosos que mantêm a população sob sua dependência. E que freqüentemente obstruem essas obras, envenenam ou oprimem a população. Em outro lugar da cidade, as pessoas queriam sair, queriam pegar as cartas de crédito que permitiriam adquirir um imóvel da sua escolha (adoro esse programa do governo do estado, queria que a prefeitura aderisse mais a essa prática, com seus próprios recursos) mas os bandidos não deixavam, porque iam perder a freguesia, óbvio, para seus serviços de "assistência e proteção". E ameaçavam: "Podem vir com 12 que nós temos AR-15". (E me parece que ainda fazem mais esforço para apreender maconha do que armas e munição, não me conformo).
Enfim, voltando ao Jaguaré. As obras de alargamento e pavimentação de ruas e calçadas, sistema de água e esgoto, luz elétrica, construção de praças e áreas de lazer, área para coleta de lixo, construção de novas unidades estão paralisadas. Existem quatro ou cinco famílias que estão lá há anos, foram devidamente cadastradas, abordadas, informadas mas não querem sair de lá de jeito nenhum. Não aceitam nada. Até mudança imediata para um apartamento, sem o estágio do aluguel provisório, foi oferecido. Não querem saber. Por que? Bom, cada uma tem seu motivo. Uma delas mora em uma casa muito grande, e não admite morar em um apartamento de "x" (poucos) metros quadrados. Então fica lá com sua residência espaçosa, bloqueando o que seria uma rua importante para atender as pessoas que moram muito precariamente atrás dele - inclusive em um barranco "de risco".
As obras não andam, novos barracos são feitos no terreno que precisa ser desocupado/ reorganizado, os moradores que já tinham aceitado as condições começam a ficar impacientes e desacreditar do poder público...
Então aqui está uma mega-mandioca compartilhada com a população. Valei-me Nossa São Paulo, assistentes e cientistas sociais, arquitetos e urbanistas, mediadores de conflito, ONU, Hábitat, PNUD, agentes culturais, artistas, personalidades, psicólogos, padres, pastores... Como a gente impede que milhares de famílias sejam prejudicadas pelo impasse com cinco? Como conciliar o atendimento necessário e urgente às necessidades da maioria com desejos individuais incontornáveis?
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Putz, eu ia fazer o relato breve das coisas muito, muito legais... Fica para depois.
Batendo recordes
- Em 87, eu dava aulas de inglês e fazia teatro amador, quando participei da filmagem de um curta-metragem de alunos da ECA. Foi tão legal que eu resolvi fazer faculdade de cinema, mas foi sacrificado também. Passei duas noites seguidas filmando - e os dias, trabalhando. Resultado: em um sábado de manhã, depois de 60 horas em claro, eu dei aula... dormindo. Sonâmbula. Deve ter sido coisa de minutos, mas aconteceu. De repente, assustadíssima, eu acordei sentada à minha mesa. A última coisa de que eu me lembrava era de estar em pé no meio da sala! Os alunos, felizmente, estavam aplicadíssimos fazendo algum exercício escrito - eu só não sabia qual. Tive de ir até as carteiras descobrir o que eu tinha pedido para eles fazerem (ainda bem que não foi nenhum absurdo. Mesmo dormindo, até a página do livro eu acertei).
- Em algum ponto dos anos 90, eu trabalhava na MTV em três períodos e meio. Manhã, tarde, noite e começo da madrugada. Saíamos das gravações às 2:30 ou 3:00 da matina e uma "viatura" da tevê ia levar em casa os cinco ou seis funcionários que dependiam de condução, eu inclusive. Um morava na Paulista, outro no Ipiranga, um perto da Anchieta, outro na Vila Jaguara... Eu morava em Santana e no Jaguaré (algum dia explico). O resultado era uma via sacra; o último chegava em casa uma hora e meia depois.
Nesse contexto eu... morria de sono e cansaço, óbvio. E um dia dormi de pé em um show do James Brown no Palace. Juro. E não sou narcoléptica não.
- Ontem, eu dormi no segundo tempo do PRIMEIRO JOGO DO PALMEIRAS NA LIBERTADORES. Perdi dois gols.
Pelo menos eu estava no sofá e não no estádio. (Mas eu já pesquei no estádio)
- Em algum ponto dos anos 90, eu trabalhava na MTV em três períodos e meio. Manhã, tarde, noite e começo da madrugada. Saíamos das gravações às 2:30 ou 3:00 da matina e uma "viatura" da tevê ia levar em casa os cinco ou seis funcionários que dependiam de condução, eu inclusive. Um morava na Paulista, outro no Ipiranga, um perto da Anchieta, outro na Vila Jaguara... Eu morava em Santana e no Jaguaré (algum dia explico). O resultado era uma via sacra; o último chegava em casa uma hora e meia depois.
Nesse contexto eu... morria de sono e cansaço, óbvio. E um dia dormi de pé em um show do James Brown no Palace. Juro. E não sou narcoléptica não.
- Ontem, eu dormi no segundo tempo do PRIMEIRO JOGO DO PALMEIRAS NA LIBERTADORES. Perdi dois gols.
Pelo menos eu estava no sofá e não no estádio. (Mas eu já pesquei no estádio)
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Segunda Quarta-feira
Tirem as crianças da sala, para elas não se assustarem com a minha cara.
A qualidade da imagem é padrão Al Qaeda; restos de maquiagem, cabelo ensebado (tomei chuva de manhã, passei calor à tarde) e olheiras não melhoram a aparência. Mas é o que temos - apesar do futebol ir até meia-noite, pretendo dormir mais cedo hoje, então vai assim mesmo.
Segunda Quarta-feira, Primeira parte
Segunda Quarta-feira, Segunda parte
A qualidade da imagem é padrão Al Qaeda; restos de maquiagem, cabelo ensebado (tomei chuva de manhã, passei calor à tarde) e olheiras não melhoram a aparência. Mas é o que temos - apesar do futebol ir até meia-noite, pretendo dormir mais cedo hoje, então vai assim mesmo.
Segunda Quarta-feira, Primeira parte
Segunda Quarta-feira, Segunda parte
Ajuda
O único jeito de fiscalizar intensamente a qualidade do serviço público é contar com o suporte de toda a população (lindo será o dia em que não precisaremos de tantos fiscais, mas talvez esse dia nunca chegue).
Hoje saiu publicada no Diário Oficial uma relação de serviços de poda a serem executados nos próximos dias.
Por força da legislação, as pessoas que discordarem de algum desses serviços têm até 6 dias para recorrer da determinação. Portanto... Os serviços só podem começar depois desse prazo. O que me deixa profundamente contrariada (será que não há uma maneira de antecipar essa divulgação? Alguns serviços são resultantes de pedidos feitos pelos próprios munícipes, já há algum tempo. Registrado o pedido, já não poderia ser feita a consulta à população?
Enfim, aí está a lista, exatamente como saiu no D.O.
SUBPREFEITURA LAPA
Supervisão Técnica de Limpeza Pública
Unidade de Áreas Verdes
Conforme Lei n.º 10.919/91, esta Subprefeitura informa os locais onde serão executados os serviços de poda geral e remoção de
árvores pela PMSP-SPLA.
As pessoas ou entidades que discordarem da remoção ou poda poderão no prazo de 06 (seis) dias contados da data de publicação apresentar recursos contra a medida devidamente fundamentada nesta Subprefeitura - São Paulo 26/01/2009.
PODA DE ÁRVORES
Memorando nº 0336/STLP/ SP-LA/08
Centro Esportivo Pelezão (05 arvores)
Poda de Formação
Memorando nº 0028/SPLA/STLP/09
Rua Catão, nº 204
Poda de Limpeza
Memorando nº 0026/2009/STLP/SP-LA
Praça Manoel de Figueiredo (todos os exemplares arbóreos)
Poda de Limpeza, Poda de Equilíbrio, Poda de Levantamento
Memorando nº 0027/SPLA/STLP/09
Rua Catão com Rua Roma, nº 273 (02 arvores)
Poda de Limpeza
SAC 7804568
Rua Vespasiano, nº 952
Poda de Equilíbrio, Poda de Limpeza
SAC 8091954
Rua Faustolo, nº 1084
Poda de Levantamento, Poda de Limpeza
SAC 4961324
Rua João dos Santos Estrelado, nº 35
Poda de Levantamento, Poda de Equilibrio
SAC 4844908
Rua Padre Antonio Tomas, nº 169 (02 arvores)
Poda de Levantamento, Poda de Limpeza
Oficio nº 110/2005
Rua Marta, nº 33 (área interna da escola)
Poda de Limpeza, Poda de Levantamento
Oficio nº 200/2007
Rua Diana, nº 1070 (área interna da escola)
Poda de Limpeza, Poda de Levantamento
Oficio nº 665/2008
Rua Pedro Soares de Almeida, nº 134 (área interna da escola)
Poda de Limpeza, Poda de Levantamento
Oficio nº 665/2008
Rua Padre Chico, nº 420 (área interna da escola)
Poda de Limpeza, Poda de Levantamento
Oficio nº 55/2005
Rua Padre Chico, nº 102 (área interna da escola)
Poda de Limpeza, Poda de Levantamento
Oficio nº 665/2008
Rua Cajaiba, nº 420 (área interna da escola)
Poda de Limpeza, Poda de Levantamento
REMOÇÃO DE ARVORE
SAC 5192554
Rua Padre Antonio Tomas nº 177
SAC 7804568
Rua Vespasiano, nº 952
Oficio nº 092/54/08 Policia Militar
Rua Aluiso Fagundes, n° 18 (02 arvores) (pedido Indeferido)
Hoje saiu publicada no Diário Oficial uma relação de serviços de poda a serem executados nos próximos dias.
Por força da legislação, as pessoas que discordarem de algum desses serviços têm até 6 dias para recorrer da determinação. Portanto... Os serviços só podem começar depois desse prazo. O que me deixa profundamente contrariada (será que não há uma maneira de antecipar essa divulgação? Alguns serviços são resultantes de pedidos feitos pelos próprios munícipes, já há algum tempo. Registrado o pedido, já não poderia ser feita a consulta à população?
Enfim, aí está a lista, exatamente como saiu no D.O.
SUBPREFEITURA LAPA
Supervisão Técnica de Limpeza Pública
Unidade de Áreas Verdes
Conforme Lei n.º 10.919/91, esta Subprefeitura informa os locais onde serão executados os serviços de poda geral e remoção de
árvores pela PMSP-SPLA.
As pessoas ou entidades que discordarem da remoção ou poda poderão no prazo de 06 (seis) dias contados da data de publicação apresentar recursos contra a medida devidamente fundamentada nesta Subprefeitura - São Paulo 26/01/2009.
PODA DE ÁRVORES
Memorando nº 0336/STLP/ SP-LA/08
Centro Esportivo Pelezão (05 arvores)
Poda de Formação
Memorando nº 0028/SPLA/STLP/09
Rua Catão, nº 204
Poda de Limpeza
Memorando nº 0026/2009/STLP/SP-LA
Praça Manoel de Figueiredo (todos os exemplares arbóreos)
Poda de Limpeza, Poda de Equilíbrio, Poda de Levantamento
Memorando nº 0027/SPLA/STLP/09
Rua Catão com Rua Roma, nº 273 (02 arvores)
Poda de Limpeza
SAC 7804568
Rua Vespasiano, nº 952
Poda de Equilíbrio, Poda de Limpeza
SAC 8091954
Rua Faustolo, nº 1084
Poda de Levantamento, Poda de Limpeza
SAC 4961324
Rua João dos Santos Estrelado, nº 35
Poda de Levantamento, Poda de Equilibrio
SAC 4844908
Rua Padre Antonio Tomas, nº 169 (02 arvores)
Poda de Levantamento, Poda de Limpeza
Oficio nº 110/2005
Rua Marta, nº 33 (área interna da escola)
Poda de Limpeza, Poda de Levantamento
Oficio nº 200/2007
Rua Diana, nº 1070 (área interna da escola)
Poda de Limpeza, Poda de Levantamento
Oficio nº 665/2008
Rua Pedro Soares de Almeida, nº 134 (área interna da escola)
Poda de Limpeza, Poda de Levantamento
Oficio nº 665/2008
Rua Padre Chico, nº 420 (área interna da escola)
Poda de Limpeza, Poda de Levantamento
Oficio nº 55/2005
Rua Padre Chico, nº 102 (área interna da escola)
Poda de Limpeza, Poda de Levantamento
Oficio nº 665/2008
Rua Cajaiba, nº 420 (área interna da escola)
Poda de Limpeza, Poda de Levantamento
REMOÇÃO DE ARVORE
SAC 5192554
Rua Padre Antonio Tomas nº 177
SAC 7804568
Rua Vespasiano, nº 952
Oficio nº 092/54/08 Policia Militar
Rua Aluiso Fagundes, n° 18 (02 arvores) (pedido Indeferido)
Lástima
Realmente, nenhuma árvore tinha caído na Rua Duílio, que eu percorri ontem quando saí da Sub. Era na Cláudio. E foram duas, uma delas sobre um carro.
Como se não bastasse, ainda caíram outras duas.
Quatro ontem, sete semana passada...
Difícil. Quase desesperador.
Como se não bastasse, ainda caíram outras duas.
Quatro ontem, sete semana passada...
Difícil. Quase desesperador.
Off topic (ou "nada a ver")
Hoje à tarde gritei no Twitter (AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH); recebi em resposta esta informação super-relevante (superrelevante?):
http://desciclo.pedia.ws/wiki/AAAA
http://desciclo.pedia.ws/wiki/AAAA
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Pressa para (gulp) cortar árvores
No começo da noite, recebemos uma ligação informando que uma árvore tinha caído sobre um carro. Os bombeiros já estariam lá removendo. Nenhum ferido, felizmente. O pedido de corte já havia sido feito meses atrás. Ó, ceús.
***
Um dos maiores problemas da Subprefeitura é o número imenso de pedidos de cortes de árvores. Muito antigas, frondosas, mal cuidadas por décadas a fio (podas "assassinas", como costumava dizer o Shoppin News; cimento e lixo nos vãos dos troncos, etc.), inadequadas para a cidade de hoje (que, na verdade, é inadequada para elas, com seus postes e fios, asfalto e concreto), hoje causam danos e medo. Uma tristeza.
Muitas vezes, há laudos contraditórios sobre a necessidade de remoção, o que causa impasses. Se uma árvore NÃO PRECISA ser cortada, o erro de arrancá-la pode ser irreversível. Mas algumas realmente precisam, e são muitas!
A cobertura vegetal já é insuficiente. Quando uma árvore for removida, precisamos substituí-la por outra adulta (ou quase), e isso também tem suas dificuldades.
***
Chega de dificuldades, vamos às providências.
1) Constam em nossos registros CINCO MIL pedidos não atendidos de corte/poda. Não há dúvida alguma que muitos deles são redundantes, isto é, se referem à mesma árvore. Dez pessoas diferentes registram um pedido; uma pessoa registra o mesmo pedido dez vezes (claro, até ser atendida!). Além disso, quando a queixa chega até a Ouvidoria, o tal pedido nos é reencaminhado por eles. Não havendo resposta, a Ouvidoria repete o encaminhamento até duas vezes.
Cada um desses pedidos, encaminhamentos, reencaminhamentos recebe um novo número de registro.
Além disso, informações ligeiramente diferentes (se uma árvore fica em uma esquina e cada um indica uma das ruas como sendo o endereço) também podem gerar pedidos redundantes.
Portanto... Precisamos "triar" esses pedidos. Identificar os mais urgentes. Os mais fáceis de atender. Os que ainda não foram objeto de avaliação. Os que tiveram avaliações conflitantes. E REMOVER AS ÁRVORES O QUANTO ANTES.
(Nunca na minha vida pensei que teria a maior pressa para mandar cortar árvores. Isso dói).
2)Providenciar, junto à Secretaria do Verde ou pela própria Subprefeitura, árvores para reposição.
Essas são as medidas de emergência. Esta semana tenho uma reunião na Secretaria do Verde para tratar desse assunto, entre vários outros (bicicletas, Parque Orlando Vilas-Boas, Parque da Aldeinha, A3P, Agenda 21...)
Além disso, precisamos:
1) Fazer um tremendo inventario das árvores da Subprefeitura. Identificar todas elas, criar um código para fácil localização de cada uma, diagnosticar seu estado e necessidades.
Até hoje, uma das referências usadas para falar da necessidade de poda ou remoção é um estudo do IPT de 2004. Imagine quanta agua já correu por debaixo das pontes e por cima das calçadas.
No caminho para casa, vim "viajando" nisso, também em função da reunião de hoje de manhã com uma ONG de Educação Ambiental (5 Elementos), o CEPECA (outra ONG, que faz um trabalho muito importante com crianças e adolescentes dentro e nos arredores da Estação Ciência)e um representante da Rede Social Lapa - porque essa também é uma preocupação deles.
A prefeitura deveria ou poderia contratar esse serviço (inventario). Mas também poderia, por meio da Rede Social e todos os interessados, repartir essa tarefa. Primeiro, providenciaríamos (Secretaria do Verde, Umapaz, Subprefeitura, ONGs parceiras, setor privado?) cursos de formação para os inventariantes. Depois, dividiríamos as áreas de responsabilidade de cada um, estabeleceríamos um padrão (formulário a preencher, fotografias, código de localização) e ao fim teríamos um registro detalhado de todas as árvores. E qualquer um, de qualquer lugar, poderia localizar suas fichas, adotar, acompanhar a vida de uma delas - nome, idade, quem plantou e tudo mais que pudéssemos saber.
Por um lado, um sonho. Por outro, nada disso é impossível. Se no meu quarto, com um I-Phone e uma conexão de internet eu consigo ver uma imagem de satélite da Stupa de Boudanath (Katmandu, Nepal)ou da arquibancada do Palestra Itália, mais a página da Wikipedia com informações sobre as duas, mais fotos tiradas por diversas pessoas, fazer essa "lista telefônica" das árvores não tem nada de mais.
2) Com ou sem inventario, já se sabe que milhares de árvores precisam de tratamento e manutenção adequada. Também vamos discutir esse ponto com o Verde ("o Verde" = "Secretaria do Verde e do Meio Ambiente").
Outra idéia que tive hoje foi a de usar as Compensações Ambientais dessa maneira. Em geral, o que se pede é "plantar árvores". Realizar um programa de manutenção ou o inventario de determinada região também seria muito interesssante.
***
Pra encerrar as árvores por hoje: a Avenida Pompéia tem 98 árvores. Alguns estudos indicam que dez precisam ser removidas, outros trazem um número menor, precisamos chegar a uma conclusão urgente, antes que mais alguma dessas senhoras idosas tombe sobre nossas cabeças.
E a Sumaré, quantas árvores tem? Canteiro central + calçadas e praças ao longo da avenida? Chutem à vontade, amanhã eu digo.
***
Percorri a rua onde a árvores teria caído, de ponta a ponta. Não vi carro de bombeiros, automóvel amassado, restos de galhos, toco de árvore, nada. Acho que foi engano. Ok, melhor assim.
***
Um dos maiores problemas da Subprefeitura é o número imenso de pedidos de cortes de árvores. Muito antigas, frondosas, mal cuidadas por décadas a fio (podas "assassinas", como costumava dizer o Shoppin News; cimento e lixo nos vãos dos troncos, etc.), inadequadas para a cidade de hoje (que, na verdade, é inadequada para elas, com seus postes e fios, asfalto e concreto), hoje causam danos e medo. Uma tristeza.
Muitas vezes, há laudos contraditórios sobre a necessidade de remoção, o que causa impasses. Se uma árvore NÃO PRECISA ser cortada, o erro de arrancá-la pode ser irreversível. Mas algumas realmente precisam, e são muitas!
A cobertura vegetal já é insuficiente. Quando uma árvore for removida, precisamos substituí-la por outra adulta (ou quase), e isso também tem suas dificuldades.
***
Chega de dificuldades, vamos às providências.
1) Constam em nossos registros CINCO MIL pedidos não atendidos de corte/poda. Não há dúvida alguma que muitos deles são redundantes, isto é, se referem à mesma árvore. Dez pessoas diferentes registram um pedido; uma pessoa registra o mesmo pedido dez vezes (claro, até ser atendida!). Além disso, quando a queixa chega até a Ouvidoria, o tal pedido nos é reencaminhado por eles. Não havendo resposta, a Ouvidoria repete o encaminhamento até duas vezes.
Cada um desses pedidos, encaminhamentos, reencaminhamentos recebe um novo número de registro.
Além disso, informações ligeiramente diferentes (se uma árvore fica em uma esquina e cada um indica uma das ruas como sendo o endereço) também podem gerar pedidos redundantes.
Portanto... Precisamos "triar" esses pedidos. Identificar os mais urgentes. Os mais fáceis de atender. Os que ainda não foram objeto de avaliação. Os que tiveram avaliações conflitantes. E REMOVER AS ÁRVORES O QUANTO ANTES.
(Nunca na minha vida pensei que teria a maior pressa para mandar cortar árvores. Isso dói).
2)Providenciar, junto à Secretaria do Verde ou pela própria Subprefeitura, árvores para reposição.
Essas são as medidas de emergência. Esta semana tenho uma reunião na Secretaria do Verde para tratar desse assunto, entre vários outros (bicicletas, Parque Orlando Vilas-Boas, Parque da Aldeinha, A3P, Agenda 21...)
Além disso, precisamos:
1) Fazer um tremendo inventario das árvores da Subprefeitura. Identificar todas elas, criar um código para fácil localização de cada uma, diagnosticar seu estado e necessidades.
Até hoje, uma das referências usadas para falar da necessidade de poda ou remoção é um estudo do IPT de 2004. Imagine quanta agua já correu por debaixo das pontes e por cima das calçadas.
No caminho para casa, vim "viajando" nisso, também em função da reunião de hoje de manhã com uma ONG de Educação Ambiental (5 Elementos), o CEPECA (outra ONG, que faz um trabalho muito importante com crianças e adolescentes dentro e nos arredores da Estação Ciência)e um representante da Rede Social Lapa - porque essa também é uma preocupação deles.
A prefeitura deveria ou poderia contratar esse serviço (inventario). Mas também poderia, por meio da Rede Social e todos os interessados, repartir essa tarefa. Primeiro, providenciaríamos (Secretaria do Verde, Umapaz, Subprefeitura, ONGs parceiras, setor privado?) cursos de formação para os inventariantes. Depois, dividiríamos as áreas de responsabilidade de cada um, estabeleceríamos um padrão (formulário a preencher, fotografias, código de localização) e ao fim teríamos um registro detalhado de todas as árvores. E qualquer um, de qualquer lugar, poderia localizar suas fichas, adotar, acompanhar a vida de uma delas - nome, idade, quem plantou e tudo mais que pudéssemos saber.
Por um lado, um sonho. Por outro, nada disso é impossível. Se no meu quarto, com um I-Phone e uma conexão de internet eu consigo ver uma imagem de satélite da Stupa de Boudanath (Katmandu, Nepal)ou da arquibancada do Palestra Itália, mais a página da Wikipedia com informações sobre as duas, mais fotos tiradas por diversas pessoas, fazer essa "lista telefônica" das árvores não tem nada de mais.
2) Com ou sem inventario, já se sabe que milhares de árvores precisam de tratamento e manutenção adequada. Também vamos discutir esse ponto com o Verde ("o Verde" = "Secretaria do Verde e do Meio Ambiente").
Outra idéia que tive hoje foi a de usar as Compensações Ambientais dessa maneira. Em geral, o que se pede é "plantar árvores". Realizar um programa de manutenção ou o inventario de determinada região também seria muito interesssante.
***
Pra encerrar as árvores por hoje: a Avenida Pompéia tem 98 árvores. Alguns estudos indicam que dez precisam ser removidas, outros trazem um número menor, precisamos chegar a uma conclusão urgente, antes que mais alguma dessas senhoras idosas tombe sobre nossas cabeças.
E a Sumaré, quantas árvores tem? Canteiro central + calçadas e praças ao longo da avenida? Chutem à vontade, amanhã eu digo.
***
Percorri a rua onde a árvores teria caído, de ponta a ponta. Não vi carro de bombeiros, automóvel amassado, restos de galhos, toco de árvore, nada. Acho que foi engano. Ok, melhor assim.
Terça-feira, 21:20, direto do Gabinete
- Moto é ruim na chuva, né?
O Guarda Civil no estacionamento da Prefeitura me viu tirando a roupa impermeável do baú da moto e foi solidário.
- É, dá a maior preguiça vestir isso aqui tudo. Mas muito pior é andar de carro na chuva!
De fato, moto na chuva não é a coisa mais gostosa do mundo - o chão fica escorregadio e a visibilidade é muito pior. Mas ao menos ela anda.
O Minhocão e a Francisco Matarazzo estavam tão ruins, tão ruins (e a água de vários pontos de alagamento já tinha baixado) que mesmo de moto eu via farol fechar, abrir, fechar, abrir e não saía do lugar.
Mas saí. Levei uns 30 min do Anhagabaú até a Sub; de carro, teria levado o triplo, sem exagero.
***
Enquanto isso, aqui na Sub...mersa, o pátio alagava e os funcionários acionavam o plano "tirar o carro o quanto antes". Puxa, meu primeiro alagamento e eu nem vi!
(Desculpem, isso não é assunto para brincadeira).
***
O dia hoje não foi muito diferente dos outros: reuniões, reclamações, sugestões, idéias muito boas, idéias impossíveis, problemas fáceis de resolver, problemas complexos, problemas impossíveis.
Pelo menos a gente consegue resolver alguns problemas fáceis, aleluia. Pena que os fáceis são minoria.
O Guarda Civil no estacionamento da Prefeitura me viu tirando a roupa impermeável do baú da moto e foi solidário.
- É, dá a maior preguiça vestir isso aqui tudo. Mas muito pior é andar de carro na chuva!
De fato, moto na chuva não é a coisa mais gostosa do mundo - o chão fica escorregadio e a visibilidade é muito pior. Mas ao menos ela anda.
O Minhocão e a Francisco Matarazzo estavam tão ruins, tão ruins (e a água de vários pontos de alagamento já tinha baixado) que mesmo de moto eu via farol fechar, abrir, fechar, abrir e não saía do lugar.
Mas saí. Levei uns 30 min do Anhagabaú até a Sub; de carro, teria levado o triplo, sem exagero.
***
Enquanto isso, aqui na Sub...mersa, o pátio alagava e os funcionários acionavam o plano "tirar o carro o quanto antes". Puxa, meu primeiro alagamento e eu nem vi!
(Desculpem, isso não é assunto para brincadeira).
***
O dia hoje não foi muito diferente dos outros: reuniões, reclamações, sugestões, idéias muito boas, idéias impossíveis, problemas fáceis de resolver, problemas complexos, problemas impossíveis.
Pelo menos a gente consegue resolver alguns problemas fáceis, aleluia. Pena que os fáceis são minoria.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Resumo resumido sintético e enxuto do dia
- De manhã, a partir das 7:30, respondi emails em casa e bloguei.
- Às 9:40 cheguei à Sub e despachei com o futuro Coord. de Administração e Finanças (que todo mundo nas Subs chama de CAF). Seis ou sete assuntos diferentes. (Exemplo: levantamento de todos os funcionários da Sub, organizados por Coordenadorias/ Supervisões; análise final de pedidos de deferimento de multas; encaminhamento de pedidos de manutenção de arvores à Secretaria do Verde; projeto de Parque para Aldeinha).
- 10:15 - entrevista para o Jornal da Gente (Entre outros temas, enchentes, participação popular, tombamento City Lapa)
- 11:15 - encontro com a ex-Secretária Adjunta de Governo, Stela Goldenstein, que me passou informações recentes e providências necessárias sobre uma dúzia de questões de interesse da Sub da Lapa. "Uma dúzia" não é modo de dizer. (Exemplos: Parque Orlando Vilas-Boas, Poupatempo, Cidade do Samba, Operações Urbanas, remodelação CPTM, CEAGESP, etc.).
- 12:00 - primeira tentativa de sistematizar as informações recebidas, interrompida por telefonemas vários (da Ouvidoria, da Secr. de Cultura), necessidade de ler e assinar documentos, tirar dúvidas surgidas pela equipe, dar instruções sobre novas providências. (Exemplos: fotografar uma praça em que a comunidade solicita cercamento da área dos brinquedos de criança; fotografar uma área pública ocupada indevidamente; assinalar no mapa as ruas recapeadas desde 2006, conforme tabela da Secr. de Coord. das Subs).
- 14:00 - emails + pequena atualização no site da Sub
- 14:30 - reunião com Supervisor de Cultura (Temas: eventos em praças públicas, atividades no Tendal)
- 15:00 - reunião com diretor do Mercado da Lapa (Temas: coleta de lixo, possíveis reformas no prédio, ações no entorno do mercado etc.).
- Mais despachos no Gabinete (documentos para assinar, informações trazidas sobre projetos e processos inacabados, etc.)
- 16:00 - reunião com Conselho Tutelar, Assistência Social, fiscais da CPDU e Guarda Civil sobre problemas diversos no entorno do Memorial. Discutimos: programas de acolhimento, formas de abordagem, equipamentos da rede de proteção social, responsabilidades compartilhadas com outros municípios e órgãos estaduais, etc. etc.
- 17:00 - reunião com Assistente Social (planejar calendário de visitas a equipamentos e serviços dos seis distritos).
- 17:30 - reunião com as comissões organizadoras da Conferência Regional de Meio Ambiente e da eleição dos Conselhos Regionais de Meio Ambiente. Pauta: mudança de membros das Comissões; mudança de data da Conferência e das eleições (para haver mais tempo de preparação e divulgação).
- 19:00 - despachos de gabinete - documentos para assinar, emails para responder, agendas para planejar/ confirmar.
- 20:00 - Reunião do Conseg Lapa. Umas treze demandas para a Subprefeitura, de reocupar os baixos de um viaduto com atividades esportivas a providenciar transporte para que crianças atendidas por programas sociais possam usufruir de atividades oferecidas em equipamentos da região (cursos, oficinas, esportes) a solicitar a dedetização de uma área infestada de baratas e escorpiões (que acham baratas uma delícia).
- 22:30 - Acabei. Quer dizer, acabou a agenda do dia.
Ainda precisei desmarcar uma reunião no Sindicato dos Comerciários (para discutir atividade para o Dia Internacional da Mulher) e outra no gabinete do prefeito (ainda estamos discutindo recursos humanos).
Cada um desses itens significou páginas e páginas de anotações, dados, nomes, telefones, cargos, funções, portarias, programas, editais, rubricas, etc. etc. etc.
Até eu conseguir passar tudo a limpo para delegar tarefas, sistematizar a cobrança, verificar progressos, já começou outro dia e outra agenda como essa. Azar o meu - quem manda querer saber de tudo?
Estou exaurida de toda a minha energia, mas feliz. Um amigo que eu não via há tempos disse que eu estava com cara boa - às 23:00, quando consegui dar uma passada no aniversário dele. É mandioca que não acaba mais, mas, como disse o Tarso Genro sobre o Ministério da Justiça, "de tédio é que tu não morre".
- Às 9:40 cheguei à Sub e despachei com o futuro Coord. de Administração e Finanças (que todo mundo nas Subs chama de CAF). Seis ou sete assuntos diferentes. (Exemplo: levantamento de todos os funcionários da Sub, organizados por Coordenadorias/ Supervisões; análise final de pedidos de deferimento de multas; encaminhamento de pedidos de manutenção de arvores à Secretaria do Verde; projeto de Parque para Aldeinha).
- 10:15 - entrevista para o Jornal da Gente (Entre outros temas, enchentes, participação popular, tombamento City Lapa)
- 11:15 - encontro com a ex-Secretária Adjunta de Governo, Stela Goldenstein, que me passou informações recentes e providências necessárias sobre uma dúzia de questões de interesse da Sub da Lapa. "Uma dúzia" não é modo de dizer. (Exemplos: Parque Orlando Vilas-Boas, Poupatempo, Cidade do Samba, Operações Urbanas, remodelação CPTM, CEAGESP, etc.).
- 12:00 - primeira tentativa de sistematizar as informações recebidas, interrompida por telefonemas vários (da Ouvidoria, da Secr. de Cultura), necessidade de ler e assinar documentos, tirar dúvidas surgidas pela equipe, dar instruções sobre novas providências. (Exemplos: fotografar uma praça em que a comunidade solicita cercamento da área dos brinquedos de criança; fotografar uma área pública ocupada indevidamente; assinalar no mapa as ruas recapeadas desde 2006, conforme tabela da Secr. de Coord. das Subs).
- 14:00 - emails + pequena atualização no site da Sub
- 14:30 - reunião com Supervisor de Cultura (Temas: eventos em praças públicas, atividades no Tendal)
- 15:00 - reunião com diretor do Mercado da Lapa (Temas: coleta de lixo, possíveis reformas no prédio, ações no entorno do mercado etc.).
- Mais despachos no Gabinete (documentos para assinar, informações trazidas sobre projetos e processos inacabados, etc.)
- 16:00 - reunião com Conselho Tutelar, Assistência Social, fiscais da CPDU e Guarda Civil sobre problemas diversos no entorno do Memorial. Discutimos: programas de acolhimento, formas de abordagem, equipamentos da rede de proteção social, responsabilidades compartilhadas com outros municípios e órgãos estaduais, etc. etc.
- 17:00 - reunião com Assistente Social (planejar calendário de visitas a equipamentos e serviços dos seis distritos).
- 17:30 - reunião com as comissões organizadoras da Conferência Regional de Meio Ambiente e da eleição dos Conselhos Regionais de Meio Ambiente. Pauta: mudança de membros das Comissões; mudança de data da Conferência e das eleições (para haver mais tempo de preparação e divulgação).
- 19:00 - despachos de gabinete - documentos para assinar, emails para responder, agendas para planejar/ confirmar.
- 20:00 - Reunião do Conseg Lapa. Umas treze demandas para a Subprefeitura, de reocupar os baixos de um viaduto com atividades esportivas a providenciar transporte para que crianças atendidas por programas sociais possam usufruir de atividades oferecidas em equipamentos da região (cursos, oficinas, esportes) a solicitar a dedetização de uma área infestada de baratas e escorpiões (que acham baratas uma delícia).
- 22:30 - Acabei. Quer dizer, acabou a agenda do dia.
Ainda precisei desmarcar uma reunião no Sindicato dos Comerciários (para discutir atividade para o Dia Internacional da Mulher) e outra no gabinete do prefeito (ainda estamos discutindo recursos humanos).
Cada um desses itens significou páginas e páginas de anotações, dados, nomes, telefones, cargos, funções, portarias, programas, editais, rubricas, etc. etc. etc.
Até eu conseguir passar tudo a limpo para delegar tarefas, sistematizar a cobrança, verificar progressos, já começou outro dia e outra agenda como essa. Azar o meu - quem manda querer saber de tudo?
Estou exaurida de toda a minha energia, mas feliz. Um amigo que eu não via há tempos disse que eu estava com cara boa - às 23:00, quando consegui dar uma passada no aniversário dele. É mandioca que não acaba mais, mas, como disse o Tarso Genro sobre o Ministério da Justiça, "de tédio é que tu não morre".
domingo, 25 de janeiro de 2009
25 de janeiro
Há novos bicicletários e paraciclos em estações de metrô por toda a cidade.
Você pode ir com sua bicicleta de casa até uma delas e pegar o metrô ou ônibus para um destino mais distante...
Ou pode ir de metrô até perto do seu destino e pegar uma bicicleta emprestada para completar a viagem.
Essas possibilidades combinadas são ótimas (sua bicicleta + transporte coletivo + bicicleta emprestada)
Bicicleta não é A solução para o trânsito, o sedentarismo, o estresse, o distanciamento entre as pessoas, a poluição do ar e sonora, o aquecimento global. Mas não existe nenhuma solução no singular, só soluções. E não podemos abrir mão de nenhuma delas.
***
Hoje fui de bicicleta até a estação Vila Madalena, onde começa a funcionar um desses novos bicicletários (parceria do Instituto Parada Vital com o Metrô/Secretaria dos Transportes Metropolitanos e patrocinados pela Porto Seguro). Da minha casa até lá, existe uma ladeira muito puxada e praticamente inevitável – a da Rua Apinagés entre Ministro Gastão Mesquita e Paracuama. O jeito, para mim, é subir a pé, empurrando a bike. E outra perfeitamente contornável – da mesma Apinagés, entre a Capital Federal e Havaí. É só subir a Alfonso Bovero (aclive perfeitamente pedalável) e descer uma das agradáveis ruas residenciais que levam de volta à própria Apinagés no ponto em que é só descida.
(Imagino o quanto isto soa incompreensível para quem não conhece o lugar. A mensagem que precisa ficar é: ciclistas precisam planejar bem seu caminho. Faz toda a diferença).
***
De lá, pedalei até a Lapa de Baixo, onde haveria uma festa organizada pelo Conselho das Associações Amigos de Bairro da Região da Lapa (Consabs), na Doze de Outubro com Cincinato Pomponet. “Naquela esquina, até o ano passado, incrustado na parede, existia um antigo telégrafo usado para acionar a polícia em caso de emergência. "Fomos atrás da história desse telégrafo. Conversarmos com o presidente da Associação Amigos de da Lapa de Baixo, o Décio Ferreira, que nos contou como funcionava a máquina", lembra o presidente do Consabs, José Benedito Boneli. "Entramos, então, em contato com a Polícia Militar, que se encarregou de abrir a caixa que guardava o telégrafo. A máquina hoje está exposta no museu da PM. No dia 25, vamos inaugurar uma placa na esquina da Doze com Cincinato para lembrar que ali era um posto telegráfico da Lapa de antigamente" (fonte: Jornal da Gente).
Estavam ali presidentes de várias associações da Lapa e região (Pirituba, por exemplo). Muita gente emocionada com a ocasião; vários antigos moradores com lágrimas nos olhos. Não pude ficar muito, porque de lá precisei correr – mais precisamente, pedalar correndo – até o Pelezão, para o encerramento do Beach Soccer (o bom e velho “futebol de areia”).
***
No caminho Vila Madalena - Doze de Outubro, fui fazendo mil e duas anotações mentais: calçadas, asfalto, rotatórias, árvores, placas de rua. Ainda no metrô, confirmei com o Secretário do Verde, Eduardo Jorge, uma reunião esta semana para discutirmos várias tarefas que devemos compartilhar: desimpermeabilização e arborização (plantio, substituição, manutenção); Parque Vilas-Boas; Parque na Aldeinha; bicicletas, é claro.
***
Já perto da Doze, passei por um rapaz com um saco de lixo e luvas nas mãos, recolhendo lixo da rua. Claramente um morador, engajado em manter a cidade mais limpa e agradável.
Se cada um mantivesse ao menos a fachada de sua casa ou comércio limpa, vocês têm idéia de quantos milhões a prefeitura poderia gastar em outros serviços que não varrição?
Vou levantar o número.
E as pessoas que hoje recolhem nosso lixo poderiam, por exemplo, trabalhar em manutenção de áreas verdes.
***
Na igreja N. Sra. da Lapa, vi algumas pessoas passando pacotes de mantimento de mão em mão, descarregando um caminhão. Muitas eram de terceira idade (não gosto muito dessa expressão, mas parece ser a preferida da maioria). Achei a cena bacana e ia fotografar e seguir adiante, quando pensei que seria muito mais útil ajudar a descarregar...
Como é bom por a mão na massa. Ainda vou construir cisterna no semi-árido (ainda é com hífen?), juro que vou.
***
Cheguei ao Pelezão nos minutos finais do jogo, bem a tempo de participar da premiação. O Brasil ganhou da Seleção do Mundo por 5 X 4. Tomara que eventos esportivos despertem nas pessoas o mesmo que despertam em mim: vontade de fazer esporte também
***
Essas quatro horas circulando por aí já renderam vinte novos pedidos de agenda. O pessoal até diz “quando você estiver mais tranqüila, vou querer ir lá falar com você”. Melhor não contar com o “mais tranqüila”.
Você pode ir com sua bicicleta de casa até uma delas e pegar o metrô ou ônibus para um destino mais distante...
Ou pode ir de metrô até perto do seu destino e pegar uma bicicleta emprestada para completar a viagem.
Essas possibilidades combinadas são ótimas (sua bicicleta + transporte coletivo + bicicleta emprestada)
Bicicleta não é A solução para o trânsito, o sedentarismo, o estresse, o distanciamento entre as pessoas, a poluição do ar e sonora, o aquecimento global. Mas não existe nenhuma solução no singular, só soluções. E não podemos abrir mão de nenhuma delas.
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Hoje fui de bicicleta até a estação Vila Madalena, onde começa a funcionar um desses novos bicicletários (parceria do Instituto Parada Vital com o Metrô/Secretaria dos Transportes Metropolitanos e patrocinados pela Porto Seguro). Da minha casa até lá, existe uma ladeira muito puxada e praticamente inevitável – a da Rua Apinagés entre Ministro Gastão Mesquita e Paracuama. O jeito, para mim, é subir a pé, empurrando a bike. E outra perfeitamente contornável – da mesma Apinagés, entre a Capital Federal e Havaí. É só subir a Alfonso Bovero (aclive perfeitamente pedalável) e descer uma das agradáveis ruas residenciais que levam de volta à própria Apinagés no ponto em que é só descida.
(Imagino o quanto isto soa incompreensível para quem não conhece o lugar. A mensagem que precisa ficar é: ciclistas precisam planejar bem seu caminho. Faz toda a diferença).
***
De lá, pedalei até a Lapa de Baixo, onde haveria uma festa organizada pelo Conselho das Associações Amigos de Bairro da Região da Lapa (Consabs), na Doze de Outubro com Cincinato Pomponet. “Naquela esquina, até o ano passado, incrustado na parede, existia um antigo telégrafo usado para acionar a polícia em caso de emergência. "Fomos atrás da história desse telégrafo. Conversarmos com o presidente da Associação Amigos de da Lapa de Baixo, o Décio Ferreira, que nos contou como funcionava a máquina", lembra o presidente do Consabs, José Benedito Boneli. "Entramos, então, em contato com a Polícia Militar, que se encarregou de abrir a caixa que guardava o telégrafo. A máquina hoje está exposta no museu da PM. No dia 25, vamos inaugurar uma placa na esquina da Doze com Cincinato para lembrar que ali era um posto telegráfico da Lapa de antigamente" (fonte: Jornal da Gente).
Estavam ali presidentes de várias associações da Lapa e região (Pirituba, por exemplo). Muita gente emocionada com a ocasião; vários antigos moradores com lágrimas nos olhos. Não pude ficar muito, porque de lá precisei correr – mais precisamente, pedalar correndo – até o Pelezão, para o encerramento do Beach Soccer (o bom e velho “futebol de areia”).
***
No caminho Vila Madalena - Doze de Outubro, fui fazendo mil e duas anotações mentais: calçadas, asfalto, rotatórias, árvores, placas de rua. Ainda no metrô, confirmei com o Secretário do Verde, Eduardo Jorge, uma reunião esta semana para discutirmos várias tarefas que devemos compartilhar: desimpermeabilização e arborização (plantio, substituição, manutenção); Parque Vilas-Boas; Parque na Aldeinha; bicicletas, é claro.
***
Já perto da Doze, passei por um rapaz com um saco de lixo e luvas nas mãos, recolhendo lixo da rua. Claramente um morador, engajado em manter a cidade mais limpa e agradável.
Se cada um mantivesse ao menos a fachada de sua casa ou comércio limpa, vocês têm idéia de quantos milhões a prefeitura poderia gastar em outros serviços que não varrição?
Vou levantar o número.
E as pessoas que hoje recolhem nosso lixo poderiam, por exemplo, trabalhar em manutenção de áreas verdes.
***
Na igreja N. Sra. da Lapa, vi algumas pessoas passando pacotes de mantimento de mão em mão, descarregando um caminhão. Muitas eram de terceira idade (não gosto muito dessa expressão, mas parece ser a preferida da maioria). Achei a cena bacana e ia fotografar e seguir adiante, quando pensei que seria muito mais útil ajudar a descarregar...
Como é bom por a mão na massa. Ainda vou construir cisterna no semi-árido (ainda é com hífen?), juro que vou.
***
Cheguei ao Pelezão nos minutos finais do jogo, bem a tempo de participar da premiação. O Brasil ganhou da Seleção do Mundo por 5 X 4. Tomara que eventos esportivos despertem nas pessoas o mesmo que despertam em mim: vontade de fazer esporte também
***
Essas quatro horas circulando por aí já renderam vinte novos pedidos de agenda. O pessoal até diz “quando você estiver mais tranqüila, vou querer ir lá falar com você”. Melhor não contar com o “mais tranqüila”.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Mais um capítulo
- Cena freqüente nos últimos dias:
Fulano me procura com um conselho: "Cuidado com Beltrano".
Dali a pouco, Beltrano me puxa de lado: "Deixa eu te dar um toque: Sicrano é um cara em quem você tem de prestar muita atenção. Entendeu?"
Não dá meia hora, encontro Sicrano: "Alguém já te avisou de Fulano e Beltrano?"
Ê, laiá.
- Como vereadora já era assim, como Subprefeita não diminuiu nada, ao contrário. A cada dois passos que eu dou, alguém me diz: "Preciso muito falar com você, como é que eu faço?". 90% das vezes, sinceramente, eu também quero falar. Muito. Quero contar os planos, dividir os pepinos, pedir conselhos, retomar antigos projetos (e sonhos)... Mas bate um desespero: se cada um tiver direito a 20 minutos, eu já não tenho agenda até março. Sem contar que, quando der um intervalinho, eu preciso trabalhar para fazer acontecer o que as pessoas vêm pedir/ sugerir/ exigir que eu faça...
- "E a sua equipe?". Ainda não saiu a nomeação de ninguém. Tá todo mundo trabalhando voluntariamente, "acampado" na minha sala.
O pior é que já ouvi de vários servidores o comentário: "Ah, demora mesmo, né? Depois que nomeia, ainda leva uns 90 dias para receber o primeiro pagamento".
Alguém disse "Não, isso era antes, agora melhorou, é só uns 40..."
Aquele rapaz que está há seis anos na prefeitura disse que ficou 60 dias trabalhando sem salário. Ele e os demais que começaram junto com ele iam almoçar no Bom Prato (R$1,00). A comida é boa, mas não é assim tão perto da Sub...
- O boteco da esquina tem um PF ótimo. (Prato Feito - é assim que se fala em outros lugares? Não vá alguém pensar que é um "Polícia Federal"). Sabe daqueles perfeitos? Salada-arroz-feijão-ovo frito-batata frita. Sem comentários sobre a redundência nutricional, por favor ("muita gordura e carbohidrato").
- Palavras do Padre Jaime hoje, na apresentação da pesquisa Ibope encomendada pelo Movimento Nossa São Paulo: "É bom que as pessoas tenham a percepção de que as coisas estão melhorando e tenham expectativas mais positivas em relação à administração pública, às instituições de modo geral e ao futuro da cidade. Mas, como diz o Mario Sergio Cortella, não devemos nos acostumar e achar que é normal o que é anormal [ou algo assim]. Eu sou irlandês de nascimento, e quando volto da minha terra para o Jardim Ângela, me pergunto: como a gente pode se acostumar com isso? No entanto, dali a uma semana me acostumo também..."
Isso me lembrou o quanto eu acho que viajar deveria ser considerado necessidade básica. Ver de perto coisas muito distantes; ver de longe o que nos é familiar.
- Também lá no evento, idéia do cicloativista André Pasqualini: "Nós também gostamos de metas. Deveria haver uma meta para a companhia de tráfego: reduzir o número de mortes no trânsito. Se em seis meses não for alcançada, cai toda a diretoria da CET. Se não houver redução em um ano, cai o Secretário de Transportes".
- (Já contaminada pelo clima "cuidado com tudo!" da Sub, tive um pensamento ridículo agora: "Sempre tem alguém querendo derrubar o Secretário de Transportes. São capazes de sair por aí atropelando pedestre só para que ele não consiga cumprir a meta". Antes eu diria "Preciso assistir menos filmes". Agora acho que estou precisando de mais filmes, mais seriados...)
- Lembrei agora - sei lá por quê - que sonhei que meu celular caía no rio. Um rio límpido, um espetáculo, em um cenário meio austríaco. O que eu mais lamentava era ficar sem as fotos guardadas em sua galeria.
- Hoje me reuni com o ex-Sub da Lapa, Paulo Bressan. Ele não esqueceu: "Você brigou muito com a gente". "Vocês queriam acabar com o Tendal"... Mas foi uma conversa ótima, muito amigável e proveitosa. Ele lembrou de seus maiores problemas e dificuldades - nenhuma inédita, mas enriquecida por sua própria experiência, soluções encontradas e soluções ainda perseguidas. E falou muito bem de algumas pessoas na "máquina", disse que posso contar com elas. Adoram o que fazem, são expeditas, objetivas... Algumas estão na própria Sub; outras, na Supervisão de Saúde, em "Patri" (depto. de Patrimônio), na Polícia Militar...
- Amanhã encontro Luisa Nagib Eluf, também ex-Sub. Ainda não marquei com o Adaucto, que fez a dificílima transição de Administração Regional para Subprefeitura no governo Marta.
- Um dos pepinos da minha Sub? Ceagesp. É um pedaço enorme de território cuja direção responde ao Ministério da Agricultura. Quando as competências são repartidas com órgãos da própria prefeitura, algumas coisas já são bem difíceis. Imagine quando o comando é do governo federal.
Aquela área tem problemas de todos os tipos - insegurança, insalubridade, conflitos e irregularidades várias. Qualquer lugar daquele tamanho e com aquele volume de movimentação de caminhões está inclinado a se tornar um foco de negatividades. A circulação intensa de veículos pesados acarreta danos de toda natureza e não favorece exatamente a convivência saudável entre as pessoas. Aliás, por falar em saudável, da última vez que estive no Ceagesp fiquei chocada com a promiscuidade entre escapamentos de caminhão e caixas de verdura. Um dia esse modelo de distribuição há de mudar!
Um dos gerentes do Ceagesp esteve na minha "posse". Eu o conheci como "Professor Giba"; ele foi candidato a vereador pelo PT junto comigo. Achei muito legal ele ter aparecido. Certamente vamos fazer muitas coisas juntos - mas muito foge tanto ao meu alcance quanto ao dele.
Valei-me, Barack Obama! Que mandou fechar Guantanamo, YESSSSSSSSSSSSS.
- Hoje, andando de moto por aí, me peguei com os maxilares cerrados e a testa franzida, tensa pra burro. Lembrei da desgraça vista hoje de manhã em Gaza (a Record tem imagens incríveis), do texto que li do Le Monde. Minha vontade é ir lá recolher destroços, amparar pessoas, construir tudo de novo. Mas se uma reles Subprefeitura me tira do sério... Renovei meu ânimo e destravei os maxilares.
Fulano me procura com um conselho: "Cuidado com Beltrano".
Dali a pouco, Beltrano me puxa de lado: "Deixa eu te dar um toque: Sicrano é um cara em quem você tem de prestar muita atenção. Entendeu?"
Não dá meia hora, encontro Sicrano: "Alguém já te avisou de Fulano e Beltrano?"
Ê, laiá.
- Como vereadora já era assim, como Subprefeita não diminuiu nada, ao contrário. A cada dois passos que eu dou, alguém me diz: "Preciso muito falar com você, como é que eu faço?". 90% das vezes, sinceramente, eu também quero falar. Muito. Quero contar os planos, dividir os pepinos, pedir conselhos, retomar antigos projetos (e sonhos)... Mas bate um desespero: se cada um tiver direito a 20 minutos, eu já não tenho agenda até março. Sem contar que, quando der um intervalinho, eu preciso trabalhar para fazer acontecer o que as pessoas vêm pedir/ sugerir/ exigir que eu faça...
- "E a sua equipe?". Ainda não saiu a nomeação de ninguém. Tá todo mundo trabalhando voluntariamente, "acampado" na minha sala.
O pior é que já ouvi de vários servidores o comentário: "Ah, demora mesmo, né? Depois que nomeia, ainda leva uns 90 dias para receber o primeiro pagamento".
Alguém disse "Não, isso era antes, agora melhorou, é só uns 40..."
Aquele rapaz que está há seis anos na prefeitura disse que ficou 60 dias trabalhando sem salário. Ele e os demais que começaram junto com ele iam almoçar no Bom Prato (R$1,00). A comida é boa, mas não é assim tão perto da Sub...
- O boteco da esquina tem um PF ótimo. (Prato Feito - é assim que se fala em outros lugares? Não vá alguém pensar que é um "Polícia Federal"). Sabe daqueles perfeitos? Salada-arroz-feijão-ovo frito-batata frita. Sem comentários sobre a redundência nutricional, por favor ("muita gordura e carbohidrato").
- Palavras do Padre Jaime hoje, na apresentação da pesquisa Ibope encomendada pelo Movimento Nossa São Paulo: "É bom que as pessoas tenham a percepção de que as coisas estão melhorando e tenham expectativas mais positivas em relação à administração pública, às instituições de modo geral e ao futuro da cidade. Mas, como diz o Mario Sergio Cortella, não devemos nos acostumar e achar que é normal o que é anormal [ou algo assim]. Eu sou irlandês de nascimento, e quando volto da minha terra para o Jardim Ângela, me pergunto: como a gente pode se acostumar com isso? No entanto, dali a uma semana me acostumo também..."
Isso me lembrou o quanto eu acho que viajar deveria ser considerado necessidade básica. Ver de perto coisas muito distantes; ver de longe o que nos é familiar.
- Também lá no evento, idéia do cicloativista André Pasqualini: "Nós também gostamos de metas. Deveria haver uma meta para a companhia de tráfego: reduzir o número de mortes no trânsito. Se em seis meses não for alcançada, cai toda a diretoria da CET. Se não houver redução em um ano, cai o Secretário de Transportes".
- (Já contaminada pelo clima "cuidado com tudo!" da Sub, tive um pensamento ridículo agora: "Sempre tem alguém querendo derrubar o Secretário de Transportes. São capazes de sair por aí atropelando pedestre só para que ele não consiga cumprir a meta". Antes eu diria "Preciso assistir menos filmes". Agora acho que estou precisando de mais filmes, mais seriados...)
- Lembrei agora - sei lá por quê - que sonhei que meu celular caía no rio. Um rio límpido, um espetáculo, em um cenário meio austríaco. O que eu mais lamentava era ficar sem as fotos guardadas em sua galeria.
- Hoje me reuni com o ex-Sub da Lapa, Paulo Bressan. Ele não esqueceu: "Você brigou muito com a gente". "Vocês queriam acabar com o Tendal"... Mas foi uma conversa ótima, muito amigável e proveitosa. Ele lembrou de seus maiores problemas e dificuldades - nenhuma inédita, mas enriquecida por sua própria experiência, soluções encontradas e soluções ainda perseguidas. E falou muito bem de algumas pessoas na "máquina", disse que posso contar com elas. Adoram o que fazem, são expeditas, objetivas... Algumas estão na própria Sub; outras, na Supervisão de Saúde, em "Patri" (depto. de Patrimônio), na Polícia Militar...
- Amanhã encontro Luisa Nagib Eluf, também ex-Sub. Ainda não marquei com o Adaucto, que fez a dificílima transição de Administração Regional para Subprefeitura no governo Marta.
- Um dos pepinos da minha Sub? Ceagesp. É um pedaço enorme de território cuja direção responde ao Ministério da Agricultura. Quando as competências são repartidas com órgãos da própria prefeitura, algumas coisas já são bem difíceis. Imagine quando o comando é do governo federal.
Aquela área tem problemas de todos os tipos - insegurança, insalubridade, conflitos e irregularidades várias. Qualquer lugar daquele tamanho e com aquele volume de movimentação de caminhões está inclinado a se tornar um foco de negatividades. A circulação intensa de veículos pesados acarreta danos de toda natureza e não favorece exatamente a convivência saudável entre as pessoas. Aliás, por falar em saudável, da última vez que estive no Ceagesp fiquei chocada com a promiscuidade entre escapamentos de caminhão e caixas de verdura. Um dia esse modelo de distribuição há de mudar!
Um dos gerentes do Ceagesp esteve na minha "posse". Eu o conheci como "Professor Giba"; ele foi candidato a vereador pelo PT junto comigo. Achei muito legal ele ter aparecido. Certamente vamos fazer muitas coisas juntos - mas muito foge tanto ao meu alcance quanto ao dele.
Valei-me, Barack Obama! Que mandou fechar Guantanamo, YESSSSSSSSSSSSS.
- Hoje, andando de moto por aí, me peguei com os maxilares cerrados e a testa franzida, tensa pra burro. Lembrei da desgraça vista hoje de manhã em Gaza (a Record tem imagens incríveis), do texto que li do Le Monde. Minha vontade é ir lá recolher destroços, amparar pessoas, construir tudo de novo. Mas se uma reles Subprefeitura me tira do sério... Renovei meu ânimo e destravei os maxilares.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Cansaço
De domingo de manhã até agora, eu só trabalhei. Não tive um momento de ócio. Teho dormido pouco, porque chego tarde em casa e ainda tenho muito que fazer - no mínimo, vontade/necessidade de escrever, para botar as idéias em ordem, recapitular o dia, me reorganizar para o dia seguinte. Minha agitação não me deixa dormir antes das duas. O dia seguinte começa cedo, com trabalho logo de cara, e aí vai...
Poderia levar dias, semanas ou meses, mas uma hora eu ia me deprimir. Ganhou o bolão quem apostou dois dias. Nenhum problema é novidade, mas sempre podemos nos espantar com sua amplidão, extensão, profundidade. Até com a criatividade humana, um fenômeno. Sabe aquele documentário fabuloso da BBC, "Planeta Terra"? Que mostra criaturas incríveis do fundo do mar e das cavernas, com formatos inimagináveis e estratégias estupefacientes de atrair as fêmeas, ludibriar as presas ou predadores? A raça humana ainda espera um documentário desses sobre si mesma.
Hoje foi um caleidoscópio de horrores. Eu li, vi e ouvi de tudo. Fofocas, intrigas, denúncias (vai distinguir uma coisa da outra...). Instalações horrorosas onde as pessoas trabalham há 20, 30 anos. Verdadeiras catacumbas. Processos e procedimentos barrocos. Funis e gargalos. Nós cegos e fios desencapados. Dentro e fora da Sub, na máquina pública & no setor privado em suas relações com a Sub. É Kafka + Escher + Dante.
Um exemplo? Um só, porque eu não estou a fim de esticar o dia lembrando os desgostos. Mas imagine uma sala que tem 10 máquinas de determinado tipo - volumosas, caras, que seriam muito úteis de funcionassem. Mas 8 estão irremediavelmente estragadas e as outras duas... não funcionam. Não vou entrar em detalhes agora, mas foi uma das situações que encontrei.
E nem foi só horror, sabe? Vi o projeto de uma orgulhosa lapeana para adotar e remodelar um terreno feioso e transformar em belíssima praça. Conheci pessoas calorosas, queridas, que ficaram super felizes com o simples fato de eu ter ido até a sala delas - embora suas condições de trabalho (ainda!) não tenham melhorado nada.
Um rapaz muito bacana, companhia agradabilíssima, super competente, está há seis anos na prefeitura. Foi meu cicerone pelo prédio, contou algumas dificuldades. Na hora do almoço, amarga que só, perguntei: "Por que você quis isso?". "Isso o quê?" "Fazer concurso, entrar no serviço público"."Porque eu acredito". Não hesitou um milissegundo.
Então acreditemos. Se Guantánamo pode deixar de existir, se Berlin foi de guerra a escombros a uma cidade dividida a uma cidade maravilhosa em cinqüenta anos, se Nova York deixou de ser um antro de violência e marginalidade (já leram Will Eisner?) em pouco mais de um século e virou um lugar muito legal etc., aqui tem jeito.
Mas hoje... Hoje não. Quem sabe amanhã. Boa noite.
Poderia levar dias, semanas ou meses, mas uma hora eu ia me deprimir. Ganhou o bolão quem apostou dois dias. Nenhum problema é novidade, mas sempre podemos nos espantar com sua amplidão, extensão, profundidade. Até com a criatividade humana, um fenômeno. Sabe aquele documentário fabuloso da BBC, "Planeta Terra"? Que mostra criaturas incríveis do fundo do mar e das cavernas, com formatos inimagináveis e estratégias estupefacientes de atrair as fêmeas, ludibriar as presas ou predadores? A raça humana ainda espera um documentário desses sobre si mesma.
Hoje foi um caleidoscópio de horrores. Eu li, vi e ouvi de tudo. Fofocas, intrigas, denúncias (vai distinguir uma coisa da outra...). Instalações horrorosas onde as pessoas trabalham há 20, 30 anos. Verdadeiras catacumbas. Processos e procedimentos barrocos. Funis e gargalos. Nós cegos e fios desencapados. Dentro e fora da Sub, na máquina pública & no setor privado em suas relações com a Sub. É Kafka + Escher + Dante.
Um exemplo? Um só, porque eu não estou a fim de esticar o dia lembrando os desgostos. Mas imagine uma sala que tem 10 máquinas de determinado tipo - volumosas, caras, que seriam muito úteis de funcionassem. Mas 8 estão irremediavelmente estragadas e as outras duas... não funcionam. Não vou entrar em detalhes agora, mas foi uma das situações que encontrei.
E nem foi só horror, sabe? Vi o projeto de uma orgulhosa lapeana para adotar e remodelar um terreno feioso e transformar em belíssima praça. Conheci pessoas calorosas, queridas, que ficaram super felizes com o simples fato de eu ter ido até a sala delas - embora suas condições de trabalho (ainda!) não tenham melhorado nada.
Um rapaz muito bacana, companhia agradabilíssima, super competente, está há seis anos na prefeitura. Foi meu cicerone pelo prédio, contou algumas dificuldades. Na hora do almoço, amarga que só, perguntei: "Por que você quis isso?". "Isso o quê?" "Fazer concurso, entrar no serviço público"."Porque eu acredito". Não hesitou um milissegundo.
Então acreditemos. Se Guantánamo pode deixar de existir, se Berlin foi de guerra a escombros a uma cidade dividida a uma cidade maravilhosa em cinqüenta anos, se Nova York deixou de ser um antro de violência e marginalidade (já leram Will Eisner?) em pouco mais de um século e virou um lugar muito legal etc., aqui tem jeito.
Mas hoje... Hoje não. Quem sabe amanhã. Boa noite.
Meio do dia
- Saí de casa mais tarde do que pretendia porque não consegui achar todos os documentos necessários para concluir a minha nomeação. Entre os sumidos, o mais ridículo de todos: o comprovante de votação no primeiro turno da última eleição. A votação mais comprovada de todos os tempos - havia umas cinco equipes de televisão me acompanhando, rádios, jornais, revistas... Mas o comprovante eu não tenho. O do referendo de 2005 está na carteira até hoje, se alguém quiser...
- Hoje de manhã, depois de uma reunião breve com um munícipe, encontro rápido com o Chefe de Gabinete e alguns despachos com o futuro Coordenador de Administração e Finanças, saí para conhecer o restante do prédio da Subprefeitura - que também abriga órgãos públicos que não têm a ver com a administração municipal, como a Junta de Alistamento Militar, uma Farmácia Popular, um consultório de dentista (contrato do Ministério da Saúde com a Secr. Municipal), um escritório do IBGE.
O prédio é enorme, parece não terminar nunca. Os problemas também. Se o trabalho do Subprefeito fosse só consertar a sede, já teria o que fazer por quatro anos. Tem goteiras, telhas de amianto, é quente demais (acho que já disse isso, mas é irresistível. É quente demais, quente demais, quente demais). Se instalássemos ar condicionado em todos ambientes, o que seria muito bem-vindo, a fiação não agüentaria a demanda. É difícil reformar o prédio não só porque ele é grande e a prefeitura tem mil outras necessidades - ele é tombado, então algumas providências não dependem apenas de recursos + vontade.
Mas no que depender de vontade, 'xa comigo.
- Hoje de manhã, depois de uma reunião breve com um munícipe, encontro rápido com o Chefe de Gabinete e alguns despachos com o futuro Coordenador de Administração e Finanças, saí para conhecer o restante do prédio da Subprefeitura - que também abriga órgãos públicos que não têm a ver com a administração municipal, como a Junta de Alistamento Militar, uma Farmácia Popular, um consultório de dentista (contrato do Ministério da Saúde com a Secr. Municipal), um escritório do IBGE.
O prédio é enorme, parece não terminar nunca. Os problemas também. Se o trabalho do Subprefeito fosse só consertar a sede, já teria o que fazer por quatro anos. Tem goteiras, telhas de amianto, é quente demais (acho que já disse isso, mas é irresistível. É quente demais, quente demais, quente demais). Se instalássemos ar condicionado em todos ambientes, o que seria muito bem-vindo, a fiação não agüentaria a demanda. É difícil reformar o prédio não só porque ele é grande e a prefeitura tem mil outras necessidades - ele é tombado, então algumas providências não dependem apenas de recursos + vontade.
Mas no que depender de vontade, 'xa comigo.
Off topic - ou não...
Obama e a tolerância
Por Rogério Galindo, Caixa Zero - Gazeta do Povo.
Uma sábia observadora já disse que daqui a seis meses todos nós possivelmente vamos estar sentindo raiva de Barack Obama. Não por nada. Mas é que, como presidente do império norte-americano, ele terá de tomar decisões difíceis, e terá de desagradar a muita gente. Ele próprio sabe disso. Escreveu que, por ser tão novo e desconhecido como é, muita gente projetará nele os seus próprios desejos, mesmo sem saber se ele os representa. E alguém irá ficar descontente quando o verdadeiro Obama for se revelando. Faz parte.
Mas, hoje, o mundo está feliz com a eleição dele. E acredito que há razões para isso. Ler o livro de campanha de Obama é um refresco para quem está acostumado a cobrir política. Primeiro, por saber que há gente na política capaz de escrever, de pensar, de debater de forma civilizada. Depois, principalmente, por aquilo que Obama diz.
Não se pode ser ingênuo a ponto de acreditar em tudo o que os políticos falam, é claro. Mas há um certo limite para a hipocrisia. A partir de um momento, conforme você vai conhecendo o discurso de alguém, é possível perceber se há ou não sinceridade. E o livro de Obama deixa claro que ele realmente acredita em alguns princípios fundamentais.
Um deles é o de que os políticos deveriam estar menos envolvidos com picuinhas partidárias, com a destruição do adversário ideológico, e prestar mais atenção ao que deve ser feito. Eis um parágrafo, toscamente traduzido, de A Audácia da Esperança:
"Talvez nós tenhamos chegado a um ponto de trivialização da política de onde é impossível voltar atrás, e a maior parte das pessoas a encare apenas como mais uma diversão, um esporte, com os políticos no papel de gladiadores e aqueles que se importam o suficiente para prestar atenção apenas como torcedores na platéia. Nós pintamos os nossos rostos de azul ou vermelho, torcemos para o nosso lado, vaiamos o lado deles e se for preciso um golpe final ou um truque baixo para ganhar, que seja, porque ganhar é tudo o que importa."
Obama diz em seguida que não deveria ser assim. Descreve norte-americanos típicos, suas vidas, e conclui: "Eu imagino que eles estão esperando por políticos com a maturidade para equilibrar idealismo e realismo, que consigam distinguir entre o que pode e o que não pode ser negociado, que admitam que o outro lado pode, pelo menos, ter um pouco de razão".
Quem dera nós tenhamos o juízo e a sorte dos norte-americanos. Dentro de dois anos, teremos de escolher novamente nosso presidente. E tudo indica que viveremos uma guerra de bugios, com PSDB e PT se atracando de maneira imbecil, tentando dividir a nação como têm se esmerado em fazer nos últimos anos. Continuaremos lendo e ouvindo aqueles que só conseguem ver um lado do mundo. E tomaremos decisões da maneira menos consciente possível, no calor da paixão partidária.
Seremos tucanos ou petistas, direitistas ou esquerdistas, esses ou aqueles, como se só fosse possível estar certo seguindo um dogma. Obama nos dá uma lição. "O que nós precisamos é de uma ampla maioria de norte-americanos - democratas, republicanos e independentes de boa vontade - que retomem o projeto de renovação nacional, e que vejam o seu interesse próprio como algo inextricavelmente ligado ao interesse dos outros".
Assino embaixo.
********************
(Recebi por email, no grupo da Coordenação de Mulheres do PPS)
Por Rogério Galindo, Caixa Zero - Gazeta do Povo.
Uma sábia observadora já disse que daqui a seis meses todos nós possivelmente vamos estar sentindo raiva de Barack Obama. Não por nada. Mas é que, como presidente do império norte-americano, ele terá de tomar decisões difíceis, e terá de desagradar a muita gente. Ele próprio sabe disso. Escreveu que, por ser tão novo e desconhecido como é, muita gente projetará nele os seus próprios desejos, mesmo sem saber se ele os representa. E alguém irá ficar descontente quando o verdadeiro Obama for se revelando. Faz parte.
Mas, hoje, o mundo está feliz com a eleição dele. E acredito que há razões para isso. Ler o livro de campanha de Obama é um refresco para quem está acostumado a cobrir política. Primeiro, por saber que há gente na política capaz de escrever, de pensar, de debater de forma civilizada. Depois, principalmente, por aquilo que Obama diz.
Não se pode ser ingênuo a ponto de acreditar em tudo o que os políticos falam, é claro. Mas há um certo limite para a hipocrisia. A partir de um momento, conforme você vai conhecendo o discurso de alguém, é possível perceber se há ou não sinceridade. E o livro de Obama deixa claro que ele realmente acredita em alguns princípios fundamentais.
Um deles é o de que os políticos deveriam estar menos envolvidos com picuinhas partidárias, com a destruição do adversário ideológico, e prestar mais atenção ao que deve ser feito. Eis um parágrafo, toscamente traduzido, de A Audácia da Esperança:
"Talvez nós tenhamos chegado a um ponto de trivialização da política de onde é impossível voltar atrás, e a maior parte das pessoas a encare apenas como mais uma diversão, um esporte, com os políticos no papel de gladiadores e aqueles que se importam o suficiente para prestar atenção apenas como torcedores na platéia. Nós pintamos os nossos rostos de azul ou vermelho, torcemos para o nosso lado, vaiamos o lado deles e se for preciso um golpe final ou um truque baixo para ganhar, que seja, porque ganhar é tudo o que importa."
Obama diz em seguida que não deveria ser assim. Descreve norte-americanos típicos, suas vidas, e conclui: "Eu imagino que eles estão esperando por políticos com a maturidade para equilibrar idealismo e realismo, que consigam distinguir entre o que pode e o que não pode ser negociado, que admitam que o outro lado pode, pelo menos, ter um pouco de razão".
Quem dera nós tenhamos o juízo e a sorte dos norte-americanos. Dentro de dois anos, teremos de escolher novamente nosso presidente. E tudo indica que viveremos uma guerra de bugios, com PSDB e PT se atracando de maneira imbecil, tentando dividir a nação como têm se esmerado em fazer nos últimos anos. Continuaremos lendo e ouvindo aqueles que só conseguem ver um lado do mundo. E tomaremos decisões da maneira menos consciente possível, no calor da paixão partidária.
Seremos tucanos ou petistas, direitistas ou esquerdistas, esses ou aqueles, como se só fosse possível estar certo seguindo um dogma. Obama nos dá uma lição. "O que nós precisamos é de uma ampla maioria de norte-americanos - democratas, republicanos e independentes de boa vontade - que retomem o projeto de renovação nacional, e que vejam o seu interesse próprio como algo inextricavelmente ligado ao interesse dos outros".
Assino embaixo.
********************
(Recebi por email, no grupo da Coordenação de Mulheres do PPS)
Fora isso...
Alguns despachos do dia:
1) Minha primeira assinatura em documento da Sub foi no termo de responsabilidade sobre o celular “oficial”. Mal “tomei posse” dele, recebi uma ligação – para a Luiza Nagib Eluf, a Subprefeita anterior... Mas a prefeitura tem um contrato bastante vantajoso para a prestação desse serviço, ainda bem. Eu gasto uma fortuna em celular, e 80% das ligações é de trabalho. Além de não ter descanso nunca, o mundo inteiro tem meu número – mas isso não vai ter jeito. Quando eu desligar o de trabalho e deixar o pessoal ligado, adivinhem onde vão me ligar?
2) O contrato com a empresa de segurança que presta serviço à Sub vencerá logo mais. Precisamos tomar providências.
3) A escola de samba Arco-Íris pediu para renovarmos a autorização para seus ensaios de domingos na Rua do Curtume – um beco quase sem saída (sem trocadilhos, por favor) ao lado da Subprefeitura. Eles assumem o compromisso de não causar nenhum dano, limpar a rua ao final da atividade, etc.
Outro dia, a rua ficou muito suja e pensaram que tinham sido eles, mas foi uma equipe de gravação de um comercial ou programa de TV que deixou a bagunça. Lamentável. Sei como é isso – na única vez em que participei da filmagem de um longa, morria de vergonha de como uma parte da equipe largava o cenário depois da filmagem. Eu saía recolhendo restos de fita-crepe (com hífen, sem hífen, tudojunto?), papel vegetal, copos descartáveis e o que mais sobrasse, mas eles ameaçavam ir embora com a Kombi e me largar lá. Um empurrava a responsabilidade para o outro – “é a produção”, “é o pessoal da arte”, “quem sujou mais foi o pessoal da luz”...
4) Conversei com o diretor do Tendal. Queremos conquistar o mundo, huá huá huá. Promover atividades culturais em tudo quanto é canto da nossa região, fazer intercâmbio com outras Subs, divulgar melhor as atividades, diminuir a evasão dos cursos e oficinas... Mas, como disse ontem, o Tendal está uma graça. Adoraria melhorar a comodidade dele (é quente prá daná), mas é complicado, ao menos em curto espaço de tempo. É grande, tombado... Se nem as salas da Sub têm ar condicionado (a minha tem, é um luxo), imagine a dificuldade para melhorar a temperatura em um galpão enorme.
5) Falei muito sobre enchentes em entrevista para o Diário do Comércio. Estou pensando em escrever um texto só sobre isso – além, claro, de tomar as providências que me cabem (que vão de um seminário na Sub, a cargo de um geólogo do IPT que manja muito do assunto, a avanços na desimpermeabilização do solo, arborização, fiscalização de edificações,coleta de lixo e entulho, batalha política pelo aperfeiçoamento dos Estudos de Impacto Ambiental, estudo de um programa de incentivo para a instalação de reservatórios para captação (e utilização) de água da chuva e de terraços verdes).
6) Encomendei umas 7 tarefas para o novo Coordenador de Obras – um engenheiro que já trabalhou em Subprefeitura (a de Santo Amaro) que ainda não foi nomeado, mas já está fazendo “estágio” na Sub para tomar pé da situação. Temas: calçadas, guias, ciclovias/ciclofaixas, áreas verdes (ampliação/ manutenção), córregos... E ele já apurou para mim em que pé está o processo para criação de Ecopontos na área da Sub. Espero inaugurar dois em pouco tempo.
7) Fiquei sabendo que já existe uma área pública destinada à instalação de uma central de triagem de material reciclável no distrito do Jaguaré. Excelente notícia. Uma das providências necessárias agora está a cargo de um agrimensor da Secretaria de Coordenação das Subs, porque há um impasse em relação aos limites do terreno. Vou cobrar.
Juro que tem mais, mas a pilha acabou. Melhor ligar o recarregador para amanhã.
1) Minha primeira assinatura em documento da Sub foi no termo de responsabilidade sobre o celular “oficial”. Mal “tomei posse” dele, recebi uma ligação – para a Luiza Nagib Eluf, a Subprefeita anterior... Mas a prefeitura tem um contrato bastante vantajoso para a prestação desse serviço, ainda bem. Eu gasto uma fortuna em celular, e 80% das ligações é de trabalho. Além de não ter descanso nunca, o mundo inteiro tem meu número – mas isso não vai ter jeito. Quando eu desligar o de trabalho e deixar o pessoal ligado, adivinhem onde vão me ligar?
2) O contrato com a empresa de segurança que presta serviço à Sub vencerá logo mais. Precisamos tomar providências.
3) A escola de samba Arco-Íris pediu para renovarmos a autorização para seus ensaios de domingos na Rua do Curtume – um beco quase sem saída (sem trocadilhos, por favor) ao lado da Subprefeitura. Eles assumem o compromisso de não causar nenhum dano, limpar a rua ao final da atividade, etc.
Outro dia, a rua ficou muito suja e pensaram que tinham sido eles, mas foi uma equipe de gravação de um comercial ou programa de TV que deixou a bagunça. Lamentável. Sei como é isso – na única vez em que participei da filmagem de um longa, morria de vergonha de como uma parte da equipe largava o cenário depois da filmagem. Eu saía recolhendo restos de fita-crepe (com hífen, sem hífen, tudojunto?), papel vegetal, copos descartáveis e o que mais sobrasse, mas eles ameaçavam ir embora com a Kombi e me largar lá. Um empurrava a responsabilidade para o outro – “é a produção”, “é o pessoal da arte”, “quem sujou mais foi o pessoal da luz”...
4) Conversei com o diretor do Tendal. Queremos conquistar o mundo, huá huá huá. Promover atividades culturais em tudo quanto é canto da nossa região, fazer intercâmbio com outras Subs, divulgar melhor as atividades, diminuir a evasão dos cursos e oficinas... Mas, como disse ontem, o Tendal está uma graça. Adoraria melhorar a comodidade dele (é quente prá daná), mas é complicado, ao menos em curto espaço de tempo. É grande, tombado... Se nem as salas da Sub têm ar condicionado (a minha tem, é um luxo), imagine a dificuldade para melhorar a temperatura em um galpão enorme.
5) Falei muito sobre enchentes em entrevista para o Diário do Comércio. Estou pensando em escrever um texto só sobre isso – além, claro, de tomar as providências que me cabem (que vão de um seminário na Sub, a cargo de um geólogo do IPT que manja muito do assunto, a avanços na desimpermeabilização do solo, arborização, fiscalização de edificações,coleta de lixo e entulho, batalha política pelo aperfeiçoamento dos Estudos de Impacto Ambiental, estudo de um programa de incentivo para a instalação de reservatórios para captação (e utilização) de água da chuva e de terraços verdes).
6) Encomendei umas 7 tarefas para o novo Coordenador de Obras – um engenheiro que já trabalhou em Subprefeitura (a de Santo Amaro) que ainda não foi nomeado, mas já está fazendo “estágio” na Sub para tomar pé da situação. Temas: calçadas, guias, ciclovias/ciclofaixas, áreas verdes (ampliação/ manutenção), córregos... E ele já apurou para mim em que pé está o processo para criação de Ecopontos na área da Sub. Espero inaugurar dois em pouco tempo.
7) Fiquei sabendo que já existe uma área pública destinada à instalação de uma central de triagem de material reciclável no distrito do Jaguaré. Excelente notícia. Uma das providências necessárias agora está a cargo de um agrimensor da Secretaria de Coordenação das Subs, porque há um impasse em relação aos limites do terreno. Vou cobrar.
Juro que tem mais, mas a pilha acabou. Melhor ligar o recarregador para amanhã.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Novidades no Gabinete

Qual é a novidade? O pacote de papel "100% reciclado" ao lado da impressora. Antes era papel branco; pedi para trocar e foi facílimo. Juro que estou espantada com a agilidade de algumas coisas.
Vamos instituir coleta seletiva em todo o prédio da Sub (e expandir nos bairros, LÓGICO). Sonho reduzir 80% o uso de copos descartáveis com os funcionários todos aderindo a copos e canecas duráveis...
Esse é um dos formulários que precisamos preencher ao sermos nomeados. Tem mais uns três ou quatro, fora os documentos que precisam ser entregues. Se ao menos fosse tudo digitalizado... :o(
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Já chegou a estante, para onde foram os livros e folhetos que estavam ontem no chão e alguns que eu levei de casa. Precisou ser chumbada à parede, porque é daquele tipo que entorta e pende para a frente... Já providenciaram. Tem coisas muito interessantes ali - sobre Plano Diretor, acessibilidade, direitos humanos, arborização, animais, boas práticas contra corrupção, crianças e adolescentes, mulheres... Ô vontade de ler tudo.
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Perguntaram (aqui no blog) se um bairro (Vila dos Remédios) era na "minha" Sub, e eu não sabia. Perguntei para o Chefe de Gabinete - ele respondeu (uma parte já é Osasco) e me ofereceu o mapa da sua parede. Adoro mapa - aceitei (olha ele ali no chão). E hoje pedi um quadro branco. Como já não tem parede pra pendurar tudo, ele precisava vir com cavalete. Pronto, aí está. Vou ficar mal acostumada com tanta agilidade. Não posso me iludir.
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E mais um mapa. Esse mostra a divisão das gerências da CET - para mim, são poucas e extensas demais; eu criaria novas subdivisões, mas enfim, ainda não mando nisso tudo, ehehe.
Se eu não estou louca, a Sub da Lapa pega duas GETs, a 2 e a 5. Esse é um problema sério da Administração Pública: existem várias divisões territoriais de atribuições, e umas não coincidem com as outras. Zonas eleitorais, por exemplo, não têm os mesmos limites dos bairros e distritos. Assim, se você quiser fazer um plebiscito localizado, terá dificuldade para delimitar seu colégio eleitoral
Voltando à CET: tenho reunião na sexta de manhã com o gerente regional. Vou levar uma Enciclopédia Britânica de perguntas, sugestões e pedidos. (Espero que ele não leia isto e desmarque).
Dia 1
Chá-de-cadeira
A notícia amanhã poderia ser: “Em seu primeiro dia oficialmente como Subprefeita, Soninha toma canseira nas salas de espera na sede do Executivo”. Tomei – mas não teve nada demais. E, apesar dela, avancei em muitas coisas hoje.
O que aconteceu foi que eu marquei uma reunião com um assessor do prefeito para tirar dúvidas sobre cargos congelados, por exemplo – isto é, funções que existem na estrutura administrativa da Subprefeitura mas estão vagos e não podem ser preenchidos sem autorização do prefeito.
Quem pensa que tudo no setor público é “trem da alegria” tá muito louco. Existem muitas situações em que falta gente pro trabalho – quando se quer trabalhar de verdade, óbvio. A Sub da Lapa, por exemplo, tem uma população que, segundo me disseram (não conferi) só é menor que a de quatro municípios do estado – Guarulhos, Campinas, Santos e Ribeirão Preto.
Enfim, mandei um email, a resposta foi “passa aqui à tarde”, eu tinha várias coisas para resolver no centro e fui até lá sem combinar exatamente a hora. Da primeira vez, esperei um tempo, vi que ia demorar e fui para outro compromisso. Da segunda, nem cheguei a esperar muito, mas tinha gente me esperando na Subrefeitura (repórter do Diário do Comércio) e precisei desistir. Sem problemas. Não foi traumático como os 60 minutos que o Gabeira esperou para conseguir falar com o Zé Dirceu, hehehe (no famoso episódio que antecedeu sua saída do partido).
Chá-preto
(ou qualquer outra bebida estimulante)
Na primeira reunião da tarde, na Coordenadoria de Comunicação, descobri o que posso e não posso fazer na página da Sub no site oficial da prefeitura. Não posso mudar o layout da página inicial; posso incrementar o menu do lado esquerdo e estender o conteúdo. Não posso colocar links para blogs (como o do Tendal da Lapa, desenvolvido pelo pessoal que trabalha lá). Preciso que n dois funcionários da Sub façam um curso rápido para aprender a usar as ferramentas de atualização. “Quando posso marcar?” Amanhã, 15:30. Nem acredito.
***
A segunda reunião era na EMURB, para “nivelar”, como eles disseram, as informações sobre Operações Urbanas entre os muitos órgãos da prefeitura envolvidos com elas. Cada um conhece e domina uma parte, e chega uma hora – benvinda! – em que é preciso deixar todo mundo no mesmo pé.
Como eu acabei de chegar, o convite para a reunião foi de última hora, mas um engenheiro da Subprefeitura, bom conhecedor do Plano Diretor, pôde ir. Junto com ele, um ex-assessor meu do gabinete da Câmara, que também acompanhava o tema de perto e compartilhava comigo estudos e reflexões sobre Estatuto das Cidades etc. Enfim, uma pessoa muito competente, em quem eu confio totalmente e adoraria ter comigo na Subprefeitura, mas não tenho um lugar para ela... (Para quem conhece: é o Helio Wicher Neto, eminente cicloativista, famoso peladão naquela Bicicletada, mas deixa essa parte pra lá). (Atenção: esta é uma piada interna, mas não resisti).
O engenheiro e o Helio viram a apresentação e vão me passar as informações depois – corri para a Emurb quando vi que ia “embaçar” na prefeitura, mas cheguei minutos depois da reunião ter terminado. De todo modo, receberemos um CD com os dados, há um site sobre o assunto (ainda não vasculhei – é este aqui)e os técnicos da empresa vão fazer um mini-seminário para os nossos técnicos lá na Subprefeitura.
Chá de quebra-pedra
(ou qualquer outro diurético)
Aproveitei a ocasião para tirar algumas dúvidas.
1) Placas de identificação de ruas – antes, a competência era dividida entre a Secretaria de Habitação e a EMURB. Boa notícia: está passando tudo para a EMURB, que tem muito mais agilidade para o serviço. Não suporto rua sem placa.
2) Mobiliário Urbano – os pontos de ônibus da Sub precisam, como quase todos na cidade, de reformas. Cobertura, assentos, placas informativas. Há tempos ouço dizer que “a prefeitura está vendo isso”. De fato, a EMURB está elaborando estudos, vendo a melhor maneira de conduzir as reformas e, traduzindo o gerúndio em números, a conclusão desses estudos está entre as prioridades para o primeiro trimestre de 2009.
3) Banheiros públicos – tem algum estudo para aumentar a oferta deles? Dado que a necessidade de mictórios para homens é maior do que a de banheiros para mulheres (que sabem se comportar melhor e não ficam à vontade para mijar no primeiro poste que aparecer), por que não estudar os equipamentos usados em algumas cidades da Europa? Ainda vamos precisar de banheiros “completos”, mas talvez não tenhamos mais que lavar a Praça da Sé dez vezes por dia (esse é o número real, não é uma hipérbole). Parece que um dia já fizeram um estudo dessa possibilidade; vão atrás disso.
Que nem mato
Descobri que a população da Lapa deve estar subestimada. Hoje percebi que todo mundo mora lá. Passei por uma infinidade pessoas que disseram: “Você é a minha Sub!”.
Um brinde
Nesse entra-e-sai de repartições, passei por uma TV ligada na cerimônia de posse do Obama, no momento em que tocava o hino dos Estados Unidos. Sem me dar conta, na hora, de o quanto essa era uma sensação rara, fiquei comovida com ele, como se fosse a coisa mais natural. “Puxa, queria muito estar assistindo isso”, comentei com o assessor que me acompanhava. Agora estou em casa zapeando atrás de tudo sobre o novo presidente – matéria no Jornal Nacional, documentário na GNT. Não vou comprar uma bandeirinha dos EUA, mas é muito legal ver o significado completamente diferente que ela adquiriu nas últimas semanas.
Saideira
Quase me programei para ir, amanhã de manhã, para um compromisso que tenho na quinta-feira. Jurava que a semana já tinha começado há mais tempo.
A notícia amanhã poderia ser: “Em seu primeiro dia oficialmente como Subprefeita, Soninha toma canseira nas salas de espera na sede do Executivo”. Tomei – mas não teve nada demais. E, apesar dela, avancei em muitas coisas hoje.
O que aconteceu foi que eu marquei uma reunião com um assessor do prefeito para tirar dúvidas sobre cargos congelados, por exemplo – isto é, funções que existem na estrutura administrativa da Subprefeitura mas estão vagos e não podem ser preenchidos sem autorização do prefeito.
Quem pensa que tudo no setor público é “trem da alegria” tá muito louco. Existem muitas situações em que falta gente pro trabalho – quando se quer trabalhar de verdade, óbvio. A Sub da Lapa, por exemplo, tem uma população que, segundo me disseram (não conferi) só é menor que a de quatro municípios do estado – Guarulhos, Campinas, Santos e Ribeirão Preto.
Enfim, mandei um email, a resposta foi “passa aqui à tarde”, eu tinha várias coisas para resolver no centro e fui até lá sem combinar exatamente a hora. Da primeira vez, esperei um tempo, vi que ia demorar e fui para outro compromisso. Da segunda, nem cheguei a esperar muito, mas tinha gente me esperando na Subrefeitura (repórter do Diário do Comércio) e precisei desistir. Sem problemas. Não foi traumático como os 60 minutos que o Gabeira esperou para conseguir falar com o Zé Dirceu, hehehe (no famoso episódio que antecedeu sua saída do partido).
Chá-preto
(ou qualquer outra bebida estimulante)
Na primeira reunião da tarde, na Coordenadoria de Comunicação, descobri o que posso e não posso fazer na página da Sub no site oficial da prefeitura. Não posso mudar o layout da página inicial; posso incrementar o menu do lado esquerdo e estender o conteúdo. Não posso colocar links para blogs (como o do Tendal da Lapa, desenvolvido pelo pessoal que trabalha lá). Preciso que n dois funcionários da Sub façam um curso rápido para aprender a usar as ferramentas de atualização. “Quando posso marcar?” Amanhã, 15:30. Nem acredito.
***
A segunda reunião era na EMURB, para “nivelar”, como eles disseram, as informações sobre Operações Urbanas entre os muitos órgãos da prefeitura envolvidos com elas. Cada um conhece e domina uma parte, e chega uma hora – benvinda! – em que é preciso deixar todo mundo no mesmo pé.
Como eu acabei de chegar, o convite para a reunião foi de última hora, mas um engenheiro da Subprefeitura, bom conhecedor do Plano Diretor, pôde ir. Junto com ele, um ex-assessor meu do gabinete da Câmara, que também acompanhava o tema de perto e compartilhava comigo estudos e reflexões sobre Estatuto das Cidades etc. Enfim, uma pessoa muito competente, em quem eu confio totalmente e adoraria ter comigo na Subprefeitura, mas não tenho um lugar para ela... (Para quem conhece: é o Helio Wicher Neto, eminente cicloativista, famoso peladão naquela Bicicletada, mas deixa essa parte pra lá). (Atenção: esta é uma piada interna, mas não resisti).
O engenheiro e o Helio viram a apresentação e vão me passar as informações depois – corri para a Emurb quando vi que ia “embaçar” na prefeitura, mas cheguei minutos depois da reunião ter terminado. De todo modo, receberemos um CD com os dados, há um site sobre o assunto (ainda não vasculhei – é este aqui)e os técnicos da empresa vão fazer um mini-seminário para os nossos técnicos lá na Subprefeitura.
Chá de quebra-pedra
(ou qualquer outro diurético)
Aproveitei a ocasião para tirar algumas dúvidas.
1) Placas de identificação de ruas – antes, a competência era dividida entre a Secretaria de Habitação e a EMURB. Boa notícia: está passando tudo para a EMURB, que tem muito mais agilidade para o serviço. Não suporto rua sem placa.
2) Mobiliário Urbano – os pontos de ônibus da Sub precisam, como quase todos na cidade, de reformas. Cobertura, assentos, placas informativas. Há tempos ouço dizer que “a prefeitura está vendo isso”. De fato, a EMURB está elaborando estudos, vendo a melhor maneira de conduzir as reformas e, traduzindo o gerúndio em números, a conclusão desses estudos está entre as prioridades para o primeiro trimestre de 2009.
3) Banheiros públicos – tem algum estudo para aumentar a oferta deles? Dado que a necessidade de mictórios para homens é maior do que a de banheiros para mulheres (que sabem se comportar melhor e não ficam à vontade para mijar no primeiro poste que aparecer), por que não estudar os equipamentos usados em algumas cidades da Europa? Ainda vamos precisar de banheiros “completos”, mas talvez não tenhamos mais que lavar a Praça da Sé dez vezes por dia (esse é o número real, não é uma hipérbole). Parece que um dia já fizeram um estudo dessa possibilidade; vão atrás disso.
Que nem mato
Descobri que a população da Lapa deve estar subestimada. Hoje percebi que todo mundo mora lá. Passei por uma infinidade pessoas que disseram: “Você é a minha Sub!”.
Um brinde
Nesse entra-e-sai de repartições, passei por uma TV ligada na cerimônia de posse do Obama, no momento em que tocava o hino dos Estados Unidos. Sem me dar conta, na hora, de o quanto essa era uma sensação rara, fiquei comovida com ele, como se fosse a coisa mais natural. “Puxa, queria muito estar assistindo isso”, comentei com o assessor que me acompanhava. Agora estou em casa zapeando atrás de tudo sobre o novo presidente – matéria no Jornal Nacional, documentário na GNT. Não vou comprar uma bandeirinha dos EUA, mas é muito legal ver o significado completamente diferente que ela adquiriu nas últimas semanas.
Saideira
Quase me programei para ir, amanhã de manhã, para um compromisso que tenho na quinta-feira. Jurava que a semana já tinha começado há mais tempo.
Agora acabou mesmo
Últimas imagens do dia:
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Rascunhos, rascunhos, rascunhos
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Minha mesa quando fui embora, ainda sob controle (quem viu a do Gabinete na Câmara sabe do que estou falando).
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Vizinhos: na hora de ir embora, escutei uma batucada vindo do Tendal e peguei o ensaio do grupo de percussão.
****
Últimas palavras do dia:
A "treta" mal começou, mas minha sensação ao fim do Dia Zero é: "Como é BOM ser Executivo". Eu pergunto para o Chefe de Gabinete: "Como faz isso?". "Tem projeto em Obras; dá pra fazer". "E isso?". "Eles fazem o projeto". "E isso?" "Manda instalar". "E isso?" "Tem uma parceria com uma empresa da região; a gente faz, eles cuidam". Dez ou quinze vezes pensei em alguma coisa e a resposta foi: "Você pede"/ "Você é quem manda".
Mas não se preocupem, não há o menor risco de entrar em euforia. Também já vi, nos últimos dias, problemas "eternos", como as enchentes que atingem a própria Sub, e muitas outras coisas que eu não peço nem mando (posso pressionar, persuadir, implorar...).
***
Não se animem demais vocês também. Nao vou escrever isso tudo todo dia.
Rascunhos, rascunhos, rascunhos
Minha mesa quando fui embora, ainda sob controle (quem viu a do Gabinete na Câmara sabe do que estou falando).
Vizinhos: na hora de ir embora, escutei uma batucada vindo do Tendal e peguei o ensaio do grupo de percussão.
****
Últimas palavras do dia:
A "treta" mal começou, mas minha sensação ao fim do Dia Zero é: "Como é BOM ser Executivo". Eu pergunto para o Chefe de Gabinete: "Como faz isso?". "Tem projeto em Obras; dá pra fazer". "E isso?". "Eles fazem o projeto". "E isso?" "Manda instalar". "E isso?" "Tem uma parceria com uma empresa da região; a gente faz, eles cuidam". Dez ou quinze vezes pensei em alguma coisa e a resposta foi: "Você pede"/ "Você é quem manda".
Mas não se preocupem, não há o menor risco de entrar em euforia. Também já vi, nos últimos dias, problemas "eternos", como as enchentes que atingem a própria Sub, e muitas outras coisas que eu não peço nem mando (posso pressionar, persuadir, implorar...).
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Não se animem demais vocês também. Nao vou escrever isso tudo todo dia.
Ainda o Dia Zero
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Primeiras notas para "discurso de posse"
O que?
Reduzir distâncias. Todas. Ricos e pobres. População e poder público.
Como?
Fazendo todo o possível (A gente FAZ MUITO MENOS do que o possível. Mil razões; a menor delas, falta de recursos. Brasil = país pobre que desperdiça (dinheiro, energia, experiência, conhecimento acadêmico e empírico). Aproveitar boas práticas "distantes", experiência de ações cotidianas. De técnicos, servidores, população.
Colaboração/co-responsabilidade
Pra que?
Para o mundo ser MELHOR. Reduzir o sofrimento e aumentar a possibilidade de ser feliz.
Ações:
- TROCA de informações, conhecimento. Caixa de sugestões, conversas informais, audiências pequenas e grandes, seminários, internet (site de mão dupla), blog
Plano de metas.
Espaços de convivência, qualidade de vida
Educação, saúde, meio ambiente, segurança,
Acessibilidade, mobilidade
Diversidade
História, patrimônio cultural
Sustentabilidade
Ex.: - Berlim... Bronx...
Sozinha NÃO DÁ – e não precisa...
Compromissos
Parcerias
Unicef, SOS Mata Atlântica, Abrinq, ISA...
Sindicatos, Fiesp, Pinheiro Neto, AmCham...
(Terraços verdes, estacionamentos, faixas de pedestre)
(Estudar orçamento, organograma, fluxograma, PDR)
*********
(Começou assim, depois mudou muito. É que agora eu realmente cansei e vou parar, então publiquei o rascunho mesmo :oP. Pouca-vergonha.)
Reduzir distâncias. Todas. Ricos e pobres. População e poder público.
Como?
Fazendo todo o possível (A gente FAZ MUITO MENOS do que o possível. Mil razões; a menor delas, falta de recursos. Brasil = país pobre que desperdiça (dinheiro, energia, experiência, conhecimento acadêmico e empírico). Aproveitar boas práticas "distantes", experiência de ações cotidianas. De técnicos, servidores, população.
Colaboração/co-responsabilidade
Pra que?
Para o mundo ser MELHOR. Reduzir o sofrimento e aumentar a possibilidade de ser feliz.
Ações:
- TROCA de informações, conhecimento. Caixa de sugestões, conversas informais, audiências pequenas e grandes, seminários, internet (site de mão dupla), blog
Plano de metas.
Espaços de convivência, qualidade de vida
Educação, saúde, meio ambiente, segurança,
Acessibilidade, mobilidade
Diversidade
História, patrimônio cultural
Sustentabilidade
Ex.: - Berlim... Bronx...
Sozinha NÃO DÁ – e não precisa...
Compromissos
Parcerias
Unicef, SOS Mata Atlântica, Abrinq, ISA...
Sindicatos, Fiesp, Pinheiro Neto, AmCham...
(Terraços verdes, estacionamentos, faixas de pedestre)
(Estudar orçamento, organograma, fluxograma, PDR)
*********
(Começou assim, depois mudou muito. É que agora eu realmente cansei e vou parar, então publiquei o rascunho mesmo :oP. Pouca-vergonha.)
Dia Zero
- Fui para a Subprefeitura um pouco antes das 10, depois de pegar algumas informações no computador de casa (onde trabalhei muito nos últimos dias)
- Me apresentei ao computador, que se comportou muito bem. A conexão com a internet também. Pena que não tivemos muito tempo juntos.
- Depois dos primeiros despachos com o Chefe de Gabinete (e Subprefeito interino até hoje), desci para a “cerimônia” (não exatamente) “de posse” (idem – a nomeação só sai amanhã no Diário Oficial. Hoje foi dia de trabalho voluntário). Foi mais um “encontro de boas-vindas”.
- O Subprefeito fez uma fala rapidíssima e eu fiz o meu discurso. Nunca escrevo por extenso, mas faço anotações para me organizar (mesmo que não as use na hora). No próximo post, tento reproduzi-lo.
- Depois do almoço, ali perto, passei rapidamente pela Sub para mais algumas providências e fui para o Memorial da América Latina, onde estava sendo inaugurada uma Unidade Móvel de Reabilitação da Rede Lucy Montoro (ligado às Secretarias Estaduais da Saúde e da Pessoa com Deficiência). Muito legal – um baita de um caminhão com instalações incrivelmente bem projetadas.
- O pessoal da Secretaria da Pessoa com Deficiência já me abordou no Memorial para falar do acesso do Metrô Barra Funda ao Memorial – que é bem ruinzinho mesmo.
- Consegui agendar uma conversa com a promotora Luiza Nagib Eluf, Subprefeita que me antecedeu (e que precisou deixar o cargo porque foi chamada de volta para o Ministério Público), e pré-agendar um encontro com os Subs anteriores a ela (Paulo Bressan – com quem, já vereadora, me desentendi por causa do Tendal da Lapa... - e Adaucto, do governo Marta). Mesmo com as possíveis divergências, quero saber da experiência deles.
- Despachei por email com o Andrea Matarazzo, Secr. De Coordenação das Subs, e combinei um encontro com o Calil, Secr. Da Cultura. Vou querer falar também com o Feldman (Esportes), Eduardo Jorge (Verde e Meio Ambiente), Belisário (Pessoa com Deficiência), Alda (Assis. e Desenv. Social), Marcos Cintra e Afif (Municipal e Estadual do Trabalho). Mas não vou ficar o tempo todo no pé dos Secretários; não tenho problema nenhum em despachar com assessores, chefes-de-gabinete, adjuntos... Quero resolver problemas. (Sei como é quando as pessoas fazem questão de você em carne-e-osso, mas seria muito mais produtivo falar com alguém da equipe). Mas um primeiro contato é importante para estabelecermos alguns compromissos juntos.
- Preciso falar também com SIURB, que é responsável por galerias (águas pluviais). Com a CET, por causa de sinalização (semáforos, rotatórias, faixas de pedestre, lombadas), calçadas, ciclofaixas...
- E com a Secretaria de Transportes e SP Trans, por causa de pontos de ônibus (cobertura, placas com informações) e a Secretaria de Comunicação, por conta do site da Sub. E mais...
- Já tenho uns trinta pedidos de entidades da sociedade civil que querem falar comigo na Sub ou que eu as visite. Quero atender todos. (Fora os que não me procuraram mas eu vou atrás).
- Falei com uma entidade que precisa renovar o pedido de autorização para realização de uma atividade na rua (não vai ter problema algum) ; estudei um caso complicado de córrego que deveria ser rua; vi uma sugestão de traçado de ciclovia apresentada por uma entidade da região.
Este post já está enorme e, desconfio, meio chato. Vou interromper e já volto.
O que já me esperava
O que encontrei na minha mesa quando cheguei hoje de manhã ao gabinete:

- Publicações da EMURB sobre Operações Urbanas
- Publicação do SEBRAE sobre "10 anos de Monitoramento da Sobrevivência e Mortalidade de Empresas"
- TAC (Termo de Ajuste de Conduta) sobre plantio compensatório de árvores (3500 no total)
- Relatório da situação física e social do Alojamento Humaitá (datado de 2003!)
- Apresentação impressa da Associação Pompéia de Preservação Ambiental
- Manual de identidade visual da Prefeitura
- Código de Defesa do Eleitor - uma proposta de Percival Maricato
- Edição 12/2008 do Jornal do Jaguaré
- Livro sobre o programa "Ação Família", da SMADS (Secretaria Assist. e Des. Social)-- Publicação da série "Município em Mapas" - Tema: Diversidade
- Relatório sobre ruas nas imediações do Playcenter
Trouxe várias coisas de casa e encontrei idênticas no armário daqui - por exemplo, o livro "Reinvente seu Bairro - Caminhos para você participar do planejamento de sua cidade", do Cândido Malta. Gostei :o)
- Publicações da EMURB sobre Operações Urbanas
- Publicação do SEBRAE sobre "10 anos de Monitoramento da Sobrevivência e Mortalidade de Empresas"
- TAC (Termo de Ajuste de Conduta) sobre plantio compensatório de árvores (3500 no total)
- Relatório da situação física e social do Alojamento Humaitá (datado de 2003!)
- Apresentação impressa da Associação Pompéia de Preservação Ambiental
- Manual de identidade visual da Prefeitura
- Código de Defesa do Eleitor - uma proposta de Percival Maricato
- Edição 12/2008 do Jornal do Jaguaré
- Livro sobre o programa "Ação Família", da SMADS (Secretaria Assist. e Des. Social)-- Publicação da série "Município em Mapas" - Tema: Diversidade
- Relatório sobre ruas nas imediações do Playcenter
Trouxe várias coisas de casa e encontrei idênticas no armário daqui - por exemplo, o livro "Reinvente seu Bairro - Caminhos para você participar do planejamento de sua cidade", do Cândido Malta. Gostei :o)
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