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segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Se fosse na Vila...

Ou: Por que pode ser difícil aplicar a Lei Maria da Penha.

Gritos, correria. Um homem dobrando a esquina, um homem com um tijolo na mão atrás do primeiro, uma menina desesperada atrás. Briga? Assalto. Os vizinhos saindo às janelas se olhavam desolados e aflitos.

Minutos depois, aplausos e assobios vindos do prédio do outro lado da rua: pegaram. A menina chorava de sacudir os ombros, muito nervosa. Não queria que fizessem mal ao ladrão.

***

Aconteceu em uma rua tranquila da Pompeia no domingo de manhã. A menina estava na porta do café onde trabalha, evitando usar o celular na rua. Mas o telefone tocou, ela pegou para atender e foi o que bastou.

***

“Ele é loirinho, de olho claro”. Por alguma razão, isso parecia fazer dele um ladrão ainda mais estúpido. Como se, sei lá, estivesse deixando escapar a oportunidade de fazer algo muito melhor da vida, coisa que não esperariam de um escurinho, talvez.

***

A menina chorava muito, os moradores a acolhiam. Os trabalhadores de uma casa em reforma, que a tinham acudido e perseguido o rapaz, perguntavam, atônitos: “Se você queria deixar ele ir embora, por que passou aqui gritando pega ladrão”?

Quem o alcançou foi o motorista de um carro vermelho; carro meio velho, que a gente já não sabia, naquela corrida maluca, se era da “polícia” ou do ladrão. O garoto fez menção de puxar uma arma, tomou logo um safanão. O perseguidor, contendo a vontade de dar mais alguns; fez o certo: ligou 190 e o levou no carro até a obra, onde aguardariam a viatura.

A menina ficou triste e confusa, “É só um garoto. Eu também moro na quebrada, sei como é”. Conversando e se acalmando, concordou que ele não podia ficar à vontade para continuar causando mal a outras pessoas.

“Quantos anos você tem, arrombado?”, perguntou um dos trabalhadores da obra. “16”. Os colegas pedreiros balançaram a cabeça: “Amanhã já tá na rua de novo”.

“Se fosse lá na Vila...”, disse um deles. Perguntei qual vila. “Penteado. Tava aqui sossegado assim não”. Outro balançou a cabeça. “Ah, não mesmo”.

A polícia não seria incomodada.

***

Os PMs chegaram, a menina foi com eles fazer o Boletim de Ocorrência. Um dos policiais respondeu que ela poderia sim acompanhar os rumos do processo, saber o que seria do rapaz.

Pedi o número do seu zap para depois saber se tinha ficado bem. Ela precisou me ligar, não lembrava o próprio número – celular recém-adquirido, o anterior tinha sido roubado. “Você tem como comprovar que esse é seu?”, perguntou a policial. “Sim, tenho a caixa, tenho a nota”.


(Era só o que faltava).

***

Sofri uma tentativa de assalto em 2009, quando era Subprefeita da Lapa. O rapaz me seguiu em uma rua deserta e escura, me ultrapassou e apontou uma faca de açougueiro: “Celular”. Debati, argumentei, consegui “comprar” meu celular de volta por R$30.

Algumas semanas depois, ele foi encontrado no mesmo lugar, no mesmo horário, com a mesma faca, na mesma tocaia. Ainda assim, fiquei com medo que fosse a pessoa errada. Outras semanas se passaram e fui chamada ao Fórum Criminal. Lá estava o rapaz, que tinha ficado detido aguardando o julgamento. Calça cáqui, camisa branca, cabeça raspada, mãos algemadas atrás do corpo. Estava tudo bem comigo, eu só tinha perdido 30 reais. E passado um medo do cacete, mas já fazia tanto tempo...

Entende? Eu me sentia culpada por aquele rapaz preso. Depois a Justiça me informou que ele tinha sido condenado a três anos em regime fechado. Putz. Será que era caso pra tanto?

“Sonia, ele não era primário. Ele tinha uma faca. Ele assaltou outras pessoas no Terminal Lapa desse mesmo jeito. Duas senhorinhas, inclusive. Essas mulheres ficaram com medo pra vida inteira”. A Lylian levantou a capivara do moço para me “consolar”.

***

Lembrei da história, contei pra moça. É o certo, chama a polícia, cumpre o pacto social: o que ele fez não é certo, tem de haver sanção. "Na Vila Penteado ele teria levado um cacete por roubar uma mocinha". Se aparecesse polícia na quebrada atrás dele por causa de um celular, cacete em dobro pra deixar de ser besta. Nosso papel é acionar o sistema, fiscalizar o sistema, insistir para o sistema funcionar.

Mais tarde ela mandou um zap: ele era fichado e estava em posse de uma boa quantia em dinheiro. Acho que foi pra casa mais aliviada.

***

Um rapaz foi preso “por minha causa”, o outro “por causa dela”. Claro que não, a causa foi eles mesmos, mas é estranho.

Enfim, o subtítulo: entendem agora por que pode ser tão difícil aplicar a parte punitiva da Lei Maria da Penha? Às vezes não queremos “mal” sequer a um ladrãozinho; “se ele ao menos tomasse um susto e aprendesse”, desejamos... Não temos certeza se cadeia é bem o caso; se cadeia vai “dar jeito” na vida dele ou se é lá que vai desandar de vez.

Imagine quando é alguém a quem um dia a mulher quis bem... Alguém a quem ela amou.

Né fácil não, gente.

Precisamos enfatizar os outros caminhos e saídas para mulheres vítimas de violência doméstica, porque a via policial pode ser muito difícil para muitas delas.

“Peçam ajuda”, “peçam apoio”, precisamos dizer a elas. "Bem antes de ser um caso de polícia; para que não chegue a ser caso de polícia". (Mas se precisar, CHAME A POLICIA).

“Ofereçam ajuda”, “não neguem ajuda” (“não julguem, não condenem, não desencorajem”), precisamos dizer a todas as pessoas que conhecem uma mulher que possivelmente esteja sendo vítima de algum tipo de violência. Para que a opressão finde antes de ser caso de polícia.

***

(Se isto fosse uma coluna de jornal, estaria assinado “Soninha Francine, vereadora pelo Cidadania em São Paulo, é relatora da CPI da Violência Contra a Mulher”).

 

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Atire a primeira pedra, ou dispare a primeira arma, quem não pensou

"Mas ela é louca, vai puxar a arma e dizer que é policial em plena favela"?

Absurdamente triste o que aconteceu em Paraisópolis; uma jovem assassinada por pura ruindade e abuso de poder (poder econômico, poder das armas, da sedução e intimidação) no mundo cínico em que vivemos. Em meio a diversas outras polarizações cretinas, há quem torça a boca se dissermos que na favela tem muita gente honesta, trabalhadora e inocente de qualquer crime ("se tomou um tiro, coisa boa não era", dizem de qualquer adolescente baleado), e quem não admita que se diga que o crime reina na favela.

Os muitos trabalhadores das favelas são reféns permanentes dos bandidos e vítimas ocasionais (ou, conforme o caso, frequentes) da polícia. Quem manda no Moinho, em Paraisópolis, na Rocinha e na Maré é o crime, em várias de suas vertentes - traficantes, milicianos, lideranças corruptas mancomunadas com uns e outros. O trabalhador é "protegido" e ameaçado pela bandidagem o tempo todo - e às vezes a polícia aparece para "ajudar" e dá merda pra ele, eu sei. Que tiro foi esse?

Nós da esquerda não podemos, de jeito nenhum, falar da violência na periferia como se fosse só obra de policiais despreparados, mal comandados ou mal intencionados. Essa é uma das razões pelas quais tantos nos odeiam, odeiam a expressão “direitos humanos”. Fazemos o mesmo que bolsonaristas, mas no outro extremo: se um PM morre assassinado, ouço supostos humanistas e progressistas dizerem “bem feito”, “se fosse bom não seria polícia”, “a periferia tem motivos para odiar policiais”. É o simétrico perfeito de quem acha que um “drogado delinquente” executado por justiceiros mereceu a sentença de morte, que um jovem baleado em baile funk não devia estar naquele lugar naquela hora etc, que os cidadãos têm motivos para atirar primeiro e perguntar depois se um favelado aparece na sua frente.

O crime é opressivo, autoritário, nocivo, nojento. “Ah, mas o Estado maltrata as crianças e os jovens, o capitalismo já matou muitos”... Porra, e o PCC não? Tudo bem recrutar jovenzinhos e moer eles de porrada se fizerem alguma coisa errada, tocar o terror nos becos e vielas, decretar leis medievais, decidir quem entra e quem sai, quem tem direitos e quem não tem?

Eu não acho que a violência policial é feia mas o crime organizado é bonito. Coitado do trabalhador favelado que precisa correr dos bandidos escrotos, fardados ou não.

**Postagem original no Facebook em 7 de ago de 2018 20:45

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O que defendo para as MULHERES


O que eu defendo para as MULHERES:

- Nenhuma criança sem creche ou cuidado.
- Educação e cultura contra a discriminação e a violência.
- Iluminação pública e zeladoria decentes na cidade toda, para mais segurança.
- Mais Centros de Referência e Casas-Abrigo para vítimas de violência.
- Apoio às Mães de Desaparecidos.

Comentários:
 
1) Não haverá, no curtíssimo prazo necessário, vagas em creches públicas para todas as crianças. A demanda não atendida é descomunal. O poder público não tem o direito de atender uma parte das mães e deixar as outras à própria sorte - acredito que temos o dever de pagar "bolsas" em escolas particulares ou cuidadoras.
2) Não vamos chegar a um mundo mais pacífico e seguro para nossas mulheres enquanto o "pancadão", por exemplo, for a única alternativa de lazer para muitos - defendida inclusive como "cultura da periferia" a ser respeitada e preservada, enquanto o funk trata mulheres como cadelas.

3) Atravessar passarelas e locais de mato alto escuros e desertos trazem terror para todos, mulheres em especial. O item seguinte também fala por si.

4) O tema dos Desaparecidos merece toda a atenção que formos capazes de dispensar - até porque prestar atenção é o melhor recurso de que as pessoas dispõem. Homicídios aparecem no noticiário, resultam em comoção e solidariedade. Desaparecimentos não... E mães vivem em desespero permanente sem amparo.

Esse é apenas um resumo do que pretendo defender (uso essa palavra porque "fazer" muitas vezes não se aplica ao trabalho de um vereador). Mulher é uma pauta que inclui Moradia, Educação, Saúde, Assistência Social, Segurança, Geração de Renda, Crianças, Adolescentes, Jovens, Adultas, Idosas, Pessoas com Deficiência, Cultura, Esporte, Lazer - TUDO.

Existe um outro post em que reuni a síntese das propostas das minhas cinco pautas principais nesta campanha: Mulheres, LGBT, População de Rua

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Trumps, Bolsonaros e Estado Islâmico - tudo a ver

Quando eu era pequena, não conseguia entender como é que alguém "reivindicava a autoria" de um atentado terrorista. Minha mãe tentava explicar que era a assinatura de um gesto político, a transmissão de uma mensagem etc, mas eu não entendia como uma pessoa ou instituição podia querer se gabar de ter perpetrado um horror. (Minha mãe não esperava que eu aceitasse, só queria que eu soubesse o que se passava na cabeça de homens-bomba, sequestradores etc).

Agora há uma disputa imoral, insana e inimaginável: o Estado Islâmico (ou ISIS, como é chamado em outros países) jura que o ser humano doente que atirou dentro da boate em Orlando agia em seu nome. As forças antiterroristas talvez estejam se debatendo sobre como reagir a isso: admitir que o ISIS realmente pode somar essas mortes às outras que chama de suas ou negar a eles esse prazer.

***
Há quem chame grupos extremistas, terroristas e assassinos de "fundamentalistas". ERRADO. Ou de "radicais" - errado também. Essas não são organizações que lutam pela implantação dos fundamentos verdadeiros das religiões que dizem professar, ou que praticam os ensinamentos sagrados com radicalidade.

Radical é dizer "morrer se preciso for; matar, nunca" (Marechal Rondon).

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O mundo não precisa de mais ninguém que incentive o ódio. As pessoas já justificam o seu (ódio) de várias maneiras... Mas lideranças políticas e "religiosas" fazem o (des)favor de ensinar que seus liderados podem excluir da lista de pessoas que têm o direito de existir aquelas que não vivem como eles acham que deveriam viver. Pregam a intolerância em nome de Deus; o ódio em nome de Jesus Cristo.

Pelamordedeus!!!

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Os adeptos de Trump são capazes de dizer: "Tá vendo como precisamos fechar as fronteiras para nos proteger?" (mais ou menos o que ele mesmo disse em seu tuíter). Odeiam todos os muçulmanos assim como os deturpacionistas islâmicos odeiam todos os estadunidenses. E não é só isso que têm em comum: odeiam estrangeiros de um modo geral, odeiam os 'infiéis" que seguem outras religiões, odeiam mulheres e pessoas LGBT.

Não duvido que haja anti-muçulmanos trumpistas dizendo alguma merda do tipo "aqueles ali bem que mereciam morrer".

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Os eleitores de Hillary podem dizer: "Tá vendo onde seu discurso de ódio pode nos levar??".

Os apoiadores de Obama podem dizer: "Tá vendo como vender armas absurdamente letais com ridícula facilidade ridícula pode nos destruir"?

Essas duas perguntas são as que eu faço.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Você sabe quanto custa o gás?

Um botijão vazio sai por R$160,00.

"Tem até por $20, mas aí não compro não", disse a Nena, da Associação Futuro Promissor.

"Não dá pra se arriscar comprando alguma coisa meia boca, né?".

"Não é por isso não, é porque é roubado".

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Foi a única que se preocupou com isso. Uma liderança comunitária digna de medalha de honra ao mérito. Não que outras mais "flexíveis" não tenham também muito valor, mas quando você teima em certos princípios (tipo "não recorrer à bandidagem"), a maratona vira prova de IronMan.

TODO mundo pra quem perguntamos se tinha botijão vazio para doar ou emprestar respondeu: "Você encontra por R$40/R$20/na Feira do Rolo".

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Por coincidência, ontem vieram pedir ajuda para conseguir um botijão de gás duas mulheres que não se conhecem mas estão exatamente no mesmo pé: acabaram de se separar de maridos violentos e estão recomeçando do zero. Ou melhor, precisam se esforçar para chegar ao zero, inclusive porque ficaram com filhos para cuidar sozinhas (grande novidade).

As duas são lá da ZN de São Paulo: Brasilandia, Cachoeirinha, por ali.

Uma apanhava do marido a torto e direito. Trouxe o irmão do Rio Grande do Norte para ajudar na sua proteção, mas ele "entrou na pedra e ainda batia nela junto com o marido". Se ela denunciasse, ele "acabava com ela". Uma vizinha pediu socorro onde sabia que ia encontrar: no crime. Deram um pau no cara, juraram, ela se viu livre do traste mas está sem nada. Consegue uma coisa daqui, outra dali, agora precisa de um botijão de gás.

A outra "fez o marido, assim dizer: ela carregou a pizzaria nas costas. Se hoje ele tem alguma coisa, é por causa do trabalho dela". Ele também "batia feio" na mulher, "até na frente dos clientes ele humilhava ela". A muito custo conseguiu se separar, mas ficou apenas com um imóvel ~gentilmente~ cedido em um predio simples no Jardim Paulistano e o filho. De resto, NADA NADA NADA. "A roupa do corpo". Algumas coisas já conseguiram, mas o bendito botijão de gás ainda não.

- Ela tinha que por ele no pau. Nem pro filho ele dá nada?!
- Ele diz que mata ela.
- Claro que diz. Foda-se, vai pra cima.

Não, Sonia, você não está entendendo. Não é aquele falar grosso de homem folgado que ameaça a mulher para que ela se encolha (o que já é bem grave). "Ele fala pra ela: Já matei uma, não me custa nada. E matou mesmo a ex-mulher dele. Era quando ele tava na cadeia que essa montou e manteve a pizzaria que hoje sustenta ele. Fora as casas de aluguel que ele tem".

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Bom, se alguém tiver um botijão de gás para doar... Manda um email que a gente dá um jeito de ir buscar: rp@soninha.com.br

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(No bairro onde eu moro tem gás encanado. MUITO mais barato, MUITO mais prático. Será que existe alguma meta de canalização para a cidade toda??)

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Se não combinarem com ele, não vale. (Se combinarem, vale tudo)

“É absurdo prejudicar a população com uma paralisação que não foi informada”, “cujos motivos, juntos ou injustos, são desconhecidos”, “cujas lideranças não se identificam”. (HADDAD, Fernando - entrevista coletiva convocada (!)¹ para falar sobre a paralisação no serviço de ônibus).

Ah, para.

Paralisações não informadas acontecem o tempo todo. Quando as autoridades solicitam (ou exigem) que manifestações sejam avisadas com antecedência, PT acha um absurdo, “e o direito de livre manifestação”?

Os motivos nem sempre são conhecidos... Às vezes, nem mesmo pelos manifestantes. Já foi demonstrado, provado e comprovado que muitos são conduzidos à Paulista em troca de um lanche e um trocado não sabem nem pra que, e os Sindicatos acham “legítimo”.

Os motivos verdadeiros nem sempre são os declarados. “Queremos qualidade na Educação”! Mentira, queremos f. o governo. “Queremos preservar a autonomia universitária”! Mentira, queremos f. o governo. E se tiver que f. a população junto, azar. Ou melhor, tem que f. a população para produzir os resultados esperados!

Qto às lideranças... Ah, as lideranças. “Movimentos sociais independentes” são liderados por assessores parlamentares. Tem despesas pagas (carro de som, faixas, o bendito do lanche) por vereadores e deputados. Trabalhadores, pessoas afetadas por desocupações e participantes de ocupações são manipulados por malandros de todos os tipos. Os que querem constranger o governo e tão nem aí para o benefício ou malefício das pessoas. Os que querem ganhar dinheiro. Os que querem manter seu negócio funcionando nos becos de um fim-de-mundo qualquer.

E quando não há identificação nem lideranças, como os Black Blocs? #Comofaz? Se eles avisarem “vamos sair quebrando tudo”, aí tudo bem?

***
Os líderes do movimento que desmatou uma área grande de preservação ambiental para instalar 8 mil famílias pararam várias vezes a Zona Sul. Manifestações assim são comuns: fecham a avenida, botam fogo em pneu, tacam paus e pedras em quem tentar liberar a passagem, agora tacam fogo em ônibus, viaturas e carros em “dois palito”.

O prefeito não condena.

Não diz que “foi sem avisar, não sabemos os motivos e não identificamos as lideranças”.

Pelo contrário.

Quando pararam o centro da cidade e se instalaram na frente da prefeitura, o prefeito desceu do gabinete, subiu no carro de som e fez um monte de promessas mentirosas e irresponsáveis. Criminosas. “Vão lá pressionar os vereadores a alterar o Plano Diretor que eu libero a área pra vocês”.

***
Eu não conheço a genealogia do Sindicato dos Motoristas (“Fulano é de Sicrano, Beltrano é do inimigo de Sicrano”). Tem gente que sabe direitinho: “João é do Tatto, José é ligado ao PSTU”. Seja lá o que for, CLARO que a briga entre as lideranças sindicais está por trás dessa paralisação. Duh. Mas sei lá qual é a da direção do Sindicato. Será pelego? E a da oposição do Sindicato, é pior ou menos pior?Cer-te-za que uns e outros são uns anjos, que ja-mais abusam de sua força, dinheiro e poder.

Os grevistas aqui dizem que “eles (a direção, insinuando conluio com as empresas e a prefeitura) anteciparam a Assembleia à revelia para aprovar o que eles queriam”. Não vi um cazzo de um jornalista tentar averiguar isso. Fica, pra variar, no “um falou isso, outro falou aquilo”.

***
(Também fiquei sem saber quem era quem na greve dos garis do Rio, que diziam discordar do que o Sindicato tinha negociado em nome deles. Quem era o filho-da-p. da história, o Sindicato ou a dissidência ou o governo ou tudojuntoemisturado)

***
TODA greve de ônibus f. a população. Não avisar piora, mas é impossível não complicar muito a vida de milhões. Se fosse greve convocada pelo Sindicato, o transtorno pra população seria menor? Só seria diferente. Em vez de chegar ao ponto e descobrir que parou, já ia sair de casa duas horas mais cedo sabendo que ia parar...

O problema do Haddad NÃO É o transtorno. Isso ele aceita, até defende, desde que estejam “do seu lado”. O problema é que essa greve é de um serviço público municipal, ou seja, “contra a prefeitura”. DAÍ ele vem dizer que não é justo, não é assim que se faz. Vai falar isso lá pra CUT que eu quero ver.

*****
¹ O espanto com a convocação foi a rapidez com que o sempre sumido Haddad veio a público se manifestar. Mas ele não é louco de ir a campo, dar as caras em público e enfrentar o quebra-queixo, isto é, aquela roda de repórteres de rádio, jornal e TV se acotovelando em volta dele no momento de tensão. Haddad é que nem jogador de futebol, só fala sentado na bancada, na frente de um backdrop, com a entrevista sob controle.

quinta-feira, 27 de março de 2014

"Maconha ainda dá cadeia"?

(Escrevi ontem de manhã, quarta, no Face)

Todo mundo muito louco na discussão sobre o que diz a atual Lei de Entorpecentes sobre maconha. Inclusive jornalista que, pra variar, nao se deu ao cuidado de ler o texto da lei.

Não, porte de maconha para uso proprio nao da cadeia. Mas a policia, se pegar, nao pode fazer vista grossa, sob pena de depois aparecer na televisao em cameras de segurança e dizerem: "A 500 m de uma escola e os policiais nao fizeram nada".

Entao eles tem de fazer. Seja na Pompeia, na quebrada ou no campus da universidade. Em qqer um desses lugares pode até haver uma tolerancia por omissao deliberada... "Vamos mandar as viaturas para coisas mais urgentes".

Na minha rua, fuma-se muita maconha sossegadamente e nao é possivel q ninguem saiba. Alguem ja reclamou no Conseg. Algum vizinho ja reclamou no 190. Aí uma noite passou la uma viatura e enquadrou um casalzinho. Super educados, sem tapa na cara, ameaças, humilhaçao, good cop x bad cop, revista com apertao nos testiculos ou cassetete entre as pernas.

Deu dó. Do casalzinho, que estava tao quieto, sentado na guia, fazendo mal no maximo a si mesmos (fora o fato de que o dinheiro foi para o crime e seria mil vezes melhor q eles pudessem comprar dentro da lei. Do desperdicio de tempo da PM e da Civil.

Voltamos ao Campus. Onde o pessoal da quebrada diria que "só tem burguesinho". Que não é um Vaticano, um território com suas próprias leis. Onde a garantia de liberdade para atividade acadêmica não inclui exceções à legislação vigente.

Entao os usuarios flagrados nao seriam "presos", como disse o Bom Dia Brasil, mas detidos. No "vulgo" é a mesma coisa, mas jornalista tem obrigação de saber e fazer a distinção.

O usuário não vai ser submetido a julgamento e talvez condenado à prisão. Vai assinar, se nao me engano (preciso reler a lei), um Termo Circunstanciado, que é "menos" que um Boletim de Ocorrência.

Entao a discussao nao é "a policia decide na hora se é pra uso proprio ou trafico", mas o usuario tb tem de ser conduzido ao distrito. Pobre, classe media ou rico.

Sou a favor da legalização da produção e comercio e vejo a situação atual como um Frankestein. Nao pode plantar pra consumo proprio nem comprar em estabelecimento com CNPJ, nota fiscal e licença de funcionamento, o trafico vai continuar abastecendo o usuário.

Eu nao me canso de debater esse assunto onde quer que seja, na Luciana Gimenez ou no Senado. Espero q outros q tb pensam assim tenham cada vez dar mais a cara a tapa. Nao do policial na esquina mas em sentido figurado.

***
PS(escrito hoje, quinta-feira):

Estudantes ocuparam a reitoria da Universidade Federal. Não terão a solidariedade de petistas dessa vez, porque não é uma universidade estadual em São Paulo... A Polícia Federal foi quem chamou o Batalhão de Choque da PM para conter o tumulto no Campus. A Polícia Federal "da Dilma"; a PM "do Raimundo Colombo", governador de SC que deixou o DEM para ir para o PSD e ser base da Dilma. A quem ele é "muito grato" pela imensa transferência de recursos federais para o estado - como se fosse um favor, um gesto de carinho da presidente.

Os invasores (ou ocupantes) da reitoria exigem que a polícia seja proibida de entrar no campus. Já disse isso quando era na USP, digo novamente: o Campus é ou não é um espaço público? Polícia pode agir no mundão aqui fora, mas o Campus tem segurança exclusiva? Não tem um diacho a ver a presença da Polícia Militar com a repressão militar à liberdade de pensamento e a autonomia universitária. A PM pode agir certo ou errado, no morro de São José ou na Campus da Federal, e o errado tem de ser combatido. Mas roubo de carro, assalto, agressão, estupro são as ocorrências que queremos evitar e razões pela qual o Estado tem forças policiais, a quem delega o poder-dever de combater. Querer tratar campus como um condomínio com segurança exclusiva é algo com que não concordo.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Violência não. Linchamento não. Quebra-quebra não. Fogo em ônibus não

Publicado em 10 de fevereiro, no facebook

Digamos que uma pessoa "ligada ao deputado Marcelo Freixo" tenha mesmo procurado o advogado do Flavio Raposo para ver se ele precisava de assistência ou apoio - daí a querer implicar o deputado no ataque ao cinegrafista vai uma Dutra de distância.

Centenas de pessoas podem se dizer ou serem consideradas "ligadas" a um deputado. O que não quer dizer que ele apoie, aprove ou deva responder pelas atitudes de todas ou cada uma delas delas.

Se o deputado defender ou, pior ainda, incitar violência, irresponsabilidade, vandalismo etc, aí eu concordo que seja questionado quanto a isso. E não faço distinção quanto ao alvo das agressões - manifestantes, policiais, jornalistas, brancos, negros, gays, crentes, jovens da periferia, coxinhas ou burgueses. Se quem arregaça os dentes e aplaude violência é um Bolsonaro ou petista, por mim tanto faz.

Mas me surpreenderia e decepcionaria muito saber que o Freixo é do tipo que acha graça em "fuck the police" ou "morte à Rede Globo". Como disse, apologia à violência é um perigo que me sinto obrigada a condenar. Já é suficiente que pessoas achem que as pessoas do outro lado mereçam morrer. Não precisa estimular.

Os deputados, os movimentos sociais, os sertanejos, roqueiros e funqueiros, todos aqueles que tem influência sobre um numero grande de pessoas tem de advogar em nome do respeito a um pacto social minimo que nos possibilite a convivência neste mundo: violência não. Linchamento não. Quebra-quebra não. Fogo em ônibus não, pelo amor de deus, não.


***
A "legítima defesa" ou "foram eles que começaram" é argumento usado por quem justifica linchamento, milícia, policial violento, bombardeio dos EUA a país "inimigo", tortura em delegacia, atentado suicida etc. Quem morre no caminho é "dano colateral". NÃO PODE continuar assim. Não há limites para quem participa ou aplaude um dos lados em escalada de violência. Por muito menos, tipo um grafite apagado em um muro, vozes libertárias se erguem contra a "barbárie". Ou as pessoas não-violentas condenam espancamento por ou de policiais, vitrines depredadas e ônibus incendiados, balas de borracha ou morteiros disparados a esmo, ou a sociedade marchará cada vez mais para um horrendo salve-se quem puder.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Tudo errado, todo mundo errado...

... na greve de professores no Rio:

1) A Polícia Militar

Comete os erros mais visíveis, como usar spray de pimenta quando não há ameaça que justifique e disparar bala de borracha, essa coisa cretina que não serve pra nada a não ser causar ferimentos graves em alguém atingido meio ao acaso.

Aliás, a PM do Rio parece paródia do Tropa de Elite - 2. O caso Amarildo repercutiu MUITO POUCO. Um crime bárbaro, hediondo, envolvendo muitos policiais, inclusive de patentes mais altas (um Major?!).

Quando houve o famoso caso da Favela Naval em Diadema, muitos anos atrás, o mundo parou para vermos e revermos aquilo, chocados. Entrevistando um representante da PM no estúdio do Bom Dia Brasil, Renato Machado não se aguentou quando ouviu dele que era "um caso isolado". Puto, reagiu: "O sr me desculpe, mas todos nós sabemos que esse não é um caso isolado. A diferença é que foi gravado".

E no Rio???

2) Os manifestantes mascarados

Os Black Blocs tem a prepotência de acreditar que, sem eles, protestos não servem pra nada. "Se não houver destruição, não sai na mídia". Ainda que fosse (seja) verdade: justifica? Destruir orelhões, vitrines, placas, agências bancárias, bancas de jornal, lixeiras etc para sair na televisão é legítimo?

3) Os grevistas

Bom, eu já acho péssimo greve na Educação e na Saúde. Entendo que é o último dos últimos dos últimos recursos. E olhe lá. Como paralisar o atendimento em Saúde? Como deixar crianças semanas sem escola?

No caso, os professores entraram em greve porque não concordam com o plano de cargos e salários apresentado pelo prefeito na forma de Projeto de Lei, que é como tem de ser. Direito de discordar? Claro que tem. De dizer "ou sai do jeito que queremos ou ninguém tem aula por tempo indeterminado"? Não. Isso não é mobilização e pressão, é coerção.

O plano tem defeitos, ô se tem. Mas ainda preferiria mil vezes que eles se manifestassem sem parar as aulas.

4) O prefeito

"Os grevistas são do PSOL, partido que derrotei na última eleição". Provavelmente ele tem razão - muitas greves tem "filiação partidária". PSOL, PT e PSTU são os partidos que mais comandam sindicatos importantes de servidores públicos e muitas vezes fazem greve para emparedar e enfraquecer o governo, mais do que para garantir direitos e conquistar benefícios. Há casos em que mudam a pauta das reivindicações com o tempo, aumentando-a cada vez mais. Fazem reivindicações impossíveis de atender, como "60% de reajuste". Condicionam a volta ao trabalho à "melhora da educação pública".

Como tem grande poder de organização, aumentam o número de manifestantes com apoiadores solidários - trabalhadores de outras categorias, estudantes, assessores parlamentares, filiados ao partido de modo geral. Às vezes até com "manifestantes profissionais", que comparecem porque foram pagos para isso.

Ok.

Mas afinal, o que a prefeitura propõe, custa dizer. E daí que o PSOL foi derrotado na última eleição? Democracia é assim - tem eleição e alguns são derrotados. Só não tem derrota quando não tem disputa. Tratar o partido derrotado como "loser" é ridículo.

5) A imprensa

Ah, essa não tem jeito.

O QUE estabelece o projeto de lei do Plano de Cargos e Salários? Qual é o resultado prático disso para os professores que já estão na Rede Municipal e os que vão entrar nos próximos anos? Qual o impacto no orçamento do município?

O QUE reivindicam os professores? Do que eles discordam e por que? O que seria viável entre suas demandas?

Esquece... Ela só vai mostrar cenas de confronto do lado de fora, as palavras de um, as palavras de outro. Quem quiser informação que se vire para conseguir.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Carioca Buarque

"Nós, da Zona Sul, tomamos conhecimento do que acontece na favela pela proximidade, sim, mas isso gera sentimentos ambivalentes. A gente tem até familiaridade com os moradores das favelas porque muitos deles trabalham como porteiros, empregadas domésticas, garçons. Mas a proximidade também gera um pânico que é constante. A gente ouve o barulho de tiro o tempo todo, a gente se acostuma (...). É diferente de São Paulo, daquela vida fechada nos condomínios, onde os bairros dos Jardins estão bem distantes da periferia. Aqui o sujeito sai de casa e vê o pessoal do morro por ali... E o barulho dos tiros... As pessoas da Zona Sul já sabem até identificar o tipo de arma pelo barulho do tiro... Esse é de fuzil, esse é tiro traçante... Já sabem do AR-15".

"Tudo isso gera no Rio uma tensão muito grande. É terrível, doloroso ter isso presente, é viver num alerta constante, e ninguém pode se alienar desse problema, não há lugar seguro, não há condomínio que possa fazer uma barreira contra tiroteio, o barulho chega lá e o medo também".

"Eu moro perto do morro Dois Irmãos. Vejo o morro e penso que não posso me levar tão a sério ao pé daquela montanha".

 "Na minha infância, no Rio dos anos 50, havia uma convivência muito natural entre a classe média e a gente pobre. Essa convivência se fazia na praia, no futebol e na música. No tempo do Beco das Garrafas os pianistas, todos brancos, tocavam junto com percussionistas, todos negros, e a música que faziam era a mistura do samba tradicional com elementos vindos de fora do país, um tanto do jazz americano, um pouco da chanson francesa. Essa convivência estava na música de Villa-Lobos, que misturava erudito e popular, ele conhecia muito Pixinguinha, adorava chorinho... E esse contato estava na música porque estava também no cotidiano da cidade. Ainda garoto, eu subia o Morro da Babilônia para soltar pipa e ver a paisagem lá do lado. (...) Não havia hostilidade. Não havia o tráfico de drogas, que criou essa tragédia carioca".

(No Chile, discute-se atualmente a flexibilização da lei antidrogas. É um tema a se discutir aqui também?)

Eu tenho uma canção que fala disso, de sonhos impossíveis, de um Rio onde maconha se compra na tabacaria e drogas, na drogaria. Mas talvez não seja tão impossível assim pensar nisto. Ao contrário, vai haver um momento em que teremos que discutir isto. Se as drogas são um flagelo, o tráfico é muito pior. (...) O Rio virou entreposto de cocaína e aqui você vê garotos cheirando e vendendo cocaína aos 7 anos. Isso não existe nos Estados Unidos e na Europa (...)"

"No começo do governo Lula, quando Márcio Thomaz Bastos foi nomeado ministro da Justiça, tive esperança que este assunto fosse levado a debate. Eu me lembro que ele era a favor da descriminalização da maconha. E depois não se falou mais nisso..."

Subúrbio [trechos]
Letra e música de Chico Buarque

Lá não tem brisa
Não tem verde-azuis

Fala Penha, Irajá
Olaria, Acari, Vigário Geral
Piedade
Casas sem cor
Ruas de pó, cidade
Que não se pinta
Que é sem vaidade

Lá não tem turistas
Não sai foto nas revistas
Lá tem Jesus
E está de costas

Fala Maré
Madureira, Pavuna
Fala, Inhaúma
Cordovil, Pilares
Espalha tua voz
Nos arredores

Fala Penha, fala Irajá
Fala Encantado, Bangu, Realengo
Meriti, Nova Iguaçu
Fala, Paciência

(Chico, entrevista pós lançamento do CD "Carioca")

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Cinquenta tons de cinza

"Vai de metrô até o Brás, pega o trem sentido Estudantes e desce em Ferraz. Até a escola dá 1km e pouco, uns 20 minutos de caminhada".

Trem sentido Estudantes = igual a embarcar no de Guianases, baldear e pegar o que vai pra Estudantes. Mas isso só se desobre perguntando, porque a sinalização da CPTM no Brás continua ruim :o/

***
Íamos andando até a escola (eu e um amigo fotógrafo), mas estávamos de pé há horas com sacolas pesadas, então resolvemos pegar um táxi. Que não reconheceu a rua pelo nome, mas quando a gente disse que era "no São João, uma escola de estado", ele nem perguntou mais nada, "sei".

Tomara soubesse mesmo. Até porque, se dependesse de mim para informar o nome da escola, esquece.

***
"Não tô sequestrando vocês não", brincou, enquanto se enfiava em uma quebrada escura, pouco habitada, mato alto. Mas ali, no meio do mato, no alto do morro, estava a escola. Uma senhora muito expansiva e sorridente, com jeitão de gente finíssima (e no fim era mesmo) gritou para dentro do carro "é aqui mesmo".

Desci; ela ralhava em tom de gozação com um rapaz alto, com ar malandro mas mais atrapalhado que agressivo: "Jogou o cigarro no chão, Gabriel? Pô, Gabriel". Depois descobri que ela é a diretora. 

***
Escola de estado tem tudo aquela mesma cara... A cor das paredes, o piso, as dimensões do pátio, as escadas. Mas essa é bem ajeitadinha. Limpa (diz que depois da saída do turno está suja de novo, mas é assim também na PUC...). Portas, janelas, latas de lixo, sala dos professores, murais... Tudo bem cuidado.

Gostei da diretora, dos professores, dos funcionários. Simpáticos, animados, "descolados". E compreensivos. O portão não fecha rigorosamente às 19h00, porque eles sabem que é difícil chegar ali, principalmente para quem trabalha.

Mesmo assim... Depois de fechados os portões, muitos alunos pulam o muro... pra sair. E é alto.

***
A quebrada é feia mesmo. A escola tem um acordo com os bandidos: "da esquina pra lá", eles fazem "o deles". "Da esquina pra cá", não. É espaço da escola.

Eles respeitam.

Mesmo assim, na saída do "merendeiro" (geralmente é mulher, né?) na segunda à noite, mal ele botou o nariz pra fora do portão, encostaram dois garotos armados e levaram a moto. A polícia apareceu rápido e recuperou. O mais triste: "Eram ex-alunos. Com certeza tinham comido do que ele preparou. O que dá nessses moleques?". E fica a dúvida de por que eles não respeitaram o acordo e se serão punidos pelo tráfico.

***
A Secretaria de Cultura está organizando um festival com eliminatórias e tudo entre as escolas da cidade. Os alunos estão exultantes. A diretora, compreensiva mais uma vez, autorizou os meninos a sair de alguma aula, se o professor permitir, para ensaiar. "Não tem a menor chance de eles conseguirem se encontrar fora daqui".

Eu lembro quando a gente era liberada, no Colégio, para ensaiar, treinar, passar nas classes dando recado... Ô delícia.

***
O prefeito foi lá e falou sobre o estado lastimável em que encontrou a cidade. MUITA conta sem pagar, muita corrupção, prefeitura destruída. Foi lá o "dedo de silicone", lembra? Pois é, dá pra dar uma ideia... A diretora não se surpreendeu nem um pouco. Moradora antiga da cidade, filha do primeiro prefeito que Ferraz teve (foi emancipada não faz muito tempo), comentou enquanto tomávamos suco depois da minha palestra: "A gente sempre dizia "coitado do prefeito que entrar agora"."

***
"O Laudo Natal era o governador. Ele asfaltou muitas ruas e mandava os paralelepípedos pra cá. Foi assim que foi feito o primeiro calçamento aqui, quando meu pai era prefeito".

 Não acreditei! Quando fazem capeamento e recapeamento jogando asfalto por cima dos paralelepípedos - isto é, SEMPRE - fico indignada. Que desperdício!! Uma vez, quando era Subprefeita, perguntei se não tinha jeito de primeiro retirá-los, depois fazer o contrapiso e finalmente a "cobertura asfáltica". Riram da minha cara.

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Contei para o Sergio Avelleda, ex-presidente da CPTM, que fui falando bem do trabalho dele no caminho. Em pouco tempo (uma gestão), aquela linha que corta a ZL melhorou muito. Era horrível. O Portela (ex-Secretário de Negócios Metropolitanos) falou no dia em que foi empossado: "Linha F é nossa prioridade. Mandei todo mundo que vai trabalhar comigo dar uma volta nela pra ver como ela está horrível). Chamei a atenção do meu amigo fotógrafo, carioca que mora há 15 anos em São Paulo, para os trens novos, os reformados, as estações idem... Os bicicletários, os muros derrubados... Falei que o presidente pegava o trem regularmente e que isso faz muita diferença...

Pensa que o Avelleda ficou envaidecido com os elogios? Como bom fanático pelo que faz, inevitalmente frustrado, respondeu um pouco trsite: "Putz, aquela estação de Ferraz já era pra estar pronta".

***
Enquanto estávamos na sala dos professores, um menino entrou procurando revistas para fazer uma atividade em sala de aula. Não tinha nenhuma.

Eu guardo tanta, mas tanta revista para alguém usar em sala de aula... Minha mãe sempre fazia isso; sempre tinha que recortar umas fotos, colar no caderno, fazer um cartaz... Com "cartolina branca, cola branca lavável, canetinha hidrocor". Já não tenho criança em casa, vou ver se mando umas pilhas pra lá.


***
A sala estava cheia de cartazes da Apeoesp, convocando para a manifestação de hoje na Paulista, xingando o governo de tudo quanto é nome. Sem que eu perguntasse, a diretora disse "eles vieram aí, pediram para colocar, claro que eu deixo". A professora que era minha anfitriã, que foi quem inventou de me levar lá, disse "Tem coisa que eles tem razão. Eu sou classe O. Tinha cinco quinquenios pra receber. Veio o senhor Serra e o senhor Paulo Renato e cortaram tudo. Não respeitaram direito adquirido! Eu encontrei o Serra uma vez em um evento quando ele ainda ia ser candidato a deputado. Ele me deu um quadro do Chaplin. Fiquei com tanta raiva dele que taquei fogo no quadro. E eu amo o Chaplin".

Ele tem um "certo" talento para exagerar na dose da austeridade... É f. Corta privilégios, bota ordem em algumas zonas mas no caminho atropela um monte de gente boa :o/

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Perguntei para os meninos do Ensino Médio no auditório improvisado (eles desceram com as cadeiras da sala de aula) quantos já sabiam o que queriam fazer depois da faculdade. Uns 80% levantaram a mão. Fui tentando adivinhar os cursos: Direito, Medicina, Nutrição, Psicologia, Engenharia, Rádio e TV, Gastronomia... Tinha mão levantada para todos eles.


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No caminho da Câmara para o Metrô (fui pra Ferraz depois da reunião da CCJ na quarta-feira), encontrei um líder muito bacana lá de São Miguel. Ele foi o responsável pela reforma (ressurreição...) do Mercado de lá, que estava um lixo. "Sabe quando você faz uma licitação? As pessoas se inscrevem, né? Lá não. A gente pra licitar os boxes tinha de ir atrás laçando interessado. Nem meu irmão quis entrar. Hoje, vai ver quanto vale um ponto daquele. Agora meu irmão brinca que ele devia ter entrado. Olha, ainda bem que não entrou, senão já iam falar que tinha coisa". Gente boa demais, verdadeiramente preocupado com o seu pedaço de mundo. "Vão inaugurar a estação nova em um lugar muito bom. Mas o comércio que ficava no caminho da estação velha vai ficar largado! A gente tem de pensar em alguma coisa para aquele pessoal ali!".

Conta que ajudou muito um vereador que hoje é Secretário. "Arrumei muito voto pra ele ali. Depois comecei a ver como é que ele trabalha... Não quero mais saber dele não". Eita nóis.

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Na volta, peguei um táxi na Luz e o motorista me reconheceu. Gosta muito de mim. Odeia o Serra. Foi exonerado da Febem depois de ser acusado de tudo de ruim - agressão, tortura. "Foi pessoal. Me pegaram pra Cristo. Absurdo, um processo que levaria pelo menos dois anos foi concluído em quatro meses. Coisa da Berenice, que está lá até hoje. Agora tô aqui, atrás do volante".

Não tem tanto bode do Alckmin. Diz que "hoje em dia, não tem mais esquerda, nem direita. O que tem é situação e oposição". Tem medo dessa "aproximação do PT e do PSDB".  Eu disse "não se preocupe, ano que vem eles vão estar um contra o outro tentando se matar".

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Simples o mundo, né? Preto e branco.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Ai Brasil

Educação de qualidade (De qualidade baixíssima)
Alunas brigando dentro de sala de aula no interior de São Paulo

Uma adolescente é jogada no chão e continua sendo agredida, o professor fica olhando meio sem saber o que fazer (ou sem querer fazer nada, não dá pra ter certeza), alguém grava a cena no celular.

Futuros médicos
UFRJ vai investigar trote violento (nojento) na Faculdade de Medicina

Fotos postadas no Facebook da empresa TGF eventos, que ajudou a organizar o trote, permitem conferir um pouco do que aconteceu. No álbum “Trote solidário Med UFRJ”, 95 imagens mostram os calouros carregando placas com identificações depreciativas como “viadinho tatuado”, “chifruda” e “filha do demo”. Outras placas com conotação sexual de mais baixo nível sequer podem ser publicadas. Os alunos também podem ser vistos imersos dentro de uma piscina com um líquido avermelhado.

Ninguém segura esses mosquitos
Surto de malária preocupa moradores da região metropolitana de Belém

A principal suspeita é de que a transmissão da doença tenha começado por um morador que voltou recentemente de uma região no nordeste do Pará, onde a malária é endêmica. Apesar do surto, a Secretaria de Saúde do Pará diz que nos últimos três anos houve redução de quase 50% nos casos de malária no estado. Mas o número de pessoas infectadas ainda é alto: em 2012, foram mais de 95 mil no Pará.

Imagina na Olimpíada
Poluição na Baía de Guanabara prejudica treinamento de vereadores

Pedaços de madeira se transformam em torpedos que podem causar estragos às embarcações. Tem televisão, cadeira, sofá, parachoque de automóvel. O que mais dá é saco plástico. Presa dentro de um pneu, uma tartaruga marinha morta.

Para o secretário estadual do Ambiente, é possível cumprir a meta de sanear 80% da Baía de Guanabara até 2016.

A limpeza da Baía era promessa de legado do Panamericano de 2006.

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Ai mundo

Senado derruba proposta de Obama de controlar a venda de armas

O Senado derrubou a proposta para aumentar a checagem dos antecedentes de pessoas que queiram comprar armamentos nos Estados Unidos. Os senadores também ficaram contra a restrição de venda de armas semi-automáticas.

Resultado de uma pesquisa foi de 90% de aprovação de medidas de restrição pela população - e olha que aquele é um país obcecado por liberdades individuais e, em boa parte, tarado por armas.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Punição para ~os culpados~. Para os inocentes, prêmio!

SONINHA FRANCINE
ESPECIAL PARA A FOLHA

Sou contra a punição ao Corinth... Não, melhor começar de outro jeito. Sou a favor de outra punição para o Corinthians, em vez da obrigação de jogar toda a Libertadores com portões fechados.

Jogo sem torcida é punição para quem não tem culpa nenhuma. Eu poderia citar os patrocinadores do clube e do campeonato e até os detentores de diretos de TV --eles têm o direito de esperar retorno por seu investimento, e o espetáculo é prejudicado.
Mas o espetáculo e a grana não são o que me aflige. É a torcida. Milhões de pessoas que iriam ao estádio ou assistiriam em casa a um jogo com muita gente, barulho, bandeiras. Todos sofrendo uma perda por causa de um, dois ou 12 corintianos sem noção.
Não coaduna com o princípio de justiça punir todo mundo pelo erro de uma dúzia. É algo recorrente com policiais e moradores da favela, professores e alunos, políticos e viajantes, encarcerados e carcereiros. E está errado.

A morte do garoto não pode ficar impune. E a Conmebol não pode estabelecer ou ampliar um limiar de omissão, tolerância ou leniência. A pena cumpre também o papel de alerta: Que não se repita ("senão..."). E, em tese, já que o time é o que o torcedor mais ama, prejudicá-lo é a última coisa que ele quer, portanto vai pensar antes de atirar chinelo em campo ou bomba na arquibancada.

Simplesmente não creio nessa tese. Alguns torcedores amam a si mesmos, seus grupo, "sucesso" e popularidade mais do que qualquer outra coisa. A reputação de maus, assustadores, invencíveis. Gente que, no estádio, fica chamando o "inimigo" pro pau. Podem ficar chateados pelo clube, mas contanto que não aconteça nada a eles... Segue a vida loca.
Minha proposta de pena é um castigo, claro, e também um projeto-piloto. Que nos jogos do Corinthians o estádio todo seja "setor família". Que cada homem só entre com mulheres e crianças. Os valentões serão desencorajados. Não estão no bando que dissolve a responsabilidade individual, não esperarão ansiosos pela escaramuça com rivais. Muitos nem irão. Ou se sensibilizarão com o moleque do lado, cujo pai veste a camisa do rival. E, importante: quem desistiu do estádio com medo poderá voltar.

Mas não pode o Corinthians ser o único punido. Alguma coisa precisa sobrar para os anfitriões, por essa "maravilha" de revista feita no estádio. E para quem vende sinalizador para qualquer um.

***

Link para a matéria: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/1237403-soninha-minha-proposta-e-um-castigo-e-tambem-um-projeto-piloto.shtml

terça-feira, 27 de novembro de 2012

X9 ZS

Helena, minha diarista, mora em um CDHU na Zona Sul.

Outro dia o sobrinho dela foi assassinado quando chegava de moto à casa da namorada. "Motona, rapaz bonito... Ninguém sabe se foi ciúme, se foi à toa, se confundiram ele com policial. Trabalhava como garçom em evento, era muito querido".

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Além da violência galopante, tem as tensões cotidianas. Os "nóias", as brigas entre vizinhos, as ameaças.

E o desrespeito disseminado.

"A vizinha alugou o apartamento dela (no CDHU) e construiu uma casa pra ela no terreno em frente (que é da CDHU). Ganha dinheiro com o aluguel, o bar que ela construiu também, não paga luz, não paga água...."

"Outro dia um senhor vizinho nosso estava começando uma hortinha no terreno em frente. Vieram uns caras com um revólver pra cima dele - "Metade do terreno aqui é CDHU, a outra metade é particular". Como é particular se agora estão fazendo uma escola? Uma parte é CDHU, uma parte é do estado!".

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Armas, armas, armas. Como é fácil ter.

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Afilhada dela veio para São Paulo fugida da miséria e violência no interior da Paraíba. A história de como ela conseguiu chegar a Campina Grande e depois a São Paulo é daqueles épicos que a literatura "da seca" já escreveu um par de vezes.

Estuprada lá - coisa difícil de admitir - chegou a São Paulo e rapidinho "se perdeu". Bebia vinho vagabundo com as amigas, dormia na rua, caía no funk, sumia.

Tinha dores atrozes, sangramento. Médicos atendiam a menina como se fosse algo que o gato tivesse pegado no lixo e arrastado até a Unidade de Saúde. Um chegou a falar do nojo que sentia (vou perguntar para a Helena para relembrar as palavras exatas). Tomou um senhor esporro de outro médico que a atendeu dias depois, mais doente do que da primeira vez, quando ele soube da "fineza" do colega.

Pessoas FAZEM diferença. Tem um governo, um sistema, um Secretário, um Coordenador etc. Mas se o filho da p. que tem o diploma, o registro no Conselho, está de plantão e atende os pacientes não tiver um pingo de honestidade, compostura, decência, respeito, nada mais faz sentido.

***
A afilhada usa crack. Engravidou e teve nenê com pouco mais de seis meses de gestação. Mirradinho, tamanho da palma da mão, ficou incubado semanas.

O pai (do bebê) é doido pela menina (a menina-mãe). É um garoto também... Apaixonou-se por ela, "vou tirar você desse lugar" (a rua).

A criança saiu da UTI neonatal e a mãe... Não sei se sabem do paradeiro. O moço queria cuidar da mãe também, mas se não dá, quer cuidar da criança, criá-la em sua casa, junto com a avó.

Mas...

Para adotar, teria, parece, de entrar na fila. Para provar que é mesmo o pai, teria de fazer DNA. Inscreveu-se no sistema público; prazo previsto: dois anos.

Enquanto isso, o bebê iria para um ABRIGO.

Por DOIS ANOS, imagine.

Não sei por que graça de Deus, a menina, me parece, acabou assinando um documento em que afirma que é ele o pai, portanto pode ficar com a guarda provisória até a confirmação oficial.

Talvez eu esteja contando a história errado. Acompanhei em capítulos, ao longo de muito tempo. Mas por mais errado que esteja meu relato, não tem nada mais errado que a história em si.


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Assessor para Assuntos Abomináveis

No começo da semana, encontraram um bebê com QUATRO DIAS DE VIDA que tinha sido sequestrado por um casal. IMAGINE o sofrimento da mãe.

A sequestradora alegou ter sofrido um aborto espontâneo e, assim, perdido o direito aos 500 mil reais que seu pai adotivo havia prometido caso ela tivesse um filho. (Promessa bizarra, se verdadeira - "Minha filha, quando seu filho nascer, te dou meio milhão de reais"). Querendo botar a mão no dinheiro, ela teria escondido o aborto e decidido sequestrar uma criança pra fingir que era o filho dela.

Abominável. 

Seu companheiro trabalha em um hospital em Saquarema e foi o responsável por identificar o bebê que seria  seu bilhete de loteria. 

Ou... Caso não houvesse promessa nenhuma por parte do pai adotivo (não consigo acreditar que alguém pudesse ser tão leviano), eles de toda forma negociariam o bebê, claro. Afinal, nem se deram ao trabalho de inventar uma história que não envolvesse dinheiro... ("Ela ficou desesperada ao perder o filho e eu quis ajudá-la!").

No dia seguinte, o noticiário já dava conta de que eles eram suspeitos de outros sequestros... Faz muito mais sentido.

Só que ainda falta um detalhe bizarro nessa sordidez toda. O sequestrador, que trabalha em um hospital em Saquarema e que é essa flor de criatura capaz de levar um nenê recém-nascido da casa da mãe, era ASSESSOR DA PRESIDÊNCIA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO RIO DE JANEIRO (veja aqui uma das várias notícias sobre o assunto). Tá bom ou quer mais?

O Presidente da Assembleia exonerou o assessor assim que foi informado da barbaridade cometida e o condenou com palavras fortes. 

Mas que c. fazia um Assessor Parlamentar trabalhando em um hospital em Saquarema????

***
Se a imprensa ficou inquieta, inconformada, não sossegou enquanto tirou isso a limpo?

Só se for lá no Rio de Janeiro, porque o noticiário nacional, que às vezes passa semanas fazendo espuma em torno de assuntos de muito menor gravidade, nunca mais tocou no assunto. 

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Enquanto isso

Putzgrila, que tesão deve ser - que é - ser corintiano hoje. Noites de lua linda, manhãs ensolaradas lindas.

Agora eles vão ver, vão sentir, vão admitir que aquele Mundial mandrake, cheio de casuísmos, disputado por times B contrariados ou titulares interessados somente no verão do Rio, não tinha graça nenhuma... Ganhar a Libertadores é OUTRA coisa.

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Escuta, será que não tem como o Brasil assinar algum tratado internacional pelo banimento das armas com bala de borracha??? Tem coisa mais estúpida para usar durante um tumulto?????

O "armamento não letal" é muito interessante para ser usado, por exemplo, contra um criminoso em fuga - um modo de detê-lo sem tirar a vida. Mas para atirar a esmo, em direção a um monte de gente, é um ABSURDO.

Aconteceu ontem de novo na frente do Pacaembu. Inacreditável.

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E o cara alucinado que acelerou e atropelou dez pessoas (ou quinze, conforme a fonte) no Tatuapé? Que é isso, meu Deus?

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Enquanto isso, no Planalto, o Senado aprovou o fim do voto secreto para processos de cassação. Mal posso acreditar. QUEM DISSE que as coisas não podem melhorar?

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Agora a CPI está votando a convocação do dono da Delta, né? Hmmm...

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Em algumas faixas do Corinthians exibidas no Anhembi, havia o nome de um vereador. Na premiação, lá estava um deputado federal.

Eita.

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Ontem parecia que tem mais corintiano em São Paulo do que torcedores de todos os outros times juntos. E a festa em outras capitais? Cuiabá, Salvador, Belém... IMPRESSIONANTE. É um diacho de uma nação mesmo.

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'Bora continuar fazendo uma das coisas que eu mais gosto nessa vida de política: organizar e reorganizar meu Programa de Governo. #adoro.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Castigo físico - "normal", será?

Houve um tempo em que bater em criança na escola era normal.

Um puxão de orelha, uma palmadinha na mão, uma senhora palmada. Faziam um artefato para isso! (Palmatória).

Criança malcriada, criança que não fez a lição de casa, que errou o exercício, que demorou demais para terminar a cópia... APANHA. Ajoelha no milho.
Fica de pé de cara para a parede.

Fazia parte da educação...

Deve ter gente que tem saudade daqueles tempos... Que, ludibriado por aquela nostalgia que apaga as arestas, acredita que as crianças daquela época se comportavem muito bem por causa daquilo. Não faziam traquinagem, não saíam da escola sem saber se comportar. Não praticavam o que hoje em dia é chamado de "bullying". Não botavam bomba no lixo, não fumavam escondido no banheiro.

Até parece.

"Ah, mas hoje em dia está muito pior!"

Verdade. Em termos de respeito aos adultos e aos colegas, de conduta violenta e irresponsável, eu acho mesmo que está tudo muito pior. Na escola e em volta dela, em casa e em volta de casa...

Mas isso acontece por mil e duas razões diferentes (adoraria fazer uma lista, mas não agora), e não porque as crianças não apanham mais da professora na escola.

***
Acredito que 90% da sociedade concorda comigo: professor não tem que bater no aluno.

Mas metade da sociedade ainda acha normal pais baterem nos filhos. Adultos usarem a força para mostrar para a criança que ela errou; para castigá-la e tentar evitar que ela faça aquilo de novo.

Será que é (normal)?

Eu apanhei da minha mãe, meu pai e minha avó. Não gostava não (claro). Chorava com MUITA raiva às vezes porque me sentia profundamente injustiçada. Mãe e avó defendiam o seguinte: alguém tem culpa e não dá pra saber quem foi? Apanhem os dois. Se foi um que começou, o outro continuou, então faça-se "justiça" assim. Meu pai não batia tanto porque não ficava tanto tempo com a gente, mas eu morria de medo da mão pesada dele.

Mas será que era apanhar, ou medo de apanhar, que me fizeram aprender e fazer o certo?

Hmm...

Em alguns casos, talvez. Mas se o medo de apanhar fosse a ÚNICA razão a me impedir de fazer alguma coisa, eu... faria, se tivesse certeza que não seria pega! :oP

A melhor educação é aquela que faz com que a gente incorpore valores - respeito, responsabilidade, solidariedade etc. De tal modo fazer ou deixar de fazer alguma coisa não acontece só por medo de punição, mas sim por realmente acreditar que determinada conduta é a certa. Se você só não joga lixo no chão porque pode ser multado, vai largar a lata de cerveja na praia deserta...

Eu não acho que um adulto bater em uma criança possa ser considerado super normal. Não acho que castigo físico seja a melhor maneira de cultivar valores.
Não acho que a "lei da palmada" possa resolver isso... É uma forma de proibir um comportamento que, como no caso das travessuras infantis, vai continuar acontecendo se o adulto não tiver totalmente convencido de que é possível educar um filho sem bater nele. Quando não tiver ninguém olhando... Ele vai bater. E nunca vai ter alguém olhando em toda casa, em todo lugar.

Por isso existem... campanhas educativas! Dias temáticos!

Hoje é o Dia Mundial contra a Agressão Infantil. Existem muitas formas de agressão criminosas, e nunca é pouco condená-las e convocar a sociedade a prestar muita atenção no que acontece com suas crianças. Mas escolhi falar dessa forma específica porque alguns adultos acreditam até mesmo que bater é uma forma de amor. Acreditam mesmo, porque querem o melhor para seus filhos. Ou estão convencidos de que não existe outra forma de educar.

Eu, que não quero bater em ninguém para que aceite minhas ideias, uso aqui minhas palavras :)

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Mau humor matinal - 25/04

Impacto no trânsito - 1

Não acompanhei em detalhes o caso do Shopping que teria de executar uma obra viária - mais precisamente, um viaduto - para ter autorização de funcionamento. Peguei a notícia a partir do momento que o Ministério Público entrou no caso para exigir o cumprimento dessa condição.

O Shopping alega que não fez a obra porque a prefeitura não concedeu a licença para que ela fosse feita. Eu... acredito! Acontece muito! Por causa da burocracia asfixiante, da falta de recursos humanos em quantidade necessária que causa um acúmulo de serviço, por má vontade, incompetência ou má intenção, muitas vezes os indivíduos e empresas não conseguem fazer o que precisa ser feito para regularizar seu imóvel ou seu negócio porque as coisas não andam NA PREFEITURA.

É de enlouquecer. E é nessa hora que é (muito) mais fácil ser desonesto - e tentar ignorar a lei ou pagar alguém para ignorá-la - do que ser honesto. É um senhor desafio, porque não é uma questão de mudar um item ou excluir uma pessoa do quadro de servidores; são muitos itens e muitas pessoas... Se você nunca tentou tirar um alvará, licença ou autorização, pergunte a quem tentou :oP.

E não venham dizer que esse é um problema novo!

***
Impacto no trânsito - 2


As regras sobre pólos geradores de tráfego precisam ser revistas com muito cuidado e responsabilidade. Hoje em dia elas estabelecem que, a partir de determinada metragem, um empreendimento tem de oferecer um número de vagas para automóveis. Ou seja: acaba se tornando mais ainda um pólo de atração de tráfego de automóveis. Se for um hipermercado, ok - automóveis são praticamente indispensáveis para se fazer as compras do mês... Mas um prédio de escritórios, por exemplo, teria de ser autorizado a não oferecer vagas de garagem se a intenção do proprietário for estimular o uso do transporte público, de ônibus fretados, táxis, carros compartilhados ou sistema de carona!  Pra não dizer estimulado!

E as contrapartidas necessárias tem de ser mais abrangentes do que obras viárias. Que tal obrigar algum investimento na melhora do transporte coletivo?

***
Ausência de CÉREBRO

Quando a escola em que estudei - Colégio Santana - participou do programa É Proibido Colar, da TV Cultura, eu fui escolhida para participar de uma das provas e responder perguntas. Uma delas era relacionada ao noticiário da época: "O que quer dizer 'anencefalia'?". Oba, eu sabia: "AUSÊNCIA DE CÉREBRO". Ponto para o Colégio Santana!

A comemoração entusiasmada não combinava com a gravidade do assunto, então logo a Clarice Abujamra observou: "São casos gravíssimos que estão acontecendo na cidade de Cubatão".

Realmente, era muito chocante na época. Dizia-se que, por culpa da poluição absurda do ar em Cubatão nos anos 70/começo dos 80, algumas crianças eram gestadas sem cérebro. Uma tragédia, um escândalo.

Agora, parece ter se tornado frequente a ponto de merecer decisão do STF autorizando a interrupção da gravidez - e já houve duas autorizações concedidas nos últimos dias. "Frequente" provavelmente é um absurdo, mas alguém pode me dizer (sério, estou perguntando) se anencefalia realmente tem relação com poluição? Se não tiver, qual a causa preponderante? Se tiver, onde é a maior incidência, isso pode ser evitado, pelo amor de deus?

***
"É um trecho perigoso" #ahvá

Os cinco jovens que estavam desaparecidos depois de sair do Espírito Santo em direção à Bahia sofreram acidente gravíssimo na BR 101 e seus corpos foram encontrados ontem. Uma tragédia.

As autoridades confirmam: "É um trecho muito perigoso, em que há alta ocorrência de acidentes". Aliás, outras quatro pessoas morreram perto dali DEPOIS desse acidente.

P#RRA, é um trecho perigoso, em que acontecem muitos acidentes, E AÍ?? Providências, pfv?

Acontecem acidentes e não tem uma correção do traçado, sinalização especial, etc? Acontecem muitos acidentes e demoraram DIAS para saber que o carro tinha capotado ali? Não tem câmeras nesse trecho, nada? Socorro?

Essas m. dessas BRs continuam assassinas. Nos trechos em que houve concessões elas são muito melhores - mas o partido do governo federal passou anos dizendo que concessão é pecado mortal. Agora eles também fazem, escolhendo a concessionária conforme o preço do pedágio, dando preferência ao menor. O viajante fica feliz da vida, mas não tem COMPARAÇÃO o serviço prestado nesses casos. Peguei a Fernão Dias há pouco tempo. Ok, ela era nojenta antes, e agora está bem melhor. Mas as curvas dão torcicolo - são TODAS inclinadas para o lado errado, de modo que o motorista tem de fazer força para o carro não "escapar". E são muitas curvas, muitas. E muitos caminhões pesados. Sinalização? Deficiente. Postos de atendimento e socorro? Raros. Mas é baratinho, né?

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Sucesso 1

"Segunda noite de tiroteios no Alemão, provavelmente entre duas facções rivais". Ê, pacificação boa!

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Sucesso 2


Nova epidemia de dengue no Rio de Janeiro e em outras quatro cidades do Brasil. Mas o número de mortes no Rio ainda é menor do que em 2008, quando houve a pior epidemia dos últimos tempo. Ah, bom!

Eu aprendi, durante a campanha de 2010, que a culpa pela dengue no Rio era do Serra. O "presidengue", segundo a bloggov. Os mata-mosquitos foram até fazer corredor polonês para protestar contra ele em caminhada no Rio, mas isso é coisa que acontece no regime democrático [NOT].

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Dúvida (sério)


Ok, eu sei o que é PIB. Mas como ele é MEDIDO? Como é feita a soma de "tudo que é produzido" em um país? Quem faz?

Respostas nos comentários, por favor. Obrigada.






quarta-feira, 18 de abril de 2012

Mau humor matutino - quarta-feira

Foi preso no Rio de Janeiro um sujeito "conhecido" como Marquinhos Sem Cérebro.
Ele faturava R$1.200.000 por mês VENDENDO GÁS.
Os pontos eram disputados no modelo tráfico/milícia - isto é, conforme o figurino do crime organizado. O dono de um depósito de gás foi assassinado com tiros à queima-roupa, câmeras de segurança flagraram o crime e, algum tempo depois, foi preso o "Marquinhos Sem Cérebro".
No seu escritório foram encontradas armas, dinheiro vivo e um mapa da sua "rede" de distribuição.
Conquistada como no tabuleiro do WAR; vários concorrentes - ou fornecedores que não concordavam em vender os botijões e preço menor para ele - já tinham sido assassinados.
EVIDENTEMENTE, as atividades dele - Marquinhos Sem Cérebro - eram beeeem conhecidas. Evidentes. Gritantes.
POR QUE ELE NÃO RODOU ANTES?
POR QUE O PODER PÚBLICO NÃO GARANTE A DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COM SEGURANÇA?
F*da.
Quando falam em "ausência do estado", as pessoas lembram da falta de escola, posto de saúde, posto policial. Mas a falta de abastecimento decente - de gás, eletricidade, água - favorece o poder dos milicianos, traficantes, coronéis em geral.
Até parece que eu tô falando alguma novidade.

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Aí a Globo anuncia, com aquele tom triunfante, "Mais duas Unidades de Polícia Pacificadora"!
- Há meses "a comunidade pacificada" do Complexo do Alemão conta com "1.700 homens do exército". Pacificada, OI?
- Em março, devido a alguns episódios de violência - tipo tiroteios e execuções, coisas corriqueiras - a comunidade pacificada recebeu o reforço de homens do BOPE e da Tropa de Choque.
- Agora estão sendo instaladas as DUAS PRIMEIRAS UPPs do Alemão. Rapidão!
- Até JUNHO, Bope e o Choque devem sair.
Realmente, um sucesso a operação pacificação do Alemão.

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Aí a Hillary vem e diz que o Brasil é um modelo no combate à corrupção.
Ooooooooooooooooooooooooiii?
Alguém pode por favor perguntar pra ela "comassim"?

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Vai ver é a rápida demissão de membros do alto escalão do governo acusados de corrupção e a apuração implacável das denúncias de modo que nada reste sem esclarecimento e punição.

[NOT]

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Ontem houve manifestação de catadores na entrada de um lixão no Distrito Federal. É, um LIXÃO.  Clandestino? Não, oficial. É para onde os caminhões que prestam serviço para a prefeitura levam o produto da coleta domiciliar. LIXÃO na CAPITAL DO PAÍS. Esse país maravilhoso que ultrapassou a Grã-Bretanha entre os maiores do mundo, êêê!
Esse assunto me revolta tanto mas tanto que vou ser um post só sobre ele. Mau humor grand top plus.

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Somando os comerciais do intervalo do Bom Dia Brasil, temos o seguinte: "Sexo é vida. O Banco do Brasil reduz os juros para melhorar a vida dos brasileiros. Compre um carro".

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Sobre publicidade de automóveis... Mau humor super grand top plus de luxo exclusivo. Também foi escrever só sobre ela. Depois.





segunda-feira, 16 de abril de 2012

P#ta raiva que dá :o(


"Ontem as 18.40 hs meu filho Guilherme Oliva foi assaltado por 2
bandidinhos na Av. Marques de São Vicente, qdo ia para o cursinho. 
Levaram o cel, o guarda-chuva e de brinde meu filho levou uma espetada
de estilete. 

Voltou correndo pra casa e em seguida saiu acompanhado do
meu marido, meu irmão do meu outro filho, enquanto eu ligava para o 190.

Fui atendida pelo soldado Bruno, que disse que enviaria
uma viatura para o local e pediu meu end. Perguntei "qual local? Minha
casa? Ou na Marquês? Precisamos estar junto pra tentar identificar os
bandidos?" "Não não, se encontrarmos algum suspeito a gente liga pra sua
casa". Pergunto qual o numero do protocolo da minha chamada, ele diz
que não tem, pergunto "devo ir fazer um BO"? "A sra que decide"...

Enquanto isso todos voltam frustados, pq não encontraram os suspeitos (graças a
DEUS, pra não dar merda) e encontraram uma viatura papeando num posto
de gasolina e os guardas simplesmente falaram que "calma, calma, vcs
estão muito exaltados por nada"...

Levamos meu filho no Hosp. Sta Isabel para fazer curativo no corte e, segundo a médica que nos atendeu, apesar de ser superficial tinha que tomar uma antitetânica em até 8
h e nos encaminhou para o Instituto Pasteur na Av Paulista.

Chegamos lá, ele está fechado para reforma, e nos mandaram para o Hosp. Emilio
Ribas. O recepcionista Antonio chamou o médico Dr. Francisco, e ambos
fazendo muito pouco caso e piadinha, pq o encaminhamento era de um
hospital particular. Não quis dar a vacina pq disse ter coisa mais
importante pra fazer, mandando voltar hoje. Qdo questionei as 8hs do
ocorrido, disse que ele era o médico ali e que, se eu quisesse, poderia até
abrir ficha e voltar hoje, pq ele tinha mais o q fazer. 

O Antonio da recepção, qdo perguntei o nome completo do médico, me respondeu q ele
não tinha que saber o nome e sobrenome de ninguem e apontou um
cartaz na parede que dizia que func público desrespeitado é crime!"