quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Pessoas

1- Animosidade

Um funcionário antigo da Subprefeitura, servidor de carreira, reclamou para mim de uma mudança desajeitada de sala. Foi em dia útil, de última hora, para um lugar muito pior do que o anterior... Ele estava revoltado. E, querendo dizer que não era comigo, frisou seu espanto: "E foi pessoal nosso". Dali a pouco, repetiu. "Foi o nosso pessoal".

Eu tinha entendido, mas quis tirar a dúvida. "Como assim pessoal nosso"?

"Pessoal da casa, servidor efetivo".

Não tem jeito. Quem chega de fora, ocupando os cargos de livre provimento, é visto com muita desconfiança. Porque toma o lugar de quem já estava; porque o cargo "de confiança" frequentemente é visto, pelos concursados, como um picareta, aproveitador, desqualificado. Alguém que está de passagem, interessado em tudo menos no trabalho.

Às vezes parece que eu trouxe um exército huno para a Subprefeitura - e foram, até agora, oito pessoas. Devem vir mais três ou quatro e olhe lá. Mas já se referiram ao "meu pessoal" como "essa turma toda aí", dando uma entonação de "esse bando de invasores". Longe de mim, talvez digam "essa panela", "essa curriola", "a patota do PPS".

Sendo que uma das pessoas mais próximas a mim vota no PT, no PSOL... Só votou no PPS no primeiro turno porque em mim ela confia, mas esse certamente não é o partido dela. Mas não tem jeito, tá todo mundo muito acostumado a esse jeito de fazer as coisas e fica sempre com um pé e meio atrás.

***
2- Estratégias

Dona Chica vive de invasão.

O filho tem apartamento em um conjunto habitacional, mas ele, ela, a nora, outra filha detêm o know-how de montar rapidamente barracos em áreas a serem desocupadas para que sejam indenizados quando o barraco for removido.

Todo mundo em área ocupada está cansado de saber que tem gente que faz isso, e a coisa mais fácil de verificar é se o barraco é "cenográfico" ou realmente habitado. Às vezes até pinta uma dúvida - aí um funcionário nosso, muito preocupado com a possibilidade de beneficiar um malandro ou prejudicar um miserável, desenvolveu algumas técnicas de verificação. Por exemplo, dá uma espiadinha no box e vê se tem roupa secando na torneira do chuveiro... O engraçado é ele ficar vermelho quando me conta isso (porque a roupa é sempre feminina). O não-engraçado é ver o jeito como as pessoas são capazes de viver.

Ele descarregou as fotos no computador da Sub; depois pego algumas delas para mostrar aqui.

15 comentários:

  1. Oi soninha, bom saber que vc assumiu a lapa (Só agora... ando meio desligado). Bem... te desejo muito sucesso neste novo trabalho trabalho (afinal seu sucesso ai é sorte pra toda uma população)...
    tudo de bom

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  2. Ai, as pessoas. Muito engraçada essa história do saber como dos cenógrafos (talvez porque eu estivesse ouvindo o tal de blip, cuja descoberta devo a Vossa Senhoria, dentre outras), mas a coisa em mim passou, não sei o exatamente o que, nem por quê. Talvez, veja a ironia, tenha sido o tal do blip, já que essa aproximação musical com uma comunidade de sons próximos, aliada a minha reinventada falta de tempo, desviaram minha atenção. E assim, uma vez mais, desisti. Assim como desisti de escrever depois de ler Neruda e Machado; desisti da música depois do Beethoven; da faculdade depois dos Caxias; da profissão depois de frequentar grandes escritórios; da política depois de acompanhar as sessões da Câmara, Senado, STF, e a última campanha pra prefeitura; de você, quando percebi que era viagem romântica de um meninote que leu blogs em excesso e assistiu muitos debates (rs); de entender a máquina, depois de passar um mês por aqui; e, finalmente, de comentar, porque me sinto inútil, e sei que o mundo tem melhores idéias. Aliás, ele precisa apenas de mais gente como você. É isso, já vai longa a despedida. Um forte abraço, minha cara.

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  3. Agora os servidores acham que podem se apossar da subprefeitura e decidir quem entra e quem sai... essa é boa. Deveriam respeitar a hierarquia e receber com humildade as indicações aos cargo de confiança. Senão daqui a pouco vão reclamar ao prefeito, dizer que a Soninha está tomando o lugar deles ehehe boa piada.

    Não tem que ter proteção nenhuma em cargo público. Tem é que seguir a lei e fazer a máquina fucionar direito.

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  4. Bom dia, srta. Soninha!

    Outra dica p/ saber se o barraco é novo, ver se os pregos e madeira são novos... madeira, até arruma-se usada... prego, geralmente usam novos... veja tb. embaixo do chão do barraco... se a cor da grama terra for igual ou próxima, foi montado recentemente...

    Andrey

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  5. Lamentável essa resistência em aceitar o novo, seja o novo ideia ou pessoa.Quem sabe uma conversa informal com toda a equipe ( concursados ou não ) possa amainar os animos. É péssimo trabalhar e ter que contar com pessoas que você sabe que estão com um pé atrás com o que está sendo feito. Quase ninguém gosta de modificações, quebra da rotina,etc. Acho super natural que você e, outros na sua situação, tragam pessoas "de fora" para ajudar a alavancar um programa de gestão.É normal até em empresas privadas. Espero que vocês consigam também superar mais essa pedrinha no caminho.

    Ontem fui levar minha colaboração para a mini-biblioteca.5 livros. Fui muito bem recebida e atendida.

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  6. Soninha parabéns pela atuação.

    Acredito que você ainda será prefeita de São Paulo. Enquanto não é, aproveite para aprender e imaginar soluções para a burocracia (sistema)que voce deve estar enfrentando na Sub Lapa. Quando você chegar lá, seria interessante propor uma reforma administrativa nos procedimentos da PMSP.

    Outra coisa. Você já viu esse projeto? (http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq104/arq104_03.asp) (Projeto Urbano Bairro Novo).

    Ao que parece, ele foi cancelado. É um belo projeto. Será que não existe possibilidade de ser implantado, ainda mais com a sua gestão na Sub Lapa?

    Parabéns novamente!

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  7. soninha como faço pra saber quem cuida da sub da região de interlagos?
    há algum outro subprefeito que tenha blog, seja aberto como você as novas mídias?

    enfim, sempre morei na zona oeste, grande parte da minha família mora por lá, e eu estou muito feliz de você estar cuidando dessa região, mas como há um ano moro por aqui gostaria de tentar fazer algo pela região, ou mesmo questionar algumas coisas que estão bem erradas.

    obrigada, laisk.

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  8. Ah, Soninha!

    Desde que Paulo Salim Maluco comandava essa Prefeitura que barnabé não vê aumento. Saúde tem. Educação é um saco sem fundo.

    Pro resto de nós o que sobra, além da pecha de vagabundos, folgados, mal humorados?

    Talvez falte a legenda: desmotivados, desacreditados, mal remunerados. Sem plano de carreira, sem plano de saúde, vistos como parte integrante dos bens patrimoniados... Bem, alguns até são, basta ver o número do RF... Começam com 1...rs

    E depois, Soninha, tu é a primeira do seu gênero. Quantos subprefeitos há ou houveram com coragem o bastante pra expor sua gestão?

    A experiência trouxe gestores que não usavam nem bons dias, que dirá falar, ouvir, esperar pro-atividades e espírito participativo.

    O mundo tá cheio de funcionários-holerite, com suas bundas gigantes nas cadeiras, usando todo o mínimo tempo que se dignam a fazer-se presentes para cuidar de seus próprios interesses. As pessoas reparam, caríssima Soninha, até nós, os barnabés, reparamos.

    Alguns comentam, alguns indignam-se, alguns acusam, mesmo que injustamente.

    Mas nem só de desconfiados vivemos e você sabe, não é? Ainda há luz no fim do túnel.

    Ainda há aqueles que sorriem no crachá.

    Não fique muito desconfortável com essa reação típica do Lost: nós e os "outros".

    Más impressões demoram a desaparecer, mesmo que você não tenha sido a reponsável pela "paisagem".

    No seu caso, não foi você quem deixou, muito diferentemente (para surpresa de muitos).

    Pode levar algum tempo pra mudar o cenário, mas você está só "aquecendo", certo?

    Você consegue!!!

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  9. A FÁBULA DA GALINHA VERMELHA

    Ficou mais conhecida quando foi divulgada por Ronald Reagan, nos anos 70, quando era presidente: reduziu a carga tributária e conseguiu aumentar a arrecadação nos EUA. A história da galinha vermelha que achou alguns grãos de trigo e disse a seus vizinhos:

    - Se plantarmos trigo, teremos pão para comer. Alguém quer me ajudar a plantá-lo?'
    - Eu não. Disse a vaca.
    - Nem eu. Emendou o pato.
    - Eu também não. Falou o porco.
    - Eu muito menos. Completou o ganso.
    - Então eu mesma planto. Disse a galinha vermelha.

    E assim o fez. O trigo cresceu alto e amadureceu em grãos dourados.
    - Quem vai me ajudar a colher o trigo?' Quis saber a galinha.
    - Eu não. Disse o pato.
    - Não faz parte de minhas funções. Disse o porco.
    - Não depois de tantos anos de serviço. Exclamou a vaca.
    - Eu me arriscaria a perder o seguro-desemprego. Disse o ganso.
    - Então eu mesma colho. Falou a galinha, e colheu o trigo ela mesma.

    Finalmente, chegou a hora de preparar o pão.
    - Quem vai me ajudar a assar o pão? Indagou a galinha vermelha.
    - Só se me pagarem hora extra. Falou a vaca.
    - Eu não posso por em risco meu auxílio-doença. Emendou o pato.
    - Eu fugi da escola e nunca aprendi a fazer pão. Disse o porco.
    - Caso só eu ajude, é discriminação. Resmungou o ganso.
    - Então eu mesma faço. Exclamou a pequena galinha vermelha.
    Ela assou cinco pães, e pôs todos numa cesta para que os vizinhos pudessem ver.

    De repente, todo mundo queria pão, e exigiu um pedaço. Mas a galinha simplesmente disse:
    - Não, eu vou comer os cinco pães sozinha.
    - Lucros excessivos!. Gritou a vaca.
    - Sanguessuga capitalista! . Exclamou o pato.
    - Eu exijo direitos iguais!. Bradou o ganso.
    O porco, esse só grunhiu.
    Eles pintaram faixas e cartazes dizendo 'Injustiça' e marcharam em protesto contra a galinha, gritando obscenidades. Quando um agente do governo chegou, disse à galinhazinha vermelha:
    - Você não pode ser assim egoísta..
    - Mas eu ganhei esse pão com meu próprio suor. Defendeu-se a galinha.
    - Exatamente. Disse o funcionário do governo. Essa é a beleza da livre empresa. Qualquer um aqui na fazenda pode ganhar o quanto quiser, mas sob nossas modernas regulamentações governamentais, os trabalhadores mais produtivos têm que dividir o produto de seu trabalho com os que não fazem nada. E todos viveram felizes para sempre, inclusive a pequena galinha vermelha, que sorriu e cacarejou:
    - Eu estou grata, eu estou grata.

    Mas os vizinhos sempre perguntavam por que a galinha, desde então, nunca mais fez porra nenhuma...Nem mesmo um pão.

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  10. A coisa mais fácil que tem é reclamar de funcionário efetivo. Mas é, Sonia, me diz uma coisa, você não é um dos "outros"? Imagine que o sujeito tem que planejar seu trabalho da seguinte forma: "ah, tem esse projeto aqui pra melhorar o trânsito da avenida X, só que é de longo prazo, só termina daqui a cinco anos, será que eu devo me empenhar, me esforçar, arriscar meu pescoço por pessoas que estão planejando isso e nem estarão trabalhando comigo daqui a cinco anos pra ver o resultado (se der errado é porque eu saí antes de terminar e quem me sucedeu é incompetente), já que eles estarão pleiteando outro cargo que com maior poder e vantagens?".
    É claro, nem todos comissionados são assim. Mas vá lá. Se já não fez, faça: pergunta pro sujeito quantos indicados não passaram ali com suas idéias revolucionarias trazidas da USP e praticaram merda nenhuma dela, sempre jogando a culpa nos efetivos (ah, que gente mole, não quer saber de nada).
    Cada funcionário é um funcionário.
    Quantas vezes já não passou o cretino de um prefeito indicando meio mundo de fulano (secretarios, chefes, coordenadores) que nem falam com os funcionários e só baixa ordem pra ser obedecida? Nem responda.
    Olha, já trabalhei em lixo de empresinha da prefeitura e lá as pessoas eram demitidas simplesmente porque tinha gente com padrinho amigo do prefeito. Pra mim esses são "outros" mesmo. Outros safados.
    Assim como tem aqueles "uns" que são os efetivos que não querem nada com nada. É frustrante tentar conversar com alguém que tenha como filosofia de vida dia-cinco-tô-feliz.
    O mundo real é triste.
    O mundo triste da prefeitura é irreal.
    Ainda assim, torço para que tenha um bom trabalho -- independente se daqui a tantos anos vá ter concorrer a alguma coisa. É, no mínimo, seu trabalho.

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  11. Li agora no blog do Ricardo Kotscho que você é a nova administradora da suprefeitura da Lapa. Quantas guinadas na sua vida hein! Não sei se continuo me decepcionando com você ou se já atingi o limite. É uma pena!

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  14. Ola Soninha,

    desde algum tempo acompanho seu trabalho publico, chegamos a trocar alguns posts sobre a situacao das bikes em SP. Vao aqui duas criticas simples e importantes

    1 - obrigar os visitantes do seu blog, que e a ferramenta de comunicacao direta entre vc e o cidadao - eleitor - municipe, a ter qualquer tipo de conta virtual para postar comentarios, e um passo atras na webdemocracia, no modo direto de apresentar-se ao povo, algo que sempre foi uma marca das suas acoes.

    2 - pode parecer ecologicamente correto uma pagina de fundo negro (e nem sei se foi essa mesma a razao para tal escolha) mas o fato e que um layout assim prejudica e muito a leitura por parte daqueles que nao enxergam bem ou que tem pouca luminosidade em casa (velhinhos e pobres, so pra citar um exemplo). Lembre-se que excluidos nao entram em estatisticas, esperar que eles reclamem nao funciona. Mais uma vez, outro passo atras.

    Por favor, analise com carinho as sugestoes e verifique a possibilidade de continuar sendo a administradora - candidata mais transparante e publica de que me lembro.

    Ate logo!

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  15. Bibliotequinha da Praça:

    Se alguém quiser levar livros infantis, a garotada agradece. Hoje fiquei aflita ao vê-los procurando por um que lhes agradasse. O mais engraçado foi atender um jovem munícipe com um livro não mãos, livro este que eu havia acabado de colocar na estante. Era um livro da época de ginásio, "Para gostar de Ler". Chegou rindo. Disse que estava adorando a crônica.

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