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terça-feira, 4 de agosto de 2015

Velocidade em São Paulo e em Curitiba

Não está errado reduzir a velocidade máxima de avenidas para 50km/h. É perfeitamente aceitável se considerarmos o tempo de reação (do motorista e do veículo) em um contexto com pedestres de todas as idades, animais, bicicletas, cruzamentos, entradas e saídas de garagem etc.

Já na pista local da marginal, não concordo. É uma via expressa. Muito melhor seria sinalizar adequadamente os acessos (entrada e saída de vias locais) com zebras etc para obrigar os veículos que já estão na Marginal a reduzir a velocidade ou até mesmo mudar de faixa nos pontos em que outros motoristas querem entrar na via.

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Se a velocidade máxima dos automóveis é 50, fica mais sem sentido ainda manter a dos ônibus nos corredores nesse mesmo número. Eles passam a centímetros da calçada. Tem pedestre que é atingido só por esticar a cabeça sem perceber o ônibus chegando. Sério.

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Aliás, é preciso analisar com muito mais seriedade a causa de acidentes para realmente combatê-los. No caso das marginais, por exemplo:

- As colisões aconteceram porque os veículos estavam na velocidade máxima ou porque estavam ACIMA da velocidade?

- Aconteceram colisões abaixo da velocidade máxima MAS acima da velocidade adequada para as condições da via naquele momento?

Na marginal acontecem acidentes porque caminhões entalam debaixo dos viadutos. Porque motoristas mudam de faixa sem olhar no espelho ou sem ao menos usar a seta (o que já ajuda os motociclistas a se prevenir de uma mudança brusca). Porque motociclistas estão rápido demais, mesmo com o trânsito parado. Porque as calçadas somem ou são podres e as pessoas acabam andando pela rua. Porque os acessos são mal feitos, principalmente as alças das pontes. Porque não há pontos seguros de travessia.

Pode-se alegar que, a 50 por hora, todos esses acidentes tem danos menores. Insisto: nos horários da madrugada, acontecem porque motoristas (alcoolizados, em muitos casos) andam MUITO ACIMA da máxima. E na hora do trâncisto pesado, acontecem ABAIXO de 50 por hora, mas causam fatalidades.

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A prefeitura não está mais usando o "radar pistola" para ver se as motos estão circulando acima de 30km/h no corredor?

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Em outras ocasiões em que houve alterações na velocidade, instalação de radares etc, o PT na oposição sempre acusou o governo de "fúria arrecadatória". Eu me lembro perfeitamente desse discurso nas reuniões da bancada.

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A redução da velocidade máxima não tem nada a ver com congestionamento... Isso é viagem de quem reclama. Andar a 50 é irritante quando a pista está livre. Quando não está, a máxima já é bem menor do que isso.

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Não é incrível a velocidade do andamento do processo judicial desencadeado pela Operação Lava-Jato? Além da prisão de figurões (que costumávamos chamar de "criminosos de colarinho branco", "tubarões" (em comparação aos "lambaris/peixes pequenos), busca e apreensão de bens, recuperação de recursos obtidos de forma ilícita etc, outro fato inédito é ver 3 instituições trabalhando em sintonia (Polícia Federal, Ministério Público e Judiciário) e a Justiça deslanchando como deve.



sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Mau humor matinal-eleitoral


Na segunda-feira, gravei dois novos “comerciais” de 15 segundos - aqueles vídeos para exibição nos intervalos da programação normal na TV. Ei-los:





Foram entregues às emissoras na terça-feira de manhã. A Globo os exibiu? NÃO. Recusou-se. Até ONTEM, quinta-feira, continuou passando os antigos.

POR QUE? Filhadaputagem grátis. Não tem outra explicação.

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A cobertura da mídia é muito desigual e a distribuição de tempo no horário eleitoral também. Mas a gente tem a internet, né? Para compensar as diferenças de grana/tamanho dos partidos/padrinhos?

É. Mas os sites de campanha/apoio tem de sair do ar HOJE À MEIA NOITE. Pensei que isso tinha mudado da última eleição para cá, mas não.

POR QUE?? Falta de noção. Não tem outra explicação.

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Ontem às 9 da manhã, dentro da “lotação” a caminho do Metrô Barra Funda, espaço de sobra. Cabiam mais umas dez pessoas sem maiores sacrifícios (algumas iriam de pé, mas assim é o mundo do transporte público, sorry Classe A/B).

Dez pessoas a mais lá dentro, dez carros a menos na rua - o que faria nossa lotação andar bem mais rápido, mas ela estava presa no congestionamento da Venâncio Ayres. *&_$;¨&¨%$#
Coletivo preso atrás de automóvel - assim não pode, assim não dá. Não precisa ser como ambulância (aliás, nem para ambulância as pessoas abrem passagem hoje em dia), mas TEM DE TER PREFERÊNCIA.
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Tem gente que só cogita (se é que cogita - acho que falam isso nas pesquisas, mas nunca pensaram seriamente na possibilidade) deixar o carro quando houver “mais metrô”.
Acho que pensam que um dia o metrô vai passar na esquina da casa delas, as levará até a porta do trabalho e terá sempre lugar para ir sentado. Andar uma ou duas quadras, ficar de pé, dividir espaço com outras pessoas? JAMÉ.
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Vamos precisar andar a pé, SEMPRE. Pegar ônibus, SEMPRE - mesmo as cidades com seus gloriosos 200km de metrô precisam muito de seus ônibus.
E olha, palavra de quem anda bastante de ônibus e metrô: para a “classe média plus” -  a classe média do Lula é “isso aqui” acima da pobreza (= salário do Professor Raimundo) - que tem carro bacana, não sai de casa na perifa às 4 da manhã para trabalhar a 20km de distância, não bate cartão às 8, o coletivo JÁ É, em muitos casos, alternativa melhor para se deslocar pela cidade. Não só não arranca pedaço como leva a gente com menos estresse para outros cantos da cidade.
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Naquele calor atordoante, passar na frente do Memorial da América Latina dá a sensação de quase desmaio. Vontade de dopar o Niemeyer para que ele assine autorização para quebrar pedaços daquele concreto e plantar grama, árvores, fazer sombra. Espelhos d’água, vai, se ele gosta tanto deles.
Uma vez a direção do Memorial quis sondá-lo assim, de leve, sobre essa possibilidade. “Quer ver árvore, vai ao Jardim Botânico”.
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Por essas e por outras o item 2 apontado por esse urbanista no vídeo abaixo não é clichê, óbvio ululante, ponto pacífico. Tem gente que esquece mesmo o detalhe “pessoas”.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Bicicletas - entrevista velha

Foi para um jornal de Barueri, achei o arquivo hoje enquanto procurava outras coisas. Não peguei link nem nada, mas segue aí o original :o) (as respostas que mandei por email)


Há no Brasil uma regulamentação que normatize o uso de bicicletas no trânsito?
Sim - é o Código Brasileiro de Trânsito, que dispõe sobre o tráfego de bicicletas tanto quanto sobre os outros veículos! Pode precisar de aperfeiçoamentos aqui e ali, mas elas já existem na lei.

Há um treinamento para que ciclistas sejam orientados sobre qual a melhor maneira de conduzir suas bikes no trânsito de SP e vice-versa, para os motoristas iniciantes aprenderem a conviver com os ciclistas? Caso não haja, você defende que exista um planejamento para que ele seja implementado?
Quando há treinamento, é por iniciativas de indivíduos, ONGs ou de um ou outro órgão da administração pública. A cidade de Sorocaba, por exemplo, além de melhorar muito o sistema viário, também desenvolveu um programa educativo e cultural ligado às bicicletas. Mas esse treino, ou educação, não deveria depender da iniciativa de quem quer que seja - devia ser parte obrigatória da formação de motoristas quanto tiram  carteira de habilitação. De todo modo, como ciclista não tira carta, TODOS tem de ser orientados permanentemente, com informações objetivas (onde o ciclista deve circular, qual distância os motoristas devem respeitar) e principalmente com a promoção de valores até que respeito se torne uma cultura!

Você acredita que o trânsito de São Paulo, com o número de acidentes que registra e o motorista daqui, com seu comportamento muito direcionado para o estresse da cidade grande, estão preparados para receber uma nova demanda de usuários: os ciclistas?
"Preparado" talvez não esteja, mas isso não deve servir como impedimento para não melhorar as condições para os ciclistas. Centenas de milhares de pessoas já usam a bicicleta diariamente para se locomover - e não só tem direito a isso como acabam trazendo benefício para a sociedade como um todo. Então o poder público tem de melhorar as condições para quem já circula e assim estimulará outras pessoas a trocar seu carro pela bicicleta em trajetos curtos e a integrar a bicicleta com outros modais de transporte. E os motoristas podem acreditar: quanto mais ciclistas e menos carros, melhor será para eles também.

Qual o papel do poder público na implementação de infraestrutura para a diminuição de acidentes graves ou até fatais envolvendo ciclistas e motoristas?  
A infraestrutura - ciclofaixas, ciclovias, rotas sinalizadas, bicicletários, paraciclos - depende quase que totalmente do poder público, afinal ele é responsável pelas obras viárias. Algumas coisas podem ser feitas em parceria ou mesmo pela iniciativa privada, como a implantação dos pontos de estacionamento. Mas a educação é responsabilidade de TODOS, e, mais do que a infraestrutura, ela fará a diferença. E o poder público tem papel especial nisso, não tenho dúvida - promovendo eventos, campanhas educativas (na mídia principalmente), dando a oportunidade para as pessoas pedalarem em condições seguras.

Qual sua opinião sobre o acidente que vitimou fatalmente no dia 2 de março a ciclista Juliana Dias, na avenida Paulista. Considerando-se as  limitações de São Paulo, tanto em termos de infraestrutura como de falta de orientação e conscientização de motoristas e ciclistas, qual a melhor maneira de evitarmos que incidentes assim se repitam?
Realmente, o acidente foi causado por três coisas: falta de infraestrutura, falta de informação e falta de educação. Se houvesse uma ciclovia ou ciclofaixa, Juliana estaria mais segura. Se os motoristas soubessem realmente que o ciclista tem o direito de circular pela faixa e que eles são obrigados a respeitar a distância de 1,5m da bicicleta, ela também estaria mais segura (tem motorista que nem SABE disso e grita com o ciclista para que ele vá para a calçada). E PRINCIPALMENTE, se as pessoas não se comportassem de maneira tão irresponsável, agressiva e até mesmo violenta no trânsito; se se acostumassem a enxergar todos à sua volta como seres vivos dignos de cuidado e respeito e não obstáculos a sua pressa, Juliana estaria pedalando, trabalhando, vivendo. Então a melhor maneira é, enquanto não há infraestrutura adequada, INFORMAR os motoristas, ORIENTAR os ciclistas (sobre a melhor rota para evitar as avenidas mais carregadas, por exemplo) e educar, educar, educar. Para o respeito, a atenção, a responsabilidade.

O que você acha do marketing político levantado em torno de questões que envolvem sustentabilidade ou mesmo mobilidade urbana, mas que se provam  pouco eficientes na prática, sendo muitas vezes aplicado em regime “de fachada” e sem levar em conta as reais necessidades para que se tornem políticas permanentes?
Ele só se sustenta quando tem quem acredite... Quem "compre" slogans, frases feitas, "maquiagem", sem analisar se a proposta é viável ("Vou fazer 43km de metrô em 4 anos" - mentira, não vai, é impossível), sem verificar a coerência do candidato, sem cobrar depois para que as coisas aconteçam. Se as pessoas fossem mais atentas, críticas e participantes, o marketing mentiroso não ia dar em nada.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Mau humor matinal - 25/04

Impacto no trânsito - 1

Não acompanhei em detalhes o caso do Shopping que teria de executar uma obra viária - mais precisamente, um viaduto - para ter autorização de funcionamento. Peguei a notícia a partir do momento que o Ministério Público entrou no caso para exigir o cumprimento dessa condição.

O Shopping alega que não fez a obra porque a prefeitura não concedeu a licença para que ela fosse feita. Eu... acredito! Acontece muito! Por causa da burocracia asfixiante, da falta de recursos humanos em quantidade necessária que causa um acúmulo de serviço, por má vontade, incompetência ou má intenção, muitas vezes os indivíduos e empresas não conseguem fazer o que precisa ser feito para regularizar seu imóvel ou seu negócio porque as coisas não andam NA PREFEITURA.

É de enlouquecer. E é nessa hora que é (muito) mais fácil ser desonesto - e tentar ignorar a lei ou pagar alguém para ignorá-la - do que ser honesto. É um senhor desafio, porque não é uma questão de mudar um item ou excluir uma pessoa do quadro de servidores; são muitos itens e muitas pessoas... Se você nunca tentou tirar um alvará, licença ou autorização, pergunte a quem tentou :oP.

E não venham dizer que esse é um problema novo!

***
Impacto no trânsito - 2


As regras sobre pólos geradores de tráfego precisam ser revistas com muito cuidado e responsabilidade. Hoje em dia elas estabelecem que, a partir de determinada metragem, um empreendimento tem de oferecer um número de vagas para automóveis. Ou seja: acaba se tornando mais ainda um pólo de atração de tráfego de automóveis. Se for um hipermercado, ok - automóveis são praticamente indispensáveis para se fazer as compras do mês... Mas um prédio de escritórios, por exemplo, teria de ser autorizado a não oferecer vagas de garagem se a intenção do proprietário for estimular o uso do transporte público, de ônibus fretados, táxis, carros compartilhados ou sistema de carona!  Pra não dizer estimulado!

E as contrapartidas necessárias tem de ser mais abrangentes do que obras viárias. Que tal obrigar algum investimento na melhora do transporte coletivo?

***
Ausência de CÉREBRO

Quando a escola em que estudei - Colégio Santana - participou do programa É Proibido Colar, da TV Cultura, eu fui escolhida para participar de uma das provas e responder perguntas. Uma delas era relacionada ao noticiário da época: "O que quer dizer 'anencefalia'?". Oba, eu sabia: "AUSÊNCIA DE CÉREBRO". Ponto para o Colégio Santana!

A comemoração entusiasmada não combinava com a gravidade do assunto, então logo a Clarice Abujamra observou: "São casos gravíssimos que estão acontecendo na cidade de Cubatão".

Realmente, era muito chocante na época. Dizia-se que, por culpa da poluição absurda do ar em Cubatão nos anos 70/começo dos 80, algumas crianças eram gestadas sem cérebro. Uma tragédia, um escândalo.

Agora, parece ter se tornado frequente a ponto de merecer decisão do STF autorizando a interrupção da gravidez - e já houve duas autorizações concedidas nos últimos dias. "Frequente" provavelmente é um absurdo, mas alguém pode me dizer (sério, estou perguntando) se anencefalia realmente tem relação com poluição? Se não tiver, qual a causa preponderante? Se tiver, onde é a maior incidência, isso pode ser evitado, pelo amor de deus?

***
"É um trecho perigoso" #ahvá

Os cinco jovens que estavam desaparecidos depois de sair do Espírito Santo em direção à Bahia sofreram acidente gravíssimo na BR 101 e seus corpos foram encontrados ontem. Uma tragédia.

As autoridades confirmam: "É um trecho muito perigoso, em que há alta ocorrência de acidentes". Aliás, outras quatro pessoas morreram perto dali DEPOIS desse acidente.

P#RRA, é um trecho perigoso, em que acontecem muitos acidentes, E AÍ?? Providências, pfv?

Acontecem acidentes e não tem uma correção do traçado, sinalização especial, etc? Acontecem muitos acidentes e demoraram DIAS para saber que o carro tinha capotado ali? Não tem câmeras nesse trecho, nada? Socorro?

Essas m. dessas BRs continuam assassinas. Nos trechos em que houve concessões elas são muito melhores - mas o partido do governo federal passou anos dizendo que concessão é pecado mortal. Agora eles também fazem, escolhendo a concessionária conforme o preço do pedágio, dando preferência ao menor. O viajante fica feliz da vida, mas não tem COMPARAÇÃO o serviço prestado nesses casos. Peguei a Fernão Dias há pouco tempo. Ok, ela era nojenta antes, e agora está bem melhor. Mas as curvas dão torcicolo - são TODAS inclinadas para o lado errado, de modo que o motorista tem de fazer força para o carro não "escapar". E são muitas curvas, muitas. E muitos caminhões pesados. Sinalização? Deficiente. Postos de atendimento e socorro? Raros. Mas é baratinho, né?

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Sucesso 1

"Segunda noite de tiroteios no Alemão, provavelmente entre duas facções rivais". Ê, pacificação boa!

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Sucesso 2


Nova epidemia de dengue no Rio de Janeiro e em outras quatro cidades do Brasil. Mas o número de mortes no Rio ainda é menor do que em 2008, quando houve a pior epidemia dos últimos tempo. Ah, bom!

Eu aprendi, durante a campanha de 2010, que a culpa pela dengue no Rio era do Serra. O "presidengue", segundo a bloggov. Os mata-mosquitos foram até fazer corredor polonês para protestar contra ele em caminhada no Rio, mas isso é coisa que acontece no regime democrático [NOT].

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Dúvida (sério)


Ok, eu sei o que é PIB. Mas como ele é MEDIDO? Como é feita a soma de "tudo que é produzido" em um país? Quem faz?

Respostas nos comentários, por favor. Obrigada.






sexta-feira, 2 de março de 2012

= rinoceronte x passarinho

Eu ia escrever sobre a desigualdade do embate entre automóveis, ônibus, caminhões e bicicletas. Uns são armaduras de metal, com muitos recursos para acelerar e frear, com peso e velocidade muito muito maiores que os de um ser humano. A pessoa dentro do carro, caminhão ou ônibus tem de tomar muito cuidado para não machucar a pessoa fora do carro. Pedestre ou ciclista principalmente, que estão ali muito próximos, muito expostos, muito evidentemente vulneráveis. Mas tem de tomar cuidado inclusive com a pessoa dentro do seu carro, com a pessoa em outro carro.

Não adianta ter faixa de pedestre, ciclofaixa, ciclorrota, semáforo, multa se as pessoas NÃO TIVEREM MAIS A NOÇÃO de cuidado e respeito com as outras pessoas. Tem de ter isso tudo - sinalização, demarcação, penalização. Mas sem respeito... Pedestre morre atropelado na faixa com o sinal verde pra ele. Ou na calçada esperando o ônibus.

Mas eu não vou escrever mais nada não porque hoje li dois textos, entre muitos, que falam tão bem desses assuntos... Um é mais prático, outro mais filosófico, os dois muito lúcidos. Leiam com calma. A calma que falta por aí.

Vá de Bike: Por que não foi acidente

Apocalipse Motorizado: Quem fomos

(O blog Apocalipse Motorizado, como várias outras pessoas que comentaram esse post, me fez rever e mudar de ideia várias vezes. Eu que xingava caminhão como um trambolho atrapalhando o trânsito me dei conta que o caminhão presta serviço para centenas ou dezenas de pessoas... Tudo bem, às vezes ele está prestando um serviço que interessa mais a uns do que a outros, mas caminhão é um tipo de "coletivo", que pode ser "disciplinado", mas não banido! Enfim, um cicloativista - denominação que ele mesmo questiona, mas eu acho boa - me ensinou a ver caminhão com outros olhos!)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Sua excelência, o carro


Excelente texto do José Luiz Portella, que foi Secretário Estadual de Transportes Metropolitanos. E que, antes mesmo de tomar posse, assumiu o compromisso de integrar bicicletas e metrô (no estúdio da ESPN, onde eu lhe dei os parabéns pela indicação e fiz a reivindicação rsrs). Já no discurso de posse, ressaltou a necessidade de investimentos fortes na CPTM, e de fato os trens metropolitanos melhoraram muito com ele na Secretaria e o outro Zé no governo do Estado :o))

Às vésperas do Dia Mundial Sem Carro virou risco andar pelas calçadas.

Não dá para sair tranquilo de um shopping (Villa-Lobos), e caminhar. Vem um carro a 100 km por hora. Não é acontecimento isolado. Outra vez foi um estudante que dispensara o carro e voltava caminhando na Vila Madalena. Sem carro, na calçada. Ficou sem vida. Ontem outro carro entrou pela vitrine de uma loja.

Em 2010: três paulistanos por semana, com mais de 70 anos, foram vítimas fatais.

Já não chegam os acidentes nas vias, agora o carro chega às calçadas. Não chega o estado das calçadas, buracos, desníveis, restos de cachorros. São 100 mil acidentes por ano por conta das condições do passeio. Agora o carro anda pelas calçadas.

No Dia Mundial Sem Carro o ambiente é o da entronização de sua excelência, o carro.

Não há nenhuma medida efetiva para restringi-lo, enquanto sobram medidas para estimulá-lo. Desde a atração de mais carros para o centro expandido até os privilégios para a indústria automotiva: desoneração de impostos, protecionismo, crédito abundante, o que só faz entrarem mais carros na cidade.

Com mil veículos automotores em circulação a mais por dia não há medida de desafogamento nem rede de metrô aumentada que dê conta.

Nova York, Londres, Paris são exemplos de cidades com grandes redes de metrô, com alta capilaridade e com vários congestionamentos de carros. Londres precisa aplicar uma taxa no centro para desestimular o fluxo de veículos.

Isso mostra que a questão do carro não é meramente oferecer mais metrô e pronto; tudo se resolve. Essas cidades mostram que mesmo com redes extensas é preciso restringir o carro. E ter outras opções.

Além disso, segue a impunidade para quem provoca acidentes. A impunidade é o veículo mais rápido para continuarmos a ter acidentes do tipo invasão de calçadas.

A indústria automotiva há anos é uma das mais beneficiadas com privilégios. O carro é uma divindade. Um arquétipo de poder. Nele, o sujeito se julga mais forte. Foram anos de trabalho de marketing.

Ninguém é contra o carro. Não se trata de querer eliminá-lo, seria ingênuo. Mas de colocá-lo no devido lugar.

O carro é um meio para o ser humano. Não o contrário.

Hoje, o que nos prende ao carro vai muito além da mobilidade para a qual ele serve. A ponto de qualquer solução para diminuir sua influência soar impossível.

Andar de bicicleta vira mera questão de lazer quando cerca de 230 mil viagens/dia são feitas a trabalho. E, se houver segurança, haverá muito mais gente querendo fazer.

No Dia Sem Carro, ganhamos 850 m de ciclorrota mais ciclofaixa ligando a USP ao Metrô. E 4,4km de corredor de ônibus na Radial Leste. É bom, não vamos desprezar os avanços.O caminho não é fácil.

Mas mostra o quanto é desproporcional a relação. Emplacaram mais mil veículos hoje e ganhamos 850 m de ciclofaixa. Que não são acrescidas a cada dia, só hoje. Enquanto que o carro, todo santo dia.

A tarefa é tão grande que só com uma decisão muito forte da população é possível sanar nosso maior problema: transporte/trânsito.

Falta uma liderança, alguém do poder público que acredite na ideia. Sem liderança do prefeito, como houve em Nova York, não haveria o 'Tolerância Zero'.

Não criamos o clima necessário para haver a sanção pública. Só a sanção pública vinda da população convicta de uma ideia muda um hábito arraigado como este: sua excelência, o carro.

A cidade precisa de vários dias com menos carro. E do prazer de poder curti-la, a pé, sem medo.

Bom Dia Mundial Sem Carro!

Bom dia para decidirmos o que queremos.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Não dá pra deixar o carro em casa - NOT


Com muita coisa para carregar, hoje vim de carro para o serviço. PQP, como é ruim!

São 40 minutos de tensão e irritação para começar o dia. Ou, na melhor das hipóteses, 40 minutos de atenção e concentração, ou seja, você já gasta uma parte da sua energia antes mesmo de começar o expediente.

De ônibus (ou ônibus + metrô), levo MENOS tempo que isso (leva em torno de meia hora da minha casa na Pompeia para a minha sala na Boa Vista). E é um tempo de caminhada, reflexão, devaneios. De reparar nas amoras e cerejas esmagadas na calçada (que lindo/ que dó!), na tia do café na esquina do Sesc Pompeia, nas capas de jornal na banca de revista, no tamanho que já está o prédio novo no Palestra Itália, nas fachadas das casas, na fisionomia das pessoas.

E você pode, eventualmente, se irritar com o motorista e suas aceleradas e freadas bruscas (não é tão raro, infelizmente) – mas dirigindo você tem um motivo para ficar com raiva a cada 500 metros. Neguin’ rápido demais, devagar demais ou mudando de faixa como se não houvesse amanhã – pra que dar seta e olhar no espelho, não é mesmo?; neguin’ ignorando sua seta e sua necessidade de mudar de faixa; semáforos completamente fora de sincronia, obrigando todo mundo a um anda-para-anda-para de enlouquecer; semáforos com tempo desajustado fazendo com que um monte de gente espere no vermelho enquanto não passa ninguém pela transversal que tem sinal verde.

*&¨¨&%$. É, eu fiquei de mau humor. Mas já vai passar.

Ainda bem que tinha o disco da Adele que a Edvânia me deu de presente. 

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Fui-eu-que-fiz

Quando eu era vereadora, abri mão várias vezes de assinar alguns projetos de lei e iniciativas diversas porque isso aumentava muito as chances de eles serem aprovados - às vezes porque estávamos em pé-de-guerra (eu X rapa rs), às vezes apenas porque as pessoas se empenham mais em fazer acontecer algo que é delas também e não "dos outros".

Exemplo do tipo 1: PL que criava o Conselho Municipal da Juventude. Ele estava no "acordo de líderes" para ser aprovado, mas quando chegou a vez dele na votação em plenário, o presidente (Antonio Carlos Rodrigues - PR) interrompeu a sessão e avisou: "Projeto dela? Não vota". O co-autor, Carlos Alberto Bezerra (PSDB), ficou louco da vida, compreensivelmente, mas já ia se conformar e escolher outro projeto dele para ser aprovado. Eu preferi mil vezes retirar meu nome do projeto e assim permitir que ele fosse aprovado de uma vez (estávamos há 4 anos tentando!). Se não fosse assim, não haveria outro jeito, porque ninguém ali desafiava o presidente da Casa...

Exemplo do tipo 2: Quando resolvi apresentar Projeto de Lei institucionalizando em São Paulo do Dia Sem Automóvel, concluí que ele teria muito mais chances de ser aprovado se todos os vereadores assinassem como autores do projeto. Embora não fossem necessariamente entusiastas da ideia (muito pelo contrário, em boa parte dos casos...), não se recusariam a fazer parte do movimento coletivo a favor da mobilidade sustentável, capice? :o) E assim foi feito.

Meus assessores não achavam essa ideia muito legal não, por razões óbvias - todo vereador precisa ter uma série de ações das quais possa provar a autoria para prestar contas de seu mandato à sociedade (e, talvez, ser candidato de novo). Mas eu preferia fazer as coisas acontecerem do que ter uma lista de coisas com meu nome e... engavetadas ad infinitum. Enquanto isso, prestaria contas de todos os meus atos e pronto.

***
Nos anos seguintes, já houve momentos em que lamentei tamanho altruísmo, ehehe. Apesar de todos os esforços de um praticante budista para aniquilar o ego, ele é ardiloso que só. Aí quando aparece alguém reinventando a roda que eu já tinha reinventado (rs), me dá um pouco de... raiva. Aquela vontade de aluno cdf subir na cadeira, levantar a mão e dizer: "EU, professora! Eu sei! Eu fiz!".

Uma dessas ocasiões foi qdo o movimento Nossa São Paulo resolveu abraçar - e que bom que o fez - o Dia Mundial sem Automóvel como uma de suas primeiras bandeiras de mobilização mais intensa. Mas parecia até que o Dia tinha sido concebido ali, sem nenhum antecedente na cidade. gnargnargnar

O anjinho em cima do meu ombro diz: "Pouco importa, boba. Quem te acompanha sabe que você é militante antiga nessa coisa de mobilidade, meio ambiente, o coletivo X o individual etc.)". Aí o diabinho retruca: "Então tá, boba. Fica aí esperando que as pessoas sejam justas, tenham boa memória e te reconheçam. E desencana, por exemplo, de ser prefeita um dia".

Resultado:
Anjinho 0 X 1 Diabinho!

Então fui fuçar nos meus arquivos digitais e ressuscitar escritos de 2005 sobre o tema da mobilidade urbana -vamos lá:

- Pronunciamento na Tribuna no dia 21/09/2005 - Dia Sem Automóvel
Fotos do primeiro Dia Sem Automóvel na Câmara (as sessões plenárias normais foram suspensas para que fizéssemos um debate sobre mobilidade a tarde toda)
- Blog criado especialmente para o Dia
- Projeto de Lei, meu e do Chico Macena (PT), propondo alterações na Lei que instituiu o Dia Sem Automóvel (que acabou sendo aprovada e sancionada apenas em 2006 - eu nem lembrava que tinha demorado tanto!)
- Entrevista ao Boletim da Bancada do PT na Câmara sobre o PL do Dia Sem Automóvel
- Relato sobre a Bicicletada do Dia Sem Automóvel em 2006
- Fotos sobre eventos do Dia Sem Automóvel em 2006 - Bicicletada, Vaga Viva
- Post no Apocalipse Motorizado
- Post no Vá de Bike
- Pronunciamento no Plenário da Câmara em 2008

***
Portanto, Meritíssimo, acho que há elementos suficientes para demonstrar que provar que eu defendo essa bandeira há bastante tempo, aprendi muito desde 2005 e posso ser perdoada por eventuais momentos de irritação e manifestações de orgulho ferido quando aparecem "pioneiros" do movimento que aprenderam ontem o que é "vaga viva" e saem por aí bradando "mais ciclovias!" como se realmente estivessem engajados em mobilidade sustentável #prontofalei. uff






quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Uélcome


Taxista no Rio:

- Qual o caminho, sra?
P., eu estava no Santos Dumont indo para a Praia do Flamengo. Com mais tempo, até a pé eu iria. “Qual o caminho”? É pegadinha?
- Eu só não sei fazer o retorno aqui, mas chegando do lado de lá da avenida vamos reto.
- Ah, “Praia do Flamengo”. (O que c. ele tinha entendido?)

***
Toca o telefone. Em plena via expressa, ele atende, claro. “O que? Eu vou passar um rádio para esse filha da puta. O Rogério vai resolver essa merda pra mim. (...). Eu não vou ficar gnhrsh [não entendi] pra otário”.

Sem desligar o celular na mão esquerda, ele pega o rádio com a direita e tenta fazer contato com o Rogério ou o otário filho da puta, não sei bem. À toda na Via Expressa.

Vi meu destino se aproximar – na pista local. “Tá chegando onde eu vou”, avisei. “Fica tranqüila que eu sei”. “É aqui!!”. Parou à direita na pista expressa, sem se fazer de rogado.

***
Welcome!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Brasília ontem


Seriam 3 reuniões, foram só duas. Uma delas era com um assessor da presidência que estava totalmente consumido por assuntos "simples" como "a MP e o Código Florestal". Às 17:00, não tinha almoçado ainda (e imagine o quanto o jejum aumenta o estresse) - assim, a discussão sobre o Programa do Artesanato Brasileiro ficou para outra ocasião... 

(Sobre o Artesanato Brasileiro, podemos chegar a alguns consensos (o governo federal e eu :oP); sobre a MP Frankenstein e a alteração do Código, NÃO! ¡No Pasarán! hehehe)

***
Algumas notas feitas ontem no meu companheiro caderninho.

- Como tinha muita coisa para carregar, fui de carro - não de moto, como costumo - para o aeroporto. Xinguei muito. Às 6:40, já é impossível passar pelo cruzamento Pompeia X Heitor Penteado a não ser na quarta vez que o farol abre. (Fora de São Paulo se diz "sinal", né?)
- No rádio, o debate: querem dividir o Pará em 3. (SOU CONTRA).
- Voo decolou com atraso, mas nada de mais (07:44 – 08:01)
- Depois de pousar, demorou MUITO para "estacionar"
- Balcão de informações do aeroporto: “Tem o Ônibus Executivo, custa R$8,00. Sai às 10:10, logo depois da Floricultura”
- Pergunto no ônibus executivo parado logo depois da floricultura: “É esse que vai para o Congresso?” “É, pode subir”.
- No meio do caminho descubro que era o ônibus para o Congresso de Municípios, levando a delegação do Piauí. Fala a "monitora": “Mudou a hora do encontro com a Presidente Dilma; ela vai nos receber às 17:30 hoje. Credencial é só para os prefeitos. Ano passado a gente conseguiu umas credenciais para os prefeitos do Piauí por baixo dos panos, mas este ano o controle tá mais rigoroso”.
- Alguém no ônibus gritou: “Não dá pra conseguir por cima dos panos, não?
- Desci na porta do hotel onde acontece o Congresso e peguei um táxi. “Transporte coletivo aqui é meio fraco, né?”. “É péssimo. Dependendo de onde você vai, não tem. Dali do Hotel, por exemplo, não tem ônibus para a Câmara. Você tem de pegar um até a Rodoviária e depois pegar outro. Ou pegar um pra Esplanada, descer do lado de lá e atravessar”. (E "atravessar" qualquer avenida no Plano Piloto é uma LOUCURA)
- "Não se vê muita moto aqui, né?" "Tem muitas nas Cidades Satélites, porque lá a realidade é outra”.
- Na porta do Anexo II da Câmara, um vendedor ambulante de gravatas. Achei tão prático que quase comprei uma.
- Moça da recepção: “ Já tem cadastro? Você... não é deputada? Vereadora?” #ehraro

domingo, 29 de novembro de 2009

Amigos, inspiradores e bicicletas

Coitado do Neto, ex-assessor e amigo querido...
Conheci o Neto na campanha eleitoral de 2004. Acho que ele ainda fazia Direito na PUC. Terminada a campanha, veio trabalhar comigo no Gabinete. Sofreu com meu megaestresse na campanha de 2006, foi mais feliz (como eu também fui) na de 2008.
Ao longo do mandato, fez várias coisas diferentes – acompanhou temas como Juventude, LGBT, redação e pareceres sobre projetos de lei de modo geral. Com o tempo, acabou sendo o principal colaborador nos assuntos de mobilidade e, principalmente, bicicletas. Compramos juntos nossa primeira dobrável... Ele foi usando cada vez menos carro, cada vez mais bicicleta. E olha que fazia deslocamentos freqüentes de Perdizes até a Serra da Cantareira – se alguém disser que não dá pra pedalar em São Paulo por causa das ladeiras e tiver a idade dele, discordo :o)
Depois do fim do mandato o Neto foi trabalhar em Brasília, no Ministério da Cultura. Adora. Aprendeu horrores. Sofre um pouco também – com a falta de estrutura, a incompreensão de alguns (dentro ou fora do Ministério), algumas sacanagens (de governo ou de oposição), dificuldade de relacionamento com parlamento... Enfim, aquele cardápio básico da Administração Pública. Mas adora.
Neste fim-de-semana, quando eu soube que Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá, estaria em São Paulo para um café na Secretaria Municipal de Esportes e um passeio pela Ciclofaixa, perguntei se ele gostaria de ir junto.
Gostaria! Fomos.
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Os Peñalosa são incríveis. No meio da semana, o Walter Feldman (o Secretário de Esportes) convidou para uma palestra com o Gil Peñalosa – que, pelo que entendi, foi Secretário de Transportes na gestão de seu irmão. A apresentação dele foi espetacular – mais ainda porque não é apenas um conjunto de propostas e idéias fantásticas, mas a demonstração de um trabalho muito bem feito.
(Imagine se ele fosse impedido de trabalhar por ser irmão do prefeito, sob as acusações rasteiras de nepotismo... Por culpa da “esperteza” de alguns (ok, de muitos), ser parente virou motivo de suspeita, indício de prática criminosa...)
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Ele não falou apenas sobre Bogotá, mas também sobre Nova Iorque, Copenhagen e outros lugares do mundo que já investiram muito em transporte não-motorizado, com dezenas de dados e ilustrações.
No pequeno auditório lotado da Secretaria, uma pessoa ao meu lado comentou: “Aqui vai demorar muito pra ter algo assim...”
Respondi: “Não pensa que foi fácil em todos os lugares. Eles tiveram de comprar muita briga nessas cidades também!”.
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Não demorou nada para Gil começar a falar de brigas compradas.
“Aqui cabiam 73 carros”, disse enquanto mostrava uma rua que margeia um canal no centro de Copenhagen. Estacionados a 45 graus, tomavam quase todo o espaço da rua. “Estes comerciantes protestaram – vamos ficar sem nossos clientes! Nosso negócio vai falir!”.Cutuquei o vizinho ao meu lado – “viu?”. O colombiano prosseguiu: “O prefeito ouviu todos, ouviu todas as pessoas. Mas existe algo que é sagrado: o interesse da coletividade”.
Em seguida, mostrou a foto da rua fechada (ou quase fechada) para automóveis, com dezenas de mesas ao ar livre, pedestres e ciclistas passeando. “Vocês acham que os negócios pioraram ou melhoraram?”.
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Em Bogotá, a batalha não foi diferente. A prefeitura começou a proibir para valer o estacionamento de automóveis sobre a calçada. Era uma zona; carros no passeio e pessoas no meio da rua (já pensou? Tsc, tsc). Houve protestos. A prefeitura bancou. A cara da cidade mudou. A vida na cidade mudou.
“Estacionar não é um direito constitucional em nenhum país do mundo, tenho certeza!”. Esse já é o Enrique Peñalosa falando – a frase foi aplaudida em “cena aberta” no Urban Age em Istambul, com risos de aprovação (eles dois são muito expressivos; as apresentações são fantásticas). Ele repetiu a frase em São Paulo e se estendeu um pouco mais – “Tenho certeza que a Constituição brasileira prevê direito à saúde, à educação, à moradia. Não fala em direito ao estacionamento! As pessoas vinham me questionar – ‘então o que faço com meu carro? Onde vou estacionar?’. Ora, providenciar isso não é um dever do Estado. É como se me perguntassem “não tenho lugar para minhas roupas, o que a prefeitura vai fazer a respeito?”
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Mais Enrique Peñalosa: “A mobilidade é um direito de todos, não só de quem tem carro. Não é possível que só haja segurança na rua para quem passar de automóvel e o pedestre esteja ameaçado”. “Cidades são para as pessoas, não para os carros”. “Em Bogotá, a taxa de homicídios diminuiu. [Ele deu o número; não me lembro]. As pessoas passaram a ter outros parâmetros – de respeito, de civilidade, de valor da vida”. “A ciclovia é uma demonstração muito importante do princípio de que todos são igualmente importantes; todos tem direito à mobilidade com segurança, quer possua um veículo de 30 dólares ou um veículo de 30 mil dólares”. “A ciclofaixa é a semente da revolução. Ela é a demonstração, a lembrança de que as pessoas tem direito ao espaço público. Depois de pedalar um pouquinho que seja na ciclofaixa, as pessoas percebem que é possível pedalar, que é possível percorrer 5 km com facilidade. De carro, a gente acaba pensando que as distâncias são todas enormes, e de bicicleta você vê como as coisas são próximas”.
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Ainda vou escrever muito mais sobre eles. Mas preciso explicar por que “coitado do Neto”.
Porque fiquei horas falando, quase sem parar, sobre prefeitura, Câmara, imprensa, comunidade, Istambul, etc. Acho que ele ficou até tonto. Mas foi muito bom pra mim.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Para morrer menos gente

"Segundo pesquisas do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP, estima-se que cerca de 10% das mortes de idosos, 7% da mortandade infantil e de 15 a 20% das internações de crianças por doenças respiratórias estejam relacionadas com as variações da poluição atmosférica.

Em dias de grande contaminação do ar o risco de morte por doenças do pulmão e do coração aumenta em até 12%. Habitantes de São Paulo vivem em média um ano e meio a menos do que pessoas que moram em cidades de ar mais limpo
".

Por isso a polêmica inspeção veicular é tão importante.

Polêmica por que?

Porque tem gente que não quer pagar para fazer ("eu já pago muito imposto!"), tem gente que não quer fazer ("vai me atrapalhar a vida")...

Mas o fato é que a poluição causada pela queima de combustíveis faz mal demais e um carro desregulado, além de emitir mais poluentes, gasta mais combustível, precisa de mais manutenção, troca de peças, etc. Ou seja: inspecionar e regular o carro (moto, caminhão etc.) = dinheiro bem gasto.

O calendário da inspeção veicular em São Paulo também está no site da prefeitura.

O agendamento da inspeção da minha moto é em julho e do meu carro, em agosto.