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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Assunto: Hospital Sorocabana.

Na reunião da Comissão de Saúde, pessoas bem informadas, inteligentes, articuladas e engajadas, fizeram comentários totalmente sem pé nem cabeça 🤦‍♀️

Exemplo:

- "A gente não pode deixar o imbroglio jurídico prejudicar a Saúde. Já tem liminar, só falta vontade política". 

- "A situação fiscal da cidade está equilibrada, o município tem condição de assumir o Sorocabana imediatamente". 

- "Não vamos admitir OS ou Fundação, apenas 100% SUS. Somos contra privatização".
Ai ai ai vamos lá.

1) O alegado "imbroglio" jurídico: o governo do estado, se não me engano à época do Ademar de Barros, cedeu o imóvel para que nele fossem oferecidos serviços de Saúde por uma Associação. A Associação "quebrou" (depois de cometer barbaridades, aos que consta) e o hospital deixou de funcionar. O estado entrou, então, na Justiça, reivindicando a posse do terreno, uma vez que a finalidade para qual foi cedido não estava mais sendo atendida. O resultado foi favorável na forma de liminar, isto é: decisão provisória. Ou seja, o imóvel ainda não foi totalmente reconhecido como sendo do estado, a Justiça ainda precisa... julgar.
Enquanto não julga, não tem como reformar o hospital, equipar o hospital, abrir o hospital. Porque é como se o hospital não fosse do estado...
Como a tal Associação ficou devendo para muita gente, os credores, enquanto isso, entram na Justiça do Trabalho pedindo para sequestrar bens, leiloar o prédio etc para receberem o que lhes é de direito. Às vezes um juiz lhes dá razão, mas aí vem outro juiz e diz: "Não dá pra vender o terreno para pagar as dívidas trabalhistas porque o terreno não é da Associação"!
Enfim, o governo (Poder Executivo) não tem como resolver esse "imbroglio jurídico", porque aguarda uma decisão do Poder Judiciário.
Pesquisamos, aqui no mandato, quem é o juiz encarregado do caso. Pelo que apuramos, ele aguarda a manifestação de um perito. Estamos tentando descobrir exatamente o que falta para o processo andar e o que se pode fazer para "desempacar".

2) "A situação fiscal do município está equilibrada" significa que, a custo de reduzir investimentos, não estamos gastando mais do que arrecadamos. Não quer dizer que temos dinheiro suficiente para fazer tudo que queremos e de que precisamos. Quanto custa a operação mensal de um hospital? Milhões. E hospital não é obrigação "básica" de um município; na hierarquia do SUS, faz mais sentido que hospitais sejam do estado, para que possamos investir mais na Atenção Básica. 

3) Os hospitais públicos operados por Organizações Sociais de Saúde podem perfeitamente ser 100% SUS. Ser 100% SUS não significa ter gestão estatal; significa ser universal e gratuito, e muitos hospitais públicos geridos por OSs e Fundações o são. É completamente diferente de privatizar.
Hospitais que não são "100% SUS" são aqueles que atendem tanto pacientes SUS quanto privados (ou um público específico). Exemplo: o Instituto da Criança, do HC, atende pacientes privados. No que isso é ruim? Criar duas categorias de atendimento no mesmo hospital. Quando minha filha foi atendida lá, a enfermaria infantil do HC aberta ao público em geral era um horror, e o andar privado era lindo. O CERTO seria usar o recurso privado para investimento no hospital de modo a melhorar o atendimento para todo mundo, na minha opinião. Até porque o recurso do SUS é uma mixaria que nem de longe corresponde aos custos reais do atendimento. Aliás... O Hospital do Servidor Municipal, por exemplo, ou o Hospital Universitário da USP só fazem atendimentos gratuitos mas não são 100% SUS - o primeiro só atende SUS na emergência (o HU eu não sei); quem tem direito a outros atendimentos são apenas os servidores municipais. Como a tabela SUS é uma mixaria, o Sindicato dos Servidores já protestou inclusive contra o atendimento a SUS no HSPM (o que o SUS paga não é suficiente para cobrir os custos). 

Dito isso: defendo que o Hospital Sorocabana volte a funcionar, seja de responsabilidade do estado, seja gerido no modelo de contrato de gestão por Organização Social e não me oponho à possibilidade de atendimento a pacientes privados, desde que: 1) isso não sobrecarregue a demanda e afete a "fila do SUS"; 2) o que for obtido de pacientes particulares seja revertido no custeio do atendimento ao público SUS e investimento em melhorias para todos.

**Post original no Facebook em 19 de set de 2018 16:24

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Eu amo o SUS, eu odeio o SUS

Eu acredito que reclamar do que não funciona, especialmente no serviço público, é um dever cívico. Ainda mais quando o caso é grave.

Por omissão de socorro/negligência/discriminação, um amigo meu morreu encostado em um poste da Praça da Sé.

Mandei uma mensagem no dia 5 de janeiro para o Ouvidor SUS via portal, recebi a seguinte resposta:



Curioso eles dizerem ao mesmo tempo "assunto não pertinente" e "demanda não aceita do portal por insuficiência de dados". Em todo caso, atendi às instruções quanto à "insuficiência" e fiz "um novo registro contendo as informações anteriores e as solicitadas acima".

Abri um novo registro. Claro que eu não sabia o "endereço do SAMU" e "o nome do socorrista". Liguei 192 e não perguntei o nome do rapaz que "socorreu" meu amigo; essa informação eu queria que ELES obtivessem. Eu não tenho acesso à escala de trabalho, eles têm. Escrevi:

1 - No início da tarde do dia 16 de dezembro de 2015, foi feito um chamado pelo 192 para socorrer um homem na Praça da Sé, São Paulo, capital, que estava se sentindo mal desde a véspera e que relatava ter escarrado sangue.

2 - Depois de reiterar o pedido muitas e muitas vezes, o socorro foi finalmente prestado por volta da meia-noite.

3- O socorrista foi extremamente rude, demonstrando inequívoca má-vontade, assim como o motorista, que chegou a dizer "eles não querem ir para albergue porque lá não pode beber" - isso porque se tratava de um morador de rua que admitiu ter usado bebida alcoólica naquele dia. Asseverei, no entanto, que ele não estava alcoolizado e que não tínhamos solicitado a ambulância por causa de embriaguez, mas sim por seu estado extremamente debilitado e a suspeita de tuberculose. O socorrista respondeu que "para onde ele vai, AMA Sé, não tem nem maca. Se quiser, vai esperar em cadeira-de-rodas", sugerindo, mais uma vez, que o homem estivesse apenas procurando um lugar para passar a noite.

4 - Testemunhas relatam que, pouco tempo depois (a estimativa varia de "15 minutos" a "meia hora"), o homem socorrido estava de volta e passou a noite toda ao relento, no frio. Na manhã seguinte foi ao banheiro com enorme dificuldade para andar; pouco depois "começou a tremer o corpo todo". Não tardou muito para ele vir a falecer no chão da praça, não reagindo sequer a tentativa de ressuscitação por uma integrante da Guarda Civil.

5 - Para corroborar o relato das testemunhas, procurei a AMA Sé e não há qualquer registro de entrada desse paciente na noite de quarta/madrugada de quinta-feira.

6 - Minha reclamação anterior não foi aceita porque não continha o nome do socorrista. Incluo assim neste novo registro o pedido para que seja fornecido o nome do socorrista e do motorista que atenderam aquele chamado, uma vez que o sistema deve conter essa informação.

Hoje, 20 de janeiro, recebi duas mensagens no mesmo horário. Uma dizia:

REGISTRAMOS SUA DEMANDA SOB PROTOCOLO 1665560 E ENCAMINHAMOS PARA SERVIÇO DE ATENDIMENTO MÓVEL DE URGÊNCIA - SAMU/SP

CASO QUEIRA ACRESCENTAR NOVAS INFORMAÇÕES OU ALTERAR DADOS DO REGISTRO EFETUADO, POR FAVOR ENTRE EM CONTATO COM O NOSSO SERVIÇO DE OUVIDORIA.

ATENCIOSAMENTE,

OUVIDORIA DO SUS

MENSAGEM AUTOMÁTICA. NÃO RESPONDA ESTE E-MAIL.

SECRETARIA MUNICIPAL DA SAÚDE DE SÃO PAULO - SP
OUVIDORIA CENTRAL DA SAÚDE - SMS/OCS
ENDEREÇO DA OUVIDORIA: RUA GENERAL JARDIM, 36 -
VILA BUARQUE

DISQUE OUVIDORIA SUS SMS-SP - 156

A outra:

MENSAGEM DE REJEIÇÃO DE REGISTRO DA DEMANDA


PREZADO(A) SR(A) SONIA FRANCINE GASPAR MARMO,

A SUA DEMANDA FOI REJEITADA SEGUNDO O MOTIVO ABAIXO DESCRITO:


ASSUNTO NÃO PERTINENTE: DEMANDA JÁ CADASTRADA COM MESMO TEOR


OBSERVAÇÃO: MUNÍCIPE JÁ FEZ DENUNCIA COM O MESMO TEOR


HTTP://WWW.SAUDE.GOV.BR/OUVIDORSUS/ACOMPANHAMENTOWEB


ATENCIOSAMENTE,

OUVIDORIA DO SUS


Inacreditável. A Ouvidoria diz "Faltam dados, faça outro registro com as informações anteriores e as solicitadas acima". Depois diz "Demanda rejeitada, você já fez denúncia com o mesmo teor". Estão de brincadeira. Espero, em todo caso, que essa resposta cretina seja da Ouvidoria Nacional, e que a Municipal tenha realmente encaminhado a demanda para o SAMU. Vou pessoalmente lá, já que eles fornecem o endereço e tudo, para me certificar.

Enquanto isso, quero reclamar da Ouvidoria do SUS. Ao Papa, talvez.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Pode ser bom sem ser perigoso

No começo, era o medo. As campanhas contra a AIDS apelavam para o Bicho-Papão, o Boi-da-Cara-Preta. A AIDS VAI TE PEGAR. AIDS MATA.
No começo, ela era a “peste gay”, que vinha para castigar os homossexuais.

A transmissão do HIV acontece por meio de sexo oral, com penetração vaginal e anal. No caso da penetração anal, a possibilidade de haver microfissuras é maior, portanto aumenta o contato do sêmen com o sangue. Mas também é possível contrair o HIV com alicates de cutícula ou equipamentos odontológicos não esterilizados – nem por isso manicures e dentistas foram apontados como Cavaleiros do Apocalipse, e os gays foram.

***
Se hoje em dia um texto falando em penetração anal, sêmen, sexo oral não é confortável para muitos, imagine no começo dos anos 90. A palavra “camisinha” já gerava constrangimento. Pênis então...

***
Na MTV, a gente fazia questão de falar muito sobre AIDS. Esse era um ponto importante também para a “matriz”, a MTV americana. Eles produziam documentários excelentes, criavam campanhas muito bem sacadas, veiculavam videoclipes de projetos especiais em benefício de portadores do vírus. Passávamos o material que eles produziam e fazíamos algumas coisas por aqui também.

Nas entrevistas e debates, chamávamos os “especialistas”. Médicos infectologistas, orientadores educacionais, ativistas - o pessoal “das ONGs”. Os primeiros falavam super didaticamente com a linguagem formal e cuidadosa; os ativistas eram didáticos com linguagem coloquial e modos desavergonhados. Inesquecível a participação da Terezinha Reis Pinto, da Aptateen, em um Barraco MTV. O ponto era: provar que a camisinha não “cortava o barato” da relação sexual; que, ao contrário, colocar a camisinha poderia ser parte do jogo erótico. Para demonstrar, ela punha uma camisinha em uma banana e ia desenrolando e vestindo a dita cuja COM A BOCA. Ao vivo na televisão. Perfeito!!!

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Nas reuniões da redação, tínhamos 3 preocupações:

1 – Alertar enfaticamente para o risco de contrair AIDS por meio de relações desprotegidas. Não "relações homossexuais", não "sexo anal", não relações “promíscuas”, ocasionais... DESPROTEGIDAS e pronto. A pessoa mais recatada do mundo pode ter uma relação monogâmica, heterossexual, com penetração vaginal, na posição convencional, e pegar a doença. Com um parceiro ou com dez, com o marido ou um desconhecido na balada, não existe relação segura sem proteção. Ah, e basta uma vez. Também não tem essa de “gozar fora” – não serve para evitar a gravidez nem para deixar de pegar uma DST. Ah, você acha que a pessoa “tem cara” de quem não tem AIDS? “AIDS não tem cara”. Se cuide, se cuide, se cuide.

Essa era a linha de comunicação “assim pega”!

2 – Informar que uma pessoa com AIDS não é uma ameaça ambulante. Não deve ser expulsa, banida, estigmatizada, evitada, condenada, punida. Ela tem uma doença, só isso, como tantas outras. Não deve ser considerada inferior, pior, indecente, imoral, depravada. E não transmite a doença em um aperto de mão, abraço, beijo, usando o mesmo copo, muito menos frequentando o mesmo ambiente. Antes as pessoas não queriam pegar elevador com um doente de AIDS... Não é à toa que passou a ser obrigatório colocar a plaquinha do lado de fora proibindo a discriminação.

Esta era a comunicação “Assim não pega”!

3 – Informar à pessoa com AIDS que ela não estava condenada à morte (algumas SE MATARAM mal souberam que tinham o HIV). Que a AIDS não tem cura, mas tem tratamento. Que é fundamental ir atrás, exigir e aderir a ele. Que é importante saber se tem AIDS ou não!

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Precisava haver um equilíbrio entre o alerta para evitar o contágio e a sensibilização para não discriminar quem já estivesse com o vírus. A gente também precisava se informar sempre, atentar para as dúvidas e mitos que surgiam. Tínhamos de nos dirigir às gestantes, aos profissionais de Saúde, às pessoas mais velhas, aos “desencanados”, aos publicitários, à autoridades, às mães amamentando...

Era uma nova mensagem a cada “temporada”. “Se você pensa que, porque já tem AIDS, pode transar desprotegido, está ERRADO: aumentar a carga viral é ruim para você”. “Se o HIV não aparecer em um exame feito logo depois de uma relação desprotegida ou de algum tipo de exposição a sangue não contaminado, refaça o exame depois de 3 meses, existe uma “janela” em que pode dar falso negativo”. “NÃO DOE SANGUE só com a intenção de fazer o teste anti-HIV – faça o teste gratuitamente se é apenas isso que você quer saber”. “NÃO É VERDADE que a camisinha NÃO SEGURA o vírus da AIDS”.

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Muitos achavam que distribuir camisinha, falar de AIDS para adolescentes e jovens, preconizar o sexo seguro eram coisas INDECENTES. Que oferecer tratamento no SUS para quem tem AIDS era uma afronta aos “cidadãos de bem”. Havia protestos e manifestações indignadas de igrejas. Pensa que é de hoje que se tem problemas desse tipo? Aliás, não venham as autoridades usar “os conservadores” (que deveriam ser chamados de “retrógrados”, isso sim, porque não querem manter as coisas como estão, querem voltar ao que já foi superado) como pretexto para não avançar. Quem realmente quer fazer acontecer, com convicção de que é o melhor para a população e coragem para segurar a bronca, “peita” as reações contrárias”.

***
Eu tinha, na MTV, uma preocupação a mais. Informar e sensibilizar é indispensável mas não basta. MESMO informada e sensibilizada, uma pessoa pode não fazer “o certo”.

No caso de meninos e meninas às voltas com o sexo, tantas coisas podem acontecer resultando em relação sem camisinha... Sejamos realistas. Menino e menina morrendo de tesão, com a sensação típica de que “é agora ou nunca” – vão abrir mão da ação e ir cada um pro seu lado porque “xi, não tem camisinha”? Capaz... A menina é doida pelo menino e ele não quer usar; ela consegue se desvencilhar dele e dizer “então não rola”? O menino é doido pela menina, tem pavor de falhar, dela pensar que ele não sabe fazer; vai conseguir numa boa interromper o andamento da coisa porque o pau já está duro e agora é a hora de abrir o envelopinho e tentar desenrolar a bendita camisinha sem perder o embalo?

Eu defendia que a gente devia produzir campanhas que dessem a meninos e meninas a segurança necessária e as estratégias possíveis para pedir ou exigir camisinha. Com força e doçura, de modo a manter o clima. Com autoconfiança suficiente para dizer “não, se não tem camisinha não rola dessa vez, mas outra hora vai rolar”.

Pensa como é difícil.

***
A minha campanha dos sonhos seria “QUEM DISSE que precisa ter penetração para ter prazer? Sexo pode ser MUITO gostoso com as mãos nos lugares certos”.

Bom, tá valendo.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

A menina, o nódulo e a mamografia

A menina, o nódulo e a mamografia - capítulo 3

Segunda de manhã, minha caixa de entrada tinha esta mensagem da Ouvidoria da Saúde da prefeitura de São Paulo:



Pouco mais tarde, a mãe da menina recebeu um telefonema da Unidade de Saúde. “A mulher tava brava, viu”? “Explicou” para ela que 17 anos não é mesmo idade para fazer Mamografia, mas que eles iam permitir nesse caso. Agendaram para dia 8 o Ultrassom (não lembro onde seria, acho que no HC) e para o começo de julho a mamografia.

Na sequência, uma jornalista do Diário de São Paulo que soube do caso pelo Face e foi acompanhar de perto (REPÓRTER DE VERDADE é assim – fuça, descobre, se interessa, vai atrás), apareceu na Unidade de Saúde.

De lá foi para a casa da Erika, onde – adivinhe! – presenciou uma nova ligação da Unidade de Saúde, dizendo “A sra pode passar aqui para pegar a guia para o exame? Tá marcado para amanhã as 8h30”.

Quitéria, a mãe, correu para a Unidade de Saúde e me contou depois. “Olha, dez anos que eu me atendo nesse posto, é a primeira vez que vejo a diretora. Só falou me oferecer café. Disse que não precisava ter feito isso tudo, não precisava chegar a esse ponto. Eu falei pra ela “e eu ia fazer o que, aceitar e pagar o exame no laboratório particular”? Aí eles me deram a guia. A Erika ainda falou pra ela: “A gente tem a Soninha, e quem não tem”??”

***
Eu não fiz nada que um qualquer cidadão não possa fazer. Nada. Não liguei pra ninguém pedindo ajuda, postei uma nota no Face e mandei email pra Ouvidoria. Acontece que eu tenho mais seguidores do que outras pessoas, então a chance de um jornalista atento ver é maior. E imagino que quando chega uma mensagem minha à Ouvidoria, ela abala mais do que de uma pessoa com nome desconhecido. A menina minha amiga tem toda razão.

Da próxima vez, vou tentar mandar mensagem com outro nome para a Ouvidoria para ver se funciona :-(

***

Vou refazer contato com a Ouvidoria e persistir na queixa.

1) COMO ASSIM tem idade mínima para fazer uma mamografia que não é “preventiva”, é de diagnóstico de um nódulo encontrado? Afinal, foi a primeira resposta que a Quitéria recebeu, antes de a jornalista aparecer por lá. Ela NÃO QUER ser exceção. Segundo o próprio Ministério da Saúde, NÃO TEM MESMO idade mínima para esse caso!

 

(Blog da Saúde, oficial do Ministério)

Se não fosse assim, o médico da UBS (“o cubano”, como elas disseram) tinha de ser instruído para nem pedir... (ESPERO QUE NÃO FAÇAM ISSO! Não digam aos médicos que eles não podem fazê-lo)

2) Não recebemos nenhuma resposta por escrito, como demandava o email da Ouvidoria.

3) E os prazos? Continuam aquela coisa... Sem a queixa, seriam semanas de espera pelo exame, outras tantas pelo resultado.

4) Geo-referenciamento, oi? Elas moram na Brasilandia. O exame foi agendado no Jaçanã. Se a gente não arruma dinheiro pra condução, elas não conseguem chegar lá.

5) Informaram que o resultado do exame sai daqui a 15 dias e aí ela ia ter de marcar o retorno à UBS. Depois de constatar o tamanho do nódulo, a técnica que fez o exame disse que ia tentar pedir para a médica “passar na frente”.

***
PS: parei de “esconder” o nome da menina porque, se havia algum receio de perseguição, já era... As queixas da Ouvidoria da Saúde são SEMPRE encaminhadas para a unidade com nome, endereço e telefone de quem fez a reclamação. Eu uma vez protestei contra uma consulta na Ginecologista desmarcada na última hora (na verdade, só fiquei sabendo quando cheguei lá para ser atendida...) porque, segundo a funcionária, “a médica não vem de quarta-feira” ou qualquer coisa assim.

Não era um caso particular, era algo que afetava todas as usuárias. Mas lá estava meu nome e telefone, e uma funcionária também me ligou “muito brava” para “explicar” que a ginecologista também trabalha em outro lugar. E imaginem vocês a frieza gélida com que fui recebida quando finalmente chegou o dia da minha consulta... E se não fosse comigo e sim com uma Erika qualquer, aposto que seria ainda pior.

sábado, 29 de março de 2014

Comendo bem e ganhando peso

Saindo do Pinel agora, Hospital Psiquiatrico ou, no linguajar mais moderno, CAISM. Q é Centro de Atendimento Instensivo em Saúde Mental ou qqer coisa bem parecida.

Estamos, eu e uma amiga, acompanhando um amigo recente. No dia 1/01 ele saiu de debaixo do Minhocão e pediu ajuda para se tratar e "parar de usar droga". Queria desesperadamente duas coisas: remedio e ser internado. Resoluto, determinado.

Olha, se nao fosse pela Maria Paula, ele estaria ainda na Rua da Amargura. Dps de mtas idas e vindas, conseguiu no Cratod a entrada pela qual tanto ansiava para a internaçao no Pinel.

Está amando. O respeito ao ritmo dele, o "quarto com televisão", a "comida à vontade". "Olha, de cada cinco funcionarios aqui, quatro é muito gente boa. Outro dia não dava pra jogar bola pq nao tinha gente pra formar dois times, o tio que fica ali na segurança foi com a gente la em cima colher goiaba, jaboticaba". E "a gente joga futebol, desenha, faz academia, faz artesanato, o que quiser. E come bem, a comida é uma delicia".

Se tem uma coisa que usuário de crack em tratamento tem orgulho é de ganhar peso. "Entrei aqui com 56, ja to com 63". 15 dias de tratamento.

E o medo q os q estao determinados em "largar as drogas" tem é de sair logo de lá. Sair antes de estar firmes, confiantes.

Das mães, entao, nem se fala. Só as mães sabem... Sabem o que passaram uma, duas, duzentas vezes. Largam, recaem, roubam, somem, voltam, agridem, vão presos, choram arrependidos, ficam um mes sem usar, recaem... Ver os filhos bem cuidados só aperta o coração pq depois não sabem se eles e elas vão segurar a onda. (A gente conversa no grupo antes de entrar pra visita).

Aí eu me desgosto mais uma vez com os clichês, os slogans, os dogmas. De gente que abomina internaçao, como se nao fosse indicado para crise aguda de qqer doença grave. Que quer a extinção de hospitais psiquiátricos, confundindo com os manicômios. Ou acha q é discriminação e exclusao e nao aceita um lugar especializado, como outros sao em cancer, queimados ou coraçao. Tem gente que defende a "liberdade" de ficar muito doente. Eu prefiro fazer o que puder para ajudar uma pessoa a deixar de sofrer - e de correr o risco, por exemplo, de matar alguem.

As politicas publicas tem de ser universais mas atender às singularidades. "Internaçao, só em último caso".

Nosso amigo Andre morava na rua. A família já não tinha mais forças (dinheiro, esperança, saco) pra aguentar. Ele queria ser internado. Ter de passar uma vez por semana por um grupo, com hora pra começar e terminar, em um lugar em q ele nao bateu o santo era um passo q ele nao conseguia suportar.

Assim como alguns precisam do rigor e vigor de uma igreja para se curar e para outros nao serve, alguns se dao bem no protocolo sem internação e outros não.

Andre está muito feliz consigo, se reconciliando com a familia q ja nao botava a menor fé nele, ansiando pela saída. Mas compreende q, ja tendo a alta médica, agora aguarda mais uns dias pela alta hospitalar, q vira na semana q vem dps de a equipe multidisciplinar do hospital assegurar um encaminhamento para os proximos passos. Que daremos ao lado dele, porque sem companhia e confiança eles não aguentam.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Governos do PT não tem nome

Impressionante o gosto com que o Rodrigo Boccardi (Bom Dia São Paulo/ Bom Dia Brasil) mete o pau em São Paulo. "É uma vergonha! As autoridades falam, falam e não fazem nada"! Quando o problema é em outros lugares, o tom é mais do tipo "que chato, isso. Vamos torcer para resolverem".

Hoje houve uma matéria sobre um Pronto Socorro em Osasco onde houve um atendimento à luz de celular (fora os baldes para coletar água da chuva, banheiro quebrado...). Não, não tem gerador. Nem me pergunte o que acontece com os pacientes ligados a algum tipo de aparelho - os repórteres também não perguntaram, então não sei.

Ah, faltam médicos também. Está na matéria exibida na véspera no SP TV. Além de falar dessa ocorrência em Osasco(desde 2005 governado pelo PT; o João Paulo Cunha retirou a candidatura para prefeito em 2012 porque estava sendo julgado pelo "Mensalão"; seu substituto foi eleito) e outra, de Guarulhos (governado pelo PT desde 2001). Um paciente de 62 esperou 15 dias por uma cirurgia no fêmur fraturado. Até email para o Secretário de Saúde uma parente mandou, para receber a resposta "não posso fazer nada, infelizmente". Depois que passou no SPTV, conseguiram fazer alguma coisa.

O Bom Dia Brasil, depois da matéria, falou que "no estado todo, aponta o Cremesp, há deficiências nos Pronto-Socorros"). #ImaginanoMaranhao. Não tem de deixar de criticar São Paulo - mas é repulsivo como querem transformar este no estado do Brasil com mais problemas na área pública. Nem a pau, Juvenal.

Com tanto anúncio de Mais Médicos nos intervalos da Globo, acho que fica chato eles falarem que a Saúde onde o PT ou seus aliados governam é tão ruim quanto a média do Brasil todo. Quando não a joga pra baixo.

***
(O repórter fala de São Paulo como "o estado mais rico do Brasil". Parece que o governo é o mais rico também, isto é, com mais recursos para atender sua população. Acontece que somos mais de 40 milhões de pessoas; na divisão per capita, ficamos em 11º lugar. E boa parte da riqueza produzida aqui é remetida para o governo federal, que devolve como quiser. No sistema financeiro, por exemplo, os impostos são todos federais. Os outros tem uma parte destinada à União - que teoricamente distribuiria os tributos de modo a diminuir a desigualdade no Brasil. Mas ainda assim a Saúde de São Paulo, com os defeitos que obviamente tem, atende gente do Brasil inteiro, porque em seus estados de origem não teriam chance).

***
O Rio Grande do Norte também tem toneladas de problemas, e hoje o BDia mostrou o estado deplorável da Fundação responsável pela internação de menores. E disse o nome da "governadora Rosalba Ciarlini, do DEM".

Brasília aparece muito no jornal com problemas igualmente deploráveis - moradia, segurança, saúde, transporte público, obras supefaturadas, atrasadas e com defeitos graves, "máfia do alvará", duas mortes em intervalo pequeno de tempo por causa de enxurrada debaixo de um viaduto. Em NENHUMA delas disse o nome do governador "Agnelo Queiroz, do PT".

Impressionante.



sábado, 8 de fevereiro de 2014

SUS em tempo real

8 de fevereiro, 16h27.

O seu Walter, irmão de um conhecido meu, passou muito mal de madrugada. Parece que o problema é no rim.

Foi para o João Paulo, pronto-socorro que fica perto de onde ele mora (Brasilândia). Chegou morrendo de dor e pediu um remédio. Não sei bem qual foi o diálogo, sei que a médica que o atendeu falou "o sr quer o que, que eu faça milagre"? Ele tomou uma dipirona, que mal aliviou.

A esposa dele, servidora (não sei se da ativa ou aposentada), tem direito ao Hospital do Servidor. Bem cedo, um médico do Posto enviou um fax com o relatório sobre a condição do paciente, solicitando sua remoção para lá. Do Hospital, responderam que não tinham entendido nada, o pedido estava ilegível e eles não podiam mandar ambulância. Diante da oferta/pedido para que falassem por telefone com o médico para que ele explicasse o que não tinha ficado claro, foram taxativos: NÃO. Tem de mandar outro fax.

Enquanto isso, seu Walter, morrendo de dor, está (adivinhe?) no corredor do PS. Deitado no chão.

Finalmente, outro médico fez outro relatório (deve ter mudado o plantão) e novo fax foi enviado. Até agora... Nada de remoção. O cirurgião que o examinou agora é "rapaz moço, muito gente boa". A funcionária encarregada de solicitar a remoção também foi "bem atenciosa". Mas ela disse que até com ela eles lá do hospital foram meio estúpidos no telefone.

***
Trabalhar em hospital, pronto-socorro etc deve ser uma das coisas mais estressantes que há. Mas pelo amor de deus, se as pessoas não tem compaixão por quem sofre, não podem trabalhar em Saúde.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Maus Médicos, Mais Médicos, Maus Modos

O debate sobre o Mais Médicos trouxe uma boa novidade: aqueles que normalmente defendem incondicionalmente e homogeneamente categorias inteiras de funcionários públicos reconheceram, pela primeira vez, que há profissionais com zero compromisso no serviço público.

Sou usuária do SUS e tenho amizade bem próxima com usuários da periferia - Brasilândia, Jardim Capela, Santo Amaro, Grajaú. Há ocasiões em que os médicos simplesmente não vão trabalhar. Em outras, chegam com horas de atraso. Ficam batendo-papo enquanto a sala de espera está cheia. "Examinam" as pessoas sem se levantar da cadeira, sem encostar um dedo no paciente. São estúpidos no trato com os doentes. Receitam qualquer coisa, no chute. Não querem nem saber se o medicamento está disponível no SUS ou não.

Com a decisão do Ministério da Saúde de incentivar a facilitar a vida de médicos estrangeiros, petistas começaram a se referir aos médicos que já trabalham no sistema público "vagabundos" e "mercenários". Aí já transformaram todo mundo em vilão.

Se há médicos que nem por todo o dinheiro do mundo aceitam ir trabalhar na periferia, serão eles os mercenários? Não seriam os que aceitam um salário que consideram ridículo, desde que possam trabalhar "nas coxas" na rede pública e acumular outro emprego?

Quem não aceita é muito mais digno do que quem vai só pelo dinheiro. Alguns recusam ir para "as bordas" das cidades ou o interiorzão do país porque temem por sua própria segurança. Outros não suportam a falta de condições de trabalho. Outros não querem levar duas ou três horas para chegar ao seu local de trabalho; outros não querem morar a centenas de km de distância da família. Estão errados?

***
Sem melhorar as condições de trabalho (afinal, o Programa não inclui reformas nos locais de trabalho, aquisição de novos equipamentos, garantia de abastecimento dos materiais necessários, contratação de pessoas para todos os postos de trabalho, informatização dos prontuários etc), o governo oferece dez mil reais para quem aceitar trabalhar no SUS do jeito que ele está agora.

No caso dos brasileiros, bolsistas que estão fazendo Residência. Para quem não sabe, esse é o período em que um profissional já formado na faculdade de medicina começa a dar expediente em um hospital etc sob a supervisão de um profissional experiente. (Veja no site do Ministério da Educação)

Tem gente que até reclama de ser atendido por residente no Hospital das Clínicas, por exemplo, dizendo que não quer passar por "estagiário", mas a Residência equivale a uma pós. Só que EXIGE a supervisão (diz lá o MEC: "sob a orientação de profissionais médicos de elevada qualificação ética e profissional").

Perguntei ao Ministério da Saúde no Twitter como ela seria feita. A resposta foi que haveria um preceptor POR ESTADO. Imagine se é suficiente!

***
Quando da implantação da gestão de unidades de saúde por Organizações Sociais na cidade de São Paulo, os opositores (basicamente o PT) criticavam o programa por ser "privatização" da Saúde (não é; o equipamento continua público, universal, gratuito); pela "precarização" das relações de trabalho (por serem os profissionais contratados em regime de CLT pelas OSs em vez de serem servidores efetivos, portanto com estabilidade); "flexibilização" ou "falta de transparência" no processo seletivo (por não haver concurso público); desequilíbrio entre pessoas que exercem as mesmas funções (o médico que é "de carreira", com seus vencimentos normais, e o celetista contratado pela OS, que tem salário melhor).

Pois bem - o Mais Médicos é tudo isso e pior ainda. Profissionais são incorporados à rede pública em condições nem sempre claras, com processo seletivo "especial", alguns trâmites legais contornados e um salário muito maior do que o dos demais profissionais.

Imagine o médico que há anos pasta no serviço público trabalhando ao lado de um residente que ganha dez mil reais. E imagine o cubano que veio para exercer a medicina, não como militante político, descobrir que ele é tratado como um estrangeiro "diferenciado" - para pior. Ganha muito menos do que os outros e parte de seu salário é depositada à força em uma caderneta de poupança, como fazem com presidiários, ao qual ele só terá acesso quando terminar de cumprir o contrato e voltar para Cuba.

Retenção de rendimentos como forma de manter o profissional "preso" ao contrato é uma das características de trabalho análogo à escravidão... Sem contar as restrições impostas quanto à circulação, convivência com a família etc.

"Vieram porque quiseram", dirão alguns. "Se não leram o contrato, problema deles". "Se leram e não se opuseram antes, por que resolveram falar agora"?

Ora, quem nunca descobriu depois de começar a trabalhar que tinha se metido em uma roubada? Ou se deu conta do tamanho da roubada?

No caso da médica que "desertou" o Mais Médicos (desertou! é a palavra usada quando soldados obrigados a lutar por sua pátria se recusam a fazê-lo), imagine o que é descobrir que foi tapeado pelo patrão e ele é... o governo de seu país. Ou o governo do Brasil. Ou a OPAS, sei lá.

Porque esse é um dos problemas da situação dos cubanos do Mais Médicos. A contratação deles foi "em massa" e passou por um intermediário. Parte do salário ficou retida por ele e parte foi remetida ao governo de Cuba - que é isso, aluguel de mão-de-obra? E o compromisso é com o governo brasileiro, que "flexibilizou" várias regras para poder contar com eles.

"A OPAS já fez convênios assim com dezenas de outros países", defende o Ministério da Justiça. E...? Que sabemos sobre as condições de trabalho nesses outros países?

Enfim, o "programa" é repleto de pontos obscuros ou francamente irregulares. MAS, como é comum acontecer neste governo, quem faz críticas a ele é contra os pobres, a favor das corporações, capitalista maldito, coxinha etc. Impressionante o discurso panfletário em defesa do governo. Do governo!

***
"Programa", entre aspas, porque não faz jus a essa classificação. Trata-se tão somente da contratação temporária de profissionais para preencher postos vagos na rede pública. Supostamente, para reduzir as filas e melhorar muito o atendimento à população, além de fazer a prevenção e promoção da Saúde.

Mas faz muito menos do que isso. A Atenção Básica é fundamental; o acompanhamento atento, próximo, continuado. Perceber as condições que propiciam o surgimento de doenças ou detectá-las bem no início. Mas isso envolve bem mais do que o médico no consultório. As equipes de Saúde da Família, que visitam as residências em vez de esperar que as pessoas vão ao médico, são fundamentais. E são EQUIPES, com vários profissionais envolvidos, não um médico sozinho para dar conta de tudo.

A promoção da Saúde exige mais ainda do que isso. Saneamento Básico, por exemplo. Moradia digna, em condições de salubridade. Meio Ambiente equilibrado. Educação. Alimentação saudável. Boa dentição. Trabalho decente. E o governo é PÉSSIMO na garantia desses direitos.

Para completar, em locais sujos, com janelas quebradas, sem medicamentos, sem lençóis limpos, sem suprimentos como material para sutura ou equipamento de Raio-X, o médico não melhora o sistema o suficiente para reduzir o sofrimento das pessoas. Elas vão continuar na fila, no vai-e-vem, na incerteza, na dor, na recaída.

Os Pronto-Socorros continuam em petição de miséria. Faltam outros profissionais - pediatras, geriatras, ortopedistas, fisioterapeutas, psiquiatras, dentistas. Ambulâncias. Combustível para ambulâncias.

(O Ministério costuma colocar a culpa nas prefeituras pelas ambulâncias que não rodam. Mas se elas NÃO TEM DINHEIRO, o que vão fazer? Vender uma para conseguir abastecer a outra? Os municípios sofrem com falta de dinheiro e não é só um problema de "má gestão" ou da corrupção; nosso sistema tributário, nossa federação toda torta os suga e concentra MUITO dinheiro na União, à disposição do governo federal. Que devolve pingadinho daqui ou dali e ainda diz "e não reclamem! Agradeçam pelo que estamos dando". E os hospitais das Universidades FEDERAIS, como o da UFRJ, estão caindo aos pedaços!!!).

Mas na propaganda - que custa caríssimo! Anúncios no intervalo do Jornal Nacional! - tudo é lindo, claro. Quem está sofrendo lá longe não aparece na TV. E quem está aqui conforável assistindo e tem boa vontade ou paixão pelo governo Dilma diz "como somos bons para os pobres", sem jamais por os pés em uma UBS, UPA, Pronto-Socorro ou coisa que o valha.

***
Tristeza e raiva que me dá.




Federação Nacional dos Médicos e "os cubanos"

Nota oficial da FENAM sobre o caso da médica cubana refugiada na Câmara dos Deputados

A Federação Nacional dos Médicos (FENAM) tem acompanhado o caso da médica cubana Ramona Matos Rodrigues, que solicitou asilo político ao Brasil. Para a entidade, o pedido comprova as denúncias feitas por esta federação de que o Programa Mais Médicos, com a utilização de atração de profissionais por bolsa, em especial aos cubanos, se reveste de fragilidades legais. Instrumentos que são contrários a acordos internacionais e à legislação trabalhista brasileira de proteção ao trabalho e ao salário.

Durante visita realizada, na tarde desta quarta-feira (05), à médica que está refugiada na liderança do Democratas (DEM), a FENAM prestou solidariedade e demonstrou indignação ao tratamento discriminatório que os cubanos são submetidos. Com o contrato em mãos, ela mostrou a diferença na remuneração oferecida aos profissionais da ilha. De R$ 10 mil, apenas R$ 1.198 é repassado ao trabalhador, ou seja, aproximadamente 10% do valor pago pelo governo brasileiro ao de Cuba.

A situação confirma o que as entidades médicas têm denunciado desde a implementação do Mais Médicos, de que há uma exploração predatória da mão- de-obra, com a participação de intermediários como a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a Sociedade Mercantil Cubana Comercializadora de Serviços Médicos Cubanos.

Havendo permanência da médica no Brasil, a FENAM se comprometeu a dar apoio para que ela possa se submeter ao exame de Revalida, o que a colocará, se aprovada, em livre exercício da medicina no país.

Neste sentido, a entidade reforça sua posição em relação ao programa Mais Médicos. A FENAM volta a afirmar que o projeto precisa, para efetivamente cumprir os seus propósitos de prover profissionais em áreas de escassez, realizar concurso público, criar carreira de estado, oferecer condições de trabalho adequadas e submeter os estrangeiros ao Revalida. Todo o processo deve respeitar os direitos trabalhistas, conforme o que foi denunciado em audiências públicas no Congresso Nacional e ações no Supremo Tribunal Federal (STF), no Tribunal de Contas da União (TCU) e no Ministério Público do Trabalho (MPT).

Por fim, os médicos estrangeiros, de qualquer nacionalidade, são sempre benvindos, de acordo com o sentimento acolhedor do povo brasileiro.


[No próximo post, falo eu sobre isso]

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Minhocão - Parte 3

Essa atualização foi de ontem à noite no meu Face

"Historia real, em tempo real:

O cara mora na rua e quer desesperadamente ser internado p largar o crack. Ficou dias em abstinencia, ontem recaiu e hj esta desolado.

Estivemos (eu e uma amiga) c ele em um Caps-AD (Centro de Atendimento Psicossocial especializado em alcool e outras drogas, equipamento da rede municipal de saude. Tem estaduais tb)

Primeiro passo: triagem. Uma entrevista e alguma medicaçao (nao vi qual).

Dois dias depois, exames clinicos.

Hoje, uma semana depois da triagem, ele teria seu primeiro atendimento em grupo.

Nao foi. Zero disposição. Não bota a menor fé de q vai sair do Caps, dormir debaixo do Minhocao e ficar firme e bem até a reuniao seguinte, dali a uma semana.

Sera q ele esta errado?

Consultada, a assistente social do Caps disse que nao tem como "pular etapas". "Tem que passar por 3 encontros c assistente e só depois começam os agendamentos com os médicos, psicólogos, psiquiatras".

Cara, acho isso tão dogmatico... As pessoas sao tao diferentes entre si, mas as etapas sao fixas, obrigatorias, inalteraveis...

IMAGINA morar debaixo do viaduto, seus amigos estao na mesma, entrando e saindo da nóia e o crack ta logo ali. Vc QUER largar, mas a abstinência fica insuportável e nada te ampara e segura.

P quem acha q "é so ter força-de-vontade", imagine-se privado de alguma coisa q te da muito prazer e/ou q seu corpo pede. Comer. Beber. Dormir, levantar, sentar, fazer xixi. Que força sobre-humana precisa ter para aguentar muitas horas alem daquela em q ja ficou insuportavel?

Esse cara tem familia - q ja nao tem mais saco pra lidar com idas e recaidas. Tem boa formaçao, foi camera e editor. As vezes pega servico de pintura c comerciantes q confiam em seu trabalho, q ele faz direitinho. Mas... Quer ser internado e nao pode.

Talvez a internaçao seja para ele uma fantasia, uma ilusao. E se nao for? E se for uma fantasia necessaria p q ele aguente?

Tanto teórico especialista em crack e morador de rua... Tanta generalização... "Precisam de trabalho". Tanto mutirão, receita coletiva, soluçao coercitiva ou libertaria igual pra todo mundo...

Os efeitos e consequencias do crack, devastadores, cabem em uma tabelinha. As caracteristicas de cada individuo, nao.

Como faz?"

Minhocão parte 2

(Começou no post abaixo)

Capítulo 4

Chegando ao CAPS pouco antes do meio-dia, ficamos sabendo que o turno da manhã já tinha terminado e a triagem só aconteceria as 15h, "depois do intervalo de almoço". Reclamei: "Intervalão, hein"? "É que também tem troca de turno".
Ok, ok.

Resolvemos esperar, claro. Os dois com a ansiedade sob controle, totalmente decididos. Mas visivelmente decepcionados quando entenderam que a triagem não era um procedimento imediatamente anterior à internação. Foram de mala e cuia pra lá crentes que ficariam internados. Nós (eu e minha amiga que está acompanhando os dois ainda mais de perto) os tranquilizamos: "Nós não vamos largar de vocês enquanto não estiverem encaminhados de algum jeito".

Às três horas - depois da Maria Paula pagar um almoço para eles - passaram, um de cada vez, por uma longa entrevista. O passo seguinte seria um exame clínico dali a dois dias às sete da manhã. O que trazia muita esperança a um deles, principalmente, era saber que o tratamento incluía remédios. Ele anseia por remédios para ajudar a aguentar a abstinencia.

Capítulo 5

Um dos dois (digamos, "Claudio") lembrou que conhecia um Pastor Silvio que tinha projeto para dependentes de drogas onde eles poderiam se internar imediatamente. Lembrou o nome da instituição, com o Google conseguimos endereço e telefone. Poderíamos ir São Miguel Paulista para "dar entrada" e de lá eles iriam para a chácara onde é feito o tratamento. O método é basicamente oração, trabalho e apoio mútuo.

Foi fácil de achar e fomos super bem recebidos. Depois de ter passado o dia todo com eles, no entanto, não poderíamos acompanhá-los até a chácara em Guarulhos. Deixamos nossos números de telefone - a Irmã que fez a acolhida seria nosso contato para saber deles e para que eles mandassem notícias. A primeira visita só poderia acontecer dali a 15 dias.

O "Alberto" ficou relutante. Sabendo da rotina de trabalho, orações e vigília, criou coragem para perguntar: "E remédio? Não tem remédio"? Desde o início, a promessa de remédio do CAPS o tinha animado. "Vocês vão passar por um médico, farão todos os exames e usarão toda a medicação que ele indicar e terão acompanhamento periódico com ele e um psicólogo. Vou agendar o médico para amanhã de manhã, para vocês ficarem mais tranquilos".

Alberto pediu celular emprestado para ligar para a mulher. Encabulado, ficou um bom tempo falando com ela, explicando onde ficaria, como seria feito o contato com família e amigos, quando ela poderia visitá-lo. Fiquei com a impressão de que ela estava meio brava - cética, vai ver; no mínimo desconfiada - e que ele, ficou inseguro.

Fizemos uma contribuição - não poderia pagar o valor completo (que é mesmo "para quem pode"), mas deixei R$200 para cobrir as despesas mínimas de estadia de cada um. Eles entraram no carro de um pastor (peruano muito gentil, ele mesmo ex-usuário, assim como a Irmã) e fomos embora também.

Capítulo 6

No trânsito das 6 da tarde, comentávamos o dia. Ânimo, desalento, preocupação, esperança, confiança, receio... Em algumas horas, passamos - os 4 - por isso tudo. Mas, incrivelmente, tinha dado certo no final. Era a primeira vez que ela se envolvia de maneira tão próxima com moradores de rua e usuários de crack e estava impactada pela experiência, a paciencia, persistência e disponibilidade necessárias, as idas e vindas. Não víamos a hora de visitá-los.

Avisei: "A gente tem de ficar preparado para dar tudo errado... Para daqui a uma semana eles estarem na rua de novo".

Capítulo 7

50 minutos depois, a Irmã ligou no meu celular: "Eles não quiseram ficar. Não se sentiram bem acolhidos. Rasgo seu cheque"?

Sim, por favor...

[Continua e continua e continua...]

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Minhocão

Prólogo

1º de ano, levamos algumas coisas que sobraram da celebração no templo budista para o Minhocão, onde conheço algumas pessoas. Mas nem precisava. Encosta o carro, abre a porta, oferece doces e frutas, já vem alguns menos desconfiados. “Tem alguma coisa salgada”? “Tem, o pessoal levou pra lá [uma roda no canteiro central], tem bastante”. “Não tem mais para eu levar comigo? É que eu moro em outro mocó”, disse a moça. Em outro vão debaixo do Elevado Costa e Silva.

“Tem roupa?”, pergunta um. Tinha. Roupa boa, nova, cuidadosamente dobrada, para dar para quem estivesse precisando.

Depois de levar um pacote de chocolate para o grupo, um rapaz volta. “Posso pedir uma coisa”? “Pode. Se eu puder...”. Esperava qualquer pedido: passagem pra voltar pra minha terra, dez reais pra comprar farinha, ajuda para tirar documentos (foram os mais recentes, na véspera do Natal). “Arruma um tratamento pra mim. Não aguento mais. Voltei agora do Pronto-Socorro, [foi por causa do] pulmão”. Falou sério, sem drama. (Tem tanto drama e dramatização...) “Claro, vou ver o que consigo fazer. Nos próximos dias não vou estar em São Paulo, mas volto daqui a uma semana”. 

Medo de ele não segurar as pontas até lá. Medo de ele desistir de buscar tratamento. 

Capítulo 1

Uma amiga estava junto, sentiu sinceridade no pedido e voltou enquanto eu estava viajando. Perguntou por Luis, crente que era esse o nome. Depois de uma sequencia de “não está aqui” nos vários vãos, alguém disse “tá lá no PS”.

Foi ao PS Barra Funda, entrou na boa (às vezes "embaçam", não deixam, mas ela explicou o intuito), andou pelos corredores perguntando “Luis?”. Ficou horrorizada com a cena que todos sabemos mas poucos vemos: gente nos corredores, deitada ou recostada no chão. Muito morador de rua. Tinha Luis nenhum.

Eu: “Não era Luis, era André!”. “Nossa, lembro tão bem da fisionomia dele, troquei o nome??!”

Capítulo 2

Voltou, perguntou, encontrou o Alberto (o nome é outro, esse eu inventei). Que continuava totalmente disposto e ansioso por tratamento. Ela me ligou com ele do lado, conforme o combinado.

Eu já tinha perguntado em um CAPS-AD pelo qual passo sempre qual “o procedê”, como diriam. “Moram debaixo do Minhocão"? Teriam de ir ao CAPS Pinheiros, fora da mão pra mim e pra eles. “Você vai ficar como referência deles? Então traz comprovante do seu endereço e a gente passa eles pela triagem e depois vê onde vão se tratar de fato. Eles tem documento”?

Sei lá. Descobriria depois. 

***
Expliquei por telefone para Maria minha amiga, ele tinha documento sim. Combinamos às 10h30 do dia seguinte na frente da estação de metrô


Capítulo 3

Eu tinha receio de ele não aparecer, ela também. Mas ele estava determinado mesmo. Catou as posses todas (em uma sacola de supermercado) e se despediu do pessoal, que desejou sorte. 

O João, com quem já encontrei muitas vezes (que canta “King of Pain” (Police) sem errar uma palavra e sabe exatamente o que está dizendo) fez sua costumeira cara triste e disse que queria ajuda também. “Meu problema é o álcool”. “Ué, você não falou outro dia que largou o crack mas em compensação cheira muito”? Riu falsamente encabulado, tentou negar mas viu que já era. “Maconha, cocaína e bebida”. “Por que não fica só com a maconha, homem”?

No fim, não quis ir com a gente. Quer que eu interne a força a namorada dele, "que tá no crack lá no parque Dom Pedro". Eu a conheci no Natal – carioca, negra, bem baixinha, tem vinte e poucos anos e não sabe ler. Figura. Pergunta PRA ELA se é namorada dele? “Já fui, gostei dele pra caramba, mas não dá. O cara quando bebe fica ignorante”. 

Outro também perguntou “tem mais uma vaga nessa barca”? Pegou o “kit” (todos os pertences em uma sacolinha, como o outro) e embarcou no metrô com a gente sentido CAPS.

[Continua nos próximos posts... E continua, e continua...].

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Mais Médicos - 3

Um texto muito bom no Facebook - do Padre Genivaldo Ubinge, que nos recebeu (eu e minha amiga Francyene, que já havia passado um tempo lá fazendo atividades em presídios, aldeias e igrejas) em Guajará-Mirim. Discordo de um ponto ou outro - como quando ele afirma (porque certamente acredita) "é claro que o programa Mais Médicos prevê investimentos em infraestrutura, equipamentos, abertura de novas vagas e especializações". Não... Não é claro. Veremos se esses investimentos estão realmente previstos e PRINICIPALMENTE se vão acontecer.

Mas as ponderações são tantas e tão sensatas, honestas e justas que tenho vontade de assinalar várias delas com vermelho em negrito rs. Só não o faço porque a leitura acaba ficando mais cansativa... A elas então:




Reflexões de um homem (um religioso, se é que vem ao caso...) realmente preocupado com AS PESSOAS (e, totalmente off-topic, com senso de humor - olha a "foto" do perfil rsrs)



Depois de algumas horas de leitura e uma gripe que não me deixou dormir:

É realmente lamentável ver essas demonstrações de racismo e certo xenofobismo de alguns brasileiros. Nada justifica atitude de hostilidade que estamos vendo. Só comparáveis em estupidez àquela do manifestante pró-Cuba que não deixou a blogueira Anti-Castro falar numa entrevista aqui no Brasil
.

Mais lamentável ainda é ver como lidamos com algumas questões de modo superficial e injusto: com generalizações, palavras e expressões fortes que nada contribuem para o entendimento das questões. É muito difícil emitirmos uma opinião bem-informada a respeito de qualquer coisa, pois lidamos com fontes comprometidas partidária e ideologicamente, com interesse de classes e de grupos. Fui verificar as dados do governo para o programa Mais Médicos, tentar ver a atuação e a preocupação dos Conselhos de Medicina nesta questão e em outras no debate sobre saúde pública, também recorrendo às experiências pessoais de convívio e atendimento com bons e maus profissionais da medicina e tentar verificar como outras categorias de profissionais e ramos de atividades encaram "sair" de seus lugares e irem trabalhar em municípios distantes do Brasil. Seria apenas uma questão de dinheiro?

... tudo isso para tentar sair da solução mineira apresentada pelo personagem Raymundão qdo perguntado sobre a rivalidade de Silvinho e Badú de Guimarães Rosa na novela o Burrinho pedrês: "Eu cá não quero dar sentença, porque todos os dois tem razão e nenhum tem, também".
Eis alguns pontos: já fui acusado por médico experiente de querer atestado pra fugir do trabalho, que inicialmente foi incapaz de associar minha indisposição ao trabalho, sonolência inconstante e magreza incomum de menino de 14 anos que acabara de ingressar no mercado de trabalho à hipoglicemia (exame tão simples); já tive médico que nem olhou para minha cara e me atendeu em menos de 5 minutos depois de esperar numa fila por mais de 4h, nem sei se ele percebeu que eu falava português ou ouviu eu dizer meus sintomas. já fiz consulta com oftalmologista que foi incapaz de acertar o grau de meus óculos. Mas também fui atendido por bons profissionais, sempre na rede pública de saúde, lembro-me do ortopedista que me encaminhou para uma cirurgia pelo SUS que saiu em menos de 90 dias, depois me encaminhou pra 60 sessões de fisioterapia e resolveu um problema de luxação de ombro q me acompanhava por 10 anos!


Outro dia partilhei aqui o fato de muitos brasileiros atravessarem o Estado de Rondônia para procedimentos médicos na Bolívia, eles assumem o risco da estrada, dos ônibus e dos erros médicos (pois acho que não vão acionar a diplomacia brasileira para recorrer de um erro médico)... tudo isso parece ser mais seguro que o João Paulo II. Há também o caso do gestor público que vê no CAPS e na UTI móvel presentes de grego da união para os municípios que depois não conseguem contratar médicos para os manter. Outro caso: em dezembro de 2012, em viagem de Guajará-Mirim a Porto Velho, o ônibus, último de um domingo, em que estávamos colidiu com um carro e virou na ribanceira. No ônibus, três jovens médicos, recém formados. esqueceram de si, agiram rápido e, certamente, salvaram vidas (uma senhora infartada pelo menos). Quando fomos encaminhados para o primeiro posto médico em Jaciparaná, depois de encaminhar todos os pacientes, um deles disse: "isso é sinal! Devo parar com essa vida!", referindo-se às viagens precárias que constantemente fazia de PVH a municípios menores e a distritos para atender os diversos plantões. Então levantei para mim mesmo algumas questões.

Falta altruísmo aos médicos, são mercenários? E os Conselhos de Medicina estão apenas preocupados com a lei da oferta e da procura ao tentar barrar a entrada de médicos estrangeiros? Realmente faltam médicos? A média 1,8 médico por 1000hab é pequena? Formar 12 mil médicos por ano, com 16 mil vagas nas faculdades de medicina é pouco? Onde estão os cursos? Quem os cursa? Como outras categorias e ramos de atividade encaram irem trabalhar em municípios distantes? Quais são os meios do governo e empresas atraí-los?

Primeiramente: acredito que faltam médicos e emergencialmente justifica o programa Mais Médicos. Acredito também que o fato de os médicos não quererem sair de sua cidade e região não se deve apenas a questões financeiras: se pudermos estudar e trabalhar perto de nossa família e amigos, é claro q vamos preferir isso! Outros agentes do serviço público prestam concurso às cegas, sem saber pra onde, atraídos pela estabilidade e bons salários, aceitam ir pra onde for mandados, por 3 anos (tempo do probatório) e começa a luta pela transferência! Salários iniciais para auditor da receita, Juízes de direito, promotores de justiça... todos são maiores do que dos médicos. Há alguns médicos privilegiados que ganham 40 mil no SUS, mas trabalham 62h semanais e são horas extras, não salário (falta plano de carreira!) Só à guisa de provocação: perguntem aos bispos do sul e sudeste que querem manter o projeto de igrejas irmãs, enviando padres para regiões distante da Amazônia e interior do Nordeste como está o nível de "altruísmo" do clero. Médicos não mercenários. Alguns sim! Como os padres não pedófilos. Alguns sim. Cubanos e outros médicos que estudam bem menos em faculdades da Bolívia, Venezuela etc... não são mal preparados. Alguns sim. Nem todos os Médicos que estudam em instituições brasileiras são não bem preparados! Toda generalização é estúpida e preconceituosa.

Sobre a atuação dos Conselhos de Medicina no debate da saúde pública, indo além do interesse de classe. Se há, não acontece em nível de sociedade, nem mesmo com outros profissionais da saúde; talvez em nível de governo ou tribunais. Mas a verdade é que a grande parte da sociedade não vê legitimidade na atuação destes conselhos. E não são poucos os médicos que não se sentem representados por eles. Poucos médicos no mercado interessam à classe, poucos cursos também; além de garantir poucos médicos, dá a falsa impressão de alguém zela pela qualidade deles! Por isso é tão difícil para a sociedade agora acreditar que os entraves impostos para novos cursos, para convalidação de brasileiros que estudaram fora do Brasil e validação dos diplomas de estrangeiros sejam preocupação com qualidade dos médicos, repentino interesse pela saúde pública e não apenas interesse de classe.

Como ação emergencial, vejo como necessária a abertura para médicos estrangeiros (sem necessidade da convalidação dos cursos no Brasil), deverá ser mantida a abertura para médicos estrangeiros sempre, seguindo os devidos trâmites. Penso, porém, que o governo não tratou com justiça a questão de falta de médicos para os municípios distantes. Não há plano de carreira, os salários não são compensatórios e não há estratégia de atração (como para outras categorias). É claro que o programa Mais Médicos prevê investimentos em infraestrutura, equipamentos, abertura de novas vagas e especializações.

Como que os governos não conseguem evitar as greves nas universidades? Por que não se investe em faculdades de medicina nas fronteiras? Há muitos jovens querendo estudar medicina nos municípios amazônidas e do interior do Nordeste. Não é mais fácil levar educação básica e cursos de medicina de qualidade para estes jovens do que querer fazer migrar vários jovens para estas regiões?

O problema da saúde pública não é apenas falta de médicos, e o problema de falta de médicos não é apenas de falta de altruísmo da categoria. É problema de gestão, de planejamento, de programas que vão além de políticas de governo (refém de ideologias e grupos de interesse) para uma política de Estado. E para isso é necessário mais que o governo, é preciso toda a sociedade, inclusive os conselhos de medicina debatendo com toda a sociedade; é necessário que sociedade brasileira esteja disposta a muito mais que ir a ruas manifestar-se. Para usar uma metáfora recorrente, não basta o gigante acordar, também precisa saber aonde deve ir!

Mais Médicos - 2

No Facebook:



Meus comentários:

Uma coisa é condenar Cuba seja lá por que razão (direito de qualquer um, como o de criticar qualquer outro país - ou alguns países são "criticáveis" e outros não?); outra coisa é criticar os cubanos como muitos estão fazendo, com raiva e preconceito (ou os americanos, paraguaios, egípcios etc); outra ainda é criticar o "Programa Mais Médicos", seus critérios ambíguos e a pouca transparência quanto ao volume e aplicação dos recursos destinados a ele. Alguns médicos precisam passar por exames, outros não. Alguns vão receber R$10mil, outros não. Se estes aceitam trabalhar por um valor inferior, espontaneamente, por amor à profissão, ok, não são "escravos". Mas então o que não se justifica é o governo brasileiro pagar o valor de R$10mil por profissional para que o "excedente" fique em algum lugar entre a OPAS (agência da ONU) e o governo de Cuba. Há quem defenda essa triangulação dizendo que os recursos que vão para o governo cubano serão usados no atendimento médico gratuito em outros países, como o Haiti. Como podemos ter certeza de que é isso que vai acontecer? Quais esclarecimentos dados ao povo brasileiro, cujos impostos estão sendo empregados dessa maneira? Se o governo brasileiro quer contribuir com a saúde pública de outros países, não é minimamente decente nos informar como e fazê-lo diretamente?

Outra coisa: a carência de médicos é muito, mas muito maior do que o número de cubanos que virão por meio dessa parceria. Até nos grandes centros faltam clínicos gerais, pediatras, geriatras. Poucos são os estudantes de medicina dispostos a seguir essas carreiras menos "rentáveis", quanto mais no serviço público. E os muitos cursos de medicina que proliferaram no país nos últimos anos (a ponto de o Ministro Mercadante ter criado uma saia justa com seu antecessor Fernando Haddad ao declarar que ia "fechar o balcão de negócios" - admitindo, portanto, que ele estava aberto...) são, em grande número, de má qualidade. Até mesmo Universidades Federais - do tão espoliado do Norte do Brasil, p ex... - não tem mínimas condições de ensino de qualidade. Parecendo piada de mau gosto, faltam cadáveres no curso de medicina de uma Federal.

O governo agora gasta MUITO em propaganda (outro valor difícil de auferir) para comemorar a SOLUÇÃO DOS PROBLEMAS DE SAÙDE no Brasil. É MENTIRA. Vão CONTINUAR faltando médicos. MUITOS médicos concursados com estabilidade vão CONTINUAR faltando ao trabalho e atendendo as pessoas com desrespeito e desleixo criminosos. Os órgãos públicos e os Conselhos de Medicina vão CONTINUAR sendo omissos quanto aos maus profissionais do SUS (porque JÁ SÃO). Os demais profissionais de Saúde vão continuar os mesmos, bons ou maus - enfermeiros, técnicos, auxiliares - bem como os materiais, equipamentos e instalações.

A foto é o retrato de um país que, a se julgar pela propaganda milionária oficial, não existe mais. Uma miséria indecente, abjeta, em país tão "rico". Essa mulher talvez não veja médico nenhum, brasileiro, cubano ou chinês. Talvez eles queiram mas não consigam chegar lá. Essa mulher, antes de médicos, precisa de ÁGUA TRATADA. Água em quantidade para se lavar, alimentar a criação, regar a horta, preparar comida. COMIDA em quantidade e qualidade. Precisa de vedação nas paredes de taipa para que não entre o barbeiro. Precisa de proteção para a pele e prevenção do câncer. Precisa de SAÚDE como ela não tem e NÃO TERÁ mesmo que o Hospital Sírio Libanês desça ali de helicóptero com seu corpo fantástico de profissionais - aqueles que atendem o Lula, o Genoíno, o Sarney, a Dilma e o Serra.

Não sou contra Cuba, me oponho à ditadura do governo cubano (lá eles não votam pra presidente até hoje...); adoro o povo cubano e admiro qualquer um que luta por democracia (porque igualdade sem liberdade é opressão); odeio corporativismo (e o da classe médica está em evidência agora, mas quero ver os que gritam contra ele, com razão, fazerem o mesmo em relação ao do funcionalismo público de modo geral); sou a favor da vinda de bons médicos estrangeiros para qualquer canto do país, desde que atendam bem as pessoas; exijo boas condições de trabalho para todo profissional e Saúde para todos os brasileiros. Se em vez de discutir as pessoas continuarem se xingando (uns usam "ofensas" como "comunista" ou "parece empregada doméstica"; outros acusam qualquer crítico de "vendido, mercenário, imperialista"), a ÙLTIMA beneficiada com o debate será a mulher da foto e seus muitos filhos e netos.

***
Não revisei não, escrevi assim no Face, copiei e colei aqui.

***
Pra arrematar:

Médico não é santo.

Nem professor.

Podemos então, sem santificar e sem demonizar, discutir a qualidade das pessoas no serviço público? Porque até outro dia, dizer que há péssimos médicos e péssimos professores desencadeava uma onda furiosa de objeções, quase sempre baseada no "o salário é baixo e as condições são péssimas". Salários são baixos (nem todos) e condições são péssimas (nem sempre), mas isso não justifica um médico tratar a pessoa doente como se fosse lixo, ou professor humilhar aluno.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Mais Médicos - crítica ideológica à ideologização

Alberto Dines assina no Observatório da Imprensa o artigo abaixo:

Mídia não explica, demoniza
Mais médicos, Menos ideologia

Há quase dois meses discute-se a implementação do programa “Mais Médicos” para atender as exigências dos manifestantes de junho. Vacilante, o governo foi apresentando uma sucessão de idéias incompletas que as corporações médica e acadêmica foram torpedeando implacavelmente. Com o decidido apoio da corporação jornalística.

O projeto sobrevivente e o mais consistente, apresentado pela própria presidente Dilma Rousseff em seguida às manifestações, previa a importação de médicos do exterior. Inclusive cubanos. Não era novidade: médicos desse país já prestaram serviço em diversos pontos do Brasil, com excelentes resultados.

À medida que a ideia se cristalizava, aumentava a histeria anticubana que se estendia a candidatos de outros países, especialmente Portugal e Espanha.

Acusações primárias se alternavam: ora dizia-se que os cubanos viriam como espiões ou agentes provocadores, ora que chegariam aqui na condição de escravos (ganhando salários irrisórios enquanto o governo de Havana ficaria com a parte do leão dos 10 mil reais mensais pagos pelo governo brasileiro). Alegou-se que cláusulas especiais foram impostas para evitar que os cubanos pedissem asilo político (por isso vinham sozinhos, sem a família). Nenhum editor deu-se ao trabalho de esclarecer, explicar vantagens e desvantagens.

Gestos e opções

Nos últimos dias, em desespero de causa, celebrados opinionistas acusaram os irmãos Castro de converter seus médicos em simples commodities, fonte de divisas para financiar um país falido. Argumento pueril, enganoso: commodities são bens em estado bruto, médicos são bens com alto valor agregado. A Índia estimula a saída dos seus cientistas e especialistas em informática de olho no retorno que trarão ao país; o mesmo acontece com Israel, que há décadas exporta agrônomos para os quatro cantos do mundo.
O exercício da medicina não pode ser examinado sem levar em conta o seu caráter humanitário. Levar médicos aos grotões do país – além de salvar vidas preciosas, contribuirá decisivamente para desmonetizar uma profissão que vem perdendo velozmente o seu caráter original, solidário e altruísta.

Nossa mídia embarcou de corpo e alma nessa cruzada egoísta, antissocial, fomentada primordialmente pela poderosa corporação médica, pelas empresas de ensino superior & adjacências. E isso no pós-junho, quando nas passeatas ainda reverberam referências pouco airosas à insensibilidade de jornais e jornalistas.

Acusa-se o PT de aparelhar o governo, porém a mesma obsessão ideológica domina os mais instintivos gestos e opções da grande e média imprensa brasileira.

Um jornalista que ouve o coração

Neste ambiente ríspido, desprovido de solidariedade, a coluna de Ricardo Noblat (segunda-feira, 26/8, O Globo, pág. 2) funciona como um alento e, talvez, como um divisor de águas.

O experiente repórter, editor e agora bem-sucedido blogueiro não se deixou enredar pelas armadilhas ideológicas, preferiu entregar-se aos valores morais, como se fazia antigamente quando os jornalistas naquelas redações barulhentas ouviam as batidas do coração e a pressão da consciência.

“Só vejo vantagens” – apesar do pragmatismo e objetividade do título, trata-se de uma calorosa convocação para que os jornalistas deixem as trincheiras partidárias que tanto prejudicam os seus dotes narrativos e se entreguem a devoções mais profundas, essenciais.

“Mais Médicos” é um programa da saúde pública. “Mais humanidade” pode ser um projeto de renovação jornalística.


***
Meu comentário:

A mídia não apura mesmo quase nada - colhe declarações daqui e dali e deixa que o leitor ou espectador conclua por si. É desolador. Às vezes escolhe deliberadamente um lado; às vezes é mais sutil e transforma a palavra do outro em "Fulano nega", "Fulano minimiza".

Este artigo tem o mérito de explicitar seu lado: a favor do Programa Mais Médicos, que o autor chamou de "O projeto (...) mais consistente" entre os cogitados pelo governo (embora não mencione os demais). Afirma tb "médicos de Cuba já prestaram serviço em diversos pontos do Brasil, com excelentes resultados". Não duvido! Assim como chilenos, argentinos, chineses... Nem por isso “excelentes resultados” (apenas invocados, não sei se apurados) significam que os novos profissionais não possam ser questionados.

Dines, aliás, reconheceu q houve resistência a estrangeiros de várias procedências, Europa inclusive, mas manteve a expressão "histeria anticubana" – reforçando a leitura de que toda a oposição ao programa vem de “anticubanismo”. E assegura: "Nenhum editor se deu ao trabalho de esclarecer, explicar vantagens e desvantagens". "Nenhum"?

Vi vários veículos – TV, rádios, jornais - expondo a opinião do CRM, do ministro Padilha e de usuários do sistema de Saúde, favoráveis inclusive. A opinião do CRM foi registrada como deveria ser (eu não concordo com ela). Quanto aos "esclarecimentos": simplesmente não foi possível obter a informação sobre quanto os médicos vão ganhar e quanto será destinado a OPAS e ao governo de Cuba. Os signatários do acordo não esclareceram. Daí a preocupação, histérica ou não, com a condição trabalhista desses médicos – além das condições de trabalho propriamente ditas – e o destino do dinheiro público brasileiro.

Sobre os médicos serem tratados como "produto de exportação": foi um ministro cubano quem o disse. É razoável q se faça juízo de valor dessa declaração, concordando dela ou discordando, por que não? Dines concorda com essa “exportação de cérebros”. Outros lutam contra ela (o próprio governo cubano, aliás, se queixa do “roubo de talentos” por outros países, qualificando como manobra "dos poderosos" para enfraquecer o país):

“La actualización de la política migratoria tiene en cuenta el derecho del Estado revolucionario de defenderse de los planes injerencistas y subversivos del gobierno norteamericano y sus aliados. Por tal motivo, se mantendrán medidas para preservar el capital humano creado por la Revolución, frente al robo de talentos que aplican los poderosos”. (publicado no Granma)

Ou seja, Cuba quer que seus médicos saiam sim, mas apenas para onde o governo autorizar que vão – e obtem divisas a partir do trabalho deles. Não na forma de uma porcentagem retida na forma de imposto, como em outros lugares, mas repassando apenas uma parte do que for recebido para os próprios médicos.

Isso não é “acusação primária”, é minha opinião baseada em afirmações de autoridades cubanas. Sobre Israel e a India, não faço ideia de como funciona sua política.

É verdade que boa parte da classe médica tem como prioridade a "monetização". E foi com dinheiro que o governo tentou resolver o problema, oferecendo os R$10mil por mês para os interessados no Mais Médicos. Antes disso, ofereceu bolsas de R$8mil para estudantes de medicina, no Provab (e fez propaganda dele na TV como se tivesse resolvido o problema de médicos na periferia das grandes cidades e no interior). Mesmo assim o interesse ficou bem abaixo das expectativas, por que? Porque muitos médicos, mesmo interessadíssimos no dinheiro, não querem apenas bom salário, querem boas condições. E quanto a isso, o Mais Médicos não garante nada.

Pagando salário menor para os profissionais cubanos do que o que será pago para brasileiros e outros estrangeiros, poderia usar o "excedente" com a aquisição de materiais e equipamentos - mas preferiu remeter à OPAS e ao governo de Cuba, para que alegadamente invistam na Saúde em outros páises. Os médicos são funcionários do governo de Cuba, e também por isso poderá ser difícil a relação deles com o sistema de saúde no Brasil. As normas são brasileiras; os estrangeiros cubanos não precisam, disse o ministro Padilha, se submeter a elas.

Dizer que a mídia "embarcou de corpo e alma nessa cruzada egoísta e antissocial" não é uma crítica a cobertura do tema, é uma condenação moral. É demonização... da mídia. É jogar todo mundo no mesmo balaio; é não distinguir o que a mídia apenas exibe (tanto os gritos a favor do médicos e do comunismo contra os gritos contra os médicos e o comunismo), o que não explica, o que distorce, o que defende.
Ricardo Noblat é um colunista que, como todos os outros, expressa uma opinião. Não tem compromisso com a apuração dos fatos, como um repórter e um editor. Assina um texto pessoal e se responsabiliza individualmente por ele. Não é "cobertura jornalística". Outros colunistas igualmente deram sua opinião – se for contra o programa, não pode?

Dizer que Noblat "se entregou aos valores morais" e "ouviu as batidas do coração e a pressão da consciência" porque aprovou o programa equivale a dizer que os demais foram imorais e sofreram alguma pressão que não foi a da consciência.

O artigo do Alberto Dines é ideologizado e é partidarizado. Demoniza a "grande e média imprensa". Demoniza, desmoraliza e "imoraliza" as opiniões negativas sobre o Programa Mais Médicos, como se os que o criticam fossem todos xenófobos, racistas, anticomunistas, vendidos à corporação médica etc.

Desqualificar toda crítica é a posição de um governo que não admite oposição e vê "tentativa de golpe" e "subversão" em tudo... E aquele que condena a mídia não admitiu uma, uma ressalva sequer a essa nova promessa do governo.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Links úteis - Saúde

1) Página de busca de serviços de Saúde no site da prefeitura

2) Mais como curiosidade, mapa de todos os estabelecimentos de Saúde da rede pública municipal. É coisa para caramba - e é pouco.

3) Aqui, a lista de estabelecimentos de Saúde da rede municipal. Encontrei alguns erros (exemplo: endereço correto é Joaquim do Lago e na lista aparece João do Lago), mas já ajuda muito.


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Ai Brasil

Educação de qualidade (De qualidade baixíssima)
Alunas brigando dentro de sala de aula no interior de São Paulo

Uma adolescente é jogada no chão e continua sendo agredida, o professor fica olhando meio sem saber o que fazer (ou sem querer fazer nada, não dá pra ter certeza), alguém grava a cena no celular.

Futuros médicos
UFRJ vai investigar trote violento (nojento) na Faculdade de Medicina

Fotos postadas no Facebook da empresa TGF eventos, que ajudou a organizar o trote, permitem conferir um pouco do que aconteceu. No álbum “Trote solidário Med UFRJ”, 95 imagens mostram os calouros carregando placas com identificações depreciativas como “viadinho tatuado”, “chifruda” e “filha do demo”. Outras placas com conotação sexual de mais baixo nível sequer podem ser publicadas. Os alunos também podem ser vistos imersos dentro de uma piscina com um líquido avermelhado.

Ninguém segura esses mosquitos
Surto de malária preocupa moradores da região metropolitana de Belém

A principal suspeita é de que a transmissão da doença tenha começado por um morador que voltou recentemente de uma região no nordeste do Pará, onde a malária é endêmica. Apesar do surto, a Secretaria de Saúde do Pará diz que nos últimos três anos houve redução de quase 50% nos casos de malária no estado. Mas o número de pessoas infectadas ainda é alto: em 2012, foram mais de 95 mil no Pará.

Imagina na Olimpíada
Poluição na Baía de Guanabara prejudica treinamento de vereadores

Pedaços de madeira se transformam em torpedos que podem causar estragos às embarcações. Tem televisão, cadeira, sofá, parachoque de automóvel. O que mais dá é saco plástico. Presa dentro de um pneu, uma tartaruga marinha morta.

Para o secretário estadual do Ambiente, é possível cumprir a meta de sanear 80% da Baía de Guanabara até 2016.

A limpeza da Baía era promessa de legado do Panamericano de 2006.

***
Ai mundo

Senado derruba proposta de Obama de controlar a venda de armas

O Senado derrubou a proposta para aumentar a checagem dos antecedentes de pessoas que queiram comprar armamentos nos Estados Unidos. Os senadores também ficaram contra a restrição de venda de armas semi-automáticas.

Resultado de uma pesquisa foi de 90% de aprovação de medidas de restrição pela população - e olha que aquele é um país obcecado por liberdades individuais e, em boa parte, tarado por armas.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Diário de uma usuária (do SUS) - 2013



Eu (pensei que) sabia qual é a minha UBS. Estava matriculada na da Turiassu e foi lá que fui tentar marcar consulta com a ginecologista. Da última vez, tinha de comparecer pessoalmente... depois das 10 da manhã. O que só descobri depois de passar correndo antes do trabalho, às 7 horas. Ao menos podia pedir para alguém marcar no meu lugar. E esperar meses até chegar a consulta, finalmente [Relato completo aqui e aqui]

***
“Como faz para marcar ginecologista?”
“Aonde a senhora mora?” [pergunta em tom impaciente]
“Aqui perto. Eu já sou matriculada aqui.” [admito, não respondi direito]
“Onde a senhora mora?” [pergunta mais impaciente]
“Na Raul Pompeia”.
“Que número?” [extrema impaciência]

Abriu um formulário e pesquisou. “A sua UBS é na Vespariano, ... Tem de levar Xerox do RG, CPF e de comprovante de endereço no seu nome”. [Gentileza? Esquece]
- Tem como anotar em um papelzinho?
Fez uma careta como se eu tivesse pedido uma caneta tinteiro e um papiro. A muito custo produziu um e anotou com má-vontade [ah, vá].

“O que precisa para marcar consulta?”
“Aqui só vai abrir marcação em maio. Horário só tem a partir de agosto”.
“Mas como faz, tem de marcar pessoalmente ou pode ser por telefone”? [Sei lá, né, eu vi na televisão que agora tem Hora Certa]
“A senhora vai ter de ver lá”.
“Não é igual?”
“ A senhora vai ter de ver lá”.

***
Fui ver lá. Instalações beem melhores. O pessoal da Turiassu sofre mesmo com as condições da sua. É uma casa alugada, portanto não dá pra ficar reformando. Peguei uma senha e aguardei o chamado. Não tinha muita gente aguardando, mesmo assim demorou uns 15 minutos (pra quem só queria uma informação, foi muito :o/)

E a informação NÃO VEIO. Tudo que consegui saber é que preciso levar os documentos entre 9 e 11 ou 14 e 17h00 para fazer a matrícula. E não adianta mesmo só levar os originais, tem de ter a xerox porque “fica arquivado aqui”. DEPOIS de fazer a matrícula, ela me diz como faz para marcar consulta.
Quis saber ao menos pra quando tem consulta. “Junho” foi a resposta seca. Será que faz parte do treinamento?

***
E o pior: a senha não distingue idosos e outras preferências do público comum. Pouco antes de chegar a minha vez, uma senhora fragilíssima, com dificuldade para andar e se sentar, pegou sua senha. Quando chamaram meu número, perguntei pra moça do balcão como eu podia ir na frente se ela tinha preferência. Respondeu de boca torta com um meneio de cabeça: “Ah, aqui... Não tem”.
De f.der.

***
Comentários finais:

- OK, é princípio básico do Sistema Único de Saúde o atendimento regionalizado, ou “georreferenciado” como é mais comum dizer hoje em dia. Mas por causa de 8 quadras, tive de mudar de UBS. Ok, ok. Mas eu aposto minha próxima moto como as informações do meu prontuário anterior, como as anotações feitas pela ginecologista que atendia lá, serão solenemente ignoradas quando fizer matrícula na UBS “nova”. E a porcaria do código de barras do cartão SUS não serve pra nada.

- Tanto não serve que eu preciso apresentar os documentos de novo.  Seria o caso de mudar só o endereço, já que RG e CPF não mudam [né?].

- Aí não só apresento os documentos, tenho de levar uma xerox para ficar armazenado em arquivos de papel!! É brincadeira... Por que não tem um diacho de um scanner? No mínimo a xerox. Lembro muito bem de quando procurava a mais barata porque os centavos economizados por folha faziam diferença (tempos de faculdade).

- Não tentei ainda, mas quero ver se o site da prefeitura ou o 156 informam: 1) Qual a minha UBS; 2) O que precisa para fazer a matrícula; 3) Como faz pra marcar consulta. Se alguém o fizer, por favor me conte. 

***
Claro que vou reclamar com a ouvidoria.Só blogar não adianta nada.

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ENQUANTO ISSO a prefeitura faz propaganda na TV e nos painéis eletrônicos do aeroporto (sabe lá em quantos mais por aí) anunciando que já começou a funcionar o “Hora Certa” e que mais de 90 mil consultas “serão marcadas” até não sei quando. Paga com seu dinheiro.