Não as que marcaram impedimentos inexistentes para fúria de alguns.
Não as que posaram nuas, para a fúria dos mesmos ou de outros.
As da conta de luz.
Quer dizer então, cidadão, que o governo fez o PAC 1, o PAC 2, o PAC Mobilidade, o PAC Copa do Mundo, o PAC Energia, o PAC infraestrutura, o PAC KCTA4 e agora ele gentilmente avisa na conta de luz: "a infraestrutura de energia avançou bosta nenhuma, então se prepara aí que de vez em quando a tarifa fica mais cara ainda"??
Botar a bandeirinha vermelha quando aumenta o uso de térmicas - que são mais caras e, como se não bastasse, mais poluentes - para que o cidadão saiba que é melhor economizar é tão descarado, tão torpe...
VOCÊ banca as obras das mega-hidrelétricas carésimas e discutíveis. Jirau, Santo Antonio, Belo Monte. VOCÊ arcará com os danos ambientais irreversíveis. E você arca com o custo adicional do uso das térmicas quando o sistema hidrelétrico não der conta.
Pras distribuidoras de energia, é um negocião. Se chove ou não chove, se precisa recorrer a esta ou aquela fonte, tanto faz, o pobrema é do fregueiz. Ele que economize, ué.
Ai Brasil... Tu não aprende.
"...But when you talk about destruction/Don't you know that you can count me out"
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Itaberá 2
Hj os jornais comentaram a declaração do ministro Edison Lobão (ex-Arena e PDS, ex-PFL e DEM, atual PMDB) atribunindo o apagão à tempestade elétrica em Itaberá, sul de São Paulo. As moças do tempo concordaram que ali, sim, houve chuva forte, vendaval, raios.
Mas foi isso mesmo que causou o apagão??
No Bom Dia Brasil, o diretor do Operador Nacional do Sistema, Eduardo Barata, disse que "é possível, sim, que as condições climáticas adversas naquela região tenham sido causadoras de curto-circuitos". É "possível"! "Se foi uma descarga atmosférica que causou, isso não foi posicionado com certeza em nenhum momento. A origem desse curto pode ter sido das descargas, ventos que provocam o balanço da cadeia de isoladores e a chuva, que faz com que isolaradores se tornem condutores". Mas o ministro não teve dúvida, disse "foi um raio" e pronto!
Digamos que tenha sido. Afinal, "é possível". Perguntas:
1) Se os registros da ONS apontam claramente que houve um curto naquela linha de transmissão, por que demorou tanto tempo para que essa informação fosse conhecida? (Durante o Apagão, as autoridades só diziam "estamos tentando descobrir o que aconteceu").
2) Tendo havido o curto, o que foi feito para saná-lo? O que precisou ser substituído ou reparado?
3) O diretor da ONS diz que o sistema funcionou muito bem. Se as outras linhas de transmissão não tivessem sido todas desarmadas após a ocorrência do curto, teria havido danos graves a todo o sistema.
Peraê. Um sistema de segurança deve estar estruturado exatamente para evitar que o todo seja atingido quando há um problema com uma das partes. Se dá curto no chuveiro, queima o fusível/cai o disjuntor correspondente. Em casos de maior impacto, cai a "chave geral" - da sua casa, não do bairro todo, muito menos da cidade. O sistema tem suas cancelas, suas barreiras.
Se houve um curto nas três linhas de transmissão, é mais do que compreensível que elas caiam. Mas se todas as outras caíram também, é porque o isolamento de uma para outra não é adequado. Se toda vez que cair um raio em São Paulo (e o ministro diz que ali "tem muito raio", fica o Paraguai sem luz??
***
Ontem, na Ana Maria Braga (é, eu vi um pedaço...), um especialista em infraestrutura (não consigo achar o nome dele) deu uma entrevista muito boa, crítica e sóbria, sobre nossa bendita infra. Explicou essa história de sistema interligado, que faz com que todas as pontas da rede sejam muito dependentes umas das outras. "Qdo você recebe energia na sua casa, pode estar vindo do Sul, do Centro-Oeste, do Norte... E se ocorre um problema em algum ponto da rede, ela é toda afetada.
Mais do que isso, há um problema de concepção. O governo está investindo em outras mega usinas na Amazônia. Para a energia gerada lá chegar ao resto do país, são milhares de quilômetros de linhas de transmissão. Por melhores que sejam os cuidados, ela está exposta a um sem-número de problemas - acidentes, atentados, sabotagens.
***
Senti falta de entrevistarem a Marina Silva sobre isso. Os ambientalistas sempre ficaram de cabelo em pé com essas novas usinas (Santo Antonio e Jirau, no Rio Madeira), por várias razões. 1) Os estudos de impacto ambiental, hiper discutíveis (lembram do discurso do Lula sobre o "bagre" que atrapalhava o progresso? A condução do governo foi nessa linha - "não me venham com essas baboseiras de meio ambiente, o Brasil precisa crescer"); 2) O custo; 3) A existência de alternativas muito melhores.
Na época, o licenciamento das usinas foi considerado (mais) uma derrota da ministra do meio ambiente (achei um texto muito bom sobre isso aqui.
Em um evento em São Paulo (Seminário Produção Mais Limpa, organizado pelo vereador Natalini no Memorial da América Latina em 2008), alguns técnicos apresentaram um cálculo demonstrando que a economia que seria proporcionada pela substituição de chuveiros elétricos por aquecimento solar nos grandes centros equivaleria aos megawatts de energia a serem gerados pela futura Usina de Jirau...
Ou seja, temos IMENSAS possibilidades de depender menos de energia hidrelétrica - o que resultaria em menos custos, obras de menos impacto, menor necessidades das tais linhas megaquilométricas de transmissão. Mas os ambientalistas são sempre os chatos de plantão, que tem má-vontade e só querem atrapalhar o governo e os negócios.
E aí, vão entrevistar a Marina ou não vão? (Se alguém já entrevistou, desculpem, não vi).
Mas foi isso mesmo que causou o apagão??
No Bom Dia Brasil, o diretor do Operador Nacional do Sistema, Eduardo Barata, disse que "é possível, sim, que as condições climáticas adversas naquela região tenham sido causadoras de curto-circuitos". É "possível"! "Se foi uma descarga atmosférica que causou, isso não foi posicionado com certeza em nenhum momento. A origem desse curto pode ter sido das descargas, ventos que provocam o balanço da cadeia de isoladores e a chuva, que faz com que isolaradores se tornem condutores". Mas o ministro não teve dúvida, disse "foi um raio" e pronto!
Digamos que tenha sido. Afinal, "é possível". Perguntas:
1) Se os registros da ONS apontam claramente que houve um curto naquela linha de transmissão, por que demorou tanto tempo para que essa informação fosse conhecida? (Durante o Apagão, as autoridades só diziam "estamos tentando descobrir o que aconteceu").
2) Tendo havido o curto, o que foi feito para saná-lo? O que precisou ser substituído ou reparado?
3) O diretor da ONS diz que o sistema funcionou muito bem. Se as outras linhas de transmissão não tivessem sido todas desarmadas após a ocorrência do curto, teria havido danos graves a todo o sistema.
Peraê. Um sistema de segurança deve estar estruturado exatamente para evitar que o todo seja atingido quando há um problema com uma das partes. Se dá curto no chuveiro, queima o fusível/cai o disjuntor correspondente. Em casos de maior impacto, cai a "chave geral" - da sua casa, não do bairro todo, muito menos da cidade. O sistema tem suas cancelas, suas barreiras.
Se houve um curto nas três linhas de transmissão, é mais do que compreensível que elas caiam. Mas se todas as outras caíram também, é porque o isolamento de uma para outra não é adequado. Se toda vez que cair um raio em São Paulo (e o ministro diz que ali "tem muito raio", fica o Paraguai sem luz??
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Ontem, na Ana Maria Braga (é, eu vi um pedaço...), um especialista em infraestrutura (não consigo achar o nome dele) deu uma entrevista muito boa, crítica e sóbria, sobre nossa bendita infra. Explicou essa história de sistema interligado, que faz com que todas as pontas da rede sejam muito dependentes umas das outras. "Qdo você recebe energia na sua casa, pode estar vindo do Sul, do Centro-Oeste, do Norte... E se ocorre um problema em algum ponto da rede, ela é toda afetada.
Mais do que isso, há um problema de concepção. O governo está investindo em outras mega usinas na Amazônia. Para a energia gerada lá chegar ao resto do país, são milhares de quilômetros de linhas de transmissão. Por melhores que sejam os cuidados, ela está exposta a um sem-número de problemas - acidentes, atentados, sabotagens.
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Senti falta de entrevistarem a Marina Silva sobre isso. Os ambientalistas sempre ficaram de cabelo em pé com essas novas usinas (Santo Antonio e Jirau, no Rio Madeira), por várias razões. 1) Os estudos de impacto ambiental, hiper discutíveis (lembram do discurso do Lula sobre o "bagre" que atrapalhava o progresso? A condução do governo foi nessa linha - "não me venham com essas baboseiras de meio ambiente, o Brasil precisa crescer"); 2) O custo; 3) A existência de alternativas muito melhores.
Na época, o licenciamento das usinas foi considerado (mais) uma derrota da ministra do meio ambiente (achei um texto muito bom sobre isso aqui.
Em um evento em São Paulo (Seminário Produção Mais Limpa, organizado pelo vereador Natalini no Memorial da América Latina em 2008), alguns técnicos apresentaram um cálculo demonstrando que a economia que seria proporcionada pela substituição de chuveiros elétricos por aquecimento solar nos grandes centros equivaleria aos megawatts de energia a serem gerados pela futura Usina de Jirau...
Ou seja, temos IMENSAS possibilidades de depender menos de energia hidrelétrica - o que resultaria em menos custos, obras de menos impacto, menor necessidades das tais linhas megaquilométricas de transmissão. Mas os ambientalistas são sempre os chatos de plantão, que tem má-vontade e só querem atrapalhar o governo e os negócios.
E aí, vão entrevistar a Marina ou não vão? (Se alguém já entrevistou, desculpem, não vi).
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
A culpa é de Itaberá
Hoje o Jornal Nacional entrou ao vivo da sala do Operador do Sistema de geração e transmissão de energia elétrica. Um painel mostra em tempo real o nível de consumo do sistema interligado - quantos megawatts estão sendo consumidos de hidrelétricas, termoelétricas, nucleares, energia eólica e sei lá mais o que. O repórter explica que não foram escalados operadores extras porque está tudo tranquilo - "Passado o horário de pico, o consumo se mantém em níveis aceitáveis e o sistema ainda tem muitos milhares de megawatts de capacidade". E encerraram o jornal dizendo "que bom, está tudo tranquilo e de volta à normalidade".
Peraê. E ontem a esta hora, como estavam as coisas? Tranquilas, eu suponho... Pouco depois, poft, caiu tudo. Como eles podem saber que não vai acontecer de novo hoje mesmo?
Ou será que ontem às oito da noite não estava nada tranquilo, e o tal painel mostrava um nível perigoso de consumo? (E ninguém tomou providência nenhuma, se é que seria possível tomar alguma assim na emergência)
***
As primeiras hipóteses sobre as causas do apagão divulgadas pela imprensa foram: 1) Queda de um raio. 2) Queda de uma torre de transmissão por culpa de um vendaval.
Hoje, todas as moças do tempo dos jornais disseram que não havia nem sinal de tempestade naquela região. Será que alguém com responsabilidade sobre o sistema realmente chegou a cogitar essas causas ou a imprensa publicou o primeiro palpite que ouviu?
***
O último apagão foi batizado com o nome do então presidente. Esse...?
***
Lula disse que "nos últimos sete anos, o governo fez o equivalente a 30% de tudo o que foi feito nos últimos 123 anos em termos de energia, com forte investimento no setor de transmissão e também em modernização do sistema".
Não sei se foi mesmo feito "forte investimento no setor", mas essa medida dos últimos "123 anos" é sensacional. Eu tenho uns números assim também:
- Nos últimos vinte anos, o acesso à internet aumentou 120.000.000% em relação aos últimos dois milênios.
- Nos últimos cinco meses, os brasileiros usaram 450% mais o Twitter do que em todo o último século.
E por aí vai.
***
O Ministro das Minas e Energia, Edison Lobão (ex-Arena/PDS, PFL-Democratas, atual PMDB), insiste no "acidente causado por mau tempo": "Segundo ele, "descargas atmosféricas, ventos e chuvas muito fortes na região de Itaberá, em São Paulo” causaram “um curto-circuito em três circuitos que levam as linhas de transmissão (da usina hidrelétrica de) Itaipu para Itaberá". (do site da BBC)
"Ele (o sistema) não é frágil, é forte, voltou em minutos em alguns Estados e em questão de poucas horas no Rio e em São Paulo", afirmou.
Mas Lobão reconheceu que as condições meteorológicas podem voltar a causar problemas do tipo.
"O Brasil é um dos países em que mais ocorrem estes fenômenos e aquela região (Itaberá) ainda mais."
Puxa, então fomos muito sortudos até agora! Se esse fenômeno acontece muito no Brasil, especialmente "na região de Itaberá", e até agora não tinha acabado a luz em cinco ou seis estados, Deus é brasileiro mesmo.
***
Comentário de uma pessoa que encontrei hoje: "Muita gente falou 'ainda bem que não foi ás seis da tarde!'. Já pensou o caos? Milhões de pessoas ainda no trabalho, prédios de escritório cheios de gente, trânsito sobrecarregado sem semáforos funcionando... Foi um aviso de Deus pra ver se a gente toma jeito. Ele já deu muitas dicas, mas agora foi advertência por escrito!"
***
Maldadezinha básica (fui criada em um partido que se divertia muito com elas, às vezes tenho umas recaídas): A Ministra da Casa Civil é a principal porta-voz do governo em todos os assuntos - transposição do São Francisco, crédito para moradia popular, obras do "PAC", meio ambiente... Mas, mesmo tendo sido justamente Ministra das Minas e Energia, não foi escalada para responder pelo governo desta vez...
***
Declaração do reitor da Uniban sobre o Apagão: "A causa foi um curto e tudo que é curto tem de ser banido porque é mau". :o)
Peraê. E ontem a esta hora, como estavam as coisas? Tranquilas, eu suponho... Pouco depois, poft, caiu tudo. Como eles podem saber que não vai acontecer de novo hoje mesmo?
Ou será que ontem às oito da noite não estava nada tranquilo, e o tal painel mostrava um nível perigoso de consumo? (E ninguém tomou providência nenhuma, se é que seria possível tomar alguma assim na emergência)
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As primeiras hipóteses sobre as causas do apagão divulgadas pela imprensa foram: 1) Queda de um raio. 2) Queda de uma torre de transmissão por culpa de um vendaval.
Hoje, todas as moças do tempo dos jornais disseram que não havia nem sinal de tempestade naquela região. Será que alguém com responsabilidade sobre o sistema realmente chegou a cogitar essas causas ou a imprensa publicou o primeiro palpite que ouviu?
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O último apagão foi batizado com o nome do então presidente. Esse...?
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Lula disse que "nos últimos sete anos, o governo fez o equivalente a 30% de tudo o que foi feito nos últimos 123 anos em termos de energia, com forte investimento no setor de transmissão e também em modernização do sistema".
Não sei se foi mesmo feito "forte investimento no setor", mas essa medida dos últimos "123 anos" é sensacional. Eu tenho uns números assim também:
- Nos últimos vinte anos, o acesso à internet aumentou 120.000.000% em relação aos últimos dois milênios.
- Nos últimos cinco meses, os brasileiros usaram 450% mais o Twitter do que em todo o último século.
E por aí vai.
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O Ministro das Minas e Energia, Edison Lobão (ex-Arena/PDS, PFL-Democratas, atual PMDB), insiste no "acidente causado por mau tempo": "Segundo ele, "descargas atmosféricas, ventos e chuvas muito fortes na região de Itaberá, em São Paulo” causaram “um curto-circuito em três circuitos que levam as linhas de transmissão (da usina hidrelétrica de) Itaipu para Itaberá". (do site da BBC)
"Ele (o sistema) não é frágil, é forte, voltou em minutos em alguns Estados e em questão de poucas horas no Rio e em São Paulo", afirmou.
Mas Lobão reconheceu que as condições meteorológicas podem voltar a causar problemas do tipo.
"O Brasil é um dos países em que mais ocorrem estes fenômenos e aquela região (Itaberá) ainda mais."
Puxa, então fomos muito sortudos até agora! Se esse fenômeno acontece muito no Brasil, especialmente "na região de Itaberá", e até agora não tinha acabado a luz em cinco ou seis estados, Deus é brasileiro mesmo.
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Comentário de uma pessoa que encontrei hoje: "Muita gente falou 'ainda bem que não foi ás seis da tarde!'. Já pensou o caos? Milhões de pessoas ainda no trabalho, prédios de escritório cheios de gente, trânsito sobrecarregado sem semáforos funcionando... Foi um aviso de Deus pra ver se a gente toma jeito. Ele já deu muitas dicas, mas agora foi advertência por escrito!"
***
Maldadezinha básica (fui criada em um partido que se divertia muito com elas, às vezes tenho umas recaídas): A Ministra da Casa Civil é a principal porta-voz do governo em todos os assuntos - transposição do São Francisco, crédito para moradia popular, obras do "PAC", meio ambiente... Mas, mesmo tendo sido justamente Ministra das Minas e Energia, não foi escalada para responder pelo governo desta vez...
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Declaração do reitor da Uniban sobre o Apagão: "A causa foi um curto e tudo que é curto tem de ser banido porque é mau". :o)
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