Acordei no sofá. Joguinho mequetrefe, só me lembro de ter visto o coitado do chinês marcando o sétimo gol do Brasil e logo depois já estava sonhando com alguma coisa de campanha.
Em vez de ir direto para a cama, fui ver se tinha mensagem no celular e... Tchanã, aqui estou. Perdi o sono lendo perguntas do Ask e resolvi parar de teclar no Aifone e vir logo para o computador de vdd.
Meus gatos ---> "Oba pessoal, hj vai ter festa!!". #mamíferosnoturnos
***
Hoje foi um raro dia em que tive meia hora para expor informalmente meu programa de governo + meia hora para responder perguntas para uma plateia de umas 40 pessoas e não gostei do meu desempenho :-(
Como estou inordinariamente cansada, minha capacidade de síntese fica seriamente prejudicada e minha exposição, inevitavelmente comprometida.
Como se vê pelas frases acima.
***
Comentário frequente ao longo de toda a campanha:
"Eu gosto das suas ideias, mas não vou votar em você porque você não tem chance de ganhar!"
Comentário comum nas últimas semanas:
"Você não vai ganhar, mas eu voto em você"!
#comoficarfelizetristeaomesmotempo
***
Variações sobre o mesmo tema:
"Meu voto é seu de qualquer jeito. Se não for dessa vez, na próxima você vai chegar lá!"
"Você é muito preparada. Pode contar com meu apoio para deputada federal".
:o( :o( :o(
***
Aí volta e meia a gente encontra uma pessoa que faz questão de dizer em altos brados à nossa passagem "Político é tudo ladrão, político nenhum presta, político só promete e não faz nada".
Quando estou inspirada, brinco com o cidadão rabugento (ou furioso) e às vezes é até possível entabular uma conversa civilizada.
Hoje eu já estava desanimada, mas resolvi entrar na briga assim mesmo, suavemente.
"Puxa, você nem me conhece, já diz que nenhum presta?"
"Nenhum. Todos prometem, prometem, depois chegam lá e não fazem nada".
"Eu não cheguei lá!! Como você pode dizer que não fiz ou não vou fazer nada?"
"Não adianta. São todos iguais. Não fazem NADA pela Saúde, NADA pela Educação, NADA. Só prometem".
"Mas alguém vai estar lá de qualquer jeito!"
"Não quero saber. Agora eu só acredito vendo, não vou mais confiar em promessa".
E assim foi até completar uns 10 pares de frases nonsense como esses. "Então tá, me diga quais são as coisas que te deixam tão revoltada, que os políticos prometerem resolver e não resolveram". "Educação, creche, saúde, transporte coletivo"... "Ok, vou anotar aqui no meu caderninho e entregar PARA O BISPO, pra ver se ele resolve".
HMPF.
***
Aí alguém fez uma pergunta malcriada no Ask - nada de mais, uma provocação boba qualquer - e eu respondi no mesmo tom. Na verdade, fui irônica, não agressiva. Tomei uma bronca de outro "asker": "É assim que você trata o eleitor?"
***
Liguei a TV para ter companhia e não achei nada que me animasse. Parei um pouco no programa Ultrafarma; um padre simpático e uniformizado falava sobre a importância de escovar os dentes e procurar um dentista caso haja sangramento das gengivas.
***
Como nossa imensa equipe virtual - isto é, aquela que não existe - não dá conta de nossa campanha virtual, vou me concentrar um pouco em arrumar nossas propostas para facilitar a consulta da população. E ter um lugar de onde fazer um copy/paste para responder às duzentas perguntas por escrito que chegam todo dia. 'Noite.
"...But when you talk about destruction/Don't you know that you can count me out"
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terça-feira, 11 de setembro de 2012
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Tudo depende
DataSonia: de cada 10 pessoas para quem eu pergunto "Já tem candidato a prefeito?", 8,5 respondem "ainda não".
***
Imagine se os institutos de pesquisa perguntassem se as pessoas já tem candidato a vereador... Aliás, deviam.
***
Não acredito nem um pouco que eu esteja mais perdendo voto do que ganhando. Isto é, em números absolutos, tenho certeza que, até aqui, eu cresci em intenção de voto. Mas se os outros crescem mais do que eu, claro que minha proporção diminui.
***
"A que você atribui o resultado dessa última pesquisa?"
1 - Que o Russomano ia se segurar lá em cima, eu sempre soube. "Quando começar o horário eleitoral ele vai sumir", diziam. "Olha... Outros já despencaram, ele AINDA não. E com esses dois dígitos até agora, vai ficando cada vez mais difícil enfraquecê-lo. O tempo vai passando e ele vai ficando... O tempo de horário eleitoral pode ser pequeno, mas ele tá na TV Aberta faz muito tempo, e fazendo um papel que as pessoas querem identificar em um político - o defensor dos fracos e oprimidos contra as fraudes e injustiças". Mas nem eu, nem ele, nem o PRB, nem a Record, nem a Universal, nem o PT, nem o PSDB poderiam sonhar que ele ia crescer E MUITO, a ponto de passar dos 30%!
Tanto é que... a mídia o ignorou por muito tempo (os "principais" eram o trio Serra-Haddad-Chalita) e os partidos não o colocaram na linha de tiro. Agora... Sei não. Melhor empilhar uns sacos de areia que vem chumbo.
2 - Depois de tentarem colar muitos rótulos no Serra (higienista, capeta, privatista, neoliberal) que não seduziam o povão "desorganizado", agora pegou: Serra larga tudo pela metade; Serra atropela todo mundo para chegar onde quer. Eu diria: Serra não aprende, Serra é burro. Acredita que o PSDB realmente vai apoiá-lo por reconhecer nele um bom governante, que vai defendê-lo de ataques (já que foi buscá-lo em casa para conseguir sair dos 3% de intenção de voto que tinham os seus pré-candidatos). Rá. E continua acreditando que o Kassab o apoia pra valer. Arrã.
3 - Claro que o candidato do PT podia ser uma caixa de correio, um carro novo com IPI zero e juro mais baixo ou o famoso poste que ele não ia ficar com 3, 4, 6% de voto. Tem dinheiro, tem o maior padrinho de todos os tempos, tem TV e de rádio a dar com pau, tem um exército. São Paulo parece um jogo de WAR com os cavaletes demarcando e conquistando territórios, e o PT ganha de looonge. São trocentos mil vereadores pedindo voto pro "H" - MESMO, não como os do PSDB, PMDB, PRB... (Aliás, o PMDB nem vereador eleito tem em São Paulo, senão vocês iam ver onde o Chalita estaria). Enfim, foi quase um milagre eles demorarem tanto tempo para me alcançar e ultrapassar, mas quando entra em jogo aquilo que o antigo, remoto Partido dos Trabalhadores chamava de "O Poder Econômico", aí o bicho pega.
4 - Imagine um segundo turno entre Serra e Russomano: se eu apoiasse o Serra, iam me chamar de vendida, dada, neonazi, higienista, traidora da povo etc. Isto é, iam querer que eu apoiasse o Russomano, né? Que se dá muito bem com a presidente Dilma, apoiou ela no segundo turno, tem o partido na base do governo, gosta de pobre etc.
Imagine agora um segundo turno entre Haddad e Russomano. Se eu apoiasse o Russomano, iam dizer que eu sou uma reacionária mesmo, que estou alinhada com a Igreja Universal, que traí meus ideais progressistas e vou começar a dizer que ser gay é praga rogada por macumbeiro (como alegou o Bispo Macedo durante uma sessão de exorcismo).
Enfim, sacomé, tudo depende. Em 2010, a Marina era uma traidora do movimento que estava fazendo "o jogo da direita". Ambiciosa, carreirista, safada, "sempre soube que não podia confiar nela". No segundo turno, saíram os blogs governistas apagando tudo de horrível que tinham escrito sobre ela e de repente a Dilma ficou mais verde que nota de dólar.
***
Enquanto isso, na Sala de Justiça...
Imagine there's no heaven.
Imagine there's no country.
Imagine se o Supremo Tribunal Federal tivesse condenado à prisão o Presidente da Câmara Municipal de Xiririca do Ó e ele fosse membro de um partido com o qual o PPS tenha feito aliança em 2010. Nossa, eu ia ter o meu tuíter mais pixado que o muro do Palmeiras se continuar jogando desse jeito: "E AGORA DONA SONSINHA, VAI DIZER O QUE? VAI CONTINUAR DEFENDENDO ESSA CORJA?"
Imagine se ele fosse candidato a prefeito aqui do lado da capital.
Imagine.
***
Imagine se os institutos de pesquisa perguntassem se as pessoas já tem candidato a vereador... Aliás, deviam.
***
Não acredito nem um pouco que eu esteja mais perdendo voto do que ganhando. Isto é, em números absolutos, tenho certeza que, até aqui, eu cresci em intenção de voto. Mas se os outros crescem mais do que eu, claro que minha proporção diminui.
***
"A que você atribui o resultado dessa última pesquisa?"
1 - Que o Russomano ia se segurar lá em cima, eu sempre soube. "Quando começar o horário eleitoral ele vai sumir", diziam. "Olha... Outros já despencaram, ele AINDA não. E com esses dois dígitos até agora, vai ficando cada vez mais difícil enfraquecê-lo. O tempo vai passando e ele vai ficando... O tempo de horário eleitoral pode ser pequeno, mas ele tá na TV Aberta faz muito tempo, e fazendo um papel que as pessoas querem identificar em um político - o defensor dos fracos e oprimidos contra as fraudes e injustiças". Mas nem eu, nem ele, nem o PRB, nem a Record, nem a Universal, nem o PT, nem o PSDB poderiam sonhar que ele ia crescer E MUITO, a ponto de passar dos 30%!
Tanto é que... a mídia o ignorou por muito tempo (os "principais" eram o trio Serra-Haddad-Chalita) e os partidos não o colocaram na linha de tiro. Agora... Sei não. Melhor empilhar uns sacos de areia que vem chumbo.
2 - Depois de tentarem colar muitos rótulos no Serra (higienista, capeta, privatista, neoliberal) que não seduziam o povão "desorganizado", agora pegou: Serra larga tudo pela metade; Serra atropela todo mundo para chegar onde quer. Eu diria: Serra não aprende, Serra é burro. Acredita que o PSDB realmente vai apoiá-lo por reconhecer nele um bom governante, que vai defendê-lo de ataques (já que foi buscá-lo em casa para conseguir sair dos 3% de intenção de voto que tinham os seus pré-candidatos). Rá. E continua acreditando que o Kassab o apoia pra valer. Arrã.
3 - Claro que o candidato do PT podia ser uma caixa de correio, um carro novo com IPI zero e juro mais baixo ou o famoso poste que ele não ia ficar com 3, 4, 6% de voto. Tem dinheiro, tem o maior padrinho de todos os tempos, tem TV e de rádio a dar com pau, tem um exército. São Paulo parece um jogo de WAR com os cavaletes demarcando e conquistando territórios, e o PT ganha de looonge. São trocentos mil vereadores pedindo voto pro "H" - MESMO, não como os do PSDB, PMDB, PRB... (Aliás, o PMDB nem vereador eleito tem em São Paulo, senão vocês iam ver onde o Chalita estaria). Enfim, foi quase um milagre eles demorarem tanto tempo para me alcançar e ultrapassar, mas quando entra em jogo aquilo que o antigo, remoto Partido dos Trabalhadores chamava de "O Poder Econômico", aí o bicho pega.
4 - Imagine um segundo turno entre Serra e Russomano: se eu apoiasse o Serra, iam me chamar de vendida, dada, neonazi, higienista, traidora da povo etc. Isto é, iam querer que eu apoiasse o Russomano, né? Que se dá muito bem com a presidente Dilma, apoiou ela no segundo turno, tem o partido na base do governo, gosta de pobre etc.
Imagine agora um segundo turno entre Haddad e Russomano. Se eu apoiasse o Russomano, iam dizer que eu sou uma reacionária mesmo, que estou alinhada com a Igreja Universal, que traí meus ideais progressistas e vou começar a dizer que ser gay é praga rogada por macumbeiro (como alegou o Bispo Macedo durante uma sessão de exorcismo).
Enfim, sacomé, tudo depende. Em 2010, a Marina era uma traidora do movimento que estava fazendo "o jogo da direita". Ambiciosa, carreirista, safada, "sempre soube que não podia confiar nela". No segundo turno, saíram os blogs governistas apagando tudo de horrível que tinham escrito sobre ela e de repente a Dilma ficou mais verde que nota de dólar.
***
Enquanto isso, na Sala de Justiça...
Imagine there's no heaven.
Imagine there's no country.
Imagine se o Supremo Tribunal Federal tivesse condenado à prisão o Presidente da Câmara Municipal de Xiririca do Ó e ele fosse membro de um partido com o qual o PPS tenha feito aliança em 2010. Nossa, eu ia ter o meu tuíter mais pixado que o muro do Palmeiras se continuar jogando desse jeito: "E AGORA DONA SONSINHA, VAI DIZER O QUE? VAI CONTINUAR DEFENDENDO ESSA CORJA?"
Imagine se ele fosse candidato a prefeito aqui do lado da capital.
Imagine.
domingo, 26 de agosto de 2012
Amar e (se) irritar
Teve gente que me criticou (forte!) por ter dito "os defeitos de São Paulo me irritam".
1
- Quem você pensa que é?!
(Paulistana).
2
- Isso é um absurdo, quem faz seu marketing político?
(Ninguém. Eu gostei do Dacio Bicudo e queria trabalhar com ele, mas o dinheiro não ia dar. E mesmo com ele, a redatora seria eu).
(Por isso eu gostei dele - porque não queria me "consertar").
(Como disse a Lylian: "Realmente, se o marqueteiro te conquistou, o cara É BOM").
3
- Você não deve dizer "me irritam". Não é isso que se espera de um candidato! Você tem de dizer "me indignam"
(Eu fico indignada com muitas coisas sérias. Mas os mil "pequenos" defeitos me irritam).
***
Acho incríveis pessoas que não se irritam com os problemas da cidade. Que avançadas!
Só se irritam comigo.
***
Teve gente que me defendeu.
"A Soninha tá certa!! Você não ama seu marido e se irrita com os defeitos dele?"
:)
1
- Quem você pensa que é?!
(Paulistana).
2
- Isso é um absurdo, quem faz seu marketing político?
(Ninguém. Eu gostei do Dacio Bicudo e queria trabalhar com ele, mas o dinheiro não ia dar. E mesmo com ele, a redatora seria eu).
(Por isso eu gostei dele - porque não queria me "consertar").
(Como disse a Lylian: "Realmente, se o marqueteiro te conquistou, o cara É BOM").
3
- Você não deve dizer "me irritam". Não é isso que se espera de um candidato! Você tem de dizer "me indignam"
(Eu fico indignada com muitas coisas sérias. Mas os mil "pequenos" defeitos me irritam).
***
Acho incríveis pessoas que não se irritam com os problemas da cidade. Que avançadas!
Só se irritam comigo.
***
Teve gente que me defendeu.
"A Soninha tá certa!! Você não ama seu marido e se irrita com os defeitos dele?"
:)
sábado, 25 de agosto de 2012
Quase tudo
Quando releio (revejo, refaço) meu Programa de Governo de 2008, fico muito orgulhosa de (quase) tudo. (O capítulo de Juventude, por exemplo, era uma b. Pode??)
Aí vai a Introdução :)
(O layout é horrível, mas vale)
Esta é a exposição das linhas mestras de programa de governo apresentado pelo PPS em 2008, continuamente atualizadas. As propostas apresentadas são construídas a partir de nossas experiências na administração pública, da observação de ações bem sucedidas em São Paulo e outras cidades, da consulta a especialistas, funcionários públicos e à população de modo geral.
REFERÊNCIAS FUNDAMENTAIS
EIXOS CENTRAIS - MOBILIDADE E RECONFIGURAÇÃO DO TERRITÓRIO
São Paulo tem jeito, sim!
Aí vai a Introdução :)
(O layout é horrível, mas vale)
Por uma Cidade Inteligente, Justa, Saudável, Sustentável, Feliz
Quem disse que não tem mais jeito?
Quem disse que não tem mais jeito?
SONINHA PREFEITA PPS 23
Coligação PPS e PMN - “Um Sinal Verde para São Paulo”
Esta é a exposição das linhas mestras de programa de governo apresentado pelo PPS em 2008, continuamente atualizadas. As propostas apresentadas são construídas a partir de nossas experiências na administração pública, da observação de ações bem sucedidas em São Paulo e outras cidades, da consulta a especialistas, funcionários públicos e à população de modo geral.
METAS
- · Desenvolvimento sustentável com correção de distorções e desigualdades;
- · Redução das distâncias entre casa e trabalho, equipamentos e serviços públicos e privados.
- · Garantir a todos a oportunidade de educação de qualidade, trabalho digno, lazer e vida saudável
- · Reduzir a distância entre os sonhos e projetos de vida e a oportunidade de realizá-los
COMPROMISSO
- Tratar dos problemas em toda sua complexidade, sem propor soluções simplistas e irreais;
- Dar continuidade ou aproveitar idéias de outras administrações, independentemente de sua autoria;
- Buscar soluções urgentes para situações inaceitáveis, sem esquecer do planejamento com vistas ao médio e longo prazo;
- Pensar no todo sem esquecer dos "detalhes"
- Pensar São Paulo tendo em mente a região metropolitana;
- Ouvir as pessoas - especialistas, estudiosos, funcionários públicos, munícipes em geral.
PRINCÍPIOS PARA A GESTÃO
Planejamento, eficiência e resolutividade, qualificação, descentralização, transparência, governança participativa, inteligente e criativa.
REFERÊNCIAS FUNDAMENTAIS
POR QUE QUEREMOS GOVERNAR A CIDADE DE SÃO PAULO?
A vontade de mudar o mundo; a disposição de trabalhar para isso e a certeza de que é possível: é isso que nos move na disputa pela Prefeitura de São Paulo.
Queremos uma cidade mais justa, saudável e equilibrada, em que todas as pessoas tenham mais oportunidade de se realizar, mais possibilidade de serem felizes – no bairro onde moram, trabalham ou estudam, nos momentos de descanso.
Como fazer isso? Aproveitando o conhecimento e experiências que já existem; convidando e permitindo que a população participe o tempo todo do diagnóstico dos problemas e da construção, implementação e monitoramento das soluções.
Nós pensamos no todo sem jamais esquecer dos detalhes; no que é urgente e no futuro mais distante. Temos compromisso com a Democracia e a República. A visão política que nos orienta é a de que o coletivo é mais importante que o individual; que a solidariedade e a colaboração são instrumentos melhores para a sociedade do que a competição (em que alguém sempre perde!); que a política é um meio, um espaço de debate e elaboração, e não um fim em si.
O fim é sempre o bem-estar das pessoas, o direito a uma vida digna para todo ser humano. É para isso que servem a política, os partidos e o poder público. É para isso que estamos aqui.
Não adianta tratar a febre - o congestionamento- sem tratar a doença e sem promover a saúde. Não adianta melhorar a oferta de transporte e o trânsito se a cidade continuar com distâncias imensas, obrigando milhões de pessoas a fazerem viagens longas todos os dias.
Mobilidade é a equação entre o lugar onde as pessoas estão, para onde vão, por que, a que horas e como. Melhorar só o modo como se deslocam é muito pouco – é preciso aproximar casa e trabalho. Repovoar o centro, usando os instrumentos previstos no Plano Diretor, e promover o desenvolvimento da periferia, incentivando a atividade econômica que gera postos de trabalho e oportunidades de geração de renda. Melhorar toda a infra-estrutura urbana e serviços públicos – ruas, calçadas, praças, parques, escolas, quadras e pistas de caminhadas, equipamentos de saúde, bibliotecas, casas de cultura...
Reorganizando a cidade, mudando a configuração do território, aliviamos a pressão sobre vários problemas e algumas carências diminuem imediatamente. Com distâncias menores, as pessoas podem usar menos meios motorizados para se deslocar; ganham tempo para atividades físicas, estudo, lazer e convivência com a família; estabelecem relações mais ricas com a vizinhança. Podem dormir mais e melhor. Com menos viagens, o trânsito é aliviado e o transporte coletivo fica menos sobrecarregado. A qualidade do ar melhora porque diminui a emissão de poluentes; também há menos gases de efeito estufa, responsáveis por mudanças climáticas.
Com a melhor qualidade do ar, há menos necessidade de consultas médicas, atendimentos de emergência e obtenção de medicamentos. Com menos perda de tempo e irritação no trânsito, as pessoas ficam menos estressadas e agressivas; melhoram as relações humanas e o rendimento no trabalho e estudo. Diminuem as dores de cabeça e de estômago... Como menos sedentarismo e menos estresse, também diminuem os riscos de doenças coronarianas.
Se mais gente puder morar perto do trabalho, especialmente na região central, podem-se aproveitar melhor os serviços que já existem ali, como CEIs (creches) e escolas, e melhorar a lotação das classes e reduzir a carência de vagas na periferia. Podem-se desadensar regiões que hoje não têm espaço para áreas verdes e áreas de convivência.
Só o poder público tem a capacidade para corrigir essa distorção, esse desequilíbrio. E a correção é fundamental para fazer a cidade funcionar como se deve e mihões de pessoas terem direito, enfim, ao que ela tem de melhor. Sem o fim das distâncias enormes percorridas no cotidiano, os recursos jamais serão suficientes para atender às necessidades da população.
Os instrumentos para isso já estão, em sua maioria, estabelecidos em lei e disponíveis para a prefeitura agir em parceria com o setor privado ou por iniciativa própria. Em nosso Programa de Governo, explicamos quais são.
São Paulo tem jeito, sim!
Quem disse que não?
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Vai que...
“Um dia você se elege prefeita, e aí?”
Não foi irônico, foi com tom de “pense nisso”.
Não foi irônico, foi com tom de “pense nisso”.
***
Encontrei o vereador na entrada de uma festa ontem à noite na Vila Leopoldina. Aniversário de uma editora daqui da região da Lapa que publica um jornal famoso e temido por aqui, o “Jornal da Gente” rs.
Encontrei o vereador na entrada de uma festa ontem à noite na Vila Leopoldina. Aniversário de uma editora daqui da região da Lapa que publica um jornal famoso e temido por aqui, o “Jornal da Gente” rs.
Ele passava por mim sem cumprimentar; chamei, disse que não
tinha me visto. “Estava agora mesmo ali na calçada perguntando - “quem foi que
disse que não tem mais jeito”?”. Respondi achando que era amistoso, repetindo meu
lema (“Quem foi que disse?”). Ele respondeu, sem o menor esboço de um
sorriso - “Tem jeito, é só explodir a
Câmara”.
Ainda não foi aí que entendi que ele não estava brincando.
Muito vereador, com sincero desalento ou querendo fazer média, diz coisa
parecida. “Não, não precisa chegar a tanto rs...”. Ele me interrompeu com o
alerta sobre “ser prefeita um dia”.
“Dizer que tem gente que troca voto por dinheiro?” A
expressão era de condenação indignada.
“Não tem?”
“Não tem?”
“Para, Soninha!”
“Não tem?”
“Você não pode falar um negócio desses”. Como se realmente, realmente achasse um absurdo.
“Eu não estava falando só da Câmara de São Paulo e sim do Parlamento de alto a baixo”.
“Dinheiro? Dinheiro por voto?”
“Escuta, o que é que está sendo julgado hoje no Supremo???”
“Não tem?”
“Você não pode falar um negócio desses”. Como se realmente, realmente achasse um absurdo.
“Eu não estava falando só da Câmara de São Paulo e sim do Parlamento de alto a baixo”.
“Dinheiro? Dinheiro por voto?”
“Escuta, o que é que está sendo julgado hoje no Supremo???”
Balançou a cabeça, irritado. “Olha, dizer que é só acordo,
ok”.
“Sim, e existem acordos republicanos. Eu disse isso”.
“Você foi até a parte dos cargos...” (Não concluiu, então não sei se ele achou essa parte aceitável ou não). “Aí dizer que ‘no mínimo’ tem dinheiro?”
“Eu disse “na pior das hipóteses”!”
“Sim, e existem acordos republicanos. Eu disse isso”.
“Você foi até a parte dos cargos...” (Não concluiu, então não sei se ele achou essa parte aceitável ou não). “Aí dizer que ‘no mínimo’ tem dinheiro?”
“Eu disse “na pior das hipóteses”!”
Repetiu a advertência (“e se você se elege prefeita?”) e entrou
sem um sorriso. E ele é do tipo galanteador.
***
Dentro havia um candidato a vereador para cada 15 convidados. Alguns [candidatos] decentes, inclusive.
Dentro havia um candidato a vereador para cada 15 convidados. Alguns [candidatos] decentes, inclusive.
domingo, 19 de agosto de 2012
Jogo de perde-perde
Ao contrário do que costuma acontecer, mais passa o tempo,
menos me conformo.
***
Passei boa parte dos últimos cinco dias tentando explicar para as pessoas:
Passei boa parte dos últimos cinco dias tentando explicar para as pessoas:
1) Qual é a minha opinião sobre o assunto (maconha)
2) É uma opinião. Não plano, projeto, proposta para a prefeitura. Não tem nada a ver com meu programa de governo.
2) É uma opinião. Não plano, projeto, proposta para a prefeitura. Não tem nada a ver com meu programa de governo.
Muitas não tem tempo. Outras tem tempo mas não querem ouvir.
Querem nem saber.
***
Qual é a opinião? Que seria melhor tirar a maconha das mãos do crime e suas regras (nojentas, cruéis) e trazer para o mundo das pessoas honestas (que tem nome e sobrenome - e não é “Marcola”, “Nem”, “Fernandinho Beira-Mar” - endereço conhecido, CNPJ, pagam imposto, registram os empregados, recebem a visita da Vigilância Sanitária talvez com relutância, mas não com rajada de tiros de metralhadora).
Qual é a opinião? Que seria melhor tirar a maconha das mãos do crime e suas regras (nojentas, cruéis) e trazer para o mundo das pessoas honestas (que tem nome e sobrenome - e não é “Marcola”, “Nem”, “Fernandinho Beira-Mar” - endereço conhecido, CNPJ, pagam imposto, registram os empregados, recebem a visita da Vigilância Sanitária talvez com relutância, mas não com rajada de tiros de metralhadora).
***
Mães apavoradas me condenam. Me acham débil mental, louca, irresponsável. Não é nem “maconheira”, é muito pior.
Mães apavoradas me condenam. Me acham débil mental, louca, irresponsável. Não é nem “maconheira”, é muito pior.
Explico: "Hoje, seu filho pode não fumar maconha, mas ele sabe onde
vende. Sabe quem vende: bandido. Armado, violento, arrogante. Maconha é a porta
de entrada para o contato com o crime".
"E você quer liberar!! O que já é ruim, vai ficar pior!"
***
Os meninos se aproximarem de maconha não é tão mau quanto se aproximar dos bandidos. Maconha os deixa meio tchongos, no máximo. Bandido MATA. Ganha muito dinheiro, tem nenhuma preocupação com o que é certo (a não ser lá de acordo com os códigos deles). Corrompe PM, advogado, promotor, delegado, juiz. Compra silêncio, escraviza comunidade.
Os meninos se aproximarem de maconha não é tão mau quanto se aproximar dos bandidos. Maconha os deixa meio tchongos, no máximo. Bandido MATA. Ganha muito dinheiro, tem nenhuma preocupação com o que é certo (a não ser lá de acordo com os códigos deles). Corrompe PM, advogado, promotor, delegado, juiz. Compra silêncio, escraviza comunidade.
Bandido oferece uma boa grana por trabalho sujo. Seduz os
meninos com isso - a grana, as armas, o fascínio da maldade. Do proibido.
***
Cerveja é PIOR do que maconha.
Cerveja é PIOR do que maconha.
Eu não bebo cerveja e pareço um ET na balada. Todo mundo
bebendo menos eu.
A Copa do Mundo gerou uma crise internacional (interesses
financeiros, claro) porque o Brasil não permite cerveja nos estádios.
Pais de família acham normalíssimo encher a lata no
fim-de-semana. Tomar cerveja a tarde toda enquanto olha os filhos à beira da
piscina. Fazer um churrasco com os amigos e beber, beber, beber. Mijar e beber.
Jogar bola e beber. Beber e, “tá tudo bem”, dirigir. Beber e roncar na frente
da TV.
Um vereador que sobe à tribuna para me chamar de “maconheira”
paga churrasco e cerveja para seus eleitores numa boa.
***
Cerveja é mais do que permitido, é incentivado. Comercial de cerveja é uma pouca vergonha: “Beba e terá a Juliana Paes. Não beba e faça papel de idiota”.
Cerveja é mais do que permitido, é incentivado. Comercial de cerveja é uma pouca vergonha: “Beba e terá a Juliana Paes. Não beba e faça papel de idiota”.
A publicidade de cigarro foi proibida; a de cerveja, não. Imagine
o “lobby” - fabricantes, mercado publicitário, mídia... Mesmo odiando o Serra eu
era obrigada a reconhecer, muito contrariada, que o representante das elites
perversas e poderosos interesses econômicos tinha batido de frente com boa parte
deles. Qual era a dele, afinal?
***
Eu proibiria publicidade de cerveja na TV. E patrocínio de cerveja à seleção brasileira de futebol. Beber cerveja deve ser bom o suficiente para não precisar de tanto estímulo. Se é tão gostoso, qual a necessidade de associar a esporte, esperteza, virilidade, popularidade e sucesso?
Eu proibiria publicidade de cerveja na TV. E patrocínio de cerveja à seleção brasileira de futebol. Beber cerveja deve ser bom o suficiente para não precisar de tanto estímulo. Se é tão gostoso, qual a necessidade de associar a esporte, esperteza, virilidade, popularidade e sucesso?
Ainda assim, que bom que o fabricante de cerveja é a AMBEV,
não a máfia do Cachoeira.
Odeio cigarro e ficaria inconformada se alguma das minhas
filhas fumasse, mas prefiro mil vezes que seja fabricado pela Souza Cruz e
vendido no Sonda. Se o meu amigo Tatau tivesse de se enfiar na Vila Anglo para
sustentar seu “vício maldito”, eu teria muito mais medo por ele (e por mim) do que tenho
agora por seus pulmões encardidos.
***
Enquanto me preparo para mais um dia de compromissos com candidatos a vereador com vergonha de me receber e cansados de tentar explicar (“É ESSA a sua candidata, que quer liberar maconha no bar?”), os jornalistas estão em casa. O autor da manchete está tomando uma no sofá, enrolando um talvez. E se souber que estou reclamando, dirá “Puta otária, quem falou foi ela, não eu. Quem mandou?”.
Enquanto me preparo para mais um dia de compromissos com candidatos a vereador com vergonha de me receber e cansados de tentar explicar (“É ESSA a sua candidata, que quer liberar maconha no bar?”), os jornalistas estão em casa. O autor da manchete está tomando uma no sofá, enrolando um talvez. E se souber que estou reclamando, dirá “Puta otária, quem falou foi ela, não eu. Quem mandou?”.
Eu falo sério porque acredito que estou entre adultos
capazes de ouvir com atenção. Otária, fico achando que serão honestos ao passar
a conversa adiante. Afinal, não estou entre inimigos ou tentando convencer a
direção da Opus Dei. Eles não só entendem o que eu digo como, 90% das vezes, acham
que tenho razão. Mas que sou trouxa em dizer - e o papel deles como jornalistas
é me expor à sanha de quem não entende ou quer aproveitar a deixa para me f.
Eles lá “cumprindo seu dever”, eu aqui tentando defender
honestamente o que acredito. Por eles inclusive.
Talvez eu perca votos - quem
ganha? Serra, Russomano, Haddad ou Chalita. Talvez o Paulinho, muito amigo do
uísque. Dificilmente o Giannazi. Será que o cara que me sacaneia pra fazer
graça acha que ganhou também?
***
Eles tem razão. Eu sou otária msm. Esperto é quem sabe usar a imprensa a seu favor, para divulgar as mentiras que ela compra sem apurar p. nenhuma.
Eles tem razão. Eu sou otária msm. Esperto é quem sabe usar a imprensa a seu favor, para divulgar as mentiras que ela compra sem apurar p. nenhuma.
“Vou fazer dois milhões de moradias e zerar o déficit
habitacional em São Paulo”. “Vou fazer 100km de metrô e acabar com o
congestionamento antes que você diga IPI zero”. Acho que é por aí.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Aquele mau humor básico
Hoje o Haddad vai lançar o programa de governo às 10h00. Queria ir pra ver se assim apareço na Folha ou no Estadão.
***
Mais de uma vez, um eleitor do Haddad me disse: "Parabéns pela campanha, está ótima. Sua candidatura é importante por defender temas que os outros não bancam". Ora, vão catar coquinho. Sou candidata porque quero ser prefeita, não para levantar bandeiras que eles acham importantes mas seu candidato não tem coragem ou o João Santana não deixa defender. HMPF.
***
Reclamamos com uma jornalista do Estadão sobre a cobertura das eleições em São Paulo. "É que um é candidato da presidente; o outro, do governador e do prefeito". Ah tá.
Reclamamos com uma jornalista do Estadão sobre a cobertura das eleições em São Paulo. "É que um é candidato da presidente; o outro, do governador e do prefeito". Ah tá.
***
E tem o Chalita, né, que tem desde o começo bom espaço no Estado. Candidato, quem sabe, da presidente e do governador. Jornal gosta tanto de maldadezinhas e fofocas, talvez seja isso.
E tem o Chalita, né, que tem desde o começo bom espaço no Estado. Candidato, quem sabe, da presidente e do governador. Jornal gosta tanto de maldadezinhas e fofocas, talvez seja isso.
***
Sábado, Serra, Haddad e Chalita "faltaram" a dois eventos para os quais foram convidados. Um foi o lançamento do balanço da série "Seu Bairro, Nossa Cidade", que também não contou com a presença de Russomano e, se não me engano, do Gianazzi. Os presentes foram mencionados; os ausentes, não.
Sábado, Serra, Haddad e Chalita "faltaram" a dois eventos para os quais foram convidados. Um foi o lançamento do balanço da série "Seu Bairro, Nossa Cidade", que também não contou com a presença de Russomano e, se não me engano, do Gianazzi. Os presentes foram mencionados; os ausentes, não.
À tarde, estive no debate promovido pela Associação de Moradores de Taipas. Serra, Haddad e Chalita não foram. Nadia Campeão representou Haddad. Não pôde ficar até o fim. Puxa, nem a vice? :oP
***
Nesses debates muitas coisas são ditas com mais liberdade, e isso inclui informações, ahn, não verificadas.
A candidata do PSTU, por exemplo, se diz contra o Rodoanel porque o transporte de carga tem de ser ferroviário. CONCORDO COMPLETAMENTE. Mas não podemos, tanto nesse caso quanto no de transporte de passageiros, esperar as linhas de trem/metrô ficarem prontas...
Alguém (não sei se foi também a Ana Luiza ou o Gianazzi) disse que o metrô continua andando a passo de tartaruga, porque a previsão de entrega da linha que vai lá pra Zona Norte/Noroeste é 2018. Gente, não dá pra fazer metrô correndo não. Foi lerdo aí durante alguns anos? Foi. Mas vamos fazer o que, acelerar feito doido pra tirar o atraso?
***
A Ana Luiza defendeu a "tarifa social" (R$1). "1/3 das pessoas faz seus deslocamentos a pé porque não tem dinheiro pra condução". Não é isso não... 1/3 dos deslocamentos é feito a pé, por muitas razões diferentes - inclusive as boas. Milhões saem na hora do almoço e andam até o boteco ou restaurante. Milhões andam até a escola ou o centro de compras. Andam até o ponto de ônibus e o metrô. Esse dado (1/3) é invocado sempre para demonstrar que a cidade NÃO É toda motorizada, e se dá muito mais destaque às necessidades e dificuldades da locomoção em automóvel do que nas condições para circulação de pedestres.
A Ana Luiza defendeu a "tarifa social" (R$1). "1/3 das pessoas faz seus deslocamentos a pé porque não tem dinheiro pra condução". Não é isso não... 1/3 dos deslocamentos é feito a pé, por muitas razões diferentes - inclusive as boas. Milhões saem na hora do almoço e andam até o boteco ou restaurante. Milhões andam até a escola ou o centro de compras. Andam até o ponto de ônibus e o metrô. Esse dado (1/3) é invocado sempre para demonstrar que a cidade NÃO É toda motorizada, e se dá muito mais destaque às necessidades e dificuldades da locomoção em automóvel do que nas condições para circulação de pedestres.
***
O Miguel Manso (PPL) estava lá também. Era quem mais tinha bandeiras e militantes distribuindo material.
O Miguel Manso (PPL) estava lá também. Era quem mais tinha bandeiras e militantes distribuindo material.
***
Esse é um dos fatores de desequilíbrio para as campanhas que tem grana. O lado mais explorado na mídia é o do horário de TV e o salário estratosférico dos marqueteiros. Mas a presença das campanhas ricas na periferia é muito, muito, muito maior. São milhares de pessoas contratadas para "bandeirar" e "panfletar" - e, em gratidão, muitas delas costumam votar também... São lideranças remuneradas para orientar seus liderados. São centenas de kombis "envelopadas" percorrendo as ruas. Centenas de comitês montados. Milhares de cavaletes. Milhões de folhetos.
Esse é um dos fatores de desequilíbrio para as campanhas que tem grana. O lado mais explorado na mídia é o do horário de TV e o salário estratosférico dos marqueteiros. Mas a presença das campanhas ricas na periferia é muito, muito, muito maior. São milhares de pessoas contratadas para "bandeirar" e "panfletar" - e, em gratidão, muitas delas costumam votar também... São lideranças remuneradas para orientar seus liderados. São centenas de kombis "envelopadas" percorrendo as ruas. Centenas de comitês montados. Milhares de cavaletes. Milhões de folhetos.
E como o PT, por exemplo, tem dinheiro suficiente para fazer muito material para seus candidatos a vereador, ele sai todo padronizado - com a foto do Haddad grandona ao lado de cada um deles nos tais dos cavaletes, perfureides etc. No PPS, vou te falar, viu? Candidato arruma recurso próprio pra rodar material e, quando não "esquece" de mim, coloca meu nome no modelo "quero ver você me enxergar".
***
Parece o tamanho das letrinhas nos cavaletes do Antonio Carlos Rodrigues indicando a qual coligação ele pertence. Vê lá se ele quer colocar em risco o eleitorado petista... Se bem que, se ACR disser que é pra votar no Cacareco, pessoal do reduto dele vota.
Parece o tamanho das letrinhas nos cavaletes do Antonio Carlos Rodrigues indicando a qual coligação ele pertence. Vê lá se ele quer colocar em risco o eleitorado petista... Se bem que, se ACR disser que é pra votar no Cacareco, pessoal do reduto dele vota.
***
Na campanha de 2004, estávamos almoçando perto do comitê da Marta (eu, Alexandre Youssef, Rui Falcão e, se não me engano, o Ítalo). A dona do restaurante cumprimentou os dirigentes, acostumada a vê-los ali. "A Soninha é candidata a vereadora". "Ah, me desculpe mas eu voto no Antonio Carlos Rodrigues. Ele ajuda muito a gente aqui. A lâmpada na rua aqui na frente foi ele quem consertou".
Na campanha de 2004, estávamos almoçando perto do comitê da Marta (eu, Alexandre Youssef, Rui Falcão e, se não me engano, o Ítalo). A dona do restaurante cumprimentou os dirigentes, acostumada a vê-los ali. "A Soninha é candidata a vereadora". "Ah, me desculpe mas eu voto no Antonio Carlos Rodrigues. Ele ajuda muito a gente aqui. A lâmpada na rua aqui na frente foi ele quem consertou".
O Rui deu aquela sua risadinha meio de lado - "Não é bem assim...". "Não, olha, nós pedimos vinte vezes para virem trocar e nada. Aí falamos com ele e ele mandou consertar".
Sem querer esticar a conversa, Rui balançou a cabeça e comentou baixinho, só com quem estava na mesa: "A máquina é terrível".
***
IMAGINA se um partido da oposição estivesse sendo julgado no STF como o PT está e o presidente desse partido dissesse "o povo tá interessado na Olimpíada e na Avenida Brasil, não no julgamento". Nossa.
IMAGINA se um partido da oposição estivesse sendo julgado no STF como o PT está e o presidente desse partido dissesse "o povo tá interessado na Olimpíada e na Avenida Brasil, não no julgamento". Nossa.
terça-feira, 24 de julho de 2012
Muita coisa por aí
Existem mil maneiras de saber nosso diagnóstico e propostas para São Paulo, agenda de campanha etc:
Site do PPS SP
O "Veja aqui tudo sobre a campanha" abre este post, utilíssimo, com mil links
E ainda tem o Blog PPS-Sampa, com posts atualizados e mais um caminhão de links
Site do PPS SP
O "Veja aqui tudo sobre a campanha" abre este post, utilíssimo, com mil links
E ainda tem o Blog PPS-Sampa, com posts atualizados e mais um caminhão de links
Nosso desafio no site de campanha vai ser reunir isso tudo em um lugar só rsrs
terça-feira, 26 de junho de 2012
Valor de Lixo Econômico
Deu no Sem Valor (comentários no texto):
Soninha, aliada do campo tucano, (...)
Compreensível, não está errado, sou do "campo tucano" uma vez que somos da oposição ao governo federal e apoiamos a candidatura de Serra à presidência em 2010. Mas não sou "aliada" do "campo tucano" como posição fixa, definitiva, incondicional. Tenho horror de "apoio incondicional"; de "aliados" à toda prova. Na Câmara Federal, somos muito mais resolutos na oposição do que os tucanos - que tem um Senador, por exemplo, que manda prender e soltar em Minas Gerais e pouco se dispõe a criticar o governo, a não ser que seja de modo muito confortável.
(...) evitou se associar ao "tchu, tcha, tcha" do ex-governador, (...)
"Evitou se associar". Pouco enviesado esse texto, não? Toda convenção tem sua "musiquinha", cada partido tem seu jingle. A nossa, no sábado, teve vários sons, várias trilhas. De Pink Floyd a Tim Maia a Rita Lee. Foi no sábado. No domingo o PSDB fez a sua e escolheu a paródia do sucesso do momento. E eu "evitei me associar". São uns idiotas. EU SOU CANDIDATA. EU QUERO SER PREFEITA. Não "evito me associar" a bosta nenhuma, respondo com sinceridade a tudo que me perguntam (provavelmente sou eu a idiota por isso), mas a mídia ridícula não consegue falar de mim sem me "associar" a alguma coisa. "Aquela"...
Por que não dizem "Netinho de Paula, do PC do B, "aliado do campo petista", viu-se obrigado a abrir mão de sua candidatura a pedido de Lula". "Há quem diga que o PC do B é "linha auxiliar" do PT, porque pela segunda vez consecutiva abre mão de disputar a prefeitura em troca do lugar de vice na chapa do partido de situação no governo federal, onde ocupa um ministério".
Por que não dizem "Chalita, ex-tucano, ex-socialista, atual peemedebista, ex-Secretário da Educação no governo do estado"?
E, se ao menos lembrassem que o Russomanno existe, "ex-integrante do PP, partido de Paulo Maluf; apresentador de TV, ex-deputado federal, hoje milita no PRB, do Bispo Crivella, Senador nomeado para o Ministério da Pesca e sobrinho de Edir Macedo, da Igreja Universal e da Rede Record.
(...) pelo menos na primeira rodada da eleição.
"Pelo menos". Deixa eu fazer um desenhinho, talvez eles entendam. Eu SOU CANDIDATA A PREFEITURA. Vários outros também são. Cada um de nós tem uma trajetória, fez campanha para um candidato a presidente, teve uma passagem pelo Legislativo etc. No segundo turno, qualquer um de nós que não esteja lá vai optar por um dos dois candidatos na disputa - exceto o PSOL, que certamente vai pregar o voto nulo porque é tudo igual então tanto faz etc. EU QUERO ESTAR NO SEGUNDO TURNO. Seja contra o Serra, o Russomano, o Chalita ou o Haddad. Se os tucanos tivessem insistido naqueles seus pré-candidatos, eu possivelmente já estaria lá, em segundo, atrás do Russomano - que vem se mantendo no alto desde as primeiras pesquisas. Quem sabe em primeiro. Eu e os tucanos, que somos "do mesmo campo", DISPUTAMOS votos uns com os outros. Os votos de quem desaprova várias coisas nos demais candidatos. Mas esses bitolados só conseguem pensar em Serra, Haddad e, no máximo, Chalita. Obsessão. Freud talvez explique.
(...) Lançou sua candidatura na Câmara dos Vereadores, onde dançou ciranda ao som de tambores à la Olodum baiano, e falou de suas ideias para a cidade.
Quer pegar terrenos usados como estacionamento durante o dia, e ociosos à noite, e construir apartamentos que levem a população a deixar a periferia para morar na região central. Está na contramão das propostas de concorrentes como o deputado federal Paulinho da Força (PDT) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT), calcadas na redução de imposto para empresas que se instalarem nas franjas da cidade. A ex-VJ da MTV não disse em que está baseada. (...)
1- Deixa eu ajudar o Valor Econômico a atualizar seus arquivos. Eu sou ex-estudante de Magistério, ex-atriz de teatro amador, ex-recepcionista de eventos, ex-professora da Cultura Inglesa, ex-redatora/produtora/diretora de programas, ex-VJ da MTV, ex-apresentadora da TV Cultura, ex-comentarista de futebol na ESPN/CBN/Rádio Globo/Folha de São Paulo, ex-AmericaOnLine, ex-Saia Justa. E, para ficar mais dentro do escopo (vida pública/carreira política), que tal ex-vereadora, ex-PT, ex-Subprefeita da Lapa, ex-editora do site de campanha do Serra em 2010 (não escondo, não "evito"!), ex-superintendente da Sutaco, "candidata a prefeita pelo PPS já em 2008, quando começou com 1% e terminou com mais de 4%, ficando atrás apenas dos "peso-pesados", muito mais conhecidos, Paulo Maluf, Geraldo Alckmin, Marta Suplicy e Kassab". FiK DiK.
2 - "Contramão das propostas" #myass. Uma coisa complementa a outra, como bem sabem o FHaddad, que estudou direitinho, e o Paulinho da Força, que também andou pensando no assunto. Tem de aproveitar espaços ociosos ou sub-utilizados no centro, onde já há infraestrutura melhor e maior quantidade de postos de trabalho, E incentivar a atividade econômica nas "franjas" da cidade. Para refrescar a memória (esse foi o segundo programa do horário eleitoral em 2008):
2 - A "ex-VJ da MTV" nem precisaria dizer em que "está baseada", porque usar os recursos da prefeitura para Habitação para adquirir terrenos na região central e erguer moradia ali (e não na casa do cac..., onde o terreno é mais barato", não precisa se "basear" em mais nada exceto a decisão política. Mas há vários mecanismos sim, que não fui eu que inventei - alguns já são lei, olha que beleza. Estão no Plano Diretor, por exemplo, as ZEIS, Zonas Especiais de Interesse Social, que já estabelecem que em determinados lugares só podem ser construídas moradias populares. Tem também a lei que disciplina a aplicação do mecanismo do IPTU progressivo para onerar os imóveis mal utilizados/sub-utilizados. Tem a possibilidade de conceder incentivos ao mercado, com crédito e isenções condicionados à produção de imóveis que atendam às necessidades maiores da cidade (e não apenas imóveis de alto padrão, que são ótimos para "investimento" (a Cyrela faz propaganda disso) ou residência de quem tem muita grana).
3 - A ex-VJ poderia explicar direitinho para o Valor o que pretende, se eles tivessem feito com ela o que fizeram com o Netinho de Paula e outros "prés" - deram-lhes uma página de entrevista. Claro, ele era um dos primeiros em intenção de voto. Eu também - antes do Serra, eu já era terceira. Mas, por alguma razão misteriosa ou nem tanto, o Valor resolveu me ignorar. Marcou um dia, desmarcou, não marcou de novo. (Talvez eles digam "vcs desmarcaram também". Verdade, precisamos cancelar um horário mas prontamente indicamos outro, e eles concordaram. Depois desmarcaram e sumiram).
Eu não devia nunca blogar com raiva, mas... hoje vou. Não quero guardar a raiva aqui dentro. Desonestos, displicentes, enviesados, irresponsáveis.
Soninha, aliada do campo tucano, (...)
Compreensível, não está errado, sou do "campo tucano" uma vez que somos da oposição ao governo federal e apoiamos a candidatura de Serra à presidência em 2010. Mas não sou "aliada" do "campo tucano" como posição fixa, definitiva, incondicional. Tenho horror de "apoio incondicional"; de "aliados" à toda prova. Na Câmara Federal, somos muito mais resolutos na oposição do que os tucanos - que tem um Senador, por exemplo, que manda prender e soltar em Minas Gerais e pouco se dispõe a criticar o governo, a não ser que seja de modo muito confortável.
(...) evitou se associar ao "tchu, tcha, tcha" do ex-governador, (...)
"Evitou se associar". Pouco enviesado esse texto, não? Toda convenção tem sua "musiquinha", cada partido tem seu jingle. A nossa, no sábado, teve vários sons, várias trilhas. De Pink Floyd a Tim Maia a Rita Lee. Foi no sábado. No domingo o PSDB fez a sua e escolheu a paródia do sucesso do momento. E eu "evitei me associar". São uns idiotas. EU SOU CANDIDATA. EU QUERO SER PREFEITA. Não "evito me associar" a bosta nenhuma, respondo com sinceridade a tudo que me perguntam (provavelmente sou eu a idiota por isso), mas a mídia ridícula não consegue falar de mim sem me "associar" a alguma coisa. "Aquela"...
Por que não dizem "Netinho de Paula, do PC do B, "aliado do campo petista", viu-se obrigado a abrir mão de sua candidatura a pedido de Lula". "Há quem diga que o PC do B é "linha auxiliar" do PT, porque pela segunda vez consecutiva abre mão de disputar a prefeitura em troca do lugar de vice na chapa do partido de situação no governo federal, onde ocupa um ministério".
Por que não dizem "Chalita, ex-tucano, ex-socialista, atual peemedebista, ex-Secretário da Educação no governo do estado"?
E, se ao menos lembrassem que o Russomanno existe, "ex-integrante do PP, partido de Paulo Maluf; apresentador de TV, ex-deputado federal, hoje milita no PRB, do Bispo Crivella, Senador nomeado para o Ministério da Pesca e sobrinho de Edir Macedo, da Igreja Universal e da Rede Record.
(...) pelo menos na primeira rodada da eleição.
"Pelo menos". Deixa eu fazer um desenhinho, talvez eles entendam. Eu SOU CANDIDATA A PREFEITURA. Vários outros também são. Cada um de nós tem uma trajetória, fez campanha para um candidato a presidente, teve uma passagem pelo Legislativo etc. No segundo turno, qualquer um de nós que não esteja lá vai optar por um dos dois candidatos na disputa - exceto o PSOL, que certamente vai pregar o voto nulo porque é tudo igual então tanto faz etc. EU QUERO ESTAR NO SEGUNDO TURNO. Seja contra o Serra, o Russomano, o Chalita ou o Haddad. Se os tucanos tivessem insistido naqueles seus pré-candidatos, eu possivelmente já estaria lá, em segundo, atrás do Russomano - que vem se mantendo no alto desde as primeiras pesquisas. Quem sabe em primeiro. Eu e os tucanos, que somos "do mesmo campo", DISPUTAMOS votos uns com os outros. Os votos de quem desaprova várias coisas nos demais candidatos. Mas esses bitolados só conseguem pensar em Serra, Haddad e, no máximo, Chalita. Obsessão. Freud talvez explique.
(...) Lançou sua candidatura na Câmara dos Vereadores, onde dançou ciranda ao som de tambores à la Olodum baiano, e falou de suas ideias para a cidade.
Quer pegar terrenos usados como estacionamento durante o dia, e ociosos à noite, e construir apartamentos que levem a população a deixar a periferia para morar na região central. Está na contramão das propostas de concorrentes como o deputado federal Paulinho da Força (PDT) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT), calcadas na redução de imposto para empresas que se instalarem nas franjas da cidade. A ex-VJ da MTV não disse em que está baseada. (...)
1- Deixa eu ajudar o Valor Econômico a atualizar seus arquivos. Eu sou ex-estudante de Magistério, ex-atriz de teatro amador, ex-recepcionista de eventos, ex-professora da Cultura Inglesa, ex-redatora/produtora/diretora de programas, ex-VJ da MTV, ex-apresentadora da TV Cultura, ex-comentarista de futebol na ESPN/CBN/Rádio Globo/Folha de São Paulo, ex-AmericaOnLine, ex-Saia Justa. E, para ficar mais dentro do escopo (vida pública/carreira política), que tal ex-vereadora, ex-PT, ex-Subprefeita da Lapa, ex-editora do site de campanha do Serra em 2010 (não escondo, não "evito"!), ex-superintendente da Sutaco, "candidata a prefeita pelo PPS já em 2008, quando começou com 1% e terminou com mais de 4%, ficando atrás apenas dos "peso-pesados", muito mais conhecidos, Paulo Maluf, Geraldo Alckmin, Marta Suplicy e Kassab". FiK DiK.
2 - "Contramão das propostas" #myass. Uma coisa complementa a outra, como bem sabem o FHaddad, que estudou direitinho, e o Paulinho da Força, que também andou pensando no assunto. Tem de aproveitar espaços ociosos ou sub-utilizados no centro, onde já há infraestrutura melhor e maior quantidade de postos de trabalho, E incentivar a atividade econômica nas "franjas" da cidade. Para refrescar a memória (esse foi o segundo programa do horário eleitoral em 2008):
2 - A "ex-VJ da MTV" nem precisaria dizer em que "está baseada", porque usar os recursos da prefeitura para Habitação para adquirir terrenos na região central e erguer moradia ali (e não na casa do cac..., onde o terreno é mais barato", não precisa se "basear" em mais nada exceto a decisão política. Mas há vários mecanismos sim, que não fui eu que inventei - alguns já são lei, olha que beleza. Estão no Plano Diretor, por exemplo, as ZEIS, Zonas Especiais de Interesse Social, que já estabelecem que em determinados lugares só podem ser construídas moradias populares. Tem também a lei que disciplina a aplicação do mecanismo do IPTU progressivo para onerar os imóveis mal utilizados/sub-utilizados. Tem a possibilidade de conceder incentivos ao mercado, com crédito e isenções condicionados à produção de imóveis que atendam às necessidades maiores da cidade (e não apenas imóveis de alto padrão, que são ótimos para "investimento" (a Cyrela faz propaganda disso) ou residência de quem tem muita grana).
3 - A ex-VJ poderia explicar direitinho para o Valor o que pretende, se eles tivessem feito com ela o que fizeram com o Netinho de Paula e outros "prés" - deram-lhes uma página de entrevista. Claro, ele era um dos primeiros em intenção de voto. Eu também - antes do Serra, eu já era terceira. Mas, por alguma razão misteriosa ou nem tanto, o Valor resolveu me ignorar. Marcou um dia, desmarcou, não marcou de novo. (Talvez eles digam "vcs desmarcaram também". Verdade, precisamos cancelar um horário mas prontamente indicamos outro, e eles concordaram. Depois desmarcaram e sumiram).
Eu não devia nunca blogar com raiva, mas... hoje vou. Não quero guardar a raiva aqui dentro. Desonestos, displicentes, enviesados, irresponsáveis.
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quarta-feira, 13 de junho de 2012
Fernando, Antonio, Francisco
Arrumando minhas caixas - infinitas caixas de papeis, revistas e livros - encontrei uma biografia de “Antonio, o Santo do Amor”. Deve ter sido presente da época do Saia Justa (ganhávamos uns 3 ou 4 livros por semana!).
Antonio nasceu Fernando, em família “boa” de Portugal. Menino estudioso, reservado, vivia enfurnado na igreja da praça ou nos livros. O pai o queria fidalgo, cavaleiro, mas ele sonhava com a vida reclusa de um monastério e teve o apoio (de quem mais seria?) da mãe.
Fernando não se conformava com as Cruzadas e seu método “matar para salvar”. O livro conta, com nomes e datas, o que estamos cansados de saber - os interesses nada pios nas conversões forçadas. Papas, bispos, reis e nobres disputavam entre si o poder sobre pedaços de território dos dois lados do mediterrâneo.
O sul da França, por exemplo, queria romper com o poder do rei e declarar independência. Os senhores de terras locais se juntavam, então, aos “hereges”, já que o Papa era “assim” com o rei. E dá-lhe banho de sangue.
Fernando, como alguns rappers dos anos 90, acreditava na força da palavra em vez das armas. E, segundo consta, era muito bom nisso. Convincente, persuasivo, jamais se abalava e persistia na argumentação baseada em sua imensa fé e devoção.
Coerente, o devoto não se sentia nada confortável com a opulência da igreja... As salas de troféus... E ficou cada vez mais encantado com uma nova ordem, fundada por um italiano de nome Francisco. Ahn? Ahn? Pescou?
Pois é, Francisco de Assis, assim como alguns hereges, acreditava em uma vida totalmente destituída de bens como a mais próxima do ideal cristão. Mas os hereges rompiam com o poder do Vaticano e ele não; obteve a “autorização” do Papa para seguir com sua linha de ação. Fernando ficou fascinado com a entrega absoluta de suas vidas – frequentemente literal e trágica - aos ideais cristãos. Dois pregadores obstinados, conta o livro, foram esquartejados em Marrocos depois de passarem por Portugal e Fernando conhecê-los pessoalmente.
Fernando acabou deixando os agostinianos e beneditinos, com quem tinha passado algum tempo, e se juntou aos franciscanos - e foi então que mudou de nome para Antonio.
E eu que nem imaginava que Antonio, que aparece nas estátuas segurando um Menino Jesus, tinha nascido Fernando, em Portugal, conhecido Francisco de Assis pessoalmente e se tornado referência importante na Ordem Franciscana, a ponto de desencadear mudanças.
Francisco era muito avesso ao estudo, por duas razões: porque livros eram posses como quaisquer outras e a necessidade de guardá-los implicava em outras posses, outras preocupações e cuidados. Mais que isso, temia - com motivos de sobra... - que a erudição trouxesse arrogância e a ideia de superioridade sobre os demais (em um tempo em que até reis eram analfabetos, imagine os pobres camponeses e aldeões). E que isso acabasse afastando os franciscanos do convívio e a ação em benefício dos pobres, dos “leprosos”, dos mais rejeitados.
Antonio convenceu Francisco, por seu modo abnegado de se dedicar aos outros, sua fé irreprochável, que era possível ser “estudado” e modesto, letrado e humilde. Graças a sua influência, foi criada a primeira escola para instrução dos monges franciscanos.
Um homem de tanta fé, a quem são atribuídos vários milagres (ou não seria Santo...), tinha lá seus momentos de descrença. Não em Cristo, mas na humanidade...
Recorro muito a esses momentos de sensação de “não tem jeito, não tem remédio, nada do que se faça é capaz de mudar isso” para me animar quando sou eu que mergulho nesse estado. Grandes homens e mulheres podem nos parecer inabaláveis, totalmente convictos e resolutos da pertinência de seus esforços, mas eles também desanimam, viu?
“ (...) Pouco sabemos hoje sobre a forma como se manifesta a eloquência de Antônio. (...) Do que sabemos bem, pois disso restam os vários registros, é de seu poder de comunicação, a capacidade de convencimento fácil. Pelo que deixa escrito e pelos depoimentos dos contemporâneos, vê-se que considera sua época uma espécie de fundo do poço, em que todos os vícios e violências estão disseminados (...).
[Além disso], existe o medo das doenças inexplicadas numa época em que a medicina tem poucos recursos, o medo da violência praticada por salteadores nas estradas, o medo da guerra que está por toda parte”.
Pois é... Sensação de fim do mundo, fundo do poço, túnel sem luz no fim... Mas Antonio continuou fazendo o que achava que devia fazer...
Quando comecei a escrever (de manhã, antes de sair de casa), estava em meu estado de espírito “normal”: na expectativa boa de fazer algumas coisas, com preguiça de outras, nada de mais. Termino o texto agora (fim da tarde) quando estou triste, desanimada, de saco cheio, com vontade de largar tudo, desencanar, desistir. “Não tem jeito... Não tem”. Dinheiro, “bom trânsito”, amizades, boas impressões, visões pré-concebidas, palpites, isso é o que leva uma eleição para um lado ou para o outro... O Haddad não precisa ser ninguém, não precisa querer ser prefeito (só queria morar em São Paulo, segundo uma matéria sb ele; Lula foi quem sugeriu “por que não sai candidato?”). Não precisa ter sido um bom ministro (levanta a mão quem acha que A EDUCAÇÃO NO BRASIL VAI BEM), não precisa ter sido escolhido pela maioria do PT, não precisa aparecer bem nas pesquisas de intenção de voto, não precisa ter bom conhecimento, leitura ou propostas para a cidade, não precisa ser cercado de pessoas honestas. Só precisa ser o candidato do PT, pronto, tem a garantia de que será coberto pela imprensa como se JÁ ESTIVESSE no segundo turno. O que ajuda bastante a fazer com que esteja.
É foda. Círculo vicioso, moto perpétuo, caminhada em círculo. Quem já está no poder tem mil vezes mais chances de continuar do que quem está tentando entrar agora. Às vezes perco totalmente a vontade de continuar tentando.
Se me conheço bem, daqui a pouco [a falta de vontade] passa. Valei-me Santo Antonio.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Imprima-se a lenda
- O que você queria que eu
fizesse, visse os vídeos linkados no
site da Dilma?
- Por supuesto!
- (...) [Silêncio].
***
A poucos dias do segundo turno, a
Agência Estado noticiou que um vídeo “baixaria” sobre a Dilma estava sendo
veiculado em um blog “ligado” ao site oficial do Serra.
Qual era o vídeo? Uma paródia do
filme 2012, associando a eleição da Dilma ao fim do mundo.
Não vi o filme nem o vídeo, exceto
os primeiros 40 segundos, e só porque saiu a notícia.
***
Passei a campanha toda sem
associar nenhum blog ao site oficial de campanha. Havia vários blogs de tucanos
ou serristas que publicavam informações e opiniões sintonizadas com a campanha,
mas nunca tive vontade de estabelecer um relacionamento oficial com nenhum
deles, por razão simples e óbvia: o blog é de responsabilidade do editor, e não
quero endossar um conteúdo sobre o qual não tenho controle algum. Se um deles resolve
escrever “Dilma terrorista” – ou aceita um comentário nesse teor – eu estarei,
mesmo sem intenção, indicando a leitura disso... Então nada feito.
Nas últimas semanas, no entanto,
vi um blog criado especialmente para a campanha, o “Vou de Serra 45”. Aliás,
foi de lá que baixei o banner que coloquei aí em cima. Pareceu muito bacana, “ordeiro”,
interessante. Eles divulgavam eventos de mobilização e pareciam acompanhar as
ações oficiais bem de perto. “Ok, vamos colocar um link para ele na home, assim
as pessoas podem saber que as informações sobre eventos são confiáveis”.
***
Mas, como todos os outros, era um
blog de responsabilidade de seus criadores... Eles não me pediam autorização
para postar conteúdo, claro. No site não entrava nada que eu não autorizasse,
ou nada que não fosse revisado e certificado mil vezes por alguém da nossa
equipe (e mesmo assim eu mandava re-revisar às vezes), mas no blog não. E eles
lá resolveram postar o vídeo “2012”, prevendo o fim do mundo caso Dilma fosse
presidente.
O jornalista da Agência Estado
viu o vídeo, achou o fim do mundo e publicou uma nota responsabilizando a
campanha por ele...
***
Quando saiu a nota, fui assistir
o tal do vídeo. Vi os primeiros segundos, já entendi do que se tratava e nem vi
o resto. Talvez ele ficasse pior depois, mas não achei nada de mais. Em todo
caso, eu não o teria publicado – prefiro deixar essas “brincadeirinhas” fora da
campanha. Em vários momentos quis publicar charges no site oficial, mas seriam
de outro tipo. Achei mais prudente, assim, tirar o link para o tal do blog. Eu
não poderia ficar vigiando o conteúdo deles e outras coisas poderiam ser
publicadas sem que fossem exatamente do meu agrado.
***
Só depois disso tudo o jornalista
do Estado me ligou, querendo saber por que o blog tinha saído da home.
Expliquei isso que disse logo
acima – eu nem tinha visto o tal do vídeo e não publicaria nada desse tipo no site
oficial... Que demorei um tempão para linkar
um blog no site e mesmo com toda cautela acabei indicando, sem querer, uma
brincadeira que poderia ser considerada de mau gosto – “e mau gosto é um
critério que eu levo em consideração”, disse a ele.
Por que ele não me ligou antes?
Não sei. O mundo inteiro tem meu celular, não é possível que ele não tivesse.
O fato é que ele achou o vídeo “horrível”
e fez questão de chamar atenção para ele... O número de views deve ter sido bem maior depois da matéria.
Registrei, então, um protesto. “Passei
quatro meses zelando pelo conteúdo do site e evitando qualquer associação
indevida. Não espalhei nenhuma corrente mentirosa, não fiz nenhuma apelação, não
tolerei nada de baixo nível ainda que tratasse de fatos verdadeiros.
Como eu disse, mau gosto é razão de veto por aqui. E então UM vídeo de gosto
discutível é publicado em um blog que, há dez dias, ganhou o direito de ter um
link na nossa página e isso já vale uma “denúncia”. Enquanto isso, o site
oficial da Dilma tem uma LISTA de blogs, inclusive o “Blog da Dilma”, a “Galera
da Dilma”, o “Amigos do Presidente Lula” – todos endossados por dirigentes do
PT até pelo presidente da República, que cumprimentou a editora do “Amigos”
pelo excelente trabalho... – e TODOS esses blogs, além do próprio site oficial,
tem mentiras, ofensas, baixarias de todos os tipos. Se referem ao Serra como “Zé
Mentira”, “Serra cagão”, “Zé Pedágio”. Publicam vídeos “de humor” dizendo que o
Serra não gosta de nordestino, não gosta de pobre, vai acabar com o Bolsa
Família. Que é um “covarde” que fugiu da ditadura enquanto a Dilma “lutava pela
liberdade”. Não é UM vídeo de gosto discutível, são MUITOS vídeos caluniosos,
ofensivos, horríveis. Isso NÃO É notícia?”.
***
Foi aí que veio o diálogo que abre este post.
Foi aí que veio o diálogo que abre este post.
- O que você queria que eu
fizesse, visse os vídeos linkados no
site da Dilma?
- Por supuesto!
- (...) [Silêncio].
Terminamos a conversa. Ele NÃO
achou que tinha o dever, como jornalista, de ver os vídeos publicados no site
da Dilma. Aliás, achou bizarra a minha sugestão, como se depreende por sua
pergunta.
Assim, como eternizou “O Homem
que Matou o Facínora”, imprimiu-se a lenda, que vai entrar assim para a história: 1) “As duas campanhas apelaram para a baixaria” – evoluindo, com o
tempo, para a versão de que “a campanha DO SERRA apelou para a baixaria”. 2) A
imprensa jogou a favor do Serra o tempo todo, mas o coitadinho do governo,
lutando contra tudo e contra todos, conseguiu derrotar as forças do mal!
***
Semana passada, o deputado
Adriano Diogo, do PT – que apareceu em um vídeo intimidando o dono de uma
gráfica, como se fosse uma visita da Máfia a um comerciante que não pagou a taxa
de proteção – mostrou o vídeo 2012 no plenário da Assembléia com as seguintes
palavras:
“Vou exibir o material que foi colocado pela coordenadora do site do
PSDB, a Vereadora
Sônia Francine”.
[A transcrição da sessão diz que ele, então, “exibiu material do site”]. “Viva
o Brasil! Viva a democracia! Abaixo os golpistas!”
E assim se consagra a farsa, a
mentira, a posição de vítima – e mais quatro anos de PT no governo federal “contra
tudo e contra todos”, inclusive a “imprensa golpista”.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Campanhas, jornalistas, analistas
Participei de um debate agora pela internet, em programa da TV Câmara, sobre campanhas e internet.
Uma professora de uma universidade de Minas Gerais (de Uberlandia, eu acho) disse que analisou os perfis de Twitter que mais retuitaram links para vídeos sobre aborto eram de pessoas que votam no Serra.
Antes mesmo de eu falar, ela já adiantou: "Eu não acredito que a Soninha tenha comandado isso, mas foi o que a gente constatou aqui em medição".
Ainda bem que ela não me atribuiu esse comando! Expliquei, mais uma vez, que a gente desencoraja a propagação de mensagens sensacionalistas, descontextualizadas, alarmistas, mentirosas. Que os nossos perfis oficiais, como ela mesma constatou, não passam isso adiante. Mas é compreensível que eleitores do Serra tenham identificado os vídeos como uma oportunidade - afinal, eles recomendavam NÃO votar na candidata do governo... E são pessoas de carne e osso, com seu próprio juízo, sobre as quais eu não tenho comando (nem quero ter!!). Não são robôs.
Nessa hora a professora entendeu mal: "Nós identificamos os robôs e não os consideramos na contagem". "Eu sei, é isso que eu estou dizendo! Robôs propagam aquilo que foram programados para propagar. Pessoas fazem o que lhes dá na telha... Espalham o que eu não queria que espalhassem, mas cada uma responde por si!"
***
No fim do programa, os analistas se queixaram da falta de temas realmente relevantes na campanha eleitoral, em vez da tal discussão sobre aborto. Um dos participantes observou: "Mas os temas realmente relevantes são complexos, áridos...". "Ah, mas quem quer ser candidato a presidência tem de estar pronto para discutir esses temas!".
Faltou dizer que não são os candidatos que não querem discutir esses temas para valer - NINGUÉM quer. Afinal, quando os jornalistas tem suas oportunidades, perguntam sobre... Aborto, religião, fofocas, baixarias, acusações (que às vezes são relevantes sim. Não é porque um tema é "negativo" que é baixaria... ).
***
"O Tony Blair esteve aqui e falou sobre a importância da Educação para o desenvolvimento", disse por fim um dos debatedores. "Eu não vi nenhum dos candidatos falando sobre isso".
:o(
APESAR de os repórteres dificilmente fazerem perguntas nessa linha, nosso candidato falou MUITAS vezes sobre isso. Em entrevistas, debates, Sabatinas, eventos, discursos, artigos, textos publicados no site...
Mas aí me lembra um dia em que eu morri de raiva do Galvão Bueno mais do que o normal. Ele pegava demais no pé do Alex, camisa 10 do Palmeiras. Narrando um jogo da seleção, ele ficou um tempão conversando com o Arnaldo enquanto o Alex fazia misérias em campo - dribles, passes, fintas, lançamentos. Dali a pouco, quando voltou a narrar o jogo propriamente, falou: "Alex não tá bem no jogo. Ainda não falei o nome dele. Ele não tocou na bola!".
Campanha eleitoral é assim, sempre. "Os candidatos não tem propostas concretas". "Os candidatos não falam do que realmente importa". "Os candidatos só fazem análises rasas". Ainda por cima, botam todo mundo no mesmo balaio.
Nosso candidato pode falar até ficar rouco sobre os erros da política econômica, a desindustrialização, a falta de política alfandegária que proteja o produto nacional, os desacertos na Educação que prejudicam nosso futuro, a necessidade de uma política ambiental corajosa, o dano causado pelo loteamento da máquina pública etc. Mas a maioria estará distraída, como o Galvão Bueno, e depois vai dizer: "Ele nem tocou no assunto".
:o((((
No livestream da campanha do governo...
...Disseram:
- Que no dia 29 os tucanos planejam fazer arruaça usando camisetas do PT para incriminá-los (SANTO DEUS!)
(E eu soube que a Marilena Chauí disse isso também. Custei a acreditar, mas me ofereceram o link do vídeo).
- Que nós fazemos campanha fascista no Orkut (ahn?)
****
Nós somos os feios, os sujos, os malvados, os violentos.
Mas eles distribuem folheto assim, ó:
http://twitpic.com/30te8s
O_o
"Carne de pescoço"
O tão amado petróleo, patrimônio dos brasileiros, pelo qual tantos lutaram por décadas, com ações vendidas na Bolsa de Valores com grande estardalhaço, virou... "carne-de-pescoço". Fué.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Sob efeito do rancor
Eu me arrependo de 80% do que escrevo com raiva. Mesmo que não mude de ideia - às vezes mudo - vejo o quanto posso me exceder sob influência de "forte emoção".
Portanto ter raiva, na minha opinião, é compreensível, mas não desejável. Agir sob efeito dela, menos ainda. Cultivá-la então...
****
Mudar de idéia, na minha opinião, é totalmente compreensível. Impossível é não mudar nunca, exceto em casos de fanatismo ou coisa parecida. Quando, não importa o que aconteça, você se mantém preso ao conceito original - e as coisas mudam o tempo todo! É bom reconsiderar, e conscientemente manter ou rever sua posição.
****
O texto abaixo, ao que tudo indica, foi escrito com muita raiva. Ele não tolerou o fato de uma pessoa ter mudado de posição (e não necessariamente de opinião, mas volto a isso depois).
Marina Silva, a traíra
Marina Silva é uma grande traidora. Traiu o povo brasileiro quando se posicionou contra o crescimento do país. Traiu o presidente Lula. Traiu o PT. Traiu também a memória de Chico Mendes quando se uniu àqueles que, disfarçadamente, alegraram-se com a morte do grande líder seringueiro. Marina Silva jogou no lixo uma biografia de defensora dos povos da floresta, defensora da Amazônia. Traiu por despeito e por vingança. Ela alimentava esperanças de que o presidente Lula a escolhesse para ser sua sucessora, e quando percebeu que não seria a escolhida deu o bote tal qual uma cascavel. Marina não foi escolhida pelo presidente Lula porque não tem capacidade, conhecimento e caráter para governar um país, porque não seria capaz de manter a política econômica de crescimento e desenvolvimento, não conseguiria gerir os programas sociais do governo. Não seria capaz de entender a importância das descobertas no Pré-Sal pela Petrobras, nem conseguiria atribuir tais riquezas ao povo. Marina Silva, é óbvio, não vai para o segundo turno, mas vai para o colo do Serra /PSDB/DEM, que ela combateu nos 30 anos em que esteve no PT. Marina mostra que não tem pudor nem ideologia, é só uma ecochata fazendo o jogo sujo do poder por despeito e vingança. Está se vingando do presidente Lula porque não a escolheu, pouco se lhe dá prejudicar o país e milhões de brasileiros, desde que alcance seu seu objetivo de vingança. Marina é muito religiosa, ligada à Assembléia de Deus, mas não é nenhuma santa. É apenas uma traíra.
Meus comentários:
1) "Marina se posicionou contra o desenvolvimento do país". Foi por discordar de visões como essa, dominantes no governo do PT - de que exigir rigor no licenciamento ambiental, por exemplo, é ser "contra o desenvolvimento" - que ela saiu do partido. Por isso digo que ela mudou de lugar, de posição, mas não de opinião. A postura dela continuou a mesma, mas o partido já não a representava mais, depois de o próprio governo não ter lhe dado o respeito devido (aqui há a lembrança de alguns episódios).
2) "Jogou no lixo a biografia", "despeito", "vingança"... Pura raiva.
3) Marina queria ser candidata a presidente pelo PT? Pode ser. E se quisesse? Nunca entendi por que alguns eleitores/militantes/jornalistas/analistas políticos acham muito natural que algumas pessoas queiram ser candidat@s a presidente, e condenam outras pelo mesmo desejo.
4) Acreditar que a Marina "não tem capacidade, conhecimento e caráter para governar um país, porque não seria capaz de manter a política econômica de crescimento e desenvolvimento, não conseguiria gerir os programas sociais do governo" etc etc é uma opinião que a autora pode ter. Mas o julgamento moral continua pesadíssimo: "não tem caráter"; "não tem pudor nem ideologia, é só uma ecochata fazendo o jogo sujo do poder".
5) Marina, segundo a autora, "combateu o Serra/PSDB/DEM nos 30 anos em que esteve no PT". Pois é, assim é o modo como alguns (ou, infelizmente, muitos) petistas veem o mundo... "O PT" combate "o PSDB". Marina, em 30 anos de PT, combateu a desonestidade, a irresponsabilidade, o desrespeito ao meio ambiente etc, onde quer que eles estivessem - no próprio PT, no PV, no PSDB...
6) Marina não é uma santa. Ninguém é "santo", ninguém é perfeito e não precisa ser (ufa). Também é típico demonizar um lado (incrível como são frequentes as representações do Serra como um demônio em páginas do PT, PCdoB, CUT etc.), santificar o outro, "dessantificar"... Vamos falar de gente, não de anjos e demônios!
Por fim... Outra conduta típica: tentar reescrever a história, negar o passado. Mudam de ideia mas não admitem que outros mudem. Mudam de ideia mas não admitem que mudaram. Talvez o PT ou alguns petistas se arrependam agora de terem sido tão duros com a Marina (nem todos foram; alguns foram muito compreensivos e generosos). Mas outros certamente não se arrependem, e mesmo assim apagam os textos escritos, as ofensas feitas... E ainda são capazes de dizer "Marina, eu sempre estive ao seu lado"!
Portanto ter raiva, na minha opinião, é compreensível, mas não desejável. Agir sob efeito dela, menos ainda. Cultivá-la então...
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Mudar de idéia, na minha opinião, é totalmente compreensível. Impossível é não mudar nunca, exceto em casos de fanatismo ou coisa parecida. Quando, não importa o que aconteça, você se mantém preso ao conceito original - e as coisas mudam o tempo todo! É bom reconsiderar, e conscientemente manter ou rever sua posição.
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O texto abaixo, ao que tudo indica, foi escrito com muita raiva. Ele não tolerou o fato de uma pessoa ter mudado de posição (e não necessariamente de opinião, mas volto a isso depois).
Marina Silva, a traíra
Marina Silva é uma grande traidora. Traiu o povo brasileiro quando se posicionou contra o crescimento do país. Traiu o presidente Lula. Traiu o PT. Traiu também a memória de Chico Mendes quando se uniu àqueles que, disfarçadamente, alegraram-se com a morte do grande líder seringueiro. Marina Silva jogou no lixo uma biografia de defensora dos povos da floresta, defensora da Amazônia. Traiu por despeito e por vingança. Ela alimentava esperanças de que o presidente Lula a escolhesse para ser sua sucessora, e quando percebeu que não seria a escolhida deu o bote tal qual uma cascavel. Marina não foi escolhida pelo presidente Lula porque não tem capacidade, conhecimento e caráter para governar um país, porque não seria capaz de manter a política econômica de crescimento e desenvolvimento, não conseguiria gerir os programas sociais do governo. Não seria capaz de entender a importância das descobertas no Pré-Sal pela Petrobras, nem conseguiria atribuir tais riquezas ao povo. Marina Silva, é óbvio, não vai para o segundo turno, mas vai para o colo do Serra /PSDB/DEM, que ela combateu nos 30 anos em que esteve no PT. Marina mostra que não tem pudor nem ideologia, é só uma ecochata fazendo o jogo sujo do poder por despeito e vingança. Está se vingando do presidente Lula porque não a escolheu, pouco se lhe dá prejudicar o país e milhões de brasileiros, desde que alcance seu seu objetivo de vingança. Marina é muito religiosa, ligada à Assembléia de Deus, mas não é nenhuma santa. É apenas uma traíra.
Jussara Seixas
Meus comentários:
1) "Marina se posicionou contra o desenvolvimento do país". Foi por discordar de visões como essa, dominantes no governo do PT - de que exigir rigor no licenciamento ambiental, por exemplo, é ser "contra o desenvolvimento" - que ela saiu do partido. Por isso digo que ela mudou de lugar, de posição, mas não de opinião. A postura dela continuou a mesma, mas o partido já não a representava mais, depois de o próprio governo não ter lhe dado o respeito devido (aqui há a lembrança de alguns episódios).
2) "Jogou no lixo a biografia", "despeito", "vingança"... Pura raiva.
3) Marina queria ser candidata a presidente pelo PT? Pode ser. E se quisesse? Nunca entendi por que alguns eleitores/militantes/jornalistas/analistas políticos acham muito natural que algumas pessoas queiram ser candidat@s a presidente, e condenam outras pelo mesmo desejo.
4) Acreditar que a Marina "não tem capacidade, conhecimento e caráter para governar um país, porque não seria capaz de manter a política econômica de crescimento e desenvolvimento, não conseguiria gerir os programas sociais do governo" etc etc é uma opinião que a autora pode ter. Mas o julgamento moral continua pesadíssimo: "não tem caráter"; "não tem pudor nem ideologia, é só uma ecochata fazendo o jogo sujo do poder".
5) Marina, segundo a autora, "combateu o Serra/PSDB/DEM nos 30 anos em que esteve no PT". Pois é, assim é o modo como alguns (ou, infelizmente, muitos) petistas veem o mundo... "O PT" combate "o PSDB". Marina, em 30 anos de PT, combateu a desonestidade, a irresponsabilidade, o desrespeito ao meio ambiente etc, onde quer que eles estivessem - no próprio PT, no PV, no PSDB...
6) Marina não é uma santa. Ninguém é "santo", ninguém é perfeito e não precisa ser (ufa). Também é típico demonizar um lado (incrível como são frequentes as representações do Serra como um demônio em páginas do PT, PCdoB, CUT etc.), santificar o outro, "dessantificar"... Vamos falar de gente, não de anjos e demônios!
Por fim... Outra conduta típica: tentar reescrever a história, negar o passado. Mudam de ideia mas não admitem que outros mudem. Mudam de ideia mas não admitem que mudaram. Talvez o PT ou alguns petistas se arrependam agora de terem sido tão duros com a Marina (nem todos foram; alguns foram muito compreensivos e generosos). Mas outros certamente não se arrependem, e mesmo assim apagam os textos escritos, as ofensas feitas... E ainda são capazes de dizer "Marina, eu sempre estive ao seu lado"!
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