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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

"A Dilma fez isso"??!!

"O prefeito Ricardo Nunes só colocou mil reais no orçamento do ano que vem para Segurança Alimentar"! Eu li isso nas redes da Erika Hilton e na Folha de São Paulo (que, dependendo da gestão, acha que governo só mente e oposição só fala a verdade ou o contrário). 

O orçamento previa R$300 milhões somente na Secretaria de Direitos Humanos, sem contar outros programas da Educação, Saúde, Assistência Social e Agricultura. 

"A prefeitura só gastou dois mil reais com idosos no ano passado"! Esse é um militante que comparece a todas Audiências Públicas do orçamento na Câmara Municipal de São Paulo e fala sempre a mesma coisa. 

UM idoso deve ter um custo de uns seis mil reais por mês em uma Instituição de Longa Permanência (que uns ainda chamam de asilo, outros de casa de repouso). 

Por que erros tão grosseiros? Um tanto de ma-fé, um tanto de ignorância/desconhecimento. 

Quando você isola uma linha de alguma coisa longa e complexa - uma lei, uma planilha orçamentária - você pode entender tudo errado. 

Qualquer semelhança com os famigerados cortes de internet é mais que mera coincidência. 

Lembrei dessa história agora por causa do exemplo abaixo. Se alguém disse "QUE ABSURDO, a presidente Dilma tirou da Lei da Lavagem de Dinheiro ( Lei 9.613 de 1998, modificada em 2012) os recursos oriundos do tráfico de drogas!!", estará falando a verdade (e isso é o que mais f. quando circulam fake news). MAS é uma verdade tão descontextualizada que é mentira. 

Simplesmente foram retirados todos os itens que descreviam a possível origem dos recursos: terrorismo, contrabando ou tráfico de armas, extorsão mediante sequestro  etc. E por que fizeram isso? A justificativa da lei que os retirou é: "para tornar mais eficiente a persecução penal dos crimes de lavagem de dinheiro".   


Você está vendo aí o crime de roubo de cargas? De garimpo ilegal? Tráfico de pessoas? Tráfico de animais silvestres? 

Pois é. Para o Estado conseguir processar o criminoso, precisaria enquadrar o crime em algum dos itens da lei. Coisa mais fácil do mundo seria (deve ter acontecido muito) dizer "Meritíssimo, meu cliente não praticou nenhum desses". 

Então aqui aprendemos duas coisas, amiguinhos. 1) Na hora de fazer uma lei, detalhe somente o necessário. Dificilmente você vai conseguir fazer uma lista exaustiva, isto é, que não deixe absolutamente nada de fora. E os que quiserem desafiar a lei vão sempre encontrar uma brecha. Se for mesmo necessário fazer uma lista, é melhor que ela fique para a regulamentação, que o/a chefe do Executivo faz por Decreto - e o/a chefe do Executivo pode ele/ela mesmo refazer, o que é zil vezes mais fácil do que passar uma lei no Congresso outra vez. 2) Quando você ouvir ou vir apenas o pedaço de alguma coisa, mantenha o estado de alerta, "será que é isso mesmo"? Especialmente se você for jornalista ;-) 

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

"Topa tudo por dinheiro"?

Sobre robôs e apoios falsos: ser contratado para falar bem de um candidato, mesmo sem acreditar nisso, é mais velho que andar pra frente. Na MTV, essa discussão (acaloradíssima!) na "padaria" Real (é lanchonete, mas a gente pra sempre vai chamar de padaria) inspirou o primeiro de todos os Barracos MTV, que teve o tema "Topa tudo por dinheiro"?

Quando chegava o período eleitoral, vários profissionais se licenciavam ou até mesmo pediam demissão porque iam trabalhar em campanha. Valia a pena, porque campanha pagava MUITO bem. Em três meses, o salário de um ano ou mais. Aí a gente questionava: "Meu, você vai trabalhar na campanha DO MALUF???".

Alguns diziam "é um trabalho como qualquer outro"; "se eu não aceitar, outro vai fazer"; "eu sou só o editor de imagem". Outros juravam que não aceitariam função nenhuma por dinheiro nenhum do mundo.

Artistas famosos ou não decoraram textos dizendo o quanto tal candidato seria bom para o país, ou deram depoimentos "espontâneos" falando "fulano fez muito por mim". E tem gente que faz isso na rua, na Associação de Bairro - basta contratar que vão pedir voto para um candidato, ou praticamente mandar as pessoas votar nele porque "está nos ajudando".

No Face e no Tuíter, é a mesma coisa x 1.000. A pessoa finge que é uma professora, comerciante, agricultora, empresária, designer. E defende, com toda sinceridade fake, o candidato ou partido que a contratou.

Como resolver essa praga? Dá pra dificultar a marcha do exército de gente que não existe? Em termos de legislação, poderia ser mais explícita a obrigação de informar "aqui tem dinheiro de campanha". Colocar um asterisco no perfil, sei lá, sob pena de tomar uma multa colossal caso se constate que o autor das postagens está sob contrato de alguma campanha.

Acontece que é muito fácil driblar... Ocultar a origem dos recursos... Alguém contrata uma empresa que contra outra que contrata frilas para dizer "Lula Livre", "Bolsomito é o cara" etc. e tal.

O único jeito das pessoas não acreditarem em qualquer coisa que leem é enfatizar, por todos os meios, que devem "desconfiar" sempre, isto é, não se deixar levar pela opinião de alguém, por mais legal que a pessoa lhe pareça (ou mais "sério" o meio de comunicação), e sim buscar muitas e mui variadas fontes de informação antes de jurar que é verdade e sair propagando.

Leia sempre, assista sempre, escute sempre o noticiário, debates, postagens etc com um "será? quem disse? é isso mesmo que diz a lei/ o candidato/ o ministro?" na cabeça.

**Post original no Facebook em 27 de ago de 2018 11:57