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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Você sabe quanto custa o gás?

Um botijão vazio sai por R$160,00.

"Tem até por $20, mas aí não compro não", disse a Nena, da Associação Futuro Promissor.

"Não dá pra se arriscar comprando alguma coisa meia boca, né?".

"Não é por isso não, é porque é roubado".

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Foi a única que se preocupou com isso. Uma liderança comunitária digna de medalha de honra ao mérito. Não que outras mais "flexíveis" não tenham também muito valor, mas quando você teima em certos princípios (tipo "não recorrer à bandidagem"), a maratona vira prova de IronMan.

TODO mundo pra quem perguntamos se tinha botijão vazio para doar ou emprestar respondeu: "Você encontra por R$40/R$20/na Feira do Rolo".

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Por coincidência, ontem vieram pedir ajuda para conseguir um botijão de gás duas mulheres que não se conhecem mas estão exatamente no mesmo pé: acabaram de se separar de maridos violentos e estão recomeçando do zero. Ou melhor, precisam se esforçar para chegar ao zero, inclusive porque ficaram com filhos para cuidar sozinhas (grande novidade).

As duas são lá da ZN de São Paulo: Brasilandia, Cachoeirinha, por ali.

Uma apanhava do marido a torto e direito. Trouxe o irmão do Rio Grande do Norte para ajudar na sua proteção, mas ele "entrou na pedra e ainda batia nela junto com o marido". Se ela denunciasse, ele "acabava com ela". Uma vizinha pediu socorro onde sabia que ia encontrar: no crime. Deram um pau no cara, juraram, ela se viu livre do traste mas está sem nada. Consegue uma coisa daqui, outra dali, agora precisa de um botijão de gás.

A outra "fez o marido, assim dizer: ela carregou a pizzaria nas costas. Se hoje ele tem alguma coisa, é por causa do trabalho dela". Ele também "batia feio" na mulher, "até na frente dos clientes ele humilhava ela". A muito custo conseguiu se separar, mas ficou apenas com um imóvel ~gentilmente~ cedido em um predio simples no Jardim Paulistano e o filho. De resto, NADA NADA NADA. "A roupa do corpo". Algumas coisas já conseguiram, mas o bendito botijão de gás ainda não.

- Ela tinha que por ele no pau. Nem pro filho ele dá nada?!
- Ele diz que mata ela.
- Claro que diz. Foda-se, vai pra cima.

Não, Sonia, você não está entendendo. Não é aquele falar grosso de homem folgado que ameaça a mulher para que ela se encolha (o que já é bem grave). "Ele fala pra ela: Já matei uma, não me custa nada. E matou mesmo a ex-mulher dele. Era quando ele tava na cadeia que essa montou e manteve a pizzaria que hoje sustenta ele. Fora as casas de aluguel que ele tem".

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Bom, se alguém tiver um botijão de gás para doar... Manda um email que a gente dá um jeito de ir buscar: rp@soninha.com.br

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(No bairro onde eu moro tem gás encanado. MUITO mais barato, MUITO mais prático. Será que existe alguma meta de canalização para a cidade toda??)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A indecência das bandeirinhas

Não as que marcaram impedimentos inexistentes para fúria de alguns.

Não as que posaram nuas, para a fúria dos mesmos ou de outros.

As da conta de luz.

Quer dizer então, cidadão, que o governo fez o PAC 1, o PAC 2, o PAC Mobilidade, o PAC Copa do Mundo, o PAC Energia, o PAC infraestrutura, o PAC KCTA4 e agora ele gentilmente avisa na conta de luz: "a infraestrutura de energia avançou bosta nenhuma, então se prepara aí que de vez em quando a tarifa fica mais cara ainda"??

Botar a bandeirinha vermelha quando aumenta o uso de térmicas - que são mais caras e, como se não bastasse, mais poluentes - para que o cidadão saiba que é melhor economizar é tão descarado, tão torpe...

VOCÊ banca as obras das mega-hidrelétricas carésimas e discutíveis. Jirau, Santo Antonio, Belo Monte. VOCÊ arcará com os danos ambientais irreversíveis. E você arca com o custo adicional do uso das térmicas quando o sistema hidrelétrico não der conta.

Pras distribuidoras de energia, é um negocião. Se chove ou não chove, se precisa recorrer a esta ou aquela fonte, tanto faz, o pobrema é do fregueiz. Ele que economize, ué.

Ai Brasil... Tu não aprende.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Mais um (dia)

Cinco horas de reunião do partido - só amando política mesmo. Foi ótima, amanhã tem mais. E depois de amanhã.

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Havia umas quarenta pessoas na reunião da Executiva Nacional, talvez um pouco mais. Umas vinte pediram a palavra ao longo de todos os pontos da pauta. Dentro de um grupo desse tamanho, composto por pessoas com muita afinidade (presumivelmente), eu ouço alguns oradores e adoro, concordo, vibro; de outros, discordo de quase tudo. Imagine que pretensão maluca é ter quinhentas mil, um milhão de pessoas (membros de um partido) que se entendam e concordem no país todo. Que desafio enorme é debater, argumentar, tentar persuadir, fazer ou não fazer concessões, disputar no voto se for o caso e, ao fim, tomar decisões que o partido todo deve seguir - projetos a curto, médio e longo prazo; construção de candidaturas; posições sobre temas em discussão na sociedade e no Congresso. Quando um partido é de verdade e não um ajuntamento ou uma seita, é muito difícil. E rico. E bonito. #adoro.

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Voltei pra casa escutando a Voz do Brasil (quantas pessoas será que escutam esse troço?). Ouvi o (Edison) Lobão dizendo que o país tem um belíssimo estoque de energia, que a situação dos reservatórios "deve melhorar" porque agora, com a temporada das chuvas, "deve subir o nível", e que nos próximos meses novas hidrelétricas "devem funcionar".

Disse que os primeiros reatores de Jirau devem começar a funcionar daqui a dois ou três meses. E que outras hidrelétricas "devem começar a funcionar também".

Disse, para provar que estamos atentos e seguros, que em outubro já tínhamos recorrido às termelétricas.

E que "a redução de 20% nas contas de luz" continua valendo e começa a vigorar em fevereiro.

Anotado.

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(O governo cansou de defender Belo Monte - aquela aberração - dizendo "vocês preferem o que, as termelétricas?").

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A Embratur está com um programa muito legal - muito pequenininho para o tamanho e necessidades do Brasil, mas melhor que nada - que vai mandar 30 jovens para conhecer alguns lugares dos Estados Unidos,  aprender sobre o país e falar do Brasil, sua cultura, seus destinos turísticos. Eles estão em êxtase, claro. Foram escolhidos por serem estudantes de destaque em escolas públicas.

Lembrei das cotas.

Depois volto a isso. Outro dia.

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Também ouvi o Ministro da Saúde (alô Ministério, cadê a resposta da minha pergunta à Ouvidoria?) falar sobre o Edital do Provab, programa que vai conceder incentivos para que médicos recém-formados trabalhem em locais distantes dos grandes centros. Os selecionados vão receber uma bolsa de 8 mil reais e, se tiverem bom desempenho, um bônus quando fizerem prova de Residência em especialidades. "Se ele quiser ser dermatologista, ou cirurgião plástico, terá uma vantagem muito boa quando fizerem a seleção para a Residência".

Não é que a ideia seja de todo ruim, massss... Não é a primeira vez que se oferecem vantagens financeiras para quem se disponha a trabalhar longe. Isso é feito faz tempo nas periferias dos grandes centros e também nos rincões do Brasil. Nem sempre funciona. Por que? 1) Se as condições de trabalho forem muito ruins, nem com dinheiro se consegue atrair um médico. 2) Se o cabra aceitar só porque o dinheiro é bom, qual será a qualidade do atendimento prestado? (Conheço várias histórias de gente que foi "suportar" o trabalho porque ia juntar dinheiro em pouco tempo e depois voltar. Não é a melhor das motivações). 3) Continuando o item anterior - a maior dificuldade hoje em dia é conseguir clínico geral e médicos de determinadas especialidades, como pediatras e geriatras. Se o interesse do profissional é fazer cirurgia plástica, que tipo médico ele será na atenção básica?

Eu estou de má-vontade, admito. Mas não é porque é o @padilhando (de quem não sou mesmo fã), porque é PT etc. É porque conheço o serviço público e suas dificuldades...

Em 2008 eu falei algumas vezes durante a campanha: tem de chegar o dia em que a gente não vai precisar pensar "Como levar médicos para Cidade Tiradentes?". Na Cidade Tiradentes haverá médicos. Nascidos lá, criados lá, morando lá. E no interior do Acre, Rondônia, etc. Nem que eles tenham de sair de lá para cursar Medicina em outro lugar - normal. Mas não ter de inventar prêmios em dinheiro para quem se "submeter" a isso.

(Por outro lado, tenho certeza que muitos estudantes de Medicina e médicos recém-formados tem paixão por trabalhar em lugares assim. Precisamos ver como dar condições a eles).

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O Ministério da Pesca anunciou que a partir de agora a a identificação profissional dos pescadores será uma carteira de plástico, não mais os documentos em papel usados até hoje. Declaração de um pescador, feliz com a novidade: "A carteira estraga fácil com a água, fica num estado muito ruim, as pessoas olham e até desconfiam que é falsa.". Eita. Até hoje não tinham pensado nisso? #imaginaoresto.

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Na Voz de ontem, ouvi o Jucá dizendo que "a oposição não tem o direito de colocar em xeque a política econômica da presidenta Dilma, que está distribuindo renda bla bla bla". Ok, o líder do governo é um Parlamentar que tem o direito de dizer o que quiser, mas pelamor, "a oposição não tem o direito"??? Pra piorar, opositores não estavam discutindo a política econômica em si, mas exigindo do Guido Mantega explicações sobre a manobra (maracutaia) fiscal para transformar resultado negativo em positivo. A oposição não tem o direito de exigir explicações? Oi?

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Fui. Partiu. Boa noite.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Mau humor vespertino

O mau humor bateu de manhã, como sempre, ao dar uma olhada no noticiário. Eu que só vim para o blog agora.

A Folha de São Paulo de hoje conseguiu fazer uma manchete de primeira página que isenta a presidenta de  responsabilidade pelo caos energético no Brasil.

"Escassez de luz faz Dilma convocar o setor elétrico"

Primeiro, a escolha da palavra "escassez". Neutra. Demais. Governistas podem achar que é até forte, "como assim escassez, não é caso pra tanto". Mas é uma palavra que remete à contingências, mais usada para se referir a forças da natureza. Escassez de chuvas, escassez de alimentos... Enfim, não é uma palavra crítica, como "problemas", "crise", "risco", "ameaça". Aliás, o "risco de apagão" está ali - em letras pequenas.

Capa de jornal é decidida com muito cuidado. Nada é sem querer.

Aí a escassez, que parece obra da natureza, faz Dilma "convocar setor elétrico". Nenhuma palavra do título dá a menor, a mais remota ideia que o governo tem responsabilidade sobre a situação. Parece que Dilma, preocupada com algo que mal é da sua conta, teve que se mexer senão ninguém o faria.

ZERO contundência. Como se o problema não fosse muito grave. Como se Dilma não fosse triplamente responsável pelo estado das coisas, tendo sido Ministra de Minas e Energia, a gerenta do PAC e seu espetacular cronograma de obras de infraestrutura, e, oras, atual presidenta, herdeira do próprio legado.

"Dilma convoca setor elétrico". Puxa, valeu! Assim é que se faz! Mostra pra eles, Dilma!

F.

(Eles faziam tanta questão de usar "setor elétrico" que tiveram de inventar uma expressão meio tosca, "escassez de luz". Se fosse "convoca ministro" seria melhor, embora continuasse dando a impressão de que ela bateu a mão na mesa e é a tal. É release de agenda. Não precisa ser uma Veja, mas assim também não dá. A Folha tem muito medo de patrulha, impressionante).

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A matéria, ao menos, é crítica. Começa assim:


Racionamento de luz acende sinal amarelo

Pouco depois de descartar problema, Dilma chama reunião de emergência por causa de nível baixo dos reservatórios

Participantes tiveram que cancelar agendas; técnicos criticam governo e veem risco 'acima do prudencial'


Dez dias depois de dizer que é "ridículo" falar em racionamento de energia, a presidente Dilma Rousseff convocou reunião de emergência sobre os baixos níveis dos reservatórios, para depois de amanhã, em Brasília.
A reunião foi acertada entre Dilma, durante suas férias no Nordeste, e o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, que a presidirá. Balanço e propostas serão levadas diretamente à presidente.

Alguma dúvida de que a chamada de capa é bem mais suave do que o texto em si?? A foto que ilustra a capa é forte, mas se a presidenta "sounds like" a salvadora, tanto pior.

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E essa agora? São 4 notícias sobre economia. TRÊS ruins. A que aparece em destaque, com letras maiories, é a única com "viés positivo".



Aí teve a reportagem sobre os cinco pronto-socorros que ficaram sem médicos no Distrito Federal. Sem apurar direito, a Globo decidiu: foi por causa da prova de residência médica. O funcionário de uma das unidades disse que esse era um fim-de-semana peculiar por causa dessa prova, que estaria sendo feita por vários profissionais. Ouvido, o Secretário de Saúde disse que não tem nada a ver; que a prova de residência é para quem quer entrar no serviço médico, não para quem já está lá. E... PRONTO, acabou a apuração. Um diz, o outro diz, fim. Problema seu descobrir quem tem razão, se os médicos faltaram porque foram fazer mesmo a prova ou faltam sempre...

Tá mais no que na hora de por em pauta a assiduidade de funcionários públicos, especialmente das áreas de Saúde e Educação, onde muitos, como o neurocirurgião que deu cano no plantão de Natal, alegam "falta de condições" (e podem até ter razão!) e... não vão trabalhar. E... fica por isso mesmo. Os estatutos de servidores permitem um número x de faltas abonadas, não justificadas e o escambau.

Imagine se isso valesse para motoristas de ônibus, se policiais e merendeiras e faxineiras se utilizassem do mesmo expediente, se o lixeiro simplesmente não fosse trabalhar em protesto contra a escala injusta.

Que se organizem, protestem, processem o Estado, o diacho. E, em último caso, paralisem o serviço - atendendo, pelo amor de Deus, às determinações da Justiça quando ela estipular a porcentagem mínima de atendimento obrigatório.

Que, se bobear, será maior do que os atendimentos oferecidos "normalmente".

Não estou isentando a responsabilidade dos governos não - até porque "batem" pouco, muito pouco nas administrações Cabral, Agnello... Qdo falam em violência nas cidades-satélite também parece que é um fenômeno social sobre o qual o governo não tem culpa nenhuma. Mas não há governo no mundo que sustente um serviço público de qualidade sem servidores comprometidos. Se o trabalho é insuportável, pede pra sair.

***
Por que de uns tempos pra cá a Rota virou a tropa "de elite" da polícia de São Paulo? Quem começou com isso? É como o comando passou a se referir a ela ou foi a mídia que espontaneamente a denominou assim?

Eu, hein.

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Para evitar que os apresentadores no estúdio entrassem sorrindo depois de uma matéria triste ou coisa parecida, começaram a adotar cada vez mais o hábito salutar de comentar na volta do VT. Agora virou obrigação e eles falam qualquer coisa só pra não passar em branco em horas em que não precisava/ era melhor não falar. Dão aquela risada forçada, dizem "parabéns!" como se estivessem acrescentando alguma coisa... Qdo eu escrevia para os VJs da MTV, ou já previa um texto para o "desanuncia" - "Essas imagens do final são uma citação ao filme tal..." - ou conversava antes com o VJ ("Vc já viu o clipe? Lembra como é a sequencia final? Tem alguma coisa que você gostaria de dizer sobre ela ou posso te passar uma informação?").

Tem horas que eu tenho saudade de trabalhar em televisão. Nos bastidores. 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Mais energia



00:22 "Você está confundindo duas coisas, minha filha"...

(Comentário postado no vídeo: "Dilma chama a repórter de burra e tenta enganar a todos. Racionamento = Distribuição em quantidades limitadas. Apagão=Blecaute. O que tivemos foi um blecaute ou apagão").



2:11 "Nós hoje voltamos a fazer planejamento"

(E esse governo acha bonito fazer mega usinas na Região Norte (Jirau, Santo Antonio, Belo Monte), a custo socioeconômico-ambiental altíssimo, e depois puxar milhares de km de linhas de transmissão "de Porto Velho para São Paulo").

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Por que faltou luz em NOVE estados ontem? Porque houve UM problema em UM equipamento.

Ministro interino confirma causa de apagão

Beleza de sistema

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Nota no site do Ministério das Minas e Energia: "Perturbações envolvendo o suprimento de energia elétrica".

"Perturbações".

Longa vida ao tucanês.

Falta energia

Não em mim. (Não agora).

Falta no país. Falta à presidente. E falta, às vezes, à oposição - que não precisa ser desonesta como o PT foi muitas vezes antes de ser governo, como ainda é muitas vezes na oposição, mas ágil como ele ainda é. Organizado, escandaloso, barulhento.

Imagine se falta energia DE NOVO, e em NOVE ESTADOS dessa vez, em um governo ao qual o PT fizesse oposição. Nossa.

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Mas Lula - que, segundo a Marta, é deus - tem o poder de absolver os pecados. Ou de vender indulgências.

Se o elemento é reacionário, membro das elites perversas, mas hoje é aliado... Tá perdoado.

Se é incompetente mas é "nosso"... Qualquer problema de sua alçada será culpa dos outros. (Da oposição golpista - é importante repetir várias vezes; funciona).

Dois momentos na vida de Lula e Lobão, Ministro das Minas e Energia nos governos Lula/Dilma.






A culpa agora deve ser das "aves de mau agouro".

E o Lobão lá, firme.

#tiraDilma

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(Nos próximos capítulos, mais recordações sobre Lula e desafetos/ inimigos/aliados).

terça-feira, 19 de junho de 2012

♫ ♪ Todos juntos vamos, pra frente Brasil! ♪ ♫

Essas cúpulas de países podem ter muita utilidade no sentido de "raise awareness", isto é, elevar o grau de conhecimento, percepção e consciência sobre determinado tema ("awareness" é uma palavra mto legal, sem tradução exata em Português). A mídia fala, a sociedade civil organizada se manifesta (a desorganizada fica meio por fora, como sempre :oP), especialistas são ouvidos, políticos e governantes são cobrados.

Mas o "documento final", sinceramente, não vale quase nada. Para um texto ser aprovado por consenso, tem de ser desidratado, isto é, chocho, café-com-leite, conservador. Ou não tem consenso, óbvio!

Ademais (nossa, acho que nunca disse "ademais"), que adianta assinar os documentos, não cumprir nada e não ter sanção alguma? O Brasil é signatário de uma penca de Tratados Internacionais e só se compromete de verdade com os que bem entende. Uma vez, fuçando muito nos sites do governo federal, encontrei a lista completa de tratados e convenções.

***
Mais uma vez, por ocasião de uma conferência de meio ambiente, caem por terra a máscara, as falácias da propaganda ufanista do governo federal, porque nessas ocasiões protestamos "NÃO SOMOS RICOS! SOMOS POBRES E SUBDESENVOLVIDOS!". Isso porque cobramos, dedo em riste e cenho franzido, que os "países desenvolvidos" paguem a conta dos investimentos necessários para reduzir nossa pegada ecológica.

1 - É verdade! Somos subdesenvolvidos! Educação de m.,  Saúde péssima, Saneamento Básico abaixo da crítica, Infraestrutura do século retrasado - exceto pelos trens, que estavam mais avançados naquela época.

2 - "Os ricos destruíram tudo e agora querem que a gente preserve". Deixa eu entender: os governantes de hoje reivindicam o direito de praticar aquilo que SABEMOS que são erros graves, porque lá atrás os europeus fizeram a mesma coisa? Ah, então vamos escravizar e pretexto de alcançar o desenvolvimento, desmatar à vontade, enforcar criminosos em praça pública... Se eles fizeram isso tudo, por que a gente não pode fazer também?

3 - Os ricos se deram conta que daquele jeito (modelo Sec XVI, XVIII...) não dá e investem cada vez mais em modos sustentáveis de fazer as coisas - não os Estados Unidos em geral, porque esses são, na maioria, de uma arrogância inigualável. Mas os europeus, por exemplo, investem em energias renováveis, carros menos poluentes, tecnologias avançadas. Nem por isso estão ficando menos ricos.

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E o Brasil da economicamente viável e socioambientalmente responsável [NOT] Belo Monte (não aprovo o quebra-quebra não... :o( ), da ma-ra-vi-lho-sa transposição do São Francisco (barata, eficaz, bem-conduzida), da ex-ce-len-te política de mobilidade urbano ("compre já seu automóvel, pague se der!"), do reconhecimento do valor da floresta em pé (ô!), do rigor na aplicação da legislação ambiental (a-hã), da rede espetacular de Saneamento Básico (um orgulho!), do diesel limpo já a bastante tempo, do cerrado e mangues respeitados, da presidente que realmente se importa com o impacto ambiental de suas decisões, posa de LÍDER da sustentabilidade no mundo.

E nem fica vermelho.





quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Por que Belo Monte não?


- Porque é uma obra CARÍSSIMA - mesmo com todos os indícios, para dizer o mínimo, de que os custos estão subestimados.

- Porque o setor privado refugou do interesse e precisou entrar o BNDES para que as empreiteiras se interessassem pelo negocião – ainda assim, com o governo como sócio.

- Porque a real capacidade de geração de energia é motivo de controvérsias – pelo regime peculiar do Xingu, cuja vazão é dez vezes menor em época de seca, e pela previsão de diminuição do volume dos rios da Amazonia nos próximos anos em função das mudanças climáticas.

- Porque a população local, segundo previsões oficiais (e talvez subestimadas), vai DOBRAR em curtíssimo espaço de tempo. Já há imensa demanda não atendida pelos precários serviços públicos  e infraestrutura locais e a pressão sobre eles vai explodir. (Em um ano, os índices de violência em Altamira já aumentaram em 28%!)

- Porque com a absorção da população local na construção civil, falta mão-de-obra para a agricultura, que já não dá conta do abastecimento local (a comida lá vem de muito longe).

- Porque não tem cabimento desmatar uma área enorme naquela região - para acolher o aumento da população, a instalação de cimenteiras e outras fábricas, a construção do reservatório etc.

- Porque um reservatório enorme como esse (o terceiro maior do mundo) tem um impacto socioambiental brutal e existem alternativas hoje a esse modelo de “megausina”.

- Porque além do impacto do alagamento, há o “secamento” do rio depois da barragem, prejudicando os que vivem às margens do Xingu por muitos e muitos km adiante.

- Porque povos tradicionais serão afetados negativamente de maneira irreversível.

- Porque espécies animais serão extintas. Vegetais, possivelmente, também.

- Porque não é verdade que “sem Belo Monte, haverá uma catástrofe energética “, ou que a única alternativa a ela é a energia de alto carbono.

- Porque somente 3% da energia gerada será utilizada no próprio Pará. Isso significa, entre outras coisas, que a receita de ICMS – cobrado no consumo e não na geração – será baixíssima para tamanho impacto (mesmo considerando os royalties, que aliás variam conforme a energia gerada portanto caem muito na “seca”).

- Porque o processo de licenciamento foi repleto de inconstitucionalidades e a concessão de licença “parcial”, para início de instalação de canteiro de obras enquanto condicionantes NÃO foram atendidas, é uma aberração de fato e de direito.

***
Ontem, no debate no Setembro Verde da Matilha Cultural, documentário exibido mostrava uma liderança local falando do papel do ex-presidente Lula no processo: “O presidente veio aqui e garantiu que não ia enfiar o projeto goela abaixo. Mas puxa, a equipe dele de Energia não pensa como ele”.

Tadin’ do Lula, tão bem intencionado, cercado de gente tão malvada. [NOT]

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Belo Monte, Bela M.

Movimentos rechaçam licença parcial de Belo Monte concedida pelo Ibama
Karol Assunção - Jornalista da Adital


Movimentos e organizações que lutam contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), receberam, nesta semana, mais um golpe do Governo brasileiro. Na última quarta-feira (26), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu uma "Licença de Instalação Específica” que autoriza a construção de canteiros pioneiros e acampamentos da usina de Belo Monte.

A reação das organizações contrárias à usina não poderia ter sido outra: indignação. Antonia Melo, coordenadora do Movimento Xingu Vivo para Sempre, define a licença como "uma desgraça que o Governo assinou”. "A licença de instalação parcial é uma manobra do Governo para burlar a lei e avançar com as obras de construção”, afirma.

Uma nota emita pelo Ibama revela que a licença, além de permitir a construção dos canteiros pioneiros e acampamentos dos sítios Belo Monte e Pimental da usina de Belo Monte, autoriza ainda a empresa Norte Energia a "realizar outras atividades como implantar e melhorar as estradas de acesso e áreas para estoque de solo e madeira e realizar terraplanagem”. Outra ação permitida pela licença é a "supressão de vegetação de 238 hectares para a implantação do canteiro e acampamento do sítio Belo Monte”.

A indignação dos movimentos sociais não é exagero. A licença parcial concedida pelo Ibama não está formalmente prevista no licenciamento ambiental e, portanto, é considerada ilegal. Para a coordenadora do Movimento Xingu Vivo para Sempre, o documento é uma maneira de já começarem a construir a usina na ilegalidade. "Na verdade, eles já começam a construir a obra; iniciam a construção ilegalmente”, comenta.

O Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) também compartilha da opinião de que a autorização não respeita as leis brasileiras. Ontem (27), o órgão entrou com uma civil pública pedindo "a suspensão imediata” de tal licença. O MPF ainda pediu à Justiça Federal que suspenda a permissão de desmatamento concedida pelo Ibama e que impeça o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de "repassar qualquer tipo de recurso enquanto as ações civis públicas contra o empreendimento estejam tramitando, ou pelo menos enquanto as condicionantes não sejam cumpridas”.

Em nota, o MPF afirma que a licença "é totalmente ilegal porque não foram atendidas pré-condições estabelecidas pelo próprio Ibama para o licenciamento do projeto”. De acordo com o Ministério, até a última quarta-feira – data da emissão da licença -, pelo menos 29 condicionantes não tinham sido cumpridas.

Ações

Os movimentos sociais não ficaram calados diante da concessão da licença parcial. Ontem, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgou uma nota de repúdio à autorização. Mais de 60 organizações denunciam, também através de nota, os problemas que serão gerados por causa da construção de Belo Monte.

"Denunciamos a liberação de Belo Monte como um ato ditatorial da pior espécie. O Ibama afirma que se reuniu com ‘organizações da sociedade civil da região', mencionando nossos nomes. Nestas reuniões, deixamos claro o que pensamos da usina. Deixamos claro que não queremos seu lixo, seus tratores, sua poluição, sua violência, sua exploração, seu trabalho escravo, suas doenças, sua prostituição, suas poças de água podre e seu desmatamento nos nossos quintais (ou naquilo que nos restará de nossas terras e não nos for roubado pelo governo)”, apresentam.

De acordo com Antonia Melo, a ideia é que as ações cheguem a todos os lugares, principalmente às autoridades em Brasília. Segundo ela, no próximo dia 4, os movimentos sociais da Amazônia terão uma audiência com o ministro da Casa Civil para entregar documentos com as principais reivindicações.

Nos próximos dias, participarão de seminários e mobilizações para chamar atenção da sociedade para a questão de Belo Monte. "Queremos pedir que todos digam para o Governo brasileiro para parar com esse modelo de desenvolvimento”, solicita, chamando ainda a população a conhecer e a divulgar as consequências dos projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) voltados para a Amazônia. "Esses projetos trazem miséria, morte, todo tipo de violência e destruição”, afirma.

Além das notas, circulam na internet duas petições contra Belo Monte. Até agora, mais de 390 mil pessoas já firmaram os documentos. Para assinar, acesse:http://salsa.democracyinaction.org/o/2486/o/2486/l/por/p/dia/action/public/?action_KEY=4772 e https://secure.avaaz.org/po/pare_belo_monte/?vl
 
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Se o Xingu fosse um país, ele estaria TODO mobilizado, pressionando o governo federal para interromper esse processo ABSURDO, eivado de irregularidades e desonestidade. Mas o Brasil é grande demais, e infelizmente muitos de nós estão distantes fisicamente e não se dão conta DO QUANTO essa questão é importante para TODOS NÓS. Infelizmente, também, o governo federal fica distante demais das capitais mais populosas, onde grandes manifestações acontecem o tempo todo, onde emissoras de rádio e TV transmitem em rede nacional até mesmo acontecimentos banais, como acidentes de trânsito sem maior gravidade a não ser provocar um congestionamento na via expressa... Que PENA que o Xingu não é a Paulista ou Copacaba, a Marginal Tietê ou a Avenida Brasil, para ocupar o noticiário diariamente e realmente provocar um turbilhão de revolta que detivesse esse projeto absurdo de Belo Monte, com sua enorme área alagada, a extinção da Volta Grande do Xingu, o custo astronômico e o resultado incerto

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Itaberá 2

Hj os jornais comentaram a declaração do ministro Edison Lobão (ex-Arena e PDS, ex-PFL e DEM, atual PMDB) atribunindo o apagão à tempestade elétrica em Itaberá, sul de São Paulo. As moças do tempo concordaram que ali, sim, houve chuva forte, vendaval, raios.

Mas foi isso mesmo que causou o apagão??

No Bom Dia Brasil, o diretor do Operador Nacional do Sistema, Eduardo Barata, disse que "é possível, sim, que as condições climáticas adversas naquela região tenham sido causadoras de curto-circuitos". É "possível"! "Se foi uma descarga atmosférica que causou, isso não foi posicionado com certeza em nenhum momento. A origem desse curto pode ter sido das descargas, ventos que provocam o balanço da cadeia de isoladores e a chuva, que faz com que isolaradores se tornem condutores". Mas o ministro não teve dúvida, disse "foi um raio" e pronto!

Digamos que tenha sido. Afinal, "é possível". Perguntas:

1) Se os registros da ONS apontam claramente que houve um curto naquela linha de transmissão, por que demorou tanto tempo para que essa informação fosse conhecida? (Durante o Apagão, as autoridades só diziam "estamos tentando descobrir o que aconteceu").

2) Tendo havido o curto, o que foi feito para saná-lo? O que precisou ser substituído ou reparado?

3) O diretor da ONS diz que o sistema funcionou muito bem. Se as outras linhas de transmissão não tivessem sido todas desarmadas após a ocorrência do curto, teria havido danos graves a todo o sistema.

Peraê. Um sistema de segurança deve estar estruturado exatamente para evitar que o todo seja atingido quando há um problema com uma das partes. Se dá curto no chuveiro, queima o fusível/cai o disjuntor correspondente. Em casos de maior impacto, cai a "chave geral" - da sua casa, não do bairro todo, muito menos da cidade. O sistema tem suas cancelas, suas barreiras.

Se houve um curto nas três linhas de transmissão, é mais do que compreensível que elas caiam. Mas se todas as outras caíram também, é porque o isolamento de uma para outra não é adequado. Se toda vez que cair um raio em São Paulo (e o ministro diz que ali "tem muito raio", fica o Paraguai sem luz??

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Ontem, na Ana Maria Braga (é, eu vi um pedaço...), um especialista em infraestrutura (não consigo achar o nome dele) deu uma entrevista muito boa, crítica e sóbria, sobre nossa bendita infra. Explicou essa história de sistema interligado, que faz com que todas as pontas da rede sejam muito dependentes umas das outras. "Qdo você recebe energia na sua casa, pode estar vindo do Sul, do Centro-Oeste, do Norte... E se ocorre um problema em algum ponto da rede, ela é toda afetada.

Mais do que isso, há um problema de concepção. O governo está investindo em outras mega usinas na Amazônia. Para a energia gerada lá chegar ao resto do país, são milhares de quilômetros de linhas de transmissão. Por melhores que sejam os cuidados, ela está exposta a um sem-número de problemas - acidentes, atentados, sabotagens.

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Senti falta de entrevistarem a Marina Silva sobre isso. Os ambientalistas sempre ficaram de cabelo em pé com essas novas usinas (Santo Antonio e Jirau, no Rio Madeira), por várias razões. 1) Os estudos de impacto ambiental, hiper discutíveis (lembram do discurso do Lula sobre o "bagre" que atrapalhava o progresso? A condução do governo foi nessa linha - "não me venham com essas baboseiras de meio ambiente, o Brasil precisa crescer"); 2) O custo; 3) A existência de alternativas muito melhores.

Na época, o licenciamento das usinas foi considerado (mais) uma derrota da ministra do meio ambiente (achei um texto muito bom sobre isso aqui.

Em um evento em São Paulo (Seminário Produção Mais Limpa, organizado pelo vereador Natalini no Memorial da América Latina em 2008), alguns técnicos apresentaram um cálculo demonstrando que a economia que seria proporcionada pela substituição de chuveiros elétricos por aquecimento solar nos grandes centros equivaleria aos megawatts de energia a serem gerados pela futura Usina de Jirau...

Ou seja, temos IMENSAS possibilidades de depender menos de energia hidrelétrica - o que resultaria em menos custos, obras de menos impacto, menor necessidades das tais linhas megaquilométricas de transmissão. Mas os ambientalistas são sempre os chatos de plantão, que tem má-vontade e só querem atrapalhar o governo e os negócios.

E aí, vão entrevistar a Marina ou não vão? (Se alguém já entrevistou, desculpem, não vi).

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A culpa é de Itaberá

Hoje o Jornal Nacional entrou ao vivo da sala do Operador do Sistema de geração e transmissão de energia elétrica. Um painel mostra em tempo real o nível de consumo do sistema interligado - quantos megawatts estão sendo consumidos de hidrelétricas, termoelétricas, nucleares, energia eólica e sei lá mais o que. O repórter explica que não foram escalados operadores extras porque está tudo tranquilo - "Passado o horário de pico, o consumo se mantém em níveis aceitáveis e o sistema ainda tem muitos milhares de megawatts de capacidade". E encerraram o jornal dizendo "que bom, está tudo tranquilo e de volta à normalidade".

Peraê. E ontem a esta hora, como estavam as coisas? Tranquilas, eu suponho... Pouco depois, poft, caiu tudo. Como eles podem saber que não vai acontecer de novo hoje mesmo?

Ou será que ontem às oito da noite não estava nada tranquilo, e o tal painel mostrava um nível perigoso de consumo? (E ninguém tomou providência nenhuma, se é que seria possível tomar alguma assim na emergência)

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As primeiras hipóteses sobre as causas do apagão divulgadas pela imprensa foram: 1) Queda de um raio. 2) Queda de uma torre de transmissão por culpa de um vendaval.

Hoje, todas as moças do tempo dos jornais disseram que não havia nem sinal de tempestade naquela região. Será que alguém com responsabilidade sobre o sistema realmente chegou a cogitar essas causas ou a imprensa publicou o primeiro palpite que ouviu?

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O último apagão foi batizado com o nome do então presidente. Esse...?

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Lula disse que "nos últimos sete anos, o governo fez o equivalente a 30% de tudo o que foi feito nos últimos 123 anos em termos de energia, com forte investimento no setor de transmissão e também em modernização do sistema".

Não sei se foi mesmo feito "forte investimento no setor", mas essa medida dos últimos "123 anos" é sensacional. Eu tenho uns números assim também:

- Nos últimos vinte anos, o acesso à internet aumentou 120.000.000% em relação aos últimos dois milênios.
- Nos últimos cinco meses, os brasileiros usaram 450% mais o Twitter do que em todo o último século.

E por aí vai.

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O Ministro das Minas e Energia, Edison Lobão (ex-Arena/PDS, PFL-Democratas, atual PMDB), insiste no "acidente causado por mau tempo": "Segundo ele, "descargas atmosféricas, ventos e chuvas muito fortes na região de Itaberá, em São Paulo” causaram “um curto-circuito em três circuitos que levam as linhas de transmissão (da usina hidrelétrica de) Itaipu para Itaberá". (do site da BBC)

"Ele (o sistema) não é frágil, é forte, voltou em minutos em alguns Estados e em questão de poucas horas no Rio e em São Paulo", afirmou.
Mas Lobão reconheceu que as condições meteorológicas podem voltar a causar problemas do tipo.
"O Brasil é um dos países em que mais ocorrem estes fenômenos e aquela região (Itaberá) ainda mais."

Puxa, então fomos muito sortudos até agora! Se esse fenômeno acontece muito no Brasil, especialmente "na região de Itaberá", e até agora não tinha acabado a luz em cinco ou seis estados, Deus é brasileiro mesmo.

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Comentário de uma pessoa que encontrei hoje: "Muita gente falou 'ainda bem que não foi ás seis da tarde!'. Já pensou o caos? Milhões de pessoas ainda no trabalho, prédios de escritório cheios de gente, trânsito sobrecarregado sem semáforos funcionando... Foi um aviso de Deus pra ver se a gente toma jeito. Ele já deu muitas dicas, mas agora foi advertência por escrito!"

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Maldadezinha básica (fui criada em um partido que se divertia muito com elas, às vezes tenho umas recaídas): A Ministra da Casa Civil é a principal porta-voz do governo em todos os assuntos - transposição do São Francisco, crédito para moradia popular, obras do "PAC", meio ambiente... Mas, mesmo tendo sido justamente Ministra das Minas e Energia, não foi escalada para responder pelo governo desta vez...

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Declaração do reitor da Uniban sobre o Apagão: "A causa foi um curto e tudo que é curto tem de ser banido porque é mau". :o)