sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Inspeção Veicular - Audiência Pública

Devido às dúvidas suscitadas pelo início da obrigatoriedade da INSPEÇÃO VEICULAR, o Promotor de Justiça do Meio Ambiente Dr. José Eduardo Ismael Lutti organizou uma Audiência Pública sobre esta questão.

Audiência Pública promovida pelo Ministério Público – Promotoria do Meio Ambiente da Capital

“Poluição Atmosférica e Inspeção Veicular”

Data: 04 de março de 2009

Horário: 14h00m

Local: Rua Riachuelo, nº. 115, térreo, Auditório “Queiroz Filho” (Prédio do Ministério Público), ao lado do Largo São Francisco.

Palestrantes:

Prof. Dr. Paulo Saldiva – Coordenador do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP
Eng. Dr. Gabriel Murgel Branco - “Environmentality – Tec. com Conceitos Ambientais”
Ivan Pio de Azevedo – Diretor da Controlar S/A. (empresa executora do programa de inspeção veicular da Capital)
Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho – Secretário do Verde e Meio Ambiente.


Estão todos convidados!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Mais árvores (poda e remoção)

Diário Oficial de hoje

EDITAIS - SUBPREFEITURA LAPA

Supervisão Técnica de Limpeza Pública
Unidade de Áreas Verdes

Conforme Lei n.º 10.919/91, esta Subprefeitura informa os locais onde serão executados os serviços de poda geral e remoção de árvores pela PMSP-SPLA.

As pessoas ou entidades que discordarem da remoção ou poda poderão no prazo de 06 (seis) dias contados da data de publicação apresentar recursos contra a medida devidamente

Fundamentada nesta Subprefeitura - São Paulo 25/02/2009.

PODA DE ÁRVORES
Memorando nº 006/DTNGD - Centro - Oeste/2009
Diversas Ruas da Subprefeitura Lapa (Rua Tito)
Poda de Limpeza e Poda de Levantamento

SAC 8168250
Rua Fortunato Ferraz, nº 974 (03 arvores)
Poda de Equilíbrio e Poda de Formação

SAC 8152935
Rua Jataí, nº 283
Poda de Equilíbrio

Ficha de Radio 161/2009
Rua Cajaiba, nº 942 (02 arvores)
Poda de Equilibrio

SAC 8163271
Rua Barão da Passagem, nº 38
Poda de Equilíbrio

SAC 8152923
Rua Barão da Passagem, nº 926
Poda de Equilíbrio

SAC 8159154
Rua Coroados, nº 259 (02 arvores)
Poda de Formação e Poda de Levantamento

SAC 8182699
Rua João Tibiriça, nº 623 (02 arvores)
Poda de Levantamento e Poda de Formação

SAC 8181726
Rua Jatai, nº 90 (02 arvores)
Poda de Levantamento e Poda de Formação

SAC 8190372
Rua Francisco Bayardo, nº 599
Poda de Formação e Poda de Levantamento

SAC 8150956
Rua Duarte da Costa, nº 22
Poda de Levantamento e Poda de Formação

SAC 8129647
Rua Araguatins, nº 149
Poda de Formação

SAC 8174810
Rua Curupaiti, nº 415 (07 arvores)
Poda de Levantamento e Poda de Formação

SAC 8193676
Rua Bernardo Guimarães, nº 216
Poda de Formação

SAC 8175513
Rua Bartolomeu Bueno, nº 143
Poda de Formação

SAC 8155655
Rua Camacam, nº 615
Poda de Formação

SAC 8147204
Rua Caiapós, nº 265
Poda de Formação

SAC 8157967
Rua Cons. Candido de Oliveira, nº 233
Poda de Formação

SAC 8146403
Rua Bernardo Guimarães, nº 36
Poda de Formação

SAC 8174686
Rua Curupaiti, nº 135 (04 arvores)
Poda de Formação

SAC 8195915
Rua Curupaiti, nº 88
Poda de Formação

Carta S/nº 28/01/08
Rua Clélia, nº 970 - 976
Poda de Formação

Ficha de Radio 62/2009
Rua Columbos, nº 183 (03 arvores)
Poda de Formação

Oficio nº 013903/2008-R1
Av. Diógenes Ribeiro de Lima, nº 3225
Poda de Formação

Oficio nº 012764/2008-R1
Rua Dr. Francisco Figueiredo Barreto, nº 81 (06 arvores)
Poda de Formação

SAC 8130316
Rua Ziembinski, nº 232
Poda de Formação

SAC 5088494
Rua Barão da Passagem, nº 264 (02 arvores)
Poda de Formação

Pedido nº 14/2009
Av. Miguel Frias Vasconcelos com Rua Francisco Pedro do
Amaral (18 arvores)
Poda de Equilíbrio, Poda de Limpeza e Poda de Levantamento

REMOÇÃO DE ARVORE
Memorando nº 0041/SPLA/STLP/09
Rua Ministro de Godoy nº 1010

SAC 8185635
Rua Duarte da Costa, nº 1214
Ficha de Radio 73/2009

Rua Cotoxo, nº 1093
Oficio nº 001215/2009
Rua Atibaia, nº 136

SAC 8192960
Rua Cons. Olegário, nº 315 (03 arvores)

SAC 5088494
Rua Barão da Passagem, nº 264

Pedido nº 14/2009
Av. Miguel Frias Vasconcelos com Rua Francisco Pedro do
Amaral (04 arvores)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Tão mangando de mim

Olha o anúncio que o Google AdSense me mandou:

Faça certo com Arboplan - arboplan.com.br - Poda e transplante de árvores. Recuperação/Licenciamento Ambiental

+ Árvores no Diário Oficial

(Estas são do dia 14/02)

EDITAIS - SUBPREFEITURA LAPA

Supervisão Técnica de Limpeza Pública
Unidade de Áreas Verdes
Conforme Lei n.º 10.919/91, esta Subprefeitura informa os locais onde serão executados os serviços de poda geral e remoção de árvores pela PMSP-SPLA.

As pessoas ou entidades que discordarem da remoção ou poda poderão no prazo de 06 (seis) dias contados da data de publicação apresentar recursos contra a medida devidamente fundamentada nesta Subprefeitura - São Paulo 13/02/2009.

PODA DE ÁRVORES

SAC 8193335
Rua Vanderlei, nº 547
Poda de Rebaixamento

Memorando. nº 0033/SPLA/STLP/09
Praça Petrolandia (02 arvores)
Poda de Rebaixamento

Oficio nº 153/2007
Av. Presidente Altino, nº 1131
Poda de Limpeza, Poda de Equilíbrio

SAC 7322958
Rua Olimpio Catao, nº 96
Poda de Rebaixamento

Memorando. nº 0425/STLP/07
Rua Descalvado, nº 147
Poda de Limpeza

Memorando nº 036/STLP/SPLA/09
Praça Silvestre Rebelo
Poda de Limpeza, Poda de Levantamento e Poda de Equilíbrio

Oficio 0081/2009 (Ouvidoria)
Rua Tito, nº 1137
Poda de Formação

Memorando nº 0035/STLP/SPLA/09
Rua Coronel Melo de Oliveira, nº 548
Poda de Equilíbrio

SAC 7856240
Praça Largo da Lapa, nº 24ª
Poda de Formação

Ficha de Radio 146/2009
Praça Barão Ibirocai (02 arvores)
Poda de Levantamento e Poda de Formação

Pedido nº 33/2007
Rua Monte Alegre, nº 791 (02 arvores)
Poda de Limpeza e Poda de Equilibrio

Oficio nº UAS/01/09 (Eletropaulo)
Diversas Ruas da Subprefeitura - Lapa
Poda de Equilíbrio e Poda de Limpeza

Oficio PGDCM-010/09 (Eletropaulo)
Diversas Ruas da Subprefeitura - Lapa
Poda de Equilíbrio e Poda de Limpeza
Rua Rumaica, nº 69

Poda de levantamento e Poda de limpeza
REMOÇÃO DE ARVORE
SAC 7322958
Rua Olimpio Catao, nº 96 (02 arvores)

Ficha de Radio 146/2009
Praça Barão Ibirocai

SAC 5192554
Rua Padre Antonio Tomas, nº 177

SAC 8005972
Travessa Saicanga, nº 07

SAC 7261572
Rua Araicas, nº 232

Pedido nº 72/2008 A
Av. Francisco Matarazzo, nº 524

Pedido nº 33/2007
Rua Monte Alegre, nº 791

Pedido nº 40/2007
Rua Tagipuru, nº 812

Pedido nº 57/2008
Rua Itapicuru, nº 613

SAC 5088494
Rua Barão da Passagem, nº 264


Sabem o que acabo de perceber? Que nosso filtro anti-redundâncias (ainda!) está mais para peneira esburacada. Porque o mesmo endereço apareceu várias vezes nas duas publicações do D.O. Valei-me, Santo Expedito.

Fim-de-semana

O Supervisor da Defesa Civil da Sub-Lapa veio me contar como foi o feriado (ele não me requisitou nenhuma vez - só o faria se precisasse da minha intervenção):

- Venancio Aires alagou

- Uma cobertura de Eternit caiu - daquelas de terraço, sabe? A moradora ficou presa dentro de casa, mas não aconteceu nada mais sério. Removeram os pedaços,a "libertaram", vistoriaram e tudo bem.

- Um buraco deixado aberto debaixo de uma escada afundou. A moradora ficou com medo que a casa toda desmoronasse também. Vistoriaram; não havia risco. Recomendaram que ela tape o buraco.

- Colocaram fogo duas vezes nos detritos restantes da antiga favela Aldeinha. Não há caminhão que chegue para remover tanto material. Felizmente, o procedimento para a compra da cerca está adiantado. Amanhã tenho reunião com o idealizador do projeto dos "jardins efêmeros"/viveiros do Parque Aldeinha. Queria tanto que isso saísse logo... Eles estão correndo atrás de recursos de iniciativa privada - o projeto tem o selo de aprovação da Lei Rouanet (de incentivo fiscal para patrocinadores).

Acho que foi só.

Pelo que me informaram, nenhuma árvore caiu. Alguma reza tem de funcionar.

Ou elas estão mais pacientes, esperando a gente chegar para cortar.

Árvores no Diário Oficial

No Diário da última quinta-feira, foram publicadas as seguintes informações sobre podas e remoções (e um despacho sobre rebaixamento de guia, lá no final):


EDITAIS - SUBPREFEITURA LAPA

Supervisão Técnica de Limpeza Pública
Unidade de Áreas Verdes
Conforme Lei n.º 10.919/91, esta Subprefeitura informa os locais onde serão executados os serviços de poda geral e remoção de árvores pela PMSP-SPLA.

As pessoas ou entidades que discordarem da remoção ou poda poderão no prazo de 06 (seis) dias contados da data de publicação apresentar recursos contra a medida devidamente fundamentada nesta Subprefeitura - São Paulo 18/02/2009.

PODA DE ÁRVORES

Memorando nº 0035/STLP/SP-LA/09
Rua Coronel Melo de Oliveira, nº 548
Poda de Equilíbrio

Memorando nº 0036/STLP/SP-LA/09
Praça Silvestre Rebelo (Todos exemplares Arbóreos da Praça)
Poda de Levantamento, Poda de Limpeza e Poda de Equilíbrio

Ficha de Radio 146/2009
Praça Barão Ibirocai (02 arvores)
Poda de Levantamento, Poda de Formação

SAC 7187596
Rua Guaicurus, nº 311
Poda de Levantamento, Poda de Formação

SAC 7856240
Praça Largo da Lapa (Rua Felix Guilhem)
Poda de Formação, Poda de Raiz

SAC 5241718
Rua Salvador Caruso, nº 167 (12 arvores)
Poda de Limpeza, Poda de Formação

SAC 7917164
Rua Dr. Paulo Vieira, nº 166
Poda de Formação

SAC 7707421
Av. Mercedes, nº 466 (03 arvores)
Poda de Formação

SAC 7796445
Rua Caraíbas, nº 93
Poda de Formação

SAC 8133749
Rua Pio XI, nº 537
Poda de Formação

SAC 7522561
Rua Barão do Bananal, nº 52
Poda de Formação

SAC 5026980
Rua Barão de Sergi, nº 106
Poda de Formação

Oficio nº 000081/2009
Rua Tito, nº 1137
Poda de Formação

SAC 7909181
Rua Cotoxo, nº 987 (02 arvores)
Poda de Limpeza

Oficio nº PGMDCM010/09 “Eletropaulo”
Diversas Ruas da Subprefeitura Lapa
Poda de Equilíbrio e Poda de Limpeza

Oficio nº UAS-01/09 “Eletropaulo”
Diversas Ruas da Subprefeitura Lapa
Poda de Equilíbrio e Poda de Limpeza

Pedido nº 33/2007
Rua Monte Alegre, nº 791 (02 arvores)
Poda de Limpeza e Poda de Equilíbrio

Pedido nº 001/2009
Rua Dr. Milton de Souza Meirelles, nº 880
Poda de Limpeza e Poda de Equilíbrio

Pedido nº 88/2009
Rua João Tibiriça. nº 1112 (18 arvores)
Poda de Limpeza, Poda de Equilíbrio e Poda de Rebaixamento

REMOÇÃO DE ARVORE

SAC 5886797
Rua Cel. Domingos Ramos, nº 77

Ficha de Radio 146/2009
Praça Barão Ibirocai

Pedido nº 33/2007
Rua Monte Alegre, nº 791

Pedido nº 72/2008-A
Av. Francisco Matarazzo, nº 524

Pedido nº 57/2008
Rua Itapicuru, nº 613

Pedido nº 40/2007
Rua Tagipuru, nº 812/842/868/890

*****
DESPACHO:

REBAIXAMENTO DE GUIA Nº. 40/2008
INTERESSADO: NAILTON SANTOS RODRIGUES
LOCAL: RUA PIO XI, 181 - BAIRRO DA LAPA

Fica V.Sª. autorizado a rebaixar 5,50 metros de guia, e
manter 2,5 metros levantados.
Conforme planta de fls. 04 do pedido no prazo de quinze
dias a contar do recebimento desta autorização.


****
Prazo esgotado para objeções, me ajudem a verificar se o serviço foi bem feito!
Obrigada.

+ Pessoas

1)Peguei uma amiga de madrugada (a las 4:45) para irmos ao templo budista em Cotia (o Odsal Ling) comemorar o Losar (ano novo tibetano).

Enquanto a esperava na Bento Freitas (perto do Largo do Arouche), apareceram duas pessoas pedindo um trocadinho para comprar pão. Dois adultos, um homem e uma mulher. Ela mais mal vestida que ele, com aquele figurino típico: camiseta puída cor-de-algum-bicho-quando-foge, calça de moleton idem, barriga e canelas de fora. Ele usava calça e jaqueta jeans.

E pediram, pediram, pediram. “Eu tô sem trocado, não tenho nada no carro, saí de casa correndo para ir à missa...” (vou explicar que era pro Losar?). “Eu tô com fome, eu tô esperando nenê, só um trocadinho...”. Oscilavam entre a súplica e uma tom de ameaça.

Até que ele enxergou uma nota de dois reais sobre o painel do carro. Achei que ia abrir a porta para pegar à força, porque começava a ficar exaltado.

Peguei os dois reais e exigi que dividissem entre eles (só faltava os dois saírem na mão). Arruma daqui, moedinha de lá pra cá, conseguiram. E ficaram bem felizes.
Fiz a recomendação estupidamente inútil: “Vê se compra pão mesmo, não vai pipar agora”.

Veio um sorriso meio torto em resposta, um grunhido que podia ser irônico ou indignado. Parecia que ele pensou ao mesmo tempo em “imagine, senhora, eu não faço isso” e “tá bom, só porque você quer”... Ele pode ter fome de pão, mas a fome de crack é muito mais difícil de agüentar.

“Sério, pára com esse negócio, é muito ruim. Fuma outra coisa, sei lá”.
Ele ensaiou um discurso sério, convicto, com sua fala enrolada voz prejudicada. “Você não viu outro dia o jornal? A pior droga que tem é o álcool”.

“Nem vem. Crack é muito ruim. Muito ruim. O barato passa muito rápido e logo depois você fica péssimo. É uma merda”.

(Enquanto isso, eu ficava preocupada com o fato de estarmos no meio da rua e um motorista bêbado ou cheirado poder entrar na rua feito louco e passar por cima dos dois).

Enfim, não tirei ninguém das drogas, mas o papo foi bom. Eles foram embora gratos e felizes. A moça grávida não chegou a entrar na conversa.

2)Quitéria ganhou ingressos para a arquibancada do Sambódromo de São Paulo na noite do desfile do grupo de acesso. Levou marido, três filhos e nora. Antes de ir, perguntou se os filhos menores poderiam entrar – a internet disse que sim (censura: 5 anos).

Foram todos de ônibus da Brasilândia até lá, horas pra chegar. Voltaram da porta. Não podiam entrar sem mostrar os documentos dos filhos.

Já era mais de meia-noite e não havia o que fazer, a não ser voltar para trás. O segurança foi irredutível. Até chegarem ao ponto de ônibus, a última condução já tinha ido embora. Crianças chorando, frustração galopando, Quitéria me ligou pedindo ajuda.

De pijama, pronta para dormir, só consegui oferecer dinheiro para o táxi. “Manda os dois mais velhos de volta para o Sambódromo – eles podem entrar, não precisam perder a viagem. E assim vocês cabem em um táxi só! Vê se combina com o motorista uma corrida de R$50,00 daí até a Brasilândia, passando por aqui para pegar o dinheiro na portaria”. (Recomendação fora-da-lei, porque taxista não pode combinar corrida. Ai ai ai...)

Por legalismo ou questões de mercado, ninguém topou. Então eles andaram do Fórum da Barra Funda (depois de ter andado do Sambódromo até lá) até a minha casa, perto do Palmeiras. E de lá conseguiram um táxi até a Brasilândia; a corrida deu 40 e pouco.

Só soube que ela andou isso tudo porque me contou agora há pouco. Rindo dos pés inchados e doloridos, como costuma fazer depois de consumados os contratempos (ou verdadeiras desgraças – na vida dela são muitos). E com uma observação: “Sabe que foi até legal? Nunca tinha reparado que a noite é tão boa pra se andar. As plantas cheiram... Você consegue olhar as coisas com calma... A gente é bobo; parece que o dia é que presta e a noite é pra dormir. A noite é boa pra andar!”

Quitéria daria um filme. Daqueles de 4 horas.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A "máquina" não é máquina

É gente, o que complica tudo...

Quando eu pedi para colocarem uma caixa de sugestões na Subprefeitura, sabia que podia aparecer de tudo. A possibilidade de fazer sugestões, reclamações, denúncias, reivindicações anônimas é muito importante – porque algumas pessoas preferem não se expor; porque algumas não devem se expor. Mas isso também dá margem à distorções, claro. Só que não posso deixar de fazer algo que considero importante porque haverá distorções (isso vale, por exemplo, para as políticas sociais – se elas são boas, devemos combater os desvios, mas eles normalmente são tratados como a razão para extingui-las).

Voltando ao assunto: recebi uma mensagem anônima perturbadora. Reproduzo trechos dela (já que é anônima, creio não ter problema. Retirei os nomes que poderiam indicar de onde ela veio).

“SUBPREFEITA SONINHA

Por você já estar na Subprefeitura da Lapa há algum tempo e ainda não saber das coisas que acontece, tenho que escrever para perguntar:

1- Está certo ter funcionários que não cumprem o horário de trabalho?

[Seguem-se casos específicos nos itens 2, 3 e 4]

A gente tá vendo que alguns funcionários que trabalham de verdade estão muito descontentes com as mudanças que você está fazendo, para pior, é claro.

[Seguem-se mais reclamações referentes a dois funcionários – que “assinam o ponto como se tivessem lá todo dia no horário normal”]

É assim que a gente deve fazer?

Todo mundo pode fazer como quiser?

E os outros vão trabalhar por aqueles que são safados?


(...)

Leio seu blog todo dia, por isso peço que responda no blog. TÁ?

Assinado: “PEDINDO JUSTIÇA”
"

Portanto, aí vai a resposta.

1) Não está certo funcionários não cumprirem o horário de trabalho. Mas é importante observar o seguinte:

“Cumprir o horário” não é sempre sinônimo de trabalhar direito. Não “cumprir o horário” não é necessariamente sinônimo de vagabundagem.

Existem funções que dependem do cumprimento do horário com rigidez e da presença física do funcionário nas dependências da Subprefeitura. É o caso, evidentemente, da Praça de Atendimento. Se ela abre às 8 e fecha às 18, se os cidadãos chegam nesse horário precisando ser atendidos, quem trabalha na Praça tem de cumprir horário e pronto. E, durante o expediente, tem de estar totalmente entregue ao trabalho.

Não é à toa que isso produziu uma distorção bastante arraigada no serviço público. Atendimento ao público, muitas vezes, vira castigo para um funcionário-problema. Porque ele tem de estar lá, pontual e visível o tempo todo.

Por favor, não vão olhar para nossos funcionários achando que estão ali de castigo. Mas o fato é que acontece).

Aliás, pelo que contam colegas dele, o Covas fez questão de mudar essa cultura com o Poupatempo. “O atendimento ao público é uma das coisas mais importantes a se fazer direito”. As pessoas precisavam ser muito boas para essa função, e não “condenadas” a ela.

Nossa Praça, aliás, foi bem avaliada na “blitz” do jornal Agora. Parabéns.

***
Voltando à questão do horário.

Algumas pessoas são tão produtivas em seis horas, por exemplo, que o fato de não serem pontuais na chegada ou saírem mais cedo não prejudica em nada seu trabalho. Se ficassem mais tempo na cadeira apenas para cumprir horário, talvez consumissem recursos à toa (computador ligado em joguinho, conversa jogada fora atrapalhando os demais) e se irritassem, desgastassem, se tornassem funcionários piores, menos produtivos.

Outros podem “bater cartão” pontualmente no horário de entrada e saída – e serem muito pouco produtivos. Ou pior – desonestos.

Então, calma lá. Lidar com recursos humanos é mais complexo do que consertar um motor. Não é certo ser um mau funcionário; não é certo alguns trabalharem e outros apenas se aproveitarem da situação (é tão óbvio que nem precisava ser dito). Mas não se trata apenas de cumprir horário – quem dera fosse tão simples... São decisões ainda mais sérias, que pretendemos tomar com critério para não produzir injustiças.

2) “(...) alguns funcionários que trabalham de verdade estão muito descontentes com as mudanças que você está fazendo, para pior, é claro”.

Até aqui, fiz menos mudanças do que gostaria. Continuo remexendo e revirando procedimentos, fluxogramas, organogramas. Não mexi muito na vida dos próprios funcionários – nem para melhor, como pretendo (com instalações mais confortáveis, computadores melhores, reconhecimento ao bom trabalho, realocação de pessoas insatisfeitas, etc.) e, espero, nem “para pior”.

Mas talvez algumas coisas estejam acontecendo sem o meu conhecimento – Subprefeito não é onisciente. Outro dia soube de uma mudança de sala muito depois de ela já ter acontecido. Aliás, se o Subprefeito puder/precisar saber de TUDO que acontece na Subprefeitura, o mundo está perdido. Existem vários cargos de chefia (Coordenadores, Supervisores) com relativa autonomia – já pensou se precisassem do meu aval para cada passo? Eu só faria ser síndica do prédio da Sub e mais nada.

E olha que eu GOSTO de saber de tudo. De me meter em tudo. Só é impossível...

Portanto, se eu fiz “mudanças para pior”, especialmente do ponto de vista dos “funcionários que trabalham de verdade”, ao menos me diga quais são. Senão, como posso tomar alguma atitude em relação a isso?

***
Enfim, aí está a resposta. Insatisfatória, por certo – por um lado, porque faltam informações. Por outro, porque não é uma resposta no blog que vou resolver um problema; que vou dizer "tem razão, vou chamar Fulano na minha sala e dar um esculacho". Apenas quero que você saiba que estou preocupada e atenta.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Fué fué fué

Ontem passei na Praça de Atendimento da Sub para ver como estavam as coisas ali (ela fica na extremidade oposta à da minha sala, então quase não a vejo; aproveito para dar uma olhada no caminho do almoço) e uma das meninas que trabalha lá (e que vai ter de sair porque o contrato de prestação de serviços está terminando, ô dó) veio me contar uma história triste. Nada de árvores dessa vez...

Apareceu lá um munícipe que ouviu, segundo ele, na Rádio Bandeirantes, que as Subprefeituras estavam distribuindo ingressos grátis para o Sambódromo; bastava os interessados levarem um quilo de alimento não-perecível.

Quase morri de dó. Ela também. "Olha, eu não estou sabendo de nada, não veio ingresso nem para nós... O senhor tem certeza que falaram isso?". E veio tirar a dúvida comigo.

Era mentira, claro. Que baita sacanagem.

Eu tinha acabado de saber que receberíamos ingressos para os funcionários - arquibancadas para domingo. Nem tinha certeza se seriam suficientes para todo mundo mas, se pudesse, iria atrás do cidadão para entregar dois para ele.

No fim, eram muitos os ingressos. Mandei email para os supervisores quando voltei do almoço, para que perguntassem aos seus funcionários quem queria ir. É grupo de acesso e tals, mas e daí? Tem escola que caiu ano passado que eu achei absurdo ter caído. E é legal de qualquer jeito - ainda mais de graça, oras.

Pedi para avisarem o seguinte: cada interessado poderia receber dois ingressos. Se faltasse, teríamos de sortear. Se sobrasse, poderíamos dar mais de dois a quem quisesse.

Sabe quantas respostas vieram por email? NENHUMA.

Aí saímos pela Sub no fim da tarde, de sala em sala, perguntando "quem vai querer". Já não tinha muita gente, não...

Ou seja: o pobre do cidadão que foi tapeado por um boato qualquer podia ter levado meia dúzia. Se arrependimento matasse... Fico até agora me torturando por não ter tentado descobrir quem era naquela hora e ido atrás dele na rua.

Uma vozinha tenta me consolar: "Você não ia achar mesmo... E ele nem ia querer ir no domingo".

:o((((

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Pessoas

1- Animosidade

Um funcionário antigo da Subprefeitura, servidor de carreira, reclamou para mim de uma mudança desajeitada de sala. Foi em dia útil, de última hora, para um lugar muito pior do que o anterior... Ele estava revoltado. E, querendo dizer que não era comigo, frisou seu espanto: "E foi pessoal nosso". Dali a pouco, repetiu. "Foi o nosso pessoal".

Eu tinha entendido, mas quis tirar a dúvida. "Como assim pessoal nosso"?

"Pessoal da casa, servidor efetivo".

Não tem jeito. Quem chega de fora, ocupando os cargos de livre provimento, é visto com muita desconfiança. Porque toma o lugar de quem já estava; porque o cargo "de confiança" frequentemente é visto, pelos concursados, como um picareta, aproveitador, desqualificado. Alguém que está de passagem, interessado em tudo menos no trabalho.

Às vezes parece que eu trouxe um exército huno para a Subprefeitura - e foram, até agora, oito pessoas. Devem vir mais três ou quatro e olhe lá. Mas já se referiram ao "meu pessoal" como "essa turma toda aí", dando uma entonação de "esse bando de invasores". Longe de mim, talvez digam "essa panela", "essa curriola", "a patota do PPS".

Sendo que uma das pessoas mais próximas a mim vota no PT, no PSOL... Só votou no PPS no primeiro turno porque em mim ela confia, mas esse certamente não é o partido dela. Mas não tem jeito, tá todo mundo muito acostumado a esse jeito de fazer as coisas e fica sempre com um pé e meio atrás.

***
2- Estratégias

Dona Chica vive de invasão.

O filho tem apartamento em um conjunto habitacional, mas ele, ela, a nora, outra filha detêm o know-how de montar rapidamente barracos em áreas a serem desocupadas para que sejam indenizados quando o barraco for removido.

Todo mundo em área ocupada está cansado de saber que tem gente que faz isso, e a coisa mais fácil de verificar é se o barraco é "cenográfico" ou realmente habitado. Às vezes até pinta uma dúvida - aí um funcionário nosso, muito preocupado com a possibilidade de beneficiar um malandro ou prejudicar um miserável, desenvolveu algumas técnicas de verificação. Por exemplo, dá uma espiadinha no box e vê se tem roupa secando na torneira do chuveiro... O engraçado é ele ficar vermelho quando me conta isso (porque a roupa é sempre feminina). O não-engraçado é ver o jeito como as pessoas são capazes de viver.

Ele descarregou as fotos no computador da Sub; depois pego algumas delas para mostrar aqui.

Começar cedo, terminar tarde...

*Todo dia, um (pequeno) dilema: começar a trabalhar bem cedo para tentar dar conta de tudo ou começar a manhã devagar para agüentar até o fim do dia?

Quase todo dia, a mesma resposta: começar a trabalhar bem cedo, não dar conta de tudo e aguentar, do jeito que der, até o fim do dia.

*Ontem: às oito, reunião na Secr. de Segurança Urbana. Assunto: pontos críticos na Sub da Lapa (como a região no entorno da Ceagesp, "famosa" por seus problemas; práticas criminosas associadas a determinados pontos de comercio ambulante; favelas em que moradores estão sujeitos a diversos tipos de violencia. Foram cinco ou seis itens com planos de ação traçados para cada um - ações mais urgentes e outras ).

*Das nove às cinco e meia, reunião com todos os Subprefeitos e a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras. Assuntos: Obras e Serviços (acessibilidade e areas de risco, poor exemplo); limpeza pública (varrição, entulho, coleta seletiva); CCOI (Central de Contole Integrado); POP - Procedimento Operacional Padrão (para que todas as Subs sigam os mesmos passos e normas para, por exemplo, contratar serviços - para desburocratizar, simplificar e permitir um melhor acompanhamento dos resultados); Córrego Limpo; experiencia dos primeiros 30 dias em uma Subprefeitura por um dos novos Subprefeitos; a Controladoria (Sistema Saffor, índices e indicadores, as Praças de Atendimento, etc.); Fiscalização (PSIU, sistemas de fiscalização eletrônica em fase de implantação, etc.); Supervisão de Abastecimento (mercados, feiras livres, sacolões); Comunicação Interna; Qualidade na Gestão.

Para cada um desses itens, tenho vontade de fazer vários comentarios (como fiz na hora, a maioria deles na forma de anotações para dividir depois com a minha equipe na Sub). Sobre os "primeiros 30 dias", por exemplo: o Sub da Casa Verde (Walter Abrão) fez uma apresentação muito sucinta, objetiva e inspiradora de providencias simples que ele tomou e que vou querer adotar também (como o "Super Sábado" - depois eu explico). E ele tem lá um sistema de georreferenciamento que vou querer copiar (acho que veio da gestão anterior, do Marcos Gadelho).

Na hora do almoço, conversei muito com o Helio Rubens, de Santana, e o Walter Tesch, ex-Sub de Parelheiros. Assuntos: ciclovias, cultura, dificuldades encontradas na estrutura de nossas Subs (aquela básica falta de comunicação interna, pra começar), entre outros.

E em cada intervalo para o café, muitas outras trocas de experiencias ("Posso ir lá conhecer sua Sala de Estratégia?"), solidariedade e colaboração.

Excelente. Tive um flashback da minha expectativa ao me eleger vereadora: mergulhar nos problemas da cidade, estudar mil e uma possibilidades de solução, confrontar visões diferentes, compartilhar conhecimento, conhecer experiencias diversas.

Mas o Parlamento é muito contaminado pela idéia de confronto, disputa, vitória X derrota. É exasperante participar, anos a fio, de discussões estéreis, eternas trocas de acusação, ironias, agressões, completamente à margem do verdadeiro debate sobre as questões da cidade, da sociedade, do mundo. "Esta é uma casa política", diziam alguns colegas, quando eu me queixava dessa esterilidade, esse eterno teatro do bem contra o mal. Como se a política fosse um fim em si mesmo, sem conexão com o mundo lá fora.

Eu participei, na Câmara, de discussões interessantíssimas. A Comissão de Estudos sobre o Aquecimento Global, um debate sobre células-tronco, a CPI do trabalho escravo, os debates com meus assessores sobre projetos que eu relataria nas Comissões ou que iriam a votos no plenário, debates com grupos de interesse sobre projetos que eu pretendia apresentar... Mas foram pouquíssimos comparados com os discursos inflamados, repetitivos e superficiais.

Juro que não entendo como alguém que teve experiência no Executivo resolve encarar um mandato parlamentar e aguenta.

Depois eu volto a isso (agora tenho reunião sobre enchentes).

*Ontem saiu a nomeação de mais um assessor indicado por mim. "Você sabe quanto eu vou ganhar?". Eu não sabia, e ele veio trabalhar comigo sem nem pensar nisso (embora soubesse que o Executivo, de modo geral, paga mal|). Perguntou para o chefe de gabinete qual é o salário e entrou em desespero. R$1.800,00. Cogita parar a faculdade.

*Ontem ainda fui a duas reuniões de CONSEGs, Pirituba (que abrange vários bairros da Sub-Lapa) e Perdizes.

Perdizes tem problemas, mas é o céu comparado com a Jaguara... O público em Pirituba era composto, na maioria, por pessoas que se apresentavam assim: "Eu sou ..., moro aqui há 50 anos", "moro aqui há 61 anos"... E todos esperando que a prefeitura tome providencias tão simples (asfaltamento, limpeza, manutenção de praças)... Esperando há cinco, dez, vinte anos... Aperta o coração.

Perdizes, por sua vez, traz reclamações (justíssimas) mas também soluções. A união de vizinhos, síndicos, lideranças diversas faz do bairro (especialmente a Vila Pompeia) um laboratorio muito legal de iniciativas comunitarias, como a campanha "Calçada Limpa" que procura lembrar aos proprietarios de cães que a calçada "é pública, não privada", como dizia um outdoor ao lado das piscinas da USP...

*Tchau. Já estou me atrasando para a primeira reunião.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Númuros

Segundo dados da Coordenadoria de Obras da Subprefeitura, no mês de janeiro foram podadas 223 árvores (4 só no sábado 31/01), removidas 48, plantadas 45.

105 bocas-de-lobo foram limpas apenas no dia 31; no mês todo, 5811.

250 bocas-de-lobo foram reformadas, incluindo as que tiveram as tampas trocadas. No sábado foram dez.

Foi cortado mato/ grama de 160.000 m² de áreas "ajardinadas". (O total da Sub é de mais de um milhão e meio, incluindo 500.000 m² das marginais).

300 m² de margens de córregos foram limpas em um dia; no mês, foram 17.850 m².

É muito e não é nada.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Hoje... (Mais um resumo resumido)

- No fim-de-semana, fizemos duas "batidas" à feira clandestina de animais perto da Ceagesp e conseguimos inibir a atividade. Precisaremos repetir a operação outras vezes - é só descuidar um pouco que os vendedores voltam. Mas o ideal é remodelar o canteiro central onde eles se instalam, de modo a impedi-los, e conscientizar os potenciais compradores para que não comprem!

(Estou adorando a campanha "Adotar é tudo de bom" - se não me engano, de um fabricante de ração).

Mas, pra vocês verem como são as coisas: a equipe de fiscalização que trabalhou no sábado e no domingo terá, por direito, três dias de folga durante a semana. Ou seja: ficaremos desfalcados. Azar - o que tem de ser feito, tem de ser feito.

- Reunião com Sergio Gomes, da Oboré. O homem é uma usina de ideias. Exemplo: montar, em cada uma das feiras livres da Subprefeitura, uma "banca de cidadania". Uma barraca para divulgar as ações da prefeitura, das ONGs da regiao, etc. Desenhada por alunos de arquitetura da Escola da Cidade, montada e cuidada por voluntários. E teve muito mais do que isso.

- À tarde, reunião dos Subprefeitos na Sabesp sobre o programa Córrego Limpo. Quantos pepinos, abacaxis, mandiocas... Como é difícil consertar o que foi feito errado em centenas de anos. Agora temos bairros de classe media/alta que reclamam de córregos ou bueiros malcheirosos mas, intimados a conectar suas casas à rede de esgoto, não obedecem... E bairros pobres ou assentamentos miseraveis dependurados em margens de rios, sem lugar para ir. Obras que não podem ser feitas de dia porque atrapalham demais o trânsito e não podem ser à noite por causa do barulho... Assim fica dez vezes mais difícil examinar, despoluir, manter limpos os pobres cursos d'água que cortam a cidade por cima e por baixo da terra. Azar - o que tem de ser feito, tem de ser feito (já falei isso hoje?).

- Sabesp e prefeitura precisam trabalhar juntas no programa de limpeza de córregos, é óbvio. Por parte do Executivo municipal, ficou definido que a Subprefeitura é quem representa a administração. Portanto, se a Sabesp precisa, para a realização de uma obra, de ações da Habitação, da Secretaria do Verde, da Siurb ou da Assistencia Social, é problema nosso - dos Subprefeitos - fazer a articulação necessaria. A Sabesp não tem que ficar batendo à porta de dez órgãos diferentes; somos nósos interlocutores. Ok.

Só que, durante a reunião, perguntei de alguns pontos críticos na Sub-Lapa, como o córrego do Ribeirão Vermelho, na divisa com Osasco. O representante da Unidade de Negócios Oeste da Sabesp informou: "Essa parte é da Unidade Norte, que terá sua reunião na quinta-feira". Aí o representante da Coord. das Subprefeituras interferiu: "Bom, se vocês querem que cada Subprefeito responda em nome de toda a prefeitura, nós também queremos que a Sabesp seja uma coisa só!". (Risos... Mas ele tem razão).

- À noite, apresentação do "Plano de governo" no auditorio da Associação Comercial da Lapa. Não foi um plano de metas, como eu pretendia. Ainda não sou capaz de fazer uma projeção mais precisa de prazos/ resultados. Mas expus as linhas gerais do que pretendemos fazer nas diversas areas - Meio Ambiente, Mobilidade, Educação, Saúde, Cultura, Esporte etc. E nos três níveis: internamente (melhorias da estrutura da própria Sub), externamente (nossas ações Executivas propriamente ditas) e a comunicação entre um e outro (o compartilhamento de conhecimento e da responsabilidade).

Apresentamos dados, projetos em andamento, o orçamento da Sub, etc. Respondi, depois de quase uma hora e meia, algumas perguntas feitas por escrito pelos presentes. Outras ficaram para mais tarde, isto é, para outro dia - algumas, porque eram abrangentes demais (impossível falar brevemente sobre Operações Urbanas, por exemplo - um tema complexo que exige uma noite toda ou mais); outras, porque eram específicas demais (e não é justo tomar o tempo de cem pessoas com elas). Mas algumas pessoas que não tiveram suas respostas na hora ficaram indignadas, protestaram em altos brados, se disseram discriminadas. Pessoas que já obtiveram horas da minha atenção, em audiencias reservadas, por telefone, email... Enquanto isso, no fim da sala, no fim da fila, moradores da favela da Àgua Branca - provavelmente o problema mais sério que nós temos hoje, pela combinação de área de risco + familias desamparadas + crime organizado + oportunistas - esperavam com paciencia pelo momento de falar cinco minutos comigo...

Mundo injusto, mundo cruel, até mesmo no breve espaço de uma audiencia pública.

Hoje

Além de seis ou sete anotações de assuntos que preciso discutir no gabinete - o balanço de algumas ações no fim-de-semana (como a fiscalização à feira clandestina de animais perto da Ceagesp), nomeações e exonerações (algumas mudanças ainda não foram concluídas), marcar reuniões com pessoas que solicitaram (de Secretários Municipais a amigos de amigos) - a agenda desta segunda traz duas audiencias agora de manhã (com munícipes), uma reunião com todos os Subprefeitos na Sabesp para falar sobre o programa "Córrego Limpo" (no começo da tarde) e, às sete da noite, audiencia pública na Associação Comercial da Lapa para apresentar nosso "plano de governo". Também preciso de um tempo com meus Coordenadores e o Chefe de Gabinete para acertar alguns (vários) pontos. Na verdade, preferia dedicar o dia todo a isso, mas já era, tenho esses outros compromissos a cumprir.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Pra adoçar um pouco a vida

Eis algumas fotos da nossa micro-bibliotequinha, recém-instalada na Praça de Atendimento.






Mal começou o (tenebroso) dia

- De manhã, problemas pessoais para resolver - a compra do meu apartamento, por exemplo, que acho que vai gorar. E eu já me endividei com o consórcio por conta disso, então tenho agora a prestação do consórcio + o aluguel + o condomínio + o pagamento do empréstimo que um amigo fez p/ completar o lance no consórcio - (menos) um emprego (a Folha). Bateu paúra.

- Nas primeiras horas aqui na Sub, tivemos:

* O síndico de um prédio quer saber se ele não pode mesmo deixar um espelho amarrado a um poste (para ajudar na visão da calçada para quem sai da garagem) por causa do Cidade Limpa. Vou ver.

* Caiu um muro da Sabesp pegado a uma escola estadual e derrubou algumas árvores. Uma funcionária da escola ligou para pedir ajuda para recolher os restos de galhos que cobriram todo o patio.

* Um motorista que trabalhava para uma Cooperativa que presta serviço para a Sub foi dispensado por razões que considera profundamente injustas. Humilde, triste e esperançosamente, trouxe um relatório de duas páginas sobre a situação, para ver se podemos ajudar a reverter a dispensa. Trecho da carta - e juro que é sincera, ainda que ele esteja enganado: "(...) [estou com] com 56 anos de idade vividos com honestidade, e simplicidade e responsabilidade. No decorrer da minha vida profissional já trabalhei com pessoas de variados caráter e níveis sociais (...) e estou estarrecido com a atitude tomada por alguns superiores".

* A Defesa Civil está mudando de mãos; conversei com o antigo supervisor sobre a passagem de bastão, os procedimentos atuais, a estrutura que temos e a desejável, as ocorrências do fim de semana, as dificuldades com outros departamentos da administração, os pedidos de desconto no IPTU por causa de enchentes e as controvérsias na avaliação, etc.

* O setor de cadastro da CPDU mudou de lugar recentemente e tem problemas com as novas instalações (espaço físico, mobiliário, etc.), além de alguns desfalques importantes (um chefe que vai embora e ainda não tem substituto). Faremos reunião nocomeço da tarde.

* Favela da Água Branca (ou "do Lorenzon", nome do córrego em cima do qual ela se "equilibra"): continua crescendo. A cada dia, novos barracos são erguidos - agora mesmo estão subindo um. Anteontem um assessor meu viu um conhecido dele - que mora em outro lugar - subindo quatro "paredes" de madeirite. "Por que você está fazendo isso? Você tem casa, aqui vão tirar todo mundo!". Pra vender. Esse espírito-de-porco-empreendedor me mata.

Foi solicitado que a GCM e o pessoal da apreensão fosse para lá imediatamente para impedir a construção desses novos barracos - quem já está PRECISA sair, é área de risco, não pode chegar mais ninguém! Nada feito. Um funcionário tinha acabado de dizer, aqui no corredor, que lá é "tenso" (e fez o gesto imitando uma arma sendo disparada), quando chegou outro funcionário chegou dizendo "Parar a construção lá? Só com muito reforço policial. Ameaçaram nosso pessoal". Portanto... recuamos. Não estamos prontos para uma mega-operação com todo o cuidado que ela exige. Essa é uma emergencia, mas vocês fazem ideia de quantas são as emergencias na cidade toda? (No domingo, por exemplo, uma das dificuldades para conseguir um caminhão para a Pompéia foi o desastre causado pela chuva na Zona Leste, muito pior do que para o lado de cá. São Paulo é um monstro - 1500 favelas... Algumas com milhares de famílias... A cidade mais rica da América Latina; a cidade mais pobre da América Latina).

Precisamos ir com cuidado e com força, com pressa e com calma. E o céu preto, ameaçando desabar. E as famílias lá, as crianças lá... Apertadas entre a bandidagem, as barrancas do córrego, a autoridade. Ô miséria que não termina.

* (Comentário à parte: Eu sei que há razões para isso, que muitos lucram em cima do suor dos atletas etc., mas ontem eu li no jornal que "o novo piso salarial" de determinado clube de futebol é cinqüenta mil reais. O jogador não tem culpa nenhuma de estar em um mundo irreal, em um mercado em que circulam milhões em patrocínios, direitos de transmissão, operações de compra e venda etc. Se ganham dinheiro com ele, por causa dele, é justo que queira ser remunerado por isso - ele que é xingado, ameaçado, machucado, que com 30 anos já começa a ficar "velho" para o trabalho. Mas eu nunca, nunca vou me conformar com o fato de uns terem tanto e outros terem tão pouco).

* A gente nem teria caminhão apreensão para mandar agora e recolher a madeira dos barracos em construção, porque os nossos estavam na rua recolhendo lixo/entulho e na caixaria da Ceagesp - um imenso capítulo à parte nos problemas da Sub. Existe toda uma indústria irregular e ilegal de reaproveitamento de caixotes; eles são empilhados nas calçadas, nas entradas da estação da CPTM, em terrenos vazios. Entre eles, suas torres e labirintos, acontecem várias outras atividades ilegais (como exploração de crianças). Tem gente trabalhadora que simplesmente vive disso, que quer ganhar dinheiro com seu esforço e não cometer um crime, mas a atividade em si não é tolerável. A solução é complexa (novidade...), mas por enquanto precisamos reprimir para inibir a atividade. E hoje, com seis caminhões lotados (foram várias viagens), conseguimos recolher os caixotes de 50 metros da avenida Mofarrej. Já houve operações com 60 caminhões que não conseguiram recolher tudo - e em um dia os caixotes já estão lá outra vez. Haja reunião para encontrar uma solução verdadeira.

* Ainda a favela - ao lado dela, há um empreendimento particular (residencial, eu acho). Que, segundo dizem, pagou qualquer coisa para as famílias que ocupavam seu pedaço de terreno sairem de lá e construiu um muro para se isolar do problema. É assim que funciona: cada um cuida do seu quadrado, constrói o seu muro, só que o problema é NOSSO (de todo mundo). Se chover e um barraco for arrastado, vão perguntar aqui porque é que eu não tomei nenhuma providencia. E tem de perguntar mesmo. Só não venham me dizer que "é fácil, basta ter vontade política, a gente paga milhões em impostos, a cidade é muito rica", blablablá.

* Uma pessoa muito exigente aqui do bairro ligou para marcar um horário e não acreditou que isso não seria possível agora porque a assessora que faz minha agenda está doente há dois dias; sentiu-se destratada.

* Consegui responder/ encaminhar dois ou três emails - sobre o mercado da Lapa, enchentes, recapeamento. Estou tentando falar com a CPTM sobre um muro em área de enchente. Tem uma audiência pública que me interessa às 18:00 e não vou poder ir - tenho DUAS reuniões de Conseg hoje à noite, no Jaguaré e em Perdizes.

* Problemas com uma escola de samba ampliando suas instalações em área pública sem autorização.

* Chega de escrever. Preciso trabalhar. Mas de vez em quando preciso despejar um pouco do que transborda aqui, tanto quanto preciso de uma pausa para o almoço. (Nunca pensei que blog pudesse servir de boca-de-lobo/ piscinão/ galeria, desculpem). Preciso dividir o espanto com o mundo de problemas que é esse meu novo emprego - e olha que eu sempre soube que seria difícil, como qualquer um saberia.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Quarta-feira outra vez (já?!)

Hoje de manhã passei duas horas em situação extremamente desagradável - andando de carro. No banco de trás, sentada no meio. Eu sou do tipo que enjoa, sabe? Mas estava em um comboio (cinco automóveis) que percorreu a região da Operação Urbana Leopoldina, analisando o processo de verticalização que já está em curso, a transformação de antigos galpões industriais em empresas de logística ou serviços diversos (call centers, por exemplo), as escolas, as favelas, o comércio mais antigo e os novos estabelecimentos, a largura das ruas... O Plano Diretor, as estações de trem, as áreas degradadas, os riscos de enchente...

No percurso tive a alegria de ver uma equipe da prefeitura limpando um enorme canteiro central no fim da Gastão Vidigal (eram uns quinze homens ou mais, trabalhando a manhã toda) e outra recolhendo entulho de uma calçada na Pres.Altino, perto da favela do Areião.

Aliás, que coisa louca essa favela... A paisagem ali é linda, com um fundo de mata exuberante e as linhas de trem ocupando um imenso espaço sem muros (eu gosto TANTO de trem que transformaria os muros todos em grades ou janelas, para poder vê-los passar - e para quem está no trem ver a cidade). Pena que tem uma torre enorme da Eletropaulo (que torna o lugar inseguro e insalubre); pena que a ocupação é precária...

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Na esquina da favela com a avenida, uma construção que uniu treiler + cabana de madeira e funciona como bar foi toda pintada de azul celeste. Maior capricho.

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Já houve um tempo em que São Paulo não teve plano nenhum; já houve planos equivocados e agora existem planos conflitantes. Onde um prevê um museu, outro quer um empreendimento residencial; onde um quer moradia popular, o outro quer comércio; onde um pretende instalar um pólo logístico de transportes, o outro vê um parque...
Os técnicos divergem, os políticos idem - e se a população for consultada, também vai dar pau. O que parece lindo para alguns, para outros é pesadelo. Praças públicas, por exemplo: tem gente que tem horror. "Vira ponto de mendigos e maconheiros". A que ponto chegamos, não gostamos de praças.

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Depois pensei que é bobo ficar alegre só por ter visto duas equipes trabalhando. Mas se eu fico arrasada com mato alto e lixo, deixa eu ter uma alegriazinha, vai.

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O dia seguiu com uma reunião com os editores do Jornal do Trem, uma entrevista sobre enchentes para a MTV, uma reunião de quase duas horas com 3 dos cinco Conselheiros Tutelares da Lapa, outra entrevista (para o jornal Vitrine Oeste), visita à EMEI (Escola Municipal de Educação Infantil) Noemia Hipolito (que é a coisa mais linda e está muito bem cuidada; a direção tem o maior orgulho dela e não é à toa), reunião com Chefe de Gabinete e Coordenador de Administração sobre mil e um assuntos e providências (ações de fiscalização, verificação de processos, nomeações e dispensas, árvores, comércio ambulante, respostas ao Ministério Público, multa a fornecedores que atrasaram a entrega, substituições de funcionários em férias, famílias em áreas de risco, demandas do Conseg, do Conselho Tutelar, da Viva Pacaembu, da Policia Militar ETC.), reunião brevíssima com futuro Supervisor de Cultura, despachos por telefone com Secretários e nem sei mais o que.

Sei que não li tudo o que eu gostaria de ler, não respondi quase email nenhum, não escrevi mensagens que precisava ter escrito, não marquei reuniões (sempre elas!) que queria ter marcado. Ainda bem que existe amanhã!

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Perguntei no Noemia se tem alguma coisa que a Sub possa fazer por eles. Não ganha um doce quem adivinhar a resposta: "Bom, tem as árvores...". E também os pombos (essa ainda não tinha chegado). Em resposta a um pedido deles para conter a infestação, Zoonoses apenas os instruiu a não deixar restos de comida. "Nós temos 250 crianças pequenas, fazendo três refeições aqui dentro; é fácil falar "não deixem cair comida"!". Vamos tentar descobrir como funciona aquela história de dar anticoncepcional para as pombas (ou para os pombos, não sei).

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Para complicar mais o dia, uma pessoa que trabalha comigo passou a noite no hospital e hoje ficou em casa; outra foi ao enterro de um amigo; eu esqueci meu celular pessoal em casa (então tinha dificuldade para localizar alguns números de telefone, porque já não sei mais nada de cor); o PABX da Sub ficou um tempo sem funcionar.

No meio disso tudo, meu pai - que não mora em São Paulo - passou pela Sub para me visitar. Tentou ligar no meu celular o dia todo; como não conseguiu, arriscou ir até lá. Desencontramos por um triz - ele chegou, eu tinha acabado de sair para ir à escola.

Quando as pessoas me dizem "Tá difícil conseguir um tempo para falar com você!", eu respondo: "Minhas filhas também estão reclamando". Agora posso acrescentar: "e o meu pai".

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Reunião reunião reunião reunião reunião reunião reun...

- Reunião sobre projetos de Bairro-escola/ Escola-bairro;

- Reunião sobre árvores - poda, remoção, plantio. Ainda vou escrever um livro.
Para a poda de UMA árvore, por exemplo, circularam para lá e para cá uns quinze papéis. Redundantes, contraditórios, inúteis... Despachos de agente vistor, engenheiro agronomo, coordenador, chefe de gabinete, subprefeita, ofícios, memorandos, relatórios, ordens de serviço... Tem de tudo. Menos o serviço executado. Vou passar a limpo as informações que recebi e depois publico aqui. Ou vou fazer um vídeo mostrando a papelada.

Mas juro, juro que tem como ser melhor do que isso. É difícil examinar, tratar, podar, remover, substituir milhares de árvores. Mas se nós nos organizarmos, seremos todos mais felizes. Nosso agrônomo, por exemplo, é muito produtivo, pelo que me disseram - chega a fazer 12 laudos em um dia. Temos centenas de árvores já avaliadas, prontas para nossa intervenção. Façamos, pois.

- Reunião sobre enchentes com um engenheiro que já executou dois piscinões e vários outros projetos relacionados para a prefeitura. A convite de uma moradora do bairro, ele explicou, voluntariamente, o que sabe sobre a região. Entregou a cópia de um estudo feito em 2002 e fez sugestões de ações a curto, médio e longo prazo. A curto prazo - embora esta seja a pior época para isso - uma senhora vistoria das galerias para desobstrução. Se funcionarem com máxima capacidade, elas dão conta da maioria das chuvas. Galeria nenhuma agüenta a tromba d'água de sábado, mas felizmente aquilo não acontece todo dia. E, se acontecer, vai transbordar, mas não transformar a Pompéia em um rio violento.

Outra providência a curto/médio prazo é aumentar o número de bocas-de-lobo ao longo das galerias, especialmente nas partes mais altas. "Falta ralo!", disse. "Àgua que não entra logo na galeria, entrará depois na forma de enchente" - é mais ou menos assim um "ditado" dos engenheiros da área. De fato, a água vai ganhando força e volume e depois os ralos da baixada não dão conta mesmo.

A longo prazo... Piscininhas e piscinões, que armazenam a água até que as galerias deem conta.

(No que me diz respeito, as principais providências são: manter limpas as ruas e bocas-de-lobo; remover obstáculos (como um muro da CPTM - preciso de mais uma reunião urgente!); desimpermeabilizar e arborizar; promover educação).

- Visita à Estação Ciência e promessa de mais reuniões.

- Reunião na Secr. de Coordenação de Subs. Assunto: ações coordenadas (Habitação + Assistencia Social + Subprefeitura, basicamente) para remoção de famílias de areas de risco ou degradadas.

(Sabe quantas favelas existem em São Paulo? 1.500. Adoro dados, números, informações, por mais desesperadores que sejam).

Outros temas: Praça de Atendimento (informatização, recursos humanos), segurança (ações do crime organizado em áreas invadidas), Parque Vilas-Boas (é preciso fechar o projeto do parque para definir as ações de descontaminação da area), recapeamento (a Vila Romana vai mal, mas o Jaguaré está um deus-nos-acuda), etc.

- Etc, etc, etc. Eu precisava ter uma estenógrafa para me acompanhar nas reuniões e transformar tudo em relatorios e encaminhamentos...

(Incrível o número de paroxítonas terminadas em ditongos crescentes, não? Vai demorar um tempo para eu parar de usar esse acento. E olha que meu nome é um caso desses, e nunca teve acento - se alguém escreve "Sônia", não sou eu!)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Nada a ver

Acabo de virar DJ da Blimp.fm. Foi tão fácil, fiquei tão deslumbrada (eu ainda me deslumbro com essas coisas), que quis trazer pra cá também.



(Não aguento mais meu nome em tudo quanto é lugar; "Sombrinha" era um dos meus apelidos na MTV. By Regina Desirée).

Novidadezinhas

1) A nossa Praça de Atendimento - que recebeu avaliação positiva na "blitz" do jornal Agora, parabéns a quem trabalha lá - não tinha nada com que as pessoas pudessem se distrair enquanto esperavam sua vez. Improvisamos, então, uma micro-bibliotequinha (dá vergonha chamar de "biblioteca"): achamos uma estante de madeira meio abandonada, servindo como divisória em um dos ambientes do Tendal; ela foi lixada, pintada em esquema de "mutirão" (quem passasse pelo patio da Sub e quisesse dar uma mão de tinta, podia) e abastecida com livros doados. Cada exemplar tem um carimbo informando que é um bem de uso público - quem quiser, pode até levar emprestado, mas por favor traga de volta.

Ah, sim, aceitamos doações. :o)

***
(Sonho: espalhar mini-bibliotecazinhas em tudo quanto é praça. Um armário que proteja os livros das intempéries, que tenha uma porta sem cadeado, que seja cuidado por todo mundo. Já tinha contado isso?)

(Ah, mini-brinquedotacas também)

***
2) Colocamos uma caixa de sugestões para que os funcionários escrevam o que quiserem. "Vão escrever bobagem", avisaram. Azar. Pelo menos os que quiserem falar alguma coisa para valer terão uma oportunidade.

***
3) Implantamos o sistema mais simples de coleta seletiva que existe - e, para mim, o mais eficaz. Em cada ambiente, há duas lixeiras - uma para material reciclável (com saco de lixo azul) e outra para o não-reciclável (sacos pretos). Fizemos uma palestra rápida para os funcionários (todos foram convocados, mas a maioria não deu as caras. O recorde de não-comparecimento, me parece, foi da CPDU...) e estamos ampliando a parceria com a Cooperativa que já retirava uma parte dos materiais.

Não tem cabimento ter dez lixeiras comuns para uma de reciclável, especialmente no ambiente de trabalho. O volume de material reciclável costuma ser muito maior do que o de lixo orgânico, e é irreal esperar que as pessoas joguem o resto da maçã aqui e a garrafa plástica a cem metros daqui. E, no nosso sistema, também não há necessidade de separa metal de plástico de vidro de papelão etc. Se os materiais "secos" (e limpos!) estiverem todos juntos, já basta. Até porque tem também o isopor, as caixinhas longa-vida e outros que já são recicláveis mas não se enquadram nas outras categorias.

Próximo passo (esse é bem mais difícil): ampliar muito a adesão à coleta seletiva na região. Vamo-que-vamo.

"Projeto Pessoal"

Hoje eu soube que um jornalista da Transparência Brasil formulou a seguinte pergunta para um vereador (ou para todos, nem sei): "A vereadora Soninha usou seu mandato para um projeto pessoal. O senhor pretende usar o seu também?".

Eu às vezes não entendo a visão que a Transparência tem de cargos públicos.

Como assim, "usei meu mandato"? Eu me candidatei em 2004, obtive um mandato como vereadora, o exerci tão bem quanto pude, fiz escolhas doloridas (que me levaram a ter muito mais dificuldades lá dentro) e, ao final, decidi que não queria mais um período como parlamentar, e sim disputar a prefeitura de São Paulo.

(Depois de, em 2006, em uma última tentativa de ser feliz no meu antigo partido, que vivia uma crise medonha, ser candidata a deputada federal - e disso eu me arrependo, sinceramente, porque fui sem convicção e foi horrível).

Isso é "usar" o mandato? Mais ainda, para um "projeto pessoal"?

Quer dizer que candidatos à prefeitura não são candidatos a um cargo público, voltado para a sociedade - são alpinistas sociais ou coisa parecida?

Juro, eu queria que ele me explicasse o que é "usar o mandato". Meus assessores parlamentares trabalharam intensamente pelo mandato, pela cidade, pela sociedade - não acompanhou o trabalho deles quem não se interessou, porque tudo era escandalosamente transparente. Se cometemos erros, se fracassamos em algumas coisas, não foi porque "usamos" a Câmara para outros fins.

Eu, aliás, sacrifiquei vários "projetos pessoais" para ser candidata a vereadora e, depois, candidata a prefeita.

No primeiro caso, fui dispensada da Rádio Globo, onde era comentarista. (A ESPN sempre segura a onda...). No segundo, saí do Saia Justa - onde, por uma gravação + reunião de pauta por semana, eu recebia quase o dobro do salário de vereadora. Ou de Subprefeita). Sem falar da vida familiar, que foi para o beleléu (um internauta chegou a dizer no chat do Terra: "Sua casa é muito bagunçada, como você pode querer governar a cidade?" Eu NÃO PARO em casa!).

Perdi duas Olimpíadas para ser candidata. Para quem não gosta de esporte, pode parecer ridículo. Para quem ama...

Agora, como Subprefeita - será que este é um "projeto pessoal"? - precisei sair também da Folha de São Paulo. Trabalho doze horas por dia e tenho um telefone que não desliga, como se eu fosse pronto-socorro. Todos os problemas nos 40 km² que me cercam são "meus". Adoro estar aqui, estou muito feliz, mas "vem ser Subprefeita pra ver como é bom" (parodiando a Marta, fula da vida com o Chico Pinheiro - fui e sou totalmente solidária a ela naquele caso).

Inacreditável como uma organização que se propõe a elevar o nível de conhecimento das pessoas sobre a administração pública pode fazer um julgamento tão canhestro.
Já que eu "usei o mandato", gostaria que eles me dessem um exemplo do que é "não usar". É sair da Câmara e nunca mais ser candidato?

O feio é ser candidato??

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Show de horror

Cesare Battisti

A Folha publicou hoje uma matéria que traz opiniões de diversos especialistas sobre o caso Cesare Battisti.

Há duas linhas de discussão:

1) Se ele de fato cometeu os crimes (homicídios) de que é acusado - alguns entendem que os depoimentos são frágeis e as provas, inexistentes.

2) Se os crimes cometidos podem ser considerados "políticos".

Em um caso e em outro, questiona-se se ele teve mesmo amplo direito à defesa.

(Curioso que, quando se discute a qualificação do crime como político ou comum, não se coloca em dúvida se Battisti foi autor ou não - dá-se como certo que sim).

Eu me detive nestes trecho da matéria, que revela dois pontos de vista opostos:

"Após examinar a decisão, Janaína [Paschoal, professora de Direito Penal da USP] afirmou que "crime político deve ser entendido como ato de manifestação de pensamento, indevidamente criminalizado com o intuito de perseguição. Mas não se pode pretender políticos atos premeditados, deliberados, de matar, ferir, estuprar. Um grupo que se estrutura na prática de crimes, sobretudo contrários à vida, não é político".
A especialista afirma que, pela decisão judicial, "percebe-se que as quatro mortes [atribuídas a Battisti] não se deram em um eventual confronto, no qual foi necessário matar, até em própria defesa, o que, em uma visão mais flexível, poderia até justificar tais atos".


[Dalmo] Dallari [professor emérito da USP], após verificar a sentença enviada pela reportagem, disse ter posição contrária a este entendimento. Segundo o professor, na decisão "afirma-se, expressa e reiteradamente, que Cesare Battisti participou de atividades criminosas com objetivos políticos. Encontra-se, ali, expressamente, mais de dez vezes, a afirmação de que ele integrou um grupo que se formou e desenvolveu ações "al fine di sovvertire l'ordinamento dello Stato" [com o objetivo de subverter o ordenamento do Estado]".

Claro que a edição dos depoimentos sempre pode, intencional ou inocentemente, mudar bastante o sentido original, pela supressão de partes importantes. Mas se a declaração do prof. Dalmo Dallari - a quem admiro profundamente - for exatamente essa, tendo a concordar com Janaína Paschoal. Se o "objetivo de subverter o funcionamento do Estado" puder justificar qualquer ação violenta, estamos perdidos.

Todos nós temos uma ideia a respeito de que "Estado" e qual "funcionamento" aprovamos (ou toleramos), e daí decorre a ideia subsequente de quando ou por quê é desejável, necessario ou justificável "subverter o funcionamento do Estado". A direita pode achar fundamental subverter etc. um Estado socialista. Então, por haver uma motivação política, ações criminosas de determinado tipo (homicídios, no caso...) devem ter um entendimento diferente?

Sei não.

Ainda ontem

A dona da casa cujo primeiro andar foi todo alagado, que perdeu coleções inteiras de livros (como Monteiro Lobato e Agatha Chirstie), equipamentos eletro-eletrônicos, móveis, discos, etc., e que mora com duas pessoas com dificuldades de locomoção, e que já foi alagada várias vezes, e que aguarda a conclusão de um processo de desapropriação para sair dali (impossível vender a casa agora), demonstrava senso de humor, calma e paciência inacreditáveis.

Enquanto jogávamos pilhas de livros enlameados no caminhão de lixo, ela às vezes dizia: "Nem vou pensar senão eu choro". Eu já estaria chorando - de raiva, tristeza - há muito tempo.

Ainda teve a idéia de trazer coca-cola na bandeja para quem estava na calçada com ela. Se solidarizava com o vizinho que tem uma loja de peles (a janela foi arrombada pela água), lembrava outros episódios, contava as cenas absurdas que já viu nos últimos anos.

***
Uma das lembranças foi uma reunião na Subprefeitura, na gestão do Adaucto. Enquanto conversavam no auditório, alguém tacou uma pedra - segundo as descrições, quase um paralelepípedo - pela janela próxima ao palco. Só não pegou no Subprefeito porque ele estava na platéia.
Quem atirou? Um ex-funcionário.

(Trilha sonora: faroeste).

***
Naquela época, os moradores que reclamavam mais ardidamente eram qualificados como "gente do PSDB, que só vem aqui pra encher o saco". Nos anos posteriores, os críticos mais contundentes eram classificados como "petistas a fim de atazanar". Ê, laiá.

***
Diz que a água chega a atingir 100km/hora quando desce a Pompéia. Que a Kalunga, para se proteger, subiu um muro meio metro e acabou prejudicando o escoamento do vale. Que o pessoal da escola de samba que fica debaixo do viaduto precisa sair correndo para não se afogar. Que o shopping pagou seis milhões para a EMURB e nada foi usado, até agora, em benefício do bairro. Que precisa fazer a ligação da galeria com o rio. Que a CET costuma aparecer a tempo para fechar o trânsito, mas que dessa vez foi tudo muito rápido. Que foi a comunidade quem conseguiu que o SESC Pompéia botasse uma placa dizendo "Em caso de chuva, não estacione aqui - risco de alagamento".

***
Os lixeiros quiseram tentar salvar algumas coisas, como o aparelho de som. E disseram que a empresa tem uma sala só com coisas "boas" que as pessoas jogam fora - livros, por exemplo. "Esses não têm jeito, mas tem gente que joga livro bom, livro inteiro. Todo mundo gosta e lê".

***
(Dos lixeiros): "Se você fosse prefeita, ia aumentar nosso salário, não ia?"
"Se eu pudesse, não tenha dúvida".

Por enquanto, prometi "só" um lugarzinho no céu. Na área VIP.

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A moradora não quer sair do bairro. Tem amizade com o pessoal do supermercado, conhece todo mundo no quarteirão e, principalmente, não quer se afastar da unidade de saúde (um CAPS) onde o filho faz tratamento. "Eles são dez. O Dr Luiz é fantástico, todo o pessoal é demais".

O que eu menos esperava àquela altura era uma boa notícia.

Aí vem o dilúvio

Postado por Soninha Francine

Tutatis não ouviu nossos apelos e o céu caiu sobre nossas cabeças.

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Eu fiquei rezando - só o que me restava - para não cairem mais árvores.

Na televisão, imagens de carros amontoados na Vila Madalena.

Toca o telefone da Lylian, que estava comigo (depois de ter ido a um evento dos escoteiros no Pelezão): "Você já soube da Avendida Pompéia?", pergunta o Eduardo Fiora, do Jornal da Gente. "Teve carro amontoado, um caos!".

E lá vamos nós...

***
Contornamos os congestionamentos e paramos o carro a três ou quatro quarteirões do "ponto zero". Ficamos boquiabertas com as cenas de filme-catástrofe. Carros espalhados para todo lado, apontando em todas as direções, encaixados uns nos outros ou em objetos diversos - postes de luz, árvores, placas de trânsito, lixo. Alarmes disparados. Dezenas de pessoas meio atarantadas, abrindo porta-malas, tirando objetos pessoais, tentando fazer o carro funcionar. Lama para todo lado.

***
Em um sobradinho, a água inundou o andar de baixo até a altura da minha testa. A estante com dezenas de livros, o aparelho de som, o aspirador, a enceradeira foram todos inutilizados.

"A cada dia que passa no verão eu agradeço: ufa, passou mais um. [Mais um dia sem enchente]. Hoje não passou".

***
Ao lado da casa dela tem uma loja da Hering. O proprietário veio conferir os estragos; abriu a comporta que procura conter a inundação e foi "saudado" por enxurrada que saía, com muita força e volume, pela fresta entre a porta e o chão. Ou seja: a loja estava inundada. Não parava se sair água.

***
Eu nunca vi tanto giuncho de automóvel junto na minha vida. A proporção era mais ou menos assim: 1 da Fortaleza/ 1 da Mondial (acho que é isso)/ 1 da Azul não-sei-quê/ 20 da Porto Seguro. Virou até piada - a gente achou que era sempre o mesmo guincho que ficava desfilando para parecer que eram vários. Não deu pra rir muito tempo porque toda hora víamos três ou quatro guinchos da Porto ao mesmo tempo...

Em compensação, um rapaz que chamou o seguro do Itaú às seis da tarde para tirar seu carro do canteiro central da avenida esperou até as duas da manhã para ser atendido. Quando, depois de muitas ligações e palavrões, foi informado de que seu guincho só chegaria às quatro e meia da manhã. bufou, espumou e resolver contratar um guincho particular. Ele já estava esperando há OITO horas! Depois pediria reembolso e processaria a seguradora, pronto. Só o dano moral de ficar horas parado enquanto vê um desfile de caminhões da outra seguradora já merece indenização...

***
Pois na hora que ele foi embora, apareceu o guincho.

***
A dona da casa alagada, que perdeu coleções inteiras de livros (a do Monteiro Lobato, grandona com capa dura esverdeada, era igualzinha a minha), que teve a casa invadida por água suja e fedida, que teve uma janela e a cristaleira quebradas por força da água, conversava com a gente como se não tivesse todos os motivos do mundo para estar p* da vida.

Disse que da outra vez (não é sua primeira enchente) procurou a Sub da Lapa para saber como pleitear desconto ou isenção no IPTU, para compensar os danos da inundação. E disse que não conseguiu nada.

***
Veio a CET ajudar a organizar o trânsito e desencorajar os motoristas que corriam demais nas pistas cheias de barro); veio um caminhão de lixo com três (depois quatro) pessoas incrivelmente prestativas e bem-humoradas; veio um caminhão pipa lavar a rua enlameada (pena que a água dele acabou antes de o serviço ficar completo, mas era uma lama grossa, pesada, que deu muito trabalho para ser removida. De onde terá vindo? De prédios em construção?

***
Desculpem se o texto estiver meio descosturado. Estou morrendo (coloquem uns cinco ee aí) de sono e escrevo quase sonâmbula.

Ainda bem que parou de chover.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Latindo para a árvore errada

Como era de se esperar, a Folha deu hoje, em manchete sangrenta, a "notícia", ou "denúncia", de que "Edifício do shopping Bourbon não existe para o IPTU de SP".

Ontem nós já sabíamos: "Vai ser meia página!". Não sei quem foi a "fonte" sobre o tamanho da matéria.

Como expliquei ontem mesmo, aqui no blog, de fato o Bourbon AINDA não paga o valor total de seu IPTU porque ele não foi calculado. Quando for, o shopping deverá pagar TAMBÉM o que ficou pendente nos meses anteriores, com juros e correção. Se demorar um ano, dois anos, dez anos, o que vai acontecer é que o valor vai acumular mais - e eles vão ter de pagar do mesmo jeito.

***
Tirado da matéria: "Empreendimento deveria pagar cerca de R$ 4 milhões de imposto; alertada, subprefeitura diz que situação será regularizada" - "A subprefeitura diz que não enviou o processo à Secretaria de Finanças porque não terminou a numeração das páginas e plantas que compõem o processo. São cerca de dez caixas com plantas, que precisam ser numeradas manualmente, segundo a subprefeitura.
Alertada pela reportagem da Folha de que o shopping poderia pagar um valor menor de IPTU por conta do atraso, a subprefeitura informou que isso não vai ocorrer".


A subprefeitura não foi "alertada" de nada porque o shopping não vai, no final do processo, ficar livre de pagar o valor total.

Também da matéria: "Três funcionários da prefeitura contaram à Folha, sob a condição de que seus nomes não fossem revelados, que esses atrasos podem ter três causas: incompetência da prefeitura, burocracia da subprefeitura ou corrupção. Por essa versão, há suspeitas de que servidores recebem propina para atrasar registro de imóvel que passou por reforma ou foi construído na Secretaria de Finanças.
Seria uma espécie de taxa do atraso -a documentação demora para chegar à secretaria e, com isso, o dono do imóvel paga menos imposto".

Então pode revelar meu nome: Sonia Francine Gaspar Marmo. Não fui eu que "contei" à Folha, mas daqui a pouco até a minha filha de 11 anos poderá fazê-lo, de tanto ouvir falar nisso. Eu mesma disse em discurso durante a campanha, entrevista, sabatina, debate na televisão...

Atrasos de processos podem ocorrer por três causas: incompetência, burocracia (que também é uma forma de incompetência) e corrupção. E deixa eu contar pra Folha uma outra modalidade de corrupção, que talvez ela ainda desconheça: servidores cobram propina para fazer vistas grossas para alguma irregularidade. E, por deus, a tal da burocracia é tanta - ou seja, serve à incompetência tanto quanto à desonestidade - que é muito fácil ter alguma irregularidade. Difícil é ter tudo certo. E assim fica o comerciante "amarrado" ao servidor desonesto - regularizar ele não consegue, então o jeito é pagar "mensalidade".

É o PIOR dos mundos. O cidadão honesto quer fazer tudo direito, quer saber que seus impostos estão sendo bem empregados, quer freqüentar um lugar que esteja dentro da lei, e tudo isso lhe é negado. O servidor honesto quer fazer seu trabalho direito, quer garantir que os impostos são bem empregados (e ele é cidadão também), quer ser respeitado e que a lei também o seja - e ainda pode ser sacaneado pelos demais, tirado de "otário" ou coisa pior. E vão olhar torto pra ele - "Servidor público? Hmpf. Marajá, vagabundo, pilantra". A cada passo que ele der, vão suspeitar de que está "levando algum".

Aos desonestos, interessa espirrar os honestos para fora da máquina. Intimidá-los, desanimá-los, desmotivá-los. E aqui, como no caso do cidadão que quer abrir uma lojinha, fazer tudo direito é muito mais difícil, é mais fácil se dar bem quem quer o contrário.

***
MAS o caso do Bourbon é outro. Ele NÃO SERÁ beneficiado pela demora. Mas vai sair em todas as rádios (porque mídia pauta a mídia)que "mega-shopping paga merreca de IPTU". Cidadãos ficarão irados e descrentes e dirão "Então pra quê pagar imposto?", ficarão com ódio de qualquer cobrança...

Ô, mundo cão.

Quilometragem

Já aconteceu em outro blog: algumas pessoas reclamam que meus posts são longos demais.
Eu também acho.
Não sei se eu conseguiria ler até o fim.
Mas mesmo que ninguém consiga, eu preciso escrever aquilo tudo. Até o fim.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Faça a Coisa Certa

É muito fácil fazer tudo errado.

Sabe aquela história de "para morrer, basta estar vivo?". Sabe a fragilidade que existe na vida - hoje eu estou aqui, amanhã posso per-fei-ta-men-te não estar? É a fragilidade que existe em tudo o que funciona, tudo o que é feito, tudo o que existe.

Além de movimentado, o dia hoje teve dois momentos desgastantes ao extremo.

O encontro com o dono de um estabelecimento comercial que jura que está fazendo tudo direito, que diz que pode juntar todos os documentos do mundo para demonstrar, que chama até o Papa para testemunhar a seu favor, mas não consegue mantê-lo funcionando porque em algum momento desagradou alguém (ou negou algum tipo de agrado a alguém) e agora não adianta provar que a tataravó do dono do imóvel casou virgem e o que mais pedirem para ele provar - não vão deixá-lo trabalhar.

Não, não é a primeira história que eu (ou vocês) escutamos desse tipo. Vixe, quantas vezes me chamaram, como vereadora, para tentar ajudar em casos como esse. E quantas vezes eu fiz papel de besta. O cara também jurou que estava tudo certo, que estava sendo sacaneado, eu fui tentar interceder por ele e descobri que tinha coisa errada sim. E o cara nem sabia ou sabia. Mas também aconteceu de terem razão e a gente conseguir desmontar arapucas.

O fato é que o empresário pareceu ter razão. Mesmo. E talvez seja um caso mais de implicância do que de outra coisa. Mas eu só posso obedecer o que dizem os papéis, e se os papéis disserem "pode" ou "não pode" e forem coerentes e convinventes também, eu sou obrigada a acreditar neles.

Né mole não.

***
E como se não bastasse...

Barracos construídos em cima de um córrego foram removidos entre ontem e hoje. Eu soube da operação quando já estava em andamento. "E as pessoas?". "Não tem ninguém, é tudo cenográfico. Estão construindo pra vender - o cara pede 2 mil por barraco. Em cima do córrego! A gente tem de correr desmontar antes que ele termine e venda; não podemos permitir que se consolide a ocupação". "Não tem ninguém?". "Não tem ninguém".

Adivinhem.

Para resumir a história: terminei a tarde com dez famílias na Subprefeitura exigindo atendimento, uma assistente social louca da vida comigo, três barracos mantidos de pé porque têm crianças e gestantes dentro, discussões sobre qual regra se aplica ("Só é considerada residência depois de um ano e um dia" X "Se a pessoa entrou ontem e botou as coisas dela lá dentro, ela está morando e pronto"; "Era uma emergência; nós não podíamos deixar esses novos barracos lá com essa chuva toda que está caindo, muito menos assistir passivamente a exploração fazer a ocupação crescer!" X "Que bela solução de emergência; para onde vão essas pessoas agora". E quem estava mesmo morando e quem não estava, quem tem para onde ir e quem não tem, quem já recebeu verba de indenização para desocupar uma área e quem não recebeu, quem tinha geladeira e televisão e quem só disse que tinha...

O fato é que essas pessoas não podem voltar a morar em um lugar como aquele.

Que esse negócio de remover sem dar um encaminhamento decente (albergue, abrigo, moradia provisória, carta de crédito ou apartamento, conforme o caso), com acompanhamento intenso ao longo de semanas e meses, é uma tarefa inútil para todo mundo.

Que não é fácil arrumar (mais) dez moradias decentes para essas pessoas de uma semana para a outra. (Quantos já estão na fila?)

Que é muito fácil alguém se aproveitar de uma situação para querer se dar bem.

Que quando não faz tudo como tem de ser feito fica sem moral para desmascarar o oportunismo dos outros.

Que é impossível fazer com que as pessoas tratem umas às outras como você acha que deve ser.

Que é muito difícil não querer se dar quem 90% do tempo se dá mal.

Que eu estou f*dida e vou ter de ralar muito para conseguir alguma coisa para esse tanto de gente.

(E tem família vivendo dentro de viaduto, em palafita de todo tipo, em encosta periclitante, em praça, em casa em ruínas...)

Que é fácil misturar boas e sinceras intenções com precipitação.

Que elas estão lá cheias de expectativa e revolta e eu aqui cheia de expectativa e angústia.

E que agora já foi, tenho mais esse ônus ("a Subprefeita que bota todo mundo na rua") e, mesmo querendo trazer todo mundo para a minha casa, sou aquela que deixou os pobres na chuva.

***
Será que eu quero rever o filme do Spike Lee? Ou vou ficar mal como da primeira vez?

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A inauguração do Shopping Bourbon vai fazer um ano, e a "efeméride" será bastante lembrada na impresa - sempre com os marcadores "Prefeitura" e "Subprefeitura da Lapa". A primeira pergunta já veio, pela Folha de São Paulo: "A secretaria de Finanças informa que não cobra o IPTU integral do shopping Bourbon porque o processo do imóvel está parado na subprefeitura da Lapa. O shopping foi inaugurado em 28 de março do ano passado, há cerca de 11 meses. Gostaria de saber se é fato que o processo está na subprefeitura e, em caso positivo, qual a razão".

Eu não saberia nem por onde começar. Finanças não cobra o IPTU porque o processo está na Sub?? Aí me explicaram: Finanças, que normalmente calcularia o valor do IPTU, não pode fazê-lo nesse caso porque se trata de área de Operação Urbana e o cálculo é de outra natureza. (Ainda assim, não sei por quê é a Sub quem calcula, mas um dia vão me explicar com mais tempo - a pergunta veio na hora do encontro com as dez famílias no auditório). O processo é complicado mesmo e não está parado, só não está concluído. Quando estiver e o valor integral do IPTU for calculado, os pagamentos deverão retroagir - isto é, eles vão ter de pagar a diferença por esse tempo sem cobrança integral.

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Bem feito, quem mandou reclamar tanto do marasmo na Câmara?

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PS: Pelo que vi em um email, a resposta oficial para a Folha foi assim: "Com referência a cobrança do IPTU do Bourbon Shopping Pompéia, informamos que o habite-se foi concedido em 06/08/2008. A partir desta data, com posse das plantas e da documentação do empreendimento, a Subprefeitura enviou o processo completo para SEMPLA / DEUSO para os procedimentos necessários. O mesmo retornou no final de dezembro de 2008 para a Subprefeitura Lapa e, após a junção de toda a documentação existente, ele será encaminhado à Secretaria de Finanças para as providências referentes à cobrança do IPTU devido no exercício, sem prejuízo ao Município".

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Eu não resisto

Já vou parar de escrever, mas enquanto fechava as 8 janelas do Firefox, caí nesta aqui, que visitei hoje. Adoro. Tem tudo quanto é dado sobre tudo. Nem todos com o mesmo nível de detalhamento, aprofundamento e atualização, mas ainda assim interessantíssimos.

Rotina segue normal

Se eu escrever sobre o dia, será que ele não volta mais para me assombrar de madrugada?

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Como eu tinha uma reunião às 9:00 fora da Subprefeitura, quis chegar lá antes disso para aproveitar as horas mais sossegadas do dia. Resisti à tentação de ligar TV e computador em casa, senão grudo e não saio mais.

Cheguei às 7:30. Foi ótimo. Adoro manhãs; se elas durassem oito horas, eu renderia o dobro. As tardes podiam ser mais curtas.

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Comecei respondendo emails - sobre o Dia Internacional da Mulher (Sindicato dos Comerciários está planejando um evento bem bacana), coleta seletiva, córrego entupido, servidores, licenças de funcionamento etc.

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Registrei um "SAC" (pedido registrado via Serviço de Atendimento ao Cidadão)falando de um buraco na minha rua, quero ver se funciona. Atenção, CIUO, não vale furar a fila depois de ler no blog! :oP

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Conversei com um funcionário (servidor de carreira) que veio me apresentar alguns dados do seu trabalho (mapeamentos), criticar desacertos da transição na Sub (com razão; como é difícil), falar um pouco de sua experiência no serviço público (com uma paixão que dá gosto de ver) e falar bem de alguns colegas (aleluia! Também acontece :o)).

Falamos de alguns dos nossos problemas mais críticos e do trabalho dele na solução de alguns deles (ex.: Morro do Sabão, no Jaguaré). Chateado com mudanças em seu departamento, pediu, com muita franqueza, para trocar de lugar e se dedicar a determinada função junto a outra pessoa com quem ele se dá muito bem e que precisa de alguém para dividir o serviço. Sim, claro! Quem dera eu soubesse o que cada um realmente gostaria de fazer, onde, com quem. Alguns casos seriam impossíveis de resolver (eu, por exemplo, queria ser prefeita, mas deixa pra lá...). Outros não só seriam possíveis como altamente desejáveis, sob todos os pontos de vista. Funcionários felizes fazendo o que gostam e melhorando a qualidade do serviço.

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Saí para outra reunião, mais ou menos com o mesmo tema. Tem muita gente com vontade de fazer mais do que está fazendo agora e com totais condições para isso.

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Dei de cara com uma equipe de remoção mudando uma banca de lugar. Nem vou contar a história toda - a essa altura, eram dez da manhã e ainda tinha chão pela frente.

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Reunião com a coordenadora do Pró-Ciclista (Grupo Executivo para Melhoramentos Cicloviários, composto por representantes de sete órgãos da prefeitura) para definirmos ações para a Lapa. (Achei uma apresentação da Laura Ceneviva, a Coordenadora, muito simples e elucidativa, veja aqui) O Plano Diretor Regional prevê duas ciclovias na Sub (Seção II, Artg. 12, Parágrafo 5º); vamos dar início ao projeto da primeira delas. Fácil não é: o Plano Diretor traz muitas aspirações e desejos ambiciosos, nem todos exeqüíveis - entre eles, a realização de várias obras viárias caras, complexas e até mesmo discutíveis (veja, por exemplo, os itens 7, 16, 17 e 18 deste quadro - e a previsão maluca de fazer algumas dessas obras até 2006). Pois um trecho da ciclovia passaria, segundo o PDR, por uma via proposta pelo próprio Plano - ou seja, que não existe e talvez nunca venha a existir, porque é uma idéia de transposição dos trilhos da CPTM que pode ser tornada obsoleta pela obra grandiosa que a empresa pretende fazer ali. Enfim, na semana que vem haverá uma inspeção cuidadosa de todo o trecho para ver o que é possível de se fazer.

Também queremos bicicletários, ciclofaixas, rotas sinalizadas, educação etc.

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Mais emails, documentos para assinar, telefonemas e uma nova operação: desmontar barracos que estavam sendo construídos sobre um córrego - detalhe, para venda. Segundo consta, a 2 mil reais cada um. Precisávamos retirá-los antes que ficassem prontos para serem "comercializados" (haja maldade nesse mundo).

"Estão vazios? MESMO?", perguntei. "Sim, são "cenográficos". E estão EM CIMA do córrego, a gente não pode deixar". Ok. (Claro que houve dificuldades depois, mas nem vou voltar para contar essa parte, agora acabou).

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Breve reunião de planejamento de operações de fiscalização para usarmos ao máximo nossos recursos e tirarmos o atraso de tantas consultas/reclamações/denúncias.

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Entrevista ao Grupo 1 de jornais.

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Reunião com o diretor do Núcleo de Gestão Descentralizada da Secretaria do Verde. Temas: arborização, manutenção, mutirões, hortas comunitárias, segurança alimentar, programa da zeladoria de praças, calçadas verdes, requalificação do espaço urbano, educação...

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Assinei os papéis para contratação de "Prestação de serviços de poda e remoção de árvores (3 equipes – 6 meses); de "conservação de galerias e demais dispositivos de drenagem superficial junto a córregos e canais" (1 equipe , 4 meses); de "limpeza manual de galerias, córregos e canais" (1 equipe, 12 meses).

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Discuti dois casos de licenciamentos pendentes. Em um deles, a documentação está sendo providenciada. O outro é mais complicado; é possível que seja uma situação irregularizável. Vamos verificar.

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(Imagino quantas pessoas diferentes, por razões diferentes, estarão lendo isso e pensando: "Será que é o meu caso?". Adoraria tranquilizá-los, mas veja bem, talvez SEJA o seu caso. Aliás, são centenas de casos. Oh shit).

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Estabelecimento fechado com estardalhaço. Proprietário do imóvel, indignado, vem reclamar no gabinete.

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Mini-reuniões-relâmpago (ou nem tanto) sobre atividades culturais, Centro de Convivência Cecilia Meireles, RH (falta gente aqui, talvez tenha gente sobrando ali...), projetos para praças, Defesa Civil. E tive de ir embora sem participar de uma última reunião entre representantes de skatistas, do Viva Pacaembu, Secretaria das Subprefeituras, Secretaria do Verde e um assessor meu. Tema: firmar um acordo para o uso da pista de skate do novo Parque Municipal (Zilda Natel, quase pronto para inaugurar) sem causar desespero na vizinhança.

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Talvez eu tenha esquecido alguma coisa. Espero não sonhar com ela - muito menos perder o sono pensando nisso.

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(E eu achei que, começando cedo, teria tempo para estudar o material sobre as Operações Urbanas Água Branca...)

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Amanhã, entre 8:30 e 12:00, tenho três compromissos em três lugares diferentes (o primeiro, no Paraíso, é pessoal). Valei-me, São Cristóvão.

Terceira quarta-feira

Ao contrário das duas anteriores, em que me arrastei ao longo do dia, hoje acordei às quatro e meia pensando em camelôs, buracos, papéis, lixo, corrupção, internet, áreas verdes, favelas... E não dormi mais. Quero ver até que horas vai esse pique.

Resumo de ontem:

- Conversa (não agendada) com a socióloga que era a responsável pelo Observatório Social da região (do site da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, SMADS: “O Observatório de Política Social deve responder (...) por estudos e pesquisas que subsidiem o desenho, avaliação e eventual correção de rumos da política de Assistência Social no Município, (...) diagnosticando situações de vulnerabilidade e risco social, (...) analisando as questões da Assistência Social em relação a contextos mais amplos”. Como ela mesmo diz, fazia o observatório “pé-na-lama”, o diagnóstico de “situações de vulnerabilidade e risco social” in loco.

Vou ter de sair. Depois eu termino.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Menos voluntários, mais funcionários

(Obs.: Tem uma correção lá embaixo!)

Hoje saiu a nomeação de quatro novos funcionários na Sub, indicados por mim:

Ana Estrella Vargas
Ronaldo Araújo Paixão
Lylian Concellos
Anderson de Jesus

O único que eu já conhecia antes de trabalhar na Câmara era o Ronaldo, um verdadeiro faz-tudo há mais de dez anos. Alimenta o site, pesquisa informações, organiza dados... Está envolvido agora com a digitação de processos que até hoje só têm registro em papel.

A Ana Estrella trabalhou um tempo na Secretaria de Gestão e, no final do mandato, no gabinete da Câmara (nem chegou a aparecer no "Quem somos" do soninha.com.br... Falha nossa). Aqui, está envolvida com questões como Qualidade na Gestão (qualidade no ambiente de trabalho + qualidade no atendimento ao público), A3P (Agenda Ambiental na Administração Pública), e diversas ações ligadas a meio ambiente, cultura, assistência e desenvolvimento social...

A Lylian é popularmente conhecida como "minha agenda". Qualquer um que pediu para marcar comigo uma entrevista ou reunião, me convidar para um debate etc. já falou com ela, por telefone ou email. Encaixar todo mundo em dias tão curtos (têm no máximo 24 horas, que droga) é penoso. Queria ver como ela faria se eu não tivesse moto.

O Anderson é outro faz-tudo. Era o motorista do carro oficial (na Câmara, o carro do gabinete só pode ser dirigido por um assessor designado especialmente para isso). Como não usávamos muito o carro, ele exercia muitas outras funções - por exemplo, saía para fotografar lugares degradados e flagrantes de violência, quando recebíamos um pedido de socorro (e não foram poucos, infelizmente). As fotos publicadas logo abaixo são dele.

Poderia falar muito mais sobre quem são, o que já fizeram, o que estão fazendo nos últimos quinze dias, antes mesmo de terem sido nomeados. Mas essa é só uma primeira apresentação.

(PS: Além deles, também foi nomeado, na semana passada, o novo Coordenador de Administração e Finanças, Carlos Eduardo Batista Fernandes. Ele é o presidente do PPS Municipal, uma pessoa por quem tenho imenso respeito, admiração e confiança. Sem ele, eu não teria recuperado a vontade de militar em um partido político, é só o que tenho a dizer. O Carlos tem bastante experiência em "máquina pública", a mais recente na SPTrans. Tem uma visão muito clara, prática e objetiva das coisas. Depois da experiência de campanha eleitoral, está sendo muito bom trabalhar com ele aqui na Sub).

(PS2: Quinta-feira, 6 de fevereiro - Não, o Ronaldo ainda não foi nomeado!)

Melhorando

O site da Subprefeitura já tem ("já"?)algumas novidades interessantes.

1) A atualização da Execução Orçamentária. Na verdade, essa informação já estava (sempre está) disponível no site da Secretaria do Planejamento, mas a nossa página não "linkava" com a dela. Por limitações técnicas, não é possível cair direto no orçamento da Sub, mas podem-se fazer várias consultas avançadas sem maiores dificuldades.

2) Os "Dados" também estão vitaminados. Ainda falta muita coisa, mas já dá para qualquer um saber quais são os seis distritos da Sub-Lapa, por exemplo. (Não vou contar. Quem quiser que veja lá,ehehe)

3) Essa não é novidade, mas é bom destacar: o site tem uma planilha com a freqüência das varrições nas ruas da região. A Cincinato Pomponet, por exemplo, entre a Doze de Outubro e a Conrado Moreschi, tem de ser varrida quatro vezes ao dia.

O que me espantou foi ver, na planilha, que seriam 4 varrições NO PERÍODO DA MANHÃ (!?). Outros lugares são varridos apenas à tarde.

A varrição é executada por empresas contratadas, assim como a coleta de lixo. O contrato é com a Secretaria de Serviços e nós apenas fiscalizamos a sua execução.

Será que esse esquema de varrição foi estabelecido em contrato? Não dá para ser mais inteligente?

Quanto mais eu rezo...