8 de fevereiro, 16h27.
O seu Walter, irmão de um conhecido meu, passou muito mal de madrugada. Parece que o problema é no rim.
Foi para o João Paulo, pronto-socorro que fica perto de onde ele mora (Brasilândia). Chegou morrendo de dor e pediu um remédio. Não sei bem qual foi o diálogo, sei que a médica que o atendeu falou "o sr quer o que, que eu faça milagre"? Ele tomou uma dipirona, que mal aliviou.
A esposa dele, servidora (não sei se da ativa ou aposentada), tem direito ao Hospital do Servidor. Bem cedo, um médico do Posto enviou um fax com o relatório sobre a condição do paciente, solicitando sua remoção para lá. Do Hospital, responderam que não tinham entendido nada, o pedido estava ilegível e eles não podiam mandar ambulância. Diante da oferta/pedido para que falassem por telefone com o médico para que ele explicasse o que não tinha ficado claro, foram taxativos: NÃO. Tem de mandar outro fax.
Enquanto isso, seu Walter, morrendo de dor, está (adivinhe?) no corredor do PS. Deitado no chão.
Finalmente, outro médico fez outro relatório (deve ter mudado o plantão) e novo fax foi enviado. Até agora... Nada de remoção. O cirurgião que o examinou agora é "rapaz moço, muito gente boa". A funcionária encarregada de solicitar a remoção também foi "bem atenciosa". Mas ela disse que até com ela eles lá do hospital foram meio estúpidos no telefone.
***
Trabalhar em hospital, pronto-socorro etc deve ser uma das coisas mais estressantes que há. Mas pelo amor de deus, se as pessoas não tem compaixão por quem sofre, não podem trabalhar em Saúde.
"...But when you talk about destruction/Don't you know that you can count me out"
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sábado, 8 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Ainda a greve em Marte, quer dizer, no Brasil
Ontem à tarde deu no UOL: Greve leva Anvisa a priorizar importações em portos e aeroportos de cinco Estados
(grifos meus)
"Portos e aeroportos de Santa Catarina, de São Paulo, de Pernambuco, do Paraná e do Espírito Santo têm prioridade na aplicação de regras que garantam a continuidade da importação de produtos sujeitos à fiscalização da Vigilância Sanitária. De acordo com o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Dirceu Barbano, os locais enfrentam situação crítica de armazenamento em razão da greve deflagrada por fiscais do órgão desde o último dia 16.
Resolução publicada ontem (7) pela agência reguladora prevê que seja concedido licenciamento antecipado de importação de forma imediata quando a capacidade de armazenamento de cargas nos portos, aeroportos, fronteiras e recintos alfandegados for insuficiente e nos casos em que o pedido para bens e produtos não tenha sido analisado em até cinco dias úteis a partir da data de solicitação pelo importador.
Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, o diretor-presidente da Anvisa (...), Barbano lembrou que a indústria brasileira de genéricos, por exemplo, depende de insumos importados que chegam pelos portos e aeroportos.
“A grande preocupação que temos é em adotar medidas que minimizem o impacto da greve e que, de maneira alguma, gerem fragilidade sanitária. Não podemos, por causa da greve, adotar medidas que permitam a entrada no país de produtos que não tem qualidade, de origem não definida ou mesmo sem autorização legal para a comercialização”, disse".
***
No Twitter, recebi um apelo: "Divulgue isso, estão "flexibilizando" SIM as normas de inspeção sanitária para "minimizar" o impacto da greve". Divulgo, mas KD A P. DA IMPRENSA????
No Twitter, recebi um apelo: "Divulgue isso, estão "flexibilizando" SIM as normas de inspeção sanitária para "minimizar" o impacto da greve". Divulgo, mas KD A P. DA IMPRENSA????
Mau Humor Matinal Federal
Espaço dedicado à greve dos servidores federais no Bom Dia Brasil: zero minuto e zero segundo.
***
Então vamos à cata das notícias no Google
Deu no DCI ontem, às 18h12 : Policiais federais entram em greve em todo o país
De acordo com o presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Distrito Federal (Sindipol-DF), Jones Leal, até o final do dia o comando de greve espera que 70% dos policiais tenham aderido à greve. Será mantido um efetivo de 30%, obrigado por lei, para serviços essenciais.
"Vamos manter o efetivo de 30% trabalhando [para execução de serviços básicos] e atender emergências. Entre os serviços que podem ser prejudicados está a emissão de passaportes e da carteira do estrangeiro, liberação de produtos químicos, entre outros", disse Leal. Segundo ele, "somos menos de 15 mil homens para tomar conta do país. Se tivéssemos mais estrutura e policiais, as ações feitas pelas PF seriam maiores".
A categoria reivindica aumento salarial, melhores condições de trabalho, contratação de novos policiais, além da saída do diretor-geral da PF, delegado Leandro Daiello Coimbra.
O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Marcos Wink, disse que os policiais querem também a reestruturação da carreira para as funções de agentes, escrivães e papiloscopistas.
(...)
***
Então vamos à cata das notícias no Google
Deu no DCI ontem, às 18h12 : Policiais federais entram em greve em todo o país
De acordo com o presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Distrito Federal (Sindipol-DF), Jones Leal, até o final do dia o comando de greve espera que 70% dos policiais tenham aderido à greve. Será mantido um efetivo de 30%, obrigado por lei, para serviços essenciais.
"Vamos manter o efetivo de 30% trabalhando [para execução de serviços básicos] e atender emergências. Entre os serviços que podem ser prejudicados está a emissão de passaportes e da carteira do estrangeiro, liberação de produtos químicos, entre outros", disse Leal. Segundo ele, "somos menos de 15 mil homens para tomar conta do país. Se tivéssemos mais estrutura e policiais, as ações feitas pelas PF seriam maiores".
A categoria reivindica aumento salarial, melhores condições de trabalho, contratação de novos policiais, além da saída do diretor-geral da PF, delegado Leandro Daiello Coimbra.
O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Marcos Wink, disse que os policiais querem também a reestruturação da carreira para as funções de agentes, escrivães e papiloscopistas.
(...)
"Eu não sabia que a PF tinha entrado de greve. Vim renovar meu passaporte, esperei cerca de 15 minutos para ser atendidada. Agora estou preocupada se vão me entregar o documento. Eu vou viajar em outubro, talvez vá complicar para quem precisa do documento com urgência", disse a servidora pública, Susan Faria.
NENHUMA PALAVRA NO BOM DIA DE HOJE???!!! Ah, mas mostraram dez vezes os presos que se esconderam em sacos de lixo para tentar fugir de uma delegacia e o obelisco que quase caiu sobre um carro de polícia em Marília.
***
No Valor Online saiu o seguinte, às 16h36 de ontem: Três categorias engrossarão greve federal com paralisação de 24 horas
A greve parcial dos servidores públicos federais ganha novas adesões com paralisações de 24 horas previstas para esta quarta-feira. Funcionários do Banco Central, Receita Federal e delegados e peritos da Polícia Federal (PF) cruzarão os braços amanhã. Os servidores do Tesouro estão paralisados por 48 horas desde segunda-feira.
[O Valor começa a notícia qualificando a greve como "parcial". Em outros casos, ela chamaria de "greve total"? Nunca vi isso. Quem chama de "parcial" costuma ser o patrão, em nota oficial...]
A onda de greves, que tem como principal reivindicação o reajuste linear de 22% nos vencimentos básicos, se espalha pela Esplanada dos Ministérios. Há mais de 40 dias estão paralisados mais de 350 mil servidores de 35 órgãos públicos de 26 unidades da federação, segundo sindicatos e confederações de várias categorias.
Até agora apenas os professores de universidades e institutos de ensino técnico federal e os técnicos-administrativos dessas instituições receberam propostas formais de reajuste feitas pelo governo (...).
Uma das primeiras categorias a parar, os funcionários de agências reguladoras aproveitarão a quarta-feira para realizar um ato no porto de Santos. (...) A paralisação, segundo o Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências), já chega a 60% dos funcionários de dez agências reguladoras, além do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). A categoria reivindica reajuste de 30,19%.
(...) O Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacon Sindical) estima em 60% a adesão dos servidores da área. Até a tarde de amanhã os servidores decidirão se haverá nova paralisação de 48 horas na próxima semana.
O Sindicato Nacional dos Funcionários do BC (Sinal) espera que 80% dos 4.540 servidores da instituição deixem de trabalhar nesta quarta-feira para reivindicar aumento de 23% nos salários, o que corresponderia às perdas decorrentes da inflação nos últimos quatro anos, segundo o sindicato.
(...) A "operação- padrão" nas aduanas continua e não tem prazo para terminar. A categoria pede reajuste salarial de 30,19%.
A paralisação dos delegados e peritos da PF deve prejudicar a emissão de passaportes e o controle em aeroportos. (...) A categoria pede realização de concurso e recomposição salarial para cobrir a inflação dos três últimos anos.
***
Aguardo manifestações nas grandes capitais - ou em São Paulo, como sempre... - das Centrais Sindicais em apoio e solidariedade aos servidores federais.
NENHUMA PALAVRA NO BOM DIA DE HOJE???!!! Ah, mas mostraram dez vezes os presos que se esconderam em sacos de lixo para tentar fugir de uma delegacia e o obelisco que quase caiu sobre um carro de polícia em Marília.
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No Valor Online saiu o seguinte, às 16h36 de ontem: Três categorias engrossarão greve federal com paralisação de 24 horas
A greve parcial dos servidores públicos federais ganha novas adesões com paralisações de 24 horas previstas para esta quarta-feira. Funcionários do Banco Central, Receita Federal e delegados e peritos da Polícia Federal (PF) cruzarão os braços amanhã. Os servidores do Tesouro estão paralisados por 48 horas desde segunda-feira.
[O Valor começa a notícia qualificando a greve como "parcial". Em outros casos, ela chamaria de "greve total"? Nunca vi isso. Quem chama de "parcial" costuma ser o patrão, em nota oficial...]
A onda de greves, que tem como principal reivindicação o reajuste linear de 22% nos vencimentos básicos, se espalha pela Esplanada dos Ministérios. Há mais de 40 dias estão paralisados mais de 350 mil servidores de 35 órgãos públicos de 26 unidades da federação, segundo sindicatos e confederações de várias categorias.
Até agora apenas os professores de universidades e institutos de ensino técnico federal e os técnicos-administrativos dessas instituições receberam propostas formais de reajuste feitas pelo governo (...).
Uma das primeiras categorias a parar, os funcionários de agências reguladoras aproveitarão a quarta-feira para realizar um ato no porto de Santos. (...) A paralisação, segundo o Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências), já chega a 60% dos funcionários de dez agências reguladoras, além do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). A categoria reivindica reajuste de 30,19%.
(...) O Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacon Sindical) estima em 60% a adesão dos servidores da área. Até a tarde de amanhã os servidores decidirão se haverá nova paralisação de 48 horas na próxima semana.
O Sindicato Nacional dos Funcionários do BC (Sinal) espera que 80% dos 4.540 servidores da instituição deixem de trabalhar nesta quarta-feira para reivindicar aumento de 23% nos salários, o que corresponderia às perdas decorrentes da inflação nos últimos quatro anos, segundo o sindicato.
(...) A "operação- padrão" nas aduanas continua e não tem prazo para terminar. A categoria pede reajuste salarial de 30,19%.
A paralisação dos delegados e peritos da PF deve prejudicar a emissão de passaportes e o controle em aeroportos. (...) A categoria pede realização de concurso e recomposição salarial para cobrir a inflação dos três últimos anos.
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Aguardo manifestações nas grandes capitais - ou em São Paulo, como sempre... - das Centrais Sindicais em apoio e solidariedade aos servidores federais.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Coisas tão simples... (NOT!) - Final
(As Tags sugeridas pelo YouTube para essa série de vídeos incluíam : Fantasy - Martial - turkey)(!!??)
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Sobre salários de professores
A Folha de S.Paulo fez matéria em abril de 2009 que colocava o piso salarial do professor paulista de Ensino Médio – R$ 1.834,00 para 40 horas, sendo 33 horas-aula e 7 horas-atividade - na 14ª colocação entre 27 estados.
* A matéria comparou os pisos salariais, mas não inclui o bônus por desempenho introduzido pelo Governo Estadual. Como exemplo, o valor médio recebido pelo professor paulista em bonificações por resultado este ano foi de R$ 2.997,00. Em 2010, no total, o Governo do Estado pagou R$ 655 milhões na premiação, que atendeu mais de 195 mil pessoas.
* Graças à política de Valorização pelo Mérito, o professor de SP com pelo menos 4 anos de carreira pode ter direito a um adicional de 25% no salário conforme seu desempenho numa avaliação de conhecimentos. Após 4 exames, ele pode chegar ao final da carreira com um salário de R$ 6.270,00. A valorização chega a 20% da categoria a cada ano. Em 2010, 44 mil foram beneficiados.
* Mesmo sem incluir na conta o bônus por desempenho, é bom destacar que o salário inicial paulista é maior do que, entre outros, o praticado no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. É mais que duas vezes o salário inicial em Pernambuco, o pior do Brasil.
* A rede estadual de São Paulo tem 80.538 professores de Ensino Médio, segundo o Censo Escolar 2009 do MEC. Não pode ser comparada à rede estadual de Roraima - o melhor salário - que tem 1.003 professores de Ensino Médio. Roraima pode pagar um salário melhor porque são menos profissionais na ativa e também porque tem menos inativos.
(PS: Este post foi escrito semanas atrás e eu mantive como rascunho por duas razões: precisava confirmar como se dividiam as 40 horas - agora confirmei - e tenho quase certeza que São Paulo já tem muito mais professores do que naquela data. Ainda não cheguei a esse número, mas antes que eu esqueça de novo o post lá atrás, aí está).
* A matéria comparou os pisos salariais, mas não inclui o bônus por desempenho introduzido pelo Governo Estadual. Como exemplo, o valor médio recebido pelo professor paulista em bonificações por resultado este ano foi de R$ 2.997,00. Em 2010, no total, o Governo do Estado pagou R$ 655 milhões na premiação, que atendeu mais de 195 mil pessoas.
* Graças à política de Valorização pelo Mérito, o professor de SP com pelo menos 4 anos de carreira pode ter direito a um adicional de 25% no salário conforme seu desempenho numa avaliação de conhecimentos. Após 4 exames, ele pode chegar ao final da carreira com um salário de R$ 6.270,00. A valorização chega a 20% da categoria a cada ano. Em 2010, 44 mil foram beneficiados.
* Mesmo sem incluir na conta o bônus por desempenho, é bom destacar que o salário inicial paulista é maior do que, entre outros, o praticado no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. É mais que duas vezes o salário inicial em Pernambuco, o pior do Brasil.
* A rede estadual de São Paulo tem 80.538 professores de Ensino Médio, segundo o Censo Escolar 2009 do MEC. Não pode ser comparada à rede estadual de Roraima - o melhor salário - que tem 1.003 professores de Ensino Médio. Roraima pode pagar um salário melhor porque são menos profissionais na ativa e também porque tem menos inativos.
(PS: Este post foi escrito semanas atrás e eu mantive como rascunho por duas razões: precisava confirmar como se dividiam as 40 horas - agora confirmei - e tenho quase certeza que São Paulo já tem muito mais professores do que naquela data. Ainda não cheguei a esse número, mas antes que eu esqueça de novo o post lá atrás, aí está).
De novo, o crime de ser parente
Continua a série de reportagens do Estado de São Paulo e do Jornal da Tarde sobre os meus parentes empregados no governo do estado.
Para o repórter (e para a maioria das pessoas, compreensivelmente), o fato de minhas duas filhas terem sido contratadas recentemente (uma na Secretaria do Meio Ambiente, outra na Cultura) e da minha irmã trabalhar no Cerimonial só pode querer dizer uma coisa: um tipo de "loteamento político". Afinal, eu saí do PT e vim para o PPS, partido da base do governo...
***
Como eu disse a ele, nos últimos 20 anos, por ser apresentadora-de-televisão-vereadora-subprefeita, eu recebi e encaminhei uns duzentos mil currículos. Amigos, filhos e filhas de amigos, afilhados, cunhados, genros, noras, irmãos, primos... Gente querendo trabalhar em um determinado lugar, gente querendo trabalhar em qualquer lugar pelo amor de deus, gente querendo trabalhar na televisão. Mas gente querendo TRABALHAR.
Alguns, simplesmente distribuí. Passei um email: "Se alguém souber...". Outros, realmente recomendei, ou referendei quando me perguntaram. "Pode contratar porque eu sei que ele/ela é bom mesmo".
Recomendei gente para gabinete de vereador, deputado e senador de vários partidos. Para ministérios e Secretarias. Para iniciativa privada.
Se forem fazer uma lista de quem é "peixe meu", não vai ser muito grande, mas vai ter gente pra tudo quanto é lado. Governo federal inclusive.
E o que isso tem a ver com o fato de eu ser do PPS?
Nada.
Nem na Subprefeitura da Lapa, onde eu escolhia quem vinha trabalhar comigo, isso fez a menor diferença. Eu tive lá uma assessora que vota no PSOL, outra que ia votar na Dilma (espero que tenha mudado de idéia, ehehe), outros que nem sei. O cara é bom? Trabalha direito? Isso é o que importa.
***
"Mas suas filhas foram nomeadas em cargos de confiança. O que você acha de parentes de políticos ocuparem cargos de confiança?"
Repeti: uma pessoa não pode ser preferida nem prejudicada por ser parente. Filha, filha de amigo, afilhada, etc.
"Mas se a pessoa é boa mesmo, não deveria entrar por concurso?"
Concurso é uma forma muito desejável de ingresso na administração pública.
MAS... Tem seus problemas e precisa de contínuo aperfeiçoamento:
1) No sistema de ingresso: uma prova teórica que aprove milhares de pessoas de uma vez certamente não permite uma seleção mais criteriosa, individualizada.
2) Na possibilidade de demissão: o servidor concursado, efetivo, não pode ser mandado embora "simplesmente" por ser incompetente. Mesmo sendo sabidamente desonesto, se não tiver "flagrante"... Você dificilmente consegue mandá-lo embora.
Isso pode ser aperfeiçoado, com etapas de seleção diferenciadas, treinamento e observação correta do período de experiência, e com revisão dos procedimentos para desligamento dos servidores. Com medo de perseguição política ou do ruim e velho loteamento, criou-se a estabilidade, mas ela virou, em alguns casos, um problema. Os bons servidores são sobrecarregados e, em grande medida, mal remunerados por "culpa" dos maus servidores.
***
Mesmo com o melhor processo seletivo do mundo e a utilização da estabilidade como defesa dos bons e não como muleta dos maus servidores, ninguém nunca pregou a extinção pura e simples dos cargos de livre provimento, ou "cargos de confiança".
Existem muitas situações em que se deve dar aos chefes a possibilidade de selecionar seus colaboradores diretos. Na Subprefeitura, podendo nomear umas 15 pessoas de minhas escolha, pude selecionar o perfil: uma mais ligada à área de Meio Ambiente, outra à Assistência Social, outra à Cultura...
É tão evidente que a possibilidade de escolher alguém "da sua confiança" é muito desejável em algumas situações, que é triste que, na administração pública, tenha virado sinônimo de bandalheira. E, como sempre, por causa dos malandros, os que não são acabam sendo alvo de desconfiança...
***
"Então como a gente faz pra saber se a pessoa tá lá só porque é parente ou porque trabalha direito?"
Sendo parente ou não sendo parente, é um desafio. Porque se ele perguntar pra mim, claro que eu vou dizer que minha filha é honesta e competente - alguém jamais vai dizer "meu filho é um inútil"? Também não adianta perguntar para o chefe, porque pode estar com medo de se dar mal e defender o funcionário mesmo que ele seja péssimo. "É do vereador tal, não mexe com ele"... Ou então porque faz parte do "esquema", ganha algum para ocultar as maracutaias...
O desafio é dar cada vez mais transparência e controle social. Publicar os nomes de todos os funcionários públicos na internet já é um grande avanço - e eu elaborei o Projeto de Lei que transformava isso em obrgiação e sugeri ao Voto Consciente que o apresentasse na Comissão de Legislação Participativa. Depois carreguei o projeto no colo até a aprovação em plenário, senão ele NUNCA ia sair da pauta. Virou lei.
Mas, de novo, o nome não prova nada. O servidor pode ser concursado ou de livre provimento e ser bom ou mau funcionário. Pode ser parente ou não ser (idem). COMO saber se trabalha direito?
Bom, aí entra a mídia, que faz parte dessa análise. Mas se a mídia apenas der uma busca na internet, fizer dois telefonemas e publicar aspas, pode não ajudar nada. Pode avalizar um picareta e destruir uma pessoa honesta.
***
"É isso que eu estou fazendo, dando transparência. Você não é a favor da transparência?" [ele não disse isso com agressividade]
Pois é, mas o certo seria fazer uma reportagem pra valer. Ir lá, dar plantão na porta da Secretaria. Perguntar para os porteiros, faxineiros, colegas... Botar escuta ambiental, grampear o telefone...
"Mas isso é ilegal".
Verdade. Mas uma conversa da qual ele mesmo fosse o interlocutor poderia ser gravada. Vai lá, não se identifica como repórter e pergunta: "Rachel já chegou? A que horas ela vem? A que horas sai?". Aí vê se é verdade, liga na hora do expediente, pede pra falar com ela, tenta fazer um rolo e vê se ela topa... ISSO é uma reportagem.
"Mas isso é impossível. Quantas pessoas trabalham no governo, quantos são parentes de alguém?"
"Impossível"? Claro que não. Quantas reportagens já foram feitas assim?! Eu passei o dia investigando, por telefone e pela internet, as tais das falsas universidades. Mas se a Unifpel não fosse em Pelotas, eu iria pessoalmente! Se eu tiver um repórter lá, vou pedir que faça a verificação in loco!
Enfim, ele considera que está fazendo a sua parte, "dando transparência" e publicando os fatos - as meninas são minhas filhas, eu sou do PPS, o PPS é da base do governo, isso as torna suspeitas. E cada um que pense (mal) delas o quanto quiser, porque a imprensa fez o seu dever. :o(
Para o repórter (e para a maioria das pessoas, compreensivelmente), o fato de minhas duas filhas terem sido contratadas recentemente (uma na Secretaria do Meio Ambiente, outra na Cultura) e da minha irmã trabalhar no Cerimonial só pode querer dizer uma coisa: um tipo de "loteamento político". Afinal, eu saí do PT e vim para o PPS, partido da base do governo...
***
Como eu disse a ele, nos últimos 20 anos, por ser apresentadora-de-televisão-vereadora-subprefeita, eu recebi e encaminhei uns duzentos mil currículos. Amigos, filhos e filhas de amigos, afilhados, cunhados, genros, noras, irmãos, primos... Gente querendo trabalhar em um determinado lugar, gente querendo trabalhar em qualquer lugar pelo amor de deus, gente querendo trabalhar na televisão. Mas gente querendo TRABALHAR.
Alguns, simplesmente distribuí. Passei um email: "Se alguém souber...". Outros, realmente recomendei, ou referendei quando me perguntaram. "Pode contratar porque eu sei que ele/ela é bom mesmo".
Recomendei gente para gabinete de vereador, deputado e senador de vários partidos. Para ministérios e Secretarias. Para iniciativa privada.
Se forem fazer uma lista de quem é "peixe meu", não vai ser muito grande, mas vai ter gente pra tudo quanto é lado. Governo federal inclusive.
E o que isso tem a ver com o fato de eu ser do PPS?
Nada.
Nem na Subprefeitura da Lapa, onde eu escolhia quem vinha trabalhar comigo, isso fez a menor diferença. Eu tive lá uma assessora que vota no PSOL, outra que ia votar na Dilma (espero que tenha mudado de idéia, ehehe), outros que nem sei. O cara é bom? Trabalha direito? Isso é o que importa.
***
"Mas suas filhas foram nomeadas em cargos de confiança. O que você acha de parentes de políticos ocuparem cargos de confiança?"
Repeti: uma pessoa não pode ser preferida nem prejudicada por ser parente. Filha, filha de amigo, afilhada, etc.
"Mas se a pessoa é boa mesmo, não deveria entrar por concurso?"
Concurso é uma forma muito desejável de ingresso na administração pública.
MAS... Tem seus problemas e precisa de contínuo aperfeiçoamento:
1) No sistema de ingresso: uma prova teórica que aprove milhares de pessoas de uma vez certamente não permite uma seleção mais criteriosa, individualizada.
2) Na possibilidade de demissão: o servidor concursado, efetivo, não pode ser mandado embora "simplesmente" por ser incompetente. Mesmo sendo sabidamente desonesto, se não tiver "flagrante"... Você dificilmente consegue mandá-lo embora.
Isso pode ser aperfeiçoado, com etapas de seleção diferenciadas, treinamento e observação correta do período de experiência, e com revisão dos procedimentos para desligamento dos servidores. Com medo de perseguição política ou do ruim e velho loteamento, criou-se a estabilidade, mas ela virou, em alguns casos, um problema. Os bons servidores são sobrecarregados e, em grande medida, mal remunerados por "culpa" dos maus servidores.
***
Mesmo com o melhor processo seletivo do mundo e a utilização da estabilidade como defesa dos bons e não como muleta dos maus servidores, ninguém nunca pregou a extinção pura e simples dos cargos de livre provimento, ou "cargos de confiança".
Existem muitas situações em que se deve dar aos chefes a possibilidade de selecionar seus colaboradores diretos. Na Subprefeitura, podendo nomear umas 15 pessoas de minhas escolha, pude selecionar o perfil: uma mais ligada à área de Meio Ambiente, outra à Assistência Social, outra à Cultura...
É tão evidente que a possibilidade de escolher alguém "da sua confiança" é muito desejável em algumas situações, que é triste que, na administração pública, tenha virado sinônimo de bandalheira. E, como sempre, por causa dos malandros, os que não são acabam sendo alvo de desconfiança...
***
"Então como a gente faz pra saber se a pessoa tá lá só porque é parente ou porque trabalha direito?"
Sendo parente ou não sendo parente, é um desafio. Porque se ele perguntar pra mim, claro que eu vou dizer que minha filha é honesta e competente - alguém jamais vai dizer "meu filho é um inútil"? Também não adianta perguntar para o chefe, porque pode estar com medo de se dar mal e defender o funcionário mesmo que ele seja péssimo. "É do vereador tal, não mexe com ele"... Ou então porque faz parte do "esquema", ganha algum para ocultar as maracutaias...
O desafio é dar cada vez mais transparência e controle social. Publicar os nomes de todos os funcionários públicos na internet já é um grande avanço - e eu elaborei o Projeto de Lei que transformava isso em obrgiação e sugeri ao Voto Consciente que o apresentasse na Comissão de Legislação Participativa. Depois carreguei o projeto no colo até a aprovação em plenário, senão ele NUNCA ia sair da pauta. Virou lei.
Mas, de novo, o nome não prova nada. O servidor pode ser concursado ou de livre provimento e ser bom ou mau funcionário. Pode ser parente ou não ser (idem). COMO saber se trabalha direito?
Bom, aí entra a mídia, que faz parte dessa análise. Mas se a mídia apenas der uma busca na internet, fizer dois telefonemas e publicar aspas, pode não ajudar nada. Pode avalizar um picareta e destruir uma pessoa honesta.
***
"É isso que eu estou fazendo, dando transparência. Você não é a favor da transparência?" [ele não disse isso com agressividade]
Pois é, mas o certo seria fazer uma reportagem pra valer. Ir lá, dar plantão na porta da Secretaria. Perguntar para os porteiros, faxineiros, colegas... Botar escuta ambiental, grampear o telefone...
"Mas isso é ilegal".
Verdade. Mas uma conversa da qual ele mesmo fosse o interlocutor poderia ser gravada. Vai lá, não se identifica como repórter e pergunta: "Rachel já chegou? A que horas ela vem? A que horas sai?". Aí vê se é verdade, liga na hora do expediente, pede pra falar com ela, tenta fazer um rolo e vê se ela topa... ISSO é uma reportagem.
"Mas isso é impossível. Quantas pessoas trabalham no governo, quantos são parentes de alguém?"
"Impossível"? Claro que não. Quantas reportagens já foram feitas assim?! Eu passei o dia investigando, por telefone e pela internet, as tais das falsas universidades. Mas se a Unifpel não fosse em Pelotas, eu iria pessoalmente! Se eu tiver um repórter lá, vou pedir que faça a verificação in loco!
Enfim, ele considera que está fazendo a sua parte, "dando transparência" e publicando os fatos - as meninas são minhas filhas, eu sou do PPS, o PPS é da base do governo, isso as torna suspeitas. E cada um que pense (mal) delas o quanto quiser, porque a imprensa fez o seu dever. :o(
domingo, 18 de janeiro de 2009
Rede de intrigas
Hoje de manhã, fui a um evento no Pelezão, um clube escola municipal na Lapa. 28 anos atrás, eu ia lá jogar basquete... Minha mãe dava aula na Cultura Inglesa da R. Pio XI; eu pegava carona com ela e encontrava amigos de Peruíbe que moravam ali perto, passava a tarde com eles.
O coitado do Pelezão já passou por fases de total abandono, mas melhorou muito nos últimos anos. Tanto que passou de 500 usuários para 12.000. O acesso é condicionado ao uso de uma carteirinha, mas obtê-la é facílimo (foto 3 X 4, documento de identificação, comprovante de residência).
O Supervisor de Esportes da Sub da Lapa mostrou, justificadamente orgulhoso, algumas das melhorias recentes. “A gente iluminou aquela pista de caminhada. Sabe quanto custou para a prefeitura? 500 reais”. Animador – algumas coisas muito simples deixam de ser feitas apenas por falta de iniciativa; se alguém se importar, elas acontecem.
Nos próximos dias, ficará pronta outra novidade – a piscina se tornará totalmente acessível para cadeirantes. Eles terão vestiário adaptado e uma rampa até a borda da piscina (antes havia degraus). De lá, se tiverem movimento nos braços, conseguem sair sozinhos da cadeira-de-rodas e ir para a água. Algo ao mesmo tempo singelo e fundamental – poder ir sozinho à piscina!
***
A ocasião concentrou dois tipos básicos de reação à minha ida para a Subprefeitura: um, feliz e otimista: “Que bom, eu votei em você, sou seu fã, adoro suas idéias, conta com a gente, tenho certeza que você vai fazer um trabalho muito legal. É um pepino/ uma guerra/ um desafio, mas a gente está torcendo e acreditando”. Outro, especialmente por parte de quem já trabalhou na máquina pública e, em alguns casos, de quem já precisou se relacionar diretamente com ela, tem tom de alerta grave: “Olha... Não é fácil. Você se prepara. A coisa aqui não é bolinho”. E aí contam casos com maior ou menor riqueza de detalhes.
Como já vi em outros lugares, é impressionante a variedade de formas de desonestidade. Por exemplo: tem gente que fala em nome da Subprefeitura sem ter qualquer vínculo real com ela. Concedem autorizações, impõem restrições... O interesse pode ser financeiro (em um caso ou em outro, cobra-se para autorizar, retirar obstáculos) ou político-partidário-beligerante. Exemplo: alguém se apresenta como representante da Subprefeitura e diz: “Vocês se preparem porque qualquer dia desses a prefeitura vai vir aqui e derrubar todas as casas/ fechar a biblioteca/ mandar todo mundo embora/ acabar com o Bilhete Único/ privatizar o hospital e acabar com o atendimento gratuito”. Semeia-se tal terror que é dificílimo convencer as pessoas de que não há risco de aquilo acontecer.
(Não fiquei sabendo disso agora, ao me preparar para o cargo. Acompanhei muitas histórias parecidas como vereadora, tentando desmontar redes de intrigas em vários cantos da cidade).
***
Algumas pessoas se gabam de terem sido responsáveis pela minha indicação para o cargo; outras espalham que eu não vou tomar posse porque elas vetaram meu nome. É incrível.
***
Na “máquina” tem de tudo, é óbvio. Aliás, já devo ter falado isso mil vezes.
Tem, por exemplo, uma funcionária que um dia disse ao chefe: “Não vou mais fazer plantão”. Os plantões fazem parte das suas atribuições; há um rodízio entre todos os funcionários do departamento. O chefe, naturalmente, disse que não poderia atender seu pedido (ordem?). O que ela fez? Passou a usar todas as prerrogativas concedidas aos servidores públicos, tirando seguidas licenças, faltando com e sem justificativa, saindo de férias em seguida... Ou seja, sumiu, largou mão do trabalho, deixou o serviço acumulado para os colegas. E não há quase nada que se possa fazer, uma vez que, oficialmente, está tudo certo, ela só está exercendo seu direito.
Enquanto isso, outra funcionária, de função equivalente à dela, se queixa: “A gente queria fazer muito mais do que faz. Ter mais projetos, mais trabalho”. Fica frustrada com improdutividade ou impotência. É justo que as duas gozem da mesma estabilidade no emprego?
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Existem outras categorias de reação ao meu novo cargo. “Vendida, traidora, duas-caras, oportunista, carreirista, sem-vergonha. Eu sabia, você só queria uma boquinha. Você vai dar sustentação a um partido da ditadura militar”. E também: “Soninha, você sabe o quanto eu gosto de você, não vá. Não porque eu não confie em você, mas porque é missão impossível. É uma máfia/ é muita burocracia/ a estrutura é muito ruim/ você vai encontrar muita sacanagem”.
Não é muito diferente do que eu ouvi quando fui candidata a vereadora e deputada...
Se as pessoas entendem – com bons motivos, infelizmente – que assumir um cargo pode ser o equivalente a arrumar “uma boquinha”, o que elas sugerem que eu faça? Deixe o cargo para quem gosta dessa idéia? Recuse dizendo: “Não, obrigada, eu não quero o cargo porque minha vontade é trabalhar para valer”? – para provar que sou honesta, idealista?
E se entendem que o setor público tem muitos problemas e sacanagens, muita corrupção e má-vontade, o que esperam de mim? Que eu diga “Não, obrigada, eu não quero o cargo, convide alguém que não se importe tanto com os problemas”?
Eu quero problemas... Se fosse formada em medicina, seria do Médico Sem Fronteiras. Quero ir onde tem trabalho para fazer.
***
Um dos problemas típicos do bairro: as árvores muito antigas. Algumas aparentemente frondosas, mas condenadas. Outras precisando de uma poda, que precisa ser autorizada pela Secretaria do Verde ou, em alguns casos, até pelo Compresp (Conselho do Patrimônio Histórico). Enquanto isso não acontece pela dificuldade de entendimento (às vezes há pareceres conflitantes – remover X podar) ou dos trâmites burocráticos, algumas árvores caem. Na última chuva forte, foram sete, uma delas em cima de um carro, derrubando postes e fios. Impressionante a quantidade de gente que já me parou para falar das árvores.
***
Uma observação – perfeita – de um funcionário da Sub: “A comunidade daqui da Pompéia, da Lapa, é muito articulada, exigente. Mas você tem de ir pro Jaguaré e Jaguara. Lá tá muito largado... Comparado com aquilo, isso aqui tá ótimo”.
Claro que não está perfeito, mas não dá para negar que alguns distritos estão muito melhores do que os outros, por razões diversas. (São seis no total: Pompéia, Perdizes, Barra Funda, Leopoldina, Jaguaré, Jaguara). Mas essa diversidade também me atrai. Lindo é poder respeitar as diferenças entre as regiões e superar as desigualdades entre elas.
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Amanhã é a cerimônia de posse. Estou animada e feliz. Não vejo a hora de começar.
O coitado do Pelezão já passou por fases de total abandono, mas melhorou muito nos últimos anos. Tanto que passou de 500 usuários para 12.000. O acesso é condicionado ao uso de uma carteirinha, mas obtê-la é facílimo (foto 3 X 4, documento de identificação, comprovante de residência).
O Supervisor de Esportes da Sub da Lapa mostrou, justificadamente orgulhoso, algumas das melhorias recentes. “A gente iluminou aquela pista de caminhada. Sabe quanto custou para a prefeitura? 500 reais”. Animador – algumas coisas muito simples deixam de ser feitas apenas por falta de iniciativa; se alguém se importar, elas acontecem.
Nos próximos dias, ficará pronta outra novidade – a piscina se tornará totalmente acessível para cadeirantes. Eles terão vestiário adaptado e uma rampa até a borda da piscina (antes havia degraus). De lá, se tiverem movimento nos braços, conseguem sair sozinhos da cadeira-de-rodas e ir para a água. Algo ao mesmo tempo singelo e fundamental – poder ir sozinho à piscina!
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A ocasião concentrou dois tipos básicos de reação à minha ida para a Subprefeitura: um, feliz e otimista: “Que bom, eu votei em você, sou seu fã, adoro suas idéias, conta com a gente, tenho certeza que você vai fazer um trabalho muito legal. É um pepino/ uma guerra/ um desafio, mas a gente está torcendo e acreditando”. Outro, especialmente por parte de quem já trabalhou na máquina pública e, em alguns casos, de quem já precisou se relacionar diretamente com ela, tem tom de alerta grave: “Olha... Não é fácil. Você se prepara. A coisa aqui não é bolinho”. E aí contam casos com maior ou menor riqueza de detalhes.
Como já vi em outros lugares, é impressionante a variedade de formas de desonestidade. Por exemplo: tem gente que fala em nome da Subprefeitura sem ter qualquer vínculo real com ela. Concedem autorizações, impõem restrições... O interesse pode ser financeiro (em um caso ou em outro, cobra-se para autorizar, retirar obstáculos) ou político-partidário-beligerante. Exemplo: alguém se apresenta como representante da Subprefeitura e diz: “Vocês se preparem porque qualquer dia desses a prefeitura vai vir aqui e derrubar todas as casas/ fechar a biblioteca/ mandar todo mundo embora/ acabar com o Bilhete Único/ privatizar o hospital e acabar com o atendimento gratuito”. Semeia-se tal terror que é dificílimo convencer as pessoas de que não há risco de aquilo acontecer.
(Não fiquei sabendo disso agora, ao me preparar para o cargo. Acompanhei muitas histórias parecidas como vereadora, tentando desmontar redes de intrigas em vários cantos da cidade).
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Algumas pessoas se gabam de terem sido responsáveis pela minha indicação para o cargo; outras espalham que eu não vou tomar posse porque elas vetaram meu nome. É incrível.
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Na “máquina” tem de tudo, é óbvio. Aliás, já devo ter falado isso mil vezes.
Tem, por exemplo, uma funcionária que um dia disse ao chefe: “Não vou mais fazer plantão”. Os plantões fazem parte das suas atribuições; há um rodízio entre todos os funcionários do departamento. O chefe, naturalmente, disse que não poderia atender seu pedido (ordem?). O que ela fez? Passou a usar todas as prerrogativas concedidas aos servidores públicos, tirando seguidas licenças, faltando com e sem justificativa, saindo de férias em seguida... Ou seja, sumiu, largou mão do trabalho, deixou o serviço acumulado para os colegas. E não há quase nada que se possa fazer, uma vez que, oficialmente, está tudo certo, ela só está exercendo seu direito.
Enquanto isso, outra funcionária, de função equivalente à dela, se queixa: “A gente queria fazer muito mais do que faz. Ter mais projetos, mais trabalho”. Fica frustrada com improdutividade ou impotência. É justo que as duas gozem da mesma estabilidade no emprego?
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Existem outras categorias de reação ao meu novo cargo. “Vendida, traidora, duas-caras, oportunista, carreirista, sem-vergonha. Eu sabia, você só queria uma boquinha. Você vai dar sustentação a um partido da ditadura militar”. E também: “Soninha, você sabe o quanto eu gosto de você, não vá. Não porque eu não confie em você, mas porque é missão impossível. É uma máfia/ é muita burocracia/ a estrutura é muito ruim/ você vai encontrar muita sacanagem”.
Não é muito diferente do que eu ouvi quando fui candidata a vereadora e deputada...
Se as pessoas entendem – com bons motivos, infelizmente – que assumir um cargo pode ser o equivalente a arrumar “uma boquinha”, o que elas sugerem que eu faça? Deixe o cargo para quem gosta dessa idéia? Recuse dizendo: “Não, obrigada, eu não quero o cargo porque minha vontade é trabalhar para valer”? – para provar que sou honesta, idealista?
E se entendem que o setor público tem muitos problemas e sacanagens, muita corrupção e má-vontade, o que esperam de mim? Que eu diga “Não, obrigada, eu não quero o cargo, convide alguém que não se importe tanto com os problemas”?
Eu quero problemas... Se fosse formada em medicina, seria do Médico Sem Fronteiras. Quero ir onde tem trabalho para fazer.
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Um dos problemas típicos do bairro: as árvores muito antigas. Algumas aparentemente frondosas, mas condenadas. Outras precisando de uma poda, que precisa ser autorizada pela Secretaria do Verde ou, em alguns casos, até pelo Compresp (Conselho do Patrimônio Histórico). Enquanto isso não acontece pela dificuldade de entendimento (às vezes há pareceres conflitantes – remover X podar) ou dos trâmites burocráticos, algumas árvores caem. Na última chuva forte, foram sete, uma delas em cima de um carro, derrubando postes e fios. Impressionante a quantidade de gente que já me parou para falar das árvores.
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Uma observação – perfeita – de um funcionário da Sub: “A comunidade daqui da Pompéia, da Lapa, é muito articulada, exigente. Mas você tem de ir pro Jaguaré e Jaguara. Lá tá muito largado... Comparado com aquilo, isso aqui tá ótimo”.
Claro que não está perfeito, mas não dá para negar que alguns distritos estão muito melhores do que os outros, por razões diversas. (São seis no total: Pompéia, Perdizes, Barra Funda, Leopoldina, Jaguaré, Jaguara). Mas essa diversidade também me atrai. Lindo é poder respeitar as diferenças entre as regiões e superar as desigualdades entre elas.
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Amanhã é a cerimônia de posse. Estou animada e feliz. Não vejo a hora de começar.
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