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quinta-feira, 12 de julho de 2018

"Constituição é clara e equivocada"

O título dessa matéria da Folha já é a síntese perfeita do que eu penso sobre a prisão em segunda instância -

Constituição é clara e equivocada ao vetar prisão em segunda instância, dizem especialistas


Segue uma parte do texto:

Em debate, especialistas em direito afirmaram que a Constituição é tão clara quanto equivocada ao vetar a prisão após condenação em segunda instância.

O evento na Fundação FHC em parceria com o site Jota ocorreu nesta segunda-feira (26), horas antes de o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) negar mudança na decisão que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso tríplex, e abriu caminho para a determinação da prisão do petista.

"Do ponto de vista teórico, não vejo sentido algum em, uma vez que a pessoa tenha sido condenada em primeiro grau e confirmada a condenação em segundo, que ela aguarde o trânsito em julgado. Porque não existe relação lógica entre presunção de inocência e trânsito em julgado do ponto de vista do processo penal", disse Nino Toldo, desembargador do TRF-3 (SP e MS).

"Agora, não posso negar. A Constituição diz claramente lá que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado. Então, se a interpretação for literal, não tem jeito. A Constituição está errada. É um equívoco lógico", sustentou Toldo.

O professor da FGV e colunista da Folha Oscar Vilhena Vieira disse que "a Constituição é razoavelmente clara. Ela diz trânsito em julgado". Ele, contudo, questionou a Carta. "Não existe democracia no mundo em que a execução, ainda que provisória, não se dê pelo menos na segunda instância. Todos os tratados internacionais de direitos humanos trabalham com o duplo grau de jurisdição."


Perfeito! A Constituição garante o princípio da presunção de inocência, e se uma pessoa já teve duas oportunidades diferentes de ser julgada, e já foi condenada duas vezes e por pessoas diferentes, a presunção foi respeitada - e a inocência, denegada. Mas o "trânsito em julgado" é norma, não princípio. Ou seja: a Constituição estabeleceu uma norma que, a meu ver, exorbita o princípio e deveria ser modificada por meio de uma Emenda Constitucional devidamente debatida no Congresso.

Há quem entenda que a questão estaria garantida em cláusula pétrea, portanto nem uma EC poderia modificá-la. Discordo e reitero: o princípio da presunção de inocência não exige mais do que duas instâncias para ser garantido.

A Lei da Ficha Limpa é claríssima também: não pode disputar eleição quem tiver sido condenado em segunda instância. Em vista disso, minha opinião é que o Lula não devia estar preso agora, mas não pode ser candidato de jeito nenhum. Não é a prisão que o impede de disputar a presidência, é a condenação em segunda instância.

Mas o STF decidiu, em relação ao Lula, o que já tinha decidido antes: pode começar a cumprir pena depois de condenação em segunda instância. Eu discordo do Supremo, mas não foi uma decisão-política-destinada-a-impedir-o-herói-do-povo-brasileiro-de-correr-o-país-pedindo-voto. Foi mais um erro do STF em seu "ativismo judiciário"... Todos nós temos nosso juízo sobre quais de suas muitas decisões seriam erros ou acertos e podemos ter, mas precisamos obedecer - fazer o que?

O famosos desembargador lulista que, ~por coincidência~, estava de plantão quando deputados do PT protocolaram o pedido de Habeas Corpus para o ex-presidente e concordou com a tese do "fato novo" ("ele será candidato e precisa ter liberdade para se manifestar como tal") cometeu uma atrocidade jurídica (1 - "Fato novo"?? 2 - Se fosse mesmo um fato novo, seria um que justificaria rever o processo????).

Até aí, enumerei certezas. Tenho apenas uma dúvida: se o desembargador podia ou não decidir um HC de caso transitado em segunda instância. Porque é assim: decisão judicial a gente cumpre, por mais ridícula que seja, e questiona o mérito em instância superior. Mas e se o camarada tomou decisão sobre assunto que não lhe compete? A ordem tem algum valor? Ou tem tanta autoridade quanto um documento assinado por qualquer outra pessoa alheia ao processo?

Podem responder nos comentários, eu realmente quero ouvir opiniões diversas para escolher a minha :-)


sábado, 17 de setembro de 2016

Perguntas de um candidato a eleitor :-)

Recebi um email com perguntas de um rapaz chamado Leandro (que não conheço pessoalmente). Com certeza que mais gente faria as mesmas, então lá vai:

Olá Soninha, como vai?Estou buscando um candidato a #vereador para chamar de meu. Estou pesquisando pelo partido, formação e propostas, mas está difícil principalmente o último item.

Conheço suas ideias das vezes que se candidatou como Prefeita, e me identifico bastante, mas para ser justo e ter um comparativo com outros candidatos, queria saber mais a seu respeito:

- Quais são suas intenções como Vereadora?
- O que te motivou a se candidatar?
- Qual região de SP você atua ou pensa em atuar?

Acho que isso pode me dar uma ideia melhor para direcionar meu voto.

Minha resposta:

Oba, obrigada por perguntar!! :)

- Quero, em primeiro lugar, ter mais poder para fiscalizar o Executivo e a própria Câmara. Hoje eu fiscalizo sozinha (dados oficiais como contratos, licitações etc e os serviços "reais", como Saúde, transporte público e assistência social) e reclamo na ouvidoria, posto na internet, compareço às audiências públicas, mando para a imprensa, aciono vereadores e... Nada!! Não adianta!!!

E quero fazer propostas concretas de novos serviços e equipamentos públicos (dois exemplos: convênio com clínicas veterinárias para atendimento de animais da periferia, em vez de oferecer apenas dois hospitais veterinários para a cidade toda; áreas para moradores de rua usarem o banheiro, tomarem banho e lavarem suas roupas). Isso significa bater às portas dos órgãos do Executivo, unir forças com outros vereadores, destinar recursos orçamentários etc.

- O que me motivou está mais ou menos descrito aí em cima :) Estar lá dentro é MUITO frustrante, irritante, cansativo - mas estar aqui fora sem poder fazer quase nada é pior.

- Tenho minhas conexões mais fortes em algumas regiões, como a Zona Norte (Brasilandia, Peri, Cachoerinha, onde atuo voluntariamente em favelas e com moradores pobres); Centro (Moinho, Sé, Minhocão etc, com população de rua); Zona Leste (idem). Mas atuo mais "por tema" do que por região: mobilidade, moradores de rua, políticas para mulheres, juventude e LGBT (e estou cada vez mais mergulhada nos problemas dos idosos!!), cultura, esporte, animais, sustentabilidade, moradia...

Na minha "fan page" no Face (soninhafrancine) e no meu blog (http://gabinetesoninha.blogspot.com) dá pra ver mais coisas. E pode mandar mais perguntas, sugestões etc!

quarta-feira, 23 de março de 2016

"Tu tambééém?!?" - Sim, até eu recebi doação da Odebrecht

Fiquei sabendo que meu nome aparece na lista da Odebrecht - recebi, informa a planilha, R$500 (obviamente, "em milhares de reais", embora isso não esteja escrito - não que eu tenha visto pelo menos). 

Primeiro, fui ver para crer rs. Descobri que foi na campanha para a prefeitura - uma das planilhas diz que minha cidade é o Rio de Janeiro, pra ver como eu era importante para a empreiteira... Maior atenção e capricho #sqn. 
 
Bom, já que consta lá, será que veio mesmo? 500 paus? Fui me informar, descobri que sim, foi feita uma doação ao PPS Nacional, "intencionada" à minha campanha para prefeitura. Até onde eu sei, não gastamos isso tudo. O que foi gasto está na prestação de contas. 

 
E o que eu acho de receber doação da Odebrecht ou de outra empreiteira ou outra empresa? Depende da empresa. 

 
Se a atividade dela for algo de natureza que me desagrada, não quero. Exemplo: indústria de armas, fabricante de cigarro, indústria tipo "Friboi" (parei de comer carne porque tenho compaixão pelos animais criados em cativeiro de modo cruel, mesmo que sejam abatidos de modo "humanitário", e porque a pecuária tem impacto brutal no meio ambiente). 

 
Se a atividade em si não for algo que eu desaprove, ok. E o doador que fique sabendo que não deve esperar NENHUM favor/favorecimento de minha parte quando eu for eleita. Porque essa ideia de que é inevitável - "ele doa querendo alguma coisa em troca e terá" - perpassa toda a política. "Não tem jeito, você entra lá, você se suja, se não fizer como eles querem ou eles fazem você não faz nada etc etc". Pois eu GARANTO: você vai ter mais dificuldades, fazer menos amigos e mais inimigos, perder apoio e aliados, mas ninguém é obrigado a ser desonesto. A pressão para ser é maior do que eu imaginava, confrontar os que querem que você faça parte é tenso (não estou falando só de dinheiro mas de vários tipos de desonestidade), mas fincar o pé é possível. 

 
Aliás, foi explicando isso para o representante de um grupo de empresários que eu perdi uma doação para a campanha à deputada federal em 2014. Nós nos encontramos no Ibis de Santana, ao lado da Ponte da Casa Verde, para um café. A expectativa deles era de que eu atuasse a favor deles na Câmara. Eu disse que poderia apresentar emendas para obras em municípios em que eles tivessem interesse em atuar SE FOSSEM OBRAS REALMENTE NECESSÁRIAS, tipo uma ponte em entrada em que realmente se trafega... E que eles naturalmente precisariam disputar uma concorrência como qualquer outra empresa. Eles concordaram, "Claro, não queremos fazer nada desonesto"!
Nunca mais ouvi falar deles. 

 
*** 
E por que a Odebrecht contribuiria com a minha campanha ou a de qualquer outra pessoa?
Não havendo segundas intenções (favorecimento), há pelo menos duas razões: 

1 - Não querer ser prejudicado (exemplo: tem governo que não paga por OBRA FEITA a menos que receba doação da empresa para a campanha de reeleição. Creiam, extorsão há tempos se tornou mais comum do que propina).

2 - Ser "equânime", isto é, poder dizer "ajudamos todo mundo". Para não criar caso com ninguém; para se livrar da desconfiança de ter preferências suspeitas (ainda que elas o sejam mesmo); para não ter encheção de saco (doa pra mim! doa pra mim!). Doa pra todo mundo (cargos majoritários, basicamente - para todos os proporcionais seria demais) e pronto. 

No meu caso, o mais provável é que tenha sido a categoria "doa pra todo mundo (ou "para os cinco ou seis primeiros") pra ninguém vir aqui chorar".



quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Um dia qualquer de campanha: "Você não vai se arrepender"

Pedi voto para um senhor com uniforme de gari que comia um cachorro-quente no trailer que fica estacionado em frente ao Parque Antártica. Ele me ofereceu uma música , com a maior boa-vontade. O refrão era: “Vota no PT, vc não vai se arrepender”. Pelo menos uma estrofe detonava a Marina. A moça do trailer prestou atenção no meu material e ficou constrangida, vendo que ia dar m.

Terminou a música, eu disse que era muito legal, ele tinha o maior talento, mas depois de muito votar no PT, me arrependi... Não foi pra isso que fiz tanta campanha... Partido fez o contrário de quase tudo que defendia... “Ah, mas fez muito pelos pobres, antes ninguém fazia nada”. “Não é verdade nem que ninguém nunca fez nada, nem que o PT fez isso tudo que eles dizem. Olha lá no Nordeste, a miséria que ainda tem lá... Falta Educação, Saúde, até saneamento básico!”

“Minha filha, eu sou do Nordeste... Lá a coisa mudou muito. Estive lá na casa da minha mãe, antes eles tinham de caminhar quilômetros pra pegar água e agora tem uma caixa-d’agua assim, sabe, e eles pegam água de lá”.

“Sei, uma cisterna! É muito mais fácil, rápido e barato, faz a maior diferença pra melhor, mas o governo preferiu gastar bilhões naquela transposição do São Francisco que não tá pronta e nem vai trazer o benefício que eles estão prometendo. Há muito tempo que se faz cisterna pelo Nordeste, desde antes do PT, e já era tempo de todo mundo ter, isso sim”!

“Mas minha filha, é muito problema, não dá pra fazer tudo de uma vez”!

“Já faz DOZE ANOS que o PT tá governo! O Fernando Henrique ficou 8 e a gente achava um ABSURDO o que ele ainda não tinha feito. Agora já foram doze e “não deu tempo”??

Ele sorriu, abanou a cabeça, “Olha, filha, gostei de você, você parou aqui pra discutir, mostrou que é uma pessoa de fibra. Pode deixar que eu vou votar em você e minha família também. Mas eu vou votar na Dilma”.

(Achei essas anotações soltas em um arquivo de word recuperado, por isso só apareceram aqui agora)

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Contas rejeitadas no TCE, candidatura impugnada no TRE. Por que? Explicações

Quando eu li “resultado deficitário em 139%”, SABIA que alguma coisa estava MUITO errada nesse cálculo


Razão citada pelo Promotor do Ministério Público Eleitoral, tirada do relatório do Tribunal de Contas que desaprovou as contas da Sutaco em 2011 e que justificariam, em sua opinião, a impugnação da minha candidatura (porque configurariam “irregularidade insanável por ato doloso de improbidade administrativa”):

- Resultado da Execução Orçamentárias deficitário em 139,88%

Quando eu li “resultado deficitário em 139%”, SABIA que alguma coisa estava MUITO errada nesse cálculo. Se estivesse certo, eu teria estourado o orçamento gastando mais do que o dobro do que tinha em caixa!?! Absurdo! Como isso teria acontecido?

No primeiro relatório do TCE sobre o assunto, informado “falhas” que deveriam ser esclarecidas (e foram, pelos funcionários de cada setor!), havia o quadro que anexei aqui. Acompanhem o tamanho do equívoco:



1 – A Sutaco é uma autarquia – órgão público que recebe recursos do Estado e também tem receita própria. Todo ano, a Lei Orçamentária estabelece a estimativa de receita e previsão de despesa, como em toda a administração pública.

2 – A receita própria da Sutaco é proveniente da venda de peças de artesanato em suas lojas e estandes e emissão de notas fiscais para vendas feitas diretamente pelos artesãos.

3 – Em 2011, a Lei previa que a Sutaco teria R$1,026 milhão de receita própria. Teve R$1.619 mi, ou seja, mais de R$520mil A MAIS do que o previsto. A principal razão foi a abertura, no segundo semestre, de duas lojas – uma na XV de Novembro, junto com a Imprensa Oficial, e outra na estação Vila Madalena do metrô. Antes havia apenas um ponto-de-venda no 3º andar do prédio do governo no centro da cidade.

4 – As despesas fixadas eram de R$4,056 milhões. Foram de R$3,885 mi. A economia foi de R$170 mil.

5 – Portanto: a autarquia teve receita MAIOR e despesa MENOR do que o previsto. (O que normalmente é considerado UM BOM RESULTADO!). Atenção: essa tabela foi reproduzida PELO PRÓPRIO Tribunal de Contas em seu relatório.

6 – A receita própria da autarquia é um complemento; o recurso público é a base de seu funcionamento. Funcionários efetivos, por exemplo, não podem depender de receita variável.

7 – Como a Sutaco ganhou (por conta própria) menos do que gastou no total, o TCE afirmou que a execução orçamentária foi deficitária!!! Que só não ficou no prejuízo porque teria sido “socorrida” com dinheiro público para se manter.

Um ABSURDO de raciocínio. Que induziu o Promotor a dizer que eu pratiquei “gestão temerária”, quando na verdade eu usei MENOS recursos do Tesouro!

!!!!

É ou não é pra querer largar tudo e abrir um boteco?

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Sobre o TRE: Acredito de coração que será revertido

Seja qual for o desfecho desse caso, é de dilacerar as vísceras a INJUSTIÇA de ter de passar por isso.



Passei a tarde no TRE ontem. Um nervoso como não me lembro de ter sentido recentemente. Me veio à cabeça o pavor antes de saltar de para-quedas e a tensão de um filme de tribunal em que você torce desesperadamente por alguém que nem existe.

Logo que cheguei à Sutaco, em fevereiro de 2011, ouvi do pessoal que trabalhava lá alguns problemas com o Tribunal de Contas que eram fruto da incompreensão da natureza da atividade da autarquia.

Cursos de artesanato, por exemplo, estavam suspensos há bastante tempo, para desalento de muitos interessados. A razão: não havia modo de atender à exigência do TCE por provas de “notório saber”. O Seu Tequinho, exímio no entrelaçamento de tiras de PET para confecção de bolsas e excelente professor, não tinha nenhuma titulação do tipo aceito por Tribunais de Contas.

Resolvi que faríamos uma seleção pública de oficineiros de artesanato. Consultados vários modelos de editais, travadas várias batalhas com a Procuradora da Sutaco, publicamos o chamamento de candidatos. Centenas de inscritos, montanhas de trabalho a mais para os funcionários – sobrecarregados mas felicíssimos com a retomada de uma das atividades mais desejadas.

Quando publicamos a lista dos selecionados, vieram demandas de cursos de tudo quanto é lugar do estado. Centenas de artesãos foram beneficiados – alguns, com a remuneração por hora-atividade; outros, com o aprendizado nas oficinas. Que aconteciam em presídios, unidades da rede de Saúde Mental, associações de bairro etc.

Outra “implicância” do TCE era com a “falta de tomada de preços” quando da participação em Feiras. Eles não eram capazes de compreender que, quando se decide participar da Feira Internacional de Artesanato de Florianópolis, não tem como comparar com preços de outras feiras em Florianópolis, porque aquela é a única Feira em Florianópolis. Não dava para locar 15m² de estande em outro galpão, de outro promotor de eventos – não havia outro galpão, outro promotor, outro evento.

Nesse caso só nos restava justificar a participação e era o que faríamos. Em 2011, estivemos em cinco ou seis feiras já tradicionais no calendário. Depois de algum tempo, cheguei à conclusão de que não valia a pena. O custo financeiro era muito alto (passagens, estadia, viagem do caminhão com a mercadoria etc); o impacto no funcionamento normal da Sutaco, enorme. A equipe era tão pequena que a ausência de 4 ou 5 por uma semana fazia a maior diferença. Suspendi as viagens, para frustração de alguns mas compreensão e concordância de quase todos.

Minha história na Sutaco foi assim. Tenho MUITO ORGULHO do que fiz lá – nos quesitos eficiência, eficácia e efetividade. Do dinheiro público que economizei, da valorização dos funcionários que encontrei lá, da receita própria que aumentei muito, do benefício muito maior para muito mais gente. Do estabelecimento de critérios mais objetivos para seleção de peças artesanais para nossas lojas. Da modernização de nossas instalações. Da retomada de atividades interrompidas. Da parcimônia na utilização dos recursos.

Mas agora tenho o Ministério Público Eleitoral me acusando de “gestão temerária” (ouvi isso durante a sessão), porque o Tribunal de Contas do Estado não aprovou as contas da Sutaco em 2011.

O TRE acatou o pedido de impugnação da minha candidatura e indeferiu o registro, mas felizmente é possível recorrer no TSE. Eu acredito de coração que a decisão será revertida. Mesmo. Mas seja qual for o desfecho desse caso, é de dilacerar as vísceras a INJUSTIÇA de ter de passar por isso. Vou depois, com mais tempo, explicar para os que realmente se interessam o que foi que o TCE alegou para desaprovar as contas e por que o parecer estava EQUIVOCADO – eu mesma teria explicado isso no Tribunal de Contas, mas não tive a chance de me defender.

Em resumo: trabalhei com absoluta honestidade e muita competência; as contas da autarquia da qual fui Superintendente foram desaprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado, por razões de que discordo e que faço questão de expor; ainda que se opinasse que o relatório do TCE está correto, o próprio não entende que tenha havido “irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa” – não pediram “reparação ao erário” (devolver dinheiro) ou sequer uma multa.

Agora é esperar pra ver. Fazer o que. Chorar de raiva não vai adiantar.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Política tributária - campanha eleitoral 2012

Uma entrevista:

Como lidar com a dívida do município?

Isso não é dívida, é escravidão. Ninguém em sã consciência aprova a indexação leonina e os juros cobrados sobre a dívida de estados e municípios. Calote, como a Marta decidiu, não darei - só nos prejudicou. Perdemos o direito ao juro mais baixo estabelecido na renegociação que vigorava então.O jeito é fazer pressão política pela repactuação. Tanto os governadores que procuraram o governo federal em romaria (inclusive do PT, PMDB e outros partidos da base) quanto o Grupo de Trabalho criado na Câmara (e coordenado por Cândido Vaccarezza - PT) fizeram várias sugestões - da substituição do índice ao investimento obrigatória de uma parte do que for pago em infraestrutura no próprio município. Haddad garante que a “presidenta” tem boa disposição para repactuar - só não a demonstrou até agora, em dez anos de governo do PT. Eu vou brigar junto com os outros prefeitos até conseguir. E acampar na frente do Planalto se precisar rsrsrs.

Outra entrevista:

IPTU PROGRESSIVO

No site, está a proposta "Onerar o uso especulativo de propriedades na região central, aplicando da lei que prevê o IPTU progressivo sobre imóveis sub ou mal utilizados; conceder incentivos e subsídios para investimentos privados em imóveis com esse perfil; empreender, isto é, produzir moradia popular na região central (reformar, edificar)". Como seria essa progressão de tributos, há ideia de percentuais? Implicaria aumento do IPTU para quem mora nos imóveis do Centro ou apenas para os vazios?

Os percentuais estabelecidos na lei 15234, aprovada em 2010 (Art. 7º Em caso de descumprimento das condições e dos prazos estabelecidos para parcelamento, edificação ou utilização compulsórios, será aplicado sobre os imóveis notificados o IPTU Progressivo, mediante a majoração anual e consecutiva da alíquota pelo prazo de 5 (cinco) anos, até o limite máximo de 15% (quinze por cento)). E ele só se aplica aos “proprietários do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado”.

Que tipo de incentivo seria dado para os que se interessem em construir moradias populares na região central?

Como prevê o Plano Diretor, como ação estratégica da Política Habitacional, pode-se “agilizar a aprovação destes empreendimentos, estabelecendo acordos de cooperação técnica entre os órgãos envolvidos”. Também pretendo conceder descontos em impostos (ITBI, IPTU), de modo semelhante aos da Lei 14.888, de Incentivo ao Desenvolvimento da Zona Leste e crédito facilitado e subsidiado para os compradores. É um Minha Casa Minha Vida melhorado, porque condiciona o subsídio à localização do imóvel e o atendimento aos ditames da boa política urbana.

DÍVIDA COM A UNIÃO

Defende a renegociação da dívida com a União?

SIM. Além de consumir parte significativa do orçamento, reduzindo absurdamente a capacidade de investimento e castigando o município pela eficiência na arrecadação e o consequente aumento de receita, a amortização é impossível com as regras em vigor. A dívida aumenta em vez de diminuir. A curto prazo, mesmo abdicando de todo investimento, os municípios sequer poderão das conta de suas despesas de modo a cumprir o estabelecido na Resolução 40 de 2001 no Senado. Estaremos todos condenados segundo a LRF e será o caos.

O que deve ser alterado e pelo quê? (o indexador, o prazo, o fluxo de pagamentos obrigatório)

O indexador, para começar, e a taxa de juros. Esses são os torniquetes que nos asfixiam; que tornam a dívida uma progressão geométrica impossível de conter. Também a percentagem obrigatória sobre a Receita, que é outra mordida de leão. Na pior das hipóteses, a alternativa já sugerida (implorada) por alguns governadores, que é o reinvestimento obrigatório de parte do que foi pago no próprio estado ou município. Prefiro as anteriores porque temos direito ao recurso gerado AQUI e necessidade de mais liberdade para investi-lo. A concentração da receita dos Tributos no nível Federal é absurda e o retorno para SP e os outros municípios é muito pequeno. Os municípios neste ritmo cada vez mais estarão de joelhos perante o Gov. Federal, dependendo da boa vontade ou simpatia do governante. Precisamos de uma reforma tributária com um olhar para onde as pessoas vivem.

Caso defenda a renegociação, os novos parâmetros adotados devem ser retroativos?

Sim, de preferência. Afinal, quando o governo Marta-Haddad deixou de pagar a parcela que venceu em 2003, perdemos o direito ao juro mais baixo estabelecido na renegociação anterior e o juro alto retroagiu. Faço questão de brigar por uma redução retroativa também.

Como conduziria essa negociação, caso eleita?

Juntamente com outros prefeitos, em articulação formal comunicada à imprensa e com romaria à Brasília...

IPTU

Pretende atualizar os valores da tabela do IPTU? Caso não, este é um compromisso de campanha?

Se atualizar significa avaliar e corrigir distorções, sim - para mais ou para menos.

RETIRADA DE TAXAS/DESONERAÇÃO

Pretende retirar alguma taxa hoje em vigor? Tem proposta de desonerar setores ou empresas para fomentar a economia local?

Sim - a TFE, por exemplo, que incide ridiculamente sobre empresas que sequer tem um “estabelecimento” propriamente dito. E sem dúvida desonerar setores e empresas, demarcando várias outras regiões da cidade em que vigorariam regras semelhantes às da Lei 14888, aquela do Incentivo à Zona Leste. É importante enumerar as atividades preferenciais para esses locais - de mão-de-obra intensiva, como o setor do Telemarketing, ou de áreas especialmente necessárias e promissoras, como a instalação de empresas ou cooperativas da área de reciclagem (inclusive as que adquirem material reciclável para beneficiamento - uma boa parte do que é recolhido é destinado a outros estados ou mesmo países); fabricantes de equipamentos voltados para a acessibilidade (muito do que é produzido para cegos e surdos é importado); projetos voltados para TI e Economia Criativa de modo geral.

Caso a resposta seja afirmativa, como seria compensada a perda de receita?

É possível calcular e demonstrar o benefício sócio-econômico-ambiental decorrente disso: criação de postos de trabalho, incremento da rentabilidade de cadeias produtivas como a da reciclagem, redução da necessidade de longos deslocamentos de casa para o trabalho com o consequente alívio sobre o viário e o transporte coletivo, entre outros.

Caso haja alguma proposta no âmbito tributário que não esteja contemplada, poderia elencar?

A concessão de incentivos para a adoção de “retrofit”, isto é, reformas que aumentem a eficiência energética e reduzam o impacto ambiental das edificações mais antigas; renúncia fiscal para doações feitas a Fundos de Fomento (à cultura, meio ambiente etc); analisar a possibilidade de implantação de tarifa para circulação de automóveis particulares no centro da cidade em horário comercial - vulgo pedágio urbano... - para alimentar fundo de investimento na melhoria do transporte coletivo. Descontos de impostos para atividades ligadas à produção de equipamentos médicos, de acessibilidade, de geração de energias renováveis e tratamento de esgoto no local da coleta, entre outros. Enfim, incentivar a inovação e eficiência.

Haddad descobrindo a pólvora - 1

Que não tinha nenhuma experiência política, sabíamos todos. Lula, aliás, sensível aos "apelos" pelo novo (devidamente embalados por João Santana a peso de ouro, com as fotos do Fernando "Antônio Banderas" Haddad e efeitos hollywoodianos no horário eleitoral), fez questão de escolher alguém assim - "sem rejeição", "não-político". Um novo poste, como a Dilma.


***
Haddad acreditava que tinha experiência administrativa por ter trabalhado na Secretaria de Finanças do governo Marta e principalmente por ter sido Ministro.

Ai que ilusão.

Ser chefe de Executivo é completamente diferente. E não tem nada mais difícil do que ser prefeito de uma cidade-monstro como São Paulo.

Em São Paulo, há muito mais à disposição do que em qualquer outra capital do país. Não só em serviços privados e atividade econômica, mas em equipamentos públicos também. O problema é que somos o centro de uma região metropolitana com 20 milhões de pessoas - dois Paranás ou uma Bahia e meia. E mesmo oferecendo mais do que vários estados juntos, temos essa demanda gigantesca (inclusive de gente do Brasil todo que precisa vir pra cá e vem).

***
Nos discursos de campanha, o PT é um dos muitos que dizem: "Como isso pode acontecer na cidade mais rica do país? Na cidade mais rica da América Latina? São não-sei-quantos-bilhões de orçamento anual, mais que não-sei-quantos-países".

É o per capita, estúpido.

Muito do que se arrecada aqui NÃO FICA aqui. Porque são impostos federais, que "sobem" direto, e ainda somos esfolados com os juros e a correção da dívida com a União.

***
Durante a campanha, eu e o Levi (!) falamos bastante da dívida, que é impagável. "Em 2012, pagamos 2 bi e a dívida aumentou em 4". O Gianazzi/PSOL é a favor do calote. Que São Paulo pare de pagar imediatamente, porque tem peso para isso, e que seja feita uma auditoria da dívida.

O Haddad prometia fazer acordo com o governo federal, dizendo ou insinuando que ninguém daqui tinha tentado.

Arrã.

***
Aqui, a página do meu programa de governo na candidatura de 2012 em que falo sobre questões tributárias.

Segue no próximo post.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Se vira

Não há creches em quantidade suficiente para atender as mães que precisam sair pra trabalhar. O agravante é que as mães que precisam de creches públicas são as que ganham pouco e, quase sempre, moram muito longe do serviço - isto é, saem muito cedo de casa e voltam tarde.

E a ironia é que muitas vão trabalhar como babás, cuidando dos filhos de quem tem muito mais dinheiro que elas.

Enquanto não há vaga para todas as crianças, as mães tem de se virar como podem. Deixam com o irmão mais velho, a avó, a vizinha. Ou sozinhos.

Como se não bastasse... Quem já tem creche descobre, de uma hora pra outra, que não tem não!


http://g1.globo.com/videos/sao-paulo/sptv-1edicao/t/edicoes/v/falta-de-pagamento-de-salarios-compromete-atendimento-em-creche-no-itaim-paulista/2611580/

A reportagem se ateve ao "ele disse, ela disse" e não apurou os fatos como deveria. O problema é na prestação de contas? Qual, exatamente? Quanto tempo pode levar até resolver essa situação? A creche corre o risco de ser descredenciada ou o problema tem solução?

E a prefeitura, enquanto não resolve a pendência, não pode simplesmente deixar as mães desassistidas! Ela tinha de pagar para os filhos ficarem em outro lugar - com uma cuidadora (e uma que comprovadamente tenha condições de ficar com as crianças, e não a primeira que se dispuser a isso porque precisa de dinheiro) ou em uma escolinha particular.

Aliás, na minha proposta de governo, a Secretaria Municipal de Educação deveria arcar com essas despesas(cuidador e/ou escolinha) para TODAS as mães que aguardam em lista de espera por uma vaga na rede pública. Chamem isso de "mães crecheiras", "bolsa creche", como quiserem.

Pelo menos dois vereadores do PT - dois Tatto, o Arselino e o Jair - apresentaram projetos de lei criando a "Bolsa creche". Nos últimos 3 governos e no atual - ou seja, dois deles são do PT -o Poder Executivo não fez a menor menção de levar adiante. O Programa de Governo do Haddad, o Plano de Metas e o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias não tem nada relacionado ao assunto, só planos para fazer não sei quantas mil creches até o fim do mandato.

Enquanto isso, prezadas mães... Se virem.

***
Recuerdos:

Meu programa de governo em 2012 no capítulo "creches":
http://propostasoninhafrancine.wordpress.com/2012/09/18/creches-2/

Em 2008, eu já dizia que, se não resolvermos a distância casa-trabalho, nunca haveria creches atendendo as mães como se deve
http://gabinetesoninha.blogspot.com.br/2011/09/recuerdos-de-2008-2.html

Aqui, eu critico os "especialistas" que criticam o modelo de creche conveniada ou de "bolsa-creche", apostando que eles não tem filho pequeno, nunca tiveram ou nunca tiveram de procurar vaga pra eles no sistema público...
http://gabinetesoninha.blogspot.com.br/2012/08/ma-voces-tem-filho.html

Aqui, a imprensa fazendo propaganda grátis do Haddad, sem ao menos verificar os números que ele mesmo já usou durante a campanha eleitoral (quanto mais os números reais...)
http://gabinetesoninha.blogspot.com.br/2013/04/propaganda-gratis-mais-uma_16.html

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Antes do golpe

Nome de trabalho

O PSD "do Kassab", ao constituir-se como partido, causou o maior desfalque na oposição. Recebeu gente do DEM, PSDB, PPS nas Câmaras Municipais, Assembleias e no Congresso, sem falar em prefeitos e governadores. De um dia para o outro, tornou-se a quarta maior bancada na Câmara Federal. Conforme entendimento da Justiça Eleitoral, os deputados que mudaram de partido puderam "carregar consigo" o tempo de TV e a fração correspondente do Fundo Partidário.

Eis que agora que se anunciam novos partidos do campo da oposição - ou ao menos de fora da base do governo, como a Rede e aquele formado pela união do PPS com o PMN - o governo manda desarquivar uma emenda que impede essa transferência.

Explicando melhor: o Fundo Partidário é dividido entre os partidos conforme o tamanho de sua bancada federal (ou seja, quem já é maior, tem mais influência e poder também recebe mais $ do Fundo. Complicado...). O tempo de televisão também.

A discussão relativa à fundação do PSD foi a seguinte: o tempo e Fundo destinados aos partidos que perderam parlamentares para ele seria calculado conforme o número de deputados eleitos em 2010 ou em função dos que restaram? O PSD, que nem existia portanto não elegeu ninguém em 2010, teria direito proporcional ao tamanho da bancada recém-criada?

Ganhou o PSD, e para a oposição, as cascas das batatas. O novo partido naturalmente passou a ter ainda mais valor como aliado nas eleições municipais, em que o mardito tempo de TV vale mais que platina. E no Brasil todo o PSD foi PT, exceto em São Paulo, onde o fundador fingiu lealdade ao Serra.

Mas agora, casuisticamente, botaram em pauta e apresentaram requisição de urgência para evitar que os novos partidos tenham a mesma possibilidade.

PPS e PMN já se fundiram no MD, Movimento Democrático (nome de trabalho rs). Mas e os outros que virão? E aposto que, mesmo tendo sido criado antes da quase certa aprovação da lei (oposiçao no máximo vai conseguir obstruir por um tempo), o MD vai ter de lutar pelo Fundo + tempo a cada deputado que se filiar depois da lei. Tomara que eu perca essa aposta.

(Governo mobilizou mundos e fundos (?) para ter o quórum para aprovar hoje a Emenda. Por isso também o PPS e o PMN tinham de decidir logo. Foi tenso, como tem de ser quando um partido não engole um "consenso" fabricado. Resistências, preocupações e discordâncias foram manifestadas, mas a maioria teve segurança e disposição de participar da criação de um novo partido. Queremos ser maiores para sermos mais fortes na oposição; que venham os que desafinam o coro dos contentes dos partidos em que estão agora)

domingo, 2 de dezembro de 2012

Tentativa suspeita

Sábado, 7 da noite, preciso de um táxi para o aeroporto (Guarulhos). Liguei para DEZ números, nenhum podia me atender de imediato.

#IMAGINAsabeoque.

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Perdi o voo. A moça do balcão da Gol correu, MESMO, para ver se a supervisora autorizava meu embarque - nem bagagem eu tinha, podia sair correndo também e encontrar o pessoal no portão 14-A, logo ali.

Nada feito. "Os documentos já passaram todos pela PF e Anvisa, nao tem como incluir mais nenhum".

EU estava atrasada, ELA foi incrível, mas era como se ELA estivesse se desculpando. Deus abençoe os seres humanos de boa vontade nesse mundo cruel dos aeroportos.

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"Moça-do-balcao-da-gol-no-caos-aéreo" é como eu definia o trabalho de Subprefeito. O mundo está desabando, os aeroportos vao explodir, as companhias aéreas não dão conta, há uma fila de aviões fazendo "oito" porque não têm onde pousar, a moça do balcão não tem culpa nenhuma nem a menor possibilidade de resolver alguma coisa, mas é ela que está ali no balcão, podendo no máximo tentar organizar a fila. E é ela quem volta e meia toma um soco de um passageiro enfurecido.

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O moço da loja de passagens da Gol, onde fui tentar remarcar a minha, também foi ótimo - e também nao podia fazer nada por mim, a nao ser dar o telefone da central Smiles.

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Depois desse tempo todo, consegui obter uma resposta da central Smiles por telefone: "Você tem de entrar no site".

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Depois de muito enfrentar o site - enfrentar a falta de um quadradinho onde marcar um "x" embora ele dissesse que você nao podia prosseguir sem o "x"; enfrentar as letras cinzas e os campos inalteráveis, embora ele dissesse que eram campos de preenchimento obrigatório - encontrei, no parágrafo quinto de um contrato que a gente diz que leu e concorda mas nao lê porque é chato e longo pacarai e corre o risco de cair a conexao antes de terminar e você ter de começar a compra tudo de novo, a informaçao: "Em caso de no show para reservas feitas a partir de maio de 2012, as milhas usadas e o valor pago são perdidos".

PERDIDOS.

Nao tem multa, nao tem transferencia. Babau. Perdeu, playgirl.

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Depois eu choro, depois eu brigo, agora preciso remarcar minha passagem. SURPRESA! Em TRÊS minutos eu consegui comprar uma passagem nova com mais algumas milhas do meu estoque. Lo que sea.

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6h15 passou na minha casa o táxi agendado de véspera (Ligue Táxi, taxa de agendamento = R$8 e uns quebrados), 6h40 peguei o EMTU bonitao que sai da Praça da República. R$35, informaçao certa no site e pontualidade na partida.

De dentro do boteco na esquina, o balconista me reconheceu e cutucou o colega - "É ela, olha lá". Cumprimentaram sorridentes. Nos últimos dias do primeiro turno, ganhei quatro votos ali quase por acaso.

Tinha parado para um café antes de fazer campanha na feira de artesanato da Praça e percebi, atrás do balcao, uma movimentaçao que nao é rara: É ela, ela quem, Soninha, que Soninha. Ao entregar o pingado, o moço perguntou se eu era quem ele achava que eu era (e, na conclusao habitual da cena, o colega atrás dele: "Nao te falei?")

"Você é aquela que é evangélica"? Percebi que ele estava me confundindo com a Marina. "Nao, eu sou budista"."Ah, tá. O rapaz ali diz que vai votar em você, mas eu sou muito sincero, eu voto no Russomanno. Eu e minha família".

Eu pensei que ele tinha ficado desapontado, mas fazer o que? Eu nao sou a evangélica.

O César, no entanto, teve um insight. "O senhor é o que? Evangélico"? Levemente ressabiado, respondeu quase prevendo cara feia: "Eu sou do candomblé".

"E vai votar no Russomanno? Ele é o candidato da Universal!"

"Ele o QUE?"

"Ele é candidato do Partido da Igreja Universal. O PRB".

"Ele é? Eu nao sabia! Perdeu meu voto. Perdeu meu voto. Dá seu número aí que lá em casa você ganhou quatro votos".

Posso apostar que o Russo nao tem preconceito com religioes de matriz africana - como SEI que nao discrimina homossexuais - mas quando as lideranças do seu partido o fazem... Sobra.

***
O ônibus tem um problema bobo (isto é, fácil de resolver) que pode ser de um tremendo incômodo: o desembarque é na Asa A. O passageiro pode ter de ir até a D... Em dias de saguao lotado, um belo incômodo. Em momentos de pressa-desespero, mais ainda. Em caso de dificuldade de locomoçao, #quedó.

Aliás, vi muita gente com dificuldade: idosos, um moço de pé quebrado, uma moça cheia de malas e crianças. Tem carrinho de bagagem mas nao vi uma mísera cadeira-de-rodas ou carrinho de bebê para uso compartilhado. Tem?

***
Na sala VIP da American Express (#adoro - suco, mokaccino, brigadeiro de copinho) a moça perguntou, depois de tomar coragem e se ver sozinha comigo no corredor do banheiro: "A sra nao é a Soninha? Minha colega que reconheceu".

Disse que passa muita gente conhecida ali, mas "tem uns que nem olham na cara da gente". "Mas veio um que eu nao sei quem é porque nao acompanho corrida, só sei que disseram que ele é um dos melhores pilotos, um loirinho, e ele brincou com todo mundo, tirou foto, cumprimentou um por um".

A fila do banheiro tinha ganhado mais uma aguardante, que entrou na conversa: "Eu nao sou de pedir autógrafo essas coisas, mas uma amiga minha foi falar com um cara da Grande Família e ele foi tao grosso, mas tao estúpido. Um Pedro... Pedro..."

***
A capa da revista de bordo era a Astrid. Ê, Astrid... Nestes dias de limpar guarda-roupa e mandar pilhas de coisas para bazares e brechós, lembrei das MALAS de roupa que ela me dava quando nao queria mais. Coisas de marcas que eu jamais teria. Acho que devo ter alguma peça até hoje. :-)

E nao foi só isso. Ela foi muito bacana comigo sempre, fazia questao de me dar moral e fazer meu cartaz com a chefia. Ela era brava. Mas reconhecia a molecada esforçada e esperta. E tinha aquele faro-radar-feeling extra power para detectar quem-gostava-de-quem; descobria de quem eu gostava e quem gostava de mim antes mesmo que nós dois soubéssemos rs.

As primeiras vezes que eu "apareci na TV" foram por obra dela. Um dia, dirigia a gravaçao do Disk MTV no switcher e a interrompi para corrigir um erro qualquer. O som da minha voz no alto-falante do estúdio deu um efeito engraçado e a Astrid começou a usar isso de propósito - no meio do programa, gravado ou ao vivo, dizia que ia recorrer à "voz de deus" para tirar uma dúvida - aí me chamava: "SONINHA!". E tirava um sarro, dizendo que eu sabia tudo, podia perguntar qualquer coisa.

Dali a um tempo as meninas que assistiam o Disk mandavam cartas para a Astrid e para "a Soninha", que só existia como voz em off vindo do Além (se soubessem que era da CSABC, no 3o andar intermediário, nao veriam muita diferença).

E dali e dois ou três tempos foi que eu virei apresentadora também.

***
Desembarquei no Aeroparque - experiencia parecida à de chegar a Sao Paulo por Congonhas, vendo a cidade muito mais de perto a caminho do pouso. Vim para o Hostel sem pressa, caminhei pelos arredores, tirei um milhao de fotos. Amanha, quem sabe, eu publico.

Quem sabe.

#Óciovagabundo.

***
Ah, "tentativa suspeita de acessar sua conta", foi o que o Google me avisou, porque alguém estava tentando entrar no meu email de um lugar nunca-dantes. Fofo. #alguémsepreocupacomigo <3 br="br">

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

"Cara-de-pau" pode, né?

Entrevista com Haddad no começo da semana (ao jornal Metro)

*O Orçamento para 2013 foi revisto? O valor passou de R$42 bilhões para R$39 bilhões?
Ainda não recebi essa informação da equipe de transição. Cheguei na sexta-feira e preciso me inteirar sobre isso.

>>> 1) Chegou DE PARIS. #imaginesesoueu. 2) Chegou na SEXTA e até SEGUNDA ainda não tinha "se inteirado disso". Aproveitou o fim-de-semana pra descansar da viagem, né?

*Quais medidas serão priorizadas no 1º ano do mandato na educação?
Reduzir o déficit de vagas nas creches. Hoje, esse número é de 145 mil vagas. Além disso, é preciso investir na formação dos professores. Vamos adotar um programa on-line de aperfeiçoamento e oferecer bolsas de mestrado e doutorado.

>>> 1) Sobre a "aprovação automática" e a quantidade de adolescentes que estão há anos na escola e mal sabem ler e escrever, nada? Pra mim isso era TÃO URGENTE quanto a falta de vaga em creche - para a qual eu tinha uma solução de emergência também (pagar "bolsas" em berçários e escolinhas particulares ou selecionar, treinar, contratar e supervisionar cuidadoras). Aqui eu falo do mutirão de recuperação e aqui sobre as creches. 

*E para os transportes?
Colocar em andamento a licitação para construção de 150km de corredores de ônibus e adotar o Bilhete Único Mensal. São medidas que terão impacto direto na vida da população.

>>> 1) Sobre fazer funcionar direito os corredores que já existem, nem uma palavra? Se eles continuarem sendo congestionamentos de ônibus, não resolve. Minha proposta - que não tem nada de novo, é a aplicação do que técnicos em transporte estão cansados de saber, testado e aprovado em outros lugares - estava aqui. 2) Opa, o Bilhete Único Mensal sai no primeiro ano, então? Porque no primeiro dia da eleição ele disse que ia ficar para 2014.

***
Na matéria ao lado da entrevista - cujo título é "Netinho de Paula será secretário" ("Gosto muito dele", diz o prefeito eleito) - tem isso também:

"Em relação ao reajuste da tarifa de ônibus, que deve ser adotado no início de 2013, Haddad diz que irá cumprir sua promessa de campanha de adotar a inflação acumulada como teto para a revisão da passagem. "O Jilmar Tatto está debruçado sobre as planilhas para avaliar todas as possibilidades possíveis. É preciso lembrar que essa decisão tem um peso direto no bolso do trabalhador", afirmou Haddad".

>>>>Ah, vá. 

"Pelas contas da equipe de transição, para não aumentar a tarifa acima da inflação, o prefeito eleito terá de repassar R$1 bilhão para subsidiar as empresas de ônibus da capital".

>>> POIS É. Quando encontrei o Zaratini nos bastidores da Gazeta e fui tirar algumas dúvidas sobre o Bilhete Mensal - relacionadas à VIABILIDADE e REAL BENEFÍCIO DA BAGAÇA PARA OS MAIS POBRES - perguntei:
"Quanto isso vai significar a mais em subsídio". 

"R$400 milhões/ano". 
"E agora são...". 
"R$600 milhões".
"Então com o Bilhete Mensal vamos ter R$1bilhão por ano em subsídio".

"Isso". 
POIS É 2. O que é gasto apenas para manter o sistema operando é dinheiro que vai fazer falta para investimento em ampliação e melhorias.
Agora a equipe de transição vê que SEM o Bilhete Mensal o subsídio já vai pra 1 bilhão. 
Minhas propostas para a tarifa estavam aqui... 

>>> No mesmo dia, foi divulgado o ranking que mostra o Brasil, esse país glorioso cheio de autoestima, carros zero e dívidas, em PENÚLTIMO lugar em uma lista de 40 países. Quero só ver se algum desses jornalistas que se derretem pelo Haddad (o que tem de mulher suspirando por ele nas redações é uma grandeza; homem não sei) vão botar um gravador na cara dele para perguntar o que ele tem a dizer sobre isso. 

HMPF.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Eu, Adjetiva

Deu na Carta Capital. Tava com uma preguiça doida mas acabei lendo (um monte de gente me mandou o link) e comentando (no texto, em itálico).



A adolescência política
31.10.2012 10:01

A eleição de 2012 transformou ‘Soninha’ em adjetivo

Não deixa de ser uma contradição. O País que se gaba de ter um dos mais modernos e eficientes sistemas de votação e apuração é ainda um adolescente quando o assunto é maturidade política.
>>>Ah, vá.
Há três dias, desde o fim da campanha eleitoral, pipocam por todos os lados, em todas as bandeiras partidárias, sintomas graves de que não estamos perto, mas nem um pouco perto, de cravar, ao menos desta vez, que vivemos num sistema permanente de aprimoramento democrático. Neste mundo ideal, ainda distante da realidade, vencedores governam, oposição fiscaliza e o contraditório impele a avanços, não a rancores. Tese, antítese e síntese é tudo o que não se vê no rescaldo eleitoral.
>>>De acordo.
 Pelo contrário. A depender das declarações públicas recentes, estamos mais próximos de transformar em adjetivo um tipo de candidato e eleitor que mostra as garras, com métodos cada vez mais rudimentares, a cada dois anos. É o candidato/eleitor “Soninha”, que em 2012 se transformou em sinônimo de quem se treme diante do contraditório, perde a compostura quando não tem mais argumento, e é adepto do “quanto pior melhor”. (Vide “ave de agouro”, “piti”, “#mtoloco”, “sinais dos tempos”).
>>>> “Treme diante do contraditório”? Putz, é de mim mesmo que ele está falando? Sério? 
Sinceramente, imodestamente, não conheço ninguém  tão disposto a debater, argumentar, defender pontos de vista civlizadamente quanto eu - da legalização do aborto e da maconha às razões pelas quais eu saí do PT; da importância de se considerar a bicicleta como meio de locomoção desejável e viável à desaprovação ao governo federal. Tudo eu explico por que, em qualquer ambiente...
Pra defender o voto no Serra no segundo turno, por exemplo, tive de ouvir “argumentos” do tipo “Você só quer garantir uma boquinha para você e sua família”; “o PPS é servil ao Nosferatu”; “sua patricinha da Vila Madalena, o que você conhece de São Paulo?” etc.
Quanto às aspas e hashtags usadas como exemplo do “quanto pior melhor”... Não entendi. Talvez seja referência a posts anteriores. Meu aí tem o “mtoloco” - vale a pena retomar a história? Qdo eu achei “mtoloco” estar numa linha do metrô que funcionava na mais absoluta normalidade enqto estava um caos na outra, e nas redes sociais chegaram  à conclusão de que eu estava “desdenhando do acidente” e “defendendo o governo tucano”?
“Ave de agouro” foi uma expressão usada pelo Lula para se referir à oposição.
Em outras palavras, é o candidato/eleitor que se comporta durante o processo de sucessão como quem berra numa arquibancada de futebol. Que, a dois meses da posse de um prefeito eleito, deixa claro o quanto torce para que tudo dê errado. E que, no primeiro tropeço do candidato eleito, não contém o sorriso para dizer “bem-feito, eu avisei”.
>>> Sim, fui candidata e SOU eleitora. E às vezes berro na arquibancada, como todo mundo. Ou é direito de alguns torcedores-blogueiros, torcedores-jornalistas e não de outros?
E quem pode definir o “primeiro” “tropeço” do candidato eleito? O que é “tropeço”, qual é o “primeiro”? Pra mim, o candidato já “tropeçava”  antes de eleito, oras. Prometendo coisas que não seria capaz de cumprir - se é que isso é um “tropeço” e não uma... trapaça, o que é muito mais grave.
Aí o candidato eleito diz que duas duas  principais promessas/trunfos de campanha não são para o ano que vem, mas para o segundo ano de mandato.
E a oposição não pode pegar no pé?
Parece aquele cara que toma uma multa por passar no sinal vermelho a 100 por hora e depois diz: “Pô, eles só querem multar, não orientam!”.
A oposição, no “mundo ideal”, deve “fiscalizar”. Mas não pode sorrir e dizer “eu avisei”?
Hmm.
E aposta que, se 10% das obras prometidas pelo rival estiverem prontas, faria no corpo uma tatuagem do “inimigo”.
>>> Aposto. Pode não? Depois de 10 anos de obras do “PAC” ridiculamente atrasadas, não posso colocar em dúvida a capacidade administrativa do prefeito eleito? Não posso considerar que sua promessa de “Arco do Futuro” é tão fantasiosa quanto era a do Fura-Fila na campanha do Pitta? Não posso levar em conta que os “novos campi” das Universidades Federais entregues pelo prefeito eleito até hoje são “puxadinhos”, pouco melhores que “escolas de lata”?
O eleitor/candidato Soninha não é só sintoma de um sistema imaturo. Ele é o adolescente político. E, como adolescente, não se sente representado por quem governa sem o seu voto e manifesta rebeliões das mais eficientes: bater o pé, chorar, dizer “não, não e não”.
>>>> “Não se sente representado por quem governa sem o seu voto”. Uai, sou obrigada? Sou obrigada a reconhecer como prefeito, governador, senador, presidente, aquele que foi eleito. Mas não a me “sentir representada”.
Adepto do “nós contra eles” (discurso corrente também em alas petistas), o candidato/eleitor Soninha pensa que, como no futebol, a vitória nas urnas representa a automática eliminação do adversário num sistema mata-mata.
>>> Eeeita, não seria esse o pensamento corrente de quem ganhou a eleição? De quem fazia contagem regressiva para “a morte política de José Serra” e agora escreve seu “obituário”, como a Carta Capital?(tá na capa da última edição).
A doença atinge inclusive ministros que, diante da crise de segurança do governo “rival”, corre para dizer: “eu ofereci ajuda, não pegou porque não quis. Bem-feito”.  
>>> O Haddad, por exemplo, fez isso - e quem vira adjetivo sou eu?
Atinge também mesários que, ao ver um ministro do Supremo Tribunal Federal que não vota como ele quer, parte para o “método CQC” de conscientização política: o método que esculacha, não informa, confunde alhos com bugalhos e criminaliza o sistema ao repetir velhos chavões. Porque, para o adolescente político, não basta divergir do contraditório. É preciso eliminar tudo o que o representa.
>>> “Mesários”? UM sujeito foi mordaz e mal-educado com o Lewandowski, mandando um abraço para o José Dirceu. Outro recusou-se a estender a mão para cumprimentar o Russomanno. “Atinge mesários” é um pouco demais para reforçar a tese da adolescência e imaturidade. E mesários, em todo caso, não são funcionários da Justiça Eleitoral ou coisa que o valha - são cidadãos comuns convocados para trabalhar um dia. Comparar “mesários” com “ministros” também é um exagero sem tamanho.
É o caldo que permite o protesto indignado (e seletivo) de quem acusa quando há suspeita, condena quando tem acusação, pune quando há julgamento e cobra o direito à eliminação, de votar ou respirar, de quem está julgado, condenado, punido.
Nas redes sociais, o eleitor Soninha nada de braçada. Por exemplo: bastou o prefeito eleito de São Paulo explicar que o bilhete único mensal pode ficar para 2014, em razão do rito democrático básico – apresentação do projeto, apreciação pela Câmara, detalhamento de orçamento, aprovação e sanção – para propagar seu grau de diferenciação política. “Parabéns pra você que acreditou em um partido condenado por ser uma quadrilha”.
>>>>Pois é, “bastou”... Durante a campanha, o “rito democrático” foi solenemente ignorado diante da promessa do Paraíso nos transportes... Tanto é que, seja em 2013, 2014 ou 2020, tudo isso tem de acontecer: apresentação do projeto, apreciação pela Câmara, detalhamento do orçamento... E enquanto  eu dizia, durante a campanha, que o Bilhete Mensal não era assim a maravilha simples que eles prometiam E EXPLICAVA POR QUE, a propaganda eleitoral dizia “eles são contra o Bilhete Mensal porque não gostam dos pobres e governam para os ricos”.
Argumentação madura, civilizada. Ô.
Se você é dessas correntes, caro leitor, você é também um sujeito Soninha. Você não entendeu nada do que foi o “mensalão” e nem tem ideia de como funciona uma eleição. E se você acredita também que só a alienação leva à vitória do candidato A, e não do seu querido B, talvez devesse conversar com eleitores de fora de sua bolha. É o método mais eficiente de se combater a alienação – a sua.
>>>>”Sujeito Soninha” = alienação. Fantástico.  
Porque o mundo real, este que permite tragédias como o chamado “mensalão”, é de todos, e não do seu rival, e só a lógica da arquibancada permite o elemento irracional do “nós contra eles”. A lógica da vida democrática, não.
>>>> “Tragédia”? Parece até que a gente está falando de um “hurricane”, uma força da natureza que acomete o planeta e não há nada que possamos fazer a não ser limpar o estrago. O “mensalão”  foi uma prática criminosa, sistemática, conduzida no seio de um governo de modo a corromper pessoas, partidos, instituições. “O mundo real é de todos”, mas o “mensalão”  não é. Que é isso, devemos todos ser condenados pelo que o governo praticou? Ou, se não for pra condenar o mundo todo, que não se condene ninguém?
E, eventualmente, na vida democrática, acontece um “nós contra eles”. Em um segundo turno, por exemplo. A “lógica” seria as pessoas poderem adotar posições, inclusive “contra eles”, “contra todo mundo”, sem serem condenadas por isso.
Quando você transfere um método para o outro, você passa longe de espalhar consciência política. O que você faz é reduzir o mundo entre bons e maus, “tucanos elitistas que não gostam de pobres” de um lado e “pobres petistas comprados por benesses eleitoreiras” de outro.
>>> De acordo.
Sim, porque para cada tucano que contém o sorriso ao ver um ex-ministro petista condenado há um petista feliz diante da atual crise de segurança em São Paulo. A lógica do “nós contra eles” é sintoma, e não patrimônio partidário.
>>>> De acordo - em termos. Comemorar uma condenação na Justiça pode ser revanchismo e  rancor mas pode ser “apenas”  a satisfação de ver as instituições democráticas funcionando e que não houve, nesse caso, impunidade - apesar do status do réu. Outra, BEM diferente, injustificável sob qualquer ponto de vista,  é regozijar com uma onda de violência porque ela demonstra um fracasso do governo tucano. Absurdo comparar as duas coisas. Que seja a comemoração de um petista feliz com a condenação de um “demo”.
O Brasil pós-ditadura completou em 2012 quase 30 anos de tradição. Já passou da hora de abandonar a puberdade.
>>> E a patrulha. Ainda mais quando hoje ela assume, como antes de democracia, ares governistas. É feio fazer oposição ao PT.

[Enquanto isso, o presidente do partido do governo federal comemora o “cinturão vermelho” em torno da capital, como se falasse de um jogo de War. E o ex-presidente da República diz, em programa popular na TV aberta, “não podemos deixar o PSDB governar de novo este país”. E  a adolescente imatura que  não suporta o contraditório sou eu].

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

E o Malafaia?

Coletânea de perguntas & respostas sobre Malafaia, Telhada, Maluf, conservadores, reacionários, corruptos... Incluí o link para o texto original, mas a reprodução aqui é idêntica.

1 - http://ask.fm/SoninhaFrancine/answer/7468321351

Soninha, aliança com Malafaia, Telhada, truculência com jornalista (hoje foi o K Alencar), isso é fazer diferente? É isso que você quer representar?

Claro que não. E se eu não puder mais condenar as atitudes de pessoas e partidos que fazem parte da minha aliança, saio fora do PPS. Uma das coisas que me desgostava no PT era a defesa "incondicional" (palavra sempre usada) de tudo que fosse "do nosso lado" - qualquer meganha, qualquer safado, empresário corrupto, oligarca, feitor de escravos, prefeito ladrão... O PSDB defende pouco os seus; o PT defende demais.

2 - http://ask.fm/SoninhaFrancine/answer/10678230855

Considero contraditório alguém criticar aliança com Maluf com tanta veemência, enquanto está de mãos dadas com um charlatão do tipo Malafaia. Contraditório e hipócrita, me desculpe.

Então me diga você: 1) Qual o papel do Maluf e o do Malafaia em cada aliança? (Respondo: um é deputado federal, dirigente de partido político, ALIADO de fato; o outro é apoiador. São pesos completamente diferentes). 2) O Maluf é um político que o PT acusou a vida toda - E NÃO ESTAVA ERRADO - de corrupto, de alguém a serviço dos piores interesses. De mentiroso. Ele foi prefeito e governador e deixou a cidade em frangalhos. Ele roubou dinheiro público (me processem, se for o caso).
3) O Maluf por acaso tem opiniões mais progressistas que o Silas Malafaia? Desde quando??? E o Chalita? E o Jair Bolsonaro, do partido do Maluf? E o suplente que assumiu o lugar da Marta no Senado, que votou A FAVOR do Dia do Orgulho Heterossexual? 4) A DIFERENÇA DECISIVA É O SEGUINTE: para ter apoio de conservadores, o PT RECUA de suas bandeiras. Tira projetos de pauta, manda recolher o kit-anti-homofobia. Para ter apoio de chantagistas, o PT CEDE às chantagens. Dá lá um ministério pra um, uma estatal pra outro. Deu dinheiro pra vários (vide Ação Penal 470). Ou o Maluf apoia desinteressadamente? Odeia tanto o Serra que abraça até o PT? Pode até ser, mas acho que suas convicções políticas não superam outros interesses... O Serra não recua e não fica só no blablabla. A Marta sai na Parada Gay, mas quem criou a Coordenadoria da Diversidade Sexual foi ele . Aliás, ele E O ALCKMIN fizeram mto mais do que os governos do PT. RESUMINDO, se precisar: o Maluf é um aliado político que não tem biografia, tem ficha corrida. A aliança do PT tem vários reacionários e conservadores, inclusive o Maluf. O Haddad já deu mostras de que não peita aliados conservadores e nem resiste às armações do PT.


3 - http://ask.fm/SoninhaFrancine/answer/10675411783

Soninha, como é estar lado a lado na campanha com Silas Malafaia? Ele é menos nocivo que o ex-político em atividade Paulo Maluf. Tem certeza disso?
Certeza absoluta. Todas as opiniões conservadoras ou reacionárias que o Silas tem, o Maluf também tem. Mas o Maluf foi defensor ardoroso do regime autoritário, muito além da mera defesa de posições conservadoras em relação a questões de comportamento. E ele diz com a maior tranquilidade que não foi ele que mudou; ele está onde sempre esteve, foi o PT que mudou. Foi prefeito e governador e fez obras "hiper"faturadas; mesmo que não tivesse roubado um tostão de dinheiro público (arrã), colhemos hoje resultados de coisas estúpidas que ele fez e de tantas outras que deixou de fazer - na Saúde, no transporte coletivo etc. O Silas é líder de uma igreja; o Maluf, dirigente de um partido político. E o mais importante: dos dois lados tem gente "ruim" (ruim mesmo), gente desonesta, gente com posições "reaça". A diferença é o cabeça de chapa: o Haddad (e o PT) já demonstrou mais de uma vez que se encolhe, recua, abre mão para não "desagradar a base" - imagine a Dilma dizer que ia recolher o famoso kit porque "o governo não tem de fazer propaganda [sic] de opção sexual [sic]" (ela disse). Já o Serra, no governo, faz o que tem de fazer. Criou vários órgãos de defesa de direitos dos homossexuais, por exemplo, mesmo que isso contrarie alguns de seus aliados. Então não só o Serra é mais competente, é muito mais determinado em não ceder a chantagens da base, muito mais obstinado em confrontar interesses de pequenos grupos se isso for preciso para garantir direitos coletivos.


Eu nao sou seu eleitor, mas admiro sua transparencia. Entretanto fiz duas perguntas respeitosas sobre o que voce acha do Cel. Telhada e do Malafaia e voce nao respondeu. Eu tenho a impressao que voce so responde os criticos seus que falam feito babacas, assim parece que todos sao assim.
Eeeita, já respondi várias vezes sobre o Telhada e o Malafaia. Telhada: representa o oposto de tudo o que eu acredito em segurança pública. Malafaia: deus que me perdoe, mas é um fanfarrão. Que resolveu apoiar o Serra alegando ser contra o kit-gay do Haddad - sem se dar conta que quem retirou o kit-gay de circulação foi o Haddad (e a Dilma), e quem tomou várias atitudes em defesa dos direitos LGBT foi... o Serra. Na prática, o que acontece é o seguinte: o PT deixa de lado bandeiras históricas para não perder apoio dos conservadores no governo (Marcelo Crivella & outros). O Serra faz o que acha que deve ser feito, apesar da resistência dos conservadores. É só ver o que ela bancava na época do combate à Aids e td que fez pelos homossexuais na prefeitura (e tb o Alckmin no governo).


Oq vc acha do Silas Malafaia? Acho que ele quer se aparecer, adora fazer uma polemica. Ele que é a besta do apocalipse. Um dos principais mandamentos é amai-vos uns aos outros. Cade? nao vejo. Só sabe incitar o ódio, parece que tem algo a esconder... É prepotente, e só sabe fazer ataques.
Também não gosto dele. A própria igreja dele tem lideranças muito mais sensatas, esclarecidas.


Sonimha vc qe apoia o Serra que reconheço que fez muito pela causa dos LGBTS em Sp não acha uma contradição aparecer do lado de Malafaia, e sem contar no telhada que que ate ameaças fez a jornalistas pelo Face vale tudo para ganhar ??
Não gosto do Malafaia e menos ainda do Telhada. A diferença é que eu confio no Serra como capaz de defender direitos iguais para todos, pensem o que pensarem os aliados dele. Ele abriu uma linha de investigação contra os grupos de extermínio da polícia que fez bastante diferença (hj a coisa tá beeem mais frouxa, pra dizer o mínimo). E sim, sempre fez mto pelos LGBTs. Se o Malafaia espera que ele recue, tá enganado, porque ele encara. Entende? Já no caso do PT, para agradar ou não desagradar os aliados, o governo abre mão de algumas bandeiras, entrega partes do governo sem sequer exigir qualidade dos indicados. Porque o PMDB tem gente decente, mas aí vai o LOBÃO pras Minas e Energia. Sempre haverá aliados com quem a gente não concorda, mas O QUE você entrega para os aliados e o que NÃO entrega faz a maior diferença. Aliás, por isso eu digo que SOU capaz de lidar com a Câmara Municipal mesmo tendo de fazer acordos com pessoas cuja conduta desprovo: porque sei que É POSSÍVEL fazer acordos que não sejam nocivos para o interesse público, desde que você bata o pé, insista, faça questão.


sônia, eu também apoiava o candidato josé, mas tendo em vista o recente vídeo no qual ele afirma que vetará a lei que visa criminalizar a homofobia, ele perdeu meu voto. ele tem se mancomunado cada vez mais com grupos religiosos nefastos (em especial o pastor malafaia). vc tem como justificar isso?

Ver só um pedaço de um vídeo não vale. Ele diz é que a violência motivada por homofobia tem de ser combatida sim, mas que as igrejas não podem ser penalizadas criminalmente se acreditarem que homossexualidade é errado. E ele vetaria a lei - ou o trecho da lei - que diz isso. Incitar o ódio é uma coisa, manifestar uma crença é outra - como a gente vai impedir uma religião de dizer que acha que o "certo" é homens e mulheres se unirem em casamento? Eu DISCORDO dessa leitura; a Bíblia tem passagens que podem tanto condenar quanto admitir a homossexualidade, as religiões sempre tem suas interpretações divergentes, mas não posso obrigar uma religião a concordar comigo. E é possível sim manifestar restrições à homossexualidade sem violência, portanto sem serem consideradas crime de homofobia. Uma vez na Parada Gay havia uma faixa "você não precisa aceitar, mas tem de respeitar". É isso. O ESTADO tem de respeitar, tem de assegurar direitos iguais para todo mundo e cobater toda forma de violência. O Estado não pode se pautar por uma religião - mas não pode pautar a religião. Entende?? E, pra concluir, o Serra E o Alckmin fizeram muito, em seus governos, pela garantir dos direitos LGBT. Ao contrário do governo federal, que recua toda vez em que a "bancada evangélica" ameaça complicar sua vida no Congresso. Sério - pesquise e você vai ver. O Serra não deixa de fazer o que acredita que tem de ser feito pela garantia de direitos por causa dos conservadores que o apoiam, e isso faz toda diferença. (Já foi assim lá atrás - eu me lembro muito bem da resistência desses setores às campanhas por sexo seguro, "use camisinha" etc. Achavam um absurdo; questionavam o governo por usar dinheiro público no tratamento da Aids. Ele bancou).

***
Ainda no tema Direitos LGBT, escrevi 


http://gabinetesoninha.blogspot.com/2012/01/nao-facam-isso-em-casa-e-em-lugar.html (sobre uma sessão de "exorcismo" de homossexual conduzida pelo Edir Macedo)

Lula e o novo

Lula pede voto a prefeito que já foi preso pela PF

São Paulo – As denúncias e restrições judiciais impostas ao candidato Roberto Góes (PDT), atual prefeito de Macapá, não o impediram de ficar na dianteira no primeiro turno destas eleições. Góes, que teve o mandato interrompido por dois meses após ser preso pela Policia Federal, entre 2010 e 2011, luta agora para garantir a reeleição no dia 28 de outubro. Para isso, conta com a presença de Lula no horário eleitoral.

Em vídeo que estreou nesta semana, o ex-presidente da República afirma que, para garantir o avanço do munícipio brasileiro, é preciso votar no aliado do PDT.

Tudo para garantir que Macapá seja um “pedaço do novo Brasil que estamos construindo”, diz Lula na propaganda eleitoral.

Lula, Collor e Renan, amigos para sempre



00:34 "Há mais de 30 anos não o Brasil não via a quantidade de obras que está vendo hoje"

Deve ser por isso que não tem mais apagão, que todas as capitais tem linhas de metrô feitas com recursos do PAC, que o norte e o nordeste não estão sendo assolados pela seca e que as estradas federais e os aeroportos estão todas uma maravilha.

00:50 "Eu vou ajudar a eleger minha sucessora neste país".

Campanha antecipada? Uso da máquina? Imagina.

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Collor e Renan merecem elogios por apoiar os projetos do governo no Senado.

A oposição, essa irresponsável, deixa de fazer coisas boas pelo povo porque não se coloca acima das rusgas partidárias, dizia Lula em Alagoas. Não se relaciona com o governo federal como deve.

EXATAMENTE o que Haddad repisa por aqui. Se obras do governo federal não andam no estado e na capital, é porque a prefeitura e o governo, birrentos, não quiseram.

E, como dizia o Lula naquele outro vídeo em que pedia votos para Roseana (ver no post abaixo), quando alguma coisa avança no estado, as pessoas tem de reconhecer que a obra é DO GOVERNO FEDERAL. Quando não avança, a culpa é dos prefeitos e governadores.

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1:00 "O novo era o Collor, e vocês sabem o que aconteceu"

Eu sei. O Collor virou um cara super legal, Senador eleito e amigão do governo Lula/Dilma.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Em quem vota o Terra?


Placar das "Últimas" (assinaladas na ilustração acima): 

Para o Serra - duas menções a "ataques"
Para o PT - "propostas", "elogio", "Lula e Dilma".

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Veja também "Como vota a Exame"

Por que saí do PT - capítulo 3

Capítulo 1 - A Prodam ia contratar quem eu indicasse, para que fizesse campanha pra mim

Capítulo 2- "Se fechar por 100..."

Capítulo 3 - Como, por sugestão de leitores, gravei vídeos com outros episódios que, acumulados ao longo de 4 anos (um de campanha, 3 de mandato) explicam minha saída, vou contar por escrito algumas histórias que ficaram de fora.

(Os vídeos vão para o YouTube quando estiverem prontos. O primeiro já está, mas conta de novo o capítulo 1)

Em um evento na penúltima semana de campanha em 2004, um homem de barba me cumprimentou super entusiasmado, disse que gostava muito de mim, era meu fã, queria me ajudar. "Vem conversar comigo, marca uma hora". Legal, fiquei feliz.

Quando eu viro as costas, meu coordenador de campanha (o Alê Youssef) diz: "CARA, o Delúbio diz que quer te ajudar?".

Eu: "Quem é Delúbio?" :oP Não fazia ideia.

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Fomos a uma reunião com ele no Diretório Nacional do PT. "Poxa, queria ter te encontrado antes para ajudar mais, agora já está no final... O que eu posso fazer por você?"

A gente não sabia nem o que responder. Não tinha muito mais que providenciar, mesmo.

"Vocês não vão fazer outdoor?"

"Vamos, acabamos de negociar um bom preço em bons lugares. Deixamos para o final para ter mais efeito".

"Quantos?"

Acho que a resposta era 15. Tinha um número máximo permitido; guardamos dinheiro e o Alê tratou com um conhecido dele, que estava fazendo um preço de pai pra filho.

"Tem de ter mais. A gente tem um fornecedor, desencana desses e eu faço tudo por aqui".

"Não dá pra desencanar, seria muito sacanagem. O cara foi muito legal, os lugares estão reservados pra gente..."

Bom, no fim ficou assim: "Então tá, passa pra gente esse contato, a gente trata com ele, vê se consegue uns pontos a mais e paga a conta. Quem vai tomar as providências é o dep. X, então agora vocês falam direto com ele".

***
Resumo da história - eu me elegi vereadora. Em janeiro recebo uma ligação - o moço do outdoor não tinha recebido pagamento.

Passamos meses atrás do deputado. Já não retornava mais as ligações. Resultado - muito depois da eleição, sem ter recursos da campanha para quitar a dívida, fizemos um parcelamento de tiramos dinheiro do bolso pra pagar.

Pagar o que eu nem queria. O que eles insistiram para que eu aceitasse.

Ê, Laiá.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Sem-fim

[Pra quem veio aqui procurando um palavrão xingando o Haddad: apaguei. Estava com muita raiva e escrevi como falo [falo muito palavrão]. Podia ter dito simplesmente "SUJO". No fim, substituí por "MUITO cinismo". Era lá que estava o "filha da p."]

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Sem fim o espanto, a tristeza. Sem fim a desfaçatez.

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O Haddad ACREDITA em boa parte do que diz. É um atenuante quanto ao caráter - mas minha nossa, em que mundo ele vive?

Ele acha MESMO que fez uma "Revolução na Educação"! Meu Deus!

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Analisemos os fatos.

No Brasil, não fizemos progressos, pequenos progressos que seja, na Educação (creche, ensino fundamental, ensino médio). Continuamos marcando passo, para não dizer que PIORAMOS. REGREDIMOS.

DEZ ANOS de governo do PT. Sete anos de Haddad Ministro da Educação. E o Brasil é uma TRAGÉDIA na Educação. COMO vamos nos desenvolver de verdade sem Educação?

Não temos gente qualificada para preencher os postos de trabalho das atividades de futuro. Temos gente se endividando sem fazer a menor ideia do quanto, porque ficou muito mais fácil adquirir bens duráveis no crediário mas ainda não sabemos fazer operações matemáticas básicas.

Os centros urbanos estão mais sujos, mais violentos. Aumentar a capacidade de consumo sem melhorar a Educação é uma tragédia. Não temos capacidade de análise e reflexão nem um conjunto sólido de valores que resulte em projetos de vida, planos para o futuro. O que temos é o desejo de consumir imediatamente com total desinteresse no futuro, sem projeto de vida, sem aspirações.

NENHUMA nação se tornou grandiosa sem Educação. Japão, Alemanha, Coreia tiveram um crescimento espantoso em pouco tempo, uma capacidade de recuperação magnífica, porque investiram nela. É tão óbvio que é clichê, lugar comum. E o Brasil continua ATRASADO, pobre, miserável.

No anúncio recente da aplicação das cotas de 50% das vagas nas universidades para alunos de escola pública, o Mercadante, que herdou essa "maravilha" de cenário, DISSE que cota é uma solução temporária, e que o governo vai trabalhar para que daqui a dez anos elas não sejam mais necessárias.

DAQUI A DEZ ANOS.

As crianças que estavam na primeira série quando Lula se elegeu a primeira vez, em 2002, estão AGORA no terceiro ano do ensino médio.

O QUE eles fizeram em DEZ ANOS por essa geração?

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O governo Lula-Dilma resolveu colocar "milhões de pobres" na faculdade. Concede Bolsas em instituições particulares, com fiscalização ridícula. Dinheiro público indo para faculdades privadas de péssima qualidade - é uso irresponsável de dinheiro público e enganação, miragem, estelionato.

O governo Lula descobriu, no último ano, que faltavam vagas em creche no Brasil todo. Uma tragédia nacional. Aí anunciou um grande plano na campanha da Dilma, disse que fariam seis mil. DOIS anos depois, saíram quantas do papel?

Mas tem sempre uma resposta para esses casos: "As prefeituras não colaboram". Quando as coisas SÃO feitas, com algum repasse (ou empréstimo) de recurso federal para complementar o valor da obra (como se fosse um gesto de infinita generosidade), eles contam como realização DO GOVERNO FEDERAL. Fazem isso com Heliópolis, Paraisópolis, Rodoanel. "Ticam" no balanço do PAC: "Ok, fizemos". Quando NÃO SÂO, a culpa é dos outros.

Desonestidade em todas as cores e nuances.

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"A gente quis ajudar São Paulo, São Paulo não quis".

Bom, aí o Haddad SABE que está mentindo. Foi desmentido impiedosamente, em público, mas volta à mentira original COM A MAIOR TRANQUILIDADE. Ele certamente acha que tudo vale no jogo do poder. Importante é impedir que os tucanos voltem a governar o país, como diz o Mestre na TV.

(Como alguém observou, se isso é o que ele diz em TV aberta na rede nacional, imagine o que sai nas reuniões a portas fechadas).

Primeiro ele diz "São Paulo nunca me procurou". Aí foi desmentido por agenda oficial. Não se apertou: "Foi um encontro casual" ou coisa parecida. Foi desmentido de novo. "Não pediram nada". Teve de admitir que pediram. E que se dane, volta a martelar na tese, como ontem no debate. "Prefeito de cidade com 3 mil habitantes conseguiu preencher o formulário para pedir recurso pra creche e São Paulo não".

MUITO desonesto. MUITO dependente da IGNORÂNCIA das pessoas sobre como são feitos os pedidos de recurso federal, quanto custa uma creche em São Paulo e uma na cidade com 3 mil habitantes, qual a dificuldade de firmar um convênio com um ente deste tamanho.

***
São Paulo, SEM recurso federal, fez mais creches do que o governo Lula-Dilma NO BRASIL INTEIRO. Assim como fez mais metrô. Mais equipamentos de Saúde e de Assistência Social.

E esses imundos vem dizer que NUNCA ninguém fez nada pelos pobres, e que eles fizeram MUITO pelos pobres.

Repetem, repetem, repetem. Aí botam um cara na televisão dizendo exatamente isso: "Os tucanos nunca fizeram nada pelos pobres".

E aí vem no debate dizer "Vamos assinar um protocolo para que a campanha não tenha agressões?".

MUITO cinismo.

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"O mundo que você mostra na televisão, Serra, não existe".

Nada do que aparece no horário eleitoral do Serra é computação gráfica. São equipamentos PÚBLICOS reais, excelentes.

Os problemas que a Saúde tem aqui são NACIONAIS. O que vem de recurso federal para a Saúde é RIDÍCULO, mesmo assim a gente tá melhor do que o resto. O Brasil INTEIRO mostra gente no chão de Pronto Socorro, sendo jogado de lá pra cá. Horas de espera. Pior: hospitais - como o da UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - sujos, caindo aos pedaços. Falta de profissionais.

Não estamos em outro país, estamos no Brasil, essa maravilha de cenário. E CONSEGUIMOS ter excelência no serviço público, inclusive atendendo gente de outros estados e países. TEMOS PROBLEMAS, mas estamos um passo adiante ou dois.

Aí o Haddad vem dizer que São Paulo não tem nada que preste e que as UPAs do Rio de Janeiro são um "exemplo de excelência"??? O Rio de Janeiro tem Saúde melhor do que São Paulo? Ele tá de brincadeira.

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Em um evento do Nossa São Paulo do Sesc, sentei ao lado da Nadia Campeão e comentei com o Haddad "Ela me convenceu a apoiar a candidatura de São Paulo à Olimpíada. Eu era contra, mas ela fez uma defesa muito boa do projeto. No fim o Rio levou... Um dos membros do grupo que fazia o projeto, frustrado, amargo, falou: "Se a gente tivesse gasto o dinheiro agradando os jurados em vez de fazendo um bom projeto, ganhava mais"."

Aí vem o Haddad e fala: "Por falar em projeto, o que essa prefeitura gasta em projeto... Tudo no papel".

Cara-de-pau! (Eu:) "Pô, você vai DE NOVO falar em projeto que não saiu do papel??? O que é o PAC???"

"Eu não tenho nada a ver com o PAC. As minhas metas eu cumpri".

JURO.

***
"Minhas metas eu cumpri todas. Todas. Tudo o que estava previsto no Plano Nacional de Educação, eu executei".

"Não é o que diz a Execução Orçamentária do Ministério da Educação. Os únicos recursos realmente utilizados (mais de 90%) foram folha de pagamento e aqueles repasses para Unesco. O resto teve execução baixíssima".

"Não é verdade".

"Estou falando dos dados disponíveis no site do Ministério da Educação. Oficiais".

"Eu executei todas as minhas metas".

"Então você corrija o que diz o site oficial".

***
Falei das creches, mas aí é PAC. Um monte de "Planos Municipais de Educação" feitos com recurso do PAC nos municípios que não deram em p. nenhuma. Ah, se as prefeituras não fazem, o que o governo federal pode fazer?

Inacreditável.

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Apostando na IGNORÂNCIA das pessoas, ele vem dizer que o IPVA já cobre as despesas do Controlar. Olha, se ele quer dividir a conta dos serviços do Controlar entre todas as pessoas, quem tem ou não tem carro, que seja. Eu acho o fim da picada, uma demagogia horrenda, mas ninguém gosta de pagar tarifa mesmo, fazer o que?

Mas ele entende de Finanças Públicas. Ele sabe que IMPOSTO é uma coisa, TARIFA é outra. IPVA não é uma taxa pra ser investida nas despesas com carros, é um IMPOSTO que compõe o TESOURO MUNICIPAL e vai para EDUCAÇÃO, SAÚDE, SEGURANÇA etc. Não venha dizer, como qualquer cidadão mal informado, que a inspeção veicular "já está incluída no IPVA".

No governo Marta, eles podiam ter REVOGADO a lei municipal (aprovada no governo do Maluf) que previa a inspeção veicular COM cobrança de tarifa pelo serviço prestado. Não revogaram, não fizeram a inspeção, não fizeram nada. Agora vem usar a raiva das pessoas (justificada, pela encheção que é a inspeção, muito mais do que pelos R$44 POR ANO que tem de pagar e que o Haddad quer tornar "grátis") pra tentar se eleger.

O Haddad não é o pior do PT, mas ele topa o que vier. Topa o jogo, topa jogar sujo. Faz campanha com deboche, com raiva, com mentira, e faz apelo por "paz", "amor". Lembrar que lideranças do PT estão sendo condenadas por crimes contra a República não pode, é ofensivo, é baixaria. (Só faltava eles dizerem que é MENTIRA. Alguém ainda é capaz de dizer). Dizer "eles não gostam de pobre" é lícito.

***
Ontem fiquei mais de meia hora cercada de jornalistas questionando sobre o Serra. Sobre o "kit gay" e o Malafaia. Se o Serra deveria ter aceitado o apoio do Malafaia, já que ele "diz" que defende os direitos LGBT.

"O Malafaia é que tem de saber que apoia o Serra que NÃO DEIXA de defender os direitos LGBT apesar das resistências de seus apoiadores".

Eles insistiram. Repetiram. Tipo, não é uma entrevista, é um debate. Eles afirmando que o Serra é conservador, que o Serra tem o apoio do Malafaia então o meu eleitorado não vai me perdoar por escolher o Serra.

"O MALUF é progressista, por acaso? O Maluf defende os direitos humanos, o tratamento igual a todas as pessoas?"

Um jornalista de uma revista semanal teve a CORAGEM de dizer "mas o Maluf não aparece na campanha".

Entende? DEFENDENDO o Haddad.

"O Maluf é DIRIGENTE DE UM PARTIDO QUE FAZ PARTE DA ALIANÇA COM O HADDAD. [Partido que tem no Congresso o BOLSONARO, eu podia ter lembrado]. O Malafaia é um líder religioso que pede voto no Serra. Como outros líderes religiosos pedem voto no Haddad. A Canção Nova, do Chalita, diz que "homossexualismo" é um "desvio". Quando o Bispo Crivella, que hoje é ministro do governo Dilma, era Senador, exigiu que fosse interrompida a tramitação do PL da Homofobia e o governo aceitou."

É incrível, nós realmente ficamos debatendo, eles argumentando, defendendo o lado do Haddad.

"O Fernando Henrique diz que o Serra pode acabar essa campanha com o carimbo de conservador".

"CLARO, há anos o PT resolveu aplicar no Serra o carimbo de conservador. Mas foi o Serra quem criou a Coordenadoria da Diversidade Sexual. Quem determinou que o servidor pode ter licença-nojo (nome oficial para o "luto") em caso de falecimento de parceiro do mesmo sexo. Que as travestis tem de ser chamadas pelo nome social. Que criou um Centro de Referência para travestis. Que, lá atrás, bancou campanhas pelo uso de camisinha quando muita gente (Igreja católica, por exemplo), achava isso um absurdo, um "incentivo" ao sexo fora do casamento, sem fins reprodutivos. Que bancou o tratamento de AIDS na rede pública, quando a sociedade conservadora achava "deixa que morram, quem mandou serem promíscuos?". Que fez o SUS cumprir a lei relativa à prática do aborto decorrente de estupro ou do risco de morte da mãe".

Alguns me olhavam como se não soubessem disso. Talvez não soubessem. E como se, apesar disso, ainda prevalecesse o carimbo de "conservador".

"O Serra criticou o kit-gay. Disse que é "doutrinação", falou algo sobre "bissexualismo"". Não souberam me dizer exatamente o que ele falou.
Respondi: "Se ele falou em "doutrinação", discordo dele. Mas a DILMA alegou a mesma coisa para RETIRAR o kit-gay de circulação. Disse que "o governo não tem de fazer PROPAGANDA de OPÇÃO SEXUAL". Eu não cheguei a conhecer o kit-gay e não confio no que dizem na internet. Talvez ele tivesse problemas - que corrigissem o problemas. Mas ELES, o HADDAD, a DILMA, o abandonaram. Por pressão dos conservadores".

***
Bom, aí o assunto se voltou para "o modo como o Serra trata os repórteres".

Eu falei umas dez vezes que não gosto de como ele reage. Que eu respondo a TODAS as perguntas, de todos os tipos - agressivas, provocadoras, irritantes. Mas EU sou a exceção, não ele. A Dilma não tem paciência com jornalista que a incomoda ("Minha filha [SIC], não é apagão, é blecaute"). Mas pra ela fica mais fácil quando dá entrevista atrás de um púlpito, apenas para jornalistas previamente credenciados pela assessoria, como foi em 2010. Quando você tá ali o tempo todo no meio dos repórteres, é mais fácil se irritar.

E eu queria saber, disse a eles, se tem sempre uma equipe da TVT, por exemplo, atrás do Haddad tentando fazer alguma pergunta que o incomode. Tentando provocar, desestabilizar. Queria saber mesmo. Disse, confiante: "Duvido".

"Mas a repórter do UOL que ele respondeu mal..."

Repeti pela décima vez: "Eu não gosto do modo como ele reage". E também: "Eu sou a única que não reage assim. O Zé Dirceu reage como? Ou ele nem anda por aí no meio de repórteres?"

Aí uma repórter insistiu, insistiu, insistiu: "Mas não está piorando agora? Não piorou? Não piorou?". Respondi três vezes. "Não. Acho que não. Acho que não". "Ele não está ficando mais irritado em função do resultado das pesquisas?". "Não. Acho que é a irritação de sempre". "Não está pintando um momento Russomanno?". Respondi um outro repórter da roda que tinha feito alguma pergunta mais séria. "Fala, vai. Tá rolando uma coisa como o Russomanno na última semana". Respondi a ela rindo, comentando ao mesmo tempo com os outros repórteres: "O que é isso, um teste pra ver se eu realmente respondo qualquer pergunta sem perder a paciência?". Eles riram também, até meio constrangidos, obrigados a concordar comigo que ela estava me provocando, não perguntando. Ela continuou: "Mas tá, não tá? O Serra não tá meio nervosinho? Não tá que nem o Russomanno, com medinho?"

Cara, como eu me arrependi de não fazer algo que já pensei várias vezes: EU gravar todas as perguntas que me são feitas e as minhas respostas. E foi o que eu disse pra ela: "Então, isso é uma pergunta ou é uma provocação? Posso gravar para ter o registro?". Os repórteres à minha volta não poderiam negar que ela  tinha ultrapassado a linha. Ela mesma se deu conta: "Não, a gente tá aqui conversando em off". "Não, a gente não tá conversando em off, a gente tá em on o tempo todo, você está me entrevistando".

***
Ainda houve outro debate. Eles afirmando que "a campanha do Serra subiu o tom". Que a campanha do Serra é agressiva, que resolveu apelar, será que não está passando da medida? Será que o eleitor não vai reagir mal por causa disso?

Dei vários exemplos de agressividade, deboche, ataques do outro lado. "Fizeram assim com o Russomanno, dizendo que o bilhete dele era "ruim para os pobres". Disseram que quem não defende o Bilhete Único Mensal é porque "defende o interesse das elites e é contra os pobres". O Lula vem no rádio dizer que "os pobres agora comem bife e não querem deixar de comer". Isso é propaganda qualificada?"

De novo, eles ARGUMENTAM. "Mas a do Serra é mais".

***
Que os jornalistas tenham birra do Serra, ok. Mesmo que não reconheçam que existe um esforço diário para tirá-lo do sério.

Ele perde muito ao reagir como reage, irritado, acusando o repórter de estar a serviço do outro lado. (Alguns são MESMO de veículos ligados ao PT - à CUT, Sindicatos, patrocinadores deles etc. Alguns só tem raiva dele e querem f. Outros realmente cutucariam qualquer candidato à sua frente).

Mas eles NÃO PODEM fazer disso simpatia, tolerância, apreço pelo outro lado. E fazem. Compram as teses do adversário e ficam defendendo em entrevista comigo.

Alguns deixam escapar interjeições do tipo "Yess, tomou?" enquanto assistem o debate. Depois negam preferência de pé junto.

Assim caminha a humanidade. Sem saber, aposto, explicar por que a Dilma tem 80% de "ótimo e bom" no governo, mesmo que tenha votado em "ótimo" ou "bom".