Quando eu era pequena, não conseguia entender como é que alguém "reivindicava a autoria" de um atentado terrorista. Minha mãe tentava explicar que era a assinatura de um gesto político, a transmissão de uma mensagem etc, mas eu não entendia como uma pessoa ou instituição podia querer se gabar de ter perpetrado um horror. (Minha mãe não esperava que eu aceitasse, só queria que eu soubesse o que se passava na cabeça de homens-bomba, sequestradores etc).
Agora há uma disputa imoral, insana e inimaginável: o Estado Islâmico (ou ISIS, como é chamado em outros países) jura que o ser humano doente que atirou dentro da boate em Orlando agia em seu nome. As forças antiterroristas talvez estejam se debatendo sobre como reagir a isso: admitir que o ISIS realmente pode somar essas mortes às outras que chama de suas ou negar a eles esse prazer.
***
Há quem chame grupos extremistas, terroristas e assassinos de "fundamentalistas". ERRADO. Ou de "radicais" - errado também. Essas não são organizações que lutam pela implantação dos fundamentos verdadeiros das religiões que dizem professar, ou que praticam os ensinamentos sagrados com radicalidade.
Radical é dizer "morrer se preciso for; matar, nunca" (Marechal Rondon).
***
O mundo não precisa de mais ninguém que incentive o ódio. As pessoas já justificam o seu (ódio) de várias maneiras... Mas lideranças políticas e "religiosas" fazem o (des)favor de ensinar que seus liderados podem excluir da lista de pessoas que têm o direito de existir aquelas que não vivem como eles acham que deveriam viver. Pregam a intolerância em nome de Deus; o ódio em nome de Jesus Cristo.
Pelamordedeus!!!
***
Os adeptos de Trump são capazes de dizer: "Tá vendo como precisamos fechar as fronteiras para nos proteger?" (mais ou menos o que ele mesmo disse em seu tuíter). Odeiam todos os muçulmanos assim como os deturpacionistas islâmicos odeiam todos os estadunidenses. E não é só isso que têm em comum: odeiam estrangeiros de um modo geral, odeiam os 'infiéis" que seguem outras religiões, odeiam mulheres e pessoas LGBT.
Não duvido que haja anti-muçulmanos trumpistas dizendo alguma merda do tipo "aqueles ali bem que mereciam morrer".
***
Os eleitores de Hillary podem dizer: "Tá vendo onde seu discurso de ódio pode nos levar??".
Os apoiadores de Obama podem dizer: "Tá vendo como vender armas absurdamente letais com ridícula facilidade ridícula pode nos destruir"?
Essas duas perguntas são as que eu faço.
"...But when you talk about destruction/Don't you know that you can count me out"
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quarta-feira, 15 de junho de 2016
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Pode ser bom sem ser perigoso
No começo, era o medo. As campanhas contra a AIDS apelavam para o Bicho-Papão, o Boi-da-Cara-Preta. A AIDS VAI TE PEGAR. AIDS MATA.
No começo, ela era a “peste gay”, que vinha para castigar os homossexuais.
A transmissão do HIV acontece por meio de sexo oral, com penetração vaginal e anal. No caso da penetração anal, a possibilidade de haver microfissuras é maior, portanto aumenta o contato do sêmen com o sangue. Mas também é possível contrair o HIV com alicates de cutícula ou equipamentos odontológicos não esterilizados – nem por isso manicures e dentistas foram apontados como Cavaleiros do Apocalipse, e os gays foram.
***
Se hoje em dia um texto falando em penetração anal, sêmen, sexo oral não é confortável para muitos, imagine no começo dos anos 90. A palavra “camisinha” já gerava constrangimento. Pênis então...
***
Na MTV, a gente fazia questão de falar muito sobre AIDS. Esse era um ponto importante também para a “matriz”, a MTV americana. Eles produziam documentários excelentes, criavam campanhas muito bem sacadas, veiculavam videoclipes de projetos especiais em benefício de portadores do vírus. Passávamos o material que eles produziam e fazíamos algumas coisas por aqui também.
Nas entrevistas e debates, chamávamos os “especialistas”. Médicos infectologistas, orientadores educacionais, ativistas - o pessoal “das ONGs”. Os primeiros falavam super didaticamente com a linguagem formal e cuidadosa; os ativistas eram didáticos com linguagem coloquial e modos desavergonhados. Inesquecível a participação da Terezinha Reis Pinto, da Aptateen, em um Barraco MTV. O ponto era: provar que a camisinha não “cortava o barato” da relação sexual; que, ao contrário, colocar a camisinha poderia ser parte do jogo erótico. Para demonstrar, ela punha uma camisinha em uma banana e ia desenrolando e vestindo a dita cuja COM A BOCA. Ao vivo na televisão. Perfeito!!!
***
Nas reuniões da redação, tínhamos 3 preocupações:
1 – Alertar enfaticamente para o risco de contrair AIDS por meio de relações desprotegidas. Não "relações homossexuais", não "sexo anal", não relações “promíscuas”, ocasionais... DESPROTEGIDAS e pronto. A pessoa mais recatada do mundo pode ter uma relação monogâmica, heterossexual, com penetração vaginal, na posição convencional, e pegar a doença. Com um parceiro ou com dez, com o marido ou um desconhecido na balada, não existe relação segura sem proteção. Ah, e basta uma vez. Também não tem essa de “gozar fora” – não serve para evitar a gravidez nem para deixar de pegar uma DST. Ah, você acha que a pessoa “tem cara” de quem não tem AIDS? “AIDS não tem cara”. Se cuide, se cuide, se cuide.
Essa era a linha de comunicação “assim pega”!
2 – Informar que uma pessoa com AIDS não é uma ameaça ambulante. Não deve ser expulsa, banida, estigmatizada, evitada, condenada, punida. Ela tem uma doença, só isso, como tantas outras. Não deve ser considerada inferior, pior, indecente, imoral, depravada. E não transmite a doença em um aperto de mão, abraço, beijo, usando o mesmo copo, muito menos frequentando o mesmo ambiente. Antes as pessoas não queriam pegar elevador com um doente de AIDS... Não é à toa que passou a ser obrigatório colocar a plaquinha do lado de fora proibindo a discriminação.
Esta era a comunicação “Assim não pega”!
3 – Informar à pessoa com AIDS que ela não estava condenada à morte (algumas SE MATARAM mal souberam que tinham o HIV). Que a AIDS não tem cura, mas tem tratamento. Que é fundamental ir atrás, exigir e aderir a ele. Que é importante saber se tem AIDS ou não!
***
Precisava haver um equilíbrio entre o alerta para evitar o contágio e a sensibilização para não discriminar quem já estivesse com o vírus. A gente também precisava se informar sempre, atentar para as dúvidas e mitos que surgiam. Tínhamos de nos dirigir às gestantes, aos profissionais de Saúde, às pessoas mais velhas, aos “desencanados”, aos publicitários, à autoridades, às mães amamentando...
Era uma nova mensagem a cada “temporada”. “Se você pensa que, porque já tem AIDS, pode transar desprotegido, está ERRADO: aumentar a carga viral é ruim para você”. “Se o HIV não aparecer em um exame feito logo depois de uma relação desprotegida ou de algum tipo de exposição a sangue não contaminado, refaça o exame depois de 3 meses, existe uma “janela” em que pode dar falso negativo”. “NÃO DOE SANGUE só com a intenção de fazer o teste anti-HIV – faça o teste gratuitamente se é apenas isso que você quer saber”. “NÃO É VERDADE que a camisinha NÃO SEGURA o vírus da AIDS”.
***
Muitos achavam que distribuir camisinha, falar de AIDS para adolescentes e jovens, preconizar o sexo seguro eram coisas INDECENTES. Que oferecer tratamento no SUS para quem tem AIDS era uma afronta aos “cidadãos de bem”. Havia protestos e manifestações indignadas de igrejas. Pensa que é de hoje que se tem problemas desse tipo? Aliás, não venham as autoridades usar “os conservadores” (que deveriam ser chamados de “retrógrados”, isso sim, porque não querem manter as coisas como estão, querem voltar ao que já foi superado) como pretexto para não avançar. Quem realmente quer fazer acontecer, com convicção de que é o melhor para a população e coragem para segurar a bronca, “peita” as reações contrárias”.
***
Eu tinha, na MTV, uma preocupação a mais. Informar e sensibilizar é indispensável mas não basta. MESMO informada e sensibilizada, uma pessoa pode não fazer “o certo”.
No caso de meninos e meninas às voltas com o sexo, tantas coisas podem acontecer resultando em relação sem camisinha... Sejamos realistas. Menino e menina morrendo de tesão, com a sensação típica de que “é agora ou nunca” – vão abrir mão da ação e ir cada um pro seu lado porque “xi, não tem camisinha”? Capaz... A menina é doida pelo menino e ele não quer usar; ela consegue se desvencilhar dele e dizer “então não rola”? O menino é doido pela menina, tem pavor de falhar, dela pensar que ele não sabe fazer; vai conseguir numa boa interromper o andamento da coisa porque o pau já está duro e agora é a hora de abrir o envelopinho e tentar desenrolar a bendita camisinha sem perder o embalo?
Eu defendia que a gente devia produzir campanhas que dessem a meninos e meninas a segurança necessária e as estratégias possíveis para pedir ou exigir camisinha. Com força e doçura, de modo a manter o clima. Com autoconfiança suficiente para dizer “não, se não tem camisinha não rola dessa vez, mas outra hora vai rolar”.
Pensa como é difícil.
***
A minha campanha dos sonhos seria “QUEM DISSE que precisa ter penetração para ter prazer? Sexo pode ser MUITO gostoso com as mãos nos lugares certos”.
Bom, tá valendo.
No começo, ela era a “peste gay”, que vinha para castigar os homossexuais.
A transmissão do HIV acontece por meio de sexo oral, com penetração vaginal e anal. No caso da penetração anal, a possibilidade de haver microfissuras é maior, portanto aumenta o contato do sêmen com o sangue. Mas também é possível contrair o HIV com alicates de cutícula ou equipamentos odontológicos não esterilizados – nem por isso manicures e dentistas foram apontados como Cavaleiros do Apocalipse, e os gays foram.
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Se hoje em dia um texto falando em penetração anal, sêmen, sexo oral não é confortável para muitos, imagine no começo dos anos 90. A palavra “camisinha” já gerava constrangimento. Pênis então...
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Na MTV, a gente fazia questão de falar muito sobre AIDS. Esse era um ponto importante também para a “matriz”, a MTV americana. Eles produziam documentários excelentes, criavam campanhas muito bem sacadas, veiculavam videoclipes de projetos especiais em benefício de portadores do vírus. Passávamos o material que eles produziam e fazíamos algumas coisas por aqui também.
Nas entrevistas e debates, chamávamos os “especialistas”. Médicos infectologistas, orientadores educacionais, ativistas - o pessoal “das ONGs”. Os primeiros falavam super didaticamente com a linguagem formal e cuidadosa; os ativistas eram didáticos com linguagem coloquial e modos desavergonhados. Inesquecível a participação da Terezinha Reis Pinto, da Aptateen, em um Barraco MTV. O ponto era: provar que a camisinha não “cortava o barato” da relação sexual; que, ao contrário, colocar a camisinha poderia ser parte do jogo erótico. Para demonstrar, ela punha uma camisinha em uma banana e ia desenrolando e vestindo a dita cuja COM A BOCA. Ao vivo na televisão. Perfeito!!!
***
Nas reuniões da redação, tínhamos 3 preocupações:
1 – Alertar enfaticamente para o risco de contrair AIDS por meio de relações desprotegidas. Não "relações homossexuais", não "sexo anal", não relações “promíscuas”, ocasionais... DESPROTEGIDAS e pronto. A pessoa mais recatada do mundo pode ter uma relação monogâmica, heterossexual, com penetração vaginal, na posição convencional, e pegar a doença. Com um parceiro ou com dez, com o marido ou um desconhecido na balada, não existe relação segura sem proteção. Ah, e basta uma vez. Também não tem essa de “gozar fora” – não serve para evitar a gravidez nem para deixar de pegar uma DST. Ah, você acha que a pessoa “tem cara” de quem não tem AIDS? “AIDS não tem cara”. Se cuide, se cuide, se cuide.
Essa era a linha de comunicação “assim pega”!
2 – Informar que uma pessoa com AIDS não é uma ameaça ambulante. Não deve ser expulsa, banida, estigmatizada, evitada, condenada, punida. Ela tem uma doença, só isso, como tantas outras. Não deve ser considerada inferior, pior, indecente, imoral, depravada. E não transmite a doença em um aperto de mão, abraço, beijo, usando o mesmo copo, muito menos frequentando o mesmo ambiente. Antes as pessoas não queriam pegar elevador com um doente de AIDS... Não é à toa que passou a ser obrigatório colocar a plaquinha do lado de fora proibindo a discriminação.
Esta era a comunicação “Assim não pega”!
3 – Informar à pessoa com AIDS que ela não estava condenada à morte (algumas SE MATARAM mal souberam que tinham o HIV). Que a AIDS não tem cura, mas tem tratamento. Que é fundamental ir atrás, exigir e aderir a ele. Que é importante saber se tem AIDS ou não!
***
Precisava haver um equilíbrio entre o alerta para evitar o contágio e a sensibilização para não discriminar quem já estivesse com o vírus. A gente também precisava se informar sempre, atentar para as dúvidas e mitos que surgiam. Tínhamos de nos dirigir às gestantes, aos profissionais de Saúde, às pessoas mais velhas, aos “desencanados”, aos publicitários, à autoridades, às mães amamentando...
Era uma nova mensagem a cada “temporada”. “Se você pensa que, porque já tem AIDS, pode transar desprotegido, está ERRADO: aumentar a carga viral é ruim para você”. “Se o HIV não aparecer em um exame feito logo depois de uma relação desprotegida ou de algum tipo de exposição a sangue não contaminado, refaça o exame depois de 3 meses, existe uma “janela” em que pode dar falso negativo”. “NÃO DOE SANGUE só com a intenção de fazer o teste anti-HIV – faça o teste gratuitamente se é apenas isso que você quer saber”. “NÃO É VERDADE que a camisinha NÃO SEGURA o vírus da AIDS”.
***
Muitos achavam que distribuir camisinha, falar de AIDS para adolescentes e jovens, preconizar o sexo seguro eram coisas INDECENTES. Que oferecer tratamento no SUS para quem tem AIDS era uma afronta aos “cidadãos de bem”. Havia protestos e manifestações indignadas de igrejas. Pensa que é de hoje que se tem problemas desse tipo? Aliás, não venham as autoridades usar “os conservadores” (que deveriam ser chamados de “retrógrados”, isso sim, porque não querem manter as coisas como estão, querem voltar ao que já foi superado) como pretexto para não avançar. Quem realmente quer fazer acontecer, com convicção de que é o melhor para a população e coragem para segurar a bronca, “peita” as reações contrárias”.
***
Eu tinha, na MTV, uma preocupação a mais. Informar e sensibilizar é indispensável mas não basta. MESMO informada e sensibilizada, uma pessoa pode não fazer “o certo”.
No caso de meninos e meninas às voltas com o sexo, tantas coisas podem acontecer resultando em relação sem camisinha... Sejamos realistas. Menino e menina morrendo de tesão, com a sensação típica de que “é agora ou nunca” – vão abrir mão da ação e ir cada um pro seu lado porque “xi, não tem camisinha”? Capaz... A menina é doida pelo menino e ele não quer usar; ela consegue se desvencilhar dele e dizer “então não rola”? O menino é doido pela menina, tem pavor de falhar, dela pensar que ele não sabe fazer; vai conseguir numa boa interromper o andamento da coisa porque o pau já está duro e agora é a hora de abrir o envelopinho e tentar desenrolar a bendita camisinha sem perder o embalo?
Eu defendia que a gente devia produzir campanhas que dessem a meninos e meninas a segurança necessária e as estratégias possíveis para pedir ou exigir camisinha. Com força e doçura, de modo a manter o clima. Com autoconfiança suficiente para dizer “não, se não tem camisinha não rola dessa vez, mas outra hora vai rolar”.
Pensa como é difícil.
***
A minha campanha dos sonhos seria “QUEM DISSE que precisa ter penetração para ter prazer? Sexo pode ser MUITO gostoso com as mãos nos lugares certos”.
Bom, tá valendo.
terça-feira, 19 de março de 2013
Que se danem as pessoas, o solo é nosso
Então a Kirschner foi lá falar com o Papa e pediu por sua intercessão junto
ao Reino Unido na "questão das Malvinas". Segundo ela, un tema muy sentido por los argentinos.
Quando arcebispo de Buenos Aires, Bergoglio chegou a dizer "Las Malvinas son nuestras". Pois então eu discordo dele também. Eu também gritava "Las Malvinas/Argentinas" na época da guerra... Só muito tempo depois fui entender o quanto havia de demagogia naquela guerra desastrosa.
Em referendo recente feito nas próprias ilhas, a maioria esmagadora da população disse escolher a soberania britânica - mais de 98%
“Em Londres, a embaixadora da Argentina, Alicia Castro, reagiu alegando que o referendo não tem valor legal. Acrescentou ainda que Buenos Aires respeita a identidade dos habitantes das Ilhas, seu estilo de vida e o fato de quererem ser britânicos, "mas o solo onde vivem não o é".”
Então... O que propõe o governo Argentino? Que os moradores das ilhas sejam obrigados a aceitar a Argentina como sua pátria, porque "o solo é argentino"? Obrigar a erradicação da ilha pela população atual e ocupá-la com cidadãos argentinos? Recolonizar a ilha?
***
Ainda sobre o Papa, alegam os partidários do governo Kirschner que o cardeal teria colaborado com o regime militar. Com uma Comissão da Verdade tão atuante há décadas, já não era para isso ter aparecido e sido apurado antes?
***
Tem gente hoje que é super lulista-esquerdista-democrática que nos anos da ditacuja escrevia editorias elogiando os "milico". SE for verdade que o cardeal simpatizava com o Regime vão ter de perdoá-lo, né?
Quando arcebispo de Buenos Aires, Bergoglio chegou a dizer "Las Malvinas son nuestras". Pois então eu discordo dele também. Eu também gritava "Las Malvinas/Argentinas" na época da guerra... Só muito tempo depois fui entender o quanto havia de demagogia naquela guerra desastrosa.
Em referendo recente feito nas próprias ilhas, a maioria esmagadora da população disse escolher a soberania britânica - mais de 98%
“Em Londres, a embaixadora da Argentina, Alicia Castro, reagiu alegando que o referendo não tem valor legal. Acrescentou ainda que Buenos Aires respeita a identidade dos habitantes das Ilhas, seu estilo de vida e o fato de quererem ser britânicos, "mas o solo onde vivem não o é".”
Então... O que propõe o governo Argentino? Que os moradores das ilhas sejam obrigados a aceitar a Argentina como sua pátria, porque "o solo é argentino"? Obrigar a erradicação da ilha pela população atual e ocupá-la com cidadãos argentinos? Recolonizar a ilha?
***
Ainda sobre o Papa, alegam os partidários do governo Kirschner que o cardeal teria colaborado com o regime militar. Com uma Comissão da Verdade tão atuante há décadas, já não era para isso ter aparecido e sido apurado antes?
***
Tem gente hoje que é super lulista-esquerdista-democrática que nos anos da ditacuja escrevia editorias elogiando os "milico". SE for verdade que o cardeal simpatizava com o Regime vão ter de perdoá-lo, né?
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Pedaços de papel velho
Da série "não consigo jogar fora antes de guardar um pedaço". Guardarei aqui. Porque cadernos de anotação, também já não tenho mais onde guardar.
1 - "Espírito Crítico"
"O CNT Jornal acertou no conteúdo. A promessa de que ele seria um veículo de boas reportagens vem se cumprindo. Na segunda-feira, o telespectador viu uma matéria sobre os brasileiros presos no Paraguai, depois sobre os travestis assaltantes do Rio de Janeiro e, mais adiante, a mulher que vivia acorrentada como um animal. Sem apelos fáceis. Não que os outros jornais não façam reportagens (estamos aqui chamando de reportagem as histórias da vida real, da vida da gente comum). O que fica diferente no CNT Jornal é a tentativa de mostrar os brasileiros que nunca aparecem no jornal, é a procura de fugir daquela pauta institucionalizada, aquela que aparece na Voz do Brasil e que muita gente ainda segue. Ele não caiu no jornalismo declaratório, que torna qualquer discurso do presidente da República mais importante que tudo. (...) A perfeição plástica tem sido o ingrediente central do embuste do jornalismo na televisão. (...) Mas o tempo passou e o espírito crítico do telespectador mudou um pouco (muito pouco, mas mudou). Hoje ele quer menos teatro e mais informação pra valer. (...) Quer menos ideologismo, menos governismo, mais jornalismo". Eugenio Bucci, especial para o Estado de São Paulo, em alguma data em que os telefones ainda tinha 3 dígitos no prefixo.
Comentários
1 - Aprendi, lidando com o pessoal organizado na defesa dos direitos LGBT, que quando é um homem travestido de mulher, a gente diz "a travesti" :o). 2) Reportagens da vida de gente comum - adoro. 3) A pauta institucionalizada, o jornalismo declaratório... Hoje é menos ostensivo como era nos tempos do Jornal Nacional dos anos 70, mas ainda tratam anúncio de promessa do governo como #fato, declarações de um lado de de outro como "apuração"... 3) Hoje em dia, em vez da "perfeição plástica", o jornalismo tem mais credibilidade com imagens tremidas, de qualidade ruim, de algum cinegrafista amador... O que às vezes vira recurso deliberado - em vez de a imagem tremer porque a qualidade não era, naquele momento, o mais importante, o cinegrafista corre com a câmera sem necessidade para dar mais emoção etc. A tosqueira evidente deixa tudo mais "real", como quando o Datena briga com o cara do VT, pede uma coisa e entra outra... A "autenticidade" funciona. 4) O espírito crítico do telespectador mudou? Mesmo? JURO - acho que não. TV falou, tá falado.
2 - "Notável"
(...) "O brilhante, o magnânimo, o ilustre, o notável do Orestes Quércia resolveu se enxertar no fascículo "Mil Homens Que Fizeram o Século 20" (...) [Outra pessoa que estaria no fascículo] não chega aos pés da estatura moral do estadista. Quércia, descrito no glossário como um político sempre "identificado com as parcelas pobres da população" e que "nunca se compôs com as elites". (Eduardo Logullo no JT, eu acho - o recorte não preservou nem o nome nem a data do jornal :o/)
Comentários
1 - O autor está sendo irônico, antes que alguém ache que é texto a favor. 2 - Não dá uma impressão que certas coisas se repetem ao infinito? "Identificado com as parcelas pobres", "nunca compôs com as elites"...
#insuportável.
3 - "Virtudes"
"Para virar santo - A Igreja Católica reconhece a santidade após cumpridas quatro etapas: Biografia e virtudes (...) - É preciso que o candidato tenha 11 virtudes (fé, esperança, caridade, prudência, justiça, fortaleza, temperança, pobreza, castidade, obediência e humildade)". (Folha de São Paulo de 11/05/67, na cobertura especial da vinda do Papa ao Brasil para a canonização de Frei Galvão).
Comentário
Essa determinação da Igreja Católica em qualificar sexo como pecado, vício, "malfeito" foi uma das coisas que me afastaram da instituição. "Sexo só para procriação", tenham dó. Nunca me convenci de que era a religião católica que estabelecia isso, mas sim a instituição igreja, a "pessoa jurídica". Que graças aos céus já reviu vários conceitos - não vendem mais Indulgências, né? - mas insiste nessa proscrição. No mesmo jornal uma matéria conta o que está escrito nas famosas pílulas de Frei Galvão, distribuídas no Mosteiro da Luz aos fieis: "Depois do parto, ó Virgem, permaneceste intacta". Puxa vida).
4 - "Feliz"
"Governo derruba competitividade do país, Dilma fica feliz se 60% do PAC for cumprido, Câmara se enterra no aumento para deputados. Alguém duvida que algo vai dar errado?" (No mesmo jornal, no Tiroteio do Painel).
Comentário
Pois é. Isso porque o Zé Aníbal é amigo da Dilma. Mas no fim ela tinha razão - 60% era uma meta muito ambiciosa... Não rolou.
1 - "Espírito Crítico"
"O CNT Jornal acertou no conteúdo. A promessa de que ele seria um veículo de boas reportagens vem se cumprindo. Na segunda-feira, o telespectador viu uma matéria sobre os brasileiros presos no Paraguai, depois sobre os travestis assaltantes do Rio de Janeiro e, mais adiante, a mulher que vivia acorrentada como um animal. Sem apelos fáceis. Não que os outros jornais não façam reportagens (estamos aqui chamando de reportagem as histórias da vida real, da vida da gente comum). O que fica diferente no CNT Jornal é a tentativa de mostrar os brasileiros que nunca aparecem no jornal, é a procura de fugir daquela pauta institucionalizada, aquela que aparece na Voz do Brasil e que muita gente ainda segue. Ele não caiu no jornalismo declaratório, que torna qualquer discurso do presidente da República mais importante que tudo. (...) A perfeição plástica tem sido o ingrediente central do embuste do jornalismo na televisão. (...) Mas o tempo passou e o espírito crítico do telespectador mudou um pouco (muito pouco, mas mudou). Hoje ele quer menos teatro e mais informação pra valer. (...) Quer menos ideologismo, menos governismo, mais jornalismo". Eugenio Bucci, especial para o Estado de São Paulo, em alguma data em que os telefones ainda tinha 3 dígitos no prefixo.
Comentários
1 - Aprendi, lidando com o pessoal organizado na defesa dos direitos LGBT, que quando é um homem travestido de mulher, a gente diz "a travesti" :o). 2) Reportagens da vida de gente comum - adoro. 3) A pauta institucionalizada, o jornalismo declaratório... Hoje é menos ostensivo como era nos tempos do Jornal Nacional dos anos 70, mas ainda tratam anúncio de promessa do governo como #fato, declarações de um lado de de outro como "apuração"... 3) Hoje em dia, em vez da "perfeição plástica", o jornalismo tem mais credibilidade com imagens tremidas, de qualidade ruim, de algum cinegrafista amador... O que às vezes vira recurso deliberado - em vez de a imagem tremer porque a qualidade não era, naquele momento, o mais importante, o cinegrafista corre com a câmera sem necessidade para dar mais emoção etc. A tosqueira evidente deixa tudo mais "real", como quando o Datena briga com o cara do VT, pede uma coisa e entra outra... A "autenticidade" funciona. 4) O espírito crítico do telespectador mudou? Mesmo? JURO - acho que não. TV falou, tá falado.
2 - "Notável"
(...) "O brilhante, o magnânimo, o ilustre, o notável do Orestes Quércia resolveu se enxertar no fascículo "Mil Homens Que Fizeram o Século 20" (...) [Outra pessoa que estaria no fascículo] não chega aos pés da estatura moral do estadista. Quércia, descrito no glossário como um político sempre "identificado com as parcelas pobres da população" e que "nunca se compôs com as elites". (Eduardo Logullo no JT, eu acho - o recorte não preservou nem o nome nem a data do jornal :o/)
Comentários
1 - O autor está sendo irônico, antes que alguém ache que é texto a favor. 2 - Não dá uma impressão que certas coisas se repetem ao infinito? "Identificado com as parcelas pobres", "nunca compôs com as elites"...
#insuportável.
3 - "Virtudes"
"Para virar santo - A Igreja Católica reconhece a santidade após cumpridas quatro etapas: Biografia e virtudes (...) - É preciso que o candidato tenha 11 virtudes (fé, esperança, caridade, prudência, justiça, fortaleza, temperança, pobreza, castidade, obediência e humildade)". (Folha de São Paulo de 11/05/67, na cobertura especial da vinda do Papa ao Brasil para a canonização de Frei Galvão).
Comentário
Essa determinação da Igreja Católica em qualificar sexo como pecado, vício, "malfeito" foi uma das coisas que me afastaram da instituição. "Sexo só para procriação", tenham dó. Nunca me convenci de que era a religião católica que estabelecia isso, mas sim a instituição igreja, a "pessoa jurídica". Que graças aos céus já reviu vários conceitos - não vendem mais Indulgências, né? - mas insiste nessa proscrição. No mesmo jornal uma matéria conta o que está escrito nas famosas pílulas de Frei Galvão, distribuídas no Mosteiro da Luz aos fieis: "Depois do parto, ó Virgem, permaneceste intacta". Puxa vida).
4 - "Feliz"
"Governo derruba competitividade do país, Dilma fica feliz se 60% do PAC for cumprido, Câmara se enterra no aumento para deputados. Alguém duvida que algo vai dar errado?" (No mesmo jornal, no Tiroteio do Painel).
Comentário
Pois é. Isso porque o Zé Aníbal é amigo da Dilma. Mas no fim ela tinha razão - 60% era uma meta muito ambiciosa... Não rolou.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
E o Malafaia?
Coletânea de perguntas & respostas sobre Malafaia, Telhada, Maluf, conservadores, reacionários, corruptos... Incluí o link para o texto original, mas a reprodução aqui é idêntica.
1 - http://ask.fm/SoninhaFrancine/answer/7468321351
Soninha, aliança com Malafaia, Telhada, truculência com jornalista (hoje foi o K Alencar), isso é fazer diferente? É isso que você quer representar?
Claro que não. E se eu não puder mais condenar as atitudes de pessoas e partidos que fazem parte da minha aliança, saio fora do PPS. Uma das coisas que me desgostava no PT era a defesa "incondicional" (palavra sempre usada) de tudo que fosse "do nosso lado" - qualquer meganha, qualquer safado, empresário corrupto, oligarca, feitor de escravos, prefeito ladrão... O PSDB defende pouco os seus; o PT defende demais.
2 - http://ask.fm/SoninhaFrancine/answer/10678230855
Considero contraditório alguém criticar aliança com Maluf com tanta veemência, enquanto está de mãos dadas com um charlatão do tipo Malafaia. Contraditório e hipócrita, me desculpe.
Então me diga você: 1) Qual o papel do Maluf e o do Malafaia em cada aliança? (Respondo: um é deputado federal, dirigente de partido político, ALIADO de fato; o outro é apoiador. São pesos completamente diferentes). 2) O Maluf é um político que o PT acusou a vida toda - E NÃO ESTAVA ERRADO - de corrupto, de alguém a serviço dos piores interesses. De mentiroso. Ele foi prefeito e governador e deixou a cidade em frangalhos. Ele roubou dinheiro público (me processem, se for o caso).
3) O Maluf por acaso tem opiniões mais progressistas que o Silas Malafaia? Desde quando??? E o Chalita? E o Jair Bolsonaro, do partido do Maluf? E o suplente que assumiu o lugar da Marta no Senado, que votou A FAVOR do Dia do Orgulho Heterossexual? 4) A DIFERENÇA DECISIVA É O SEGUINTE: para ter apoio de conservadores, o PT RECUA de suas bandeiras. Tira projetos de pauta, manda recolher o kit-anti-homofobia. Para ter apoio de chantagistas, o PT CEDE às chantagens. Dá lá um ministério pra um, uma estatal pra outro. Deu dinheiro pra vários (vide Ação Penal 470). Ou o Maluf apoia desinteressadamente? Odeia tanto o Serra que abraça até o PT? Pode até ser, mas acho que suas convicções políticas não superam outros interesses... O Serra não recua e não fica só no blablabla. A Marta sai na Parada Gay, mas quem criou a Coordenadoria da Diversidade Sexual foi ele . Aliás, ele E O ALCKMIN fizeram mto mais do que os governos do PT. RESUMINDO, se precisar: o Maluf é um aliado político que não tem biografia, tem ficha corrida. A aliança do PT tem vários reacionários e conservadores, inclusive o Maluf. O Haddad já deu mostras de que não peita aliados conservadores e nem resiste às armações do PT.
1 - http://ask.fm/SoninhaFrancine/answer/7468321351
Soninha, aliança com Malafaia, Telhada, truculência com jornalista (hoje foi o K Alencar), isso é fazer diferente? É isso que você quer representar?
Claro que não. E se eu não puder mais condenar as atitudes de pessoas e partidos que fazem parte da minha aliança, saio fora do PPS. Uma das coisas que me desgostava no PT era a defesa "incondicional" (palavra sempre usada) de tudo que fosse "do nosso lado" - qualquer meganha, qualquer safado, empresário corrupto, oligarca, feitor de escravos, prefeito ladrão... O PSDB defende pouco os seus; o PT defende demais.
2 - http://ask.fm/SoninhaFrancine/answer/10678230855
Considero contraditório alguém criticar aliança com Maluf com tanta veemência, enquanto está de mãos dadas com um charlatão do tipo Malafaia. Contraditório e hipócrita, me desculpe.
Então me diga você: 1) Qual o papel do Maluf e o do Malafaia em cada aliança? (Respondo: um é deputado federal, dirigente de partido político, ALIADO de fato; o outro é apoiador. São pesos completamente diferentes). 2) O Maluf é um político que o PT acusou a vida toda - E NÃO ESTAVA ERRADO - de corrupto, de alguém a serviço dos piores interesses. De mentiroso. Ele foi prefeito e governador e deixou a cidade em frangalhos. Ele roubou dinheiro público (me processem, se for o caso).
3) O Maluf por acaso tem opiniões mais progressistas que o Silas Malafaia? Desde quando??? E o Chalita? E o Jair Bolsonaro, do partido do Maluf? E o suplente que assumiu o lugar da Marta no Senado, que votou A FAVOR do Dia do Orgulho Heterossexual? 4) A DIFERENÇA DECISIVA É O SEGUINTE: para ter apoio de conservadores, o PT RECUA de suas bandeiras. Tira projetos de pauta, manda recolher o kit-anti-homofobia. Para ter apoio de chantagistas, o PT CEDE às chantagens. Dá lá um ministério pra um, uma estatal pra outro. Deu dinheiro pra vários (vide Ação Penal 470). Ou o Maluf apoia desinteressadamente? Odeia tanto o Serra que abraça até o PT? Pode até ser, mas acho que suas convicções políticas não superam outros interesses... O Serra não recua e não fica só no blablabla. A Marta sai na Parada Gay, mas quem criou a Coordenadoria da Diversidade Sexual foi ele . Aliás, ele E O ALCKMIN fizeram mto mais do que os governos do PT. RESUMINDO, se precisar: o Maluf é um aliado político que não tem biografia, tem ficha corrida. A aliança do PT tem vários reacionários e conservadores, inclusive o Maluf. O Haddad já deu mostras de que não peita aliados conservadores e nem resiste às armações do PT.
3 - http://ask.fm/SoninhaFrancine/answer/10675411783
Soninha, como é estar lado a lado na campanha com Silas Malafaia? Ele é menos nocivo que o ex-político em atividade Paulo Maluf. Tem certeza disso?
Soninha, como é estar lado a lado na campanha com Silas Malafaia? Ele é menos nocivo que o ex-político em atividade Paulo Maluf. Tem certeza disso?
Certeza absoluta. Todas as opiniões conservadoras ou reacionárias que o Silas tem, o Maluf também tem. Mas o Maluf foi defensor ardoroso do regime autoritário, muito além da mera defesa de posições conservadoras em relação a questões de comportamento. E ele diz com a maior tranquilidade que não foi ele que mudou; ele está onde sempre esteve, foi o PT que mudou. Foi prefeito e governador e fez obras "hiper"faturadas; mesmo que não tivesse roubado um tostão de dinheiro público (arrã), colhemos hoje resultados de coisas estúpidas que ele fez e de tantas outras que deixou de fazer - na Saúde, no transporte coletivo etc. O Silas é líder de uma igreja; o Maluf, dirigente de um partido político. E o mais importante: dos dois lados tem gente "ruim" (ruim mesmo), gente desonesta, gente com posições "reaça". A diferença é o cabeça de chapa: o Haddad (e o PT) já demonstrou mais de uma vez que se encolhe, recua, abre mão para não "desagradar a base" - imagine a Dilma dizer que ia recolher o famoso kit porque "o governo não tem de fazer propaganda [sic] de opção sexual [sic]" (ela disse). Já o Serra, no governo, faz o que tem de fazer. Criou vários órgãos de defesa de direitos dos homossexuais, por exemplo, mesmo que isso contrarie alguns de seus aliados. Então não só o Serra é mais competente, é muito mais determinado em não ceder a chantagens da base, muito mais obstinado em confrontar interesses de pequenos grupos se isso for preciso para garantir direitos coletivos.
Eu nao sou seu eleitor, mas admiro sua transparencia. Entretanto fiz duas perguntas respeitosas sobre o que voce acha do Cel. Telhada e do Malafaia e voce nao respondeu. Eu tenho a impressao que voce so responde os criticos seus que falam feito babacas, assim parece que todos sao assim.
Eeeita, já respondi várias vezes sobre o Telhada e o Malafaia. Telhada: representa o oposto de tudo o que eu acredito em segurança pública. Malafaia: deus que me perdoe, mas é um fanfarrão. Que resolveu apoiar o Serra alegando ser contra o kit-gay do Haddad - sem se dar conta que quem retirou o kit-gay de circulação foi o Haddad (e a Dilma), e quem tomou várias atitudes em defesa dos direitos LGBT foi... o Serra. Na prática, o que acontece é o seguinte: o PT deixa de lado bandeiras históricas para não perder apoio dos conservadores no governo (Marcelo Crivella & outros). O Serra faz o que acha que deve ser feito, apesar da resistência dos conservadores. É só ver o que ela bancava na época do combate à Aids e td que fez pelos homossexuais na prefeitura (e tb o Alckmin no governo).
Oq vc acha do Silas Malafaia? Acho que ele quer se aparecer, adora fazer uma polemica. Ele que é a besta do apocalipse. Um dos principais mandamentos é amai-vos uns aos outros. Cade? nao vejo. Só sabe incitar o ódio, parece que tem algo a esconder... É prepotente, e só sabe fazer ataques.
Também não gosto dele. A própria igreja dele tem lideranças muito mais sensatas, esclarecidas.
Sonimha vc qe apoia o Serra que reconheço que fez muito pela causa dos LGBTS em Sp não acha uma contradição aparecer do lado de Malafaia, e sem contar no telhada que que ate ameaças fez a jornalistas pelo Face vale tudo para ganhar ??
Não gosto do Malafaia e menos ainda do Telhada. A diferença é que eu confio no Serra como capaz de defender direitos iguais para todos, pensem o que pensarem os aliados dele. Ele abriu uma linha de investigação contra os grupos de extermínio da polícia que fez bastante diferença (hj a coisa tá beeem mais frouxa, pra dizer o mínimo). E sim, sempre fez mto pelos LGBTs. Se o Malafaia espera que ele recue, tá enganado, porque ele encara. Entende? Já no caso do PT, para agradar ou não desagradar os aliados, o governo abre mão de algumas bandeiras, entrega partes do governo sem sequer exigir qualidade dos indicados. Porque o PMDB tem gente decente, mas aí vai o LOBÃO pras Minas e Energia. Sempre haverá aliados com quem a gente não concorda, mas O QUE você entrega para os aliados e o que NÃO entrega faz a maior diferença. Aliás, por isso eu digo que SOU capaz de lidar com a Câmara Municipal mesmo tendo de fazer acordos com pessoas cuja conduta desprovo: porque sei que É POSSÍVEL fazer acordos que não sejam nocivos para o interesse público, desde que você bata o pé, insista, faça questão.
sônia, eu também apoiava o candidato josé, mas tendo em vista o recente vídeo no qual ele afirma que vetará a lei que visa criminalizar a homofobia, ele perdeu meu voto. ele tem se mancomunado cada vez mais com grupos religiosos nefastos (em especial o pastor malafaia). vc tem como justificar isso?
Ver só um pedaço de um vídeo não vale. Ele diz é que a violência motivada por homofobia tem de ser combatida sim, mas que as igrejas não podem ser penalizadas criminalmente se acreditarem que homossexualidade é errado. E ele vetaria a lei - ou o trecho da lei - que diz isso. Incitar o ódio é uma coisa, manifestar uma crença é outra - como a gente vai impedir uma religião de dizer que acha que o "certo" é homens e mulheres se unirem em casamento? Eu DISCORDO dessa leitura; a Bíblia tem passagens que podem tanto condenar quanto admitir a homossexualidade, as religiões sempre tem suas interpretações divergentes, mas não posso obrigar uma religião a concordar comigo. E é possível sim manifestar restrições à homossexualidade sem violência, portanto sem serem consideradas crime de homofobia. Uma vez na Parada Gay havia uma faixa "você não precisa aceitar, mas tem de respeitar". É isso. O ESTADO tem de respeitar, tem de assegurar direitos iguais para todo mundo e cobater toda forma de violência. O Estado não pode se pautar por uma religião - mas não pode pautar a religião. Entende?? E, pra concluir, o Serra E o Alckmin fizeram muito, em seus governos, pela garantir dos direitos LGBT. Ao contrário do governo federal, que recua toda vez em que a "bancada evangélica" ameaça complicar sua vida no Congresso. Sério - pesquise e você vai ver. O Serra não deixa de fazer o que acredita que tem de ser feito pela garantia de direitos por causa dos conservadores que o apoiam, e isso faz toda diferença. (Já foi assim lá atrás - eu me lembro muito bem da resistência desses setores às campanhas por sexo seguro, "use camisinha" etc. Achavam um absurdo; questionavam o governo por usar dinheiro público no tratamento da Aids. Ele bancou).
***
Ainda no tema Direitos LGBT, escrevi
Ainda no tema Direitos LGBT, escrevi
http://gabinetesoninha. blogspot.com/2012/01/nao- facam-isso-em-casa-e-em-lugar. html (sobre uma sessão de "exorcismo" de homossexual conduzida pelo Edir Macedo)
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Sem-fim
[Pra quem veio aqui procurando um palavrão xingando o Haddad: apaguei. Estava com muita raiva e escrevi como falo [falo muito palavrão]. Podia ter dito simplesmente "SUJO". No fim, substituí por "MUITO cinismo". Era lá que estava o "filha da p."]
********************
Sem fim o espanto, a tristeza. Sem fim a desfaçatez.
***
O Haddad ACREDITA em boa parte do que diz. É um atenuante quanto ao caráter - mas minha nossa, em que mundo ele vive?
Ele acha MESMO que fez uma "Revolução na Educação"! Meu Deus!
***
Analisemos os fatos.
No Brasil, não fizemos progressos, pequenos progressos que seja, na Educação (creche, ensino fundamental, ensino médio). Continuamos marcando passo, para não dizer que PIORAMOS. REGREDIMOS.
DEZ ANOS de governo do PT. Sete anos de Haddad Ministro da Educação. E o Brasil é uma TRAGÉDIA na Educação. COMO vamos nos desenvolver de verdade sem Educação?
Não temos gente qualificada para preencher os postos de trabalho das atividades de futuro. Temos gente se endividando sem fazer a menor ideia do quanto, porque ficou muito mais fácil adquirir bens duráveis no crediário mas ainda não sabemos fazer operações matemáticas básicas.
Os centros urbanos estão mais sujos, mais violentos. Aumentar a capacidade de consumo sem melhorar a Educação é uma tragédia. Não temos capacidade de análise e reflexão nem um conjunto sólido de valores que resulte em projetos de vida, planos para o futuro. O que temos é o desejo de consumir imediatamente com total desinteresse no futuro, sem projeto de vida, sem aspirações.
NENHUMA nação se tornou grandiosa sem Educação. Japão, Alemanha, Coreia tiveram um crescimento espantoso em pouco tempo, uma capacidade de recuperação magnífica, porque investiram nela. É tão óbvio que é clichê, lugar comum. E o Brasil continua ATRASADO, pobre, miserável.
No anúncio recente da aplicação das cotas de 50% das vagas nas universidades para alunos de escola pública, o Mercadante, que herdou essa "maravilha" de cenário, DISSE que cota é uma solução temporária, e que o governo vai trabalhar para que daqui a dez anos elas não sejam mais necessárias.
DAQUI A DEZ ANOS.
As crianças que estavam na primeira série quando Lula se elegeu a primeira vez, em 2002, estão AGORA no terceiro ano do ensino médio.
O QUE eles fizeram em DEZ ANOS por essa geração?
***
O governo Lula-Dilma resolveu colocar "milhões de pobres" na faculdade. Concede Bolsas em instituições particulares, com fiscalização ridícula. Dinheiro público indo para faculdades privadas de péssima qualidade - é uso irresponsável de dinheiro público e enganação, miragem, estelionato.
O governo Lula descobriu, no último ano, que faltavam vagas em creche no Brasil todo. Uma tragédia nacional. Aí anunciou um grande plano na campanha da Dilma, disse que fariam seis mil. DOIS anos depois, saíram quantas do papel?
Mas tem sempre uma resposta para esses casos: "As prefeituras não colaboram". Quando as coisas SÃO feitas, com algum repasse (ou empréstimo) de recurso federal para complementar o valor da obra (como se fosse um gesto de infinita generosidade), eles contam como realização DO GOVERNO FEDERAL. Fazem isso com Heliópolis, Paraisópolis, Rodoanel. "Ticam" no balanço do PAC: "Ok, fizemos". Quando NÃO SÂO, a culpa é dos outros.
Desonestidade em todas as cores e nuances.
***
"A gente quis ajudar São Paulo, São Paulo não quis".
Bom, aí o Haddad SABE que está mentindo. Foi desmentido impiedosamente, em público, mas volta à mentira original COM A MAIOR TRANQUILIDADE. Ele certamente acha que tudo vale no jogo do poder. Importante é impedir que os tucanos voltem a governar o país, como diz o Mestre na TV.
(Como alguém observou, se isso é o que ele diz em TV aberta na rede nacional, imagine o que sai nas reuniões a portas fechadas).
Primeiro ele diz "São Paulo nunca me procurou". Aí foi desmentido por agenda oficial. Não se apertou: "Foi um encontro casual" ou coisa parecida. Foi desmentido de novo. "Não pediram nada". Teve de admitir que pediram. E que se dane, volta a martelar na tese, como ontem no debate. "Prefeito de cidade com 3 mil habitantes conseguiu preencher o formulário para pedir recurso pra creche e São Paulo não".
MUITO desonesto. MUITO dependente da IGNORÂNCIA das pessoas sobre como são feitos os pedidos de recurso federal, quanto custa uma creche em São Paulo e uma na cidade com 3 mil habitantes, qual a dificuldade de firmar um convênio com um ente deste tamanho.
***
São Paulo, SEM recurso federal, fez mais creches do que o governo Lula-Dilma NO BRASIL INTEIRO. Assim como fez mais metrô. Mais equipamentos de Saúde e de Assistência Social.
E esses imundos vem dizer que NUNCA ninguém fez nada pelos pobres, e que eles fizeram MUITO pelos pobres.
Repetem, repetem, repetem. Aí botam um cara na televisão dizendo exatamente isso: "Os tucanos nunca fizeram nada pelos pobres".
E aí vem no debate dizer "Vamos assinar um protocolo para que a campanha não tenha agressões?".
MUITO cinismo.
***
"O mundo que você mostra na televisão, Serra, não existe".
Nada do que aparece no horário eleitoral do Serra é computação gráfica. São equipamentos PÚBLICOS reais, excelentes.
Os problemas que a Saúde tem aqui são NACIONAIS. O que vem de recurso federal para a Saúde é RIDÍCULO, mesmo assim a gente tá melhor do que o resto. O Brasil INTEIRO mostra gente no chão de Pronto Socorro, sendo jogado de lá pra cá. Horas de espera. Pior: hospitais - como o da UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - sujos, caindo aos pedaços. Falta de profissionais.
Não estamos em outro país, estamos no Brasil, essa maravilha de cenário. E CONSEGUIMOS ter excelência no serviço público, inclusive atendendo gente de outros estados e países. TEMOS PROBLEMAS, mas estamos um passo adiante ou dois.
Aí o Haddad vem dizer que São Paulo não tem nada que preste e que as UPAs do Rio de Janeiro são um "exemplo de excelência"??? O Rio de Janeiro tem Saúde melhor do que São Paulo? Ele tá de brincadeira.
***
Em um evento do Nossa São Paulo do Sesc, sentei ao lado da Nadia Campeão e comentei com o Haddad "Ela me convenceu a apoiar a candidatura de São Paulo à Olimpíada. Eu era contra, mas ela fez uma defesa muito boa do projeto. No fim o Rio levou... Um dos membros do grupo que fazia o projeto, frustrado, amargo, falou: "Se a gente tivesse gasto o dinheiro agradando os jurados em vez de fazendo um bom projeto, ganhava mais"."
Aí vem o Haddad e fala: "Por falar em projeto, o que essa prefeitura gasta em projeto... Tudo no papel".
Cara-de-pau! (Eu:) "Pô, você vai DE NOVO falar em projeto que não saiu do papel??? O que é o PAC???"
"Eu não tenho nada a ver com o PAC. As minhas metas eu cumpri".
JURO.
***
"Minhas metas eu cumpri todas. Todas. Tudo o que estava previsto no Plano Nacional de Educação, eu executei".
"Não é o que diz a Execução Orçamentária do Ministério da Educação. Os únicos recursos realmente utilizados (mais de 90%) foram folha de pagamento e aqueles repasses para Unesco. O resto teve execução baixíssima".
"Não é verdade".
"Estou falando dos dados disponíveis no site do Ministério da Educação. Oficiais".
"Eu executei todas as minhas metas".
"Então você corrija o que diz o site oficial".
***
Falei das creches, mas aí é PAC. Um monte de "Planos Municipais de Educação" feitos com recurso do PAC nos municípios que não deram em p. nenhuma. Ah, se as prefeituras não fazem, o que o governo federal pode fazer?
Inacreditável.
***
Apostando na IGNORÂNCIA das pessoas, ele vem dizer que o IPVA já cobre as despesas do Controlar. Olha, se ele quer dividir a conta dos serviços do Controlar entre todas as pessoas, quem tem ou não tem carro, que seja. Eu acho o fim da picada, uma demagogia horrenda, mas ninguém gosta de pagar tarifa mesmo, fazer o que?
Mas ele entende de Finanças Públicas. Ele sabe que IMPOSTO é uma coisa, TARIFA é outra. IPVA não é uma taxa pra ser investida nas despesas com carros, é um IMPOSTO que compõe o TESOURO MUNICIPAL e vai para EDUCAÇÃO, SAÚDE, SEGURANÇA etc. Não venha dizer, como qualquer cidadão mal informado, que a inspeção veicular "já está incluída no IPVA".
No governo Marta, eles podiam ter REVOGADO a lei municipal (aprovada no governo do Maluf) que previa a inspeção veicular COM cobrança de tarifa pelo serviço prestado. Não revogaram, não fizeram a inspeção, não fizeram nada. Agora vem usar a raiva das pessoas (justificada, pela encheção que é a inspeção, muito mais do que pelos R$44 POR ANO que tem de pagar e que o Haddad quer tornar "grátis") pra tentar se eleger.
O Haddad não é o pior do PT, mas ele topa o que vier. Topa o jogo, topa jogar sujo. Faz campanha com deboche, com raiva, com mentira, e faz apelo por "paz", "amor". Lembrar que lideranças do PT estão sendo condenadas por crimes contra a República não pode, é ofensivo, é baixaria. (Só faltava eles dizerem que é MENTIRA. Alguém ainda é capaz de dizer). Dizer "eles não gostam de pobre" é lícito.
***
Ontem fiquei mais de meia hora cercada de jornalistas questionando sobre o Serra. Sobre o "kit gay" e o Malafaia. Se o Serra deveria ter aceitado o apoio do Malafaia, já que ele "diz" que defende os direitos LGBT.
"O Malafaia é que tem de saber que apoia o Serra que NÃO DEIXA de defender os direitos LGBT apesar das resistências de seus apoiadores".
Eles insistiram. Repetiram. Tipo, não é uma entrevista, é um debate. Eles afirmando que o Serra é conservador, que o Serra tem o apoio do Malafaia então o meu eleitorado não vai me perdoar por escolher o Serra.
"O MALUF é progressista, por acaso? O Maluf defende os direitos humanos, o tratamento igual a todas as pessoas?"
Um jornalista de uma revista semanal teve a CORAGEM de dizer "mas o Maluf não aparece na campanha".
Entende? DEFENDENDO o Haddad.
"O Maluf é DIRIGENTE DE UM PARTIDO QUE FAZ PARTE DA ALIANÇA COM O HADDAD. [Partido que tem no Congresso o BOLSONARO, eu podia ter lembrado]. O Malafaia é um líder religioso que pede voto no Serra. Como outros líderes religiosos pedem voto no Haddad. A Canção Nova, do Chalita, diz que "homossexualismo" é um "desvio". Quando o Bispo Crivella, que hoje é ministro do governo Dilma, era Senador, exigiu que fosse interrompida a tramitação do PL da Homofobia e o governo aceitou."
É incrível, nós realmente ficamos debatendo, eles argumentando, defendendo o lado do Haddad.
"O Fernando Henrique diz que o Serra pode acabar essa campanha com o carimbo de conservador".
"CLARO, há anos o PT resolveu aplicar no Serra o carimbo de conservador. Mas foi o Serra quem criou a Coordenadoria da Diversidade Sexual. Quem determinou que o servidor pode ter licença-nojo (nome oficial para o "luto") em caso de falecimento de parceiro do mesmo sexo. Que as travestis tem de ser chamadas pelo nome social. Que criou um Centro de Referência para travestis. Que, lá atrás, bancou campanhas pelo uso de camisinha quando muita gente (Igreja católica, por exemplo), achava isso um absurdo, um "incentivo" ao sexo fora do casamento, sem fins reprodutivos. Que bancou o tratamento de AIDS na rede pública, quando a sociedade conservadora achava "deixa que morram, quem mandou serem promíscuos?". Que fez o SUS cumprir a lei relativa à prática do aborto decorrente de estupro ou do risco de morte da mãe".
Alguns me olhavam como se não soubessem disso. Talvez não soubessem. E como se, apesar disso, ainda prevalecesse o carimbo de "conservador".
"O Serra criticou o kit-gay. Disse que é "doutrinação", falou algo sobre "bissexualismo"". Não souberam me dizer exatamente o que ele falou.
Respondi: "Se ele falou em "doutrinação", discordo dele. Mas a DILMA alegou a mesma coisa para RETIRAR o kit-gay de circulação. Disse que "o governo não tem de fazer PROPAGANDA de OPÇÃO SEXUAL". Eu não cheguei a conhecer o kit-gay e não confio no que dizem na internet. Talvez ele tivesse problemas - que corrigissem o problemas. Mas ELES, o HADDAD, a DILMA, o abandonaram. Por pressão dos conservadores".
***
Bom, aí o assunto se voltou para "o modo como o Serra trata os repórteres".
Eu falei umas dez vezes que não gosto de como ele reage. Que eu respondo a TODAS as perguntas, de todos os tipos - agressivas, provocadoras, irritantes. Mas EU sou a exceção, não ele. A Dilma não tem paciência com jornalista que a incomoda ("Minha filha [SIC], não é apagão, é blecaute"). Mas pra ela fica mais fácil quando dá entrevista atrás de um púlpito, apenas para jornalistas previamente credenciados pela assessoria, como foi em 2010. Quando você tá ali o tempo todo no meio dos repórteres, é mais fácil se irritar.
E eu queria saber, disse a eles, se tem sempre uma equipe da TVT, por exemplo, atrás do Haddad tentando fazer alguma pergunta que o incomode. Tentando provocar, desestabilizar. Queria saber mesmo. Disse, confiante: "Duvido".
"Mas a repórter do UOL que ele respondeu mal..."
Repeti pela décima vez: "Eu não gosto do modo como ele reage". E também: "Eu sou a única que não reage assim. O Zé Dirceu reage como? Ou ele nem anda por aí no meio de repórteres?"
Aí uma repórter insistiu, insistiu, insistiu: "Mas não está piorando agora? Não piorou? Não piorou?". Respondi três vezes. "Não. Acho que não. Acho que não". "Ele não está ficando mais irritado em função do resultado das pesquisas?". "Não. Acho que é a irritação de sempre". "Não está pintando um momento Russomanno?". Respondi um outro repórter da roda que tinha feito alguma pergunta mais séria. "Fala, vai. Tá rolando uma coisa como o Russomanno na última semana". Respondi a ela rindo, comentando ao mesmo tempo com os outros repórteres: "O que é isso, um teste pra ver se eu realmente respondo qualquer pergunta sem perder a paciência?". Eles riram também, até meio constrangidos, obrigados a concordar comigo que ela estava me provocando, não perguntando. Ela continuou: "Mas tá, não tá? O Serra não tá meio nervosinho? Não tá que nem o Russomanno, com medinho?"
Cara, como eu me arrependi de não fazer algo que já pensei várias vezes: EU gravar todas as perguntas que me são feitas e as minhas respostas. E foi o que eu disse pra ela: "Então, isso é uma pergunta ou é uma provocação? Posso gravar para ter o registro?". Os repórteres à minha volta não poderiam negar que ela tinha ultrapassado a linha. Ela mesma se deu conta: "Não, a gente tá aqui conversando em off". "Não, a gente não tá conversando em off, a gente tá em on o tempo todo, você está me entrevistando".
***
Ainda houve outro debate. Eles afirmando que "a campanha do Serra subiu o tom". Que a campanha do Serra é agressiva, que resolveu apelar, será que não está passando da medida? Será que o eleitor não vai reagir mal por causa disso?
Dei vários exemplos de agressividade, deboche, ataques do outro lado. "Fizeram assim com o Russomanno, dizendo que o bilhete dele era "ruim para os pobres". Disseram que quem não defende o Bilhete Único Mensal é porque "defende o interesse das elites e é contra os pobres". O Lula vem no rádio dizer que "os pobres agora comem bife e não querem deixar de comer". Isso é propaganda qualificada?"
De novo, eles ARGUMENTAM. "Mas a do Serra é mais".
***
Que os jornalistas tenham birra do Serra, ok. Mesmo que não reconheçam que existe um esforço diário para tirá-lo do sério.
Ele perde muito ao reagir como reage, irritado, acusando o repórter de estar a serviço do outro lado. (Alguns são MESMO de veículos ligados ao PT - à CUT, Sindicatos, patrocinadores deles etc. Alguns só tem raiva dele e querem f. Outros realmente cutucariam qualquer candidato à sua frente).
Mas eles NÃO PODEM fazer disso simpatia, tolerância, apreço pelo outro lado. E fazem. Compram as teses do adversário e ficam defendendo em entrevista comigo.
Alguns deixam escapar interjeições do tipo "Yess, tomou?" enquanto assistem o debate. Depois negam preferência de pé junto.
Assim caminha a humanidade. Sem saber, aposto, explicar por que a Dilma tem 80% de "ótimo e bom" no governo, mesmo que tenha votado em "ótimo" ou "bom".
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Sem fim o espanto, a tristeza. Sem fim a desfaçatez.
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O Haddad ACREDITA em boa parte do que diz. É um atenuante quanto ao caráter - mas minha nossa, em que mundo ele vive?
Ele acha MESMO que fez uma "Revolução na Educação"! Meu Deus!
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Analisemos os fatos.
No Brasil, não fizemos progressos, pequenos progressos que seja, na Educação (creche, ensino fundamental, ensino médio). Continuamos marcando passo, para não dizer que PIORAMOS. REGREDIMOS.
DEZ ANOS de governo do PT. Sete anos de Haddad Ministro da Educação. E o Brasil é uma TRAGÉDIA na Educação. COMO vamos nos desenvolver de verdade sem Educação?
Não temos gente qualificada para preencher os postos de trabalho das atividades de futuro. Temos gente se endividando sem fazer a menor ideia do quanto, porque ficou muito mais fácil adquirir bens duráveis no crediário mas ainda não sabemos fazer operações matemáticas básicas.
Os centros urbanos estão mais sujos, mais violentos. Aumentar a capacidade de consumo sem melhorar a Educação é uma tragédia. Não temos capacidade de análise e reflexão nem um conjunto sólido de valores que resulte em projetos de vida, planos para o futuro. O que temos é o desejo de consumir imediatamente com total desinteresse no futuro, sem projeto de vida, sem aspirações.
NENHUMA nação se tornou grandiosa sem Educação. Japão, Alemanha, Coreia tiveram um crescimento espantoso em pouco tempo, uma capacidade de recuperação magnífica, porque investiram nela. É tão óbvio que é clichê, lugar comum. E o Brasil continua ATRASADO, pobre, miserável.
No anúncio recente da aplicação das cotas de 50% das vagas nas universidades para alunos de escola pública, o Mercadante, que herdou essa "maravilha" de cenário, DISSE que cota é uma solução temporária, e que o governo vai trabalhar para que daqui a dez anos elas não sejam mais necessárias.
DAQUI A DEZ ANOS.
As crianças que estavam na primeira série quando Lula se elegeu a primeira vez, em 2002, estão AGORA no terceiro ano do ensino médio.
O QUE eles fizeram em DEZ ANOS por essa geração?
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O governo Lula-Dilma resolveu colocar "milhões de pobres" na faculdade. Concede Bolsas em instituições particulares, com fiscalização ridícula. Dinheiro público indo para faculdades privadas de péssima qualidade - é uso irresponsável de dinheiro público e enganação, miragem, estelionato.
O governo Lula descobriu, no último ano, que faltavam vagas em creche no Brasil todo. Uma tragédia nacional. Aí anunciou um grande plano na campanha da Dilma, disse que fariam seis mil. DOIS anos depois, saíram quantas do papel?
Mas tem sempre uma resposta para esses casos: "As prefeituras não colaboram". Quando as coisas SÃO feitas, com algum repasse (ou empréstimo) de recurso federal para complementar o valor da obra (como se fosse um gesto de infinita generosidade), eles contam como realização DO GOVERNO FEDERAL. Fazem isso com Heliópolis, Paraisópolis, Rodoanel. "Ticam" no balanço do PAC: "Ok, fizemos". Quando NÃO SÂO, a culpa é dos outros.
Desonestidade em todas as cores e nuances.
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"A gente quis ajudar São Paulo, São Paulo não quis".
Bom, aí o Haddad SABE que está mentindo. Foi desmentido impiedosamente, em público, mas volta à mentira original COM A MAIOR TRANQUILIDADE. Ele certamente acha que tudo vale no jogo do poder. Importante é impedir que os tucanos voltem a governar o país, como diz o Mestre na TV.
(Como alguém observou, se isso é o que ele diz em TV aberta na rede nacional, imagine o que sai nas reuniões a portas fechadas).
Primeiro ele diz "São Paulo nunca me procurou". Aí foi desmentido por agenda oficial. Não se apertou: "Foi um encontro casual" ou coisa parecida. Foi desmentido de novo. "Não pediram nada". Teve de admitir que pediram. E que se dane, volta a martelar na tese, como ontem no debate. "Prefeito de cidade com 3 mil habitantes conseguiu preencher o formulário para pedir recurso pra creche e São Paulo não".
MUITO desonesto. MUITO dependente da IGNORÂNCIA das pessoas sobre como são feitos os pedidos de recurso federal, quanto custa uma creche em São Paulo e uma na cidade com 3 mil habitantes, qual a dificuldade de firmar um convênio com um ente deste tamanho.
***
São Paulo, SEM recurso federal, fez mais creches do que o governo Lula-Dilma NO BRASIL INTEIRO. Assim como fez mais metrô. Mais equipamentos de Saúde e de Assistência Social.
E esses imundos vem dizer que NUNCA ninguém fez nada pelos pobres, e que eles fizeram MUITO pelos pobres.
Repetem, repetem, repetem. Aí botam um cara na televisão dizendo exatamente isso: "Os tucanos nunca fizeram nada pelos pobres".
E aí vem no debate dizer "Vamos assinar um protocolo para que a campanha não tenha agressões?".
MUITO cinismo.
***
"O mundo que você mostra na televisão, Serra, não existe".
Nada do que aparece no horário eleitoral do Serra é computação gráfica. São equipamentos PÚBLICOS reais, excelentes.
Os problemas que a Saúde tem aqui são NACIONAIS. O que vem de recurso federal para a Saúde é RIDÍCULO, mesmo assim a gente tá melhor do que o resto. O Brasil INTEIRO mostra gente no chão de Pronto Socorro, sendo jogado de lá pra cá. Horas de espera. Pior: hospitais - como o da UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - sujos, caindo aos pedaços. Falta de profissionais.
Não estamos em outro país, estamos no Brasil, essa maravilha de cenário. E CONSEGUIMOS ter excelência no serviço público, inclusive atendendo gente de outros estados e países. TEMOS PROBLEMAS, mas estamos um passo adiante ou dois.
Aí o Haddad vem dizer que São Paulo não tem nada que preste e que as UPAs do Rio de Janeiro são um "exemplo de excelência"??? O Rio de Janeiro tem Saúde melhor do que São Paulo? Ele tá de brincadeira.
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Em um evento do Nossa São Paulo do Sesc, sentei ao lado da Nadia Campeão e comentei com o Haddad "Ela me convenceu a apoiar a candidatura de São Paulo à Olimpíada. Eu era contra, mas ela fez uma defesa muito boa do projeto. No fim o Rio levou... Um dos membros do grupo que fazia o projeto, frustrado, amargo, falou: "Se a gente tivesse gasto o dinheiro agradando os jurados em vez de fazendo um bom projeto, ganhava mais"."
Aí vem o Haddad e fala: "Por falar em projeto, o que essa prefeitura gasta em projeto... Tudo no papel".
Cara-de-pau! (Eu:) "Pô, você vai DE NOVO falar em projeto que não saiu do papel??? O que é o PAC???"
"Eu não tenho nada a ver com o PAC. As minhas metas eu cumpri".
JURO.
***
"Minhas metas eu cumpri todas. Todas. Tudo o que estava previsto no Plano Nacional de Educação, eu executei".
"Não é o que diz a Execução Orçamentária do Ministério da Educação. Os únicos recursos realmente utilizados (mais de 90%) foram folha de pagamento e aqueles repasses para Unesco. O resto teve execução baixíssima".
"Não é verdade".
"Estou falando dos dados disponíveis no site do Ministério da Educação. Oficiais".
"Eu executei todas as minhas metas".
"Então você corrija o que diz o site oficial".
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Falei das creches, mas aí é PAC. Um monte de "Planos Municipais de Educação" feitos com recurso do PAC nos municípios que não deram em p. nenhuma. Ah, se as prefeituras não fazem, o que o governo federal pode fazer?
Inacreditável.
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Apostando na IGNORÂNCIA das pessoas, ele vem dizer que o IPVA já cobre as despesas do Controlar. Olha, se ele quer dividir a conta dos serviços do Controlar entre todas as pessoas, quem tem ou não tem carro, que seja. Eu acho o fim da picada, uma demagogia horrenda, mas ninguém gosta de pagar tarifa mesmo, fazer o que?
Mas ele entende de Finanças Públicas. Ele sabe que IMPOSTO é uma coisa, TARIFA é outra. IPVA não é uma taxa pra ser investida nas despesas com carros, é um IMPOSTO que compõe o TESOURO MUNICIPAL e vai para EDUCAÇÃO, SAÚDE, SEGURANÇA etc. Não venha dizer, como qualquer cidadão mal informado, que a inspeção veicular "já está incluída no IPVA".
No governo Marta, eles podiam ter REVOGADO a lei municipal (aprovada no governo do Maluf) que previa a inspeção veicular COM cobrança de tarifa pelo serviço prestado. Não revogaram, não fizeram a inspeção, não fizeram nada. Agora vem usar a raiva das pessoas (justificada, pela encheção que é a inspeção, muito mais do que pelos R$44 POR ANO que tem de pagar e que o Haddad quer tornar "grátis") pra tentar se eleger.
O Haddad não é o pior do PT, mas ele topa o que vier. Topa o jogo, topa jogar sujo. Faz campanha com deboche, com raiva, com mentira, e faz apelo por "paz", "amor". Lembrar que lideranças do PT estão sendo condenadas por crimes contra a República não pode, é ofensivo, é baixaria. (Só faltava eles dizerem que é MENTIRA. Alguém ainda é capaz de dizer). Dizer "eles não gostam de pobre" é lícito.
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Ontem fiquei mais de meia hora cercada de jornalistas questionando sobre o Serra. Sobre o "kit gay" e o Malafaia. Se o Serra deveria ter aceitado o apoio do Malafaia, já que ele "diz" que defende os direitos LGBT.
"O Malafaia é que tem de saber que apoia o Serra que NÃO DEIXA de defender os direitos LGBT apesar das resistências de seus apoiadores".
Eles insistiram. Repetiram. Tipo, não é uma entrevista, é um debate. Eles afirmando que o Serra é conservador, que o Serra tem o apoio do Malafaia então o meu eleitorado não vai me perdoar por escolher o Serra.
"O MALUF é progressista, por acaso? O Maluf defende os direitos humanos, o tratamento igual a todas as pessoas?"
Um jornalista de uma revista semanal teve a CORAGEM de dizer "mas o Maluf não aparece na campanha".
Entende? DEFENDENDO o Haddad.
"O Maluf é DIRIGENTE DE UM PARTIDO QUE FAZ PARTE DA ALIANÇA COM O HADDAD. [Partido que tem no Congresso o BOLSONARO, eu podia ter lembrado]. O Malafaia é um líder religioso que pede voto no Serra. Como outros líderes religiosos pedem voto no Haddad. A Canção Nova, do Chalita, diz que "homossexualismo" é um "desvio". Quando o Bispo Crivella, que hoje é ministro do governo Dilma, era Senador, exigiu que fosse interrompida a tramitação do PL da Homofobia e o governo aceitou."
É incrível, nós realmente ficamos debatendo, eles argumentando, defendendo o lado do Haddad.
"O Fernando Henrique diz que o Serra pode acabar essa campanha com o carimbo de conservador".
"CLARO, há anos o PT resolveu aplicar no Serra o carimbo de conservador. Mas foi o Serra quem criou a Coordenadoria da Diversidade Sexual. Quem determinou que o servidor pode ter licença-nojo (nome oficial para o "luto") em caso de falecimento de parceiro do mesmo sexo. Que as travestis tem de ser chamadas pelo nome social. Que criou um Centro de Referência para travestis. Que, lá atrás, bancou campanhas pelo uso de camisinha quando muita gente (Igreja católica, por exemplo), achava isso um absurdo, um "incentivo" ao sexo fora do casamento, sem fins reprodutivos. Que bancou o tratamento de AIDS na rede pública, quando a sociedade conservadora achava "deixa que morram, quem mandou serem promíscuos?". Que fez o SUS cumprir a lei relativa à prática do aborto decorrente de estupro ou do risco de morte da mãe".
Alguns me olhavam como se não soubessem disso. Talvez não soubessem. E como se, apesar disso, ainda prevalecesse o carimbo de "conservador".
"O Serra criticou o kit-gay. Disse que é "doutrinação", falou algo sobre "bissexualismo"". Não souberam me dizer exatamente o que ele falou.
Respondi: "Se ele falou em "doutrinação", discordo dele. Mas a DILMA alegou a mesma coisa para RETIRAR o kit-gay de circulação. Disse que "o governo não tem de fazer PROPAGANDA de OPÇÃO SEXUAL". Eu não cheguei a conhecer o kit-gay e não confio no que dizem na internet. Talvez ele tivesse problemas - que corrigissem o problemas. Mas ELES, o HADDAD, a DILMA, o abandonaram. Por pressão dos conservadores".
***
Bom, aí o assunto se voltou para "o modo como o Serra trata os repórteres".
Eu falei umas dez vezes que não gosto de como ele reage. Que eu respondo a TODAS as perguntas, de todos os tipos - agressivas, provocadoras, irritantes. Mas EU sou a exceção, não ele. A Dilma não tem paciência com jornalista que a incomoda ("Minha filha [SIC], não é apagão, é blecaute"). Mas pra ela fica mais fácil quando dá entrevista atrás de um púlpito, apenas para jornalistas previamente credenciados pela assessoria, como foi em 2010. Quando você tá ali o tempo todo no meio dos repórteres, é mais fácil se irritar.
E eu queria saber, disse a eles, se tem sempre uma equipe da TVT, por exemplo, atrás do Haddad tentando fazer alguma pergunta que o incomode. Tentando provocar, desestabilizar. Queria saber mesmo. Disse, confiante: "Duvido".
"Mas a repórter do UOL que ele respondeu mal..."
Repeti pela décima vez: "Eu não gosto do modo como ele reage". E também: "Eu sou a única que não reage assim. O Zé Dirceu reage como? Ou ele nem anda por aí no meio de repórteres?"
Aí uma repórter insistiu, insistiu, insistiu: "Mas não está piorando agora? Não piorou? Não piorou?". Respondi três vezes. "Não. Acho que não. Acho que não". "Ele não está ficando mais irritado em função do resultado das pesquisas?". "Não. Acho que é a irritação de sempre". "Não está pintando um momento Russomanno?". Respondi um outro repórter da roda que tinha feito alguma pergunta mais séria. "Fala, vai. Tá rolando uma coisa como o Russomanno na última semana". Respondi a ela rindo, comentando ao mesmo tempo com os outros repórteres: "O que é isso, um teste pra ver se eu realmente respondo qualquer pergunta sem perder a paciência?". Eles riram também, até meio constrangidos, obrigados a concordar comigo que ela estava me provocando, não perguntando. Ela continuou: "Mas tá, não tá? O Serra não tá meio nervosinho? Não tá que nem o Russomanno, com medinho?"
Cara, como eu me arrependi de não fazer algo que já pensei várias vezes: EU gravar todas as perguntas que me são feitas e as minhas respostas. E foi o que eu disse pra ela: "Então, isso é uma pergunta ou é uma provocação? Posso gravar para ter o registro?". Os repórteres à minha volta não poderiam negar que ela tinha ultrapassado a linha. Ela mesma se deu conta: "Não, a gente tá aqui conversando em off". "Não, a gente não tá conversando em off, a gente tá em on o tempo todo, você está me entrevistando".
***
Ainda houve outro debate. Eles afirmando que "a campanha do Serra subiu o tom". Que a campanha do Serra é agressiva, que resolveu apelar, será que não está passando da medida? Será que o eleitor não vai reagir mal por causa disso?
Dei vários exemplos de agressividade, deboche, ataques do outro lado. "Fizeram assim com o Russomanno, dizendo que o bilhete dele era "ruim para os pobres". Disseram que quem não defende o Bilhete Único Mensal é porque "defende o interesse das elites e é contra os pobres". O Lula vem no rádio dizer que "os pobres agora comem bife e não querem deixar de comer". Isso é propaganda qualificada?"
De novo, eles ARGUMENTAM. "Mas a do Serra é mais".
***
Que os jornalistas tenham birra do Serra, ok. Mesmo que não reconheçam que existe um esforço diário para tirá-lo do sério.
Ele perde muito ao reagir como reage, irritado, acusando o repórter de estar a serviço do outro lado. (Alguns são MESMO de veículos ligados ao PT - à CUT, Sindicatos, patrocinadores deles etc. Alguns só tem raiva dele e querem f. Outros realmente cutucariam qualquer candidato à sua frente).
Mas eles NÃO PODEM fazer disso simpatia, tolerância, apreço pelo outro lado. E fazem. Compram as teses do adversário e ficam defendendo em entrevista comigo.
Alguns deixam escapar interjeições do tipo "Yess, tomou?" enquanto assistem o debate. Depois negam preferência de pé junto.
Assim caminha a humanidade. Sem saber, aposto, explicar por que a Dilma tem 80% de "ótimo e bom" no governo, mesmo que tenha votado em "ótimo" ou "bom".
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quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Pesquisando a pesquisa
UOL hoje de madrugada esqueceu de mim. Esqueceu.
Entre os eleitores de 16 a 24 anos, tenho 11% e continuo em 3º. É nóis :)
Na faixa de 25 a 34 anos, Brancos e Nulos são 12%. Eles ficam em TERCEIRO LUGAR :oP
Vai vendo os brancos e nulos em todas as faixas... (Entre 35 e 44 anos eu vou mal :o( )
Se o UOL colocasse o ícone dos Brancos e Nulos na posição correspondente à intenção de voto, o "retrato" deles ia estar sempre bem colocado.
Na faixa de 5 a 10 salários mínimos eu fico em terceiro! \o/
Esqueceram de mim OUTRA vez
Os pentecostais (e os religiosos em geral) tem A MENOR taxa de Brancos e Nulos
Os sem-religião, a MAIOR. Se isso diz alguma coisa sobre o papel das lideranças religiosas na escolha de um candidato? Eu... acho que sim.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Não façam isso em casa. E em lugar nenhum
Já vi (todos já viram) muitos vídeos chocantes na internet. Violência me dá aflição, repulsa, horror. Seja contra homem ou mulher, criança ou idoso, criminoso ou inocente, brasileiro ou estrangeiro, humano ou animal. Covardia, estupidez, abuso e agressão aos mais fracos ou totalmente impotentes me embrulham o estômago.
Esse vídeo me dá aflição dessa natureza. Fico bestificada olhando... A mentira, a encenação... Não do rapaz, creio eu, mas das "autoridades religiosas"... O abuso da credibilidade, da fé das pessoas... A incitação ao preconceito... Santo Deus, como abusam do Teu nome.
Para quem não tiver tempo, disposição ou paciência para ver, um resumo:
Segundo o Bispo, o rapaz foi vítima de um trabalho feito por seu vizinho e passou a ser assolado por demônios que inocularam nele o homossexualismo. Ele passa, então, por uma sessão de exorcismo para ficar livre desse mal.
***
Frases extraídas da sessão:
A origem da desgraça desse rapaz...
Limpeza total
A gente vai na raiz
Os trabalhos de bruxaria são feitos na virada do ano
Trazer também o [demônio] que tá no terreiro. Tá no Pai de Santo.
O terreiro vai fechar. Todos os terreiros. Todos os [demônios] que tão na Mãe de Santo, os Filhos de Santo.
Acabou teu reinado no terreiro. No Pai de Santo. Nos Filhos de Santo.
Todos os trabalhos são desfeitos
Voce que tem um problema semelhante a esse e quer se libertar, seja do homossexualismo, lesbianismo, prostituição... qualquer problema que vc sabe que tem origem no inferno... junte-se a nós
Nós vamos arrebentar agora em nome de Jesus
As forças espirituais do mal... sejam todas queimadas
Nós fechamos o terreiro
Se tiver enfermidade, se tem AIDS também vai ser queimada agora.
Todo império do inferno que tem atuado no corpo desse rapaz até aqui... está impedido de tocar nele.Graças a Deus
Muitos rapazes, muitas moças perdidas porque tem um espírito imundo no corpo deles
Ela agora vem a ser um servo de Deus.
***
Não sei se é possível opor-se a essa barbaridade por meio da lei, da Justiça.
A liberdade de expressão não é absoluta no Brasil. Nos Estados Unidos, ela é..."sagrada". Se alguém disser "acho que os ......... deveriam morrer", o ....... pode ser preenchido com "chicanos, negros, muçulmanos, russos, travestis, policiais, velhos, judeus, alemães, burgueses, gays" e o energúmeno que disse isso tem seu direito assegurado. No Brasil, a coisa não é bem assim... Já tem o crime de racismo que é inafiançável. Não sei como os estadunidenses lidam com calúnia, injúria, difamação, mas aqui você pode ser condenado por praticar uma delas.
Quando acusam a Lei Anti-Homofobia de ser um atentado à "liberdade de expressão", não estão considerando os limites que já impusemos a ela, tentando promover ao máximo uma convivência respeitosa e pacífica entre as pessoas. Na nossa cultura, acreditamos que dizer é meio passo para fazer. Que dizer equivale a fazer, de alguma maneira. Enfim, longa discussão, muito interessante, aliás. As pessoas não podem dizer o que bem entenderem nunca. em alguns lugares, em qualquer lugar? Quem determina o que se pode e não pode dizer? Qual o limite de intervenção do Estado? Como o Estado entende a sociedade, qual poder a sociedade delega ao Estado?
Eu sou a favor da tipificação do crime de homofobia porque tenho a convicção de que ele é um tipo específico de violência. Há quem se julgue no direito ou mesmo imbuído do "dever" de agredir, punir, segregar, eliminar homossexuais. Tem quem ache que eles é que não tem o direito de ser o que são - ou de aparecer em público demonstrando serem quem são... Que tem de guardar sua orientação afetiva e sexual para si. "Se não conseguem ou não querem deixar de ser homossexuais, que o sejam em segredo. Não na rua. Não em público".
Uma lei que afirme que "demitir, barrar, expulsar, agredir uma pessoa em função da sua orientação sexual é crime" me parece justificada e necessária. Até aceito discutir essa mania de achar que com lei se resolve tudo, que com a ameaça de punição se contém a violência, mas que homofobia - ou homorepulsa, homocondenação - existe e é problema SÉRIO, não tenho dúvida.
Mas então uma pessoa não pode achar que "homossexualidade não é normal", que é "um desvio, um pecado, uma condição indesejável, um castigo, uma maldição"?
Bom, não há lei no mundo que consiga impedir as pessoas de achar ou acreditar no que quer que seja. Mas a sociedade, com ou sem leis, impõe alguns limites para as manifestações de opiniões e crenças. Não se esqueçam, por exemplo, dos crimes de apologia às drogas e incitação à violência... Enfim, o sujeito pode achar que homossexualidade é "do mal", mas vai ter de respeitar a pessoa assim mesmo. Eu me lembro de um cartaz em uma Parada Gay que dizia mais ou menos "Você não é obrigado a aceitar [a homossexualidade], mas tem de respeitar [a pessoa]". "Ah, mas se eles não se dão ao respeito...". Isso parece o argumento que justifica o estupro porque "quem mandou usar aquela sainha?". NÃO. A nossa opinião sobre os modos das outras pessoas não nos dão o direito de as agredir. Seja uma "perua" ou "uma bichinha quá-quá", uma "sapa" ou um "marombeiro", um "rasta" ou uma "patricinha"... Cada um torce o nariz para um tipo, mas não pode sair por aí tirando as pessoas de circulação tomando por base sua desaprovação, sua rejeição ao jeito delas.
***
Uma emenda feita à Lei Anti-Homofobia garantia às pessoas o direito de manifestar sua desaprovação à homossexualidade desde que não houvesse nenhuma conotação de agressividade ou incitação a ela. Para muitas pessoas, isso esvazia a lei completamente. Eu não acho... Acho que uma comunidade religiosa tem o direito de dizer que "Deus não quis assim", desde que não haja nenhuma conotação de agressividade ou incitação a ela. Já acontece dos pais quererem dar uma surra no filho para "virar homem", uma coça na filha para "ter modos de menina", não precisa o líder religioso incentivar!!!
Esse vídeo é uma incitação. Um incentivo à "queima dos demônios" e uma manifestação inequívoca de preconceito e ódio às religiões de matriz africana. Isso já é condenado por lei, não é não???
E essa encenação horrorosa foi transmitida pela TV IURD, pela rádio deles. Quer dizer, nós nem precisamos ser fiéis, acompanhar o culto, ir atrás do Bispo para que ele nos "orientasse". Isso está no ar, é comunicação de massa. Um absurdo.
Com lei, sem lei, a sociedade tem de se manifestar. Quem foi fazer piquete e ameaçar o dono na porta da gráfica que rodava folhetos patrocinados por um padre católico que pedia votos em quem fosse contrário ao aborto, está onde agora?
Espero que esteja indignado, boquiaberto, preocupado, mobilizando suas redes para protestar contra essa violência disfarçada de crença religiosa.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Mensagem do Bispo
O site do PT de Porto Alegre reproduziu a carta do Bispo de Caçador - SC, .lida na missa de 12 de outubro.
O PT não gosta que a igreja se meta na disputa eleitoral - DESDE QUE, naturalmente, ela cisme de apoiar outro candidato que não os seus.
Alguns trechos da carta, grifos meus:
"(...) Passados alguns dias, iniciaram as propagandas eleitorais Subitamente, a minha caixa de correio foi tomada por uma “avalanche” de e-mails contra uma candidata apenas, a Dilma Roussef. Preciso dizer com todas as palavras, que fiquei indignado.
Perguntava-me: por que somente contra ela? Devo ser honesto e afirmar que não recebi nenhuma “matéria” contra qualquer outro(a) candidato(a).
Assim, concluí: Todos somos pecadores, mas uma só pessoa está levando pedrada nesta campanha eleitoral à presidência do Brasil. Aí, eu que já havia escolhido o meu candidato, fiz uma nova escolha. Decidi, diante de Deus, que esta mulher apedrejada é a minha candidata para presidir o Brasil.
Tem também um velho ditado popular que diz: “Só se atira pedras em árvores que dão frutos bons”. E pesquisando descobri que esta candidata, enquanto ministra, produziu muito e bons frutos.
Percebi também que, levando pedradas, não retribuía, e isto está de acordo com o Evangelho.
No domingo à noite, dia 10 de outubro, assisti ao debate promovido pela BAND. Um dos dons que Deus me concedeu foi o de conhecer as pessoas pelos seus olhos. Não costumo revelar o que vejo e sinto para todas as pessoas.
Durante o debate meus ouvidos estavam atentos às palavras dos candidatos, mas meus olhos foram atraídos para a expressão da sua face e a delicadeza do seu olhar.
Percebi duas atitudes muito interessantes: 1) Sua face estava sempre serena e seu leve sorriso não era forçado e nem transmitia falsidade. 2) Seus olhos, que são espelhos de sua alma, transmitiam segurança, confiança, ternura e sinceridade. Estas qualidades agregaram mais alguns pontos a Dilma".
A cada um dos negritos acima, acrescentem um (!!!!!!!!)
A cada um dos negritos acima, acrescentem um (!!!!!!!!)
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