Quem tem a minha idade – 47 – já ouviu essa palavra antes. Mas no começo da década de 90 era novidade, a gente não sabia bem como falar, muito menos escrever. Dava a entender que tinha a ver com piche, pichação... Eu lembrava das histórias de gibi em que jogavam piche e penas em algum malfeitor como castigo. Mas quando explicavam que “impeachment” quer dizer “impedimento”, já ficava mais fácil de entender.
Na época, tínhamos acabadado de eleger um presidente por voto direto pela primeira vez depois de muito tempo. Para minha geração, era inédito. Quando nasci já estávamos na ditadura militar, e ficávamos assistindo à troca de presidentes sem poder fazer muita coisa. O governo fazia um anúncio na TV - algo do tipo “saiu o nome do novo presidente, é o General Fulano de Tal”.
Depois de muita luta, reconquistamos o direito de escolher o presidente, e o primeiro vitorioso nas urnas foi Fernando Collor de Mello. O povo adorou o discurso dele de “Caçador de Marajás” - esse era o nome dado aos funcionários públicos que ganhavam salários altíssimos e trabalhavam muito pouco ou nada. Dizia que tinha acabado com esses privilégios quando era governador de Alagoas. Se hoje, com internet e tudo, ainda é possível enganar as pessoas que estão perto ou longe, quanto mais naquela época...
Em 1992, o irmão de Collor deu uma entrevista acusando o tesoureiro da campanha presidencial, o empresário PC Farias, de articular um esquema de corrupção dentro do governo. Era propina pra cá, dinheiro desviado pra lá... Aos poucos foram aparecendo outras denúncias confirmando e dando detalhes do esquema.
Em um domingo de sol, fui para a frente do Teatro Municipal vestida de preto com meus amigos da faculdade e minhas filhas pequenas para pedir "Fora Collor". Algum tempo depois, uma equipe da MTV, onde eu trabalhava, saiu para fazer a cobertura da grande manifestação de estudantes na Avenida Paulista com a mesma motivação. Eu me lembro da discussão na redação - não era uma emissora jornalística, mas não podíamos deixar de registrar!
Agora as ruas estão sendo tomadas novamente por apelos de "Fora presidente" (Dilma, claro) e no dia 16 de agosto vai haver manifestações no Brasil inteiro. Eu vou. Tem sempre uns doidos, extremados ou "apenas" equivocados, a fim de violência, golpe militar, derrubada na marra. Eu não. Só quero que o Brasil acerte seu rumo outra vez.
Soninha Francine ainda não decidiu se vai de branco, verde-amarelo, vermelho...
"...But when you talk about destruction/Don't you know that you can count me out"
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domingo, 16 de agosto de 2015
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Velocidade em São Paulo e em Curitiba
Não está errado reduzir a velocidade máxima de avenidas para 50km/h. É perfeitamente aceitável se considerarmos o tempo de reação (do motorista e do veículo) em um contexto com pedestres de todas as idades, animais, bicicletas, cruzamentos, entradas e saídas de garagem etc.
Já na pista local da marginal, não concordo. É uma via expressa. Muito melhor seria sinalizar adequadamente os acessos (entrada e saída de vias locais) com zebras etc para obrigar os veículos que já estão na Marginal a reduzir a velocidade ou até mesmo mudar de faixa nos pontos em que outros motoristas querem entrar na via.
***
Se a velocidade máxima dos automóveis é 50, fica mais sem sentido ainda manter a dos ônibus nos corredores nesse mesmo número. Eles passam a centímetros da calçada. Tem pedestre que é atingido só por esticar a cabeça sem perceber o ônibus chegando. Sério.
***
Aliás, é preciso analisar com muito mais seriedade a causa de acidentes para realmente combatê-los. No caso das marginais, por exemplo:
- As colisões aconteceram porque os veículos estavam na velocidade máxima ou porque estavam ACIMA da velocidade?
- Aconteceram colisões abaixo da velocidade máxima MAS acima da velocidade adequada para as condições da via naquele momento?
Na marginal acontecem acidentes porque caminhões entalam debaixo dos viadutos. Porque motoristas mudam de faixa sem olhar no espelho ou sem ao menos usar a seta (o que já ajuda os motociclistas a se prevenir de uma mudança brusca). Porque motociclistas estão rápido demais, mesmo com o trânsito parado. Porque as calçadas somem ou são podres e as pessoas acabam andando pela rua. Porque os acessos são mal feitos, principalmente as alças das pontes. Porque não há pontos seguros de travessia.
Pode-se alegar que, a 50 por hora, todos esses acidentes tem danos menores. Insisto: nos horários da madrugada, acontecem porque motoristas (alcoolizados, em muitos casos) andam MUITO ACIMA da máxima. E na hora do trâncisto pesado, acontecem ABAIXO de 50 por hora, mas causam fatalidades.
***
A prefeitura não está mais usando o "radar pistola" para ver se as motos estão circulando acima de 30km/h no corredor?
***
Em outras ocasiões em que houve alterações na velocidade, instalação de radares etc, o PT na oposição sempre acusou o governo de "fúria arrecadatória". Eu me lembro perfeitamente desse discurso nas reuniões da bancada.
***
A redução da velocidade máxima não tem nada a ver com congestionamento... Isso é viagem de quem reclama. Andar a 50 é irritante quando a pista está livre. Quando não está, a máxima já é bem menor do que isso.
***
Não é incrível a velocidade do andamento do processo judicial desencadeado pela Operação Lava-Jato? Além da prisão de figurões (que costumávamos chamar de "criminosos de colarinho branco", "tubarões" (em comparação aos "lambaris/peixes pequenos), busca e apreensão de bens, recuperação de recursos obtidos de forma ilícita etc, outro fato inédito é ver 3 instituições trabalhando em sintonia (Polícia Federal, Ministério Público e Judiciário) e a Justiça deslanchando como deve.
Já na pista local da marginal, não concordo. É uma via expressa. Muito melhor seria sinalizar adequadamente os acessos (entrada e saída de vias locais) com zebras etc para obrigar os veículos que já estão na Marginal a reduzir a velocidade ou até mesmo mudar de faixa nos pontos em que outros motoristas querem entrar na via.
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Se a velocidade máxima dos automóveis é 50, fica mais sem sentido ainda manter a dos ônibus nos corredores nesse mesmo número. Eles passam a centímetros da calçada. Tem pedestre que é atingido só por esticar a cabeça sem perceber o ônibus chegando. Sério.
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Aliás, é preciso analisar com muito mais seriedade a causa de acidentes para realmente combatê-los. No caso das marginais, por exemplo:
- As colisões aconteceram porque os veículos estavam na velocidade máxima ou porque estavam ACIMA da velocidade?
- Aconteceram colisões abaixo da velocidade máxima MAS acima da velocidade adequada para as condições da via naquele momento?
Na marginal acontecem acidentes porque caminhões entalam debaixo dos viadutos. Porque motoristas mudam de faixa sem olhar no espelho ou sem ao menos usar a seta (o que já ajuda os motociclistas a se prevenir de uma mudança brusca). Porque motociclistas estão rápido demais, mesmo com o trânsito parado. Porque as calçadas somem ou são podres e as pessoas acabam andando pela rua. Porque os acessos são mal feitos, principalmente as alças das pontes. Porque não há pontos seguros de travessia.
Pode-se alegar que, a 50 por hora, todos esses acidentes tem danos menores. Insisto: nos horários da madrugada, acontecem porque motoristas (alcoolizados, em muitos casos) andam MUITO ACIMA da máxima. E na hora do trâncisto pesado, acontecem ABAIXO de 50 por hora, mas causam fatalidades.
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A prefeitura não está mais usando o "radar pistola" para ver se as motos estão circulando acima de 30km/h no corredor?
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Em outras ocasiões em que houve alterações na velocidade, instalação de radares etc, o PT na oposição sempre acusou o governo de "fúria arrecadatória". Eu me lembro perfeitamente desse discurso nas reuniões da bancada.
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A redução da velocidade máxima não tem nada a ver com congestionamento... Isso é viagem de quem reclama. Andar a 50 é irritante quando a pista está livre. Quando não está, a máxima já é bem menor do que isso.
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Não é incrível a velocidade do andamento do processo judicial desencadeado pela Operação Lava-Jato? Além da prisão de figurões (que costumávamos chamar de "criminosos de colarinho branco", "tubarões" (em comparação aos "lambaris/peixes pequenos), busca e apreensão de bens, recuperação de recursos obtidos de forma ilícita etc, outro fato inédito é ver 3 instituições trabalhando em sintonia (Polícia Federal, Ministério Público e Judiciário) e a Justiça deslanchando como deve.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
O juiz, o Porsche e o crime perfeito
Minha primeira reação (e a de muita gente) à notícia de que o juiz que mandou apreender bens do Eike Batista foi pego dirigindo seu Porsche foi: "Filha da p., ele desmoraliza o processo todo"!
E quem disse que não foi essa a intenção? Se não me engano, ainda não foi modificada a norma que estabelece que a punição máxima a um juiz é a aposentadoria compulsória. Imagine que bom negócio: presta um serviço à defesa do Eike, certamente bem remunerado, e fica desmoralizado (até parece que ele se importa).
E quem disse que não foi essa a intenção? Se não me engano, ainda não foi modificada a norma que estabelece que a punição máxima a um juiz é a aposentadoria compulsória. Imagine que bom negócio: presta um serviço à defesa do Eike, certamente bem remunerado, e fica desmoralizado (até parece que ele se importa).
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Folha loves Haddad
...do fundo do coração!
"Chefe da arrecadação de Kassab é preso"
Investigação tem participação da gestão Fernando Haddad (PT)

"Quatro auditores fiscais da Prefeitura foram presos. Três deles ocuparam cargos de confiança na gestão Kassab, entre eles Ronilson Bezerra Rodrigues, que ocupou função de Subsecretário da Receita. Rodrigues era o chefe da arrecadação do município e braço direito dos secretários de Finanças de Kassab".
"Chamada de Necator (um parasita), a operação tem consequências políticas imprevisíveis: iniciada pela gestão de Fernando Haddad, atinge a cúpula das Finanças de Kassab, seu antecessor".
"Foi uma denúncia anônima e, depois, o patrimônio que chamou a atenção para os servidores, segundo a prefeitura. O município, então, começou a atuar em conjunto com o Ministério Público e, por fim, a Polícia Civil".
"Rodrigues exercia até junho função de diretor na SPTrans, na gestão Haddad".
Isso tudo está NA PRIMEIRA PÁGINA. A menção ao fato de Rodrigues ter sido "de confiança" nesta gestão aparece no finalzinho. Na página 3, aí sim:
"Preso foi nomeado na gestão Haddad para cuidar de finanças dos ônibus"
Auditor fiscal assumiu, em fevereiro, diretoria da SPTrans, que gerencia R$6 bilhões por ano

Reparem na sutileza, que talvez não seja proposital mas Freud explica. O mesmo cara que é tratado como "chefe de arrecadação DO KASSAB", foi "nomeado na GESTÃO HADDAD". Não "POR HADDAD".
***
Prefeitura diz que exoneração poderia "alertar suspeito", QUE JÁ HAVIA SIDO INVESTIGADO NO FIM DO ANO PASSADO.
POIS É.
***
A PRÓPRIA FOLHA informa o seguinte (nessa página interna, CLARO)
Ronilson Rodrigues começou a ser investigado em SETEMBRO DE 2012 e DEIXOU O CARGO em DEZEMBRO DE 2012. Assumiu o cargo de DIRETOR DE ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS DA SPTRANS EM FEVEREIRO DE 2013 e saiu agora.

"Mesmo assim, a gestão Haddad alega que a nomeação ocorreu no início do ano, "ANTES da realização da análise patrimonial e a SUSPEITA DE ENRIQUECIMENTO ILÍCITO".
***
MAIS ADIANTE (Destaques em maiúsculas são meus):
"O auditor fiscal preso ontem ERA INVESTIGADO PELA PREFEITURA DESDE 2012, quando era subsecretário da Receita Municipal na gestão Haddad".
"A investigação foi aberta após denúncia de suposto enriquecimento ilícito de Rodrigues, que prestou esclarecimentos ao órgão [Corregedoria do Município]". "Ele alegou inocência, não me convenceu. Por isso a investigação continuou" [segundo o ex-corregedor].
"Ainda de acordo com o ex-corregedor, o precedimento contra o servidor continuava aberto quando Haddad assumiu a prefeitura. Assim, para ele, não há como gestão atual alegar desconhecimento das suspeitas contra o ex-secretário".
SUTILMENTE, ou desleixadamente a Folha diz "de acordo com ele", "para ele". Apenas uma opinião? ACHO que não, porque ao menos ela foi confrontar isso com a atual gestão e...
***
"A gestão Haddad CONFIRMA que HAVIA DE FATO UMA INVESTIGAÇÃO CONTRA O SERVIDOR [!!!] mas afirmou que se tratava de um "expediente" que "se limitou a ouvir o investigado" em setembro de 2012. "Nenhum encaminhamento foi dado à época, e o processo ficou parado", diz a nota".
Quer dizer então que a gestão Kassab "limitou-se a ouvir", o processo "ficou parado" e a prefeitura atual achou por bem NOMEAR O CARA QUE "SÓ FOI OUVIDO" para CUIDAR DE FINANÇAS DA SPTRANS. E a FOLHA ainda coloca o Haddad, conforme o planejando em sua estratégia de comunicação, como o herói da história! Puta que o pariu!
É tão desonesta a manobra da prefeitura, convenientemente anunciada depois do aumento ABSURDO do IPTU, que vai MUITO ALÉM de atualização ou reajuste, que até na matéria da Folha ela fica evidente. Só não fica nas manchetes do jornal - que, como se sabe, é o que muitos leem e nada mais.
"A prefeitura deu detalhes da operação contra os servidores municipais em nota divulgada em seu site ontem, mas não citou a ligação de Rodrigues com a atual administração petista. Sem citar nomes, diz que ele foi exonerado na prefeitura em dezembro de 2012. Nesses cinco meses à frente das finanças da SPTrans, Rodrigues tomou conta de um caixa que movimenta mais de R$6 bilhões por ano".
***
Para concluir o caso x a cobertura:
- Houve uma denúncia anônima de enriquecimento ilícito contra Ronilson Rodrigues em 2012.
- A Corregedoria abriu processo contra ele. Ouvido, ele alegou inocência. O processo continuou em aberto, mas não andou.
- Rodrigues já não ocupava cargo na Secretaria de Finanças em dezembro de 2012.
- Haddad toma posse em janeiro.
- Rodrigues é nomeado diretor de Finanças da SPTrans em março de 2013 e continuava no cargo até agora.
Como a prefeitura explica isso?
Versão 1: "Nomeação ocorreu antes da suspeita de enriquecimento ilícito" (MENTIRA).
Versão 2: "Havia uma investigação, mas só ouviram o investigado, ninguém fez nada e o processo ficou parado".
PARADO ONDE? POR QUE NÃO FIZERAM NADA JÁ EM JANEIRO e FEVEREIRO?
Versão 3: "Ele não foi afastado para não "alertar" o suspeito a respeito da investigação".
Ele já não devia ter sido NOMEADO. Que havia suspeita de corrupção ele JÁ sabia, porque já tinha sido ouvido e afastado. E é PERFEITAMENTE POSSÍVEL exonerar um funcionário de cargo de confiança (coisa mais comum no serviço público é botar o cara na geladeira, seja lá pela razão que for, justa ou injusta...) sem que ele suspeite de investigação. E uma boa investigação não seria EM NADA prejudicada por atitude do suspeito... Parece até que ele podia ocultar um cadáver ou sacar milhões da sua conta sem ninguém perceber...
***
A Vera Magalhães ainda faz uma "análise":
"A investigação que resultou nas prisões vinha sendo tocada em caráter sigiloso já meses, sob responsabilidade de Mário Vinícius Spinelli, o controlador-geral do município, assessor que Haddad reputa uma de suas melhores escolhas para a equipe".
Ownnnn. Que fofa! Será que ouviu isso diretamente dele? Nosso Antônio Banderas do Anhangabaú?
Pode até ser verdade, porque quem nomeia João Antônio Secretário de Relações Institucionais tem várias opções para apontar como "uma de suas melhores escolhas".
"O timing das prisões teve de ser pensado para evitar que o escândalo e as previsíveis associações entre o esquema de cobrança de propina com a gestão de Kassab não atrapalhassem a discussão do reajuste da tabela do IPTU na Câmara, onde o ex-prefeito ainda tem grande poder de influência".
Por essa lógica o "timing" não deu certo, porque só um dos vereadores do partido do Kassab votou a favor do aumento. Antes da "deflagração das prisões", a maioria do PSD já tinha votado contra o aumento ("salgado", diz a Vera, não "escorchante").
Se acompanhasse um pouquinho só a Câmara Municipal, só um pouco mesmo, a jornalista veria que Haddad tem TOTAL controle sobre a Câmara. Aprova o que quer em tempo nunca visto na história deste país. Influência tem quem distribuir cargo, babe.
Mas ela diz... "Tão logo os vereadores confirmaram o aumento do imposto, os "arefinhos" tiveram sua identidade levada a público pela prefeitura. Kassab, que não costuma passar recibo quando confrontado com acusações de corrupção, disse novamente que não foi ele quem nomeou os acusados".
Ah, Kassab "não passa recibo". Haddad, confrontado com corrupção... Não, pera, Haddad nem é confrontado com corrupção, ele se apresenta como o caçador de marajás e pronto! A assessoria, SE receber perguntas difíceis, que se vire.
"É cedo para dizer se o escândalo, que foi chamado ontem pelo prefeito de um dos mais graves da história da cidade, afastará Kassab da órbita do PT".
Que "foi chamado pelo prefeito". "Quando ele abre a boca, tudo se ilumina", como uma intelectual disse certa vez sobre o Lula. Agora é o Fernando.
"Chefe da arrecadação de Kassab é preso"
Investigação tem participação da gestão Fernando Haddad (PT)

"Quatro auditores fiscais da Prefeitura foram presos. Três deles ocuparam cargos de confiança na gestão Kassab, entre eles Ronilson Bezerra Rodrigues, que ocupou função de Subsecretário da Receita. Rodrigues era o chefe da arrecadação do município e braço direito dos secretários de Finanças de Kassab".
"Chamada de Necator (um parasita), a operação tem consequências políticas imprevisíveis: iniciada pela gestão de Fernando Haddad, atinge a cúpula das Finanças de Kassab, seu antecessor".
"Foi uma denúncia anônima e, depois, o patrimônio que chamou a atenção para os servidores, segundo a prefeitura. O município, então, começou a atuar em conjunto com o Ministério Público e, por fim, a Polícia Civil".
"Rodrigues exercia até junho função de diretor na SPTrans, na gestão Haddad".
Isso tudo está NA PRIMEIRA PÁGINA. A menção ao fato de Rodrigues ter sido "de confiança" nesta gestão aparece no finalzinho. Na página 3, aí sim:
"Preso foi nomeado na gestão Haddad para cuidar de finanças dos ônibus"
Auditor fiscal assumiu, em fevereiro, diretoria da SPTrans, que gerencia R$6 bilhões por ano

Reparem na sutileza, que talvez não seja proposital mas Freud explica. O mesmo cara que é tratado como "chefe de arrecadação DO KASSAB", foi "nomeado na GESTÃO HADDAD". Não "POR HADDAD".
***
Prefeitura diz que exoneração poderia "alertar suspeito", QUE JÁ HAVIA SIDO INVESTIGADO NO FIM DO ANO PASSADO.
POIS É.
***
A PRÓPRIA FOLHA informa o seguinte (nessa página interna, CLARO)
Ronilson Rodrigues começou a ser investigado em SETEMBRO DE 2012 e DEIXOU O CARGO em DEZEMBRO DE 2012. Assumiu o cargo de DIRETOR DE ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS DA SPTRANS EM FEVEREIRO DE 2013 e saiu agora.

"Mesmo assim, a gestão Haddad alega que a nomeação ocorreu no início do ano, "ANTES da realização da análise patrimonial e a SUSPEITA DE ENRIQUECIMENTO ILÍCITO".
***
MAIS ADIANTE (Destaques em maiúsculas são meus):
"O auditor fiscal preso ontem ERA INVESTIGADO PELA PREFEITURA DESDE 2012, quando era subsecretário da Receita Municipal na gestão Haddad".
"A investigação foi aberta após denúncia de suposto enriquecimento ilícito de Rodrigues, que prestou esclarecimentos ao órgão [Corregedoria do Município]". "Ele alegou inocência, não me convenceu. Por isso a investigação continuou" [segundo o ex-corregedor].
"Ainda de acordo com o ex-corregedor, o precedimento contra o servidor continuava aberto quando Haddad assumiu a prefeitura. Assim, para ele, não há como gestão atual alegar desconhecimento das suspeitas contra o ex-secretário".
SUTILMENTE, ou desleixadamente a Folha diz "de acordo com ele", "para ele". Apenas uma opinião? ACHO que não, porque ao menos ela foi confrontar isso com a atual gestão e...
***
"A gestão Haddad CONFIRMA que HAVIA DE FATO UMA INVESTIGAÇÃO CONTRA O SERVIDOR [!!!] mas afirmou que se tratava de um "expediente" que "se limitou a ouvir o investigado" em setembro de 2012. "Nenhum encaminhamento foi dado à época, e o processo ficou parado", diz a nota".
Quer dizer então que a gestão Kassab "limitou-se a ouvir", o processo "ficou parado" e a prefeitura atual achou por bem NOMEAR O CARA QUE "SÓ FOI OUVIDO" para CUIDAR DE FINANÇAS DA SPTRANS. E a FOLHA ainda coloca o Haddad, conforme o planejando em sua estratégia de comunicação, como o herói da história! Puta que o pariu!
É tão desonesta a manobra da prefeitura, convenientemente anunciada depois do aumento ABSURDO do IPTU, que vai MUITO ALÉM de atualização ou reajuste, que até na matéria da Folha ela fica evidente. Só não fica nas manchetes do jornal - que, como se sabe, é o que muitos leem e nada mais.
"A prefeitura deu detalhes da operação contra os servidores municipais em nota divulgada em seu site ontem, mas não citou a ligação de Rodrigues com a atual administração petista. Sem citar nomes, diz que ele foi exonerado na prefeitura em dezembro de 2012. Nesses cinco meses à frente das finanças da SPTrans, Rodrigues tomou conta de um caixa que movimenta mais de R$6 bilhões por ano".
***
Para concluir o caso x a cobertura:
- Houve uma denúncia anônima de enriquecimento ilícito contra Ronilson Rodrigues em 2012.
- A Corregedoria abriu processo contra ele. Ouvido, ele alegou inocência. O processo continuou em aberto, mas não andou.
- Rodrigues já não ocupava cargo na Secretaria de Finanças em dezembro de 2012.
- Haddad toma posse em janeiro.
- Rodrigues é nomeado diretor de Finanças da SPTrans em março de 2013 e continuava no cargo até agora.
Como a prefeitura explica isso?
Versão 1: "Nomeação ocorreu antes da suspeita de enriquecimento ilícito" (MENTIRA).
Versão 2: "Havia uma investigação, mas só ouviram o investigado, ninguém fez nada e o processo ficou parado".
PARADO ONDE? POR QUE NÃO FIZERAM NADA JÁ EM JANEIRO e FEVEREIRO?
Versão 3: "Ele não foi afastado para não "alertar" o suspeito a respeito da investigação".
Ele já não devia ter sido NOMEADO. Que havia suspeita de corrupção ele JÁ sabia, porque já tinha sido ouvido e afastado. E é PERFEITAMENTE POSSÍVEL exonerar um funcionário de cargo de confiança (coisa mais comum no serviço público é botar o cara na geladeira, seja lá pela razão que for, justa ou injusta...) sem que ele suspeite de investigação. E uma boa investigação não seria EM NADA prejudicada por atitude do suspeito... Parece até que ele podia ocultar um cadáver ou sacar milhões da sua conta sem ninguém perceber...
***
A Vera Magalhães ainda faz uma "análise":
"A investigação que resultou nas prisões vinha sendo tocada em caráter sigiloso já meses, sob responsabilidade de Mário Vinícius Spinelli, o controlador-geral do município, assessor que Haddad reputa uma de suas melhores escolhas para a equipe".
Ownnnn. Que fofa! Será que ouviu isso diretamente dele? Nosso Antônio Banderas do Anhangabaú?
Pode até ser verdade, porque quem nomeia João Antônio Secretário de Relações Institucionais tem várias opções para apontar como "uma de suas melhores escolhas".
"O timing das prisões teve de ser pensado para evitar que o escândalo e as previsíveis associações entre o esquema de cobrança de propina com a gestão de Kassab não atrapalhassem a discussão do reajuste da tabela do IPTU na Câmara, onde o ex-prefeito ainda tem grande poder de influência".
Por essa lógica o "timing" não deu certo, porque só um dos vereadores do partido do Kassab votou a favor do aumento. Antes da "deflagração das prisões", a maioria do PSD já tinha votado contra o aumento ("salgado", diz a Vera, não "escorchante").
Se acompanhasse um pouquinho só a Câmara Municipal, só um pouco mesmo, a jornalista veria que Haddad tem TOTAL controle sobre a Câmara. Aprova o que quer em tempo nunca visto na história deste país. Influência tem quem distribuir cargo, babe.
Mas ela diz... "Tão logo os vereadores confirmaram o aumento do imposto, os "arefinhos" tiveram sua identidade levada a público pela prefeitura. Kassab, que não costuma passar recibo quando confrontado com acusações de corrupção, disse novamente que não foi ele quem nomeou os acusados".
Ah, Kassab "não passa recibo". Haddad, confrontado com corrupção... Não, pera, Haddad nem é confrontado com corrupção, ele se apresenta como o caçador de marajás e pronto! A assessoria, SE receber perguntas difíceis, que se vire.
"É cedo para dizer se o escândalo, que foi chamado ontem pelo prefeito de um dos mais graves da história da cidade, afastará Kassab da órbita do PT".
Que "foi chamado pelo prefeito". "Quando ele abre a boca, tudo se ilumina", como uma intelectual disse certa vez sobre o Lula. Agora é o Fernando.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
"Resolvemos de maneira clara"
O Fantástico tem mostrado uma série de reportagens da Sonia Bridi que revelam, de maneira chocante, escandalosa, intolerável as BARBARIDADES cometidas pelo governo federal Brasil adentro. Um ABSURDO. Deveria levar a discursos inflamados, protestos enfurecidos (cartas para os jornais, artigos, editoriais, blogs) e medidas judiciais. Era pra derrubar ministro, secretário executivo e encostar a presidente na parede. Ela tinha de ser pressionada até fazer um pronunciamento tentando justificar o injustificável.
Dilma, em outro planeta (em que ela fosse mais honesta e competente), poderia dizer: "EU RECEBI UMA HERANÇA MALDITA. Nos últimos oito anos, bilhões foram torrados em obras mastodônticas, mal planejadas, caríssimas, sem contar os desvios de recursos". Mais honesta ainda, diria "Não posso deixar de reconhecer minha responsabilidade, tendo sido designada "Mãe do PAC" pelo presidente Lula, e tendo aceitado disputar a presidência usando essa experiência como meu principal trunfo".
Como o país virou uma zona em que dificilmente escândalos tem consequências, a Globo ouve uma ministra que fala BARBARIDADES e FICA POR ISSO MESMO.
A matéria deste domingo foi sobre os malditos aeroportos. Aqueles que estariam em condições espetaculares para a Copa do Mundo - afinal, essa era a principal razão para investirmos bilhões em recursos públicos para sediar o evento, o "legado" para a população.
P. nenhuma. Continuam um lixo. Acompanhem, são 12 minutos de reportagem.
Aeroportos do Brasil são piores do que de países da África
Esse é o trecho antológico:
No Brasil, estradas, ferrovias, até a transposição do rio São Francisco começaram sem ter projeto.
“O Brasil ficou 30 anos sem fazer obras. [Ela FALOU isso. Sem ficar vermelha]. Isso desmontou a maior parte das empresas de consultoria para realização de projetos. ["Desmontou" as empresas de "consultoria"??]. Então nós tivemos uma deficiência. Tem poucas empresas no mercado para fazer isso. E nós resolvemos, de maneira bastante clara, de que era mais importante começar a fazer obras e entregar obras importantes que o país precisava mesmo sem ter os projetos executivos prontos, porque o mais caro para o Brasil é não ter a obra. Esse é o custo Brasil mais alto”, aponta a ministra do Planejamento, Miriam Belchior.
Obras importantes foram começadas, sim. E não todas. Entregues??? Nada. Mas resolveram de maneira clara fazer as obras SEM PROJETO EXECUTIVO porque era importante que ficassem prontas logo!!! Que ABSURDO!
Nos últimos 30 anos, São Paulo fez metrô, a pista nova da Imigrantes com túneis enormes, o Rodoanel. As rodovias do estado são, DE LONGE, as melhores do Brasil. Congonhas e o Santos Dumont foram reformados; o Rio fez a Linha Amarela. A Petrobrás descobriu petróleo no pré-sal. Empreiteiras brasileiras foram contratadas para obras gigantescas em outros continentes.
O que a ministra diz é tão irresponsável que ela devia ser PROCESSADA por isso. SE fosse verdade, como o governo poderia decidir fazer as gigantescas Belo Monte, Jirau, Transposição do São Francisco?
E pelo amor de deus, precisa muita coisa para fazer um projeto de aeroporto, reformar rodovias? As empresas "de consultoria" desaprendem, se desatualizam?
O Brasil está muito longe de ser um país "de primeiro mundo", desenvolvido, justo. Quando não conseguimos SEQUER fazer as obras de infraestrutura, quando teremos cidades saudáveis e sustentáveis, educação e saúde de qualidade? Em vez de avançar, andamos para o lado e para trás!!
E nem estranhamos. Assim como o funcionário do necrotério não estranha mais os cadáveres, não nos arrepiamos com as barbaridades feitas em nosso nome.
PS: INCRÍVEL como o governo agora fala com a maior naturalidade que portos, aeroportos e rodovias não terão qualidade se não forem concedidos/ privatizados. Nessa matéria, por exemplo, foi ouvido o ministro Moreira Franco, da Secretaria da Aviação Civil (é, aviação civil também tem direito a secretaria com status de ministério... Haja especialização).
"Para dar conta do investimento necessário, o governo anunciou transferir mais aeroportos para administração privada, como já fez com Guarulhos, Viracopos e Brasília. As empresas vencedoras da licitação administram e fazem ampliações nos terminais. “Só pelo setor público, não vamos conseguir resolver o grande desafio que é garantir ao cidadão brasileiro um sistema aeroportuário adequado”, destaca Moreira Franco".
E nunca, jamais se ouvirá alguém dizendo "revimos nossa posição". E é capaz de nas próximas eleições continuarem demonizando a privatização etc.
Dilma, em outro planeta (em que ela fosse mais honesta e competente), poderia dizer: "EU RECEBI UMA HERANÇA MALDITA. Nos últimos oito anos, bilhões foram torrados em obras mastodônticas, mal planejadas, caríssimas, sem contar os desvios de recursos". Mais honesta ainda, diria "Não posso deixar de reconhecer minha responsabilidade, tendo sido designada "Mãe do PAC" pelo presidente Lula, e tendo aceitado disputar a presidência usando essa experiência como meu principal trunfo".
Como o país virou uma zona em que dificilmente escândalos tem consequências, a Globo ouve uma ministra que fala BARBARIDADES e FICA POR ISSO MESMO.
A matéria deste domingo foi sobre os malditos aeroportos. Aqueles que estariam em condições espetaculares para a Copa do Mundo - afinal, essa era a principal razão para investirmos bilhões em recursos públicos para sediar o evento, o "legado" para a população.
P. nenhuma. Continuam um lixo. Acompanhem, são 12 minutos de reportagem.
Aeroportos do Brasil são piores do que de países da África
Esse é o trecho antológico:
No Brasil, estradas, ferrovias, até a transposição do rio São Francisco começaram sem ter projeto.
“O Brasil ficou 30 anos sem fazer obras. [Ela FALOU isso. Sem ficar vermelha]. Isso desmontou a maior parte das empresas de consultoria para realização de projetos. ["Desmontou" as empresas de "consultoria"??]. Então nós tivemos uma deficiência. Tem poucas empresas no mercado para fazer isso. E nós resolvemos, de maneira bastante clara, de que era mais importante começar a fazer obras e entregar obras importantes que o país precisava mesmo sem ter os projetos executivos prontos, porque o mais caro para o Brasil é não ter a obra. Esse é o custo Brasil mais alto”, aponta a ministra do Planejamento, Miriam Belchior.
Obras importantes foram começadas, sim. E não todas. Entregues??? Nada. Mas resolveram de maneira clara fazer as obras SEM PROJETO EXECUTIVO porque era importante que ficassem prontas logo!!! Que ABSURDO!
Nos últimos 30 anos, São Paulo fez metrô, a pista nova da Imigrantes com túneis enormes, o Rodoanel. As rodovias do estado são, DE LONGE, as melhores do Brasil. Congonhas e o Santos Dumont foram reformados; o Rio fez a Linha Amarela. A Petrobrás descobriu petróleo no pré-sal. Empreiteiras brasileiras foram contratadas para obras gigantescas em outros continentes.
O que a ministra diz é tão irresponsável que ela devia ser PROCESSADA por isso. SE fosse verdade, como o governo poderia decidir fazer as gigantescas Belo Monte, Jirau, Transposição do São Francisco?
E pelo amor de deus, precisa muita coisa para fazer um projeto de aeroporto, reformar rodovias? As empresas "de consultoria" desaprendem, se desatualizam?
O Brasil está muito longe de ser um país "de primeiro mundo", desenvolvido, justo. Quando não conseguimos SEQUER fazer as obras de infraestrutura, quando teremos cidades saudáveis e sustentáveis, educação e saúde de qualidade? Em vez de avançar, andamos para o lado e para trás!!
E nem estranhamos. Assim como o funcionário do necrotério não estranha mais os cadáveres, não nos arrepiamos com as barbaridades feitas em nosso nome.
PS: INCRÍVEL como o governo agora fala com a maior naturalidade que portos, aeroportos e rodovias não terão qualidade se não forem concedidos/ privatizados. Nessa matéria, por exemplo, foi ouvido o ministro Moreira Franco, da Secretaria da Aviação Civil (é, aviação civil também tem direito a secretaria com status de ministério... Haja especialização).
"Para dar conta do investimento necessário, o governo anunciou transferir mais aeroportos para administração privada, como já fez com Guarulhos, Viracopos e Brasília. As empresas vencedoras da licitação administram e fazem ampliações nos terminais. “Só pelo setor público, não vamos conseguir resolver o grande desafio que é garantir ao cidadão brasileiro um sistema aeroportuário adequado”, destaca Moreira Franco".
E nunca, jamais se ouvirá alguém dizendo "revimos nossa posição". E é capaz de nas próximas eleições continuarem demonizando a privatização etc.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Segunda, 28
Pedi média e pão com manteiga na padaria, rapaz que me atendeu puxou conversa. "Se a senhora fosse o governador, presidente, não sei, o que ia fazer com essas casas noturnas?"
"Nessa hora muita gente aparece querendo criar leis, mas tem mais razão aqueles que exigem fiscalização das leis que já existem"
Ele concordou.
Mas pensei melhor e lembrei de mudanças que precisam ser feitas, sim, na legislação.
Para deixá-la mais... simples. Mais clara. Consolidada.
Hoje em dia, a aprovação de projetos, plantas, abertura de um negócio é baseada em um conjunto tão confuso, extenso, indecifrável ou incompreensível conjunto de regras que é muito mais fácil, e às vezes tentador, fazer errado.
Alguns QUEREM fazer certo. Respeitam todas as determinações da prefeitura, Bombeiros, CREA, Inmetro, Vigilância Sanitária, tudo. E não conseguem abrir seu negócio porque, de posse do emaranhado de leis, decretos, portarias e normas técnicas, um funcionário desonesto consegue por obstáculos sem fim, até que o empresário pergunta: "O que mais eu "preciso" fazer para conseguir o alvará/licença de funcionamento?". Aí vem o "cafezinho" - que, conforme o caso, custa tanto quanto a cafeteria completa. E a fiscalização depois será na mesma base - que mané verificar se as saídas de emergência funcionam, é só pagar o café todo mês e pronto.
E tem os casos piores - o empresário nunca quis fazer nada certo, já chega oferecendo uma grana e pronto.
Nas duas versões - extorsão e propina - fiscalização é fundamental. Lógico. Mas insisto: se as normas forem confusas, "misteriosas", as pessoas terão dificuldade de fiscalizar. De fiscalizar o fiscal.
Então, procuremos todos conhecer as regras. Seguir as regras (como alguém lembrou hoje no Bom Dia Brasil, quando você aluga um salão pra festa de casamento, lembra de verificar alvará, segurança etc??), compreendê-las, divulgá-las, brigar por mudanças se for o caso.
***
Conversa continuou com ele me dizendo para "não desistir que eu chego lá". E contando que não desiste também - está a um ano de terminar a faculdade de Turismo. Tem contato com a prefeita de João Pessoa, sua terra, e está mandando projetos para ela avaliar - "Turismo para a terceira idade; programas turísticos com crianças da rede pública". Muito legal. Trocamos emails e espero que ele me mantenha informada;
prometi mandar algumas coisas também.
Ele também quer fazer uma pós, mas "sabe como é dificil conciliar com o trabalho aqui". Gente esforçada, persistente, animada, sonhadora ---> <3 p="">
***
Cenas da cidade: ao meu lado, o filho da dona ou gerente da Lan House, chegou da escola e correu para o computador. Queria jogar "Ben 10" e outras coisas que não ouvi. Tem uns 7 anos, se tanto.
Sentou-se na caderia e, enquanto esperava a máquina ligar, arriscou, com o maior sorriso: "Vou me drogar".
Na mesma hora a mãe saiu do balcão: "O queeeeeee?". Com a cara de espertinho que Deus lhe deu, respondeu: "Nada. Não falei nada".
Claro que ele ouviu alguém falar alguma coisa relacionando droga e internet, talvez condenando o vício em computador, talvez dizendo "eu não preciso de drogas, essa é a minha droga" (trabalhar, estudar, brincar, jogar). Nunca saberei. Mas a mãe foi firme: "Não fala mais essa bobagem. Coisa feia". Ele entendeu direitinho.
***
Até chegar à Lan House - adoro para me concentrar no trabalho - perguntei para umas cinco pessoas diferentes onde encontrar uma. Impressionante como não é mto fácil aqui em São Paulo; já tomei várias canseiras procurando. Fica a dica para quem precisar de uma em Santa Cecília: na travessa da Rua das Palmeiras que tem um Extra na esquina, um pouco pra cima dele. Fica meio escondida no térreo de um prédio, mas tem faixa pendurada da grade. A conexão é bem boa :o)3>
"Nessa hora muita gente aparece querendo criar leis, mas tem mais razão aqueles que exigem fiscalização das leis que já existem"
Ele concordou.
Mas pensei melhor e lembrei de mudanças que precisam ser feitas, sim, na legislação.
Para deixá-la mais... simples. Mais clara. Consolidada.
Hoje em dia, a aprovação de projetos, plantas, abertura de um negócio é baseada em um conjunto tão confuso, extenso, indecifrável ou incompreensível conjunto de regras que é muito mais fácil, e às vezes tentador, fazer errado.
Alguns QUEREM fazer certo. Respeitam todas as determinações da prefeitura, Bombeiros, CREA, Inmetro, Vigilância Sanitária, tudo. E não conseguem abrir seu negócio porque, de posse do emaranhado de leis, decretos, portarias e normas técnicas, um funcionário desonesto consegue por obstáculos sem fim, até que o empresário pergunta: "O que mais eu "preciso" fazer para conseguir o alvará/licença de funcionamento?". Aí vem o "cafezinho" - que, conforme o caso, custa tanto quanto a cafeteria completa. E a fiscalização depois será na mesma base - que mané verificar se as saídas de emergência funcionam, é só pagar o café todo mês e pronto.
E tem os casos piores - o empresário nunca quis fazer nada certo, já chega oferecendo uma grana e pronto.
Nas duas versões - extorsão e propina - fiscalização é fundamental. Lógico. Mas insisto: se as normas forem confusas, "misteriosas", as pessoas terão dificuldade de fiscalizar. De fiscalizar o fiscal.
Então, procuremos todos conhecer as regras. Seguir as regras (como alguém lembrou hoje no Bom Dia Brasil, quando você aluga um salão pra festa de casamento, lembra de verificar alvará, segurança etc??), compreendê-las, divulgá-las, brigar por mudanças se for o caso.
***
Conversa continuou com ele me dizendo para "não desistir que eu chego lá". E contando que não desiste também - está a um ano de terminar a faculdade de Turismo. Tem contato com a prefeita de João Pessoa, sua terra, e está mandando projetos para ela avaliar - "Turismo para a terceira idade; programas turísticos com crianças da rede pública". Muito legal. Trocamos emails e espero que ele me mantenha informada;
prometi mandar algumas coisas também.
Ele também quer fazer uma pós, mas "sabe como é dificil conciliar com o trabalho aqui". Gente esforçada, persistente, animada, sonhadora ---> <3 p="">
***
Cenas da cidade: ao meu lado, o filho da dona ou gerente da Lan House, chegou da escola e correu para o computador. Queria jogar "Ben 10" e outras coisas que não ouvi. Tem uns 7 anos, se tanto.
Sentou-se na caderia e, enquanto esperava a máquina ligar, arriscou, com o maior sorriso: "Vou me drogar".
Na mesma hora a mãe saiu do balcão: "O queeeeeee?". Com a cara de espertinho que Deus lhe deu, respondeu: "Nada. Não falei nada".
Claro que ele ouviu alguém falar alguma coisa relacionando droga e internet, talvez condenando o vício em computador, talvez dizendo "eu não preciso de drogas, essa é a minha droga" (trabalhar, estudar, brincar, jogar). Nunca saberei. Mas a mãe foi firme: "Não fala mais essa bobagem. Coisa feia". Ele entendeu direitinho.
***
Até chegar à Lan House - adoro para me concentrar no trabalho - perguntei para umas cinco pessoas diferentes onde encontrar uma. Impressionante como não é mto fácil aqui em São Paulo; já tomei várias canseiras procurando. Fica a dica para quem precisar de uma em Santa Cecília: na travessa da Rua das Palmeiras que tem um Extra na esquina, um pouco pra cima dele. Fica meio escondida no térreo de um prédio, mas tem faixa pendurada da grade. A conexão é bem boa :o)3>
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Contrariada
"Atraso do PAC pode tirar Dilma de inaugurações". Ah, esse atraso é um sem-vergonha! Golpista!
A "lista de problemas" é outra safada. Chama eles aqui pra gente ter uma conversa.
Deu no Valor Econômico (grifo meu em itálico + negrito)
Burocracia, estudos e projetos mal elaborados, dificuldades com desapropriação e licenciamento ambiental, corrupção, ações judiciais e baixa execução orçamentária. A lista de problemas que impôs ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) uma verdadeira corrida de obstáculos começa a fazer as primeiras vítimas na gestão Dilma Rousseff. Com praticamente metade de seu governo cumprido, Dilma terá que lidar com a contrariedade de não ter mais prazo suficiente para inaugurar uma série de empreendimentos bilionários, obras que foram iniciadas ainda na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a primeira fase do PAC, entre 2007 e 2010.
Vejam que coisa mais impessoal, imprevisível, inevitável: "A lista de problemas" impôs ao PAC uma corrida de obstáculos e agora Dilma terá de lidar com a "contrariedade" de não poder inaugurar empreendimentos bilionários.
Parece que os "problemas" caíram do céu, surgiram do chão, foram trazidos pelo furacão. Mas a lista não tem nada desse tipo (um furacão teria atrapalhado mesmo algumas coisas - mas, como diz a música do Premê: "Aqui/ não tem terremoto/ Aqui/ não tem revolução/ É um país abençoado/ Onde todo mundo mete a mão").
"Burocracia" - ahn, da administração pública, pois não? Sei bem o inferno que é - mas quando você é SUBPREFEITA por um ano, não dá pra mexer substancialmente nisso. Tempo mínimo, poder perto do zero. Mas quando você está na PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA por DEZ ANOS e faz do PAC a coisa mais importante do universo... Não conseguiu mexer na burocracia não?
"Estudos e projetos mal elaborados" - precisa comentar?
"Dificuldades com desapropriação, licenciamento ambiental, ações judiciais" - acontece. Porque as pessoas (proprietários de imóveis afetados pelas obras, por exemplo) tem a possibilidade de entrar na Justiça e é assim que as coisas funcionam e devem funcionar. Ou porque tem gente de má vontade querendo sacanear e sabotar (bem-vindos ao mundo real). Ou porque os "estudos e projetos foram mal elaborados" e por isso mesmo há dificuldades com licenciamento ambiental e a interposição de várias ações judiciais. Oras.
"Corrupção" - ...
"Baixa execução orçamentária" - isso é RESULTADO dos outros problemas. Se tinha previsão no orçamento e o dinheiro não foi gasto, é culpa de burocracia - estudos e projetos mal elaborados - dificuldades com desapropriação ambiental - etc. E... incompetência, falta de interesse, de empenho. Para enfrentar essa "lista de problemas" que surgem no bojo da própria administração pública, cacilda.
Mas a "contrariedade da presidente Dilma", que já está na METADE do seu mandato (e já fez o que mesmo de significativo?) é culpa, também, de seu antecessor, o ex-presidente Luis Inacio. Que fez um milhão de anúncios de um bilhão de obras e elas andaram a passo de automóvel na hora do rush. Portanto, a culpa é também da principal responsável pelo PAC no governo Lula, a quem ele mesmo chamava de "A Mãe do PAC".
Ups.
***
Antes de encerrar, uma salva de aplausos para a imprensa, que publica duzentos anúncios do governo: "PAC 1", "PAC 2", "Minha Casa 1", "Minha Casa 2", "Crack, é Possível Venver", sempre reproduzindo o press-release ("Vamos investir ... BILHÕES de reais") e depois conclui, em uma materiazinha, que a presidente vai ficar "contrariada" porque não vai conseguir inaugurar um monte de coisas prometidas na década passada.
Mas antes da próxima eleição ela anuncia o PAC 3, todo mundo publica, o João Santana faz um filme bem legal mostrando como vai ficar bonito quando tudo estiver pronto e, se o marqueting e a grana funcionarem de novo, Dilma ganha mais quatro anos para tentar driblar a contrariedade. Ah, essa lista de problemas não perde por esperar.
A "lista de problemas" é outra safada. Chama eles aqui pra gente ter uma conversa.
Deu no Valor Econômico (grifo meu em itálico + negrito)
Burocracia, estudos e projetos mal elaborados, dificuldades com desapropriação e licenciamento ambiental, corrupção, ações judiciais e baixa execução orçamentária. A lista de problemas que impôs ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) uma verdadeira corrida de obstáculos começa a fazer as primeiras vítimas na gestão Dilma Rousseff. Com praticamente metade de seu governo cumprido, Dilma terá que lidar com a contrariedade de não ter mais prazo suficiente para inaugurar uma série de empreendimentos bilionários, obras que foram iniciadas ainda na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a primeira fase do PAC, entre 2007 e 2010.
Vejam que coisa mais impessoal, imprevisível, inevitável: "A lista de problemas" impôs ao PAC uma corrida de obstáculos e agora Dilma terá de lidar com a "contrariedade" de não poder inaugurar empreendimentos bilionários.
Parece que os "problemas" caíram do céu, surgiram do chão, foram trazidos pelo furacão. Mas a lista não tem nada desse tipo (um furacão teria atrapalhado mesmo algumas coisas - mas, como diz a música do Premê: "Aqui/ não tem terremoto/ Aqui/ não tem revolução/ É um país abençoado/ Onde todo mundo mete a mão").
"Burocracia" - ahn, da administração pública, pois não? Sei bem o inferno que é - mas quando você é SUBPREFEITA por um ano, não dá pra mexer substancialmente nisso. Tempo mínimo, poder perto do zero. Mas quando você está na PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA por DEZ ANOS e faz do PAC a coisa mais importante do universo... Não conseguiu mexer na burocracia não?
"Estudos e projetos mal elaborados" - precisa comentar?
"Dificuldades com desapropriação, licenciamento ambiental, ações judiciais" - acontece. Porque as pessoas (proprietários de imóveis afetados pelas obras, por exemplo) tem a possibilidade de entrar na Justiça e é assim que as coisas funcionam e devem funcionar. Ou porque tem gente de má vontade querendo sacanear e sabotar (bem-vindos ao mundo real). Ou porque os "estudos e projetos foram mal elaborados" e por isso mesmo há dificuldades com licenciamento ambiental e a interposição de várias ações judiciais. Oras.
"Corrupção" - ...
"Baixa execução orçamentária" - isso é RESULTADO dos outros problemas. Se tinha previsão no orçamento e o dinheiro não foi gasto, é culpa de burocracia - estudos e projetos mal elaborados - dificuldades com desapropriação ambiental - etc. E... incompetência, falta de interesse, de empenho. Para enfrentar essa "lista de problemas" que surgem no bojo da própria administração pública, cacilda.
Mas a "contrariedade da presidente Dilma", que já está na METADE do seu mandato (e já fez o que mesmo de significativo?) é culpa, também, de seu antecessor, o ex-presidente Luis Inacio. Que fez um milhão de anúncios de um bilhão de obras e elas andaram a passo de automóvel na hora do rush. Portanto, a culpa é também da principal responsável pelo PAC no governo Lula, a quem ele mesmo chamava de "A Mãe do PAC".
Ups.
***
Antes de encerrar, uma salva de aplausos para a imprensa, que publica duzentos anúncios do governo: "PAC 1", "PAC 2", "Minha Casa 1", "Minha Casa 2", "Crack, é Possível Venver", sempre reproduzindo o press-release ("Vamos investir ... BILHÕES de reais") e depois conclui, em uma materiazinha, que a presidente vai ficar "contrariada" porque não vai conseguir inaugurar um monte de coisas prometidas na década passada.
Mas antes da próxima eleição ela anuncia o PAC 3, todo mundo publica, o João Santana faz um filme bem legal mostrando como vai ficar bonito quando tudo estiver pronto e, se o marqueting e a grana funcionarem de novo, Dilma ganha mais quatro anos para tentar driblar a contrariedade. Ah, essa lista de problemas não perde por esperar.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Peço desculpas pelo Mensalão, só que não
"Eu me sinto traído por práticas inaceitáveis, das quais nunca tive conhecimento".
"O Brasil tem instituições democráticas sólidas. O Congresso está cumprindo com a sua parte, o Judiciário está cumprindo com a parte dele. Meu governo, com as ações da Polícia Federal, estão investigando a fundo todas as denúncias. Determinei, desde o início, que ninguém fosse poupado, pertença ao meu Partido ou não, seja aliado ou da oposição".
"Queria, neste final, dizer ao povo brasileiro que eu não tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir desculpas. O PT tem que pedir desculpas".
"Isso aconteceu no mundo inteiro, aconteceu no PT.
Os erros cometidos devem servir de ensinamento para que a gente não erre outra vez"
"Eu tenho uma tese (...). Eu acho que tem um mistério, que foi a tentativa de golpe no governo".
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Aquele mau humor persistente
"Pesquisa indica que a inflação prejudica mais os mais pobres". Ah vá.
***
Eu estava crente que os pobres ou não existiam mais, porque o governo LulaDilma levou eles todos ao paraíso (das compras), ou eram protegidos de todos os males pelo governo e sua revolucionária política social.
***
Mas acho que os pobres estão todos em São Paulo, né? O pior lugar do Brasil.
***
São Paulo é uma vergonha. Tem só 70km de metrô! Vai na contramão do Brasil.
***
Sabe por que as cidades brasileiras, especialmente as capitais, estão milhares de km à frente de São Paulo? Porque o partido do MalufPitta (PP) é, há muito tempo, aliado do governo LulaDilma e ocupa o Ministério das Cidades. Como eles tem uma tradição muito boa em política urbana, haja vista o que seu maior expoente fez em São Paulo, fizeram uma revolução no Brasil: metrôs, moradia decente para todo mundo, saneamento básico 100% ao menos nas cidades, trânsito maravilhoso etc.
***
Aliás, a quilometragem do metrô, os milhões de pessoas vivendo em favelas ou conjuntos habitacionais muito sem-vergonha e longe pra cac., as enchentes, o trânsito não tem nada a ver com a passagem do Maluf pela prefeitura e o governo do estado. A culpa é daquele safado do Covas etc.
***
E a lição que o Rio de Janeiro dá pra gente em matéria de Habitação, Transporte e Segurança, hein? Espetáculo! A gente tem muito que aprender. Violência zero!
***
Vamos mudar de assunto e falar da construção de alianças.
O chamado "mensalão", pensavam alguns membros do governo, era só para pagar dívidas de campanha do PT e partidos da base aliada, em função de despesas realizadas com recursos não contabilizados. Pô, se fosse isso tudo bem, né! Que encheção.
Mas eu sempre fiquei curiosa. Digamos que fosse.
- Dívidas de campanha, de vários milhões? Ahn... Com quem, hein? Quem foi que levou um calote desse tamanho?
- Caixa 2, quer dizer, "recursos não contabilizados", são doações feitas "por fora", por quem não quer aparecer como doador. Então peraí, o partido pegou dinheiro "por fora" e ainda precisa de empréstimos vultosos para pagar as dívidas de campanha? Gente, cassa o registro do contador deles.
- Se o partido se enforcou desse jeito durante a campanha, como é que ainda consegue crédito no banco? Vai pegar milhões de recursos emprestados para pagar as dívidas de campanha, quando podia contar inclusive com patrocinadores "por fora", e vai pagar a dívida para o banco (que cobra aqueles juros suaves) como?
***
E muita gente boa, honesta, inteligente defendeu e continua defendendo o PT. Como se o partido fosse deles, não dos demais.
***
Ontem o representante do PSOL em um debate em escola de Ensino Médio condenou, mais uma vez, as doações de campanha feitas por grandes empresas aos outros candidatos. "Ninguém rasga dinheiro! Se alguém doa para um candidato, é porque espera alguma coisa de volta".
No meu mundo, pessoas fazem doações, sim, porque acreditam em uma pessoa, um projeto, uma causa. Não todas, mas elas existem, eu já vi!! Doam para o Greenpeace, os Médicos Sem Fronteiras, o SOS Criança, o Criança Esperança e para algumas campanhas políticas também.
O PSOL acaba criminalizando as doações - e justamente as que são feitas "por dentro", quando os doadores aparecem na prestação de contas. E criminalizando quem aceita doação assim, com registro oficial.
Faz nada bem pra política. A velha divisão do mundo em "o Bem e o Mal".
***
O PSOL arrecadou mais, até agora, que o PPS. Claro, vão dizer que os doadores deles são pessoas do bem, os nossos não.
***
Se é impossível acreditar que alguém faça uma doação de campanha sem estar mal intencionado, então um doador pessoa-física do PSOL - a menos que tenha doado os 5 ou 10 reais que eles mencionam - pode (ou melhor, SERÁ) alguém mal intencionado, certo? Porque uma pessoa física também tem seus problemas, seus interesses...
***
Campanha precisa ser MAIS BARATA, isso sim.
Algumas formas de fazê-lo:
- Voto distrital. Em vez de MIL candidatos a vereador disputando votos pela cidade toda, doze candidatos por distrito.
- Fim do Horário Eleitoral. NÃO SERVE pra escolher candidato. E custa uma fortuna - inclusive os acordos mais absurdos para conseguir aumentar o tempo do TV.
Pra começar, tá bom.
***
Eu estava crente que os pobres ou não existiam mais, porque o governo LulaDilma levou eles todos ao paraíso (das compras), ou eram protegidos de todos os males pelo governo e sua revolucionária política social.
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Mas acho que os pobres estão todos em São Paulo, né? O pior lugar do Brasil.
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São Paulo é uma vergonha. Tem só 70km de metrô! Vai na contramão do Brasil.
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Sabe por que as cidades brasileiras, especialmente as capitais, estão milhares de km à frente de São Paulo? Porque o partido do MalufPitta (PP) é, há muito tempo, aliado do governo LulaDilma e ocupa o Ministério das Cidades. Como eles tem uma tradição muito boa em política urbana, haja vista o que seu maior expoente fez em São Paulo, fizeram uma revolução no Brasil: metrôs, moradia decente para todo mundo, saneamento básico 100% ao menos nas cidades, trânsito maravilhoso etc.
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Aliás, a quilometragem do metrô, os milhões de pessoas vivendo em favelas ou conjuntos habitacionais muito sem-vergonha e longe pra cac., as enchentes, o trânsito não tem nada a ver com a passagem do Maluf pela prefeitura e o governo do estado. A culpa é daquele safado do Covas etc.
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E a lição que o Rio de Janeiro dá pra gente em matéria de Habitação, Transporte e Segurança, hein? Espetáculo! A gente tem muito que aprender. Violência zero!
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Vamos mudar de assunto e falar da construção de alianças.
O chamado "mensalão", pensavam alguns membros do governo, era só para pagar dívidas de campanha do PT e partidos da base aliada, em função de despesas realizadas com recursos não contabilizados. Pô, se fosse isso tudo bem, né! Que encheção.
Mas eu sempre fiquei curiosa. Digamos que fosse.
- Dívidas de campanha, de vários milhões? Ahn... Com quem, hein? Quem foi que levou um calote desse tamanho?
- Caixa 2, quer dizer, "recursos não contabilizados", são doações feitas "por fora", por quem não quer aparecer como doador. Então peraí, o partido pegou dinheiro "por fora" e ainda precisa de empréstimos vultosos para pagar as dívidas de campanha? Gente, cassa o registro do contador deles.
- Se o partido se enforcou desse jeito durante a campanha, como é que ainda consegue crédito no banco? Vai pegar milhões de recursos emprestados para pagar as dívidas de campanha, quando podia contar inclusive com patrocinadores "por fora", e vai pagar a dívida para o banco (que cobra aqueles juros suaves) como?
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E muita gente boa, honesta, inteligente defendeu e continua defendendo o PT. Como se o partido fosse deles, não dos demais.
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Ontem o representante do PSOL em um debate em escola de Ensino Médio condenou, mais uma vez, as doações de campanha feitas por grandes empresas aos outros candidatos. "Ninguém rasga dinheiro! Se alguém doa para um candidato, é porque espera alguma coisa de volta".
No meu mundo, pessoas fazem doações, sim, porque acreditam em uma pessoa, um projeto, uma causa. Não todas, mas elas existem, eu já vi!! Doam para o Greenpeace, os Médicos Sem Fronteiras, o SOS Criança, o Criança Esperança e para algumas campanhas políticas também.
O PSOL acaba criminalizando as doações - e justamente as que são feitas "por dentro", quando os doadores aparecem na prestação de contas. E criminalizando quem aceita doação assim, com registro oficial.
Faz nada bem pra política. A velha divisão do mundo em "o Bem e o Mal".
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O PSOL arrecadou mais, até agora, que o PPS. Claro, vão dizer que os doadores deles são pessoas do bem, os nossos não.
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Se é impossível acreditar que alguém faça uma doação de campanha sem estar mal intencionado, então um doador pessoa-física do PSOL - a menos que tenha doado os 5 ou 10 reais que eles mencionam - pode (ou melhor, SERÁ) alguém mal intencionado, certo? Porque uma pessoa física também tem seus problemas, seus interesses...
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Campanha precisa ser MAIS BARATA, isso sim.
Algumas formas de fazê-lo:
- Voto distrital. Em vez de MIL candidatos a vereador disputando votos pela cidade toda, doze candidatos por distrito.
- Fim do Horário Eleitoral. NÃO SERVE pra escolher candidato. E custa uma fortuna - inclusive os acordos mais absurdos para conseguir aumentar o tempo do TV.
Pra começar, tá bom.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
#Anos70feelings
Relendo reportagens sobre o caso Waldomiro e os rolos Cachoeira/PT/Garotinho etc. 8 anos atrás, estávamos relembrando, eu e um amigo que também era do partido, alguns momentos inacreditáveis de nossa vida petista.
Durante a campanha de 2004, quando fui candidata a primeira vez, ele disse que o Diretório de Pinheiros, do qual ele fazia parte, estava precisando muito de recursos e sugeriu insistentemente (= encheu o saco rsrs) que eu fizesse uma contribuição. Ok, fiz. Achava bom mesmo ajudar meu partido.
Depois fiquei sabendo que membros do Diretório tinham ficado p. comigo: "Qual que é dela, ela não é desse Diretório, tá querendo se aproveitar?"
Ai.
***
No evento de sábado (reunião-almoço em uma padaria perto da Paulista, bem conhecida especialmente porque fica aberta 24horas), conversei com alguns de seus funcionários. Todos moram longe do trabalho, quase todos vieram de mais longe ainda, principalmente do nordeste do país. Alguns bem pequenos, outros já chegando à idade adulta.
Um deles é de Vitória da Conquista, Bahia. Disse que volta lá todo ano para visitar a família, mas não tem a menor intenção de morar lá outra vez. "O pessoal sofre muito. Agora com a seca, então...". "Mas Vitória é uma cidade grande, não é tão afetada; pior é lá no sertão, não é"?
"Olha, o sertão é bem ruim mesmo pra lavoura e pra criação. Mas vai carro-pipa lá e pras pessoas não falta água. Na cidade grande não vai carro-pipa, e a água é racionada. Minha tia mesmo às vezes fica uma semana sem água, então tem de dar um jeito de guardar enquanto tem. Mas chega uma hora que não tem jeito, a água não chega mesmo pra tudo o que tem de fazer".
***
E, pelo que a gente vê e sabe, também tem cidade pequena onde o caminhão-pipa não passa... Hoje mesmo, na TV, uma senhora contava da caminhada de uma hora pra ir e mais uma pra voltar do açude onde consegue um balde de água barrenta. Açude cada vez mais baixo, e a expectativa de chuva é só no ano que vem.
Desde que eu estava no Primário (1973-76), no governo da ditadura, o flagelo da seca era um dos principais emblemas de um país cruel, atrasado, injusto. E as histórias vinham de muito longe... Vidas Secas, Morte e Vida Severina, Asa Branca... Aquilo nos tocava e as freiras faziam questão de cutucar mesmo nossos sentimentos.
Naquela época falava-se muito em "acabar com a seca". Assim como nós nos perguntamos "qual vai ser o governante que finalmente vai acabar com as enchentes em São Paulo?", os brasileiros esperavam o presidente que ia realmente levar chuva para o sertão.
Ainda há quem pense assim - que dá para "acabar com a seca". Aliás, a bilionária, absurda e arrastada transposição do São Francisco ia servir para levar água pra todo canto e "acabar com a miséria", eita!
Eu um dia ouvi o Aziz Ab'Saber dizendo que não tem como acabar com a seca; ela é característica daquela região. O que é preciso é criar condições para viver COM a seca. Foi uma epifania. E pensar que aprendi tudo errado a vida toda!
Enquanto isso, o governo continua com a ideia lá do meu curso Primário, as promessas faraônicas dos anos 70, a prática de mentir sobre as verdadeiras condições da população brasileira do governo da ditadura.
Durante a campanha de 2004, quando fui candidata a primeira vez, ele disse que o Diretório de Pinheiros, do qual ele fazia parte, estava precisando muito de recursos e sugeriu insistentemente (= encheu o saco rsrs) que eu fizesse uma contribuição. Ok, fiz. Achava bom mesmo ajudar meu partido.
Depois fiquei sabendo que membros do Diretório tinham ficado p. comigo: "Qual que é dela, ela não é desse Diretório, tá querendo se aproveitar?"
Ai.
***
No evento de sábado (reunião-almoço em uma padaria perto da Paulista, bem conhecida especialmente porque fica aberta 24horas), conversei com alguns de seus funcionários. Todos moram longe do trabalho, quase todos vieram de mais longe ainda, principalmente do nordeste do país. Alguns bem pequenos, outros já chegando à idade adulta.
Um deles é de Vitória da Conquista, Bahia. Disse que volta lá todo ano para visitar a família, mas não tem a menor intenção de morar lá outra vez. "O pessoal sofre muito. Agora com a seca, então...". "Mas Vitória é uma cidade grande, não é tão afetada; pior é lá no sertão, não é"?
"Olha, o sertão é bem ruim mesmo pra lavoura e pra criação. Mas vai carro-pipa lá e pras pessoas não falta água. Na cidade grande não vai carro-pipa, e a água é racionada. Minha tia mesmo às vezes fica uma semana sem água, então tem de dar um jeito de guardar enquanto tem. Mas chega uma hora que não tem jeito, a água não chega mesmo pra tudo o que tem de fazer".
***
E, pelo que a gente vê e sabe, também tem cidade pequena onde o caminhão-pipa não passa... Hoje mesmo, na TV, uma senhora contava da caminhada de uma hora pra ir e mais uma pra voltar do açude onde consegue um balde de água barrenta. Açude cada vez mais baixo, e a expectativa de chuva é só no ano que vem.
Desde que eu estava no Primário (1973-76), no governo da ditadura, o flagelo da seca era um dos principais emblemas de um país cruel, atrasado, injusto. E as histórias vinham de muito longe... Vidas Secas, Morte e Vida Severina, Asa Branca... Aquilo nos tocava e as freiras faziam questão de cutucar mesmo nossos sentimentos.
Naquela época falava-se muito em "acabar com a seca". Assim como nós nos perguntamos "qual vai ser o governante que finalmente vai acabar com as enchentes em São Paulo?", os brasileiros esperavam o presidente que ia realmente levar chuva para o sertão.
Ainda há quem pense assim - que dá para "acabar com a seca". Aliás, a bilionária, absurda e arrastada transposição do São Francisco ia servir para levar água pra todo canto e "acabar com a miséria", eita!
Eu um dia ouvi o Aziz Ab'Saber dizendo que não tem como acabar com a seca; ela é característica daquela região. O que é preciso é criar condições para viver COM a seca. Foi uma epifania. E pensar que aprendi tudo errado a vida toda!
Enquanto isso, o governo continua com a ideia lá do meu curso Primário, as promessas faraônicas dos anos 70, a prática de mentir sobre as verdadeiras condições da população brasileira do governo da ditadura.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Tudo sempre igual
(Peguei esse texto no Conteúdo Livre. Destaquei em negrito minhas partes favoritas :o))
O governo Dilma Rousseff completa 18 meses. Acumulou fracassos e mais fracassos. O papel de gerente eficiente foi um blefe. Maior, só o de faxineira, imagem usada para combater o que chamou de malfeitos. Na história da República, não houve governo que, em um ano e meio, tenha sido obrigado a demitir tantos ministros por graves acusações de corrupção.
Como era esperado, a presidente não consegue ser a dirigente política do seu próprio governo. Quando tenta, acaba sempre se dando mal. É dependente visceralmente do seu criador. Está satisfeita com este papel. E resignada. Sabe dos seus limites. O presidente oculto vai apontando o rumo e ela segue obediente. Quando não sabe o que fazer, corre para São Bernardo do Campo. A antiga Detroit brasileira virou a Meca do petismo. Nunca tivemos um ex-presidente que tenha de forma tão cristalina interferido no governo do seu sucessor. Lembra o que no México foi chamado de Maximato (1928-1934), quando Plutarco Elias Calles foi o homem forte durante anos, sem que tenha exercido diretamente a presidência. Lá acabou numa ruptura. Em 1935 Lázaro Cárdenas se afastou do "Chefe Máximo" da Revolução. Aqui, nada indica que isso possa ocorrer. Pelo contrário, pode ser que em 2014 o criador queira retomar diretamente as rédeas do poder e mande para casa a criatura.
O PAC - pura invenção de marketing para dar aparência de planejamento estatal - tem como principal marca o atraso no cronograma das obras, além de graves denúncias de irregularidades. O maior feito do "programa" foi ter alçado uma desconhecida construtora para figurar entre as maiores empreiteiras brasileiras. De resto, o PAC é o símbolo da incompetência gerencial: os conhecidos gargalos na infraestrutura continuam intocados, as obras da Copa do Mundo estão atrasadas, o programa "Minha Casa, Minha Vida" não conseguiu sequer atingir 1/3 das metas.
O Nordeste é o exemplo mais cristalino de como age o governo Dilma. A região passa pela seca mais severa dos últimos 30 anos. A falta de chuva já era sabida. Mas as autoridades federais não estavam preocupadas com isso. Pelo contrário. O que interessava era resolver a partilha da máquina estatal na região entre os partidos da base. Duas agências foram entregues salomonicamente: uma para o PMDB (o DNOCS) e outra para o PT (o Banco do Nordeste). E a imprensa noticiou graves desvios nos dois órgãos, que perfazem quase 300 milhões de reais. A "punição" foi a demissão dos gestores. Enquanto isso, desejando mostrar alguma preocupação com os sertanejos, o governo instituiu a bolsa-seca, 80 reais para cada família cadastrada durante 5 meses, perfazendo 400 reais (o benefício será extinto em novembro, pois, de acordo com a presidente, vai chover na região e tudo, magicamente, vai voltar ao normal). Isto mesmo, leitor. Esta é a equidade petista: para os mangões, tudo; para os sertanejos, uma esmola.
Greves pipocam pelo serviço público. As promessas de novos planos de carreiras nunca foram cumpridas. A educação é o setor mais caótico. Não é para menos. Tem à frente o ministro Aloizio Mercadante. Quando passou pelo Ministério da Ciência e Tecnologia nada fez. Só discursou e fez promessas. E as realizações? Nenhuma. Mercadante lembra Venceslau Braz. Durante o quadriênio Hermes da Fonseca, Venceslau foi um vice-presidente sempre ausente da Capital Federal. Vivia pescando em Itajubá. Quando foi alçado à presidência da República, o poeta Emílio de Menezes comentou sarcasticamente: "É o único caso que conheço de promoção por abandono de emprego." Mercadante é um versão século XXI de Venceslau. O sistema federal de ensino superior está parado e vive uma grave crise. O que ele faz? Finge que nada está acontecendo. Quando resolve se manifestar, numa recaída castrense, diz que só negocia quando os grevistas voltarem ao trabalho.
A crise econômica mundial também não mereceu a atenção devida. Como o governo só administra o varejo e não tem um projeto para o país, enfrenta as turbulências com medidas paliativas. Acha que mexendo numa alíquota resolve o problema de um setor. Sempre a política adotada é aquela mais simples. Tudo é feito de improviso. É mais que evidente que o modelo construído ao longo das últimas duas décadas está fazendo água (e não é de hoje). É necessário mudar. Mas o governo não tem a mínima ideia de como fazer isso. Prefere correr desesperadamente atrás do que considera uma taxa de crescimento aceitável eleitoralmente. É a síndrome de 2014. O que importa não é o futuro do país, mas a permanência no poder.
Na política externa, se é verdade que Patriota não tem os arroubos juvenis de Amorim, o que é muito positivo, os dez anos de consulado petista transformaram a Casa de Rio Branco em uma espécie de UNE da terceira idade. A política externa está em descompasso com as necessidades de um país que pretende ter papel relevante na cena internacional. O Itamaraty transformou-se em um ministério marcado por derrotas. A última foi na Rio+20, quando, até por ser a sede do evento, deveria exercer não só um papel de protagonista, como também de articulador. A nossa diplomacia perdeu a capacidade de construir consensos. Assimilou o "estilo bolivariano", da retórica panfletária e vazia, e, algumas vezes, se tornou até caudatária dos caudilhos, como agora na crise paraguaia.
O governo Dilma parece velho, sem iniciativa. Parodiando o poeta: todo dia ele faz tudo sempre igual. E saber que nem completou metade do mandato. Pobre Brasil.
O Globo
26/06/2012
(Ou seja: só não concordo com a parte que diz que, na verdade, é o Lula quem governa. O desgoverno é todo Dilma).
(PS: Comentário no blog: "Anônimo Imagine o (des)governo do PSDB de São Paulo. Faz 20 anos que os tucanos estão falindo o estado, acabando com a educação, aumentando a violência e a mídia vendida não mostra isso. Por isso que só leio essas "babaquices" como as desse articulista tucano por este site, de graça". Ou seja: não assina, não apresenta nenhum argumento para contrapor a tudo o que foi dito (também, vai dizer que o PAC é uma maravilha, a Dilma arrasa na luta contra a corrupção, a infraestrutura não tem gargalos, o ensino superior é um espetáculo etc?) e cai no de sempre: comparar com os tucanos (e quem disse que eles precisam ser o parâmetro de certo e errado nesse mundo? "Se os tucanos fazem, a gente também faz", é assim? "Eles fizeram primeiro, a gente condenava mas quer fazer igual!") e na avacalhação a São Paulo (como se aqui não fosse, apesar do milhão de problemas, um lugar muito mais avançado em políticas públicas do que o resto do Brasil - mesmo os estados mais ricos e menos populosos). Vai ver como está o Maranhão com séculos de Sarney (agora avalizado e apoiado pelo PT!), Recife com 12 anos de PT, o Rio com bastaaante tempo de PMDB...)).
(PS: Comentário no blog: "Anônimo Imagine o (des)governo do PSDB de São Paulo. Faz 20 anos que os tucanos estão falindo o estado, acabando com a educação, aumentando a violência e a mídia vendida não mostra isso. Por isso que só leio essas "babaquices" como as desse articulista tucano por este site, de graça". Ou seja: não assina, não apresenta nenhum argumento para contrapor a tudo o que foi dito (também, vai dizer que o PAC é uma maravilha, a Dilma arrasa na luta contra a corrupção, a infraestrutura não tem gargalos, o ensino superior é um espetáculo etc?) e cai no de sempre: comparar com os tucanos (e quem disse que eles precisam ser o parâmetro de certo e errado nesse mundo? "Se os tucanos fazem, a gente também faz", é assim? "Eles fizeram primeiro, a gente condenava mas quer fazer igual!") e na avacalhação a São Paulo (como se aqui não fosse, apesar do milhão de problemas, um lugar muito mais avançado em políticas públicas do que o resto do Brasil - mesmo os estados mais ricos e menos populosos). Vai ver como está o Maranhão com séculos de Sarney (agora avalizado e apoiado pelo PT!), Recife com 12 anos de PT, o Rio com bastaaante tempo de PMDB...)).
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quinta-feira, 10 de maio de 2012
Mau Humor Rápido
Depois eu continuo no tema "Haddad, o novo Ronaldo". Agora algumas irritações breves com o noticiário de ontem e hoje.
- Como já havia sido previsto nas últimas semanas, número de casos de dengue aumenta muito no país. Agora a explosão é no Ceará. Nem a rede pública nem os convênios privados de saúde estão dando conta de atender os pacientes, que chegam a esperar cinco horas, morrendo de dor e mal-estar, por um atendimento de emergência.
Isso é que dá eleger o Presidengue! Não podemos esquecer que a culpa é do Serra. Quem quiser comprovar dá uma busca aí na blogosfera governista e verá.
- Hoje tem julgamento de cinco pessoas acusadas de matar o prefeito Celso Daniel. Vai ter helicóptero cobrindo a chegada dos réus ao tribunal etc, como no julgamento do Lindemberg, que matou Eloá? Ou não é nada assim tão importante?
- CPI do Cachoeira tem um novo suspeito: "Collor é um dos principais críticos do [Procurador-Geral da República] Roberto Gurgel na CPI e insiste, desde o início dos trabalhos na comissão, que Gurgel seja convocado a depor para que esclareça por que nada fez após receber, em 2009, os autos da Operação Vegas que já apontavam indícios da participação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) com o grupo liderado por Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira".
É, o Collor.
Não sei se o Procurador-Geral demorou demais para tomar providências (formalizar uma denúncia) depois de receber os autos que "apontavam indícios" da "participação" de Demóstenes no grupo de Cachoeira. Sei lá quais eram os "indícios" de que tipo de "participação" surgidos nessa operação de 2009. Pode ser que ele tenha, sim protelado, subestimado, ignorado, sei lá.
Também não sei se isso é uma excelente oportunidade vislumbrada pelos governistas para desviar a atenção de si mesmos e detonar vários adversários ao mesmo tempo: Demóstenes, Gurgel... O Procurador-Geral foi enfático: "Os réus do mensalão querem me desmoralizar". Pode ser, pode ser...
Mas de uma coisa eu tenho certeza: a declaração do cândido (sic) Vaccarezza é de uma candura que faz jus a seu nome: "Se ele tivesse denunciado o Demóstenes, o povo não teria eleito o Demóstenes".
Porque é isso que o povo faz! Denunciados, Maluf, Collor, Renan, João Paulo Cunha, Jáder Barbalho, Agnelo Queiroz, Sarney e outros NUNCA mais foram eleitos pelo povo. O povo é assim: tem indício, tem denúncia, não vota não!
- Ontem anunciaram o indiciamento de cinco funcionários da empresa que opera os bondes de Santa Tereza, no Rio, pelo acidente horroroso que matou vários passageiros e o condutor do bonde (que é um dos acusados). A frota estava em péssimas condições; a manutenção, totalmente inadequada; os investimentos, visivelmente atrasados e/ou subdimensionados. Uma associação de moradores de Santa Tereza já vinha denunciando o sucateamento do serviço há muito tempo. Mas a culpa... Ora, a culpa é do mecânico, do condutor, do faxineiro, do mordomo. O Secretário de Transportes do Rio vai bem, obrigada, e manda um beijo pra mãe, pro governador, pros amiguinhos, pra Xuxa e pra você.
HMPF.
- Como já havia sido previsto nas últimas semanas, número de casos de dengue aumenta muito no país. Agora a explosão é no Ceará. Nem a rede pública nem os convênios privados de saúde estão dando conta de atender os pacientes, que chegam a esperar cinco horas, morrendo de dor e mal-estar, por um atendimento de emergência.
Isso é que dá eleger o Presidengue! Não podemos esquecer que a culpa é do Serra. Quem quiser comprovar dá uma busca aí na blogosfera governista e verá.
- Hoje tem julgamento de cinco pessoas acusadas de matar o prefeito Celso Daniel. Vai ter helicóptero cobrindo a chegada dos réus ao tribunal etc, como no julgamento do Lindemberg, que matou Eloá? Ou não é nada assim tão importante?
- CPI do Cachoeira tem um novo suspeito: "Collor é um dos principais críticos do [Procurador-Geral da República] Roberto Gurgel na CPI e insiste, desde o início dos trabalhos na comissão, que Gurgel seja convocado a depor para que esclareça por que nada fez após receber, em 2009, os autos da Operação Vegas que já apontavam indícios da participação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) com o grupo liderado por Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira".
É, o Collor.
Não sei se o Procurador-Geral demorou demais para tomar providências (formalizar uma denúncia) depois de receber os autos que "apontavam indícios" da "participação" de Demóstenes no grupo de Cachoeira. Sei lá quais eram os "indícios" de que tipo de "participação" surgidos nessa operação de 2009. Pode ser que ele tenha, sim protelado, subestimado, ignorado, sei lá.
Também não sei se isso é uma excelente oportunidade vislumbrada pelos governistas para desviar a atenção de si mesmos e detonar vários adversários ao mesmo tempo: Demóstenes, Gurgel... O Procurador-Geral foi enfático: "Os réus do mensalão querem me desmoralizar". Pode ser, pode ser...
Mas de uma coisa eu tenho certeza: a declaração do cândido (sic) Vaccarezza é de uma candura que faz jus a seu nome: "Se ele tivesse denunciado o Demóstenes, o povo não teria eleito o Demóstenes".
Porque é isso que o povo faz! Denunciados, Maluf, Collor, Renan, João Paulo Cunha, Jáder Barbalho, Agnelo Queiroz, Sarney e outros NUNCA mais foram eleitos pelo povo. O povo é assim: tem indício, tem denúncia, não vota não!
- Ontem anunciaram o indiciamento de cinco funcionários da empresa que opera os bondes de Santa Tereza, no Rio, pelo acidente horroroso que matou vários passageiros e o condutor do bonde (que é um dos acusados). A frota estava em péssimas condições; a manutenção, totalmente inadequada; os investimentos, visivelmente atrasados e/ou subdimensionados. Uma associação de moradores de Santa Tereza já vinha denunciando o sucateamento do serviço há muito tempo. Mas a culpa... Ora, a culpa é do mecânico, do condutor, do faxineiro, do mordomo. O Secretário de Transportes do Rio vai bem, obrigada, e manda um beijo pra mãe, pro governador, pros amiguinhos, pra Xuxa e pra você.
HMPF.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Mau humor matutino - quarta-feira
Foi preso no Rio de Janeiro um sujeito "conhecido" como Marquinhos Sem Cérebro.
Ele faturava R$1.200.000 por mês VENDENDO GÁS.
Os pontos eram disputados no modelo tráfico/milícia - isto é, conforme o figurino do crime organizado. O dono de um depósito de gás foi assassinado com tiros à queima-roupa, câmeras de segurança flagraram o crime e, algum tempo depois, foi preso o "Marquinhos Sem Cérebro".
No seu escritório foram encontradas armas, dinheiro vivo e um mapa da sua "rede" de distribuição.
Conquistada como no tabuleiro do WAR; vários concorrentes - ou fornecedores que não concordavam em vender os botijões e preço menor para ele - já tinham sido assassinados.
EVIDENTEMENTE, as atividades dele - Marquinhos Sem Cérebro - eram beeeem conhecidas. Evidentes. Gritantes.
POR QUE ELE NÃO RODOU ANTES?
POR QUE O PODER PÚBLICO NÃO GARANTE A DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COM SEGURANÇA?
F*da.
Quando falam em "ausência do estado", as pessoas lembram da falta de escola, posto de saúde, posto policial. Mas a falta de abastecimento decente - de gás, eletricidade, água - favorece o poder dos milicianos, traficantes, coronéis em geral.
Até parece que eu tô falando alguma novidade.
***
Aí a Globo anuncia, com aquele tom triunfante, "Mais duas Unidades de Polícia Pacificadora"!
- Há meses "a comunidade pacificada" do Complexo do Alemão conta com "1.700 homens do exército". Pacificada, OI?
- Em março, devido a alguns episódios de violência - tipo tiroteios e execuções, coisas corriqueiras - a comunidade pacificada recebeu o reforço de homens do BOPE e da Tropa de Choque.
- Agora estão sendo instaladas as DUAS PRIMEIRAS UPPs do Alemão. Rapidão!
- Até JUNHO, Bope e o Choque devem sair.
Realmente, um sucesso a operação pacificação do Alemão.
***
Aí a Hillary vem e diz que o Brasil é um modelo no combate à corrupção.
Ooooooooooooooooooooooooiii?
Alguém pode por favor perguntar pra ela "comassim"?
***
Vai ver é a rápida demissão de membros do alto escalão do governo acusados de corrupção e a apuração implacável das denúncias de modo que nada reste sem esclarecimento e punição.
[NOT]
***
Ontem houve manifestação de catadores na entrada de um lixão no Distrito Federal. É, um LIXÃO. Clandestino? Não, oficial. É para onde os caminhões que prestam serviço para a prefeitura levam o produto da coleta domiciliar. LIXÃO na CAPITAL DO PAÍS. Esse país maravilhoso que ultrapassou a Grã-Bretanha entre os maiores do mundo, êêê!
Esse assunto me revolta tanto mas tanto que vou ser um post só sobre ele. Mau humor grand top plus.
***
Somando os comerciais do intervalo do Bom Dia Brasil, temos o seguinte: "Sexo é vida. O Banco do Brasil reduz os juros para melhorar a vida dos brasileiros. Compre um carro".
***
Sobre publicidade de automóveis... Mau humor super grand top plus de luxo exclusivo. Também foi escrever só sobre ela. Depois.
Ele faturava R$1.200.000 por mês VENDENDO GÁS.
Os pontos eram disputados no modelo tráfico/milícia - isto é, conforme o figurino do crime organizado. O dono de um depósito de gás foi assassinado com tiros à queima-roupa, câmeras de segurança flagraram o crime e, algum tempo depois, foi preso o "Marquinhos Sem Cérebro".
No seu escritório foram encontradas armas, dinheiro vivo e um mapa da sua "rede" de distribuição.
Conquistada como no tabuleiro do WAR; vários concorrentes - ou fornecedores que não concordavam em vender os botijões e preço menor para ele - já tinham sido assassinados.
EVIDENTEMENTE, as atividades dele - Marquinhos Sem Cérebro - eram beeeem conhecidas. Evidentes. Gritantes.
POR QUE ELE NÃO RODOU ANTES?
POR QUE O PODER PÚBLICO NÃO GARANTE A DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COM SEGURANÇA?
F*da.
Quando falam em "ausência do estado", as pessoas lembram da falta de escola, posto de saúde, posto policial. Mas a falta de abastecimento decente - de gás, eletricidade, água - favorece o poder dos milicianos, traficantes, coronéis em geral.
Até parece que eu tô falando alguma novidade.
***
Aí a Globo anuncia, com aquele tom triunfante, "Mais duas Unidades de Polícia Pacificadora"!
- Há meses "a comunidade pacificada" do Complexo do Alemão conta com "1.700 homens do exército". Pacificada, OI?
- Em março, devido a alguns episódios de violência - tipo tiroteios e execuções, coisas corriqueiras - a comunidade pacificada recebeu o reforço de homens do BOPE e da Tropa de Choque.
- Agora estão sendo instaladas as DUAS PRIMEIRAS UPPs do Alemão. Rapidão!
- Até JUNHO, Bope e o Choque devem sair.
Realmente, um sucesso a operação pacificação do Alemão.
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Aí a Hillary vem e diz que o Brasil é um modelo no combate à corrupção.
Ooooooooooooooooooooooooiii?
Alguém pode por favor perguntar pra ela "comassim"?
***
Vai ver é a rápida demissão de membros do alto escalão do governo acusados de corrupção e a apuração implacável das denúncias de modo que nada reste sem esclarecimento e punição.
[NOT]
***
Ontem houve manifestação de catadores na entrada de um lixão no Distrito Federal. É, um LIXÃO. Clandestino? Não, oficial. É para onde os caminhões que prestam serviço para a prefeitura levam o produto da coleta domiciliar. LIXÃO na CAPITAL DO PAÍS. Esse país maravilhoso que ultrapassou a Grã-Bretanha entre os maiores do mundo, êêê!
Esse assunto me revolta tanto mas tanto que vou ser um post só sobre ele. Mau humor grand top plus.
***
Somando os comerciais do intervalo do Bom Dia Brasil, temos o seguinte: "Sexo é vida. O Banco do Brasil reduz os juros para melhorar a vida dos brasileiros. Compre um carro".
***
Sobre publicidade de automóveis... Mau humor super grand top plus de luxo exclusivo. Também foi escrever só sobre ela. Depois.
segunda-feira, 19 de março de 2012
Deu no Fantástico
Algumas considerações sobre a matéria que mostrou flagrantes de "acerto" entre empresários e um servidor público (no caso, um repórter) em um hospital no Rio de Janeiro.
1) O hospital onde foi gravada a matéria foi apresentado como "modelo" ou "de excelência". Nas imagens, um prédio que escapa por pouco da descrição "caindo as pedaços". Paredes descascadas e manchadas, com sinais de umidade. Pensei até que o mau estado fazia parte da denúncia... Nas áreas de circulação, a impressão de sujeira e descuido.
2) O diretor do hospital diz que autorizou a gravação para mostrar que, embora os funcionários encarregados de compras sejam invariavelmente suspeitos de corrupção, não é assim em todo lugar.
Impossível discordar da condenação aos empresários corruptores. Mas a desenvoltura com que eles negociam as manobras para driblar as regras, o valor da propina e a forma de pagamento mostra o quanto eles costumam ter a colaboração dos funcionários encarregados das compras... Não vem não.
3) O Ministro da Educação, responsável em última instância pelos hospitais das universidades federais, teria dito que planeja criar uma empresa para padronizar os procedimentos de compras. "Teria dito" porque não há "sonora" com ele (ou seja, não há imagem do próprio ministro dizendo isso) e a ideia me parece tão despropositada e estapafúrdia como solução para a corrupção que prefiro dar a ele o benefício da dúvida.
(Volto a isso mais tarde)
sábado, 10 de março de 2012
Arqueologia 1
Estou revendo a história deste meu blog desde a Antiguidade e encontro vários posts que salvei como "rascunho" (por falta de tempo para comentar etc) e nunca cheguei a publicar. Vou ressuscitar alguns, como o texto abaixo, batizado originalmente de "Valdemar Costa Neto"
A ‘Isto É’ e o ‘Mensalão’ - 3
27 de fevereiro de 2010
AS TESTEMUNHAS DO CAIXA 2
A ação penal no STF traz depoimentos inéditos de testemunhas que comprovam definitivamente grandes movimentações de “dinheiro não contabilizado”, expressão usada pelo petista Delúbio Soares para justificar o Mensalão. Os testemunhos surpreendem, não apenas pelo seu valor jurídico, mas pela naturalidade com que os envolvidos tratam de uma questão criminal como se fosse algo rotineiro.
Ex-presidente do Banco Popular do Brasil, Ivan Guimarães confirmou na Justiça Federal em São Paulo, no dia 27 de maio de 2009, que o PT movimentou dinheiro sujo. “Boa parte da crise era devido a esses empréstimos que não constaram da contabilidade, o caixa 2”, disse Guimarães, dando detalhes dos empréstimos que o PT fez no Rural e no BMG. “Tomei conhecimento destes empréstimos. Eu não me lembro o valor total, mas era algo superior a 40 milhões (de reais).” Guimarães afirmou ter participado das reuniões que escolheram a agência de Marcos Valério para trabalhar nas campanhas do Banco do Brasil, mas responsabilizou o conselho diretor e o ex-diretor Henrique Pizzolato.
Pelos depoimentos, fica evidente que práticas ilegais eram cotidianas nos escritórios dos partidos políticos. Funcionários das legendas não se constrangem ao se declarar abertamente como laranjas do esquema. Coordenadora da campanha do PP em 2004 no Paraná e secretária do ex-deputado José Janene (PP), Rosa Alice Valente confirmou à Justiça em 2009 que sua conta bancária foi utilizada pelo PP para receber dinheiro do PT nacional. O dinheiro chegava através da corretora Bônus Banval, que lavava o dinheiro do Mensalão. “O deputado me disse que foi feito um acordo entre o PT e o PP e que o Enivaldo Quadrado (então dono da Bônus Banval) iria me ligar e daí iria passar na minha conta pra mim (sic) repassar”, disse Rosa.
Entre casos já conhecidos e outros só agora descobertos, as confissões surgem de todo lado. Em Alagoas, o deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT), revelou na Justiça ter recebido R$ 80 mil “não contabilizados” do PT. O dinheiro, segundo ele, era liberado por Delúbio Soares. Presidente do PT no Tocantins na época das fraudes, Divino Nogueira revelou que recebeu dinheiro de caixa 2 do PT nacional, enviado por Delúbio. O ex-deputado baiano Eujácio Simões, que era do extinto PL, afirmou ter recebido R$ 30 mil de caixa 2 do deputado Valdemar Costa Neto (PL-SP), um dos principais protagonistas do esquema.
A ‘Isto É’ e o ‘Mensalão’ - 3
27 de fevereiro de 2010
AS TESTEMUNHAS DO CAIXA 2
A ação penal no STF traz depoimentos inéditos de testemunhas que comprovam definitivamente grandes movimentações de “dinheiro não contabilizado”, expressão usada pelo petista Delúbio Soares para justificar o Mensalão. Os testemunhos surpreendem, não apenas pelo seu valor jurídico, mas pela naturalidade com que os envolvidos tratam de uma questão criminal como se fosse algo rotineiro.
Ex-presidente do Banco Popular do Brasil, Ivan Guimarães confirmou na Justiça Federal em São Paulo, no dia 27 de maio de 2009, que o PT movimentou dinheiro sujo. “Boa parte da crise era devido a esses empréstimos que não constaram da contabilidade, o caixa 2”, disse Guimarães, dando detalhes dos empréstimos que o PT fez no Rural e no BMG. “Tomei conhecimento destes empréstimos. Eu não me lembro o valor total, mas era algo superior a 40 milhões (de reais).” Guimarães afirmou ter participado das reuniões que escolheram a agência de Marcos Valério para trabalhar nas campanhas do Banco do Brasil, mas responsabilizou o conselho diretor e o ex-diretor Henrique Pizzolato.
Pelos depoimentos, fica evidente que práticas ilegais eram cotidianas nos escritórios dos partidos políticos. Funcionários das legendas não se constrangem ao se declarar abertamente como laranjas do esquema. Coordenadora da campanha do PP em 2004 no Paraná e secretária do ex-deputado José Janene (PP), Rosa Alice Valente confirmou à Justiça em 2009 que sua conta bancária foi utilizada pelo PP para receber dinheiro do PT nacional. O dinheiro chegava através da corretora Bônus Banval, que lavava o dinheiro do Mensalão. “O deputado me disse que foi feito um acordo entre o PT e o PP e que o Enivaldo Quadrado (então dono da Bônus Banval) iria me ligar e daí iria passar na minha conta pra mim (sic) repassar”, disse Rosa.
Entre casos já conhecidos e outros só agora descobertos, as confissões surgem de todo lado. Em Alagoas, o deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT), revelou na Justiça ter recebido R$ 80 mil “não contabilizados” do PT. O dinheiro, segundo ele, era liberado por Delúbio Soares. Presidente do PT no Tocantins na época das fraudes, Divino Nogueira revelou que recebeu dinheiro de caixa 2 do PT nacional, enviado por Delúbio. O ex-deputado baiano Eujácio Simões, que era do extinto PL, afirmou ter recebido R$ 30 mil de caixa 2 do deputado Valdemar Costa Neto (PL-SP), um dos principais protagonistas do esquema.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Eu voto distrital
O Imil - Instituto Millenium - apoia o debate sobre a mudança do sistema eleitoral e realiza em São Paulo o 7o Colóquio Colóquio do Instituto Millenium: “Voto Distrital ou Voto Proporcional?”, no dia 13 de setembro, na Fecomercio.
O prefeito de Canoas, na Grande Porto Alegre (RS), Jairo Jorge (PT), é um dos convidados do colóquio. Ele apoia o voto distrital, apesar de o seu partido ainda não ter “formalizado o debate do assunto".
Seguem trechos de sua entrevista ao portal do Instituto.
Instituto Millenium: Quais são as principais vantagens do voto distrital em relação ao sistema que temos hoje?
(...) Penso que o sistema eleitoral vigente aprofunda a crise de legitimidade, de representatividade, o ceticismo e o desencanto das pessoas com a política. Na minha opinião, o voto distrital estabelece um território e uma identidade maior do representante com o representado – um vínculo que é essencial, pois o território é um elemento basilar de identidade das pessoas – e pode inclusive recuperar a política, reencantar as pessoas e estabelecer uma cobrança maior das pessoas, que podem passar a exigir mais transparência, gerando maior controle social. Eu defendo o voto distrital, pois entendo que ele é um instrumento efetivo para reencantar as pessoas e aproximar o representante do representado.
Instituto Millenium: Como o voto distrital pode ajudar ao controle da corrupção?
Jorge: (...) O sistema que temos hoje (...) pode agudizar este desencanto e esse distanciamento, o que leva a uma ausência de fiscalização e controle, permitindo com isso que se amplie a corrupção e práticas negativas. Porque quanto mais vínculo tivermos entre o eleitor e aquele que exerce o mandato – até porque a política não é uma profissão, é uma função pública – quanto maior a proximidade maior o controle e dessa forma teremos mecanismos efetivos de enfrentamento à corrupção.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
A Avacalhação Secreta
Vale a pena ler a transcrição da sessão em que Jaqueline
Roriz foi cassada [Anotação de 31/05/2012: ela NÃO foi cassada, né? Olha o ato falho. Aff. Eu cassei...]
Em alguns momentos, é uma demonstração da política mais
elevada, em que se deixam de lado picuinhas marqueteiras (ai, como tem...) e se fala sério. PSOL, PSDB, PPS, PV e DEM estavam do mesmo lado, com seus líderes se
pronunciando pela cassação da deputada, por ofensa ao decoro do PARLAMENTO. E
assumindo a defesa do fim do voto secreto (como outros parlamentares já o
fizeram em outra ocasião e agora... desencanaram).
¹
O voto secreto foi criado por uma boa razão – para garantir
que parlamentares pudessem votar sem qualquer pressão em matérias como essa,
naturalmente desagradável: a cassação de um colega. Imaginem em outro ambiente
de trabalho: alguém que trabalha com você há anos é acusado de algo. Você e os demais tem de dizer, na frente de
todo mundo: “eu sou a favor que ele seja demitido”. Claro, é o certo – mas
falar é fácil... Deputados não são super-pessoas, são seres humanos (juro!)
como nós.
A Câmara Municipal de São Paulo, sob a presidência de José
Eduardo Cardozo, aboliu o voto secreto. Existe, se não me engano, a
possibilidade de sessão secreta – mas no plenário, o voto é sempre aberto. O
resultado disso é interessante...
Quando a Casa quer diluir a responsabilidade por alguma
votação “esquisita”, o voto é simbólico. O presidente da Sessão diz: “Os que
estiverem favoráveis, permaneçam como estão”. Depois de um milissegundo, ele
diz “Aprovado”. Pronto. Não precisa ter mais de meia dúzia de vereadores em
plenário... Basta que, na abertura da sessão, tenha havido quórum.
Se isso é raro? Que nada! Raro é o contrário: votação
nominal. Que acontece, em alguns casos, por exigência da própria legislação; em
outros, como recurso para obrigar os parlamentares a se expor ou para tentar
barrar um “rolo compressor” do governo, por exemplo.
A eleição para a Mesa Diretora e Corregedor da Casa é
nominal. Mais que isso – os parlamentares não votam no Painel, todos ao mesmo tempo; vão ao microfone, um a um, anunciar seu voto, porque é um nome, não um “sim”
ou “não”.
Desde a primeira eleição, eu pensava “ah, se o voto fosse
secreto”... Porque eu tinha vergonha de decisões da minha bancada. Não queria
votar como meus colegas, mas o partido tinha fechado questão. Fui
votando e tapando o nariz, com cãibras no estômago, até que uma hora não agüentei
mais. Avisei a chefe de gabinete na Bancada: “NÃO POSSO votar em Agnaldo Timóteo
para a Mesa Diretora”. Precisei tomar coragem. Precisei ser veemente na
explicação – como se o mandato não me pertencesse nem um pouco! “Ele se elegeu
com patrocínio da CBF. Ele defende o contrário de quase tudo que eu defendo.
Ele é malufista. Ele nem conhece a cidade direito. EU VOU DIZER O QUE PARA OS
MEUS ELEITORES?”.
A orientação foi surpreendente – depois descobri que não era
nada muito incomum: “Então sai. Vai no banheiro, deixa eles chamarem
teu nome e não aparece”.
No fim, a Sessão cairia por falta de quórum sem o meu voto,
então ela foi me chamar no banheiro (olha que coisa ridícula, que constrangimento) e explicou que eu tinha de votar de
qualquer jeito, senão a eleição da Mesa ficaria pela metade. “Mas eu não posso
ser obrigada a votar nele!”. “Então você se abstém”.
Saímos do banheiro. O plenário parado me esperando voltar.
Chegou a minha vez, fui para o microfone. Quatro ou cinco vereadores me
cercaram, irritados e insistentes: “Vota nele! Segue a tua bancada! Por que
você vai fazer isso? Ele vai se eleger de qualquer jeito. Não faz isso!”.
A intimidação chega a ser física. Eles fizeram um círculo em
volta de mim. Se eu fosse homem, se eu fosse de outro partido, se eu fosse mais
antiga na Casa, ia acontecer o que às vezes acontece: “vias de fato”.
Eu declarei minha abstenção – como não havia outro candidato, era a única
alternativa.
Eleita a Mesa, vinha a eleição para Corregedor da Casa. O
candidato era Wadih Mutran, também do PP. Como já tinha passado pelo batizado
de fogo, nem titubeei: “não voto nele”. Resignada, a chefe de gabinete da
bancada nem argumentou. Paulo Teixeira, então meu colega (e alguém com quem eu
ainda me dou muito bem, apesar das imensas divergências), disse: “Eu também não
vou votar”. Um outro vereador – de quem eu também gosto, acredita?! – virou para
trás e disse, firme: “Não inventa. Você não é a Soninha”.
Era como dizer “ela é café-com-leite, é nova na política, é “artista”,
não é um de nós”. Pra mim, foi um elogio e não uma desqualificação. [31/05/12: não porque eu prefira ser "artista" do que "política". Aliás, larguei de uma coisa (trabalhar em TV) para ficar só com a outra]
Ao longo do mandato, a coisa só piorou. Depois que eu saí do PT,
então... Antes, colegas me defendiam por mero dever institucional, sem a menor
convicção e empenho. Era comum “irem ao banheiro” quando outros tentavam me mandar para a Corregedoria, por
exemplo, por eu ter dito em uma entrevista que havia corrupção na Câmara
Municipal. Não todos – sempre houve os que ficaram lá, com ou sem convicção, e
fizeram seu papel de colegas pra valer, discursando em minha defesa.
Em outras eleições da Mesa, só eu, em toda a Câmara, votei contra o candidato a
presidente, Antonio Carlos Rodrigues, do PR, hoje Suplente da Marta no Senado.
Quem não queria votar nele de jeito nenhum – umas duas ou três pessoas –
faltava à Sessão. Assessores meus, preocupados de verdade comigo, diziam para eu fazer a
mesma coisa. Só faltava implorar: “Por favor, não vá. Basta não aparecer, você
não vota nele e não se expõe”.
De novo, como é que eu ia explicar para meus eleitores – e para
o espelho, fazendo a barba rs – que eu tinha faltado a uma das sessões mais
importantes da Legislatura???
Fui, declarei meu voto contrário e justifiquei –em termos
civilizados e brandos. Mas fui retaliada até o fim do mandato. “Projeto dela?
Está suspensa a sessão. Ou tira da pauta ou não se vota mais nada” – essa foi
uma cena que se repetiu várias vezes. Jornalistas assistiam a isso tudo na
tribuna, achavam bizarro, balançavam a cabeça, brincavam comigo: “O presidente
te adora, hein?”. Mas acho que, com exceção de um jornalista do Estadão
(caramba, como é o nome dele?) [31/05/2012, lembrei: Diego Zancheta] , ninguém publicava uma linha.
Tudo isso para dizer que o voto secreto tem, sim, uma razão
de ser. É uma proteção ao parlamentar. Nesses rincões do Brasil, pode proteger
até sua vida – se em São Paulo vereadores apanham por discordar de algumas
coisas... (Não é modo de dizer. Não aconteceu comigo, mas com colegas na
Legislatura anterior).
Mas como foi completamente deturpado, tem de cair. É a
opinião, também, da Erundina (PSB), e de alguns deputados do PT que se
pronunciaram no plenário – pela cassação de Jaqueline Roriz e pelo fim do voto
secreto. Mas os líderes deses partidos não se pronunciaram... E em entrevista no dia seguinte, Candido
Vaccarezza (PT, líder do governo) disse que NÃO é a favor do fim do voto secreto.
***
Acabei não falando quase nada da sessão em si. Como disse,
vale a pena ler a transcrição. Tem momentos nobres, de alinhamento
verdadeiro de parlamentares sérios de partidos diferentes. E tem um pouco do ridículo das
sessões plenárias, com intervenções nada-a-ver no meio de uma discussão muito
grave.
A gente devia ler transcrição do plenário todo dia, isso
sim.
¹Queria procurar no site o resultado da votação do projeto
que abolia o voto secreto na Câmara, para ver quem votou a favor e hoje
capitula, mas não vou ter tempo. Alguém se habilita?
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Em Boas Mãos
Fuçando notícias sobre a queda do Alfredo Nascimento, Ministro dos Transportes desde o governo Lula, encontrei essa reproduzida aí em cima - que tem o título abaixo:
Não torci pela queda de Alfredo Nascimento, diz Cid Gomes
Em maio, governador do Ceará disse que ministro era inepto e desonesto e chamou a pasta de Transportes de "antro de corrupção"
Em maio, governador do Ceará disse que ministro era inepto e desonesto e chamou a pasta de Transportes de "antro de corrupção"
Imagine se em outro país um governador governista (desculpem a cacofonia) diz isso de um ministro, que tipo de escândalo seria. Aqui, não chegou nem a virar anedota.
Tem mais:
"Há dois meses, motivado pelo mau estado das rodovias federais do Ceará, Cid Gomes fez duras acusações contra o Ministério de Transportes e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Denit). [sic] Ele classificou os órgãos como “laia” e “antro de roubalheira” e usou ainda os adjetivos "inepto, incompetente e desonesto" para se referir ao ministro. O governador chegou a comandar rally para protestar contra o ministro".
A matéria lembra também o que disse o irmão do governador, ex-Ministro da Integração Nacional da mesma aliança:
O ex-deputado Ciro Gomes (PSB-CE), irmão de Cid, já havia afirmado na última segunda-feira (4) que, se estivesse no lugar da presidenta Dilma Rousseff, afastaria do cargo o ministro dos Transportes.
Mas... Apesar de toda a "coragem" para fazer "faxina", Dilma não afastou não. Como lembrou o líder do PR em pronunciamento:
| ||||||||||
O SR. JOSÉ ROCHA (Bloco/PR-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o PR deseja fazer um esclarecimento.
O Líder do PSDB, Duarte Nogueira, sempre tem colocado que o Ministro Alfredo Nascimento foi demitido, o que não é verdade. O Ministro Alfredo Nascimento pediu seu afastamento para ser investigado. E foi mais além: solicitou ao Ministério Público e à CGU que o investigassem, através de requerimento que foi feito por ele próprio. Portanto, não houve demissão e, sim, um pedido do próprio Ministro para que fosse afastado para ser investigado. Também houve o afastamento de funcionários do DNIT para que fossem investigados.
Até o presente momento, Sr. Presidente, nada pesa sobre o Ministro Alfredo Nascimento e os funcionários que foram afastados por atos ilícitos dentro do Ministério.
Era esse o esclarecimento que o PR desejava fazer, para que não continuem aqui a dizer que houve demissão por irregularidades no Ministério dos Transportes.
***
E aí sabe qual é a suprema ironia?
O Líder do PSDB, Duarte Nogueira, sempre tem colocado que o Ministro Alfredo Nascimento foi demitido, o que não é verdade. O Ministro Alfredo Nascimento pediu seu afastamento para ser investigado. E foi mais além: solicitou ao Ministério Público e à CGU que o investigassem, através de requerimento que foi feito por ele próprio. Portanto, não houve demissão e, sim, um pedido do próprio Ministro para que fosse afastado para ser investigado. Também houve o afastamento de funcionários do DNIT para que fossem investigados.
Até o presente momento, Sr. Presidente, nada pesa sobre o Ministro Alfredo Nascimento e os funcionários que foram afastados por atos ilícitos dentro do Ministério.
Era esse o esclarecimento que o PR desejava fazer, para que não continuem aqui a dizer que houve demissão por irregularidades no Ministério dos Transportes.
***
E aí sabe qual é a suprema ironia?
A propaganda.
O anúncio do governo federal que cobre parte da página... "O Brasil está em boas mãos".
Tá em toda parte. TV aberta no horário nobre, circuito interno do metrô de São Paulo, portais na internet. Uma super produção, ufanista, triunfante, cafona... E CARA.
Pra isso tem dinheiro.
domingo, 28 de agosto de 2011
Política de quantitativismo etc
Esse vídeo é tão ruim, mas tão ruim, que me surpreendeu o fato dele estar no canal do Palácio do Planalto. Achei que era do Exilado ou coisa assim.
Eu pensei em fazer graça, dizer que era Embromation, mas não é engraçado. É triste. Dilma fica mexendo nos papéis porque NÃO CONSEGUE DISFARÇAR O DESCONFORTO. O fato de estar absolutamente insegura quanto a o que dizer, como dizer, o que não dizer.
Eu tenho impulsos de pena. "Coitada, ela não tem a menor familiaridade com microfones, câmeras e nem precisa ter. Presidente não é artista".
Mas não dá para ter dó. Ela foi artista na campanha. Aceitou os papéis escritos pelo marqueteiro - durona, Mãe, gerentona, doce, supercatólica. Se soltou quando quis, como naquela coletiva em que vociferou contra a Folha. Se fez de vítima do tema "aborto" mas surfou na onda, chamou Gabriel Chalita para apaziguar os antiaborto, disse que nunca tinha dito o que disse, puxou o tema aborto na primeira pergunta que fez no primeiro debate do segundo turno. Deixou dizerem que ela estava fazendo a tal da "faxina", corajosamente, apesar das resistência na base governista, e quando foi conveniente veio a público repisar que "faxina é na pobreza", porque a coisa estava virando galhofa (e a gente ainda quer a cabeça de alguns ministros, como o do Turismo, então precisa mudar de assunto!!!).
Dilma acaba de participar de reunião importante na China e, sem script, não sabe o que dizer??? Sem o Lula ao lado falando umas bobagens para entreter a plateia, ou vociferando contra as elites inimigas; sem o João Santana dando as palavras-chave, ela volta a ser tímida?
O pior não é a falta de jeito, a timidez. É o conteúdo mesmo. A falta dele, naturalmente. O nada embrulhado, alternadamente, em firmeza, descontração, despiste com ares de grande estratégia.
O repórter perguntou sobre o câmbio. Falar sobre comércio exterior e não estar preparada para responder sobre o câmbio é inacreditável. Ela se atrapalha e descobre, lá no meio da resposta, que estava falando sobre juros. Ah, tá - "e o câmbio?", insiste o repórter. Ah, isso ela não pode responder... É "amarrado". Mas "no horizonte de quatro anos...". #falou.
Dilma entrou em uma roubada sem tamanho. Foi ser presidente de um país que viveu uma das maiores bolhas de "prosperidade" e ilusão de grandeza desde os anos 70 (Ame-o ou Deixe-o!, o País-Continente de praias ensolaradas, matas abundantes e petróleo, "Ninguém segura a juventude do Brasil!"). Só que ela não é da oposição, é a responsável pela continuidade. Não pode dizer "meu filho, eu encontrei uma zona e você não espera que eu resolva de uma hora para a outra".
Então é melhor não dizer nada mesmo, e só aparecer em público com o roteiro bem combinado...
PS: E o desconforto do trio de ministros atrás dela? Se bem que o Lobão - o dono do SBT no Maranhão, segundo o Lula - consegue fazer melhor a cara de esfinge.
Eu pensei em fazer graça, dizer que era Embromation, mas não é engraçado. É triste. Dilma fica mexendo nos papéis porque NÃO CONSEGUE DISFARÇAR O DESCONFORTO. O fato de estar absolutamente insegura quanto a o que dizer, como dizer, o que não dizer.
Eu tenho impulsos de pena. "Coitada, ela não tem a menor familiaridade com microfones, câmeras e nem precisa ter. Presidente não é artista".
Mas não dá para ter dó. Ela foi artista na campanha. Aceitou os papéis escritos pelo marqueteiro - durona, Mãe, gerentona, doce, supercatólica. Se soltou quando quis, como naquela coletiva em que vociferou contra a Folha. Se fez de vítima do tema "aborto" mas surfou na onda, chamou Gabriel Chalita para apaziguar os antiaborto, disse que nunca tinha dito o que disse, puxou o tema aborto na primeira pergunta que fez no primeiro debate do segundo turno. Deixou dizerem que ela estava fazendo a tal da "faxina", corajosamente, apesar das resistência na base governista, e quando foi conveniente veio a público repisar que "faxina é na pobreza", porque a coisa estava virando galhofa (e a gente ainda quer a cabeça de alguns ministros, como o do Turismo, então precisa mudar de assunto!!!).
Dilma acaba de participar de reunião importante na China e, sem script, não sabe o que dizer??? Sem o Lula ao lado falando umas bobagens para entreter a plateia, ou vociferando contra as elites inimigas; sem o João Santana dando as palavras-chave, ela volta a ser tímida?
O pior não é a falta de jeito, a timidez. É o conteúdo mesmo. A falta dele, naturalmente. O nada embrulhado, alternadamente, em firmeza, descontração, despiste com ares de grande estratégia.
O repórter perguntou sobre o câmbio. Falar sobre comércio exterior e não estar preparada para responder sobre o câmbio é inacreditável. Ela se atrapalha e descobre, lá no meio da resposta, que estava falando sobre juros. Ah, tá - "e o câmbio?", insiste o repórter. Ah, isso ela não pode responder... É "amarrado". Mas "no horizonte de quatro anos...". #falou.
Dilma entrou em uma roubada sem tamanho. Foi ser presidente de um país que viveu uma das maiores bolhas de "prosperidade" e ilusão de grandeza desde os anos 70 (Ame-o ou Deixe-o!, o País-Continente de praias ensolaradas, matas abundantes e petróleo, "Ninguém segura a juventude do Brasil!"). Só que ela não é da oposição, é a responsável pela continuidade. Não pode dizer "meu filho, eu encontrei uma zona e você não espera que eu resolva de uma hora para a outra".
Então é melhor não dizer nada mesmo, e só aparecer em público com o roteiro bem combinado...
PS: E o desconforto do trio de ministros atrás dela? Se bem que o Lobão - o dono do SBT no Maranhão, segundo o Lula - consegue fazer melhor a cara de esfinge.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Tá tudo limpinho!
Acabou a faxina!
"Não tem demissão, escala de demissão, demissão todo dia", foi mais ou menos o que a presidente disse.
"Faxina, no meu governo, é faxina da pobreza".
As demissões são "ossos do ofício da presidência".
Palavra do líder do governo:
"Nunca teve isso de faxina. Ninguém disse "vou fazer uma faxina porque o governo da "bichado"."
Olha aí, eu e o Vacarezza do mesmo lado! É isso mesmo, nunca teve "faxina". Foi uma jogada de marketing, o famoso "spin", em que se transforma um fato negativo em algo positivo. Nunca a presidente se determinou a varrer a corrupção do primeiro escalão. As denúncias apareceram e, quando era melhor mandar logo os ministros embora antes que aparecem mais denúncias e provas, ela resolveu "punir" os "malfeitos". Mas já que foram ela mesma que faturou em cima do conceito de "faxineira", agora vai para um novo spin e falar, insistir, repetir que a "faxina" é contra a pobreza.
Ou seja, a vassourinha do Janio continua sendo uma possibilidade.
"Não tem demissão, escala de demissão, demissão todo dia", foi mais ou menos o que a presidente disse.
"Faxina, no meu governo, é faxina da pobreza".
As demissões são "ossos do ofício da presidência".
Palavra do líder do governo:
"Nunca teve isso de faxina. Ninguém disse "vou fazer uma faxina porque o governo da "bichado"."
Olha aí, eu e o Vacarezza do mesmo lado! É isso mesmo, nunca teve "faxina". Foi uma jogada de marketing, o famoso "spin", em que se transforma um fato negativo em algo positivo. Nunca a presidente se determinou a varrer a corrupção do primeiro escalão. As denúncias apareceram e, quando era melhor mandar logo os ministros embora antes que aparecem mais denúncias e provas, ela resolveu "punir" os "malfeitos". Mas já que foram ela mesma que faturou em cima do conceito de "faxineira", agora vai para um novo spin e falar, insistir, repetir que a "faxina" é contra a pobreza.
Ou seja, a vassourinha do Janio continua sendo uma possibilidade.
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