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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Minhocão - Parte 3

Essa atualização foi de ontem à noite no meu Face

"Historia real, em tempo real:

O cara mora na rua e quer desesperadamente ser internado p largar o crack. Ficou dias em abstinencia, ontem recaiu e hj esta desolado.

Estivemos (eu e uma amiga) c ele em um Caps-AD (Centro de Atendimento Psicossocial especializado em alcool e outras drogas, equipamento da rede municipal de saude. Tem estaduais tb)

Primeiro passo: triagem. Uma entrevista e alguma medicaçao (nao vi qual).

Dois dias depois, exames clinicos.

Hoje, uma semana depois da triagem, ele teria seu primeiro atendimento em grupo.

Nao foi. Zero disposição. Não bota a menor fé de q vai sair do Caps, dormir debaixo do Minhocao e ficar firme e bem até a reuniao seguinte, dali a uma semana.

Sera q ele esta errado?

Consultada, a assistente social do Caps disse que nao tem como "pular etapas". "Tem que passar por 3 encontros c assistente e só depois começam os agendamentos com os médicos, psicólogos, psiquiatras".

Cara, acho isso tão dogmatico... As pessoas sao tao diferentes entre si, mas as etapas sao fixas, obrigatorias, inalteraveis...

IMAGINA morar debaixo do viaduto, seus amigos estao na mesma, entrando e saindo da nóia e o crack ta logo ali. Vc QUER largar, mas a abstinência fica insuportável e nada te ampara e segura.

P quem acha q "é so ter força-de-vontade", imagine-se privado de alguma coisa q te da muito prazer e/ou q seu corpo pede. Comer. Beber. Dormir, levantar, sentar, fazer xixi. Que força sobre-humana precisa ter para aguentar muitas horas alem daquela em q ja ficou insuportavel?

Esse cara tem familia - q ja nao tem mais saco pra lidar com idas e recaidas. Tem boa formaçao, foi camera e editor. As vezes pega servico de pintura c comerciantes q confiam em seu trabalho, q ele faz direitinho. Mas... Quer ser internado e nao pode.

Talvez a internaçao seja para ele uma fantasia, uma ilusao. E se nao for? E se for uma fantasia necessaria p q ele aguente?

Tanto teórico especialista em crack e morador de rua... Tanta generalização... "Precisam de trabalho". Tanto mutirão, receita coletiva, soluçao coercitiva ou libertaria igual pra todo mundo...

Os efeitos e consequencias do crack, devastadores, cabem em uma tabelinha. As caracteristicas de cada individuo, nao.

Como faz?"

Minhocão parte 2

(Começou no post abaixo)

Capítulo 4

Chegando ao CAPS pouco antes do meio-dia, ficamos sabendo que o turno da manhã já tinha terminado e a triagem só aconteceria as 15h, "depois do intervalo de almoço". Reclamei: "Intervalão, hein"? "É que também tem troca de turno".
Ok, ok.

Resolvemos esperar, claro. Os dois com a ansiedade sob controle, totalmente decididos. Mas visivelmente decepcionados quando entenderam que a triagem não era um procedimento imediatamente anterior à internação. Foram de mala e cuia pra lá crentes que ficariam internados. Nós (eu e minha amiga que está acompanhando os dois ainda mais de perto) os tranquilizamos: "Nós não vamos largar de vocês enquanto não estiverem encaminhados de algum jeito".

Às três horas - depois da Maria Paula pagar um almoço para eles - passaram, um de cada vez, por uma longa entrevista. O passo seguinte seria um exame clínico dali a dois dias às sete da manhã. O que trazia muita esperança a um deles, principalmente, era saber que o tratamento incluía remédios. Ele anseia por remédios para ajudar a aguentar a abstinencia.

Capítulo 5

Um dos dois (digamos, "Claudio") lembrou que conhecia um Pastor Silvio que tinha projeto para dependentes de drogas onde eles poderiam se internar imediatamente. Lembrou o nome da instituição, com o Google conseguimos endereço e telefone. Poderíamos ir São Miguel Paulista para "dar entrada" e de lá eles iriam para a chácara onde é feito o tratamento. O método é basicamente oração, trabalho e apoio mútuo.

Foi fácil de achar e fomos super bem recebidos. Depois de ter passado o dia todo com eles, no entanto, não poderíamos acompanhá-los até a chácara em Guarulhos. Deixamos nossos números de telefone - a Irmã que fez a acolhida seria nosso contato para saber deles e para que eles mandassem notícias. A primeira visita só poderia acontecer dali a 15 dias.

O "Alberto" ficou relutante. Sabendo da rotina de trabalho, orações e vigília, criou coragem para perguntar: "E remédio? Não tem remédio"? Desde o início, a promessa de remédio do CAPS o tinha animado. "Vocês vão passar por um médico, farão todos os exames e usarão toda a medicação que ele indicar e terão acompanhamento periódico com ele e um psicólogo. Vou agendar o médico para amanhã de manhã, para vocês ficarem mais tranquilos".

Alberto pediu celular emprestado para ligar para a mulher. Encabulado, ficou um bom tempo falando com ela, explicando onde ficaria, como seria feito o contato com família e amigos, quando ela poderia visitá-lo. Fiquei com a impressão de que ela estava meio brava - cética, vai ver; no mínimo desconfiada - e que ele, ficou inseguro.

Fizemos uma contribuição - não poderia pagar o valor completo (que é mesmo "para quem pode"), mas deixei R$200 para cobrir as despesas mínimas de estadia de cada um. Eles entraram no carro de um pastor (peruano muito gentil, ele mesmo ex-usuário, assim como a Irmã) e fomos embora também.

Capítulo 6

No trânsito das 6 da tarde, comentávamos o dia. Ânimo, desalento, preocupação, esperança, confiança, receio... Em algumas horas, passamos - os 4 - por isso tudo. Mas, incrivelmente, tinha dado certo no final. Era a primeira vez que ela se envolvia de maneira tão próxima com moradores de rua e usuários de crack e estava impactada pela experiência, a paciencia, persistência e disponibilidade necessárias, as idas e vindas. Não víamos a hora de visitá-los.

Avisei: "A gente tem de ficar preparado para dar tudo errado... Para daqui a uma semana eles estarem na rua de novo".

Capítulo 7

50 minutos depois, a Irmã ligou no meu celular: "Eles não quiseram ficar. Não se sentiram bem acolhidos. Rasgo seu cheque"?

Sim, por favor...

[Continua e continua e continua...]

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Minhocão

Prólogo

1º de ano, levamos algumas coisas que sobraram da celebração no templo budista para o Minhocão, onde conheço algumas pessoas. Mas nem precisava. Encosta o carro, abre a porta, oferece doces e frutas, já vem alguns menos desconfiados. “Tem alguma coisa salgada”? “Tem, o pessoal levou pra lá [uma roda no canteiro central], tem bastante”. “Não tem mais para eu levar comigo? É que eu moro em outro mocó”, disse a moça. Em outro vão debaixo do Elevado Costa e Silva.

“Tem roupa?”, pergunta um. Tinha. Roupa boa, nova, cuidadosamente dobrada, para dar para quem estivesse precisando.

Depois de levar um pacote de chocolate para o grupo, um rapaz volta. “Posso pedir uma coisa”? “Pode. Se eu puder...”. Esperava qualquer pedido: passagem pra voltar pra minha terra, dez reais pra comprar farinha, ajuda para tirar documentos (foram os mais recentes, na véspera do Natal). “Arruma um tratamento pra mim. Não aguento mais. Voltei agora do Pronto-Socorro, [foi por causa do] pulmão”. Falou sério, sem drama. (Tem tanto drama e dramatização...) “Claro, vou ver o que consigo fazer. Nos próximos dias não vou estar em São Paulo, mas volto daqui a uma semana”. 

Medo de ele não segurar as pontas até lá. Medo de ele desistir de buscar tratamento. 

Capítulo 1

Uma amiga estava junto, sentiu sinceridade no pedido e voltou enquanto eu estava viajando. Perguntou por Luis, crente que era esse o nome. Depois de uma sequencia de “não está aqui” nos vários vãos, alguém disse “tá lá no PS”.

Foi ao PS Barra Funda, entrou na boa (às vezes "embaçam", não deixam, mas ela explicou o intuito), andou pelos corredores perguntando “Luis?”. Ficou horrorizada com a cena que todos sabemos mas poucos vemos: gente nos corredores, deitada ou recostada no chão. Muito morador de rua. Tinha Luis nenhum.

Eu: “Não era Luis, era André!”. “Nossa, lembro tão bem da fisionomia dele, troquei o nome??!”

Capítulo 2

Voltou, perguntou, encontrou o Alberto (o nome é outro, esse eu inventei). Que continuava totalmente disposto e ansioso por tratamento. Ela me ligou com ele do lado, conforme o combinado.

Eu já tinha perguntado em um CAPS-AD pelo qual passo sempre qual “o procedê”, como diriam. “Moram debaixo do Minhocão"? Teriam de ir ao CAPS Pinheiros, fora da mão pra mim e pra eles. “Você vai ficar como referência deles? Então traz comprovante do seu endereço e a gente passa eles pela triagem e depois vê onde vão se tratar de fato. Eles tem documento”?

Sei lá. Descobriria depois. 

***
Expliquei por telefone para Maria minha amiga, ele tinha documento sim. Combinamos às 10h30 do dia seguinte na frente da estação de metrô


Capítulo 3

Eu tinha receio de ele não aparecer, ela também. Mas ele estava determinado mesmo. Catou as posses todas (em uma sacola de supermercado) e se despediu do pessoal, que desejou sorte. 

O João, com quem já encontrei muitas vezes (que canta “King of Pain” (Police) sem errar uma palavra e sabe exatamente o que está dizendo) fez sua costumeira cara triste e disse que queria ajuda também. “Meu problema é o álcool”. “Ué, você não falou outro dia que largou o crack mas em compensação cheira muito”? Riu falsamente encabulado, tentou negar mas viu que já era. “Maconha, cocaína e bebida”. “Por que não fica só com a maconha, homem”?

No fim, não quis ir com a gente. Quer que eu interne a força a namorada dele, "que tá no crack lá no parque Dom Pedro". Eu a conheci no Natal – carioca, negra, bem baixinha, tem vinte e poucos anos e não sabe ler. Figura. Pergunta PRA ELA se é namorada dele? “Já fui, gostei dele pra caramba, mas não dá. O cara quando bebe fica ignorante”. 

Outro também perguntou “tem mais uma vaga nessa barca”? Pegou o “kit” (todos os pertences em uma sacolinha, como o outro) e embarcou no metrô com a gente sentido CAPS.

[Continua nos próximos posts... E continua, e continua...].

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Mais Médicos - 3

Um texto muito bom no Facebook - do Padre Genivaldo Ubinge, que nos recebeu (eu e minha amiga Francyene, que já havia passado um tempo lá fazendo atividades em presídios, aldeias e igrejas) em Guajará-Mirim. Discordo de um ponto ou outro - como quando ele afirma (porque certamente acredita) "é claro que o programa Mais Médicos prevê investimentos em infraestrutura, equipamentos, abertura de novas vagas e especializações". Não... Não é claro. Veremos se esses investimentos estão realmente previstos e PRINICIPALMENTE se vão acontecer.

Mas as ponderações são tantas e tão sensatas, honestas e justas que tenho vontade de assinalar várias delas com vermelho em negrito rs. Só não o faço porque a leitura acaba ficando mais cansativa... A elas então:




Reflexões de um homem (um religioso, se é que vem ao caso...) realmente preocupado com AS PESSOAS (e, totalmente off-topic, com senso de humor - olha a "foto" do perfil rsrs)



Depois de algumas horas de leitura e uma gripe que não me deixou dormir:

É realmente lamentável ver essas demonstrações de racismo e certo xenofobismo de alguns brasileiros. Nada justifica atitude de hostilidade que estamos vendo. Só comparáveis em estupidez àquela do manifestante pró-Cuba que não deixou a blogueira Anti-Castro falar numa entrevista aqui no Brasil
.

Mais lamentável ainda é ver como lidamos com algumas questões de modo superficial e injusto: com generalizações, palavras e expressões fortes que nada contribuem para o entendimento das questões. É muito difícil emitirmos uma opinião bem-informada a respeito de qualquer coisa, pois lidamos com fontes comprometidas partidária e ideologicamente, com interesse de classes e de grupos. Fui verificar as dados do governo para o programa Mais Médicos, tentar ver a atuação e a preocupação dos Conselhos de Medicina nesta questão e em outras no debate sobre saúde pública, também recorrendo às experiências pessoais de convívio e atendimento com bons e maus profissionais da medicina e tentar verificar como outras categorias de profissionais e ramos de atividades encaram "sair" de seus lugares e irem trabalhar em municípios distantes do Brasil. Seria apenas uma questão de dinheiro?

... tudo isso para tentar sair da solução mineira apresentada pelo personagem Raymundão qdo perguntado sobre a rivalidade de Silvinho e Badú de Guimarães Rosa na novela o Burrinho pedrês: "Eu cá não quero dar sentença, porque todos os dois tem razão e nenhum tem, também".
Eis alguns pontos: já fui acusado por médico experiente de querer atestado pra fugir do trabalho, que inicialmente foi incapaz de associar minha indisposição ao trabalho, sonolência inconstante e magreza incomum de menino de 14 anos que acabara de ingressar no mercado de trabalho à hipoglicemia (exame tão simples); já tive médico que nem olhou para minha cara e me atendeu em menos de 5 minutos depois de esperar numa fila por mais de 4h, nem sei se ele percebeu que eu falava português ou ouviu eu dizer meus sintomas. já fiz consulta com oftalmologista que foi incapaz de acertar o grau de meus óculos. Mas também fui atendido por bons profissionais, sempre na rede pública de saúde, lembro-me do ortopedista que me encaminhou para uma cirurgia pelo SUS que saiu em menos de 90 dias, depois me encaminhou pra 60 sessões de fisioterapia e resolveu um problema de luxação de ombro q me acompanhava por 10 anos!


Outro dia partilhei aqui o fato de muitos brasileiros atravessarem o Estado de Rondônia para procedimentos médicos na Bolívia, eles assumem o risco da estrada, dos ônibus e dos erros médicos (pois acho que não vão acionar a diplomacia brasileira para recorrer de um erro médico)... tudo isso parece ser mais seguro que o João Paulo II. Há também o caso do gestor público que vê no CAPS e na UTI móvel presentes de grego da união para os municípios que depois não conseguem contratar médicos para os manter. Outro caso: em dezembro de 2012, em viagem de Guajará-Mirim a Porto Velho, o ônibus, último de um domingo, em que estávamos colidiu com um carro e virou na ribanceira. No ônibus, três jovens médicos, recém formados. esqueceram de si, agiram rápido e, certamente, salvaram vidas (uma senhora infartada pelo menos). Quando fomos encaminhados para o primeiro posto médico em Jaciparaná, depois de encaminhar todos os pacientes, um deles disse: "isso é sinal! Devo parar com essa vida!", referindo-se às viagens precárias que constantemente fazia de PVH a municípios menores e a distritos para atender os diversos plantões. Então levantei para mim mesmo algumas questões.

Falta altruísmo aos médicos, são mercenários? E os Conselhos de Medicina estão apenas preocupados com a lei da oferta e da procura ao tentar barrar a entrada de médicos estrangeiros? Realmente faltam médicos? A média 1,8 médico por 1000hab é pequena? Formar 12 mil médicos por ano, com 16 mil vagas nas faculdades de medicina é pouco? Onde estão os cursos? Quem os cursa? Como outras categorias e ramos de atividade encaram irem trabalhar em municípios distantes? Quais são os meios do governo e empresas atraí-los?

Primeiramente: acredito que faltam médicos e emergencialmente justifica o programa Mais Médicos. Acredito também que o fato de os médicos não quererem sair de sua cidade e região não se deve apenas a questões financeiras: se pudermos estudar e trabalhar perto de nossa família e amigos, é claro q vamos preferir isso! Outros agentes do serviço público prestam concurso às cegas, sem saber pra onde, atraídos pela estabilidade e bons salários, aceitam ir pra onde for mandados, por 3 anos (tempo do probatório) e começa a luta pela transferência! Salários iniciais para auditor da receita, Juízes de direito, promotores de justiça... todos são maiores do que dos médicos. Há alguns médicos privilegiados que ganham 40 mil no SUS, mas trabalham 62h semanais e são horas extras, não salário (falta plano de carreira!) Só à guisa de provocação: perguntem aos bispos do sul e sudeste que querem manter o projeto de igrejas irmãs, enviando padres para regiões distante da Amazônia e interior do Nordeste como está o nível de "altruísmo" do clero. Médicos não mercenários. Alguns sim! Como os padres não pedófilos. Alguns sim. Cubanos e outros médicos que estudam bem menos em faculdades da Bolívia, Venezuela etc... não são mal preparados. Alguns sim. Nem todos os Médicos que estudam em instituições brasileiras são não bem preparados! Toda generalização é estúpida e preconceituosa.

Sobre a atuação dos Conselhos de Medicina no debate da saúde pública, indo além do interesse de classe. Se há, não acontece em nível de sociedade, nem mesmo com outros profissionais da saúde; talvez em nível de governo ou tribunais. Mas a verdade é que a grande parte da sociedade não vê legitimidade na atuação destes conselhos. E não são poucos os médicos que não se sentem representados por eles. Poucos médicos no mercado interessam à classe, poucos cursos também; além de garantir poucos médicos, dá a falsa impressão de alguém zela pela qualidade deles! Por isso é tão difícil para a sociedade agora acreditar que os entraves impostos para novos cursos, para convalidação de brasileiros que estudaram fora do Brasil e validação dos diplomas de estrangeiros sejam preocupação com qualidade dos médicos, repentino interesse pela saúde pública e não apenas interesse de classe.

Como ação emergencial, vejo como necessária a abertura para médicos estrangeiros (sem necessidade da convalidação dos cursos no Brasil), deverá ser mantida a abertura para médicos estrangeiros sempre, seguindo os devidos trâmites. Penso, porém, que o governo não tratou com justiça a questão de falta de médicos para os municípios distantes. Não há plano de carreira, os salários não são compensatórios e não há estratégia de atração (como para outras categorias). É claro que o programa Mais Médicos prevê investimentos em infraestrutura, equipamentos, abertura de novas vagas e especializações.

Como que os governos não conseguem evitar as greves nas universidades? Por que não se investe em faculdades de medicina nas fronteiras? Há muitos jovens querendo estudar medicina nos municípios amazônidas e do interior do Nordeste. Não é mais fácil levar educação básica e cursos de medicina de qualidade para estes jovens do que querer fazer migrar vários jovens para estas regiões?

O problema da saúde pública não é apenas falta de médicos, e o problema de falta de médicos não é apenas de falta de altruísmo da categoria. É problema de gestão, de planejamento, de programas que vão além de políticas de governo (refém de ideologias e grupos de interesse) para uma política de Estado. E para isso é necessário mais que o governo, é preciso toda a sociedade, inclusive os conselhos de medicina debatendo com toda a sociedade; é necessário que sociedade brasileira esteja disposta a muito mais que ir a ruas manifestar-se. Para usar uma metáfora recorrente, não basta o gigante acordar, também precisa saber aonde deve ir!

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Saudade?

De vez em quando faço uma faxina nas gavetas do Blog. O que tem de coisa arquivada sem concluir e publicar... Achei um rascundo que certamente queria ter desenvolvido melhor (sei lá, é de 2009), explicando ao menos um pouco de que se tratava cada um dos itens. Esquece, isso nunca vai acontecer. Na época eu não tinha tempo e agora já não me lembro (e nem preciso). Então aí vai - um dia qualquer na Subprefeitura era assim: 

Hoje:

Faxina na sala
Funcionário-problema (nova tentativa)
Operação Urbana (obstáculos para as obras)
Obra da Anhanguera (desapropriação)
DTP (transferência de ponto)
Pelezão (capinar)
25 de janeiro (eventos)
Área ocupada na Sumaré? (verificar)
Análise de processos (regularização)
Ambulante irregular (revogar)
Lixo debaixo do viaduto (3 caminhões)
Rubricas orçamento (cadê os códigos?)
Internação menino dep. de crack (onde?)
Ex-vice-presidente Fed de Golfe (evento no Villas Bôas)
Contato Sudepe (encaminhei)
Cessão de área triturador (protocolado)
Bancas CPTM (pedir transferência)
ZEIS Leopoldina (andou)
Tom Maior (sumiu)
Obra de esgoto (uma está começando)
Acesso de pedestres (melhorar)
Ecoponto (vistoriar áreas)
Gotas (reunir idéias)
Plantio Dersa (marcar vistoria)
Reunião Carnaval (mandar alguém)
Mapa áreas verdes (divulgar)
Lapa Digital (faremos?)
Ordens de Serviço (publicar)
Fórum da Lapa (encontrar área)
Formulário passe escolar (“ainda não”?)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

É sério

A história é a seguinte:

O pai fugiu com o filho. A mãe chegou em casa ontem [sexta] e encontrou um bilhete e os armários vazios. Ele levou tudo que era da criança, não disse para onde ia. 

Ela procurou a polícia, que disse que não pode fazer nada porque "ele é o pai". Registrou o fato, mas não como ocorrência criminal. 

A mãe do menino ligou para a família do pai. Nada. Ligou para a empresa onde ele trabalha, tentando saber de seu paradeiro. "Não podemos informar". 

A polícia reitera: não pode tomar providência nenhuma. Na segunda-feira, com um advogado, ela pode conseguir alguma coisa. (Intimação? Mandado de busca? Não sei).

Pergunto (a mãe é minha conhecida):

É isso mesmo? Não há nada que ela possa fazer HOJE? Não se pode expedir algum tipo de comunicado alertando para a subtração do menor? Não existe algum tipo de plantão (Defensoria Pública, Vara da Infância) que possa determinar uma providência imediata? Até onde eu sei o pai não é um psicopata ou coisa parecida, mas... não se pode dizer que a criança, vítima de ação irresponsável do pai, está correndo risco?

Agradeço MUITO aos que puderem ajudar - com uma dica, um contato, uma orientação. Por favor, respondam por email (rp@soninha.com.br) porque não quero colocar aqui o celular dela porque o mundo está cheio de gente sem noção.

***
Isso foi escrito no sábado de manhã. Não cheguei a publicar porque, enquanto escrevia, pesquisávamos (eu e a minha amiga) aqui e ali para saber o que fazer.

Encontrei algumas páginas bem interessantes, daquelas que é bom favoritar para achar fácil, como o Participais. Ou estes endereços úteis, na página do Pró-Menino.

Encontrei trechos de decisões judiciais, como esta: "O fato de a mãe do menor ter abandonado a residência do casal, sem o consentimento do pai, levando consigo o filho menor, caso comprovado, consubstancia matéria que deve ser enfrentada para a decisão do pedido de guarda, em conjunto com outros elementos que demonstrem o bem estar do menor. A competência para decidir a respeito da matéria, contudo, ..."

Encontrei links e telefones. Minha amiga (vou chamá-la de Eva) conseguiu o número do plantão do Conselho Tutelar no Butantã. Nada, todos os números desligados. Tentou a Lapa e conseguiu falar com a conselheira de plantão, que lhe deu... conselhos. "Olha, conversa com ele, tenta resolver por bem". Finalmente, depois de vencer o porteiro da Defensoria Pública que respondia como um robô "O horário de funcionamento é de segunda a sexta...", conseguiu falar com um plantonista. "Reúna tais e tais documentos e leve até o Fórum da Barra Funda, que hoje atende até as 15h00".

Talvez ele tenha dito "treze" e ela tenha entendido "três". O fato é que chegamos ao Fórum às duas e meia e soubemos duas coisas: 1) O plantão estava funcionando no Hely Lopes Meireles, perto da Praça da Sé; 2) Terminava à uma da tarde.

Em todo caso, corremos ao Hely. Quem sabe era uma outra informação errada, desta vez a nosso favor... Não era.

Eva voltou pra casa, disposta a procurar o Fórum no domingo de manhã. Fiquei admirada com a calma dela. "É porque chorei a noite inteira, agora estou até grogue".

***
Às dez pras nova ela já estava na porta do Fórum, esperando abrir. O Defensor Público escreveu a petição. Eu não estava junto dessa vez, então ela ia me contando por SMS. 10h12: "To aqui no Fórum Hely e eles vão fazer mandado de busca e pedido de guarda a meu favor... Ainda vai demorar um pouco". 12h44: "Já está na mão do juiz o pedido, estou só aguardando a resposta... Mas pode demorar um pouco ainda!". 13: 11: "Soninha foi negado, tô desesperada..."

E, às 18h29: "Soninha, sem citar nomes por enquanto coloca o meu caso na internet, em seu face, twitter, veja se não há um advg que possa opinar, ajudar! Só estou buscando alternativas... bj".

***
Imagine a angústia, a tristeza, a sensação de desamparo e injustiça. Pelo que entendi, o juiz negou o pedido por opinar que o caso era para Vara de Família, não Criminal. Talvez outro interpretasse como sendo sequestro, sei lá. Fato é que o pai arrancou a filha de cinco anos de casa, não mandou mais nenhuma notícia,  não informa o paradeiro.

Mantido, então, o pedido de ajuda. Obrigada. 

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Diário de Uma Usuária - tb não sou eu desta vez

Uma pessoa me pediu ajuda, ou melhor, socorro. Alguém da sua família está sofrendo de horrível depressão (é uma redundância; depressão é sempre horrível, mas há graus mais paralisantes e aflitivos, por isso fiz questão dela).

"O motivo que me fez escrever é para pedir uma ajuda, NÃO É FINANCEIRA, é uma ajuda para conseguir um Psiquiatra e um Psicologo pela rede pública.. (...) Ele perdeu totalmente o interesse por tudo, esta em uma depressão profunda (...). Ele começou o tratamento mas particular é caro (...) [Bem sei; pago R$500 na consulta com minha excelente psiquiatra - VALE, mas e se eu não tivesse?].  Ele trabalha bem, só que de um tempo pra cá ele esta na crise e se não encontrar ajuda, ele não consegue fazer nada. (...) Tenho medo dele fazer alguma besteira".

Depressão é um pavor; lembro de pensar, nas minhas crises mais profundas, que preferia qualquer dor física àquela agonia. A falta absoluta de querer - de querer viver. Quando passei pela(s) minha(s), procurei e obtive ajuda; também já ajudei amig@s a perceberem que era isso que tinham e procurar ajuda.

Pois bem, comecei a pesquisar a rede de Saúde Mental.

No CAPS perto de casa, que é especializado em Álcool e Drogas, a Assistente Social indicou o que, em tese, atende o bairro onde ele mora. Muito atenciosa, deu endereço, horário de funcionamento e telefone.

A pessoa que me escreveu já ligou para lá. Conseguir a informação foi fácil - difícil é conseguir ser atendido. Eis o relato:


"Liguei no CAPS -------- falei com ---------, que disse não ser lá... e passou o tel: 3078- 6886, do CAPS Itaim Bibi. 

Liguei falei com ---------- que disse ter que procurar Posto UBS que tenha Psiquiatra; se encaminharem para lá é que podemos marcar consulta.

É isso que sempre acontece, não consegue se marcar consulta nem com Clínico, que dirá com Psiquiatra.

Mais agradeço por todas as informações, vou continuar tentando, se conseguir algo te aviso".

Primeiro escrevi aqui SEM COMENTÁRIOS, mas quero comentar sim.

Contando sobre o meu caso (preciso de Dermatologista e Ortopedista), falei que, quando a gente não tá morrendo de dor, deixa exame e consulta para depois... Se for difícil marcar, então...

Quando o seu mal é DEPRESSÃO, por mais que você esteja desesperado, não suportando aquilo, tomar iniciativa é justamente o mais difícil.

Aí você tem de ir à UBS - ou melhor, tem de tentar encontrar uma UBS com Psiquiatra (ainda não comecei a procurar, mas não deve ser nada fácil), marcar consulta para sei lá quando, esperar e quem sabe um dia começar o tratamento.

Não dá... Não dá.

A porta de entrada do SUS parece o portal de um videogame, em que você precisa de muitas senhas e habilidade e persistência para conseguir passar.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Diário de Uma Usuária

Terça-feira, 06 de setembro

Quando a gente tem um problema de saúde mas não dói, fica naquelas: "Preciso marcar uma consulta para ver o que é". E vai adiando, adiando...

Se marcar a consulta for difícil, aí danou-se.

***
Fui à UBS em que eu tenho cadastro, depois de adiar, adiar, adiar.

Estava super tranquila (a UBS), o que me fez pensar que tinha sido uma boa ideia esperar passar o "rush" das 7:00 (já eram 8 e pouco).

"Como faz para marcar consulta?"

"É a partir das dez".

Fué.

***
Pensei em procurar uma Lan House e trabalhar remota até dar a hora, mas desencanei.

"Tem outro jeito de marcar?"

"Não, é só vindo aqui. Mas você pode pedir para outra pessoa vir marcar para você, trazendo a sua carteirinha".

Hmm. Pode ser.

"Qual é o horário que pode vir, então?", continuei.

"Das 10 às 17. É a hora que tem funcionário. Qual seria a consulta?"

"Bom, é um problema de pele e um de ortopedia. Marco com o clínico geral e ele encaminha para o especialista se for o caso, é isso?"

"Isso".

"Você sabe quanto tempo está demorando?"

"Depende qual é o seu clínico, porque tem dois. Mas é dezembro ou janeiro".

********
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Meus comentários:

1 - A marcação de consulta só pode ser feita pessoalmente, e em horário bastante limitado (que bom que pode ser feita por outra pessoa!)

2 - A consulta é para DEZEMBRO, na melhor das hipóteses. Aí sabe deus quanto tempo depois eu conseguirei passar pelos especialistas... Todas aquelas recomendações sobre a importância do diagnóstico precoce vão para as cucuias.

A menina que me atendeu foi muito gentil. As instalações da UBS são agradáveis, apesar dos problemas que tem (quando eu estava na Sub Lapa, conversamos muito sobre a necessidade de outro imóvel, que atendesse melhor os funcionários e usuários). Mas o sistema... O sistema tem defeitos :o(

Antes de eu ir embora, a moça disse que, dependendo da urgência, eu poderia procurar uma AMA ou um Pronto Socorro. Não é o caso de PS; vou tentar a AMA. Depois eu conto.

domingo, 28 de agosto de 2011

Belo Monte de Mentiras - 1

Hoje no Twitter o G1 chamou para uma série de matérias sobre Belo Monte. Lá fui eu passar a manhã de domingo com sangue-no-zóio, lendo sobre um dos assuntos mais enfurecedores dos últimos anos (concorrendo com TAV, "PAC", "Minha Casa, Minha Vida", Pré-Sal, etc.).

A cada nova busca, mais motivos para revolta. Então vamos juntar alguns pedaços.


Tema 1:  O "Desenvolvimento Social" - sempre a melhor justificativa para obras faraônicas, juntamente com o "progresso econômico", a modernidade etc


Veja o texto desta entrevista com a Secretária Municipal de Meio Ambiente de Altamira, em março do ano passado:



Zelma Costa: Altamira terá explosão populacional com Belo Monte

A liberação da Licença Prévia para a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte no Rio Xingu, na região de Altamira, no Pará, está preocupando a administração municipal por conta dos impactos sociais, econômicos e ambientais que podem trazer à região. Em entrevista à Clima em Revista, a secretário Municipal do Meio Ambiente, Zelma Luiza da Silva Costa, afirma que a perspectiva é que a população da cidade, hoje com cerca de 100 mil habitantes, dobre em poucos anos.

A liberação da Licença Prévia para a Usina Hidrelétrica de Belo Monte já trouxe algum impacto para o município de Altamira?
Depois da Licença Prévia para o projeto, aumentou muito a procura de licenciamento para empreendimentos de impacto ambiental local, que devem ser autorizados no nível municipal. São empresas locais e de fora na área de prestação de serviços e que trabalham com materiais para emprego imediato na construção civil: areia, seixo, argila e barro para aterramento. Esse crescimento é basicamente na iniciativa privada.


Qual é a preocupação do município em relação a esse aumento de pedidos de licença?
Nossa preocupação é em relação à mitigação desse impacto da construção da usina no município. Como vamos dar conta de gerenciar esse crescimento? Até agora, não está ocorrendo nenhuma ação que prepare a cidade para recepcionar essas empresas e as pessoas que chegarão com elas. Hoje, continuamos com o mesmo número de leitos hospitalares, postos de saúde, escolas. Podemos vir a ter conflitos de gestão: nós já estamos precisando ter mais desses serviços, como vamos assistir quem cai chegar? É uma questão de respeito ao cidadão.


Qual é a expectativa de aumento populacional por conta da construção de Belo Monte?
Atualmente, a população de Altamira é de cerca de 100 mil habitantes e a expectativa imediata é que dobre o número de habitantes em um curto período de tempo. Vamos precisar de muitas políticas públicas. Há 40 condicionantes na Licença Prévia, mas não há nada efetivamente acontecendo até o momento.


Em que a população como um todo poderá ser afetada pela construção de Belo Monte?
O principal impacto para a cidade é a explosão demográfica, que é uma questão econômica, social e ambiental. Com isso, precisamos garantir a efetivação do atendimento para essas pessoas e a qualidade dos serviços, sejam públicos ou privados. Até a questão dos alimentos nos supermercados será impactada. Atualmente, nosso abastecimento vem de fora. Nossa produção agrícola é mínima, não conseguimos abastecer a população. Parte dos alimentos, a parte agrícola, vem de regiões próximas, mas tudo o que é industrializado vem do centro-sul do país (...)


Nesse contexto de desabastecimento, uma política de incentivo ao agricultor familiar para a produção de alimentos, como as agroflorestas, não seria uma das alternativas a serem seguidas?
Sim, mas precisa haver estímulo técnico e financeiro para que os produtores rurais possam atender à demanda. Com o trabalho manual que temos hoje, é difícil atender. Outra preocupação é que os chefes de família rurais possam migrar de seus lotes para os canteiros de obras e quebrar a cadeia produtiva rural. É um processo instantâneo que tornaria ainda mais caótica a situação rural. A única maneira de evitar o êxodo rural é com incentivos.

OU SEJA:

*A cidade JÁ TEM dificuldades com abastecimento. A agricultura é rudimentar - e não precisa ser "agribusiness" para ser mais produtiva, basta ter algum investimento em tecnologia, implementos, etc. A indústria fica no "centro-sul". E a população vai DOBRAR. São 100 mil, chegarão MAIS 100 MIL.

A previsão é OFICIAL, veja:
















*A cidade JÁ TEM dificuldades para oferecer moradia, saúde e educação para a população. Imagine o dobro disso. Sem contar os milhares de desalojados ou atingidos pela própria Usina (alagamento, desmatamento, remoção para construção do canteiro de obras, redução do fluxo do rio depois da barragem etc).

*Muita gente vai chegar para A CONSTRUÇÃO DA USINA. Terminada a construção, esse povo vai fazer o que?

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

"É pra já" - O Caso do Fórum da Lapa

Há muito tempo, a comunidade lapeana, especialmente a OAB-Lapa, reivindica a construção de um novo Fórum na Lapa. O atual é pequeno, desajeitado, não oferece condições adequadas para o trabalho interno nem para o atendimento ao público. Um novo prédio poderia ainda reunir serviços espalhados em outros endereços.

Alguns anos atrás, identificaram uma área da prefeitura na avenida José Maria de Faria, junto à Marginal Tietê, como sendo ideal para a construção do novo Fórum. Consultada, a prefeitura concordou em ceder a área. Mas até agora a obra não começou – por que?

Simples. Porque é uma área utilizada intensamente. São 25 mil m² que abrigam várias unidades da Subprefeitura da Lapa:

- A Coordenadoria de Obras (CIUO), com as salas do Coordenador, Supervisores e outros servidores, sala de reuniões, arquivos, refeitório, vestiários, etc. e diversas subdivisões;

- A Unidade de Áreas Verdes, com depósito de mudas, implementos de jardinagem, escritórios dos agrônomos e outros profissionais, veículos, etc. E, desde o ano passado, com um incrível triturador de madeira, que torna muito mais ágil, eficiente, produtivo, social e ambientalmente responsável o trabalho de poda de árvores e recolhimento de caixotes e outros detritos nas vias públicas. E que coloca a Lapa entre as Subprefeituras mais adiantadas no cumprimento do Programa PAMPA, previsto em Lei Municipal.

A Unidade tem tráfego intenso de veículos - as equipes contratadas pela prefeitura para trabalhos externos (manutenção de áreas verdes, recapeamento, limpeza de bocas-de-lobo, poda, etc) se apresentam ali para inspeção e entrada e saída de materiais.

A área também recebe materiais em caráter temporário, como o tanque de gasolina adulterada apreendido em 2008 e a fresa resultante do recapeamento (montanhas de pedras, asfalto e concreto).

- Posto de Gasolina, para abastecimento de viaturas da Subprefeitura e também GCM e Secretaria de Cultura
- Almoxarifado - depósito de todo tipo de material de consumo usado pela Subprefeitura - lâmpadas, produtos de limpeza, material elétrico, tinta, pedra, cascalho, areia, tijolos, lajotas, manilhas, guias, tampas de boca-de-lobo, piso tátil, etc. etc.


- Marcenaria e serralheria

- Oficina de reparo de veículos

- Estacionamento de veículos de grande porte da Subprefeitura - tratores, caminhões, peruas

- Depósito de veículos da prefeitura à espera de baixa e de veículos apreendidos nas ruas - além de outras apreensões de grande porte, como caçambas de entulho.



****
Como se vê, não adianta a Subprefeitura ficar com o atual prédio do Fórum, como foi oferecido – as atividades desenvolvidas não cabem em um prédio de escritórios... Precisamos se um pátio espaçoso em um lugar em que o impacto no tráfego e na vizinhança não seja brutal.

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Em reunião com representantes da OAB e do Fórum na Secretaria Estadual de Negócios Jurídicos, expliquei a minha dificuldade em desocupar a área. Não tenho apego àquele terreno; não tenho nenhum prazer especial em prejudicar os trabalhos da Justiça e desagradar entidades tão representativas, muito pelo contrário. Adoraria ter saído da Subprefeitura entregando uma obra nova...

Eles passaram, então, a sugerir outras áreas – depois de compreender que o prédio do Fórum não me serve. Citaram os Centros de Treinamento do Palmeiras e do São Paulo – que eu adoraria retomar, mas não é exatamente uma solução viável a curto prazo... (E eu não os destruiria para fazer pátio de manobra de caminhões, e sim transformaria em parques abertos ao público – mas isso é conversa pra mais de ano).

Mencionaram o pátio da CET (e me pergunto para onde iria... a CET, que também cansou de me pedir terrenos onde pudesse expandir suas instalações).

Outras sugestões foram feitas: um Clube da Comunidade (antigo CDM), que pertence à Secretaria de Esportes; um terreno da antiga CMTC, hoje patrimônio da SPTrans, na Leopoldina (que a vizinhança sonha ver transformado em parque... De todo modo, outra área que não pertence à Sub).

***
Estamos, de nossa parte, providenciando uma melhor ocupação da área (por força do hábito, continuo falando em nome da Subprefeitura... Na verdade, “eles estão”). Podem desativar o antigo posto de gasolina, substituindo o sistema atual por abastecimento com cupons, que deve ser inclusive mais econômico. Pretendem mudar a Unidade de Áreas Verdes, ou ao menos parte dela, para o Parque Orlando Villas-Boas. Podem desativar parte das antigas oficinas, até porque os galpões estão em estado horroroso e o volume de atividades já não justifica que sejam tão grandes. E, acima de tudo, esperam leiloar os veículos que se amontoam nos pátios, o que depende de providências da Secretaria de Gestão (no caso dos veículos que eram patrimônio da prefeitura) e do Detran (no caso dos veiculos apreendidos) – embora seja importante lembrar que novos veículos serão apreendidos, sempre.

***
Ontem houve um debate sobre o assunto, promovido por um jornal da região, com a presença do ex-Subprefeito Adaucto Durigan, que deixou a Subprefeitura no fim de 2004 – e havia assumido o compromisso com a cessão da área, parece que no fim da sua gestão.

Na reunião, Adaucto apareceu com outra “solução”: uma área na própria Marginal Tietê, pouco depois da Telhanorte. Inviável! No post abaixo eu explico por que.

"É pra já" - o caso do Fórum da Lapa (parte 2)

[Obs: este texto foi escrito em maio de 2010]

A área sugerida pelo ex-Subprefeito, Adaucto Durigan, no evento promovido pelo Jornal da Gente, é ocupada pelo galpão de alegorias da Escola de Samba Águia de Ouro. A prefeitura tem o projeto “Cidade dos Sonhos”, que terá 12 galpões para Escolas de Samba – enquanto não está pronto, todas as Escolas precisam ter instalações próprias, onde desenvolvem projetos para o Carnaval e atividades o ano todo. Além disso, a quadra de ensaio da Águia está sendo desalojada dos baixos do viaduto Pompéia em função de uma nova alça de retorno a ser construída com recursos da Operação Urbana para desafogar o trânsito daquela região.

Ninguém é obrigado e gostar de Escolas de Samba (há muita gente que não gosta), mas elas tem sua importância para a cidade e precisam de espaço para suas atividades - e não é um espaço qualquer (de novo, há o problema do impacto de vizinhança...). Desde que eu era candidata a vereadora, acompanho o “drama” de escolas (não só do Grupo Especial) para terem uma sede. Em parte, elas mesmas tem a responsabilidade de encontrar e manter um lugar, mas a prefeitura também pode/deve colaborar, na expectativa de retorno na forma de ação cultural, social e de geração de renda.

(E eu quero ver algum político dizer “A escola de samba que encontre outro lugar...”. Na reunião com advogados e juízes é fácil, “aqui tem a Escola de Samba, mas podemos tirá-la daqui”).

***
Mas isso não é tudo. A área – que tem pouco menos de 13 mil m², portanto menos da metade da que ocupamos agora – tem outro destino previsto, além do barracão da Águia de Ouro: a instalação de Central de Triagem de materiais recicláveis a ser operada pela Coopervivabem – cooperativa que hoje trabalha no terreno da antiga Usina de Compostagem da Leopoldina.

Uma parte da área, é importante dizer, é da União (2.800 m²). Essa parte foi cedida para a prefeitura com a condição de que seja utilizada para a Central de Triagem – essa foi uma vitória da própria Cooperativa. Agora a Limpurb está correndo com a papelada para, usando recursos do governo federal (“PAC Saneamento”) e da própria prefeitura, fazer ali o galpão definitivo para a Coopervivabem, que vai ocupar cerca de 5 mil m².

[Obs: agora, em janeiro de 2011, a obra do galpão está bem adiantada, aleluia!]

***
“Falta vontade política”, opinou o ex-Subprefeito. “Vontade política” parece “abracadabra”, às vezes. Por minha vontade ("política"), estaria tudo certo, e eu cortaria a fita do Fórum...

Na reunião já citada na Secretaria da Justiça, eu vi o projeto que foi feito, prevendo a construção de um prédio de 3 andares e a ocupação de toda a área. Uma pena que tenham deixado correr o projeto sem verificar a real viabilidade de desocupação a curto prazo... Mas o Secretário (na ocasião, o Luiz Antontio Marrey) disse que, se a desocupação de metade da área fosse mais factível, ele mandaria refazer o projeto – seria mais fácil e rápido do que esperar até a prefeitura conseguir lugar para tudo o que funciona ali na José Maria de Faria.

Eu insisti nessa possibilidade - a Subprefeitura "encolheria" suas instalações, promovendo uma ocupação melhor da área (isso é possível!), e o Fórum seria redesenhado para caber em, digamos, 15 mil m² - um SENHOR terreno!

Os presentes insistiram em indicar outras áreas para instalar a Subprefeitura para poder ficar com o terreno todo.

***
De todo modo, há uma expectativa totalmente irreal de que o Fórum possa ser construído ainda este ano. Ainda que a Sub encontrasse HOJE um lugar para se mudar, imagine o quanto uma mudança desse tamanho é complicada (estou fazendo uma mini-obra na minha casa, de menos de 200m², e só dá problema; já adiei a mudança mil vezes), sem falar na licitação e construção propriamente dita.

Mas, se fosse para uma ocupação de, digamos, 13 mil m², ao menos poderíamos dizer “aqui está, podem pegar” em um prazo curto – não um tempo indefinido.

***
Muita gente já mentiu ou se iludiu com a possibilidade de fazer logo a obra do Fórum. Acho que só eu fiz o papel desagradável de falar da REALIDADE. Virei "inimiga do Fórum da Lapa". Então tá.

 [PS: Este post estava guardado no modo "rascunho" há quase um ano. Na época, não publiquei porque queria enriquecê-lo com mais fotos e mapas. Bobagem... Melhor publicar logo e acrescentar as ilustrações depois. Até porque fiquei sabendo que há uma reunião sobre o tema nos próximos dias, e já que não poderei estar lá, palpito por aqui]

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Pausa para reclamação

Liguei 102 do meu celular Claro para conseguir um número de telefone (o da Eletropaulo, que não usa mais o 196). Eles avisam que a informação seria cobrada; mesmo não gostando muito, aceitei. Mas me deram um número errado! ("Esse número não existe").

Liguei de novo para o 102, porque seria o fim da picada pagar por uma informação errada. Expliquei à moça o que havia acontecido - "agora não quero mais o número, quero fazer uma reclamação" - e ela, supostamente, me transferiu para o setor encarregado.

Fiquei 26 minutos ouvindo musiquinha e não fui atendida.

Eu queria desligar antes, mas me segurei. Na esperança meio absurda de que alguém finalmente atendesse e também para ver até onde eu aguentaria.

No dia seguinte, entrei no site da Claro para fazer a reclamação por escrito - o que não é tarefa das mais fáceis; você tem de preencher um formulário para conseguir reclamar (isso porque eu sou cliente). Ganhei um número de protocolo e a promessa de que a resposta chegaria em poucos dias.

Agora há pouco chegou... E é um dos melhores exemplos do que a minha avó chamava de "conversa de surdos", e outros chamariam de "telefone sem fio".


- Prezada Sra. Sônia, Em atenção ao seu e-mail, informamos que as tarifações são praticadas de acordo com os minutos permanecidos na ligação:Os primeiros 3 segundos da ligação não são tarifados.Os primeiros 30 segundos da ligação têm tarifa única, ou seja, a ligação de 12 segundos ou 28 segundos será cobrada de 30segundos.
Esclarecemos que as ligações para a Central de Atendimento 1052 não são tarifadas, pois são chamadas especiais.


Não é incrível? Eu liguei 102, não 1052. E fiquei 26 MINUTOS pendurada, não 26 segundos. Pendurada esperando o atendimento DELES!

Vou insistir. Ainda há uma possibilidade de que essas duas cobranças não apareçam na conta... Mas eu duvido.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Que SAC

Passei o dia fazendo SACs (pedido no Sistema de Atendimento ao Cidadão do site da prefeitura). Ser só munícipe é tão mais fácil, hehehe.

Um buraco aqui, outro ali...

A página da prefeitura oferece a opção "Tapa-Buraco" e "Tapa-Buraco/ Concessionárias". Aproveitei a segunda para reclamar de dois PVs (popularmente conhecidos como "tampa de bueiro") com péssimo acabamento de asfalto à sua volta - aparentemente, a Sabesp mexeu, danificou o piso e não arrumou (na verdade, as prestadoras de serviço contratadas pela Sabesp).

Aí aparece a mensagem do site: "Sua reclamação foi cadastrada com sucesso! Encaminhado para Subprefeitura da Lapa".

Se as duas "modalidades" de buraco vão igualmente para a SubLapa, que adianta ter a opção "Concessionárias"?

***
Um dos buracos fica na Rua Padre Chico. "Endereço não encontrado!". Escrevi só Chico - aí o site me ofereceu várias alternativas de ruas com Chico, entre elas "Pde Chico". Ai ai ai.

***
Tentei protocolar um pedido de semáforo na esquina aqui de cima (minha sina - na rua em que eu morava, depois de 4 anos pedindo, botaram uma rotatória, aleluia!). O formulário não aceitou as palavras "semáforo" (com ou sem acento), "CET" (ou melhor, aceitou, mas só me ofereceu a opção "Multa de trânsito"). Para "transito", ele também sugeriu apenas o tema "multa" ou "reserva de vaga indevida". Mais nada.

Desisti de tentar sugerir uma palavra-chave e fui ao menu que o site oferece. Ali há vários itens "CET" isso e aquilo, inclusive "reprogramar tempos de semáforo". Aproveitei para falar de um outro caso. Na Guaicurus, há um desencontro entre o sinal da esquina da Duilio e o da Caio Graco. Escolhi, então, a opção "falta de sincronismo entre semáforos". Preenchi um formulário meio esquisito (que pergunta a data e a hora da ocorrência, se foi no sentido bairro-centro ou centro-bairro...). Tentei enviar a solicitação: não foi.

Aí entrei no SAC pra reclamar que o SAC não estava funcionando direito.

***
Muita gente na prefeitura se preocupa com essa interface com o munícipe. Eu tenho familiaridade com internet e me viro e ainda assim apanho. E quem não tá acosutmado? Às vezes o menu é muito genérico, às vezes é detalhado demais.

Essa é a parte ruim para quem faz uma reclamação ou solicitação. Para quem as recebe (Subprefeitura etc), o problema é a redundância - o SAC não identifica pedidos iguais e, portanto, não os condensa em um só. Esse foi o motivo de uma discussão minha com o Andrea qdo era meu chefe. Ele cobrava (e cobrava e cobrava) melhor resposta das Subs aos pedidos (tem de cobrar mesmo, uai). Mas eu disse que se os pedidos chegassem mais organizados pra gente, isto é, se o Sistema melhorasse, facilitaria. Mais do que isso: o número de "pedidos não atendidos" era irreal, porque muitos pedidos eram redundantes.

Ele meio que insistiu que a gente tinha era de fazer a nossa parte direito e não ficar reclamando do SAC; acabamos batendo boca e eu, em momento típico de esquentadinha-pré-budismo (eu era bem mais nervosinha antes de ser budista), apelei: "Então tá, deixa o SAC assim mesmo. Eu vou ser candidata da oposição em 2012, pra mim é melhor!". Se fosse outro, me mandava embora - mais ainda porque alguém dedurou para o JT e saiu no jornal no dia seguinte...

***
Exemplo básico da redundância: dez pessoas reclamam de uma árvore. Mais do que isso, uma única pessoa faz dez reclamações da mesma árvore. Pronto: a Subprefeitura passa a ter 19 pedidos diferentes para uma árvore. Se todos chegaram ao mesmo tempo, fica fácil identificar que é tudo uma coisa só. Mas se forem chegando ao longo de vários dias, corre-se o risco de mandar os agrônomos fazerem a mesma vistoria mais de uma vez. De calcular mal o número de equipes necessárias para dar conta do serviço. De deixar de perceber que um problema é mais grave e urgente que o outro porque não fica evidente que são muitos pedidos para a mesma situação. Enfim, dificulta o planejamento e a execução.

Um dia o SAC vai funcionar melhor - ah, vai, nem que eu tenha que ir lá EU  MESMA resolver isso (fácil falar...). Os pedidos serão "apensados", reunidos, imediatamente georreferenciados.

Mas a prefeitura vai continuar com dificuldade (ou terá dificuldades novas), porque fazer um pedido, por mais chatinho que seja o formulário, é sempre muito mais fácil do que atendê-lo. Em 15 minutos, eu reclamei de 5 buracos. Não quis nem saber se buracos estão sendo tapados lá na Leopoldina ou no Jaguaré, se o caminhão precisa enfrentar o trânsito para chegar aqui, que para fazer o serviço direito é preciso cortar, cavar, derreter, assentar, esmagar, esfriar...

Internet, celular, microondas, elevador, essas coisas tornam a vida mais rápida e fácil. Mas também ajudam a deixar a gente mais impaciente e sem noção de o quanto as coisas podem ser realmente complicadas fora do espectro eletromagnético e o diabaquatro.

***
Ainda as árvores (ai, as árvores...): o programa Identidade Verde, que antes tinha o nome feio de SISGAU (Sistema de Gerenciamento de Árvores Urbanas), vai permitir duas coisas importantes: primeiro, evitar as tais vistorias inúteis, porque um cadastro único, eletrônico, registrará toda a identidade da árvore. Até agora, era tudo mais desconectado, baseado em papel e arquivos pouco compartilhados. Segundo: a partir desse cadastro, permitir que a prefeitura (Subprefeituras + Secretaria do Verde) se antecipe aos problemas, ao invés de ficar o tempo todo tentando consertar o que já está errado.

Mas vai continuar precisando de mais $ e mais equipes.

PS: ao menos recebi por email confirmação de que todos os pedidos que eu fiz foram recebidos - inclusive o que eu fiz pelo telefone da CET (1188), depois que não consegui fazer pelo site.

sexta-feira, 12 de março de 2010

PMR - Perguntas Mais Repetidas

- Por que a prefeitura não tirou a terra da Ministro Godoy?
O deslizamento aconteceu em uma área particular. A proprietária, Valentina Karan, foi intimada e tomar as providências necessárias para conter o terreno e remover a terra que escorregou.

- E por que ela não fez isso até agora?
No começo, contestou a intimação. Disse que não tinha culpa pelo deslizamento e que se a prefeitura já tivesse aprovado um empreendimento que ela pretende fazer ali, nada disso teria acontecido.
Ela pode não ter culpa, mas tem responsabilidade por sua propriedade. (A dona do imóvel que também sofreu deslizamento na Apinajés praticamente já terminou a obra). E enquanto a propriedade não é edificada, tem de ser mantida limpa, murada e segura.

- E o que fez a prefeitura?
Repetiu a intimação e ameaçou com processo de desobediência.

- O que fez a proprietária?
Obedeceu... Seus engenheiros fizeram contato com a Coordenação de Uso do Solo e comunicaram que estavam fazendo o projeto de contenção.

- E enquanto isso, não dava para começar a tirar a terra do meio da rua?
Não toda, porque antes das obras de contenção, a remoção poderia provocar novos deslizamentos. A  Subprefeitura foi tirando terra aos poucos e liberando a passagem. Além disso, pediu para a CET melhorar a sinalização do desvio.

- Mas por que não começou AINDA?
Porque, até outro dia, depois que ficou pronto o projeto de contenção, não parava de chover, impedindo a movimentação necessária no terreno.

- Já parou de chover há quase uma semana. Por que não começou AINDA?
BOA PERGUNTA. Mandei chamar os engenheiros de Valentina. E ameaçá-la com tudo o que estiver ao nosso alcance.

- E se eles AINDA não começarem?
A Subprefeitura pode remover toda a terra e cobrar dela pelo serviço (cobra-se o valor em dobro).

- Por que isso não foi feito desde o começo?
É muito mais difícil para a prefeitura contratar uma obra de engenharia de um dia para o outro, e era OBRIGAÇÃO DA PROPRIETÁRIA. A possibilidade mais ao nosso alcance é um paliativo, e mesmo esse paliativo implica em mobilizar imensos esforços. Nossas máquinas não estão paradas na garagem, estão o tempo todo trabalhando em outros lugares - movimentando terra, removendo entulho... Teríamos de interromper obras em outras partes para executar um serviço paliativo (e mais por pressão coletiva do que por real necessidade - o bairro não está sofrendo transtornos sérios por causa disso, mas o mundo passa por ali e reclama), que o proprietário tinha obrigação de fazer por completo!
Em todo caso, se até domingo não acontecer nada (ela vai esperar o que, começar a chover de novo??), é isso mesmo que vamos fazer.
Que raiva.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Não era pouquinho

Ainda quero escrever mais detalhadamente sobre a madrugada de sexta-feira no Jaguaré, mas enqto não consigo (estou fazendo outras coisas), segue uma cópia do relato mais seco que compartilhei com os colegas que não participaram pessoalmente da ação:

"Estávamos de prontidão perto de alguns pontos de descarte irregular de entulho quando vimos, a partir de uma da manhã, movimento de caminhões com caçambas entrando na rua Torres de Oliveira.

Constatamos que estavam descarregando em uma área particular que já havia sido autuada duas vezes pela Suprefeitura em 2009 até ser fechada e interditada em dezembro.

Feito o flagrante com a presença da polícia civil ambiental e da PM, retivemos os veículos (que hoje foram removidos para o patio da Unidade de Transporte da Subprefeitura - são 8 caminhões caçambeiros, alguns com capacidade para até quatro caçambas, e uma retroescavadeira). Os motoristas e o dono da área, que compareceu logo depois, foram encaminhados ao Distrito Policial para lavratura do Termo Circunstanciado. Além das infrações referentes à legislação sobre limpeza urbana, o proprietário também terá de responder pelo crime de desobediência (por ter reaberto o negócio depois da ordem de fechamento pela autoridade municipal).

Ainda durante a madrugada, o lugar foi objeto de vistoria por peritos do Instituto de Criminalística e da Cetesb, para verificar se o caso configurava crime ambiental (caso fosse encontrado material contaminante, por exemplo).

A área, popularmente conhecida como "Bota-Fora", é uma ATT (Área de Transbordo e Triagem) clandestina. A legislação estabelece as condições e providências de funcionamento de tal área, com base em normas municipais, estaduais e federais.

Não existe, na Subprefeitura, sequer o pedido de licença para o funcionamento da ATT naquele endereço (o proprietário alega que deu entrada no processo há dois anos e ainda aguarda o parecer. Não é verdade).

Durante a noite, ele informou cobrar R$80,00 por caçamba descarregada e diz que tem o negócio ali por "preocupação com o meio ambiente e a cidade". "Se não jogarem aqui, vão jogar na rua".

Disse gerar "17 empregos" para o pessoal da favela.

Informou receber cerca de 40 caçambas por dia, mas aparentemente o número é maior. Além dos caminhões flagrados fazendo a descarga, pelo menos 4 se evadiram ao perceber a movimentação incomum, impossibilitando o flagrante.

Um dos motoristas disse que precisa descarregar de madrugada "para entregar a caçamba vazia na empresa de manhã, porque eles precisam muito". Disse cobrar R$180 por caçamba e não poder levar a outro lugar porque "é longe e tem fila".

As caçambas exibem número de cadastro junto à Limpurb e isso implicaria o compromisso de fazer o descarte em áreas regularizadas, que seguem a legislação e emitem recibo do material descartado (que serve de comprovante para o gerador). Pelo descumprimento, serão apreendidas pela Secretaria de Serviços.

Na sexta-feira, os caminhões e uma retroescavadeira, que era usada para remanejar o material despejado ali, foram recolhidos a um pátio da Subprefeitura".

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Desta vez não era

Disseram, por telefone, que “funcionários da prefeitura” foram vistos cortando árvores em terreno particular. “Tiraram foto e tudo”. Os funcionários teriam dito que “foi a Soninha que autorizou”, o que dá “condenação por improbidade, direto” – "mas eles não mostraram nenhum papel pra provar que você tinha autorizado".

Respondi por partes. 1) Que a autorização para poda ou remoção de árvore, mesmo em área particular, depende de autorização, sim – não da Subprefeita, mas do agrônomo da Subprefeitura. E às vezes não basta o laudo dele; precisa haver anuência do Departamento de Áreas Verdes (se for “vegetação singificativa”) e dos órgãos de patrimônio histórico (se for área tombada). A Subprefeita não tem nada que deixar ou não deixar, são técnicos que fazem a avaliação. 2) Equipes da prefeitura não podem trabalhar em área privada; é muito fácil o infrator dizer “foi a Subprefeita quem deixou/mandou” e tentar se esquivar da ilicitude. 3) Se foi cometida uma irregularidade e ninguém me informou, fica “meio” difícil tomar uma providência. Por que não fizeram uma denúncia?

Esperei chegarem as informações por escrito. Antes mesmo de chegarem, já questionei o chefe da unidade de áreas verdes – “Recebi uma denúncia de equipe da prefeitura trabalhando em um terreno particular no fim-de-semana”. Com as Ordens de Serviço, não seria difícil identificar a equipe ou equipes envolvidas.

E não foi difícil mesmo... Em instantes, veio a resposta – clara, correta.

Em dezembro, veio a solicitação para a elaboração de laudo para algumas árvores naquele terreno, que pareciam prestes a cair. O agrônomo avaliou que o risco existia e a remoção era mesmo recomendada.

O possuidor do imóvel, então, contratou o serviço por sua conta, como deve ser. A empresa contratada por ele é a mesma que presta serviço para uma Subprefeitura – o que não chega a ser uma coincidência espantosa, porque não há tantas empresas capazes de fazer remoção de árvores de grande porte.

Por obrigação contratual, a empresa que presta serviço para a prefeitura precisa adesivar seus veículos, identificando claramente que está “a serviço da PMSP”. Mas o contrato não obriga a empresa a retirar seus adesivos quando não estiver a serviço da prefeitura...

E foi isso que aconteceu. Os moradores, alarmados, primeiro pensaram que estava ocorrendo um crime ambiental, com a remoção não autorizada das árvores. Depois, que estava havendo desvio de recursos e finalidades, com a equipe contratada com dinheiro público trabalhando para o privado. Mas havia autorização e a equipe estava ali porque havia sido contratada pelo privado – e não há nada que a impeça de prestar serviço para outro contratante no domingo, quando não estiver a serviço da prefeitura.

Seria melhor que não tivesse lá os benditos adesivos... Mas não tem nenhuma corrupção aí. É como ver uma perua escolar levando marmanjos para um jogo de futebol no fim-de-semana e achar que está havendo desvio de recursos da Educação. Calma - nem tudo, por Tutatis, é ilicitude.

Ao contrário de outras denúncias “furadas” que chegam, nessa, aparentemente, não houve má-fé. É super compreensível que tenham visto uma coisa e entendido outra. Só não dá pra saber se algum dos homens ali chegou mesmo a dizer “foi a Soninha que mandou” – acho difícil, porque nem quem mora em Perdizes sabe com segurança que ali é da Sub-Lapa... Pra mim, já foi um ponto aumentado no conto, mas acho que isso eu nunca vou saber.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Pontos viciados de entulho...

...Ou pessoas viciadas em pontos de entulho??
  Outro dia discuti com uma mulher na rua – na verdade foi ela que discutiu comigo. Eu analisava uma área pública perto da Subprefeitura, pensando o que a gente pode fazer com ela, quando parou um carro ao meu lado, desceram a motorista e um homem com jeito (roupa) de pedreiro. Abriram o porta-malas e começaram a descarregar dois sacos de entulho, que pretendiam depositar na calçada.
 Eu me aproximei e, antes mesmo de abrir a boca, ela já se adiantou: “Não pode?”. “Não, não pode. Não pode colocar entulho na calçada”.
- Mas olha aí, todo mundo já colocou!
- Pois é, e todo mundo colocou errado. Lugar de entulho não é na calçada.
- A prefeitura passa com o caminhão e recolhe, eu vi.
- Claro que recolhe. As pessoas põem lixo aí, eu sou obrigada a recolher. Vou fazer o que, deixar tudo aí? Mas a prefeitura não tem um serviço de coleta de entulho na rua... Nossos caminhões circulam todo dia recolhendo o que jogam no lugar errado, mas demora uma semana pra conseguir passar de novo em cada lugar, ou mais. Enquanto isso, fica aí amontoando...


(Mesmo com pouco entulho - fica bem pior do que isso - é HORRÍVEL, inaceitável)






- Mas então o que eu faço com o meu entulho? Vou pagar R$250,00 em uma caçamba, por causa de dois saquinhos de entulho?
- Olha, a responsabilidade pelo entulho é de quem produz. Até 50kg, pode deixar embalado para a coleta domiciliar.
- Ah, mas se não der uma caixinha o lixeiro não leva!
- Então ele está errado e a senhora pode reclamar na empresa. Mas na calçada não pode colocar seu lixo. Olha que horror! Enquanto não vem o caminhão, fica assim. Isso aqui é passeio público, não é depósito de lixo.
Uma moça parou para ouvir e entrou na conversa:
- E aquela caçamba ali [a poucos metros de distância]?
- É particular, né? Vou lá botar meu lixo na caçamba de outro?
Pois é, pra ver a relação com o espaço público... Na caçamba do outro não pode (ok, é um respeito básico, ainda bem) – mas na calçada de todos, pode!
***
A motorista insistiu. “Você não vai mesmo me deixar colocar aí? São dois sacos pequenos, olha só!”
- Eu não posso deixar! Se coloca no meu lugar, eu vou ver alguém colocando lixo na rua e deixar? Imagine que passa alguém e vê isso. Acharia certo? Eu tenho o maior problema com lixo no lugar errado, aí vejo alguém querendo colocar e deixo?
- Então coloca alguém aí de plantão, 24 horas por dia! Não é justo! Todo mundo pode e eu não posso!
- NINGUÉM pode, e se eu vir alguém não vou deixar. Não tenho 100 funcionários pra deixar de plantão em cada ponto viciado! Mas estamos pensando em colocar câmeras pra gravar e multar os infratores.
- FAÇA ISSO! – e foi embora louca da vida. Eu ainda disse “tem um Ecoponto em Pinheiros”, mas ela não quis nem saber onde - “Ah, e eu vou ATÉ PINHEIROS?”
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Fiquei com raiva de ainda não terem colocado uma placa ali dizendo – como se alguém ainda não soubesse – que é “PROIBIDO colocar entulho”. Mas quando me afastei um pouco, vi que a placa estava bem ali; estávamos abaixo dela. Quando cheguei à Sub, pedi logo para colocarem a placa mais para baixo.



(Aquela mancha amarela no poste é a parte de cima da placa. Ela é escandalosa, dá pra ver de longe, mas estava bem acima da linha do olhar. Agora já não está mais)






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Há placas como essas em dezenas de lugares, e já mandamos fazer mais.
Em uma reunião na Secretaria de Justiça (sobre o Fórum da Lapa – depois eu conto exatamente o que), uma advogada presente reclamou que na esquina da casa dela está sempre cheio de lixo, “que a prefeitura DEIXOU colocar ali”. “Não, espera aí, a gente não dá conta de recolher tanto lixo de lugar errado, mas a gente não “deixou” ninguém colocar lixo na esquina”. “Deixou, tem uma placa lá, ‘aquele negócio de Cata Bagulho...”. “Não tem uma placa deixando nada! Cata Bagulho é uma operação com dia marcado, roteiro definido. Não tem um ponto fixo; a prefeitura não deixa colocar bagulho em uma esquina todo dia”. Começamos a bater boca – “DEIXOU!”, “NÃO DEIXOU” – até que pediram pra gente discutir depois para que a reunião pudesse continuar.
Terminada a reunião, fui pedir o endereço do lixo pra ver se algum gaiato tinha colocado uma placa “aqui pode”, mas ela explicou: “É uma daquelas placas dizendo ‘Proibido Colocar Entulho’. Aí as pessoas deduzem que entulho não pode, mas bagulho pode!”
[Escrevi 3 comentários diferentes para encerrar o texto, mas apaguei os três].
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Continuei passando no ponto viciado onde discuti com aquela senhora. Coitada da placa, completamente desmoralizada. Pedi, então, para um funcionário da apreensão dar um “plantão” ali perto – não seria de 24 horas – para flagrar e punir algum infrator.
Dali a duas horas, ele me liga. “Um rapaz despejou vários restos de reforma na calçada – manta isolante de telhado e umas outras coisas. A gente acompanhou e viu a obra de onde ele tirou esses materiais. E agora?”
“Agora chama um agente vistor para lavrar o auto de multa”.
15 minutos depois, ele liga de novo. “O agente vistor já veio. A mulher tá brava pra caramba. Disse que te conhece. Ela é [assim, assado]. Diz que conversou com você outro dia ali mesmo, do lado do ponto viciado. Que não tem culpa que o pedreiro levou as coisas lá, que ela sabe que não pode, que é um absurdo tomar a multa”.
“Foi um flagrante de infração; não dá para fingir que não viu e não aplicar a multa! Não adianta ela saber que não pode e o pedreiro que trabalha para ela ir lá colocar o material. O lixo é dela; ela tem de saber para onde vai o lixo”.
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Acabou ainda não.
Ela mandou um email sinceramente, profundamente indignado. Por ser uma pessoa muito consciente, de várias maneiras preocupada com questões ambientais, ficou revoltada com uma multa por lixo no lugar errado. Explicou todos os cuidados que tem em seu serviço (só usa madeiras certificadas, p ex), a preocupação em orientar seus clientes, a sensibilidade com a natureza... Disse que não sabia que o pedreiro ia levar o lixo para lá e achou um absurdo um funcionário ficar postado, pronto para uma “emboscada”. Classificou como autoritário, abusivo. “Você deveria colocar alguém ali para ficar orientando as pessoas, não multando”.
*Ai*
Eu, por exemplo, sou uma motorista consciente, responsável, que respeita pedestres e ciclistas etc. Se eu tomar uma multa por direção descuidada, vou ficar fula da vida. “Nego passa a 160km/h pelo acostamento e eu tomo uma multa por passar a 106km/h onde o máximo é 100km/h!”. Pois é, tomo. O radar não mede minha vida toda, mede aquele instante em que eu passei por ele. Como fazer diferente? Monitorando minha velocidade (e a de todo mundo) 100% do tempo? Se a minha empregada colocar um móvel velho na rua (como ela queria fazer outro dia, na maior inocência, porque “alguém pega”), estou sujeita a tomar uma multa.
Ela pediu “orientação, não multa”. Mas meu deus do céu, o que falta fazer para orientar? Tem campanha na televisão, tem matéria nos jornais, a gente fala nas rádios, tem uma bendita placa dizendo “PROIBIDO”, ela estava do meu lado quando eu disse “AQUI NÃO PODE”! A responsabilidade de orientar o pedreiro que trabalha para ela, que vai retirar os restos da sua obra e levar para algum lugar, não é muito mais dela do que minha/da prefeitura? Haja onipotência e onisciência do Estado! Vamos ter de ressuscitar o Mao.
Ninguém no mundo pode ficar feliz com uma multa quando se acha inocente (ou perdoável). Mas se a gente abrir exceções o tempo todo – “eu estava correndo porque estava muito atrasada para um compromisso importante” – não precisa nem ter regra. Eu sou coração mole, eu entendo a indignação de quem se acha injustiçado, mas tem horas que não dá pra deixar pra lá. Hay que ter ternura sem deixar de endurecer.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

INFERNOS

1) INFERNO VERDE

Temos duas equipes, cada uma com onze funcionários, para o corte de grama (ou MATO, que cresce fácil no meio da grama).
Se puderem trabalhar o dia todo, conseguem cortar, cada uma, cerca de 100 mil m² de grama por mês. Em 2009, a média foi de 233.363 m² por mês.
Se chover canivete, como tem chovido todo dia, o serviço fica prejudicado (eles não podem ficar cortando mato debaixo da tempestade).
Mesmo antes e depois da chuva, o trabalho pode ter de ser interrompido. A praça Homero Silva, por exemplo, em Perdizes, tem 12.000 m² - a maior parte deles em declive, popularmente conhecido como “pirambeira”. O ritmo do trabalho é completamente diferente do canteiro central da Sumaré, da Marquês de São Vicente ou da Avenida Jaguaré (para citar 3 que são da minha responsabilidade) mesmo no seco; com o solo encharcado, então...
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Cortando 200 mil m² por mês, levamos cinco meses para cortar UMA vez só o mato de todas as áreas verdes em vias públicas da SubLapa, que somam 1 milhão de m².
Uma vez a cada cinco meses = 2 vezes por ano. É pouco.
As praças da Avenida Adão Gonçalves, no distrito da Jaguara, foram capinadas em março e em junho do ano passado. Ainda não conseguimos voltar lá, mas parece que há anos ninguém corta o mato.
A Sumaré foi capinada no fim de dezembro. Já está feia outra vez.
E também “socorremos” equipamentos públicos – clubes esportivos e escolas, basicamente, quando por alguma razão não tem equipes próprias ou precisam de reforços de emergência.
Do ponto de vista orçamentário, eu não deveria fazer isso. Do ponto de vista dos fatos, como negar socorro?
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Cada equipe de capinação custa pouco mais R$35 mil por mês. Só com essas duas, gastamos R$840 mil por ano. Seria ótimo termos o dobro.
É fácil falar “A prefeitura é muito rica”, mas olha quanto a gente teria de gastar só para cortar grama... R$1,680 milhão por ano por Subprefeitura.

Ah, e isso não inclui as marginais – só na área da Lapa são mais 500 mil m² de canteiros a capinar (temos a honra de sermos cortados pelas duas marginais, Tietê e Pinheiros). A capinação delas fica por conta da Secretaria das Subs, não das Subprefeituras individualmente. E não inclui, como eu disse, equipamentos públicos: os parques, escolas, clubes, unidades de Saúde, etc.
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Um jeito de economizar é fazer parcerias, os “Termos de Cooperação”. Uma pessoa física ou jurídica pode “adotar” uma praça, calçada, canteiro e, seguindo as regras da Cidade Limpa, colocar uma placa com seu nome. Para isso, precisa dar entrada em uma proposta de cooperação na Subprefeitura – e seguir os passos da burocracia.
Cuidar da praça pode ser simples, pode não ser. Se é um lugar por onde passa muita gente, o difícil não é cortar a grama, é manter limpo. Naquela praça grande na Francisco Matarazzo, entre o Palmeiras e o West Plaza, o “cooperante” não vence recolher o lixo, ainda mais quando tem jogo. Por entre as grades da praça voam restos de lanche, garrafas e latinhas... Camisinhas usadas e outras “finesses” (ao menos usaram camisinha, benza Deus!)
Mas existem pracinhas das quais um jardineiro daria conta tranqüilamente, passando uma vez por semana ou até mesmo a cada quinze dias. Enquanto não é adotada, a praça é responsabilidade nossa – e a coitada entra na fila das outras 317 (e contando! Volta e meia descobrimos uma nova área pública que não tinha nome e que não aparecia no cadastro da prefeitura).
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Enquanto isso, “Dona Sonia”, “Senhorita Soninha”, “Aos incompetentes da Subprefeitura Lapa” recebem mensagens de todos os lados reclamando do “descaso”, “abandono”, “falta de interesse”, “desprezo”, “escárnio”.
Se quiserem dizer que eu sou “incapaz”, podem. Eu sou mesmo – incapaz de fazer mais do que estamos fazendo. Mas achar que não estou nem aí, que podia fazer mais e não faço é que é de lascar.

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Se eu nunca reclamei e xinguei antes? Sim, um milhão de vezes. Basicamente porque não entendia: "SERÁ QUE É TÃO DIFÍCIL CORTAR GRAMA???". Não, difícil não é (comparado com outros problemas...). O que precisa neste momento é ter mais $. Com mais recursos, neste ano que deve ser melhor do que o último, podemos trabalhar mais e melhor. Com $, ainda precisaremos fiscalizar o trabalho das equipes, planejar os roteiros da maneira mais inteligente, buscar o máximo de produtividade. Mas sem $ não dá. E desde que eu fui vereadora e comecei a questionar, fuçar, perguntar, entender melhor como funciona as coisas descobri que existem casos em que não é justo xingar. Em outros - a menos que alguém me explique e convença - eu continuo xingando (mentalmente, ou no recolhimento da minha sala; nos emails sou educada).

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Próximo capítulo: INFERNO MOLHADO.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

"Reclama"

(Pensei que já tinha publicado esse post, que tem umas duas ou três semanas. Por alguma razão misteriosa, ficou no rascunho)

Quinta-feira, 12:00. Saí de carro de manhã, passei o dia todo sobre quatro rodas, um saco. Não tenho mais moto, tinha várias coisas para fazer em muitos lugares diferentes e, o pior, duas sacolas pesadas para carregar, uma com notebook. Enfim, sucumbi aos encantos teóricos do automóvel – teóricos porque, na prática, é um inferno andar de carro em São Paulo.

Fui da Vila Pompéia para o Paraíso (perto do Sesc Vila Mariana), de lá para o Centro Cultural Vergueiro, de lá para os Jardins. Achei uma vaga na Zona Azul a uns dois quarteirões de distância do lugar onde tinha uma reunião, mas não tinha cartão. Logo se aproximou um senhor para vender: “R$5,00”. “Não, obrigada, quero pagar preço oficial”. “Pelo preço oficial, só se você comprar um talão inteiro”.

Não me interessei (nem tinha dinheiro para um talão inteiro) e fui até a banca de jornal da esquina. “Tem Zona Azul?”. “R$4,00” – e me estendeu uma folhinha com o preço impresso. “Mas o certo é R$3,00”, reclamei. “Aqui é R$4,00”, respondeu a mulher, de queixo erguido. “Não tá certo, tem de vender pelo preço oficial”.

“Reclama”, encerrou, fazendo careta arrogante.

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Liguei 156. Primeira pergunta: “Onde tem um posto de venda oficial da Zona Azul aqui perto?”. A moça pediu “um momento” e me deixou uns 3 minutos ouvindo musiquinha. (“Mas ela nem perguntou onde eu estou? Será que identificou minha chamada por GPS?”, delirei. Ou está transferindo a minha ligação para o departamento correto?”). Ela voltou: “Senhora, os postos de venda oficiais são bancas de jornal e farmácias. Infelizmente, não temos uma lista para informar qual é o mais próximo da senhora”. “Tá bom. Então como eu faço para denunciar uma banca que está vendendo acima do preço oficial?” “Mais um momento”. Dessa vez a musiquinha foi mais rápida. “Senhora, é uma denúncia, não é?”. “É uma denúncia”. “Então, senhora, a denúncia é só com a polícia. A senhora precisa ligar 190”.

Não liguei. Mas ainda vou falar com a Sub de Pinheiros (já devia ter falado, aliás).