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sábado, 17 de setembro de 2016

Perguntas de um candidato a eleitor :-)

Recebi um email com perguntas de um rapaz chamado Leandro (que não conheço pessoalmente). Com certeza que mais gente faria as mesmas, então lá vai:

Olá Soninha, como vai?Estou buscando um candidato a #vereador para chamar de meu. Estou pesquisando pelo partido, formação e propostas, mas está difícil principalmente o último item.

Conheço suas ideias das vezes que se candidatou como Prefeita, e me identifico bastante, mas para ser justo e ter um comparativo com outros candidatos, queria saber mais a seu respeito:

- Quais são suas intenções como Vereadora?
- O que te motivou a se candidatar?
- Qual região de SP você atua ou pensa em atuar?

Acho que isso pode me dar uma ideia melhor para direcionar meu voto.

Minha resposta:

Oba, obrigada por perguntar!! :)

- Quero, em primeiro lugar, ter mais poder para fiscalizar o Executivo e a própria Câmara. Hoje eu fiscalizo sozinha (dados oficiais como contratos, licitações etc e os serviços "reais", como Saúde, transporte público e assistência social) e reclamo na ouvidoria, posto na internet, compareço às audiências públicas, mando para a imprensa, aciono vereadores e... Nada!! Não adianta!!!

E quero fazer propostas concretas de novos serviços e equipamentos públicos (dois exemplos: convênio com clínicas veterinárias para atendimento de animais da periferia, em vez de oferecer apenas dois hospitais veterinários para a cidade toda; áreas para moradores de rua usarem o banheiro, tomarem banho e lavarem suas roupas). Isso significa bater às portas dos órgãos do Executivo, unir forças com outros vereadores, destinar recursos orçamentários etc.

- O que me motivou está mais ou menos descrito aí em cima :) Estar lá dentro é MUITO frustrante, irritante, cansativo - mas estar aqui fora sem poder fazer quase nada é pior.

- Tenho minhas conexões mais fortes em algumas regiões, como a Zona Norte (Brasilandia, Peri, Cachoerinha, onde atuo voluntariamente em favelas e com moradores pobres); Centro (Moinho, Sé, Minhocão etc, com população de rua); Zona Leste (idem). Mas atuo mais "por tema" do que por região: mobilidade, moradores de rua, políticas para mulheres, juventude e LGBT (e estou cada vez mais mergulhada nos problemas dos idosos!!), cultura, esporte, animais, sustentabilidade, moradia...

Na minha "fan page" no Face (soninhafrancine) e no meu blog (http://gabinetesoninha.blogspot.com) dá pra ver mais coisas. E pode mandar mais perguntas, sugestões etc!

terça-feira, 6 de setembro de 2016

O que defendo para...


O que eu defendo para as MULHERES:

- Nenhuma criança sem creche ou cuidado.
- Educação e cultura contra a discriminação e a violência.
- Iluminação pública e zeladoria decentes na cidade toda, para mais segurança.
- Mais Centros de Referência e Casas-Abrigo para vítimas de violência.
- Apoio às Mães de Desaparecidos.

Comentários:
1) Não haverá, no curtíssimo prazo necessário, vagas em creches públicas para todas as crianças. A demanda não atendida é descomunal. O poder público não tem o direito de atender uma parte das mães e deixar as outras à própria sorte - acredito que temos o dever de pagar "bolsas" em escolas particulares ou cuidadoras. 2) Não vamos chegar a um mundo mais pacífico e seguro para nossas mulheres enquanto o "pancadão", por exemplo, for a única alternativa de lazer para muitos - defendida inclusive como "cultura da periferia" a ser respeitada e preservada, enquanto o funk trata mulheres como cadelas. 3) Fala por si: atravessar passarelas e locais de mato alto escuros e desertos trazem terror para todos, mulheres em especial. O item seguinte também fala por si. 4) O tema dos Desaparecidos merece toda a atenção que formos capazes de dispensar. Homicídios recebem atenção, aparecem no noticiário, resultam em comoção e solidariedade. Desaparecimentos não... E mães vivem em desespero permanente sem amparo.

O que defendo para as pessoas LGBT:

- Educação e cultura contra a discriminação e a violência.
- Informação nos órgãos públicos sobre direitos assegurados em lei.
- Casas de Passagem para adolescentes e jovens expulsos de casa.
- Centros de Referência em todas as Subprefeituras para atendimento psicológico, jurídico e de assistência social
- Oportunidades reais de trabalho e renda para Travestis e Transexuais.
Comentários: nos documentos produzidos pela Sociedade Civil e nas demandas da militância e ativistas, algumas das palavras mais usadas são "capacitação/sensibilização/formação"e "divulgação". Já há muitos direitos assegurados em leis, decretos e portarias, e esses precisam de muito mais divulgação para que as próprias pessoas LGBT e tod@s que as apóiam possam exigi-los. É preciso também que as pessoas conheçam, compreendam, se senbilizem e respeitem as pessoas independentemente de sua orientação sexual e identidade de gênero, precisando cada vez menos de leis que obriguem e punam... Mas como a violência ainda é muito grande e começa dentro de casa, atingindo jovens também na escola, no trabalho, na rua e em todos os espaços de convivencia, além do sofrimento psíquico pelo qual passa uma pessoa que é tida como "errada", "doente", "anormal", "aberração" etc apenas por ser como é, por se apaixonar por alguém do mesmo sexo ou não se identificar com seu sexo genital, é preciso oferecer atendimento, proteção, acolhimento. Sobre travestis e transexuais: oferecer a oportunidade de ampliar sua escolaridade e de formação para o trabalho é bom - mas se não houver trabalho, não adianta, e o mercado é resistente demais a essas pessoas! Temos de trazer travestis e pessoas trans para estagiar e trabalhar na própria prefeitura, respeitando suas diferenças e fazendo jus a seu conhecimento, capacidades e habilidades.

O que defendo para a POPULAÇÃO DE RUA:

- Centros de Referência em todas as Subprefeituras para atendimento psicológico, jurídico e de assistência social
- Atendimento em Saúde Mental compatível com sua relidade.
- Mais vagas em albergues para mulheres, casais e famílias
- Mais Residências Temporárias
 - Locais para usar o banheiro, tomar banho e lavar roupa".
- Oportunidades reais de restituir a dignidade e garantir autonomia

O que defendo para ANIMAIS:

- Criação de santuários para animais resgatados de maus tratos e abandono
- Parecerias com ONGs para consultas veterinárias, vacinação e castração na cidade toda.
- Combate efetivo ao comércio ilegal de animais
- Incentivo à adoção.
- Incentivo ao vegetarianismo e veganismo

O que defendo para a MOBILIDADE:

- Frota menos poluente.
- Ônibus mais silenciosos e confortáveis
- Trajetos mais lógicos e menos espera nos pontos.
- Ciclovias bem planejadas e bem feitas
- Calçadas decentes

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Trumps, Bolsonaros e Estado Islâmico - tudo a ver

Quando eu era pequena, não conseguia entender como é que alguém "reivindicava a autoria" de um atentado terrorista. Minha mãe tentava explicar que era a assinatura de um gesto político, a transmissão de uma mensagem etc, mas eu não entendia como uma pessoa ou instituição podia querer se gabar de ter perpetrado um horror. (Minha mãe não esperava que eu aceitasse, só queria que eu soubesse o que se passava na cabeça de homens-bomba, sequestradores etc).

Agora há uma disputa imoral, insana e inimaginável: o Estado Islâmico (ou ISIS, como é chamado em outros países) jura que o ser humano doente que atirou dentro da boate em Orlando agia em seu nome. As forças antiterroristas talvez estejam se debatendo sobre como reagir a isso: admitir que o ISIS realmente pode somar essas mortes às outras que chama de suas ou negar a eles esse prazer.

***
Há quem chame grupos extremistas, terroristas e assassinos de "fundamentalistas". ERRADO. Ou de "radicais" - errado também. Essas não são organizações que lutam pela implantação dos fundamentos verdadeiros das religiões que dizem professar, ou que praticam os ensinamentos sagrados com radicalidade.

Radical é dizer "morrer se preciso for; matar, nunca" (Marechal Rondon).

***
O mundo não precisa de mais ninguém que incentive o ódio. As pessoas já justificam o seu (ódio) de várias maneiras... Mas lideranças políticas e "religiosas" fazem o (des)favor de ensinar que seus liderados podem excluir da lista de pessoas que têm o direito de existir aquelas que não vivem como eles acham que deveriam viver. Pregam a intolerância em nome de Deus; o ódio em nome de Jesus Cristo.

Pelamordedeus!!!

***
Os adeptos de Trump são capazes de dizer: "Tá vendo como precisamos fechar as fronteiras para nos proteger?" (mais ou menos o que ele mesmo disse em seu tuíter). Odeiam todos os muçulmanos assim como os deturpacionistas islâmicos odeiam todos os estadunidenses. E não é só isso que têm em comum: odeiam estrangeiros de um modo geral, odeiam os 'infiéis" que seguem outras religiões, odeiam mulheres e pessoas LGBT.

Não duvido que haja anti-muçulmanos trumpistas dizendo alguma merda do tipo "aqueles ali bem que mereciam morrer".

***
Os eleitores de Hillary podem dizer: "Tá vendo onde seu discurso de ódio pode nos levar??".

Os apoiadores de Obama podem dizer: "Tá vendo como vender armas absurdamente letais com ridícula facilidade ridícula pode nos destruir"?

Essas duas perguntas são as que eu faço.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Alguém escolhe por quem se apaixona?

Hoje é Dia Internacional (e Nacional e Estadual) de Combate à Homofobia – ou era, porque mudou o nome rs. Já explico.

Primeiro, tratemos de explicar o que é “fobia” neste contexto: “medo, aversão ou ódio irracional contra a população LGBT”.

“Ódio irracional” é quase um pleonasmo, mas algumas vezes as pessoas podem ter motivos para odiar alguém – “Fulano foi muito sacana comigo”; “esse desgraçado dirigiu bêbado e matou meu filho”. Compreende-se.

Mas o ódio homofóbico é por NADA – a não ser pelo fato da pessoa ter orientação sexual diferente do “”normal”” (com dois pares de aspas de propósito). É odiar alguém que nem conhece, que passa na rua, que não te fez mal NENHUM por ser gay, lésbica, travesti ou transexual.

É não tolerar a EXISTÊNCIA da pessoa; querer eliminar do planeta.

Que a pessoa ache que homossexualidade é “errado”, porque é antinatural ou contra princípios religiosos – que seja. Mas querer impedir, proibir, prejudicar, punir, agredir (matar!!!!) alguém por ser homossexual – não pode.

Matar não pode, agredir não pode: isso a lei já prevê. São crimes e não se discute. Mas a motivação homofóbica não é um agravante, e poderia ser. Deveria. O crime por discriminação é odiento (e hediondo).

Quanto ao resto, não é crime. Barrar uma pessoa em um restaurante, tratar de modo enviesado, criar regras diferenciadas e prejudiciais por ela ser gay, lésbica, bissexual, travesti ou transexual não constituem crime. Criminalizar a homofobia é uma das maiores reivindicações do movimento LGBT.

Quanto ao nome do Dia Internacional: a partir de agora, diremos “LGBTfobia”. Porque infelizmente é preciso ressaltar todos os tipos de fobias... Lésbicas reivindicavam “lesbofobia”, uma vez que há formas típicas de perversidade contra elas (outras rejeitavam a especificação, uma vez que o “homo” é de “mesmo” e não de “homem”...). Travestis e Transexuais também exigiam a especificação “transfobia” – aí faz sentido indubitavelmente. Tem gente que aceita gays, lésbicas e bissexuais mas tem repulsa a pessoas Trans. Tem gays e lésbicas com transfobia!!!

Enfim, para não esquecer nenhum tipo específico de discriminação e não usar “homolesbotransfobia”, a sociedade civil (que já conseguiu outras mudanças antes, como transformar GLBT em LGBT para garantir um pouco mais de atenção para as lésbicas) decidiu adotar LGBTfobia. Acho ótimo.

Às vezes os movimentos sociais exageram na exigência de determinadas nomenclaturas – eu não gosto da palavra “afrodescendente”... Mas no caso das pessoas LGBT, elas realmente importam.

Entender que o certo é “orientação” e não “opção” sexual é fundamental! Uma pessoa não “opta” por ser homossexual – tanto quanto ninguém opta por ser hetero. A gente se apaixona por alguém e não sabe explicar; se apaixona não porque a pessoa tem pênis ou vagina, mas porque a pessoa mexeu com a gente de algum jeito misterioso... Quem nunca se apaixonou por alguém aparentemente “nada a ver” e nem sabe por que??

Se fosse opção, a pessoa poderia ser convencida a mudar de “ideia”, escolher outra alternativa. Mas é “orientação sexual” porque é descoberta, é constatação.

Enfim, hoje é o Dia de Combate à LGBTfobia e agradeço a quem leu até aqui – principalmente se é alguém que não aceita homo ou transexualidade. Sinal que ao menos “ouviu” meus argumentos Emoticon smile

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Pode ser bom sem ser perigoso

No começo, era o medo. As campanhas contra a AIDS apelavam para o Bicho-Papão, o Boi-da-Cara-Preta. A AIDS VAI TE PEGAR. AIDS MATA.
No começo, ela era a “peste gay”, que vinha para castigar os homossexuais.

A transmissão do HIV acontece por meio de sexo oral, com penetração vaginal e anal. No caso da penetração anal, a possibilidade de haver microfissuras é maior, portanto aumenta o contato do sêmen com o sangue. Mas também é possível contrair o HIV com alicates de cutícula ou equipamentos odontológicos não esterilizados – nem por isso manicures e dentistas foram apontados como Cavaleiros do Apocalipse, e os gays foram.

***
Se hoje em dia um texto falando em penetração anal, sêmen, sexo oral não é confortável para muitos, imagine no começo dos anos 90. A palavra “camisinha” já gerava constrangimento. Pênis então...

***
Na MTV, a gente fazia questão de falar muito sobre AIDS. Esse era um ponto importante também para a “matriz”, a MTV americana. Eles produziam documentários excelentes, criavam campanhas muito bem sacadas, veiculavam videoclipes de projetos especiais em benefício de portadores do vírus. Passávamos o material que eles produziam e fazíamos algumas coisas por aqui também.

Nas entrevistas e debates, chamávamos os “especialistas”. Médicos infectologistas, orientadores educacionais, ativistas - o pessoal “das ONGs”. Os primeiros falavam super didaticamente com a linguagem formal e cuidadosa; os ativistas eram didáticos com linguagem coloquial e modos desavergonhados. Inesquecível a participação da Terezinha Reis Pinto, da Aptateen, em um Barraco MTV. O ponto era: provar que a camisinha não “cortava o barato” da relação sexual; que, ao contrário, colocar a camisinha poderia ser parte do jogo erótico. Para demonstrar, ela punha uma camisinha em uma banana e ia desenrolando e vestindo a dita cuja COM A BOCA. Ao vivo na televisão. Perfeito!!!

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Nas reuniões da redação, tínhamos 3 preocupações:

1 – Alertar enfaticamente para o risco de contrair AIDS por meio de relações desprotegidas. Não "relações homossexuais", não "sexo anal", não relações “promíscuas”, ocasionais... DESPROTEGIDAS e pronto. A pessoa mais recatada do mundo pode ter uma relação monogâmica, heterossexual, com penetração vaginal, na posição convencional, e pegar a doença. Com um parceiro ou com dez, com o marido ou um desconhecido na balada, não existe relação segura sem proteção. Ah, e basta uma vez. Também não tem essa de “gozar fora” – não serve para evitar a gravidez nem para deixar de pegar uma DST. Ah, você acha que a pessoa “tem cara” de quem não tem AIDS? “AIDS não tem cara”. Se cuide, se cuide, se cuide.

Essa era a linha de comunicação “assim pega”!

2 – Informar que uma pessoa com AIDS não é uma ameaça ambulante. Não deve ser expulsa, banida, estigmatizada, evitada, condenada, punida. Ela tem uma doença, só isso, como tantas outras. Não deve ser considerada inferior, pior, indecente, imoral, depravada. E não transmite a doença em um aperto de mão, abraço, beijo, usando o mesmo copo, muito menos frequentando o mesmo ambiente. Antes as pessoas não queriam pegar elevador com um doente de AIDS... Não é à toa que passou a ser obrigatório colocar a plaquinha do lado de fora proibindo a discriminação.

Esta era a comunicação “Assim não pega”!

3 – Informar à pessoa com AIDS que ela não estava condenada à morte (algumas SE MATARAM mal souberam que tinham o HIV). Que a AIDS não tem cura, mas tem tratamento. Que é fundamental ir atrás, exigir e aderir a ele. Que é importante saber se tem AIDS ou não!

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Precisava haver um equilíbrio entre o alerta para evitar o contágio e a sensibilização para não discriminar quem já estivesse com o vírus. A gente também precisava se informar sempre, atentar para as dúvidas e mitos que surgiam. Tínhamos de nos dirigir às gestantes, aos profissionais de Saúde, às pessoas mais velhas, aos “desencanados”, aos publicitários, à autoridades, às mães amamentando...

Era uma nova mensagem a cada “temporada”. “Se você pensa que, porque já tem AIDS, pode transar desprotegido, está ERRADO: aumentar a carga viral é ruim para você”. “Se o HIV não aparecer em um exame feito logo depois de uma relação desprotegida ou de algum tipo de exposição a sangue não contaminado, refaça o exame depois de 3 meses, existe uma “janela” em que pode dar falso negativo”. “NÃO DOE SANGUE só com a intenção de fazer o teste anti-HIV – faça o teste gratuitamente se é apenas isso que você quer saber”. “NÃO É VERDADE que a camisinha NÃO SEGURA o vírus da AIDS”.

***
Muitos achavam que distribuir camisinha, falar de AIDS para adolescentes e jovens, preconizar o sexo seguro eram coisas INDECENTES. Que oferecer tratamento no SUS para quem tem AIDS era uma afronta aos “cidadãos de bem”. Havia protestos e manifestações indignadas de igrejas. Pensa que é de hoje que se tem problemas desse tipo? Aliás, não venham as autoridades usar “os conservadores” (que deveriam ser chamados de “retrógrados”, isso sim, porque não querem manter as coisas como estão, querem voltar ao que já foi superado) como pretexto para não avançar. Quem realmente quer fazer acontecer, com convicção de que é o melhor para a população e coragem para segurar a bronca, “peita” as reações contrárias”.

***
Eu tinha, na MTV, uma preocupação a mais. Informar e sensibilizar é indispensável mas não basta. MESMO informada e sensibilizada, uma pessoa pode não fazer “o certo”.

No caso de meninos e meninas às voltas com o sexo, tantas coisas podem acontecer resultando em relação sem camisinha... Sejamos realistas. Menino e menina morrendo de tesão, com a sensação típica de que “é agora ou nunca” – vão abrir mão da ação e ir cada um pro seu lado porque “xi, não tem camisinha”? Capaz... A menina é doida pelo menino e ele não quer usar; ela consegue se desvencilhar dele e dizer “então não rola”? O menino é doido pela menina, tem pavor de falhar, dela pensar que ele não sabe fazer; vai conseguir numa boa interromper o andamento da coisa porque o pau já está duro e agora é a hora de abrir o envelopinho e tentar desenrolar a bendita camisinha sem perder o embalo?

Eu defendia que a gente devia produzir campanhas que dessem a meninos e meninas a segurança necessária e as estratégias possíveis para pedir ou exigir camisinha. Com força e doçura, de modo a manter o clima. Com autoconfiança suficiente para dizer “não, se não tem camisinha não rola dessa vez, mas outra hora vai rolar”.

Pensa como é difícil.

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A minha campanha dos sonhos seria “QUEM DISSE que precisa ter penetração para ter prazer? Sexo pode ser MUITO gostoso com as mãos nos lugares certos”.

Bom, tá valendo.

sábado, 29 de agosto de 2015

Sem açúcar

Aceitei tão rápido que “decisão irrefletida” não seria uma expressão inadequada, exceto pelo fato de ter um tom negativo. É como se alguém tivesse perguntado: “café”? SIM, por favor! O meu, sem açúcar. J

Pois foi assim: “Topa”? “CLARO”. Na hora, nem sabia se era um emprego ou uma função não-remunerada, nem quis saber. Coordenadoria de políticas LGBT? SIM!

Tão rápido que só depois pensei nos efeitos imediatos na minha vida – o maior deles, a perda da liberdade. De ir e vir, basicamente. Nos últimos anos, vivendo de prestação de serviços, meus trabalhos em geral tinham o horário que eu escolhia. Podia escrever uma coluna antes das sete da manhã e reservar a tarde para correr mundo, correr perigo. Desde janeiro de 2013 trabalho de maneira organizada com moradores de rua e de favelas, em uma associação chamada CASA Bodisatva, da qual sou uma das fundadoras.

Antes, eu andava por aí sozinha e na louca (“louca” é quase meu “vulgo”, como dizem nas quebradas), fazendo amizades-relâmpago, ajudando aqui e ali como podia. Sentava na escadaria da Sé, ouvia uma história, ensinava a escrever o nome, via fotos da família. Pagava um almoço com a condição de que o homem sentasse comigo na mesa (missão das mais difíceis, dificilmente a pessoa aceitava, com vergonha da própria aparência e pouca disposição para aguentar olhares de reprovação). Acompanhava à delegacia para fazer um B.O. de agressão, ajudava a atravessar a rua. Agora somos um pequeno bando de loucas fazendo amizades mais duradouras e ajudando como podemos.

Essa “moleza” acabou rs. Restarão as incursões de madrugada – PSs da Santa Casa e da Barra Funda estariam entre os meus “top five” no Four Square. Vou sentir falta dessa liberdade vespertina.
Quando contei para meus amigos de um grupo no zap (“Encontro PPS Diversidade”), avisei: “Tenho uma notícia muito boa, eu acho, mas talvez eu tome um pau”. Talvez eles fossem os primeiros a desaprovar – uma cis e hétero? Mas eles acharam excelente, ufa. Ainda assim, me preocupava a reação da Dani Andrade rs. Ela é uma das minhas “gurus” no assunto trans – depois de anos de militância achei que já conhecia bastante o assunto, até participar com ela de uma roda de conversa e descobrir que não sabia da missa um terço (sem provocação religiosa rs). Que bom que ela não achou ruim rsrs.

O trabalho da Coordenadoria, que antes ficava “abrigada” na Secretaria Estadual de Justiça e dos Direitos da Cidadania, é excelente. Entrem no site e vejam... O motivo da mudança de Coordenação é a ampliação do escopo da atuação, com uma agenda mais política – isto é, de mais inserção, negociação, persuasão, proatividade. “Intromissão”, diriam alguns rsrs. É bater à porta (sou sempre educada e só meto o pé na dita cuja se ela não abrir de outro jeito) de Educação, Saúde, Assistência Social, Segurança Pública, Desenvolvimento e Trabalho,Esporte, Turismo, tudo.  A Coordenadoria JÁ FAZ isso, por exemplo por meio do Comitê Intersecretarial de Defesa da Diversidade Sexual (vejam o relatório de atividades de 2014: é excelentehttp://www.justica.sp.gov.br/StaticFiles/SJDC/ArquivosComuns/ProgramasProjetos/CPDS/Informe_2014.pdf). Uma das notícias mais recentes no site é “Inscrições abertas para curso de extensão sobre cidadania LGBT para servidores do SUS”http://www.justica.sp.gov.br/portal/site/SJDC/menuitem.faf43bacbf6b0a38c5423376390f8ca0/?vgnextoid=8e3f00edb162d410VgnVCM1000004974c80aRCRD&vgnextchannel=be320195a1d70410VgnVCM10000093f0c80aRCRD&vgnextfmt=CPDS

A Heloisa, a quem vou suceder, é f., foi bem pra cacA ideia é fazer mpais ainda, com mais... visibilidade, essa palavra que nos é tão cara. E eu sou muito visível rsrs (i.e. manjada, carimbada, saliente)Então por isso aceitei sem piscar o café. Sem açúcar.

sábado, 27 de outubro de 2012

Homossexualidade: "Um limite que precisa ser superado"?

"Olá Soninha e equipe.

Chamo-me Rafael e moro na cidade de São Paulo.

Sempre que você se candidata, procuro votar em você, por acreditar em uma forma de governo diferente, mais humano e verdadeiro.

Uma característica que me chama atenção sobre você Soninha é a sua forma simples e verdadeira de ser e se expressar. O seu modo de sustentável de se trabalhar é admirável. Quando você fala sua opinião sobre assuntos polêmicos sem ter medo das criticas alheias sempre me fez acreditar mais em você e em uma politica limpa.

De coração, a sua pessoa é a única (o) candidata(o) que eu tenho que fé no estado de São Paulo.

Porém sempre ouvi de outras pessoas que o seu trabalho era ganhar votos para o José Serra. Mas nunca dei muito bola para isso.

Me surpreendi muito quando você apoiou o Serra agora. Não por ser ele, e sim por apoiar um candidato que criticou de forma covarde e baixa o Kit Contra a homofobia nas escolas. Dando uma gigantesca brecha para a intolerância em nossa sociedade. Intolerância essa que eu já sofri, principalmente na minha adolescência.

Confesso que tenho um grande receio que o Serra ganhe, não que com o Haddad será muito diferente, mas ao menos não seria o candidato Serra que além de “incitar a intolerância”também tem o apoio do Malafaia o inimigo numero 1 das pessoas LGBT.

Gostaria de ter uma posição sua sobre isso, pois não gostaria de perder as esperanças em você Soninha.

Abraços
Rafael"

****
Rafael,

Obrigada por me dar uma chance :o)

Vou direto ao ponto: o "kit contra homofobia".

Eu não cheguei a ver o kit e talvez ele tivesse um ou outro problema. Era só corrigir esses problemas, oras. Eu sempre fui e continuo sendo a favor do kit.

Além de punir os crimes motivados por homofobia, que ainda não foram tipificados mas já podem ser penalizados pela violência em si, devemos criar cada vez mais condições para EVITAR que essa violência aconteça. E a melhor maneira é EDUCAÇÃO. Educação para o fim do preconceito, para o respeito e tolerância à diversidade.

Educação se dá na sociedade de um modo geral, a partir das próprias decisões do poder público. As posturas de um governo educam (ou deseducam). Também se dá nos meios de comunicação e na escola, claro.

Para lidar com temas delicados como homossexualidade, os professores precisam de bom material de suporte, capacitação, orientação. Por isso um kit.

Mas o que aconteceu?

Setores conservadores (ou precipitados) condenaram o kit. Disseram que o conteúdo era absurdo e que as crianças seriam influenciadas por ele.
Um monte de absurdos. O material não era voltado para crianças e sim adolescentes - se não pudermos falar de sexualidade com eles na escola, então quem falará, e onde? E as pessoas não são homossexuais por "influência".

Como reagiu o Ministério da Educação, o que fez a presidência? Recolheram o kit! Em vez de defendê-lo e corrigir se fosse o caso, retiraram de circulação.

A Dilma deu uma declaração lastimável: "O governo não tem de fazer propaganda de opção sexual".

"Propaganda!" "Opção!".

Ouvi dizer que o Serra também falou alguma bobagem sobre o kit; teria usado (eu não vi) a palavra "doutrinação". Se ele falou, eu discordo.
Mas independentemente de uma opinião equivocada sobre o kit, o que faz toda a diferença é a CONDUTA do Serra. Porque mesmo tendo apoiadores como o Malafaia, com quem não concordo 95% do tempo; mesmo tendo a simpatia de outros públicos conservadores, o Serra faz o que precisa ser feito. Desagrada os conservadores se for o caso, em defesa dos direitos da população.

Foi assim quando ele era Ministro da Saúde e ampliou muito o combate à Aids com recursos públicos. A igreja católica era contra campanhas de sexo seguro; contra a distribuição de camisinhas. Diziam que era incentivo à promiscuidade. Alguns eram contra o atendimento a soropositivos no sistema de saúde pública.

O Serra deixou reclamarem e fez o que precisava ser feito, tratando o assunto com responsabilidade, respeito à igualdade de direitos e preocupação com o bem da coletividade.

Já na prefeitura, o Serra criou a Coordenadoria da Diversidade Sexual (CADS). Um órgão público totalmente dedicado às questões LGBT. E fez muito mais - aliás, o Alckmin também, apesar de ser muito mais ligado a setores conservadores (e, em muitos aspectos, menos "briguento" que o Serra).
Algumas outras ações dos governos municipal e estadual (não estão em ordem cronológica nem de importância).

- Em 2005 foi criado o Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual;

- Os 5 Centros de Cidadania da Mulher criados pela prefeitura, que prestam assistência jurídica a mulheres vítimas de violência, foram preparados para lidar com as especificidades das mulheres lésbicas;

- Há um Centro de Referência em Direitos Humanos de Prvenção e Combate à Homofobia no Páteo do Colégio, onde funciona a Comissão Municipal de Direitos Humanos;

- Um Decreto Municipal garantiu que as travestis e transexuais sejam atendidas, no serviço público, por seus nomes sociais.

- O governo estadual tem a Decradi - Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, responsável pela prisão de integrantes de grupos que agrediram homossexuais. Ela faz parte da Rede Paulista de Proteção ao Cidadão LGBT.

- A Secretaria Estadual da Justiça e Direitos das Cidadania é responsável pela aplicação da Lei 10.948/01, que proíbe e pune toda e qualquer discriminação contra o cidadão LGBT.

- São Paulo tem um Centro de Referência da Diversidade para atendimento psico-social para homens e mulheres profissionais do sexo e travestis/transexuais em situação de vulnerabilidade.

E isso não é tudo, é só um resumo!

Então, Rafael, eu tenho certeza do seguinte: ainda que, em alguns temas, o Serra seja mais "conservador" do que eu (como na questão da legalização do comércio do maconha - até o Fernando Henrique é a favor, ehehe, mas ele é contra), ele não é "reacionário" como alguns acusam. E, mesmo sendo conservador, ele toma medidas bastante "progressistas", quase revolucionárias. Criar tantos órgãos públicos que defendem a diversidade sexual em uma cidade "proto-fascista", como diz a Marilena Chauí, só pode ser atitude corajosa...

(Eu coloco "progressista" assim, entre aspas, porque eu mesma não tomo decisões pensando se elas são consideradas conservadoras ou progressistas; penso no que eu acho que é melhor para a sociedade. E não concordo que São Paulo seja "proto-fascista", embora o Maluf tenha tantos eleitores ainda por aqui).

E não, eu não trabalho "só para ganhar votos para o Serra". Quando eu sou candidata, trabalho para ganhar todos os votos do mundo pra mim. Mas quando eu não sou candidata, trabalho muito pelo meu candidato... Sempre foi assim. E agora eu não estou lá disputando, mas ele está, e eu não tenho dúvida que prefiro ele ao Haddad - INCLUSIVE nas pautas LGBT.

(Ou vai me dizer que ao lado do Haddad não tem gente conservadora ou reacionária? O Maluf é o que? O Bolsonaro é do partido do Maluf, toc-toc-toc!)

***
Veja algumas opiniões da Canção Nova, a comunidade católica do Gabriel Chalita, sobre homossexualidade:

Palavras a um jovem homossexual
As pessoas homossexuais são chamadas à castidade

Os homossexuais são nossos irmãos
A prática do homossexualismo e do lesbianismo são desordens no plano de Deus. A tendência de procurar a pessoa do mesmo sexo tem raízes que a própria ciência ainda não compreende bem as causas, além das razões de ordem educacional.Não há nenhuma comprovação médica de que o homossexualismo seja fruto de uma disfunção glandular. Há fortes evidências de que ninguém nasce com a tendência ao homossexualismo, mas que este desequilíbrio se desenvolve na criança ou no jovem por problemas familiares (separações, brigas, etc.), obsessão da mãe pelo filho, desinteresse e grosseria do pai, forte insegurança, experiência sexual fracassada ou traumática na adolescência, educação sexual mal conduzida, e muitas outras causas não bem conhecidas.

Qual a diferença entre homossexualismo e homossexualidade?
Padre Joãozinho: É fundamental essa distinção, porque a homossexualidade é uma característica pessoal, da qual nós ainda não conhecemos bem todas as causas. Nem a psicologia nem a medicina a conhecem. Há muitos pesquisadores sérios que tentam entender se essa causa é comportamental ou de algum fator genético, inato, mas não existe nenhuma indicação científica quanto a isso. Homossexualidade é um sentir. O homossexualismo, no entanto, é a prática da homossexualidade, ou seja, é ter atos genitais com pessoas do mesmo sexo.Eu defino o homossexual não como aquele que sofre atração sexual por uma pessoa do mesmo sexo, mas que é incapaz de manter uma relação genital satisfatória com pessoas do sexo oposto. Essa definição contrária, inversa, vai se mostrar interessante para trabalhar a homossexualidade do ponto de vista terapêutico. Portanto, para mim, não é opção, orientação, nem distúrbio; nada. É um limite que precisa ser superado.

E como eu disse, o Serra já demonstrou que desafia os aliados conservadores; o Haddad, ao contrário, demonstra que recua, cede, abandona a luta).

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

E o Malafaia?

Coletânea de perguntas & respostas sobre Malafaia, Telhada, Maluf, conservadores, reacionários, corruptos... Incluí o link para o texto original, mas a reprodução aqui é idêntica.

1 - http://ask.fm/SoninhaFrancine/answer/7468321351

Soninha, aliança com Malafaia, Telhada, truculência com jornalista (hoje foi o K Alencar), isso é fazer diferente? É isso que você quer representar?

Claro que não. E se eu não puder mais condenar as atitudes de pessoas e partidos que fazem parte da minha aliança, saio fora do PPS. Uma das coisas que me desgostava no PT era a defesa "incondicional" (palavra sempre usada) de tudo que fosse "do nosso lado" - qualquer meganha, qualquer safado, empresário corrupto, oligarca, feitor de escravos, prefeito ladrão... O PSDB defende pouco os seus; o PT defende demais.

2 - http://ask.fm/SoninhaFrancine/answer/10678230855

Considero contraditório alguém criticar aliança com Maluf com tanta veemência, enquanto está de mãos dadas com um charlatão do tipo Malafaia. Contraditório e hipócrita, me desculpe.

Então me diga você: 1) Qual o papel do Maluf e o do Malafaia em cada aliança? (Respondo: um é deputado federal, dirigente de partido político, ALIADO de fato; o outro é apoiador. São pesos completamente diferentes). 2) O Maluf é um político que o PT acusou a vida toda - E NÃO ESTAVA ERRADO - de corrupto, de alguém a serviço dos piores interesses. De mentiroso. Ele foi prefeito e governador e deixou a cidade em frangalhos. Ele roubou dinheiro público (me processem, se for o caso).
3) O Maluf por acaso tem opiniões mais progressistas que o Silas Malafaia? Desde quando??? E o Chalita? E o Jair Bolsonaro, do partido do Maluf? E o suplente que assumiu o lugar da Marta no Senado, que votou A FAVOR do Dia do Orgulho Heterossexual? 4) A DIFERENÇA DECISIVA É O SEGUINTE: para ter apoio de conservadores, o PT RECUA de suas bandeiras. Tira projetos de pauta, manda recolher o kit-anti-homofobia. Para ter apoio de chantagistas, o PT CEDE às chantagens. Dá lá um ministério pra um, uma estatal pra outro. Deu dinheiro pra vários (vide Ação Penal 470). Ou o Maluf apoia desinteressadamente? Odeia tanto o Serra que abraça até o PT? Pode até ser, mas acho que suas convicções políticas não superam outros interesses... O Serra não recua e não fica só no blablabla. A Marta sai na Parada Gay, mas quem criou a Coordenadoria da Diversidade Sexual foi ele . Aliás, ele E O ALCKMIN fizeram mto mais do que os governos do PT. RESUMINDO, se precisar: o Maluf é um aliado político que não tem biografia, tem ficha corrida. A aliança do PT tem vários reacionários e conservadores, inclusive o Maluf. O Haddad já deu mostras de que não peita aliados conservadores e nem resiste às armações do PT.


3 - http://ask.fm/SoninhaFrancine/answer/10675411783

Soninha, como é estar lado a lado na campanha com Silas Malafaia? Ele é menos nocivo que o ex-político em atividade Paulo Maluf. Tem certeza disso?
Certeza absoluta. Todas as opiniões conservadoras ou reacionárias que o Silas tem, o Maluf também tem. Mas o Maluf foi defensor ardoroso do regime autoritário, muito além da mera defesa de posições conservadoras em relação a questões de comportamento. E ele diz com a maior tranquilidade que não foi ele que mudou; ele está onde sempre esteve, foi o PT que mudou. Foi prefeito e governador e fez obras "hiper"faturadas; mesmo que não tivesse roubado um tostão de dinheiro público (arrã), colhemos hoje resultados de coisas estúpidas que ele fez e de tantas outras que deixou de fazer - na Saúde, no transporte coletivo etc. O Silas é líder de uma igreja; o Maluf, dirigente de um partido político. E o mais importante: dos dois lados tem gente "ruim" (ruim mesmo), gente desonesta, gente com posições "reaça". A diferença é o cabeça de chapa: o Haddad (e o PT) já demonstrou mais de uma vez que se encolhe, recua, abre mão para não "desagradar a base" - imagine a Dilma dizer que ia recolher o famoso kit porque "o governo não tem de fazer propaganda [sic] de opção sexual [sic]" (ela disse). Já o Serra, no governo, faz o que tem de fazer. Criou vários órgãos de defesa de direitos dos homossexuais, por exemplo, mesmo que isso contrarie alguns de seus aliados. Então não só o Serra é mais competente, é muito mais determinado em não ceder a chantagens da base, muito mais obstinado em confrontar interesses de pequenos grupos se isso for preciso para garantir direitos coletivos.


Eu nao sou seu eleitor, mas admiro sua transparencia. Entretanto fiz duas perguntas respeitosas sobre o que voce acha do Cel. Telhada e do Malafaia e voce nao respondeu. Eu tenho a impressao que voce so responde os criticos seus que falam feito babacas, assim parece que todos sao assim.
Eeeita, já respondi várias vezes sobre o Telhada e o Malafaia. Telhada: representa o oposto de tudo o que eu acredito em segurança pública. Malafaia: deus que me perdoe, mas é um fanfarrão. Que resolveu apoiar o Serra alegando ser contra o kit-gay do Haddad - sem se dar conta que quem retirou o kit-gay de circulação foi o Haddad (e a Dilma), e quem tomou várias atitudes em defesa dos direitos LGBT foi... o Serra. Na prática, o que acontece é o seguinte: o PT deixa de lado bandeiras históricas para não perder apoio dos conservadores no governo (Marcelo Crivella & outros). O Serra faz o que acha que deve ser feito, apesar da resistência dos conservadores. É só ver o que ela bancava na época do combate à Aids e td que fez pelos homossexuais na prefeitura (e tb o Alckmin no governo).


Oq vc acha do Silas Malafaia? Acho que ele quer se aparecer, adora fazer uma polemica. Ele que é a besta do apocalipse. Um dos principais mandamentos é amai-vos uns aos outros. Cade? nao vejo. Só sabe incitar o ódio, parece que tem algo a esconder... É prepotente, e só sabe fazer ataques.
Também não gosto dele. A própria igreja dele tem lideranças muito mais sensatas, esclarecidas.


Sonimha vc qe apoia o Serra que reconheço que fez muito pela causa dos LGBTS em Sp não acha uma contradição aparecer do lado de Malafaia, e sem contar no telhada que que ate ameaças fez a jornalistas pelo Face vale tudo para ganhar ??
Não gosto do Malafaia e menos ainda do Telhada. A diferença é que eu confio no Serra como capaz de defender direitos iguais para todos, pensem o que pensarem os aliados dele. Ele abriu uma linha de investigação contra os grupos de extermínio da polícia que fez bastante diferença (hj a coisa tá beeem mais frouxa, pra dizer o mínimo). E sim, sempre fez mto pelos LGBTs. Se o Malafaia espera que ele recue, tá enganado, porque ele encara. Entende? Já no caso do PT, para agradar ou não desagradar os aliados, o governo abre mão de algumas bandeiras, entrega partes do governo sem sequer exigir qualidade dos indicados. Porque o PMDB tem gente decente, mas aí vai o LOBÃO pras Minas e Energia. Sempre haverá aliados com quem a gente não concorda, mas O QUE você entrega para os aliados e o que NÃO entrega faz a maior diferença. Aliás, por isso eu digo que SOU capaz de lidar com a Câmara Municipal mesmo tendo de fazer acordos com pessoas cuja conduta desprovo: porque sei que É POSSÍVEL fazer acordos que não sejam nocivos para o interesse público, desde que você bata o pé, insista, faça questão.


sônia, eu também apoiava o candidato josé, mas tendo em vista o recente vídeo no qual ele afirma que vetará a lei que visa criminalizar a homofobia, ele perdeu meu voto. ele tem se mancomunado cada vez mais com grupos religiosos nefastos (em especial o pastor malafaia). vc tem como justificar isso?

Ver só um pedaço de um vídeo não vale. Ele diz é que a violência motivada por homofobia tem de ser combatida sim, mas que as igrejas não podem ser penalizadas criminalmente se acreditarem que homossexualidade é errado. E ele vetaria a lei - ou o trecho da lei - que diz isso. Incitar o ódio é uma coisa, manifestar uma crença é outra - como a gente vai impedir uma religião de dizer que acha que o "certo" é homens e mulheres se unirem em casamento? Eu DISCORDO dessa leitura; a Bíblia tem passagens que podem tanto condenar quanto admitir a homossexualidade, as religiões sempre tem suas interpretações divergentes, mas não posso obrigar uma religião a concordar comigo. E é possível sim manifestar restrições à homossexualidade sem violência, portanto sem serem consideradas crime de homofobia. Uma vez na Parada Gay havia uma faixa "você não precisa aceitar, mas tem de respeitar". É isso. O ESTADO tem de respeitar, tem de assegurar direitos iguais para todo mundo e cobater toda forma de violência. O Estado não pode se pautar por uma religião - mas não pode pautar a religião. Entende?? E, pra concluir, o Serra E o Alckmin fizeram muito, em seus governos, pela garantir dos direitos LGBT. Ao contrário do governo federal, que recua toda vez em que a "bancada evangélica" ameaça complicar sua vida no Congresso. Sério - pesquise e você vai ver. O Serra não deixa de fazer o que acredita que tem de ser feito pela garantia de direitos por causa dos conservadores que o apoiam, e isso faz toda diferença. (Já foi assim lá atrás - eu me lembro muito bem da resistência desses setores às campanhas por sexo seguro, "use camisinha" etc. Achavam um absurdo; questionavam o governo por usar dinheiro público no tratamento da Aids. Ele bancou).

***
Ainda no tema Direitos LGBT, escrevi 


http://gabinetesoninha.blogspot.com/2012/01/nao-facam-isso-em-casa-e-em-lugar.html (sobre uma sessão de "exorcismo" de homossexual conduzida pelo Edir Macedo)

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Sem-fim

[Pra quem veio aqui procurando um palavrão xingando o Haddad: apaguei. Estava com muita raiva e escrevi como falo [falo muito palavrão]. Podia ter dito simplesmente "SUJO". No fim, substituí por "MUITO cinismo". Era lá que estava o "filha da p."]

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Sem fim o espanto, a tristeza. Sem fim a desfaçatez.

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O Haddad ACREDITA em boa parte do que diz. É um atenuante quanto ao caráter - mas minha nossa, em que mundo ele vive?

Ele acha MESMO que fez uma "Revolução na Educação"! Meu Deus!

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Analisemos os fatos.

No Brasil, não fizemos progressos, pequenos progressos que seja, na Educação (creche, ensino fundamental, ensino médio). Continuamos marcando passo, para não dizer que PIORAMOS. REGREDIMOS.

DEZ ANOS de governo do PT. Sete anos de Haddad Ministro da Educação. E o Brasil é uma TRAGÉDIA na Educação. COMO vamos nos desenvolver de verdade sem Educação?

Não temos gente qualificada para preencher os postos de trabalho das atividades de futuro. Temos gente se endividando sem fazer a menor ideia do quanto, porque ficou muito mais fácil adquirir bens duráveis no crediário mas ainda não sabemos fazer operações matemáticas básicas.

Os centros urbanos estão mais sujos, mais violentos. Aumentar a capacidade de consumo sem melhorar a Educação é uma tragédia. Não temos capacidade de análise e reflexão nem um conjunto sólido de valores que resulte em projetos de vida, planos para o futuro. O que temos é o desejo de consumir imediatamente com total desinteresse no futuro, sem projeto de vida, sem aspirações.

NENHUMA nação se tornou grandiosa sem Educação. Japão, Alemanha, Coreia tiveram um crescimento espantoso em pouco tempo, uma capacidade de recuperação magnífica, porque investiram nela. É tão óbvio que é clichê, lugar comum. E o Brasil continua ATRASADO, pobre, miserável.

No anúncio recente da aplicação das cotas de 50% das vagas nas universidades para alunos de escola pública, o Mercadante, que herdou essa "maravilha" de cenário, DISSE que cota é uma solução temporária, e que o governo vai trabalhar para que daqui a dez anos elas não sejam mais necessárias.

DAQUI A DEZ ANOS.

As crianças que estavam na primeira série quando Lula se elegeu a primeira vez, em 2002, estão AGORA no terceiro ano do ensino médio.

O QUE eles fizeram em DEZ ANOS por essa geração?

***
O governo Lula-Dilma resolveu colocar "milhões de pobres" na faculdade. Concede Bolsas em instituições particulares, com fiscalização ridícula. Dinheiro público indo para faculdades privadas de péssima qualidade - é uso irresponsável de dinheiro público e enganação, miragem, estelionato.

O governo Lula descobriu, no último ano, que faltavam vagas em creche no Brasil todo. Uma tragédia nacional. Aí anunciou um grande plano na campanha da Dilma, disse que fariam seis mil. DOIS anos depois, saíram quantas do papel?

Mas tem sempre uma resposta para esses casos: "As prefeituras não colaboram". Quando as coisas SÃO feitas, com algum repasse (ou empréstimo) de recurso federal para complementar o valor da obra (como se fosse um gesto de infinita generosidade), eles contam como realização DO GOVERNO FEDERAL. Fazem isso com Heliópolis, Paraisópolis, Rodoanel. "Ticam" no balanço do PAC: "Ok, fizemos". Quando NÃO SÂO, a culpa é dos outros.

Desonestidade em todas as cores e nuances.

***
"A gente quis ajudar São Paulo, São Paulo não quis".

Bom, aí o Haddad SABE que está mentindo. Foi desmentido impiedosamente, em público, mas volta à mentira original COM A MAIOR TRANQUILIDADE. Ele certamente acha que tudo vale no jogo do poder. Importante é impedir que os tucanos voltem a governar o país, como diz o Mestre na TV.

(Como alguém observou, se isso é o que ele diz em TV aberta na rede nacional, imagine o que sai nas reuniões a portas fechadas).

Primeiro ele diz "São Paulo nunca me procurou". Aí foi desmentido por agenda oficial. Não se apertou: "Foi um encontro casual" ou coisa parecida. Foi desmentido de novo. "Não pediram nada". Teve de admitir que pediram. E que se dane, volta a martelar na tese, como ontem no debate. "Prefeito de cidade com 3 mil habitantes conseguiu preencher o formulário para pedir recurso pra creche e São Paulo não".

MUITO desonesto. MUITO dependente da IGNORÂNCIA das pessoas sobre como são feitos os pedidos de recurso federal, quanto custa uma creche em São Paulo e uma na cidade com 3 mil habitantes, qual a dificuldade de firmar um convênio com um ente deste tamanho.

***
São Paulo, SEM recurso federal, fez mais creches do que o governo Lula-Dilma NO BRASIL INTEIRO. Assim como fez mais metrô. Mais equipamentos de Saúde e de Assistência Social.

E esses imundos vem dizer que NUNCA ninguém fez nada pelos pobres, e que eles fizeram MUITO pelos pobres.

Repetem, repetem, repetem. Aí botam um cara na televisão dizendo exatamente isso: "Os tucanos nunca fizeram nada pelos pobres".

E aí vem no debate dizer "Vamos assinar um protocolo para que a campanha não tenha agressões?".

MUITO cinismo.

***
"O mundo que você mostra na televisão, Serra, não existe".

Nada do que aparece no horário eleitoral do Serra é computação gráfica. São equipamentos PÚBLICOS reais, excelentes.

Os problemas que a Saúde tem aqui são NACIONAIS. O que vem de recurso federal para a Saúde é RIDÍCULO, mesmo assim a gente tá melhor do que o resto. O Brasil INTEIRO mostra gente no chão de Pronto Socorro, sendo jogado de lá pra cá. Horas de espera. Pior: hospitais - como o da UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - sujos, caindo aos pedaços. Falta de profissionais.

Não estamos em outro país, estamos no Brasil, essa maravilha de cenário. E CONSEGUIMOS ter excelência no serviço público, inclusive atendendo gente de outros estados e países. TEMOS PROBLEMAS, mas estamos um passo adiante ou dois.

Aí o Haddad vem dizer que São Paulo não tem nada que preste e que as UPAs do Rio de Janeiro são um "exemplo de excelência"??? O Rio de Janeiro tem Saúde melhor do que São Paulo? Ele tá de brincadeira.

***
Em um evento do Nossa São Paulo do Sesc, sentei ao lado da Nadia Campeão e comentei com o Haddad "Ela me convenceu a apoiar a candidatura de São Paulo à Olimpíada. Eu era contra, mas ela fez uma defesa muito boa do projeto. No fim o Rio levou... Um dos membros do grupo que fazia o projeto, frustrado, amargo, falou: "Se a gente tivesse gasto o dinheiro agradando os jurados em vez de fazendo um bom projeto, ganhava mais"."

Aí vem o Haddad e fala: "Por falar em projeto, o que essa prefeitura gasta em projeto... Tudo no papel".

Cara-de-pau! (Eu:) "Pô, você vai DE NOVO falar em projeto que não saiu do papel??? O que é o PAC???"

"Eu não tenho nada a ver com o PAC. As minhas metas eu cumpri".

JURO.

***
"Minhas metas eu cumpri todas. Todas. Tudo o que estava previsto no Plano Nacional de Educação, eu executei".

"Não é o que diz a Execução Orçamentária do Ministério da Educação. Os únicos recursos realmente utilizados (mais de 90%) foram folha de pagamento e aqueles repasses para Unesco. O resto teve execução baixíssima".

"Não é verdade".

"Estou falando dos dados disponíveis no site do Ministério da Educação. Oficiais".

"Eu executei todas as minhas metas".

"Então você corrija o que diz o site oficial".

***
Falei das creches, mas aí é PAC. Um monte de "Planos Municipais de Educação" feitos com recurso do PAC nos municípios que não deram em p. nenhuma. Ah, se as prefeituras não fazem, o que o governo federal pode fazer?

Inacreditável.

***
Apostando na IGNORÂNCIA das pessoas, ele vem dizer que o IPVA já cobre as despesas do Controlar. Olha, se ele quer dividir a conta dos serviços do Controlar entre todas as pessoas, quem tem ou não tem carro, que seja. Eu acho o fim da picada, uma demagogia horrenda, mas ninguém gosta de pagar tarifa mesmo, fazer o que?

Mas ele entende de Finanças Públicas. Ele sabe que IMPOSTO é uma coisa, TARIFA é outra. IPVA não é uma taxa pra ser investida nas despesas com carros, é um IMPOSTO que compõe o TESOURO MUNICIPAL e vai para EDUCAÇÃO, SAÚDE, SEGURANÇA etc. Não venha dizer, como qualquer cidadão mal informado, que a inspeção veicular "já está incluída no IPVA".

No governo Marta, eles podiam ter REVOGADO a lei municipal (aprovada no governo do Maluf) que previa a inspeção veicular COM cobrança de tarifa pelo serviço prestado. Não revogaram, não fizeram a inspeção, não fizeram nada. Agora vem usar a raiva das pessoas (justificada, pela encheção que é a inspeção, muito mais do que pelos R$44 POR ANO que tem de pagar e que o Haddad quer tornar "grátis") pra tentar se eleger.

O Haddad não é o pior do PT, mas ele topa o que vier. Topa o jogo, topa jogar sujo. Faz campanha com deboche, com raiva, com mentira, e faz apelo por "paz", "amor". Lembrar que lideranças do PT estão sendo condenadas por crimes contra a República não pode, é ofensivo, é baixaria. (Só faltava eles dizerem que é MENTIRA. Alguém ainda é capaz de dizer). Dizer "eles não gostam de pobre" é lícito.

***
Ontem fiquei mais de meia hora cercada de jornalistas questionando sobre o Serra. Sobre o "kit gay" e o Malafaia. Se o Serra deveria ter aceitado o apoio do Malafaia, já que ele "diz" que defende os direitos LGBT.

"O Malafaia é que tem de saber que apoia o Serra que NÃO DEIXA de defender os direitos LGBT apesar das resistências de seus apoiadores".

Eles insistiram. Repetiram. Tipo, não é uma entrevista, é um debate. Eles afirmando que o Serra é conservador, que o Serra tem o apoio do Malafaia então o meu eleitorado não vai me perdoar por escolher o Serra.

"O MALUF é progressista, por acaso? O Maluf defende os direitos humanos, o tratamento igual a todas as pessoas?"

Um jornalista de uma revista semanal teve a CORAGEM de dizer "mas o Maluf não aparece na campanha".

Entende? DEFENDENDO o Haddad.

"O Maluf é DIRIGENTE DE UM PARTIDO QUE FAZ PARTE DA ALIANÇA COM O HADDAD. [Partido que tem no Congresso o BOLSONARO, eu podia ter lembrado]. O Malafaia é um líder religioso que pede voto no Serra. Como outros líderes religiosos pedem voto no Haddad. A Canção Nova, do Chalita, diz que "homossexualismo" é um "desvio". Quando o Bispo Crivella, que hoje é ministro do governo Dilma, era Senador, exigiu que fosse interrompida a tramitação do PL da Homofobia e o governo aceitou."

É incrível, nós realmente ficamos debatendo, eles argumentando, defendendo o lado do Haddad.

"O Fernando Henrique diz que o Serra pode acabar essa campanha com o carimbo de conservador".

"CLARO, há anos o PT resolveu aplicar no Serra o carimbo de conservador. Mas foi o Serra quem criou a Coordenadoria da Diversidade Sexual. Quem determinou que o servidor pode ter licença-nojo (nome oficial para o "luto") em caso de falecimento de parceiro do mesmo sexo. Que as travestis tem de ser chamadas pelo nome social. Que criou um Centro de Referência para travestis. Que, lá atrás, bancou campanhas pelo uso de camisinha quando muita gente (Igreja católica, por exemplo), achava isso um absurdo, um "incentivo" ao sexo fora do casamento, sem fins reprodutivos. Que bancou o tratamento de AIDS na rede pública, quando a sociedade conservadora achava "deixa que morram, quem mandou serem promíscuos?". Que fez o SUS cumprir a lei relativa à prática do aborto decorrente de estupro ou do risco de morte da mãe".

Alguns me olhavam como se não soubessem disso. Talvez não soubessem. E como se, apesar disso, ainda prevalecesse o carimbo de "conservador".

"O Serra criticou o kit-gay. Disse que é "doutrinação", falou algo sobre "bissexualismo"". Não souberam me dizer exatamente o que ele falou.
Respondi: "Se ele falou em "doutrinação", discordo dele. Mas a DILMA alegou a mesma coisa para RETIRAR o kit-gay de circulação. Disse que "o governo não tem de fazer PROPAGANDA de OPÇÃO SEXUAL". Eu não cheguei a conhecer o kit-gay e não confio no que dizem na internet. Talvez ele tivesse problemas - que corrigissem o problemas. Mas ELES, o HADDAD, a DILMA, o abandonaram. Por pressão dos conservadores".

***
Bom, aí o assunto se voltou para "o modo como o Serra trata os repórteres".

Eu falei umas dez vezes que não gosto de como ele reage. Que eu respondo a TODAS as perguntas, de todos os tipos - agressivas, provocadoras, irritantes. Mas EU sou a exceção, não ele. A Dilma não tem paciência com jornalista que a incomoda ("Minha filha [SIC], não é apagão, é blecaute"). Mas pra ela fica mais fácil quando dá entrevista atrás de um púlpito, apenas para jornalistas previamente credenciados pela assessoria, como foi em 2010. Quando você tá ali o tempo todo no meio dos repórteres, é mais fácil se irritar.

E eu queria saber, disse a eles, se tem sempre uma equipe da TVT, por exemplo, atrás do Haddad tentando fazer alguma pergunta que o incomode. Tentando provocar, desestabilizar. Queria saber mesmo. Disse, confiante: "Duvido".

"Mas a repórter do UOL que ele respondeu mal..."

Repeti pela décima vez: "Eu não gosto do modo como ele reage". E também: "Eu sou a única que não reage assim. O Zé Dirceu reage como? Ou ele nem anda por aí no meio de repórteres?"

Aí uma repórter insistiu, insistiu, insistiu: "Mas não está piorando agora? Não piorou? Não piorou?". Respondi três vezes. "Não. Acho que não. Acho que não". "Ele não está ficando mais irritado em função do resultado das pesquisas?". "Não. Acho que é a irritação de sempre". "Não está pintando um momento Russomanno?". Respondi um outro repórter da roda que tinha feito alguma pergunta mais séria. "Fala, vai. Tá rolando uma coisa como o Russomanno na última semana". Respondi a ela rindo, comentando ao mesmo tempo com os outros repórteres: "O que é isso, um teste pra ver se eu realmente respondo qualquer pergunta sem perder a paciência?". Eles riram também, até meio constrangidos, obrigados a concordar comigo que ela estava me provocando, não perguntando. Ela continuou: "Mas tá, não tá? O Serra não tá meio nervosinho? Não tá que nem o Russomanno, com medinho?"

Cara, como eu me arrependi de não fazer algo que já pensei várias vezes: EU gravar todas as perguntas que me são feitas e as minhas respostas. E foi o que eu disse pra ela: "Então, isso é uma pergunta ou é uma provocação? Posso gravar para ter o registro?". Os repórteres à minha volta não poderiam negar que ela  tinha ultrapassado a linha. Ela mesma se deu conta: "Não, a gente tá aqui conversando em off". "Não, a gente não tá conversando em off, a gente tá em on o tempo todo, você está me entrevistando".

***
Ainda houve outro debate. Eles afirmando que "a campanha do Serra subiu o tom". Que a campanha do Serra é agressiva, que resolveu apelar, será que não está passando da medida? Será que o eleitor não vai reagir mal por causa disso?

Dei vários exemplos de agressividade, deboche, ataques do outro lado. "Fizeram assim com o Russomanno, dizendo que o bilhete dele era "ruim para os pobres". Disseram que quem não defende o Bilhete Único Mensal é porque "defende o interesse das elites e é contra os pobres". O Lula vem no rádio dizer que "os pobres agora comem bife e não querem deixar de comer". Isso é propaganda qualificada?"

De novo, eles ARGUMENTAM. "Mas a do Serra é mais".

***
Que os jornalistas tenham birra do Serra, ok. Mesmo que não reconheçam que existe um esforço diário para tirá-lo do sério.

Ele perde muito ao reagir como reage, irritado, acusando o repórter de estar a serviço do outro lado. (Alguns são MESMO de veículos ligados ao PT - à CUT, Sindicatos, patrocinadores deles etc. Alguns só tem raiva dele e querem f. Outros realmente cutucariam qualquer candidato à sua frente).

Mas eles NÃO PODEM fazer disso simpatia, tolerância, apreço pelo outro lado. E fazem. Compram as teses do adversário e ficam defendendo em entrevista comigo.

Alguns deixam escapar interjeições do tipo "Yess, tomou?" enquanto assistem o debate. Depois negam preferência de pé junto.

Assim caminha a humanidade. Sem saber, aposto, explicar por que a Dilma tem 80% de "ótimo e bom" no governo, mesmo que tenha votado em "ótimo" ou "bom".

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Opinião x Incitação

Há anos tramita no Congresso um Projeto de Lei que criminaliza a discriminação contra homossexuais.

A tipificação de um crime é importante para que lhe seja atribuída pena que configure punição em medida justa. Quando o crime não é "especificado", pode ser enquadrado em alguma hipótese mais branda e ter pena menor.

A punição também deveria servir como aviso que resultasse na prevenção de atos semelhantes.

Eu apoio, por exemplo, o movimento www.naofoiacidente.org.br , que defende que, quando um motorista embriagado mata alguém com seu automóvel, isso seja enquadrado como "dolo eventual", isto é, o autor assumiu o risco de matar alguém. Estou de acordo. (Homicídio culposo é quando "matou sem querer").

***
Sou a favor da tipificação do crime de discriminação contra homossexuais. É um tipo específico de discriminação com resultados negativos muito concretos - da ameaça ao direito de ir e vir ("viado aqui, não") à ocorrência de agressões violentas e mortes. Não é a criminalização de uma opinião, mas de uma atitude nociva. "Hate crime", como dizem fora daqui - uma expressão mais popularizada do que "crimes de ódio", que descreve perfeitamente o que os move.

***
Mas, ao contrário de parte do movimento LGBT, fiquei ao lado da Marta em relação a uma mudança que ela propôs - a ressalva, no Projeto, de que  "a nova legislação "não se aplica à manifestação pacífica de pensamento decorrente da fé e da moral fundada na liberdade de consciência, de crença e de religião".

As religiões não podem querer que as leis sejam feitas de acordo com suas regras. Seus fiéis tem de seguir suas regras... Não a sociedade como um todo.

Os legisladores não podem querer redigir as regras das religiões.

***
As organizações e líderes religiosos tem de seguir a lei como todo mundo - não podem caluniar, difamar, injuriar, incitar a violência etc.

Mas tem o direito de fazer seus julgamentos de certo e errado. A Igreja Católica tem o direito de dizer que o divórcio é uma chaga e que casamento bom é o que só a morte separa, porque "o que Deus uniu...".

Tem o direito de dizer que aborto é errado e, para ela, equivale a um assassinato. Tem o direito de dizer que o certo para os católicos é manter a virgindade até o casamento e ter relações sexuais exclusivamente com fins reprodutivos.

Os católicos que não concordam com isso que se queixem lá com o Bispo, desobedeçam ou deixem de ser católicos - não somos nós quem vamos impor aos católicos suas regras. Podemos discordar, criticar, reclamar, achar anacrônico, irresponsável... Mas não poderemos, especialmente se não formos católicos, pedir à Igreja que mude seus cânones.

A Igreja, por sua vez, não tem o direito de tentar impedir a distribuição de camisinhas.

Os Evangélicos tem o direito de dizer que não existem Santos e que o único a ser reverenciado é Jesus Cristo. O bispo da igreja evangélica não tem o direito de chutar a imagem de uma Santa Católica.

Os muçulmanos e alguns evangélicos tem o direito de proscrever o uso de álcool, não tem? Os mórmons, se não me engano, proíbem café.

***
As igrejas tem o direito de achar que homossexualidade é "errado", antinatural, desvio, que vai contra os desígnios de Deus. E de dizê-lo em seus cultos.

Não tem o direito de incitar à violência.

Dá para estabelecer a diferença entre um e outro, não dá? Sério. Em caso de dúvida, recorre-se à Justiça. Foi a "manifestação pacífica" de uma opinião etc ou foi uma ação violenta, vexatória, etc?

É uma boa discussão, como muitas no Direito. Prefiro que seja assim do que a possibilidade expressa de condenar um pastor a 5 anos de cadeia por dizer que Deus fez o homem para casar com a mulher e que o que for diferente disso contraria os desígnios de Deus.

Eu discordo dele, eu não sigo sua religião, pronto. Se minha mãe concordar com ele, discuto com a minha mãe. Que pode concordar com várias outras coisas defendidas pela igreja que contrariam minhas opiniões, como dizer que alguém ficou doente como "castigo de Deus" etc.

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Como hoje existe uma mistura promíscua (sem trocadilho) entre igreja, meios de comunicação e partidos políticos, como nunca dantes na história, acho que podemos deixar bem claro o seguinte:

A liberdade de "manifestação pacífica de opinião contrária à homossexualidade" pode ser feita dentro dos templos religiosos - NÃO nos meios de comunicação de massa. No rádio e na TV, não pode. Vai ao templo religioso quem quer; os meios de comunicação de massa nos "invadem".

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O episódio do Bispo Edir Macedo exorcizando um homossexual, que teria sido vítima de feitiço dos vizinhos macumbeiros, é um bom exemplo do que não podemos tolerar em um meio de comunicação. Com o agravante da discriminação contra as religiões de matriz-africana. O Russomanno perdeu quatro votos pra mim quando um praticante de candomblé, que pretendia votar nele, descobriu que seu partido era o da Igreja Universal. Eles são vítimas sérias da discriminação alimentada por algumas igrejas evangélicas.

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Foi-se a Marta do Senado para o Ministério da Cultura, assumiu seu suplente, Antonio Carlos Rodrigues, do PR.

Ele votou a favor da criação do Dia do Orgulho Heterossexual - o Kassab, obviamente, vetou. (Discordo do Kassab em um milhão de coisas, mas nunca tive a menor dúvida de que ele vetaria essa palhaçada)

Palavras de um militante LGBT que coincidem com o que eu penso sobre a atuação da Marta e do PT de modo geral quando à defesa de suas bandeiras:


"Marta saiu, mas e agora? Se formos avaliar a trajetória da atual ministra, Marta foi extremamente importante para o movimento LGBT, pois foi uma das primeiras a levantar bandeira para essa minoria, mas se formos avaliar do ponto de vista prático, a sua fama lhe rendeu muitos votos, mas na pratica nenhuma de suas ações ou projetos foram adiante" (Mais aqui:  www.plc122.com.br)


Isto é: PT "fala muito", como diria o Tite. Os pobres, os gays, o povo de rua, blablabla. Mas faz MUITO POUCO.

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[Este era um dos muitos textos rascunhados há meses no blog, nunca concluídos. Hoje terminei porque é bom a gente discutir a sério esse negócio de progressistas, conservadores, aliados, partidos, televisão, religião, homossexualidade. Depois tem mais]

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Não façam isso em casa. E em lugar nenhum



Já vi (todos já viram) muitos vídeos chocantes na internet. Violência me dá aflição, repulsa, horror. Seja contra homem ou mulher, criança ou idoso, criminoso ou inocente, brasileiro ou estrangeiro, humano ou animal. Covardia, estupidez, abuso e agressão aos mais fracos ou totalmente impotentes me embrulham o estômago.

Esse vídeo me dá aflição dessa natureza. Fico bestificada olhando... A mentira, a encenação... Não do rapaz, creio eu, mas das "autoridades religiosas"... O abuso da credibilidade, da fé das pessoas... A incitação ao preconceito... Santo Deus, como abusam do Teu nome.

Para quem não tiver tempo, disposição ou paciência para ver, um resumo:

Segundo o Bispo, o rapaz foi vítima de um trabalho feito por seu vizinho e passou a ser assolado por demônios que inocularam nele o homossexualismo. Ele passa, então, por uma sessão de exorcismo para ficar livre desse mal.

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Frases extraídas da sessão:

A origem da desgraça desse rapaz...
Limpeza total
A gente vai na raiz
Os trabalhos de bruxaria são feitos na virada do ano
Trazer também o [demônio] que tá no terreiro. Tá no Pai de Santo.
O terreiro vai fechar. Todos os terreiros. Todos os [demônios] que tão na Mãe de Santo, os Filhos de Santo.
Acabou teu reinado no terreiro. No Pai de Santo. Nos Filhos de Santo.
Todos os trabalhos são desfeitos
Voce que tem um problema semelhante a esse e quer se libertar, seja do homossexualismo, lesbianismo, prostituição... qualquer problema que vc sabe que tem origem no inferno... junte-se a nós
Nós vamos arrebentar agora em nome de Jesus
As forças espirituais do mal... sejam todas queimadas
Nós fechamos o terreiro
Se tiver enfermidade, se tem AIDS também vai ser queimada agora.
Todo império do inferno que tem atuado no corpo desse rapaz até aqui... está impedido de tocar nele.Graças a Deus
Muitos rapazes, muitas moças perdidas porque tem um espírito imundo no corpo deles
Ela agora vem a ser um servo de Deus.

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Não sei se é possível opor-se a essa barbaridade por meio da lei, da Justiça.

A liberdade de expressão não é absoluta no Brasil. Nos Estados Unidos, ela é..."sagrada". Se alguém disser "acho que os ......... deveriam morrer", o ....... pode ser preenchido com "chicanos, negros, muçulmanos, russos, travestis, policiais, velhos, judeus, alemães, burgueses, gays" e o energúmeno que disse isso tem seu direito assegurado. No Brasil, a coisa não é bem assim... Já tem o crime de racismo que é inafiançável. Não sei como os estadunidenses lidam com calúnia, injúria, difamação, mas aqui você pode ser condenado por praticar uma delas.

Quando acusam a Lei Anti-Homofobia de ser um atentado à "liberdade de expressão", não estão considerando os limites que já impusemos a ela, tentando promover ao máximo uma convivência respeitosa e pacífica entre as pessoas. Na nossa cultura, acreditamos que dizer é meio passo para fazer. Que dizer equivale a fazer, de alguma maneira. Enfim, longa discussão, muito interessante, aliás. As pessoas não podem dizer o que bem entenderem nunca. em alguns lugares, em qualquer lugar? Quem determina o que se pode e não pode dizer? Qual o limite de intervenção do Estado? Como o Estado entende a sociedade, qual poder a sociedade delega ao Estado?

Eu sou a favor da tipificação do crime de homofobia porque tenho a convicção de que ele é um tipo específico de violência. Há quem se julgue no direito ou mesmo imbuído do "dever" de agredir, punir, segregar, eliminar homossexuais. Tem quem ache que eles é que não tem o direito de ser o que são - ou de aparecer em público demonstrando serem quem são... Que tem de guardar sua orientação afetiva e sexual para si. "Se não conseguem ou não querem deixar de ser homossexuais, que o sejam em segredo. Não na rua. Não em público".

Uma lei que afirme que "demitir, barrar, expulsar, agredir uma pessoa em função da sua orientação sexual é crime" me parece justificada e necessária. Até aceito discutir essa mania de achar que com lei se resolve tudo, que com a ameaça de punição se contém a violência, mas que homofobia - ou homorepulsa, homocondenação - existe e é problema SÉRIO, não tenho dúvida.

Mas então uma pessoa não pode achar que "homossexualidade não é normal", que é "um desvio, um pecado, uma condição indesejável, um castigo, uma maldição"?

Bom, não há lei no mundo que consiga impedir as pessoas de achar ou acreditar no que quer que seja. Mas a sociedade, com ou sem leis, impõe alguns limites para as manifestações de opiniões e crenças. Não se esqueçam, por exemplo, dos crimes de apologia às drogas e incitação à violência... Enfim, o sujeito pode achar que homossexualidade é "do mal", mas vai ter de respeitar a pessoa assim mesmo. Eu me lembro de um cartaz em uma Parada Gay que dizia mais ou menos "Você não é obrigado a aceitar [a homossexualidade], mas tem de respeitar [a pessoa]". "Ah, mas se eles não se dão ao respeito...". Isso parece o argumento que justifica o estupro porque "quem mandou usar aquela sainha?". NÃO. A nossa opinião sobre os modos das outras pessoas não nos dão o direito de as agredir. Seja uma "perua" ou "uma bichinha quá-quá", uma "sapa" ou um "marombeiro", um "rasta" ou uma "patricinha"... Cada um torce o nariz para um tipo, mas não pode sair por aí tirando as pessoas de circulação tomando por base sua desaprovação, sua rejeição ao jeito delas.

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Uma emenda feita à Lei Anti-Homofobia garantia às pessoas o direito de manifestar sua desaprovação à homossexualidade desde que não houvesse nenhuma conotação de agressividade ou incitação a ela. Para muitas pessoas, isso esvazia a lei completamente. Eu não acho... Acho que uma comunidade religiosa tem o direito de dizer que "Deus não quis assim", desde que não haja nenhuma conotação de agressividade ou incitação a ela. Já acontece dos pais quererem dar uma surra no filho para "virar homem", uma coça na filha para "ter modos de menina", não precisa o líder religioso incentivar!!!

Esse vídeo é uma incitação. Um incentivo à "queima dos demônios" e uma manifestação inequívoca de preconceito e ódio às religiões de matriz africana. Isso já é condenado por lei, não é não???

E essa encenação horrorosa foi transmitida pela TV IURD, pela rádio deles. Quer dizer, nós nem precisamos ser fiéis, acompanhar o culto, ir atrás do Bispo para que ele nos "orientasse". Isso está no ar, é comunicação de massa. Um absurdo.

Com lei, sem lei, a sociedade tem de se manifestar. Quem foi fazer piquete e ameaçar o dono na porta da gráfica que rodava folhetos patrocinados por um padre católico que pedia votos em quem fosse contrário ao aborto, está onde agora?

Espero que esteja indignado, boquiaberto, preocupado, mobilizando suas redes para protestar contra essa violência disfarçada de crença religiosa.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Resposta para um comentário deixado no Blog sobre post #EuSouGay

Comentário: Não sabia que a Soninha ainda está ativa na política. Sobre esta foto, tudo bem que ficar do lado da minoria é legal e bonitinho, mas sinceramenta falando, não consigo levar a sério os homossexuais, a maneira que eles se vestem ou agem não é digno de seriedade. Consigo imaginar um juiz gay não assumido, mas não consigo imaginar um gay assumido sendo juiz. Até que apoiaria a causa homossexual desde que, seja algo natural, ou seja, se o homossexualismo fosse natural, e não me refiro apenas a raça humana, se houvesse caso de homossexualismo em todas as espécies vivas no planeta, então não há o que discutir, se Deus fez o ser vivo assim, então para que lutar, as vezes Deus escreve certo por linhas tortas.

Por Ricardo Nakata em #EuSouGay em 14/04/11

Resposta: 

Então, Ricardo, podemos começar por aí, há casos de homossexualidade em muitas espécies vivas no planeta... :o) Sobre "levar a sério" os homessexuais - bom, você tem o direito de não "levar a sério", não gostar do modo como se vestem etc. Mas a sociedade não tem o direito de negar a eles os direitos que são de todos os seres humanos, todos os cidadãos, todos os contribuintes... Você não consegue imaginar um gay assumido sendo juiz. Pensa: que diferença faz se ele se apaixona e se sente atraído por homens ou por mulheres? Não é da nossa conta, concorda?! Muitas coisas podem não "cair bem" em um juiz - também é estranho imaginá-lo gritando impropérios na arquibancada de futebol, morrendo de amor (hetero) por alguém que não corresponde, tendo relações sexuais com a própria esposa, andando de quatro enquanto o neto brinca de cavalinho em cima dele. Mas a gente não tem de "imaginar" nada disso, concorda? Tem de exigir compostura e respeito, honestidade e competência, qualquer que seja a sua orientação sexual. (Só mais uma coisa: ficar ao lado da "minoria" não é só uma questão de ser "legal e bonitinho", quando essa "minoria" é vítima de grave discriminação e mais grave ainda violência. Tudo que a gente puder fazer para desmontar os tabus e preconceitos de modo a ter uma sociedade menos violenta, eu sou a favor de fazer :o))

-- Soninha Francine -

sexta-feira, 15 de abril de 2011

"Todos vestem a camisa de Michael"


"Mais do que um jogo, a vitória do Vôlei Futuro sobre o Cruzeiro, no segundo confronto entre as duas equipes pelas semifinais da Superliga Masculina, foi um desagravo ao meio de rede Michael, que admitiu publicamente sua homossexualidade depois de ser vítima de ofensas homofóbicas na primeira partida, em Contagem, na semana passada.A equipe de Araçatuba organizou uma grande festa..." (leia mais abaixo...)