quinta-feira, 30 de abril de 2009

Mutirão na Praça São Crispim

Não conseguimos começar na hora e não tinha muita gente. Mas quantidade nunca foi sinônimo de qualidade. Foi tudo super tranqüilo e muito gostoso. As crianças, de todas as idades, ajudaram muito. Não choveu, nem fez frio ou calor. Perfeito.

Projetamos os filmes "Vida de Maria" (ganhador do festival Entretodos de 2007) e o "Somos todos Sacys", do Rudá de Andrade, no muro de um beco que queremos transformar em tudo que pode ser de bom.



Fizemos um trabalho especial com as crianças no canteiro de uma árvore imensa e linda, onde jogavam entulho: um jardim! Também colocamos um varal com cartazes que elas fizeram, pedindo para não jogar lixo e ajudar o planeta. Foi muito especial!



O Celso, supervisor de esportes da Sub Lapa mandou bolas, raquetes, cordas e bambolês. A criançada se divertiu muito! No final, já conhecia as crianças. Fiquei com um carinho especial pelo dono do restaurante de comida caseira e sua família que nos deram um super apoio! Parte dos brinquedos foi doado e eles se responsabilizaram por guardar e emprestar.



Trabalhei muito, muito e terminei tão satisfeita e tão feliz!






Obrigada a todos. Até o próximo!!

by: Ana Estrella

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sortidos

Hoje, na Assembleia Legislativa, houve um debate sobre a Política Estadual de Educação Ambiental. Os deputados aprovaram (por acordo, como sempre) o projeto de uma deputada do PV. O governo sancionou o projeto com alguns vetos - por exemplo, do artigo que estabelece a obrigatoriedade de inclusão dessa disciplina ("educação ambiental") em todos os cursos superiores no estado (porque o currículo obrigatório é definido pelo Ministério da Educação, que autoriza, normatiza e fiscaliza os cursos superiores).

Como sempre acontece, quer sejam razoáveis ou não, vetos sempre causam controvérsia e reações fortes. Ok. Mas o assessor da deputada disse que "bastava o Secretário do Meio Ambiente fazer um decreto que derrubasse os vetos".

Oh my god.

Os vetos podem ser derrubados no plenário da Assembléia, pelo voto da maioria (2/3, se não me engano) dos deputados. Não pelo "decreto regulamentador do Secretário".
E tô pra ver coisa mais difícil do que acordo para derrubada de veto...

***
O Centro de Convívio e Memória Cecilia Meirelles, inaugurado hoje na Lapa, é uma graça. Dá vontade de ir lá todo dia. E tem um grupo de frequentadoras que é o máximo, as "bordadeiras da memória". Prometo contar sobre elas depois.

***
Segundo o Joca, Coordenador de Obras, "na Operação Cata-Bagulho realizada no último sábado, dia 25/04/09, foram recolhidos 40.760kg de detritos; no domingo e na segunda-feira, conforme programado, foi feito repasse em toda área com 01 caminhão, e foram recolhidos mais 2.010kg e 2.280kg respectivamente.
Ao final da Operação Cata-Bagulho no setor Jaguaré/Parque Continental/Vila Lageado + Região Praça São Crispim foram recolhidos 45.050 kg
TOTAL DO ANO ATÉ FINAL DE ABRIL: 291,83 Toneladas
"

Santa mãe. Como nós (humanos) produzimos bagulhos!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Oposição, ironia, agressividade, intolerância...

Não tenho lido os comentários do blog, mas sei que estou tomando um cacete. Antes de ler e me irritar (não tem sido difícil me irritar - a vida na Sub não é bem um piquenique, sabe? - e esse não é o melhor estado para discutir com alguém), vou me antecipar e dizer algumas coisas sobre a campanha do PPS na televisão.

Eu me vi nesse instante falando sobre "apoiar [em 2010] quem está governando, não fazendo campanha".

Claro, óbvio, que é um cutucão no fato de a Dilma estar abertamente em pré-campanha à sucessão do Lula. Ninguém no mundo poderá negar que está em curso uma estratégia para torná-la mais conhecida, mais popular, mais ligada ao presidente e suas marcas registradas. Se é legítimo? Até certo ponto,é.

***
No Brasil rola uma hipocrisia doida com candidaturas e pré-candidaturas. Enquanto não é feito o registro oficial do candidato junto ao tribunal eleitoral, ele tem de fingir que quer tudo menos disputar a eleição - ou será acusado de "antecipar a campanha". Depois, já candidato, ele também tem de tomar muito cuidado para não fazer campanha, pedir voto, essas coisas - quase tem de fingir que quer tudo menos ser eleito.

Nunca me esqueço da consulta que fizemos ao tribunal eleitoral na eleição para a prefeitura: "Podemos vender camisetas (para arrecadar recursos e divulgar a candidatura)?". "Podem, desde que não tenha o nome do candidato nem o cargo que ele pleiteia". Fantástico.

Não lembro quem foi questionado na Justiça por ter dado entrevista à Folha falando sobre o que pretendia fazer caso fosse eleito - acho que foi a Marta. Queriam que ela falasse tudo, menos dos seus planos para a prefeitura, do contrário configuraria "propaganda eleitoral indevida". É inacreditável.

***
Enquanto tudo é proibido, é claro que os pré-candidatos se movimentam para viabilizar suas candidaturas. Costuram apoio dentro dos partidos, planejam ações que dêem visibilidade e reações positivas, cuidam da imagem e da sua assinatura, de suas marcas registradas.

Não era melhor que fosse permitido e pronto?

Que os pré-candidatos pudessem dizer aberta e honestamente: "Sim, eu quero ser presidente e por isso pretendo disputar a próxima eleição"?.

***
Quando o pré-candidato já é detentor de um cargo público, fica tudo mais complicado. Ele automaticamente tem mais visibilidade do que os demais. Vai fazendo seu currículo de candidato ao mesmo tempo em que trabalha - sobe na tribuna no Parlamento e discursa sobre os problemas do país, apresenta um projeto de lei, inaugura uma obra.

Mas é possível separar completamente uma coisa da outra? "Olha, eu NÃO ESTOU AQUI querendo ser presidente/governador/prefeito. Estou sendo só deputado/vereador/ministro/governador/senador. Faz de conta que eu e eu somos duas pessoas diferentes".

Claro que não!

***
Tem de haver uma medida, no entanto. Que o trabalho sirva como palanque, é inevitável. Que o trabalho seja sacrificado pelo palanque é que não se pode aceitar.

E há várias maneiras dele ser sacrificado. Por exemplo, com o excesso de compromissos sociais, de mídia etc. Em condições normais, o "social" já consome um tempo doido da gente. As pessoas querem porque querem que você resolva os problemas todos do mundo em um dia, mas também querem que você tenha bastante tempo para recebê-las, ouvi-las, comparecer a solenidades, etc. Se você começar a programar muitos eventos de visibilidade pensando na sua candidatura, o trabalho VAI ficar prejudicado.

E tem também a opção por obras mais visíveis em detrimento das mais importantes; mais populares e agradáveis em prejuízo de medidas muito necessárias mas impopulares.

(Não foi à toa que o Fernando Henrique segurou o câmbio irreal por tanto tempo... E que seu segundo governo ficou terrivelmente prejudicado por causa disso).

É fácil traçar claramente essa linha entre o inevitável e o abuso? Não. E cada um vai enxergar conforme suas próprias afinidades nessa história.

***
Eu fui petista a vida toda - portanto, oposição quase a vida toda... E fui dura, intransigente, inflexível, intolerante, implacável. Eu e o PT. Não admitíamos uma concessão, conciliação, moderação. E éramos irônicos, sarcásticos, terríveis.

Com o tempo, fui mudando. Ainda sendo absolutamente intolerante com algumas coisas, mas mais compreensiva e flexível com outras. Em boa parte, por influência do budismo. Comecei a prestar cada vez mais atenção no outro lado, nos argumentos dos meus adversários, e a admitir que é impossível viver sem concessões. Importante é ter um limite para elas.

Como já disse muitas vezes para explicar minha saída do PT, o partido também mudou muito. De "concessão nenhuma" - o que era errado, destrutivo, improdutivo - para "todas as concessões do mundo". E dá-lhe ministério e estatal para todo mundo que a gente execrou um dia - não porque fossem adversários, mas porque eram inimigos de tudo o que acreditávamos e defendíamos. Se eles mudaram? Alguns, sim. Mas muitos continuam sendo os mesmos Sarneys e Barbalhos e Malufes de sempre.

***
O PT estaria fazendo uma oposição furiosa ao governo Lula se o Lula não fosse do PT. Criticando a política econômica, a miséria que não termina, a crise do emprego, as barganhas com o Congresso, o excesso de MPs, os desvios de recursos, o assistencialismo, o latifúndio, as obras faraônicas (tipo transposição do São Francisco), a devastação da Amazonia, a política de Comunicação, o loteamento da máquina pública, a clientelismo, o diabo.

Bom, o próprio Lula fala do governo às vezes como se ele fosse da oposição.

Talvez o PT fizesse até uma oposição injusta, exagerada. Mas o PT sempre foi exagerado (eu também!). "Não queremos reformas, queremos a REVOLUÇÃO". Ok, continuo querendo. Mas o carro está andando e a gente precisa trocar o pneu enquanto roda, então faz o que? Faz o que puder fazer, oras. TUDO o que puder, e não fica parado esperando o impossível em nome do ideal.

****
Enfim, o PT da oposição de antigamente seria implacável em relação ao Lula.
Mas o PT que hoje é governo não tolera oposição. Nem a debochada nem a mais polida.

Deboche é difícil mesmo de aguentar. E o PT também é vítima de acusações injustas, ataques desleais, críticas desqualificadas. Mas - como eu cansei de dizer enquanto ainda estava no PT - isso não quer dizer que TODAS as críticas e acusações são infundadas e o PT é sempre vítima da maldade alheia; que a oposição é sempre "do mal" e serve a interesses escusos e o diabo.

***
O PPS é oposição ao PT. Eu ter ido para um partido de oposição ao PT foi considerado por muitos uma traição inominável. Mas a gente continua tendo o direito de escolher ser oposição, não tem? Só é permitido quando os outros estão no governo??

O PPS critica muito duramente o governo Lula. Se eu concordo com todas as críticas? Não. Já discuti muito com o Roberto Freire por causa de Bolsa Família e Classificação Indicativa da programação de TV, por exemplo... Se concordo com o tom de todas as críticas? Também não.

Prefiro a argumentação menos exaltada, as discussões menos sangue-nos-olhos. (O Roberto Freire é muito sangue-nos-olhos - de verdade, não é cena). A ponto de ficar incomodada, como muitos aqui, ao ver o bendito anúncio em que criticamos a pré-campanha da Dilma. (Acabei de me ver na TV - ainda não tinha visto).

***
Como já disse, a Dilma está, sim, em pré-campanha. E é impossível que seu extenso calendário de lançamentos, pré-lançamentos, convenções e eventos "sociais" pelo Brasil todo não esteja atrapalhando o desempenho de suas importantes atividades como ministra.

(O problema de saúde é outra história e ela tem todo o direito do mundo de atender às necessidades de seu organismo e tirar o pé do acelerador).

Os outros pré-candidatos estão também em pré-campanha? Claro que sim... Serra, Aécio, Ciro pensam em 2010 tanto quanto a Dilma. Talvez o Sergio Cabral também. Heloisa Helena, possivelmente. Mas a proporção de atividades "palanqueais" dela está superando a dos demais fácil, fácil.

***
De todo modo, acho justificado e justo dizer isso uma vez, acho bobagem dizer mil vezes. Fica uma coisa raivosa, provocativa, de que já não gosto mais. Aliás, é difícil propaganda política não ser irritante... A tentação para criticar acidamente é sempre muito grande. E a do PPS tem esse tom - menos do que já teve antes, ainda bem (eu detestava o nariz de palhaço). Mas no contexto total da propaganda do partido, eu pareço mais raivosa do que gostaria.

Mas... De novo, quem critica nossa fala dura é quase sempre quem também fala muito duro. Quem desce o pau sem dó nos adversários do PT - sem gentileza, sem suavidade, sem palavras contidas.

Podemos todos mudar o tom?

Acho muito difícil. Mas ok, ainda que não mudem, vou redobrar a vigilância quanto ao meu, contendo minha raiva, minhas ironias. E tentando também aguentar as dos outros sem me irritar.

Centro de Memória e Convívio da Lapa - Cecília Meireles

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Jornalismo sem levantar da cadeira

No dia 23 de março, o Estado de São Paulo nos encaminhou a carta enviada por um leitor para a coluna "São Paulo Reclama":

"Senhores,
Como morador do bairro do Sumaré, quero registrar a falta de atuação (ou atenção) da Prefeitura com relação à conservação das nossas praças e jardins, totalmente tomadas pelo mato. Já reclamei por e-mail à Subprefeitura da Lapa. Sem resposta. Posso assegurar que há pelo menos 4 meses ninguém aparece. Sabemos que o serviço é terceirizado - falta fiscalização ? Sugiro uma reportagem a respeito. Visitem, por exemplo as praças da Rua Petrópolis. É total o abandono. Na confluência da Rua Pombal com Grajaú, os moradores tem se cotizado, para limpar a praça. Isto não é certo. Afinal, qual é a política do nosso Prefeito ? Se olharmos o mapa eleitoral do último pleito, a zona oeste deu total apoio à eleição do sr. Kassab. Por que, então essa falta de atenção ? Para arrematar, a Sabesp transformou o bairro num canteiro de obras. Manutenção ? Tudo bem. Mas precisa colocar toda a terra retirada nas praças, sem qualquer cuidado ? O bairro está feio e descuidado. Dá vergonha. É preciso denunciar publicamente. Os políticos são sensíveis a isso. Quem sabe se mexem.
Carlos Roberto Baena"


O jornal estabelecia que teríamos até o dia 27/03 para responder.

Antes dessa data, avisamos o munícipe - e o jornal, que por algum motivo não recebeu a resposta, ou a perdeu de vista. A informação era de que aquelas praças estavam na programação de limpeza, poda e capinagem da primeira semana de abril.

E assim foi feito.

Mas a carta acima foi publicada no fim da semana passada (sem a parte do "mapa eleitoral", com a observação seca: "A Subprefeitura da Lapa não respondeu".

****
Assim fica fácil fazer jornalismo. Alguém diz alguma coisa, o jornal toma como verdade eterna e publica quando bem entender. Para os milhares de leitores do Estadão, o cidadão reclamou e nada foi feito.

A culpa foi nossa por não ter respondido, dirão eles. O jornal pode mandar um email, ficar sentado esperando a resposta e depois dizer "não veio nada, vou publicar o que eu achar que é verdade" e tudo bem.

O fato é que o que o Estadão publicou na sexta passada não é verdade.

****
Cara, não quero mais ser subprefeita, quero só ficar mandando emails com cobrança pra todo mundo. Inclusive para os jornais. E depois me queixar: "Ninguém responde!".

(Aliás, já aconteceu várias vezes de eu escrever para o Estadão e não obter resposta nenhuma... Bom, eles podem administrar a correspondência como bem entenderem, não é mesmo?)

****
O Estadão também fez uma matéria sobre o assunto "mato" na terça-feira: "Paulistano reclama de serviços de jardinagem" - Em 2008, problemas relacionados a capinação e poda apareceram entre as principais queixas à Ouvidoria-Geral em 23 das 31 subprefeituras"

A matéria tem razão de ser. EU TAMBÉM ANDO PELA RUA E FICO DOIDA COM MATO ALTO. "Como é que as coisas chegam a esse ponto? Não tem uma programação fixa de capinagem que mantenha a grama cortada e impeça o mato de chegar até a cintura?".
Pois bem, cheguei aqui e descobri o óbvio - não, não tem. É tudo meio aleatório, meio na base da reação: se muita gente reclama, a limpeza de um lugar passa na frente. Se não, vamos fazendo do jeito que dá.

Por isso que às vezes eu tenho aflição de abaixo-assinado... É um bom jeito de furar fila (com todo respeito - também já assinei vários, continuo assinando) quando você não tem condições de atender todo mundo ao mesmo tempo. Por isso também que uma das melhores frases que já ouvi sobre democracia é esta: "democracia não é da maioria, é de quem se organiza".

Uma das coisas que eu quero deixar aqui na Subprefeitura antes de ir embora (se eu já estou pensando nisso? Claro, não sei nem se vou estar viva amanhã) é uma sistematização da manutenção de áreas verdes. De modo que qualquer um que esteja aqui - Subprefeito, Chefe-de-Gabinete, Coordenador de Obras - encontre uma lógica que funcione quase por si. Um sistema distribuído ao longo dos meses e semanas, conforme as estações do ano.

Porque em 2008, por exemplo, a Lapa teve 9 equipes de manutenção de áreas verdes em março - mas tinha duas em novembro e dezembro. Justamente quando o mato cresce mais... Então começa por aí, com a melhor distribuição dos recursos. Depois, precisamos estabelecer um roteiro permanente, para que nunca mais se esqueçam daquela praça na Vila Piauí, aquela na Ipojuca, aquela outra no Humaitá... Porque essas mais "escondidas", com a vizinhança menos articulada, acabam sobrando. E na hora em que finalmente uma equipe da Sub vai lá, precisa de uma semana para cortar o mato e recolher todo o lixo. (Não é modo de dizer: às vezes a equipe fica UMA SEMANA em um lugar só. Enquanto isso, um munícipe impaciente reclama do outro lado da região: "Ninguém faz nada!").

Outra medida importante é socializar essas informações - publicar na internet o destino das equipes, a programação do dia, o número de funcionários, até a placa dos caminhões e kombis. Por que? Para ajudar na fiscalização. A única maneira de ter olhos e ouvidos em todos os lugares é contar com a população. Pode acontecer de uma equipe dizer que foi para um lugar e ir para outro, aparecer desfalcada ou sem os equipamentos necessários. Chegar tarde e sair cedo; cobrar para fazer um servicinho "por fora".

Já começamos a fazer isso: temos um blog ainda em fase de implantação, o Dia a Dia Sub Lapa (http://diaadiasublapa.blogspot.com/), que reproduz as ordens de serviços diariamente emitidas para as equipes contratadas (não só de capinagem e poda como também de limpeza de bueiros e galerias, tapa-buraco, manutenção de logradouros etc.). Ainda não está 100%, mas já está esboçado ali.

****
A mesma pessoa que faz isso publica em outro blog (http://diariooficialsublapa.blogspot.com/) tudo o que sai no Diário Oficial e se refere à Sub Lapa, tornando os despachos oficiais mais acessíveis. Pode não parecere mas dá um trabalhão e tá difícil ele dar conta disso tudo e mais uma penca de outras funções, mas vamos indo.

***
Agroa vou ter uma reunião, depois eu concluo a história da matéria do Estadão.

Good morning, Sunshine

De manhã, descasquei e piquei caqui, banana e maçã para fazer uma salada de frutas, toda orgulhosa de mim mesma pelo café da manhã saudável (geralmente é café-com-leite-pão-com-margarina, uma delícia e uma vergonha do ponto de vista nutricional).

Daí o que fiz? Joguei as frutas picadas no lixo em vez das cascas. Cabeça de m*&¨%.

***
A moto, que passou o fim de semana na rua por conta da briga com um vizinho (normalmente ela fica na garagem do prédio), não queria pegar de jeito nenhum. Empurrei, pegou no tranco, morreu... Levou uns dez minutos para querer começar a trabalhar.

***
Cheguei à Sub e não achei a chave da minha sala. Ainda bem que dava para entrar por outra.

***
Já na entrada, um funcionário veio se queixar da má vontade e sabotagem de outro funcionário.
Na sequência, outro relato no mesmo estilo. Os dois, aparentemente, bem fundamentados (tem muito conflito movido a desavenças acumuladas, com reclamações exageradas ou injustas).
Depois abri um email com cobranças a respeito de uma “parceria” com a Sub – parceria estabelecido na forma de um email dizendo apenas “Nós fazemos isso, vocês tratem de fazer aquilo”. O “parceiro” decidiu as tarefas que nos cabem e pronto.

Começa bem o dia.

E eu num mau humor que, se deus quiser, é TPM. Porque se não tiver alguma alteração hormonal por trás dele, é porque a vaca emocional já foi pro brejo mesmo.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Fora-do-assunto

Hoje infligi à minha filha de 12 anos uma tortura terrível: passear comigo pela Paulista. “Onde? Passear como? Andar? Ficar andando, só, em linha reta? Andar pra que? Nem tem nada pra ver!”. Não negaceei: “Não quer ir por prazer ou para me fazer companhia, tudo bem. Considere um castigo”. Filhas pré-adolescentes, hmpf. É a terceira vez que eu passo por isso.

***
Na ida, passei em frente ao Pqe Zilda Natel. Oh sh*t, uma ambulância do SAMU parada em frente. Espichei o pescoço e vi um rapaz recostado sobre a maca, observando seu próprio socorro. Ufa. Deve ter sido joelho, tornozelo ou algo assim. Não pescoço.

***
Feitiço contra o feiticeiro: rodei uns sete quarteirões até achar lugar para parar o carro. Bem feito (eu acho que carro não tem nada que ficar ocupando espaço de circulação parado nas ruas). Ninguém mandou não ir de metrô.
Parei em um estacionamento. R$12,00, “preço único no feriado”. Razoável.

***
Os carros que sobem a Haddock Lobo tem total liberdade de movimento: podem ir em frente, virar à esquerda ou à direita. Já os pedestres, coitados, têm de andar um quarteirão ou mais para conseguir atravessar a rua.
Não adianta, no nosso trânsito as preferências são todas invertidas. Idosos, cadeirantes, gestantes e todos os demais têm de andar mais do que quem estiver sentado em um veículo motorizado.

***
Cartaz no Instituto Cervantes lembra que dia 23 de abril é Dia Mundial do Livro. Oba, vamos tramar algumas ações. Por exemplo: “perca” um livro por aí. Leu, gostou, não vai ler de novo? Passe adiante. Para quem? Para quem quiser!

***
Almocei no América, extravagância eventual (é bom, mas é caro. É caro, mas é bom). Encontrei um amigo de um tempão atrás, o Flavio Cariri, diretor de cinema. Foi com ele que eu conheci Marmelópolis, perto do pico dos Marins. Meu namorado era o diretor de fotografia; eu era assistente geral. Na hora de fazer uma tomada do alto de uma montanha, virei assistente de câmera -o assistente oficial estava enjoado demais para puxar o zoom (cinema ainda tem muita coisa manual...).

Ele estava com a filha mais nova – Sophia ou Sofia, incansável como as minhas filhas. Sempre fico pasmada quando vejo um bebê quieto em um carrinho, olhando a paisagem... E o mais velho, um belo moço, que eu conheci careca e sem dente, menor ainda que a Sofia...

***
Caminhando pela Paulista, finalmente, parei no espaço Caixa Cultural no Conjunto Nacional. Em cartaz, exposição de fotos do fotógrafo norueguês Dag Alveng. São três séries, uma na Noruega e outras duas, chamadas “I Love This Time of The Year” e “This is MOST Important”, em Nova Iorque. São imagens com dupla ou até quádrupla exposição, fantásticas. Veja algumas no site dele.

A Julia, que reclamou que não ia ter nada pra ver, não deu muito valor.

***
Consumismo, essa praga: uma loja no Conjunto Nacional vende camisetas lisas, de cores interessantes, por dez reais. E pólos por quinze. Se tem uma coisa que eu não preciso é de mais camisetas, mas se não estivesse tão dura, teria comprado. Porque são bonitas e estão baratas.

***
No “Casarão” da Paulista, visitei o Centro de Adoção de Cães e Gatos. Dá vontade de levar todos. Fêmeas adultas docinhas, machos tímidos, todos com olhar carinhoso. Algumas histórias com final feliz são contadas em um parágrafo em um mural. São vários os casos de gatos e cães adotados, como os meus, que agora vivem juntos.

Se não dá pra adotar, dá para ajudar de várias maneiras – sendo voluntário, doando rações, medicamentos, produtos de limpeza, coleiras, roupinhas, jornais, coletores...

Sites para mais informações: www.naturezaemforma.com e www.adotaretudodebom.com.br

***
Também no Casarão, a exposição “Em Obras” http://mostraemobras.blogspot.com/. Ingresso a cinco reais. “Pode tirar foto”, informou o porteiro. Pena que eu já não tinha mais bateria em um telefone e memória no outro...


Ivan Pires

Queria ter dinheiro pra comprar arte! Com 1200 reais, levaria uma obra do Ivan Pires. Com 700, um trabalho em nanquim do Theo Firmo.


Theo Firmo, "La Famiglia".

***
Na calçada, uma mulher me parou: “Soninha! Adoro seus textos na internet. Você lançou uma idéia que eu propago no ônibus, no metrô: dar lugar para quem está mais cansado!”

Eu me espanto com a capacidade das pessoas de me reconhecer (sou muito diferente ao vivo e na TV) e de lembrar de coisas que às vezes escrevi rapidamente, de passagem. Muito legal.

***
Minha filha, blasé ao máximo de sua pré-adolescência, contava ironicamente cada um que me reconhecia. “Quatro...”. “Cinco...”.

(Quando era mais nova, ela sempre perguntava: “Quem é, mãe?”. Achava estranhíssimo as pessoas me conhecerem e eu não saber responder quem eram elas).

***
Dei uma volta pelo Trianon. Escuro como a natureza quis que ele fosse, muito bonito.

***
Fui até o vão livre do MASP. Esse, em compensação, tá muito feio. Sujo, com mato crescido entre os paralelepípedos (podia ser bonito, mas não está sendo), cheirando a mijo. Descuidado que só.

No quarteirão em frente, uma construção pela metade, com ferros à mostra como se fossem tripas. Ao lado, um estacionamento com 0% de solo permeável.

Ê, São Paulo. :o/

***
Na volta para casa, passei de novo em frente ao Zilda Natel. Fazia frio e garoava, mas algumas mulheres faziam ginástica nos aparelhos.

Ê, São Paulo. :o)
Pensa que é só em Berlim que as pessoas não têm medo do tempo feio?

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Programa Minha Vida Minha Casa - 2

Fica suspenso o cadastramento do programa "Minha Vida Minha Casa" nas Subprefeituras.

As Subprefeituras passam agora, somente, a prestar informações sobre o acesso ao programa. Segue abaixo algumas instruções aos interessados.

***

As regras para participar do programa habitacional do governo, lançado pelo governo federal e nomeado "Minha Casa, Minha Vida", já foram anunciadas pela Caixa Econômica Federal, agente financeiro do programa. Por isso, é bom reunir a documentação necessária para pleitear as facilidades:

DOCUMENTAÇÃO

PARA FINANCIAMENTO DE QUEM TEM RENDA FAMILIAR DE ATÉ TRÊS SALÁRIOS MÍNIMOS:
-Cédula de identidade
-Carteira de trabalho
-Comprovação de renda formal ou informal para cadastramento no programa
-Verificação do cadastro único e do cadastro nacional do mutuário
-Não haverá análise de crédito (checagem de SCPC e Serasa). A Caixa analisa o regime matrimonial, além de divórcios e herança

PARA FINANCIAMENTO DE QUEM TEM RENDA FAMILIAR DE TRÊS ATÉ DEZ SALÁRIOS MÍNIMOS
- Cédula de identidade
- Carteira de trabalho
- Ficha de cadastro habitacional
- Comprovação de renda formal ou informal (IRPF, análise cadastral no Serasa e SPC e no cadastro nacional dos mutuários)

Faça seu cadastro através do site:
http://www.cohab.sp.gov.br/demanda/instrucoes_.htm
Ou diretamente na COHAB rua Boa Vista, 128 – CENTRO, das 8:00h à 17:00h

Permitindo, arquivando...

A gente aqui nega tantos pedidos de autorização que eu fico feliz quando concedo uma.
Hoje assinei uma TPU – Termo de Permissão de Uso – “a título precário” (como são todas as TPUs – “O presente termo poderá ser revogado a qualquer tempo por razões de interesse público ou conveniência da Administração”), “para instalação e funcionamento de mesas, cadeiras e toldo no passeio público (...) devendo o permissionário observar sempre a legislação pertinente e recolher os preços públicos (...)”. Ou seja, ele precisa respeitar horários, as regras do passeio livre etc.

Tem gente que detesta mesas e cadeiras na calçada. Desde que os pedestres consigam circular, eu gosto.

Sou obrigada a negar essa permissão em várias situações – às vezes porque realmente não sobraria calçada suficiente para circulação, e não é nem por culpa do bar e sim porque tem um poste no meio da calçada, por exemplo.

Ai, os postes. Que raiva eu tenho deles.

***

Outra assinatura de hoje: arquivamento da licitação para (re)abertura de lanchonete nas dependências do “Pelezão” (Clube Municipal no Alto da Lapa). Por que? Por que NINGUÉM se interessou pela concorrência.

O horário de funcionamento seria das 8:00 às 20:00 de terça a domingo. A clientela seria formada por funcionários e visitantes. O preço mínimo exigido para a locação do espaço seria de R$500,00. O espaço em si tinha 7,50 X 6,20m, “composto por um salão para preparo dos lanches, com duas bancadas e duas pias, área com dois banheiros, sala para depósito, balcão de atendimento com 5,30 de frente, (...) área coberta externa com 3,30 de comprimento e 6,20 de largura com bancos junto ao balcão de atendimento”. O permissionário deveria providenciar geladeira, fogão, microondas, liquidificador, batedeira, sanduicheira e espremedor de frutas ou similar.

O edital foi publicado no Diário Oficial de 8/07/2008 e também no Diário do Comércio. Na data da abertura da Concorrência, em 21/08, ninguém apareceu. Depois disso apareceram dois interessados em retirar o edital e a concorrência foi reaberta. No dia da nova sessão, ninguém apareceu de novo.

Putz, se eu fosse empresária do ramo lanchonete, adoraria ter a permissão de exploração desse serviço no Pelezão.

(E me imagino indo lá como usuária e reclamando: “Caramba, não tem nem uma lanchonetezinha pra gente tomar um suco ou água de coco depois de jogar bola!”. Fazer o que?)

terça-feira, 14 de abril de 2009

Programa Minha Casa Minha Vida

As inscrições da Programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal, devem ser feitas pelo site:

www.cohab.sp.gov.br

Quem não tiver computador pode fazer a inscrição em qualquer subprefeitura gratuitamente.

Não é necessário ir pessoalmente à Cohab.
As pessoas que já têm cadastro devem atualizá-lo pelo site.

A seleção obedece a critérios técnicos e financeiros, de acordo com os imóveis disponíveis, correlacionando com os interessados.

Você pode encontrar todos os endereços das subprefeituras na Internet, acessando:
www.prefeitura.sp.gov.br//passeiolivre/contate.asp

segunda-feira, 13 de abril de 2009

"Assim que os convênios forem assinados"

Os folhetos do programa “Minha Casa, Minha Vida” já estão nas ruas. Estou com um na minha mão.

O problema é que o programa, por enquanto, não existe!

Um munícipe procurou a Caixa Federal querendo se inscrever. Foi orientado a procurar “a prefeitura”. Veio à Sub, perguntando o que fazer.

BOA PERGUNTA!

Vejam o que diz o folheto:

“O que você precisa fazer para comprar sua casa pelo programa Minha Casa, Minha Vida?

O primeiro passo é procurar um dos postos de cadastramento que serão abertos pelas prefeituras ou governos estaduais/ Distrito Federal. Os postos de cadastramento serão divulgados assim que os convênios forem assinados.

Depois de selecionado, você será convocado para comparecer a uma agência da CAIXA, prefeitura ou outro local credenciado (...)”.


Reparem: “serão abertos”, “serão divulgados”, “assim que (...) forem assinados”.

E tem mais:

“Como serão os imóveis?”

“Serão casas ou apartamentos produzidos por empresas da construção civil e contratados pela CAIXA”.


“Serão produzidos”!

Cara, é sádico botar o bloco na rua agora, como se o Minha Casa já estivesse a todo vapor...

Imagino como vão ficar as agências da Caixa desde já, recebendo os interessados e não tendo nada a oferecer a eles (exceto um folheto).

Idem as Praças de Atendimento das Subprefeituras.

domingo, 12 de abril de 2009

Uma "lei idiota" que não existe

Ferreira Gullar, na Folha de hoje (domingo): “Está na hora de revogar essa lei idiota”. São tantas as leis idiotas; estaríamos pensando na mesma? Fui ler com a maior curiosidade.

Mas a lei de que ele reclama é a que “proíbe a internação de doentes mentais”.

Se tal lei existisse, seria mais que idiota; seria, ela mesma, uma insanidade...

Como uma lei pode interferir de tal maneira na atividade médica?

***
Pensando bem, não seria inédito. Há dispositivos legais que estabelecem determinam a internação de usuários de substâncias psicoativas cujo comércio é proibido por lei (genericamente chamadas de “drogas”) por decisão de um juiz, não de um médico...

***
Em todo caso, a internação de doentes mentais NÃO É PROIBIDA. A campanha antimanicomial, à qual Gullar se refere com raiva e escárnio, era – é – contra as instituições hospitalares em que os doentes mentais são despejados e dopados, maltratados, abandonados.

Gullar diz que esteve “em muitos hospitais psiquiátricos, públicos e particulares, mas em nenhum deles havia cárceres ou "solitárias" para segregar o "doente furioso". Mas, para o êxito da campanha, era necessário levar a opinião pública a crer que a internação equivalia a jogar o doente num inferno”.

Mas em muitos lugares equivalia, sim, a um inferno! O fato de haver hospitais decentes não significa que todos o eram.

***
Gullar tem experiência pessoal com doença mental – por isso ficou tão furioso quando “um deputado petista [Paulo Delgado, de Minas Gerais] que aderiu à proposta, passou a defendê-la e apresentou um projeto de lei no Congresso. Certa vez, declarou a um jornal que "as famílias dos doentes mentais os internavam para se livrarem deles". E eu, que lidava com o problema de dois filhos nesse estado, disse a mim mesmo: "Esse sujeito é um cretino. Não sabe o que é conviver com pessoas esquizofrênicas, que muitas vezes ameaçam se matar ou matar alguém. Não imagina o quanto dói a um pai ter que internar um filho, para salvá-lo e salvar a família. Esse idiota tem a audácia de fingir que ama mais a meus filhos do que eu".

Realmente, é compreensível o rancor. Ele se sentiu atingido por uma generalização – que, como todas, é injusta, mas tem fundamento na realidade!

Segue o escritor: “Esse tipo de campanha é uma forma de demagogia, como outra qualquer: funda-se em dados falsos ou falsificados e muitas vezes no desconhecimento do problema que dizem tentar resolver. No caso das internações, lançavam mão da palavra "manicômio", já então fora de uso e que por si só carrega conotações negativas, numa época em que aquele tipo hospital não existia mais”.

Pois é, aí está outra generalização... Incorreta e injusta. Austregésilo Carrano que o diga. Autor de “Canto dos Malditos”, que inspirou o filme “Bicho de Sete Cabeças”, ele conta as atrocidades a que foi submetido em um “hospital psiquiátrico” depois que o pai descobriu que ele fumava maconha.

Dizer que hospitais “daquele tipo não existiam mais” é sacanagem.

***
Muito sensatamente, Gullar explica: “Em geral, a internação se torna necessária porque, em casa, por diversos motivos, o doente às vezes se nega a medicar-se, entra em surto e se torna uma ameaça ou um tormento para a família. Levado para a clínica e medicado, vai aos poucos recuperando o equilíbrio até estar em condições que lhe permitem voltar para o convívio familiar. No caso das famílias mais pobres, isso não é tão simples, já que saem todos para trabalhar e o doente fica sozinho em casa. Em alguns casos, deixa de tomar o remédio e volta ao estado delirante. Não há alternativa senão interná-lo”.

[Continua no próximo post]

Uma "lei idiota" que não existe - cont.

[Segue a coluna do Gullar]

“Pois bem, aquela campanha, que visava salvar os doentes de "repressão burguesa", resultou numa lei que praticamente acabou com os hospitais psiquiátricos, mantidos pelo governo. Em seu lugar, instituiu-se o tratamento ambulatorial (hospital-dia), que só resulta para os casos menos graves, enquanto os mais graves, que necessitam de internação, não têm quem os atenda. As famílias de posses continuam a por seus doentes em clínicas particulares, enquanto as pobres não têm onde interná-los. Os doentes terminam nas ruas como mendigos, dormindo sob viadutos”.

***
Vamos ao texto da lei? É a 10216 de 2001 (veja aqui), que “Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental”.

Alguns destaques:

Art. 1o Os direitos e a proteção das pessoas acometidas de transtorno mental, de que trata esta Lei, são assegurados sem qualquer forma de discriminação (...)

Art. 2o (...)
Parágrafo único. São direitos da pessoa portadora de transtorno mental:
I - ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo às suas necessidades;
II - ser tratada com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando alcançar sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade;
(...)
V - ter direito à presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a necessidade ou não de sua hospitalização involuntária; [grifo meu]
(...)

VIII - ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis;
IX - ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental.
(...)

Art. 4o A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes.
[Mas pode ser indicada, se ainda restava alguma dúvida!]
(...)
§ 2o O tratamento em regime de internação será estruturado de forma a oferecer assistência integral à pessoa portadora de transtornos mentais, incluindo serviços médicos, de assistência social, psicológicos, ocupacionais, de lazer, e outros.
§ 3o É vedada a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em instituições com características asilares, ou seja, aquelas desprovidas dos recursos mencionados no § 2o e que não assegurem aos pacientes os direitos enumerados no parágrafo único do art. 2o.

Art. 5o O paciente há longo tempo hospitalizado ou para o qual se caracterize situação de grave dependência institucional, decorrente de seu quadro clínico ou de ausência de suporte social, será objeto de política específica de alta planejada e reabilitação psicossocial assistida, sob responsabilidade da autoridade sanitária competente e supervisão de instância a ser definida pelo Poder Executivo, assegurada a continuidade do tratamento, quando necessário.

Art. 6o A internação psiquiátrica somente será realizada mediante laudo médico circunstanciado que caracterize os seus motivos.
Parágrafo único. São considerados os seguintes tipos de internação psiquiátrica:
I - internação voluntária: aquela que se dá com o consentimento do usuário;
II - internação involuntária: aquela que se dá sem o consentimento do usuário e a pedido de terceiro; e
III - internação compulsória: aquela determinada pela Justiça.
(...)

Art. 8o A internação voluntária ou involuntária somente será autorizada por médico devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina - CRM do Estado onde se localize o estabelecimento.
§ 1o A internação psiquiátrica involuntária deverá, no prazo de setenta e duas horas, ser comunicada ao Ministério Público Estadual pelo responsável técnico do estabelecimento no qual tenha ocorrido, devendo esse mesmo procedimento ser adotado quando da respectiva alta.
§ 2o O término da internação involuntária dar-se-á por solicitação escrita do familiar, ou responsável legal, ou quando estabelecido pelo especialista responsável pelo tratamento.

Art. 9o A internação compulsória é determinada, de acordo com a legislação vigente, pelo juiz competente, que levará em conta as condições de segurança do estabelecimento, quanto à salvaguarda do paciente, dos demais internados e funcionários.
(...)

***
Portanto, ao contrário do que imagina Ferreira Gullar, a “lei Paulo Delgado”, como ela também é conhecida, não extinguiu a possibilidade de internação de doentes mentais, apenas estabeleceu firmemente as alternativas à internação e os direitos dos pacientes em caso de internação.

Se faltam leitos para internação – e faltam – a culpa não é da lei! Faltam leitos de todos os tipos no Sistema Público de Saúde (e, possivelmente, também na rede privada). Aliás, faltam vagas também nas clínicas e hospitais-dia (felizmente, a prefeitura pretende inaugurar mais 20 CAPS nos próximos quatro anos).

Ainda assim, ele conclui a coluna com uma frase bombástica: “É hora de revogar essa lei idiota que provocou tamanho desastre”.

A “lei idiota” simplesmente não existe da forma como ele a imagina.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Coisas de reunião

1
Hoje tivemos um encontro entre Subprefeitos, Coordenadores de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, Supervisores de Uso do Solo, representantes da Prodam e de Secretarias diversas na Secretaria de Gestão. Tema: Licenciamento Eletrônico (a possibilidade de se solicitar licença de funcionamento pela internet, já implantada em algumas Subs - como a da Lapa) e assuntos correlatos.

Cheguei à recepção do 2º andar da Secretaria de Gestão e perguntei onde era a reunião "dos Subprefeitos" (em geral, é o suficiente). A moça não soube dizer. "Ali é a dos Sindicatos, aqui é do GAE" (ou coisa parecida). Desconfiei que a minha fosse a do "GAE" e acertei.

A reunião já tinha começado (eu vinha de um evento com o prefeito e me atrasei). O coordenador dos trabalhos explicou: "O Secretário Rodrigo Garcia pediu desculpas por não ter vindo até agora, mas ele está recebendo o pessoal dos Sindicatos".

Dali a pouco o Rodrigo Garcia sxEEE#3333333333333333 chegou: "Eu precisei sair - estava na outra sala com os 27 sindicatos que representam o funcionalismo em São Paulo. Estamos abrindo uma mesa de negociação permanente; nós temos de reconhecer que temos muitos ajustes a fazer - de remuneração, por exemplo". Metade dos presentes à reunião abriu um sorriso provocador (principalmente os que são funcionários "de carreira"): "E?E?". O Secretário riu: "Calma, ainda não acertamos nada!".

2
Temos reuniões entre todos os Subprefeitos no mínimo duas vezes por mês, organizadas por temas - comércio ambulante, política de esporte, acessibilidade, assistência social e um vasto etc.

Em uma delas, o convidado era o Edsom Ortega, Secretário de Segurança Urbana, que fala muito bem(nem sempre eu concordo com ele, mas admiro a convicção com que se expressa).

A certa altura, empolgado com a descrição de ações conjuntas com outros órgãos, falou em "áreas conurbadas". O Andrea Matarazzo, que é quase sempre o anfitrião desses encontros (afinal, é o Secretário de Coordenação das Subprefeituras), o interrompeu com ar de gozação: "Conurbadas, Ortega?". "É, as áreas dos municípios que "emendam" com a cidade de São Paulo". "Conurbadas", repetiu o Andrea para si mesmo. E concluiu em voz alta: "Tucanaram a vizinhança!". Risada geral.

PS.: O trecho "sxEEE#3333333333333333" foi contribuição da minha gatinha recém adotada sapateando no teclado.

1/1000 de um dia

Com o tempo, a gente vai aperfeiçoando algumas respostas para perguntas que sempre são feitas.
“Qual é o maior desafio na Subprefeitura?”, por exemplo. Eu já respondi que é suportar a pressão de mídia e de grupos mais organizados e influentes quando você decide que a prioridade está em uma área com menos visibilidade e poder de articulação; que é ter muita responsabilidade e pouco poder/recurso/autonomia; que é lidar com a burocracia, os métodos superados e as regras obtusas e obsoletas...

Mas agora cheguei à conclusão que a melhor resposta é: “Fazer as coisas funcionarem sem precisar ficar em cima”. Criar novos métodos, sistemas e fluxos de trabalho que possam ser operados por qualquer um, independentemente das mudanças de governo/chefia. Tirar o atraso de tudo para que a gente possa lidar só com o que chega agora – das benditas podas de árvore aos pedidos de licença de funcionamento. Tornar tudo cada vez mais acessível e transparente para que a própria população possa fazer o controle do que fazemos.

Já está melhorando? Já, sem dúvida. Mas deus do céu, falta muito.

***
Águas pluviais, esgoto e córregos, por exemplo: é IMPRESSIONANTE a quantidade de problemas relacionados ao fluxo das águas. É de se espantar que não tenhamos muito mais problemas. O Andrea Matarazzo às vezes diz: “Quando a gente vê como as coisas podem ser enroladas, fica surpreso com o fato de sair água da torneira”.

Além de todos os gargalos e nós que eu já conhecia, ontem eu soube de mais um na Leopoldina (uma galeria que, em vez de chegar até o rio Pinheiros, forma um cotovelo e emenda em outra galeria, que não dá conta da vazão).

Quando a gente vai vendo a quantidade de serviços mal feitos nas décadas passadas, tem vontade de processar todo mundo. Hoje você tem de gastar quinze milhões para fazer uma obra de escoamento de água da chuva que custaria um milésimo disso se tivessem planejado e executado direito.

Ok, tem coisas que sabemos hoje que não sabíamos antes. Mas isso não é desculpa para todas as burradas e picaretagens perpetradas.

***
Transporte coletivo, por exemplo. São Paulo lamenta não ter mais metrô e se orgulha do que já tem, mas por que as estações da linha Leste passam tão longe dos grandes conjuntos habitacionais da Zona Leste (em si, aberrantes, porque reuniram milhares de famílias em um lugar longe de tudo)? Ninguém pensou em ligar uma coisa à outra? Ou pensou, mas achou que era mais importante valorizar outra área, induzir o crescimento em outro lugar?

***
E continuamos errando... Fazendo edifícios com poucos apartamentos e muitas vagas na garagem em ruas que não agüentam tanto carro... Concedendo incentivo fiscal para quem comprar carro... Para comprar material de construção (quando o maior problema para a moradia popular é destinar a ela áreas bem localizadas e bem servidas por infraestrutura...). Material de construção o pessoal já compra – e constrói onde dá, do jeito que dá.

***
“O que precisa para ser Subprefeito?”. Não sei o que eu teria respondido um ano atrás – talvez “bom conhecimento da administração municipal, bom conhecimento da cidade, uma equipe capaz e de confiança, habilidade política”. Hoje eu sei que o que mais precisa é estômago e fígado. E muito, muito saco.
***
Se a próxima eleição para prefeito fosse ano que vem e eu precisasse decidir agora se me candidato ou não, eu diria: “NÃO! Eu não agüento”.

***
Eu queria terminar o dia fazendo um relatório de tudo o que eu fiz hoje. Aliás, queria terminar todos os dias assim. Mas é IMPOSSÍVEL. Faz tempo que eu estou querendo contar com quantos assuntos diferentes me envolvo em um dia normal de trabalho. Hoje eu contei: entre 9:00 e 13:00, foram 57. Não incluí o apelo de um vizinho na garagem do prédio, antes de sair de casa (porque não lembrei). Talvez tenha esquecido um ou outro problema enviado por email na primeira fase do dia (8:30 – 9:00).

À tarde também parei de contar.

***
Satisfação boba: semana passada tive uma reunião com o presidente da CPTM (ótima – descobri muitos pontos de vista em comum, além de ter uma penca de boas notícias. Exemplo: eles também acham importante ter menos muros, verdadeiras trincheiras segregacionistas que fazem muito mal à vizinhança) e fiz uma reclamação de usuária – a falta de sinalização na estação Brás (que faz integração com o metrô). Se você não conhece bem o sistema, fica perdido. Para saber qual o trem para São Miguel, por exemplo, tem de procurar alguém que diga – e confiar na resposta (“Pega o Calmon Viana, na plataforma x”). Agora há pouco recebi um email com fotos das novas placas colocadas na estação, com a relação de todas as paradas de cada uma das linhas – e a observação de que ainda não é a solução definitiva. Mas já melhorou muito!

***
Aí eu lembro que ainda não consegui implantar sinalização no próprio prédio da Subprefeitura e sinto uma pontada de desgosto.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Caiu mais um (salário!)

Meu primeiro Demonstrativo de Pagamento dizia respeito a janeiro e fevereiro juntos; agora caiu o salário de março, então dá pra saber quanto eu ganho por mês. Aí vai:

VENCIMENTOS
Padrão de Vencimento Efetivo: R$2.189,55
Verba de Representação do QPA: R$3.528,50
Auxílio Refeição: R$230,00
TOTAL: R$5.948,39

DESCONTOS
Imposto de Renda na Fonte: R$806,71
RGPS - Regime Geral de Previdência Social - Contribuição: R$354,07
RGPS - Regime Geral de Previdência Social - Contribuição: R$19,79
(Pq tem duas vezes? Não sei!)
TOTAL DE DESCONTOS: R$1.180,57

LÍQUIDO A CREDITAR: R$4.767,82.

Deu um frio na barriga. Juro que eu pensei que era mais. Toca refazer as contas...