A prefeitura abriu inscrições para "Agentes de Desenvolvimento Local"* que serão contratados em regime CLT pela AdeSampa (Agência de Desenvolvimento de São Paulo).
*"A função de Agente de Desenvolvimento Local caracteriza- se pela articulação entre a comunidade e as ações públicas com o objetivo de promover o desenvolvimento local e territorial em todas as suas dimensões, levando em conta a vocação do território e garantindo um processo aberto e participativo. A função ainda inclui o empoderamento comunitário através da proposição e apoio a ações locais ou comunitárias, individuais ou coletivas, que sejam pensadas a partir de um plano de desenvolvimento construído para o território"
A divugação foi ridícula - eu, que fuço em tudo, vi por acaso.
O edital foi publicado no dia 7 de julho e as inscrições aconteceram entre 7 e 16 de julho - ou seja, um prazo igualmente ridículo.
Serão 34 ADLs distribuídos por 15 Subprefeituras. Por que as outras 17 não foram contempladas? Vai saber. Cada Subprefeitura é uma imensidão de área e de gente (a da Lapa, por exemplo, tem 300 mil habitantes, fora a multidão que circula por aqui a trabalho) e cada ADL tem um porrilhão de atribuições:
I. Contribuir no processo de criação e implementação dos Grupos de Desenvolvimento Local.
II. Articular com os diversos atores do território (Subprefeitura): organizações empresariais, sindicais, religiosas, associações, coletivos, ONG´s, entre outros.
III. Propor e organizar debates, eventos, encontros e reuniões.
IV. Mediar debates entre os diversos atores buscando consenso e propostas comuns.
V. Atendimento dos munícipes empreendedores ou potenciais empreendedores do território (Subprefeitura): escutar, sistematizar e encaminhar as demandas.
VI. Orientar empreendedores e potenciais empreendedores do território.
VII. Promover o acesso ao crédito, servindo de ponte entre a população e as instituições financeiras e orientando sobre o processo.
VIII. Facilitar o acesso à formação e à qualificação técnica e de gestão empreendedora.
IX. Prospectar e cadastrar de forma qualificada os empreendedores e empreendimentos do território.
X. Contribuir na identificação das vocações do território.
XI. Apoiar a organização coletiva de cada setor relevante no território.
XII. Contribuir com a implantação de arranjos produtivos locais.
XIII. Participar de forma ativa nos Grupos de Desenvolvimento Local, sendo o porta voz da ADESAMPA no grupo.
XIV. Realizar oficinas de formação.
XV. Realizar relatórios mensais das atividades realizadas
Pra fazer isso tudo, o ADL precisa ter Ensino Médio completo e vai receber R$1.800 por mês.
PODE???????!!!!
É muita picaretagem, meu Deus.
"...But when you talk about destruction/Don't you know that you can count me out"
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segunda-feira, 3 de agosto de 2015
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Mentira deslavada: no capítulo de hoje, Haddad e a coleta seletiva.
Siga o passo-a-passo e conclua você mesmo.
1 - O site da prefeitura comemora:

"QUASE 70% DOS DOMICÍLIOS JÁ SÃO ATENDIDOS PELA COLETA SELETIVA"!?!
2 - Consultei o e-sic:

3 - Responderam:

4 - Abri o anexo:

5 - Examinei todas as planilhas - distritos 100% atendidos, parcialmente atendidos, não atendidos.

6 - Usei os dados de uma página da prefeitura para calcular a população atendida:
Distritos 100% atendidos (46): 5.349.515 pessoas
Distritos parcialmente atendidos (28) 3.108.564 pessoas
Distritos não atendidos (22) 2.997.845 pessoas
(Total: 11.455.924)
OU SEJA:
De uma população de 11 milhões, 26% (pouco menos de 3 milhões) ainda não tem NADA de coleta seletiva; 27% (um pouco mais de 3 milhões) são parcialmente atendidos (vai saber o que é "parcialmente") e 47% são efetivamente atendidos com coleta domiciliar.
Daí para "quase 70% atendidos" (8 milhões) vai chão, hein?? Significaria que o atendimento "parcial" abrangeria 2,7 milhões de pessoas do total de 3,1 daqueles distritos, isto é 87%. Arrã.
Em todo caso, vou perguntar no e-sic o que exatamente significa "parcialmente atendido". Como se realmente houvesse a mais remota chance da tal cobertura de quase 70%. Hmpf.
1 - O site da prefeitura comemora:

"QUASE 70% DOS DOMICÍLIOS JÁ SÃO ATENDIDOS PELA COLETA SELETIVA"!?!
2 - Consultei o e-sic:

3 - Responderam:

4 - Abri o anexo:

5 - Examinei todas as planilhas - distritos 100% atendidos, parcialmente atendidos, não atendidos.

6 - Usei os dados de uma página da prefeitura para calcular a população atendida:
Distritos 100% atendidos (46): 5.349.515 pessoas
Distritos parcialmente atendidos (28) 3.108.564 pessoas
Distritos não atendidos (22) 2.997.845 pessoas
(Total: 11.455.924)
OU SEJA:
De uma população de 11 milhões, 26% (pouco menos de 3 milhões) ainda não tem NADA de coleta seletiva; 27% (um pouco mais de 3 milhões) são parcialmente atendidos (vai saber o que é "parcialmente") e 47% são efetivamente atendidos com coleta domiciliar.
Daí para "quase 70% atendidos" (8 milhões) vai chão, hein?? Significaria que o atendimento "parcial" abrangeria 2,7 milhões de pessoas do total de 3,1 daqueles distritos, isto é 87%. Arrã.
Em todo caso, vou perguntar no e-sic o que exatamente significa "parcialmente atendido". Como se realmente houvesse a mais remota chance da tal cobertura de quase 70%. Hmpf.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Hey/ Haddad/ Vai tomar busão
Estrada da Cachoeira.
Ruas Ilha de Santa Catarina, Ilha de Itapatica, Cristal, Âmbar, Safira Azul, Esmeralda do Brasil.
Sabe onde? Aqui:

No Jardim (Jardim!) Carombé, pegado ao "Jardim" Paulistano:

***
Outras ruas tem nomes que indicam a simpatia antiga dos moradores de lá: Rua do Mutirão, Rua Chico Mendes. Hoje muita gente que já fez campanha apaixonadamente pelo PT - como eu - não pode nem ouvir falar no PT. "Fala pro Haddad vir pedalar aqui/andar de ônibus aqui".
Agora o que já não é bom vai piorar.
***
Em uma reunião com um líder comunitário (que ainda é do PT) e um representante da Cooperfenix, o pessoal de lá foi sumariamente comunicado de que vai haver mudança nas linhas de ônibus. O 8215 e o 8214 (Jardim Paulistano - Correio) não vão mais circular. Os moradores do Paulistano serão atendidos por uma linha circular de lotação e só depois vão poder pegar o ônibus para o centro da cidade.
Como não consigo ser a demagoga que mete o pau em um governo só porque não é o meu, expliquei: "Em princípio, não é uma ideia errada. O certo é não ter ônibus grande entrando no meio das ruas estreitas (já viu como eles ficam "entalados" aqui) e as lotações entrarem nos bairros e levarem as pessoas para fazer baldeação".
Mesmo concordando com isso, eles sabem que não vão fazer "o certo" p. nenhuma. "De madrugada o ônibus já sai LOTADO daqui do ponto final. Como vai caber essa gente toda na lotação? E outra coisa, você acha que vai ser assim, desce da lotação e já entra no ônibus que vai pra cidade? Até parece!! Hoje daqui na Barra Funda dá uns 40 minutos, quanto vai demorar depois?"
***
Sintomaticamente, não tinha ninguém da SPTrans na reunião. Como diz o Carlos Fernandes, quem faz a "política de transporte público" na cidade são as empresas e as cooperativas... Vasculhei o site da SPTrans e também não achei comunicado, notícia, aviso. Talvez tenha um cartaz dentro dos próprios ônibus, como se a informação só interessasse a quem já usa a linha e não precisasse ser amplamente divulgada.
Bateu o desespero nos moradores quando ficaram sabendo que a mudança já acontece NA PRÓXIMA SEGUNDA-FEIRA. Resultado: em uma reunião ontem com dezenas de pessoas, combinaram uma manifestação hoje no fim da tarde lá no Carombé. (A quem interessar, na Ria Rosalvo José da Silva, em frente à padaria).
Como não é na Paulista nem nas quebradas "mais famosas", será que vai aparecer na televisão?
***
Pensa que é só esse o problema? Agora imagina quantas pessoas moram lá e quantos médicos, unidades de saúde, leitos hospitalares e áreas de lazer tem na região? Volto a isso mais tarde.
Ruas Ilha de Santa Catarina, Ilha de Itapatica, Cristal, Âmbar, Safira Azul, Esmeralda do Brasil.
Sabe onde? Aqui:

No Jardim (Jardim!) Carombé, pegado ao "Jardim" Paulistano:

***
Outras ruas tem nomes que indicam a simpatia antiga dos moradores de lá: Rua do Mutirão, Rua Chico Mendes. Hoje muita gente que já fez campanha apaixonadamente pelo PT - como eu - não pode nem ouvir falar no PT. "Fala pro Haddad vir pedalar aqui/andar de ônibus aqui".
Agora o que já não é bom vai piorar.
***
Em uma reunião com um líder comunitário (que ainda é do PT) e um representante da Cooperfenix, o pessoal de lá foi sumariamente comunicado de que vai haver mudança nas linhas de ônibus. O 8215 e o 8214 (Jardim Paulistano - Correio) não vão mais circular. Os moradores do Paulistano serão atendidos por uma linha circular de lotação e só depois vão poder pegar o ônibus para o centro da cidade.
Como não consigo ser a demagoga que mete o pau em um governo só porque não é o meu, expliquei: "Em princípio, não é uma ideia errada. O certo é não ter ônibus grande entrando no meio das ruas estreitas (já viu como eles ficam "entalados" aqui) e as lotações entrarem nos bairros e levarem as pessoas para fazer baldeação".
Mesmo concordando com isso, eles sabem que não vão fazer "o certo" p. nenhuma. "De madrugada o ônibus já sai LOTADO daqui do ponto final. Como vai caber essa gente toda na lotação? E outra coisa, você acha que vai ser assim, desce da lotação e já entra no ônibus que vai pra cidade? Até parece!! Hoje daqui na Barra Funda dá uns 40 minutos, quanto vai demorar depois?"
***
Sintomaticamente, não tinha ninguém da SPTrans na reunião. Como diz o Carlos Fernandes, quem faz a "política de transporte público" na cidade são as empresas e as cooperativas... Vasculhei o site da SPTrans e também não achei comunicado, notícia, aviso. Talvez tenha um cartaz dentro dos próprios ônibus, como se a informação só interessasse a quem já usa a linha e não precisasse ser amplamente divulgada.
Bateu o desespero nos moradores quando ficaram sabendo que a mudança já acontece NA PRÓXIMA SEGUNDA-FEIRA. Resultado: em uma reunião ontem com dezenas de pessoas, combinaram uma manifestação hoje no fim da tarde lá no Carombé. (A quem interessar, na Ria Rosalvo José da Silva, em frente à padaria).
Como não é na Paulista nem nas quebradas "mais famosas", será que vai aparecer na televisão?
***
Pensa que é só esse o problema? Agora imagina quantas pessoas moram lá e quantos médicos, unidades de saúde, leitos hospitalares e áreas de lazer tem na região? Volto a isso mais tarde.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
A indecência das bandeirinhas
Não as que marcaram impedimentos inexistentes para fúria de alguns.
Não as que posaram nuas, para a fúria dos mesmos ou de outros.
As da conta de luz.
Quer dizer então, cidadão, que o governo fez o PAC 1, o PAC 2, o PAC Mobilidade, o PAC Copa do Mundo, o PAC Energia, o PAC infraestrutura, o PAC KCTA4 e agora ele gentilmente avisa na conta de luz: "a infraestrutura de energia avançou bosta nenhuma, então se prepara aí que de vez em quando a tarifa fica mais cara ainda"??
Botar a bandeirinha vermelha quando aumenta o uso de térmicas - que são mais caras e, como se não bastasse, mais poluentes - para que o cidadão saiba que é melhor economizar é tão descarado, tão torpe...
VOCÊ banca as obras das mega-hidrelétricas carésimas e discutíveis. Jirau, Santo Antonio, Belo Monte. VOCÊ arcará com os danos ambientais irreversíveis. E você arca com o custo adicional do uso das térmicas quando o sistema hidrelétrico não der conta.
Pras distribuidoras de energia, é um negocião. Se chove ou não chove, se precisa recorrer a esta ou aquela fonte, tanto faz, o pobrema é do fregueiz. Ele que economize, ué.
Ai Brasil... Tu não aprende.
Não as que posaram nuas, para a fúria dos mesmos ou de outros.
As da conta de luz.
Quer dizer então, cidadão, que o governo fez o PAC 1, o PAC 2, o PAC Mobilidade, o PAC Copa do Mundo, o PAC Energia, o PAC infraestrutura, o PAC KCTA4 e agora ele gentilmente avisa na conta de luz: "a infraestrutura de energia avançou bosta nenhuma, então se prepara aí que de vez em quando a tarifa fica mais cara ainda"??
Botar a bandeirinha vermelha quando aumenta o uso de térmicas - que são mais caras e, como se não bastasse, mais poluentes - para que o cidadão saiba que é melhor economizar é tão descarado, tão torpe...
VOCÊ banca as obras das mega-hidrelétricas carésimas e discutíveis. Jirau, Santo Antonio, Belo Monte. VOCÊ arcará com os danos ambientais irreversíveis. E você arca com o custo adicional do uso das térmicas quando o sistema hidrelétrico não der conta.
Pras distribuidoras de energia, é um negocião. Se chove ou não chove, se precisa recorrer a esta ou aquela fonte, tanto faz, o pobrema é do fregueiz. Ele que economize, ué.
Ai Brasil... Tu não aprende.
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Por que o Bolsa não funcionou
Um amigo pediu minha opinião sobre o Bolsa Família. Levantei vários dados oficiais e detalhei minhas objeções, que aí estão:
1 - O valor do benefício:
Em áreas rurais, é razoável. Mas em cidades grandes, mal e mal dá pra ajudar um pouco no orçamento doméstico. Pensa: o que uma família com 4 ou 5 filhos consegue fazer em São Paulo com o valor que recebe? (dependendo do caso, dá uns 200 reais por mês...)
2 - A utilidade do benefício:
Em áreas rurais com mercadinho etc, ajuda. Mas em áreas extremamente pobres, em que falta água, alimento, moradia decente, não adianta ter o dinheiro porque NEM TEM O QUE COMPRAR. Tem muita gente passando fome SIM no semiárido e outras regiões Brasil adentro. E em áreas urbanas, repito, o dinheiro não dá pra nada - condução, aluguel, alimentação, vestuário, lazer...
3 - As condicionalidades:
Simplesmente não funcionam, por razões diversas. A família tem obrigação de manter as crianças e adolescentes na escola - já viu a qualidade das escolas no país, né? Sem falar que 24 MIL escolas rurais foram FECHADAS desde 2002; veja este texto do MST condenando isso (mesmo sem responsabilizar o PT, claro - #imagina se fossegoverno PSDB). O transporte escolar no N/NE é uma escândalo, criança continua sendo carregada por aí somo se fosse gado. A família beneficiada em de manter a vacinação em dia, mas nos últimos meses TEM FALTADO VACINA nos postos, um retrocesso medonho, e por aí vai.
4 - O "desenvolvimento/inclusão social":
Se as escolas continuam péssimas, se a Saúde é uma tragédia, saneamento básico não tem, emprego é difícil, que desenvolvimento com inclusão é esse??? O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil continua baixíssimo e é pior justamente onde tem mais gente recebendo Bolsa Família.
5 - O cálculo do que é "miséria" e "pobreza".
Como diz o site do Ministério, extrema pobreza é receber menos de R$77 por pessoa por mês. Portanto, se uma família com 6 pessoas (não é raro no Brasil) vive com R$468 por mês (POUQUÌSSIMO), ela JÁ SAIU da extrema pobreza.
Pobreza é quando uma família recebe mais que R$77 mas menos que R$154 por pessoa por mês. Se uma família com 6 pessoas vive com R$930 por mês, já saiu da pobreza segundo os critérios oficiais!!!
6 - O tempo decorrido
Já faz uma década que tem Bolsa Família. Se as famílias tem pavor de perder o Bolsa Família, se o fim do programa (que não está ameaçado) faria com que milhões retornassem à pobreza ou miséria, que inclusão foi essa? As pessoas não conquistaram autonomia, continuam dependentes, então o programa... falhou!
Em suma: uma política de Bolsa é necessária em caráter emergencial, porque ninguém deve viver sem ter um mínimo de condições - e fracassada se, depois de dez anos, continua sendo tão necesária quanto antes...
1 - O valor do benefício:
Em áreas rurais, é razoável. Mas em cidades grandes, mal e mal dá pra ajudar um pouco no orçamento doméstico. Pensa: o que uma família com 4 ou 5 filhos consegue fazer em São Paulo com o valor que recebe? (dependendo do caso, dá uns 200 reais por mês...)
2 - A utilidade do benefício:
Em áreas rurais com mercadinho etc, ajuda. Mas em áreas extremamente pobres, em que falta água, alimento, moradia decente, não adianta ter o dinheiro porque NEM TEM O QUE COMPRAR. Tem muita gente passando fome SIM no semiárido e outras regiões Brasil adentro. E em áreas urbanas, repito, o dinheiro não dá pra nada - condução, aluguel, alimentação, vestuário, lazer...
3 - As condicionalidades:
Simplesmente não funcionam, por razões diversas. A família tem obrigação de manter as crianças e adolescentes na escola - já viu a qualidade das escolas no país, né? Sem falar que 24 MIL escolas rurais foram FECHADAS desde 2002; veja este texto do MST condenando isso (mesmo sem responsabilizar o PT, claro - #imagina se fossegoverno PSDB). O transporte escolar no N/NE é uma escândalo, criança continua sendo carregada por aí somo se fosse gado. A família beneficiada em de manter a vacinação em dia, mas nos últimos meses TEM FALTADO VACINA nos postos, um retrocesso medonho, e por aí vai.
4 - O "desenvolvimento/inclusão social":
Se as escolas continuam péssimas, se a Saúde é uma tragédia, saneamento básico não tem, emprego é difícil, que desenvolvimento com inclusão é esse??? O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil continua baixíssimo e é pior justamente onde tem mais gente recebendo Bolsa Família.
5 - O cálculo do que é "miséria" e "pobreza".
Como diz o site do Ministério, extrema pobreza é receber menos de R$77 por pessoa por mês. Portanto, se uma família com 6 pessoas (não é raro no Brasil) vive com R$468 por mês (POUQUÌSSIMO), ela JÁ SAIU da extrema pobreza.
Pobreza é quando uma família recebe mais que R$77 mas menos que R$154 por pessoa por mês. Se uma família com 6 pessoas vive com R$930 por mês, já saiu da pobreza segundo os critérios oficiais!!!
6 - O tempo decorrido
Já faz uma década que tem Bolsa Família. Se as famílias tem pavor de perder o Bolsa Família, se o fim do programa (que não está ameaçado) faria com que milhões retornassem à pobreza ou miséria, que inclusão foi essa? As pessoas não conquistaram autonomia, continuam dependentes, então o programa... falhou!
Em suma: uma política de Bolsa é necessária em caráter emergencial, porque ninguém deve viver sem ter um mínimo de condições - e fracassada se, depois de dez anos, continua sendo tão necesária quanto antes...
quarta-feira, 28 de maio de 2014
A menina, o nódulo e a mamografia
A menina, o nódulo e a mamografia - capítulo 3
Segunda de manhã, minha caixa de entrada tinha esta mensagem da Ouvidoria da Saúde da prefeitura de São Paulo:

Pouco mais tarde, a mãe da menina recebeu um telefonema da Unidade de Saúde. “A mulher tava brava, viu”? “Explicou” para ela que 17 anos não é mesmo idade para fazer Mamografia, mas que eles iam permitir nesse caso. Agendaram para dia 8 o Ultrassom (não lembro onde seria, acho que no HC) e para o começo de julho a mamografia.
Na sequência, uma jornalista do Diário de São Paulo que soube do caso pelo Face e foi acompanhar de perto (REPÓRTER DE VERDADE é assim – fuça, descobre, se interessa, vai atrás), apareceu na Unidade de Saúde.
De lá foi para a casa da Erika, onde – adivinhe! – presenciou uma nova ligação da Unidade de Saúde, dizendo “A sra pode passar aqui para pegar a guia para o exame? Tá marcado para amanhã as 8h30”.
Quitéria, a mãe, correu para a Unidade de Saúde e me contou depois. “Olha, dez anos que eu me atendo nesse posto, é a primeira vez que vejo a diretora. Só falou me oferecer café. Disse que não precisava ter feito isso tudo, não precisava chegar a esse ponto. Eu falei pra ela “e eu ia fazer o que, aceitar e pagar o exame no laboratório particular”? Aí eles me deram a guia. A Erika ainda falou pra ela: “A gente tem a Soninha, e quem não tem”??”
***
Eu não fiz nada que um qualquer cidadão não possa fazer. Nada. Não liguei pra ninguém pedindo ajuda, postei uma nota no Face e mandei email pra Ouvidoria. Acontece que eu tenho mais seguidores do que outras pessoas, então a chance de um jornalista atento ver é maior. E imagino que quando chega uma mensagem minha à Ouvidoria, ela abala mais do que de uma pessoa com nome desconhecido. A menina minha amiga tem toda razão.
Da próxima vez, vou tentar mandar mensagem com outro nome para a Ouvidoria para ver se funciona :-(
***
Vou refazer contato com a Ouvidoria e persistir na queixa.
1) COMO ASSIM tem idade mínima para fazer uma mamografia que não é “preventiva”, é de diagnóstico de um nódulo encontrado? Afinal, foi a primeira resposta que a Quitéria recebeu, antes de a jornalista aparecer por lá. Ela NÃO QUER ser exceção. Segundo o próprio Ministério da Saúde, NÃO TEM MESMO idade mínima para esse caso!
(Blog da Saúde, oficial do Ministério)
Se não fosse assim, o médico da UBS (“o cubano”, como elas disseram) tinha de ser instruído para nem pedir... (ESPERO QUE NÃO FAÇAM ISSO! Não digam aos médicos que eles não podem fazê-lo)
2) Não recebemos nenhuma resposta por escrito, como demandava o email da Ouvidoria.
3) E os prazos? Continuam aquela coisa... Sem a queixa, seriam semanas de espera pelo exame, outras tantas pelo resultado.
4) Geo-referenciamento, oi? Elas moram na Brasilandia. O exame foi agendado no Jaçanã. Se a gente não arruma dinheiro pra condução, elas não conseguem chegar lá.
5) Informaram que o resultado do exame sai daqui a 15 dias e aí ela ia ter de marcar o retorno à UBS. Depois de constatar o tamanho do nódulo, a técnica que fez o exame disse que ia tentar pedir para a médica “passar na frente”.
***
PS: parei de “esconder” o nome da menina porque, se havia algum receio de perseguição, já era... As queixas da Ouvidoria da Saúde são SEMPRE encaminhadas para a unidade com nome, endereço e telefone de quem fez a reclamação. Eu uma vez protestei contra uma consulta na Ginecologista desmarcada na última hora (na verdade, só fiquei sabendo quando cheguei lá para ser atendida...) porque, segundo a funcionária, “a médica não vem de quarta-feira” ou qualquer coisa assim.
Não era um caso particular, era algo que afetava todas as usuárias. Mas lá estava meu nome e telefone, e uma funcionária também me ligou “muito brava” para “explicar” que a ginecologista também trabalha em outro lugar. E imaginem vocês a frieza gélida com que fui recebida quando finalmente chegou o dia da minha consulta... E se não fosse comigo e sim com uma Erika qualquer, aposto que seria ainda pior.
Segunda de manhã, minha caixa de entrada tinha esta mensagem da Ouvidoria da Saúde da prefeitura de São Paulo:

Pouco mais tarde, a mãe da menina recebeu um telefonema da Unidade de Saúde. “A mulher tava brava, viu”? “Explicou” para ela que 17 anos não é mesmo idade para fazer Mamografia, mas que eles iam permitir nesse caso. Agendaram para dia 8 o Ultrassom (não lembro onde seria, acho que no HC) e para o começo de julho a mamografia.
Na sequência, uma jornalista do Diário de São Paulo que soube do caso pelo Face e foi acompanhar de perto (REPÓRTER DE VERDADE é assim – fuça, descobre, se interessa, vai atrás), apareceu na Unidade de Saúde.
De lá foi para a casa da Erika, onde – adivinhe! – presenciou uma nova ligação da Unidade de Saúde, dizendo “A sra pode passar aqui para pegar a guia para o exame? Tá marcado para amanhã as 8h30”.
Quitéria, a mãe, correu para a Unidade de Saúde e me contou depois. “Olha, dez anos que eu me atendo nesse posto, é a primeira vez que vejo a diretora. Só falou me oferecer café. Disse que não precisava ter feito isso tudo, não precisava chegar a esse ponto. Eu falei pra ela “e eu ia fazer o que, aceitar e pagar o exame no laboratório particular”? Aí eles me deram a guia. A Erika ainda falou pra ela: “A gente tem a Soninha, e quem não tem”??”
***
Eu não fiz nada que um qualquer cidadão não possa fazer. Nada. Não liguei pra ninguém pedindo ajuda, postei uma nota no Face e mandei email pra Ouvidoria. Acontece que eu tenho mais seguidores do que outras pessoas, então a chance de um jornalista atento ver é maior. E imagino que quando chega uma mensagem minha à Ouvidoria, ela abala mais do que de uma pessoa com nome desconhecido. A menina minha amiga tem toda razão.
Da próxima vez, vou tentar mandar mensagem com outro nome para a Ouvidoria para ver se funciona :-(
***
Vou refazer contato com a Ouvidoria e persistir na queixa.
1) COMO ASSIM tem idade mínima para fazer uma mamografia que não é “preventiva”, é de diagnóstico de um nódulo encontrado? Afinal, foi a primeira resposta que a Quitéria recebeu, antes de a jornalista aparecer por lá. Ela NÃO QUER ser exceção. Segundo o próprio Ministério da Saúde, NÃO TEM MESMO idade mínima para esse caso!
(Blog da Saúde, oficial do Ministério)
Se não fosse assim, o médico da UBS (“o cubano”, como elas disseram) tinha de ser instruído para nem pedir... (ESPERO QUE NÃO FAÇAM ISSO! Não digam aos médicos que eles não podem fazê-lo)
2) Não recebemos nenhuma resposta por escrito, como demandava o email da Ouvidoria.
3) E os prazos? Continuam aquela coisa... Sem a queixa, seriam semanas de espera pelo exame, outras tantas pelo resultado.
4) Geo-referenciamento, oi? Elas moram na Brasilandia. O exame foi agendado no Jaçanã. Se a gente não arruma dinheiro pra condução, elas não conseguem chegar lá.
5) Informaram que o resultado do exame sai daqui a 15 dias e aí ela ia ter de marcar o retorno à UBS. Depois de constatar o tamanho do nódulo, a técnica que fez o exame disse que ia tentar pedir para a médica “passar na frente”.
***
PS: parei de “esconder” o nome da menina porque, se havia algum receio de perseguição, já era... As queixas da Ouvidoria da Saúde são SEMPRE encaminhadas para a unidade com nome, endereço e telefone de quem fez a reclamação. Eu uma vez protestei contra uma consulta na Ginecologista desmarcada na última hora (na verdade, só fiquei sabendo quando cheguei lá para ser atendida...) porque, segundo a funcionária, “a médica não vem de quarta-feira” ou qualquer coisa assim.
Não era um caso particular, era algo que afetava todas as usuárias. Mas lá estava meu nome e telefone, e uma funcionária também me ligou “muito brava” para “explicar” que a ginecologista também trabalha em outro lugar. E imaginem vocês a frieza gélida com que fui recebida quando finalmente chegou o dia da minha consulta... E se não fosse comigo e sim com uma Erika qualquer, aposto que seria ainda pior.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Coisas muito loucas dessa greve
- A Globo está fazendo cobertura especial ao vivo ao longo de toda programação. Como se tivesse um fato novo a cada cinco minutos. Até a novela ficou mais curta ontem (coisa que só acontece em caso de morte de gente “importante” e olhe lá).
- Nunca se ouviu tanto a população na TV para mostrar o óbvio - que a primeira, segunda e a centésima milésima vítima de uma paralisação de setor essencial é quem usa o serviço. Centenas de depoimentos “andei três horas, perdi o trabalho, perdi a consulta”. Como se não fosse assim em TODA greve, em que normalmente pegam um ou dois depoimentos e pronto.
- Nunca as autoridades reagiram tão prontamente em uníssono: “É SABOTAGEM! É GUERRILHA”! Até o prefeito, normalmente desaparecido, CONVOCOU UMA COLETIVA. Foi severo, condenou o movimento, “não se pode prejudicar a população assim, sem avisar”.
- Nunca um promotor do Ministério Público ficou tão irado e veio a público com tanta veemência dizer que “É BADERNA”, é coisa de meia-dúzia, e EXIGIR ação policial para identificar e processar criminalmente os responsáveis. Não foi assim em nenhuma greve de polícias, metroviários, da APEOESP, manifestações de Black Blocs, estudantes universitários ou do MPL. Mesmo quando agrediram, espancaram, destruíram patrimônio público e causaram imenso prejuízo econômico ao comércio e serviços.
(Não aguento, tenho de dar nome ao boi: o Promotor de Habitação e Urbanismo Mauricio Ribeiro Lopes, era IMPLACÁVEL nas suas cobranças à gestão anterior, do outrora inimigo (e hoje aliado) Gilberto Kassab. Exigia o possível, o impossível, o milagroso. Na última reunião com a Secretaria de Habitação antes da posse do Haddad, rasgou a fantasia e esculachou: “Ainda bem que esse governo está terminando”. Esse é o Promotor que NUNCA vi se manifestando sobre atos de vandalismo e violência, bloqueios que impedem o direito de ir-e-vir em estradas, avenidas e marginais. Agora está in-dig-na-do com os abusos e culpa a polícia por não tirar os ônibus da rua e não prender ninguém).
- Manifestação por melhores salários, contra a violência policial, pelo direito à moradia e contra a especulação imobiliária, em protesto contra mais um atropelamento, contra a Copa, contra o capital estrangeiro, a violência contra mulheres e crianças, a corrupção, a impunidade, o técnico do Corinthians: todas acabam ou começam tacando fogo em ônibus. Foram centenas só em 2014. Agora é uma paralisação de ônibus e o máximo que fizeram contra os veículos foi furar pneu.
***
Datafolha soltou uma pesquisa falando que aumentou muito a porcentagem da população que condena as manifestações e dizem que elas mais prejudicam do que beneficiam.
Ponto para os governos e governantes! Bom para a Fifa, os patrocinadores e as emissoras oficiais!
#Valeu Black Blocs, manifestantes abusados, manifestações abusivas! Vocês conseguiram!
- Nunca se ouviu tanto a população na TV para mostrar o óbvio - que a primeira, segunda e a centésima milésima vítima de uma paralisação de setor essencial é quem usa o serviço. Centenas de depoimentos “andei três horas, perdi o trabalho, perdi a consulta”. Como se não fosse assim em TODA greve, em que normalmente pegam um ou dois depoimentos e pronto.
- Nunca as autoridades reagiram tão prontamente em uníssono: “É SABOTAGEM! É GUERRILHA”! Até o prefeito, normalmente desaparecido, CONVOCOU UMA COLETIVA. Foi severo, condenou o movimento, “não se pode prejudicar a população assim, sem avisar”.
- Nunca um promotor do Ministério Público ficou tão irado e veio a público com tanta veemência dizer que “É BADERNA”, é coisa de meia-dúzia, e EXIGIR ação policial para identificar e processar criminalmente os responsáveis. Não foi assim em nenhuma greve de polícias, metroviários, da APEOESP, manifestações de Black Blocs, estudantes universitários ou do MPL. Mesmo quando agrediram, espancaram, destruíram patrimônio público e causaram imenso prejuízo econômico ao comércio e serviços.
(Não aguento, tenho de dar nome ao boi: o Promotor de Habitação e Urbanismo Mauricio Ribeiro Lopes, era IMPLACÁVEL nas suas cobranças à gestão anterior, do outrora inimigo (e hoje aliado) Gilberto Kassab. Exigia o possível, o impossível, o milagroso. Na última reunião com a Secretaria de Habitação antes da posse do Haddad, rasgou a fantasia e esculachou: “Ainda bem que esse governo está terminando”. Esse é o Promotor que NUNCA vi se manifestando sobre atos de vandalismo e violência, bloqueios que impedem o direito de ir-e-vir em estradas, avenidas e marginais. Agora está in-dig-na-do com os abusos e culpa a polícia por não tirar os ônibus da rua e não prender ninguém).
- Manifestação por melhores salários, contra a violência policial, pelo direito à moradia e contra a especulação imobiliária, em protesto contra mais um atropelamento, contra a Copa, contra o capital estrangeiro, a violência contra mulheres e crianças, a corrupção, a impunidade, o técnico do Corinthians: todas acabam ou começam tacando fogo em ônibus. Foram centenas só em 2014. Agora é uma paralisação de ônibus e o máximo que fizeram contra os veículos foi furar pneu.
***
Datafolha soltou uma pesquisa falando que aumentou muito a porcentagem da população que condena as manifestações e dizem que elas mais prejudicam do que beneficiam.
Ponto para os governos e governantes! Bom para a Fifa, os patrocinadores e as emissoras oficiais!
#Valeu Black Blocs, manifestantes abusados, manifestações abusivas! Vocês conseguiram!
Se não combinarem com ele, não vale. (Se combinarem, vale tudo)
“É absurdo prejudicar a população com uma paralisação que não foi informada”, “cujos motivos, juntos ou injustos, são desconhecidos”, “cujas lideranças não se identificam”. (HADDAD, Fernando - entrevista coletiva convocada (!)¹ para falar sobre a paralisação no serviço de ônibus).
Ah, para.
Paralisações não informadas acontecem o tempo todo. Quando as autoridades solicitam (ou exigem) que manifestações sejam avisadas com antecedência, PT acha um absurdo, “e o direito de livre manifestação”?
Os motivos nem sempre são conhecidos... Às vezes, nem mesmo pelos manifestantes. Já foi demonstrado, provado e comprovado que muitos são conduzidos à Paulista em troca de um lanche e um trocado não sabem nem pra que, e os Sindicatos acham “legítimo”.
Os motivos verdadeiros nem sempre são os declarados. “Queremos qualidade na Educação”! Mentira, queremos f. o governo. “Queremos preservar a autonomia universitária”! Mentira, queremos f. o governo. E se tiver que f. a população junto, azar. Ou melhor, tem que f. a população para produzir os resultados esperados!
Qto às lideranças... Ah, as lideranças. “Movimentos sociais independentes” são liderados por assessores parlamentares. Tem despesas pagas (carro de som, faixas, o bendito do lanche) por vereadores e deputados. Trabalhadores, pessoas afetadas por desocupações e participantes de ocupações são manipulados por malandros de todos os tipos. Os que querem constranger o governo e tão nem aí para o benefício ou malefício das pessoas. Os que querem ganhar dinheiro. Os que querem manter seu negócio funcionando nos becos de um fim-de-mundo qualquer.
E quando não há identificação nem lideranças, como os Black Blocs? #Comofaz? Se eles avisarem “vamos sair quebrando tudo”, aí tudo bem?
***
Os líderes do movimento que desmatou uma área grande de preservação ambiental para instalar 8 mil famílias pararam várias vezes a Zona Sul. Manifestações assim são comuns: fecham a avenida, botam fogo em pneu, tacam paus e pedras em quem tentar liberar a passagem, agora tacam fogo em ônibus, viaturas e carros em “dois palito”.
O prefeito não condena.
Não diz que “foi sem avisar, não sabemos os motivos e não identificamos as lideranças”.
Pelo contrário.
Quando pararam o centro da cidade e se instalaram na frente da prefeitura, o prefeito desceu do gabinete, subiu no carro de som e fez um monte de promessas mentirosas e irresponsáveis. Criminosas. “Vão lá pressionar os vereadores a alterar o Plano Diretor que eu libero a área pra vocês”.
***
Eu não conheço a genealogia do Sindicato dos Motoristas (“Fulano é de Sicrano, Beltrano é do inimigo de Sicrano”). Tem gente que sabe direitinho: “João é do Tatto, José é ligado ao PSTU”. Seja lá o que for, CLARO que a briga entre as lideranças sindicais está por trás dessa paralisação. Duh. Mas sei lá qual é a da direção do Sindicato. Será pelego? E a da oposição do Sindicato, é pior ou menos pior?Cer-te-za que uns e outros são uns anjos, que ja-mais abusam de sua força, dinheiro e poder.
Os grevistas aqui dizem que “eles (a direção, insinuando conluio com as empresas e a prefeitura) anteciparam a Assembleia à revelia para aprovar o que eles queriam”. Não vi um cazzo de um jornalista tentar averiguar isso. Fica, pra variar, no “um falou isso, outro falou aquilo”.
***
(Também fiquei sem saber quem era quem na greve dos garis do Rio, que diziam discordar do que o Sindicato tinha negociado em nome deles. Quem era o filho-da-p. da história, o Sindicato ou a dissidência ou o governo ou tudojuntoemisturado)
***
TODA greve de ônibus f. a população. Não avisar piora, mas é impossível não complicar muito a vida de milhões. Se fosse greve convocada pelo Sindicato, o transtorno pra população seria menor? Só seria diferente. Em vez de chegar ao ponto e descobrir que parou, já ia sair de casa duas horas mais cedo sabendo que ia parar...
O problema do Haddad NÃO É o transtorno. Isso ele aceita, até defende, desde que estejam “do seu lado”. O problema é que essa greve é de um serviço público municipal, ou seja, “contra a prefeitura”. DAÍ ele vem dizer que não é justo, não é assim que se faz. Vai falar isso lá pra CUT que eu quero ver.
*****
¹ O espanto com a convocação foi a rapidez com que o sempre sumido Haddad veio a público se manifestar. Mas ele não é louco de ir a campo, dar as caras em público e enfrentar o quebra-queixo, isto é, aquela roda de repórteres de rádio, jornal e TV se acotovelando em volta dele no momento de tensão. Haddad é que nem jogador de futebol, só fala sentado na bancada, na frente de um backdrop, com a entrevista sob controle.
Ah, para.
Paralisações não informadas acontecem o tempo todo. Quando as autoridades solicitam (ou exigem) que manifestações sejam avisadas com antecedência, PT acha um absurdo, “e o direito de livre manifestação”?
Os motivos nem sempre são conhecidos... Às vezes, nem mesmo pelos manifestantes. Já foi demonstrado, provado e comprovado que muitos são conduzidos à Paulista em troca de um lanche e um trocado não sabem nem pra que, e os Sindicatos acham “legítimo”.
Os motivos verdadeiros nem sempre são os declarados. “Queremos qualidade na Educação”! Mentira, queremos f. o governo. “Queremos preservar a autonomia universitária”! Mentira, queremos f. o governo. E se tiver que f. a população junto, azar. Ou melhor, tem que f. a população para produzir os resultados esperados!
Qto às lideranças... Ah, as lideranças. “Movimentos sociais independentes” são liderados por assessores parlamentares. Tem despesas pagas (carro de som, faixas, o bendito do lanche) por vereadores e deputados. Trabalhadores, pessoas afetadas por desocupações e participantes de ocupações são manipulados por malandros de todos os tipos. Os que querem constranger o governo e tão nem aí para o benefício ou malefício das pessoas. Os que querem ganhar dinheiro. Os que querem manter seu negócio funcionando nos becos de um fim-de-mundo qualquer.
E quando não há identificação nem lideranças, como os Black Blocs? #Comofaz? Se eles avisarem “vamos sair quebrando tudo”, aí tudo bem?
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Os líderes do movimento que desmatou uma área grande de preservação ambiental para instalar 8 mil famílias pararam várias vezes a Zona Sul. Manifestações assim são comuns: fecham a avenida, botam fogo em pneu, tacam paus e pedras em quem tentar liberar a passagem, agora tacam fogo em ônibus, viaturas e carros em “dois palito”.
O prefeito não condena.
Não diz que “foi sem avisar, não sabemos os motivos e não identificamos as lideranças”.
Pelo contrário.
Quando pararam o centro da cidade e se instalaram na frente da prefeitura, o prefeito desceu do gabinete, subiu no carro de som e fez um monte de promessas mentirosas e irresponsáveis. Criminosas. “Vão lá pressionar os vereadores a alterar o Plano Diretor que eu libero a área pra vocês”.
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Eu não conheço a genealogia do Sindicato dos Motoristas (“Fulano é de Sicrano, Beltrano é do inimigo de Sicrano”). Tem gente que sabe direitinho: “João é do Tatto, José é ligado ao PSTU”. Seja lá o que for, CLARO que a briga entre as lideranças sindicais está por trás dessa paralisação. Duh. Mas sei lá qual é a da direção do Sindicato. Será pelego? E a da oposição do Sindicato, é pior ou menos pior?Cer-te-za que uns e outros são uns anjos, que ja-mais abusam de sua força, dinheiro e poder.
Os grevistas aqui dizem que “eles (a direção, insinuando conluio com as empresas e a prefeitura) anteciparam a Assembleia à revelia para aprovar o que eles queriam”. Não vi um cazzo de um jornalista tentar averiguar isso. Fica, pra variar, no “um falou isso, outro falou aquilo”.
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(Também fiquei sem saber quem era quem na greve dos garis do Rio, que diziam discordar do que o Sindicato tinha negociado em nome deles. Quem era o filho-da-p. da história, o Sindicato ou a dissidência ou o governo ou tudojuntoemisturado)
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TODA greve de ônibus f. a população. Não avisar piora, mas é impossível não complicar muito a vida de milhões. Se fosse greve convocada pelo Sindicato, o transtorno pra população seria menor? Só seria diferente. Em vez de chegar ao ponto e descobrir que parou, já ia sair de casa duas horas mais cedo sabendo que ia parar...
O problema do Haddad NÃO É o transtorno. Isso ele aceita, até defende, desde que estejam “do seu lado”. O problema é que essa greve é de um serviço público municipal, ou seja, “contra a prefeitura”. DAÍ ele vem dizer que não é justo, não é assim que se faz. Vai falar isso lá pra CUT que eu quero ver.
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¹ O espanto com a convocação foi a rapidez com que o sempre sumido Haddad veio a público se manifestar. Mas ele não é louco de ir a campo, dar as caras em público e enfrentar o quebra-queixo, isto é, aquela roda de repórteres de rádio, jornal e TV se acotovelando em volta dele no momento de tensão. Haddad é que nem jogador de futebol, só fala sentado na bancada, na frente de um backdrop, com a entrevista sob controle.
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quarta-feira, 26 de março de 2014
É mentira. E quando é verdade, é pior.
Meu Deus do Céu, estarrecedora a reunião de declarações demagógicas e irresponsáveis do prefeito e do presidente da Câmara Municipal em resposta à manifestação do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) hoje na cidade.
O prefeito diz que vai revogar o Decreto de Utilidade Pública que previa que a área ocupada "por 8 mil famílias" (não faço ideia se esse número é verdadeiro) seria área de preservação/parque municipal.
Abrir mão de uma área de preservação na Zona Sul já é uma coisa temerária ao extremo e nem preciso dizer por que.
Mas aí ele passa bola para a Câmara: "Os vereadores precisam aprovar a mudança daquela área para ZEIS, Zona Especial de Interesse Social, para revogar o Decreto". Mentira. Revogar o Decreto não depende de mudança na lei. Produzir moradia lá pode depender desse zoneamento
(O Decreto do Kassab hoje criticado e prestes a ser revogado pela prefeitura fazia o que tanto cobrávamos: dava efetividade a um zoneamento aprovado no Plano Diretor/ Lei de Uso do Solo aprovado no governo do PT. Mas eles dão a entender "esse Kassab não tinha sensibilidade com os movimentos de moradia, quis fazer um parque ali". Só não usam mais O NOME do Kassab porque ele é um grande aliado da Dilma. Mas vira o genérico "gestão anterior").
Ou seja: ele faz uma promessa muito discutível, ao mesmo tempo em que tira o corpo fora. Assim sai bem na foto com o movimento e na verdade não faz nada.
***
Minha empregada não mora longe da ocupação, que é bem recente. Tanto é que as imagens mostram barracos de madeirite, precaríssimos, construídos há pouco tempo. Os mais pobres, assim que podem, vão construindo barraco de tijolo, batem a laje etc. Se viram - brasileiro é mestre em sevirologia, no que isso tem de bom ou de ruim.
Ela ficou puta com essa história. "ONDE estavam essas 8 mil famílias? Debaixo da ponte é que não estavam. De onde saíram para entrar ali e exigir casa? Eu também quero casa".
Pois é, a ocupação vira um gigantesco "fura-fila" na política habitacional. Não tem casa pronta pra todo mundo, seja com Cohab, CDHU ou Minha Casa, Minha Vida (esse menos ainda, porque depende de parcerias, portanto interesses, do mercado). Tem gente esperando na fila HÁ DEZ ANOS. Tá lá no cadastro. Idoso, com muita dificuldade para sobreviver, morando em área de risco. Conheci muitos. Mas... Não tem vereador amigo para furar a fila, não tem dinheiro para comprar a preferência, não tá em ocupação dos Movimentos.
F*da.
"Tem gente lá", continua minha empregada, "que realmente eu não sei como sobrevive. Tem uma mulher da minha rua que cria quatro filhos sozinha e ela REALMENTE precisa. Mas Sonia, tem gente lá que tem carro, tem o dono de uma pizzaria lá do bairro. Ele tem uma pizzaria e tá lá pedindo casa".
Puta da vida.
***
Aí falam com o José Américo, vereador do PT que preside a Câmara Municipal de São Paulo. Que disse ter prometido ao MTST que "vai votar o Plano Diretor o mais rápido possível"; que em maio já terá sido aprovado.
MEU DEUS.
"O mais rápido possível". Tem PRESSA para aprovar um projeto HIPER complexo.
Na gestão anterior, o PT fez de TUDO para bloquear a votação. Entrou na Justiça. Disse que "como já querem mudar o Plano Diretor se o outro nem foi posto em prática"? Como se Plano Diretor não fosse algo para 10, 20 e 30 anos. Não é coisa que você "faz" e pronto. Precisa ser revisto sim, portanto modificado. Em função das recentes conclusões sobre Mudanças Climáticas e seu efeito na cidade, por exemplo.
Diziam também (tenho transcrição dos discursos) que "o Projeto do Executivo não é só uma revisão, ele muda SUBSTANCIALMENTE o projeto original e não podemos concordar com isso".
Adivinha O QUE o atual projeto faz com o original. Muda MUITO. Eram contra, agora são super a favor e comemoram as grandes mudanças que vão ocorrer, "mudando paradigmas".
Gente, rrrepito, o Plano Diretor em vigor foi enviado e aprovado no governo Marta. O relator foi o Nabil Bonduki. Agora falam em coisas lindas que virão com o novo Plano, sem dizer que se as anteriores eram feias, foram eles que fizeram.
***
Ah, e produzir milhares de moradias lá muito longe na periferia é O CONTRÁRIO do que São Paulo precisa e o prefeito, teoricamente, defendeu na campanha...
***
E tem a história dos "predios altos". Segundo o SPTV, só serão permitidos prédios altos onde houver corredor de ônibus.
Prédio alto, naturalmente, é o que mais interessa às construtoras. Ou "à especulação imobiliária", como o PT sempre diz (e "especulação" é bem diferente da produção imobiliária. Mesmo que esta possa ser bem ruim do meu ponto de vista, especulação é outra coisa).
E, vejam que coincidência, a prefeitura está dizendo que muitas ruas serão agora reservadas para novos corredores. Então vai poder prédio alto em todas elas, duh. Ainda que o corredor fique para as calendas. E se prédio alto tiver garagem com várias vagas por unidade, deusolivre, vai ter um impacto terrível em uma rua onde passa ônibus.
Aí o SP informa que "prédio alto só vai poder ser construído onde já tem predio alto". Ou seja, onde o impacto já f. as ruas, o trânsito, a drenagem etc, vai poder piorar. E o Nabil apareceu defendendo, "em vez de ter prédios altos espalhados pela cidade, vamos concentrá-los". Ai ai ai.
***
Ainda sobre ZEIS: dizer "nesta área só pode construir moradia popular ou habitação social" é medida importante para os terrenos bem localizados não ficarem só pra quem tem muita grana (depois de um bom tempo parados, "especulando", esperando valorizar...). Mas "só pode construir" não é garantia nenhuma de que seja construído... Ou alguém do setor privado se interessa, ou o poder público produz. Senão continuará sendo um terreno ou uma gleba.
***
A matéria sobre esse assunto no site da prefeitura ainda diz: "A Secretaria de Habitação comprometeu-se a analisar, no prazo de 15 dias, a viabilidade de construção de unidades habitacionais em alguns terrenos identificados pelo MTST em diversas regiões da cidade. "Eles conseguem identificar terrenos com maior agilidade, já que conhecem bem a região. onde podem ser construídas moradias. Temos um departamento de planejamento na secretaria que, juntamente com os movimentos, vai trabalhar na elaboração de projetos habitacionais para a comunidade", disse Floriano.
Meu Deus, meu Deus. A prefeitura precisa do MTST para "indicar terrenos", já que eles "conhecem melhor a região". E em quinze dias arrumarão agilidade sabe lá de onde para dar a resposta sobre a viabilidade. Quero ver.
Se dependesse do conhecimento que o Haddad tem da cidade, não sairia mesmo moradia em terreno nenhum. Mas a prefeitura tem de saber onde há areas e não depender do MTST para mostrar onde tem.
***
Acrescentado na quinta-feira as 7h50:
Por coincidência, hoje tem nova manifestação por moradia a caminho do Palácio dos Bandeirantes. Como o governador de São Paulo não vai subir em um carro de som para contar várias mentiras e satisfazer o Movimento com promessas irresponsáveis, fica 1x0 para o prefeito. Ele é o do diálogo; o governo do estado, o da insensibilidade com os movimentos sociais.
O marketing do PT vai comemorar mais uma vitória. Do marketing.
O prefeito diz que vai revogar o Decreto de Utilidade Pública que previa que a área ocupada "por 8 mil famílias" (não faço ideia se esse número é verdadeiro) seria área de preservação/parque municipal.
Abrir mão de uma área de preservação na Zona Sul já é uma coisa temerária ao extremo e nem preciso dizer por que.
Mas aí ele passa bola para a Câmara: "Os vereadores precisam aprovar a mudança daquela área para ZEIS, Zona Especial de Interesse Social, para revogar o Decreto". Mentira. Revogar o Decreto não depende de mudança na lei. Produzir moradia lá pode depender desse zoneamento
(O Decreto do Kassab hoje criticado e prestes a ser revogado pela prefeitura fazia o que tanto cobrávamos: dava efetividade a um zoneamento aprovado no Plano Diretor/ Lei de Uso do Solo aprovado no governo do PT. Mas eles dão a entender "esse Kassab não tinha sensibilidade com os movimentos de moradia, quis fazer um parque ali". Só não usam mais O NOME do Kassab porque ele é um grande aliado da Dilma. Mas vira o genérico "gestão anterior").
Ou seja: ele faz uma promessa muito discutível, ao mesmo tempo em que tira o corpo fora. Assim sai bem na foto com o movimento e na verdade não faz nada.
***
Minha empregada não mora longe da ocupação, que é bem recente. Tanto é que as imagens mostram barracos de madeirite, precaríssimos, construídos há pouco tempo. Os mais pobres, assim que podem, vão construindo barraco de tijolo, batem a laje etc. Se viram - brasileiro é mestre em sevirologia, no que isso tem de bom ou de ruim.
Ela ficou puta com essa história. "ONDE estavam essas 8 mil famílias? Debaixo da ponte é que não estavam. De onde saíram para entrar ali e exigir casa? Eu também quero casa".
Pois é, a ocupação vira um gigantesco "fura-fila" na política habitacional. Não tem casa pronta pra todo mundo, seja com Cohab, CDHU ou Minha Casa, Minha Vida (esse menos ainda, porque depende de parcerias, portanto interesses, do mercado). Tem gente esperando na fila HÁ DEZ ANOS. Tá lá no cadastro. Idoso, com muita dificuldade para sobreviver, morando em área de risco. Conheci muitos. Mas... Não tem vereador amigo para furar a fila, não tem dinheiro para comprar a preferência, não tá em ocupação dos Movimentos.
F*da.
"Tem gente lá", continua minha empregada, "que realmente eu não sei como sobrevive. Tem uma mulher da minha rua que cria quatro filhos sozinha e ela REALMENTE precisa. Mas Sonia, tem gente lá que tem carro, tem o dono de uma pizzaria lá do bairro. Ele tem uma pizzaria e tá lá pedindo casa".
Puta da vida.
***
Aí falam com o José Américo, vereador do PT que preside a Câmara Municipal de São Paulo. Que disse ter prometido ao MTST que "vai votar o Plano Diretor o mais rápido possível"; que em maio já terá sido aprovado.
MEU DEUS.
"O mais rápido possível". Tem PRESSA para aprovar um projeto HIPER complexo.
Na gestão anterior, o PT fez de TUDO para bloquear a votação. Entrou na Justiça. Disse que "como já querem mudar o Plano Diretor se o outro nem foi posto em prática"? Como se Plano Diretor não fosse algo para 10, 20 e 30 anos. Não é coisa que você "faz" e pronto. Precisa ser revisto sim, portanto modificado. Em função das recentes conclusões sobre Mudanças Climáticas e seu efeito na cidade, por exemplo.
Diziam também (tenho transcrição dos discursos) que "o Projeto do Executivo não é só uma revisão, ele muda SUBSTANCIALMENTE o projeto original e não podemos concordar com isso".
Adivinha O QUE o atual projeto faz com o original. Muda MUITO. Eram contra, agora são super a favor e comemoram as grandes mudanças que vão ocorrer, "mudando paradigmas".
Gente, rrrepito, o Plano Diretor em vigor foi enviado e aprovado no governo Marta. O relator foi o Nabil Bonduki. Agora falam em coisas lindas que virão com o novo Plano, sem dizer que se as anteriores eram feias, foram eles que fizeram.
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Ah, e produzir milhares de moradias lá muito longe na periferia é O CONTRÁRIO do que São Paulo precisa e o prefeito, teoricamente, defendeu na campanha...
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E tem a história dos "predios altos". Segundo o SPTV, só serão permitidos prédios altos onde houver corredor de ônibus.
Prédio alto, naturalmente, é o que mais interessa às construtoras. Ou "à especulação imobiliária", como o PT sempre diz (e "especulação" é bem diferente da produção imobiliária. Mesmo que esta possa ser bem ruim do meu ponto de vista, especulação é outra coisa).
E, vejam que coincidência, a prefeitura está dizendo que muitas ruas serão agora reservadas para novos corredores. Então vai poder prédio alto em todas elas, duh. Ainda que o corredor fique para as calendas. E se prédio alto tiver garagem com várias vagas por unidade, deusolivre, vai ter um impacto terrível em uma rua onde passa ônibus.
Aí o SP informa que "prédio alto só vai poder ser construído onde já tem predio alto". Ou seja, onde o impacto já f. as ruas, o trânsito, a drenagem etc, vai poder piorar. E o Nabil apareceu defendendo, "em vez de ter prédios altos espalhados pela cidade, vamos concentrá-los". Ai ai ai.
***
Ainda sobre ZEIS: dizer "nesta área só pode construir moradia popular ou habitação social" é medida importante para os terrenos bem localizados não ficarem só pra quem tem muita grana (depois de um bom tempo parados, "especulando", esperando valorizar...). Mas "só pode construir" não é garantia nenhuma de que seja construído... Ou alguém do setor privado se interessa, ou o poder público produz. Senão continuará sendo um terreno ou uma gleba.
***
A matéria sobre esse assunto no site da prefeitura ainda diz: "A Secretaria de Habitação comprometeu-se a analisar, no prazo de 15 dias, a viabilidade de construção de unidades habitacionais em alguns terrenos identificados pelo MTST em diversas regiões da cidade. "Eles conseguem identificar terrenos com maior agilidade, já que conhecem bem a região. onde podem ser construídas moradias. Temos um departamento de planejamento na secretaria que, juntamente com os movimentos, vai trabalhar na elaboração de projetos habitacionais para a comunidade", disse Floriano.
Meu Deus, meu Deus. A prefeitura precisa do MTST para "indicar terrenos", já que eles "conhecem melhor a região". E em quinze dias arrumarão agilidade sabe lá de onde para dar a resposta sobre a viabilidade. Quero ver.
Se dependesse do conhecimento que o Haddad tem da cidade, não sairia mesmo moradia em terreno nenhum. Mas a prefeitura tem de saber onde há areas e não depender do MTST para mostrar onde tem.
***
Acrescentado na quinta-feira as 7h50:
Por coincidência, hoje tem nova manifestação por moradia a caminho do Palácio dos Bandeirantes. Como o governador de São Paulo não vai subir em um carro de som para contar várias mentiras e satisfazer o Movimento com promessas irresponsáveis, fica 1x0 para o prefeito. Ele é o do diálogo; o governo do estado, o da insensibilidade com os movimentos sociais.
O marketing do PT vai comemorar mais uma vitória. Do marketing.
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quinta-feira, 6 de março de 2014
Conselho Municipal de Trânsito e Transportes - primeiros resultados
Encontrei, depois de muito fuçar (e assunto tão importante deveria estar em destaque) o relatório da Comissão Eleitoral a respeito da votação de 15 de fevereiro.
Uma bandalheira foi corrigida, mas é pouco.
A Comissão CONCORDOU em anular a eleição para os movimentos sociais, acatando os argumentos apresentados por duas das chapas participantes, conforme consta no relatório da reunião:
a) A não distribuição organizada das cédulas para votação, mediante a apresentação da ficha cadastral dos participantes;
b) Interferência de candidatos na destruição das cédulas; [eles quiseram dizer "distribuição"]
c) 10 participantes aproximadamente que não conseguiram se cadastrar, portanto não puderam votar;
d) Diferença entre número de participantes cadastrados e o número de votos apurados, sendo esse ultimo superior.
Não levaram em consideração outras reclamações, como a de que em momento algum foi solicitado RG ou Título de Eleitor para conferência.
***
O resultado da eleição por setor revela as distorções no formato proposto. Vejamos os eleitos em cada setor:
Sindicato de Trabalhadores: Titular - Alexandre Gerolamo de Almeida
Sind. dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Escolar do Município de São Paulo
Suplente - Antônio Soares Vieira Filho
Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo
Obtiveram 87 votos.
Comentário: se por alguma razão o representante dos motoristas de transporte escolar não estiver presente, será substituído por alguém do Sindicato dos Bancários - não porque ele tenha sido o segundo mais votado, o que justificaria tamanha discrepância, mas sim porque foi o suplente apresentado na própria Chapa vencedora.
Diferentemente do que aconteceu em outros setores, o relatório não informa quais eram as outras Chapas inscritas (ou não deixa claro se era Chapa Única).
Movimento Estudantil Secundarista: Titular - Marcos Kaue Ferreira de Queiroz
União Municipal dos Estudantes Secundaristas - UMES
Suplente - Thaisa Maria do Nascimento
União Municipal dos Estudantes Secundaristas - UMES
Eleita com 73 votos.
Movimento Estudantil Universitário: Titular - Carina Vitral Costa
União Estadual dos de São Paulo - UEE
Suplente - Bruno Reis
União Estadual dos* de São Paulo - UEE
[*deve ser "dos estudantes universitários"; copiei exatamente o q diz o relatório]
Eleita com 53 votos.
Comentário: os Movimentos Estudantis foram privilegiados com DUAS cadeiras no Conselho. Havia UMA outra reservada para "Movimentos Sociais" em geral. Poderia ter sido eleito um representante dos estudantes de modo geral, com candidatos não necessariamente participantes de um ou outro movimento organizado. De novo, o relatório da Comissão não deixa claro se houve Chapa Única no caso dos Secundaristas ou se apenas deixou de informar as demais. No caso do Movimento Universitário, ele informa que a segunda colocada foi a Chapa do DCE/USP, com 35 votos.
Juventude: Titular - Greg Manoel
União da Juventude Brasileira - UJB
Suplente - Gabriel de Souza Freitas
União da Juventude Brasileira - UJB
Eleita com 68 votos
Comentário: foi Chapa Única? De novo, não sabemos. Mas aqui, mais uma vez por decisão questionável quanto à reserva de vagas por setor, podia ter sido eleito o representante de um Movimento Estudantil - nada impedia.
Idoso: Titular - Sinésio Gobbo
Movimento em Marcha
Suplente - Daniel Santos
Instituto Brasilidade
Eleita com 21 votos
Comentário: aqui sabemos quais foram as 3 Chapas mais votadas. Em segundo lugar, ficou a do Grande Conselho do Idoso, com 18 votos. Em terceiro, a Rede Butantã, com dois votos. No dia da eleição, ouvi os organizadores presentes dizerem mais de uma vez "as outras foram tranquilas, só na do Idoso teve briga".
Meio Ambiente e Saúde: Titular - Paulo de Tarso W. Frangetto
Conselho Municipal da Saúde
Suplente - Fátima Feitosa
Conselho Municipal da Saúde
Eleito com 8 votos.
Comentário: era o setor para o qual eu teria me inscrito, sendo ecomala como sou. Precisaria ter apresentado uma declaração de "entidade, conselho ou instituto". (Aliás, em todos os casos era necessário o candidato apresentar algum tipo de declaração, exceto em "juventude". Se eles foram dispensados, por que os idosos e pressoas com deficiência não foram, visto que era uma condição bem fácil de atestar?). No fim das contas, o forte Conselho Municipal de Saúde levou e ainda ficou com o segundo lugar! O Conselho JÁ É representante da sociedade civil junto à prefeitura, e ainda foi eleito para esse. Era melhor ter reservado assentos para cada Conselho Municipal existente, ou convidar sempre um representante deles para as reuniões, e deixar a população em geral escolher outro para essa cadeira...
Pessoa com Deficiência: Titular: Gilberto Frachetta
Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência
Suplente: Maria de Fátima da Silva Lima
Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência
Eleita com 17 votos.
Comentário: aqui também um Conselho Municipal que já atua junto à prefeitura, conquista na "eleição geral" assento em outro Conselho. Acaba sendo um tipo de concentração de poderes. Em segundo lugar, ficaram os representantes do Movimento Cidade para todos.
ONGs: Titular - Davi de Souza
Associação de Auxilio Mútuo da Região Leste - APOIO
Suplente - Joselina Martins Pereira
Associação de Auxilio Mútuo da Região Leste - APOIO
Eleita com 95 votos.
Comentário: em segundo lugar ficou a Chapa 3, que representava o Instituto de Ética e comportamento no Trânsito - IECT. Não sei se havia Chapa 2. Presumo que sim, porque a inscrição era feita na hora e não sei por que ela se ausentaria logo depois e ter se inscrito.
Movimentos Sociais: esse foi o setor cuja votação foi anulada. Foram inscritas quatro Chapas - a 1 representava Associação Unificada dos Moradores de Bairros Jardim 7 de Setembro e Almeida Prado I e II; a 2 trazia como titular o representante da Associação de Moradia do Parque Otelo e, como suplente, do Movimento em Marcha (que, como se viu, disputou também a eleição no setor Idoso E VENCEU). A 3 era da Frente de Luta por Moradia - FLM e a 4,da Confederação Nacional das Associações de Moradores. Uma das irregularidades constatadas, sem qualquer possibilidade de contestação, nessa votação foi o fato de ter havido mais votos que eleitores inscritos. Como é evidente que a Chapa 2, que saiu vencedora, foi beneficiada (e os presentes testemunharam o candidato eleito entregando várias cédulas para a mesma pessoa), era justo que fosse IMPEDIDA de participar do novo pleito.
Comentários finais:
- Como demonstração de que a divulgação foi tímida, basta ver o número de votos com que os representantes foram eleitos. Para uma votação aberta a toda população paulistana, o quórum foi ridículo. Mesmo assim, FALTARAM CÉDULAS!
- Houve divergência na divulgação do HORÁRIO da votação.
- Era UM local de votação na cidade toda, e todo o processo aconteceu apenas no sábado de manhã. Sequer foi o dia inteiro
- A urna era uma caixa de papelão; os votos, filipetas sem nenhum controle de autenticidade. E com um problema de "design" que não deixava claro qual campo a preencher com o número do concorrente. Segundo denúncia de candidatos, a decisão sobre anular ou não a filipeta preenchida incorretamente dependia de para quem era o voto.
- No auditório onde foi feita a apuração dos votos dos Movimentos Sociais, não havia nenhuma informação sobre quais eram as Chapas e quem representavam.
- A inscrição dos candidatos era feita NA HORA, portanto não havia nenhuma possibilidade razoável de se informar sobre eles com mais cuidado.
***
Ainda não foi publicado o relatório da Comissão Eleitoral (nem há informação sb a data da reunião - se já aconteceu ou não) a respeito segunda parte da votação, a dos representantes Regionais. Ela também repleta de erros absurdos. A da Zona Oeste, onde votei, tinha de ser anulada pelas razões que vou expor no próximo post.
***
PS: eis a lista das declarações que os candidatos deveriam apresentar para concorrer por um setor:
Meio Ambiente e Saúde: Declaração de entidade, Conselho ou Instituto ["entidade" já bastaria, não?]
Juventude: Grupos de igrejas, Conselhos, Juventude de Partidos Políticos, Movimentos [bastava se auto-declarar? O regimento publicado não diz que não... Os movimentos de juventude, na verdade, se ressentem quando os representantes tem mais de 29 anos, uma das convenções mais aceitas para se considerar o ingresso na idade adulta. Há muitos critérios diferentes. Mas, como se vê, idade não foi critério.
Sindicato: Declaração Sindicato que Representa
ONGs: Declaração da ONG
Ciclistas: Declaração dos Movimentos, Organizações Ligadas a Temática
Pessoa com Deficiência: Declaração de Entidade, Movimento ou Conselhos [ou seja, de acordo com o regimento, não bastaria nem seria indispensável ser uma pessoa com deficiência que fosse atuante e se mobilizasse para conquistar eleitores].
Idoso: Declaração de Entidade, Movimento ou Conselhos [idem acima]
Movimento Estudantil Secundarista: Declaração do Grêmio Estudantil, UMES [ibidem... um "reles" estudante secundarista que seja um batalhador pela causa da mobilidade não poderia concorrer sem uma declaração].
Movimento Estudantil Universitário: Declaração do Centro Acadêmico, DCE, UEE e Atléticas [mesma coisa].
Movimentos Sociais: Declaração dos Movimentos que Representam a Sociedade civil
***
Em breve, vou publicar neste post e no próximo a relação completa dos vídeos que gravei durante as duas votações, a do dia 15 e do dia 22. Em post anterior já inseri alguns deles.
Uma bandalheira foi corrigida, mas é pouco.
A Comissão CONCORDOU em anular a eleição para os movimentos sociais, acatando os argumentos apresentados por duas das chapas participantes, conforme consta no relatório da reunião:
a) A não distribuição organizada das cédulas para votação, mediante a apresentação da ficha cadastral dos participantes;
b) Interferência de candidatos na destruição das cédulas; [eles quiseram dizer "distribuição"]
c) 10 participantes aproximadamente que não conseguiram se cadastrar, portanto não puderam votar;
d) Diferença entre número de participantes cadastrados e o número de votos apurados, sendo esse ultimo superior.
Não levaram em consideração outras reclamações, como a de que em momento algum foi solicitado RG ou Título de Eleitor para conferência.
***
O resultado da eleição por setor revela as distorções no formato proposto. Vejamos os eleitos em cada setor:
Sindicato de Trabalhadores: Titular - Alexandre Gerolamo de Almeida
Sind. dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Escolar do Município de São Paulo
Suplente - Antônio Soares Vieira Filho
Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo
Obtiveram 87 votos.
Comentário: se por alguma razão o representante dos motoristas de transporte escolar não estiver presente, será substituído por alguém do Sindicato dos Bancários - não porque ele tenha sido o segundo mais votado, o que justificaria tamanha discrepância, mas sim porque foi o suplente apresentado na própria Chapa vencedora.
Diferentemente do que aconteceu em outros setores, o relatório não informa quais eram as outras Chapas inscritas (ou não deixa claro se era Chapa Única).
Movimento Estudantil Secundarista: Titular - Marcos Kaue Ferreira de Queiroz
União Municipal dos Estudantes Secundaristas - UMES
Suplente - Thaisa Maria do Nascimento
União Municipal dos Estudantes Secundaristas - UMES
Eleita com 73 votos.
Movimento Estudantil Universitário: Titular - Carina Vitral Costa
União Estadual dos de São Paulo - UEE
Suplente - Bruno Reis
União Estadual dos* de São Paulo - UEE
[*deve ser "dos estudantes universitários"; copiei exatamente o q diz o relatório]
Eleita com 53 votos.
Comentário: os Movimentos Estudantis foram privilegiados com DUAS cadeiras no Conselho. Havia UMA outra reservada para "Movimentos Sociais" em geral. Poderia ter sido eleito um representante dos estudantes de modo geral, com candidatos não necessariamente participantes de um ou outro movimento organizado. De novo, o relatório da Comissão não deixa claro se houve Chapa Única no caso dos Secundaristas ou se apenas deixou de informar as demais. No caso do Movimento Universitário, ele informa que a segunda colocada foi a Chapa do DCE/USP, com 35 votos.
Juventude: Titular - Greg Manoel
União da Juventude Brasileira - UJB
Suplente - Gabriel de Souza Freitas
União da Juventude Brasileira - UJB
Eleita com 68 votos
Comentário: foi Chapa Única? De novo, não sabemos. Mas aqui, mais uma vez por decisão questionável quanto à reserva de vagas por setor, podia ter sido eleito o representante de um Movimento Estudantil - nada impedia.
Idoso: Titular - Sinésio Gobbo
Movimento em Marcha
Suplente - Daniel Santos
Instituto Brasilidade
Eleita com 21 votos
Comentário: aqui sabemos quais foram as 3 Chapas mais votadas. Em segundo lugar, ficou a do Grande Conselho do Idoso, com 18 votos. Em terceiro, a Rede Butantã, com dois votos. No dia da eleição, ouvi os organizadores presentes dizerem mais de uma vez "as outras foram tranquilas, só na do Idoso teve briga".
Meio Ambiente e Saúde: Titular - Paulo de Tarso W. Frangetto
Conselho Municipal da Saúde
Suplente - Fátima Feitosa
Conselho Municipal da Saúde
Eleito com 8 votos.
Comentário: era o setor para o qual eu teria me inscrito, sendo ecomala como sou. Precisaria ter apresentado uma declaração de "entidade, conselho ou instituto". (Aliás, em todos os casos era necessário o candidato apresentar algum tipo de declaração, exceto em "juventude". Se eles foram dispensados, por que os idosos e pressoas com deficiência não foram, visto que era uma condição bem fácil de atestar?). No fim das contas, o forte Conselho Municipal de Saúde levou e ainda ficou com o segundo lugar! O Conselho JÁ É representante da sociedade civil junto à prefeitura, e ainda foi eleito para esse. Era melhor ter reservado assentos para cada Conselho Municipal existente, ou convidar sempre um representante deles para as reuniões, e deixar a população em geral escolher outro para essa cadeira...
Pessoa com Deficiência: Titular: Gilberto Frachetta
Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência
Suplente: Maria de Fátima da Silva Lima
Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência
Eleita com 17 votos.
Comentário: aqui também um Conselho Municipal que já atua junto à prefeitura, conquista na "eleição geral" assento em outro Conselho. Acaba sendo um tipo de concentração de poderes. Em segundo lugar, ficaram os representantes do Movimento Cidade para todos.
ONGs: Titular - Davi de Souza
Associação de Auxilio Mútuo da Região Leste - APOIO
Suplente - Joselina Martins Pereira
Associação de Auxilio Mútuo da Região Leste - APOIO
Eleita com 95 votos.
Comentário: em segundo lugar ficou a Chapa 3, que representava o Instituto de Ética e comportamento no Trânsito - IECT. Não sei se havia Chapa 2. Presumo que sim, porque a inscrição era feita na hora e não sei por que ela se ausentaria logo depois e ter se inscrito.
Movimentos Sociais: esse foi o setor cuja votação foi anulada. Foram inscritas quatro Chapas - a 1 representava Associação Unificada dos Moradores de Bairros Jardim 7 de Setembro e Almeida Prado I e II; a 2 trazia como titular o representante da Associação de Moradia do Parque Otelo e, como suplente, do Movimento em Marcha (que, como se viu, disputou também a eleição no setor Idoso E VENCEU). A 3 era da Frente de Luta por Moradia - FLM e a 4,da Confederação Nacional das Associações de Moradores. Uma das irregularidades constatadas, sem qualquer possibilidade de contestação, nessa votação foi o fato de ter havido mais votos que eleitores inscritos. Como é evidente que a Chapa 2, que saiu vencedora, foi beneficiada (e os presentes testemunharam o candidato eleito entregando várias cédulas para a mesma pessoa), era justo que fosse IMPEDIDA de participar do novo pleito.
Comentários finais:
- Como demonstração de que a divulgação foi tímida, basta ver o número de votos com que os representantes foram eleitos. Para uma votação aberta a toda população paulistana, o quórum foi ridículo. Mesmo assim, FALTARAM CÉDULAS!
- Houve divergência na divulgação do HORÁRIO da votação.
- Era UM local de votação na cidade toda, e todo o processo aconteceu apenas no sábado de manhã. Sequer foi o dia inteiro
- A urna era uma caixa de papelão; os votos, filipetas sem nenhum controle de autenticidade. E com um problema de "design" que não deixava claro qual campo a preencher com o número do concorrente. Segundo denúncia de candidatos, a decisão sobre anular ou não a filipeta preenchida incorretamente dependia de para quem era o voto.
- No auditório onde foi feita a apuração dos votos dos Movimentos Sociais, não havia nenhuma informação sobre quais eram as Chapas e quem representavam.
- A inscrição dos candidatos era feita NA HORA, portanto não havia nenhuma possibilidade razoável de se informar sobre eles com mais cuidado.
***
Ainda não foi publicado o relatório da Comissão Eleitoral (nem há informação sb a data da reunião - se já aconteceu ou não) a respeito segunda parte da votação, a dos representantes Regionais. Ela também repleta de erros absurdos. A da Zona Oeste, onde votei, tinha de ser anulada pelas razões que vou expor no próximo post.
***
PS: eis a lista das declarações que os candidatos deveriam apresentar para concorrer por um setor:
Meio Ambiente e Saúde: Declaração de entidade, Conselho ou Instituto ["entidade" já bastaria, não?]
Juventude: Grupos de igrejas, Conselhos, Juventude de Partidos Políticos, Movimentos [bastava se auto-declarar? O regimento publicado não diz que não... Os movimentos de juventude, na verdade, se ressentem quando os representantes tem mais de 29 anos, uma das convenções mais aceitas para se considerar o ingresso na idade adulta. Há muitos critérios diferentes. Mas, como se vê, idade não foi critério.
Sindicato: Declaração Sindicato que Representa
ONGs: Declaração da ONG
Ciclistas: Declaração dos Movimentos, Organizações Ligadas a Temática
Pessoa com Deficiência: Declaração de Entidade, Movimento ou Conselhos [ou seja, de acordo com o regimento, não bastaria nem seria indispensável ser uma pessoa com deficiência que fosse atuante e se mobilizasse para conquistar eleitores].
Idoso: Declaração de Entidade, Movimento ou Conselhos [idem acima]
Movimento Estudantil Secundarista: Declaração do Grêmio Estudantil, UMES [ibidem... um "reles" estudante secundarista que seja um batalhador pela causa da mobilidade não poderia concorrer sem uma declaração].
Movimento Estudantil Universitário: Declaração do Centro Acadêmico, DCE, UEE e Atléticas [mesma coisa].
Movimentos Sociais: Declaração dos Movimentos que Representam a Sociedade civil
***
Em breve, vou publicar neste post e no próximo a relação completa dos vídeos que gravei durante as duas votações, a do dia 15 e do dia 22. Em post anterior já inseri alguns deles.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Conselho Municipal de Trânsito e Transporte - PROBLEMAS
Semana retrasada, escrevi meus primeiros protestos sobre o processo de escolha do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte. Recapitulando:
- 1/3 do Conselho é composto por representantes de 10 setores. A definição dos setores é bastante discutível:
Movimento Estudantil Secundarista
Movimento Estudantil Universitário
Juventude
ONGs
Sindicatos de Trabalhadores
Movimentos Sociais
Idosos
Pessoas com Deficiência
Ciclistas
Saúde e Meio Ambiente
Como se vê, 6 dos 10 são sobrepostos ou coincidentes (Movimentos/ ONGs/ Sindicatos...).
Jovens tem facilidade para eleger 3 representantes (movimentos estudantis e Juventude); idosos tem direito a apenas 1. Pedestres, motoboys e taxistas não foram lembrados. "Movimentos Sociais" e "Ongs" abrem um campo enorme, indefinido, que não chega a configurar um "setor".
- A divulgação foi muito deficiente. Algumas pessoas viram cartazes nos ônibus; andei bastante de ônibus nas últimas semanas e não vi nenhum - não foram colocados em todos os ônibus. Não é difícil constatar que MILHÕES de pessoas sequer ficaram sabendo.
- A inscrição dos candidatos era feita NA HORA. (Como se informar adequadamente?)
- Cada candidato se inscrevia com seu suplente. (Se em vez disso o suplente fosse o segundo mais votado, a vontade dos eleitores seria mais bem representada, mas a prefeitura optou por "The winner takes it all" - o vencedor leva tudo).
- Cada cidadão precisava escolher o setor em que se sentia representado e tinha o direito a um único voto. Se quisesse participar da eleição do representante de meio ambiente e também dos ciclistas, tinha de optar por um deles.
- A eleição dos setores foi marcada para um único dia, em apenas um local de votação e em meio período. É óbvia a dificuldade de muitas pessoas para comparecer. Quem mora longe, quem trabalha no sábado de manhã...
- Havia divergência nos HORÁRIOS anunciados. Quem fosse, fazendo muito sacrifício, ainda corria o risco de comparecer no horário errado.

A frente do folheto informava: sábado, das 8h30 às 12h00.

Já o verso especificava: início da votação às 10; encerramento às 10h40. (QUARENTA MINUTOS para a votação!)
Enquanto isso, o Regulamento publicado no site da prefeitura dizia que a votação começava às 11h00.

- Não presenciei então não tenho como garantir que é verdade, mas candidatos relataram ter visto pessoas votando em mais de uma sala. Fato é que não havia nenhum controle e é perfeitamente possível que um eleitor tenha votado várias vezes. Como observou um eleitor (e o vídeo 2, abaixo, mostra isso), ninguém solicitou RG ou título de eleitor.
- Para comprovar ter relação com o setor, o candidato precisava apresentar uma declaração de entidade, instituição ou Conselho. Ao mesmo tempo em que isso pode ser complicado para um candidato legítimo (ir atrás do documento), é fácil de burlar por alguém mal intencionado. Um sindicato, por exemplo, que quisesse vencer a eleição em dois setores, poderia produzir declarações "atestando" qualquer coisa ("sim, ela atua na área ambiental")

Um eleitor afirma ter visto "o pessoal de camisa amarela", que disputou e venceu a eleição dos Movimentos Sociais, disputando também por outros setores.
- Em algumas salas, o eleitor votava diante da comissão organizadora, sem direito a sigilo.
- Candidatos apontaram que integrantes de setores que disputavam a eleição (entidades estudantis, por exemplo). também faziam parte da organização. De fato, uma entidade estudantil tem assento na Comissão Eleitoral.

***
Fui para o local de votação disposta a visitar as dez salas e ver seu andamento. Quantos tinham mais de um candidato, quais eram eles. Mas entrei logo no setor "Movimentos Sociais" e não saí mais. Gravei:
Parte 1
Destaques:
1:39 - "Tinha de pegar as filipetas lá fora até as 9h30". Mais uma informação que não condiz com o que foi divulgado. O folheto informava apenas - e no verso - que a votação começaria às 10, cf o folheto; ou às 11h, cf o regulamento.
02:09 - "Põe os candidatos atrás da mesa"! O condutor da eleição postou os candidatos de pé à frente da mesa onde seriam apurados os votos, quando poderiam estar sentados de frente para a plateia. Um eleitor protestou.
02:52 - "É lógico que houve desorganização", admite o mediador.
03:09 - Eleitora explica que faltou cédula (impressa na forma de crachá) e começaram a distribuir filipetas (que seriam colocadas na urna) sem controle. Para alguns, faltou. Mas, segunda ela (e muitos presentes), em outros casos sobrou: aos 4:25 ela conta que candidatos saíram distribuindo aos montes, entregando várias filipetas para a mesma pessoa.
03:25 - Organizador informa que a Comissão Eleitoral tem um prazo para analisar e pode impugnar o resultado
Parte 2
Destaques:
- Aos 2:15, depois de ter dito que a votação estava encerrada, o condutor do processo queria reabrir para duas pessoas. A plateia protestou e ele voltou atrás.
- 5:58: "Só aqui candidato distribui cédula" (umas das maiores queixas dos presentes: depois da falta de cédulas, candidatos ajudaram a distribuir filipetas para quem não tinha votado - e entregavam várias para um mesmo eleitor.
- 6:48 - Eleitor reclama que em nenhum momento pediram para conferir seu título de eleitor e RG. (O item 1.4 do Regulamento exigia a apresentação de documento).
Parte 3
Depois de apurados os votos, foi lida a ata com as críticas dos candidatos (infelizmente, não gravei essa parte) e a organização garantiu que a ata seria avaliada pela Comissão Eleitoral.
(Continua...)
- 1/3 do Conselho é composto por representantes de 10 setores. A definição dos setores é bastante discutível:
Movimento Estudantil Secundarista
Movimento Estudantil Universitário
Juventude
ONGs
Sindicatos de Trabalhadores
Movimentos Sociais
Idosos
Pessoas com Deficiência
Ciclistas
Saúde e Meio Ambiente
Como se vê, 6 dos 10 são sobrepostos ou coincidentes (Movimentos/ ONGs/ Sindicatos...).
Jovens tem facilidade para eleger 3 representantes (movimentos estudantis e Juventude); idosos tem direito a apenas 1. Pedestres, motoboys e taxistas não foram lembrados. "Movimentos Sociais" e "Ongs" abrem um campo enorme, indefinido, que não chega a configurar um "setor".
- A divulgação foi muito deficiente. Algumas pessoas viram cartazes nos ônibus; andei bastante de ônibus nas últimas semanas e não vi nenhum - não foram colocados em todos os ônibus. Não é difícil constatar que MILHÕES de pessoas sequer ficaram sabendo.
- A inscrição dos candidatos era feita NA HORA. (Como se informar adequadamente?)
- Cada candidato se inscrevia com seu suplente. (Se em vez disso o suplente fosse o segundo mais votado, a vontade dos eleitores seria mais bem representada, mas a prefeitura optou por "The winner takes it all" - o vencedor leva tudo).
- Cada cidadão precisava escolher o setor em que se sentia representado e tinha o direito a um único voto. Se quisesse participar da eleição do representante de meio ambiente e também dos ciclistas, tinha de optar por um deles.
- A eleição dos setores foi marcada para um único dia, em apenas um local de votação e em meio período. É óbvia a dificuldade de muitas pessoas para comparecer. Quem mora longe, quem trabalha no sábado de manhã...
- Havia divergência nos HORÁRIOS anunciados. Quem fosse, fazendo muito sacrifício, ainda corria o risco de comparecer no horário errado.

A frente do folheto informava: sábado, das 8h30 às 12h00.

Já o verso especificava: início da votação às 10; encerramento às 10h40. (QUARENTA MINUTOS para a votação!)
Enquanto isso, o Regulamento publicado no site da prefeitura dizia que a votação começava às 11h00.

- Não presenciei então não tenho como garantir que é verdade, mas candidatos relataram ter visto pessoas votando em mais de uma sala. Fato é que não havia nenhum controle e é perfeitamente possível que um eleitor tenha votado várias vezes. Como observou um eleitor (e o vídeo 2, abaixo, mostra isso), ninguém solicitou RG ou título de eleitor.
- Para comprovar ter relação com o setor, o candidato precisava apresentar uma declaração de entidade, instituição ou Conselho. Ao mesmo tempo em que isso pode ser complicado para um candidato legítimo (ir atrás do documento), é fácil de burlar por alguém mal intencionado. Um sindicato, por exemplo, que quisesse vencer a eleição em dois setores, poderia produzir declarações "atestando" qualquer coisa ("sim, ela atua na área ambiental")

Um eleitor afirma ter visto "o pessoal de camisa amarela", que disputou e venceu a eleição dos Movimentos Sociais, disputando também por outros setores.
- Em algumas salas, o eleitor votava diante da comissão organizadora, sem direito a sigilo.
- Candidatos apontaram que integrantes de setores que disputavam a eleição (entidades estudantis, por exemplo). também faziam parte da organização. De fato, uma entidade estudantil tem assento na Comissão Eleitoral.

***
Fui para o local de votação disposta a visitar as dez salas e ver seu andamento. Quantos tinham mais de um candidato, quais eram eles. Mas entrei logo no setor "Movimentos Sociais" e não saí mais. Gravei:
Parte 1
Destaques:
1:39 - "Tinha de pegar as filipetas lá fora até as 9h30". Mais uma informação que não condiz com o que foi divulgado. O folheto informava apenas - e no verso - que a votação começaria às 10, cf o folheto; ou às 11h, cf o regulamento.
02:09 - "Põe os candidatos atrás da mesa"! O condutor da eleição postou os candidatos de pé à frente da mesa onde seriam apurados os votos, quando poderiam estar sentados de frente para a plateia. Um eleitor protestou.
02:52 - "É lógico que houve desorganização", admite o mediador.
03:09 - Eleitora explica que faltou cédula (impressa na forma de crachá) e começaram a distribuir filipetas (que seriam colocadas na urna) sem controle. Para alguns, faltou. Mas, segunda ela (e muitos presentes), em outros casos sobrou: aos 4:25 ela conta que candidatos saíram distribuindo aos montes, entregando várias filipetas para a mesma pessoa.
03:25 - Organizador informa que a Comissão Eleitoral tem um prazo para analisar e pode impugnar o resultado
Parte 2
Destaques:
- Aos 2:15, depois de ter dito que a votação estava encerrada, o condutor do processo queria reabrir para duas pessoas. A plateia protestou e ele voltou atrás.
- 5:58: "Só aqui candidato distribui cédula" (umas das maiores queixas dos presentes: depois da falta de cédulas, candidatos ajudaram a distribuir filipetas para quem não tinha votado - e entregavam várias para um mesmo eleitor.
- 6:48 - Eleitor reclama que em nenhum momento pediram para conferir seu título de eleitor e RG. (O item 1.4 do Regulamento exigia a apresentação de documento).
Parte 3
Depois de apurados os votos, foi lida a ata com as críticas dos candidatos (infelizmente, não gravei essa parte) e a organização garantiu que a ata seria avaliada pela Comissão Eleitoral.
(Continua...)
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Enquanto isso, na General Olimpio da Silveira...
Esse é o nome da rua que fica debaixo do Elevado Costa e Silva. Passei um tempo lá hoje.
Fui visitar meus ammigos, só encontrei o Moisés. Estava dormindo. Com calor e depressão, como esperar algo diferente? E por mil razões é à noite que eles ficam acordados. Porque é quando compram seus, ahn, aditivos. Quando têm insônia (e não é por ter dormido de dia, é por ansiedade e angústia típicas das horas escuras... Eu tenho, você tem, imagine eles). E alguns porque tem medo; a noite é melhor ficar em vigília.
A roda de conhecidos perguntou se eu queria "deixar recado". Não tinha recado, queria só dar um oi. Achei que podia acordá-lo para saber se estava tudo bem sem incomodar muito. Brinquei com eles; "Passou a noite fritando por aí, né?". "Não, ele não é disso não". Mas eu sei que ele usa cocaína... Passa de uma certa hora, começa a dar desespero. Com dez reais ele compra o suficiente para passar. Então teimei: "Conheço...".
Depois de falar com meu amigo, voltei para me penitenciar. Coitado, estava com uma tosse horrorosa e ardendo em febre. Não foi mesmo "pra balada"; disse que mais tarde vai pro Pronto Socorro. "Ontem teve o maior preju", falou grogue de febre e sono. "Que foi"? "O rapa. Três caminhão. Levaram tudo. Panela, comida, o que tinha. Olha aí".
Bem que eu estranhei que só tinha um dormindo em colchão. O resto, no chão duro mesmo, com no máximo um pano ou papelão por cima.
Daqui a pouco eles se refazem... Doação não falta. Lugar em que possam ficar (em modelo diferente dos albergues e suas regras que afugentam, mesmo quando são bons), não tem.
***
Enquanto isso, o Clube de Mães que funciona no Castelinho da Rua Apa e faz um trabalho lindo, diferenciado, pena até pra pagar a conta de luz. Lá tem chuveiro e eles deixam a turma tomar banho... Nem isso eles encontram em outros lugares. E é só umas das coisas para oferecer "cidadania e dignididade", como o prefeito se gaba de fazer.
***
Um quarteirão adiante, uma viatura da polícia estava parada na faixa de ônibus e achei q podia ser algum problema com povo de rua, fui lá ver. Não tinha nenhum morador ali, mas um ônibus parado, só com o motorista, o cobrador, uma mulher e uma criança. "Que foi?", perguntei para um entregador de água que encostou a bicicleta ali pra ver no que ia dar. "Sequestro". "Como assim? Do ônibus??". "De uma criança. Ela berrava que queria a mãe, de longe dava pra ouvir os gritos. E a mulher que tá com ela diz que não tem nenhum contato da família, pra esclarecer que tá tudo bem".
Os passageiros acharam esquisito demais e, não sei bem como, chamaram a polícia e convenceram o motorista a parar ali (não necessariamente nessa ordem). Mais preocupados com a criança do que consigo mesmos, desceram pra pegar outra condução.
Tem horas que parece que esse mundo tem jeito, não parece?
Não vi o desfecho. O moço da bicicleta achou que também tava muito estranho. A criança gritava demais.
***
No ônibus para a Lapa, o cobrador reclamava. "O Janio fez aqueles ônibus de dois andares. Não falou nada na campanha, aí foi lá e fez". (Não deu pra ter certeza se ele achava isso bom ou ruim, mas tive a impressão que ele aprovou). "Aí a Erundina fez o corredor de Pirituba e Perus e ficou faltando "isso aqui" pra terminar. Passou quatro anos e não terminou. Ficou desenterrando cadáver em Perus". (Foram encontrados corpos sem identificação em uma vala comum; tem um curta sobre isso)Entendendo, claro, que OU faz uma coisa, OU faz outra. Não terminou o corredor (vai saber por que) x ficou desenterrando cadáver . Como sempre acontece. "O mundo caindo e você aí, falando de biometria".
***
Conversa seguiu com passageiro reclamando do absurdo que é a prefeitura querer que os cidadãos consertem as calçadas. "Vê lá em Perdizes, que é só pirambeira. Se não tem os degraus, ninguém aguenta subir. Vai fazer como? Aí multa porque não fez".
Vdd. A multa que o Kassab instituiu era cruel, desmedida. Ai o Haddad disse "vou notificar e dar 90 dias pra fazer; só depois aplico a multa". Também não deu em nada. E não vai dar!! Na maioria absolluta dos casos, é impossível o proprietário do imóvel fazer com que sua calçada tenha os padrões de acessibilidade. Porque ela é estreita demais, porque é um aclive medonho e ele não tem condições de resolver sozinho, porque tem poste/orelhão/lixeira/caixa de correio/árvore etc!
O certo é a prefeitura fazer a reforma e cobrar do proprietário a manutenção. Quando à reforma - pode repassar o custo para os proprietários de alguns imóveis (de maiores dimensões, por exemplo, como hipermercados e grandes condomínios residenciais), que já seriam beneficiados pelo fato de não ter de arcar com toda a dor-de-cabeça de uma obra, e isentar os imóveis mais modestos.
Vou ter eu que dar um jeito nisso!
***
A verba que o Haddad destinou no orçamento para obras de calçadas em cada Subprefeitura e RIDÍCULA. Não dá pra uma rua inteira.
***
Nada a ver, mas também foi hoje: sabe onde comprar o Guaraná Jesus, aquele que é cor-de-rosa e típico do Maranhão? Na LIberdade, o bairro japonês de São Paulo.
***
Fui confirmar se era mesmo Maranhão, e descobri que ele agora faz parte "do portfolio de produtos da Coca-Cola". Acabou com a minha graça.
Fui visitar meus ammigos, só encontrei o Moisés. Estava dormindo. Com calor e depressão, como esperar algo diferente? E por mil razões é à noite que eles ficam acordados. Porque é quando compram seus, ahn, aditivos. Quando têm insônia (e não é por ter dormido de dia, é por ansiedade e angústia típicas das horas escuras... Eu tenho, você tem, imagine eles). E alguns porque tem medo; a noite é melhor ficar em vigília.
A roda de conhecidos perguntou se eu queria "deixar recado". Não tinha recado, queria só dar um oi. Achei que podia acordá-lo para saber se estava tudo bem sem incomodar muito. Brinquei com eles; "Passou a noite fritando por aí, né?". "Não, ele não é disso não". Mas eu sei que ele usa cocaína... Passa de uma certa hora, começa a dar desespero. Com dez reais ele compra o suficiente para passar. Então teimei: "Conheço...".
Depois de falar com meu amigo, voltei para me penitenciar. Coitado, estava com uma tosse horrorosa e ardendo em febre. Não foi mesmo "pra balada"; disse que mais tarde vai pro Pronto Socorro. "Ontem teve o maior preju", falou grogue de febre e sono. "Que foi"? "O rapa. Três caminhão. Levaram tudo. Panela, comida, o que tinha. Olha aí".
Bem que eu estranhei que só tinha um dormindo em colchão. O resto, no chão duro mesmo, com no máximo um pano ou papelão por cima.
Daqui a pouco eles se refazem... Doação não falta. Lugar em que possam ficar (em modelo diferente dos albergues e suas regras que afugentam, mesmo quando são bons), não tem.
***
Enquanto isso, o Clube de Mães que funciona no Castelinho da Rua Apa e faz um trabalho lindo, diferenciado, pena até pra pagar a conta de luz. Lá tem chuveiro e eles deixam a turma tomar banho... Nem isso eles encontram em outros lugares. E é só umas das coisas para oferecer "cidadania e dignididade", como o prefeito se gaba de fazer.
***
Um quarteirão adiante, uma viatura da polícia estava parada na faixa de ônibus e achei q podia ser algum problema com povo de rua, fui lá ver. Não tinha nenhum morador ali, mas um ônibus parado, só com o motorista, o cobrador, uma mulher e uma criança. "Que foi?", perguntei para um entregador de água que encostou a bicicleta ali pra ver no que ia dar. "Sequestro". "Como assim? Do ônibus??". "De uma criança. Ela berrava que queria a mãe, de longe dava pra ouvir os gritos. E a mulher que tá com ela diz que não tem nenhum contato da família, pra esclarecer que tá tudo bem".
Os passageiros acharam esquisito demais e, não sei bem como, chamaram a polícia e convenceram o motorista a parar ali (não necessariamente nessa ordem). Mais preocupados com a criança do que consigo mesmos, desceram pra pegar outra condução.
Tem horas que parece que esse mundo tem jeito, não parece?
Não vi o desfecho. O moço da bicicleta achou que também tava muito estranho. A criança gritava demais.
***
No ônibus para a Lapa, o cobrador reclamava. "O Janio fez aqueles ônibus de dois andares. Não falou nada na campanha, aí foi lá e fez". (Não deu pra ter certeza se ele achava isso bom ou ruim, mas tive a impressão que ele aprovou). "Aí a Erundina fez o corredor de Pirituba e Perus e ficou faltando "isso aqui" pra terminar. Passou quatro anos e não terminou. Ficou desenterrando cadáver em Perus". (Foram encontrados corpos sem identificação em uma vala comum; tem um curta sobre isso)Entendendo, claro, que OU faz uma coisa, OU faz outra. Não terminou o corredor (vai saber por que) x ficou desenterrando cadáver . Como sempre acontece. "O mundo caindo e você aí, falando de biometria".
***
Conversa seguiu com passageiro reclamando do absurdo que é a prefeitura querer que os cidadãos consertem as calçadas. "Vê lá em Perdizes, que é só pirambeira. Se não tem os degraus, ninguém aguenta subir. Vai fazer como? Aí multa porque não fez".
Vdd. A multa que o Kassab instituiu era cruel, desmedida. Ai o Haddad disse "vou notificar e dar 90 dias pra fazer; só depois aplico a multa". Também não deu em nada. E não vai dar!! Na maioria absolluta dos casos, é impossível o proprietário do imóvel fazer com que sua calçada tenha os padrões de acessibilidade. Porque ela é estreita demais, porque é um aclive medonho e ele não tem condições de resolver sozinho, porque tem poste/orelhão/lixeira/caixa de correio/árvore etc!
O certo é a prefeitura fazer a reforma e cobrar do proprietário a manutenção. Quando à reforma - pode repassar o custo para os proprietários de alguns imóveis (de maiores dimensões, por exemplo, como hipermercados e grandes condomínios residenciais), que já seriam beneficiados pelo fato de não ter de arcar com toda a dor-de-cabeça de uma obra, e isentar os imóveis mais modestos.
Vou ter eu que dar um jeito nisso!
***
A verba que o Haddad destinou no orçamento para obras de calçadas em cada Subprefeitura e RIDÍCULA. Não dá pra uma rua inteira.
***
Nada a ver, mas também foi hoje: sabe onde comprar o Guaraná Jesus, aquele que é cor-de-rosa e típico do Maranhão? Na LIberdade, o bairro japonês de São Paulo.
***
Fui confirmar se era mesmo Maranhão, e descobri que ele agora faz parte "do portfolio de produtos da Coca-Cola". Acabou com a minha graça.
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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Maus Médicos, Mais Médicos, Maus Modos
O debate sobre o Mais Médicos trouxe uma boa novidade: aqueles que normalmente defendem incondicionalmente e homogeneamente categorias inteiras de funcionários públicos reconheceram, pela primeira vez, que há profissionais com zero compromisso no serviço público.
Sou usuária do SUS e tenho amizade bem próxima com usuários da periferia - Brasilândia, Jardim Capela, Santo Amaro, Grajaú. Há ocasiões em que os médicos simplesmente não vão trabalhar. Em outras, chegam com horas de atraso. Ficam batendo-papo enquanto a sala de espera está cheia. "Examinam" as pessoas sem se levantar da cadeira, sem encostar um dedo no paciente. São estúpidos no trato com os doentes. Receitam qualquer coisa, no chute. Não querem nem saber se o medicamento está disponível no SUS ou não.
Com a decisão do Ministério da Saúde de incentivar a facilitar a vida de médicos estrangeiros, petistas começaram a se referir aos médicos que já trabalham no sistema público "vagabundos" e "mercenários". Aí já transformaram todo mundo em vilão.
Se há médicos que nem por todo o dinheiro do mundo aceitam ir trabalhar na periferia, serão eles os mercenários? Não seriam os que aceitam um salário que consideram ridículo, desde que possam trabalhar "nas coxas" na rede pública e acumular outro emprego?
Quem não aceita é muito mais digno do que quem vai só pelo dinheiro. Alguns recusam ir para "as bordas" das cidades ou o interiorzão do país porque temem por sua própria segurança. Outros não suportam a falta de condições de trabalho. Outros não querem levar duas ou três horas para chegar ao seu local de trabalho; outros não querem morar a centenas de km de distância da família. Estão errados?
***
Sem melhorar as condições de trabalho (afinal, o Programa não inclui reformas nos locais de trabalho, aquisição de novos equipamentos, garantia de abastecimento dos materiais necessários, contratação de pessoas para todos os postos de trabalho, informatização dos prontuários etc), o governo oferece dez mil reais para quem aceitar trabalhar no SUS do jeito que ele está agora.
No caso dos brasileiros, bolsistas que estão fazendo Residência. Para quem não sabe, esse é o período em que um profissional já formado na faculdade de medicina começa a dar expediente em um hospital etc sob a supervisão de um profissional experiente. (Veja no site do Ministério da Educação)
Tem gente que até reclama de ser atendido por residente no Hospital das Clínicas, por exemplo, dizendo que não quer passar por "estagiário", mas a Residência equivale a uma pós. Só que EXIGE a supervisão (diz lá o MEC: "sob a orientação de profissionais médicos de elevada qualificação ética e profissional").
Perguntei ao Ministério da Saúde no Twitter como ela seria feita. A resposta foi que haveria um preceptor POR ESTADO. Imagine se é suficiente!
***
Quando da implantação da gestão de unidades de saúde por Organizações Sociais na cidade de São Paulo, os opositores (basicamente o PT) criticavam o programa por ser "privatização" da Saúde (não é; o equipamento continua público, universal, gratuito); pela "precarização" das relações de trabalho (por serem os profissionais contratados em regime de CLT pelas OSs em vez de serem servidores efetivos, portanto com estabilidade); "flexibilização" ou "falta de transparência" no processo seletivo (por não haver concurso público); desequilíbrio entre pessoas que exercem as mesmas funções (o médico que é "de carreira", com seus vencimentos normais, e o celetista contratado pela OS, que tem salário melhor).
Pois bem - o Mais Médicos é tudo isso e pior ainda. Profissionais são incorporados à rede pública em condições nem sempre claras, com processo seletivo "especial", alguns trâmites legais contornados e um salário muito maior do que o dos demais profissionais.
Imagine o médico que há anos pasta no serviço público trabalhando ao lado de um residente que ganha dez mil reais. E imagine o cubano que veio para exercer a medicina, não como militante político, descobrir que ele é tratado como um estrangeiro "diferenciado" - para pior. Ganha muito menos do que os outros e parte de seu salário é depositada à força em uma caderneta de poupança, como fazem com presidiários, ao qual ele só terá acesso quando terminar de cumprir o contrato e voltar para Cuba.
Retenção de rendimentos como forma de manter o profissional "preso" ao contrato é uma das características de trabalho análogo à escravidão... Sem contar as restrições impostas quanto à circulação, convivência com a família etc.
"Vieram porque quiseram", dirão alguns. "Se não leram o contrato, problema deles". "Se leram e não se opuseram antes, por que resolveram falar agora"?
Ora, quem nunca descobriu depois de começar a trabalhar que tinha se metido em uma roubada? Ou se deu conta do tamanho da roubada?
No caso da médica que "desertou" o Mais Médicos (desertou! é a palavra usada quando soldados obrigados a lutar por sua pátria se recusam a fazê-lo), imagine o que é descobrir que foi tapeado pelo patrão e ele é... o governo de seu país. Ou o governo do Brasil. Ou a OPAS, sei lá.
Porque esse é um dos problemas da situação dos cubanos do Mais Médicos. A contratação deles foi "em massa" e passou por um intermediário. Parte do salário ficou retida por ele e parte foi remetida ao governo de Cuba - que é isso, aluguel de mão-de-obra? E o compromisso é com o governo brasileiro, que "flexibilizou" várias regras para poder contar com eles.
"A OPAS já fez convênios assim com dezenas de outros países", defende o Ministério da Justiça. E...? Que sabemos sobre as condições de trabalho nesses outros países?
Enfim, o "programa" é repleto de pontos obscuros ou francamente irregulares. MAS, como é comum acontecer neste governo, quem faz críticas a ele é contra os pobres, a favor das corporações, capitalista maldito, coxinha etc. Impressionante o discurso panfletário em defesa do governo. Do governo!
***
"Programa", entre aspas, porque não faz jus a essa classificação. Trata-se tão somente da contratação temporária de profissionais para preencher postos vagos na rede pública. Supostamente, para reduzir as filas e melhorar muito o atendimento à população, além de fazer a prevenção e promoção da Saúde.
Mas faz muito menos do que isso. A Atenção Básica é fundamental; o acompanhamento atento, próximo, continuado. Perceber as condições que propiciam o surgimento de doenças ou detectá-las bem no início. Mas isso envolve bem mais do que o médico no consultório. As equipes de Saúde da Família, que visitam as residências em vez de esperar que as pessoas vão ao médico, são fundamentais. E são EQUIPES, com vários profissionais envolvidos, não um médico sozinho para dar conta de tudo.
A promoção da Saúde exige mais ainda do que isso. Saneamento Básico, por exemplo. Moradia digna, em condições de salubridade. Meio Ambiente equilibrado. Educação. Alimentação saudável. Boa dentição. Trabalho decente. E o governo é PÉSSIMO na garantia desses direitos.
Para completar, em locais sujos, com janelas quebradas, sem medicamentos, sem lençóis limpos, sem suprimentos como material para sutura ou equipamento de Raio-X, o médico não melhora o sistema o suficiente para reduzir o sofrimento das pessoas. Elas vão continuar na fila, no vai-e-vem, na incerteza, na dor, na recaída.
Os Pronto-Socorros continuam em petição de miséria. Faltam outros profissionais - pediatras, geriatras, ortopedistas, fisioterapeutas, psiquiatras, dentistas. Ambulâncias. Combustível para ambulâncias.
(O Ministério costuma colocar a culpa nas prefeituras pelas ambulâncias que não rodam. Mas se elas NÃO TEM DINHEIRO, o que vão fazer? Vender uma para conseguir abastecer a outra? Os municípios sofrem com falta de dinheiro e não é só um problema de "má gestão" ou da corrupção; nosso sistema tributário, nossa federação toda torta os suga e concentra MUITO dinheiro na União, à disposição do governo federal. Que devolve pingadinho daqui ou dali e ainda diz "e não reclamem! Agradeçam pelo que estamos dando". E os hospitais das Universidades FEDERAIS, como o da UFRJ, estão caindo aos pedaços!!!).
Mas na propaganda - que custa caríssimo! Anúncios no intervalo do Jornal Nacional! - tudo é lindo, claro. Quem está sofrendo lá longe não aparece na TV. E quem está aqui conforável assistindo e tem boa vontade ou paixão pelo governo Dilma diz "como somos bons para os pobres", sem jamais por os pés em uma UBS, UPA, Pronto-Socorro ou coisa que o valha.
***
Tristeza e raiva que me dá.
Sou usuária do SUS e tenho amizade bem próxima com usuários da periferia - Brasilândia, Jardim Capela, Santo Amaro, Grajaú. Há ocasiões em que os médicos simplesmente não vão trabalhar. Em outras, chegam com horas de atraso. Ficam batendo-papo enquanto a sala de espera está cheia. "Examinam" as pessoas sem se levantar da cadeira, sem encostar um dedo no paciente. São estúpidos no trato com os doentes. Receitam qualquer coisa, no chute. Não querem nem saber se o medicamento está disponível no SUS ou não.
Com a decisão do Ministério da Saúde de incentivar a facilitar a vida de médicos estrangeiros, petistas começaram a se referir aos médicos que já trabalham no sistema público "vagabundos" e "mercenários". Aí já transformaram todo mundo em vilão.
Se há médicos que nem por todo o dinheiro do mundo aceitam ir trabalhar na periferia, serão eles os mercenários? Não seriam os que aceitam um salário que consideram ridículo, desde que possam trabalhar "nas coxas" na rede pública e acumular outro emprego?
Quem não aceita é muito mais digno do que quem vai só pelo dinheiro. Alguns recusam ir para "as bordas" das cidades ou o interiorzão do país porque temem por sua própria segurança. Outros não suportam a falta de condições de trabalho. Outros não querem levar duas ou três horas para chegar ao seu local de trabalho; outros não querem morar a centenas de km de distância da família. Estão errados?
***
Sem melhorar as condições de trabalho (afinal, o Programa não inclui reformas nos locais de trabalho, aquisição de novos equipamentos, garantia de abastecimento dos materiais necessários, contratação de pessoas para todos os postos de trabalho, informatização dos prontuários etc), o governo oferece dez mil reais para quem aceitar trabalhar no SUS do jeito que ele está agora.
No caso dos brasileiros, bolsistas que estão fazendo Residência. Para quem não sabe, esse é o período em que um profissional já formado na faculdade de medicina começa a dar expediente em um hospital etc sob a supervisão de um profissional experiente. (Veja no site do Ministério da Educação)
Tem gente que até reclama de ser atendido por residente no Hospital das Clínicas, por exemplo, dizendo que não quer passar por "estagiário", mas a Residência equivale a uma pós. Só que EXIGE a supervisão (diz lá o MEC: "sob a orientação de profissionais médicos de elevada qualificação ética e profissional").
Perguntei ao Ministério da Saúde no Twitter como ela seria feita. A resposta foi que haveria um preceptor POR ESTADO. Imagine se é suficiente!
***
Quando da implantação da gestão de unidades de saúde por Organizações Sociais na cidade de São Paulo, os opositores (basicamente o PT) criticavam o programa por ser "privatização" da Saúde (não é; o equipamento continua público, universal, gratuito); pela "precarização" das relações de trabalho (por serem os profissionais contratados em regime de CLT pelas OSs em vez de serem servidores efetivos, portanto com estabilidade); "flexibilização" ou "falta de transparência" no processo seletivo (por não haver concurso público); desequilíbrio entre pessoas que exercem as mesmas funções (o médico que é "de carreira", com seus vencimentos normais, e o celetista contratado pela OS, que tem salário melhor).
Pois bem - o Mais Médicos é tudo isso e pior ainda. Profissionais são incorporados à rede pública em condições nem sempre claras, com processo seletivo "especial", alguns trâmites legais contornados e um salário muito maior do que o dos demais profissionais.
Imagine o médico que há anos pasta no serviço público trabalhando ao lado de um residente que ganha dez mil reais. E imagine o cubano que veio para exercer a medicina, não como militante político, descobrir que ele é tratado como um estrangeiro "diferenciado" - para pior. Ganha muito menos do que os outros e parte de seu salário é depositada à força em uma caderneta de poupança, como fazem com presidiários, ao qual ele só terá acesso quando terminar de cumprir o contrato e voltar para Cuba.
Retenção de rendimentos como forma de manter o profissional "preso" ao contrato é uma das características de trabalho análogo à escravidão... Sem contar as restrições impostas quanto à circulação, convivência com a família etc.
"Vieram porque quiseram", dirão alguns. "Se não leram o contrato, problema deles". "Se leram e não se opuseram antes, por que resolveram falar agora"?
Ora, quem nunca descobriu depois de começar a trabalhar que tinha se metido em uma roubada? Ou se deu conta do tamanho da roubada?
No caso da médica que "desertou" o Mais Médicos (desertou! é a palavra usada quando soldados obrigados a lutar por sua pátria se recusam a fazê-lo), imagine o que é descobrir que foi tapeado pelo patrão e ele é... o governo de seu país. Ou o governo do Brasil. Ou a OPAS, sei lá.
Porque esse é um dos problemas da situação dos cubanos do Mais Médicos. A contratação deles foi "em massa" e passou por um intermediário. Parte do salário ficou retida por ele e parte foi remetida ao governo de Cuba - que é isso, aluguel de mão-de-obra? E o compromisso é com o governo brasileiro, que "flexibilizou" várias regras para poder contar com eles.
"A OPAS já fez convênios assim com dezenas de outros países", defende o Ministério da Justiça. E...? Que sabemos sobre as condições de trabalho nesses outros países?
Enfim, o "programa" é repleto de pontos obscuros ou francamente irregulares. MAS, como é comum acontecer neste governo, quem faz críticas a ele é contra os pobres, a favor das corporações, capitalista maldito, coxinha etc. Impressionante o discurso panfletário em defesa do governo. Do governo!
***
"Programa", entre aspas, porque não faz jus a essa classificação. Trata-se tão somente da contratação temporária de profissionais para preencher postos vagos na rede pública. Supostamente, para reduzir as filas e melhorar muito o atendimento à população, além de fazer a prevenção e promoção da Saúde.
Mas faz muito menos do que isso. A Atenção Básica é fundamental; o acompanhamento atento, próximo, continuado. Perceber as condições que propiciam o surgimento de doenças ou detectá-las bem no início. Mas isso envolve bem mais do que o médico no consultório. As equipes de Saúde da Família, que visitam as residências em vez de esperar que as pessoas vão ao médico, são fundamentais. E são EQUIPES, com vários profissionais envolvidos, não um médico sozinho para dar conta de tudo.
A promoção da Saúde exige mais ainda do que isso. Saneamento Básico, por exemplo. Moradia digna, em condições de salubridade. Meio Ambiente equilibrado. Educação. Alimentação saudável. Boa dentição. Trabalho decente. E o governo é PÉSSIMO na garantia desses direitos.
Para completar, em locais sujos, com janelas quebradas, sem medicamentos, sem lençóis limpos, sem suprimentos como material para sutura ou equipamento de Raio-X, o médico não melhora o sistema o suficiente para reduzir o sofrimento das pessoas. Elas vão continuar na fila, no vai-e-vem, na incerteza, na dor, na recaída.
Os Pronto-Socorros continuam em petição de miséria. Faltam outros profissionais - pediatras, geriatras, ortopedistas, fisioterapeutas, psiquiatras, dentistas. Ambulâncias. Combustível para ambulâncias.
(O Ministério costuma colocar a culpa nas prefeituras pelas ambulâncias que não rodam. Mas se elas NÃO TEM DINHEIRO, o que vão fazer? Vender uma para conseguir abastecer a outra? Os municípios sofrem com falta de dinheiro e não é só um problema de "má gestão" ou da corrupção; nosso sistema tributário, nossa federação toda torta os suga e concentra MUITO dinheiro na União, à disposição do governo federal. Que devolve pingadinho daqui ou dali e ainda diz "e não reclamem! Agradeçam pelo que estamos dando". E os hospitais das Universidades FEDERAIS, como o da UFRJ, estão caindo aos pedaços!!!).
Mas na propaganda - que custa caríssimo! Anúncios no intervalo do Jornal Nacional! - tudo é lindo, claro. Quem está sofrendo lá longe não aparece na TV. E quem está aqui conforável assistindo e tem boa vontade ou paixão pelo governo Dilma diz "como somos bons para os pobres", sem jamais por os pés em uma UBS, UPA, Pronto-Socorro ou coisa que o valha.
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Tristeza e raiva que me dá.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Contra o aumento do IPTU - 2
Vereador do PT condena, na tribuna, aumento do IPTU (veja na transcrição de sessão plenária em que o projeto foi aprovado, pág. 14 e 15)
"Falarei, um pouco, sobre a questão do IPTU.
Tivemos um intenso debate sobre a atualização da Planta Genérica de Valores - PGV. Nesse debate, a maioria do Governo se estabeleceu e aprovou a correção da PGV, o que implicará em um aumento de IPTU, para o conjunto dos proprietários da cidade de São Paulo, de cerca de 650 milhões de reais.
Felizmente, todos os cidadãos de São Paulo estão atentos a esse debate. E sabem quais foram os que, na
campanha, prometeram não aumentar impostos. Agora, a correção da PGV, com o consequente aumento de IPTU, implicará em 650
milhões de reais. Valor esse que será tirado do bolso do contribuinte paulistano, em uma situação muito diferente. Na situação atual, o País cresce; a receita da Prefeitura cresce; o Governo Federal apoia a cidade de São Paulo. Enfim, situação muito diferente daquela ocorrida em 2000, 2001, 2002, quando o País estava estagnado, sob a direção do Sr.
Fernando Henrique Cardoso; quando o Governo Federal não repassava os recursos para a cidade de São Paulo e a arrecadação de São Paulo era, absolutamente, insuficiente.
Chamam-nos de incoerentes. Evidente que, ao longo do tempo, vamos aprendendo, inclusive com o resultado das urnas. E tem de ser nosso grande guia o resultado das urnas. A população de São Paulo disse um “não” ao aumento de impostos; um “não”, inclusive, ao PT, naquele momento [governo Marta], por ter aumentado impostos. Revimos nossa posição, falamos que, naquele momento a conjuntura era muito pior, mas mesmo assim, a população sentiu o peso do aumento dos impostos. É natural que, agora, nos coloquemos contra.
É estranho aqueles que nos chamam de incoerentes. Chegaram até a citar aqui que existia um problema de dupla personalidade, que era um problema de psicanálise. Porém, esquecem-se de olhar para a sua prática. Esquecem-se
de que prometeram, na campanha eleitoral, que não haveria aumento de impostos, mas aumentaram. Isso não é problema de psicanálise, não. É, sim, um problema de Código Penal. Chama-se estelionato eleitoral o que fizeram na cidade de São Paulo".
NOSSA, que audacioso, criticando o próprio governo??
Claro que NÃO, duh. Esse era o Donato, então vereador (2009), hoje Secretário de Governo do Haddad.
Ele dizia que a população não queria aumento de impostos e que tinha aprendido isso nas urnas. Que não faz sentido aumentar imposto na cidade quando o país vai muito bem, "crescendo", e o governo federal não "sacaneia" São Paulo.
Aaaaah, tá.
***
O aumento previsto de receita era, segundo o próprio vereador em 2009, de cerca de R$650 milhões. O Haddad, quando enviou o projeto de lei, estimava um aumento de R$1,3 bi de arrecadação. Justo agora, que o país vai bem e o governo federal apoia São Paulo.
"Falarei, um pouco, sobre a questão do IPTU.
Tivemos um intenso debate sobre a atualização da Planta Genérica de Valores - PGV. Nesse debate, a maioria do Governo se estabeleceu e aprovou a correção da PGV, o que implicará em um aumento de IPTU, para o conjunto dos proprietários da cidade de São Paulo, de cerca de 650 milhões de reais.
Felizmente, todos os cidadãos de São Paulo estão atentos a esse debate. E sabem quais foram os que, na
campanha, prometeram não aumentar impostos. Agora, a correção da PGV, com o consequente aumento de IPTU, implicará em 650
milhões de reais. Valor esse que será tirado do bolso do contribuinte paulistano, em uma situação muito diferente. Na situação atual, o País cresce; a receita da Prefeitura cresce; o Governo Federal apoia a cidade de São Paulo. Enfim, situação muito diferente daquela ocorrida em 2000, 2001, 2002, quando o País estava estagnado, sob a direção do Sr.
Fernando Henrique Cardoso; quando o Governo Federal não repassava os recursos para a cidade de São Paulo e a arrecadação de São Paulo era, absolutamente, insuficiente.
Chamam-nos de incoerentes. Evidente que, ao longo do tempo, vamos aprendendo, inclusive com o resultado das urnas. E tem de ser nosso grande guia o resultado das urnas. A população de São Paulo disse um “não” ao aumento de impostos; um “não”, inclusive, ao PT, naquele momento [governo Marta], por ter aumentado impostos. Revimos nossa posição, falamos que, naquele momento a conjuntura era muito pior, mas mesmo assim, a população sentiu o peso do aumento dos impostos. É natural que, agora, nos coloquemos contra.
É estranho aqueles que nos chamam de incoerentes. Chegaram até a citar aqui que existia um problema de dupla personalidade, que era um problema de psicanálise. Porém, esquecem-se de olhar para a sua prática. Esquecem-se
de que prometeram, na campanha eleitoral, que não haveria aumento de impostos, mas aumentaram. Isso não é problema de psicanálise, não. É, sim, um problema de Código Penal. Chama-se estelionato eleitoral o que fizeram na cidade de São Paulo".
NOSSA, que audacioso, criticando o próprio governo??
Claro que NÃO, duh. Esse era o Donato, então vereador (2009), hoje Secretário de Governo do Haddad.
Ele dizia que a população não queria aumento de impostos e que tinha aprendido isso nas urnas. Que não faz sentido aumentar imposto na cidade quando o país vai muito bem, "crescendo", e o governo federal não "sacaneia" São Paulo.
Aaaaah, tá.
***
O aumento previsto de receita era, segundo o próprio vereador em 2009, de cerca de R$650 milhões. O Haddad, quando enviou o projeto de lei, estimava um aumento de R$1,3 bi de arrecadação. Justo agora, que o país vai bem e o governo federal apoia São Paulo.
Contra o aumento do IPTU - 1
Sindicato dos Bancários se posiciona contra o aumento do IPTU*
Apesar dos protestos, aumento do IPTU é aprovado
A Câmara de São Paulo aprovou o projeto de lei do prefeito que aumenta em até 45% o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para 2010.
Para o presidente do Sindicato dos Bancários, Luiz Cláudio Marcolino, apesar da queda no valor da trava, que agora limita em 45% o reajuste dos imóveis comerciais e em 30% para os residenciais, a proposta do prefeito continua ruim. Marcolino ressalta que o trabalhador pagará duas vezes pelo reajuste: no IPTU da sua residência e no do comércio, que acaba repassando o aumento para os preços.
Durante a votação, o líder defendeu a proposta do prefeito e disse que ele ouviu o clamor da sociedade e que, “sensível” aos pedidos, reduziu os valores da trava do reajuste do IPTU. A pose de bom moço do prefeito, no entanto, não durou um minuto. Para Luiz Cláudio Marcolino, a redução que o prefeito fez na trava é perfumaria e o impacto será o mesmo para o cidadão.
Protesto – Os bancários iniciaram a tarde desta terça-feira na porta da Câmara, com um protesto bem humorado contra o aumento do IPTU. Logo em seguida, os manifestantes entraram na galeria do plenário para acompanhar de perto a votação. Quem defendia o aumento era vaiado, enquanto os contrários eram aplaudidos. Na hora da votação, os bancários deram as costas para o plenário como forma de repúdio.
“Estamos denunciando para toda a sociedade quem é quem: os vereadores que estão ao lado do povo de São Paulo e votaram contra o aumento do IPTU e os 39 vereadores da base aliada, que desprezaram seus eleitores, votaram contra os cidadãos e a favor do aumento do imposto”, diz Marcolino. O Sindicato está preparando ainda um jornal específico sobre o reajuste do IPTU".
*Em 2009, claro.
Apesar dos protestos, aumento do IPTU é aprovado
A Câmara de São Paulo aprovou o projeto de lei do prefeito que aumenta em até 45% o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para 2010.
Para o presidente do Sindicato dos Bancários, Luiz Cláudio Marcolino, apesar da queda no valor da trava, que agora limita em 45% o reajuste dos imóveis comerciais e em 30% para os residenciais, a proposta do prefeito continua ruim. Marcolino ressalta que o trabalhador pagará duas vezes pelo reajuste: no IPTU da sua residência e no do comércio, que acaba repassando o aumento para os preços.
Durante a votação, o líder defendeu a proposta do prefeito e disse que ele ouviu o clamor da sociedade e que, “sensível” aos pedidos, reduziu os valores da trava do reajuste do IPTU. A pose de bom moço do prefeito, no entanto, não durou um minuto. Para Luiz Cláudio Marcolino, a redução que o prefeito fez na trava é perfumaria e o impacto será o mesmo para o cidadão.
Protesto – Os bancários iniciaram a tarde desta terça-feira na porta da Câmara, com um protesto bem humorado contra o aumento do IPTU. Logo em seguida, os manifestantes entraram na galeria do plenário para acompanhar de perto a votação. Quem defendia o aumento era vaiado, enquanto os contrários eram aplaudidos. Na hora da votação, os bancários deram as costas para o plenário como forma de repúdio.
“Estamos denunciando para toda a sociedade quem é quem: os vereadores que estão ao lado do povo de São Paulo e votaram contra o aumento do IPTU e os 39 vereadores da base aliada, que desprezaram seus eleitores, votaram contra os cidadãos e a favor do aumento do imposto”, diz Marcolino. O Sindicato está preparando ainda um jornal específico sobre o reajuste do IPTU".
*Em 2009, claro.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Folha loves Haddad
...do fundo do coração!
"Chefe da arrecadação de Kassab é preso"
Investigação tem participação da gestão Fernando Haddad (PT)

"Quatro auditores fiscais da Prefeitura foram presos. Três deles ocuparam cargos de confiança na gestão Kassab, entre eles Ronilson Bezerra Rodrigues, que ocupou função de Subsecretário da Receita. Rodrigues era o chefe da arrecadação do município e braço direito dos secretários de Finanças de Kassab".
"Chamada de Necator (um parasita), a operação tem consequências políticas imprevisíveis: iniciada pela gestão de Fernando Haddad, atinge a cúpula das Finanças de Kassab, seu antecessor".
"Foi uma denúncia anônima e, depois, o patrimônio que chamou a atenção para os servidores, segundo a prefeitura. O município, então, começou a atuar em conjunto com o Ministério Público e, por fim, a Polícia Civil".
"Rodrigues exercia até junho função de diretor na SPTrans, na gestão Haddad".
Isso tudo está NA PRIMEIRA PÁGINA. A menção ao fato de Rodrigues ter sido "de confiança" nesta gestão aparece no finalzinho. Na página 3, aí sim:
"Preso foi nomeado na gestão Haddad para cuidar de finanças dos ônibus"
Auditor fiscal assumiu, em fevereiro, diretoria da SPTrans, que gerencia R$6 bilhões por ano

Reparem na sutileza, que talvez não seja proposital mas Freud explica. O mesmo cara que é tratado como "chefe de arrecadação DO KASSAB", foi "nomeado na GESTÃO HADDAD". Não "POR HADDAD".
***
Prefeitura diz que exoneração poderia "alertar suspeito", QUE JÁ HAVIA SIDO INVESTIGADO NO FIM DO ANO PASSADO.
POIS É.
***
A PRÓPRIA FOLHA informa o seguinte (nessa página interna, CLARO)
Ronilson Rodrigues começou a ser investigado em SETEMBRO DE 2012 e DEIXOU O CARGO em DEZEMBRO DE 2012. Assumiu o cargo de DIRETOR DE ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS DA SPTRANS EM FEVEREIRO DE 2013 e saiu agora.

"Mesmo assim, a gestão Haddad alega que a nomeação ocorreu no início do ano, "ANTES da realização da análise patrimonial e a SUSPEITA DE ENRIQUECIMENTO ILÍCITO".
***
MAIS ADIANTE (Destaques em maiúsculas são meus):
"O auditor fiscal preso ontem ERA INVESTIGADO PELA PREFEITURA DESDE 2012, quando era subsecretário da Receita Municipal na gestão Haddad".
"A investigação foi aberta após denúncia de suposto enriquecimento ilícito de Rodrigues, que prestou esclarecimentos ao órgão [Corregedoria do Município]". "Ele alegou inocência, não me convenceu. Por isso a investigação continuou" [segundo o ex-corregedor].
"Ainda de acordo com o ex-corregedor, o precedimento contra o servidor continuava aberto quando Haddad assumiu a prefeitura. Assim, para ele, não há como gestão atual alegar desconhecimento das suspeitas contra o ex-secretário".
SUTILMENTE, ou desleixadamente a Folha diz "de acordo com ele", "para ele". Apenas uma opinião? ACHO que não, porque ao menos ela foi confrontar isso com a atual gestão e...
***
"A gestão Haddad CONFIRMA que HAVIA DE FATO UMA INVESTIGAÇÃO CONTRA O SERVIDOR [!!!] mas afirmou que se tratava de um "expediente" que "se limitou a ouvir o investigado" em setembro de 2012. "Nenhum encaminhamento foi dado à época, e o processo ficou parado", diz a nota".
Quer dizer então que a gestão Kassab "limitou-se a ouvir", o processo "ficou parado" e a prefeitura atual achou por bem NOMEAR O CARA QUE "SÓ FOI OUVIDO" para CUIDAR DE FINANÇAS DA SPTRANS. E a FOLHA ainda coloca o Haddad, conforme o planejando em sua estratégia de comunicação, como o herói da história! Puta que o pariu!
É tão desonesta a manobra da prefeitura, convenientemente anunciada depois do aumento ABSURDO do IPTU, que vai MUITO ALÉM de atualização ou reajuste, que até na matéria da Folha ela fica evidente. Só não fica nas manchetes do jornal - que, como se sabe, é o que muitos leem e nada mais.
"A prefeitura deu detalhes da operação contra os servidores municipais em nota divulgada em seu site ontem, mas não citou a ligação de Rodrigues com a atual administração petista. Sem citar nomes, diz que ele foi exonerado na prefeitura em dezembro de 2012. Nesses cinco meses à frente das finanças da SPTrans, Rodrigues tomou conta de um caixa que movimenta mais de R$6 bilhões por ano".
***
Para concluir o caso x a cobertura:
- Houve uma denúncia anônima de enriquecimento ilícito contra Ronilson Rodrigues em 2012.
- A Corregedoria abriu processo contra ele. Ouvido, ele alegou inocência. O processo continuou em aberto, mas não andou.
- Rodrigues já não ocupava cargo na Secretaria de Finanças em dezembro de 2012.
- Haddad toma posse em janeiro.
- Rodrigues é nomeado diretor de Finanças da SPTrans em março de 2013 e continuava no cargo até agora.
Como a prefeitura explica isso?
Versão 1: "Nomeação ocorreu antes da suspeita de enriquecimento ilícito" (MENTIRA).
Versão 2: "Havia uma investigação, mas só ouviram o investigado, ninguém fez nada e o processo ficou parado".
PARADO ONDE? POR QUE NÃO FIZERAM NADA JÁ EM JANEIRO e FEVEREIRO?
Versão 3: "Ele não foi afastado para não "alertar" o suspeito a respeito da investigação".
Ele já não devia ter sido NOMEADO. Que havia suspeita de corrupção ele JÁ sabia, porque já tinha sido ouvido e afastado. E é PERFEITAMENTE POSSÍVEL exonerar um funcionário de cargo de confiança (coisa mais comum no serviço público é botar o cara na geladeira, seja lá pela razão que for, justa ou injusta...) sem que ele suspeite de investigação. E uma boa investigação não seria EM NADA prejudicada por atitude do suspeito... Parece até que ele podia ocultar um cadáver ou sacar milhões da sua conta sem ninguém perceber...
***
A Vera Magalhães ainda faz uma "análise":
"A investigação que resultou nas prisões vinha sendo tocada em caráter sigiloso já meses, sob responsabilidade de Mário Vinícius Spinelli, o controlador-geral do município, assessor que Haddad reputa uma de suas melhores escolhas para a equipe".
Ownnnn. Que fofa! Será que ouviu isso diretamente dele? Nosso Antônio Banderas do Anhangabaú?
Pode até ser verdade, porque quem nomeia João Antônio Secretário de Relações Institucionais tem várias opções para apontar como "uma de suas melhores escolhas".
"O timing das prisões teve de ser pensado para evitar que o escândalo e as previsíveis associações entre o esquema de cobrança de propina com a gestão de Kassab não atrapalhassem a discussão do reajuste da tabela do IPTU na Câmara, onde o ex-prefeito ainda tem grande poder de influência".
Por essa lógica o "timing" não deu certo, porque só um dos vereadores do partido do Kassab votou a favor do aumento. Antes da "deflagração das prisões", a maioria do PSD já tinha votado contra o aumento ("salgado", diz a Vera, não "escorchante").
Se acompanhasse um pouquinho só a Câmara Municipal, só um pouco mesmo, a jornalista veria que Haddad tem TOTAL controle sobre a Câmara. Aprova o que quer em tempo nunca visto na história deste país. Influência tem quem distribuir cargo, babe.
Mas ela diz... "Tão logo os vereadores confirmaram o aumento do imposto, os "arefinhos" tiveram sua identidade levada a público pela prefeitura. Kassab, que não costuma passar recibo quando confrontado com acusações de corrupção, disse novamente que não foi ele quem nomeou os acusados".
Ah, Kassab "não passa recibo". Haddad, confrontado com corrupção... Não, pera, Haddad nem é confrontado com corrupção, ele se apresenta como o caçador de marajás e pronto! A assessoria, SE receber perguntas difíceis, que se vire.
"É cedo para dizer se o escândalo, que foi chamado ontem pelo prefeito de um dos mais graves da história da cidade, afastará Kassab da órbita do PT".
Que "foi chamado pelo prefeito". "Quando ele abre a boca, tudo se ilumina", como uma intelectual disse certa vez sobre o Lula. Agora é o Fernando.
"Chefe da arrecadação de Kassab é preso"
Investigação tem participação da gestão Fernando Haddad (PT)

"Quatro auditores fiscais da Prefeitura foram presos. Três deles ocuparam cargos de confiança na gestão Kassab, entre eles Ronilson Bezerra Rodrigues, que ocupou função de Subsecretário da Receita. Rodrigues era o chefe da arrecadação do município e braço direito dos secretários de Finanças de Kassab".
"Chamada de Necator (um parasita), a operação tem consequências políticas imprevisíveis: iniciada pela gestão de Fernando Haddad, atinge a cúpula das Finanças de Kassab, seu antecessor".
"Foi uma denúncia anônima e, depois, o patrimônio que chamou a atenção para os servidores, segundo a prefeitura. O município, então, começou a atuar em conjunto com o Ministério Público e, por fim, a Polícia Civil".
"Rodrigues exercia até junho função de diretor na SPTrans, na gestão Haddad".
Isso tudo está NA PRIMEIRA PÁGINA. A menção ao fato de Rodrigues ter sido "de confiança" nesta gestão aparece no finalzinho. Na página 3, aí sim:
"Preso foi nomeado na gestão Haddad para cuidar de finanças dos ônibus"
Auditor fiscal assumiu, em fevereiro, diretoria da SPTrans, que gerencia R$6 bilhões por ano

Reparem na sutileza, que talvez não seja proposital mas Freud explica. O mesmo cara que é tratado como "chefe de arrecadação DO KASSAB", foi "nomeado na GESTÃO HADDAD". Não "POR HADDAD".
***
Prefeitura diz que exoneração poderia "alertar suspeito", QUE JÁ HAVIA SIDO INVESTIGADO NO FIM DO ANO PASSADO.
POIS É.
***
A PRÓPRIA FOLHA informa o seguinte (nessa página interna, CLARO)
Ronilson Rodrigues começou a ser investigado em SETEMBRO DE 2012 e DEIXOU O CARGO em DEZEMBRO DE 2012. Assumiu o cargo de DIRETOR DE ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS DA SPTRANS EM FEVEREIRO DE 2013 e saiu agora.

"Mesmo assim, a gestão Haddad alega que a nomeação ocorreu no início do ano, "ANTES da realização da análise patrimonial e a SUSPEITA DE ENRIQUECIMENTO ILÍCITO".
***
MAIS ADIANTE (Destaques em maiúsculas são meus):
"O auditor fiscal preso ontem ERA INVESTIGADO PELA PREFEITURA DESDE 2012, quando era subsecretário da Receita Municipal na gestão Haddad".
"A investigação foi aberta após denúncia de suposto enriquecimento ilícito de Rodrigues, que prestou esclarecimentos ao órgão [Corregedoria do Município]". "Ele alegou inocência, não me convenceu. Por isso a investigação continuou" [segundo o ex-corregedor].
"Ainda de acordo com o ex-corregedor, o precedimento contra o servidor continuava aberto quando Haddad assumiu a prefeitura. Assim, para ele, não há como gestão atual alegar desconhecimento das suspeitas contra o ex-secretário".
SUTILMENTE, ou desleixadamente a Folha diz "de acordo com ele", "para ele". Apenas uma opinião? ACHO que não, porque ao menos ela foi confrontar isso com a atual gestão e...
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"A gestão Haddad CONFIRMA que HAVIA DE FATO UMA INVESTIGAÇÃO CONTRA O SERVIDOR [!!!] mas afirmou que se tratava de um "expediente" que "se limitou a ouvir o investigado" em setembro de 2012. "Nenhum encaminhamento foi dado à época, e o processo ficou parado", diz a nota".
Quer dizer então que a gestão Kassab "limitou-se a ouvir", o processo "ficou parado" e a prefeitura atual achou por bem NOMEAR O CARA QUE "SÓ FOI OUVIDO" para CUIDAR DE FINANÇAS DA SPTRANS. E a FOLHA ainda coloca o Haddad, conforme o planejando em sua estratégia de comunicação, como o herói da história! Puta que o pariu!
É tão desonesta a manobra da prefeitura, convenientemente anunciada depois do aumento ABSURDO do IPTU, que vai MUITO ALÉM de atualização ou reajuste, que até na matéria da Folha ela fica evidente. Só não fica nas manchetes do jornal - que, como se sabe, é o que muitos leem e nada mais.
"A prefeitura deu detalhes da operação contra os servidores municipais em nota divulgada em seu site ontem, mas não citou a ligação de Rodrigues com a atual administração petista. Sem citar nomes, diz que ele foi exonerado na prefeitura em dezembro de 2012. Nesses cinco meses à frente das finanças da SPTrans, Rodrigues tomou conta de um caixa que movimenta mais de R$6 bilhões por ano".
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Para concluir o caso x a cobertura:
- Houve uma denúncia anônima de enriquecimento ilícito contra Ronilson Rodrigues em 2012.
- A Corregedoria abriu processo contra ele. Ouvido, ele alegou inocência. O processo continuou em aberto, mas não andou.
- Rodrigues já não ocupava cargo na Secretaria de Finanças em dezembro de 2012.
- Haddad toma posse em janeiro.
- Rodrigues é nomeado diretor de Finanças da SPTrans em março de 2013 e continuava no cargo até agora.
Como a prefeitura explica isso?
Versão 1: "Nomeação ocorreu antes da suspeita de enriquecimento ilícito" (MENTIRA).
Versão 2: "Havia uma investigação, mas só ouviram o investigado, ninguém fez nada e o processo ficou parado".
PARADO ONDE? POR QUE NÃO FIZERAM NADA JÁ EM JANEIRO e FEVEREIRO?
Versão 3: "Ele não foi afastado para não "alertar" o suspeito a respeito da investigação".
Ele já não devia ter sido NOMEADO. Que havia suspeita de corrupção ele JÁ sabia, porque já tinha sido ouvido e afastado. E é PERFEITAMENTE POSSÍVEL exonerar um funcionário de cargo de confiança (coisa mais comum no serviço público é botar o cara na geladeira, seja lá pela razão que for, justa ou injusta...) sem que ele suspeite de investigação. E uma boa investigação não seria EM NADA prejudicada por atitude do suspeito... Parece até que ele podia ocultar um cadáver ou sacar milhões da sua conta sem ninguém perceber...
***
A Vera Magalhães ainda faz uma "análise":
"A investigação que resultou nas prisões vinha sendo tocada em caráter sigiloso já meses, sob responsabilidade de Mário Vinícius Spinelli, o controlador-geral do município, assessor que Haddad reputa uma de suas melhores escolhas para a equipe".
Ownnnn. Que fofa! Será que ouviu isso diretamente dele? Nosso Antônio Banderas do Anhangabaú?
Pode até ser verdade, porque quem nomeia João Antônio Secretário de Relações Institucionais tem várias opções para apontar como "uma de suas melhores escolhas".
"O timing das prisões teve de ser pensado para evitar que o escândalo e as previsíveis associações entre o esquema de cobrança de propina com a gestão de Kassab não atrapalhassem a discussão do reajuste da tabela do IPTU na Câmara, onde o ex-prefeito ainda tem grande poder de influência".
Por essa lógica o "timing" não deu certo, porque só um dos vereadores do partido do Kassab votou a favor do aumento. Antes da "deflagração das prisões", a maioria do PSD já tinha votado contra o aumento ("salgado", diz a Vera, não "escorchante").
Se acompanhasse um pouquinho só a Câmara Municipal, só um pouco mesmo, a jornalista veria que Haddad tem TOTAL controle sobre a Câmara. Aprova o que quer em tempo nunca visto na história deste país. Influência tem quem distribuir cargo, babe.
Mas ela diz... "Tão logo os vereadores confirmaram o aumento do imposto, os "arefinhos" tiveram sua identidade levada a público pela prefeitura. Kassab, que não costuma passar recibo quando confrontado com acusações de corrupção, disse novamente que não foi ele quem nomeou os acusados".
Ah, Kassab "não passa recibo". Haddad, confrontado com corrupção... Não, pera, Haddad nem é confrontado com corrupção, ele se apresenta como o caçador de marajás e pronto! A assessoria, SE receber perguntas difíceis, que se vire.
"É cedo para dizer se o escândalo, que foi chamado ontem pelo prefeito de um dos mais graves da história da cidade, afastará Kassab da órbita do PT".
Que "foi chamado pelo prefeito". "Quando ele abre a boca, tudo se ilumina", como uma intelectual disse certa vez sobre o Lula. Agora é o Fernando.
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
O bagulho é louco e o processo é lento
Mais do clássico discurso de Dilma no Dia das Crianças
"Então, eu quero dizer: além disso, não tinha dinheiro. Além de não ter dinheiro, nós não tínhamos engenheiros, não, porque se não tinha obra, não se formavam engenheiro no nosso país. A primeira vez que engenheiro passou advogado foi este ano, em termos do número de formandos. Em 2003, quando nós estávamos tentando fazer plataforma, as plataformas da Petrobras aqui, disseram para mim que nós não éramos capazes de fazer casco. Sabe de que é o casco da plataforma? É feito... é sofisticado, mas é uma sofisticação, eu diria, simples, contraditoriamente, porque você faz o casco e solda. Não tem nenhuma tecnologia. Como é que nós não conseguíamos fazer casco, e nós fomos o oitavo produtor de navios em [19]80?
Então tinha um processo no Brasil, e esse processo é pesado. Eu acredito que há um esforço hoje. Nós colocamos na pauta, a partir de 2011, nós colocamos na pauta mobilidade urbana e demos prioridade a metrô. Por que é que fizemos isso? Por uma concepção: é impossível, com as nossas cidades crescendo – São Paulo com 11 milhões; o Rio com 8 ou 9; Belo Horizonte com um similar; Porto Alegre com os seus 2 milhões – é impossível não construir metrô. Se nós não construirmos metrô agora, nós teremos, na frente, o problema que hoje São Paulo enfrenta.
Então, a nossa prioridade é construir metrô. Prioridade em que termos? Nos termos das grandes cidades e é garantir para as cidades médias uma estrutura de transporte que seja a mais adequada possível no seguinte sentido. Quando tiver possibilidade de integrar diferentes modais, ônibus, se tiver um monotrilho, se tiver um aeromóvel, fazer uma integração e caminhar em direção ao bilhete único, esta é a forma mais racional"
1 - Como já disseram alguns, vai ver Itaipu, o metrô de São Paulo, a Imigrantes, os túneis do Maluf e da Marta etc foram feitos pelos Deuses Astronautas, já que engenheiro não tinha.
2 - "Sofisticação simples, você faz o casco e solda". Ainda bem [modo de dizer] que Dilma é presidente e não engenheira.
3 - "Nós colocamos na pauta a partir de 2011 a mobilidade urbana e demos prioridade ao metrô". Em parte é verdade, porque o Lula se lixava para projeto de metrô, ele quer que "pobre tenha carro". Dilma seguiu na mesma linha com o IPI Zero para indústria automobilística, e as cidades que se danem... Então a "prioridade" é discutível, até porque em 2013 ainda está fazendo o enésimo anúncio-de-assinatura-de-contrato-para-início-de-obras... E o PAC 1, aquele do "espetáculo do crescimento", JÁ PREVIA metrô. Mas foi tão acelerado o plano de aceleração que em 2011 virou prioridade e em 2013 ainda engatinha. #imaginanaCopa
4 - "Belo Horizonte com um similar" (a 8 ou 9 ou 11 milhões, como SP e RJ). NÃO, segundo o último censo, Belo Horizonte tem 2.375.444 habitantes. E o metrô de BH é um dos que estavam previstos lá no PAC 1.
5 - "Se não construirmos agora, teremos o problema que hoje São Paulo enfrenta". É, São Paulo é o pior do Brasil, serve como exemplo para o que de ruim pode acontecer daqui a uns anos... É incrível. Mesmo eu querendo MAIS, MUITO MAIS, mesmo tenho xingado o Maluf por ter investido bilhões em obras rodoviaristas (E superfaturas, para piorar o que já era ruim), o fato é que São Paulo foi A ÚNICA que fez metrô pra valer. A ÚNICA no país. Que tem metrô e uma rede extensa de transporte metropolitano sobre trilhos. Mas São Paulo sofre com o trânsito de caminhões, já que não tem trem nem hidrovia como poderia ter nessa droga de país (e NÃO É por falta de engenheiro). Sofre com a desigualdade, a pobreza da Região Metropolitana e suas dezenas de cidades-dormitório. Com o excesso de automóveis particulares, que o governo federal ajuda a alimentar.
E o governo federal não deu UM TOSTÃO para o metrô de São Paulo no governo Lula. Se dependesse de PAC, governo federal e PT, não teria NADA de metrô aqui. Até a prefeitura deu dinheiro para o metrô.
E tem mais um "detalhezinho". Nos ANOS 50 a população de São Paulo passou de pouco mais de 2 milhões de habitantes para mais de 3,5 milhões. Um milhão a mais do que BH e PoA tem hoje.Foi "FÁCIL" lidar com isso tudo de demanda esses anos todos.
E depois SP é que é lerdo... Brincadeira.
6 - "Quando tiver possibilidade de integrar diferentes modais, ônibus, se tiver um monotrilho, se tiver um aeromóvel, fazer uma integração e caminhar em direção ao bilhete único, esta é a forma mais racional". "Quando tiver". Como se a possibilidade não tenha de ser PLANEJADA, GARANTIDA, e sim resultar de uma feliz coincidência.
Vão bem os conceitos e planos de mobilidade urbana do governo Dilma. Mas é que ela chegou agora NAO PERA.
"Então, eu quero dizer: além disso, não tinha dinheiro. Além de não ter dinheiro, nós não tínhamos engenheiros, não, porque se não tinha obra, não se formavam engenheiro no nosso país. A primeira vez que engenheiro passou advogado foi este ano, em termos do número de formandos. Em 2003, quando nós estávamos tentando fazer plataforma, as plataformas da Petrobras aqui, disseram para mim que nós não éramos capazes de fazer casco. Sabe de que é o casco da plataforma? É feito... é sofisticado, mas é uma sofisticação, eu diria, simples, contraditoriamente, porque você faz o casco e solda. Não tem nenhuma tecnologia. Como é que nós não conseguíamos fazer casco, e nós fomos o oitavo produtor de navios em [19]80?
Então tinha um processo no Brasil, e esse processo é pesado. Eu acredito que há um esforço hoje. Nós colocamos na pauta, a partir de 2011, nós colocamos na pauta mobilidade urbana e demos prioridade a metrô. Por que é que fizemos isso? Por uma concepção: é impossível, com as nossas cidades crescendo – São Paulo com 11 milhões; o Rio com 8 ou 9; Belo Horizonte com um similar; Porto Alegre com os seus 2 milhões – é impossível não construir metrô. Se nós não construirmos metrô agora, nós teremos, na frente, o problema que hoje São Paulo enfrenta.
Então, a nossa prioridade é construir metrô. Prioridade em que termos? Nos termos das grandes cidades e é garantir para as cidades médias uma estrutura de transporte que seja a mais adequada possível no seguinte sentido. Quando tiver possibilidade de integrar diferentes modais, ônibus, se tiver um monotrilho, se tiver um aeromóvel, fazer uma integração e caminhar em direção ao bilhete único, esta é a forma mais racional"
1 - Como já disseram alguns, vai ver Itaipu, o metrô de São Paulo, a Imigrantes, os túneis do Maluf e da Marta etc foram feitos pelos Deuses Astronautas, já que engenheiro não tinha.
2 - "Sofisticação simples, você faz o casco e solda". Ainda bem [modo de dizer] que Dilma é presidente e não engenheira.
3 - "Nós colocamos na pauta a partir de 2011 a mobilidade urbana e demos prioridade ao metrô". Em parte é verdade, porque o Lula se lixava para projeto de metrô, ele quer que "pobre tenha carro". Dilma seguiu na mesma linha com o IPI Zero para indústria automobilística, e as cidades que se danem... Então a "prioridade" é discutível, até porque em 2013 ainda está fazendo o enésimo anúncio-de-assinatura-de-contrato-para-início-de-obras... E o PAC 1, aquele do "espetáculo do crescimento", JÁ PREVIA metrô. Mas foi tão acelerado o plano de aceleração que em 2011 virou prioridade e em 2013 ainda engatinha. #imaginanaCopa
4 - "Belo Horizonte com um similar" (a 8 ou 9 ou 11 milhões, como SP e RJ). NÃO, segundo o último censo, Belo Horizonte tem 2.375.444 habitantes. E o metrô de BH é um dos que estavam previstos lá no PAC 1.
5 - "Se não construirmos agora, teremos o problema que hoje São Paulo enfrenta". É, São Paulo é o pior do Brasil, serve como exemplo para o que de ruim pode acontecer daqui a uns anos... É incrível. Mesmo eu querendo MAIS, MUITO MAIS, mesmo tenho xingado o Maluf por ter investido bilhões em obras rodoviaristas (E superfaturas, para piorar o que já era ruim), o fato é que São Paulo foi A ÚNICA que fez metrô pra valer. A ÚNICA no país. Que tem metrô e uma rede extensa de transporte metropolitano sobre trilhos. Mas São Paulo sofre com o trânsito de caminhões, já que não tem trem nem hidrovia como poderia ter nessa droga de país (e NÃO É por falta de engenheiro). Sofre com a desigualdade, a pobreza da Região Metropolitana e suas dezenas de cidades-dormitório. Com o excesso de automóveis particulares, que o governo federal ajuda a alimentar.
E o governo federal não deu UM TOSTÃO para o metrô de São Paulo no governo Lula. Se dependesse de PAC, governo federal e PT, não teria NADA de metrô aqui. Até a prefeitura deu dinheiro para o metrô.
E tem mais um "detalhezinho". Nos ANOS 50 a população de São Paulo passou de pouco mais de 2 milhões de habitantes para mais de 3,5 milhões. Um milhão a mais do que BH e PoA tem hoje.Foi "FÁCIL" lidar com isso tudo de demanda esses anos todos.
E depois SP é que é lerdo... Brincadeira.
6 - "Quando tiver possibilidade de integrar diferentes modais, ônibus, se tiver um monotrilho, se tiver um aeromóvel, fazer uma integração e caminhar em direção ao bilhete único, esta é a forma mais racional". "Quando tiver". Como se a possibilidade não tenha de ser PLANEJADA, GARANTIDA, e sim resultar de uma feliz coincidência.
Vão bem os conceitos e planos de mobilidade urbana do governo Dilma. Mas é que ela chegou agora NAO PERA.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Metrô é difícil de fazer - 1
Para quem acha ridícula a extensão de 70km de metrô em São Paulo, seguem trechos da fala de uma autoridade dizendo, em outro estado, como essa é uma obra dificílima de fazer, por razões históricas, conjunturais ou permanentes. Grifos meus.
"No caso específico da mobilidade urbana, é [necessário] o reconhecimento de que nosso país, durante 30 a 40 anos não investiu em mobilidade urbana de forma adequada, necessária e sistemática.
Por que é que não investimos? Primeiro porque havia no Brasil determinadas concepções que consideravam que metrô era coisa de país rico. Como nós não éramos um país rico, não podíamos investir em metrô. Essa era a visão dominante no início dos anos 80.
Talvez esse problema de concepção fosse ligado ao fato de que, naquele período de 80, 90, início de 2000, não tinha grandes investimentos em infraestrutura. Além disso, não tinha dinheiro e não tínhamos engenheiros, porque se não tinha obra, não se formavam engenheiro no nosso país.
Então tinha um processo no Brasil, e esse processo é pesado. Eu acredito que há um esforço hoje.
Não é um processo simples. Talvez, das obras, entre as obras complexas que estão em andamento no Brasil, o metrô tenha grande complexidade porque ele está sendo feito sobre uma cidade construída.
Todos os prefeitos e governadores tiveram dificuldades técnicas, todos eles adequaram e aperfeiçoaram cada vez mais seus modelos.
Nós temos uma visão, primeiro, das dificuldades de construir. Ninguém acha que isso é fácil. Vai ter de desapropriar e combinar tecnologia de shield ou tatuzão. Tem discussão hoje em todos os estados: como é que faz?
Qualquer obra de engenharia tem risco. Não é impossível que, mesmo você tendo feito a melhor sondagem, o melhor estudo geológico... aqui neste estado ocorreu uma coisa inesperada num risco de engenharia. Não é possível tratar essa questão do metrô como se fosse uma trivialidade, algo que você aperta um botão e sai fazendo".
***
Quem foi a autoridade que fez esse pronunciamento? Dilma, em discurso em Porto Alegre esta semana. Aquele que ficou famoso por ela ter dito que "sempre que você olha uma criança, há sempre uma figura oculta, que é um cachorro atrás, o que é algo muito importante". [SIC]
No que eu concordo com ela? Metrô é complicadíssimo de se fazer, ainda mais depois que a cidade está construída. Caro, complexo, demorado.
No que eu discordo? Muita, muita coisa. Muita. No próximo post, faço meus comentários sobre o texto acima. No seguinte, vou comentar o discurso na íntegra, que tem coisas... absurdas. Absurdas.
***
Pra adiantar, se alguém quiser ouvir, eis a íntegra (37min25s) do discurso da Presidenta Dilma
"No caso específico da mobilidade urbana, é [necessário] o reconhecimento de que nosso país, durante 30 a 40 anos não investiu em mobilidade urbana de forma adequada, necessária e sistemática.
Por que é que não investimos? Primeiro porque havia no Brasil determinadas concepções que consideravam que metrô era coisa de país rico. Como nós não éramos um país rico, não podíamos investir em metrô. Essa era a visão dominante no início dos anos 80.
Talvez esse problema de concepção fosse ligado ao fato de que, naquele período de 80, 90, início de 2000, não tinha grandes investimentos em infraestrutura. Além disso, não tinha dinheiro e não tínhamos engenheiros, porque se não tinha obra, não se formavam engenheiro no nosso país.
Então tinha um processo no Brasil, e esse processo é pesado. Eu acredito que há um esforço hoje.
Não é um processo simples. Talvez, das obras, entre as obras complexas que estão em andamento no Brasil, o metrô tenha grande complexidade porque ele está sendo feito sobre uma cidade construída.
Todos os prefeitos e governadores tiveram dificuldades técnicas, todos eles adequaram e aperfeiçoaram cada vez mais seus modelos.
Nós temos uma visão, primeiro, das dificuldades de construir. Ninguém acha que isso é fácil. Vai ter de desapropriar e combinar tecnologia de shield ou tatuzão. Tem discussão hoje em todos os estados: como é que faz?
Qualquer obra de engenharia tem risco. Não é impossível que, mesmo você tendo feito a melhor sondagem, o melhor estudo geológico... aqui neste estado ocorreu uma coisa inesperada num risco de engenharia. Não é possível tratar essa questão do metrô como se fosse uma trivialidade, algo que você aperta um botão e sai fazendo".
***
Quem foi a autoridade que fez esse pronunciamento? Dilma, em discurso em Porto Alegre esta semana. Aquele que ficou famoso por ela ter dito que "sempre que você olha uma criança, há sempre uma figura oculta, que é um cachorro atrás, o que é algo muito importante". [SIC]
No que eu concordo com ela? Metrô é complicadíssimo de se fazer, ainda mais depois que a cidade está construída. Caro, complexo, demorado.
No que eu discordo? Muita, muita coisa. Muita. No próximo post, faço meus comentários sobre o texto acima. No seguinte, vou comentar o discurso na íntegra, que tem coisas... absurdas. Absurdas.
***
Pra adiantar, se alguém quiser ouvir, eis a íntegra (37min25s) do discurso da Presidenta Dilma
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Porra, Bombig, tadinho do Haddad? - 1
Título de matéria da Época assinada por Alberto Bombig: "Fernando Haddad, o prefeito no moedor de carne" "Isolado, com popularidade em baixa e às turras com o PT, Haddad vive um dos inícios de administração mais conturbados da história de São Paulo"
O tom da matéria é, de alto abaixo, que Haddad é pobre vítima indefesa das circusntâncias. Inacreditável a compaixão que ele desperta nos e nas jornalistas. Acompanhe.
Com a saída de Gilberto Kassab e a entrada de Fernando Haddad, mudou a decoração do gabinete do prefeito de São Paulo. Saíram os tapetes e cortinas de que Kassab tanto gostava. A alteração valorizou os janelões do Edifício Matarazzo. (...) A vista dos janelões não mudou. Parte deles dá para o início da Avenida 23 de Maio, criada para ser uma via expressa de alta velocidade ligando as zonas Norte e Sul da cidade. São 8 e meia da manhã e, do 7º andar do edifício, a paisagem que se descortina é um brutal congestionamento. De longe, não é possível ver os pontos de ônibus envidraçados e os relógios digitais, marcas da gestão Haddad. De perto, os motoristas, dentro dos carros, podem apreciá-los com vagar, em todos os detalhes, como se estivessem num museu diante da Mona Lisa. São Paulo é ingovernável? Haddad faz uma pausa e suspira desalentado antes de responder: – Eu diria que é uma cidade complexa. Não chega a ser ingovernável, mas é um desafio como poucos.
Haddad “suspira desalentado” diante do desafio de uma cidade como São Paulo... Nunca vi tamanha compaixão por um prefeito...
De terno cinza-chumbo impecável, Haddad iniciava, na terça-feira 3 de setembro, seu 245º dia no comando da cidade, período curto em relação aos mais de 1.200 dias que ainda faltam para ele concluir o mandato. Mas tempo suficiente para conhecer a encrenca que tem pela frente. O que se vê da janela é uma pequena parte, mas uma parte importante. Os paulistanos sempre culpam o prefeito pelo trânsito – e eles têm a impressão de que o trânsito piorou desde que Fernando Haddad instalou as faixas exclusivas para ônibus na 23 de Maio e em outras vias paulistanas.
Os paulistanos "tem a impressão" de que o trânsito piorou?
“Tempo suficiente para CONHECER A ENCRENCA”? Não podia ter estudado durante o último ano no ministério, quando foi ungido pré-candidato por Lula? Ou nos dez meses que antecederam a eleição, quando pode ser dedicar exclusivamente a isso? Nos meses de transição depois de eleito? Durante sua vangloriada passagem pelo governo Marta como Subsecretário de Finanças e Desenvolvimento Econômico??
Em oito meses de governo, ele viu a situação financeira da cidade, caótica desde o dia em que assumiu, se agravar ainda mais.
NÃO, a situação não era “CAÓTICA desde o dia em que assumiu”, as Finanças em São Paulo estavam arrumadinhas, porém NÃO SOBRA DINHEIRO e ele tinha OBRIGAÇÂO DE SABER. O quadro que ele apresentou, surpreso, na reunião de seu Conselhão VIP mostra o que qualquer um minimante interessado na realidade já sabia: parte enorme de nossa receita é consumida com serviço da dívida com a União, folha de pagamento, aposentadorias e pensões e custeio e manutenção dos serviços que já existem. Sobra muito pouco para investimentos. A Marta, quando prefeita, sabia. Eu sabia. Meus assessores na Câmara Municipal sabiam. Haddad NÃO SABIA!
Mas ele prometeu dar dinheiro para o metrô. Prometeu mundos e fundos, contando com “dinheiro do PAC”, que depois descobriu que não poderia contar com ele para obras no Arco do Tietê, por exemplo. Acusou os governo anteriores de não receber dinheiro do governo federal por causa de “picuinhas” e talvez agora, OBRIGADO a saber como as coisas são de verdade, descubra que convênios são penosos de se fazer.
Ele caiu no epicentro de um moedor de políticos chamado prefeitura de São Paulo, que já destruiu – ou, na melhor hipótese, arranhou – as biografias de nomes como Luiza Erundina, Paulo Maluf, Celso Pitta, Marta Suplicy e Kassab. Este último deixou a prefeitura em 31 de dezembro de 2012, reprovado por quase 50% da população. Para não falar em José Serra, que largou a prefeitura no meio do mandato, depois de prometer que não o faria. Mesmo considerando esses antecedentes, o desempenho de Haddad nos primeiros 245 dias de governo é preocupante. Isolado, sem dinheiro e às turras com seu partido, ele é o protagonista de um dos inícios de administração mais conturbados da história de São Paulo.
“Ele CAIU no moedor de políticos”? CAIU? Ele foi candidato! Como é que alguém pode ser candidato desavisado a prefeito de São Paulo? Quanto às frases seguintes... O repórter junta Maluf, Erundina, Pitta, Marta e Kassab NO MESMO balaio. A prefeitura DESTRUIU a biografia de Maluf e Pitta? Arranhou a de Marta, Kassab e Erundina? Ou algum deles foi arrasado também? “Sem falar” em José Serra, claro, que pode ser colocado em patamar abaixo de todos os outros porque “largou” a prefeitura...
Haddad está “isolado”? Por que não pede socorro a Lula, que repetiu a tática de escolher um “não-político” para ser mais fácil empurrar goela abaixo do eleitor? “Não precisa saber quem é, só precisa saber que é indicado por mim”. Qualquer político tem trajetória própria... Aprovação e rejeição... Um tecnocrata não tem.
“Sem dinheiro”? Tanto quanto QUALQUER outro prefeito. Na verdade, não. A receita que Marta deixou para 2005 era de 13 milhões de reais. O “fujão” José Serra conseguiu, com medidas duramente combatidas pela bancada do PT (eu estava lá, eu sei... decidíamos em reunião de bancada tentar impedir o aumento da receita...), aumentar muito o orçamento da cidade. SEM FALAR no calote absurdo que Marta deu no final da gestão. Não pagou equipes de capinação de mato nem a Eletropaulo. Contratos milionários como o do lixo e grupos de teatro contemplados pelo Fomento. Isso sim era o caos.
Alas importantes do PT paulista estão insatisfeitas com a forma como Haddad conduz sua relação com o partido e com o Palácio do Planalto. E ele, por seu lado, coleciona mágoas acumuladas após decepções com dirigentes petistas, com a presidente Dilma Rousseff e muitos dos ministros dela. “Ao longo da história política recente do país, o PT tem funcionado como um porto seguro ou como inferno para suas estrelas”, disse a ÉPOCA um dirigente petista. (...)
“Mágoas”. Por que, por ter acreditado que Dilma cometeria o desatino de dar a São Paulo tratamento privilegiado em relação a outras cidades e estados? Porque prometeu negociar a dívida da cidade com o governo federal como se fosse só uma questão de boa vontade do prefeito; como se TODOS os prefeitos e governadores já não tivessem tentado antes?
Haddad e o PT começaram a trombar já no final do ano passado. Integrantes do partido reclamaram da montagem do secretariado, com muitos nomes oriundos dos gabinetes de Brasília, onde Haddad ocupou o Ministério da Educação nas gestões de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência. O maior foco de descontentamento veio logo depois, quando Haddad nomeou engenheiros e técnicos para a maioria das 31 subprefeituras de São Paulo. As subprefeituras, principalmente nos bairros mais populosos das zonas Leste e Sul, são consideradas uma espécie de filé-mignon da gestão, por causa do contato direto com os eleitores. Os políticos do PT ficaram inconformados em perder esse importante instrumento de luta partidária.
MENTIRA. Os “engenheiros e técnicos” nomeados são mero verniz. Não tem poder político nenhum. Os chefes-de-gabinete e ocupantes de outros cargos-chave são nomeados por vereadores. Não é à toa que Haddad aprovou TUDO que mandou para a Câmara Municipal em velocidade ESTONTEANTE. Abandonado? Às turras?
Insatisfeitos, os dirigentes zonais do PT paulistano pediram uma reunião com Haddad, que se recusava sistematicamente a recebê-los. Lula interferiu e, no final do mês passado, Haddad aceitou conversar com o grupo. Prometeu abrir um canal de diálogo mensal com as “bases” do partido. Essas mesmas “bases” também não aceitam o novo Conselho da Cidade montado por Haddad, repleto de notáveis como o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa e o cantor e compositor Arnaldo Antunes. Para o partido, ao colocar quadros técnicos nas subprefeituras e ao criar uma instância consultiva aberta para toda a sociedade, é como se Haddad quisesse governar mantendo o PT à distância.
“Instância consultiva aberta à toda a sociedade”??????????????? Tá brincando???? Um Conselho VIP, com uma centena de pessoas escolhidas pelo próprio prefeito para se reunir quatro vezes ao ano e “aconselhar” o prefeito? AHAHAHAHAHAHAHA até parece que o partido está preocupado com isso!!!
Um documento da Executiva estadual do partido a que ÉPOCA teve acesso cobra Haddad explicitamente. Depois de citá-lo, o texto diz: “Vamos precisar muito dos companheiros como militantes e lideranças que vão para as ruas de suas cidades e para o Estado mostrando que é possível fazer diferente dos tucanos”.
Sem dizer qual foi a citação, fica fácil dizer que o partido está sendo duro com ele... Cadê a cobrança explícita?? O que o PT diz é o que SEMPRE DISSE: “vamos pra rua detonar os tucanos” no estado.
Ainda não recebera seus líderes, por achar que a reivindicação era injusta. Afinal, o reajuste estava abaixo da inflação acumulada no período, de acordo com o que o próprio Haddad prometera na campanha. Ele também lamentava que o PT não o deixara aumentar as passagens em janeiro, quando vivia a lua de mel dos recém-eleitos. Fez isso a pedido de Dilma, que não queria que o reajuste entrasse no cálculo da inflação.
“Quando vivia a lua-de-mel dos recém-eleitos” PORQUE ainda não havia aumentado as passagens de ônibus! Ela é sempre o fim da lua-de-mel. O boneco de Kassab foi queimado diante da prefeitura e da casa dele em aumentos anteriores.
A cena no Palácio dos Bandeirantes foi, segundo eles, uma maneira de mostrar ao PT e a Dilma que Haddad se sentia injustiçado pelo Planalto e pelo partido.
Coitado!!! Foi SUBMISSO às ordens de Brasília ao não aumentar as passagens e agora se queixa.
Continua a seguir.
O tom da matéria é, de alto abaixo, que Haddad é pobre vítima indefesa das circusntâncias. Inacreditável a compaixão que ele desperta nos e nas jornalistas. Acompanhe.
Com a saída de Gilberto Kassab e a entrada de Fernando Haddad, mudou a decoração do gabinete do prefeito de São Paulo. Saíram os tapetes e cortinas de que Kassab tanto gostava. A alteração valorizou os janelões do Edifício Matarazzo. (...) A vista dos janelões não mudou. Parte deles dá para o início da Avenida 23 de Maio, criada para ser uma via expressa de alta velocidade ligando as zonas Norte e Sul da cidade. São 8 e meia da manhã e, do 7º andar do edifício, a paisagem que se descortina é um brutal congestionamento. De longe, não é possível ver os pontos de ônibus envidraçados e os relógios digitais, marcas da gestão Haddad. De perto, os motoristas, dentro dos carros, podem apreciá-los com vagar, em todos os detalhes, como se estivessem num museu diante da Mona Lisa. São Paulo é ingovernável? Haddad faz uma pausa e suspira desalentado antes de responder: – Eu diria que é uma cidade complexa. Não chega a ser ingovernável, mas é um desafio como poucos.
Haddad “suspira desalentado” diante do desafio de uma cidade como São Paulo... Nunca vi tamanha compaixão por um prefeito...
De terno cinza-chumbo impecável, Haddad iniciava, na terça-feira 3 de setembro, seu 245º dia no comando da cidade, período curto em relação aos mais de 1.200 dias que ainda faltam para ele concluir o mandato. Mas tempo suficiente para conhecer a encrenca que tem pela frente. O que se vê da janela é uma pequena parte, mas uma parte importante. Os paulistanos sempre culpam o prefeito pelo trânsito – e eles têm a impressão de que o trânsito piorou desde que Fernando Haddad instalou as faixas exclusivas para ônibus na 23 de Maio e em outras vias paulistanas.
Os paulistanos "tem a impressão" de que o trânsito piorou?
“Tempo suficiente para CONHECER A ENCRENCA”? Não podia ter estudado durante o último ano no ministério, quando foi ungido pré-candidato por Lula? Ou nos dez meses que antecederam a eleição, quando pode ser dedicar exclusivamente a isso? Nos meses de transição depois de eleito? Durante sua vangloriada passagem pelo governo Marta como Subsecretário de Finanças e Desenvolvimento Econômico??
Em oito meses de governo, ele viu a situação financeira da cidade, caótica desde o dia em que assumiu, se agravar ainda mais.
NÃO, a situação não era “CAÓTICA desde o dia em que assumiu”, as Finanças em São Paulo estavam arrumadinhas, porém NÃO SOBRA DINHEIRO e ele tinha OBRIGAÇÂO DE SABER. O quadro que ele apresentou, surpreso, na reunião de seu Conselhão VIP mostra o que qualquer um minimante interessado na realidade já sabia: parte enorme de nossa receita é consumida com serviço da dívida com a União, folha de pagamento, aposentadorias e pensões e custeio e manutenção dos serviços que já existem. Sobra muito pouco para investimentos. A Marta, quando prefeita, sabia. Eu sabia. Meus assessores na Câmara Municipal sabiam. Haddad NÃO SABIA!
Mas ele prometeu dar dinheiro para o metrô. Prometeu mundos e fundos, contando com “dinheiro do PAC”, que depois descobriu que não poderia contar com ele para obras no Arco do Tietê, por exemplo. Acusou os governo anteriores de não receber dinheiro do governo federal por causa de “picuinhas” e talvez agora, OBRIGADO a saber como as coisas são de verdade, descubra que convênios são penosos de se fazer.
Ele caiu no epicentro de um moedor de políticos chamado prefeitura de São Paulo, que já destruiu – ou, na melhor hipótese, arranhou – as biografias de nomes como Luiza Erundina, Paulo Maluf, Celso Pitta, Marta Suplicy e Kassab. Este último deixou a prefeitura em 31 de dezembro de 2012, reprovado por quase 50% da população. Para não falar em José Serra, que largou a prefeitura no meio do mandato, depois de prometer que não o faria. Mesmo considerando esses antecedentes, o desempenho de Haddad nos primeiros 245 dias de governo é preocupante. Isolado, sem dinheiro e às turras com seu partido, ele é o protagonista de um dos inícios de administração mais conturbados da história de São Paulo.
“Ele CAIU no moedor de políticos”? CAIU? Ele foi candidato! Como é que alguém pode ser candidato desavisado a prefeito de São Paulo? Quanto às frases seguintes... O repórter junta Maluf, Erundina, Pitta, Marta e Kassab NO MESMO balaio. A prefeitura DESTRUIU a biografia de Maluf e Pitta? Arranhou a de Marta, Kassab e Erundina? Ou algum deles foi arrasado também? “Sem falar” em José Serra, claro, que pode ser colocado em patamar abaixo de todos os outros porque “largou” a prefeitura...
Haddad está “isolado”? Por que não pede socorro a Lula, que repetiu a tática de escolher um “não-político” para ser mais fácil empurrar goela abaixo do eleitor? “Não precisa saber quem é, só precisa saber que é indicado por mim”. Qualquer político tem trajetória própria... Aprovação e rejeição... Um tecnocrata não tem.
“Sem dinheiro”? Tanto quanto QUALQUER outro prefeito. Na verdade, não. A receita que Marta deixou para 2005 era de 13 milhões de reais. O “fujão” José Serra conseguiu, com medidas duramente combatidas pela bancada do PT (eu estava lá, eu sei... decidíamos em reunião de bancada tentar impedir o aumento da receita...), aumentar muito o orçamento da cidade. SEM FALAR no calote absurdo que Marta deu no final da gestão. Não pagou equipes de capinação de mato nem a Eletropaulo. Contratos milionários como o do lixo e grupos de teatro contemplados pelo Fomento. Isso sim era o caos.
Alas importantes do PT paulista estão insatisfeitas com a forma como Haddad conduz sua relação com o partido e com o Palácio do Planalto. E ele, por seu lado, coleciona mágoas acumuladas após decepções com dirigentes petistas, com a presidente Dilma Rousseff e muitos dos ministros dela. “Ao longo da história política recente do país, o PT tem funcionado como um porto seguro ou como inferno para suas estrelas”, disse a ÉPOCA um dirigente petista. (...)
“Mágoas”. Por que, por ter acreditado que Dilma cometeria o desatino de dar a São Paulo tratamento privilegiado em relação a outras cidades e estados? Porque prometeu negociar a dívida da cidade com o governo federal como se fosse só uma questão de boa vontade do prefeito; como se TODOS os prefeitos e governadores já não tivessem tentado antes?
Haddad e o PT começaram a trombar já no final do ano passado. Integrantes do partido reclamaram da montagem do secretariado, com muitos nomes oriundos dos gabinetes de Brasília, onde Haddad ocupou o Ministério da Educação nas gestões de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência. O maior foco de descontentamento veio logo depois, quando Haddad nomeou engenheiros e técnicos para a maioria das 31 subprefeituras de São Paulo. As subprefeituras, principalmente nos bairros mais populosos das zonas Leste e Sul, são consideradas uma espécie de filé-mignon da gestão, por causa do contato direto com os eleitores. Os políticos do PT ficaram inconformados em perder esse importante instrumento de luta partidária.
MENTIRA. Os “engenheiros e técnicos” nomeados são mero verniz. Não tem poder político nenhum. Os chefes-de-gabinete e ocupantes de outros cargos-chave são nomeados por vereadores. Não é à toa que Haddad aprovou TUDO que mandou para a Câmara Municipal em velocidade ESTONTEANTE. Abandonado? Às turras?
Insatisfeitos, os dirigentes zonais do PT paulistano pediram uma reunião com Haddad, que se recusava sistematicamente a recebê-los. Lula interferiu e, no final do mês passado, Haddad aceitou conversar com o grupo. Prometeu abrir um canal de diálogo mensal com as “bases” do partido. Essas mesmas “bases” também não aceitam o novo Conselho da Cidade montado por Haddad, repleto de notáveis como o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa e o cantor e compositor Arnaldo Antunes. Para o partido, ao colocar quadros técnicos nas subprefeituras e ao criar uma instância consultiva aberta para toda a sociedade, é como se Haddad quisesse governar mantendo o PT à distância.
“Instância consultiva aberta à toda a sociedade”??????????????? Tá brincando???? Um Conselho VIP, com uma centena de pessoas escolhidas pelo próprio prefeito para se reunir quatro vezes ao ano e “aconselhar” o prefeito? AHAHAHAHAHAHAHA até parece que o partido está preocupado com isso!!!
Um documento da Executiva estadual do partido a que ÉPOCA teve acesso cobra Haddad explicitamente. Depois de citá-lo, o texto diz: “Vamos precisar muito dos companheiros como militantes e lideranças que vão para as ruas de suas cidades e para o Estado mostrando que é possível fazer diferente dos tucanos”.
Sem dizer qual foi a citação, fica fácil dizer que o partido está sendo duro com ele... Cadê a cobrança explícita?? O que o PT diz é o que SEMPRE DISSE: “vamos pra rua detonar os tucanos” no estado.
Ainda não recebera seus líderes, por achar que a reivindicação era injusta. Afinal, o reajuste estava abaixo da inflação acumulada no período, de acordo com o que o próprio Haddad prometera na campanha. Ele também lamentava que o PT não o deixara aumentar as passagens em janeiro, quando vivia a lua de mel dos recém-eleitos. Fez isso a pedido de Dilma, que não queria que o reajuste entrasse no cálculo da inflação.
“Quando vivia a lua-de-mel dos recém-eleitos” PORQUE ainda não havia aumentado as passagens de ônibus! Ela é sempre o fim da lua-de-mel. O boneco de Kassab foi queimado diante da prefeitura e da casa dele em aumentos anteriores.
A cena no Palácio dos Bandeirantes foi, segundo eles, uma maneira de mostrar ao PT e a Dilma que Haddad se sentia injustiçado pelo Planalto e pelo partido.
Coitado!!! Foi SUBMISSO às ordens de Brasília ao não aumentar as passagens e agora se queixa.
Continua a seguir.
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