Uma entrevista:
Como lidar com a dívida do município?
Isso não é dívida, é escravidão. Ninguém em sã consciência aprova a indexação leonina e os juros cobrados sobre a dívida de estados e municípios. Calote, como a Marta decidiu, não darei - só nos prejudicou. Perdemos o direito ao juro mais baixo estabelecido na renegociação que vigorava então.O jeito é fazer pressão política pela repactuação. Tanto os governadores que procuraram o governo federal em romaria (inclusive do PT, PMDB e outros partidos da base) quanto o Grupo de Trabalho criado na Câmara (e coordenado por Cândido Vaccarezza - PT) fizeram várias sugestões - da substituição do índice ao investimento obrigatória de uma parte do que for pago em infraestrutura no próprio município. Haddad garante que a “presidenta” tem boa disposição para repactuar - só não a demonstrou até agora, em dez anos de governo do PT. Eu vou brigar junto com os outros prefeitos até conseguir. E acampar na frente do Planalto se precisar rsrsrs.
Outra entrevista:
IPTU PROGRESSIVO
No site, está a proposta "Onerar o uso especulativo de propriedades na região central, aplicando da lei que prevê o IPTU progressivo sobre imóveis sub ou mal utilizados; conceder incentivos e subsídios para investimentos privados em imóveis com esse perfil; empreender, isto é, produzir moradia popular na região central (reformar, edificar)". Como seria essa progressão de tributos, há ideia de percentuais? Implicaria aumento do IPTU para quem mora nos imóveis do Centro ou apenas para os vazios?
Os percentuais estabelecidos na lei 15234, aprovada em 2010 (Art. 7º Em caso de descumprimento das condições e dos prazos estabelecidos para parcelamento, edificação ou utilização compulsórios, será aplicado sobre os imóveis notificados o IPTU Progressivo, mediante a majoração anual e consecutiva da alíquota pelo prazo de 5 (cinco) anos, até o limite máximo de 15% (quinze por cento)). E ele só se aplica aos “proprietários do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado”.
Que tipo de incentivo seria dado para os que se interessem em construir moradias populares na região central?
Como prevê o Plano Diretor, como ação estratégica da Política Habitacional, pode-se “agilizar a aprovação destes empreendimentos, estabelecendo acordos de cooperação técnica entre os órgãos envolvidos”. Também pretendo conceder descontos em impostos (ITBI, IPTU), de modo semelhante aos da Lei 14.888, de Incentivo ao Desenvolvimento da Zona Leste e crédito facilitado e subsidiado para os compradores. É um Minha Casa Minha Vida melhorado, porque condiciona o subsídio à localização do imóvel e o atendimento aos ditames da boa política urbana.
DÍVIDA COM A UNIÃO
Defende a renegociação da dívida com a União?
SIM. Além de consumir parte significativa do orçamento, reduzindo absurdamente a capacidade de investimento e castigando o município pela eficiência na arrecadação e o consequente aumento de receita, a amortização é impossível com as regras em vigor. A dívida aumenta em vez de diminuir. A curto prazo, mesmo abdicando de todo investimento, os municípios sequer poderão das conta de suas despesas de modo a cumprir o estabelecido na Resolução 40 de 2001 no Senado. Estaremos todos condenados segundo a LRF e será o caos.
O que deve ser alterado e pelo quê? (o indexador, o prazo, o fluxo de pagamentos obrigatório)
O indexador, para começar, e a taxa de juros. Esses são os torniquetes que nos asfixiam; que tornam a dívida uma progressão geométrica impossível de conter. Também a percentagem obrigatória sobre a Receita, que é outra mordida de leão. Na pior das hipóteses, a alternativa já sugerida (implorada) por alguns governadores, que é o reinvestimento obrigatório de parte do que foi pago no próprio estado ou município. Prefiro as anteriores porque temos direito ao recurso gerado AQUI e necessidade de mais liberdade para investi-lo. A concentração da receita dos Tributos no nível Federal é absurda e o retorno para SP e os outros municípios é muito pequeno. Os municípios neste ritmo cada vez mais estarão de joelhos perante o Gov. Federal, dependendo da boa vontade ou simpatia do governante. Precisamos de uma reforma tributária com um olhar para onde as pessoas vivem.
Caso defenda a renegociação, os novos parâmetros adotados devem ser retroativos?
Sim, de preferência. Afinal, quando o governo Marta-Haddad deixou de pagar a parcela que venceu em 2003, perdemos o direito ao juro mais baixo estabelecido na renegociação anterior e o juro alto retroagiu. Faço questão de brigar por uma redução retroativa também.
Como conduziria essa negociação, caso eleita?
Juntamente com outros prefeitos, em articulação formal comunicada à imprensa e com romaria à Brasília...
IPTU
Pretende atualizar os valores da tabela do IPTU? Caso não, este é um compromisso de campanha?
Se atualizar significa avaliar e corrigir distorções, sim - para mais ou para menos.
RETIRADA DE TAXAS/DESONERAÇÃO
Pretende retirar alguma taxa hoje em vigor? Tem proposta de desonerar setores ou empresas para fomentar a economia local?
Sim - a TFE, por exemplo, que incide ridiculamente sobre empresas que sequer tem um “estabelecimento” propriamente dito. E sem dúvida desonerar setores e empresas, demarcando várias outras regiões da cidade em que vigorariam regras semelhantes às da Lei 14888, aquela do Incentivo à Zona Leste. É importante enumerar as atividades preferenciais para esses locais - de mão-de-obra intensiva, como o setor do Telemarketing, ou de áreas especialmente necessárias e promissoras, como a instalação de empresas ou cooperativas da área de reciclagem (inclusive as que adquirem material reciclável para beneficiamento - uma boa parte do que é recolhido é destinado a outros estados ou mesmo países); fabricantes de equipamentos voltados para a acessibilidade (muito do que é produzido para cegos e surdos é importado); projetos voltados para TI e Economia Criativa de modo geral.
Caso a resposta seja afirmativa, como seria compensada a perda de receita?
É possível calcular e demonstrar o benefício sócio-econômico-ambiental decorrente disso: criação de postos de trabalho, incremento da rentabilidade de cadeias produtivas como a da reciclagem, redução da necessidade de longos deslocamentos de casa para o trabalho com o consequente alívio sobre o viário e o transporte coletivo, entre outros.
Caso haja alguma proposta no âmbito tributário que não esteja contemplada, poderia elencar?
A concessão de incentivos para a adoção de “retrofit”, isto é, reformas que aumentem a eficiência energética e reduzam o impacto ambiental das edificações mais antigas; renúncia fiscal para doações feitas a Fundos de Fomento (à cultura, meio ambiente etc); analisar a possibilidade de implantação de tarifa para circulação de automóveis particulares no centro da cidade em horário comercial - vulgo pedágio urbano... - para alimentar fundo de investimento na melhoria do transporte coletivo. Descontos de impostos para atividades ligadas à produção de equipamentos médicos, de acessibilidade, de geração de energias renováveis e tratamento de esgoto no local da coleta, entre outros. Enfim, incentivar a inovação e eficiência.
"...But when you talk about destruction/Don't you know that you can count me out"
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terça-feira, 30 de julho de 2013
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Há um momento em que as pessoas se esgotam da produção em série
Entrevista minha para A CASA - museu do objeto brasileiro.
Você já foi VJ da MTV, apresentadora de um programa jovem na TV Cultura, comentarista esportiva na ESPN. Atuou ainda como vereadora na Câmara Municipal de São Paulo e foi subprefeita da Lapa. De onde vem sua relação com o artesanato e inserção na Sutaco?
Minha relação com artesanato é de apreciadora. Sempre gostei muito de frequentar feirinhas, conhecer o trabalho de vários lugares, sair do Brasil e voltar com peças de artesanato de cada lugar. Admirava a organização da produção artesanal fora do Brasil e lamentava que não tivéssemos nada parecido, que aqui a produção em série, fake, imitando o artesanato, se misturasse tanto com a produção artesanal de verdade – provavelmente, é um problema que outros países tiveram que enfrentar também.
Na Sutaco, juntaram-se três coisas que eu adoro: administração pública, cultura e geração de renda numa escala humana, viável. Às vezes, tenho aflição de olhar para o mundo produzindo coisas aos milhões sabendo que, no fim do dia, será preciso criar necessidades para aqueles milhões de coisas produzidas. Não se trata de suprir as necessidades das pessoas, mas de criar necessidades que sejam atendidas por aquela produção, necessária para gerar emprego. Houve um momento desse tipo quando se incentivou a compra de automóveis para que os empregos da indústria automobilística não fossem perdidos. Onde vamos parar com um automóvel por pessoa? Vamos parar, literalmente! Gosto de pensar em promover geração de renda e desenvolvimento local a partir de uma atividade que é tão significativa, tão importante.
Até quando você fica na Sutaco?
A menos que haja uma grande mudança de planos, saio em abril. Esse é o prazo máximo para ser candidata à prefeita, e o que eu mais quero é ser prefeita algum dia. Mas temos a maior preocupação com o que vai acontecer na sequencia.
Quando se tem um político no cargo de superintendente, isso significa que é uma pessoa que vai defender a Sutaco, que vai lutar pela Sutaco, que vai bater em várias portas, fazer mil e uma conexões e articulações, ou seja, não é simplesmente o executor de uma política. Alguns poderiam alegar que seria melhor ter um técnico nessa posição, mas eu sempre acho que aqueles que ocupam cargos de direção podem ter perfil técnico desde que tenham também um perfil político, de visão de longo prazo e de contatos.
Coisas muito legais têm acontecido com a Sutaco em função de parcerias. Nossa estrutura é mínima – aliás, estamos reivindicando junto ao governo do estado que reconstrua a estrutura da Sutaco, porque ela foi muito enfraquecida ao longo dos anos – mas conseguimos fazer muita coisa com parceiros. Numa parceria com a Imprensa Oficial, abrimos uma loja de porta para a rua na Rua XV de Novembro. Antes, a loja era aqui em cima, no terceiro andar. Agora, dividimos o espaço com a Imprensa Oficial, o que é ótimo. Numa parceria com o Metrô, conseguimos abrir uma loja na estação Vila Madalena. Em parceria com a CDHU, temos cursos de artesanato em vários empreendimentos. Em parceria com o Itesp, iremos cadastrar artesãos de quilombos, aldeias indígenas, assentamentos, dar cursos e, de preferência, trazer seus produtos para vender em São Paulo.
Uma vez começado, acho que é mais fácil manter o trabalho, mas tenho medo. Eu adoro aqui. Se não me eleger dessa vez, pretendo voltar.
De certa forma, um político no cargo de superintendente também confere mais visibilidade à instituição.
Também, nem que seja para esculachar: “olha onde ela foi parar!”
O que é a Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades (Sutaco)?
O que é a Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades (Sutaco)?
A Sutaco é uma autarquia do governo do estado, ou seja, recebe recursos do tesouro, recursos públicos, e também gera receita própria, tendo sido criada no início da década de 1970. Sua primeira denominação foi Superintendência do Trabalho em Comunidades e dois anos depois é que se estabeleceu o foco no trabalho artesanal em comunidades.
A porta de entrada na Sutaco é o cadastramento do artesão, isto é, a comprovação de que ele é um artesão mesmo, conforme definições consagradas. Há uma portaria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que abriga o Programa do Artesanato Brasileiro no âmbito federal, definindo o que é artesanato, o que é artesão, o que não é, o que é trabalho manual, e há também outras conceituações, que aparecem, por exemplo, no Termo de Referência do Sebrae, em documentos da Unesco etc.
No cadastramento, o artesão tem que executar uma peça diante do nosso avaliador para mostrar que não tem empregados fazendo o trabalho para ele e que não comprou o objeto na Rua 25 de Março, deu uma mão de tinta e falou que foi ele que fez. A partir do momento em que o artesão é cadastrado, recebe uma carteirinha que o identifica como profissional do artesanato. Em muitos lugares a carteirinha é pedida ou aceita como comprovação de que ele é de fato um artesão – por exemplo, por prefeituras que organizam feirinhas ou festivais de artesanato. Essa carteirinha pode ser obtida não só aqui, em nossa sede na capital, mas também em mais de duzentos municípios do estado, onde a prefeitura local indica dois servidores treinados para fazer essa avaliação, eles nos remetem os documentos e emitimos o documento.
Além de ser identificado como profissional do artesanato, quais as vantagens, para o artesão, de possuir a carteirinha da Sutaco?
Além de ser identificado como profissional do artesanato, quais as vantagens, para o artesão, de possuir a carteirinha da Sutaco?
A partir do momento em que o artesão tem a carteirinha, pode emitir nota fiscal pela Sutaco – até um determinado valor. Há condicionantes porque é uma nota fiscal com isenção de ICMS sobre a qual incide apenas uma taxa de 5% – no máximo, se for uma venda de fato – para a Sutaco. Essa é uma das nossas fontes de receita própria. Com essa taxa sobre a nota fiscal, conseguimos investir em mais artesanato.
Além disso, a Sutaco adquire produtos de artesãos com carteirinha. Assim, eles têm a possibilidade vender seus produtos em nossas lojas e em nossos eventos, o que é muito bom, principalmente se compararmos com outros programas de apoio à geração de renda. Em geral, a venda fica totalmente por conta do cidadão “empoderado”, “capacitado”, mas ou ele vende ou não vende. Nós garantimos – claro que até certo ponto – o escoamento da produção. O artesão precisa fazer o cadastro, possuir a carteirinha e ter um produto condizente com os critérios da Sutaco. São critérios bem generosos, porque um produto pode ser tradicional, de raiz, ou pode ser contemporâneo, moderno, criativo, diferenciado, ou ainda pode ser um produto que não se distingue muito nem por uma coisa nem por outra, nem é bem tradicional, nem arrojado e moderno, mas é muito bem executado e o artesão tem uma condição socioeconômica muito difícil – tudo isso a gente leva em conta. Desenvolvemos um critério de avaliação e acrescentamos pontos extras se o produto for feito a partir de reciclagem, material pós-consumo, sobra de produção industrial, restos como bagaço, cascas, pseudocaule de bananeira. Também há pontos extras se for feito por indígenas, quilombolas, comunidades ribeirinhas, assentados rurais, cooperativas populares, usuários do Sistema de Saúde Mental, usuários do Sistema de Assistência Social, participantes de programas de pós-ocupação de moradia popular, presidiários ou egressos. Há uma lista de pessoas em situação especialmente vulnerável que têm preferência no momento em que a Sutaco compra os produtos.
Mais ainda, a partir do ano passado, o artesão cadastrado pode se inscrever num edital e se candidatar a dar aulas e oficinas de artesanato contratado pela Sutaco. Abrimos um edital e as pessoas enviam currículo, comprovação de experiência e um projeto de curso. Os que forem aprovados ficam à disposição de qualquer instituição que quiser contratar. A Sutaco paga a hora-aula do artesão e entidade parceira que solicitou o curso providencia um lugar para as aulas, divulga, monta a turma – só mandamos professores para grupos – e fornece material. Muitas vezes, as entidades, prefeituras, associações, já pedem o curso conforme o material que já dispõem: “Recebemos aqui muita doação de retalho de tecido”, ou “Temos muito bagaço de cana”, “Temos palha de milho”. Normalmente, providenciar o material é o de menos.
Para a Sutaco, artesanato é um meio de geração de renda e inclusão social. Quais as vantagens dessa atividade como ferramenta para o desenvolvimento social e econômico?
Para a Sutaco, artesanato é um meio de geração de renda e inclusão social. Quais as vantagens dessa atividade como ferramenta para o desenvolvimento social e econômico?
Gosto muito de pensar na escala humana. O artesanato pode até ser feito a partir de uma matéria-prima que atravessou o mundo de navio, mas isso é a exceção, não é o comum. Normalmente, o artesanato é feito daquilo que está muito próximo; é o barro dali onde as pessoas vivem, são partes da vegetação local, restos de produção agrícola, restos de produção industrial. Isso, para mim, é antigo e moderno. Às vezes, o mais moderno é o mais antigo. Veja o reaproveitamento, por exemplo. O descartável foi o advento da modernidade, a liberdade da mulher moderna – que não precisa mais lavar fraldas –, e, aos poucos, percebemos que não é bem assim, que tudo o que dá para reaproveitar deve ser reaproveitado. Nesse ponto, artesanato é o antigo e o super moderno.
Além disso, o volume de produção não exige que se saia em busca de novos mercados imensos, embora almejemos expandir o mercado de artesanato, porque queremos que o artesão seja reconhecido no trabalho dele, que possa ganhar dinheiro com aquilo que ele faz e que as pessoas tenham a possibilidade de ter artesanato na sua vida, porque artesanato é beleza. Artesanato pode ser funcional ou não, pode ser simplesmente decorativo, agradável de olhar. É um produto que faz bem a quem produz, porque muitas vezes é a tradução, se não da história, da raiz, da tradição, da cultura local, no mínimo de uma habilidade, de um saber fazer, de um olhar, de um gosto, e é bom também para quem consome. E tudo dentro dessa medida mais próxima da escala natural das coisas, não essa escala industrial, mundial, planetária.
No fim das contas, o artesanato como geração de renda traz até uma dificuldade em relação ao estabelecimento do preço do trabalho. Muitas vezes, a matéria-prima não foi adquirida, foi obtida de alguma outra forma. Tem artesã que entra no brejo para pegar taboa – com plano de manejo, que antes ela nem sabia que precisava ter, com autorização do Ibama. Quanto custa essa matéria-prima? Como se calcula o preço? Não dá para dizer que é grátis; ela precisa ter uma bota até o joelho, toma picada de cobra, de aranha, e aí? E o tempo que leva para pegar, cortar, secar, trançar? Como parece que o produto veio a custo zero, ou que o único custo foi o tempo e o trabalho dispendido, é difícil colocar um preço. Mas isso é também uma vantagem do artesanato: você consegue produzir a partir de matérias pelas quais você não precisou desembolsar dinheiro.
Outro problema em relação ao preço é que é difícil dar o valor que o produto artesanal merece: pelo significado simbólico, pelo trabalho que deu, pelo quanto aquilo é único – único nos seus pequenos defeitos, inclusive. Muitas vezes, as pessoas comparam com o preço de um produto massificado: “Por que vou pagar isso nesse vaso, se eu tenho um quase igual custando muito menos?”. Isso é inerente, não vejo como resolver. Colocar o preço é uma coisa que vamos aprendendo com o tempo, nós e os artesãos. Mas é difícil evitar a comparação com o preço do produto industrializado. Eu não vou baratear o artesanato, esse é que é o ponto, essa é que é a dificuldade. Não posso competir barateando artesanato. Tenho que fazer as pessoas perceberem o valor que isso tem e os motivos daquele preço maior do que o do produto que veio da China.
É preciso educar o mercado?
Com certeza.
Ao incentivar a produção de artesanato por pessoas em situação de vulnerabilidade – usuários do Sistema de Saúde Mental, usuários do Sistema de Assistência Social, presidiários ou egressos etc. – com o objetivo de inseri-los socialmente, a Sutaco parece defender a ideia de que o saber fazer artesanal está ao alcance de todos. Nesse sentido, é sintomático que a Sutaco esteja vinculada à Secretaria do Emprego e Relações de Trabalho – SERT e não à Secretaria de Cultura, por exemplo. Assim, ao contrário da “Arte”, o artesanato prescindiria do dom. Isso não contribui na perpetuação do preconceito que hierarquiza atividades como arte e artesanato, atribuindo ao artesanato um lugar inferior?
Ao incentivar a produção de artesanato por pessoas em situação de vulnerabilidade – usuários do Sistema de Saúde Mental, usuários do Sistema de Assistência Social, presidiários ou egressos etc. – com o objetivo de inseri-los socialmente, a Sutaco parece defender a ideia de que o saber fazer artesanal está ao alcance de todos. Nesse sentido, é sintomático que a Sutaco esteja vinculada à Secretaria do Emprego e Relações de Trabalho – SERT e não à Secretaria de Cultura, por exemplo. Assim, ao contrário da “Arte”, o artesanato prescindiria do dom. Isso não contribui na perpetuação do preconceito que hierarquiza atividades como arte e artesanato, atribuindo ao artesanato um lugar inferior?
É um risco e temos que ficar atentos para que isso não aconteça. Às vezes, em outras cidades com as quais mantemos relação, ou mesmo outros estados, o artesanato está subordinado a um órgão de cultura. Aí o recorte seria completamente diferente, porque muita coisa que nos interessa, como geração de renda, não interessaria, de modo algum, a uma pasta de cultura. Mas a condição socioeconômica é apenas um dos critérios que pode servir para desempate, vamos dizer assim. É diferente de um critério de cota, por exemplo. Pessoas nessas condições terão um ponto extra se precisarmos definir uma prioridade de compra, pois nossos recursos finitos e não podemos comprar tudo ao mesmo tempo. Mas em nenhum momento isso dispensa criatividade, qualidade de acabamento, ou um componente histórico, tradicional, de identidade. Tivemos o maior cuidado na hora de pensar essas notas, tanto que algumas são 1 ou 2 – sim ou não –, e outras tem uma escala de 1 a 3 ou 1 a 5, de modo que alguém que não vá bem nos quesitos de qualidade do produto não vai ter seu produto comprado e vendido pela Sutaco só porque tem uma condição difícil. Nesse caso, iremos orientar a pessoa informando que a Sutaco não poderá vender. É o bendito pano de prato. As pessoas vêm à loja da Sutaco e comentam: “Ah, é isso? Pensei que era tipo ‘pano de prato’”. Mas claro que um pano de prato pode ter o seu valor como trabalho manual dependendo do barrado que for feito nele, da aplicação de tecido, pode ser super-representativo da cidadezinha onde aquilo foi produzido. Você pode olhar um pano de prato e dizer: “Isso é de Óbitos, interior de Portugal”, ou “Isso é de Piracicaba, eu conheço essa igrejinha”. Precisamos ter esse cuidado. Quando vim para cá, sugeri que o cerimonial do governo adquirisse produtos da Sutaco para presentear visitantes estrangeiros. Eles resistiram até que eu fosse lá levar um presente. Levei uma peça de cerâmica, e eles: “Ah, é disso que você está falando!”. Já temos a distinção “trabalhos manuais” e “artesanato”. O Renan Novais, nosso ouvidor, que tem décadas de Sutaco, costuma resumir muito facilmente: trabalho manual tem uma receita, uma receita da revista, uma receita da televisão; o artesanato não tem receita, não tem um “faça isso, depois faça aquilo”. Isso não quer dizer que os artesãos sejam autodidatas. O modo de amassar e moldar o barro, por exemplo, tem um aprendizado, mas é outro tipo de transferência de conhecimento.
Apenas para responder sua pergunta de maneira mais direta: “parece até que qualquer um é capaz de fazer artesanato”. Qualquer um pode ser capaz de fazer artesanato, nós não sabemos; assim como qualquer um pode ser capaz de fazer arte e nós não sabemos. Antonio Bispo do Rosário, por exemplo, nem ele sabia. De repente teve o estalo com a estagiária de psicologia e começou a fazer arte; nem sei se ele sabe o que fez. Tanto artistas quanto artesãos podem ser pessoas que não tenham alta escolaridade, que sequer tem um repertório vasto de referências históricas ou estéticas. Por outro lado, podemos tentar abrir o horizonte de alguém que tem uma habilidade manual para outras referências culturais, de modo que aquela capacidade inicial possa vir a ser um artesanato mais distinto.
Como herança da escravidão, existe um velho preconceito que associa a elite ao trabalho intelectual (saber) e as classes subalternas ao trabalho braçal (fazer). Nesse sentido, uma série de projetos de inclusão social voltados à população de baixa renda envolve música, percussão, esportes e trabalhos manuais. Em que medida a ideia de incluir a mão-de-obra marginalizada no mercado de trabalho por meio do artesanato está baseada nesse preconceito?
Como herança da escravidão, existe um velho preconceito que associa a elite ao trabalho intelectual (saber) e as classes subalternas ao trabalho braçal (fazer). Nesse sentido, uma série de projetos de inclusão social voltados à população de baixa renda envolve música, percussão, esportes e trabalhos manuais. Em que medida a ideia de incluir a mão-de-obra marginalizada no mercado de trabalho por meio do artesanato está baseada nesse preconceito?
Isso dá muita briga entre o pessoal que fomenta a produção artesanal em órgãos de governo ou em organizações não governamentais. Tem gente que tem pavor dessa associação entre artesanato e população carente, artesanato e geração renda na periferia. E é uma coisa muito simples: não é uma equação matemática do tipo “artesanato = pobreza”, e nem o contrário, “a melhor saída para a pobreza é o artesanato ou o trabalho manual por falta de uma aspiração a alguma coisa melhor”. O artesanato pode ser produzido e é produzido por pessoas das várias camadas da sociedade. E mesmo que fosse produzido só pelos pobres, mesmo se as elites intelectuais e financeiras não tivessem nenhum interesse em fazer artesanato, nem por isso valeria menos. Há atividades que são características das camadas mais populares da sociedade e nem por isso têm menos valor.
Já discuti muito o fato de que os projetos sociais na periferia costumam dar um tambor na mão das pessoas e eles saem batendo tambor quando deveriam estar fazendo faculdade de Direto. Se quiserem fazer faculdade de Direito, eles têm que ter toda a possibilidade de entrar numa faculdade de Direito, mas música não tem valor? Só tem valor se for sinfônica? Batucada não é importante? E o esporte, não tem valor? O problema é sempre o reducionismo: se alguém achar que pobre só dá para esporte, música ou trabalhos manuais, estará sendo injusto e excludente com os pobres. Eles têm que poder estudar o que bem entenderem. Mas também discordo de alguém que diga que cultura e esporte não têm valor nenhum, que o que tem valor mesmo é diploma de doutor.
O antropólogo Ricardo Gomes Lima afirma que diversas pesquisas demonstram que “uma das características da produção artesanal (...) reside exatamente na integração da atividade manual com a intelectual”.
O antropólogo Ricardo Gomes Lima afirma que diversas pesquisas demonstram que “uma das características da produção artesanal (...) reside exatamente na integração da atividade manual com a intelectual”.
E é um pensamento aparentemente compassivo – “os pobres vão ficar fazendo cultura e esporte quando deveriam estar estudando” –, mas não deixa de ser um pensamento elitista preconceituoso. Elitista no mau sentido, de que só tem valor a produção acadêmica, intelectual. Tenho certeza que não. Eu não quero que os artesãos permaneçam analfabetos, se for esse o caso deles, nem analfabetos digitais. Espero que eles saibam usar a internet sem descaracterizar o que eles fazem. Mas não vou achar que uma pessoa vale menos porque só estudou até a oitava série, quando ela produz uma coisa tão maravilhosa e encantadora. Não é paternalismo, “Deixa ele ali daquele jeito”, nem glamorização da pobreza, “A pobreza é bonita”, “A baixa escolaridade é bonita”, não acho isso. Mas também não acho que só tem valor na sociedade quem fez pós-doc.
Durante muito tempo, acreditou-se que a industrialização iria acabar com o artesanato. Entretanto, o site da Sutaco informa que “Desde sua fundação em 1970, a Sutaco cadastrou mais de 70 mil artesãos – e esse número aumenta todos os dias”. O lugar do artesanato na sociedade contemporânea está se expandindo?
Durante muito tempo, acreditou-se que a industrialização iria acabar com o artesanato. Entretanto, o site da Sutaco informa que “Desde sua fundação em 1970, a Sutaco cadastrou mais de 70 mil artesãos – e esse número aumenta todos os dias”. O lugar do artesanato na sociedade contemporânea está se expandindo?
Eu acredito que sim. Até certo ponto, pode parecer que o objeto artesanal e o objeto industrial competem um com a outro, mas, na verdade, eles mais se contrapõem do que competem, eles não estão disputando o mesmo espaço, o mesmo bolso, o mesmo mercado.
Depois de toda essa discussão sobre o que é pobre, o que é da elite, é curioso notar que a elite financeira adora um produto rústico. A CasaCor está cheia de produtos artesanais, tradicionais, de raiz. Isso é um sinal de que há um ponto de esgotamento em todas as coisas, um momento em que as pessoas se esgotam da produção idêntica, em série. Cansa! No começo é bom, porque é barato, porque todo mundo tem e eu também quero, mas chega uma hora em que isso se dilui na paisagem e outra coisa chama a sua atenção e desperta o seu desejo.
Quem não é sensibilizado pelo belo tem algum problema. Até os animais seduzem uns aos outros com penas coloridas. O ser humano tem uma sensibilidade para a beleza e o artesanato é isso. Seja um artesanato tradicional, seja um trabalho manual bem feitinho, é belo, não é só útil. A não ser que alguém esteja muito mal consigo, numa condição muito depauperada de espírito, o belo sempre vai ser sedutor.
Quais as principais características do artesanato paulista?
Quais as principais características do artesanato paulista?
É difícil falar em uma linguagem, e por isso mesmo, isto é São Paulo. Temos aqui uma discussão muito acirrada sobre o artesanato típico paulista. No decreto que regulamentou a Sutaco, falava-se no benefício fiscal para o “artesanato típico regional”. Então, tem gente que acha que deveríamos ser muito rigorosos e excludentes em relação a uma boa parte dos trabalhos artesanais que cadastramos e adquirimos para vender. E eu questiono: “Não é tipicamente paulista ter elementos da cultura japonesa, árabe, negra, européia?”. Em alguns lugares, o traço da cultura indígena vai ser predominante; em outros, será o traço da cultura negra. São Paulo é exatamente a mistura disso tudo: a maior cidade nordestina fora do nordeste, a maior cidade japonesa fora do Japão, a maior cidade boliviana fora da Bolívia. Então, é claro que isso se reflete no artesanato. Em alguns lugares, existe a produção quase autóctone, não influenciada por movimentos culturais recentes – foram influênciados pelo contato do negro com o índio e com o português. Então, pode haver uma modelagem em barro, uma técnica indígena, acrescida de elementos da cultura negra de algum vilarejo do interior da África, resultando num santo cristão. Isso é o artesanato de São Paulo.
Há algumas coisas bem típicas, características de alguma região, como esse artesanato do vale do Ribeira, dos quilombos, da região de Taubaté, do vale do Paraíba. Mas o mais comum é que você tenha dificuldade de dizer de que lugar aquilo veio porque o estado é muito misturado. Temos peças em cerâmica com técnicas originalmente japonesas que, aos poucos, vão ganhando contornos ou ilustrações mais brasileiras e mais paulistas. Mas, a não ser que sejam as figuras de Taubaté, que se alguém já conhecer sabe identificar, as pessoas não costumam reconhecer o artesanato paulista. Quando montamos um estande de São Paulo nas feiras, mesmo que tenha peças contemporâneas – temos muitas esculturas feitas de restos de metal reaproveitado, por exemplo –, com elementos urbanos, as pessoas perguntam: “Vocês são de onde?”.
Há ainda o artesanato caiçara, do litoral, que tem uma característica regional muito marcante. Você olha e pode errar: “Isso aí é de Iguape ou de Caraguá?”, mas é possível identificar que é da cultura caiçara.
Pela falta de técnicas e materiais mais marcadamente paulistas, procuramos levar aos nossos artesãos a ideia de inserir na forma ou na ilustração de seus trabalhos algum elemento local. Por exemplo, em uma ecobag. Para mim, é muito bom olhar para uma ecobag e saber que ela é de Bertioga e não de Presidente Prudente. Como se faz isso? É uma sacola, de um jeito ou de outro, mas a de Bertioga pode ter milhões de ilustrações bordadas, pintadas, aplicadas, trançadas do forte de Bertioga, que só tem lá. Eu não quero que escrevam “lembrança de Bertioga”, mas quero que as pessoas pensem cada vez mais em se fazer representar no artesanato naquilo que elas têm de típico delas. Pode não ser uma tipicidade histórica, original, do século retrasado, mas o que é típico do lugar agora. No ABC, por exemplo, eu faria artesanato com perfil de fábrica; o ABC é isso.
Quais as maiores dificuldade do artesão paulista e como o poder público pode atuar em seu apoio?
Um dos problemas é a organização da produção. É onde pretendemos atuar mais agora, sem descaracterizar, sem fazer com que cada artesão vire um microempresário, ou um agente de divulgação de si mesmo, mas ele precisa ter o mínimo de organização para saber quanto gasta, para saber se é capaz de atender uma determinada encomenda. Às vezes, o artesão pode receber uma grande encomenda por um preço final muito atraente, que vai fazer com que seu ganho imediato aumente bastante, mas ele não se dá conta de que o preço individual de cada peça inviabiliza a produção. E não apenas isso, pode ser que o preço seja até vantajoso, mas como ele nunca calculou isso direito, perde o prazo para entregar a encomenda; ou ele se mata para entregar aquilo no prazo, vira noites em claro e termina totalmente esgotado; ou então acaba fazendo um produto de menor qualidade. Os artesãos precisam conhecer o processo produtivo como um todo, saber prever revezes, porque quando ele não tem prazo para entregar uma encomenda, se choveu mais ou menos, se vai demorar um pouco mais para ter o coco seco ou o barro em condições, não faz muita diferença. Mas se ele se compromete com um prazo, ele tem que saber lidar com isso. Ou ele pode não se comprometer, ter uma postura mais de artista: “Olha, não trabalho dessa maneira”.
Outro ponto é justamente a ampliação de repertório, de referências, para que as pessoas façam produtos melhores e mais atraentes do ponto de vista do mercado, e mais recompensadores do ponto de vista da auto-estima. Como o trabalho manual hoje é uma febre – há revistas, DVDs, sites, programas de televisão, canais de televisão – é muito fácil aprender a fazer artesanato, aprender a fazer trabalhos manuais, mas é muito difícil fazer um trabalho diferenciado. Temos agora cursos de técnica artesanal, mas queremos ampliar isso. Por enquanto, fazemos uma consultoria informal, visitamos os grupos, orientamos em relação ao produto, em relação à organização, mas quero que a Sutaco tenha uma metodologia básica condizente com as necessidades de cada grupo. Nós, o quadro de pessoal da Sutaco, iremos fazer um curso para nos aprofundarmos nisso. Em seguida, os artesãos ligados à Sutaco que dão aulas de técnicas artesanais também vão passar por esse treinamento. Finalmente, pretendemos incubar um empreendimento para aprender a fazer. Primeiro seremos “estagiários” de uma incubação para que possamos ser incubadores também, coisa que a Sutaco, hoje, não é.
Como o design pode contribuir na ampliação de referências? A Sutaco tem considerado a parceria entre designers e artesãos em seus projetos?
Acabo traindo um preconceito meu por não ter usado a palavra design até aqui. Talvez porque não tenha boa tradução em português. Eu me censuro, me policio para não dizer design, porque dá impressão de alguma trazida de fora, entregue ao artesão, ensinada para o artesão. Claro, design faz toda a diferença. Precisamos buscar referências, elementos locais, identidade, mas como isso se traduz na ilustração de sacola, na aplicação em camiseta, num bordado, numa peça moldada em barro ou numa peça forjada a ferro? Isso é design. O elemento da identidade pode ser uma espécie endêmica de tartaruga; tudo bem, mas não se vai simplesmente moldar tartarugas, fazer representações exatas da tartaruga. Como é que se estiliza a tartaruga? Como se identifica uma tartaruga numa forma de metal quase abstrata? O design é um elemento de comunicação entre essas referências culturais e de identidade e sua transformação em um produto único, belo, atraente. Quando falamos nessa ampliação de referências, de repertório, o design é elementar. E, às vezes, quando o produto é importante historicamente para determinada comunidade, não há necessidade de incorporar novos elementos de design na peça, mas na loja, na exposição, na embalagem, na etiqueta.
Uma peça com belo design salta aos olhos de um jeito que mesmo o artesão menos familiarizado com milhões de movimentos culturais, artísticos etc., desenvolve uma relação instantânea de olhar, reconhecer e ser impactado por aquilo. O design é também o não verbal. Não é apenas o texto, a explicação, a teoria, a história contada, é um gesto materializado, um movimento corporificado. O design tem um pouco disso, de ser muito moderno, mas sempre comunicar com alguma coisa inexplicável.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Não é uma gata à primeira vista...
Dei a entrevista no ano passado para uma revista de Turismo da Abril... Tema: São Paulo & seu aniversário. No fim, a repórter se desculpou - os editores vetaram: "Mané personagem paulistana o que, vai ser candidata, tá fora".
Pra não desperdiçar as respostas (lembrei disso agora), aí vão :)
1. Desde quando mora na cidade? (desde sempre, já mudou e voltou, nunca mudou e nunca mudaria, SP é seu lugar no mundo...)
Nasci em São Paulo, no apartamento 62 de um prédio na Duarte de Azevedo, Santana... A família inteira - italiana por parte de pai, portuguesa pelo lado da mãe - era da ZN. Já morei em vários lugares de Santana e tb na Liberdade, Jaguaré, Vila Madalena, Perdizes e agora estou na Vila Pompeia. Até gostaria de passar semanas ou meses em outros lugares do mundo, como Berlim, que eu amo - mas estaria o tempo todo pensando "por que não fazer isso em São Paulo também, ó raios?". As benditas ciclofaixas, o desfrute das áreas públicas, os patios internos nos edifícios abertos a quem quiser passar, os ônibus e metrôs sem catraca... Eu amo esta bagaça, com todos os seus defeitos. E, como todo mundo que a gente ama, fico querendo consertá-la rsrs. Se eu achar que já fiz por São Paulo o máximo que eu podia, aí sim me mando pro meu centro budista, onde pretendo estar quando morrer (sério! rs).
2. Existe amor em SP?
Existe, Criolo! Em tudo quanto é lugar :o). Amor de casais por toda parte, de todos os feitios... De pais e filhos... De torcedores pelo seu time... Trabalhadores pelo seu trabalho (isso é bem São Paulo!)... Grafiteiros pelos muros... Músicos pela música... Amor de muita gente por cães e gatos, pelas árvores e filmes, pelos pedaços de horizonte que ainda dá pra ver entre os prédios, pelas mesas de bar na calçada, pelas bancas de revista, os parques e canteiros onde dá para correr, pela noite toda misturada de "boyzinhos" e rappers e roqueiros etc... Pelas padarias de manhã, os botecos a qualquer hora... Os ônibus elétricos, o metrô fora do horário de pico... A vida cultural "grátis"... Pelo centro velho e pela perifa... Um amor ao mesmo tempo fiel e "promíscuo" rsrs
3. Onde São Paulo é mais bonita? Onde é mais feia?
São Paulo é MUITO feia nas beiras de rio... Credo, o que foi que fizemos com eles... Uma amiga minha diz que um dia quer ser Secretária Municipal das Pequenas Marginais tipo Avenida do Estado, Aricanduva, Engenheiro Caetano Alvares...
Onde é mais bonita - onde a modernidade não desrespeitou a velhice... Onde há casinhas "de vó", com jardim, portão baixinho, imagem de Santa na entrada... Onde há edifícios de fachada caprichada em alto-relevo, igrejas caiadas, comércio antigo... Predinhos de três andares, árvores floridas.
4. Pra não dizer que não falei das flores...onde elas estão no meio de tanto concreto?
No concreto! Ipês, azaleias, quaresmeiras, pata-de-vaca, manacás, alamandas... Lindas!
5. Onde é melhor para ir à noite? (se costuma frequentar a noite...pra escutar uma boa música, etc)
Vila Madalena A PÉ, porque de carro é um inferno. Aí dá pra escolher o bar, restaurante, boteco, numa boa. Eu adoro a Casa de Francisca, uma preciosidade ainda meio "escondida" nos Jardins... O RoseVelt, na Praça Roosevelt... O Blu Bistrô, na Monte Alegre. Ou em um Supermercado seguido de uma boa balada em casa, com pizza e vinho #adoro :o)
6. E pra tomar um cafezinho, uma cerveja, comer uma boa comida? Onde fazer a feira?
Cafezinho aqui no centro, durante a semana... Delícia... Pode ser no CCBB, no Café Latte (na 3 de Dezembro), no Café da Fazenda (em frente à São Francisco) - bons lugares para almoçar, também! O restaurante do Pátio do Colégio também é uma coisa linda. Perto da minha casa, na Desembargador do Vale, tem o Gusta Café & Restaurante que também é demais. E o Café Raiz, na esquina da João Ramalho com a Cardoso, que serve um adorável café coado na mesa.
Almoçar e jantar pode ser no Rota do Acarajé, em Santa Cecília; no Nama Baru, restaurante de inspiração Thai na Avenida Pompeia; a Cervejaria Nacional, na Pedroso de Morais, é super legal - e eu nem gosto muito de cerveja, mas fiz a degustação e curti!; estive em um lugar ótimo na esquina da Bartira com a Cardoso de Almeida, o "Di Bacco"; e fiquei "freguesa" da Praça no Itaim onde fica o Kinoplex, que tem várias lanchonetes e restaurantes. É um lugar ultra "burguês", que em princípio não me atrairia, mas trabalhei lá semanas a fio e curti as alternativas, que são muitas! De Applebees a Disfrutty (na rua), de alemão (Braugarten, ótimo, inclusive a sobremesa) a japonês (Kodomo), de Galeto's a Starbucks e Floriano (esses cinco, na praça). E ali por perto ainda tem o Senhora Salada, com belo almoço e sorvetes incríveis; o Si Señor, delícia de mexicano; o "Ristorante e Pizzaria Babbá" e o Brunetto...
Como eu AMO comer, ainda falaria de muitos lugares, mas vou citar só mais dois, NADA a ver um com o outro - o primeiro é o Bar do Zé Batidão, onde dá pra comer uma bela porção de fritas com queijo ouvindo poesia às quartas feiras (Sarau da Cooperifa); outro é no Shopping Center! Enquanto a Praça de Alimentação fica sempre lotada, tem um restaurante ótimo bem ao lado da entrada do cinema no Bourbon que sempre tem espaço. Chega a ser um desperdício! Chama Intervalo Forneria, tem umas comidas ótimas (eu adoro o picadinho e a pizza taco de palmito), preços honestos e revistas e jogos pra passar o tempo :o)
7. Como é a São Paulo do futuro? "Tem solução"?
TEEEM! Precisa ser mais "inteligente", menos teimosa... Parar com essa ideia de jerico de fechar as pessoas em espaços "exclusivos", em condomínios que "tem tudo", e deixar todo mundo curtir a rua, que é a graça de uma cidade... A convivência "misturada", o espaço público compartilhado por quem ESTÁ nele e não só de passagem entre casa e trabalho, trabalho e balada... Tem de oferecer calçadas que sejam boas pra andar, pra sentar em um banco e olhar a paisagem ou sentar em uma mesinha e tomar suco ou cerveja... Tem de encurtar as distâncias pras pessoas poderem ir a pé pra casa... Poderem dormir mais e passar mais tempo escolhendo o que fazer, e não presas em um deslocamento... Tem de ter mais comércio de rua e menos hipermercado, onde só dá mesmo pra ir de carro e nunca fazer amizade com a moça do caixa... Tem coisa que é moderna (usar mais internet e menos papel, carimbo, ida ao balcão da repartição ou do cartório) e tem coisa que é antiga: preservem os mercadinhos, as padarias, as quitandas no térreo dos prédios!!
8. O que achou da declaração do filósofo Alain de Botton?
A da desigualdade? Se for, ele tem razão! São Paulo tem muitas graças, muitas belezas. Mas as belezas desfrutadas pelos mais ricos - a começar pela paisagem! - estão séculos distantes da feiúra de outros lugares. E a beleza é só o sinal mais visível, o código mais decifrável desse abismo. Dentro de sua casa em lugares feios, as pessoas já "alcançam" alguns confortos "de rico", como as TVs de Tela Plana compradas em mil prestações, geladeiras bacanas, aparelhos de som possantes. Mas quando saem à rua, não tem jeito - tem uma feiúra que é muito desencorajadora, com a qual elas (e nós) não deveríamos nos acostumar jamais.
9. Por fim...como boa paulistana, o que diria para os turistas que fogem daqui e só querem conhecer o Rio?
VACILOU! O Rio é lindo, eu amo - a caminhada ou corrida na beira da praia, o vôlei até de madrugada, a boemia... Mas São Paulo é f*da, baita cidade "fértil", vibrante, biodiversa (rs), oferecida, divertida. Venha, veja o que tem de coisas legais gratuitas, passeie de metrô (no contrafluxo...), ande por aí reconhecendo a paisagem, peça dicas de programas para amigos e conhecidos e se apaixone pela bagaça. Não é assim uma "gata" à primeira vista, mas é muito, muito interessante.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Apanhadão TV Estadão
"Vou estar sempre em oposição ao PT", diz Soninha
TV Estadão | 17.12.2011
Ex-filiada ao PT e hoje pré-candidata à Prefeitura de São Paulo pelo PPS, Soninha diz que esgotou sua confiança no Partido dos Trabalhadores
"Mito Lula não funciona em São Paulo"
TV Estadão | 15.12.2011
Pré-candidata do PPS reconhece a força da influência de Lula, mas afirma que ele não decide cenário
eleitoral na capital paulista
Soninha: Para PPS, é importante ter candidatura própria em São Paulo
TV Estadão | 15.12.2011
A pré-candidata diz que não há sentido para partido desistir de sua candidatura para eventual parceria com PSDB ou Democratas
Soninha: "SP precisa criar condições para pessoas serem mais saudáveis"
TV Estadão | 17.12.2011
Pré-candidata do PPS diz que melhorar qualidade de vida das pessoas é primeiro passo para garantir qualidade da saúde pública
Viciados em drogas precisam de atenção multidisciplinar, diz Soninha
TV Estadão | 17.12.2011
Para a pré-candidata, problema das drogas deve ser resolvido com um grupo que envolva profissionais de saúde, assistência social e outras áreas
TV Estadão | 17.12.2011
Ex-filiada ao PT e hoje pré-candidata à Prefeitura de São Paulo pelo PPS, Soninha diz que esgotou sua confiança no Partido dos Trabalhadores
"Mito Lula não funciona em São Paulo"
TV Estadão | 15.12.2011
Pré-candidata do PPS reconhece a força da influência de Lula, mas afirma que ele não decide cenário
eleitoral na capital paulista
Soninha: Para PPS, é importante ter candidatura própria em São Paulo
TV Estadão | 15.12.2011
A pré-candidata diz que não há sentido para partido desistir de sua candidatura para eventual parceria com PSDB ou Democratas
Soninha: "SP precisa criar condições para pessoas serem mais saudáveis"
TV Estadão | 17.12.2011
Pré-candidata do PPS diz que melhorar qualidade de vida das pessoas é primeiro passo para garantir qualidade da saúde pública
Viciados em drogas precisam de atenção multidisciplinar, diz Soninha
TV Estadão | 17.12.2011
Para a pré-candidata, problema das drogas deve ser resolvido com um grupo que envolva profissionais de saúde, assistência social e outras áreas
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terça-feira, 12 de abril de 2011
"Após 100 dias, o que você pensa sobre o governo Dilma?"
O G1 me convidou para participar de uma reportagem sobre os 100 dias do governo Dilma. Perguntaram a cem mulheres de diversos setores : "Após 100 dias, o que você pensa sobre o governo Dilma?"
O tamanho da resposta? duas linhas :oP
Então, ai estão as respostas: resumida (acima, como foi publicada) e na íntegra (como mandei no email, sabendo que iam editar para caber).
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Entrevista para O Globo
Hoje saiu uma matéria no jornal O Globo sobre o impacto da internet nas eleições. Os coordenadores das três "principais" campanhas (Serra, Marina e Dilma) foram entrevistados. Título e subtítulo: "Papel da internet frustra expectativas - Durante a campanha, rede fracassou na mobilização e na promoção de debates. Prevaleceu troca de acusações".
Eu discordo da conclusão... Eu era muito cética no começo (e digo isso na matéria) e fui me surpreendendo com a capacidade de mobilização de pessoas que não são os "militantes" usuais. E não acho que "prevaleceu" a troca de acusações. Ela aconteceu e acontece sempre; mais que acusações, corre muita baixaria. Mas isso não quer dizer que a rede não tenha promovido debates para valer.
Em todo caso, aí vão as minhas respostas na íntegra (tenho a tentação de reler e editar, mas vou resistir):
O GLOBO - Um professor da Uerj disse que achou o uso da internet pelos partidos muito "verticalizado", do comando das campanhas para o eleitor, sem muita troca. Que os partidos ainda não souberam usar a rede. Concorda? E também queria que fizessse um rápido balanço do trabalho na web da campanha do Serra no 1o turno. acima, abaixo do que esperavam?
- Concordo não! rs. Em se tratando de campanha na internet, existem algumas teorias, estudos, experiências e existe a tentativa e erro, inevitável. Nós procuramos aproveitar o conhecimento que já existe e testar outras coisas conforme a realidade brasileira e o contexto, e essas tentativas se baseiam muito no que vem dos eleitores. Eles desde o começo participam com sugestões - para a campanha em geral, para o site, para o programa de governo. Muitas delas, nós aceitamos E, de um tempo para cá, os eleitores passaram a aparecer eles mesmo no nosso site, em destaque, dizendo uns para os outros por que acreditam que o Serra é o melhor candidato.
O trabalho na web foi acima do que eu esperava. Enquanto todo mundo era super exultante sobre o papel da internet, muito em função do "fetiche Obama", eu era mais desconfiada (e já trabalhava na campanha de internet! rs). Mas agora tenho certeza de que ela é capaz de exercer bastante influência, trazendo informações para os indecisos e argumentos para os decididos - que, uma vez engajados, ampliarão a campanha de várias maneiras, na internet e fora dela. E isso aconteceu. A internet foi fonte de informações e de ânimo!
O GLOBO - 2o turno: analistas acreditam que será marcado por muita campanha "negativa", de crítica ao adversário, principalmente pela polarização. E que na internet isso se acentua. Como a campanha do Serra trabalha na prevenção de ataques na rede?
- Como se ela já não estivesse sendo negativa desde no mínimo 2009... Na internet, a baixaria sempre corre solta, em eleição não seria diferente. Quero deixar registrado, no entanto, que uma coisa é a corrente anônima, incontrolável. Outra coisa é a baixaria institucional. "Serra vai acabar com o Bolsa Família", "Serra não é o responsável pelos genéricos", "Serra vai acabar com os concursos públicos", "Serra vai acabar com o décimo terceiro, a licença maternidade e as férias remuneradas", "Serra não tem diploma", "Serra não gosta dos nordestinos" - tudo isso (e mais) foi dito por dirigentes, candidatos e militantes em canais oficiais do PT! Nossa única alternativa é espalhar a verdade - publicar a verdadeira história no site, distribuir por email, replicar nas redes sociais. O próprio Serra, no seu Twitter, vive desmentindo, pela milésima vez, as mentiras que espalham.
O GLOBO - No viés inverso, de que forma a campanha do PSDB vai explorar, na web, temas como o aborto ou outras questões. Qual a orientação?
Podemos expor fatos comprovados e emitir opiniões - essa é a orientação. O site tem textos nossos e a reprodução de matérias publicadas em outros veículos; nós compartilhamos esse conteúdo nas redes sociais.
O GLOBO - Acredita que a internet teve muita importância no crescimento da Marina na reta final? Deu pra se constatar isso? E que correntes de emails falando de Dilma e aborto tiraram votos dela? Essas correntes foram percebidas por vocês também?
Certamente teve, por várias razões: eles mesmos deram muita importância à internet, com várias ações coordenadas que ganharam corpo durante toda a campanha e cresceram mais ainda no final; uma parte grande do eleitorado da Marina tem o perfil "jovem conectado" - e uma parte grande do eleitorado na internet tem o perfil "jovem militante"... Sobre as correntes sobre a Dilma e aborto, tenho dúvidas sobre a real influência que tiveram. Há tanto tempo já circulavam vídeos... Por que teriam influência de uma hora para outra? Será que esse impacto não está sendo superestimado?
Eu discordo da conclusão... Eu era muito cética no começo (e digo isso na matéria) e fui me surpreendendo com a capacidade de mobilização de pessoas que não são os "militantes" usuais. E não acho que "prevaleceu" a troca de acusações. Ela aconteceu e acontece sempre; mais que acusações, corre muita baixaria. Mas isso não quer dizer que a rede não tenha promovido debates para valer.
Em todo caso, aí vão as minhas respostas na íntegra (tenho a tentação de reler e editar, mas vou resistir):
O GLOBO - Um professor da Uerj disse que achou o uso da internet pelos partidos muito "verticalizado", do comando das campanhas para o eleitor, sem muita troca. Que os partidos ainda não souberam usar a rede. Concorda? E também queria que fizessse um rápido balanço do trabalho na web da campanha do Serra no 1o turno. acima, abaixo do que esperavam?
- Concordo não! rs. Em se tratando de campanha na internet, existem algumas teorias, estudos, experiências e existe a tentativa e erro, inevitável. Nós procuramos aproveitar o conhecimento que já existe e testar outras coisas conforme a realidade brasileira e o contexto, e essas tentativas se baseiam muito no que vem dos eleitores. Eles desde o começo participam com sugestões - para a campanha em geral, para o site, para o programa de governo. Muitas delas, nós aceitamos E, de um tempo para cá, os eleitores passaram a aparecer eles mesmo no nosso site, em destaque, dizendo uns para os outros por que acreditam que o Serra é o melhor candidato.
O trabalho na web foi acima do que eu esperava. Enquanto todo mundo era super exultante sobre o papel da internet, muito em função do "fetiche Obama", eu era mais desconfiada (e já trabalhava na campanha de internet! rs). Mas agora tenho certeza de que ela é capaz de exercer bastante influência, trazendo informações para os indecisos e argumentos para os decididos - que, uma vez engajados, ampliarão a campanha de várias maneiras, na internet e fora dela. E isso aconteceu. A internet foi fonte de informações e de ânimo!
O GLOBO - 2o turno: analistas acreditam que será marcado por muita campanha "negativa", de crítica ao adversário, principalmente pela polarização. E que na internet isso se acentua. Como a campanha do Serra trabalha na prevenção de ataques na rede?
- Como se ela já não estivesse sendo negativa desde no mínimo 2009... Na internet, a baixaria sempre corre solta, em eleição não seria diferente. Quero deixar registrado, no entanto, que uma coisa é a corrente anônima, incontrolável. Outra coisa é a baixaria institucional. "Serra vai acabar com o Bolsa Família", "Serra não é o responsável pelos genéricos", "Serra vai acabar com os concursos públicos", "Serra vai acabar com o décimo terceiro, a licença maternidade e as férias remuneradas", "Serra não tem diploma", "Serra não gosta dos nordestinos" - tudo isso (e mais) foi dito por dirigentes, candidatos e militantes em canais oficiais do PT! Nossa única alternativa é espalhar a verdade - publicar a verdadeira história no site, distribuir por email, replicar nas redes sociais. O próprio Serra, no seu Twitter, vive desmentindo, pela milésima vez, as mentiras que espalham.
O GLOBO - No viés inverso, de que forma a campanha do PSDB vai explorar, na web, temas como o aborto ou outras questões. Qual a orientação?
Podemos expor fatos comprovados e emitir opiniões - essa é a orientação. O site tem textos nossos e a reprodução de matérias publicadas em outros veículos; nós compartilhamos esse conteúdo nas redes sociais.
O GLOBO - Acredita que a internet teve muita importância no crescimento da Marina na reta final? Deu pra se constatar isso? E que correntes de emails falando de Dilma e aborto tiraram votos dela? Essas correntes foram percebidas por vocês também?
Certamente teve, por várias razões: eles mesmos deram muita importância à internet, com várias ações coordenadas que ganharam corpo durante toda a campanha e cresceram mais ainda no final; uma parte grande do eleitorado da Marina tem o perfil "jovem conectado" - e uma parte grande do eleitorado na internet tem o perfil "jovem militante"... Sobre as correntes sobre a Dilma e aborto, tenho dúvidas sobre a real influência que tiveram. Há tanto tempo já circulavam vídeos... Por que teriam influência de uma hora para outra? Será que esse impacto não está sendo superestimado?
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Como diria @oclebermachado...
Hoje me ligou Catia Seabra, jornalista da Folha de São Paulo. "Vocês estão preparando alguma coisa na internet para o debate amanhã?" Nós mandamos um email para os cadastrados no serra45.com.br pedindo que mandassem perguntas que gostariam que fossem feitas à Dilma. Fiquei muito surpresa com o retorno: até o começo da noite de hoje (quarta), tinham chegado quinhentas e tantas perguntas. Quando a Cátia ligou, acho que ainda eram 300. Muitas, previsivelmente, são muito parecidas. Sendo a base composta por pessoas que se cadastraram no site do Serra, o tom muitas vezes é provocativo: "A sra acha mesmo que está preparada/tem condições de ser presidente?". Também chegaram muitas perguntas falando sobre o Irã. "E o caos aéreo?", perguntou. Na olhada que eu dei, não vi. Mas eram páginas e páginas de perguntas, eu não vi nem metade delas, quase com certeza estariam ali. "E o Serra vai usar, você acha, essa pergunta?". A gente vai encaminhar todas para ele, organizadas por assunto para facilitar. É bem capaz que ele aproveite uma dessas que tratam de temas que ele já tem discutido o tempo todo, como os aeroportos ou a aproximação e apoio a notórios inimigos dos direitos humanos. Mas o debate é tão imprevisível... Dependendo da ordem do sorteio, pode ser que o Serra só consiga fazer uma pergunta à Dilma. Pode ser que a pergunta que ele planejava seja feita pela imprensa ou por outro candidato. É impossível saber hoje o que ele vai perguntar! "E como você acha que vai ser?". Todo mundo espera que seja agressivo, contundente. O primeiro encontro/confronto de Serra e Dilma ao vivo naTV! Mas hoje me ocorreu que talvez seja surpreendentemente pacífico, cordial. Vai saber! Aconteceu no primeiro debate à prefeitura. Eu achei bastante civilizado - todo mundo achou morno, chato, um saco. (Inclusive a Catia). O povo quer ver sangue! Acho que vai depender do primeiro passo. Do tom da primeira pergunta, a primeira resposta. Comparei a uma luta de judô - antes do primeiro golpe, os adversários ficam se estudando... Eles terão muito cuidado antes de atacar, pelo risco de despertar a ofensividade no outro. Ou não. rs E também pode ser que transcorra na maior paz e na hora da despedida, quando já não dá pra reagir, venha uma porrada. Antes de desligar, insisti na comparação do debate com um jogo, um desafio esportivo. "Não é um debate MESMO. É super engessado, contido. Você não tem liberdade para discutir para valer. Pode acontecer até de dois candidatos - a Marina e o Plinio - ficarem perguntando e respondendo entre si sobre o Serra ou a Dilma e eles simplesmente não podem entrar na conversa. É um revezamento, cada um tem sua vez. Eu preferia que fosse mais solto". Quero só ver o que vai sair na Folha amanhã :P (Ah, sim, quanto ao @oclebermachado... Esse é um perfil fake no Twitter, que tira um sarro do Cleber como se ele só dissesse coisas óbvias ou absolutamente inúteis, tipo "o time que ganhar a final da Copa do Brasil será campeão". E eu me senti assim durante a conversa: "Pode ser que ele use, mas pode ser que não use". "O debate pode ser agressivo, mas também pode ser pacífico". Afe).
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