quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Faça a Coisa Certa

É muito fácil fazer tudo errado.

Sabe aquela história de "para morrer, basta estar vivo?". Sabe a fragilidade que existe na vida - hoje eu estou aqui, amanhã posso per-fei-ta-men-te não estar? É a fragilidade que existe em tudo o que funciona, tudo o que é feito, tudo o que existe.

Além de movimentado, o dia hoje teve dois momentos desgastantes ao extremo.

O encontro com o dono de um estabelecimento comercial que jura que está fazendo tudo direito, que diz que pode juntar todos os documentos do mundo para demonstrar, que chama até o Papa para testemunhar a seu favor, mas não consegue mantê-lo funcionando porque em algum momento desagradou alguém (ou negou algum tipo de agrado a alguém) e agora não adianta provar que a tataravó do dono do imóvel casou virgem e o que mais pedirem para ele provar - não vão deixá-lo trabalhar.

Não, não é a primeira história que eu (ou vocês) escutamos desse tipo. Vixe, quantas vezes me chamaram, como vereadora, para tentar ajudar em casos como esse. E quantas vezes eu fiz papel de besta. O cara também jurou que estava tudo certo, que estava sendo sacaneado, eu fui tentar interceder por ele e descobri que tinha coisa errada sim. E o cara nem sabia ou sabia. Mas também aconteceu de terem razão e a gente conseguir desmontar arapucas.

O fato é que o empresário pareceu ter razão. Mesmo. E talvez seja um caso mais de implicância do que de outra coisa. Mas eu só posso obedecer o que dizem os papéis, e se os papéis disserem "pode" ou "não pode" e forem coerentes e convinventes também, eu sou obrigada a acreditar neles.

Né mole não.

***
E como se não bastasse...

Barracos construídos em cima de um córrego foram removidos entre ontem e hoje. Eu soube da operação quando já estava em andamento. "E as pessoas?". "Não tem ninguém, é tudo cenográfico. Estão construindo pra vender - o cara pede 2 mil por barraco. Em cima do córrego! A gente tem de correr desmontar antes que ele termine e venda; não podemos permitir que se consolide a ocupação". "Não tem ninguém?". "Não tem ninguém".

Adivinhem.

Para resumir a história: terminei a tarde com dez famílias na Subprefeitura exigindo atendimento, uma assistente social louca da vida comigo, três barracos mantidos de pé porque têm crianças e gestantes dentro, discussões sobre qual regra se aplica ("Só é considerada residência depois de um ano e um dia" X "Se a pessoa entrou ontem e botou as coisas dela lá dentro, ela está morando e pronto"; "Era uma emergência; nós não podíamos deixar esses novos barracos lá com essa chuva toda que está caindo, muito menos assistir passivamente a exploração fazer a ocupação crescer!" X "Que bela solução de emergência; para onde vão essas pessoas agora". E quem estava mesmo morando e quem não estava, quem tem para onde ir e quem não tem, quem já recebeu verba de indenização para desocupar uma área e quem não recebeu, quem tinha geladeira e televisão e quem só disse que tinha...

O fato é que essas pessoas não podem voltar a morar em um lugar como aquele.

Que esse negócio de remover sem dar um encaminhamento decente (albergue, abrigo, moradia provisória, carta de crédito ou apartamento, conforme o caso), com acompanhamento intenso ao longo de semanas e meses, é uma tarefa inútil para todo mundo.

Que não é fácil arrumar (mais) dez moradias decentes para essas pessoas de uma semana para a outra. (Quantos já estão na fila?)

Que é muito fácil alguém se aproveitar de uma situação para querer se dar bem.

Que quando não faz tudo como tem de ser feito fica sem moral para desmascarar o oportunismo dos outros.

Que é impossível fazer com que as pessoas tratem umas às outras como você acha que deve ser.

Que é muito difícil não querer se dar quem 90% do tempo se dá mal.

Que eu estou f*dida e vou ter de ralar muito para conseguir alguma coisa para esse tanto de gente.

(E tem família vivendo dentro de viaduto, em palafita de todo tipo, em encosta periclitante, em praça, em casa em ruínas...)

Que é fácil misturar boas e sinceras intenções com precipitação.

Que elas estão lá cheias de expectativa e revolta e eu aqui cheia de expectativa e angústia.

E que agora já foi, tenho mais esse ônus ("a Subprefeita que bota todo mundo na rua") e, mesmo querendo trazer todo mundo para a minha casa, sou aquela que deixou os pobres na chuva.

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Será que eu quero rever o filme do Spike Lee? Ou vou ficar mal como da primeira vez?

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A inauguração do Shopping Bourbon vai fazer um ano, e a "efeméride" será bastante lembrada na impresa - sempre com os marcadores "Prefeitura" e "Subprefeitura da Lapa". A primeira pergunta já veio, pela Folha de São Paulo: "A secretaria de Finanças informa que não cobra o IPTU integral do shopping Bourbon porque o processo do imóvel está parado na subprefeitura da Lapa. O shopping foi inaugurado em 28 de março do ano passado, há cerca de 11 meses. Gostaria de saber se é fato que o processo está na subprefeitura e, em caso positivo, qual a razão".

Eu não saberia nem por onde começar. Finanças não cobra o IPTU porque o processo está na Sub?? Aí me explicaram: Finanças, que normalmente calcularia o valor do IPTU, não pode fazê-lo nesse caso porque se trata de área de Operação Urbana e o cálculo é de outra natureza. (Ainda assim, não sei por quê é a Sub quem calcula, mas um dia vão me explicar com mais tempo - a pergunta veio na hora do encontro com as dez famílias no auditório). O processo é complicado mesmo e não está parado, só não está concluído. Quando estiver e o valor integral do IPTU for calculado, os pagamentos deverão retroagir - isto é, eles vão ter de pagar a diferença por esse tempo sem cobrança integral.

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Bem feito, quem mandou reclamar tanto do marasmo na Câmara?

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PS: Pelo que vi em um email, a resposta oficial para a Folha foi assim: "Com referência a cobrança do IPTU do Bourbon Shopping Pompéia, informamos que o habite-se foi concedido em 06/08/2008. A partir desta data, com posse das plantas e da documentação do empreendimento, a Subprefeitura enviou o processo completo para SEMPLA / DEUSO para os procedimentos necessários. O mesmo retornou no final de dezembro de 2008 para a Subprefeitura Lapa e, após a junção de toda a documentação existente, ele será encaminhado à Secretaria de Finanças para as providências referentes à cobrança do IPTU devido no exercício, sem prejuízo ao Município".

9 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Achei o máximo este blog, espero lê-lo diariamente...

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  3. Eu n disse q invasão era indústria...

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  4. FAÇA A COISA CERTA: precisamos trabalhar, esta casa noturna a qual se refere é nosso emprego, e somos sim ameaçados por vizinhos, inclusive fomos coagidos por policiais invasivos, sendo que só estavamos fazendo nosso trabalho administrativo, fomos tratados como meliantes, pois se referiam a nós como:(estamos averiguando os suspeitos)pergunto: suspeitos de que? de trabalhar dignamente? averiguando o que? se tenho registro em carteira e meus dados constam na empresa!somos só funcionários que trabalhamos para pagar nosssos IPTU's,IPVA'S e tudo o que mais o governo ou prefeitura mandar! mas sem trabalho como pagar? nas eleições acreditamos no que dizem,porém na hora "H" não é facil assim, percebemos que mandar e fazer fica só no papo! O fato é QUERO TRABALHAR, e os vizinhos de lá, estão com a vida feita eu pago aluguel e luto dignamente para um dia estar com a vida feita como eles, porém sem pisar em ninguem! ajude-nos a trabalhar! achamos mais digno trabalhar do que roubar! A veracidade do que digo é tanta, que a casa esta fechada, e só o
    Adm vem trabalhar e somos obrigados a ouvir piadinhas do tipo:"vai perder o emprego ou esta M... está fechada graças a deus(nome em vão)ou bando de vagabundos vão pra outro lugar" isso pode né? mas ouvimos tudo com firmeza sem reagir, pois não queremos brigas e sim o nosso trabalho! ajudem-nos!

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  5. concordo com a Bell tem muita gente que depende deste emprego amigos(gas) trabalham lá, engraçado vcs falam tanto que o samba está morrendo, e quando alguem quer ressucita-lo, vem um bando de pessoas mal educadas, que acham que grana é tudo e coloca tudo aperder! CADÊ A GALERA DO SAMBA??? vamos abrir esta casa que só nos traz alegrias, não adianta datas comemorativas se na raelidade ninguem luta pela raça! vamos agir, por pra fora nossos objetivos, viver livre, está voltando a era MILITAR! CUIDADO!

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  6. Gostaria de deixar a minha opinião sobre o fechamento de Espaço Santa Clara , em perdizes, acho um absurdo a casa esta em ordem com impostos e taxas e não pode abrir por causa de um baixo assinado de algum grandão que mora próximo a este lugar por perturbar a ordem... Sendo que a casa tem condições totais para funcionar a noite pois tem acústica perfeita, o que pode deixar a casa funcionar perfeitamente...Ocasionando desempregos pois mais de 30 pessoas trabalham na casa. Gostaria que esta casa voltasse a funcionar.. ela é muito boa e tem muita gente descente trabalhando e se divertindo.

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  7. Tambem concordo com a Bell. Sou frequentadora dessa Casa Noturna, acho absurdo fecharem sem motivos relevantes tendo em vista e o que estao falando que a casa esta em ordem com sua documentação. Alem disso, porque entao a Prefeitura de Sao Paulo concedeu o 1o Alvara a casa?????????????? Deveriam de notifica-los com prazo para regularizacao, caso exista algo que nao esteja de acordo com a lei, e pelo que estou sabendo não existe qualquer notificacao judicial ou extrajudicial, assim estao agindo arbitrariamente, nao sei se é por algum motivo alem da lei, mas so sei que sempre a casa sofreu com represarias de pessoas que nao gostam de ver o sucesso de outras, tendo em vista que a Casa era a mais segura de Sao Paulo, em seu quarteirao existiam blitz da policia para impedir qualquer fato que seja tanto da lei seca ou qualquer outra coisa, o que nao vimos em qualquer outro lugar tanta policial no mesmo lugar. So fazemos um apelo, nos ajude a reabrir a casa tendo em vista que sao 134 funcionarios e suas familias que estao querendo trabalhar e nao querendo roubar!!!!!!!!!

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  8. condorco com todos os comentarios que estao sendo mencionados a favor do sta clara.
    pois sou mais uma funcionarioa que trabalho dignamente e tenho registro na minha carteira e pago os meus impostos.
    com a demanda elevada de desemprego venho aqui lhe dizer que esta casa que trabalho a quase doisanos nao deixou de me pagar nen se quer um centavo de que nao fosse de meu direito pelo ao contrario as vezes recebemos ate adiantado que isso hj em dia é raro.
    entao peco em nome de 134 familias que depende do sta clara para sobreviver dignamente que reabram a casa.
    pois nos brasileiro e cidadoes e paulista ja temos pouco lugares em que podenos nos divertir com segurança e tranquilidade como o sta clrara nos proporciona tanto aos clientes como a nós funcionarios.
    só estamos pedindo nosso emprego de volta para trabalharmos dignamente e nao sermos mais um deses miloes de pessoas que vivem na miseria sem ter o que comer só queremos trabalhar e viver.
    diferente de pessoas que nos jugam e fazem a nos falsos testemunhos pois temos muitos vizinhos que frequentam a casa e ja tornaram-se frenquentadores assuduos tarbalhamos e atendenmos nossos clientes como amigos somos todos uma unica familia querendo viver e sobreviver.
    nao levamos de nosso sucesso para pisotiar ninguem só para alegrar o cidadao que pouco hj em dia tem.
    queremos trabalhar e nao roubar sera que quere trabalhar é crime.
    tenho que me sustentar e sustentar minha mae que mora comigo.
    DIGO A VCS VIVER COM DIGNIDADE É O MINIMO QUE PODEMOS VIVER NUM PAIS CHEIO DE DISIGUALDE SOCIAL E HUMANA.PAGAMOS NOSSOS IMPOSTOS E QUEREMOS TRABALHAR PARA CONTINUAR PAGANDO O MESMO.

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  9. Já diria que “O primeiro filho da ociosidade é a pobreza",
    Neste caso nós funcionários do Santa Clara fomos empurrados para o olho do furacão da ociosidade qual será o nosso destino? Enfim, é isso que a nossa vizinha deseja a mais de 134 famílias? Muitos da região pessoas de alto poder aquisitivo e de influências, praticamente os “intelectos” do bairro, discutem em seu café da manhã a crise, mais sequer tem coragem ou dor na consciência ao olhar pela sua janela e verem o que fora feito ao ganha pão dos outros. É meu caro vizinho vc criou a crise para tantas famílias.
    Nós que hoje dependemos 100% do nosso emprego e não temos a sorte de ser um Marajá ou um filinho de papai que não precisa esquentar a cabeça em como pagar as contas no final do mês.
    Além de tudo nós somos obrigados a ouvir e ser motivo de piada no bairro, Senhores e Senhoras tão imponentes “finas” e tem a coragem de apontar e profanar palavras para nos rebaixar, engraçado né? Como podem se intitularem pessoas de respeito se sequer se dão á tal.
    Gente por favor, gente estamos falando da estrutura de muita gente, um pai que vai deixar de proporcionar uma boa escola para seu filho ou até mesmo o que lhe dar de comer, pessoas que moram de aluguel, ou seja, FAMILIAS. Não estamos exagerando emprego não está fácil, principalmente achar uma empresa com caráter humanístico que valoriza cada um dos seus profissionais.
    Não queremos estar inclusos na próxima pesquisa de desemprego no Brasil, precisamos de ajuda, alguém há de poder intervir por nós, cidadões que exercemos o poder nos foi dado há 20 anos atrás na Constituição de 1988, elegemos Deputados, Senadores, Prefeitos Vereadores para nos representar e intervir por nós.
    Gente estamos pedindo o mínimo que deve ser garantido ao cidadão EMPREGO para pagar todos os nossos impostos principalmente começo de ano IPTU, IPVA entre outros.

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