Eu não sabia que o check in era até as 17:15. Jurava que o vôo saía lá pela meia-noite (ou seria "meianoite"?). Desde a véspera da viagem, portanto, precisei me preparar para uma tarde curta. Foi ótimo. Eu normalmente trabalho sem parar, mas os limites impostos por um “deadline” (“linha morta”?) me fazem ser muito mais eficiente. Resultado: consegui despachar um milhão de coisas antes de sair. Mas ainda falei com a Lyian umas oito vezes por telefone até o avião fechar a porta.
Consegui despachar um milhão de coisas antes de sair. Mas ainda falei com a Lyian umas oito vezes por telefone até o avião fechar a porta.
***
Quando recebi o convite, em março, para participar do Urban Age, achei que era trote. “Deve ser vírus, não é possível”. Vesti minha camiseta “só acredito vendo” e esperei chegar a data (enquanto mandava todas as informações que eles solicitavam, por via das dúvidas. Se fosse vírus, eles iam no máximo roubar o endereço da minha casa).
O dia chegou, e aqui estou eu a caminho de Istambul.
[Mentira, já estou em Istambul, mas escrevi estas mal traçadas dias atrás]
***
Engraçado que eu acompanhei um Urban Age em Berlin em 2006 (por coincidência, eu estava lá para outro evento, o concurso de blogs da Deutsche Welle do qual eu era jurada), mas não consegui ir a nenhuma das apresentações em São Paulo (2008). Um assessor meu foi e me contou tudo (claaaaro que não é a mesma coisa).
Ainda não expliquei o que é esse negócio? “A principal meta do Urban Age é formatar o pensamento e a prática de líderes urbanos e o desenvolvimento urbano sustentável. Criado por iniciativa do Programa das Cidades da London School of Economics and Political Science e pela Fundação Alfred Herrhausen do Deutsche Bank, a estrutura Urban Age se assenta em eventos internacionais multidisciplinares e em pesquisas que subsidiem a criação de uma nova agenda urbana para as cidades globais” (minha tradução ficou péssima, mas deixa assim.
***
Na primeira noite do evento, entrega do “The Deustsche Bank Urban Age Award” para projetos que provocam mudanças na comunidade. Os ganhadores do prêmio no ano passado (que estão trabalhando na transformação de um dos muitos “treme-tremes” de São Paulo, conhecido como “o cortiço da Rua Sólon”) estão aqui. Eles não gostam de ouvir a palavra “cortiço”. Durante as falas da abertura, um deles, o Chico, ficou brincando de inventar outros nomes: Edifício Professora Maria Ruth (grande incentivadora e orientadora do projeto, que também está em Istambul); Edifício Urban Age ("Ia fazer um sucesso, não ia?").
No dia seguinte começaram as exposições. “Conectando o social ao físico nas cidades globais” (com Ricky Burdett, da London School of Economics); “Comparando atitudes na vida urbana“ (Ben Page, pesquisador da IPSOS MORI UK); “Repensando as cidades na economia global” – “Metrópoles americanas no pós-recessão” (Bruce Katz, diretor de Políticas Metropolitanas da Brookings Institution); “As transformações no contexto urbano na Turquia” (Joan Clos, Embaixador da Espanha na Turquia e ex-prefeito de Barcelona), e por aí foi.
Tenho milhões de coisas para escrever sobre isso tudo. Mas não agora (1:15 da manhã).
***
No avião, vim conversando com um francês muito simpático. Ele achou divertidíssimo saber que a vizinha tinha disputado uma eleição para a prefeitura e trabalha em televisão comentando futebol. “So you’re kind of a star”, brincou.
***
Foi sua primeira ida a São Paulo, da qual não esperava muita coisa (comparada com o Rio, que ele já conhecia) e (talvez por isso mesmo) gostou muito. Achou as pessoas muito simpáticas, gentis. A cidade organizada e prática (juro!). O centro, agradável e convidativo. Todo o tempo, se sentiu “seguro”.
O Rio, em comparação, lhe pareceu meio bagunçado. “Tomara que melhore agora com essa história da Olimpíada”. Nem lembrou da Copa do Mundo.
“I don’t know... We’ve had many great events (Eco 92, the Pope’s visits, the Panamerican Games) and it hasn’t REALLY changed”. (Eu não falo francês, que droga)
(Bem sei que a visita do Papa é fichinha comparada com os outros, mas lembro do trato superficial que as cidades sempre recebem. Se precursora de prefeito já é uma coisa, imagine a do Papa...)
(A primeira precursora que presenciei foi quando a Marta foi visitar a Julia no Itaci, em uma noite no meio da campanha para prefeita em 2004. A segurança subiu primeiro, inspecionou o elevador, os corredores... Parecia que ela estava chegando a uma cidade inimiga, não a um hospital de tratamento de câncer infantil. Claro que não foi ela que pediu isso, é só o procedimento padrão).
***
Até outro dia eu não tinha me dado conta, mas já estive em dez países. Dez!
- Argentina (2 ou 3 idas a Buenos Aires e 1 a Bariloche)
- Estados Unidos (3 idas a Nova York e uma passagem rápida por Los Angeles, a caminho de...)
- Sydney (Olimpíadas 2000)
- África do Sul (Joanesburgo, uma pausa a caminho da...)
- Índia (Mumbai e Nova Delhi, paradas obrigatórias antes de chegar ao...)
- Nepal (cerimônia budista em 2003)
- Portugal (gravando um Mochilão MTV)
- Alemanha (ah, a Copa...)
- Itália (duas passagens relâmpago por Roma)
- Inglaterra (com a minha mãe, quando eu tinha 7 anos)
Agora posso acrescentar França (dois dias inteiros!) e Turquia (quase uma semana).
Uau.
***
O francês do avião não se espantou quando eu disse que os brasileiros não imaginavam os franceses como sendo muito simpáticos e amigáveis. “We’re a little bit arrogant, you think? Well, yes, I think we are a little...”
***
Outro francês puxou conversa. Ele tem negócios em São José dos Campos - fabrica mísseis Exocet.
Mísseis mesmo, não as calcinhas do Fausto Fawcett.
***
No avião, assisti “Whatever works”, do Woody Allen. Não tinha absolutamente nenhuma expectativa (só depois lembrei que as avaliações em geral foram péssimas). Adorei.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Uma coisa é uma coisa...
Alguns comentários sobre a crise do momento na Câmara Municipal (cassação, por decisão de primeira instância, do mandato de 13 vereadores):
1)O fato de um determinado setor fazer doações a candidatos não implica, necessariamente, em desonestidade. Nem o fato de o setor esperar ser representado por aquele parlamentar – todos têm direito de se fazer representar no Poder Legislativo. Se eu receber doações de militantes da cultura ou de ambientalistas, é porque se identificam comigo e esperam que eu defenda suas causas. Se um deputado recebe doações da indústria armamentícia, é porque reconhecem nele um defensor dos seus interesses. Eu sou CONTRA os interesses da indústria armamentícia, mas a doação para a campanha e tentativa de eleição de um representante seu não é ilegítimo.
2)Os maiores doadores de campanha são, quase sempre, bancos e grandes empreiteiras. Por que? Pra começar, porque tem muito dinheiro... E também porque querem, sim, manter bom relacionamento com as pessoas no poder (ou em vias de obtê-lo). Não querem criar caso/ ganhar inimigos entre potenciais prefeitos, governadores, presidentes, vereadores, deputados, senadores. Não fazem muita questão de ideologia – a fase do “medo do Lula”, por exemplo, passou faz tempo...
Querer manter bom relacionamento com os poderosos também não é, necessariamente, crime eleitoral... Pode não ser a coisa mais bonita do mundo, pode vir a ser fonte de constrangimentos futuros (“Eu te ajudei e agora você não quer me ajudar!”), mas não é crime.
3)Receber doação de campanha E defender os interesses de determinado setor que fez contribuições também não é crime. Crime é defender os interesses escusos; prejudicar os interesses da sociedade para beneficiar seus parceiros, quer eles tenham financiado a campanha eleitoral ou não.
Aliás, se a intenção de um parlamentar é atuar de maneira desonesta a favor deste ou daquele setor, é muito melhor não receber doações dele durante a campanha – e fazer todos os “negócios” depois.
4) A prestação de contas da campanha eleitoral é uma coisa barroca, absurdamente detalhada e complexa. Se você pensa que é chato e complicado fazer a declaração para o imposto de renda, não viu nada ainda.
Claro que alguém pode fazer a declaração de qualquer jeito e dizer “que se dane, quero ver me pegarem, nunca pegam ninguém”. Mas para cometer alguma desonestidade, é MUITO mais fácil fazer tudo por fora, sem pegar recibo algum... Passar o recibo já é chato quando você faz tudo direitinho, então para que se dar ao trabalho?
5)Além de tudo, não é o candidato quem cuida pessoalmente das contas de campanha. Ainda que seu coordenador de finanças tenha aceitado fazer as coisas meio de qualquer jeito, é perfeitamente possível que ele não saiba.
Essa cassação em bloco acaba botando todo mundo em um mesmo balaio, quem sabe de tudo e quem não sabe, quem gosta de fazer tudo direito e quem não faz questão...
6) É tão ruim demonizar doadores de campanha e candidatos que recebem doações que acaba afugentando quem quer fazer as coisas direito. Na minha candidatura a deputada, algumas pessoas me procuraram querendo contribuir “por fora” por uma única razão: não queriam aparecer e ficar sob suspeita de “interesses ilícitos” (ainda mais naquele período de antipetismo galopante). Demagogia e maniqueísmo são coisas que fazem mal à compreensão do sistema eleitoral e à justiça – é muito fácil dizer “recebeu dinheiro de empreiteira? Ladrão!” e, enquanto isso, deixar de perceber mil desonestidades grosseiras ou sutis, que não deixam recibo.
1)O fato de um determinado setor fazer doações a candidatos não implica, necessariamente, em desonestidade. Nem o fato de o setor esperar ser representado por aquele parlamentar – todos têm direito de se fazer representar no Poder Legislativo. Se eu receber doações de militantes da cultura ou de ambientalistas, é porque se identificam comigo e esperam que eu defenda suas causas. Se um deputado recebe doações da indústria armamentícia, é porque reconhecem nele um defensor dos seus interesses. Eu sou CONTRA os interesses da indústria armamentícia, mas a doação para a campanha e tentativa de eleição de um representante seu não é ilegítimo.
2)Os maiores doadores de campanha são, quase sempre, bancos e grandes empreiteiras. Por que? Pra começar, porque tem muito dinheiro... E também porque querem, sim, manter bom relacionamento com as pessoas no poder (ou em vias de obtê-lo). Não querem criar caso/ ganhar inimigos entre potenciais prefeitos, governadores, presidentes, vereadores, deputados, senadores. Não fazem muita questão de ideologia – a fase do “medo do Lula”, por exemplo, passou faz tempo...
Querer manter bom relacionamento com os poderosos também não é, necessariamente, crime eleitoral... Pode não ser a coisa mais bonita do mundo, pode vir a ser fonte de constrangimentos futuros (“Eu te ajudei e agora você não quer me ajudar!”), mas não é crime.
3)Receber doação de campanha E defender os interesses de determinado setor que fez contribuições também não é crime. Crime é defender os interesses escusos; prejudicar os interesses da sociedade para beneficiar seus parceiros, quer eles tenham financiado a campanha eleitoral ou não.
Aliás, se a intenção de um parlamentar é atuar de maneira desonesta a favor deste ou daquele setor, é muito melhor não receber doações dele durante a campanha – e fazer todos os “negócios” depois.
4) A prestação de contas da campanha eleitoral é uma coisa barroca, absurdamente detalhada e complexa. Se você pensa que é chato e complicado fazer a declaração para o imposto de renda, não viu nada ainda.
Claro que alguém pode fazer a declaração de qualquer jeito e dizer “que se dane, quero ver me pegarem, nunca pegam ninguém”. Mas para cometer alguma desonestidade, é MUITO mais fácil fazer tudo por fora, sem pegar recibo algum... Passar o recibo já é chato quando você faz tudo direitinho, então para que se dar ao trabalho?
5)Além de tudo, não é o candidato quem cuida pessoalmente das contas de campanha. Ainda que seu coordenador de finanças tenha aceitado fazer as coisas meio de qualquer jeito, é perfeitamente possível que ele não saiba.
Essa cassação em bloco acaba botando todo mundo em um mesmo balaio, quem sabe de tudo e quem não sabe, quem gosta de fazer tudo direito e quem não faz questão...
6) É tão ruim demonizar doadores de campanha e candidatos que recebem doações que acaba afugentando quem quer fazer as coisas direito. Na minha candidatura a deputada, algumas pessoas me procuraram querendo contribuir “por fora” por uma única razão: não queriam aparecer e ficar sob suspeita de “interesses ilícitos” (ainda mais naquele período de antipetismo galopante). Demagogia e maniqueísmo são coisas que fazem mal à compreensão do sistema eleitoral e à justiça – é muito fácil dizer “recebeu dinheiro de empreiteira? Ladrão!” e, enquanto isso, deixar de perceber mil desonestidades grosseiras ou sutis, que não deixam recibo.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Como se ainda faltasse alguma coisa
Cheguei em casa agora há pouco e recebi uma correspondência do Tribunal Regional de São Paulo. Curiosa, abri ainda no elevador. Pensei que era alguma coisa relacionada ao processo de perda de mandato (o último contato que eu tive com o TRE). Nada disso:
"INTIMAÇÃO
Com fundamento no artigo 238, do Código de Processo Civil, fica SONIA FRANCINE GASPAR MARMO, por meio desta, INTIMADA, para que se manifeste, no prazo de setenta e duas horas, a contar da juntada do respectivo comprovante de recebimento aos presentes autos (artigo 241, I do Código de Processo Civil), sobre o parecer conclusivo da Secretaria de Controle Interno, com fulcro no artigo 36, caput, da Resolução TSE nº 22.250/06, nos termos do parecer e do despacho proferidos nos autos do processo em epígrafe, cujas cópias seguem anexas e integram a presente. São Paulo, 6 de outubro de 2009.
[Dado que eu recebi este troço das mãos do porteiro do meu prédio, gostaria de saber qual será o “comprovante de recebimento”...]
PARECER CONCLUSIVO
Em vista do que dispões a Lei 9.504, de 30 de setembro de 1997, (etc etc etc), submete-se à apreciação superior o relatório dos exames efetuados sobre a prestação de contas do candidato(a) acima nominado(a), abrangendo a arrecadação e aplicação de recursos financeiros utilizados na campanha atinente às eleições de 2006.
[Etc etc etc – seguem-se 3 parágrafos explicando de que consiste a análise das contas – “aplicação das técnicas de auditoria de exame dos registros auxiliares, correlação das informações obtidas” etc., ; “os recursos arrecadados foram submetidos a exame para aferição da legalidade da origem e sua correta identificação, observância dos requisitos ao seu início e término” etc.]
Do exame das contas foram constatadas as falhas a seguir:
a) Não apresentou a primeira prestação de contas parcial, cuja data de entrega prevista era o dia 06/08/06 (art 46 da Res. TSE 22.250/06)
b) Utilizou recibo eleitoral em duplicidade (recibo eleitoral nº 13.026.058.892, fls 11 e 57), visto que foi emitido o mesmo recibo eleitoral para as doações provenientes de Studio SP Espaço Cultural Ltda (art 3º e art 14, § 1º da Res. TSE 22.250/06)
c) Lançou aquisição de material de consumo ou bens permanentes como receita estimada de recursos próprios, evidenciando que a quantia de R$1.500,00 utilizada para o seu pagamento, deixou de transitar pela conta bancária específica, representando 0,93% da receita, conforme fls. 12, 46 e 47. (art. 10, caput e §6º da Res. TSE 22.250/06)
d) Não apresentou extratos bancários do período completo da campanha, impossibilitando a validação das receitas e despesas de campanha, visto que os extratos apresentados não contemplam o(s) período(s) de 11/08/2006 a 15/08/2006 (art 29, XII da Res. TSE 22.250/06)
Em conclusão, considerando que a(s) falha(s) apontada(s) comprometem a sua regularidade, manifesta-se esta unidade técnica pela desaprovação das contas prestadas, nos termos do art. 39, inciso III, da Resolução TSE 22.250/06, cabendo a abertura de vistas pelo prazo de 72 horas, a teor do disposto no art. 36 da referida norma.
(...)
É fantástico.
Um dos meus coordenadores da campanha de 2006 está morando em Londres. Outro trabalha em Brasília. Eu tenho de ir atrás deles agora para que me ajudem a descobrir por que diabos consta no registro do TRE que eu não apresentei a primeira prestação de contas parcial (como se isso fosse possível... Sem a primeira prestação, acho que eles nem aceitam a segunda...); que houve um recibo em duplicidade; que R$1.500 como “receita estimada de recurso próprio” ou sei lá o que; que o extrato apresentado “não contempla o período de 11/08 a 15/08”.
Santa mãe. E pensar que eu passei 4 anos pedindo ao Tribunal Eleitoral que informasse o que seria feito a respeito do colega parlamentar que teve as contas reprovadas (por apresentar notas frias de empresa fantasma ou qualquer coisa assim), e a resposta sempre foi: “nada”.
"INTIMAÇÃO
Com fundamento no artigo 238, do Código de Processo Civil, fica SONIA FRANCINE GASPAR MARMO, por meio desta, INTIMADA, para que se manifeste, no prazo de setenta e duas horas, a contar da juntada do respectivo comprovante de recebimento aos presentes autos (artigo 241, I do Código de Processo Civil), sobre o parecer conclusivo da Secretaria de Controle Interno, com fulcro no artigo 36, caput, da Resolução TSE nº 22.250/06, nos termos do parecer e do despacho proferidos nos autos do processo em epígrafe, cujas cópias seguem anexas e integram a presente. São Paulo, 6 de outubro de 2009.
[Dado que eu recebi este troço das mãos do porteiro do meu prédio, gostaria de saber qual será o “comprovante de recebimento”...]
PARECER CONCLUSIVO
Em vista do que dispões a Lei 9.504, de 30 de setembro de 1997, (etc etc etc), submete-se à apreciação superior o relatório dos exames efetuados sobre a prestação de contas do candidato(a) acima nominado(a), abrangendo a arrecadação e aplicação de recursos financeiros utilizados na campanha atinente às eleições de 2006.
[Etc etc etc – seguem-se 3 parágrafos explicando de que consiste a análise das contas – “aplicação das técnicas de auditoria de exame dos registros auxiliares, correlação das informações obtidas” etc., ; “os recursos arrecadados foram submetidos a exame para aferição da legalidade da origem e sua correta identificação, observância dos requisitos ao seu início e término” etc.]
Do exame das contas foram constatadas as falhas a seguir:
a) Não apresentou a primeira prestação de contas parcial, cuja data de entrega prevista era o dia 06/08/06 (art 46 da Res. TSE 22.250/06)
b) Utilizou recibo eleitoral em duplicidade (recibo eleitoral nº 13.026.058.892, fls 11 e 57), visto que foi emitido o mesmo recibo eleitoral para as doações provenientes de Studio SP Espaço Cultural Ltda (art 3º e art 14, § 1º da Res. TSE 22.250/06)
c) Lançou aquisição de material de consumo ou bens permanentes como receita estimada de recursos próprios, evidenciando que a quantia de R$1.500,00 utilizada para o seu pagamento, deixou de transitar pela conta bancária específica, representando 0,93% da receita, conforme fls. 12, 46 e 47. (art. 10, caput e §6º da Res. TSE 22.250/06)
d) Não apresentou extratos bancários do período completo da campanha, impossibilitando a validação das receitas e despesas de campanha, visto que os extratos apresentados não contemplam o(s) período(s) de 11/08/2006 a 15/08/2006 (art 29, XII da Res. TSE 22.250/06)
Em conclusão, considerando que a(s) falha(s) apontada(s) comprometem a sua regularidade, manifesta-se esta unidade técnica pela desaprovação das contas prestadas, nos termos do art. 39, inciso III, da Resolução TSE 22.250/06, cabendo a abertura de vistas pelo prazo de 72 horas, a teor do disposto no art. 36 da referida norma.
(...)
É o relatório.
À consideração superior"
À consideração superior"
É fantástico.
Um dos meus coordenadores da campanha de 2006 está morando em Londres. Outro trabalha em Brasília. Eu tenho de ir atrás deles agora para que me ajudem a descobrir por que diabos consta no registro do TRE que eu não apresentei a primeira prestação de contas parcial (como se isso fosse possível... Sem a primeira prestação, acho que eles nem aceitam a segunda...); que houve um recibo em duplicidade; que R$1.500 como “receita estimada de recurso próprio” ou sei lá o que; que o extrato apresentado “não contempla o período de 11/08 a 15/08”.
Santa mãe. E pensar que eu passei 4 anos pedindo ao Tribunal Eleitoral que informasse o que seria feito a respeito do colega parlamentar que teve as contas reprovadas (por apresentar notas frias de empresa fantasma ou qualquer coisa assim), e a resposta sempre foi: “nada”.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Domingo sem fim
Até as seis da tarde, nenhum acontecimento especial. Desliguei o celular para dedicar atenção total ao último período de prática budista ("prática" é o nome que a gente dá às sessões de meditação) antes de eu voltar para São Paulo. O retiro só terminaria hoje, segunda, mas eu teria muitos compromissos (de aniversário da Lapa e do Dia das Crianças) e não poderia ficar lá.
Às oito e pouco, liguei o celular - que não parava mais de apitar, de tantas mensagens não lidas na caixa postal. Umas quinze. Todas com o mesmo recado: "Incêndio outra vez".
****
A Lylian tentou brincar para aliviar a tensão - "O Nero tá solto na Lapa". Só que, ao contrário do princípio de incêndio no Bourbon no sábado à noite, sem gravidade, dessa vez a coisa era feia. A TV mostrava as labaredas. Era fogo na favela, um dos mais difíceis de controlar.
Barracos de madeira, fiação acochambrada, pouquíssimo espaço livre, butijões de gás... O fogo se delicia com tanta alimentação. Os bombeiros chegaram logo, mas o fogo foi muito mais rápido que eles. Por milagre, ninguém se machucou gravemente.
Conseguiram logo tirar as crianças, afastar os butijões e correr pra rua.
****
"Foram 200 barracos". "100". "250". "Uns 400". Escolha sua informação... É tudo estimado, tudo muito impreciso. Não sobram alicerces para serem contados. Não tem rua, não tem número.
"A prefeitura pretendia remover essa favela daí?". Oh yes, não tenham dúvida. Aquilo não é jeito de viver. "Até o fim do ano?". Quem dera! A população total de favelas do Jaguaré era, até algum tempo atrás, de 4 mil famílias. Um conjunto habitacional como o que foi inaugurado há pouco tempo recebe, com algum conforto, menos de trezentas famílias (se for com nenhum conforto, cabe muito mais, mas de novo isso não é jeito... Chega de prédio modelo pombal, pelamordedeus). Ou seja, você precisa de muitos empreendimentos para dar conta de todo o déficit (mesmo considerando que uma boa parte da favela não precisa de remoção, e sim de requalificação). Precisa de muitas áreas, muitos recursos, muito tempo - não se fazem prédios da noite para o dia.
"Então para onde vão as pessoas?"
Boa pergunta.
Um pernoite é algo que a gente tenta resolver de alguma maneira, mas para onde elas vão DEPOIS?
É com isso que estamos lidando agora (segunda-feira, 20:00).
E com o que vamos lidar nos próximos dias, semanas...
Oh god. Déficit de moradia é uma das coisas mais complicadas com que lidar no Brasil. E não é só construir, não é só ter terreno, não é só oferecer crédito, baratear o material de construção, arrumar abrigo... É uma combinação de muitas coisas diferentes, difíceis a médio prazo (senão algum governante milagroso já teria acabado com as favelas em algum lugar do país), megadifíceis da noite para o dia.
Longa noite, longo dia...
***
Amanhã conto mais algumas coisas. Sobre a solidariedade e o oportunismo. Sobre o que funciona muito bem e o que precisa ser reformulado. Sobre os personagens curiosos das favelas de São Paulo.
(Hoje choveu a cântaros aqui. O mesmo milagre que poupou todas as vidas fez com que a noite ontem fosse enluarada).
Às oito e pouco, liguei o celular - que não parava mais de apitar, de tantas mensagens não lidas na caixa postal. Umas quinze. Todas com o mesmo recado: "Incêndio outra vez".
****
A Lylian tentou brincar para aliviar a tensão - "O Nero tá solto na Lapa". Só que, ao contrário do princípio de incêndio no Bourbon no sábado à noite, sem gravidade, dessa vez a coisa era feia. A TV mostrava as labaredas. Era fogo na favela, um dos mais difíceis de controlar.
Barracos de madeira, fiação acochambrada, pouquíssimo espaço livre, butijões de gás... O fogo se delicia com tanta alimentação. Os bombeiros chegaram logo, mas o fogo foi muito mais rápido que eles. Por milagre, ninguém se machucou gravemente.
Conseguiram logo tirar as crianças, afastar os butijões e correr pra rua.
****
"Foram 200 barracos". "100". "250". "Uns 400". Escolha sua informação... É tudo estimado, tudo muito impreciso. Não sobram alicerces para serem contados. Não tem rua, não tem número.
"A prefeitura pretendia remover essa favela daí?". Oh yes, não tenham dúvida. Aquilo não é jeito de viver. "Até o fim do ano?". Quem dera! A população total de favelas do Jaguaré era, até algum tempo atrás, de 4 mil famílias. Um conjunto habitacional como o que foi inaugurado há pouco tempo recebe, com algum conforto, menos de trezentas famílias (se for com nenhum conforto, cabe muito mais, mas de novo isso não é jeito... Chega de prédio modelo pombal, pelamordedeus). Ou seja, você precisa de muitos empreendimentos para dar conta de todo o déficit (mesmo considerando que uma boa parte da favela não precisa de remoção, e sim de requalificação). Precisa de muitas áreas, muitos recursos, muito tempo - não se fazem prédios da noite para o dia.
"Então para onde vão as pessoas?"
Boa pergunta.
Um pernoite é algo que a gente tenta resolver de alguma maneira, mas para onde elas vão DEPOIS?
É com isso que estamos lidando agora (segunda-feira, 20:00).
E com o que vamos lidar nos próximos dias, semanas...
Oh god. Déficit de moradia é uma das coisas mais complicadas com que lidar no Brasil. E não é só construir, não é só ter terreno, não é só oferecer crédito, baratear o material de construção, arrumar abrigo... É uma combinação de muitas coisas diferentes, difíceis a médio prazo (senão algum governante milagroso já teria acabado com as favelas em algum lugar do país), megadifíceis da noite para o dia.
Longa noite, longo dia...
***
Amanhã conto mais algumas coisas. Sobre a solidariedade e o oportunismo. Sobre o que funciona muito bem e o que precisa ser reformulado. Sobre os personagens curiosos das favelas de São Paulo.
(Hoje choveu a cântaros aqui. O mesmo milagre que poupou todas as vidas fez com que a noite ontem fosse enluarada).
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Estupendo mau humor
Saí de casa (e fiquei meia hora na cadeira do dentista) remoendo três problemas (entre muitos outros) que estou tentando resolver desde FEVEREIRO e até agora não desencantaram. Esses casos são especiais porque na verdade são três SOLUÇÕES; tem recurso financeiro para botá-las em prática e mesmo assim a coisa NÃO ANDA. Não anda por que? Porque vai, vem, vai de novo, vem, falta um número, uma vírgula, precisa entrar na pauta da reunião da comissão não sei do que no mês que vem, precisa da resposta de fulano, fulano saiu de férias, a reunião da comissão foi adiada, e vai, e vem...
***
Nessa beleza de espírito, fui à abertura do Seminário Município Verde Azul no Auditório Elis Regina. Lá encontrei o estacionamento mais caro do universo: carro paga R$25,00, moto paga R$15,00. E o problema não era só o preço: para descobrir “onde é que eu pago”, demorei uns dez minutos. Depois de alguém me informar que “é lá na catraca”, subi na moto e fui. E voltei. “A senhora estaciona ali, desce por aquela rampa, vai lá embaixo...”. Sim, tive de voltar para trás e andar uns 300 metros até o caixa – meio escondido, sem sinalização nenhuma. E pagar R$15,00 por cerca de 30 minutos.
***
Lá dentro, reclamações. 1) “Aquela praça de onde vocês tiraram a banca de flores está um lixão”! Eu já não queria tirara a banca de flores, mas ela não tinha TPU, fazer o que? Removida a banca, ficaram vestígios da sua existência. Não propriamente um lixão, mas ta feio. Eu mesma passei lá e fiquei incomodada. Por isso respondi “eu sei”. O homem que fez a reclamação se espantou: “Sabe??”. Com se dissesse “sabe e não fez nada?”. A minha reação foi a pior possível. Nem vou dizer o que eu disse, mas era na base do “o que você quer que eu faça? Tenho duzentas mil praças, meia dúzia de equipes, fiquei sem dinheiro por quinze dias!”. Um horror. Espanei geral.
Depois procurei o homem para pedir desculpas, mas ele já não estava mais.
***
Depois vem um colega comentar comigo: “A Lapa tem 12 mil SACs? Você precisa dar um jeito nisso; com certeza não são 12 mil pedidos... Se filtrar, você vai ver que tem muita coisa repetida, muito serviço já realizado em que não deram baixa...”
Ele tem razão; o gerenciamento do sistema é pavoroso. Eu já constatei várias solicitações atendidas constando como “em aberto”. Em compensação, também já vi SACs em que deram baixa e o serviço não foi realizado, apenas “encaminhado para o setor competente”.
Assim, mal humoradíssima, disse que é possível, sim, que eu não tenha 12, mas tenha 6 mil pedidos... Só de árvores aguardando poda ou remoção eu tenho mais de 3 mil... (Já descontadas as redundâncias!)
***
“Passei outro dia lá na Doze de Outubro e aquilo está um horror!”, foi outro comentário.
Mas a gente se esforça tanto para combater o comércio irregular que às vezes eu tenho de chamar o pessoal e reorganizar o serviço para evitar excessos... Todo dia aparece alguém aqui desesperado pedindo “me deixem trabalhar”... A gente tenta ajudar, mas nem toda ajuda é possível ou está ao meu alcance... Em compensação, espancaram um funcionário nosso – nem todo mundo vem aqui tentar conversar numa boa. Um senhor magrinho, querido, que sequer participa das apreensões. Ou seja, estamos apertando, ajustando, tentando arrumar. Mas...
Mas toda vez que eu passo na frente do Mercado da Lapa vejo umas dez bancas de DVD pirata. E se eu não ligar e pedir para alguém por favor fazer alguma coisa, eles ficam lá.
Precisa que eu veja, ligue, peça...
SACO.
***
Estou atrasada para outro compromisso.
SACO.
***
Nessa beleza de espírito, fui à abertura do Seminário Município Verde Azul no Auditório Elis Regina. Lá encontrei o estacionamento mais caro do universo: carro paga R$25,00, moto paga R$15,00. E o problema não era só o preço: para descobrir “onde é que eu pago”, demorei uns dez minutos. Depois de alguém me informar que “é lá na catraca”, subi na moto e fui. E voltei. “A senhora estaciona ali, desce por aquela rampa, vai lá embaixo...”. Sim, tive de voltar para trás e andar uns 300 metros até o caixa – meio escondido, sem sinalização nenhuma. E pagar R$15,00 por cerca de 30 minutos.
***
Lá dentro, reclamações. 1) “Aquela praça de onde vocês tiraram a banca de flores está um lixão”! Eu já não queria tirara a banca de flores, mas ela não tinha TPU, fazer o que? Removida a banca, ficaram vestígios da sua existência. Não propriamente um lixão, mas ta feio. Eu mesma passei lá e fiquei incomodada. Por isso respondi “eu sei”. O homem que fez a reclamação se espantou: “Sabe??”. Com se dissesse “sabe e não fez nada?”. A minha reação foi a pior possível. Nem vou dizer o que eu disse, mas era na base do “o que você quer que eu faça? Tenho duzentas mil praças, meia dúzia de equipes, fiquei sem dinheiro por quinze dias!”. Um horror. Espanei geral.
Depois procurei o homem para pedir desculpas, mas ele já não estava mais.
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Depois vem um colega comentar comigo: “A Lapa tem 12 mil SACs? Você precisa dar um jeito nisso; com certeza não são 12 mil pedidos... Se filtrar, você vai ver que tem muita coisa repetida, muito serviço já realizado em que não deram baixa...”
Ele tem razão; o gerenciamento do sistema é pavoroso. Eu já constatei várias solicitações atendidas constando como “em aberto”. Em compensação, também já vi SACs em que deram baixa e o serviço não foi realizado, apenas “encaminhado para o setor competente”.
Assim, mal humoradíssima, disse que é possível, sim, que eu não tenha 12, mas tenha 6 mil pedidos... Só de árvores aguardando poda ou remoção eu tenho mais de 3 mil... (Já descontadas as redundâncias!)
***
“Passei outro dia lá na Doze de Outubro e aquilo está um horror!”, foi outro comentário.
Mas a gente se esforça tanto para combater o comércio irregular que às vezes eu tenho de chamar o pessoal e reorganizar o serviço para evitar excessos... Todo dia aparece alguém aqui desesperado pedindo “me deixem trabalhar”... A gente tenta ajudar, mas nem toda ajuda é possível ou está ao meu alcance... Em compensação, espancaram um funcionário nosso – nem todo mundo vem aqui tentar conversar numa boa. Um senhor magrinho, querido, que sequer participa das apreensões. Ou seja, estamos apertando, ajustando, tentando arrumar. Mas...
Mas toda vez que eu passo na frente do Mercado da Lapa vejo umas dez bancas de DVD pirata. E se eu não ligar e pedir para alguém por favor fazer alguma coisa, eles ficam lá.
Precisa que eu veja, ligue, peça...
SACO.
***
Estou atrasada para outro compromisso.
SACO.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Aleluia VI
Quinta-feira, 1 de outubro
2009-0.016.667-0
A SUBPREFEITA DA LAPA, no uso das atribuições que lhe foram conferidas pela Lei Municipal nº 13.399/2002, RESOLVE:
1. REATIVAR o Termo de Contrato nº 003/SP-LA/2008,celebrado com a empresa “A. TONANNI CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA.” - CNPJ Nº 50.583.954/00001-42, que tem
como objeto a prestação de serviços de poda e remoção de árvores, através de 03 (três) equipes - Tipo “B”, a partir de 01/10/2009.
2. Em razão da suspensão havida o vencimento do Termo de Contrato nº 003/SP-LA/2009 será em 04/10/2009.
2009-0.016.667-0
A SUBPREFEITA DA LAPA, no uso das atribuições que lhe foram conferidas pela Lei Municipal nº 13.399/2002, RESOLVE:
1. REATIVAR o Termo de Contrato nº 003/SP-LA/2008,celebrado com a empresa “A. TONANNI CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA.” - CNPJ Nº 50.583.954/00001-42, que tem
como objeto a prestação de serviços de poda e remoção de árvores, através de 03 (três) equipes - Tipo “B”, a partir de 01/10/2009.
2. Em razão da suspensão havida o vencimento do Termo de Contrato nº 003/SP-LA/2009 será em 04/10/2009.
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