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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Painel comentado

Volta e meia alguém posta no tuíter o lonk para o Painel da Folha, fico curiosa e acabo lendo.

O Painel tem boas sacadas, alguns furos, mas tem tanta coisa que me irrita que eu evito.

A gente tinha um bordão no meu gabinete ded vereadora: "Deu no Painel mas é verdade"  ehehe

A editora nova não tem o mesmo prazer em me espezinhar (me ignora - melhor assim), mas fica lá  gravado um bodezinho.

Enfim, apenas dois comentários sobre o Painel de hj:

Pedagógico Escala da caravana do PT em Belo Horizonte, prevista para 13 de abril, tratará dos feitos de Lula e Dilma Rousseff na educação, área que motivou a mais aguda crise do mandato de Antonio Anastasia (PSDB). Em 2011, greve de 112 dias afetou escolas da rede mineira.


>>> Release de Lula e Dilma, ownnnn. A assessoria "vaza" qual será o tema da "caravana" e o Painel publica, porque a informação é"quente",  sem o menor cuidado editorial. Uma palava resolveria: os ~alegados~ feitos na educação. Com o veneno característico de outros textos, poderiam usar "feitos", mas nem precisariam ir tāo longe.

Pela raiz Além das panes regulares em semáforos, tira o sono de Fernando Haddad a frequência de quedas de árvores em períodos de chuva na capital. São 160 por dia, em média. O petista quer mapear todas, identificando espécies, tempo médio para poda e eventuais doenças.

>>> Pronto, lá está o jornal anunciando medida do Haddad (FSP <3 bom="" brilhante="" bueiros="" como="" div="" ele="" exatamente="" existe="" fazendo="" fazer.="" h="" haddad="" ideia="" identidade="" isso="" j="" limpar="" mesmo="" n="" nbsp="" o="" programa="" q="" quer="" saiba.="" se="" talvez="" tempo="" tido="" tipo="" tivesse="" um="" uma="" ureka="" vamos="" verde="">

Aí vão duas notícias sobre o programa - que no começo se chamava "Sisgau" (urgh), Sistema de Gerenciamento da Arborização Urbana.

1) No site da prefeitura, em 2010, comemorando os "avanços" http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/subprefeituras/vila_maria_vila_guilherme/noticias/?p=17990 

2) Em 2012, no Estadão, criticando o atraso http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,mapa-de-arvores-esta-atrasado-em-sao-paulo,912586,0.htm . Com toda razão! Eu sei o que eu penei pra tirar essa bagaça do papel. Meus aliados eram o André Graziano, da Secretaria de Subs, e o Eduardo Jorge, Secretário do Meio Ambiente. A muito custo, conseguimos recursos para realizá-lo: por exemplo, a contratação, pela prefeitura, dos agrônomos que já tinham sido aprovados em concurso mas não tinham sido chamados.

(Aí a gente descobre q um agrônomo aprovado em concurso era realmente muito bom - em agricultura e pecuária. Outro tinha muita dificuldade de locomoção e não tinha a menor condição de ir pra rua e ter de descer do carro toda hora para examinar árvores. Eles iam pra rua com formulários em papel e depois precisavam ficar horas nos magníficos computadores da prefeitura preenchendo a versão eletrônica - e assim, de fato, alimentando o sistema. Como se essa fosse a melhor utilização do tempo de um agrônomo. Para conseguir contratar um estagiário, dependia de autorização da Secretaria de Gestão. Vem pra Caixa, quer dizer, vem ser Subprefeito você também, vem!)

(Nesse post eu cito o Sisgau, entre um milhão de outros perrengues: http//gabinetesoninha.blogspot.com.br/2010/05/que-sac.html)
 
Portanto, o Painel podia, com toda razão, dizer que o Kassab começou a fazer isso e que, como várias outras coisas em sua gestão, andou devagaaaaaar (ontem em passei pelas obras do "Expresso Tiradentes". Meldeus). Faria uma crítica pertinente aos dois: Kassab pela lerdeza, Haddad pela "novidade".

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O Estadão também publicou uma "decisão" da nova gestão sobre um projeto decidido e sendo tocado há anos: de aumentar as galerias em vez de fazer piscinão na Pompeia. Ou é astúcia e desonestidade (pra ficar com os louros da decisão) ou é outra caída de pára-quedas de quem realmente não se informou direito. O que seria até perdoável - o tempo que a gente demora, ESTANDO na prefeitura, para conseguir informaçoes sobre a prefeitura é de enlouquecer. Mas não para o jornal, que acompanha o assunto desde sempre!

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Políticos e jornalistas: HMPF

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PS: quando eu disse, em um debate (se bobear, a Sabatina Folha/UOL) que uma das maiores reclamações da população nos Conselhos de Segurança era sobre as árvores, riram da minha cara.vai rindo agora. HMMMPF.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Ah, tá, entendi [NOT]

Do PPS para a Folha de São Paulo (grifos meus)

À Editoria de Política
c/c Ombudsman

Estranhamos o fato de não haver nenhuma citação à pré-candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine, terceira colocada em todos os cenários apresentados, com 10% das intenções de voto.

O nome de Soninha aparece apenas no gráfico impresso com o resultado integral da pesquisa, como não poderia deixar de ser, mas é omitido no texto da reportagem.

Resultado prático desta omissão: quem lê a matéria na internet, por exemplo, onde não estão disponíveis os gráficos,  nem sequer é informado que o PPS tem candidatura própria, menos ainda que ela é a terceira força eleitoral da cidade de São Paulo.

Creio que se trata de uma omissão injustificável, até porque são mencionados candidatos com menor índice que Soninha.  Solicitamos providência para reparar esse tratamento desigual e prejudicial ao PPS.

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Resposta da Folha, com grifos e comentários meus:

"A avaliação do Mauro Paulino é a seguinte: esses cenários ainda não são muito relevantes porque apenas refletem o recall de pré-candidatos que disputaram eleições passadas.

(Oooi?? 1) Então por que divulgar com destaque, analisar, comentar se "não são muito relevantes"? Aliás, se não são, essa deveria ser a primeira informação fornecida pelo jornal. 2) "Refletem o recall"? Sim. Então como não comentar o fato de que eu, diferentemente dos outros, NÃO FUI candidata em 2010 e ainda assim tenho um ótimo recall?)

Por isso focamos a matéria nos dados novos, que são a influência do Lula e a rejeição do Serra.

(Novos? Já não estavam na pesquisa anterior?)

A citação à Marta é necessária porque ela liderava a primeira pesquisa, divulgada em setembro.

("Necessária"?!?)

E as citações a Afif e aos tucanos situam o leitor na disputa pela candidatura que será apoiada pelo governador e pelo prefeito.

( E o leitor precisa ser "situado" quanto à candidatura (totalmente incerta) da situação mais do que precisa ser situado sobre as candidaturas de oposição??)

Por razão de espaço, citamos apenas na arte os candidatos "avulsos" que estão num pelotão intermediário. É o caso de Soninha Francine, Paulinho da Força e Gabriel Chalita.

(De espaço?? Fizeram o maior escarcéu com a pesquisa, havia espaço de sobra. E que história é essa de "avulsos"??? Quem é "avulso" e quem não é? Que p#rra de critério é esse? Ah, sim, e o "avulso" Chalita teve até direito a aspas no dia seguinte, em que se disse "muito feliz" com o seu patamar inicial).

Celso Russomanno e Netinho de Paula, que estão em empate técnico na liderança, foram mencionados."

(O Russomano também teve direito a aspas no dia seguinte (o Netinho não). E eles tem mesmo de mencionar os dois - o que não justifica me extirpar da matéria)

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Mas o comentário mais... relevante é mesmo "Os cenários não são muito relevantes". Então nem precisa explicar o resto, né? Situar o leitor aqui, focar os dados novos ali... Tanto faz, cita quem quiser, omite quem bem entender.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

De capivaras, futebol e jornalistas. Ah, e a vida

Meu amigo Conrado me enviou, de madrugada, um dos textos mais lindos que eu já vi - e que, como muitas outras coisas lindas, tinha m'escapado. Por que isso veio parar na minha caixa de entrada? Pela referência aos Beatles. Pra completar a lindeza :o)

Por que a crônica não saiu semana passada
Cora Ronai

Em primeiro lugar, agradeço a gentileza dos amigos e leitores que mandaram emails preocupados pela ausência da coluna. Em segundo, peço desculpas pela falha. É que escrevo a crônica às terças-feiras, e a última terça-feira foi o dia do enterro da minha tia Eva, que morreu na segunda à tarde, aos 97 anos, no apartamento em que vivia em Copacabana.

Era a última irmã de meu Pai. Acompanhou a História do Século — nasceu em 1915 — e, como a maioria das pessoas, foi alternadamente feliz e infeliz. Sobreviveu a seu marido, seus irmãos, seus amigos. De certa forma, sobreviveu a si mesma: vítima de uma doença parecida com o Alzheimer, confundia os fatos, não se lembrava das pessoas e se esquecia dos detalhes mais triviais.

Seu enterro foi a minha primeira experiência com funerárias e com a inevitável burocracia da morte. Não há filme, livro ou seriado que prepare a gente suficientemente para isso.

♦ ♦ ♦
Dizem que todo cronista previdente tem uma ou duas crônicas “frias” na gaveta para casos de necessidade. Se isso é verdade, não conheço muitos cronistas previdentes. A maioria deles vem do jornalismo, e é sabido que jornalista só trabalha sob pressão: isso faz parte das idiossincrasias da profissão. Já tentei inúmeras vezes escrever a tal crônica-para-eventualidades, mas nunca consegui passar do primeiro parágrafo. Não dá liga, soa artificial, fica esquisito.

A despeito disso, prometo tentar, mais uma vez, escrever uma crônica-estepe.

♦ ♦ ♦
A semana, que começou de forma dramática, terminou tragicamente, com a morte dolorosa e precoce do Rodolfo Fernandes – mágoa com que todos nós, seus amigos, vamos conviver até o fim da vida.

Além da amizade e do carinho, devo a ele uma das partes mais importantes da minha vida profissional, e uma das aventuras mais divertidas que já vivi. Foi ele quem achou que eu tinha algo a dizer fora dos assuntos tecnológicos, e me convidou a escrever neste espaço; e ele quem teve a idéia de que talvez fosse divertido mandar para a Copa do Mundo a única pessoa da redação que nunca tinha visto um jogo de futebol.

Assim é que, quando O Globo foi cobrir a Copa na Alemanha, em 2006, eu fazia parte da equipe. Estava apavorada. Teria que escrever uma crônica diária, e achava que não teria assunto suficiente, que iria cair num frenesi esportivo onde não sobraria espaço para mais nada.

Só fiquei mais sossegada quando chegamos a Königstein, nossa primeira parada, e mergulhamos num clima de strawberry fields forever – o hotel ficava longe de qualquer coisa relacionada a futebol, mas, em compensação, era cercado de infindáveis campos de morango. Assunto perfeito para mim, mas desesperador para os colegas que, ansiosos para escrever sobre futebol, não sabiam mais o que fazer.

Levei uma pequena capivara de pelúcia como coadjuvante. Alguns anos antes, na Turquia, comprara um camelinho que acabou dando charme a fotos em que eu não tinha nenhum primeiro plano decente. A capivara, que viajou com a missão de servir de primeiro plano para algumas fotos, levou, pelo sim pelo não, um guarda-roupa de torcedora, que ia de camiseta do Brasil a cachecol auriverde.

Na Alemanha foi, aos poucos, fazendo parte não só das fotos, como dos textos. Entrevistou algumas pessoas, foi entrevistada, deu palpites e terminou a temporada amada e odiada pelos leitores.

O povo do futebol detestou. O jornal recebeu montes de emails indignados, querendo saber que palhaçada era aquela, e o que diabos alguém que não entendia nada do esporte estava fazendo na Copa. Por outro lado, até hoje encontro gente que se lembra da capivara com entusiasmo, e me pergunta se ela não vai viver outras aventuras. Na verdade, já viveu um tórrido romance entre Berlim e Paris, e uma história confusa (e inacabada) em São Francisco; mas isso ficou online. O link é coracapi.blogspot.com.

Nem preciso dizer que ficava para lá de insegura diante das críticas. Nunca escrevi para caderno de esporte, e estava pouco acostumada à veemência, digamos assim, com que os leitores se manifestam na área. Levava minhas angústias para o Rodolfo, coitado, que além de ter que lidar com os mil problemas de logística da equipe, tinha, agora, uma cronista biruta com dramas de bicho de pelúcia. No seu lugar, até eu teria dado uma enquadrada na cronista; Copa do Mundo não é lugar para frescura. Mas ele percebia que eu estava de fato aflita, e me tranqüilizava, lembrando que eu não estava lá para escrever sobre futebol. Lembrete desnecessário, ça va sans dire, mas sempre bem-vindo.

Não sei se cumpri a missão a contento, mas sei que vivi dois meses inesquecíveis, em que a leveza e a tranqüilidade com que o Rodolfo lidava com os problemas foram pontos preponderantes. Falta de banda larga, hotel longe da concentração, carro quebrado, toda a sorte de imprevistos ele tirava de letra, sem estresse. Não era difícil imaginar como as coisas poderiam ter ficado tensas com outro tipo de chefia.

♦ ♦ ♦
Não tive como não pensar nos 97 anos da minha tia e nos 49 do Rodolfo. Tanto de um lado, tão pouco do outro! Também não consigo deixar de pensar nas sinistras figuras da política que vivem vidas longevas, enquanto ele, tão doce e brilhante, se foi tão cedo. A sensação de injustiça é dilacerante. Então me lembro do meu Pai, que dizia que a vida não faz nenhum sentido, mas que deve ser vivida como se fizesse.

Só pode ser por aí.

(O Globo, Segundo Caderno, 1.9.2011)

sábado, 19 de junho de 2010

Jornal não tão velho


Da Folha de sexta-feira:

1)      “Lei de floresta livra senadora de multa” – trechos comentados:

“A presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária no Brasil), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), será beneficiada pelas alterações no Código Florestal caso o projeto, que tramita no Congresso, seja aprovado.

A senadora recebeu uma multa de R$77 mil por ter desmatado ilegalmente 776 hectares sem autorização do Ibama em Tocantins.

A proposta para um novo código, do deputado Aldo Rebelo(PC doB), anistia todos os produtores rurais com irregularidades flagradas até julho de 2008”.

(...) A senadora confirmou a multa (...) . “É uma multa ambiental, em uma área de reserva legal. Isso tem muitos anos. À época não era nem crime ambiental, mas uma infração administrativa”. (...) A senadora admitiu ter desmatado. Ela disse que, em razão da demora do Ibama em conceder a autorização, e com o final do período chuvoso, começou a desmatar.”

[Meu comentário: Lamentável. Se a senadora desmatou um lugar que o Ibama autorizaria desmatar, meno male. Foi uma impaciência, uma precipitação. Mas então PAGUE A MULTA (ela está recorrendo; hoje o valor está em 120 mil reais). Mas se era uma reserva legal, o problema parece ser muito pior: o Ibama não daria autorização. Aí sequer há multa que compense o dano causado].

“Para o procurador da República Mario Gisi, o processo de Katia está dentro da anistia defendida pelo relatório de Aldo Rebelo, “A senadora será beneficiada porque sua infração fere os artigos 16, 19 e 37a do atual código. Artigos com infrações que, caso o novo código seja aprovado, serão contemplados pela anistia”. (...)

Indagado sobre quem seria os beneficiados da anistia, o deputado disse não ter “a mínima idéia do que poderia acontecer”. “O governo, no decreto [que embasou o projeto de sua autoria], não levou isso em conta. Oferece a todos a oportunidade de regularização”.

[Meu comentário: conceder uma anistia sem ter a mínima idéia de quem seria beneficiado é um absurdo. Quanto se deixará de arrecadar com as multas perdoadas? E, mais importante, quanto de área desmatada seria simplesmente assimilada como “legal”? Talvez seja impossível ter todos os dados em detalhe, mas não ter a mínima idéia significa ignorar completamente o impacto da medida. Inaceitável].

O que diz a proposta de mudança no Código Florestal
Reserva legal – Imóveis com menos de quatro módulos fiscais ficam dispensados de manter uma era de florestas, o que reduz a proteção na maioria das propriedades do país.
Áreas de preservação permanente (APPs) – Topos de morro e várzeas, que pela lei atual são intocáveis, poderão ser ocupados; matas ciliares poderão ser reduzidas de 30m para 15 m de largura.
Anistia – Quem desmatou até 22 de julho de 2008 está isento de multa até a implementação dos planos de regularização ambiental dos Estados; quem já está em regularização pode optar por não fazê-lo.
Compensação – Quem desmatou além da conta a reserva legal poderá compensar comprando florestas em outro Estado, desde que seja no mesmo bioma; a lei atual obriga a compensar na vizinhança”.

[Meu comentário: O relatório do Aldo Rebelo é um escândalo. Há dois bons resumos/comentários aqui:
- Parecer de Aldo Rebelo sobre mudanças no Código Florestal é desastroso, dizem ambientalistas
- Sobre reforma no Código Florestal – Aldo Rebelo supera seu próprio discurso anti-ambiental
]