Em várias entrevistas e debates durante campanhas eleitorais, critiquei o tratamento simplista dado às doações de campanha. O raciocínio sempre presente na cobertura de jornais, acompanhamento de ONGs e até no discurso de alguns candidatos (como Ivan Valente, que sempre fazia essa observação) é quase sempre assim: se recebeu doação (especialmente de uma empresa), tem o rabo preso.
Simplista, maniqueísta, raso, hipócrita.
Porque um político pode exercer seu mandato de maneira desonesta, beneficiando este ou aquele, independentemente de ter recebido doação de campanha... (Ou doação declarada).
E um político pode receber doação de uma empresa ou empresas de determinado setor, sem que isso signifique que seu mandato estará a serviço delas.
Ou será que as empresas tem interesse APENAS em políticos desonestos?
Sim, a desonestidade pode facilitar as coisas para elas quando alguém se rende ao pagamento de propina, mas complica muito a sua vida quando se manifesta na forma de "pedágio", extorsão.
***
A corrupção da política está intimamente ligada à corrupção no setor privado. Mas isso não quer dizer que todos na política e todos no setor privado sejam corruptos; que todo doador de campanha e todo aquele que recebe uma doação estejam atados por más intenções.
Claro que se podem fazer ligações - a "bancada da bala", patrocinada pela indústria de armamentos, defendeu o "não" no referendo (sobre a proibição do comércio de armas)... E, quer saber, não há nada de necessariamente ilícito nisso. Se o deputado tem uma linha de pensamento que coincide com o interesse da indústria das armas, ele atrairá doações delas para sua campanha e as representará no Congresso - acreditando que está defendendo o que é melhor, mais certo.
Eu votei e defendi o "sim" no referendo; se uma organização antiarmamentos patrocinasse minha campanha, não seria natural?
Agora, se um deputado deliberadamente favorece a Taurus porque será pessoalmente beneficiado com isso, muda tudo.
Eu sei que a diferença parece sutil demais, mas não é.
***
Não resisti a escrever sobre isso agora, apesar de não ter tempo como gostaria para desenvolver melhor o tema, porque acabei de ver uma foto do Nabil Bonduki, ex-vereador pelo PT, em uma matéria sobre a Camargo Correia na Band. Ele recebeu doação de campanha da empreiteira - seu nome aparece em um telefonema grampeado.
Parece que ele cometeu um crime. No mínimo, que é suspeito de alguma irregularidade. Qualquer um mais ou menos distraído pode pensar: "Aí está, mais um pilantra!" (se não conhecer o Nabil), ou "Até tu, Nabil!" (se o conhecia e tinha em boa conta).
Mas isso é um ABSURDO.
A TV nem se deu ao trabalho de verificar se a doação foi oficial - tendo sido, qual o sentido de ilustrar a transcrição de um grampo telefônico com a foto do Nabil, como se fosse a revelação de uma tramóia???????? (Eles colocaram essa informação em terceira pessoa - "Marcio Thomas Bastos, advogado da empresa, diz que a doação foi oficial").
***
É tão danosa essa conclusão de que "doação de campanha = segundas intenções" que acaba desestimulando as doações - as doações bem intencionadas! Muita empresa séria (ou pessoa física) não quer doar para político nenhum para não ficar mal vista. Ou, se botar fé em um candidato, prefere mil vezes fazer a doação "por fora", para não se ver envolvida em confusão.
Tá tudo errado.
***
Quem quiser, pode verificar minha prestação de contas de campanha em 2006, neste link: recebi uma doação de R$40 mil da Camargo Correia. Eles fizeram o depósito e nós emitimos o recibo.
Quando um amigo disse, na época, que a empreiteira gostaria de contribuir com a minha campanha, porque eu tinha sido recomendada por uma pessoa de confiança deles como boa candidata, eu quis recusar a doação. "Putz, já estamos apanhando tanto [no PT], já estão metendo o pau no fato de eu querer ser deputada agora ["carreirista!"], vou receber doação de empreiteira?".
Mas eu logo vi que era um ato "heróico" inútil; eu sabia muito bem que não faria nada no meu mandato para favorecer esta ou aquela empresa, e que seria muito fácil acompanhá-lo e ver se isso era verdade ou não. E me acostumei a fazer e dizer as coisas em que acredito, mesmo que pensem mal de mim por causa delas. Azar.
Aí está, portanto. Talvez eu devesse deixar esse assunto bem quietinho no seu lugar, mas toda injustiça me irrita. E eu achei o fim da picada ver o Nabil sob suspeita na televisão. Tanta campanha desonesta por aí, tanta compra de voto quase descarada, tanto dinheiro público desviado para clientelismo eleitoral e agora o problema é ele ter recebido doação da C.Correia... Tenham dó.
***
Tem uma expressão em inglês que eu adoro: "Barking at the wrong tree" (latindo para a árvore errada). Em política, acontece o tempo todo.
"...But when you talk about destruction/Don't you know that you can count me out"
terça-feira, 31 de março de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
Parece pouco, mas...
Reproduzindo um comunicado interno:
"No próximo dia 07 de Abril, estaremos transformando os telefones diretos para ramais. Essa mudança não trará nenhum prejuízo aos serviços, já que os ramais DDR funcionam como linhas diretas.
Cabe ressaltar que essa pequena alteração nos trará uma economia de aproximadamente R$ 11.000,00 por ano só de assinatura".
"No próximo dia 07 de Abril, estaremos transformando os telefones diretos para ramais. Essa mudança não trará nenhum prejuízo aos serviços, já que os ramais DDR funcionam como linhas diretas.
Cabe ressaltar que essa pequena alteração nos trará uma economia de aproximadamente R$ 11.000,00 por ano só de assinatura".
Sobre cadeia outra vez
Assisti agora há pouco a matéria exibida ontem no Fantástico sobre o presídio de segurança máxima em Presidente Bernardes.
Nossa, quanta coisa esquisita, mal feita e mal contada...
Para sair das celas, os presos passam por uma barreira de policiais fortemente protegidos por escudos, capacetes, etc. Ou seja, parte-se do princípio de que eles são tão perigosos que não se pode dar nenhuma chance para atitudes ameaçadoras.
Mas, durante o banho de sol, se vê um preso pulando corda. Como assim, pulando corda??? Então não se sabe que uma corda vira facilmente uma arma?
Em seguida, o repórter da TV narra que um dos presos "pega uma corda feita de lençóis". Ah, então era outra... E como foi parar ali? Com tantas câmeras, tanto cuidado, puseram uma corda de lençóis na trave do gol e ninguém percebeu?
Outra coisa que não entendi: em tumulto no estádio de futebol, a polícia de choque não hesita em usar bombas de efeito moral e dar tiros com balas de borracha em quem estiver na frente. No presídio, os policiais sabem que está acontecendo um assassinato e "não conseguem entrar no pátio". A cena mostra presos parados diante do portão "impedindo" sua entrada. Puxa, como ficou fácil paralisar o choque!
A TV destaca um dos envolvidos no assassinato e informa que a condenação dele foi por "furto". A menos que tenha sido furto de armas ou algo parecido, que caracterize crime muito grave, não sei o que ele estaria fazendo em um presídio de segurança máxima.
Enfim, como em quase tudo que acontece em presídios, tem mais acontecendo ali do que parece ter. E eu me pergunto se a Globo, que se recusa a dizer o nome "PCC", não estaria sendo inadvertidamente útil para propaganda da quadrilha, que deve estar comemorando a demonstração de suas ações em rede nacional.
Por último, não nos esqueçamos que, sem algum tipo de conivência de agentes de segurança, as ações criminosas ficam bem mais difíceis...
Tem coisa aí.
Nossa, quanta coisa esquisita, mal feita e mal contada...
Para sair das celas, os presos passam por uma barreira de policiais fortemente protegidos por escudos, capacetes, etc. Ou seja, parte-se do princípio de que eles são tão perigosos que não se pode dar nenhuma chance para atitudes ameaçadoras.
Mas, durante o banho de sol, se vê um preso pulando corda. Como assim, pulando corda??? Então não se sabe que uma corda vira facilmente uma arma?
Em seguida, o repórter da TV narra que um dos presos "pega uma corda feita de lençóis". Ah, então era outra... E como foi parar ali? Com tantas câmeras, tanto cuidado, puseram uma corda de lençóis na trave do gol e ninguém percebeu?
Outra coisa que não entendi: em tumulto no estádio de futebol, a polícia de choque não hesita em usar bombas de efeito moral e dar tiros com balas de borracha em quem estiver na frente. No presídio, os policiais sabem que está acontecendo um assassinato e "não conseguem entrar no pátio". A cena mostra presos parados diante do portão "impedindo" sua entrada. Puxa, como ficou fácil paralisar o choque!
A TV destaca um dos envolvidos no assassinato e informa que a condenação dele foi por "furto". A menos que tenha sido furto de armas ou algo parecido, que caracterize crime muito grave, não sei o que ele estaria fazendo em um presídio de segurança máxima.
Enfim, como em quase tudo que acontece em presídios, tem mais acontecendo ali do que parece ter. E eu me pergunto se a Globo, que se recusa a dizer o nome "PCC", não estaria sendo inadvertidamente útil para propaganda da quadrilha, que deve estar comemorando a demonstração de suas ações em rede nacional.
Por último, não nos esqueçamos que, sem algum tipo de conivência de agentes de segurança, as ações criminosas ficam bem mais difíceis...
Tem coisa aí.
domingo, 29 de março de 2009
Como se eu tivesse olhos em toda parte
Comentário no blog www.pedalverde.wordpress.com:
"Eu acho ótimo a iniciativa do pedal verde. Pena que não englobe regiões mais periféricas da cidade como Jaguaré. Estamos precisando de mais verde.
E por causa disto, esta semana foi muito chato. Na Rua Marselha, na altura do 1329, aqui no Jaguaré onde Soninha passou nesta semana, havia uma boa árvore saudável frondosa com uma copa que abrigava muita gente com sua sombra, pacatamente situada na calçada da praça, ao lado de uma agência do Banco do Brasil.
Na quarta-feira (25/03/2009), foi cortada sem cerimônia alguma ! Como trabalho não vi acontecer, e por coincidência as luzes do local estavam apagadas quando cheguei em casa. Só fui ver o crime quando saí de casa para o serviço, na 5a. feira. Olha, se fosse em outra administração, eu estaria revoltado mas já estaria esperando falta de entendimento. Contudo, na sua administração, Soninha ? Essa não esperava. Aliás, outras árvores da região estão sendo sumariamente cortadas, e, sem estarem moribundas. Além disto, a árvore que deveriam ter removido, é do outro lado da rua, que está emaranhando-se na rede elétrica. A outra não estava fazendo mal a ninguém, e fornecendo a maravilhosa sombra nestes tempos de calor forte. E aí, digo para Soninha, o que diz disto ?"
Eu mandei um comentário para o Blog, mas até agora não saiu, não sei o que aconteceu. Minha resposta era mais ou menos assim:
Carlos, árvores são podadas ou removidas pelas equipes contratadas pela Subprefeitura depois de uma vistoria do nosso agrônomo, que é muito consciencioso. Várias vezes ele desagrada as pessoas ao negar autorização para a remoção de uma árvore, por ela estar sadia.
Mas acontecem remoções irregulares ou ilegais, que devem ser objeto de denúncia, tanto quanto qualquer outra desonestidade. Às vezes pessoas dizem estar trabalhando para a prefeitura (ou autorizadas pela prefeitura) e não estão; às vezes as equipes contratadas aceitam um pagamento "por fora" para fazerem o que não devem.
Agora, absurdo mesmo é você pensar que eu mandei cortar uma árvore sadia, ou que fui conivente com isso. Se pensa isso de mim, como poderia estar decepcionado? Se acha que é assim que eu ajo, só pode me achar uma idiota, e aí não há decepção possível.
Depois os editores do Blog explicaram que "o Pedal Verde atende as regiões perifericas da cidade sim, como Jaguaré. Podemos combinar pedaladas verdes por lá.
Em relação a sua denuncia, importante ficar claro que o Pedal Verde não se confunde com as Subprefeituras da Cidade, faz apenas a ponte para definir áreas estratégicas de plantio e manejo.
Pensando em sua mobilização em monitorar o verde da cidade, criamos no blog um item “Sugestões e Denuncias na Prefeitura” orientando todos a utilizar o SAC, 156 e atendimentos da Subprefeituras para sugestões de denuncias. Você deve utilizar esse espaço para encaminhar diretamente a denuncia/sugestões".
Ele escreveu de novo: "Eu já uso o SAC há muito tempo, e já enviei a reclamação, este corte de árvore foi tão inusitado principalmente de uma subprefeitura que tem como um representante antenado para a questão verde que fiquei muito indignado. O que valeu um ímpeto de aproveitar esta para desabafar. Contudo, fica a pergunta, afinal este pessoal não faz controle do que faz ? Não questiona o que faz ? Parece uma pirraça e de muito mal gosto".
Pois é, ele insiste em achar que eu mandei cortar a árvore sadia - por "pirraça" (?!?). Inacreditável.
"Este pessoal" faz controle do que faz, mas precisa de ajuda. Ou a população participa do controle de qualidade dos serviços, ou eu vou precisar colocar câmeras de vigilância em cada poste, em cada esquina... Ou contratar milhares de fiscais. E fiscais para fiscalizar os fiscais. Para que o serviço seja bem feito e para que não achem que sou eu que mando fazer mal feito. Era só o que me faltava.
"Eu acho ótimo a iniciativa do pedal verde. Pena que não englobe regiões mais periféricas da cidade como Jaguaré. Estamos precisando de mais verde.
E por causa disto, esta semana foi muito chato. Na Rua Marselha, na altura do 1329, aqui no Jaguaré onde Soninha passou nesta semana, havia uma boa árvore saudável frondosa com uma copa que abrigava muita gente com sua sombra, pacatamente situada na calçada da praça, ao lado de uma agência do Banco do Brasil.
Na quarta-feira (25/03/2009), foi cortada sem cerimônia alguma ! Como trabalho não vi acontecer, e por coincidência as luzes do local estavam apagadas quando cheguei em casa. Só fui ver o crime quando saí de casa para o serviço, na 5a. feira. Olha, se fosse em outra administração, eu estaria revoltado mas já estaria esperando falta de entendimento. Contudo, na sua administração, Soninha ? Essa não esperava. Aliás, outras árvores da região estão sendo sumariamente cortadas, e, sem estarem moribundas. Além disto, a árvore que deveriam ter removido, é do outro lado da rua, que está emaranhando-se na rede elétrica. A outra não estava fazendo mal a ninguém, e fornecendo a maravilhosa sombra nestes tempos de calor forte. E aí, digo para Soninha, o que diz disto ?"
Eu mandei um comentário para o Blog, mas até agora não saiu, não sei o que aconteceu. Minha resposta era mais ou menos assim:
Carlos, árvores são podadas ou removidas pelas equipes contratadas pela Subprefeitura depois de uma vistoria do nosso agrônomo, que é muito consciencioso. Várias vezes ele desagrada as pessoas ao negar autorização para a remoção de uma árvore, por ela estar sadia.
Mas acontecem remoções irregulares ou ilegais, que devem ser objeto de denúncia, tanto quanto qualquer outra desonestidade. Às vezes pessoas dizem estar trabalhando para a prefeitura (ou autorizadas pela prefeitura) e não estão; às vezes as equipes contratadas aceitam um pagamento "por fora" para fazerem o que não devem.
Agora, absurdo mesmo é você pensar que eu mandei cortar uma árvore sadia, ou que fui conivente com isso. Se pensa isso de mim, como poderia estar decepcionado? Se acha que é assim que eu ajo, só pode me achar uma idiota, e aí não há decepção possível.
Depois os editores do Blog explicaram que "o Pedal Verde atende as regiões perifericas da cidade sim, como Jaguaré. Podemos combinar pedaladas verdes por lá.
Em relação a sua denuncia, importante ficar claro que o Pedal Verde não se confunde com as Subprefeituras da Cidade, faz apenas a ponte para definir áreas estratégicas de plantio e manejo.
Pensando em sua mobilização em monitorar o verde da cidade, criamos no blog um item “Sugestões e Denuncias na Prefeitura” orientando todos a utilizar o SAC, 156 e atendimentos da Subprefeituras para sugestões de denuncias. Você deve utilizar esse espaço para encaminhar diretamente a denuncia/sugestões".
Ele escreveu de novo: "Eu já uso o SAC há muito tempo, e já enviei a reclamação, este corte de árvore foi tão inusitado principalmente de uma subprefeitura que tem como um representante antenado para a questão verde que fiquei muito indignado. O que valeu um ímpeto de aproveitar esta para desabafar. Contudo, fica a pergunta, afinal este pessoal não faz controle do que faz ? Não questiona o que faz ? Parece uma pirraça e de muito mal gosto".
Pois é, ele insiste em achar que eu mandei cortar a árvore sadia - por "pirraça" (?!?). Inacreditável.
"Este pessoal" faz controle do que faz, mas precisa de ajuda. Ou a população participa do controle de qualidade dos serviços, ou eu vou precisar colocar câmeras de vigilância em cada poste, em cada esquina... Ou contratar milhares de fiscais. E fiscais para fiscalizar os fiscais. Para que o serviço seja bem feito e para que não achem que sou eu que mando fazer mal feito. Era só o que me faltava.
Sábado e domingo - parte 1
8:30 - Fui para o mutirão no Humaitá em ziguezague, como gosto de fazer, passando por onde não é caminho.
Santo deus, como São Paulo pode ser deprimente. Lugares horríveis, sujos, meio abandonados, meio mal utilizados. Terra sem lei, terra de ninguém. Muros com propaganda pintada (e um acintoso "Não mexa - autorizado"), lixo, áreas públicas cercadas, áreas privadas horrendamente largadas, sinalização inexistente, salve-se quem puder.
Tive de cavocar a memória - "lembra do Meat District em Nova York, lembra de Berlim depois da guerra!" - para acreditar que um dia aqueles quarteirões enormes entre a Gastão Vidigal e a Marginal vão ser alguma coisa decente, habitável, agradável, mais perto da escala humana (porque agora parece impossível).
***
Passei por uma blitz policial; estavam parando todas as motos. Só me faltava estar sem o documento... Corri o risco seriamente: a semana inteira, saí com duas mochilas. No sábado, dei uma olhada superficial e peguei uma só. Por um triz o documento não ficou na que deixei em casa.
***
Chegando à praça em que faríamos o mutirão, a primeira reivindicação: abrir uma passagem para caminhões no terreno (particular) onde funciona agora uma caixaria (revenda de caixotes usados na Ceagesp). O portão tem dois malotões, quase com certeza colocados pela própria Subprefeitura. Tive de dizer não: "Rapaz, se a tua atividade nem tá regularizada, como é que eu posso facilitar o acesso a ela?". Ele, naturalmente, ficou puto comigo, mas até que disfarçou.
***
A caixaria banca as cestas básicas de uns 200 meninos que praticam futebol no campo ao lado. E dá trabalho para alguns dos seus pais. Deu pra sentir o drama? Pois é, o dia começa assim, e vai daí pra pior.
***
"Assim não dá, a comunidade não vai ter o que fazer, a prefeitura está fazendo tudo!". Era uma das minhas assessoras, desesperada com o fato de haver equipes de limpeza e manutenção de logradouros trabalhando. "Calma. A comunidade quer fazer o que? Plantar árvores, escolher os lugares? Tô vendo um monte de árvore pra plantar". No fim, depois do estresse básico, buscaram mais terra e mudas na Sub, e a molecada se esbaldou de botar a mão na terra, na tinta, no muro.
Sem falar que a chegada das bolas (basquete, vôlei e futebol), petecas, mesas de ping-pong (a Lyane me mata! - Lyane é uma colega de ESPN que é campeã de tênis-de-mesa :o)) e cama elástica deixaram a praça muito, mas muito animada. Impressionante o que uma bola é capaz de proporcionar.
***
O Maracatu chegou e entrou favela adentro, chamando o povo, ainda meio tímido. As crianças foram as que se soltaram primeiro, claro.
Uma mulher com um menino pequeno no colo, batendo palma animado, me chamou. O problema: ela e o marido trabalham com reciclagem e juntam o material na beira do córrego. Outros, segundo ela, jogam lixo no mesmo lugar, e ela tenta separar, recolher, queimar.
Nosso (super) encarregado de limpeza, um trator pra trabalhar, firmíssimo e corretíssimo, faz um acordo: "A senhora então precisa fazer um cercado para o seu reciclável, e não deixar acumular muito. E não vale recolher entulho e trazer para despejar ali". E nos comprometemos a tentar uma caçamba com a Limpurb, para colocar o lixo orgânico da favela, não misturando mais com o material seco.
Porque deu um trabalho louco para limpar o córrego, que antes estava completamente possuído por mato e lixo e agora está "só" poluído.
***
"É verdade que a alça nova da Castelo vai passar aqui por cima?". Não, não é. "É que saiu no jornal...". Eu sei, mas nem tudo que sai no jornal é verdade. "E aquela bacia de compensação, não dá pra aterrar e fazer alguma coisa em cima?". Não, que eu saiba não dá, se a gente impermeabilizar ali vai acabar sobrando água em algum outro lugar.
***
É impossível dar três passos ou passar dois minutos sem ser abordada - normal, é do emprego. "E quando você vai mandar Fulano e Sicrano embora?". Fulano e Sicrano, como quase todo mundo na Subprefeitura, são odiados por uns e muito bem quistos por outros. Eu disse que vou gravar os depoimentos contra e favor, tocar em um alto-falante e fazer um plebiscito. "Eles ficam ou vão?".
***
Dali a pouco, me procuram quatro homens que estão ocupando um imóvel vazio nas redondezas. Eu soube do caso: semana passada, vieram me avisar. "Invadiram um prédio perto da favela do Humaitá". "Um prédio? Que tipo de prédio? Em construção? Abandonado?". Foram verificar. "Uma construção abandonada. É área particular. E o pessoal diz que invadiu porque 'a Soninha prometeu casa e não arrumou'. Eles eram daqueles barracos em cima do córrego".
Oh shit. Os barracos em cima do córrego.
(continua)
Santo deus, como São Paulo pode ser deprimente. Lugares horríveis, sujos, meio abandonados, meio mal utilizados. Terra sem lei, terra de ninguém. Muros com propaganda pintada (e um acintoso "Não mexa - autorizado"), lixo, áreas públicas cercadas, áreas privadas horrendamente largadas, sinalização inexistente, salve-se quem puder.
Tive de cavocar a memória - "lembra do Meat District em Nova York, lembra de Berlim depois da guerra!" - para acreditar que um dia aqueles quarteirões enormes entre a Gastão Vidigal e a Marginal vão ser alguma coisa decente, habitável, agradável, mais perto da escala humana (porque agora parece impossível).
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Passei por uma blitz policial; estavam parando todas as motos. Só me faltava estar sem o documento... Corri o risco seriamente: a semana inteira, saí com duas mochilas. No sábado, dei uma olhada superficial e peguei uma só. Por um triz o documento não ficou na que deixei em casa.
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Chegando à praça em que faríamos o mutirão, a primeira reivindicação: abrir uma passagem para caminhões no terreno (particular) onde funciona agora uma caixaria (revenda de caixotes usados na Ceagesp). O portão tem dois malotões, quase com certeza colocados pela própria Subprefeitura. Tive de dizer não: "Rapaz, se a tua atividade nem tá regularizada, como é que eu posso facilitar o acesso a ela?". Ele, naturalmente, ficou puto comigo, mas até que disfarçou.
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A caixaria banca as cestas básicas de uns 200 meninos que praticam futebol no campo ao lado. E dá trabalho para alguns dos seus pais. Deu pra sentir o drama? Pois é, o dia começa assim, e vai daí pra pior.
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"Assim não dá, a comunidade não vai ter o que fazer, a prefeitura está fazendo tudo!". Era uma das minhas assessoras, desesperada com o fato de haver equipes de limpeza e manutenção de logradouros trabalhando. "Calma. A comunidade quer fazer o que? Plantar árvores, escolher os lugares? Tô vendo um monte de árvore pra plantar". No fim, depois do estresse básico, buscaram mais terra e mudas na Sub, e a molecada se esbaldou de botar a mão na terra, na tinta, no muro.
Sem falar que a chegada das bolas (basquete, vôlei e futebol), petecas, mesas de ping-pong (a Lyane me mata! - Lyane é uma colega de ESPN que é campeã de tênis-de-mesa :o)) e cama elástica deixaram a praça muito, mas muito animada. Impressionante o que uma bola é capaz de proporcionar.
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O Maracatu chegou e entrou favela adentro, chamando o povo, ainda meio tímido. As crianças foram as que se soltaram primeiro, claro.
Uma mulher com um menino pequeno no colo, batendo palma animado, me chamou. O problema: ela e o marido trabalham com reciclagem e juntam o material na beira do córrego. Outros, segundo ela, jogam lixo no mesmo lugar, e ela tenta separar, recolher, queimar.
Nosso (super) encarregado de limpeza, um trator pra trabalhar, firmíssimo e corretíssimo, faz um acordo: "A senhora então precisa fazer um cercado para o seu reciclável, e não deixar acumular muito. E não vale recolher entulho e trazer para despejar ali". E nos comprometemos a tentar uma caçamba com a Limpurb, para colocar o lixo orgânico da favela, não misturando mais com o material seco.
Porque deu um trabalho louco para limpar o córrego, que antes estava completamente possuído por mato e lixo e agora está "só" poluído.
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"É verdade que a alça nova da Castelo vai passar aqui por cima?". Não, não é. "É que saiu no jornal...". Eu sei, mas nem tudo que sai no jornal é verdade. "E aquela bacia de compensação, não dá pra aterrar e fazer alguma coisa em cima?". Não, que eu saiba não dá, se a gente impermeabilizar ali vai acabar sobrando água em algum outro lugar.
***
É impossível dar três passos ou passar dois minutos sem ser abordada - normal, é do emprego. "E quando você vai mandar Fulano e Sicrano embora?". Fulano e Sicrano, como quase todo mundo na Subprefeitura, são odiados por uns e muito bem quistos por outros. Eu disse que vou gravar os depoimentos contra e favor, tocar em um alto-falante e fazer um plebiscito. "Eles ficam ou vão?".
***
Dali a pouco, me procuram quatro homens que estão ocupando um imóvel vazio nas redondezas. Eu soube do caso: semana passada, vieram me avisar. "Invadiram um prédio perto da favela do Humaitá". "Um prédio? Que tipo de prédio? Em construção? Abandonado?". Foram verificar. "Uma construção abandonada. É área particular. E o pessoal diz que invadiu porque 'a Soninha prometeu casa e não arrumou'. Eles eram daqueles barracos em cima do córrego".
Oh shit. Os barracos em cima do córrego.
(continua)
Sábado e domingo - parte 2
Um dia saiu uma equipe da Subprefeitura dizendo que ia derrubar "barracos vazios, que estão construindo para vender, não tem ninguém morando. Precisamos desmanchar antes que sejam vendidos; não podemos autorizar ninguém a morar pendurado ali no córrego".
Então tá. Ainda perguntei mil vezes: "Vazios? VAZIOS?". "Vazios".
Dali a dois dias, aparece um grupo de pessoas na Subprefeitura dizendo que seus barracos tinham sido destruídos enquanto estavam fora, no trabalho. Seus pertences, largados no córrego, jogados no lixo, destruídos.
Não havia muito que eu pudesse fazer por eles. Pedi socorro à Assistência Social, que não podia oferecer quase nada além de vaga em albergue - inadequados para 90% dos casos (famílias com crianças). Ficamos na mesma. Eles foram embora insatisfeitos, eu fiquei insatisfeita, mais um problema crônico para resolver.
Pegamos os nomes, contatos, número de pessoas por família, mas não conseguimos avançar nada além disso. Um deles, apenas, mais exaltado, exigiu roupas novas para o trabalho. Prometemos arrumar para o dia seguinte.
Não demorou para descobrirmos que o nome que ele tinha dado era falso, o telefone de contato também, o nome da mãe idem... Um aproveitador infiltrado, com passagem pela polícia (o que, em si, pode não querer dizer muita coisa, mas na soma dos fatores era mau sinal). Que, quando apareceu no dia seguinte, questionado sobre o nome falso, ameaçou funcionários da Subprefeitura - na linha "já apaguei um, não custa apagar outro", essas coisas. Chamamos a polícia, fazer o que?
***
Ontem revi as outras famílias, que me levaram ao tal galpão em que estão "morando". É como se cruzássemos um portal e chegássemos ao Afeganistão depois da guerra. Um absurdo. Um imóvel ENORME à venda, semi-destruído; um terreno fadado a virar condomínio de luxo, imagino. Enquanto isso, as famílias acampam nos destroços - limpando, varrendo, improvisando paredes, cortinas, fogões. Uma mãe banhava o filho com uma canequinha.
"Então, dona Soninha? O segurança diz que eles vão chamar o Choque e tirar a gente daqui à força. A gente só quer um lugar pra morar. Tiraram a gente de onde a gente tava e agora, vou pra calçada com meus filhos? A gente tem alguma renda, não dá pra pagar um aluguel mas dá pra pagar uma taxinha, não tem um lugar pra gente?"
Eles trabalham na Ceagesp e arredores - tudo bico, naturalmente. Algumas crianças estão matriculadas nas escolas da região, outras não conseguiram vaga. Têm medo de apanhar, perder o lugar e os pertences. "De outra vez, queimaram os nossos colchões, até o colchão do nenê. A gente nem dorme à noite com medo. No dia seguinte, é ruim de trabalhar, cansado e com medo de deixar as mulheres e as crianças sozinhas aqui".
***
Conversamos, falei sobre as possibilidades, as impossibilidades, as minhas atribuições e os meus limites, os nossos erros e sobrecargas. "E aqueles predinhos no Jaguaré?". Aqueles são para as pessoas da própria favela. Sabe quantas famílias vivem ali? Quatro mil! "E aqueles depois da Ponte dos Remédios?" Um interrompeu: "Ali é Osasco, não é ela". "Mas ali eles vendem baratinho e não é só pra quem é sem-teto, é quem puder comprar, aí vai um cara com mais dinheiro e compra três ou quatro, é justo isso?". Prometi ver, tentar entender, quem sabe falar com o prefeito de Osasco se for o caso.
***
Posso tirar umas fotos? "Pode, claro!". E eles faziam questão de me levar cada um até seu cantinho, numa mistura doida de orgulho da arrumação que fizeram e indignação pelas condições terríveis em que vivem - ainda por cima, ameaçados de ficar sem ao menos aquilo.
***
De volta à praça, um grupo veio me pedir para visitar o Clube da Comunidade, antigo CDM - para o qual a Associação do Humaitá tem grandes planos. Ele estava muito descuidado, com mato alto etc. Demos um trato. A reunião com a comunidade para falar do mutirão, na quarta à noite, foi ali, em um galpão de lata, ajeitadinho mas desconfortável.
Outros galpões já foram usados como creche por uma outra associação, e eles têm muita mágoa dessa história até hoje - porque, pelo que entendi, a parte de esporte ficou largada, inviabilizada. A estrutura que tinham começado a fazer para um ginásio foi demolida. E agora têm um superprojeto de reforma, ambicioso e modesto ao mesmo tempo (porque se trata apenas de ter quadras ótimas, dois andares de salas para atividades diversas, duas pistas de bocha... É o básico para um clube, mas uma grande intervenção para a Subprefeitura/Secretaria de Esporte, que tem um milhão de outras coisas para providenciar). Em todo caso, vamos colocar na lista de "adoraria fazer".
Por enquanto, o Supervisor de Esporte vai tentar transferir algumas das atividades do Pelezão (Clube Municipal no Alto da Lapa), que, segundo ele, têm baixa procura, para esse Clube no Humaitá. Vamos ver se dá certo.
***
As mães da favela, por sua vez, vieram me pedir creche. "Antes tinha creche ali no Clube, aí fechou. Ainda tem as salas, os brinquedos das crianças... Por que não volta a creche pra lá?".
A Associação não quer nem ouvir falar (pelos motivos citados acima). "E o nosso sonho do clube? Da outra vez que veio a creche, parou tudo, estragou o que já tinha".
Socorro. Chamem a ONU, o Judiciário, mediadores de conflito. Eu preciso de lugar para uma creche!
***
E para uma AMA...
E moradia popular...
(continua abaixo)
Então tá. Ainda perguntei mil vezes: "Vazios? VAZIOS?". "Vazios".
Dali a dois dias, aparece um grupo de pessoas na Subprefeitura dizendo que seus barracos tinham sido destruídos enquanto estavam fora, no trabalho. Seus pertences, largados no córrego, jogados no lixo, destruídos.
Não havia muito que eu pudesse fazer por eles. Pedi socorro à Assistência Social, que não podia oferecer quase nada além de vaga em albergue - inadequados para 90% dos casos (famílias com crianças). Ficamos na mesma. Eles foram embora insatisfeitos, eu fiquei insatisfeita, mais um problema crônico para resolver.
Pegamos os nomes, contatos, número de pessoas por família, mas não conseguimos avançar nada além disso. Um deles, apenas, mais exaltado, exigiu roupas novas para o trabalho. Prometemos arrumar para o dia seguinte.
Não demorou para descobrirmos que o nome que ele tinha dado era falso, o telefone de contato também, o nome da mãe idem... Um aproveitador infiltrado, com passagem pela polícia (o que, em si, pode não querer dizer muita coisa, mas na soma dos fatores era mau sinal). Que, quando apareceu no dia seguinte, questionado sobre o nome falso, ameaçou funcionários da Subprefeitura - na linha "já apaguei um, não custa apagar outro", essas coisas. Chamamos a polícia, fazer o que?
***
Ontem revi as outras famílias, que me levaram ao tal galpão em que estão "morando". É como se cruzássemos um portal e chegássemos ao Afeganistão depois da guerra. Um absurdo. Um imóvel ENORME à venda, semi-destruído; um terreno fadado a virar condomínio de luxo, imagino. Enquanto isso, as famílias acampam nos destroços - limpando, varrendo, improvisando paredes, cortinas, fogões. Uma mãe banhava o filho com uma canequinha.
"Então, dona Soninha? O segurança diz que eles vão chamar o Choque e tirar a gente daqui à força. A gente só quer um lugar pra morar. Tiraram a gente de onde a gente tava e agora, vou pra calçada com meus filhos? A gente tem alguma renda, não dá pra pagar um aluguel mas dá pra pagar uma taxinha, não tem um lugar pra gente?"
Eles trabalham na Ceagesp e arredores - tudo bico, naturalmente. Algumas crianças estão matriculadas nas escolas da região, outras não conseguiram vaga. Têm medo de apanhar, perder o lugar e os pertences. "De outra vez, queimaram os nossos colchões, até o colchão do nenê. A gente nem dorme à noite com medo. No dia seguinte, é ruim de trabalhar, cansado e com medo de deixar as mulheres e as crianças sozinhas aqui".
***
Conversamos, falei sobre as possibilidades, as impossibilidades, as minhas atribuições e os meus limites, os nossos erros e sobrecargas. "E aqueles predinhos no Jaguaré?". Aqueles são para as pessoas da própria favela. Sabe quantas famílias vivem ali? Quatro mil! "E aqueles depois da Ponte dos Remédios?" Um interrompeu: "Ali é Osasco, não é ela". "Mas ali eles vendem baratinho e não é só pra quem é sem-teto, é quem puder comprar, aí vai um cara com mais dinheiro e compra três ou quatro, é justo isso?". Prometi ver, tentar entender, quem sabe falar com o prefeito de Osasco se for o caso.
***
Posso tirar umas fotos? "Pode, claro!". E eles faziam questão de me levar cada um até seu cantinho, numa mistura doida de orgulho da arrumação que fizeram e indignação pelas condições terríveis em que vivem - ainda por cima, ameaçados de ficar sem ao menos aquilo.
***
De volta à praça, um grupo veio me pedir para visitar o Clube da Comunidade, antigo CDM - para o qual a Associação do Humaitá tem grandes planos. Ele estava muito descuidado, com mato alto etc. Demos um trato. A reunião com a comunidade para falar do mutirão, na quarta à noite, foi ali, em um galpão de lata, ajeitadinho mas desconfortável.
Outros galpões já foram usados como creche por uma outra associação, e eles têm muita mágoa dessa história até hoje - porque, pelo que entendi, a parte de esporte ficou largada, inviabilizada. A estrutura que tinham começado a fazer para um ginásio foi demolida. E agora têm um superprojeto de reforma, ambicioso e modesto ao mesmo tempo (porque se trata apenas de ter quadras ótimas, dois andares de salas para atividades diversas, duas pistas de bocha... É o básico para um clube, mas uma grande intervenção para a Subprefeitura/Secretaria de Esporte, que tem um milhão de outras coisas para providenciar). Em todo caso, vamos colocar na lista de "adoraria fazer".
Por enquanto, o Supervisor de Esporte vai tentar transferir algumas das atividades do Pelezão (Clube Municipal no Alto da Lapa), que, segundo ele, têm baixa procura, para esse Clube no Humaitá. Vamos ver se dá certo.
***
As mães da favela, por sua vez, vieram me pedir creche. "Antes tinha creche ali no Clube, aí fechou. Ainda tem as salas, os brinquedos das crianças... Por que não volta a creche pra lá?".
A Associação não quer nem ouvir falar (pelos motivos citados acima). "E o nosso sonho do clube? Da outra vez que veio a creche, parou tudo, estragou o que já tinha".
Socorro. Chamem a ONU, o Judiciário, mediadores de conflito. Eu preciso de lugar para uma creche!
***
E para uma AMA...
E moradia popular...
(continua abaixo)
Sábado e domingo - parte 3
No meio da tarde, caiu uma chuva forte, tocada a vento, que não espantou todo mundo não. Alguns (o Esteves, o Ricardo e a Ana Estrella, o Alexandre Schutz) continuaram plantando na chuva. A equipe que estava instalando a mesa de xadrez e os bancos de cimento até que tentou, mas teve de desistir.
Já a molecada se esbaldou - jogando bola, se atirando (ou atirando uns aos outros) nas poças d'água, ajudando a plantar e recolher os sacos plásticos das mudas. Quem não se animou ficou espremido debaixo de uma tenda da Sub.
O grafite foi suspenso, continuou depois que parou a chuva, mas não tardou a começar a chover outra vez... Suspendemos o DJ e o cinema na praça.
***
Mais pedido de ajuda: "Soninha, eu quero uma bolsa pra fazer faculdade, não quero ficar nessa vida, é uma humilhação". O rapaz é da equipe de manutenção de logradouros contratada pela Sub. "Vamos conversar, vamos ver o que a gente pode procurar juntos. Mas não diga que o trabalho é humilhação... Não é, é trabalho, tão importante...". O senhor ao meu lado, também na equipe, fez "sim" com a cabeça. Meio triste, cansado.
***
Na vila ao lado da favela, com construções organizadas, consolidadas, o pedido é outro: "Precisamos de lugar para parar o carro. Na época ("do Janio e da Erundina", segundo ele) a gente não pensava e não precisava dessas coisas, mas agora... Já me roubaram carro duas vezes aí na rua... Tinha de fazer um cercado, com uma vaga pra cada um, com portão, cadeado...". Mas onde? "Ah, come ali um pedaço da praça...". "Puxa, isso não é bom, se começar a comer a praça para parar carro não sobra mais praça. Pra caber o carro de todo mundo, vai ter de tomar tudo!".
***
A praça já ficou mil vezes melhor do que era/estava. O serviço não terminou (equipes voltarão na segunda) e a manutenção terá de ser compartilhada com as pessoas ali.
Queríamos (queremos) fazer mais: reforçar a iluminação, botar uma pista de skate, equipamentos de ginástica... Calçar os caminhos (onde não cresce grama e o barro vira lama)... Vamos indo.
***
Também precisamos aperfeiçoar nossos mutirões.
Mas a miséria... Ah, essa continua. Como dói.
***
No domingo, fui à praça onde estava o pessoal do Pedal Verde, plantando árvores nas encostas.
Eu moro há doze anos em Perdizes/Vila Pompeia e NUNCA tinha ido àquela praça, atrás de uma imobiliária (Frema) na Avenida Sumaré. Preciso botar uma placa na avenida! Praça legal, com brinquedos, quadra, bancos. E uma coitada de uma amoreira sufocada sob erva-de-passarinho, preciso fazer uma poda drástica pra ver se ela consegue se recuperar.
De lá fui para o aniversário da Viva Pacaembu. Agradecimentos e reivindicações, sugestões e reclamações... É inevitável.
Na volta para casa, sobre o viaduto Sumaré, uma moça com sinal de choro recente pediu R$2,50 para a condução. Bonita, com roupa de passeio, disse que o bilhete único estava com carga para uma viagem só e ela não sabia. Morta de vergonha. "Esquenta não, já passei por isso, já precisei pedir dinheiro pra condução... Acontece". Tirei uma nota de cinco. "Vamos comigo na estação, eu compro o bilhete e te dou o troco". "Não precisa" (me deu uma preguiça...). Ela chorava, chorava... "Que humilhação. As pessoas pensam que eu vou comprar cigarro". "Deixa, acontece". "E o seu troco?". "Um dia alguém vai te pedir dinheiro pra condução, e assim vai".
Já a molecada se esbaldou - jogando bola, se atirando (ou atirando uns aos outros) nas poças d'água, ajudando a plantar e recolher os sacos plásticos das mudas. Quem não se animou ficou espremido debaixo de uma tenda da Sub.
O grafite foi suspenso, continuou depois que parou a chuva, mas não tardou a começar a chover outra vez... Suspendemos o DJ e o cinema na praça.
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Mais pedido de ajuda: "Soninha, eu quero uma bolsa pra fazer faculdade, não quero ficar nessa vida, é uma humilhação". O rapaz é da equipe de manutenção de logradouros contratada pela Sub. "Vamos conversar, vamos ver o que a gente pode procurar juntos. Mas não diga que o trabalho é humilhação... Não é, é trabalho, tão importante...". O senhor ao meu lado, também na equipe, fez "sim" com a cabeça. Meio triste, cansado.
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Na vila ao lado da favela, com construções organizadas, consolidadas, o pedido é outro: "Precisamos de lugar para parar o carro. Na época ("do Janio e da Erundina", segundo ele) a gente não pensava e não precisava dessas coisas, mas agora... Já me roubaram carro duas vezes aí na rua... Tinha de fazer um cercado, com uma vaga pra cada um, com portão, cadeado...". Mas onde? "Ah, come ali um pedaço da praça...". "Puxa, isso não é bom, se começar a comer a praça para parar carro não sobra mais praça. Pra caber o carro de todo mundo, vai ter de tomar tudo!".
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A praça já ficou mil vezes melhor do que era/estava. O serviço não terminou (equipes voltarão na segunda) e a manutenção terá de ser compartilhada com as pessoas ali.
Queríamos (queremos) fazer mais: reforçar a iluminação, botar uma pista de skate, equipamentos de ginástica... Calçar os caminhos (onde não cresce grama e o barro vira lama)... Vamos indo.
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Também precisamos aperfeiçoar nossos mutirões.
Mas a miséria... Ah, essa continua. Como dói.
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No domingo, fui à praça onde estava o pessoal do Pedal Verde, plantando árvores nas encostas.
Eu moro há doze anos em Perdizes/Vila Pompeia e NUNCA tinha ido àquela praça, atrás de uma imobiliária (Frema) na Avenida Sumaré. Preciso botar uma placa na avenida! Praça legal, com brinquedos, quadra, bancos. E uma coitada de uma amoreira sufocada sob erva-de-passarinho, preciso fazer uma poda drástica pra ver se ela consegue se recuperar.
De lá fui para o aniversário da Viva Pacaembu. Agradecimentos e reivindicações, sugestões e reclamações... É inevitável.
Na volta para casa, sobre o viaduto Sumaré, uma moça com sinal de choro recente pediu R$2,50 para a condução. Bonita, com roupa de passeio, disse que o bilhete único estava com carga para uma viagem só e ela não sabia. Morta de vergonha. "Esquenta não, já passei por isso, já precisei pedir dinheiro pra condução... Acontece". Tirei uma nota de cinco. "Vamos comigo na estação, eu compro o bilhete e te dou o troco". "Não precisa" (me deu uma preguiça...). Ela chorava, chorava... "Que humilhação. As pessoas pensam que eu vou comprar cigarro". "Deixa, acontece". "E o seu troco?". "Um dia alguém vai te pedir dinheiro pra condução, e assim vai".
sexta-feira, 27 de março de 2009
Pedal Verde
http://pedalverde.wordpress.com/
O primeiro PEDAL VERDE acontecerá dia 29, próximo domingo, conforme informações do flyer abaixo. Todos que amam a cidade e a natureza estão convidados a participar! Vamos plantar ao menos três mudas nas proximidades da Av Sumaré.
Além de plantios pela cidade, temos a intenção de fazer limpezas de manutanção de árvores e canteiros. Estamos abertos a plantar também herbáceas e outras forrações!
Dicas do que levar para o plantio:
* água para sempre ficar hidratado;
* luvas;
* ferramentas de manutenção de limpeza de canteiros e brotos ladrão;
* regador;
* adubo orgânico;
* alegria;
* muita vontade de ver a cidade com mais verde e com mais qualidade de vida;
* compartilhar conhecimentos e experiências.
O primeiro PEDAL VERDE acontecerá dia 29, próximo domingo, conforme informações do flyer abaixo. Todos que amam a cidade e a natureza estão convidados a participar! Vamos plantar ao menos três mudas nas proximidades da Av Sumaré.
Além de plantios pela cidade, temos a intenção de fazer limpezas de manutanção de árvores e canteiros. Estamos abertos a plantar também herbáceas e outras forrações!
Dicas do que levar para o plantio:
* água para sempre ficar hidratado;
* luvas;
* ferramentas de manutenção de limpeza de canteiros e brotos ladrão;
* regador;
* adubo orgânico;
* alegria;
* muita vontade de ver a cidade com mais verde e com mais qualidade de vida;
* compartilhar conhecimentos e experiências.
Cumprindo com o dever
Mais um entre os muitos lugares da cidade que parecem condenados à degradação.
O entulho se acumulava lá de tal maneira que parecia ser para sempre.

Retiramos tudo o que estava fora de lugar, "libertamos" o espaço público para as pessoas.
Depois da intervenção da Sub, as pessoas já se animaram mais a cuidar de suas fachadas, de suas calçadas... de si.

Continuamos querendo mudar o mundo, uma rua de cada vez.
Você pode ver mais fotos da intervenção no álbum aqui ao lado.
O entulho se acumulava lá de tal maneira que parecia ser para sempre.

Retiramos tudo o que estava fora de lugar, "libertamos" o espaço público para as pessoas.
Depois da intervenção da Sub, as pessoas já se animaram mais a cuidar de suas fachadas, de suas calçadas... de si.

Continuamos querendo mudar o mundo, uma rua de cada vez.
Você pode ver mais fotos da intervenção no álbum aqui ao lado.
Castigo, proteção, educação?
Sou contra a prisão da Eliane Tranchesi.
Sou contra a prisão do ginecologista que atendia no SUS cobrava “por fora” (preso em flagrante depois de uma gravação, solto depois de pagar fiança para aguardar julgamento em liberdade, causando revolta na mulher que o denunciou e declarações sarcásticas dos jornalistas no estúdio da TV).
Sou contra, é óbvio, completamente contra a prisão da mulher que roubou um xampu.
Já escrevi no meu blog antigo remoendo os porquês da pena prisão. Castigo? Sim. A sociedade precisa que sejam punidos aqueles que descumprem as regras pactuadas, senão isso aqui vira uma zona de vez. Segurança? Sim. Uma pessoa que coloca a vida ou a tranqüilidade de outras em risco precisa ser tirada de seu convívio. Reeducação? Sim. Durante o “castigo”, a pessoa precisa refletir sobre seus atos, sobre os direitos de todos e os deveres a serem respeitados para a garantia desses direitos, inclusive os seus.
Mas eu tenho certeza de que mantemos presas muito mais pessoas do que o necessário ou desejável. Deveriam ficar em cana aqueles que realmente precisam ser tirados do convívio dos demais, que ameaçam a paz. Os demais deveriam ser punidos de outras maneiras – e existem muitas maneiras de punir uma pessoa.
Outro dia, um amigo defendeu que um criminoso do tipo “colarinho branco” fosse desprovido de todas as suas posses e ficasse apenas com o RG e a Carteira Profissional. “Aí está, comece tudo de novo, vá procurar seu sustento decentemente”. Claro, foi um desabafo sem muita reflexão, mas a ideia deveria ser levada mais a serio. Afinal, a reclusão também tem um custo tão alto e gera tantos problemas, que precisa parar de ser vista como a solução para nossos problemas.
***
Nos últimos dias, tenho lidado muito com questões ligadas à compensação ambiental. Não entendo por que ainda não avançamos na ideia de compensação social. Eliane Tranchesi não tem de ficar na cadeia. Tem de dedicar x reais, x propriedades, x empregados à compensação pela fraude nas importações. O que a sociedade ganha com ela trancafiada? A sensação de que foi vingada, especialmente porque um rico foi pra cadeia? Bobagem. Inútil.
Que os ricos percam casas na praia, carros, móveis, roupas, eletrodomésticos. Que sejam obrigados a se apresentar regularmente em algum lugar que precise do seu trabalho – asilos, creches, hospitais. Uma, duas, três vezes por semana. Se não tem jeito para lidar com pessoas, podem ir para a cozinha, a lavanderia, o jardim. Que façam capinagem, ajudem a recolher o lixo, reconstruir uma praça, pintar um prédio público, conservar um monumento. Que recursos seus patrocinem projetos sociais – culturais, esportivos, de cultura de paz.
Hoje olhamos para alguns castigos medievais e dizemos “que horror”. Quanto tempo vai levar para olharmos para nossas prisões e dizer “que bobagem,que ideia errada, que desperdício, não é por aí”?
Sou contra a prisão do ginecologista que atendia no SUS cobrava “por fora” (preso em flagrante depois de uma gravação, solto depois de pagar fiança para aguardar julgamento em liberdade, causando revolta na mulher que o denunciou e declarações sarcásticas dos jornalistas no estúdio da TV).
Sou contra, é óbvio, completamente contra a prisão da mulher que roubou um xampu.
Já escrevi no meu blog antigo remoendo os porquês da pena prisão. Castigo? Sim. A sociedade precisa que sejam punidos aqueles que descumprem as regras pactuadas, senão isso aqui vira uma zona de vez. Segurança? Sim. Uma pessoa que coloca a vida ou a tranqüilidade de outras em risco precisa ser tirada de seu convívio. Reeducação? Sim. Durante o “castigo”, a pessoa precisa refletir sobre seus atos, sobre os direitos de todos e os deveres a serem respeitados para a garantia desses direitos, inclusive os seus.
Mas eu tenho certeza de que mantemos presas muito mais pessoas do que o necessário ou desejável. Deveriam ficar em cana aqueles que realmente precisam ser tirados do convívio dos demais, que ameaçam a paz. Os demais deveriam ser punidos de outras maneiras – e existem muitas maneiras de punir uma pessoa.
Outro dia, um amigo defendeu que um criminoso do tipo “colarinho branco” fosse desprovido de todas as suas posses e ficasse apenas com o RG e a Carteira Profissional. “Aí está, comece tudo de novo, vá procurar seu sustento decentemente”. Claro, foi um desabafo sem muita reflexão, mas a ideia deveria ser levada mais a serio. Afinal, a reclusão também tem um custo tão alto e gera tantos problemas, que precisa parar de ser vista como a solução para nossos problemas.
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Nos últimos dias, tenho lidado muito com questões ligadas à compensação ambiental. Não entendo por que ainda não avançamos na ideia de compensação social. Eliane Tranchesi não tem de ficar na cadeia. Tem de dedicar x reais, x propriedades, x empregados à compensação pela fraude nas importações. O que a sociedade ganha com ela trancafiada? A sensação de que foi vingada, especialmente porque um rico foi pra cadeia? Bobagem. Inútil.
Que os ricos percam casas na praia, carros, móveis, roupas, eletrodomésticos. Que sejam obrigados a se apresentar regularmente em algum lugar que precise do seu trabalho – asilos, creches, hospitais. Uma, duas, três vezes por semana. Se não tem jeito para lidar com pessoas, podem ir para a cozinha, a lavanderia, o jardim. Que façam capinagem, ajudem a recolher o lixo, reconstruir uma praça, pintar um prédio público, conservar um monumento. Que recursos seus patrocinem projetos sociais – culturais, esportivos, de cultura de paz.
Hoje olhamos para alguns castigos medievais e dizemos “que horror”. Quanto tempo vai levar para olharmos para nossas prisões e dizer “que bobagem,que ideia errada, que desperdício, não é por aí”?
quarta-feira, 25 de março de 2009
Operação Cata-Bagulho no Jardim Humaitá
Subprefeitura Lapa realiza Operação Cata-Bagulho no Jardim Humaitá neste sábado (28)
A Subprefeitura Lapa realiza uma operação Cata-Bagulho nas ruas do Jardim Humaitá, neste sábado, entre 9h e 16h, percorrendo as ruas do bairro para recolher objetos e materiais que normalmente não podem ser descartados na coleta domiciliar.
Os moradores devem deixar os objetos que desejam descartar, devidamente embalados ou acondicionados, nas portas da residência no início da manhã deste sábado, dia 28, até às 9h.
Confira o roteiro: Av. Eng. Roberto Zuccolo, Praça Rodolfo Trevisan, Rua Galileo Emandabili, Rua Visconde Costa Franco, Rua Comendador Alberto Dias, Rua Conde de Castro E. Sola, Rua Ministro Silva Maia, Rua Manoel Francisco Pacheco, Rua Tenente Salustiano Lira, Rua Major Paladino, Rua Andrequicé, Rua Tocantinópolis, Rua Itapuranda, Rua Catadupas e Rua Silva Airosa.
A Subprefeitura Lapa realiza uma operação Cata-Bagulho nas ruas do Jardim Humaitá, neste sábado, entre 9h e 16h, percorrendo as ruas do bairro para recolher objetos e materiais que normalmente não podem ser descartados na coleta domiciliar.
Os moradores devem deixar os objetos que desejam descartar, devidamente embalados ou acondicionados, nas portas da residência no início da manhã deste sábado, dia 28, até às 9h.
Confira o roteiro: Av. Eng. Roberto Zuccolo, Praça Rodolfo Trevisan, Rua Galileo Emandabili, Rua Visconde Costa Franco, Rua Comendador Alberto Dias, Rua Conde de Castro E. Sola, Rua Ministro Silva Maia, Rua Manoel Francisco Pacheco, Rua Tenente Salustiano Lira, Rua Major Paladino, Rua Andrequicé, Rua Tocantinópolis, Rua Itapuranda, Rua Catadupas e Rua Silva Airosa.
Recebi, fiquei (muito) mal e passo adiante.

Carta Desabafo
por Denilson Shikako
Acabei de colocar uma placa em frente a Fábrica de Criatividade: vende-se este sonho.
E o pior que não é retórica, nem uma ação de marketing, nem nada que não seja apenas a realidade.
Eu investi minha vida neste espaço que hoje é de mais de 20 mil pessoas (isto mesmo 20 mil!) que passaram e passam por aqui. Eu investi todo o meu dinheiro, eu investi todo o meu tempo nos últimos 10 anos, eu investi todos os meus contatos, os meus recursos, as minhas ferramentas, o meu conhecimento, eu investi todos os meus sonhos, eu investi tudo, para no final acabar em uma simples plaquinha.
É mais do que frustrante, é mais do que triste, é mais do que revoltante...é incabível e eu não posso me conformar.
Não há uma só pessoa que não tenha conhecido pessoalmente a Fábrica de Criatividade que não tenha no mínimo se encantado. Quer seja por sua arquitetura, quer seja por sua proposta, que seja por sua história, quer seja por suas pessoas, quer seja por seus resultados.
A Fábrica de Criatividade está seriamente comprometida com a sua sustentabilidade, e mesmo existindo oficialmente há menos de três anos, já conseguimos grandes avanços nesta área. Hoje, a Fábrica "custa", por mês, algo em torno de R$ 47 mil. Até o ano passado, tínhamos o patrocínio das minhas empresas pessoais (e que por isso, inclusive, hoje estão no vermelho), do Instituto Hedging-Griffo (no 1º semestre), e também o apoio pontual e pequeno, para algum evento específico ou projeto, de algumas empresas e pessoas físicas. A Hedging-Griffo perdeu muito dinheiro com a crise que abateu o mundo, no final do ano passado, com isso, eles cancelaram os apoios que davam a projetos sociais, incluindo o nosso. Ainda assim, conseguimos atender quase o nosso potencial máximo (que é de 1000 alunos) no ano passado, além de mais de 6 mil pessoas que vieram nos eventos culturais gratuitos que aconteceram em praticamente todos os finais de semana de 2008. Eu acredito piamente que a Fábrica no médio e longo prazo consiga plenamente ser totalmente auto-sustentável tanto por causa das parcerias com o setor privado e público (que o projeto por ter menos de 3 anos oficialmente, só agora conseguiu alguns documentos que precisavam deste tempo para serem emitidos) como através dos produtos gerados pela própria Fábrica, (anexo você encontrará também nosso projeto de auto-sustentabilidade dentro de ‘institucional’), o problema é que a situação financeira atual simplesmente não permite que a gente possa esperar o médio e longo prazo.
Olhando para a plaquinha em frente a este prédio que se destaca na paisagem triste e cinzenta do Capão Redondo eu me questiono, inconformado...Como pode um espaço completamente inovador, pioneiro, com uma proposta pedagógica, política e social completamente embasada nas melhores teorias e práticas, planejada cuidadosamente, estruturada em um bairro onde moram mais de 300 mil pessoas carentes e sedentas pelo que oferecemos e onde praticamente inexistem espaços como este, não ter patrocínio?
Como um lugar já validado por quase todos os meios de comunicação (SPTV, TV Xuxa, Programa Ação - Serginho Groissman, Antena Paulista, Revista Veja SP, Jornal Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Jornal da Tarde, Rede Record, SBT, Gazeta, Band, Cultura, Revista Educação, Empreendedor, Claudia, Portal Uol, Terra, e mais um monte de mídias já fizeram matérias altamente positivas sobre a gente) e também validado pela comunidade que está a nossa volta e outras instituições como o UNICEF que já nos escolheu como sede em algumas discussões sobre o terceiro setor... como pode um lugar tão conceituado e validado ter que ser vendido por não conseguir um mísero patrocínio?
Como deixar que um local que vem oferecendo eventos culturais gratuitos tão maravilhosos como por exemplo um espetáculo de dança envolvendo uma parceria inédita o Balé da Cidade do Teatro Municipal com alunos bolsistas de dança contemporânea da Fábrica no meio de um campo de várzea no meio do Morro do Piolho, com centenas de pessoas assistindo de suas "janelas-camarotes" e se emocionando com algo inédito que transcende a razão? Como conceber que oportunidades como esta de acesso à cultura, de abertura de um novo mundo, talvez nunca mais ocorram para esta população?
Como aceitar que um projeto de democratização cultural provado tão eficaz ao ponto de no início ter necessidade de várias tentativas de propaganda para que as pessoas viessem até a Fábrica para assistir as exibições de cinema, saraus, recitais, shows de música, espetáculos de teatro, exposições, vernissagens, espetáculos de dança contemporânea, hip-hop, grafite, jazz, formações de grupo como a orquestra de sucata, tucboys, diversidança, freestyle ds, festa culturais e hoje simplesmente as pessoas vêm, como que naturalmente, para algo que qualquer um pode perceber que é libertador, vivo, real, que é a arte e a cultura de quem faz, de quem é protagonista....como pensar que uma prática assim não tenha mais recursos pra funcionar?
Como podem deixar de existir histórias como a de Junior Silva, morador da favela do Jd Amália no Capão e um dos "quase" caçulas de uma família com 21 irmãos, que no alto dos seus 18 anos, recém contratado por uma empresa que a Fábrica indicou, fala: "A Fábrica me deu uma coisa que ninguém nunca mais vai tirar: a vontade de sonhar, de acreditar, de ter esperança, hoje eu acredito que eu mesmo posso fazer uma mudança real na minha vida, da minha família, dos meus amigos e da minha comunidade, hoje eu sei que eu quero isso que eu tenho pra todo mundo... e é isso que eu vou fazer" ou então de Cleiton Silva que era ajudante de pedreiro na época da construção da própria Fábrica e depois virou aluno e hoje é o Gerente Operacional e futuro professor de piano: “A Fábrica é literalmente tudo pra mim: Sonho, prática, realidade”, a aluna de teatro Valéria Ribeiro acabou de passar aqui na minha sala e falou: "Aprender aqui, é aprender a pensar, interagir e modificar o meio em que se vive. Nós aqui, não aceitamos passivamente as decisões, mas ajudamos a construí-las”. Ou ainda, a fala de Maria, mãe de um dos alunos presente em um dos nossos eventos: "...isto aqui é mais do que um centro de educação e lazer, é uma fábrica de sonhos"... Como ficar calado quando um lugar com histórias assim esteja acabando por falta de recursos financeiros?
Eu sonhei alto e realmente achei que um projeto que tivesse uma sede própria, completamente lúdica, intrigante e funcional, que tivesse um projeto escrito, planejado e de alta qualidade, que tivesse um pessoal altamente capacitado, gabaritado mas principalmente apaixonado pelo que faz, e que se juntássemos a isso a carência, a necessidade, a aceitação e a aprovação de toda a comunidade, do setor público (como a Lei Rouanet aprovada por exemplo e o PAC ICMS e o FUMCAD em vias de aprovação), dos meios de comunicação, e de todas as pessoas envolvidas no processo, enfim, com tudo isso, que seria impossível o projeto não ser facilmente auto-sustentável, patrocinado e um símbolo de um novo paradigma no terceiro setor. Não só eu, mas toda a equipe de profissionais que investiram cada minuto, energia e recursos nos últimos 3 anos neste projeto sonhamos e arregaçamos as mangas para fazer este sonho acontecer, acreditando incansavelmente que era possível. Mas nós estávamos errados. Será?
E não me venha falar de crise. Crise é ficar assistindo televisão o dia inteiro ou então consumir drogas porque não há outra coisa para se fazer depois da escola. Crise é você ter 17 anos e já ter 3 filhos porque nunca ninguém se preocupou em te educar mas sobretudo em te dar perspectivas. Crise é o seu exemplo ser o cara que tem o tênis da moda porque entrou cedo para o tráfico e vai morrer ou ser preso na média com 19 anos. Crise é você não querer estudar, trabalhar, ter carreira ou sonhar, porque percebe que tudo e todos a sua volta nunca tiveram algo que motivasse a sua inspiração, a sua gana, a sua ambição. Crise é você simplesmente não ter esperança que dá sim para se ter um mundo melhor e isto se consegue com educação, cultura, arte, cidadania. E não falo aqui de situações hipotéticas. Falo da crise que já vi acontecer na vida de muitas crianças e jovens das comunidades com que estou envolvido nos últimos 10 anos de trabalho com populações em risco social, histórias que já vi se repetindo bem mais vezes do que eu gostaria de ver, e que ajudamos a evitar com o estabelecimento da Fábrica. Crises que voltarão a acontecer caso essa placa de "vende-se" continue ali na frente.
Alguma coisa tem que estar mesmo muito errada no mundo quando não há dinheiro para investir em um projeto que claramente está dando resultados evidentes e crescentes na área educacional e social, enquanto há mais de U$800 bilhões sendo injetados em empresas de capital financeiro, bancos, corretoras e congêneres. Alguma coisa está muito invertida e equivocada quando se fala em lucros recordes de bancos nacionais, na expansão do mercado de alto luxo, no aumento de salário de deputados, na existência de mais de 36 mil pessoas físicas só em São Paulo com mais de R$ 1 milhão aplicados em contas investimento e não se consegue R$ 47 mil por mês para um projeto social modelo e de grande abrangência numa das áreas mais populosas e carentes da mesma cidade.
Enfim, a sensação de impotência é a mesma que eu senti quando há 9 anos cheguei em casa e descobri que meu pai tinha sido morto por 5 motoqueiros que simplesmente o abordaram no farol e como ele não parou, eles atiraram. A partir disso eu achei que realmente alguma coisa muito errada estava acontecendo e que talvez eu, dando o meu melhor e juntando gente disposta a dar e ser o melhor possível poderia fazer, quem sabe, um Capão Redondo diferente, uma São Paulo diferente, um Brasil diferente, um mundo diferente. Utopia? Nós achamos que não, mas infelizmente, com o 'infelizmente' mais triste que eu já senti, estou vendo que talvez tenha idealizado o impossível, pois quando um projeto que precisa de R$ 47 mil por mês pra fazer a diferença para mais de mil pessoas e inspirar e mudar o paradigma de sabe-se lá mais quantas, tem que parar, penso que o mundo está tão cheio de valores errados a ponto de que um sonho realmente as vezes tenha que se contentar em ser um sonho, utópico sonho construído com histórias lindas, mas que terminam aqui.
Obviamente muitas pessoas não só acreditaram como investiram no projeto. Cito aqui o Junior e o João Madeira do Afroreggae que mesmo com o projeto completamente engatinhando lá no seu inicio nos deram fôlego e inspiração pra continuar, ou da nossa "fada-madrinha" Bitoca Nascimento que literalmente vestiu nossa camisa nas situações mais difíceis, ou ainda a Silvia Morais do Instituto Hedging Griffo; a família da Dani Fainberg e o pessoal do Instituto Geração; a família da Silvana Brito; a minha mãe, tia, irmã e cunhado; a Renata, Fabiana e Nora da Atuação Social; a Suzi e a Gabi da Natura; Cris Morales; a produção do TV Xuxa; a direção do Mercado Livre Brasil; o jornalista Gilberto Dimenstein; Andre Skaff, Joana Rudiger, Joao Carlos Silva, Ronaldo Kolozuk, Sylvio Gomide, Lyto da Drywash, o Marcelo Vit e o Levy, Gisely Cordeiro, Elaine Dominic, Angela Rios, Osni Diniz, Tuca Dias, Marlon Alvarenga, Carlos Rossi, Abraão Dantas, Rosana Sperandeo, Cristiane Verderesi, Cecilia Rosa, Luciana Vincenzo, Flavio Jacobsen, Marilena Borges, Flavia Souza, Sidney Santos, o pessoal da LegoEducation, da Condor, da Solvi e da Giroflex e o núcleo administrativo gestor mais comprometido e apaixonante que já existiu (Felipe Junior, Cleiton Silva, Eliana de Castro, Mafe Carmo, Gal Martins, Elaine Garcez), graças a todos esses, as muitas conquistas que tivemos (que não foram poucas) aconteceram. Quiçá o mundo fosse feito somente de pessoas assim, que cartas como estas nunca precisariam ser escritas e projetos como o nosso seriam a regra e não a exceção.
Pensei muito antes de escrever essa carta e senti vergonha. A Fábrica é justamente uma alternativa ao assistencialismo e um convite ao protagonismo. Não queremos pedir dinheiro, queremos vender um produto de mudança social. É isso que temos feito pelas pessoas que participaram do projeto nestes três anos e é isso que temos feito enquanto coordenadores e professores na direção cuidadosa do mesmo. É isso que sabemos e queremos fazer. É para que isso não pare de acontecer que você está lendo essa carta. É porque eu ainda acredito que seja possível trocar essa placa aqui na frente de "Vende-se esse sonho" por aquela para a qual a Fábrica foi feita: "Aberta para todos os sonhos".
Grande abraço,
Denilson Shikako
Diretor - Fábrica de Criatividade
www.fabricadecriatividade.com.br
Tel (11) 5511-0055 / Cel (11) 8516-5983
Fábrica de Criatividade
A Fábrica de Criatividade é uma ONG situada no Capão Redondo, região periférica de São Paulo com mais de 300 mil habitantes e totalmente desprovida de equipamentos culturais. A Fábrica atua como um espaço cultural e educacional oferecendo mais de 20 cursos gratuitos a comunidade, entre eles, por exemplo: teatro, dança, robótica, violão, inglês, desenho, história em quadrinhos. Dentro de sua política cultural oferece mensalmente a comunidade uma programação de eventos de qualidade tais como: exposições, shows, saraus, vernissagens, espetáculos de teatro e dança e mostra de cinema.
Além de ser um espaço conceito quanto a sua arquitetura (portas de bolinha de gude, chão de garrafas, pias sem ralos nem torneira, uma praia na cobertura, salas temáticas, etc), a Fábrica também quer criar um novo paradigma no 3º setor, trabalhando com profissionais de ponta, metodologia político-pedagógica consistente baseada em formação contínua de educadores e atendimento integral e afetivo aos alunos, além de uma séria e real postura de planejamento, metas, resultados, sustentabilidade e transparência contábil e financeira disponibilizada na internet.
Em quase 3 anos de funcionamento a Fábrica já se tornou uma referência, sendo inclusive chamada pela UNICEF para representar trocar idéias sobre iniciativas e projetos desenvolvidos nas periferias.
Além disso muitos veículos de comunicação já fizeram matérias sobre nós. Se você quiser saber mais detalhes sobre a Fábrica de Criatividade segue abaixo links para ver algumas destas matérias:
-Rede Globo – Antena Paulista: http://www.youtube.com/watch?v=oLrcoWdtVeM
-Rede Globo – Ação – Serginho Groisman: http://www.youtube.com/watch?v=XXTntWL02jc
-Rede Globo – TV Xuxa: http://tvxuxa.globo.com/TvXuxa/0,,MUL750628-15581,00.html
-Rede Record: http://www.youtube.com/watch?v=5RTplXGVR8s
-Folha de São Paulo – Glberto Dimentein:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/colunas/gd010206.htm
-Revista Educação: http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=10739
-Revista Veja São Paulo: http://veja.abril.com.br/vejasp/010605/misterios.html
-Revista do 3º setor:
http://arruda.rits.org.br/rets/servlet/newstorm.notitia.apresentacao.ServletDeSecao?codigoDaSecao=4&dataDoJornal=1151692952000
-Site educação pública:
http://www.educacaopublica.rj.gov.br/internet/sitedavez/0050.html
Como você pode ajudar?
-Fazendo uma doação direta:
A Fábrica de Criatividade possui projeto aprovado pela Lei Rouanet (PRONAC 06 10648), ou seja, a sua doação tanto de pessoa jurídica como física pode ser deduzida do imposto de renda:
Banco Brasil (01)
Agência: 1547-4
Conta Corrente: 22361-1
Se você desejar fazer uma doação direta para a nossa ONG (sem dedução do imposto):
Banco Itau (341)
Agência: 2978
Conta: 12105-7
Ambas em nome de Associação Amigos da Fábrica de Criatividade
CNPJ 08332986/0001-00
-Sendo um associado mensal:
Via boleto ou depósito em conta
-Contratando um de nossos produtos da nossa política de sustentabilidade:
Já elaboramos e estamos pondo em prática o nosso plano de sustentabilidade de médio e longo prazos, a saber:
-Estamos com a documentação quase completa para participarmos de editais públicos e privados (muitos deles dependiam de dois ou 3 anos de "existência" da ONG, que atingimos só agora);
-Conseguimos a aprovação e prorrogação da Lei Rouanet;
-Estamos conseguindo montar um grupo de pessoas físicas que estão dispostas a nos patrocinar;
-Estamos focando em fazer a comunidade que quer estudar na Fábrica, e tem condições financeiras melhores, pagarem seus cursos com bolsas parciais (os cursos que normalmente custariam algo em torno de R$ 200,00 são pagos por no máximo R$ 70,00 por quem pode);
-Estamos, como já dito, fazendo os grupos formados na Fábrica terem apresentações semi-profissionais, cobrando cachê que é revertido para o grupo e para a instituição;
Por exemplo:
-Show da orquestra de sucata (instrumentos feitos de material reciclado e percussão corporal com temática focada no meio ambiente);
-Show de grupos formados na Fábrica de Criatividade (como Dança Contemporânea, HipHop, Teatro, Orquestra de Violões, etc) para aberturas de Sipat, por exemplo;
-Contratando os nossos serviços de personalização de festas internas da empresa (como dia das mães, natal, aniversário da empresa) com grupos de teatro, caricaturas ao vivo, grupos musicais, etc.;
-Palestra de Criatividade e Inovação – ministrada pelo fundador da Fábrica e especialista – Denílson Shikako;
-Formação de educadores sociais e arte educadores;
-Vindo nos conhecer
E vendo onde você ou sua empresa pode ser nossa parceira neste sonho de tornar o nosso mundo um lugar melhor.
Empresas que já são nossas parceiras:
Instituto Hedging Griffo, Mercado Livre, Vega engenharia ambiental, Natura, Grupo Cultural Afroreggae, Odontoprevi, CJE-Fiesp, Lego education
Fábrica de Criatividade: criatividade como meio, cidadania como fim.
Para saber mais:
www.fabricadecriatividade.com.br
R. Dr Luis da Fonseca Galvão, 248 (a 100 metros do metro Capão redondo)
Pq- Maria Helena – Capão Redondo – SP
Fone 5511-0055 / 5513-3512
Celular: (11) 8516-5983 (Denílson Shikako – núcleo gestor)
denílson@fabricadecriatividade.com.br
terça-feira, 24 de março de 2009
segunda-feira, 23 de março de 2009
Democracia dá um trabalho... (parte mil)
Pouco mais de um mês atrás, fiz a apresentação do "Programa de Governo" da Sub-Lapa na sede da Associação Comercial de São Paulo da Rua Pio XI. Era um esboço do que eu tinha encontrado, o que já estávamos fazendo e pretendíamos fazer; dos nossos recursos (financeiros, materiais, humanos) e nossas limitações; dos projetos em andamento e dos sonhos.
O ponto-chave (tem hífen?) da apresentação é: compartilhar conhecimento/ compartilhar responsabilidade. Eu preciso informar ao máximo os cidadãos sobre o que fazemos, quando, onde, por que. E preciso que eles me forneçam informações sobre o que fazem, como pensam, o que sabem, o que querem.
Uma das maneiras de fazer essa troca é em audiências públicas. Faço questão delas. Depois da primeira, no distrito Lapa, prometi fazer uma em cada um dos outros cinco distritos e depois começar tudo de novo.
(Sem falar que eu recebo as pessoas no Gabinete, vou às reuniões do Conseg, promovo encontros na Sub-Lapa, dou tantas entrevistas quanto solicitarem, leio emails, escrevo no blog, etc. etc. E que tem dezenas de outras pessoas para receber/ atender os munícipes).
De todo modo, acho bom ter esses encontros com hora marcada, para prestar contas e responder perguntas; fazer perguntas e ouvir sugestões.
***
Hoje foi a Audiência no Jaguaré. Já enfrentei reações de desagrado em outros lugares quando eu digo "o Sumaré tem problemas, mas o Jaguaré tem MUITO mais"; "Vila Romana precisa de recapeamento, mas o Jaguaré está na frente da fila". Os distritos mais distantes tem problemas seríssimos - pela distância, pela história e características, pela falta de visibilidade na imprensa etc. Jaguaré, Jaguara e Leopoldina são muito mais maltratados do que Lapa, Perdizes e Barra Funda (que já tem lá seu caminhão de problemas)
***
Percebi, logo que eu cheguei, que o clima não seria dos mais acolhedores. Não pelas minhas anfitriãs, queridíssimas. As pessoas na platéia é que não escondiam as caretas de impaciência ou desagrado. Esperavam tudo, menos uma exposição como a que nós fizemos (eu, o Coord. de Finanças e o de Obras).
Por que? Porque elas queriam saber DO JAGUARÉ, ponto final. Se o Lula fosse lá explicar sua estratégia para gerar milhões de empregos, a política cambial e monetária, o Plano Nacional de Educação, elas interromperiam: "E a padaria aqui da esquina? E a escola ali de trás?".
Na nossa apresentação, eu falo, por exemplo, das nossas linhas mestras na área de meio ambiente, esporte, cultura. Digo que, para melhorar a qualidade do serviço público, precisamos investir em melhores condições de trabalho para os funcionários (e informo algumas providências básicas). O Carlos Fernandes (Finanças) expõe o orçamento da Sub para 2009, explica de onde mais podem vir recursos, quantos somos, quanto isso custa, como podemos reduzir despesas etc. O Joca (Obras) apresenta uma tabela com os projetos para a região, explica que temos 319 áreas verdes, 5 equipes de capinagem, 5 de poda e remoção de árvores, 25 Termos de Cooperação em vigor etc. E por aí vai.
***
No meio da exposição, eu disse que só em março, por exemplo, a Sub Lapa já podou 300 árvores, removeu mais de 30, plantou 108. São os dados referentes ao trabalho de todas as nossas equipes nos primeiros 20 dias do mês. Fui interrompida: "Quantas no Jaguaré?".
***
No final, pra piorar pro meu lado, vieram dezenas de perguntas por escrito - e quase nenhuma delas dizia respeito a ações que competem à Subprefeitura. "O que você vai fazer com a favela da Antonio Noschese e a favela da CPTM? Quando você vai tirar os barracos da rua Dracena? Nós queremos semáforo, lombada, proibição para o tráfego de caminhões, acesso melhor à Marginal! Como você vai impedir a verticalização da região? Não queremos mais tapa-buraco, queremos recapeamento! Ilumine a nossa praça!".
De tanto me ouvir dizer "Isso é CET, isso é Secretaria de Coord. das Subprefeituras, isso é Secretaria de Serviços, isso é Assistência Social, isso é Habitação, isso é CET também", um rapaz falou que estava ficando deprimido.
Bingo! É assim que a gente se sente às vezes. Mal comparando, é como a moça do balcão da companhia aérea que, por causa da ANAC, da Infraero, do Ministério da Defesa, de vários governos, do câmbio irreal, da estabilidade econômica etc, precisava dizer, em meio ao caos aéreo, que não fazia idéia de quando o avião do cavalheiro finalmente decolaria - e tomava uma porrada.
***
As favelas, a violência, a miséria, o modelo de circulação de mercadorias quase totalmente baseado em transporte rodoviário, a falta de planejamento urbano, o crescimento econômico pífio, o capitalismo mal ajambrado, o Estado omisso ou incompetente, a legislação deficiente, a burocracia, a corrupção e o diabo permeiam as perguntas escritas em dezenas de tiras de papel e caem todas na cabeça da(o) Subprefeita(o). Que parece uma idiota dizendo "vou pedir, vou encaminhar, vou pressionar, vou solicitar, vou estudar, vou ver".
Será que eu devia simplesmente dizer "Pode deixar, vou fazer" (e nunca mais aparecer por lá??)
***
Um dos presentes chegou a dizer no final que, antes de ir lá fazer minha apresentação, eu precisaria ter andado pelo menos duas horas com ele pelo Jaguaré, porque assim já conheceria "tudo". Não devia ter me dirigido à população sem cumprir essa etapa.
Eu já andei muito mais do que duas horas. (Até já morei lá, mas foi nos meus nos tempos de USP, em uma república. Ia a pé pra faculdade, atravessando a favela junto à linha do trem, entrando pelo portão atrás do IPT, não me conformando com o mundo louco que existia/ existe pegado ao muro da universidade). Conheci muita coisa, mas não tudo. Conhecendo ou não, não vou conseguir acabar com as favelas da região como quem põe uma equipe na rua para fazer o corte de mato... Poderia, se fosse "mais bem assessorada", como reza o jargão na política, chegar lá e dizer meia dúzia de nomes de avenidas, chamar as favelas pelo nome certo e causar excelente impressão. Talvez parecesse onisciente, superpoderosa. Mas não resolveria nada.
***
O fato é que as pessoas tem milhões de motivos para reclamar, pouquíssimas oportunidades de fazê-lo diretamente com uma autoridade, por mais mixuruca que ela seja, muitíssimas razões para desconfiar que não vai dar em nada.
Mas caramba, se você vai, é criticado por ter ido (!). Se não vai...
Eu tenho muito que conhecer no Jaguaré, Leopoldina, Lapa, Barra Funda. Jaguara, então, nem se fala - é um lugar de São Paulo em que eu seria incapaz de circular sem consultar o guia. Para ver tudo de perto, como temos expectativa quase insuportável (eu e as pessoas de cada lugar), preciso de muito, muito tempo. Para ir às creches, equipamentos sociais, de saúde, escolas, praças, bibliotecas comunitárias, áreas invadidas, favelas... Mas se ficar só indo aos lugares, não tenho tempo de receber as pessoas. Indo aos lugares + recebendo as pessoas, fico com tempo apertado para... resolver! Estudar, discutir, tomar providências!
***
As pessoas vão à audiência pública reclamar, reclamar, reclamar da Subprefeitura.
E eu venho no blog reclamar, reclamar, reclamar das pessoas.
Desculpe aí, foi mau.
O ponto-chave (tem hífen?) da apresentação é: compartilhar conhecimento/ compartilhar responsabilidade. Eu preciso informar ao máximo os cidadãos sobre o que fazemos, quando, onde, por que. E preciso que eles me forneçam informações sobre o que fazem, como pensam, o que sabem, o que querem.
Uma das maneiras de fazer essa troca é em audiências públicas. Faço questão delas. Depois da primeira, no distrito Lapa, prometi fazer uma em cada um dos outros cinco distritos e depois começar tudo de novo.
(Sem falar que eu recebo as pessoas no Gabinete, vou às reuniões do Conseg, promovo encontros na Sub-Lapa, dou tantas entrevistas quanto solicitarem, leio emails, escrevo no blog, etc. etc. E que tem dezenas de outras pessoas para receber/ atender os munícipes).
De todo modo, acho bom ter esses encontros com hora marcada, para prestar contas e responder perguntas; fazer perguntas e ouvir sugestões.
***
Hoje foi a Audiência no Jaguaré. Já enfrentei reações de desagrado em outros lugares quando eu digo "o Sumaré tem problemas, mas o Jaguaré tem MUITO mais"; "Vila Romana precisa de recapeamento, mas o Jaguaré está na frente da fila". Os distritos mais distantes tem problemas seríssimos - pela distância, pela história e características, pela falta de visibilidade na imprensa etc. Jaguaré, Jaguara e Leopoldina são muito mais maltratados do que Lapa, Perdizes e Barra Funda (que já tem lá seu caminhão de problemas)
***
Percebi, logo que eu cheguei, que o clima não seria dos mais acolhedores. Não pelas minhas anfitriãs, queridíssimas. As pessoas na platéia é que não escondiam as caretas de impaciência ou desagrado. Esperavam tudo, menos uma exposição como a que nós fizemos (eu, o Coord. de Finanças e o de Obras).
Por que? Porque elas queriam saber DO JAGUARÉ, ponto final. Se o Lula fosse lá explicar sua estratégia para gerar milhões de empregos, a política cambial e monetária, o Plano Nacional de Educação, elas interromperiam: "E a padaria aqui da esquina? E a escola ali de trás?".
Na nossa apresentação, eu falo, por exemplo, das nossas linhas mestras na área de meio ambiente, esporte, cultura. Digo que, para melhorar a qualidade do serviço público, precisamos investir em melhores condições de trabalho para os funcionários (e informo algumas providências básicas). O Carlos Fernandes (Finanças) expõe o orçamento da Sub para 2009, explica de onde mais podem vir recursos, quantos somos, quanto isso custa, como podemos reduzir despesas etc. O Joca (Obras) apresenta uma tabela com os projetos para a região, explica que temos 319 áreas verdes, 5 equipes de capinagem, 5 de poda e remoção de árvores, 25 Termos de Cooperação em vigor etc. E por aí vai.
***
No meio da exposição, eu disse que só em março, por exemplo, a Sub Lapa já podou 300 árvores, removeu mais de 30, plantou 108. São os dados referentes ao trabalho de todas as nossas equipes nos primeiros 20 dias do mês. Fui interrompida: "Quantas no Jaguaré?".
***
No final, pra piorar pro meu lado, vieram dezenas de perguntas por escrito - e quase nenhuma delas dizia respeito a ações que competem à Subprefeitura. "O que você vai fazer com a favela da Antonio Noschese e a favela da CPTM? Quando você vai tirar os barracos da rua Dracena? Nós queremos semáforo, lombada, proibição para o tráfego de caminhões, acesso melhor à Marginal! Como você vai impedir a verticalização da região? Não queremos mais tapa-buraco, queremos recapeamento! Ilumine a nossa praça!".
De tanto me ouvir dizer "Isso é CET, isso é Secretaria de Coord. das Subprefeituras, isso é Secretaria de Serviços, isso é Assistência Social, isso é Habitação, isso é CET também", um rapaz falou que estava ficando deprimido.
Bingo! É assim que a gente se sente às vezes. Mal comparando, é como a moça do balcão da companhia aérea que, por causa da ANAC, da Infraero, do Ministério da Defesa, de vários governos, do câmbio irreal, da estabilidade econômica etc, precisava dizer, em meio ao caos aéreo, que não fazia idéia de quando o avião do cavalheiro finalmente decolaria - e tomava uma porrada.
***
As favelas, a violência, a miséria, o modelo de circulação de mercadorias quase totalmente baseado em transporte rodoviário, a falta de planejamento urbano, o crescimento econômico pífio, o capitalismo mal ajambrado, o Estado omisso ou incompetente, a legislação deficiente, a burocracia, a corrupção e o diabo permeiam as perguntas escritas em dezenas de tiras de papel e caem todas na cabeça da(o) Subprefeita(o). Que parece uma idiota dizendo "vou pedir, vou encaminhar, vou pressionar, vou solicitar, vou estudar, vou ver".
Será que eu devia simplesmente dizer "Pode deixar, vou fazer" (e nunca mais aparecer por lá??)
***
Um dos presentes chegou a dizer no final que, antes de ir lá fazer minha apresentação, eu precisaria ter andado pelo menos duas horas com ele pelo Jaguaré, porque assim já conheceria "tudo". Não devia ter me dirigido à população sem cumprir essa etapa.
Eu já andei muito mais do que duas horas. (Até já morei lá, mas foi nos meus nos tempos de USP, em uma república. Ia a pé pra faculdade, atravessando a favela junto à linha do trem, entrando pelo portão atrás do IPT, não me conformando com o mundo louco que existia/ existe pegado ao muro da universidade). Conheci muita coisa, mas não tudo. Conhecendo ou não, não vou conseguir acabar com as favelas da região como quem põe uma equipe na rua para fazer o corte de mato... Poderia, se fosse "mais bem assessorada", como reza o jargão na política, chegar lá e dizer meia dúzia de nomes de avenidas, chamar as favelas pelo nome certo e causar excelente impressão. Talvez parecesse onisciente, superpoderosa. Mas não resolveria nada.
***
O fato é que as pessoas tem milhões de motivos para reclamar, pouquíssimas oportunidades de fazê-lo diretamente com uma autoridade, por mais mixuruca que ela seja, muitíssimas razões para desconfiar que não vai dar em nada.
Mas caramba, se você vai, é criticado por ter ido (!). Se não vai...
Eu tenho muito que conhecer no Jaguaré, Leopoldina, Lapa, Barra Funda. Jaguara, então, nem se fala - é um lugar de São Paulo em que eu seria incapaz de circular sem consultar o guia. Para ver tudo de perto, como temos expectativa quase insuportável (eu e as pessoas de cada lugar), preciso de muito, muito tempo. Para ir às creches, equipamentos sociais, de saúde, escolas, praças, bibliotecas comunitárias, áreas invadidas, favelas... Mas se ficar só indo aos lugares, não tenho tempo de receber as pessoas. Indo aos lugares + recebendo as pessoas, fico com tempo apertado para... resolver! Estudar, discutir, tomar providências!
***
As pessoas vão à audiência pública reclamar, reclamar, reclamar da Subprefeitura.
E eu venho no blog reclamar, reclamar, reclamar das pessoas.
Desculpe aí, foi mau.
sexta-feira, 20 de março de 2009
Por enquanto...
- De manhã, reunião com o Administrador da Supervisão Técnica de Saúde Lapa-Pinheiros para falar sobre a cessão de uma área municipal para a instalação de nova unidade de saúde. Vai rolar.
- Às onze, audiência pública na Câmara Municipal sobre comércio ambulente, convocada pela Comissão de Administração Pública mediante requerimento do ver. José Américo (que atendeu a uma solicitação do presidente do Sindicato dos Permissionários, José Gomes).
O presidente da comissão, Adolfo Quintas, e o vereador Penna, do PV, estiveram na abertura. José Américo presidiu a audiência, João Antonio ficou para o final, Netinho de Paula também. Adilson Amadeu fez um pronunciamento pouco antes de terminar. Ainda à mesa, um oficial da PM, um inspetor da Guarda Civil, eu e o Subprefeito da Mooca, cel. Rubens Casado.
Presentes também vários representantes de associações de permissionários - e o auditório do Salão Nobre lotado de ambulantes.
Ao contrário do que se poderia esperar, a reunião não foi tensa, ao contrário. Claro que alguns ambulantes tiveram palavras duras, ofensivas até a algumas pessoas da administração. Acontece. Mas em geral foi uma discussão muito tranqüila, muito civilizada, exemplar. Apesar das divergências persistentes, inevitáveis.
Eu me comprometi com algumas providências básicas, como verificar a composição e funcionamento da CPA na Sub-Lapa, e outras medidas que me interessam muito, como a promoção de encontros, seminários, discussões para oferecer alternativas ainda melhores às pessoas do que um lugar na calçada para trabalhar. Cooperativismo, microcrédito, formação e capacitação, orientação jurídica, etc.
- Terminada a audiência pública, corri até o Plenarinho, no primeiro andar, para tentar ver o final do seminário sobre a crise econômica. Tarde demais.
É curioso comparar a capacidade de mobilização do PT com a do PPS... É ÓBVIO que o PT é muito maior, mas não é só isso. Ele tem mais conexões com uma série de grupos e movimentos organizados - começando pelos sindicatos, naturalmente, que estão no DNA do partido.
Se houvesse, durante o governo Fernando Henrique, uma crise econômica como esta (a maior desde 29), e o PT convocasse um debate sobre ela, lotaria uma catedral. O auditório na Câmara não estava lotado, não... Mas, pelo pouco que consegui ver pelo circuito interno de TV, antes de começar a audiência pública, parece que foi muito bom.
- Às onze, audiência pública na Câmara Municipal sobre comércio ambulente, convocada pela Comissão de Administração Pública mediante requerimento do ver. José Américo (que atendeu a uma solicitação do presidente do Sindicato dos Permissionários, José Gomes).
O presidente da comissão, Adolfo Quintas, e o vereador Penna, do PV, estiveram na abertura. José Américo presidiu a audiência, João Antonio ficou para o final, Netinho de Paula também. Adilson Amadeu fez um pronunciamento pouco antes de terminar. Ainda à mesa, um oficial da PM, um inspetor da Guarda Civil, eu e o Subprefeito da Mooca, cel. Rubens Casado.
Presentes também vários representantes de associações de permissionários - e o auditório do Salão Nobre lotado de ambulantes.
Ao contrário do que se poderia esperar, a reunião não foi tensa, ao contrário. Claro que alguns ambulantes tiveram palavras duras, ofensivas até a algumas pessoas da administração. Acontece. Mas em geral foi uma discussão muito tranqüila, muito civilizada, exemplar. Apesar das divergências persistentes, inevitáveis.
Eu me comprometi com algumas providências básicas, como verificar a composição e funcionamento da CPA na Sub-Lapa, e outras medidas que me interessam muito, como a promoção de encontros, seminários, discussões para oferecer alternativas ainda melhores às pessoas do que um lugar na calçada para trabalhar. Cooperativismo, microcrédito, formação e capacitação, orientação jurídica, etc.
- Terminada a audiência pública, corri até o Plenarinho, no primeiro andar, para tentar ver o final do seminário sobre a crise econômica. Tarde demais.
É curioso comparar a capacidade de mobilização do PT com a do PPS... É ÓBVIO que o PT é muito maior, mas não é só isso. Ele tem mais conexões com uma série de grupos e movimentos organizados - começando pelos sindicatos, naturalmente, que estão no DNA do partido.
Se houvesse, durante o governo Fernando Henrique, uma crise econômica como esta (a maior desde 29), e o PT convocasse um debate sobre ela, lotaria uma catedral. O auditório na Câmara não estava lotado, não... Mas, pelo pouco que consegui ver pelo circuito interno de TV, antes de começar a audiência pública, parece que foi muito bom.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Se eu pudesse, iria!
"Um dos maiores nomes da intelectualidade da esquerda democrática, o italiano Giuseppe Vacca, estará hoje em São Paulo realizando uma palestra-debate para lançar seu livro "Por um novo reformismo". O evento é aberto ao público.
Formado em Filosofia do Direito, Giuseppe Vacca é presidente da Fundação Instituto Gramsci, de Roma, e autor de inúmeras obras de reflexão política que o credenciam como um dos mais instigantes pensadores da contemporaneidade.
Esteve na London School of Economics, seguindo cursos de História Econômica dos Estados Unidos e da União Soviética. De 1978 a 1983 fez parte do Conselho de Administração da RAI (Rádio e Televisão Italiana).
Palestra-debate e lançamento de livro
Quinta-feira, 19 de março de 2009
Câmara Municipal, Auditório Prestes Maia (Plenarinho)
Viaduto Jacareí 100 – 1º andar - Bela Vista"
Formado em Filosofia do Direito, Giuseppe Vacca é presidente da Fundação Instituto Gramsci, de Roma, e autor de inúmeras obras de reflexão política que o credenciam como um dos mais instigantes pensadores da contemporaneidade.
Esteve na London School of Economics, seguindo cursos de História Econômica dos Estados Unidos e da União Soviética. De 1978 a 1983 fez parte do Conselho de Administração da RAI (Rádio e Televisão Italiana).
Palestra-debate e lançamento de livro
Quinta-feira, 19 de março de 2009
Câmara Municipal, Auditório Prestes Maia (Plenarinho)
Viaduto Jacareí 100 – 1º andar - Bela Vista"
quarta-feira, 18 de março de 2009
Dar um jeitinho?
Uma mulher cadeirante veio hoje ao Gabinete. "Ela quer trabalhar, como é que faz? A prefeitura não deixa!"
Pedi para um assessor descer e conversar com ela e entender a situação. Tem TPU, já teve? (Termo de Permissão de Uso, a licença concedida para o comércio ambulante). Não, ela queria uma licença nova - coisa que a prefeitura não está concedendo.
Foi embora irritada, e reclamou com as pessoas que a acompanhavam: "Por que me trouxeram aqui? Não sei o que eu vim fazer aqui. Disseram que iam resolver minha situação... Vim à toa".
Eu cheguei a dizer a um dos acompanhantes, que falou comigo enquanto o assessor conversava com ela. Ele: "Essa prefeitura precisa parar de perseguir os pobres. As pessoas querem trabalhar". Eu: "Também acho que a gente precisa ter muito critério para distinguir o que é irregular e o que é ilegal; quem só quer trabalhar e não consegue e quem quer ganhar dinheiro do jeito mais fácil". "Mas como faz alguém como essa coitada?". "Eu não vou dizer "pode ficar quieta lá em um canto que eu não deixo meu fiscal mexer com você". Não é correto, não é justo e não vai dar certo. Além do quê, a gente tem de arrumar algo melhor para ela fazer do que dar um pedaço de calçada pra trabalhar. Tem Secretaria da Pessoa com Deficiência, tem lei de cota, tem Conselho da Pessoa com Deficiência... A gente tem é de batalhar por uma colocação profissional, capacitação, carteira assinada..."
Assim, quando o assessor voltou com o relato, pedi para que fosse atrás da moça e pegasse um contato dela - e explicasse por quê.
Voltou com as informações: ela é paraplégica, isto é, tem os movimentos dos braços. 31 anos. Nunca estudou. Quer SIM estudar, arrumar um trabalho melhor, sair dessa vida. Um dia desses foi atingida por um carro. Deixou endereço, telefone, etc.
Assim que tiver novidades sobre o caso dela, informo.
Pedi para um assessor descer e conversar com ela e entender a situação. Tem TPU, já teve? (Termo de Permissão de Uso, a licença concedida para o comércio ambulante). Não, ela queria uma licença nova - coisa que a prefeitura não está concedendo.
Foi embora irritada, e reclamou com as pessoas que a acompanhavam: "Por que me trouxeram aqui? Não sei o que eu vim fazer aqui. Disseram que iam resolver minha situação... Vim à toa".
Eu cheguei a dizer a um dos acompanhantes, que falou comigo enquanto o assessor conversava com ela. Ele: "Essa prefeitura precisa parar de perseguir os pobres. As pessoas querem trabalhar". Eu: "Também acho que a gente precisa ter muito critério para distinguir o que é irregular e o que é ilegal; quem só quer trabalhar e não consegue e quem quer ganhar dinheiro do jeito mais fácil". "Mas como faz alguém como essa coitada?". "Eu não vou dizer "pode ficar quieta lá em um canto que eu não deixo meu fiscal mexer com você". Não é correto, não é justo e não vai dar certo. Além do quê, a gente tem de arrumar algo melhor para ela fazer do que dar um pedaço de calçada pra trabalhar. Tem Secretaria da Pessoa com Deficiência, tem lei de cota, tem Conselho da Pessoa com Deficiência... A gente tem é de batalhar por uma colocação profissional, capacitação, carteira assinada..."
Assim, quando o assessor voltou com o relato, pedi para que fosse atrás da moça e pegasse um contato dela - e explicasse por quê.
Voltou com as informações: ela é paraplégica, isto é, tem os movimentos dos braços. 31 anos. Nunca estudou. Quer SIM estudar, arrumar um trabalho melhor, sair dessa vida. Um dia desses foi atingida por um carro. Deixou endereço, telefone, etc.
Assim que tiver novidades sobre o caso dela, informo.
terça-feira, 17 de março de 2009
Cursos Gratuitos no Senac

Inscrições para o curso gratuito Empreendedor em Pequenos Negócios
Competência-alvo: Elaborar um plano de negócios, que possibilite a estruturação de um empreendimento focado na geração de trabalho e renda, contribuindo com o desenvolvimento local sustentável.
Período de inscrição: até 31/03
Período das aulas: 02/4 a 17/9 - terças e quintas – 18:30 as 22:00
Pré-requisitos: possuir o Ensino Fundamental completo, ter mais de 18 anos e possuir renda familiar por pessoa de até 1,5 salário mínimo.
Carga horária: 160 horas
Vagas: 30
Local: Espaço Cultural Tendal da Lapa – Rua Constança, 72 (anexo a subprefeitura da Lapa)
Informações: www.sp.senac.br/lapatito ou pelo telefone (11) 2888-5500

Inscrições para o curso gratuito Gestor de Projetos Sociais
Competência-alvo: Atuar em organizações sociais orientado por uma visão participativa e sistêmica, estabelecendo parcerias, mantendo atitude empreendedora e fazendo uso de ferramentas de gestão visando sua sustentabilidade.
Período de inscrição: até 21/05
Período das aulas: 25/05 a 09/11 - segundas e quartas - 18:30 as 22:00
Pré-requisito: possuir o Ensino Fundamental completo, ter mais de 18 anos e possuir renda familiar por pessoa de até 1,5 salário mínimo.
Carga horária: 160 horas
Vagas: 30
Local: Espaço Cultural Tendal da Lapa – Rua Constança, 72 (anexo a subprefeitura da Lapa)
Informações: www.sp.senac.br/lapatito ou pelo telefone (11) 2888-5500
segunda-feira, 16 de março de 2009
Domingão
Durante a Conferência Regional de Meio Ambiente, ontem (domingo), vim algumas vezes para minha sala, aproveitando momentos em que a minha presença na Conferência não era tão necessária.
Nossa, como é bom trabalhar quando está tudo quieto. Rendeu muito mais.
***
Alguns candidatos assinaram uma carta dirigida à população, protestando quanto à exigência de que os eleitores assinassem a lista de presença até no máximo 11 horas, (a tempo de assistir ao menos a apresentação dos candidatos), por considerarem isso uma ameaça ao "livre exercício do voto".
Li a carta e fiz meus comentários - o exercício do voto, nesse caso, não era "livre", mas sim condicionado: os eleitores precisavam ter se inscrito antecipadamente na Conferência; precisam morar ou trabalhar na região da Sub-Lapa. Um eleitor que aparecesse dizendo "sou cidadão, quero votar" só poderia fazê-lo se cumprisse no mínimo essas exigências.
Também protestei quanto à afirmação de que os protestos que nos foram dirigidos na sexta-feira haviam sido "completamente ignorados". Apenas não chegamos a um ponto de concordância, mas houve intensa e atenciosa troca de emails.
E assinalei que a proposta inicial da carta era perfeitamente cabível: se a plenária da Conferência opinasse pela retirada daquele item do Regimento, assim seria. E assim foi.
***
Antes da plenária, o Promotor do Meio Ambiente, morador da região, avisou que se a maioria não opinasse pela retirada da exigência da presença até as 11:00, ele entraria com mandado de segurança no dia seguinte pedindo a impugnação da eleição.
Ponderei se deveria informar os presentes disso, mas achei melhor não. Não queria que eles se sentissem coagidos a tomar uma posição por medo da impugnação do processo.
***
Ao fim da eleição, recebemos um protesto por email do mesmo munícipe que reclamou a semana toda do fato de haver uma candidata "funcionária pública" (na verdade, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, uma S/A ligada ao governo do estado), de ela ser representante de uma "ONG sem registro", etc. Esclarecemos todos os seus questionamentos, mas ele não se conformou com o processo e o resultado da eleição.
***
Democracia dá um trabalho...
Nossa, como é bom trabalhar quando está tudo quieto. Rendeu muito mais.
***
Alguns candidatos assinaram uma carta dirigida à população, protestando quanto à exigência de que os eleitores assinassem a lista de presença até no máximo 11 horas, (a tempo de assistir ao menos a apresentação dos candidatos), por considerarem isso uma ameaça ao "livre exercício do voto".
Li a carta e fiz meus comentários - o exercício do voto, nesse caso, não era "livre", mas sim condicionado: os eleitores precisavam ter se inscrito antecipadamente na Conferência; precisam morar ou trabalhar na região da Sub-Lapa. Um eleitor que aparecesse dizendo "sou cidadão, quero votar" só poderia fazê-lo se cumprisse no mínimo essas exigências.
Também protestei quanto à afirmação de que os protestos que nos foram dirigidos na sexta-feira haviam sido "completamente ignorados". Apenas não chegamos a um ponto de concordância, mas houve intensa e atenciosa troca de emails.
E assinalei que a proposta inicial da carta era perfeitamente cabível: se a plenária da Conferência opinasse pela retirada daquele item do Regimento, assim seria. E assim foi.
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Antes da plenária, o Promotor do Meio Ambiente, morador da região, avisou que se a maioria não opinasse pela retirada da exigência da presença até as 11:00, ele entraria com mandado de segurança no dia seguinte pedindo a impugnação da eleição.
Ponderei se deveria informar os presentes disso, mas achei melhor não. Não queria que eles se sentissem coagidos a tomar uma posição por medo da impugnação do processo.
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Ao fim da eleição, recebemos um protesto por email do mesmo munícipe que reclamou a semana toda do fato de haver uma candidata "funcionária pública" (na verdade, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, uma S/A ligada ao governo do estado), de ela ser representante de uma "ONG sem registro", etc. Esclarecemos todos os seus questionamentos, mas ele não se conformou com o processo e o resultado da eleição.
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Democracia dá um trabalho...
domingo, 15 de março de 2009
sábado, 14 de março de 2009
Sortidos
Hoje de manhã, participei de um plantio na alça de acesso à Ponte do Jaguaré, iniciativa do Projeto Plant-ar
O Alexandre Chut, criador do projeto, já povoou inúmeros canteiros centrais pela cidade. Eu, que plantei muitas árvores com a minha avó, aprendi várias coisas sobre como se faz um plantio caprichado: a largura, "fundura" e formato certo da cova, o hidrogel no fundo, a terra mais rica logo em cima, a altura do torrão em relação ao solo... Saber que algumas árvores são espetadas no chão de qualquer jeito e ainda assim crescem e sobrevivem é quase um milagre da natureza. Bom, elas nascem até nas frestas do Minhocão, nas brechas das lajes...
***
Passei pela praça Ipecatu, onde volta e meia acontece uma feira clandestina de animais. Socam os bichinhos em uma caixa de papelão e eles ficam lá o dia todo - sem água, sem ar... Vacina, vermifugação? Nem pensar. Por isso destacamos uma equipe de fiscalização para lá todo fim-de-semana. Basta a Veraneio parada ali para eles nem começarem... Mas é um pouco estúpido ter de destacar duas pessoas (ou mais - duas era o que havia quando passei ali) para ficarem de plantão impedindo outras de maltratar os animais. Tenho a maior bronca da necessidade de vigilância pra tudo. Se não ficar de olho, começa a ilicitude? Que saco.
***
Passei também pela Carlos Weber, onde há um conflito em relação ao uso de uma área municipal. Trata-se de um terreno razoavelmente grande, que tem um galpão espaçoso e não utilizado. Qual é o conflito? Um interesse da Saúde em instalar ali uma unidade (com fisioterapia, odontologia e outros atendimentos) X um interesse de empresas da região em demolir o galpão e transformar o terreno em uma praça.
Adoro praças, quero praças. O projeto dessa é lindo. Mas abrir mão de um galpão daqueles, ai ai ai. Falta tanto lugar para instalar equipamentos públicos...
***
Dois grafiteiros estavam pintando o muro do terreno quando eu cheguei lá. Tirei várias fotos do lugar; minha vontade imediata é derrubar aquele muro, cortar o mato, fazer imediatamente uma praça na frente do galpão. Que precisa ser pintado, reformado e pode ficar bem bonito - equipamento público não precisa ser feio (minha vontade é pintar de vermelho-terra, sabe?, naquele acamento rústico de casa-de-bacana?).
Estou tão acostumada com paranóias várias, que pensei que se realmente mandar derrubar o muro, é capaz de os grafiteiros pensarem que foi por causa deles. "Virou Subprefeita, não gosta mais de grafite".
Eu gosto de grafite. Eu não gosto é de muro.
***
Passei também na Rua Ziembisnki, onde foi autorizada a filmagem de um comercial dos Correios. A vizinhança não agüenta mais tanta filmagem naquela rua: "Eles chegam às cinco da manhã e saem à noite... Chegam a filmar três ou quatro vezes em uma semana... Ficam os caminhões parados o dia inteiro... Desse jeito, que adianta ser zona residencial?"
Dessa vez, fomos mais exigentes com a produtora que pediu autorização - estabelecemos horário mais apertado, dissemos que os caminhões não poderiam ficar parados na Ziembinski. Na hora em que eu circulei ali, a equipe devia estar almoçando, porque só se viam os equipamentos e um segurança na calçada. Mas estava tudo na mais absoluta tranqüilidade.
***
A alguns quarteirões de distância, há um grande "complexo educacional" - escola estadual, escola municipal de educação infantil, acho que também tem creche... Um terreno enorme, espaçoso, com muito verde.
Fiquei viajando: "Será que as vagas estão todas ocupadas?" (A lugar ali é de "residências de alto padrão"). "Será que as empregadas colocam seus filhos aqui? Será que as crianças vêm de muito longe?". E mais: "Com tanto espaço, será que não dá para aumentar o número de vagas - e, se for o caso, garantir o transporte escolar para a molecada que mora mais longe e está na fila da creche?"
Andando de moto, o pensamento voa. (Sério, quando eu desço preciso correndo de papel e caneta para anotar todos os devaneios). "Com uma área desse tamanho, dava até pra fazer moradia aí dentro. Um predinho baixo, com alguns apartamentos modestos... Não é o sonho de hoje em dia, morar em um lugar que tem tudo? Não precisar sair do condomínio pra nada? Então, uma galera de renda mais baixa poderia morar aí dentro e ter escola, parquinho, clube municipal na porta..." (O Pelezão, com quadras, piscinas, pista de caminhada etc.)
***
Depois fiz um rali de moto ali pela Faustolo... Os obstáculos dão a maior emoção. Já acendi uma vela pedindo recapeamento (e mandei um email pra Secretaria também, senão o santo não dá conta).
***
Fui ao jogo do Palmeiras. Comprei ingresso pela internet, foi facinho. A entrada é ligeiramente bagunçada, mas já vi piores. Lá dentro é legal, arrumadinho. Lugar marcado. Tem uns problemas de projeto: ao entrar na arquibancada pelo portão do Setor 9, é preciso dar a maior volta para contornar a área reservada para cadeirantes e chegar às fileiras que ficam bem ao lado da escada... Mas o maior incômodo veio da natureza: sol na cara o jogo todo. Eu tinha certeza que ia ficar com dor de cabeça depois. Bingo.
***
Fui a pé com a minha filha e a amiga dela. Mais uma vez, fiquei abismada com as coisas que a gente vê pela primeira vez - na rua ao lado de casa! O caminho que eu faço duas ou três vezes por semana é completamente diferente quando visto da calçada. Ainda mais que estou procurando casa para morar, então reparo em tudo... No quintal de uma, a varanda da outra... A surpresa daquela casa de fundos, escondida atrás de um portão e um corredor despretenciosos...
***
Agora vou dar um jeito na minha amiga dor de cabeça e amanhã às oito estou na Sub para "ultimar os preparativos" para a Conferência do Meio Ambiente. Era pra ser tão legal, mas corre o risco de ser tensa, beligerante, baixo astral. Tomara que não. Por Belenos e por Tutatis, que o céu não caia sobre nossas cabeças.
***
(Ah, mais uma coisa - boba, mas curiosa. Hoje encontrei, no plantio do Jaguaré, uma menina que trabalhou comigo na TV Cultura, mas que eu conheci bem antes, quando ainda estava na MTV. O namorado dela tocava em uma banda de metal (heavy metal) e eu dirigi um clipe para eles. Foi o primeiro (e um dos únicos - fiz uns quatro ou cinco). A locação: Tendal da Lapa. Que naquela época era praticamente uma construção abandonada, e por isso tinha seu charme para uma banda de rock... Quando eu ia imaginar que, dali a uns 17 anos, iria trabalhar bem ao lado? (O Tendal ocupa uma parte do edifício em que fica a sede da Subprefeitura da Lapa)
O Alexandre Chut, criador do projeto, já povoou inúmeros canteiros centrais pela cidade. Eu, que plantei muitas árvores com a minha avó, aprendi várias coisas sobre como se faz um plantio caprichado: a largura, "fundura" e formato certo da cova, o hidrogel no fundo, a terra mais rica logo em cima, a altura do torrão em relação ao solo... Saber que algumas árvores são espetadas no chão de qualquer jeito e ainda assim crescem e sobrevivem é quase um milagre da natureza. Bom, elas nascem até nas frestas do Minhocão, nas brechas das lajes...
***
Passei pela praça Ipecatu, onde volta e meia acontece uma feira clandestina de animais. Socam os bichinhos em uma caixa de papelão e eles ficam lá o dia todo - sem água, sem ar... Vacina, vermifugação? Nem pensar. Por isso destacamos uma equipe de fiscalização para lá todo fim-de-semana. Basta a Veraneio parada ali para eles nem começarem... Mas é um pouco estúpido ter de destacar duas pessoas (ou mais - duas era o que havia quando passei ali) para ficarem de plantão impedindo outras de maltratar os animais. Tenho a maior bronca da necessidade de vigilância pra tudo. Se não ficar de olho, começa a ilicitude? Que saco.
***
Passei também pela Carlos Weber, onde há um conflito em relação ao uso de uma área municipal. Trata-se de um terreno razoavelmente grande, que tem um galpão espaçoso e não utilizado. Qual é o conflito? Um interesse da Saúde em instalar ali uma unidade (com fisioterapia, odontologia e outros atendimentos) X um interesse de empresas da região em demolir o galpão e transformar o terreno em uma praça.
Adoro praças, quero praças. O projeto dessa é lindo. Mas abrir mão de um galpão daqueles, ai ai ai. Falta tanto lugar para instalar equipamentos públicos...
***
Dois grafiteiros estavam pintando o muro do terreno quando eu cheguei lá. Tirei várias fotos do lugar; minha vontade imediata é derrubar aquele muro, cortar o mato, fazer imediatamente uma praça na frente do galpão. Que precisa ser pintado, reformado e pode ficar bem bonito - equipamento público não precisa ser feio (minha vontade é pintar de vermelho-terra, sabe?, naquele acamento rústico de casa-de-bacana?).
Estou tão acostumada com paranóias várias, que pensei que se realmente mandar derrubar o muro, é capaz de os grafiteiros pensarem que foi por causa deles. "Virou Subprefeita, não gosta mais de grafite".
Eu gosto de grafite. Eu não gosto é de muro.
***
Passei também na Rua Ziembisnki, onde foi autorizada a filmagem de um comercial dos Correios. A vizinhança não agüenta mais tanta filmagem naquela rua: "Eles chegam às cinco da manhã e saem à noite... Chegam a filmar três ou quatro vezes em uma semana... Ficam os caminhões parados o dia inteiro... Desse jeito, que adianta ser zona residencial?"
Dessa vez, fomos mais exigentes com a produtora que pediu autorização - estabelecemos horário mais apertado, dissemos que os caminhões não poderiam ficar parados na Ziembinski. Na hora em que eu circulei ali, a equipe devia estar almoçando, porque só se viam os equipamentos e um segurança na calçada. Mas estava tudo na mais absoluta tranqüilidade.
***
A alguns quarteirões de distância, há um grande "complexo educacional" - escola estadual, escola municipal de educação infantil, acho que também tem creche... Um terreno enorme, espaçoso, com muito verde.
Fiquei viajando: "Será que as vagas estão todas ocupadas?" (A lugar ali é de "residências de alto padrão"). "Será que as empregadas colocam seus filhos aqui? Será que as crianças vêm de muito longe?". E mais: "Com tanto espaço, será que não dá para aumentar o número de vagas - e, se for o caso, garantir o transporte escolar para a molecada que mora mais longe e está na fila da creche?"
Andando de moto, o pensamento voa. (Sério, quando eu desço preciso correndo de papel e caneta para anotar todos os devaneios). "Com uma área desse tamanho, dava até pra fazer moradia aí dentro. Um predinho baixo, com alguns apartamentos modestos... Não é o sonho de hoje em dia, morar em um lugar que tem tudo? Não precisar sair do condomínio pra nada? Então, uma galera de renda mais baixa poderia morar aí dentro e ter escola, parquinho, clube municipal na porta..." (O Pelezão, com quadras, piscinas, pista de caminhada etc.)
***
Depois fiz um rali de moto ali pela Faustolo... Os obstáculos dão a maior emoção. Já acendi uma vela pedindo recapeamento (e mandei um email pra Secretaria também, senão o santo não dá conta).
***
Fui ao jogo do Palmeiras. Comprei ingresso pela internet, foi facinho. A entrada é ligeiramente bagunçada, mas já vi piores. Lá dentro é legal, arrumadinho. Lugar marcado. Tem uns problemas de projeto: ao entrar na arquibancada pelo portão do Setor 9, é preciso dar a maior volta para contornar a área reservada para cadeirantes e chegar às fileiras que ficam bem ao lado da escada... Mas o maior incômodo veio da natureza: sol na cara o jogo todo. Eu tinha certeza que ia ficar com dor de cabeça depois. Bingo.
***
Fui a pé com a minha filha e a amiga dela. Mais uma vez, fiquei abismada com as coisas que a gente vê pela primeira vez - na rua ao lado de casa! O caminho que eu faço duas ou três vezes por semana é completamente diferente quando visto da calçada. Ainda mais que estou procurando casa para morar, então reparo em tudo... No quintal de uma, a varanda da outra... A surpresa daquela casa de fundos, escondida atrás de um portão e um corredor despretenciosos...
***
Agora vou dar um jeito na minha amiga dor de cabeça e amanhã às oito estou na Sub para "ultimar os preparativos" para a Conferência do Meio Ambiente. Era pra ser tão legal, mas corre o risco de ser tensa, beligerante, baixo astral. Tomara que não. Por Belenos e por Tutatis, que o céu não caia sobre nossas cabeças.
***
(Ah, mais uma coisa - boba, mas curiosa. Hoje encontrei, no plantio do Jaguaré, uma menina que trabalhou comigo na TV Cultura, mas que eu conheci bem antes, quando ainda estava na MTV. O namorado dela tocava em uma banda de metal (heavy metal) e eu dirigi um clipe para eles. Foi o primeiro (e um dos únicos - fiz uns quatro ou cinco). A locação: Tendal da Lapa. Que naquela época era praticamente uma construção abandonada, e por isso tinha seu charme para uma banda de rock... Quando eu ia imaginar que, dali a uns 17 anos, iria trabalhar bem ao lado? (O Tendal ocupa uma parte do edifício em que fica a sede da Subprefeitura da Lapa)
9:00, 11:00 ou 13:00
Amanhã, a menos que nos impeçam, teremos a Conferência Regional do Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Cultura da Paz da Sub-Lapa, bem como a eleição para o Conselho Regional do Meio Ambiente.
Como assim, "a menos que impeçam"?
Explico.
1) Para ter direito a voto, era preciso se inscrever na Conferência. Quem quisesse ser candidato, além de fazer a inscrição para a Conferência, prcisava apresentar uma carta de intenções.
2) A Conferência foi marcada para este domingo, a partir das 9:00, culminando com a votação para o Conselho, que começa às 13:00 e se encerra às 15:00. Quem quiser votar precisa registrar presença no máximo até as 11:00.
Por que?
Para tentar garantir minimamente a participação na Conferência. Às 11 começa o último compromisso "de trabalho" antes da votação: a apresentação dos candidatos. Se alguém não puder chegar às 9:00, ok - mas não deveria perder a única ocasião em que os candidatos se apresentam em condições de igualdade.
Por causa desse teto, há questionamentos sobre a lisura do processo e acusações quanto a "mudar a regra do jogo". Seria um atentado à democracia exigir que os eleitores estejam presentes antes da abertura da votação.
***
Não fui eu que estabeleci esse horário, foi a Comissão Organizadora da Eleição, mas eu concordo com o cuidado que ela teve.
Em uma eleição como essa, em que não se exige a apresentação do título de eleitor, proque não há um colégio eleitoral previamente definido e o voto não é obrigatório, é duplamente necessário evitar cabrestagem, aparelhamento, etc.
Não é difícil (a eleição do Conselho Tutelar sempre dá margem a mil discussões por conta disso) chamar todos os seus amigos, partidários, colegas de trabalho, frequentadores do mesmo clube ou da mesma igreja para fazerem o favor de votar em você. "É rapidinho, é só ir lá, votar e ir embora". Casos mais graves são aqueles em que o candidato enche um ônibus de gente, paga um lanche para cada um e pronto - os eleitores mal sabem o que estão fazendo, indo pra onde, votando em quem e pra quê, mas vão. Gente desinteressada, desinformada, votando em troca de um benefício que não é o de ser bem representado...
Distorções são inevitáveis em qualquer processo de escolha? São. Com voto obrigatório também! Mas nosso dever é pensar em como evitar o voto desinformado. Ampliar o universo dos eleitores e o nível de informação. Estamos tentando garantir que o jogo seja disputado minimamente no espírito do que deve ser o Conselho: plural e representativo.
***
Se eu participasse da comissão desde o começo, teria proposto outras medidas. Não adotar uma cédula com 8 nomes, por exemplo. Na época, formam-se chapas que podem acabar ocupando a maioria das cadeiras do Conselho, prejudicando sua diversidade. Exemplo aritmético extremo: um grupo de oito pessoas combina entre si que os oito serão candidatos. Cada um chama quatro amigos, que são orientados a votar nos oito. Os oito também votam nos oitos. Já têm, de cara, doze votos cada um. Uma outra pessoa que não tenha combinado a candidatura com um grupo também poderá chamar quatro amigos - terá apenas esses quatro votos mais o seu.
(E também para que não haja votos só dos amigos que é importante haver a Conferência antes da eleição).
***
Outro ponto que eu teria questionado: não achava justo permitir que um membro da Comissão Organizadora da Conferência se lançasse candidato, mas isso aconteceu.
***
Hoje de manhã, em função do questionamento - pelo que chegou ao meu conhecimento, de um dos candidatos e de um jornal local - um promotor do Ministério Público ligou para o celular da assessora do gabinete que é membro da Comissão Eleitoral para questionar sobre a regra da lista de presença assinada até as onze horas.
Terminando de acordar, ela explicou e explicou.
Eu não me conformo com tamanha resistência. Em nome da participação cidadã, procura-se dispensar os eleitores de vir para a Conferência, de ter um mínimo de contato com a coletividade.
Olha, pode-se dizer que ter de passar na Subprefeitura duas horas antes da eleição é chato, é maçante, é incômodo, é uma mudança dos planos do domingo. Mas atentado à democracia não pode ser.
***
De toda forma, o regimento da Conferência precisa ser aprovado pelos participantes. Se a maioria decidir que tudo bem os eleitores só darem uma passadinha na hora de votar, assim será.
Como assim, "a menos que impeçam"?
Explico.
1) Para ter direito a voto, era preciso se inscrever na Conferência. Quem quisesse ser candidato, além de fazer a inscrição para a Conferência, prcisava apresentar uma carta de intenções.
2) A Conferência foi marcada para este domingo, a partir das 9:00, culminando com a votação para o Conselho, que começa às 13:00 e se encerra às 15:00. Quem quiser votar precisa registrar presença no máximo até as 11:00.
Por que?
Para tentar garantir minimamente a participação na Conferência. Às 11 começa o último compromisso "de trabalho" antes da votação: a apresentação dos candidatos. Se alguém não puder chegar às 9:00, ok - mas não deveria perder a única ocasião em que os candidatos se apresentam em condições de igualdade.
Por causa desse teto, há questionamentos sobre a lisura do processo e acusações quanto a "mudar a regra do jogo". Seria um atentado à democracia exigir que os eleitores estejam presentes antes da abertura da votação.
***
Não fui eu que estabeleci esse horário, foi a Comissão Organizadora da Eleição, mas eu concordo com o cuidado que ela teve.
Em uma eleição como essa, em que não se exige a apresentação do título de eleitor, proque não há um colégio eleitoral previamente definido e o voto não é obrigatório, é duplamente necessário evitar cabrestagem, aparelhamento, etc.
Não é difícil (a eleição do Conselho Tutelar sempre dá margem a mil discussões por conta disso) chamar todos os seus amigos, partidários, colegas de trabalho, frequentadores do mesmo clube ou da mesma igreja para fazerem o favor de votar em você. "É rapidinho, é só ir lá, votar e ir embora". Casos mais graves são aqueles em que o candidato enche um ônibus de gente, paga um lanche para cada um e pronto - os eleitores mal sabem o que estão fazendo, indo pra onde, votando em quem e pra quê, mas vão. Gente desinteressada, desinformada, votando em troca de um benefício que não é o de ser bem representado...
Distorções são inevitáveis em qualquer processo de escolha? São. Com voto obrigatório também! Mas nosso dever é pensar em como evitar o voto desinformado. Ampliar o universo dos eleitores e o nível de informação. Estamos tentando garantir que o jogo seja disputado minimamente no espírito do que deve ser o Conselho: plural e representativo.
***
Se eu participasse da comissão desde o começo, teria proposto outras medidas. Não adotar uma cédula com 8 nomes, por exemplo. Na época, formam-se chapas que podem acabar ocupando a maioria das cadeiras do Conselho, prejudicando sua diversidade. Exemplo aritmético extremo: um grupo de oito pessoas combina entre si que os oito serão candidatos. Cada um chama quatro amigos, que são orientados a votar nos oito. Os oito também votam nos oitos. Já têm, de cara, doze votos cada um. Uma outra pessoa que não tenha combinado a candidatura com um grupo também poderá chamar quatro amigos - terá apenas esses quatro votos mais o seu.
(E também para que não haja votos só dos amigos que é importante haver a Conferência antes da eleição).
***
Outro ponto que eu teria questionado: não achava justo permitir que um membro da Comissão Organizadora da Conferência se lançasse candidato, mas isso aconteceu.
***
Hoje de manhã, em função do questionamento - pelo que chegou ao meu conhecimento, de um dos candidatos e de um jornal local - um promotor do Ministério Público ligou para o celular da assessora do gabinete que é membro da Comissão Eleitoral para questionar sobre a regra da lista de presença assinada até as onze horas.
Terminando de acordar, ela explicou e explicou.
Eu não me conformo com tamanha resistência. Em nome da participação cidadã, procura-se dispensar os eleitores de vir para a Conferência, de ter um mínimo de contato com a coletividade.
Olha, pode-se dizer que ter de passar na Subprefeitura duas horas antes da eleição é chato, é maçante, é incômodo, é uma mudança dos planos do domingo. Mas atentado à democracia não pode ser.
***
De toda forma, o regimento da Conferência precisa ser aprovado pelos participantes. Se a maioria decidir que tudo bem os eleitores só darem uma passadinha na hora de votar, assim será.
sexta-feira, 13 de março de 2009
quarta-feira, 11 de março de 2009
CPI
Hoje o vereador Goulart fez contato comigo. Depois de tripudiar rapidamente em torno do gol do Ronaldo (ok, eu mereço), solicitou, com a maior gentileza, que providenciemos uma visita, acompanhados de polícia ambiental, à área em que há suspeita de depósito de material contaminado. Diferentemente do que o site da Câmara havia entendido do encaminhamento da CPI... E bem melhor (do que deixar uma viatura da GCM estacionada da porta)!
Deu no site da Câmara
"O vereador Paulo Frange (PTB) denunciou que os galpões da antiga Cooperativa Agrícola de Cotia, no bairro do Jaguaré, zona oeste, estão servindo de depósito clandestino para toneladas de resíduos de produtos organoclorados e organofosforados. “São produtos perigosos à saúde dos moradores e, por isso, solicito que seja feita uma visita ao local, com a participação de representantes da Subprefeitura da Lapa, do Ministério Público Estadual, da CETESB, da Polícia Ambiental”, pediu o parlamentar.
Preocupado, o presidente da CPI entrou em contato com a subprefeita da Lapa, Soninha Francine. “Pedi a ela que faça uma visita ao local e coloque uma viatura da Guarda Civil Metropolitana para que nada seja retirado dos galpões até a inspeção que será feita pelos integrantes da comissão”, disse Antonio Goulart.
Integram a CPI, os seguintes vereadores: Antonio Goulart (PMDB), Ítalo Cardoso (PT), Juscelino Gadelha (PSDB), Alfredinho (PT), Penna (PV), Marco Aurélio Cunha (DEM), Paulo Frange (PTB) e Milton Ferreira (PPS)".
O vereador Goulart ainda não entrou em contato; estou aguardando. Mas, como muitas vezes acontece - e acontecia muito quando eu estava lá - eu me pergunto o que quer o Parlamento. Não estou falando de um ou outro parlamentar, mas do Parlamento em si. Na minha opinião, tão acostumado a um modo de funcionar, que coloca o conflito, o confronto, a beligerância adiante das necessidades do mundo real.
Se aumentam os casos de dengue, por exemplo, não há um debate sobre o que está sendo feito, por que não funciona, como poderia ser melhor. Há uma guerra: os petistas acusam os democratas e os tucanos de nazi-fascismo (porque os pobres são mais atingidos, ou qualquer argumento desse nível); os democratas e tucanos acusam os petistas de serem os mais corruptos e incompetentes de toda a história (porque o mensalão desvia recursos da Saúde para o bolso dos deputados, ou qualquer merda desse tipo).
Voltemos à CPI.
Uma vez que o vereador Paulo Frange tem conhecimento de fato tão grave, poderia/ deveria ter encaminhado a denúncia há muito tempo - à Subprefeitura, que tem uma Coordenadoria encarregada da fiscalização do uso e ocupação do solo. À Secretaria do Verde, à Cetesb, à Polícia Ambiental. Havendo a evidência ou a mera suspeita de descaso ou conluio de funcionários públicos, aí sim o assunto seria caso para CPI.
Se a CPI for uma primeira instância, nós estamos perdidos! Aliás, se a Câmara for a primeira instância. Ou a Ouvidoria, por exemplo. Primeiro é preciso tentar fazer as coisas seguirem seu curso normalmente. Se não acontecer, recorre-se a outras instâncias.
Mal comparando, é a velha história de acreditar que o vereador é quem tapa buraco na rua.
Ainda falando da CAC: se há ali produtos contaminando o solo, o mais lógico é que sejam tomadas providências imediatas - não que uma viatura da GCM fique de plantão garantindo que os produtos continuem exatamente onde estão, contaminando o solo... E a simples retenção deles no local não é garantia alguma de que os culpados pelo despejo sejam identificados, ao contrário. Pode impedir o depósito de mais material, o que é desejável, mas não mais do que isso.
De todo modo, não compete à GCM montar guarda diante de um imóvel particular para impedir seu uso inadequado... Não posso deslocar uma viatura, necessária para muitas outras funções específicas da Guarda, para isso.
Enfim, aguardo a comunicação oficial da CPI.
Preocupado, o presidente da CPI entrou em contato com a subprefeita da Lapa, Soninha Francine. “Pedi a ela que faça uma visita ao local e coloque uma viatura da Guarda Civil Metropolitana para que nada seja retirado dos galpões até a inspeção que será feita pelos integrantes da comissão”, disse Antonio Goulart.
Integram a CPI, os seguintes vereadores: Antonio Goulart (PMDB), Ítalo Cardoso (PT), Juscelino Gadelha (PSDB), Alfredinho (PT), Penna (PV), Marco Aurélio Cunha (DEM), Paulo Frange (PTB) e Milton Ferreira (PPS)".
O vereador Goulart ainda não entrou em contato; estou aguardando. Mas, como muitas vezes acontece - e acontecia muito quando eu estava lá - eu me pergunto o que quer o Parlamento. Não estou falando de um ou outro parlamentar, mas do Parlamento em si. Na minha opinião, tão acostumado a um modo de funcionar, que coloca o conflito, o confronto, a beligerância adiante das necessidades do mundo real.
Se aumentam os casos de dengue, por exemplo, não há um debate sobre o que está sendo feito, por que não funciona, como poderia ser melhor. Há uma guerra: os petistas acusam os democratas e os tucanos de nazi-fascismo (porque os pobres são mais atingidos, ou qualquer argumento desse nível); os democratas e tucanos acusam os petistas de serem os mais corruptos e incompetentes de toda a história (porque o mensalão desvia recursos da Saúde para o bolso dos deputados, ou qualquer merda desse tipo).
Voltemos à CPI.
Uma vez que o vereador Paulo Frange tem conhecimento de fato tão grave, poderia/ deveria ter encaminhado a denúncia há muito tempo - à Subprefeitura, que tem uma Coordenadoria encarregada da fiscalização do uso e ocupação do solo. À Secretaria do Verde, à Cetesb, à Polícia Ambiental. Havendo a evidência ou a mera suspeita de descaso ou conluio de funcionários públicos, aí sim o assunto seria caso para CPI.
Se a CPI for uma primeira instância, nós estamos perdidos! Aliás, se a Câmara for a primeira instância. Ou a Ouvidoria, por exemplo. Primeiro é preciso tentar fazer as coisas seguirem seu curso normalmente. Se não acontecer, recorre-se a outras instâncias.
Mal comparando, é a velha história de acreditar que o vereador é quem tapa buraco na rua.
Ainda falando da CAC: se há ali produtos contaminando o solo, o mais lógico é que sejam tomadas providências imediatas - não que uma viatura da GCM fique de plantão garantindo que os produtos continuem exatamente onde estão, contaminando o solo... E a simples retenção deles no local não é garantia alguma de que os culpados pelo despejo sejam identificados, ao contrário. Pode impedir o depósito de mais material, o que é desejável, mas não mais do que isso.
De todo modo, não compete à GCM montar guarda diante de um imóvel particular para impedir seu uso inadequado... Não posso deslocar uma viatura, necessária para muitas outras funções específicas da Guarda, para isso.
Enfim, aguardo a comunicação oficial da CPI.
terça-feira, 10 de março de 2009
Tem dias que a gente se sente...
Sabe quando você tem a nítida sensação de que não vai aguentar?
É MUITO problema.
***
Um probleminha só, para exemplificar: uma galeria foi danificada pela obra de uma indústria (ou depósito, não sei bem) anos atrás. Eles nunca se abalaram para consertar (acho que nem reconhecem o estrago, para começar). Por causa desse dano, há um alagamento na rua de trás. Só para verificar o que realmente aconteceu e qual o estado atual da galeria, precisa fazer uma vistoria complicadíssima. E por aí vai.
***
Ontem, no Roda Viva, o Raí perguntou para o Dunga se ele lembrava de olhar para o Parreira em 94 e pensar: "Nossa, como é duro ser técnico da seleção brasileira, o mundo inteiro cai matando". O Dunga respondeu que sim - e mesmo imaginando o que é estar naquele lugar, só estando lá para saber.
Bateu uma identificação com o Dunga (não é muito frequente) :o)
***
Hoje tivemos reunião com todos os Subprefeitos + Sabesp, Eletropaulo e Comgás. Eu nem imaginava que um dia ia dizer isso: adoro essas reuniões. É um alívio estar entre eles. Rola a maior solidariedade, problemas compartilhados, muitos pepinos idênticos e troca de idéias. Ainda não conheço todos, mas já gosto muito de alguns deles. Saímos para almoçar depois da reunião, foi divertidíssimo. O Walter Abrão, da Casa Verde, é muito engraçado - não só no almoço como também nos momentos sisudos ou tensos das reuniões...
Mas não é só isso, são reuniões produtivas. Isso aqui é um inferno, mas eu adoro o Poder Executivo. Aqui também se lida com picuinhas, guerrinhas, disputas estéreis, etc. (ou não seria o planeta Terra). Mas 90% do tempo você está tratando do mundo real - quais são os problemas e como resolvê-los; quais as necessidades e como atendê-las; quais as possibilidades e como fazer acontecer.
O Parlamento podia ser muito legal também, mesmo sem a atribuição de "resolver problemas" - mas lá o mundo real às vezes parece um pretexto para
***
De volta à Sub, cinco reuniões seguidas - quatro por solicitação externa, uma interna. Mais aquele milhão de despachos com assessoria, por email, telefone...
***
Estou exausta, nem tenho energia para falar sobre os temas das reuniões. Mas ainda tive algumas felicidadezinhas antes de ir embora - uma troca de emails entre a Secretaria de Cultura e nosso Supervisor de Cultura sobre as providências para reabertura do Centro de Convivência Cecilia Meireles(uma porção de coisas que estão acontecendo sem que eu precise cobrar!); um email do Lauro, nosso agrônomo, com fotos da operação de poda no Pelezão - são mais de cem árvores, e é complicadíssimo. Achei legal ele me mandar as imagens, adoro ver como as coisas acontecem. Depois publico.
***
Agora vou à Rua Araioses, onde a vizinhança está promovendo a maior agitação em torno de mudanças no lugar (depois de mandar os últimos emails do dia - parece que escuto a torcida do Corinthians: "Não para, não para, não para...")
É MUITO problema.
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Um probleminha só, para exemplificar: uma galeria foi danificada pela obra de uma indústria (ou depósito, não sei bem) anos atrás. Eles nunca se abalaram para consertar (acho que nem reconhecem o estrago, para começar). Por causa desse dano, há um alagamento na rua de trás. Só para verificar o que realmente aconteceu e qual o estado atual da galeria, precisa fazer uma vistoria complicadíssima. E por aí vai.
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Ontem, no Roda Viva, o Raí perguntou para o Dunga se ele lembrava de olhar para o Parreira em 94 e pensar: "Nossa, como é duro ser técnico da seleção brasileira, o mundo inteiro cai matando". O Dunga respondeu que sim - e mesmo imaginando o que é estar naquele lugar, só estando lá para saber.
Bateu uma identificação com o Dunga (não é muito frequente) :o)
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Hoje tivemos reunião com todos os Subprefeitos + Sabesp, Eletropaulo e Comgás. Eu nem imaginava que um dia ia dizer isso: adoro essas reuniões. É um alívio estar entre eles. Rola a maior solidariedade, problemas compartilhados, muitos pepinos idênticos e troca de idéias. Ainda não conheço todos, mas já gosto muito de alguns deles. Saímos para almoçar depois da reunião, foi divertidíssimo. O Walter Abrão, da Casa Verde, é muito engraçado - não só no almoço como também nos momentos sisudos ou tensos das reuniões...
Mas não é só isso, são reuniões produtivas. Isso aqui é um inferno, mas eu adoro o Poder Executivo. Aqui também se lida com picuinhas, guerrinhas, disputas estéreis, etc. (ou não seria o planeta Terra). Mas 90% do tempo você está tratando do mundo real - quais são os problemas e como resolvê-los; quais as necessidades e como atendê-las; quais as possibilidades e como fazer acontecer.
O Parlamento podia ser muito legal também, mesmo sem a atribuição de "resolver problemas" - mas lá o mundo real às vezes parece um pretexto para
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De volta à Sub, cinco reuniões seguidas - quatro por solicitação externa, uma interna. Mais aquele milhão de despachos com assessoria, por email, telefone...
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Estou exausta, nem tenho energia para falar sobre os temas das reuniões. Mas ainda tive algumas felicidadezinhas antes de ir embora - uma troca de emails entre a Secretaria de Cultura e nosso Supervisor de Cultura sobre as providências para reabertura do Centro de Convivência Cecilia Meireles(uma porção de coisas que estão acontecendo sem que eu precise cobrar!); um email do Lauro, nosso agrônomo, com fotos da operação de poda no Pelezão - são mais de cem árvores, e é complicadíssimo. Achei legal ele me mandar as imagens, adoro ver como as coisas acontecem. Depois publico.
***
Agora vou à Rua Araioses, onde a vizinhança está promovendo a maior agitação em torno de mudanças no lugar (depois de mandar os últimos emails do dia - parece que escuto a torcida do Corinthians: "Não para, não para, não para...")
segunda-feira, 9 de março de 2009
09/03/09
- Às 8:00, tinha consulta médica em uma UBS perto de casa. Foi minha primeira vez lá. Fiz o cartão SUS e o cartão unidade de saúde sem nenhuma dificuldade. A mulher à minha frente, porém, perdeu a consulta da semana passada e só conseguiu marcar outra em junho. Outra quer passar pelo clinico geral - junho também. Queria tanto entender por quê demora tanto... (Das minhas árvores eu já entendo. Ao menos sei POR QUÊ demora. E tento resolver).
Estando lá, naturalmente recebi demandas. Ou uma, básica como a unidade: por um lugar melhor para seu funcionamento. A casa ali é alugada, não pode sofrer grandes reformas e é limitada/inadequada. Um terreno para construir unidade nova seria ideal (apesar da demora). O aluguel vence em maio. Precisamos encontrar um imóvel!
Me dá dor de barriga pensar nessas coisas. (Já estou aflita procurando um lugar para morar... Vou pegar trauma de imobiliária).
- Saindo da consulta, falei por telefone com o Secretário de Gestão. Tema: Poupatempo Lapa. Teremos reunião nos próximos dias.
- Às 9:30, tive um café com o diretor do Mercado da Lapa, os permissionários, o Supervisor de Abastecimento da prefeitura, parceiros e colaboradores. E foi um café caprichado, na cozinha que eles estão preparando para oferecer cursos para profissionais da área de alimentação. Entre uma e outra demanda (revitalizar os baixos do viaduto da Lapa; interceder junto à Telefonica para que melhore as instalações dentro do mercado (os cabos de telefonia passam pelo meio dos corredores e fica bem feinho)), algumas boas notícias - como a inauguração do centro de reciclagem do mercado, caprichadíssimo. O material será separado em seco & úmido e encaminhado corretamente; a comunidade também poderá levar seu material reciclável para lá.
Também falamos sobre o Sacolão da Lapa e o lixo em feiras livres (não me conformo com ele).
Um dos permissionários veio reclamar de que? De que? De uma árvore, claro. No caso, alta demais - precisa de poda de rebaixamento. Na rua ao lado, foram podadas várias, mas a da casa dele (perto do Pastorinho da Franco da Rocha X João Ramalho) ainda não foi contemplada.
- Às 11:00, reunião com Ana Penido, da Unicef. Desde que eu soube que seria Subprefeita, no começo deste ano, anotei na agenda: "Unicef, Abrinq, SOS Mata Atlântica" e outras entidades com as quais assumi compromissos durante a candidatura à prefeitura. Queria conversar com elas o quanto antes, retomar os compromissos. A Plataforma dos Centros Urbanos, proposta pela Unicef, era a que mais se encaixava com as atribuições de uma Subprefeitura. Eu não via a hora de começar.
E nem eles - mal tomei posse, recebi uma carta da Unicef pedindo uma reunião. (Na verdade, a carta veio em nome do meu antecessor, mas isso não fez a menor diferença, nem precisaria de carta alguma). Mas... Sabe lá por que motivos, essa ficou na fila mais tempo do que várias outras - e agora está em cima da hora para incentivarmos a criação de ao menos um grupo na Sub Lapa para participar desse projeto.
Pedimos SOS para a Fátima e o Ricardo, do Conselho Tutelar, que têm muitos contatos no Jaguaré e na Leopoldina. E para a Sandra, Supervisora de Assistência Social, também para indicar possíveis interessados.
- Respondi e escrevi emails (sobre recapeamento e Poupatempo, por exemplo), encaminhei demandas (por exemplo, para que a obra do Sonda Supermercados dê um jeito nas calçadas do seu entorno, muito detonadas), li o Diário Oficial, fiz a pauta da reunião de Coordenadores
- 14:30 - Reunião com engenheiros da Sub sobre Plano Diretor Regional, Operação Urbana, Projeto Córregos (proposta deles) e mutirões.
- 15:00 - Reunião com Coordenadores (CIUO, CAF, CPDU - rusticamente falando, obras, finanças e fiscalização), chefe de gabinete, assessor jurídica. Foi a primeira de um calendário permanente de reuniões semanais com as chefias (assim como teremos, toda segunda de manhã, um café com funcionários ou prestadores de serviço. O do Mercado foi o segundo). Tema desta semana: tudo o que vocês puderem imaginar. Árvores e comércio ambulante, calçadas acessíveis e caixaria da Ceagesp, Poupatempo e bocas de lobo, etc etc etc.
- 16:40 - Entrevista por telefone para Rádio Terra. Entre outras coisas, ouvi a reclamação de uma moradora do bairro dizendo que já esteve comigo duas vezes, que eu fui "muito gentil", mas até agora "não resolvi nada quanto aos 40 milhões que a EMURB tem em caixa relativos às operações urbanas", e ela está "muito decepcionada comigo". "Se não tem independência para fazer nada, se só está aqui para fazer o que os outros mandam, era melhor nem aceitar o cargo. Eu não teria aceitado".
Uma das suas expectativas é que eu consiga fazer com que a CPTM desloque os trilhos "um pouco mais pra lá" para fazer logo o prolongamento de uma avenida. Ela garante que a operação é simples, rápida e barata. A CPTM só não faz porque não quer (ou porque eu não insisti o suficiente).
Né mole não.
- Não consegui falar por telefone com a Rádio Cultura, que só precisava de cinco minutos meus. O tema era "mulheres na política". Conseguiram falar com a Marta, a Erundina e mais alguém muito significativo. Comigo, não - porque estava ocupada ouvindo broncas da comunidade que reclama que eu não escuto a comunidade.
Sério, poucas coisas me deixam mais puta da vida que injustiça. Podem me achar uma incompetente, mas dizer que eu não ouço as pessoas é muita sacanagem. (Uma vez na Câmara quase voei no pescoço de uma criatura que reclamou que eu estava "blindada" pela assessoria - ele tinha pedido um horário para falar comigo e ainda não tinha tido resposta. O problema é justamente eu NÃO ser blindada - quero falar com o mundo inteiro e não dou conta. Não há tempo que chegue. Uns coitados esperam séculos, precisam até pedir de novo porque já ficaram pelo caminho. Enfim, subi ao gabinete, xinguei a assessoria (eu imploro para que deem logo uma resposta, nem que seja um dia daqui a dois meses) e pedi para marcarem logo a reunião. Marcaram. O sujeito que tinha reclamado da blindagem confirmou presença mas deu cano. Senhor, dai-me paciência e perseverança).
- A reunião dos Coordenadores continuou sem mim. Antes de sair da minha sala, ainda discuti mais alguns pontos com eles. Fui para uma reunião na Fundação Padre Anchieta para discutir o projeto que eles estão desenvolvendo para a favela e o Cingapura próximos ao CT do São Paulo (aquele lugar é conhecido por tantos nomes diferentes que assim fica mais fácil identificá-lo).
- Às 18:30, participei da gravação do Roda Viva com o Dunga.
- Às 21:00, apresentei a entrega do Troféu Mulher Imprensa.
Na saída, dei duas ou três entrevistas.
- Às 23:00, cheguei em casa. Depois de oito compromissos pré-agendados (tem hífen?) e todas as outras solicitações que aparecem ao longo do dia. E precisava vir correndo escrever sobre o dia. Pra que? Para tirá-lo da cabeça e tentar dormir melhor.
Estando lá, naturalmente recebi demandas. Ou uma, básica como a unidade: por um lugar melhor para seu funcionamento. A casa ali é alugada, não pode sofrer grandes reformas e é limitada/inadequada. Um terreno para construir unidade nova seria ideal (apesar da demora). O aluguel vence em maio. Precisamos encontrar um imóvel!
Me dá dor de barriga pensar nessas coisas. (Já estou aflita procurando um lugar para morar... Vou pegar trauma de imobiliária).
- Saindo da consulta, falei por telefone com o Secretário de Gestão. Tema: Poupatempo Lapa. Teremos reunião nos próximos dias.
- Às 9:30, tive um café com o diretor do Mercado da Lapa, os permissionários, o Supervisor de Abastecimento da prefeitura, parceiros e colaboradores. E foi um café caprichado, na cozinha que eles estão preparando para oferecer cursos para profissionais da área de alimentação. Entre uma e outra demanda (revitalizar os baixos do viaduto da Lapa; interceder junto à Telefonica para que melhore as instalações dentro do mercado (os cabos de telefonia passam pelo meio dos corredores e fica bem feinho)), algumas boas notícias - como a inauguração do centro de reciclagem do mercado, caprichadíssimo. O material será separado em seco & úmido e encaminhado corretamente; a comunidade também poderá levar seu material reciclável para lá.
Também falamos sobre o Sacolão da Lapa e o lixo em feiras livres (não me conformo com ele).
Um dos permissionários veio reclamar de que? De que? De uma árvore, claro. No caso, alta demais - precisa de poda de rebaixamento. Na rua ao lado, foram podadas várias, mas a da casa dele (perto do Pastorinho da Franco da Rocha X João Ramalho) ainda não foi contemplada.
- Às 11:00, reunião com Ana Penido, da Unicef. Desde que eu soube que seria Subprefeita, no começo deste ano, anotei na agenda: "Unicef, Abrinq, SOS Mata Atlântica" e outras entidades com as quais assumi compromissos durante a candidatura à prefeitura. Queria conversar com elas o quanto antes, retomar os compromissos. A Plataforma dos Centros Urbanos, proposta pela Unicef, era a que mais se encaixava com as atribuições de uma Subprefeitura. Eu não via a hora de começar.
E nem eles - mal tomei posse, recebi uma carta da Unicef pedindo uma reunião. (Na verdade, a carta veio em nome do meu antecessor, mas isso não fez a menor diferença, nem precisaria de carta alguma). Mas... Sabe lá por que motivos, essa ficou na fila mais tempo do que várias outras - e agora está em cima da hora para incentivarmos a criação de ao menos um grupo na Sub Lapa para participar desse projeto.
Pedimos SOS para a Fátima e o Ricardo, do Conselho Tutelar, que têm muitos contatos no Jaguaré e na Leopoldina. E para a Sandra, Supervisora de Assistência Social, também para indicar possíveis interessados.
- Respondi e escrevi emails (sobre recapeamento e Poupatempo, por exemplo), encaminhei demandas (por exemplo, para que a obra do Sonda Supermercados dê um jeito nas calçadas do seu entorno, muito detonadas), li o Diário Oficial, fiz a pauta da reunião de Coordenadores
- 14:30 - Reunião com engenheiros da Sub sobre Plano Diretor Regional, Operação Urbana, Projeto Córregos (proposta deles) e mutirões.
- 15:00 - Reunião com Coordenadores (CIUO, CAF, CPDU - rusticamente falando, obras, finanças e fiscalização), chefe de gabinete, assessor jurídica. Foi a primeira de um calendário permanente de reuniões semanais com as chefias (assim como teremos, toda segunda de manhã, um café com funcionários ou prestadores de serviço. O do Mercado foi o segundo). Tema desta semana: tudo o que vocês puderem imaginar. Árvores e comércio ambulante, calçadas acessíveis e caixaria da Ceagesp, Poupatempo e bocas de lobo, etc etc etc.
- 16:40 - Entrevista por telefone para Rádio Terra. Entre outras coisas, ouvi a reclamação de uma moradora do bairro dizendo que já esteve comigo duas vezes, que eu fui "muito gentil", mas até agora "não resolvi nada quanto aos 40 milhões que a EMURB tem em caixa relativos às operações urbanas", e ela está "muito decepcionada comigo". "Se não tem independência para fazer nada, se só está aqui para fazer o que os outros mandam, era melhor nem aceitar o cargo. Eu não teria aceitado".
Uma das suas expectativas é que eu consiga fazer com que a CPTM desloque os trilhos "um pouco mais pra lá" para fazer logo o prolongamento de uma avenida. Ela garante que a operação é simples, rápida e barata. A CPTM só não faz porque não quer (ou porque eu não insisti o suficiente).
Né mole não.
- Não consegui falar por telefone com a Rádio Cultura, que só precisava de cinco minutos meus. O tema era "mulheres na política". Conseguiram falar com a Marta, a Erundina e mais alguém muito significativo. Comigo, não - porque estava ocupada ouvindo broncas da comunidade que reclama que eu não escuto a comunidade.
Sério, poucas coisas me deixam mais puta da vida que injustiça. Podem me achar uma incompetente, mas dizer que eu não ouço as pessoas é muita sacanagem. (Uma vez na Câmara quase voei no pescoço de uma criatura que reclamou que eu estava "blindada" pela assessoria - ele tinha pedido um horário para falar comigo e ainda não tinha tido resposta. O problema é justamente eu NÃO ser blindada - quero falar com o mundo inteiro e não dou conta. Não há tempo que chegue. Uns coitados esperam séculos, precisam até pedir de novo porque já ficaram pelo caminho. Enfim, subi ao gabinete, xinguei a assessoria (eu imploro para que deem logo uma resposta, nem que seja um dia daqui a dois meses) e pedi para marcarem logo a reunião. Marcaram. O sujeito que tinha reclamado da blindagem confirmou presença mas deu cano. Senhor, dai-me paciência e perseverança).
- A reunião dos Coordenadores continuou sem mim. Antes de sair da minha sala, ainda discuti mais alguns pontos com eles. Fui para uma reunião na Fundação Padre Anchieta para discutir o projeto que eles estão desenvolvendo para a favela e o Cingapura próximos ao CT do São Paulo (aquele lugar é conhecido por tantos nomes diferentes que assim fica mais fácil identificá-lo).
- Às 18:30, participei da gravação do Roda Viva com o Dunga.
- Às 21:00, apresentei a entrega do Troféu Mulher Imprensa.
Na saída, dei duas ou três entrevistas.
- Às 23:00, cheguei em casa. Depois de oito compromissos pré-agendados (tem hífen?) e todas as outras solicitações que aparecem ao longo do dia. E precisava vir correndo escrever sobre o dia. Pra que? Para tirá-lo da cabeça e tentar dormir melhor.
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