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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Antes do golpe

Nome de trabalho

O PSD "do Kassab", ao constituir-se como partido, causou o maior desfalque na oposição. Recebeu gente do DEM, PSDB, PPS nas Câmaras Municipais, Assembleias e no Congresso, sem falar em prefeitos e governadores. De um dia para o outro, tornou-se a quarta maior bancada na Câmara Federal. Conforme entendimento da Justiça Eleitoral, os deputados que mudaram de partido puderam "carregar consigo" o tempo de TV e a fração correspondente do Fundo Partidário.

Eis que agora que se anunciam novos partidos do campo da oposição - ou ao menos de fora da base do governo, como a Rede e aquele formado pela união do PPS com o PMN - o governo manda desarquivar uma emenda que impede essa transferência.

Explicando melhor: o Fundo Partidário é dividido entre os partidos conforme o tamanho de sua bancada federal (ou seja, quem já é maior, tem mais influência e poder também recebe mais $ do Fundo. Complicado...). O tempo de televisão também.

A discussão relativa à fundação do PSD foi a seguinte: o tempo e Fundo destinados aos partidos que perderam parlamentares para ele seria calculado conforme o número de deputados eleitos em 2010 ou em função dos que restaram? O PSD, que nem existia portanto não elegeu ninguém em 2010, teria direito proporcional ao tamanho da bancada recém-criada?

Ganhou o PSD, e para a oposição, as cascas das batatas. O novo partido naturalmente passou a ter ainda mais valor como aliado nas eleições municipais, em que o mardito tempo de TV vale mais que platina. E no Brasil todo o PSD foi PT, exceto em São Paulo, onde o fundador fingiu lealdade ao Serra.

Mas agora, casuisticamente, botaram em pauta e apresentaram requisição de urgência para evitar que os novos partidos tenham a mesma possibilidade.

PPS e PMN já se fundiram no MD, Movimento Democrático (nome de trabalho rs). Mas e os outros que virão? E aposto que, mesmo tendo sido criado antes da quase certa aprovação da lei (oposiçao no máximo vai conseguir obstruir por um tempo), o MD vai ter de lutar pelo Fundo + tempo a cada deputado que se filiar depois da lei. Tomara que eu perca essa aposta.

(Governo mobilizou mundos e fundos (?) para ter o quórum para aprovar hoje a Emenda. Por isso também o PPS e o PMN tinham de decidir logo. Foi tenso, como tem de ser quando um partido não engole um "consenso" fabricado. Resistências, preocupações e discordâncias foram manifestadas, mas a maioria teve segurança e disposição de participar da criação de um novo partido. Queremos ser maiores para sermos mais fortes na oposição; que venham os que desafinam o coro dos contentes dos partidos em que estão agora)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Abertos os trabalhos

Cheguei à Câmara lá pelas 3h15, a Sessão Plenária já tinha começado. Subi até a Galeria - o acesso é livre a qualquer interessado. A entrada é pelo lado esquerdo do prédio, não pela porta principal.

O moço à mesa na entrada me avisou: "Não pode subir com garrafa" (eu estava com uma pet pequena de refrigerante). A Policial Militar ficou até sem graça, mas achou melhor deixar lá mesmo, "por precaução".

***
A galeria é um balcão acima do plenário. Deve ter capacidade para umas cem pessoas. Estava cheia. Aos poucos fui reconhecendo assessores de vereadores. Havia grupos organizados também - sindicato de servidores, uma faixa pedindo a aprovação de um PL da área da Cultura...

Era minha primeira vez lá (engraçado), então não sabia as regras. Não pode fotografar com celular; só assessores de imprensa podem fazer fotos. Não pode falar ao celular. Por que atrapalha? Bom, já que pode conversar na galeria, por que não celular?? Não pode ficar de pé na galeria. As PMs ficam tomando conta, garantindo a ordem. Eu me debrucei para contar quantos vereadores havia de fato no plenário (55 registraram presença, mas ao longo da sessão eles vão saindo), a policial já vinha me advertir ("De repente você deixa cair o celular lá embaixo"). Sei.

***
Quando o Haddad terminou de falar (ele estava lá para a "abertura dos trabalhos", os servidores puxaram um coro de protesto/reivindicação. E foi só. De resto, aplausos aqui e ali (para ele, uns "U-hus" e gritos de "Lindô"!). A Galeria fazia menos barulho que o próprio plenário.

Um assessor do Ari Friedenbach (PPS), do meu lado, teve a reação de todo mundo que assiste a uma sessão plenária a primeira vez: "Ninguém presta atenção"??! Ninguém. A não ser em casos excepcionais - eu lembro do frio na espinha quando eu fui pedir a abertura de uma CPI para investigar denúncia sobre o então presidente da Casa (baseada em grampos da Polícia Federal), ou quando fui declarar meu voto na eleição da Mesa (que não era nele...) e fez-se silêncio sepulcral no plenário. F.

***
A pauta publicada no site da Câmara não informava essa abertura solene, mas tudo bem. Antes do Haddad falou o ex-vereador Edson Simões, atual presidente do Tribunal de Contas do Município - leu a longa história do Poder Legislativo em São Paulo. Ali estava todo mundo ouvindo, mas era difícil prestar atenção assim mesmo ehehe.

O Haddad falou sem ler discurso, achei legal. Exaltou os primeiros diálogos com o governador Geraldo Alckmin, que "não foram só conversa não, já resultaram em ações" - parcerias na área da Educação, Habitação... "Vamos repovoar o Centro. Que seja um lugar vivo de dia e à noite". (Eu diria - disse muitas vezes, desde 2008 - a mesmíssima coisa. Vejamos!). Operação Delegada - "vamos ampliar" (eu tinha dúvidas sobre isso durante a campanha; ouvi argumentos contra (por exemplo, de policiais civis) e a favor (de policiais militares). No fim, concluí que eu era a favor. Mas que é curioso [o PT] passar meses detonando a Polícia Militar de São Paulo e depois anunciar que vai AMPLIAR a Operação Delegada, lá isso é. Então ela não é toda de se jogar fora? Puxa.

***
Haddad também comemorou a visita da presidenta Dilma no aniversário da cidade, quando assinaram vários convênios com o governo federal.

Assinar convênio é uma das coisas mais demoradas, complicadas, pent. da administração pública. Para acessar o Siconv, Portal do Sistema de Convênios, e preencher os formulários todos com a proposta, é tão "facinho" que tem curso pra isso. Super amigável, a interface. E as exigências dos formulários são inacreditáveis, tipo "Detalhe as despesas com x, y e z ao longo dois dois anos de convênio". O que é mais fácil fazer? Chutar. Em vez de rigor, a minúcia resulta nisso. (Aí as "ONGs conveniadas" - não todas, não todas! - fazem uma prestação de contas chulé e, se forem "amigas", fica por isso mesmo, vide alguns escândalos por aí). Enfim, se o Haddad, com 20 dias de governo, realmente ASSINOU convênios com o governo federal, das duas uma: 1) Já estavam sendo encaminhados há semanas ou meses; 2) A tramitação foi bem mais facinha que o normal. Acho que o 1 é mais provável.

Vou procurar os links para os convênios.

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"Desapropriamos o terreno para a construção da Universidade Federal da Zona Leste". Hmm... "Desapropriamos", isto é, o terreno já é da prefeitura?? Vou ver. A "Zona Leste" tem essa reivindicação faz tempo. Eu acho que não é de uma Universidade Federal que a ZL precisa. Não só porque as Federais "novas" do Haddad são uns puxadinhos, onde falta professor, biblioteca, laboratório, bandejão, moradia estudantil, transporte etc. Porque a ZL já tem, por exemplo, a USP Leste. Porque não investir nela dentro da tal boa parceria com o governo do estado, por exemplo?

Ele também prometeu o Instituto Federal (na Leste, se não me engano), com Cursos Técnicos (a Federal que fica ali do lado do Metrô Armênia, bem antiga já, era excelente, não sei como está agora). Enfim, se for pra valer, estou de acordo. E o tal Centro de Convenções em Pirituba, coisa que Kassab e Zé Aníbal defendem ardorosamente.

Ao meu lado, um morador de Pirituba me prguntou: "Você viu ONDE É que eles vão fazer? Já viu como é pra chegar lá? A distância da estação do trem, a ruindade do serviço de ônibus, o trânsito? Vão de novo deixar pra resolver a mobilidade depois"?

***
Depois começou o Pequeno Expediente - em ordem alfabética, os vereadores são chamados para falar por cinco minutos. A ordem alfabética hoje faltou. E não fiquei super em cima, mas tempo a impressão de que os cinco minutos também foram generosos, tolerantes. Não costuma ser assim.

No Twitter eu fiz uns resumos-relâmpago dos primeiros pronunciamentos. Qdo sair a transcrição (tem taquigrafia, então sai ipsis literis) eu publico o link pras páginas do Diário Oficial. Geralmente demoooora.

O vereador, se quiser, pode fazer correções no texto que será publicado - que deveriam ser apenas na forma, mas às vezes dão um "tapa" no conteúdo também ehehe. Se não fizerem, sai do jeito que foi na hora, com a anotação "sem revisão do orador".

Mas é ipsis literis meiaboca, estou lembrando agora. Eu nunca me referia a um colega como "Sua Excelência o vereador Fulano" - só "vereador Fulano", pelamor. Mas na "transcrição" eles incluíam.

***
Saí antes de terminar a sessão. Ainda peguei a leitura de um veto do Kassab (longa e difícil de compreender... O vereador que leu, a pedido do Presidente da Mesa (que hoje era o Presidente da Câmara - nem sempre é, as sessões podem ser presididas por outros vereadores), não tem o dom da clareza para ler alto. Nem todo mundo tem.

Depois os líderes de algumas bancadas pediram a palavra. Saí logo depois de um vereador do PP (não o conheço) informar que passou a liderança da sua bancada para o Wadih Mutran.

Por hoje tá bom, né? ;o)

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Por que saí do PT - capítulo 2

Claro que é uma longa história, nem sei quantos capítulos serão. A ligação mais próxima com o partido começou em 2003, quando decidi ser candidata a vereadora; a saída foi em 2007. Quatro anos de crise. NUNCA imaginei que ia deixar de ser petista, então imaginem o tamanho dessa crise.

No Capítulo 1, falei sobre o primeiro momento em que senti um mal-estar (literalmente; deu aquela embrulhada no estômago), quando ofereceram seis vagas em um órgão público (a Prodam) para cabos eleitorais meus.

Olhando em retrospecto, parece até que é bobagem passar mal por causa disso. "Boba, todo mundo faz, vai dizer que não?". Mas eu ACREDITAVA MESMO que o PT não usava a máquina para fazer campanha. Os outros sim, o PT não.

Eu realmente olhava os jornais falando de licitações viciadas e achava que era tudo manipulação da mídia. Sacanagem, perseguição, mídia tucana. Pô, a Marta usou colete à prova de balas quando mexeu com o sistema de transporte! Como ousam acusar o governo de corrupção??!

***
A campanha da Marta à reeleição tinha uma estrutura gigantesca. O comitê central era um prédio de vários andares na Vila Mariana. Me dava uma certa aflição gastar tanto dinheiro em eleição... Eu aprendi, no PT, a no mínimo desconfiar de campanhas caras demais.

Havia centenas de kombis envelopadas - no segundo turno, com a foto do Maluf. Ele veio de Marta contra o Serra. Vale tudo pra derrotar o adversário??

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Antes do episódio do Circuito Cultural (descrito no Capítulo 1), eu tinha tido outra experiência frustrante no governo Marta.

A favela onde eu fazia trabalhos voluntários era muito podre. Depois de ter ido várias vezes comigo à Heliópolis, quando meu marido conheceu o Jardim Guarani, na Brasilândia, disse "Heliópolis é Pacaembu". Becos, barrancos, lixo, esgoto, escuridão. Ainda tenho as fotos, depois escaneio e publico.

Tinha tido bom contato e boa impressão do Paulo Teixeira, então Secretário da Habitação, que teve ótima participação no RG, da TV Cultura. Fui pedir ajuda. Ele me recebeu no Gabinete; pediu um levantamento da previsão de intervenção naquela área (regularização, reurbanização) e não tinha nada a curto prazo. "O ótimo é inimigo do bom; enquanto não se faz o ideal, podemos melhorar as condições atuais". Ligou na minha frente para a Subprefeitura e pediu para que alguém me acompanhasse ao local e visse o que era possível fazer.

No dia marcado, apareceu uma pessoa tão, mas tão de má vontade... Alguém desinteressado, tosco, desqualificado. Andou pra cima e pra baixo, tomou providência nenhuma.

Isso porque o Secretário da Habitação ligou e pediu!

Claro, a Subprefeitura tinha "dono" e trabalhava para ele, o vereador donatário da Capitania, que tinha seu reduto na Brasilândia e estava pouco se lixando para o real progresso da Brasilândia.

***
Isso tudo "faz parte", a política é assim - complexa, imperfeita. Eu continuava acreditando que os problemas (incompetência, desvios) na administração pública aconteciam APESAR de todos os esforços no sentido contrário; algumas coisas são inevitáveis, nada é perfeito, a gente não ia chegar lá e resolver de uma vez 500 anos de problemas.

Com o tempo, fui vendo que o PT não estava necessariamente TENTANDO resolver 500 anos de problemas.

***
Corta para depois da eleição.

Um vereador do PT me convida para um café no gabinete; queria me apresentar aos ritos da Casa, me dar uns toques para o mandato. Oba!

Lição número 1: "A palavra-chave, aqui, é acordo".

Ok.

"Quando fecha o acordo, tem de respeitar".

Ok, claro.

***
Ainda não tinha me dado conta do aspecto "sagrado" da palavra. Quando se faz um acordo, é para respeitar, qual a novidade nisso?

Aí veio um exemplo.

"Fulano e Beltrano disseram que iam votar no A¹ para Presidente da Câmara. Na véspera da eleição, fecharam com o A². Pra não correr o risco de mudarem de ideia de novo, passaram a noite com ele, lá na Zona Sul. No dia seguinte, votaram e o A² foi eleito Presidente da Casa. Menina... O pau comeu. Pegaram os dois dentro do gabinete e ó!"

Meu Deus. Será que estou entendendo?

"Romperam acordo, viraram dois párias aqui na Casa. Nem nome de rua aprovavam mais".

***
Ele ria. Achava graça, como se estivesse contando um capítulo da Gabriela ou do Bem Amado. Como se fosse história de outros tempos, outros países. Mas os vereadores que viraram "párias" estavam ali, exercendo seu mandato. Que apanharam no gabinete porque votaram no outro. O outro, aliás, que era "o nosso"; eles apanharam porque ajudaram a eleger nosso candidato a presidente, mas não fizemos nada para que eles não virassem "párias". E como assim, "não aprovam nem nome de rua"? O projeto é aprovado conforme o moral do vereador na Casa e tudo bem? O "nome de rua" vai a votos no plenário e, se eles estiverem com o filme queimado, o projeto não passa?

Em quinze minutos, eu tinha recebido mais informações sobre a Câmara Municipal do que em 30 anos de pretensa militância política, acompanhando o noticiário, escrevendo cartas para os jornais, participando de manifestações... Eu sabia era p. nenhuma. E meu partido ganhava contornos cada vez mais preocupantes, surpreendentes, assustadores.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Por que saí do PT? De novo, de novo e de novo

Capítulo 1 - "Seus meninos"

Pessoas trocam de partido. Várias vezes. A Dilma era do PDT. O Chalita foi PDT, PSDB, PSB e agora é PMDB. A Marina foi do PT e do PV. O Cristóvão Buarque foi do PT, agora é PDT. A Erundina foi do PT para o PSB. O Sarney era PDS, que "virou" PFL, hoje é PMDB. O Plinio era PT, hoje é PSOL. 

Algumas são questionadas sobre a troca de partido. Quem foi para o PSOL nunca hesitou em dizer: "Porque o PT traiu seus ideais". Existem casos assim. Mas a resposta em geral é mais, ahn, diplomática: "Eu não estava encontrando espaço". 

Meio vago, né? Mas razoavelmente bem aceito. 

***
Eu respondi mil vezes por que saí do PT e responderei duas mil, se precisar. De um jeito mais resumido ou, um dia, em um livro. 

Narrei todas as minhas agruras, decepções, dissabores em tempo real no meu blog e site. Em entrevistas mil. Em auditórios, respondendo perguntas da plateia. Mas foram 3 anos de crise até que eu concluísse que o PT não era mais meu partido, então tem muita coisa espalhada por aí. Portanto, mesmo sendo repetitiva, lá vou eu falar mais um pouco sobre minha saída. 

Até porque sempre tem alguém que nunca leu, nunca ouviu. 

***
Meu contato com o PT, desde que Lula foi candidato ao governo pela primeira vez, era de entusiasta, militante, defensora em tudo quanto é lugar onde eu estivesse. Pegava material no comitê, comprava boton, ia votar embrulhada na bandeira.
Quando resolvi ser candidata a vereadora,  achava muito estranho as pessoas perguntarem “por que o PT”? Porque é o meu partido! Como poderia ser candidata por outro?
Foi só quando assinei a ficha de filiação que comecei a conviver mais com “a máquina” do partido propriamente. E ter motivos de tristeza.
***
Eu já tinha lá minhas reclamações do governo da Marta, claro. Nos primeiro anos, me dava raiva pegar tanto buraco na rua, ver tanto mato alto, pegar ônibus caindo as pedaços, conviver com os dramas na Saúde. Todos esses de hoje... Todos. Demora no agendamento e no atendimento, falta de materiais, falta de profissionais... Ficava louca da vida: “POR QUE NÃO RESOLVEM ISSO LOGO? Quanto tempo vai demorar para a Marta dar “aquele” trato na cidade, como eu tinha certeza que ela daria?”.
Havia duas razões que me faziam suportar: saber que o Pitta tinha deixado a cidade arruinada (era o que eu dizia para quem reclamava COMIGO do governo) e o ódio que eu tinha dos governos tucanos, estadual e federal. Ódio da política econômica que permitia que os banqueiros batessem recordes de lucro ano após ano, enquanto havia tantos miseráveis nas favelas e nas ruas. Ódio da porcaria de serviços do SUS, do fracasso na Educação - a culpa era deles, dos outros governos.
***
A Marta me recebeu super bem quando anunciei a intenção de ser candidata. “Alguns vão te esnobar, porque você veio da televisão - como eu. Faz a tua campanha. Você não ganha nada se acotovelando em palanque. Eu ia em escola, fazia debate, eles achavam que não ia dar em nada, mas eu sabia quem era meu eleitor”.
Adorei a compreensão, concordei com os conselhos. Soube que o “comando da campanha”, por solicitação da Marta, teria alguém designado para me acompanhar diretamente e me ajudar. Legal! Como seria esse “me ajudar”? 

***
Na primeira reunião com a pessoa que ia me ajudar, o primeiro espanto. “Me dá o nome de seis meninos seus pra trabalhar na Prodam”.
“Meus”?
“É, seis meninos que vão fazer campanha pra você”.
“Mas o que a Prodam tem a ver com isso? O que eles vão fazer na Prodam?”
A resposta foi tipo “Dã, eles vão fazer campanha pra você”.
Fiquei sem ação. Eu tinha gostado do cara, gostei de como ele veio reclamando das outras “malas” (candidatos chatos, “pesados”) que teve de carregar antes e como estava feliz em trabalhar comigo, outro tipo de candidata, outro tipo de campanha.
Ficou chato. “Não quero indicar seis pessoas para serem contratadas pela Prodam pra fazer campanha pra mim”. Eu tinha esperança de ter entendido errado.
“Não, eles vão trabalhar, mas como eles são “seus”, vão fazer campanha pra você”.
***
Pode parecer bobagem, frescura, mas eu achei horrível a proposta. Desonesta. E o PT faria isso, o meu PT? Em vez de selecionar, entre todos os possíveis interessados, pessoas aptas a trabalhar nas unidades móveis da Prodam como monitores de inclusão digital, pegaria os “meus”, pra me ajudar na campanha?
Enfim, esse foi só o começo da minha relação mais próxima com o partido.
***
Na minha relação mais próxima com o governo, também fui me desgostando.
Em 2003 fui curadora de um festival de música nas Subrpefeituras, promovido pela Coordenadoria da Juventude. Escolhi as bandas, intermediei a contratação delas pela Secretaria da Cultura. Foi super trabalhoso, tive de lidar com toda aquela burocracia básica e basicamente insuportável, mas a causa era nobre - levar apresentações grátis de bandas legais pra vários pontos da cidade.
Mas...
As Subprefeituras estavam, em geral, se lixando para o festival. Fazendo corpo mole, criando dificuldades. Era para eu ser só a curadora, mas acabei ouvindo “um monte” das bandas indicadas por mim. O cachê não era grande coisa, ok, isso estava combinado desde o começo, mas as mínimas condições não estavam sendo cumpridas. Ofereciam palcos que eram pouco mais que tablados, onde não caberia nem a bateria. O som era ruim, a iluminação era ridícula.
Havia uma queda-de-braço da Coordenadoria da Juventude x Secretaria da Cultura x Subprefeituras x Anhembi (que cederia os palcos) que eu não conseguia entender. De um lado, má vontade (Subprefeituras); de outro, impotência (o Anhembi não tinha bons palcos em quantidade suficiente, a Coordenadoria não tinha autoridade para determinar que fosse assim ou assado). Por trás disso tudo, eu precisava reconhecer, um planejamento mal feito, que contava com boa-vontade e não papeis bem distribuídos entre os órgãos envolvidos.
No fim, houve shows legais (o do Mundo Livre no Tendal da Lapa, lotado - quase morremos de calor e suportamos o som ruim porque a vibe era muito  boa) e outros... legais também, mas desperdiçados. O Eddie se apresentou em um daqueles palcos minúsculos em um estacionamento enorme na Casa Verde, com... CINCO pessoas assistindo. Eu, meu marido, amigos nossos e da banda. Em volta havia uns prédios, o pessoal deu uma olhada e só.
Frustrante.
Só que não parou aí.
Depois de correr com milhões de papéis para atender à burocracia da prefeitura, as bandas demoraram MESES para receber. Muito além do estipulado inicialmente.
Passei a maior vergonha. Era comigo que elas falavam, porque eu tinha feito o convite. Fizeram dívidas - com o motorista da Kombi que levou o equipamento, com o cara que alugou uma mesa de som porque a da prefeitura não serviria - e não recebiam o cachê.

Eu falava com a Coordenadoria da Juventude, que falava com o Secretário da Cultura, e nada. Eu falava de novo com a Coordenadoria, que falava diretamente com a prefeita, que dizia ter falado com a Secretaria da Cultura e mandado resolver logo esse problema e... nada. Foi horrível. As bandas dizendo “olha, eu gosto de você, te respeito, não quero sacanear, o convite foi legal, a iniciativa foi bacana, mas nós vamos para a imprensa”.
F*. Um dinheiro importante pra eles, um valor ridículo para a prefeitura. Eu não entendia como a prefeita podia se envolver pessoalmente e nada. Não estávamos pedindo um favor, queria só que fosse respeitado o compromisso assumido.
Mas pra mim aquilo era uma exceção no governo Marta - ou uma situação inevitável na administração pública, que "é complicada mesmo".
Depois, em retrospecto, fui vendo que não. Era uma zona mesmo :o(.

***
Continua no próximo capítulo.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Falou mal de mim! \o/


Pô, eu nem lembrava do Zé Dirceu, mas ele lembrou de mim, fiquei tocada e com vontade de responder!

Seguem trechos comentados do que ele escreveu (a íntegra do íntegro está aqui, com o título "Soninha ataca de novo com seu discurso dúbio".)

***
"[Soninha] Fala de apoio (dos vereadores) em troca de cargos. E está sempre com um carguinho nos governos. Mas, ela não troca por apoio, só os outros trocam para aprovar projetos na Câmara Municipal..."

- "Sempre com um carguinho". Ééé, é assim que ele enxerga a administração pública, especialmente os cargos de livre provimento. Não é trabalho, serviço público, é "carguinho". Ser subprefeita é tão mole, tão sem responsabilidade, e ganha bem pra caramba! [NOT]

- "Mas ela não troca por apoio, só os outros trocam para aprovar projetos na Câmara Municipal...". Éééé, é assim que ele enxerga trabalhar no governo - é sempre uma troca para aprovar projetos. Não consegue pensar em outra possibilidade. #freudexplica

***
Caso haja algum interesse em fatos, a eles:

- Nunca condicionei aprovar projetos a ter cargos no governo. Projeto bom, de adversário ou até de inimigo, eu voto a favor. PT queria minha caveira e eu, já no PPS, lutei muito para tentar votar um PL do Paulo Teixeira, que nem estava mais na Câmara (elegeu-se deputado federal em 2006).

- Fui Subprefeita e nosso líder de bancada na Câmara votou contra projetos do Kassab, como o subsídio de até R$400 milhões de reais para a construção de um estádio particular (a "esquerda" petista não se opôs) e contra a cessão de área pública no centro da cidade para o "Instituto Lula" (ups).

- Fui Subprefeita e não deixei de criticar (publicamente) a gestão ENQUANTO era Subprefeita. Quem me chama para trabalhar sabe bem a encrenca que está arrumando.

- Fui Superintendente da Sutaco e fiz um trabalho duca, incluindo parcerias excelentes com prefeituras do PT. Aqui respeitamos os princípios republicanos, véi.

- Fui Superintendente da Sutaco e não deixei de criticar o governo do estado enquanto isso. Claro.

***
Seria tão mais mole continuar apresentando programa de TV... Nossa, ganha muito mais e a encheção é 200% menor.

Trabalho no serviço público porque ADORO. É a trincheira onde quero lutar.

***
Outros trechos, outros fatos:

"Ela foi superintendente de um órgão do Estado quando José Serra foi governador (2007-2010)". Ups, não,  foi em 2011, a convite do Alckmin. Não necessariamente o melhor amigo do Serra (sabe como é, são linhas diferentes dentro do partido).

"PPS participa do governo Kassab". Não, desde o fim do ano passado. Carlos Fernandes, que me substituiu na Subprefeitura, foi exonerado para a entrada de um Coronel.

***
E mais:

"Soninha ataca o prefeito Gilberto Kassab (ex-DEM-PSDB, agora PSD)". Então agora ele é PSD-PSDB-PT-PSB etc., neam?

***
Aliás, Lula queria "extirpar o DEM", Kassab fez isso por ele.

***
"Nas suas críticas a Kassab, nada de novo, ele se tornou alvo de todos os candidatos". Para criticar, tem de ser original. Se outros já criticaram, não pode!

Mas será que José acha que Luiz Marinho, candidato a reprefeito em São Bernardo, deveria recusar o apoio de Kassab e seu partido? E os outros candidatos do PT no estado também? Seria melhor. Dirceu é muito cioso quanto a essas questões de ambiguidade.

Apoio do Maluf, por exemplo, ele não aceitaria jamais. Sei lá, fica meio estranho.

***
Terminando por onde ele começou: "O rodízio já se provou ineficaz para resolver os problemas do trânsito paulsitano há muito tempo porque a maioria já comprou um segundo carro para usar no dia do rodízio do primeiro". "A maioria". O ex-ministro, ex-deputado, atual consultor, tá bem por dentro da realidade.

Em todo caso, se depender da política brilhante [NOT] do governo federal, o povo vai poder comprar 3 ou 4 carros. Já disse o Lula, "pobre quer ter carro, rico é que pede metrô pra tirar pobre da frente". Aí zera o IPI do carro (arrancando assim um pedaço do Fundo de Participação dos Municípios, prejudicando as prefeituras); estende o prazo do financiamento a perder de vista (e o "pobre" é seduzido pela prestação baixa e induzido a desencanar do futuro; não são poucos os que perdem o carro por não conseguir pagar); ajuda a estourar as cidades, que já não suportam tanto automóvel.

Mas o Ministério das Cidades está em boas mãos, ocupado que está pelo Partido Progressista. Com muita tradição em política urbana.

NOT.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Valor de Lixo Econômico

Deu no Sem Valor (comentários no texto):

Soninha, aliada do campo tucano, (...)

Compreensível, não está errado, sou do "campo tucano" uma vez que somos da oposição ao governo federal e apoiamos a candidatura de Serra à presidência em 2010. Mas não sou "aliada" do "campo tucano" como posição fixa, definitiva, incondicional. Tenho horror de "apoio incondicional"; de "aliados" à toda prova. Na Câmara Federal, somos muito mais resolutos na oposição do que os tucanos - que tem um Senador, por exemplo, que manda prender e soltar em Minas Gerais e pouco se dispõe a criticar o governo, a não ser que seja de modo muito confortável.

(...) evitou se associar ao "tchu, tcha, tcha" do ex-governador, (...)

"Evitou se associar". Pouco enviesado esse texto, não? Toda convenção tem sua "musiquinha", cada partido tem seu jingle. A nossa, no sábado, teve vários sons, várias trilhas. De Pink Floyd a Tim Maia a Rita Lee. Foi no sábado. No domingo o PSDB fez a sua e escolheu a paródia do sucesso do momento. E eu "evitei me associar". São uns idiotas.  EU SOU CANDIDATA. EU QUERO SER PREFEITA. Não "evito me associar" a bosta nenhuma, respondo com sinceridade a tudo que me perguntam (provavelmente sou eu a idiota por isso), mas a mídia ridícula não consegue falar de mim sem me "associar" a alguma coisa. "Aquela"... 

Por que não dizem "Netinho de Paula, do PC do B, "aliado do campo petista", viu-se obrigado a abrir mão de sua candidatura a pedido de Lula". "Há quem diga que o PC do B é "linha auxiliar" do PT, porque pela segunda vez consecutiva abre mão de disputar a prefeitura em troca do lugar de vice na chapa do partido de situação no governo federal, onde ocupa um ministério".

Por que não dizem "Chalita, ex-tucano, ex-socialista, atual peemedebista, ex-Secretário da Educação no governo do estado"?

E, se ao menos lembrassem que o Russomanno existe, "ex-integrante do PP, partido de Paulo Maluf; apresentador de TV, ex-deputado federal, hoje milita no PRB, do Bispo Crivella, Senador nomeado para o Ministério da Pesca e sobrinho de Edir Macedo, da Igreja Universal e da Rede Record.

(...) pelo menos na primeira rodada da eleição. 

"Pelo menos". Deixa eu fazer um desenhinho, talvez eles entendam. Eu SOU CANDIDATA A PREFEITURA. Vários outros também são. Cada um de nós tem uma trajetória, fez campanha para um candidato a presidente, teve uma passagem pelo Legislativo etc. No segundo turno, qualquer um de nós que não esteja lá vai optar por um dos dois candidatos na disputa - exceto o PSOL, que certamente vai pregar o voto nulo porque é tudo igual então tanto faz etc. EU QUERO ESTAR NO SEGUNDO TURNO. Seja contra o Serra, o Russomano, o Chalita ou o Haddad. Se os tucanos tivessem insistido naqueles seus pré-candidatos, eu possivelmente já estaria lá, em segundo, atrás do Russomano - que vem se mantendo no alto desde as primeiras pesquisas. Quem sabe em primeiro. Eu e os tucanos, que somos "do mesmo campo", DISPUTAMOS votos uns com os outros. Os votos de quem desaprova várias coisas nos demais candidatos. Mas esses bitolados só conseguem pensar em Serra, Haddad e, no máximo, Chalita. Obsessão. Freud talvez explique.

(...) Lançou sua candidatura na Câmara dos Vereadores, onde dançou ciranda ao som de tambores à la Olodum baiano, e falou de suas ideias para a cidade.

Quer pegar terrenos usados como estacionamento durante o dia, e ociosos à noite, e construir apartamentos que levem a população a deixar a periferia para morar na região central.
Está na contramão das propostas de concorrentes como o deputado federal Paulinho da Força (PDT) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT), calcadas na redução de imposto para empresas que se instalarem nas franjas da cidade. A ex-VJ da MTV não disse em que está baseada. (...)


1- Deixa eu ajudar o Valor Econômico a atualizar seus arquivos. Eu sou ex-estudante de Magistério, ex-atriz de teatro amador, ex-recepcionista de eventos, ex-professora da Cultura Inglesa, ex-redatora/produtora/diretora de programas, ex-VJ da MTV, ex-apresentadora da TV Cultura, ex-comentarista de futebol na ESPN/CBN/Rádio Globo/Folha de São Paulo, ex-AmericaOnLine, ex-Saia Justa. E, para ficar mais dentro do escopo (vida pública/carreira política), que tal ex-vereadora, ex-PT, ex-Subprefeita da Lapa, ex-editora do site de campanha do Serra em 2010 (não escondo, não "evito"!), ex-superintendente da Sutaco, "candidata a prefeita pelo PPS já em 2008, quando começou com 1% e terminou com mais de 4%, ficando atrás apenas dos "peso-pesados", muito mais conhecidos, Paulo Maluf, Geraldo Alckmin, Marta Suplicy e Kassab". FiK DiK.

2 - "Contramão das propostas" #myass. Uma coisa complementa a outra, como bem sabem o FHaddad, que estudou direitinho, e o Paulinho da Força, que também andou pensando no assunto. Tem de aproveitar espaços ociosos ou sub-utilizados no centro, onde já há infraestrutura melhor e maior quantidade de postos de trabalho, E incentivar a atividade econômica nas "franjas" da cidade. Para refrescar a memória (esse foi o segundo programa do horário eleitoral em 2008):




2 - A "ex-VJ da MTV" nem precisaria dizer em que "está baseada", porque usar os recursos da prefeitura para Habitação para adquirir terrenos na região central e erguer moradia ali (e não na casa do cac..., onde o terreno é mais barato", não precisa se "basear" em mais nada exceto a decisão política. Mas há vários mecanismos sim, que não fui eu que inventei - alguns já são lei, olha que beleza. Estão no Plano Diretor, por exemplo, as ZEIS, Zonas Especiais de Interesse Social, que já estabelecem que em determinados lugares só podem ser construídas moradias populares. Tem também a lei que disciplina a aplicação do mecanismo do IPTU progressivo para onerar os imóveis mal utilizados/sub-utilizados. Tem a possibilidade de conceder incentivos ao mercado, com crédito e isenções condicionados à produção de imóveis que atendam às necessidades maiores da cidade (e não apenas imóveis de alto padrão, que são ótimos para "investimento" (a Cyrela faz propaganda disso) ou residência de quem tem muita grana).

3 - A ex-VJ poderia explicar direitinho para o Valor o que pretende, se eles tivessem feito com ela o que fizeram com o Netinho de Paula e outros "prés" - deram-lhes uma página de entrevista. Claro, ele era um dos primeiros em intenção de voto. Eu também - antes do Serra, eu já era terceira. Mas, por alguma razão misteriosa ou nem tanto, o Valor resolveu me ignorar. Marcou um dia, desmarcou, não marcou de novo. (Talvez eles digam "vcs desmarcaram também". Verdade, precisamos cancelar um horário mas prontamente indicamos outro, e eles concordaram. Depois desmarcaram e sumiram).

Eu não devia nunca blogar com raiva, mas... hoje vou. Não quero guardar a raiva aqui dentro. Desonestos, displicentes, enviesados, irresponsáveis.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Blogagem Móvel n.3 - "Incondicional" Uma Ova

Introdução
Gravei a primeira versão do vídeo toda feliz, a caminho do ponto de ônibus. Como andei um pouco mais devagar do que o normal, vi dois ônibus passarem enquanto eu me aproximava o do ponto, mas cheguei a tempo de pegar o terceiro, toda feliz!
Felicidade fugaz.

Fui assistir o vídeo: não tinha gravado nada. Sei lá qual foi a bobagem que eu fiz. Olho pela janela irritada e descubro: ônibus errado! C*zzo, um por semana! Era o "Vila Madalena", não o "METRÔ Vila Madalena", e fazia um caminho que não me servia. *&¨%$#*&. Deixei para regravar mais tarde.

Acabei gravando no metrô, e fiz outra bobagem - em vez de usar o telefone na orelha esquerda, deixei do lado em que normalmente o uso. E fiz quilômetros de imagens de... paredes. #espetáculo.

Enfim, a forma nunca foi a principal preocupação desta série de blogagens, então vamos ao conteúdo.

****
Quando questionei o dep. Aldo Rebelo por ter admitido que, quando líder do governo na Câmara, atuou no sentido de evitar o depoimento de uma pessoa, protegendo alguém que ele mesmo considerava culpado, alguém respondeu com um vídeo gravado alguns anos atrás, em que eu elogiava o Aldo.

Ora ora ora.

Duas (ou mais!) coisas podem acontecer. Tem gente que eu elogiei ou defendi antes e que critico agora - mas não retiro os elogios anteriores, porque acho que continuam valendo. Tem gente que eu critiquei antes e elogio agora - idem acima. E tem gente que eu elogiei ou critiquei e hoje eu vejo que eu estava enganada, e se pudesse retiraria o que disse antes.

Não é meio... óbvio?

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Eu já postei também vídeos confrontando o que as pessoas disseram antes e o que elas dizem agora. Caso clássico: o Lula. Tem aquele vídeo famoso em que ele fala que a Roseana aparece bem nas pesquisas porque "a Globo é do pai dela, o SBT é do Lobão".

Se eu posso mudar de opinião sobre as pessoas, o Lula também pode. Mas se eu tenho de explicar, o Lula também tem - aliás, MUITO MAIS!

O Sarney e o Lobão não são mais os "coronéis" donos, entre outras coisas, da mídia no Maranhão ou isso deixou de ser um problema para o Lula?

***
Voltando ao vídeo, o tema é "apoio incondicional". Algo que os políticos oferecem ou prometem aos aliados e que eu não ofereço a ninguém.... Se for verdade, o apoio "incondicional" é um absurdo. Mas é mentira - o que o torna pior ainda. Explico:

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

"Contigo"

Eis a "notícia":

Qua, 26 Jan, 08h10

A iminente ida de Gilberto Kassab para o PMDB, partido da base governista, levou a presidente da República, Dilma Rousseff, a elogiar o prefeito paulistano e a destacar investimentos na capital, ao mesmo tempo em que criticou, de maneira indireta, o PSDB.

A presidente cumprimentou Kassab (DEM) "com muito carinho" e disse estar "honrada" com o convite feito por ele para participar ontem da cerimônia em comemoração ao 457.º aniversário de São Paulo, na sede da Prefeitura, na qual foi entregue a Medalha 25 de Janeiro ao ex-vice-presidente José Alencar, que luta contra um câncer há 13 anos.

Além de Dilma e Alencar, estavam com Kassab no palco montado na Prefeitura o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), e o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), com quem o prefeito mantém conversas sobre a troca de partido.

Ontem, os dois conversaram rapidamente na presença de Alckmin. Na cerimônia, a presidente Dilma afirmou ainda que "junto" com Kassab vai "continuar esse processo de investimentos" feitos pelo governo federal na capital paulista. Sem citar os tucanos, que governam São Paulo há 16 anos, Dilma disse que o Estado ainda tem "desafios" a enfrentar com a população de mais baixa renda. "Fico extremamente feliz de estar aqui em São Paulo e de que seja aqui que esta medalha esteja sendo entregue a José Alencar, porque justamente aqui temos um dos Estados mais desenvolvidos do nosso País. Mas, ao mesmo tempo, temos tantos desafios em relação à situação do nosso povo mais pobre", disse.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

***
Por um lado, parece mais uma fofoca boba, mexerico, conversa de maricotinha - neste caso, para cutucar os tucanos.

Por outro, se a ´"notícia" for verdadeira, é o patético da política mesmo... Um dos motivos para os petistas condenarem os tucanos ao inferno é o fato de eles serem "aliados do DEM". Agora a presidente vem e se derrete toda com o Kassab e a prefeitura de São Paulo, só porque ele pode vir a ser do PMDB... Argh.

Mas é tudo tão forçado que não dá nem pra ter certeza de que ela fez mais do que os elogios protocolares de praxe. O que a matéria "informa" é que, em relação à cidade, Dilma fez um auto-elogio - a presidente diz que "vai continuar esse processo de investimentos feitos pelo governo federal na capital paulista". Grande merda de investimentos ("processo de investimentos", aliás!). A União suga milhões daqui e devolve migalhas, e depois o governo federal anuncia obras da prefeitura e do governo do estado como se fossem realizações suas (vide Expresso Tiradentes, reurbanização de Paraisópolis, Rodoanel e metrô).

E, depois de os petistas e aliados (como Paulo Skaff e Russomano, que foram candidatos ao governo de São Paulo por partidos da base governista) falarem de São Paulo como se fosse o pior lugar do Brasil, Dilma - ainda bem - reconheceu o óbvio, irrefutável: "Justamente aqui temos um dos Estados mais desenvolvidos do nosso País". Pois é... Mas, como ela também reconhece, "temos tantos desafios em relação à situação do nosso povo mais pobre"... Ah, vá. FATO  esse que diz respeito ao país TODO - e se tá ruim aqui, "imagine na Jamaica", como dizia o Casseta e Planeta (ou era o TV Pirata?). Os pobres aqui tem dificuldades imensas, mas preferem vir pra cá do que continuar sofrendo nos territórios dos coronéis.

Enfim, o autor da matéria admite que Dilma "não citou os tucanos" - e mesmo assim, com uma frase que nada mais é do que a constação do óbvio, foi-lhe atribuída uma "alfinetada"... (E não sei onde foi que ela elogiou o Kassab, afinal).

***
Mudar de opinião sobre as pessoas é algo absolutamente compreensível. Eu mudei, todo mundo muda. Gente que eu detestava à primeira vista, ou de ouvir falar, passei a admirar. Gente que eu admirava, passei a não gostar nem um pouco. Se o Kassab do DEM era abominável para os petistas e depois deixou de ser, isso poderia ser normal, aceitável. Mas, pra começo de conversa, a "abominação", é forçada, artificial. "Ele é do DEM!!". Até parece que é assim que funciona pra valer... Na eleição da Mesa Diretora da CMSP, o PT apoiou Milton Leite, candidato do DEM, contra o candidato do PSDB... Tanto faz o partido, o que importa é o acordo. Se depois do ódio vier um amor também artificial, "faz parte", como diria Kleber Bam-Bam. E eles ainda vão criticar o outro lado, sempre, por fazer acordos e alianças com "a direita" etc. É muita coragem. Veja o caso Chalita... De repente, deixou de ser um tucano que "arruinou a Educação no estado" etc para ser um grande aliado. Será que reviram a opinião que tinham sobre seu trabalho e agora passam a acreditar que ele foi um bom Secretário? Se disseram que mudaram de ideia, juro que respeito. Se disserem que estavam errados e só agora descobriram que ele é um grande cara, também respeito. Mas duvido que digam. Ninguém tem de explicar nada, só os outros.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

"Resposta a L.Dalle"

Meses atrás, na minha comunidade no Ning (http://www.soninhafrancine.ning.com/), alguém - o L. Dalle do título; o nome dele já circulou demais na Rede à sua revelia e sem a menor intenção da minha parte - perguntou se era verdade que eu ia apoiar o Serra na eleição para presidente e pediu que eu explicasse esse apoio. Respondi na mesma hora, de maneira bem informal (palavrões e tudo), e a mensagem acabou sendo reproduzida muitas vezes por email. Muitas vezes me procuraram para confirmar: "O texto é seu mesmo?". Hoje procuraram de novo; fui procurar a publicação original lá no Ning e o diabo do link não estava abrindo. Então, na dúvida, republico aqui no blog... Com a tentação de revisar, escrever melhor um trecho ou outro (como acontece com qualquer texto meu), mas resistindo a ela e mantendo exatamente o que escrevi naquela madrugada. [Mentira: acabo de corrigir uma crase. Aí não dá pra deixar].

***
"Posso explicar, sim. Talvez não em poucas palavras, mas em muitas informações sobre o que vi, vivi e aprendi nos últimos anos. Pra não deixar sem nenhuma resposta agora, posso resumir assim:


- Descobri que o meio em que eu vivia - de petistas - inventava muitas barbaridades sobre o Serra. Por que o Serra? Não sei, talvez porque ele tenha sido o candidato do governo à sucessão do Fernando Henrique, portanto rival direto do Lula na disputa presidencial... Porque os petistas já pintavam os tucanos como o fel da terra (e eu, mesmo quando era do PT, achava isso um pouco absurdo), e o Serra como o próprio Satanás. Só que os fatos, mesmo vistos de longe, já desmentiam algumas coisas que diziam sobre ele: como ele podia ser "queridinho" da grande mídia quando comprava briga contra a publicidade de cigarro, por exemplo - que era uma baita fonte de receita para os meios de comunicação? E como ele era parte da elite imperialista internacional, quando foi à OMC e lutou contra os lobbys e cartéis da indústria farmacêutica, conseguindo as quebras de patente em nome da saúde pública dos países mais pobres?

Mesmo com esses fatos, eu acreditava nas versões do PT... Afinal, o PT era o meu partido, eu tendia a concordar com tudo... Pensava: "Ok, eles fez uma ou duas coisas importantes, corajosas, mas nem por isso é uma pessoa decente". O PT dizia que ele era covarde, porque tinha "fugido" da ditadura... Que era um manipulador ardiloso, porque "armou" um flagrante pra Roseana Sarney (se bem que eu já pensava naquela época: o marido da Roseana Sarney tem um milhão e meio de reais de origem desconhecida e a culpa é do Serra?).

Enfim, eu o detestava. Até ser vereadora e ele, prefeito. E descobrir que o demônio que pintavam não era nada daquilo. Mal humorado, impaciente, carrancudo, ríspido demais às vezes? Sim. Mau caráter? Não.

Em 2005, começo do meu mandato, o Serra me recebeu (a meu pedido), ouviu atentamente tudo o que eu disse e reconheceu que estava equivocado em algumas medidas que havia tomado como prefeito. Na manhã seguinte, desfez o que tinha feito. Depois, me procurou inúmeras vezes para perguntar de assuntos que acreditava que eu conhecesse melhor do que ele - políticas de juventude, meio ambiente, cultura. Cansei de vê-lo pedindo idéias, sugestões, opiniões. O contrário do que diziam dele...

Enquanto isso, o PT - que era o meu partido - continuava inventando, mentindo. Uma barbaridade. Analisava um projeto de lei enviado à Câmara pelo prefeito, concluía que o projeto era muito bom e... No plenário da Câmara, fazia DE TUDO para barrar o projeto. Saía do plenário para não dar quórum, subia na tribuna e passava meia hora falando horrores de um projeto que TINHA CONSIDERADO BOM - apenas para prejudicar "os tucanos" na eleição seguinte. Mesmo assim, mesmo no meio da guerra mais suja - petistas espalhavam mentiras para assustar a população, uma coisa realmente horrorosa - se chegasse um Projeto de Lei de um vereador do PT e ele considerasse o projeto bom para a cidade, ele sancionava (isto é, aprovava). E se chegasse um Projeto de Lei de um vereador do PSDB e ele considerasse o projeto ruim para a cidade, ele vetava. Aliás, nós ficamos amigos, e ele... vetou vários projetos meus. Ou seja, um comportamento REPUBLICANO, de respeito à Casa Legislativa e ao interesse coletivo. Mas o PT continuava espalhando que ele era autoritário, mentiroso, privatista, neoliberal... E que era repressor, "inimigo dos pobres", "amigo das elites", tudo de pior no mundo.

Mas o Serra ia fazendo coisas muito legais na cidade - criou a Coordenadoria da Diversidade Sexual, a Secretaria da Pessoa com Deficiência... O Centro de Juventude da Cachoeirinha, que é do cacete... Pegou um esqueleto que estava lá abandonado desde o Janio Quadros e fez um troço muito legal. Terminou o primeiro trecho do maldito Fura-Fila do Pitta, que também estava abandonado. Voltou atrás na história dos CEUS - porque essa foi uma das coisas que eu consegui convencê-lo de que ele estava errado - e mandou fazer vários outros, mantendo o nome "CEU" (bandeira da Marta...). Idem com os Telecentros - que os petistas diziam que ele "destruir", transformar em Acessa São Paulo, que era bem diferente... Criou a Virada Cultural. Fez os benditos hospitais de Cidade Tiradentes e do M'Boi Mirim - que o PT anunciava que a Marta tinha feito, quando na verdade ela não tinha começado nem a cavar o alicerce... Sem falar que a Marta, que passou os 2 primeiros anos de seu governo sanando as contas da prefeitura detonadas pelo Pitta, passou os dois últimos anos destroçando as contas da prefeitura - e deixou dívidas absurdas, contratos temerários de 20 anos assinados "no apagar das luzes"... O Serra deu muita força para a Secretaria do Meio Ambiente, que sempre era das mais pobrezinhas. E chamou para trabalhar com ele pessoas que tinham trabalhado com a Marta, sem a menor hesitação, sem rancor e ressentimento, porque considerava que elas eram competentes.

Enfim, eu VI, eu testemunhei, condutas absurdas do meu partido - e condutas admiráveis do Serra, que o meu partido pintava como o enviado do capeta.

Resultado: (lembre-se, este é um resumo, a história completa é uma enciclopédia) saí do PT, que foi se distanciando barbaramente dos ideais que pregava, adotando o "vale tudo" (pra governar, pra ser oposição), e fui para um partido de oposição. Que hoje apóia o Serra para presidente, assim como eu.

E eu nem falei do governo do estado... De mais uma seqüência enorme de mentiras e terrorismos, como de costume ("ele vai privatizar o metrô!"; "ele publicou decretos para acabar com a autonomia universitária!"), e, da parte dele, realizações admiráveis, mais ainda para quem ficou 3 anos e pouco no governo (e 1 ano e meio na prefeitura). Uma lista de pontos em que a atuação dele me agrada muito: trens metropolitanos, metrô, meio ambiente, cultura, pessoa com deficiência... E outros mais.

Se você odeia o Serra como eu odiava, eu sei que não vai mudar de idéia assim tão fácil. Não tenho essa pretensão. Mas gostaria que você acreditasse em mim: é com muita convicção que eu voto nele, baseada nos meus 6 anos de vida mergulhada integralmente na política.

Abração
Soninha"
 
>>>
Depois eu gravei um vídeo para o Rede Mobiliza no mesmo teor: http://www.youtube.com/watch?v=gBBys63TrOc

terça-feira, 29 de junho de 2010

"Se eu encontrar um deles na minha frente..."

Há quem diga que o envolvimento das pessoas como a política devia ser como o que existe com o futebol.

Deus nos livre.

Por causa de futebol, de fato se fazem grandes esforços, grandes mobilizações. Consomem-se doses maciças de informação pelo jornal, revistas, internet, rádio e TV. Acompanham-se debates extensos. Fazem-se protestos e outras demonstrações.

Mas é tudo apaixonado, emocional, descambando, muitas vezes, para a violência, verbal ou física. Aí eu dispenso. 

***
Na política, aliás, também tem muita paixão e violência, muitas brigas entre torcidas organizadas. Daquelas que já não tem mais nenhuma conexão com o time, o esporte e o gol. O objetivo deixa de ser a vitória em campo, mas a derrota na porrada.

E o pior é que estamos atingindo um nível que há muito não se via, de tão baixo.

***
Desde o fim da ditadura militar, não havia tanta liberdade para a difusão de opiniões - até porque a internet permite que milhares de pessoas digam publicamente o que pensam, identificadas ou anônimas. E se as opiniões são qualificadas ou desqualificadas, tanto faz, propagam-se da mesma maneira. Junto com elas, correm "informações" - dados reais ou inventados, manipulados ao gosto de quem os divulga.

A batalha que sempre existiu entre governo e oposição sempre teve escaramuças mais violentas, personagens mais destacados (os Carlos Lacerdas da vida), golpes baixos. Mas com os 80% de aprovação pessoal do Lula e o uso descarado da máquina governamental, a demonização da oposição consegue ser maior do que a vitimou o próprio Lula durante tanto tempo.

***
Lula mantém, no poder, o discurso de oposição. Inesquecível aquele seu discurso, depois de SETE Anos como presidente da nação: "O povo está na merda e eu vou tirar o povo da merda".

Quando, presidente? E com que métodos? Com que aliados?

Lula ainda fala como se fosse um pobre operário perseguido pelas elites, um Quixote contra os velhos poderes. Mas Lula está no poder, tem o apoio de poderosos de todas as partes (todo mundo quer tirar uma casquinha de sua popularidade, de Ahmadinejad a Sarcozy), tem entre seus aliados os poderosos de sempre...

E o discurso cola!

***
Lula criticava ou condenava FHC com virulência, mas hoje não se admite nenhum discurso de crítica ao Lula. Há quem chame de "golpismo"... Os militares chamavam de "subversão"... São maneiras de desautorizar a oposição. Ou a oposição só pode ser como os governistas aceitarem que ela seja?

Para criticar o presidente, é preciso quase pedir licença, ou desculpas antecipadas. Ou então pagar tributo antes - à sua linda trajetória pessoal (não estou sendo irônica), à projeção internacional, à estabilidade econômica - e só então, com muito cuidado, apontar um problema.

Quem não for assim, quem criticar sem clemência, sem reverência, será considerado um traidor da pátria, entreguista, imperialista, o diabo.

Mas a oposição - ou especialmente o Serra - podem ser ridicularizados à vontade. Insultados, agredidos.
Será que chegaremos ao ponto de proibir charges com o presidente, como muçulmanos fanáticos quiseram fazer com Maomé?? Talvez não precise - quase ninguém critica o presidente. A patrulha surte efeito.

***
Eu quero manter o meu direito de criticar o governo e o presidente. E não quero usar as armas de torcida organizada - palavrões, ofensas. Quero discutir, debater. Mas é impossível tentar argumentar com quem prefere logo apelar para adjetivos e acusações.

Acabei de perder tempo trocando emails com uma pessoa que me mandou por email um texto do Nassif - dizendo, como se isento fosse, que tentou avisar que Aécio é que era o melhor candidato para o PSDB, não o Serra - e uma enquete "engraçadinha" do site do Paulo Henrique Amorim sobre o desempenho do Serra na última pesquisa de intenção de voto.

Pra começar, não sei porque alguém se dá ao trabalho de invadir minha caixa de entrada para esculachar o meu candidato a presidente. Eu não fico mandando email para petistas e lulistas - nem com argumentos, muito menos com gozações e baixarias. Por que eles vem gritar no meu ouvido? Escrevo nos meus blogs, não mando spam. Respondo a quem pergunta, falo com quem quer saber o que eu penso.

***
No começo da troca de emails, até que se podia falar em argumentos.

Eu disse que a Dilma "se esconde", ele disse que não, que ela "está correndo o Brasil".

Eu disse que "o Brasil continua miserável, injusto, desigual como antes. Melhorou? Ora, vem melhorando faz tempo, até porque a globalização barateou e facilitou o acesso a algumas coisas - mas não à saúde, à educação, aos direitos de cidadania... Não elegemos o Lula para continuar melhorando, mas para promover uma TRANSFORMAÇÃO.  E a transformação não veio".

Ele disse que elegeu Lula "para começarmos a transformação, pois sabíamos que um país que sofreu e sofre como o Brasil, precisará de ao menos uma geração tendo a sorte de viver em três excelentes governos ( 8 Lula, 8 Dilma, 8 de alguém de um novo partido que será melhor do que o PT tem sido ontem e hoje = 24 anos = uma geração de brasileiros) para realmente vivenciarmos e sentirmos as mudanças".

Eu disse que "aqueles que faziam oposição duríssima ao FHC, criticando a política econômica excludente e os lucros recordes dos bancos, apontando a imensa desigualdade e a miséria convivendo com o surgimento de novos milionários, condenando as alianças do governo com as velhas oligarquias do Norte e do Nordeste, protestando contra obras faraônicas superfaturadas e contra a degradação ambiental promovida pelos barões do agronegócio, guardam essas críticas para si mesmos... Ou já acham que isso tudo é normal, é assim mesmo, é assim que se governa, que se mantém o poder... Passando feito um trator sobre o PT no Maranhão, por exemplo, para forçar o apoio ao clã dos Sarney mais uma vez..."

Ele disse "'prefiro' a oligarquia do Sarney do que as paulistas, cariocas, gaúchas e catarinenses, do que as americanas, francesas ou alemãs".

Minha vontade é continuar discutindo, argumentando... Na verdade, continuei discutindo em novo email, mas é inútil. Porque eis a conclusão da sua mensagem:


"Tenho andado pelo Brasil,(...) pelo movimento ambientalista. Tenho visto um novo Brasil que abomina os tucanos paulistas e, alerto, quem deles se aproxima por algum interesse".

["Alerto"... Aproximar-se do governo? Ok. Dos tucanos paulistas? É motivo de abominação. Até porque é por "algum interesse"...]
"Paulistas e paulistanos são motivos de chacota e gozação por causa do acomia e do ex-fhc".

[Então paulistas e paulistanos perderam o direito à preferência política e partidária, caso ela recaia sobre os opositores ao governo federal... E merecem ser discriminados. Quando o Serra diz que há um discurso de norte X sul, ainda tem gente que pergunta: "o que o senhor quer dizer com isso?"] 

"Esses caras precisam ser presos, o acomia e o ex-fhc. Se eu encontrar um deles na minha frente, ali em higienópolis ou nas imediações da pocilga ali da sumaré, não resistirei: vou pregar um ponta pé na bunda mole deles!"

Um pontapé na bunda mole deles.

Esse é o fim do email. 
Pra concluir: veio de um ambientalista, que não me enviou nenhum email comentando o assassinato do Código Florestal proposto por um deputado da base governista. 

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O protesto contundente de um deputado do PT

Recebi, via Twitter, o link para esse pronunciamento impressionante de um deputado pelo Maranhão. Escrevi um comentário no próprio You Tube, mas o espaço lá é muito limitado. Aqui coloco meu texto inteiro.

 

"Eu e o deputado temos candidatos diferentes à presidência, mas sou totalmente solidária à sua indignação profunda, verdadeira, dolorida. Não é fácil fazer o plenário se calar e prestar atenção... O que ele conta sobre as manobras de intervenção no Maranhão é um ABSURDO - e em nome de uma aliança, como sempre "pragmática" e não programática, em torno de Roseana Sarney. Alianças são necessárias, o arco de alianças precisa incluir forças de outros campos para ampliar o eleitorado etc. e tal - mas aliança tem de ter critério, condições, limites. O PT, que era intransigentemente contra qualquer aliança e precisou aprender a fazer concessões, caiu no extremo oposto, e faz qualquer aliança, com qualquer um, e sob quaisquer condições. Mesmo assim o deputado acredita que a eleição de Dilma é o melhor para o país e para a democracia... Talvez ele acabe por concluir que o PT que ele defende, o PT que Maneco ajudou a fundar, mudou tão completamente que não representa mais, de maneira geral, os valores e sonhos que ele tão apaixonadamente defende. O PT ainda tem muita gente como ele, velhos guerreiros idealistas, mas que são cada vez mais exceção em um partido que fez do pragmatismo e da autosobrevivência objetivos mais importantes do que as mudanças profundas que antes defendia".


Aproveito para me estender um pouco aqui... Como já disse muitas vezes ao explicar por que saí do PT, sua direção, sua orientação geral, mudou demais. O partido continua muito rigoroso com os outros - e permissivo demais consigo mesmo e com seu governo. E passou a usar de truculência, como o deputado descreve no caso da intervenção no Maranhão. E a desqualificar a oposição, praticando um totalitarismo do qual foi vítima tantas vezes. (O deputado diz que foi chamado de "tucano" por se opor à aliança com Roseana e condenar os métodos da direção nacional).

Assim como outro grande partido de oposição de outrora, o PMDB, o PT se descaracterizou demais. Em todo Brasil os partidos tem suas diferenças regionais, seus caciques de perfis muito diversos, seus arranjos locais. Mas é mais do que isso; é o comando central do PT quem tem a mão mais pesada, mais próximas das forças conservadoras (que, no discurso, estão sempre "do outro lado"...). Com o agravante de que o partido é governo, está no poder, tem muito poder, mas continua se apresentando como uma organização à margem, "alternativa", que é vítima dos poderosos. Como o deputado Domingos Dutra questiona, quantas concessões mais o partido ainda vai fazer? Já não entregou muita coisa, não se comprometeu muito, não se curvou a mil e uma exigências do PMDB de Sarney?

De concessão nenhuma a concessões demais - acho que esse é um dos melhores resumos a fazer sobre a trajetória do PT, dos muitos anos na oposição até este oito anos governando o país.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Nem a pau

Cheguei em casa agora, super cansada, mas não quero deixar de escrever ainda hoje o seguinte:

Alguém vir me dizer que o Roberto Freire participou da extorsão de uma empresa para obter recursos para sua campanha tem o mesmo efeito de alguém contar que viu minha filha espancando uma velhinha na esquina, ou chutando um cachorrinho, fumando no posto de gasolina ou tirando racha.

IMPOSSÍVEL.

Se alguém saiu por aí pedindo dinheiro e dizendo "é para o Roberto Freire", é preciso identificar muito claramente essa pessoa e processá-la - por estelionato, corrupção ativa, calúnia, difamação e todos os crimes correlatos. Seja do PPS, parente de alguém do PPS, nada a ver com o PPS, tanto faz.

Não é nada difícil acontecer. Volta e meia fico sabendo que alguém na Lapa anda abordando comerciantes dizendo "eu trabalho com a Subprefeita e estou pedindo isso em nome dela". Não é extorsão não, é um pedido de apoio para uma entidade, um evento ou coisa parecida. Mas as pessoas contribuem porque querem ficar bem na fita com o "amigo da Subprefeita" - ou porque tem medo de, ao negar a contribuição, ficarem sujeitos a algum tipo de represália.

Nas operações contra o comércio ambulante, toda hora aparece alguém dizendo: "Eu acertei com o Anderson!". Mas fala isso para o próprio Anderson... Ou seja, nem sabe quem é mas sabe que tem um funcionário com esse nome, então lança ao vento e se colar, colou. Ah, sim, falam também que "acertaram comigo".

Isso quer dizer que nunca tem "acerto" indevido com funcionários da Subprefeitura? Quem dera. Não faz muito tempo a Bandeirantes flagrou um agente de apoio dizendo que vendia permissão para os ambulantes trabalharem... Mas que não é porque alguém diz alguma coisa que essa coisa é verdade, óbvio!

Mas ninguém tem de acreditar na idoneidade nem jurar pela inocência de ninguém. Ninguém é inatacável, ninguém deve ter imunidade incondicional. Mas nessa droga desse país tudo é tão torto, tão mal ajambrado, que é muito mais fácil acreditar que todo mundo é ladrão do que o contrário. E se a acusação for contra um desafeto/adversário/oponente, aí então é que se acredita em tudo mesmo.

Passei 3 anos da minha vida defendendo meu partido - não em tudo, mas no que evidentemente era absurdo. O filho do Lula recebeu 5 milhões em patrocínio de uma Tele para seu canal de entretenimento com games? Pombas, o negócio era muito bom, o canal era um sucesso e a MTV tinha recebido mais do que isso com uma audiência muito menor! Se havia alguma ilicitude nas relações entre o governo federal e as empresas de telefonia, que não viessem dizer que o grande indício era a parceria muito bem sucedida naquela produtora. (Eu escrevi isso no meu blog da Folha Online, rebatendo um post, se não me engano, do Kennedy Alencar, e foi quando tomei a chamada para não falar mais de política...).A Marta disse uma frase infeliz durante o caos aéreo? Sim, mas isso não tinha nada a ver com a queda do avião da TAM, pelamordedeus! O Lula tem alguma coisa a ver com os Aloprados? NÃO, o Lula estava com a eleição quase ganha no primeiro turno, seu adversário direto era o Alckmin por que ele ia pagar um milhão em um dossiê falso para tentar destruir o Serra em São Paulo??

Vou continuar defendendo qualquer um que eu considere vítima de acusações absurdas. Tucano, petista, palestino, israelense, cubano, estadunidense, palmeirense, corintiano, carioca, paulistano. Vou continuar fazendo críticas a qualquer um que eu considere merecedor delas - aliado, oponente, amigo, desafeto, colega, inimigo. Às vezes fico meio puta por ter apanhado para cacete enquanto defendia o PT das acusações injustas (só das injustiças, e não de todas!) e não ter quase nenhum petista (usei o "quase" porque posso estar esquecendo de alguém) me defendendo em público quando o cacete era em mim, mas tudo bem. Nem todo mundo tem o mesmo saco pra entrar nas brigas como eu tenho. Sou do tipo que entra no meio de dois marmanjos se socando para apartar, mesmo que a razão diga que é melhor não entrar.

E agora sim vou dormir - ou assistir a algum seriado gringo em que os crimes são solucionados com incríveis métodos científicos e os bandidos se dão mal no final, para me consolar na ficção.