"...But when you talk about destruction/Don't you know that you can count me out"
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sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Peço desculpas pelo Mensalão, só que não
"Eu me sinto traído por práticas inaceitáveis, das quais nunca tive conhecimento".
"O Brasil tem instituições democráticas sólidas. O Congresso está cumprindo com a sua parte, o Judiciário está cumprindo com a parte dele. Meu governo, com as ações da Polícia Federal, estão investigando a fundo todas as denúncias. Determinei, desde o início, que ninguém fosse poupado, pertença ao meu Partido ou não, seja aliado ou da oposição".
"Queria, neste final, dizer ao povo brasileiro que eu não tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir desculpas. O PT tem que pedir desculpas".
"Isso aconteceu no mundo inteiro, aconteceu no PT.
Os erros cometidos devem servir de ensinamento para que a gente não erre outra vez"
"Eu tenho uma tese (...). Eu acho que tem um mistério, que foi a tentativa de golpe no governo".
Lula e o novo
Lula pede voto a prefeito que já foi preso pela PF
São Paulo – As denúncias e restrições judiciais impostas ao candidato Roberto Góes (PDT), atual prefeito de Macapá, não o impediram de ficar na dianteira no primeiro turno destas eleições. Góes, que teve o mandato interrompido por dois meses após ser preso pela Policia Federal, entre 2010 e 2011, luta agora para garantir a reeleição no dia 28 de outubro. Para isso, conta com a presença de Lula no horário eleitoral.
Em vídeo que estreou nesta semana, o ex-presidente da República afirma que, para garantir o avanço do munícipio brasileiro, é preciso votar no aliado do PDT.
Tudo para garantir que Macapá seja um “pedaço do novo Brasil que estamos construindo”, diz Lula na propaganda eleitoral.
São Paulo – As denúncias e restrições judiciais impostas ao candidato Roberto Góes (PDT), atual prefeito de Macapá, não o impediram de ficar na dianteira no primeiro turno destas eleições. Góes, que teve o mandato interrompido por dois meses após ser preso pela Policia Federal, entre 2010 e 2011, luta agora para garantir a reeleição no dia 28 de outubro. Para isso, conta com a presença de Lula no horário eleitoral.
Em vídeo que estreou nesta semana, o ex-presidente da República afirma que, para garantir o avanço do munícipio brasileiro, é preciso votar no aliado do PDT.
Tudo para garantir que Macapá seja um “pedaço do novo Brasil que estamos construindo”, diz Lula na propaganda eleitoral.
Lealdade segundo Lula
O PT indicou o vice de Roseana em 2010. Foi um dos 15 partidos aliados.
Tipicamente, Roseana fala em "civilidade" e "campanha limpa".
O Lobão foi eleito Senador e reassumiu o Ministério das Minas e Energia. Exerce mandato agora no Senado seu primeiro suplente, Edison Lobão FILHO.
Que, segundo a Wikipedia, é também o "primeiro suplente da mãe, deputada federal Nice Lobão".
***
O PT do Maranhão não queria apoiar Roseana! A convenção do partido havia escolhido Flavio Dino, do PCdoB.
E olha que, como conta o Deputado Domingos Dutra, eles venceram a Convenção lá contra tudo e contra todos.
Então o PT Nacional foi lá e desautorizou a Convenção e pronto. E pronto!
"Genoino, seja solidário a Mané da Conceição, não a um oligarca corrupto".
Não adiantou.
***
Lula falou, tá falado.
Lealdade = defender os aliados em qualquer circunstância.
Quer sejam honestou ou não. Culpados ou inocentes. Competentes ou incompetentes.
Eu nunca serei mesmo "leal" segundo os critérios do Lula. Porque critico meus aliados. Discordo, desaprovo, condeno seus erros.
***
Realmente, o governo Roseana é um espetáculo.
"Domingos Dutra, presidente da Comissão de Direitos Humanos da câmara, foi agredido pela polícia do Maranhão, por ordem da Governadora Roseana Sarney, no dia 26/07/2012. O incidente aconteceu durante protesto em São Luís pela preservação da vila Vinhais Velho. O Deputado Federal Domingos Dutra defendia os moradores da comunidade de 400 anos.
A manifestação iniciou-se porque o governo do Maranhão quer desapropriar toda área da vila Vinhais Velho para que seja construído um trecho da Via Expressa de São Luís, uma avenida de aproximadamente 7KM, que ligará o Shopping São Luís ao Shopping da Ilha".
E Domingos Dutra CONTINUA no PT.
INACREDITÁVEL.
E eu sou a neonazista neoliberal neoreaça de direita.
Tipicamente, Roseana fala em "civilidade" e "campanha limpa".
O Lobão foi eleito Senador e reassumiu o Ministério das Minas e Energia. Exerce mandato agora no Senado seu primeiro suplente, Edison Lobão FILHO.
Que, segundo a Wikipedia, é também o "primeiro suplente da mãe, deputada federal Nice Lobão".
***
O PT do Maranhão não queria apoiar Roseana! A convenção do partido havia escolhido Flavio Dino, do PCdoB.
E olha que, como conta o Deputado Domingos Dutra, eles venceram a Convenção lá contra tudo e contra todos.
Então o PT Nacional foi lá e desautorizou a Convenção e pronto. E pronto!
"Genoino, seja solidário a Mané da Conceição, não a um oligarca corrupto".
Não adiantou.
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Lula falou, tá falado.
Lealdade = defender os aliados em qualquer circunstância.
Quer sejam honestou ou não. Culpados ou inocentes. Competentes ou incompetentes.
Eu nunca serei mesmo "leal" segundo os critérios do Lula. Porque critico meus aliados. Discordo, desaprovo, condeno seus erros.
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Realmente, o governo Roseana é um espetáculo.
"Domingos Dutra, presidente da Comissão de Direitos Humanos da câmara, foi agredido pela polícia do Maranhão, por ordem da Governadora Roseana Sarney, no dia 26/07/2012. O incidente aconteceu durante protesto em São Luís pela preservação da vila Vinhais Velho. O Deputado Federal Domingos Dutra defendia os moradores da comunidade de 400 anos.
A manifestação iniciou-se porque o governo do Maranhão quer desapropriar toda área da vila Vinhais Velho para que seja construído um trecho da Via Expressa de São Luís, uma avenida de aproximadamente 7KM, que ligará o Shopping São Luís ao Shopping da Ilha".
E Domingos Dutra CONTINUA no PT.
INACREDITÁVEL.
E eu sou a neonazista neoliberal neoreaça de direita.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Falou mal de mim! \o/
Pô, eu nem lembrava do Zé Dirceu, mas ele lembrou de mim, fiquei tocada e com vontade de responder!
Seguem trechos comentados do que ele escreveu (a íntegra do íntegro está aqui, com o título "Soninha ataca de novo com seu discurso dúbio".)
***
"[Soninha] Fala de apoio (dos vereadores) em troca de cargos. E está sempre com um carguinho nos governos. Mas, ela não troca por apoio, só os outros trocam para aprovar projetos na Câmara Municipal..."
- "Sempre com um carguinho". Ééé, é assim que ele enxerga a administração pública, especialmente os cargos de livre provimento. Não é trabalho, serviço público, é "carguinho". Ser subprefeita é tão mole, tão sem responsabilidade, e ganha bem pra caramba! [NOT]
- "Mas ela não troca por apoio, só os outros trocam para aprovar projetos na Câmara Municipal...". Éééé, é assim que ele enxerga trabalhar no governo - é sempre uma troca para aprovar projetos. Não consegue pensar em outra possibilidade. #freudexplica
***
Caso haja algum interesse em fatos, a eles:
- Nunca condicionei aprovar projetos a ter cargos no governo. Projeto bom, de adversário ou até de inimigo, eu voto a favor. PT queria minha caveira e eu, já no PPS, lutei muito para tentar votar um PL do Paulo Teixeira, que nem estava mais na Câmara (elegeu-se deputado federal em 2006).
- Fui Subprefeita e nosso líder de bancada na Câmara votou contra projetos do Kassab, como o subsídio de até R$400 milhões de reais para a construção de um estádio particular (a "esquerda" petista não se opôs) e contra a cessão de área pública no centro da cidade para o "Instituto Lula" (ups).
- Fui Subprefeita e não deixei de criticar (publicamente) a gestão ENQUANTO era Subprefeita. Quem me chama para trabalhar sabe bem a encrenca que está arrumando.
- Fui Superintendente da Sutaco e fiz um trabalho duca, incluindo parcerias excelentes com prefeituras do PT. Aqui respeitamos os princípios republicanos, véi.
- Fui Superintendente da Sutaco e não deixei de criticar o governo do estado enquanto isso. Claro.
***
Seria tão mais mole continuar apresentando programa de TV... Nossa, ganha muito mais e a encheção é 200% menor.
Trabalho no serviço público porque ADORO. É a trincheira onde quero lutar.
***
Outros trechos, outros fatos:
"Ela foi superintendente de um órgão do Estado quando José Serra foi governador (2007-2010)". Ups, não, foi em 2011, a convite do Alckmin. Não necessariamente o melhor amigo do Serra (sabe como é, são linhas diferentes dentro do partido).
"PPS participa do governo Kassab". Não, desde o fim do ano passado. Carlos Fernandes, que me substituiu na Subprefeitura, foi exonerado para a entrada de um Coronel.
***
E mais:
"Soninha ataca o prefeito Gilberto Kassab (ex-DEM-PSDB, agora PSD)". Então agora ele é PSD-PSDB-PT-PSB etc., neam?
***
Aliás, Lula queria "extirpar o DEM", Kassab fez isso por ele.
***
"Nas suas críticas a Kassab, nada de novo, ele se tornou alvo de todos os candidatos". Para criticar, tem de ser original. Se outros já criticaram, não pode!
Mas será que José acha que Luiz Marinho, candidato a reprefeito em São Bernardo, deveria recusar o apoio de Kassab e seu partido? E os outros candidatos do PT no estado também? Seria melhor. Dirceu é muito cioso quanto a essas questões de ambiguidade.
Apoio do Maluf, por exemplo, ele não aceitaria jamais. Sei lá, fica meio estranho.
***
Terminando por onde ele começou: "O rodízio já se provou ineficaz para resolver os problemas do trânsito paulsitano há muito tempo porque a maioria já comprou um segundo carro para usar no dia do rodízio do primeiro". "A maioria". O ex-ministro, ex-deputado, atual consultor, tá bem por dentro da realidade.
Em todo caso, se depender da política brilhante [NOT] do governo federal, o povo vai poder comprar 3 ou 4 carros. Já disse o Lula, "pobre quer ter carro, rico é que pede metrô pra tirar pobre da frente". Aí zera o IPI do carro (arrancando assim um pedaço do Fundo de Participação dos Municípios, prejudicando as prefeituras); estende o prazo do financiamento a perder de vista (e o "pobre" é seduzido pela prestação baixa e induzido a desencanar do futuro; não são poucos os que perdem o carro por não conseguir pagar); ajuda a estourar as cidades, que já não suportam tanto automóvel.
Mas o Ministério das Cidades está em boas mãos, ocupado que está pelo Partido Progressista. Com muita tradição em política urbana.
NOT.
terça-feira, 26 de junho de 2012
"Surpresos"? "Chocados"???
O episódio Lula-vai-à-casa-de-Maluf é muito instrutivo. Não sobre Lula e Maluf, que esses não me supreendem mais já faz tempo. Sobre as pessoas.
***
As pessoas não leem jornais (ah, vá). Digo as pessoas TODAS - incluindo as "politizadas", engajadas, "bem informadas". Acompanham, na política, os escândalos mais ruidosos, os espetáculos do momento.
Não é à toa que a gente (da oposição) grita, esperneia, chora e range os dentes e ninguém escuta. Ainda dizem que "não tem oposição". Fica difícil sem ressonância na sociedade... Nos "movimentos sociais", que hoje em dia ficam cheios de dedos antes de criticar o atual governo... Já deram DEZ ANOS para esse governo promover as "grandes transformações", a gente continua naquele passo arrastado de sempre e elas atacam "o mundo", "as forças contrárias", sei lá. Mas o governo eles poupam. Teve o movimento #vetaDilma, que bom!, mas parou aí. Não fazem troça com a presidente botando na mão dela uma motossera, um saco de dinheiro, um tridente.
Desde a ditadura militar o humor não é tão cuidadoso e ainda assim patrulhado como está sendo nos últimos anos. Durante a campanha de 2010, naquela negociação (que é sempre muito parecida) com os partidos que viriam a compor a aliança - em torno de "programa de governo", claro, naaada a ver com dinheiro e cargos - um chargista desenhou a Dilma com uma bolsinha na esquina dizendo "eu sou uma candidata de programa". NOSSA, o mundo quase veio abaixo. "Falta de respeito com a mulher"! "Chovinistas"! Eu achei genial usar o duplo sentido da palavra "programa" para expor o que realmente acontecia: uma negociação que de "programática" não tinha nada. "Eu te pago o que você pede e você me dá o que eu quero".
Ainda tenho em casa várias Bundas (era uma revista) esculachando o Fernando Henrique sem dó nem piedade. A capa de uma tem o então presidente vestido de Carmem Miranda, criticando de maneira debochada a aliança com ACM. Se alguém fizer hoje coisa parecida, capaz de ser excomungado. Acusado de "golpismo" será, certamente.
***
Há muito tempo o partido do Maluf é base do governo Lula. Ok, o partido não é só Maluf e até o PP tem gente interessada no bem-estar da sociedade, tenho certeza. (Não sei o que fazem lá, mas digo o mesmo de vários ex-companheiros meus no PT... Eles tem vergonha da direção e de algumas decisões do partido, abominam os desvios de conduta, são tratados a pão e água, ficam isolados, não tem um fiapo de voz dentro do partido mas não saem. Vai entender).
Mas o PP não está no governo porque fez concessões e se alinhou a Lula-Dilma porque tem mais convergências que divergências; porque tem posições semelhantes e quer contribuir com a nação. O PP está lá porque tem sua "cota" - e ficou com um Ministério que poderia/deveria ser MUITO importante, muito estratégico: o Ministério das Cidades. Criado no governo Lula, já teve Erminia Maricato e Raquel Rolnik - elas sim, identificadas historicamente com as bandeiras do (antigo) PT. Agora tem alguém indicado pelo Partido Progressista. Cai um (por denúncias insistentes feitas na imprensa), entra outro do mesmo partido.
***
Lula é aquele que dizia que a política econômica era injusta e excludente e trouxe o Henrique Meirelles para presidir o Banco Central. Dizia que a CPMF era um absurdo; que não era dinheiro que faltava para a Saúde porque a carga tributária já era imensa; que bastava haver mais competência e menos corrupção. Depois disse que Deus ia castigar quem tinha votado contra a prorrogação da CPMF.
Lula é do partido que abominava a transposição do São Francisco, depois decidiu fazer a transposição, já gastou bilhões e não fez p. nenhuma. Do partido que criticava o projeto de uma megausina hidrelétrica na Bacia do Xingu, no Sul do Pará. Que defendia dar uma banana, e não quitar a dívida com o FMI. Que dizia que o governo queria deixar as pessoas ignorantes para continuarem reféns de seus favores (continuamos "bem" no ranking do analfabetismo). Que programa de Bolsa era que nem esmola. Que condenava a transferência de recursos públicos para o setor privado (e agora alimenta megafrigoríficos com recursos do BNDES e subsidia a construção de estádios de futebol).
Lula também é aquele que já se desculpou com Collor e disse que Sarney (na época acusado de mil e uma barbaridades na presidência do Senado) merecia "tratamento especial" por sua história. Disse também que o DEM precisava ser extirpado (claro, é oposição, né?).
É aquele que usou como NUNCA ANTES NESTE PAÍS a máquina pública para eleger sua sucessora. Um escândalo. Que atropelou a convenção do PT no Maranhão para obrigá-lo a apoiar ROSEANA SARNEY. Bom, que um dia elogiou Hitler à Playboy, pela determinação em perseguir seus objetivos. Sim, um psicopata determinado, como qualquer serial killer.
***
Aí as pessoas "descobrem" que Lula faz qualquer coisa para ganhar uma eleição. Que não está NEM AÍ para ideologia, programa de governo, postura política, biografia, ficha limpa ou folha corrida. Ficam chocadas, de queixo caído, "até tu, PT?"; "até tu, Lula"?
Eu fico chocada é com as pessoas inteligentes, politizadas, bem informadas.
:o(
***
As pessoas não leem jornais (ah, vá). Digo as pessoas TODAS - incluindo as "politizadas", engajadas, "bem informadas". Acompanham, na política, os escândalos mais ruidosos, os espetáculos do momento.
Não é à toa que a gente (da oposição) grita, esperneia, chora e range os dentes e ninguém escuta. Ainda dizem que "não tem oposição". Fica difícil sem ressonância na sociedade... Nos "movimentos sociais", que hoje em dia ficam cheios de dedos antes de criticar o atual governo... Já deram DEZ ANOS para esse governo promover as "grandes transformações", a gente continua naquele passo arrastado de sempre e elas atacam "o mundo", "as forças contrárias", sei lá. Mas o governo eles poupam. Teve o movimento #vetaDilma, que bom!, mas parou aí. Não fazem troça com a presidente botando na mão dela uma motossera, um saco de dinheiro, um tridente.
Desde a ditadura militar o humor não é tão cuidadoso e ainda assim patrulhado como está sendo nos últimos anos. Durante a campanha de 2010, naquela negociação (que é sempre muito parecida) com os partidos que viriam a compor a aliança - em torno de "programa de governo", claro, naaada a ver com dinheiro e cargos - um chargista desenhou a Dilma com uma bolsinha na esquina dizendo "eu sou uma candidata de programa". NOSSA, o mundo quase veio abaixo. "Falta de respeito com a mulher"! "Chovinistas"! Eu achei genial usar o duplo sentido da palavra "programa" para expor o que realmente acontecia: uma negociação que de "programática" não tinha nada. "Eu te pago o que você pede e você me dá o que eu quero".
Ainda tenho em casa várias Bundas (era uma revista) esculachando o Fernando Henrique sem dó nem piedade. A capa de uma tem o então presidente vestido de Carmem Miranda, criticando de maneira debochada a aliança com ACM. Se alguém fizer hoje coisa parecida, capaz de ser excomungado. Acusado de "golpismo" será, certamente.
***
Há muito tempo o partido do Maluf é base do governo Lula. Ok, o partido não é só Maluf e até o PP tem gente interessada no bem-estar da sociedade, tenho certeza. (Não sei o que fazem lá, mas digo o mesmo de vários ex-companheiros meus no PT... Eles tem vergonha da direção e de algumas decisões do partido, abominam os desvios de conduta, são tratados a pão e água, ficam isolados, não tem um fiapo de voz dentro do partido mas não saem. Vai entender).
Mas o PP não está no governo porque fez concessões e se alinhou a Lula-Dilma porque tem mais convergências que divergências; porque tem posições semelhantes e quer contribuir com a nação. O PP está lá porque tem sua "cota" - e ficou com um Ministério que poderia/deveria ser MUITO importante, muito estratégico: o Ministério das Cidades. Criado no governo Lula, já teve Erminia Maricato e Raquel Rolnik - elas sim, identificadas historicamente com as bandeiras do (antigo) PT. Agora tem alguém indicado pelo Partido Progressista. Cai um (por denúncias insistentes feitas na imprensa), entra outro do mesmo partido.
***
Lula é aquele que dizia que a política econômica era injusta e excludente e trouxe o Henrique Meirelles para presidir o Banco Central. Dizia que a CPMF era um absurdo; que não era dinheiro que faltava para a Saúde porque a carga tributária já era imensa; que bastava haver mais competência e menos corrupção. Depois disse que Deus ia castigar quem tinha votado contra a prorrogação da CPMF.
Lula é do partido que abominava a transposição do São Francisco, depois decidiu fazer a transposição, já gastou bilhões e não fez p. nenhuma. Do partido que criticava o projeto de uma megausina hidrelétrica na Bacia do Xingu, no Sul do Pará. Que defendia dar uma banana, e não quitar a dívida com o FMI. Que dizia que o governo queria deixar as pessoas ignorantes para continuarem reféns de seus favores (continuamos "bem" no ranking do analfabetismo). Que programa de Bolsa era que nem esmola. Que condenava a transferência de recursos públicos para o setor privado (e agora alimenta megafrigoríficos com recursos do BNDES e subsidia a construção de estádios de futebol).
Lula também é aquele que já se desculpou com Collor e disse que Sarney (na época acusado de mil e uma barbaridades na presidência do Senado) merecia "tratamento especial" por sua história. Disse também que o DEM precisava ser extirpado (claro, é oposição, né?).
É aquele que usou como NUNCA ANTES NESTE PAÍS a máquina pública para eleger sua sucessora. Um escândalo. Que atropelou a convenção do PT no Maranhão para obrigá-lo a apoiar ROSEANA SARNEY. Bom, que um dia elogiou Hitler à Playboy, pela determinação em perseguir seus objetivos. Sim, um psicopata determinado, como qualquer serial killer.
***
Aí as pessoas "descobrem" que Lula faz qualquer coisa para ganhar uma eleição. Que não está NEM AÍ para ideologia, programa de governo, postura política, biografia, ficha limpa ou folha corrida. Ficam chocadas, de queixo caído, "até tu, PT?"; "até tu, Lula"?
Eu fico chocada é com as pessoas inteligentes, politizadas, bem informadas.
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Valor de Lixo Econômico
Deu no Sem Valor (comentários no texto):
Soninha, aliada do campo tucano, (...)
Compreensível, não está errado, sou do "campo tucano" uma vez que somos da oposição ao governo federal e apoiamos a candidatura de Serra à presidência em 2010. Mas não sou "aliada" do "campo tucano" como posição fixa, definitiva, incondicional. Tenho horror de "apoio incondicional"; de "aliados" à toda prova. Na Câmara Federal, somos muito mais resolutos na oposição do que os tucanos - que tem um Senador, por exemplo, que manda prender e soltar em Minas Gerais e pouco se dispõe a criticar o governo, a não ser que seja de modo muito confortável.
(...) evitou se associar ao "tchu, tcha, tcha" do ex-governador, (...)
"Evitou se associar". Pouco enviesado esse texto, não? Toda convenção tem sua "musiquinha", cada partido tem seu jingle. A nossa, no sábado, teve vários sons, várias trilhas. De Pink Floyd a Tim Maia a Rita Lee. Foi no sábado. No domingo o PSDB fez a sua e escolheu a paródia do sucesso do momento. E eu "evitei me associar". São uns idiotas. EU SOU CANDIDATA. EU QUERO SER PREFEITA. Não "evito me associar" a bosta nenhuma, respondo com sinceridade a tudo que me perguntam (provavelmente sou eu a idiota por isso), mas a mídia ridícula não consegue falar de mim sem me "associar" a alguma coisa. "Aquela"...
Por que não dizem "Netinho de Paula, do PC do B, "aliado do campo petista", viu-se obrigado a abrir mão de sua candidatura a pedido de Lula". "Há quem diga que o PC do B é "linha auxiliar" do PT, porque pela segunda vez consecutiva abre mão de disputar a prefeitura em troca do lugar de vice na chapa do partido de situação no governo federal, onde ocupa um ministério".
Por que não dizem "Chalita, ex-tucano, ex-socialista, atual peemedebista, ex-Secretário da Educação no governo do estado"?
E, se ao menos lembrassem que o Russomanno existe, "ex-integrante do PP, partido de Paulo Maluf; apresentador de TV, ex-deputado federal, hoje milita no PRB, do Bispo Crivella, Senador nomeado para o Ministério da Pesca e sobrinho de Edir Macedo, da Igreja Universal e da Rede Record.
(...) pelo menos na primeira rodada da eleição.
"Pelo menos". Deixa eu fazer um desenhinho, talvez eles entendam. Eu SOU CANDIDATA A PREFEITURA. Vários outros também são. Cada um de nós tem uma trajetória, fez campanha para um candidato a presidente, teve uma passagem pelo Legislativo etc. No segundo turno, qualquer um de nós que não esteja lá vai optar por um dos dois candidatos na disputa - exceto o PSOL, que certamente vai pregar o voto nulo porque é tudo igual então tanto faz etc. EU QUERO ESTAR NO SEGUNDO TURNO. Seja contra o Serra, o Russomano, o Chalita ou o Haddad. Se os tucanos tivessem insistido naqueles seus pré-candidatos, eu possivelmente já estaria lá, em segundo, atrás do Russomano - que vem se mantendo no alto desde as primeiras pesquisas. Quem sabe em primeiro. Eu e os tucanos, que somos "do mesmo campo", DISPUTAMOS votos uns com os outros. Os votos de quem desaprova várias coisas nos demais candidatos. Mas esses bitolados só conseguem pensar em Serra, Haddad e, no máximo, Chalita. Obsessão. Freud talvez explique.
(...) Lançou sua candidatura na Câmara dos Vereadores, onde dançou ciranda ao som de tambores à la Olodum baiano, e falou de suas ideias para a cidade.
Quer pegar terrenos usados como estacionamento durante o dia, e ociosos à noite, e construir apartamentos que levem a população a deixar a periferia para morar na região central. Está na contramão das propostas de concorrentes como o deputado federal Paulinho da Força (PDT) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT), calcadas na redução de imposto para empresas que se instalarem nas franjas da cidade. A ex-VJ da MTV não disse em que está baseada. (...)
1- Deixa eu ajudar o Valor Econômico a atualizar seus arquivos. Eu sou ex-estudante de Magistério, ex-atriz de teatro amador, ex-recepcionista de eventos, ex-professora da Cultura Inglesa, ex-redatora/produtora/diretora de programas, ex-VJ da MTV, ex-apresentadora da TV Cultura, ex-comentarista de futebol na ESPN/CBN/Rádio Globo/Folha de São Paulo, ex-AmericaOnLine, ex-Saia Justa. E, para ficar mais dentro do escopo (vida pública/carreira política), que tal ex-vereadora, ex-PT, ex-Subprefeita da Lapa, ex-editora do site de campanha do Serra em 2010 (não escondo, não "evito"!), ex-superintendente da Sutaco, "candidata a prefeita pelo PPS já em 2008, quando começou com 1% e terminou com mais de 4%, ficando atrás apenas dos "peso-pesados", muito mais conhecidos, Paulo Maluf, Geraldo Alckmin, Marta Suplicy e Kassab". FiK DiK.
2 - "Contramão das propostas" #myass. Uma coisa complementa a outra, como bem sabem o FHaddad, que estudou direitinho, e o Paulinho da Força, que também andou pensando no assunto. Tem de aproveitar espaços ociosos ou sub-utilizados no centro, onde já há infraestrutura melhor e maior quantidade de postos de trabalho, E incentivar a atividade econômica nas "franjas" da cidade. Para refrescar a memória (esse foi o segundo programa do horário eleitoral em 2008):
2 - A "ex-VJ da MTV" nem precisaria dizer em que "está baseada", porque usar os recursos da prefeitura para Habitação para adquirir terrenos na região central e erguer moradia ali (e não na casa do cac..., onde o terreno é mais barato", não precisa se "basear" em mais nada exceto a decisão política. Mas há vários mecanismos sim, que não fui eu que inventei - alguns já são lei, olha que beleza. Estão no Plano Diretor, por exemplo, as ZEIS, Zonas Especiais de Interesse Social, que já estabelecem que em determinados lugares só podem ser construídas moradias populares. Tem também a lei que disciplina a aplicação do mecanismo do IPTU progressivo para onerar os imóveis mal utilizados/sub-utilizados. Tem a possibilidade de conceder incentivos ao mercado, com crédito e isenções condicionados à produção de imóveis que atendam às necessidades maiores da cidade (e não apenas imóveis de alto padrão, que são ótimos para "investimento" (a Cyrela faz propaganda disso) ou residência de quem tem muita grana).
3 - A ex-VJ poderia explicar direitinho para o Valor o que pretende, se eles tivessem feito com ela o que fizeram com o Netinho de Paula e outros "prés" - deram-lhes uma página de entrevista. Claro, ele era um dos primeiros em intenção de voto. Eu também - antes do Serra, eu já era terceira. Mas, por alguma razão misteriosa ou nem tanto, o Valor resolveu me ignorar. Marcou um dia, desmarcou, não marcou de novo. (Talvez eles digam "vcs desmarcaram também". Verdade, precisamos cancelar um horário mas prontamente indicamos outro, e eles concordaram. Depois desmarcaram e sumiram).
Eu não devia nunca blogar com raiva, mas... hoje vou. Não quero guardar a raiva aqui dentro. Desonestos, displicentes, enviesados, irresponsáveis.
Soninha, aliada do campo tucano, (...)
Compreensível, não está errado, sou do "campo tucano" uma vez que somos da oposição ao governo federal e apoiamos a candidatura de Serra à presidência em 2010. Mas não sou "aliada" do "campo tucano" como posição fixa, definitiva, incondicional. Tenho horror de "apoio incondicional"; de "aliados" à toda prova. Na Câmara Federal, somos muito mais resolutos na oposição do que os tucanos - que tem um Senador, por exemplo, que manda prender e soltar em Minas Gerais e pouco se dispõe a criticar o governo, a não ser que seja de modo muito confortável.
(...) evitou se associar ao "tchu, tcha, tcha" do ex-governador, (...)
"Evitou se associar". Pouco enviesado esse texto, não? Toda convenção tem sua "musiquinha", cada partido tem seu jingle. A nossa, no sábado, teve vários sons, várias trilhas. De Pink Floyd a Tim Maia a Rita Lee. Foi no sábado. No domingo o PSDB fez a sua e escolheu a paródia do sucesso do momento. E eu "evitei me associar". São uns idiotas. EU SOU CANDIDATA. EU QUERO SER PREFEITA. Não "evito me associar" a bosta nenhuma, respondo com sinceridade a tudo que me perguntam (provavelmente sou eu a idiota por isso), mas a mídia ridícula não consegue falar de mim sem me "associar" a alguma coisa. "Aquela"...
Por que não dizem "Netinho de Paula, do PC do B, "aliado do campo petista", viu-se obrigado a abrir mão de sua candidatura a pedido de Lula". "Há quem diga que o PC do B é "linha auxiliar" do PT, porque pela segunda vez consecutiva abre mão de disputar a prefeitura em troca do lugar de vice na chapa do partido de situação no governo federal, onde ocupa um ministério".
Por que não dizem "Chalita, ex-tucano, ex-socialista, atual peemedebista, ex-Secretário da Educação no governo do estado"?
E, se ao menos lembrassem que o Russomanno existe, "ex-integrante do PP, partido de Paulo Maluf; apresentador de TV, ex-deputado federal, hoje milita no PRB, do Bispo Crivella, Senador nomeado para o Ministério da Pesca e sobrinho de Edir Macedo, da Igreja Universal e da Rede Record.
(...) pelo menos na primeira rodada da eleição.
"Pelo menos". Deixa eu fazer um desenhinho, talvez eles entendam. Eu SOU CANDIDATA A PREFEITURA. Vários outros também são. Cada um de nós tem uma trajetória, fez campanha para um candidato a presidente, teve uma passagem pelo Legislativo etc. No segundo turno, qualquer um de nós que não esteja lá vai optar por um dos dois candidatos na disputa - exceto o PSOL, que certamente vai pregar o voto nulo porque é tudo igual então tanto faz etc. EU QUERO ESTAR NO SEGUNDO TURNO. Seja contra o Serra, o Russomano, o Chalita ou o Haddad. Se os tucanos tivessem insistido naqueles seus pré-candidatos, eu possivelmente já estaria lá, em segundo, atrás do Russomano - que vem se mantendo no alto desde as primeiras pesquisas. Quem sabe em primeiro. Eu e os tucanos, que somos "do mesmo campo", DISPUTAMOS votos uns com os outros. Os votos de quem desaprova várias coisas nos demais candidatos. Mas esses bitolados só conseguem pensar em Serra, Haddad e, no máximo, Chalita. Obsessão. Freud talvez explique.
(...) Lançou sua candidatura na Câmara dos Vereadores, onde dançou ciranda ao som de tambores à la Olodum baiano, e falou de suas ideias para a cidade.
Quer pegar terrenos usados como estacionamento durante o dia, e ociosos à noite, e construir apartamentos que levem a população a deixar a periferia para morar na região central. Está na contramão das propostas de concorrentes como o deputado federal Paulinho da Força (PDT) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT), calcadas na redução de imposto para empresas que se instalarem nas franjas da cidade. A ex-VJ da MTV não disse em que está baseada. (...)
1- Deixa eu ajudar o Valor Econômico a atualizar seus arquivos. Eu sou ex-estudante de Magistério, ex-atriz de teatro amador, ex-recepcionista de eventos, ex-professora da Cultura Inglesa, ex-redatora/produtora/diretora de programas, ex-VJ da MTV, ex-apresentadora da TV Cultura, ex-comentarista de futebol na ESPN/CBN/Rádio Globo/Folha de São Paulo, ex-AmericaOnLine, ex-Saia Justa. E, para ficar mais dentro do escopo (vida pública/carreira política), que tal ex-vereadora, ex-PT, ex-Subprefeita da Lapa, ex-editora do site de campanha do Serra em 2010 (não escondo, não "evito"!), ex-superintendente da Sutaco, "candidata a prefeita pelo PPS já em 2008, quando começou com 1% e terminou com mais de 4%, ficando atrás apenas dos "peso-pesados", muito mais conhecidos, Paulo Maluf, Geraldo Alckmin, Marta Suplicy e Kassab". FiK DiK.
2 - "Contramão das propostas" #myass. Uma coisa complementa a outra, como bem sabem o FHaddad, que estudou direitinho, e o Paulinho da Força, que também andou pensando no assunto. Tem de aproveitar espaços ociosos ou sub-utilizados no centro, onde já há infraestrutura melhor e maior quantidade de postos de trabalho, E incentivar a atividade econômica nas "franjas" da cidade. Para refrescar a memória (esse foi o segundo programa do horário eleitoral em 2008):
2 - A "ex-VJ da MTV" nem precisaria dizer em que "está baseada", porque usar os recursos da prefeitura para Habitação para adquirir terrenos na região central e erguer moradia ali (e não na casa do cac..., onde o terreno é mais barato", não precisa se "basear" em mais nada exceto a decisão política. Mas há vários mecanismos sim, que não fui eu que inventei - alguns já são lei, olha que beleza. Estão no Plano Diretor, por exemplo, as ZEIS, Zonas Especiais de Interesse Social, que já estabelecem que em determinados lugares só podem ser construídas moradias populares. Tem também a lei que disciplina a aplicação do mecanismo do IPTU progressivo para onerar os imóveis mal utilizados/sub-utilizados. Tem a possibilidade de conceder incentivos ao mercado, com crédito e isenções condicionados à produção de imóveis que atendam às necessidades maiores da cidade (e não apenas imóveis de alto padrão, que são ótimos para "investimento" (a Cyrela faz propaganda disso) ou residência de quem tem muita grana).
3 - A ex-VJ poderia explicar direitinho para o Valor o que pretende, se eles tivessem feito com ela o que fizeram com o Netinho de Paula e outros "prés" - deram-lhes uma página de entrevista. Claro, ele era um dos primeiros em intenção de voto. Eu também - antes do Serra, eu já era terceira. Mas, por alguma razão misteriosa ou nem tanto, o Valor resolveu me ignorar. Marcou um dia, desmarcou, não marcou de novo. (Talvez eles digam "vcs desmarcaram também". Verdade, precisamos cancelar um horário mas prontamente indicamos outro, e eles concordaram. Depois desmarcaram e sumiram).
Eu não devia nunca blogar com raiva, mas... hoje vou. Não quero guardar a raiva aqui dentro. Desonestos, displicentes, enviesados, irresponsáveis.
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quarta-feira, 18 de maio de 2011
Blogagem Móvel n.3 - "Incondicional" Uma Ova
Introdução
Gravei a primeira versão do vídeo toda feliz, a caminho do ponto de ônibus. Como andei um pouco mais devagar do que o normal, vi dois ônibus passarem enquanto eu me aproximava o do ponto, mas cheguei a tempo de pegar o terceiro, toda feliz!
Felicidade fugaz.
Fui assistir o vídeo: não tinha gravado nada. Sei lá qual foi a bobagem que eu fiz. Olho pela janela irritada e descubro: ônibus errado! C*zzo, um por semana! Era o "Vila Madalena", não o "METRÔ Vila Madalena", e fazia um caminho que não me servia. *&¨%$#*&. Deixei para regravar mais tarde.
Acabei gravando no metrô, e fiz outra bobagem - em vez de usar o telefone na orelha esquerda, deixei do lado em que normalmente o uso. E fiz quilômetros de imagens de... paredes. #espetáculo.
Enfim, a forma nunca foi a principal preocupação desta série de blogagens, então vamos ao conteúdo.
****
Quando questionei o dep. Aldo Rebelo por ter admitido que, quando líder do governo na Câmara, atuou no sentido de evitar o depoimento de uma pessoa, protegendo alguém que ele mesmo considerava culpado, alguém respondeu com um vídeo gravado alguns anos atrás, em que eu elogiava o Aldo.
Ora ora ora.
Duas (ou mais!) coisas podem acontecer. Tem gente que eu elogiei ou defendi antes e que critico agora - mas não retiro os elogios anteriores, porque acho que continuam valendo. Tem gente que eu critiquei antes e elogio agora - idem acima. E tem gente que eu elogiei ou critiquei e hoje eu vejo que eu estava enganada, e se pudesse retiraria o que disse antes.
Não é meio... óbvio?
****
Eu já postei também vídeos confrontando o que as pessoas disseram antes e o que elas dizem agora. Caso clássico: o Lula. Tem aquele vídeo famoso em que ele fala que a Roseana aparece bem nas pesquisas porque "a Globo é do pai dela, o SBT é do Lobão".
Se eu posso mudar de opinião sobre as pessoas, o Lula também pode. Mas se eu tenho de explicar, o Lula também tem - aliás, MUITO MAIS!
O Sarney e o Lobão não são mais os "coronéis" donos, entre outras coisas, da mídia no Maranhão ou isso deixou de ser um problema para o Lula?
***
Voltando ao vídeo, o tema é "apoio incondicional". Algo que os políticos oferecem ou prometem aos aliados e que eu não ofereço a ninguém.... Se for verdade, o apoio "incondicional" é um absurdo. Mas é mentira - o que o torna pior ainda. Explico:
Gravei a primeira versão do vídeo toda feliz, a caminho do ponto de ônibus. Como andei um pouco mais devagar do que o normal, vi dois ônibus passarem enquanto eu me aproximava o do ponto, mas cheguei a tempo de pegar o terceiro, toda feliz!
Felicidade fugaz.
Fui assistir o vídeo: não tinha gravado nada. Sei lá qual foi a bobagem que eu fiz. Olho pela janela irritada e descubro: ônibus errado! C*zzo, um por semana! Era o "Vila Madalena", não o "METRÔ Vila Madalena", e fazia um caminho que não me servia. *&¨%$#*&. Deixei para regravar mais tarde.
Acabei gravando no metrô, e fiz outra bobagem - em vez de usar o telefone na orelha esquerda, deixei do lado em que normalmente o uso. E fiz quilômetros de imagens de... paredes. #espetáculo.
Enfim, a forma nunca foi a principal preocupação desta série de blogagens, então vamos ao conteúdo.
****
Quando questionei o dep. Aldo Rebelo por ter admitido que, quando líder do governo na Câmara, atuou no sentido de evitar o depoimento de uma pessoa, protegendo alguém que ele mesmo considerava culpado, alguém respondeu com um vídeo gravado alguns anos atrás, em que eu elogiava o Aldo.
Ora ora ora.
Duas (ou mais!) coisas podem acontecer. Tem gente que eu elogiei ou defendi antes e que critico agora - mas não retiro os elogios anteriores, porque acho que continuam valendo. Tem gente que eu critiquei antes e elogio agora - idem acima. E tem gente que eu elogiei ou critiquei e hoje eu vejo que eu estava enganada, e se pudesse retiraria o que disse antes.
Não é meio... óbvio?
****
Eu já postei também vídeos confrontando o que as pessoas disseram antes e o que elas dizem agora. Caso clássico: o Lula. Tem aquele vídeo famoso em que ele fala que a Roseana aparece bem nas pesquisas porque "a Globo é do pai dela, o SBT é do Lobão".
Se eu posso mudar de opinião sobre as pessoas, o Lula também pode. Mas se eu tenho de explicar, o Lula também tem - aliás, MUITO MAIS!
O Sarney e o Lobão não são mais os "coronéis" donos, entre outras coisas, da mídia no Maranhão ou isso deixou de ser um problema para o Lula?
***
Voltando ao vídeo, o tema é "apoio incondicional". Algo que os políticos oferecem ou prometem aos aliados e que eu não ofereço a ninguém.... Se for verdade, o apoio "incondicional" é um absurdo. Mas é mentira - o que o torna pior ainda. Explico:
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Para não esquecer!
Ministério Público diz que governador do TO integra organização criminosa
Documento reservado mostra em 428 páginas e 300 interceptações telefônicas os bastidores de suposto esquema bilionário de fraudes em licitações e aponta o governador do Tocantins, Carlos Amorim Gaguim (PMDB), e o procurador-geral do Estado, Haroldo Rastoldo, como integrantes de organização criminosa.
Em busca da reeleição ao Palácio Araguaia, pela coligação Força do Povo, Gaguim conta com apoio declarado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff. Ambos têm participado em Palmas de agendas de campanha ao lado do peemedebista que espalhou banners por quase todo o Tocantins em que aparece com Lula e Dilma.
O presidente e a ex-ministra são citados por alvos da investigação em diálogos gravados pela Polícia Federal em atuação conjunta com o Ministério Público Estadual de São Paulo.
O relatório, à página 266, faz referência a um novo contrato que o grupo teria fechado com Gaguim para admissão de 3 mil funcionários por secretarias de Estado sem concurso público. "Manduca explica sobre um encontro que se realizaria em Palmas onde se fariam presentes o presidente Lula e a então ministra Dilma Rousseff", diz o texto.
Na mesma página, o relatório transcreve escuta de 14 de março, às 10h12, entre Manduca e o empresário José Carlos Cepera. O lobista conta que "Lula está indo para Palmas lá na fazenda dele (Gaguim)". "Eu vou ficar três dias lá com o Lula e ele (Gaguim)", diz Manduca. "Vão ficar lá dois secretários dele, ele (Gaguim), eu, a Dilma e o Lula. Vão pescar tucunaré lá na chácara." Cepera o parabeniza. Presos há uma semana, Manduca e Cepera são amigos de Gaguim.
Em outro diálogo, no dia 26 de março, às 14h38, Cepera e Manduca falam de um encontro de Gaguim com Lula na Bahia. "O homem (governador) está em Itabuna, Bahia, com o presidente Lula e acabou de relatar ao presidente que a empresa de um oriundo de Tocantins que vive em São Paulo há 30 anos é a solução para os problemas do Estado", disse o lobista.
No dia anterior, às 19h07, Manduca relata a interlocutor não identificado planos ambiciosos com suposta participação de Gaguim. O lobista narra que o governador o chamou de amigo e teria prometido que juntos "vão botar para f... vão fazer o Estado inteiro, vão fazer R$ 1 bilhão".
Documento reservado mostra em 428 páginas e 300 interceptações telefônicas os bastidores de suposto esquema bilionário de fraudes em licitações e aponta o governador do Tocantins, Carlos Amorim Gaguim (PMDB), e o procurador-geral do Estado, Haroldo Rastoldo, como integrantes de organização criminosa.
Em busca da reeleição ao Palácio Araguaia, pela coligação Força do Povo, Gaguim conta com apoio declarado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff. Ambos têm participado em Palmas de agendas de campanha ao lado do peemedebista que espalhou banners por quase todo o Tocantins em que aparece com Lula e Dilma.
O presidente e a ex-ministra são citados por alvos da investigação em diálogos gravados pela Polícia Federal em atuação conjunta com o Ministério Público Estadual de São Paulo.
O relatório, à página 266, faz referência a um novo contrato que o grupo teria fechado com Gaguim para admissão de 3 mil funcionários por secretarias de Estado sem concurso público. "Manduca explica sobre um encontro que se realizaria em Palmas onde se fariam presentes o presidente Lula e a então ministra Dilma Rousseff", diz o texto.
Na mesma página, o relatório transcreve escuta de 14 de março, às 10h12, entre Manduca e o empresário José Carlos Cepera. O lobista conta que "Lula está indo para Palmas lá na fazenda dele (Gaguim)". "Eu vou ficar três dias lá com o Lula e ele (Gaguim)", diz Manduca. "Vão ficar lá dois secretários dele, ele (Gaguim), eu, a Dilma e o Lula. Vão pescar tucunaré lá na chácara." Cepera o parabeniza. Presos há uma semana, Manduca e Cepera são amigos de Gaguim.
Em outro diálogo, no dia 26 de março, às 14h38, Cepera e Manduca falam de um encontro de Gaguim com Lula na Bahia. "O homem (governador) está em Itabuna, Bahia, com o presidente Lula e acabou de relatar ao presidente que a empresa de um oriundo de Tocantins que vive em São Paulo há 30 anos é a solução para os problemas do Estado", disse o lobista.
No dia anterior, às 19h07, Manduca relata a interlocutor não identificado planos ambiciosos com suposta participação de Gaguim. O lobista narra que o governador o chamou de amigo e teria prometido que juntos "vão botar para f... vão fazer o Estado inteiro, vão fazer R$ 1 bilhão".
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
L9 - o Fenômeno
Impressionante o que carisma e currículo podem fazer - além de uma estratégia fenomenal de comunicação, oposição desmobilizada e imprensa com receio de ir contra a maré.
O presidente do Brasil foi escolhido "Homem do Ano" pelo Le Monde, que elogiou (reproduzo o que ouvi na TV, não li o original) o "crescimento econômico", o "combate à miséria" e "o desenvolvimento que privilegia o meio ambiente", entre outras coisas - mais ou menos na mesma linha da exaltação escrita por Zapatero dias atrás no El País.
Essa avaliação se baseia totalmente em impressões subjetivas. No "clima" que exala do governo brasileiro. Na propaganda oficial.
O Brasil vai bem? Muito bem? Sim, em prestígio internacional. Em estabilidade institucional e financeira. Assim como o Flamengo, temos a capacidade de transformar limão em limonada (ou caipirinha) como ninguém. Somos o país que inventou a feijoada, transformando os restos indesejados pelos brancos em um prato delicioso (embora não seja exatamente saudável). Não nos deixamos abalar facilmente por coisas como mega escândalos de corrupção; temos uma capacidade de assimilação impressionante. Outros países sobreviveram a várias guerras; nossa resiliência se manifesta na tolerância infinita a desvios de conduta (depois de alguns minutos de indignação seletiva e polarizada).
Mas o Brasil, meu deus, continua horrível. O que é que estamos comemorando, a empolgação de presidentes de outros países? O aplauso da mídia estrangeira? A consagração de nosso governante? Mas é isso mesmo que é o mais importante em um país?
É, o Brasil está na moda. Mais uma vez. Tivemos nosso grande momento nos anos 50 e 60 - Bossa Nova, Cinema Novo... Juscelino, Brasília, indústria automobilística, Copa do Mundo. Tudo muito bacana, charmoso, mas... Enquanto isso, estávamos construindo um país desigual, injusto, cruel.
Hoje reclamamos do passado como se ele tivesse sido uma imposição de deuses mitológicos, um acaso astrológico ou algo assim. "Não temos ferrovias! Destruímos nossos rios, desmatamos o litoral, nossas cidades não foram preparadas para o crescimento. Não tem redes adequadas ou suficientes de transporte sobre trilhos, não tem sistemas de drenagem, não tiveram planejamento. Nossa educação é deficiente, há milhões de analfabetos. O campo expulsa a população pobre para as cidades".
Verdade, e não foi só o Regime Militar o responsável por esses descompassos. Fizemos da fabricação de automóveis nosso maior orgulho, o passaporte para o primeiro mundo; das estradas de rodagem a coisa mais bonita do mundo. Destruímos serras, várzeas, florestas, mangues. E continuamos nesse passo, longe do desmame do transporte individual motorizado, talvez o mais forte símbolo de sucesso, expressão máxima do consumo como forma de realização pessoal - por extensão, nacional.
Continuamos nos gabando de nossa grandeza e invocando, quando conveniente, nossa condição de pobreza, fragilidade, o chavão consolidado: somos um país "em desenvolvimento". (Desde que eu estava no colégio, o governo - naquela época, o militar - rejeitava o rótulo de "subdesenvolvido". A nova tag acabou pegando). Seremos a 5a maior economia do mundo muito em breve! O petróleo nos transformará em superpotência! Emprestamos dinheiro ao FMI! Mas ainda falamos com desprezo dos "ricos"; os ricos que poluíram e aqueceram o mundo e agora vem encher o saco querendo preservar as florestas, melhorar o clima e blá-blá-blá. Deixem-nos crescer! Se precisarmos desmatar, poluir e aquecer, nós o faremos. No máximo, prometemos não aumentar tanto assim as agressões ao ambiente e pronto, esse é o nosso sacrifício. Em vez de diminuir as emissões de carbono, vá lá, vamos aumentar menos.
(É essa a grande proposta que o governo brasileiro levou à Cop-15... Que um comentarista na Globo News saudou como "audaciosa". Fantástico).
O Brasil continua muito miserável, desigual, cruel, injusto. O campo continua expulsando as pessoas - não porque o mundo mudou e a mecanização chegou a todas as lavouras, mas porque continua gerando muita riqueza para alguns e miséria para tantos outros. Os velhos e aparentemente eternos coronéis, as chamadas "elites" políticas e econômicas continuam mantendo seus currais eleitorais às custas da pobreza, da dependência, do papel de salvadores da pátria. Eles são os que intercedem junto ao poder central de modo a conseguir um auxílio, um socorro, uma esmola. Dirigidos, limitados, finitos, jamais transformadores e capazes de levar à independência, à autonomia.
O povo continua na merda (RT @opresidente). As cidades, incapazes de absorver dignamente os expulsos do campo, incham, se espraiam e deterioram. Aumenta a desigualdade, a violência. Não é a pobreza a causa da violência, é a falta de projeto, de uma perspectiva que não a aspiração do prazer imediato e do consumo. Pesquisas recentes traduziram em números o que mitos já observaram no contato direto e diário: a maioria das meninas se prostitui para conseguir bens como celulares. A maioria dos meninos entra para a indústria do crime para se fazer admirar pela "valentia"; para serem admirados pelas meninas que, imersas nesse mundo em que a "ascensão social" se dá pelo crime, adoram as armas ostentadas por eles.
O Brasil cresceu pouco - aliás, os números da economia no último trimestre foram comentados, muito discretamente, como sendo "decpecionantes" para o governo. E tudo bem. Parece até que vale mais a propaganda ufanista do que o fato em si - "Ah, não vamos abaixar o astral da população, o mundo inteiro aplaudindo o Brasil, o país do momento, e a gente vai contrariar a maioria agora?".
O Brasil cresceu pouco e redistribuiu muito mal. Tenho curiosidade em saber: quantas pessoas recebem o Bolsa Família há vários anos? O que seria delas AGORA se perdessem o benefício? Transferência de tenda é medida emergencial necessária, mas não pode ser mecanismo de eterna dependência. Além de reunir vários benefícios em um só, qual é, afinal, a grande diferença dessa Bolsa para a do governo Fernando Henrique, que criticamos tanto? O quanto melhorou a VIDA das pessoas - não apenas o COMSUMO? Ironizávamos as declarações do então presidente quando ele dizia que a população estava comprando mais dentaduras, frango e iogurte. Não era disso que falávamos quando exigíamos reformas, revoluções. Mas agora erguemos um brinde à venda de carros e geladeiras, como se a nação estivesse melhor por conta do carnê das Casas Bahia. Sim, as pessoas erguem suas casas com material de construção mais barato, compram eletrodomésticos de última geração - mas moram no Pantanal na Zona Leste de São Paulo, uma obra conjunta da qual as últimas quatro ou cinco administrações podem se orgulhar... E continuam se chacoalhando várias horas por dia na condução, jogando lixo em qualquer lugar à sua volta porque essa é a paisagem a que se acostumaram, e repetindo com os colegas os lugares-comuns sobre os políticos que não prestam.
Temos imagens horríveis para mostrar ao mundo, como sempre. Depois da exaltação internacional à India e à China, chegou a vez do Brasil mostrar suas belezas. Assim como India e China, nossa beleza ainda exclui milhões. Nosso sorriso continua banguela. Mas os miseráveis não aparecem tanto, exceto em casos de flagelos - ou nas manisfestações organizadas em cidades governadas pela oposição... Antes, a culpa pela miséria era do governo central. Agora, é dos tucanos, dos demos, de qualquer um, menos do presidente. O presidente combate a miséria e a fome. Se não dá certo, não é ele quem tem de responder por isso.
A história pessoal do presidente é belíssima. Mas o que já foi motivo de chacota indecente agora virou anteparo indevassável; criticar o presidente Lula é quase blasfêmia. E ele investe - inconscientemente, creio - na imagem do homem humilde de baixa escolaridade de modo a acentuar, artificialmente, essas características. O discurso de Lula deputado criticando o Bolsa Escola era muito mais elaborado do que a fala de hoje em dia, com mais expressões chulas e erros de concordância que ele antes não cometia...
Lula antes queria falar de igual para igual com os poderosos e precisava provar que era capaz. Hoje quer provar que é "do povo", e esculacha sua sintaxe para se fazer entender. Não precisa. Não devia. Sua coloquialidade é uma graça; a vulgaridade, um desperdício.
Lula consegue se manter com alta popularidade no sétimo ano de governo entoando um discurso de oposição. "Vamos tirar o povo da merda! Vamos mostras às elites quem é que manda". Mas Lula não é mais o sindicalista, o opositor eloquente, o intruso na festa dos bacanas, o delator dos 300 picaretas. Lula é o anfitrião. Lula é governo. Lula tem a caneta, a faixa presidencial, o poder. Mas os governistas se comportam como mártires da oposição, desqualificando toda crítica como invejosa, ressentida, golpista. Lula pode dizer o que quiser que passa como graça, e os grandes movimentos organizados de outrora - sindicatos, estudantes - quedam-se calados, talvez comentando entre eles que "nessa o presidente pisou na bola", mas jamais convocando manifestações, publicando charges, pichando muros. Resta a um ou outro opositor mainstream fazer um comentário crítico, destilar veneno irônico na televisão ou no jornal e aos pequenos movimentos radicais colar lambelambes de "Fora Sarney, Fora Todo Mundo".
Lula é um grande personagem. Mas o governo Lula é muito ruim, especialmente no balanço a longo prazo. Nos primeiros anos, ocupando o Executivo pela primeira vez, é de se esperar que haja dificuldades. Lidar com o Parlamento venal é sempre um problema, mesmo quando não há uma oposição aguerrida, quase encardida como a que fazia o PT. Mas já se passou tempo demais. E, nesse tempo, os oligarcas se acomodaram. As grandes reformas não saíram. Antigas posições foram abandonadas. O governo se deslumbrou com o aplauso das agências de risco, o deslumbramento de banqueiros, o luxo palaciano, a amizade dos poderosos. Agora não quer queimar o filme com os novos amigos, e se vê defendendo Renans e Sarneys, celebrando Collors e quetais.
Não é raro acontecer essa canonização de um personagem. Quando um Lech Walesa, Nelson Mandela (ou Obama...) chegam ao poder, é difícil criticá-los. Apontar seus erros pode parecer a condenação de toda a luta, de toda a trajetória, da esperança. E não faltará quem aja deliberadamente dessa maneira, pronto a apontar o primeiro deslize, a primeira tentativa frustrada, o primeiro inevitável problema para dizer "Estão vendo? É tudo uma farsa! São todos farinha do mesmo saco! Que saudade de seus antecessores!". E talvez essa reação intolerante, raivosa e injusta seja exatamente o fermento para que, junto com o belo passado, a popularidade de um político aumente sobremaneira. Lula e o PT foram escorraçados de maneira grotesca em vários momentos. Um psicanalista ganhou capa da Folha de São Paulo ao dizer que o acidente da TAM em Congonhas era obra do "governo assassino", uma aberração absoluta. Um canal de TV (se não me engano, a Record) fez um cliping que colava imagens da Marta Suplicy e sua declaração sobre "relaxar" em meio ao caos aéreo à explosão do avião. Uma denúncia de corrupção contra um vereador petista no interior de Minas Gerais gerava uma onda de comentários "e agora, o presidente vai dizer que não sabia de nada?". A governadora do Pará foi cobrada por não saber que um distrito policial a centenas de quilômetros da capital tinha uma menina de 15 anos presa junto com homens.
Lula foi vaiado na abertura do Panamericano, mistura de galhofa e grosseria na qual muitos acharam graça. Lula fez uma pergunta sincera, singela e espontânea ("afinal, o Ronaldo está gordo ou não está?") e de novo acharam graça na resposta deselegante de Ronaldo - que estava gordo.
E, como se gabavam alguns, Lula cresceu feito massa de pão (quanto mais apanha...). E hoje é isso, um presidente que é descrito segundo sua própria propaganda, independentemente de fatos que o desmintam. Não acabamos com a fome, longe disso. Não diminuímos significativamente a miséria, embora massas tenham adentrado o maravilhoso mundo do crediário. Temos uma rota levemente ascendente? Temos, até porque muitas coisas mudaram no mundo a ponto de se tornarem mesmo mais baratas e acessíveis - a tecnologia, por exemplo. A internet e os benditos celulares. As passagens de avião. Mas no máximo mantivemos uma tendência, quando precisávamos de um salto. Chacoalhar as estruturas, modificar a lógica, revolucionar. E isso não fizemos. Diminuiu um pouco a participação proporcional de São Paulo no PIB? Grande coisa, devia ter diminuído muito mais. Continuamos desiguais demais.
Será que é porque ainda estamos verdes, nossa recém-conquistada democracia é imatura? Quem sabe. Continuamos reféns de ídolos carismáticos, simpáticos, salvadores. Continuamos dividindo o mundo em bons e maus. Continuamos simplistas, imediatistas, superficiais. E não é só um problema de baixa escolaridade não - graduados e pós-graduados também produzem juízos de valor preconceituosos, auto-referentes, reproduzindo velhos conceitos cristalizados e jamais revistos. Na biblioteca comunitária do Jardim Fontales ou em uma turma da GV, o nível de conhecimento e informação sobre instituições políticas, por exemplo, é parecido. Ninguém sabe quem faz o que. Ninguém nunca teve a chance de aprender.
Não tenho esperança de que isso melhore a curto prazo. Os que estão dispostos ao debate são muito mais inclinados a simplesmente avacalhar o outro lado do que pensar que não existem só dois lados, duas cores, bons e maus, certos e errados. E há os que sequer estão interessados no debate - "quero saber do meu interesse". Mas se não acreditar que a médio prazo vamos ter mais gente inclinada ao pensamento mais complexo, o olhar generoso e multifacetado, a compreensão das coisas em todas as suas nuances, não sei o que vou fazer. Continuo trabalhando em política, buscando lugares de poder, lendo, escrevendo, debatendo ou vou logo para o Nepal meditar e catar lixo na rua, como oferenda de trabalho? Não sei. No fim de um ano dos infernos como este último não devo estar no melhor dos estados para decidir.
O presidente do Brasil foi escolhido "Homem do Ano" pelo Le Monde, que elogiou (reproduzo o que ouvi na TV, não li o original) o "crescimento econômico", o "combate à miséria" e "o desenvolvimento que privilegia o meio ambiente", entre outras coisas - mais ou menos na mesma linha da exaltação escrita por Zapatero dias atrás no El País.
Essa avaliação se baseia totalmente em impressões subjetivas. No "clima" que exala do governo brasileiro. Na propaganda oficial.
O Brasil vai bem? Muito bem? Sim, em prestígio internacional. Em estabilidade institucional e financeira. Assim como o Flamengo, temos a capacidade de transformar limão em limonada (ou caipirinha) como ninguém. Somos o país que inventou a feijoada, transformando os restos indesejados pelos brancos em um prato delicioso (embora não seja exatamente saudável). Não nos deixamos abalar facilmente por coisas como mega escândalos de corrupção; temos uma capacidade de assimilação impressionante. Outros países sobreviveram a várias guerras; nossa resiliência se manifesta na tolerância infinita a desvios de conduta (depois de alguns minutos de indignação seletiva e polarizada).
Mas o Brasil, meu deus, continua horrível. O que é que estamos comemorando, a empolgação de presidentes de outros países? O aplauso da mídia estrangeira? A consagração de nosso governante? Mas é isso mesmo que é o mais importante em um país?
É, o Brasil está na moda. Mais uma vez. Tivemos nosso grande momento nos anos 50 e 60 - Bossa Nova, Cinema Novo... Juscelino, Brasília, indústria automobilística, Copa do Mundo. Tudo muito bacana, charmoso, mas... Enquanto isso, estávamos construindo um país desigual, injusto, cruel.
Hoje reclamamos do passado como se ele tivesse sido uma imposição de deuses mitológicos, um acaso astrológico ou algo assim. "Não temos ferrovias! Destruímos nossos rios, desmatamos o litoral, nossas cidades não foram preparadas para o crescimento. Não tem redes adequadas ou suficientes de transporte sobre trilhos, não tem sistemas de drenagem, não tiveram planejamento. Nossa educação é deficiente, há milhões de analfabetos. O campo expulsa a população pobre para as cidades".
Verdade, e não foi só o Regime Militar o responsável por esses descompassos. Fizemos da fabricação de automóveis nosso maior orgulho, o passaporte para o primeiro mundo; das estradas de rodagem a coisa mais bonita do mundo. Destruímos serras, várzeas, florestas, mangues. E continuamos nesse passo, longe do desmame do transporte individual motorizado, talvez o mais forte símbolo de sucesso, expressão máxima do consumo como forma de realização pessoal - por extensão, nacional.
Continuamos nos gabando de nossa grandeza e invocando, quando conveniente, nossa condição de pobreza, fragilidade, o chavão consolidado: somos um país "em desenvolvimento". (Desde que eu estava no colégio, o governo - naquela época, o militar - rejeitava o rótulo de "subdesenvolvido". A nova tag acabou pegando). Seremos a 5a maior economia do mundo muito em breve! O petróleo nos transformará em superpotência! Emprestamos dinheiro ao FMI! Mas ainda falamos com desprezo dos "ricos"; os ricos que poluíram e aqueceram o mundo e agora vem encher o saco querendo preservar as florestas, melhorar o clima e blá-blá-blá. Deixem-nos crescer! Se precisarmos desmatar, poluir e aquecer, nós o faremos. No máximo, prometemos não aumentar tanto assim as agressões ao ambiente e pronto, esse é o nosso sacrifício. Em vez de diminuir as emissões de carbono, vá lá, vamos aumentar menos.
(É essa a grande proposta que o governo brasileiro levou à Cop-15... Que um comentarista na Globo News saudou como "audaciosa". Fantástico).
O Brasil continua muito miserável, desigual, cruel, injusto. O campo continua expulsando as pessoas - não porque o mundo mudou e a mecanização chegou a todas as lavouras, mas porque continua gerando muita riqueza para alguns e miséria para tantos outros. Os velhos e aparentemente eternos coronéis, as chamadas "elites" políticas e econômicas continuam mantendo seus currais eleitorais às custas da pobreza, da dependência, do papel de salvadores da pátria. Eles são os que intercedem junto ao poder central de modo a conseguir um auxílio, um socorro, uma esmola. Dirigidos, limitados, finitos, jamais transformadores e capazes de levar à independência, à autonomia.
O povo continua na merda (RT @opresidente). As cidades, incapazes de absorver dignamente os expulsos do campo, incham, se espraiam e deterioram. Aumenta a desigualdade, a violência. Não é a pobreza a causa da violência, é a falta de projeto, de uma perspectiva que não a aspiração do prazer imediato e do consumo. Pesquisas recentes traduziram em números o que mitos já observaram no contato direto e diário: a maioria das meninas se prostitui para conseguir bens como celulares. A maioria dos meninos entra para a indústria do crime para se fazer admirar pela "valentia"; para serem admirados pelas meninas que, imersas nesse mundo em que a "ascensão social" se dá pelo crime, adoram as armas ostentadas por eles.
O Brasil cresceu pouco - aliás, os números da economia no último trimestre foram comentados, muito discretamente, como sendo "decpecionantes" para o governo. E tudo bem. Parece até que vale mais a propaganda ufanista do que o fato em si - "Ah, não vamos abaixar o astral da população, o mundo inteiro aplaudindo o Brasil, o país do momento, e a gente vai contrariar a maioria agora?".
O Brasil cresceu pouco e redistribuiu muito mal. Tenho curiosidade em saber: quantas pessoas recebem o Bolsa Família há vários anos? O que seria delas AGORA se perdessem o benefício? Transferência de tenda é medida emergencial necessária, mas não pode ser mecanismo de eterna dependência. Além de reunir vários benefícios em um só, qual é, afinal, a grande diferença dessa Bolsa para a do governo Fernando Henrique, que criticamos tanto? O quanto melhorou a VIDA das pessoas - não apenas o COMSUMO? Ironizávamos as declarações do então presidente quando ele dizia que a população estava comprando mais dentaduras, frango e iogurte. Não era disso que falávamos quando exigíamos reformas, revoluções. Mas agora erguemos um brinde à venda de carros e geladeiras, como se a nação estivesse melhor por conta do carnê das Casas Bahia. Sim, as pessoas erguem suas casas com material de construção mais barato, compram eletrodomésticos de última geração - mas moram no Pantanal na Zona Leste de São Paulo, uma obra conjunta da qual as últimas quatro ou cinco administrações podem se orgulhar... E continuam se chacoalhando várias horas por dia na condução, jogando lixo em qualquer lugar à sua volta porque essa é a paisagem a que se acostumaram, e repetindo com os colegas os lugares-comuns sobre os políticos que não prestam.
Temos imagens horríveis para mostrar ao mundo, como sempre. Depois da exaltação internacional à India e à China, chegou a vez do Brasil mostrar suas belezas. Assim como India e China, nossa beleza ainda exclui milhões. Nosso sorriso continua banguela. Mas os miseráveis não aparecem tanto, exceto em casos de flagelos - ou nas manisfestações organizadas em cidades governadas pela oposição... Antes, a culpa pela miséria era do governo central. Agora, é dos tucanos, dos demos, de qualquer um, menos do presidente. O presidente combate a miséria e a fome. Se não dá certo, não é ele quem tem de responder por isso.
A história pessoal do presidente é belíssima. Mas o que já foi motivo de chacota indecente agora virou anteparo indevassável; criticar o presidente Lula é quase blasfêmia. E ele investe - inconscientemente, creio - na imagem do homem humilde de baixa escolaridade de modo a acentuar, artificialmente, essas características. O discurso de Lula deputado criticando o Bolsa Escola era muito mais elaborado do que a fala de hoje em dia, com mais expressões chulas e erros de concordância que ele antes não cometia...
Lula antes queria falar de igual para igual com os poderosos e precisava provar que era capaz. Hoje quer provar que é "do povo", e esculacha sua sintaxe para se fazer entender. Não precisa. Não devia. Sua coloquialidade é uma graça; a vulgaridade, um desperdício.
Lula consegue se manter com alta popularidade no sétimo ano de governo entoando um discurso de oposição. "Vamos tirar o povo da merda! Vamos mostras às elites quem é que manda". Mas Lula não é mais o sindicalista, o opositor eloquente, o intruso na festa dos bacanas, o delator dos 300 picaretas. Lula é o anfitrião. Lula é governo. Lula tem a caneta, a faixa presidencial, o poder. Mas os governistas se comportam como mártires da oposição, desqualificando toda crítica como invejosa, ressentida, golpista. Lula pode dizer o que quiser que passa como graça, e os grandes movimentos organizados de outrora - sindicatos, estudantes - quedam-se calados, talvez comentando entre eles que "nessa o presidente pisou na bola", mas jamais convocando manifestações, publicando charges, pichando muros. Resta a um ou outro opositor mainstream fazer um comentário crítico, destilar veneno irônico na televisão ou no jornal e aos pequenos movimentos radicais colar lambelambes de "Fora Sarney, Fora Todo Mundo".
Lula é um grande personagem. Mas o governo Lula é muito ruim, especialmente no balanço a longo prazo. Nos primeiros anos, ocupando o Executivo pela primeira vez, é de se esperar que haja dificuldades. Lidar com o Parlamento venal é sempre um problema, mesmo quando não há uma oposição aguerrida, quase encardida como a que fazia o PT. Mas já se passou tempo demais. E, nesse tempo, os oligarcas se acomodaram. As grandes reformas não saíram. Antigas posições foram abandonadas. O governo se deslumbrou com o aplauso das agências de risco, o deslumbramento de banqueiros, o luxo palaciano, a amizade dos poderosos. Agora não quer queimar o filme com os novos amigos, e se vê defendendo Renans e Sarneys, celebrando Collors e quetais.
Não é raro acontecer essa canonização de um personagem. Quando um Lech Walesa, Nelson Mandela (ou Obama...) chegam ao poder, é difícil criticá-los. Apontar seus erros pode parecer a condenação de toda a luta, de toda a trajetória, da esperança. E não faltará quem aja deliberadamente dessa maneira, pronto a apontar o primeiro deslize, a primeira tentativa frustrada, o primeiro inevitável problema para dizer "Estão vendo? É tudo uma farsa! São todos farinha do mesmo saco! Que saudade de seus antecessores!". E talvez essa reação intolerante, raivosa e injusta seja exatamente o fermento para que, junto com o belo passado, a popularidade de um político aumente sobremaneira. Lula e o PT foram escorraçados de maneira grotesca em vários momentos. Um psicanalista ganhou capa da Folha de São Paulo ao dizer que o acidente da TAM em Congonhas era obra do "governo assassino", uma aberração absoluta. Um canal de TV (se não me engano, a Record) fez um cliping que colava imagens da Marta Suplicy e sua declaração sobre "relaxar" em meio ao caos aéreo à explosão do avião. Uma denúncia de corrupção contra um vereador petista no interior de Minas Gerais gerava uma onda de comentários "e agora, o presidente vai dizer que não sabia de nada?". A governadora do Pará foi cobrada por não saber que um distrito policial a centenas de quilômetros da capital tinha uma menina de 15 anos presa junto com homens.
Lula foi vaiado na abertura do Panamericano, mistura de galhofa e grosseria na qual muitos acharam graça. Lula fez uma pergunta sincera, singela e espontânea ("afinal, o Ronaldo está gordo ou não está?") e de novo acharam graça na resposta deselegante de Ronaldo - que estava gordo.
E, como se gabavam alguns, Lula cresceu feito massa de pão (quanto mais apanha...). E hoje é isso, um presidente que é descrito segundo sua própria propaganda, independentemente de fatos que o desmintam. Não acabamos com a fome, longe disso. Não diminuímos significativamente a miséria, embora massas tenham adentrado o maravilhoso mundo do crediário. Temos uma rota levemente ascendente? Temos, até porque muitas coisas mudaram no mundo a ponto de se tornarem mesmo mais baratas e acessíveis - a tecnologia, por exemplo. A internet e os benditos celulares. As passagens de avião. Mas no máximo mantivemos uma tendência, quando precisávamos de um salto. Chacoalhar as estruturas, modificar a lógica, revolucionar. E isso não fizemos. Diminuiu um pouco a participação proporcional de São Paulo no PIB? Grande coisa, devia ter diminuído muito mais. Continuamos desiguais demais.
Será que é porque ainda estamos verdes, nossa recém-conquistada democracia é imatura? Quem sabe. Continuamos reféns de ídolos carismáticos, simpáticos, salvadores. Continuamos dividindo o mundo em bons e maus. Continuamos simplistas, imediatistas, superficiais. E não é só um problema de baixa escolaridade não - graduados e pós-graduados também produzem juízos de valor preconceituosos, auto-referentes, reproduzindo velhos conceitos cristalizados e jamais revistos. Na biblioteca comunitária do Jardim Fontales ou em uma turma da GV, o nível de conhecimento e informação sobre instituições políticas, por exemplo, é parecido. Ninguém sabe quem faz o que. Ninguém nunca teve a chance de aprender.
Não tenho esperança de que isso melhore a curto prazo. Os que estão dispostos ao debate são muito mais inclinados a simplesmente avacalhar o outro lado do que pensar que não existem só dois lados, duas cores, bons e maus, certos e errados. E há os que sequer estão interessados no debate - "quero saber do meu interesse". Mas se não acreditar que a médio prazo vamos ter mais gente inclinada ao pensamento mais complexo, o olhar generoso e multifacetado, a compreensão das coisas em todas as suas nuances, não sei o que vou fazer. Continuo trabalhando em política, buscando lugares de poder, lendo, escrevendo, debatendo ou vou logo para o Nepal meditar e catar lixo na rua, como oferenda de trabalho? Não sei. No fim de um ano dos infernos como este último não devo estar no melhor dos estados para decidir.
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