Mostrando postagens com marcador ônibus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ônibus. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Hey/ Haddad/ Vai tomar busão

Estrada da Cachoeira.
Ruas Ilha de Santa Catarina, Ilha de Itapatica, Cristal, Âmbar, Safira Azul, Esmeralda do Brasil.

Sabe onde? Aqui:



No Jardim (Jardim!) Carombé, pegado ao "Jardim" Paulistano:



***
Outras ruas tem nomes que indicam a simpatia antiga dos moradores de lá: Rua do Mutirão, Rua Chico Mendes. Hoje muita gente que já fez campanha apaixonadamente pelo PT - como eu - não pode nem ouvir falar no PT. "Fala pro Haddad vir pedalar aqui/andar de ônibus aqui".

Agora o que já não é bom vai piorar.

***
Em uma reunião com um líder comunitário (que ainda é do PT) e um representante da Cooperfenix, o pessoal de lá foi sumariamente comunicado de que vai haver mudança nas linhas de ônibus. O 8215 e o 8214 (Jardim Paulistano - Correio) não vão mais circular. Os moradores do Paulistano serão atendidos por uma linha circular de lotação e só depois vão poder pegar o ônibus para o centro da cidade.

Como não consigo ser a demagoga que mete o pau em um governo só porque não é o meu, expliquei: "Em princípio, não é uma ideia errada. O certo é não ter ônibus grande entrando no meio das ruas estreitas (já viu como eles ficam "entalados" aqui) e as lotações entrarem nos bairros e levarem as pessoas para fazer baldeação".

Mesmo concordando com isso, eles sabem que não vão fazer "o certo" p. nenhuma. "De madrugada o ônibus já sai LOTADO daqui do ponto final. Como vai caber essa gente toda na lotação? E outra coisa, você acha que vai ser assim, desce da lotação e já entra no ônibus que vai pra cidade? Até parece!! Hoje daqui na Barra Funda dá uns 40 minutos, quanto vai demorar depois?"

***
Sintomaticamente, não tinha ninguém da SPTrans na reunião. Como diz o Carlos Fernandes, quem faz a "política de transporte público" na cidade são as empresas e as cooperativas... Vasculhei o site da SPTrans e também não achei comunicado, notícia, aviso. Talvez tenha um cartaz dentro dos próprios ônibus, como se a informação só interessasse a quem já usa a linha e não precisasse ser amplamente divulgada.

Bateu o desespero nos moradores quando ficaram sabendo que a mudança já acontece NA PRÓXIMA SEGUNDA-FEIRA. Resultado: em uma reunião ontem com dezenas de pessoas, combinaram uma manifestação hoje no fim da tarde lá no Carombé. (A quem interessar, na Ria Rosalvo José da Silva, em frente à padaria).

Como não é na Paulista nem nas quebradas "mais famosas", será que vai aparecer na televisão?

***
Pensa que é só esse o problema? Agora imagina quantas pessoas moram lá e quantos médicos, unidades de saúde, leitos hospitalares e áreas de lazer tem na região? Volto a isso mais tarde.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Coisas muito loucas dessa greve

- A Globo está fazendo cobertura especial ao vivo ao longo de toda programação. Como se tivesse um fato novo a cada cinco minutos. Até a novela ficou mais curta ontem (coisa que só acontece em caso de morte de gente “importante” e olhe lá).

- Nunca se ouviu tanto a população na TV para mostrar o óbvio - que a primeira, segunda e a centésima milésima vítima de uma paralisação de setor essencial é quem usa o serviço. Centenas de depoimentos “andei três horas, perdi o trabalho, perdi a consulta”. Como se não fosse assim em TODA greve, em que normalmente pegam um ou dois depoimentos e pronto.

- Nunca as autoridades reagiram tão prontamente em uníssono: “É SABOTAGEM! É GUERRILHA”! Até o prefeito, normalmente desaparecido, CONVOCOU UMA COLETIVA. Foi severo, condenou o movimento, “não se pode prejudicar a população assim, sem avisar”.

- Nunca um promotor do Ministério Público ficou tão irado e veio a público com tanta veemência dizer que “É BADERNA”, é coisa de meia-dúzia, e EXIGIR ação policial para identificar e processar criminalmente os responsáveis. Não foi assim em nenhuma greve de polícias, metroviários, da APEOESP, manifestações de Black Blocs, estudantes universitários ou do MPL. Mesmo quando agrediram, espancaram, destruíram patrimônio público e causaram imenso prejuízo econômico ao comércio e serviços.

(Não aguento, tenho de dar nome ao boi: o Promotor de Habitação e Urbanismo Mauricio Ribeiro Lopes, era IMPLACÁVEL nas suas cobranças à gestão anterior, do outrora inimigo (e hoje aliado) Gilberto Kassab. Exigia o possível, o impossível, o milagroso. Na última reunião com a Secretaria de Habitação antes da posse do Haddad, rasgou a fantasia e esculachou: “Ainda bem que esse governo está terminando”. Esse é o Promotor que NUNCA vi se manifestando sobre atos de vandalismo e violência, bloqueios que impedem o direito de ir-e-vir em estradas, avenidas e marginais. Agora está in-dig-na-do com os abusos e culpa a polícia por não tirar os ônibus da rua e não prender ninguém).

- Manifestação por melhores salários, contra a violência policial, pelo direito à moradia e contra a especulação imobiliária, em protesto contra mais um atropelamento, contra a Copa, contra o capital estrangeiro, a violência contra mulheres e crianças, a corrupção, a impunidade, o técnico do Corinthians: todas acabam ou começam tacando fogo em ônibus. Foram centenas só em 2014. Agora é uma paralisação de ônibus e o máximo que fizeram contra os veículos foi furar pneu.

***
Datafolha soltou uma pesquisa falando que aumentou muito a porcentagem da população que condena as manifestações e dizem que elas mais prejudicam do que beneficiam.

Ponto para os governos e governantes! Bom para a Fifa, os patrocinadores e as emissoras oficiais!

#Valeu Black Blocs, manifestantes abusados, manifestações abusivas! Vocês conseguiram!

Se não combinarem com ele, não vale. (Se combinarem, vale tudo)

“É absurdo prejudicar a população com uma paralisação que não foi informada”, “cujos motivos, juntos ou injustos, são desconhecidos”, “cujas lideranças não se identificam”. (HADDAD, Fernando - entrevista coletiva convocada (!)¹ para falar sobre a paralisação no serviço de ônibus).

Ah, para.

Paralisações não informadas acontecem o tempo todo. Quando as autoridades solicitam (ou exigem) que manifestações sejam avisadas com antecedência, PT acha um absurdo, “e o direito de livre manifestação”?

Os motivos nem sempre são conhecidos... Às vezes, nem mesmo pelos manifestantes. Já foi demonstrado, provado e comprovado que muitos são conduzidos à Paulista em troca de um lanche e um trocado não sabem nem pra que, e os Sindicatos acham “legítimo”.

Os motivos verdadeiros nem sempre são os declarados. “Queremos qualidade na Educação”! Mentira, queremos f. o governo. “Queremos preservar a autonomia universitária”! Mentira, queremos f. o governo. E se tiver que f. a população junto, azar. Ou melhor, tem que f. a população para produzir os resultados esperados!

Qto às lideranças... Ah, as lideranças. “Movimentos sociais independentes” são liderados por assessores parlamentares. Tem despesas pagas (carro de som, faixas, o bendito do lanche) por vereadores e deputados. Trabalhadores, pessoas afetadas por desocupações e participantes de ocupações são manipulados por malandros de todos os tipos. Os que querem constranger o governo e tão nem aí para o benefício ou malefício das pessoas. Os que querem ganhar dinheiro. Os que querem manter seu negócio funcionando nos becos de um fim-de-mundo qualquer.

E quando não há identificação nem lideranças, como os Black Blocs? #Comofaz? Se eles avisarem “vamos sair quebrando tudo”, aí tudo bem?

***
Os líderes do movimento que desmatou uma área grande de preservação ambiental para instalar 8 mil famílias pararam várias vezes a Zona Sul. Manifestações assim são comuns: fecham a avenida, botam fogo em pneu, tacam paus e pedras em quem tentar liberar a passagem, agora tacam fogo em ônibus, viaturas e carros em “dois palito”.

O prefeito não condena.

Não diz que “foi sem avisar, não sabemos os motivos e não identificamos as lideranças”.

Pelo contrário.

Quando pararam o centro da cidade e se instalaram na frente da prefeitura, o prefeito desceu do gabinete, subiu no carro de som e fez um monte de promessas mentirosas e irresponsáveis. Criminosas. “Vão lá pressionar os vereadores a alterar o Plano Diretor que eu libero a área pra vocês”.

***
Eu não conheço a genealogia do Sindicato dos Motoristas (“Fulano é de Sicrano, Beltrano é do inimigo de Sicrano”). Tem gente que sabe direitinho: “João é do Tatto, José é ligado ao PSTU”. Seja lá o que for, CLARO que a briga entre as lideranças sindicais está por trás dessa paralisação. Duh. Mas sei lá qual é a da direção do Sindicato. Será pelego? E a da oposição do Sindicato, é pior ou menos pior?Cer-te-za que uns e outros são uns anjos, que ja-mais abusam de sua força, dinheiro e poder.

Os grevistas aqui dizem que “eles (a direção, insinuando conluio com as empresas e a prefeitura) anteciparam a Assembleia à revelia para aprovar o que eles queriam”. Não vi um cazzo de um jornalista tentar averiguar isso. Fica, pra variar, no “um falou isso, outro falou aquilo”.

***
(Também fiquei sem saber quem era quem na greve dos garis do Rio, que diziam discordar do que o Sindicato tinha negociado em nome deles. Quem era o filho-da-p. da história, o Sindicato ou a dissidência ou o governo ou tudojuntoemisturado)

***
TODA greve de ônibus f. a população. Não avisar piora, mas é impossível não complicar muito a vida de milhões. Se fosse greve convocada pelo Sindicato, o transtorno pra população seria menor? Só seria diferente. Em vez de chegar ao ponto e descobrir que parou, já ia sair de casa duas horas mais cedo sabendo que ia parar...

O problema do Haddad NÃO É o transtorno. Isso ele aceita, até defende, desde que estejam “do seu lado”. O problema é que essa greve é de um serviço público municipal, ou seja, “contra a prefeitura”. DAÍ ele vem dizer que não é justo, não é assim que se faz. Vai falar isso lá pra CUT que eu quero ver.

*****
¹ O espanto com a convocação foi a rapidez com que o sempre sumido Haddad veio a público se manifestar. Mas ele não é louco de ir a campo, dar as caras em público e enfrentar o quebra-queixo, isto é, aquela roda de repórteres de rádio, jornal e TV se acotovelando em volta dele no momento de tensão. Haddad é que nem jogador de futebol, só fala sentado na bancada, na frente de um backdrop, com a entrevista sob controle.

quarta-feira, 26 de março de 2014

É mentira. E quando é verdade, é pior.

Meu Deus do Céu, estarrecedora a reunião de declarações demagógicas e irresponsáveis do prefeito e do presidente da Câmara Municipal em resposta à manifestação do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) hoje na cidade.

O prefeito diz que vai revogar o Decreto de Utilidade Pública que previa que a área ocupada "por 8 mil famílias" (não faço ideia se esse número é verdadeiro) seria área de preservação/parque municipal.

Abrir mão de uma área de preservação na Zona Sul já é uma coisa temerária ao extremo e nem preciso dizer por que.

Mas aí ele passa bola para a Câmara: "Os vereadores precisam aprovar a mudança daquela área para ZEIS, Zona Especial de Interesse Social, para revogar o Decreto". Mentira. Revogar o Decreto não depende de mudança na lei. Produzir moradia lá pode depender desse zoneamento

(O Decreto do Kassab hoje criticado e prestes a ser revogado pela prefeitura fazia o que tanto cobrávamos: dava efetividade a um zoneamento aprovado no Plano Diretor/ Lei de Uso do Solo aprovado no governo do PT. Mas eles dão a entender "esse Kassab não tinha sensibilidade com os movimentos de moradia, quis fazer um parque ali". Só não usam mais O NOME do Kassab porque ele é um grande aliado da Dilma. Mas vira o genérico "gestão anterior").

Ou seja: ele faz uma promessa muito discutível, ao mesmo tempo em que tira o corpo fora. Assim sai bem na foto com o movimento e na verdade não faz nada.

***
Minha empregada não mora longe da ocupação, que é bem recente. Tanto é que as imagens mostram barracos de madeirite, precaríssimos, construídos há pouco tempo. Os mais pobres, assim que podem, vão construindo barraco de tijolo, batem a laje etc. Se viram - brasileiro é mestre em sevirologia, no que isso tem de bom ou de ruim.

Ela ficou puta com essa história. "ONDE estavam essas 8 mil famílias? Debaixo da ponte é que não estavam. De onde saíram para entrar ali e exigir casa? Eu também quero casa".

Pois é, a ocupação vira um gigantesco "fura-fila" na política habitacional. Não tem casa pronta pra todo mundo, seja com Cohab, CDHU ou Minha Casa, Minha Vida (esse menos ainda, porque depende de parcerias, portanto interesses, do mercado). Tem gente esperando na fila HÁ DEZ ANOS. Tá lá no cadastro. Idoso, com muita dificuldade para sobreviver, morando em área de risco. Conheci muitos. Mas... Não tem vereador amigo para furar a fila, não tem dinheiro para comprar a preferência, não tá em ocupação dos Movimentos.

F*da.

"Tem gente lá", continua minha empregada, "que realmente eu não sei como sobrevive. Tem uma mulher da minha rua que cria quatro filhos sozinha e ela REALMENTE precisa. Mas Sonia, tem gente lá que tem carro, tem o dono de uma pizzaria lá do bairro. Ele tem uma pizzaria e tá lá pedindo casa".

Puta da vida.

***
Aí falam com o José Américo, vereador do PT que preside a Câmara Municipal de São Paulo. Que disse ter prometido ao MTST que "vai votar o Plano Diretor o mais rápido possível"; que em maio já terá sido aprovado.

MEU DEUS.

"O mais rápido possível". Tem PRESSA para aprovar um projeto HIPER complexo.

Na gestão anterior, o PT fez de TUDO para bloquear a votação. Entrou na Justiça. Disse que "como já querem mudar o Plano Diretor se o outro nem foi posto em prática"? Como se Plano Diretor não fosse algo para 10, 20 e 30 anos. Não é coisa que você "faz" e pronto. Precisa ser revisto sim, portanto modificado. Em função das recentes conclusões sobre Mudanças Climáticas e seu efeito na cidade, por exemplo.

Diziam também (tenho transcrição dos discursos) que "o Projeto do Executivo não é só uma revisão, ele muda SUBSTANCIALMENTE o projeto original e não podemos concordar com isso".

Adivinha O QUE o atual projeto faz com o original. Muda MUITO. Eram contra, agora são super a favor e comemoram as grandes mudanças que vão ocorrer, "mudando paradigmas".

Gente, rrrepito, o Plano Diretor em vigor foi enviado e aprovado no governo Marta. O relator foi o Nabil Bonduki. Agora falam em coisas lindas que virão com o novo Plano, sem dizer que se as anteriores eram feias, foram eles que fizeram.

***
Ah, e produzir milhares de moradias lá muito longe na periferia é O CONTRÁRIO do que São Paulo precisa e o prefeito, teoricamente, defendeu na campanha...

***
E tem a história dos "predios altos". Segundo o SPTV, só serão permitidos prédios altos onde houver corredor de ônibus.

Prédio alto, naturalmente, é o que mais interessa às construtoras. Ou "à especulação imobiliária", como o PT sempre diz (e "especulação" é bem diferente da produção imobiliária. Mesmo que esta possa ser bem ruim do meu ponto de vista, especulação é outra coisa).

E, vejam que coincidência, a prefeitura está dizendo que muitas ruas serão agora reservadas para novos corredores. Então vai poder prédio alto em todas elas, duh. Ainda que o corredor fique para as calendas. E se prédio alto tiver garagem com várias vagas por unidade, deusolivre, vai ter um impacto terrível em uma rua onde passa ônibus.

Aí o SP informa que "prédio alto só vai poder ser construído onde já tem predio alto". Ou seja, onde o impacto já f. as ruas, o trânsito, a drenagem etc, vai poder piorar. E o Nabil apareceu defendendo, "em vez de ter prédios altos espalhados pela cidade, vamos concentrá-los". Ai ai ai.

***
Ainda sobre ZEIS: dizer "nesta área só pode construir moradia popular ou habitação social" é medida importante para os terrenos bem localizados não ficarem só pra quem tem muita grana (depois de um bom tempo parados, "especulando", esperando valorizar...). Mas "só pode construir" não é garantia nenhuma de que seja construído... Ou alguém do setor privado se interessa, ou o poder público produz. Senão continuará sendo um terreno ou uma gleba.

***
A matéria sobre esse assunto no site da prefeitura ainda diz: "A Secretaria de Habitação comprometeu-se a analisar, no prazo de 15 dias, a viabilidade de construção de unidades habitacionais em alguns terrenos identificados pelo MTST em diversas regiões da cidade. "Eles conseguem identificar terrenos com maior agilidade, já que conhecem bem a região. onde podem ser construídas moradias. Temos um departamento de planejamento na secretaria que, juntamente com os movimentos, vai trabalhar na elaboração de projetos habitacionais para a comunidade", disse Floriano.

Meu Deus, meu Deus. A prefeitura precisa do MTST para "indicar terrenos", já que eles "conhecem melhor a região". E em quinze dias arrumarão agilidade sabe lá de onde para dar a resposta sobre a viabilidade. Quero ver.

Se dependesse do conhecimento que o Haddad tem da cidade, não sairia mesmo moradia em terreno nenhum. Mas a prefeitura tem de saber onde há areas e não depender do MTST para mostrar onde tem.

***
Acrescentado na quinta-feira as 7h50:

Por coincidência, hoje tem nova manifestação por moradia a caminho do Palácio dos Bandeirantes. Como o governador de São Paulo não vai subir em um carro de som para contar várias mentiras e satisfazer o Movimento com promessas irresponsáveis, fica 1x0 para o prefeito. Ele é o do diálogo; o governo do estado, o da insensibilidade com os movimentos sociais.

O marketing do PT vai comemorar mais uma vitória. Do marketing.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Eu uso, vocês pagam

Bilhete Único Mensal - Pra quem ele é BOM?

Para quem:

- Tem R$140 para carregar o bilhete no começo do mês
- Usa todo dia e quer viagens extras no fim-de-semana

Quem pega várias conduções na ida e volta para o trabalho (dentro do prazo permitido para baldeações gratuitas) gasta R$6 por dia.

Se contarmos 22 dias úteis no mês, serão R$132,00. Sobram, assim, R$8,00 no Bilhete Mensal.

Se o passageiro não fizer, ao longo do mês, ao menos 3 outras viagens de ida e volta, não é vantagem nenhuma.
Mas se ele usar o ônibus bastante nos sábados e domingos, aí pode ser uma boa economia.

Em todo caso, tem de ter os tais 140 à vista. Não é todo mundo que tem. Um autônomo, por exemplo, que vai ganhando o dinheiro picadinho... Um ambulante...

Por outro lado, eu tenho. Já costumo carregar o Bilhete com 100 reais e detesto descobrir, na roleta, que estou sem crédito, fué. Para mim vai ser superprático.

Mas...

1 - E no metrô, vai funcionar? Como? Hoje em dia a gente paga uma tarifa menor na transferência para o metrô, mas paga. Se for gratuita... Vixe, a prefeitura vai ter de pagar por passageiro transferido (de graça é que não sai) e vai custar caro (são milhões de transferências).

2 - Seja qual for a resposta acima - tá, eu comprei R$140 em passagem e, na prática, gastei o equivalente a R$200. A prefeitura cobriu o valor restante, isto é - A POPULAÇÃO DE SÃO PAULO arca com o custo do desconto que eu ganhei.
Portanto... Os mais pobres vão acabar pagando pros mais “ricos”!

Concluindo, o Bilhete Único Mensal:

- Traz praticidade para quem tem dinheiro

- Pode não representar grande vantagem para quem não tem (difícil imaginar alguém dizendo “ei, vamos andar de ônibus, eu tenho crédito!”) 

- Tem um custo para os cofres públicos que não é necessariamente justo.

Também não significa melhoria significativa no serviço, que é o que tem de acontecer! Se o sistema de ônibus funcionar direito, aliás, o custo da operação vai diminuir, o número de passageiros poderá aumentar e a tarifa poderá ser mais barata a médio prazo.

***
Eu quero baratear a tarifa - com mais eficiência na operação do sistema, como disse, e com mais “receitas extra-tarifárias”, isto é, obtendo recursos que não vem do pagamento da tarifa. 

Exemplo: exploração de publicidade nos pontos de ônibus (talvez até nos veículos), licitação de pontos comerciais nos terminais e estações de embarque (como as que vou fazer nos corredores :o)), pedágio urbano (se um dia ele for implementado - depende da aprovação de uma lei, não da minha opinião).

Enquanto isso não acontece, precisamos rever a política de gratuidades/meia passagem. Muitos estudantes não precisam de meia... Outros não tem condições de pagar sequer a meia. Para alunos de baixa renda, a passagem tem de ser 100% subsidiada. Tem uma galera que, se não puder passar por baixo da catraca, tem de ir a pé para a escola, porque a família não tem R$60 por mês e por filho para gastar só em transporte. (A Bolsa Família paga R$70 por criança, é isso?? Em uma cidade grande não dá pra NADA).

***
O Haddad disse, em entrevista, que o Passe Livre (para todos) é inexequível. Parabéns pra ele, de verdade, por ter sido honesto. Se ninguém pagar tarifa para andar de ônibus, a prefeitura vai gastar bilhões dos cofres públicos para sustentar o sistema e a população sai perdendo e não ganhando - não vai sobrar nada para MELHORAR o sistema.

Acho que o Haddad foi sincero por duas razões: alguém ia acabar perguntando “então por que vocês não deram passe livre no governo Marta?”; vai que ele ganha a eleição e é cobrado sobre o assunto ehehe.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Não dá pra deixar o carro em casa - NOT


Com muita coisa para carregar, hoje vim de carro para o serviço. PQP, como é ruim!

São 40 minutos de tensão e irritação para começar o dia. Ou, na melhor das hipóteses, 40 minutos de atenção e concentração, ou seja, você já gasta uma parte da sua energia antes mesmo de começar o expediente.

De ônibus (ou ônibus + metrô), levo MENOS tempo que isso (leva em torno de meia hora da minha casa na Pompeia para a minha sala na Boa Vista). E é um tempo de caminhada, reflexão, devaneios. De reparar nas amoras e cerejas esmagadas na calçada (que lindo/ que dó!), na tia do café na esquina do Sesc Pompeia, nas capas de jornal na banca de revista, no tamanho que já está o prédio novo no Palestra Itália, nas fachadas das casas, na fisionomia das pessoas.

E você pode, eventualmente, se irritar com o motorista e suas aceleradas e freadas bruscas (não é tão raro, infelizmente) – mas dirigindo você tem um motivo para ficar com raiva a cada 500 metros. Neguin’ rápido demais, devagar demais ou mudando de faixa como se não houvesse amanhã – pra que dar seta e olhar no espelho, não é mesmo?; neguin’ ignorando sua seta e sua necessidade de mudar de faixa; semáforos completamente fora de sincronia, obrigando todo mundo a um anda-para-anda-para de enlouquecer; semáforos com tempo desajustado fazendo com que um monte de gente espere no vermelho enquanto não passa ninguém pela transversal que tem sinal verde.

*&¨¨&%$. É, eu fiquei de mau humor. Mas já vai passar.

Ainda bem que tinha o disco da Adele que a Edvânia me deu de presente. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Tarifa Zero? Eu... discordo.


E vou explicar por que.

Todo transporte tem um custo. O não-motorizado é “movido a arroz e feijão”, como dizem os cicloativistas; o motorizado sai bem mais caro. Tem o custo do veículo, combustível, manutenção, conserto, peças, impostos, seguro, estacionamento. O transporte coletivo tem todos esses + os salários + manutenção de todo o sistema – pontos, terminais, garagens, monitoramento, fiscalização. 

O custo do transporte coletivo, mesmo com todos os defeitos que ele possa ter (aqui no Brasil tem muitos), é alto. Ele é bancado pelas tarifas, receitas extra-tarifárias (espaço publicitário, por exemplo) e recursos públicos.  Acho que são raros os sistemas que não tem aporte de dinheiro público para seu custeio - o chamado "subsídio" (que se pronuncia sub-sídio - como "sub-sede").

Se apenas a soma das tarifas tivesse de bancar os custos do transporte, elas seriam muito mais altas. Sem falar que um bom número de passageiros já não paga tarifa completa – há muitas isenções (idosos, pessoas com deficiência, policiais militares etc), gratuidade ou meia para estudantes e, nos sistemas com “Bilhete Único”, isto é, em que um número de baldeações é permitido sem novo pagamento de passagem, o passageiro acaba pagando metade ou um terço do valor por cada passagem (porque paga uma e pega três conduções diferentes). O custo é o mesmo; quem banca a diferença? A prefeitura. (Ou o estado). (Ou, no caso do Vale Transporte, o empregador).

Para completar, então, o valor da tarifa, a prefeitura de São Paulo entra com centenas de milhões de reais todos os anos. E aí tem gente que interpreta assim: “a prefeitura dá dinheiro para as empresas”. Não, ela não “dá dinheiro”. Ela paga pelo serviço prestado.

Tem gente que acha que, se o sistema fosse estatizado, a prefeitura economizaria milhões porque não precisaria mais bancar “o lucro das empresas”. Eu discordo.

Quando comecei a estudar mais a fundo esse assunto, encontrei um estudo do Ministério das Cidades – quando ele ainda era sério e se propunha a estudar de verdade os problemas das ditas cujas – que mostrava o impacto de cada despesa na composição da tarifa. Insumos, salários, impostos e encargos, a renovação da frota,  etc. E a “taxa de retorno” ou “remuneração” das empresas concessionárias – que correspondia, em média, a 6% do valor da tarifa.

Portanto, uma empresa concessionária ganha sim, muito dinheiro – ou não haveria uma guerra sangrenta em torno das concessões. Mas é porque ela recebe um bocadinho sobre cada passagem inteira de milhões de pessoas (acho que 3 milhões por dia em São Paulo). Ou seja, se não houvesse esse ”lucro”, a passagem poderia ser... uns 6% mais barata.

E a prefeitura, por sua vez, se assumisse todo o sistema, precisaria adquirir (desapropriar, no primeiro momento...) 15 mil veículos, administrar uns 50 mil funcionários concursados e estáveis, providenciar todos os parafusos e porcas e abastecimento e segurança das garagens e manutenção e parte jurídica e etc. Significaria ser a única “dona” de um verdadeiro mastodonte, com toda a dificuldade de gestão que isso representaria.

Eu concordo com a escolha feita nos últimos anos (a que vigora no momento é fruto de um contrato assinado no governo Marta, antes que digam que é o “jeito tucano” de fazer): concessão. Empresas operam as linhas e a prefeitura é quem “manda” nelas e responde pela gestão do Sistema.

Se na prática isso funciona mal, é porque a prefeitura é uma má gestora, não porque o modelo está errado. Linhas precisam ser reformuladas, criadas ou extintas; pontos e terminais precisam de reformas; a frota precisa ser renovada DIREITO; é preciso oferecer mais conforto para funcionários e passageiros e mais e melhores informações sobre o Sistema. E essas nunca deixaram de ser obrigação da prefeitura; é ela quem toma pau, como deveria tomar, qdo o Sistema não funciona direito.

***

A tarifa precisa ser mais barata? Sim, porque ainda representa muito % em relação a essa porcaria de salário mínimo que a gente tem no Brasil. E a melhor maneira de obter isso é reduzir o custo, o que pode ser feito com algumas medidas:

- MELHORAR A GESTÃO do Sistema – se os corredores fossem operados direito, por exemplo, os ônibus ficariam menos tempo parados no congestionamento DO CORREDOR (!); gastariam menos combustível, fariam mais viagens, seriam mais eficientes e portanto atrairiam mais passageiros, que poderiam viajar com mais conforto do que hoje (uma das razões do ônibus lotar é que ele demora para passar, órraios).

- DIMINUIR o custo dos insumos – aí entraria por exemplo o senhor governo federal, que tem uma política de subsídio para a gasolina dos automóveis particulares mas senta a bota no óleo diesel. Essa porcaria de diesel que é distribuída no Brasil, apesar do CONAMA ter determinado que melhorasse anos atrás.

- RENOVAR a frota de modo a melhorar a EFICIENCIA ENERGÉTICA, inclusive com outras matrizes – mas aí também não adianta usar eletricidade se a tarifa cobrada ao transporte coletivo pelo valor mais alto!

- BUSCAR outras receitas – a tal da publicidade (bem regulamentada, não me oponho a ela), um subsídio maior por parte dos empregadores, e... pedágio urbano, cobrado dos particulares para financiar o coletivo.

- REVER algumas isenções. A meia para estudantes, por exemplo – beneficia o aluno da escola pública mas também o aluno do Dante, para quem a economia não faz a menor diferença. Podia ser garantida para 100% da rede pública E para os alunos da rede privada que comprovassem necessidade. Sei lá, é só uma idéia.

“Mas e se a tarifa fosse zero”? A prefeitura teria de bancar o custo total, e isso significaria um absurdo de dinheiro, por mais que ela caprichasse nas medidas acima. E a prefeitura não pode apenas custear o transporte de hoje, ela precisa investir e muito no transporte de amanhã. E gastando milhões todo dia, perderia muito a capacidade de investimento!

Além de todas essas questões racionais, matemáticas, tem outra menos “calculável” mas imaginável . Com a tarifa zero, quem garante que as pessoas não iriam pegar ônibus para tudo – incluindo trajetos que poderiam fazer a pé? Oras, se é “grátis”, por que não pegar esse ônibus que está passando aqui e descer dele no próximo ponto? Ok, admito, pode ser só viagem minha. Mas pode não ser!!

Pra encerrar, preciso insistir em um ponto fundamental: não há sistema de transporte no mundo, por mais bem gerido que seja, que dê conta da nossa demanda aqui. Porque são milhões e milhões de pessoas fazendo o mesmo trajeto todo dia no mesmo horário; porque milhões de pessoas são obrigadas a atravessar a cidade para trabalhar/ estudar. Ou a cidade se reorganiza de modo a oferecer trabalho, estudo, abastecimento e lazer perto de onde as pessoas moram (e para garantir moradia perto de onde tudo isso já existe), ou os ônibus estarão sempre lotados no horário de pico. (Fora do horário de pico ou no contrafluxo, eles já circulam dolorosamente vazios). Um tremendo desperdício, já que a rua do lado de fora está entupida de carros...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O instrutor teve de instruir



Ir de Santana à Cidade Universitária de ônibus toda manhã (e voltar correndo na hora do almoço) era terrível. De carro também era muito ruim. Concluí que o jeito era derrotar o medo que eu tinha de moto e tirar carta. Qual não foi a surpresa do instrutor ao saber que teria de me ensinar de verdade e não apenas dar umas dicas para passar no exame...

Site oficial - http://www.salaoduasrodas.com.br/

Twitter - http://twitter.com/#!/salao2rodas

Facebook - http://www.facebook.com/SalaoDuasRodas

Blog - http://blog.salaoduasrodas.com.br/



E o código promocional de desconto para os leitores do meu blog é BLOGEMB

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Minha vida em oito rodas


Ou doze, ou dezesseis, não sei quantas são em um ônibus biarticulado.

Hoje tive reunião na FGV – mais precisamente, no ITCP, que é o máximo, sou fã.

Da Rua Boa Vista para a 9 de julho, com certeza a melhor alternativa é pegar um ônibus no Terminal Bandeira e descer no ponto em frente à faculdade.

Caminhei uns 5 minutos – embora tenha parado no meio da caminho para cumprimentar o Robson pela Bicicloteca, que é DEMAIS – e cheguei ao Terminal.

Que tem duzentos mil ônibus que seguem pela 9 de julho, cada um com seu ponto final. Aí começa a primeira burrice: você tem de escolher um deles meio a olho e dar sorte dele ser o primeiro a sair.

Beleza, entrei em um com o motor ligado e ele saiu quase imediatamente. Em 5 minutos eu estava na GV. Ônibus vazio, fui em pé mas com espaço.

Na volta... Colapso do sistema. Tudo errado.

O ponto sentido Centro estava lotado de gente. Tem de se acotovelar para chegar junto ao meiofio e fazer sinal para o ônibus parar.

São dois pontos emendados e não consegui descobrir qual ônibus pára onde. Sei que chegou um Terminal Bandeira (quase vazio!), fiz sinal, algumas outras pessoas também e o mardito não parou.

Será que a gente estava no ponto errado??

Em seguida, veio um Princesa Isabel bem cheio. Não quis pegar – vai que não dá tempo de descer no meu ponto?

Aí veio outro Terminal Bandeira. Bem cheio, mas não megahiperlotado. Mas o motorista só parou para o pessoal desembarcar, não abriu as portas de embarque. !!!!!!

Chegou outro Princesa Isabel, desta vez um biarticulado, cheio mas com espaços. “É nesse que eu vou”.

Bom, embarcar já foi difícil, com a calçada congestionada e algumas pessoas ocupando metade da porta. Aperta daqui, empurra dali, entramos todos. Mas a roleta não girava, de tanta gente logo depois dela; ainda bem que ainda faltava um tempo até meu ponto.

Quando passei, vi que tinha muito, mas muito espaço lá atrás! O ônibus é compridão e tem várias portas lá para atrás, mas o povo fica todo socado depois da roleta, na primeira porta. Que m.

Muito pior que isso foi o fato de o ônibus levar mais de 20 minutos para percorrer uma distância RIDÍCULA. Isso porque o corredor “desaparece” em cima de um viaduto e simplesmente o coletivo que transporta umas 200 pessoas fica parado – PARADO – um tempão atrás de 10 carros com no máximo 15 pessoas. Absurdo.

No fim das contas, levei UMA HORA de volta da GV à SUTACO. Acho que a pé daria menos tempo.

Tá errado o fato de um ônibus daquele tamanho ter de ficar na pista atrás dos carros particulares.

Tá errado ter a porcaria da roleta – não precisa,  tem o validador eletrônico! E o cobrador podia estar no ponto, não dentro do ônibus. Quando ele encostasse, podia abrir todas as portas para embarque e desembarque, como um vagão de metrô.

Tá errado não informar direito no ponto de ônibus qual é a parada de cada um.

Tá errado o fato de ter tanto ônibus no corredor! Essa parte não é tão simples de entender, mas depois faço questão de explicar.

Todo mundo ama (ou diz que ama) metrô, mas ônibus em São Paulo é CRUCIAL. Quando funciona, é tão bom... Tô tão mais feliz sem dirigir todo dia... (Eu andava muito de moto, mais do que em qualquer outro meio de locomção). E sem grandes obras, sem enormes investimentos, o sistema de ônibus já podia ser muito melhor. %$#¨&

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Revisão do Plano diretor e Transporte Coletivo

Em vez de continuar com a comparação ponto a ponto entre o Plano Diretor e a proposta de revisão, em função da mensagem do André Pasqualini, que respondi abaixo, vou pinçar do texto do PL 671/07 (quase) todas as menções a "transporte coletivo". Não vou comentar, explicar, contextualizar, apenas vou reproduzi-las - para que as pessoas vejam que algumas das acusações que são feitas ao PL são completamente sem fundamento. Não, a prioridade ao transporte coletivo não sumiu do texto, foi mantida e até ampliada. Vejam (são todas reproduções literais, copy/paste de incisos e parágrafos e artigos diversos, na ordem em que aparecem):

X - gestão do sistema viário com prioridade ao transporte coletivo;

VIII - a promoção e o desenvolvimento de um sistema de transporte coletivo não-poluente e o desestímulo ao uso do transporte individual motorizado;

X - o investimento em infra-estrutura, gestão e logística de transporte coletivo, sistema viário e circulação de cargas, bens e serviços;

LVIII - moradia digna é a que dispõe de instalações sanitárias adequadas, que garanta as condições de habitabilidade, e que seja atendida por serviços públicos essenciais, entre eles: água, esgoto, energia elétrica, iluminação pública, coleta de lixo, pavimentação e transporte coletivo, com acesso aos equipamentos sociais básicos;

LVIII - moradia digna é a que dispõe de instalações sanitárias adequadas, que garanta as condições de habitabilidade, e que seja atendida por serviços públicos essenciais, entre eles: água, esgoto, energia elétrica, iluminação pública, coleta de lixo, pavimentação e transporte coletivo, com acesso aos equipamentos sociais básicos;

LIX - Operação Urbana Consorciada - OUC é um dos instrumentos para a implementação da política urbana num determinado perímetro, a partir de projetos estratégicos baseados no Plano Diretor Estratégico - PDE, contendo o conjunto de medidas coordenadas pelo Município com a participação dos proprietários, moradores, usuários permanentes e investidores privados, com o objetivo de alcançar transformações urbanísticas estruturais, melhorias sociais e a valorização ambiental, notadamente ampliando os espaços públicos, disciplinando a construção dos espaços privados, organizando o transporte coletivo, implantando programas habitacionais de interesse social e de melhorias de infra-estrutura e do sistema viário;

VIII - implantar programa de controle das emissões veiculares - Programa de Inspeção e Medição, considerando o estímulo à substituição da frota de transporte coletivo por veículos que utilizem tecnologia e combustíveis limpos, no âmbito do Programa Ar Limpo;

IV - a recuperação, pelos instrumentos legais constantes do Estatuto da Cidade, dos recursos advindos da valorização imobiliária resultante da ação do Poder Público e sua aplicação em obras de infra-estrutura urbana, sistema viário necessário ao transporte coletivo, e à circulação de cargas, bens e serviços, recuperação ambiental e habitação de interesse social;

V - o aperfeiçoamento da legislação de parcelamento, uso e ocupação do solo, considerando as condições ambientais, a capacidade da infra-estrutura, circulação e transporte coletivo;

III - tornar o sistema de transporte coletivo e de trânsito um provedor eficaz e democrático da mobilidade e acessibilidade urbana;

V - garantir o desempenho de cada um dos modos que se utilizam do sistema viário, inclusive os não motorizados, a saber: pedestres, ciclistas, motociclistas, transporte coletivo regular e fretado, veículos de carga e automóveis, desenvolvendo ações eficazes de gerenciamento;

VI - incentivar a competitividade do transporte coletivo perante o transporte individual, visando aumentar sua participação na divisão modal das viagens motorizadas;

VI - priorizar a circulação do transporte coletivo sobre o transporte individual na ordenação do sistema viário;

I - operar o sistema viário, priorizando a circulação de pedestres, do transporte coletivo e de carga, bens, serviços e informações;

II - incentivar o uso dos modos de transporte não motorizados com ênfase na implantação de um programa de aumento da segurança da circulação de pedestres, com implantação gradativa de semáforos sonoros nos principais cruzamentos;

V - complementar o sistema viário de forma a incorporar as áreas de urbanização incompletas e não consolidadas, visando ampliar as ligações inter-bairros implantando novas vias ou melhoramentos viários, inclusive ligações cicloviárias integradas às dos parques lineares, e aos modos estruturais de transporte de forma segura e eficiente, priorizando as áreas em que o sistema viário estrutural se apresente insuficiente para o transporte coletivo;

VI - estabelecer programa de recuperação e conservação do sistema viário, de forma a incorporar tecnologia que contribua para a melhoria da qualidade ambiental, inclusive no que tange à implantação e manutenção do passeio público, preferencialmente nas vias atendidas pelo Sistema de transporte coletivo;

VII - implantar a Rede Estrutural de Transporte Público Coletivo, através de corredores operados por sistemas sobre pneus e trilhos;

VIII - implantar prioridade operacional para a circulação dos ônibus nas horas de pico nos corredores do viário estrutural que não tenham espaço disponível para a implantação de corredores segregados,"Operação Via Livre";

IX - implantar sistema diferenciado de transporte coletivo com tarifas especiais, qualidade diferenciada, itinerário com poucas paradas e tempo de percurso reduzido, para atrair o usuário de automóvel;

X - assegurar tratamento físico que valorize urbanisticamente o entorno imediato das vias do Sistema Viário Estratégico e da Rede Estrutural de Transporte Público Coletivo, bem como a adequação da frota de transporte coletivo de modo a garantir a segurança dos cidadãos, inclusive dos portadores de necessidades especiais, e a preservação do patrimônio histórico, ambiental, cultural, paisagístico, urbanístico e arquitetônico da Cidade;

XI - regulamentar a circulação, parada e estacionamento de ônibus fretados;

XXVIII - reduzir as emissões ambientais geradas pelos modos motorizados de transporte, implantando corredores exclusivos para transporte coletivo não poluente, inclusive trolebus, de acordo com a demanda de transporte, capacidade e função da via;

XI - permitir a utilização do espaço aéreo e subterrâneo em logradouros e espaços públicos para a implantação de ligações de acesso a edificações e terminais de transporte coletivo.

Art. 84. As prioridades para melhoria e implantação de vias são determinadas pelas necessidades do transporte coletivo, pela complementação de ligações viárias integrantes do Plano entre bairros e pela interligação entre os municípios da Região Metropolitana de acordo com a Política de Circulação e Transportes, constante do Quadro nº 02A e Mapa nº 02A anexo a esta lei.

Art. 85. O Plano de Circulação e Transportes expressa a política de circulação do Município através de ações e investimentos nos sistemas de transporte coletivo, seja o estrutural, local, fretado, seletivo, escolar ou outras modalidades, o serviço de táxis e lotações, o sistema cicloviário, a circulação de bens e serviços e a estrutura de estacionamentos.

Art. 86. A revisão do Plano Municipal de Circulação Viária e de Transportes deverá atentar para o desenvolvimento de:
I - Rede Estrutural de Transporte Público Coletivo e da Rede Estrutural Viária e a sua atualização permanente;
II - Sistema Viário Estratégico - SVE
III - Plano de logística referente à circulação pessoas e de veículos de passageiros, de carga, de bens, de serviços e de informações, considerando os vários modos de transporte: rodovia, ferrovia, hidrovia, aerovia e dutovia; sua articulação com centros de distribuição, parques e plataformas logísticas e atividades similares, como estações, terminais, terminais alfandegados e com os anéis viários;
IV - plano de transporte de cargas, inclusive as super-dimensionadas e de produtos perigosos, em locais públicos ou privados,
V - plano de terminais rodoviários de passageiros integrado à Rede Estrutural de Transporte Público Coletivo;
VI - plano de terminais aeroportuários do Município, contemplando suas interligações por vias rápidas;
VII - Política de estacionamento veicular em áreas públicas e privadas;
VIII - serviços segmentados de transporte público coletivo, como linhas turísticas diferenciadas, seletivas, dedicadas, de atendimento hospitalar, noturnas, e outras;
IX - serviços de transporte coletivo privado por fretamento;
X - serviços de transporte hidroviário.

Art. 88. Lei municipal regulamentará a realização de atividades e eventos e a implantação e o funcionamento de estabelecimentos geradores e redistribuidores de demanda de viagens, por transporte coletivo e individual, de pessoas e de cargas.

Parágrafo único. A realização de eventos ou manifestações em áreas públicas e privadas e a implantação e o funcionamento de estabelecimentos geradores e redistribuidores de viagens deverão ser analisadas pelo órgão de trânsito estando condicionados ao equacionamento do serviço de transporte coletivo e do sistema viário.

Seção IV
Da Rede Estrutural de Transporte Público Coletivo

Art. 92. A Rede Estrutural de Transporte Público Coletivo é composta pelas linhas e estações dos sistemas sobre trilhos e pelos corredores, terminais e estações de transferência dos sistemas segregados sobre pneus, conforme constante dos Quadros nº 03, 03.1, 03.2 e 03.3 e do Mapa nº 03 integrantes desta lei.
§ 1º. A implantação das Estações de Transferência está condicionada a estudos que detalharão sua localização.
§ 2º. O Executivo estimulará a implantação de estacionamentos de veículos e de bicicletas, em um raio de 100 (cem) metros de todas as estações de metrô e de trens urbanos, bem como das estações de transferência do transporte sobre pneus, dando prioridade para as estações localizadas nos cruzamentos com vias estruturais.

Art. 93. Ao longo da Rede Estrutural de Transporte Público Coletivo deve-se estimular o adensamento populacional, a intensificação e diversificação do uso do solo e o fortalecimento e formação de pólos terciários - Eixos e Pólos de Centralidades - desde que atendidas:
I - as restrições de caráter ambiental, particularmente quando são coincidentes ou cruzam os eixos da Rede Estrutural Hídrica Ambiental;
II - as diferentes características dos vários modos de transporte coletivo público, tais como o metrô, ferrovia, ônibus, Veículos Leves sobre Pneus - VLP e Veículos Leves sobre Trilhos - VLT;
III - a forma com que os eixos de Transporte Coletivo Público se apresentam na paisagem urbana, a saber, em superfície, em subsolo ou no espaço aéreo;
IV - a eqüidade na distribuição de acessibilidade;
V - a compatibilidade entre a capacidade instalada de transporte coletivo e a demanda de viagens gerada pelo adensamento decorrente da ocupação lindeira e regional de forma a não comprometer o desempenho do sistema viário existente.

Parágrafo único. A Rede Estrutural de Transporte Público Coletivo, bem como as propostas específicas, refletindo estratégia de expansão em rede articulada, constam do Quadro nº 03 e do Mapa nº 03, integrantes desta lei.

Art. 95. A Rede Estrutural de Transporte Público Coletivo dará suporte físico ao Sistema Integrado de Transporte Coletivo criado pela Lei Municipal nº 13.241, de 12 de dezembro de 2001 composto pelos seguintes serviços:
I - Subsistema Estrutural, definido pelo conjunto de linhas de Transporte Coletivo Público de Passageiros, que atendem a demandas elevadas e integram as diversas regiões da Cidade;
II - Subsistema Local, formado pelo conjunto de linhas de Transporte Coletivo Público de Passageiros, que atendem a demandas internas de uma mesma região e alimentam o Subsistema Estrutural.

Art. 96. O Subsistema Estrutural de Transporte Coletivo deverá utilizar preferencialmente as vias estruturais.

Parágrafo único. O Subsistema Estrutural de Transporte Coletivo poderá utilizar as vias secundárias N4 somente se não houver via estrutural disponível e se forem atendidas todas as condições operacionais e ambientais para essa utilização.

Art. 97. O Subsistema Local de Transporte Coletivo deverá utilizar preferencialmente as vias secundárias N4.
§ 1º. O Subsistema Local de Transporte Público Coletivo poderá utilizar as vias estruturais somente se não houver via secundária N4 disponível e quando essa utilização não comprometer o desempenho do Subsistema Estrutural de Transporte Público Coletivo.
§ 2º. O Subsistema Local de Transporte Público Coletivo poderá utilizar as vias secundárias N5 se não houver via secundária N4 disponível ou via estrutural cuja utilização não comprometa o desempenho do Subsistema Estrutural de Transporte Público Coletivo.


Enfim, alguém pode discordar das formulações, fazer objeções, etc. Mas não pode dizer que o transporte coletivo, na proposta de revisão do PDE, deixa de ser considerado prioridade. Se a prática confirmará o texto é outra história - mas isso vale sempre, pra qualquer governo, caso contrário bastaria fazer as leis...