Não está errado reduzir a velocidade máxima de avenidas para 50km/h. É perfeitamente aceitável se considerarmos o tempo de reação (do motorista e do veículo) em um contexto com pedestres de todas as idades, animais, bicicletas, cruzamentos, entradas e saídas de garagem etc.
Já na pista local da marginal, não concordo. É uma via expressa. Muito melhor seria sinalizar adequadamente os acessos (entrada e saída de vias locais) com zebras etc para obrigar os veículos que já estão na Marginal a reduzir a velocidade ou até mesmo mudar de faixa nos pontos em que outros motoristas querem entrar na via.
***
Se a velocidade máxima dos automóveis é 50, fica mais sem sentido ainda manter a dos ônibus nos corredores nesse mesmo número. Eles passam a centímetros da calçada. Tem pedestre que é atingido só por esticar a cabeça sem perceber o ônibus chegando. Sério.
***
Aliás, é preciso analisar com muito mais seriedade a causa de acidentes para realmente combatê-los. No caso das marginais, por exemplo:
- As colisões aconteceram porque os veículos estavam na velocidade máxima ou porque estavam ACIMA da velocidade?
- Aconteceram colisões abaixo da velocidade máxima MAS acima da velocidade adequada para as condições da via naquele momento?
Na marginal acontecem acidentes porque caminhões entalam debaixo dos viadutos. Porque motoristas mudam de faixa sem olhar no espelho ou sem ao menos usar a seta (o que já ajuda os motociclistas a se prevenir de uma mudança brusca). Porque motociclistas estão rápido demais, mesmo com o trânsito parado. Porque as calçadas somem ou são podres e as pessoas acabam andando pela rua. Porque os acessos são mal feitos, principalmente as alças das pontes. Porque não há pontos seguros de travessia.
Pode-se alegar que, a 50 por hora, todos esses acidentes tem danos menores. Insisto: nos horários da madrugada, acontecem porque motoristas (alcoolizados, em muitos casos) andam MUITO ACIMA da máxima. E na hora do trâncisto pesado, acontecem ABAIXO de 50 por hora, mas causam fatalidades.
***
A prefeitura não está mais usando o "radar pistola" para ver se as motos estão circulando acima de 30km/h no corredor?
***
Em outras ocasiões em que houve alterações na velocidade, instalação de radares etc, o PT na oposição sempre acusou o governo de "fúria arrecadatória". Eu me lembro perfeitamente desse discurso nas reuniões da bancada.
***
A redução da velocidade máxima não tem nada a ver com congestionamento... Isso é viagem de quem reclama. Andar a 50 é irritante quando a pista está livre. Quando não está, a máxima já é bem menor do que isso.
***
Não é incrível a velocidade do andamento do processo judicial desencadeado pela Operação Lava-Jato? Além da prisão de figurões (que costumávamos chamar de "criminosos de colarinho branco", "tubarões" (em comparação aos "lambaris/peixes pequenos), busca e apreensão de bens, recuperação de recursos obtidos de forma ilícita etc, outro fato inédito é ver 3 instituições trabalhando em sintonia (Polícia Federal, Ministério Público e Judiciário) e a Justiça deslanchando como deve.
"...But when you talk about destruction/Don't you know that you can count me out"
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terça-feira, 4 de agosto de 2015
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Procuram-se Agentes de Desenvolvimento Local, aka super-herois
A prefeitura abriu inscrições para "Agentes de Desenvolvimento Local"* que serão contratados em regime CLT pela AdeSampa (Agência de Desenvolvimento de São Paulo).
*"A função de Agente de Desenvolvimento Local caracteriza- se pela articulação entre a comunidade e as ações públicas com o objetivo de promover o desenvolvimento local e territorial em todas as suas dimensões, levando em conta a vocação do território e garantindo um processo aberto e participativo. A função ainda inclui o empoderamento comunitário através da proposição e apoio a ações locais ou comunitárias, individuais ou coletivas, que sejam pensadas a partir de um plano de desenvolvimento construído para o território"
A divugação foi ridícula - eu, que fuço em tudo, vi por acaso.
O edital foi publicado no dia 7 de julho e as inscrições aconteceram entre 7 e 16 de julho - ou seja, um prazo igualmente ridículo.
Serão 34 ADLs distribuídos por 15 Subprefeituras. Por que as outras 17 não foram contempladas? Vai saber. Cada Subprefeitura é uma imensidão de área e de gente (a da Lapa, por exemplo, tem 300 mil habitantes, fora a multidão que circula por aqui a trabalho) e cada ADL tem um porrilhão de atribuições:
I. Contribuir no processo de criação e implementação dos Grupos de Desenvolvimento Local.
II. Articular com os diversos atores do território (Subprefeitura): organizações empresariais, sindicais, religiosas, associações, coletivos, ONG´s, entre outros.
III. Propor e organizar debates, eventos, encontros e reuniões.
IV. Mediar debates entre os diversos atores buscando consenso e propostas comuns.
V. Atendimento dos munícipes empreendedores ou potenciais empreendedores do território (Subprefeitura): escutar, sistematizar e encaminhar as demandas.
VI. Orientar empreendedores e potenciais empreendedores do território.
VII. Promover o acesso ao crédito, servindo de ponte entre a população e as instituições financeiras e orientando sobre o processo.
VIII. Facilitar o acesso à formação e à qualificação técnica e de gestão empreendedora.
IX. Prospectar e cadastrar de forma qualificada os empreendedores e empreendimentos do território.
X. Contribuir na identificação das vocações do território.
XI. Apoiar a organização coletiva de cada setor relevante no território.
XII. Contribuir com a implantação de arranjos produtivos locais.
XIII. Participar de forma ativa nos Grupos de Desenvolvimento Local, sendo o porta voz da ADESAMPA no grupo.
XIV. Realizar oficinas de formação.
XV. Realizar relatórios mensais das atividades realizadas
Pra fazer isso tudo, o ADL precisa ter Ensino Médio completo e vai receber R$1.800 por mês.
PODE???????!!!!
É muita picaretagem, meu Deus.
*"A função de Agente de Desenvolvimento Local caracteriza- se pela articulação entre a comunidade e as ações públicas com o objetivo de promover o desenvolvimento local e territorial em todas as suas dimensões, levando em conta a vocação do território e garantindo um processo aberto e participativo. A função ainda inclui o empoderamento comunitário através da proposição e apoio a ações locais ou comunitárias, individuais ou coletivas, que sejam pensadas a partir de um plano de desenvolvimento construído para o território"
A divugação foi ridícula - eu, que fuço em tudo, vi por acaso.
O edital foi publicado no dia 7 de julho e as inscrições aconteceram entre 7 e 16 de julho - ou seja, um prazo igualmente ridículo.
Serão 34 ADLs distribuídos por 15 Subprefeituras. Por que as outras 17 não foram contempladas? Vai saber. Cada Subprefeitura é uma imensidão de área e de gente (a da Lapa, por exemplo, tem 300 mil habitantes, fora a multidão que circula por aqui a trabalho) e cada ADL tem um porrilhão de atribuições:
I. Contribuir no processo de criação e implementação dos Grupos de Desenvolvimento Local.
II. Articular com os diversos atores do território (Subprefeitura): organizações empresariais, sindicais, religiosas, associações, coletivos, ONG´s, entre outros.
III. Propor e organizar debates, eventos, encontros e reuniões.
IV. Mediar debates entre os diversos atores buscando consenso e propostas comuns.
V. Atendimento dos munícipes empreendedores ou potenciais empreendedores do território (Subprefeitura): escutar, sistematizar e encaminhar as demandas.
VI. Orientar empreendedores e potenciais empreendedores do território.
VII. Promover o acesso ao crédito, servindo de ponte entre a população e as instituições financeiras e orientando sobre o processo.
VIII. Facilitar o acesso à formação e à qualificação técnica e de gestão empreendedora.
IX. Prospectar e cadastrar de forma qualificada os empreendedores e empreendimentos do território.
X. Contribuir na identificação das vocações do território.
XI. Apoiar a organização coletiva de cada setor relevante no território.
XII. Contribuir com a implantação de arranjos produtivos locais.
XIII. Participar de forma ativa nos Grupos de Desenvolvimento Local, sendo o porta voz da ADESAMPA no grupo.
XIV. Realizar oficinas de formação.
XV. Realizar relatórios mensais das atividades realizadas
Pra fazer isso tudo, o ADL precisa ter Ensino Médio completo e vai receber R$1.800 por mês.
PODE???????!!!!
É muita picaretagem, meu Deus.
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Mentira deslavada: no capítulo de hoje, Haddad e a coleta seletiva.
Siga o passo-a-passo e conclua você mesmo.
1 - O site da prefeitura comemora:

"QUASE 70% DOS DOMICÍLIOS JÁ SÃO ATENDIDOS PELA COLETA SELETIVA"!?!
2 - Consultei o e-sic:

3 - Responderam:

4 - Abri o anexo:

5 - Examinei todas as planilhas - distritos 100% atendidos, parcialmente atendidos, não atendidos.

6 - Usei os dados de uma página da prefeitura para calcular a população atendida:
Distritos 100% atendidos (46): 5.349.515 pessoas
Distritos parcialmente atendidos (28) 3.108.564 pessoas
Distritos não atendidos (22) 2.997.845 pessoas
(Total: 11.455.924)
OU SEJA:
De uma população de 11 milhões, 26% (pouco menos de 3 milhões) ainda não tem NADA de coleta seletiva; 27% (um pouco mais de 3 milhões) são parcialmente atendidos (vai saber o que é "parcialmente") e 47% são efetivamente atendidos com coleta domiciliar.
Daí para "quase 70% atendidos" (8 milhões) vai chão, hein?? Significaria que o atendimento "parcial" abrangeria 2,7 milhões de pessoas do total de 3,1 daqueles distritos, isto é 87%. Arrã.
Em todo caso, vou perguntar no e-sic o que exatamente significa "parcialmente atendido". Como se realmente houvesse a mais remota chance da tal cobertura de quase 70%. Hmpf.
1 - O site da prefeitura comemora:

"QUASE 70% DOS DOMICÍLIOS JÁ SÃO ATENDIDOS PELA COLETA SELETIVA"!?!
2 - Consultei o e-sic:

3 - Responderam:

4 - Abri o anexo:

5 - Examinei todas as planilhas - distritos 100% atendidos, parcialmente atendidos, não atendidos.

6 - Usei os dados de uma página da prefeitura para calcular a população atendida:
Distritos 100% atendidos (46): 5.349.515 pessoas
Distritos parcialmente atendidos (28) 3.108.564 pessoas
Distritos não atendidos (22) 2.997.845 pessoas
(Total: 11.455.924)
OU SEJA:
De uma população de 11 milhões, 26% (pouco menos de 3 milhões) ainda não tem NADA de coleta seletiva; 27% (um pouco mais de 3 milhões) são parcialmente atendidos (vai saber o que é "parcialmente") e 47% são efetivamente atendidos com coleta domiciliar.
Daí para "quase 70% atendidos" (8 milhões) vai chão, hein?? Significaria que o atendimento "parcial" abrangeria 2,7 milhões de pessoas do total de 3,1 daqueles distritos, isto é 87%. Arrã.
Em todo caso, vou perguntar no e-sic o que exatamente significa "parcialmente atendido". Como se realmente houvesse a mais remota chance da tal cobertura de quase 70%. Hmpf.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Programa de Metas do Haddad - A Real em 123 posts
Meta 1

O prefeito diz: "Foram inseridas 349 mil famílias no Cadastro Único, superando a meta estabelecida de 280 mil".
PROBLEMAS:
1) Desde o início, a definição e justificativa da meta:
Por que "280 mil famílias"? De onde saiu esse número?
Como poderíamos verificar o cumprimento da meta, já que são números grandiosos e pouco palpáveis?
Qual o verdadeiro impacto (eficácia/efetividade) da mera inclusão de famílias no Cadastro?
É correto dizer que se trata de um "novo serviço ou benefício"?
A inclusão atende ao objetivo de "superar a extrema pobreza na cidade de São Paulo, elevando a renda, promovendo a inclusão produtiva e o acesso a serviços públicos para todos"?

O Cadastro Único em si, como se vê, é apenas um grande Banco de Dados, não é sinônimo de recebimento de serviços ou benefícios. A única meta razoável seria: "inclusão de TODAS as famílias que atendem os requisitos para fazerem parte do Cadastro Único". É o mínimo que precisa acontecer: que elas existam oficialmente nos registros oficiais de pobres e miseráveis.
2) O cálculo é "meio" confuso. Compare as seguintes informações, todas elas prestadas pela própria prefeitura:
- "O número de famílias cadastradas em dezembro de 2012 era de 493 mil. Em julho de 2013 este número passou para 709.595, chegando a 922.259 em julho de 2014, data da última atualização do CadÚnico".
Portanto, entre dezembro de 2012 e julho de 2014, o número de famílias cadastradas aumentou em 499 mil, não em 349 mil. Qual número é o certo? Por que há essa diferença de 150 mil famílias entre um cálculo e outro?
- Na página do Observatório Social da SMADS , que dá publicidade aos dados oficiais sobre os programas da Assistência Social, a informação mais recente é a de janeiro de 2013 (!): 520.515 famílias estavam no Cadastro Único.

(Pra complicar ainda mais, o gráfico de janeiro de 2013 foi "elaborado" em "julho de 2014"!)
Combinando as fontes (ambas oficiais), temos a seguinte evolução:

A prefeitura se comprometeu com "Prioridade para implementação das ações nas Subprefeituras com maior concentração de famílias em situação de extrema pobreza e pobreza". Cidade Tiradentes, por exemplo, região muito pobre da cidade, teve menos inserções no cadastro do que a Lapa. Pode ser que realmente o cadastramento na Lapa estivesse mais defasado; é preciso esclarecer.

Também chama atenção o fato de Parelheiros e Mooca terem tido famílias excluídas do Cadastro, como mostra a tabela acima. Por que?
4) Recursos empregados:

Essa consulta foi feita hoje, 20 de fevereiro de 2015. O custo previsto era de R$ 103 milhões. O valor executado em 2013 foi de R$ 9,4 milhões (é o dado mais recente e ainda está "em atualização"). Ou seja: ou o gasto em 2014 foi de 94 milhões (dez vezes maior que em 2013), ou o orçamento inicial foi absurdamente maior do que o efetivamente realizado. Como foi possível errar tanto?
Também não fica claro como esses nove milhões foram empregados.
CONCLUSÕES:
O prefeito afirma que superou a meta estabelecida e na metade do prazo previsto. Diz que gastou 1/10 do que estimava. Mas há uma série de incoerências nos números apresentados (as contas "não fecham"), o emprego dos recursos não foi explicado e, acima de tudo, o verdadeiro benefício para a população não é claro. Centenas de milhares de famílias foram incluídas no Cadastro Único, e...?
Preparei uma serie de perguntas para o e-sic, o Sistema de Informações, e também para a Coordenadora do Observatório de Políticas Sociais - COPS, responsável pela apuração e divulgação dos dados oficiais, para ver se consigo esclarecer as dúvidas.

O prefeito diz: "Foram inseridas 349 mil famílias no Cadastro Único, superando a meta estabelecida de 280 mil".
PROBLEMAS:
1) Desde o início, a definição e justificativa da meta:
Por que "280 mil famílias"? De onde saiu esse número?
Como poderíamos verificar o cumprimento da meta, já que são números grandiosos e pouco palpáveis?
Qual o verdadeiro impacto (eficácia/efetividade) da mera inclusão de famílias no Cadastro?
É correto dizer que se trata de um "novo serviço ou benefício"?
A inclusão atende ao objetivo de "superar a extrema pobreza na cidade de São Paulo, elevando a renda, promovendo a inclusão produtiva e o acesso a serviços públicos para todos"?

O Cadastro Único em si, como se vê, é apenas um grande Banco de Dados, não é sinônimo de recebimento de serviços ou benefícios. A única meta razoável seria: "inclusão de TODAS as famílias que atendem os requisitos para fazerem parte do Cadastro Único". É o mínimo que precisa acontecer: que elas existam oficialmente nos registros oficiais de pobres e miseráveis.
2) O cálculo é "meio" confuso. Compare as seguintes informações, todas elas prestadas pela própria prefeitura:
- "O número de famílias cadastradas em dezembro de 2012 era de 493 mil. Em julho de 2013 este número passou para 709.595, chegando a 922.259 em julho de 2014, data da última atualização do CadÚnico".
Portanto, entre dezembro de 2012 e julho de 2014, o número de famílias cadastradas aumentou em 499 mil, não em 349 mil. Qual número é o certo? Por que há essa diferença de 150 mil famílias entre um cálculo e outro?
- Na página do Observatório Social da SMADS , que dá publicidade aos dados oficiais sobre os programas da Assistência Social, a informação mais recente é a de janeiro de 2013 (!): 520.515 famílias estavam no Cadastro Único.

(Pra complicar ainda mais, o gráfico de janeiro de 2013 foi "elaborado" em "julho de 2014"!)
Combinando as fontes (ambas oficiais), temos a seguinte evolução:

Se considerarmos como ponto de partida os dados de janeiro de 2013 (não os de dezembro, como faz o site do Plano de Metas):
- De janeiro a julho de 2013, entraram 198 mil famílias.
- De julho de 2013 a julho de 2014, entraram 212 mil famílias.
Total: 410 mil famílias inseridas na gestão Haddad.
Também não bate com o acréscimo anunciado.
- O cronograma também tem inconsistências (aka "é uma zona"):
Assim está no portal do Programa de Metas:

Na atualização cadastral de julho de 2013, 137.187 famílias haviam sido incluídas (número que não condiz com nenhum dos cálculos acima).

As duas atualizações realizadas em 2014 registram a entrada de 125.796 famílias (janeiro) e 86,868 famílias (julho).

350 entrevistadores foram contratados em novembro de 2013 para a realização de novos cadastros, quando 137 mil famílias já tinham sido incluídas. No total, 572 pessoas se envolveram diretamente com o cadastramento - apenas para dar uma ideia de volume, embora o trabalho de cada um seja evidentemente diferente, dá uma média de 610 famílias por cadastrador.
3) A distribuição geográfica das inserções deixa algumas dúvidas sobre sua correção.
Também não bate com o acréscimo anunciado.
- O cronograma também tem inconsistências (aka "é uma zona"):
Assim está no portal do Programa de Metas:

Na atualização cadastral de julho de 2013, 137.187 famílias haviam sido incluídas (número que não condiz com nenhum dos cálculos acima).

As duas atualizações realizadas em 2014 registram a entrada de 125.796 famílias (janeiro) e 86,868 famílias (julho).

350 entrevistadores foram contratados em novembro de 2013 para a realização de novos cadastros, quando 137 mil famílias já tinham sido incluídas. No total, 572 pessoas se envolveram diretamente com o cadastramento - apenas para dar uma ideia de volume, embora o trabalho de cada um seja evidentemente diferente, dá uma média de 610 famílias por cadastrador.
3) A distribuição geográfica das inserções deixa algumas dúvidas sobre sua correção.
A prefeitura se comprometeu com "Prioridade para implementação das ações nas Subprefeituras com maior concentração de famílias em situação de extrema pobreza e pobreza". Cidade Tiradentes, por exemplo, região muito pobre da cidade, teve menos inserções no cadastro do que a Lapa. Pode ser que realmente o cadastramento na Lapa estivesse mais defasado; é preciso esclarecer.

Também chama atenção o fato de Parelheiros e Mooca terem tido famílias excluídas do Cadastro, como mostra a tabela acima. Por que?
4) Recursos empregados:

Essa consulta foi feita hoje, 20 de fevereiro de 2015. O custo previsto era de R$ 103 milhões. O valor executado em 2013 foi de R$ 9,4 milhões (é o dado mais recente e ainda está "em atualização"). Ou seja: ou o gasto em 2014 foi de 94 milhões (dez vezes maior que em 2013), ou o orçamento inicial foi absurdamente maior do que o efetivamente realizado. Como foi possível errar tanto?
Também não fica claro como esses nove milhões foram empregados.
CONCLUSÕES:
O prefeito afirma que superou a meta estabelecida e na metade do prazo previsto. Diz que gastou 1/10 do que estimava. Mas há uma série de incoerências nos números apresentados (as contas "não fecham"), o emprego dos recursos não foi explicado e, acima de tudo, o verdadeiro benefício para a população não é claro. Centenas de milhares de famílias foram incluídas no Cadastro Único, e...?
Preparei uma serie de perguntas para o e-sic, o Sistema de Informações, e também para a Coordenadora do Observatório de Políticas Sociais - COPS, responsável pela apuração e divulgação dos dados oficiais, para ver se consigo esclarecer as dúvidas.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Hey/ Haddad/ Vai tomar busão
Estrada da Cachoeira.
Ruas Ilha de Santa Catarina, Ilha de Itapatica, Cristal, Âmbar, Safira Azul, Esmeralda do Brasil.
Sabe onde? Aqui:

No Jardim (Jardim!) Carombé, pegado ao "Jardim" Paulistano:

***
Outras ruas tem nomes que indicam a simpatia antiga dos moradores de lá: Rua do Mutirão, Rua Chico Mendes. Hoje muita gente que já fez campanha apaixonadamente pelo PT - como eu - não pode nem ouvir falar no PT. "Fala pro Haddad vir pedalar aqui/andar de ônibus aqui".
Agora o que já não é bom vai piorar.
***
Em uma reunião com um líder comunitário (que ainda é do PT) e um representante da Cooperfenix, o pessoal de lá foi sumariamente comunicado de que vai haver mudança nas linhas de ônibus. O 8215 e o 8214 (Jardim Paulistano - Correio) não vão mais circular. Os moradores do Paulistano serão atendidos por uma linha circular de lotação e só depois vão poder pegar o ônibus para o centro da cidade.
Como não consigo ser a demagoga que mete o pau em um governo só porque não é o meu, expliquei: "Em princípio, não é uma ideia errada. O certo é não ter ônibus grande entrando no meio das ruas estreitas (já viu como eles ficam "entalados" aqui) e as lotações entrarem nos bairros e levarem as pessoas para fazer baldeação".
Mesmo concordando com isso, eles sabem que não vão fazer "o certo" p. nenhuma. "De madrugada o ônibus já sai LOTADO daqui do ponto final. Como vai caber essa gente toda na lotação? E outra coisa, você acha que vai ser assim, desce da lotação e já entra no ônibus que vai pra cidade? Até parece!! Hoje daqui na Barra Funda dá uns 40 minutos, quanto vai demorar depois?"
***
Sintomaticamente, não tinha ninguém da SPTrans na reunião. Como diz o Carlos Fernandes, quem faz a "política de transporte público" na cidade são as empresas e as cooperativas... Vasculhei o site da SPTrans e também não achei comunicado, notícia, aviso. Talvez tenha um cartaz dentro dos próprios ônibus, como se a informação só interessasse a quem já usa a linha e não precisasse ser amplamente divulgada.
Bateu o desespero nos moradores quando ficaram sabendo que a mudança já acontece NA PRÓXIMA SEGUNDA-FEIRA. Resultado: em uma reunião ontem com dezenas de pessoas, combinaram uma manifestação hoje no fim da tarde lá no Carombé. (A quem interessar, na Ria Rosalvo José da Silva, em frente à padaria).
Como não é na Paulista nem nas quebradas "mais famosas", será que vai aparecer na televisão?
***
Pensa que é só esse o problema? Agora imagina quantas pessoas moram lá e quantos médicos, unidades de saúde, leitos hospitalares e áreas de lazer tem na região? Volto a isso mais tarde.
Ruas Ilha de Santa Catarina, Ilha de Itapatica, Cristal, Âmbar, Safira Azul, Esmeralda do Brasil.
Sabe onde? Aqui:

No Jardim (Jardim!) Carombé, pegado ao "Jardim" Paulistano:

***
Outras ruas tem nomes que indicam a simpatia antiga dos moradores de lá: Rua do Mutirão, Rua Chico Mendes. Hoje muita gente que já fez campanha apaixonadamente pelo PT - como eu - não pode nem ouvir falar no PT. "Fala pro Haddad vir pedalar aqui/andar de ônibus aqui".
Agora o que já não é bom vai piorar.
***
Em uma reunião com um líder comunitário (que ainda é do PT) e um representante da Cooperfenix, o pessoal de lá foi sumariamente comunicado de que vai haver mudança nas linhas de ônibus. O 8215 e o 8214 (Jardim Paulistano - Correio) não vão mais circular. Os moradores do Paulistano serão atendidos por uma linha circular de lotação e só depois vão poder pegar o ônibus para o centro da cidade.
Como não consigo ser a demagoga que mete o pau em um governo só porque não é o meu, expliquei: "Em princípio, não é uma ideia errada. O certo é não ter ônibus grande entrando no meio das ruas estreitas (já viu como eles ficam "entalados" aqui) e as lotações entrarem nos bairros e levarem as pessoas para fazer baldeação".
Mesmo concordando com isso, eles sabem que não vão fazer "o certo" p. nenhuma. "De madrugada o ônibus já sai LOTADO daqui do ponto final. Como vai caber essa gente toda na lotação? E outra coisa, você acha que vai ser assim, desce da lotação e já entra no ônibus que vai pra cidade? Até parece!! Hoje daqui na Barra Funda dá uns 40 minutos, quanto vai demorar depois?"
***
Sintomaticamente, não tinha ninguém da SPTrans na reunião. Como diz o Carlos Fernandes, quem faz a "política de transporte público" na cidade são as empresas e as cooperativas... Vasculhei o site da SPTrans e também não achei comunicado, notícia, aviso. Talvez tenha um cartaz dentro dos próprios ônibus, como se a informação só interessasse a quem já usa a linha e não precisasse ser amplamente divulgada.
Bateu o desespero nos moradores quando ficaram sabendo que a mudança já acontece NA PRÓXIMA SEGUNDA-FEIRA. Resultado: em uma reunião ontem com dezenas de pessoas, combinaram uma manifestação hoje no fim da tarde lá no Carombé. (A quem interessar, na Ria Rosalvo José da Silva, em frente à padaria).
Como não é na Paulista nem nas quebradas "mais famosas", será que vai aparecer na televisão?
***
Pensa que é só esse o problema? Agora imagina quantas pessoas moram lá e quantos médicos, unidades de saúde, leitos hospitalares e áreas de lazer tem na região? Volto a isso mais tarde.
quarta-feira, 28 de maio de 2014
A menina, o nódulo e a mamografia
A menina, o nódulo e a mamografia - capítulo 3
Segunda de manhã, minha caixa de entrada tinha esta mensagem da Ouvidoria da Saúde da prefeitura de São Paulo:

Pouco mais tarde, a mãe da menina recebeu um telefonema da Unidade de Saúde. “A mulher tava brava, viu”? “Explicou” para ela que 17 anos não é mesmo idade para fazer Mamografia, mas que eles iam permitir nesse caso. Agendaram para dia 8 o Ultrassom (não lembro onde seria, acho que no HC) e para o começo de julho a mamografia.
Na sequência, uma jornalista do Diário de São Paulo que soube do caso pelo Face e foi acompanhar de perto (REPÓRTER DE VERDADE é assim – fuça, descobre, se interessa, vai atrás), apareceu na Unidade de Saúde.
De lá foi para a casa da Erika, onde – adivinhe! – presenciou uma nova ligação da Unidade de Saúde, dizendo “A sra pode passar aqui para pegar a guia para o exame? Tá marcado para amanhã as 8h30”.
Quitéria, a mãe, correu para a Unidade de Saúde e me contou depois. “Olha, dez anos que eu me atendo nesse posto, é a primeira vez que vejo a diretora. Só falou me oferecer café. Disse que não precisava ter feito isso tudo, não precisava chegar a esse ponto. Eu falei pra ela “e eu ia fazer o que, aceitar e pagar o exame no laboratório particular”? Aí eles me deram a guia. A Erika ainda falou pra ela: “A gente tem a Soninha, e quem não tem”??”
***
Eu não fiz nada que um qualquer cidadão não possa fazer. Nada. Não liguei pra ninguém pedindo ajuda, postei uma nota no Face e mandei email pra Ouvidoria. Acontece que eu tenho mais seguidores do que outras pessoas, então a chance de um jornalista atento ver é maior. E imagino que quando chega uma mensagem minha à Ouvidoria, ela abala mais do que de uma pessoa com nome desconhecido. A menina minha amiga tem toda razão.
Da próxima vez, vou tentar mandar mensagem com outro nome para a Ouvidoria para ver se funciona :-(
***
Vou refazer contato com a Ouvidoria e persistir na queixa.
1) COMO ASSIM tem idade mínima para fazer uma mamografia que não é “preventiva”, é de diagnóstico de um nódulo encontrado? Afinal, foi a primeira resposta que a Quitéria recebeu, antes de a jornalista aparecer por lá. Ela NÃO QUER ser exceção. Segundo o próprio Ministério da Saúde, NÃO TEM MESMO idade mínima para esse caso!
(Blog da Saúde, oficial do Ministério)
Se não fosse assim, o médico da UBS (“o cubano”, como elas disseram) tinha de ser instruído para nem pedir... (ESPERO QUE NÃO FAÇAM ISSO! Não digam aos médicos que eles não podem fazê-lo)
2) Não recebemos nenhuma resposta por escrito, como demandava o email da Ouvidoria.
3) E os prazos? Continuam aquela coisa... Sem a queixa, seriam semanas de espera pelo exame, outras tantas pelo resultado.
4) Geo-referenciamento, oi? Elas moram na Brasilandia. O exame foi agendado no Jaçanã. Se a gente não arruma dinheiro pra condução, elas não conseguem chegar lá.
5) Informaram que o resultado do exame sai daqui a 15 dias e aí ela ia ter de marcar o retorno à UBS. Depois de constatar o tamanho do nódulo, a técnica que fez o exame disse que ia tentar pedir para a médica “passar na frente”.
***
PS: parei de “esconder” o nome da menina porque, se havia algum receio de perseguição, já era... As queixas da Ouvidoria da Saúde são SEMPRE encaminhadas para a unidade com nome, endereço e telefone de quem fez a reclamação. Eu uma vez protestei contra uma consulta na Ginecologista desmarcada na última hora (na verdade, só fiquei sabendo quando cheguei lá para ser atendida...) porque, segundo a funcionária, “a médica não vem de quarta-feira” ou qualquer coisa assim.
Não era um caso particular, era algo que afetava todas as usuárias. Mas lá estava meu nome e telefone, e uma funcionária também me ligou “muito brava” para “explicar” que a ginecologista também trabalha em outro lugar. E imaginem vocês a frieza gélida com que fui recebida quando finalmente chegou o dia da minha consulta... E se não fosse comigo e sim com uma Erika qualquer, aposto que seria ainda pior.
Segunda de manhã, minha caixa de entrada tinha esta mensagem da Ouvidoria da Saúde da prefeitura de São Paulo:

Pouco mais tarde, a mãe da menina recebeu um telefonema da Unidade de Saúde. “A mulher tava brava, viu”? “Explicou” para ela que 17 anos não é mesmo idade para fazer Mamografia, mas que eles iam permitir nesse caso. Agendaram para dia 8 o Ultrassom (não lembro onde seria, acho que no HC) e para o começo de julho a mamografia.
Na sequência, uma jornalista do Diário de São Paulo que soube do caso pelo Face e foi acompanhar de perto (REPÓRTER DE VERDADE é assim – fuça, descobre, se interessa, vai atrás), apareceu na Unidade de Saúde.
De lá foi para a casa da Erika, onde – adivinhe! – presenciou uma nova ligação da Unidade de Saúde, dizendo “A sra pode passar aqui para pegar a guia para o exame? Tá marcado para amanhã as 8h30”.
Quitéria, a mãe, correu para a Unidade de Saúde e me contou depois. “Olha, dez anos que eu me atendo nesse posto, é a primeira vez que vejo a diretora. Só falou me oferecer café. Disse que não precisava ter feito isso tudo, não precisava chegar a esse ponto. Eu falei pra ela “e eu ia fazer o que, aceitar e pagar o exame no laboratório particular”? Aí eles me deram a guia. A Erika ainda falou pra ela: “A gente tem a Soninha, e quem não tem”??”
***
Eu não fiz nada que um qualquer cidadão não possa fazer. Nada. Não liguei pra ninguém pedindo ajuda, postei uma nota no Face e mandei email pra Ouvidoria. Acontece que eu tenho mais seguidores do que outras pessoas, então a chance de um jornalista atento ver é maior. E imagino que quando chega uma mensagem minha à Ouvidoria, ela abala mais do que de uma pessoa com nome desconhecido. A menina minha amiga tem toda razão.
Da próxima vez, vou tentar mandar mensagem com outro nome para a Ouvidoria para ver se funciona :-(
***
Vou refazer contato com a Ouvidoria e persistir na queixa.
1) COMO ASSIM tem idade mínima para fazer uma mamografia que não é “preventiva”, é de diagnóstico de um nódulo encontrado? Afinal, foi a primeira resposta que a Quitéria recebeu, antes de a jornalista aparecer por lá. Ela NÃO QUER ser exceção. Segundo o próprio Ministério da Saúde, NÃO TEM MESMO idade mínima para esse caso!
(Blog da Saúde, oficial do Ministério)
Se não fosse assim, o médico da UBS (“o cubano”, como elas disseram) tinha de ser instruído para nem pedir... (ESPERO QUE NÃO FAÇAM ISSO! Não digam aos médicos que eles não podem fazê-lo)
2) Não recebemos nenhuma resposta por escrito, como demandava o email da Ouvidoria.
3) E os prazos? Continuam aquela coisa... Sem a queixa, seriam semanas de espera pelo exame, outras tantas pelo resultado.
4) Geo-referenciamento, oi? Elas moram na Brasilandia. O exame foi agendado no Jaçanã. Se a gente não arruma dinheiro pra condução, elas não conseguem chegar lá.
5) Informaram que o resultado do exame sai daqui a 15 dias e aí ela ia ter de marcar o retorno à UBS. Depois de constatar o tamanho do nódulo, a técnica que fez o exame disse que ia tentar pedir para a médica “passar na frente”.
***
PS: parei de “esconder” o nome da menina porque, se havia algum receio de perseguição, já era... As queixas da Ouvidoria da Saúde são SEMPRE encaminhadas para a unidade com nome, endereço e telefone de quem fez a reclamação. Eu uma vez protestei contra uma consulta na Ginecologista desmarcada na última hora (na verdade, só fiquei sabendo quando cheguei lá para ser atendida...) porque, segundo a funcionária, “a médica não vem de quarta-feira” ou qualquer coisa assim.
Não era um caso particular, era algo que afetava todas as usuárias. Mas lá estava meu nome e telefone, e uma funcionária também me ligou “muito brava” para “explicar” que a ginecologista também trabalha em outro lugar. E imaginem vocês a frieza gélida com que fui recebida quando finalmente chegou o dia da minha consulta... E se não fosse comigo e sim com uma Erika qualquer, aposto que seria ainda pior.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Coisas muito loucas dessa greve
- A Globo está fazendo cobertura especial ao vivo ao longo de toda programação. Como se tivesse um fato novo a cada cinco minutos. Até a novela ficou mais curta ontem (coisa que só acontece em caso de morte de gente “importante” e olhe lá).
- Nunca se ouviu tanto a população na TV para mostrar o óbvio - que a primeira, segunda e a centésima milésima vítima de uma paralisação de setor essencial é quem usa o serviço. Centenas de depoimentos “andei três horas, perdi o trabalho, perdi a consulta”. Como se não fosse assim em TODA greve, em que normalmente pegam um ou dois depoimentos e pronto.
- Nunca as autoridades reagiram tão prontamente em uníssono: “É SABOTAGEM! É GUERRILHA”! Até o prefeito, normalmente desaparecido, CONVOCOU UMA COLETIVA. Foi severo, condenou o movimento, “não se pode prejudicar a população assim, sem avisar”.
- Nunca um promotor do Ministério Público ficou tão irado e veio a público com tanta veemência dizer que “É BADERNA”, é coisa de meia-dúzia, e EXIGIR ação policial para identificar e processar criminalmente os responsáveis. Não foi assim em nenhuma greve de polícias, metroviários, da APEOESP, manifestações de Black Blocs, estudantes universitários ou do MPL. Mesmo quando agrediram, espancaram, destruíram patrimônio público e causaram imenso prejuízo econômico ao comércio e serviços.
(Não aguento, tenho de dar nome ao boi: o Promotor de Habitação e Urbanismo Mauricio Ribeiro Lopes, era IMPLACÁVEL nas suas cobranças à gestão anterior, do outrora inimigo (e hoje aliado) Gilberto Kassab. Exigia o possível, o impossível, o milagroso. Na última reunião com a Secretaria de Habitação antes da posse do Haddad, rasgou a fantasia e esculachou: “Ainda bem que esse governo está terminando”. Esse é o Promotor que NUNCA vi se manifestando sobre atos de vandalismo e violência, bloqueios que impedem o direito de ir-e-vir em estradas, avenidas e marginais. Agora está in-dig-na-do com os abusos e culpa a polícia por não tirar os ônibus da rua e não prender ninguém).
- Manifestação por melhores salários, contra a violência policial, pelo direito à moradia e contra a especulação imobiliária, em protesto contra mais um atropelamento, contra a Copa, contra o capital estrangeiro, a violência contra mulheres e crianças, a corrupção, a impunidade, o técnico do Corinthians: todas acabam ou começam tacando fogo em ônibus. Foram centenas só em 2014. Agora é uma paralisação de ônibus e o máximo que fizeram contra os veículos foi furar pneu.
***
Datafolha soltou uma pesquisa falando que aumentou muito a porcentagem da população que condena as manifestações e dizem que elas mais prejudicam do que beneficiam.
Ponto para os governos e governantes! Bom para a Fifa, os patrocinadores e as emissoras oficiais!
#Valeu Black Blocs, manifestantes abusados, manifestações abusivas! Vocês conseguiram!
- Nunca se ouviu tanto a população na TV para mostrar o óbvio - que a primeira, segunda e a centésima milésima vítima de uma paralisação de setor essencial é quem usa o serviço. Centenas de depoimentos “andei três horas, perdi o trabalho, perdi a consulta”. Como se não fosse assim em TODA greve, em que normalmente pegam um ou dois depoimentos e pronto.
- Nunca as autoridades reagiram tão prontamente em uníssono: “É SABOTAGEM! É GUERRILHA”! Até o prefeito, normalmente desaparecido, CONVOCOU UMA COLETIVA. Foi severo, condenou o movimento, “não se pode prejudicar a população assim, sem avisar”.
- Nunca um promotor do Ministério Público ficou tão irado e veio a público com tanta veemência dizer que “É BADERNA”, é coisa de meia-dúzia, e EXIGIR ação policial para identificar e processar criminalmente os responsáveis. Não foi assim em nenhuma greve de polícias, metroviários, da APEOESP, manifestações de Black Blocs, estudantes universitários ou do MPL. Mesmo quando agrediram, espancaram, destruíram patrimônio público e causaram imenso prejuízo econômico ao comércio e serviços.
(Não aguento, tenho de dar nome ao boi: o Promotor de Habitação e Urbanismo Mauricio Ribeiro Lopes, era IMPLACÁVEL nas suas cobranças à gestão anterior, do outrora inimigo (e hoje aliado) Gilberto Kassab. Exigia o possível, o impossível, o milagroso. Na última reunião com a Secretaria de Habitação antes da posse do Haddad, rasgou a fantasia e esculachou: “Ainda bem que esse governo está terminando”. Esse é o Promotor que NUNCA vi se manifestando sobre atos de vandalismo e violência, bloqueios que impedem o direito de ir-e-vir em estradas, avenidas e marginais. Agora está in-dig-na-do com os abusos e culpa a polícia por não tirar os ônibus da rua e não prender ninguém).
- Manifestação por melhores salários, contra a violência policial, pelo direito à moradia e contra a especulação imobiliária, em protesto contra mais um atropelamento, contra a Copa, contra o capital estrangeiro, a violência contra mulheres e crianças, a corrupção, a impunidade, o técnico do Corinthians: todas acabam ou começam tacando fogo em ônibus. Foram centenas só em 2014. Agora é uma paralisação de ônibus e o máximo que fizeram contra os veículos foi furar pneu.
***
Datafolha soltou uma pesquisa falando que aumentou muito a porcentagem da população que condena as manifestações e dizem que elas mais prejudicam do que beneficiam.
Ponto para os governos e governantes! Bom para a Fifa, os patrocinadores e as emissoras oficiais!
#Valeu Black Blocs, manifestantes abusados, manifestações abusivas! Vocês conseguiram!
Se não combinarem com ele, não vale. (Se combinarem, vale tudo)
“É absurdo prejudicar a população com uma paralisação que não foi informada”, “cujos motivos, juntos ou injustos, são desconhecidos”, “cujas lideranças não se identificam”. (HADDAD, Fernando - entrevista coletiva convocada (!)¹ para falar sobre a paralisação no serviço de ônibus).
Ah, para.
Paralisações não informadas acontecem o tempo todo. Quando as autoridades solicitam (ou exigem) que manifestações sejam avisadas com antecedência, PT acha um absurdo, “e o direito de livre manifestação”?
Os motivos nem sempre são conhecidos... Às vezes, nem mesmo pelos manifestantes. Já foi demonstrado, provado e comprovado que muitos são conduzidos à Paulista em troca de um lanche e um trocado não sabem nem pra que, e os Sindicatos acham “legítimo”.
Os motivos verdadeiros nem sempre são os declarados. “Queremos qualidade na Educação”! Mentira, queremos f. o governo. “Queremos preservar a autonomia universitária”! Mentira, queremos f. o governo. E se tiver que f. a população junto, azar. Ou melhor, tem que f. a população para produzir os resultados esperados!
Qto às lideranças... Ah, as lideranças. “Movimentos sociais independentes” são liderados por assessores parlamentares. Tem despesas pagas (carro de som, faixas, o bendito do lanche) por vereadores e deputados. Trabalhadores, pessoas afetadas por desocupações e participantes de ocupações são manipulados por malandros de todos os tipos. Os que querem constranger o governo e tão nem aí para o benefício ou malefício das pessoas. Os que querem ganhar dinheiro. Os que querem manter seu negócio funcionando nos becos de um fim-de-mundo qualquer.
E quando não há identificação nem lideranças, como os Black Blocs? #Comofaz? Se eles avisarem “vamos sair quebrando tudo”, aí tudo bem?
***
Os líderes do movimento que desmatou uma área grande de preservação ambiental para instalar 8 mil famílias pararam várias vezes a Zona Sul. Manifestações assim são comuns: fecham a avenida, botam fogo em pneu, tacam paus e pedras em quem tentar liberar a passagem, agora tacam fogo em ônibus, viaturas e carros em “dois palito”.
O prefeito não condena.
Não diz que “foi sem avisar, não sabemos os motivos e não identificamos as lideranças”.
Pelo contrário.
Quando pararam o centro da cidade e se instalaram na frente da prefeitura, o prefeito desceu do gabinete, subiu no carro de som e fez um monte de promessas mentirosas e irresponsáveis. Criminosas. “Vão lá pressionar os vereadores a alterar o Plano Diretor que eu libero a área pra vocês”.
***
Eu não conheço a genealogia do Sindicato dos Motoristas (“Fulano é de Sicrano, Beltrano é do inimigo de Sicrano”). Tem gente que sabe direitinho: “João é do Tatto, José é ligado ao PSTU”. Seja lá o que for, CLARO que a briga entre as lideranças sindicais está por trás dessa paralisação. Duh. Mas sei lá qual é a da direção do Sindicato. Será pelego? E a da oposição do Sindicato, é pior ou menos pior?Cer-te-za que uns e outros são uns anjos, que ja-mais abusam de sua força, dinheiro e poder.
Os grevistas aqui dizem que “eles (a direção, insinuando conluio com as empresas e a prefeitura) anteciparam a Assembleia à revelia para aprovar o que eles queriam”. Não vi um cazzo de um jornalista tentar averiguar isso. Fica, pra variar, no “um falou isso, outro falou aquilo”.
***
(Também fiquei sem saber quem era quem na greve dos garis do Rio, que diziam discordar do que o Sindicato tinha negociado em nome deles. Quem era o filho-da-p. da história, o Sindicato ou a dissidência ou o governo ou tudojuntoemisturado)
***
TODA greve de ônibus f. a população. Não avisar piora, mas é impossível não complicar muito a vida de milhões. Se fosse greve convocada pelo Sindicato, o transtorno pra população seria menor? Só seria diferente. Em vez de chegar ao ponto e descobrir que parou, já ia sair de casa duas horas mais cedo sabendo que ia parar...
O problema do Haddad NÃO É o transtorno. Isso ele aceita, até defende, desde que estejam “do seu lado”. O problema é que essa greve é de um serviço público municipal, ou seja, “contra a prefeitura”. DAÍ ele vem dizer que não é justo, não é assim que se faz. Vai falar isso lá pra CUT que eu quero ver.
*****
¹ O espanto com a convocação foi a rapidez com que o sempre sumido Haddad veio a público se manifestar. Mas ele não é louco de ir a campo, dar as caras em público e enfrentar o quebra-queixo, isto é, aquela roda de repórteres de rádio, jornal e TV se acotovelando em volta dele no momento de tensão. Haddad é que nem jogador de futebol, só fala sentado na bancada, na frente de um backdrop, com a entrevista sob controle.
Ah, para.
Paralisações não informadas acontecem o tempo todo. Quando as autoridades solicitam (ou exigem) que manifestações sejam avisadas com antecedência, PT acha um absurdo, “e o direito de livre manifestação”?
Os motivos nem sempre são conhecidos... Às vezes, nem mesmo pelos manifestantes. Já foi demonstrado, provado e comprovado que muitos são conduzidos à Paulista em troca de um lanche e um trocado não sabem nem pra que, e os Sindicatos acham “legítimo”.
Os motivos verdadeiros nem sempre são os declarados. “Queremos qualidade na Educação”! Mentira, queremos f. o governo. “Queremos preservar a autonomia universitária”! Mentira, queremos f. o governo. E se tiver que f. a população junto, azar. Ou melhor, tem que f. a população para produzir os resultados esperados!
Qto às lideranças... Ah, as lideranças. “Movimentos sociais independentes” são liderados por assessores parlamentares. Tem despesas pagas (carro de som, faixas, o bendito do lanche) por vereadores e deputados. Trabalhadores, pessoas afetadas por desocupações e participantes de ocupações são manipulados por malandros de todos os tipos. Os que querem constranger o governo e tão nem aí para o benefício ou malefício das pessoas. Os que querem ganhar dinheiro. Os que querem manter seu negócio funcionando nos becos de um fim-de-mundo qualquer.
E quando não há identificação nem lideranças, como os Black Blocs? #Comofaz? Se eles avisarem “vamos sair quebrando tudo”, aí tudo bem?
***
Os líderes do movimento que desmatou uma área grande de preservação ambiental para instalar 8 mil famílias pararam várias vezes a Zona Sul. Manifestações assim são comuns: fecham a avenida, botam fogo em pneu, tacam paus e pedras em quem tentar liberar a passagem, agora tacam fogo em ônibus, viaturas e carros em “dois palito”.
O prefeito não condena.
Não diz que “foi sem avisar, não sabemos os motivos e não identificamos as lideranças”.
Pelo contrário.
Quando pararam o centro da cidade e se instalaram na frente da prefeitura, o prefeito desceu do gabinete, subiu no carro de som e fez um monte de promessas mentirosas e irresponsáveis. Criminosas. “Vão lá pressionar os vereadores a alterar o Plano Diretor que eu libero a área pra vocês”.
***
Eu não conheço a genealogia do Sindicato dos Motoristas (“Fulano é de Sicrano, Beltrano é do inimigo de Sicrano”). Tem gente que sabe direitinho: “João é do Tatto, José é ligado ao PSTU”. Seja lá o que for, CLARO que a briga entre as lideranças sindicais está por trás dessa paralisação. Duh. Mas sei lá qual é a da direção do Sindicato. Será pelego? E a da oposição do Sindicato, é pior ou menos pior?Cer-te-za que uns e outros são uns anjos, que ja-mais abusam de sua força, dinheiro e poder.
Os grevistas aqui dizem que “eles (a direção, insinuando conluio com as empresas e a prefeitura) anteciparam a Assembleia à revelia para aprovar o que eles queriam”. Não vi um cazzo de um jornalista tentar averiguar isso. Fica, pra variar, no “um falou isso, outro falou aquilo”.
***
(Também fiquei sem saber quem era quem na greve dos garis do Rio, que diziam discordar do que o Sindicato tinha negociado em nome deles. Quem era o filho-da-p. da história, o Sindicato ou a dissidência ou o governo ou tudojuntoemisturado)
***
TODA greve de ônibus f. a população. Não avisar piora, mas é impossível não complicar muito a vida de milhões. Se fosse greve convocada pelo Sindicato, o transtorno pra população seria menor? Só seria diferente. Em vez de chegar ao ponto e descobrir que parou, já ia sair de casa duas horas mais cedo sabendo que ia parar...
O problema do Haddad NÃO É o transtorno. Isso ele aceita, até defende, desde que estejam “do seu lado”. O problema é que essa greve é de um serviço público municipal, ou seja, “contra a prefeitura”. DAÍ ele vem dizer que não é justo, não é assim que se faz. Vai falar isso lá pra CUT que eu quero ver.
*****
¹ O espanto com a convocação foi a rapidez com que o sempre sumido Haddad veio a público se manifestar. Mas ele não é louco de ir a campo, dar as caras em público e enfrentar o quebra-queixo, isto é, aquela roda de repórteres de rádio, jornal e TV se acotovelando em volta dele no momento de tensão. Haddad é que nem jogador de futebol, só fala sentado na bancada, na frente de um backdrop, com a entrevista sob controle.
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quarta-feira, 26 de março de 2014
É mentira. E quando é verdade, é pior.
Meu Deus do Céu, estarrecedora a reunião de declarações demagógicas e irresponsáveis do prefeito e do presidente da Câmara Municipal em resposta à manifestação do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) hoje na cidade.
O prefeito diz que vai revogar o Decreto de Utilidade Pública que previa que a área ocupada "por 8 mil famílias" (não faço ideia se esse número é verdadeiro) seria área de preservação/parque municipal.
Abrir mão de uma área de preservação na Zona Sul já é uma coisa temerária ao extremo e nem preciso dizer por que.
Mas aí ele passa bola para a Câmara: "Os vereadores precisam aprovar a mudança daquela área para ZEIS, Zona Especial de Interesse Social, para revogar o Decreto". Mentira. Revogar o Decreto não depende de mudança na lei. Produzir moradia lá pode depender desse zoneamento
(O Decreto do Kassab hoje criticado e prestes a ser revogado pela prefeitura fazia o que tanto cobrávamos: dava efetividade a um zoneamento aprovado no Plano Diretor/ Lei de Uso do Solo aprovado no governo do PT. Mas eles dão a entender "esse Kassab não tinha sensibilidade com os movimentos de moradia, quis fazer um parque ali". Só não usam mais O NOME do Kassab porque ele é um grande aliado da Dilma. Mas vira o genérico "gestão anterior").
Ou seja: ele faz uma promessa muito discutível, ao mesmo tempo em que tira o corpo fora. Assim sai bem na foto com o movimento e na verdade não faz nada.
***
Minha empregada não mora longe da ocupação, que é bem recente. Tanto é que as imagens mostram barracos de madeirite, precaríssimos, construídos há pouco tempo. Os mais pobres, assim que podem, vão construindo barraco de tijolo, batem a laje etc. Se viram - brasileiro é mestre em sevirologia, no que isso tem de bom ou de ruim.
Ela ficou puta com essa história. "ONDE estavam essas 8 mil famílias? Debaixo da ponte é que não estavam. De onde saíram para entrar ali e exigir casa? Eu também quero casa".
Pois é, a ocupação vira um gigantesco "fura-fila" na política habitacional. Não tem casa pronta pra todo mundo, seja com Cohab, CDHU ou Minha Casa, Minha Vida (esse menos ainda, porque depende de parcerias, portanto interesses, do mercado). Tem gente esperando na fila HÁ DEZ ANOS. Tá lá no cadastro. Idoso, com muita dificuldade para sobreviver, morando em área de risco. Conheci muitos. Mas... Não tem vereador amigo para furar a fila, não tem dinheiro para comprar a preferência, não tá em ocupação dos Movimentos.
F*da.
"Tem gente lá", continua minha empregada, "que realmente eu não sei como sobrevive. Tem uma mulher da minha rua que cria quatro filhos sozinha e ela REALMENTE precisa. Mas Sonia, tem gente lá que tem carro, tem o dono de uma pizzaria lá do bairro. Ele tem uma pizzaria e tá lá pedindo casa".
Puta da vida.
***
Aí falam com o José Américo, vereador do PT que preside a Câmara Municipal de São Paulo. Que disse ter prometido ao MTST que "vai votar o Plano Diretor o mais rápido possível"; que em maio já terá sido aprovado.
MEU DEUS.
"O mais rápido possível". Tem PRESSA para aprovar um projeto HIPER complexo.
Na gestão anterior, o PT fez de TUDO para bloquear a votação. Entrou na Justiça. Disse que "como já querem mudar o Plano Diretor se o outro nem foi posto em prática"? Como se Plano Diretor não fosse algo para 10, 20 e 30 anos. Não é coisa que você "faz" e pronto. Precisa ser revisto sim, portanto modificado. Em função das recentes conclusões sobre Mudanças Climáticas e seu efeito na cidade, por exemplo.
Diziam também (tenho transcrição dos discursos) que "o Projeto do Executivo não é só uma revisão, ele muda SUBSTANCIALMENTE o projeto original e não podemos concordar com isso".
Adivinha O QUE o atual projeto faz com o original. Muda MUITO. Eram contra, agora são super a favor e comemoram as grandes mudanças que vão ocorrer, "mudando paradigmas".
Gente, rrrepito, o Plano Diretor em vigor foi enviado e aprovado no governo Marta. O relator foi o Nabil Bonduki. Agora falam em coisas lindas que virão com o novo Plano, sem dizer que se as anteriores eram feias, foram eles que fizeram.
***
Ah, e produzir milhares de moradias lá muito longe na periferia é O CONTRÁRIO do que São Paulo precisa e o prefeito, teoricamente, defendeu na campanha...
***
E tem a história dos "predios altos". Segundo o SPTV, só serão permitidos prédios altos onde houver corredor de ônibus.
Prédio alto, naturalmente, é o que mais interessa às construtoras. Ou "à especulação imobiliária", como o PT sempre diz (e "especulação" é bem diferente da produção imobiliária. Mesmo que esta possa ser bem ruim do meu ponto de vista, especulação é outra coisa).
E, vejam que coincidência, a prefeitura está dizendo que muitas ruas serão agora reservadas para novos corredores. Então vai poder prédio alto em todas elas, duh. Ainda que o corredor fique para as calendas. E se prédio alto tiver garagem com várias vagas por unidade, deusolivre, vai ter um impacto terrível em uma rua onde passa ônibus.
Aí o SP informa que "prédio alto só vai poder ser construído onde já tem predio alto". Ou seja, onde o impacto já f. as ruas, o trânsito, a drenagem etc, vai poder piorar. E o Nabil apareceu defendendo, "em vez de ter prédios altos espalhados pela cidade, vamos concentrá-los". Ai ai ai.
***
Ainda sobre ZEIS: dizer "nesta área só pode construir moradia popular ou habitação social" é medida importante para os terrenos bem localizados não ficarem só pra quem tem muita grana (depois de um bom tempo parados, "especulando", esperando valorizar...). Mas "só pode construir" não é garantia nenhuma de que seja construído... Ou alguém do setor privado se interessa, ou o poder público produz. Senão continuará sendo um terreno ou uma gleba.
***
A matéria sobre esse assunto no site da prefeitura ainda diz: "A Secretaria de Habitação comprometeu-se a analisar, no prazo de 15 dias, a viabilidade de construção de unidades habitacionais em alguns terrenos identificados pelo MTST em diversas regiões da cidade. "Eles conseguem identificar terrenos com maior agilidade, já que conhecem bem a região. onde podem ser construídas moradias. Temos um departamento de planejamento na secretaria que, juntamente com os movimentos, vai trabalhar na elaboração de projetos habitacionais para a comunidade", disse Floriano.
Meu Deus, meu Deus. A prefeitura precisa do MTST para "indicar terrenos", já que eles "conhecem melhor a região". E em quinze dias arrumarão agilidade sabe lá de onde para dar a resposta sobre a viabilidade. Quero ver.
Se dependesse do conhecimento que o Haddad tem da cidade, não sairia mesmo moradia em terreno nenhum. Mas a prefeitura tem de saber onde há areas e não depender do MTST para mostrar onde tem.
***
Acrescentado na quinta-feira as 7h50:
Por coincidência, hoje tem nova manifestação por moradia a caminho do Palácio dos Bandeirantes. Como o governador de São Paulo não vai subir em um carro de som para contar várias mentiras e satisfazer o Movimento com promessas irresponsáveis, fica 1x0 para o prefeito. Ele é o do diálogo; o governo do estado, o da insensibilidade com os movimentos sociais.
O marketing do PT vai comemorar mais uma vitória. Do marketing.
O prefeito diz que vai revogar o Decreto de Utilidade Pública que previa que a área ocupada "por 8 mil famílias" (não faço ideia se esse número é verdadeiro) seria área de preservação/parque municipal.
Abrir mão de uma área de preservação na Zona Sul já é uma coisa temerária ao extremo e nem preciso dizer por que.
Mas aí ele passa bola para a Câmara: "Os vereadores precisam aprovar a mudança daquela área para ZEIS, Zona Especial de Interesse Social, para revogar o Decreto". Mentira. Revogar o Decreto não depende de mudança na lei. Produzir moradia lá pode depender desse zoneamento
(O Decreto do Kassab hoje criticado e prestes a ser revogado pela prefeitura fazia o que tanto cobrávamos: dava efetividade a um zoneamento aprovado no Plano Diretor/ Lei de Uso do Solo aprovado no governo do PT. Mas eles dão a entender "esse Kassab não tinha sensibilidade com os movimentos de moradia, quis fazer um parque ali". Só não usam mais O NOME do Kassab porque ele é um grande aliado da Dilma. Mas vira o genérico "gestão anterior").
Ou seja: ele faz uma promessa muito discutível, ao mesmo tempo em que tira o corpo fora. Assim sai bem na foto com o movimento e na verdade não faz nada.
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Minha empregada não mora longe da ocupação, que é bem recente. Tanto é que as imagens mostram barracos de madeirite, precaríssimos, construídos há pouco tempo. Os mais pobres, assim que podem, vão construindo barraco de tijolo, batem a laje etc. Se viram - brasileiro é mestre em sevirologia, no que isso tem de bom ou de ruim.
Ela ficou puta com essa história. "ONDE estavam essas 8 mil famílias? Debaixo da ponte é que não estavam. De onde saíram para entrar ali e exigir casa? Eu também quero casa".
Pois é, a ocupação vira um gigantesco "fura-fila" na política habitacional. Não tem casa pronta pra todo mundo, seja com Cohab, CDHU ou Minha Casa, Minha Vida (esse menos ainda, porque depende de parcerias, portanto interesses, do mercado). Tem gente esperando na fila HÁ DEZ ANOS. Tá lá no cadastro. Idoso, com muita dificuldade para sobreviver, morando em área de risco. Conheci muitos. Mas... Não tem vereador amigo para furar a fila, não tem dinheiro para comprar a preferência, não tá em ocupação dos Movimentos.
F*da.
"Tem gente lá", continua minha empregada, "que realmente eu não sei como sobrevive. Tem uma mulher da minha rua que cria quatro filhos sozinha e ela REALMENTE precisa. Mas Sonia, tem gente lá que tem carro, tem o dono de uma pizzaria lá do bairro. Ele tem uma pizzaria e tá lá pedindo casa".
Puta da vida.
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Aí falam com o José Américo, vereador do PT que preside a Câmara Municipal de São Paulo. Que disse ter prometido ao MTST que "vai votar o Plano Diretor o mais rápido possível"; que em maio já terá sido aprovado.
MEU DEUS.
"O mais rápido possível". Tem PRESSA para aprovar um projeto HIPER complexo.
Na gestão anterior, o PT fez de TUDO para bloquear a votação. Entrou na Justiça. Disse que "como já querem mudar o Plano Diretor se o outro nem foi posto em prática"? Como se Plano Diretor não fosse algo para 10, 20 e 30 anos. Não é coisa que você "faz" e pronto. Precisa ser revisto sim, portanto modificado. Em função das recentes conclusões sobre Mudanças Climáticas e seu efeito na cidade, por exemplo.
Diziam também (tenho transcrição dos discursos) que "o Projeto do Executivo não é só uma revisão, ele muda SUBSTANCIALMENTE o projeto original e não podemos concordar com isso".
Adivinha O QUE o atual projeto faz com o original. Muda MUITO. Eram contra, agora são super a favor e comemoram as grandes mudanças que vão ocorrer, "mudando paradigmas".
Gente, rrrepito, o Plano Diretor em vigor foi enviado e aprovado no governo Marta. O relator foi o Nabil Bonduki. Agora falam em coisas lindas que virão com o novo Plano, sem dizer que se as anteriores eram feias, foram eles que fizeram.
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Ah, e produzir milhares de moradias lá muito longe na periferia é O CONTRÁRIO do que São Paulo precisa e o prefeito, teoricamente, defendeu na campanha...
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E tem a história dos "predios altos". Segundo o SPTV, só serão permitidos prédios altos onde houver corredor de ônibus.
Prédio alto, naturalmente, é o que mais interessa às construtoras. Ou "à especulação imobiliária", como o PT sempre diz (e "especulação" é bem diferente da produção imobiliária. Mesmo que esta possa ser bem ruim do meu ponto de vista, especulação é outra coisa).
E, vejam que coincidência, a prefeitura está dizendo que muitas ruas serão agora reservadas para novos corredores. Então vai poder prédio alto em todas elas, duh. Ainda que o corredor fique para as calendas. E se prédio alto tiver garagem com várias vagas por unidade, deusolivre, vai ter um impacto terrível em uma rua onde passa ônibus.
Aí o SP informa que "prédio alto só vai poder ser construído onde já tem predio alto". Ou seja, onde o impacto já f. as ruas, o trânsito, a drenagem etc, vai poder piorar. E o Nabil apareceu defendendo, "em vez de ter prédios altos espalhados pela cidade, vamos concentrá-los". Ai ai ai.
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Ainda sobre ZEIS: dizer "nesta área só pode construir moradia popular ou habitação social" é medida importante para os terrenos bem localizados não ficarem só pra quem tem muita grana (depois de um bom tempo parados, "especulando", esperando valorizar...). Mas "só pode construir" não é garantia nenhuma de que seja construído... Ou alguém do setor privado se interessa, ou o poder público produz. Senão continuará sendo um terreno ou uma gleba.
***
A matéria sobre esse assunto no site da prefeitura ainda diz: "A Secretaria de Habitação comprometeu-se a analisar, no prazo de 15 dias, a viabilidade de construção de unidades habitacionais em alguns terrenos identificados pelo MTST em diversas regiões da cidade. "Eles conseguem identificar terrenos com maior agilidade, já que conhecem bem a região. onde podem ser construídas moradias. Temos um departamento de planejamento na secretaria que, juntamente com os movimentos, vai trabalhar na elaboração de projetos habitacionais para a comunidade", disse Floriano.
Meu Deus, meu Deus. A prefeitura precisa do MTST para "indicar terrenos", já que eles "conhecem melhor a região". E em quinze dias arrumarão agilidade sabe lá de onde para dar a resposta sobre a viabilidade. Quero ver.
Se dependesse do conhecimento que o Haddad tem da cidade, não sairia mesmo moradia em terreno nenhum. Mas a prefeitura tem de saber onde há areas e não depender do MTST para mostrar onde tem.
***
Acrescentado na quinta-feira as 7h50:
Por coincidência, hoje tem nova manifestação por moradia a caminho do Palácio dos Bandeirantes. Como o governador de São Paulo não vai subir em um carro de som para contar várias mentiras e satisfazer o Movimento com promessas irresponsáveis, fica 1x0 para o prefeito. Ele é o do diálogo; o governo do estado, o da insensibilidade com os movimentos sociais.
O marketing do PT vai comemorar mais uma vitória. Do marketing.
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quinta-feira, 6 de março de 2014
Conselho Municipal de Trânsito e Transportes - primeiros resultados
Encontrei, depois de muito fuçar (e assunto tão importante deveria estar em destaque) o relatório da Comissão Eleitoral a respeito da votação de 15 de fevereiro.
Uma bandalheira foi corrigida, mas é pouco.
A Comissão CONCORDOU em anular a eleição para os movimentos sociais, acatando os argumentos apresentados por duas das chapas participantes, conforme consta no relatório da reunião:
a) A não distribuição organizada das cédulas para votação, mediante a apresentação da ficha cadastral dos participantes;
b) Interferência de candidatos na destruição das cédulas; [eles quiseram dizer "distribuição"]
c) 10 participantes aproximadamente que não conseguiram se cadastrar, portanto não puderam votar;
d) Diferença entre número de participantes cadastrados e o número de votos apurados, sendo esse ultimo superior.
Não levaram em consideração outras reclamações, como a de que em momento algum foi solicitado RG ou Título de Eleitor para conferência.
***
O resultado da eleição por setor revela as distorções no formato proposto. Vejamos os eleitos em cada setor:
Sindicato de Trabalhadores: Titular - Alexandre Gerolamo de Almeida
Sind. dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Escolar do Município de São Paulo
Suplente - Antônio Soares Vieira Filho
Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo
Obtiveram 87 votos.
Comentário: se por alguma razão o representante dos motoristas de transporte escolar não estiver presente, será substituído por alguém do Sindicato dos Bancários - não porque ele tenha sido o segundo mais votado, o que justificaria tamanha discrepância, mas sim porque foi o suplente apresentado na própria Chapa vencedora.
Diferentemente do que aconteceu em outros setores, o relatório não informa quais eram as outras Chapas inscritas (ou não deixa claro se era Chapa Única).
Movimento Estudantil Secundarista: Titular - Marcos Kaue Ferreira de Queiroz
União Municipal dos Estudantes Secundaristas - UMES
Suplente - Thaisa Maria do Nascimento
União Municipal dos Estudantes Secundaristas - UMES
Eleita com 73 votos.
Movimento Estudantil Universitário: Titular - Carina Vitral Costa
União Estadual dos de São Paulo - UEE
Suplente - Bruno Reis
União Estadual dos* de São Paulo - UEE
[*deve ser "dos estudantes universitários"; copiei exatamente o q diz o relatório]
Eleita com 53 votos.
Comentário: os Movimentos Estudantis foram privilegiados com DUAS cadeiras no Conselho. Havia UMA outra reservada para "Movimentos Sociais" em geral. Poderia ter sido eleito um representante dos estudantes de modo geral, com candidatos não necessariamente participantes de um ou outro movimento organizado. De novo, o relatório da Comissão não deixa claro se houve Chapa Única no caso dos Secundaristas ou se apenas deixou de informar as demais. No caso do Movimento Universitário, ele informa que a segunda colocada foi a Chapa do DCE/USP, com 35 votos.
Juventude: Titular - Greg Manoel
União da Juventude Brasileira - UJB
Suplente - Gabriel de Souza Freitas
União da Juventude Brasileira - UJB
Eleita com 68 votos
Comentário: foi Chapa Única? De novo, não sabemos. Mas aqui, mais uma vez por decisão questionável quanto à reserva de vagas por setor, podia ter sido eleito o representante de um Movimento Estudantil - nada impedia.
Idoso: Titular - Sinésio Gobbo
Movimento em Marcha
Suplente - Daniel Santos
Instituto Brasilidade
Eleita com 21 votos
Comentário: aqui sabemos quais foram as 3 Chapas mais votadas. Em segundo lugar, ficou a do Grande Conselho do Idoso, com 18 votos. Em terceiro, a Rede Butantã, com dois votos. No dia da eleição, ouvi os organizadores presentes dizerem mais de uma vez "as outras foram tranquilas, só na do Idoso teve briga".
Meio Ambiente e Saúde: Titular - Paulo de Tarso W. Frangetto
Conselho Municipal da Saúde
Suplente - Fátima Feitosa
Conselho Municipal da Saúde
Eleito com 8 votos.
Comentário: era o setor para o qual eu teria me inscrito, sendo ecomala como sou. Precisaria ter apresentado uma declaração de "entidade, conselho ou instituto". (Aliás, em todos os casos era necessário o candidato apresentar algum tipo de declaração, exceto em "juventude". Se eles foram dispensados, por que os idosos e pressoas com deficiência não foram, visto que era uma condição bem fácil de atestar?). No fim das contas, o forte Conselho Municipal de Saúde levou e ainda ficou com o segundo lugar! O Conselho JÁ É representante da sociedade civil junto à prefeitura, e ainda foi eleito para esse. Era melhor ter reservado assentos para cada Conselho Municipal existente, ou convidar sempre um representante deles para as reuniões, e deixar a população em geral escolher outro para essa cadeira...
Pessoa com Deficiência: Titular: Gilberto Frachetta
Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência
Suplente: Maria de Fátima da Silva Lima
Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência
Eleita com 17 votos.
Comentário: aqui também um Conselho Municipal que já atua junto à prefeitura, conquista na "eleição geral" assento em outro Conselho. Acaba sendo um tipo de concentração de poderes. Em segundo lugar, ficaram os representantes do Movimento Cidade para todos.
ONGs: Titular - Davi de Souza
Associação de Auxilio Mútuo da Região Leste - APOIO
Suplente - Joselina Martins Pereira
Associação de Auxilio Mútuo da Região Leste - APOIO
Eleita com 95 votos.
Comentário: em segundo lugar ficou a Chapa 3, que representava o Instituto de Ética e comportamento no Trânsito - IECT. Não sei se havia Chapa 2. Presumo que sim, porque a inscrição era feita na hora e não sei por que ela se ausentaria logo depois e ter se inscrito.
Movimentos Sociais: esse foi o setor cuja votação foi anulada. Foram inscritas quatro Chapas - a 1 representava Associação Unificada dos Moradores de Bairros Jardim 7 de Setembro e Almeida Prado I e II; a 2 trazia como titular o representante da Associação de Moradia do Parque Otelo e, como suplente, do Movimento em Marcha (que, como se viu, disputou também a eleição no setor Idoso E VENCEU). A 3 era da Frente de Luta por Moradia - FLM e a 4,da Confederação Nacional das Associações de Moradores. Uma das irregularidades constatadas, sem qualquer possibilidade de contestação, nessa votação foi o fato de ter havido mais votos que eleitores inscritos. Como é evidente que a Chapa 2, que saiu vencedora, foi beneficiada (e os presentes testemunharam o candidato eleito entregando várias cédulas para a mesma pessoa), era justo que fosse IMPEDIDA de participar do novo pleito.
Comentários finais:
- Como demonstração de que a divulgação foi tímida, basta ver o número de votos com que os representantes foram eleitos. Para uma votação aberta a toda população paulistana, o quórum foi ridículo. Mesmo assim, FALTARAM CÉDULAS!
- Houve divergência na divulgação do HORÁRIO da votação.
- Era UM local de votação na cidade toda, e todo o processo aconteceu apenas no sábado de manhã. Sequer foi o dia inteiro
- A urna era uma caixa de papelão; os votos, filipetas sem nenhum controle de autenticidade. E com um problema de "design" que não deixava claro qual campo a preencher com o número do concorrente. Segundo denúncia de candidatos, a decisão sobre anular ou não a filipeta preenchida incorretamente dependia de para quem era o voto.
- No auditório onde foi feita a apuração dos votos dos Movimentos Sociais, não havia nenhuma informação sobre quais eram as Chapas e quem representavam.
- A inscrição dos candidatos era feita NA HORA, portanto não havia nenhuma possibilidade razoável de se informar sobre eles com mais cuidado.
***
Ainda não foi publicado o relatório da Comissão Eleitoral (nem há informação sb a data da reunião - se já aconteceu ou não) a respeito segunda parte da votação, a dos representantes Regionais. Ela também repleta de erros absurdos. A da Zona Oeste, onde votei, tinha de ser anulada pelas razões que vou expor no próximo post.
***
PS: eis a lista das declarações que os candidatos deveriam apresentar para concorrer por um setor:
Meio Ambiente e Saúde: Declaração de entidade, Conselho ou Instituto ["entidade" já bastaria, não?]
Juventude: Grupos de igrejas, Conselhos, Juventude de Partidos Políticos, Movimentos [bastava se auto-declarar? O regimento publicado não diz que não... Os movimentos de juventude, na verdade, se ressentem quando os representantes tem mais de 29 anos, uma das convenções mais aceitas para se considerar o ingresso na idade adulta. Há muitos critérios diferentes. Mas, como se vê, idade não foi critério.
Sindicato: Declaração Sindicato que Representa
ONGs: Declaração da ONG
Ciclistas: Declaração dos Movimentos, Organizações Ligadas a Temática
Pessoa com Deficiência: Declaração de Entidade, Movimento ou Conselhos [ou seja, de acordo com o regimento, não bastaria nem seria indispensável ser uma pessoa com deficiência que fosse atuante e se mobilizasse para conquistar eleitores].
Idoso: Declaração de Entidade, Movimento ou Conselhos [idem acima]
Movimento Estudantil Secundarista: Declaração do Grêmio Estudantil, UMES [ibidem... um "reles" estudante secundarista que seja um batalhador pela causa da mobilidade não poderia concorrer sem uma declaração].
Movimento Estudantil Universitário: Declaração do Centro Acadêmico, DCE, UEE e Atléticas [mesma coisa].
Movimentos Sociais: Declaração dos Movimentos que Representam a Sociedade civil
***
Em breve, vou publicar neste post e no próximo a relação completa dos vídeos que gravei durante as duas votações, a do dia 15 e do dia 22. Em post anterior já inseri alguns deles.
Uma bandalheira foi corrigida, mas é pouco.
A Comissão CONCORDOU em anular a eleição para os movimentos sociais, acatando os argumentos apresentados por duas das chapas participantes, conforme consta no relatório da reunião:
a) A não distribuição organizada das cédulas para votação, mediante a apresentação da ficha cadastral dos participantes;
b) Interferência de candidatos na destruição das cédulas; [eles quiseram dizer "distribuição"]
c) 10 participantes aproximadamente que não conseguiram se cadastrar, portanto não puderam votar;
d) Diferença entre número de participantes cadastrados e o número de votos apurados, sendo esse ultimo superior.
Não levaram em consideração outras reclamações, como a de que em momento algum foi solicitado RG ou Título de Eleitor para conferência.
***
O resultado da eleição por setor revela as distorções no formato proposto. Vejamos os eleitos em cada setor:
Sindicato de Trabalhadores: Titular - Alexandre Gerolamo de Almeida
Sind. dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Escolar do Município de São Paulo
Suplente - Antônio Soares Vieira Filho
Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo
Obtiveram 87 votos.
Comentário: se por alguma razão o representante dos motoristas de transporte escolar não estiver presente, será substituído por alguém do Sindicato dos Bancários - não porque ele tenha sido o segundo mais votado, o que justificaria tamanha discrepância, mas sim porque foi o suplente apresentado na própria Chapa vencedora.
Diferentemente do que aconteceu em outros setores, o relatório não informa quais eram as outras Chapas inscritas (ou não deixa claro se era Chapa Única).
Movimento Estudantil Secundarista: Titular - Marcos Kaue Ferreira de Queiroz
União Municipal dos Estudantes Secundaristas - UMES
Suplente - Thaisa Maria do Nascimento
União Municipal dos Estudantes Secundaristas - UMES
Eleita com 73 votos.
Movimento Estudantil Universitário: Titular - Carina Vitral Costa
União Estadual dos de São Paulo - UEE
Suplente - Bruno Reis
União Estadual dos* de São Paulo - UEE
[*deve ser "dos estudantes universitários"; copiei exatamente o q diz o relatório]
Eleita com 53 votos.
Comentário: os Movimentos Estudantis foram privilegiados com DUAS cadeiras no Conselho. Havia UMA outra reservada para "Movimentos Sociais" em geral. Poderia ter sido eleito um representante dos estudantes de modo geral, com candidatos não necessariamente participantes de um ou outro movimento organizado. De novo, o relatório da Comissão não deixa claro se houve Chapa Única no caso dos Secundaristas ou se apenas deixou de informar as demais. No caso do Movimento Universitário, ele informa que a segunda colocada foi a Chapa do DCE/USP, com 35 votos.
Juventude: Titular - Greg Manoel
União da Juventude Brasileira - UJB
Suplente - Gabriel de Souza Freitas
União da Juventude Brasileira - UJB
Eleita com 68 votos
Comentário: foi Chapa Única? De novo, não sabemos. Mas aqui, mais uma vez por decisão questionável quanto à reserva de vagas por setor, podia ter sido eleito o representante de um Movimento Estudantil - nada impedia.
Idoso: Titular - Sinésio Gobbo
Movimento em Marcha
Suplente - Daniel Santos
Instituto Brasilidade
Eleita com 21 votos
Comentário: aqui sabemos quais foram as 3 Chapas mais votadas. Em segundo lugar, ficou a do Grande Conselho do Idoso, com 18 votos. Em terceiro, a Rede Butantã, com dois votos. No dia da eleição, ouvi os organizadores presentes dizerem mais de uma vez "as outras foram tranquilas, só na do Idoso teve briga".
Meio Ambiente e Saúde: Titular - Paulo de Tarso W. Frangetto
Conselho Municipal da Saúde
Suplente - Fátima Feitosa
Conselho Municipal da Saúde
Eleito com 8 votos.
Comentário: era o setor para o qual eu teria me inscrito, sendo ecomala como sou. Precisaria ter apresentado uma declaração de "entidade, conselho ou instituto". (Aliás, em todos os casos era necessário o candidato apresentar algum tipo de declaração, exceto em "juventude". Se eles foram dispensados, por que os idosos e pressoas com deficiência não foram, visto que era uma condição bem fácil de atestar?). No fim das contas, o forte Conselho Municipal de Saúde levou e ainda ficou com o segundo lugar! O Conselho JÁ É representante da sociedade civil junto à prefeitura, e ainda foi eleito para esse. Era melhor ter reservado assentos para cada Conselho Municipal existente, ou convidar sempre um representante deles para as reuniões, e deixar a população em geral escolher outro para essa cadeira...
Pessoa com Deficiência: Titular: Gilberto Frachetta
Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência
Suplente: Maria de Fátima da Silva Lima
Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência
Eleita com 17 votos.
Comentário: aqui também um Conselho Municipal que já atua junto à prefeitura, conquista na "eleição geral" assento em outro Conselho. Acaba sendo um tipo de concentração de poderes. Em segundo lugar, ficaram os representantes do Movimento Cidade para todos.
ONGs: Titular - Davi de Souza
Associação de Auxilio Mútuo da Região Leste - APOIO
Suplente - Joselina Martins Pereira
Associação de Auxilio Mútuo da Região Leste - APOIO
Eleita com 95 votos.
Comentário: em segundo lugar ficou a Chapa 3, que representava o Instituto de Ética e comportamento no Trânsito - IECT. Não sei se havia Chapa 2. Presumo que sim, porque a inscrição era feita na hora e não sei por que ela se ausentaria logo depois e ter se inscrito.
Movimentos Sociais: esse foi o setor cuja votação foi anulada. Foram inscritas quatro Chapas - a 1 representava Associação Unificada dos Moradores de Bairros Jardim 7 de Setembro e Almeida Prado I e II; a 2 trazia como titular o representante da Associação de Moradia do Parque Otelo e, como suplente, do Movimento em Marcha (que, como se viu, disputou também a eleição no setor Idoso E VENCEU). A 3 era da Frente de Luta por Moradia - FLM e a 4,da Confederação Nacional das Associações de Moradores. Uma das irregularidades constatadas, sem qualquer possibilidade de contestação, nessa votação foi o fato de ter havido mais votos que eleitores inscritos. Como é evidente que a Chapa 2, que saiu vencedora, foi beneficiada (e os presentes testemunharam o candidato eleito entregando várias cédulas para a mesma pessoa), era justo que fosse IMPEDIDA de participar do novo pleito.
Comentários finais:
- Como demonstração de que a divulgação foi tímida, basta ver o número de votos com que os representantes foram eleitos. Para uma votação aberta a toda população paulistana, o quórum foi ridículo. Mesmo assim, FALTARAM CÉDULAS!
- Houve divergência na divulgação do HORÁRIO da votação.
- Era UM local de votação na cidade toda, e todo o processo aconteceu apenas no sábado de manhã. Sequer foi o dia inteiro
- A urna era uma caixa de papelão; os votos, filipetas sem nenhum controle de autenticidade. E com um problema de "design" que não deixava claro qual campo a preencher com o número do concorrente. Segundo denúncia de candidatos, a decisão sobre anular ou não a filipeta preenchida incorretamente dependia de para quem era o voto.
- No auditório onde foi feita a apuração dos votos dos Movimentos Sociais, não havia nenhuma informação sobre quais eram as Chapas e quem representavam.
- A inscrição dos candidatos era feita NA HORA, portanto não havia nenhuma possibilidade razoável de se informar sobre eles com mais cuidado.
***
Ainda não foi publicado o relatório da Comissão Eleitoral (nem há informação sb a data da reunião - se já aconteceu ou não) a respeito segunda parte da votação, a dos representantes Regionais. Ela também repleta de erros absurdos. A da Zona Oeste, onde votei, tinha de ser anulada pelas razões que vou expor no próximo post.
***
PS: eis a lista das declarações que os candidatos deveriam apresentar para concorrer por um setor:
Meio Ambiente e Saúde: Declaração de entidade, Conselho ou Instituto ["entidade" já bastaria, não?]
Juventude: Grupos de igrejas, Conselhos, Juventude de Partidos Políticos, Movimentos [bastava se auto-declarar? O regimento publicado não diz que não... Os movimentos de juventude, na verdade, se ressentem quando os representantes tem mais de 29 anos, uma das convenções mais aceitas para se considerar o ingresso na idade adulta. Há muitos critérios diferentes. Mas, como se vê, idade não foi critério.
Sindicato: Declaração Sindicato que Representa
ONGs: Declaração da ONG
Ciclistas: Declaração dos Movimentos, Organizações Ligadas a Temática
Pessoa com Deficiência: Declaração de Entidade, Movimento ou Conselhos [ou seja, de acordo com o regimento, não bastaria nem seria indispensável ser uma pessoa com deficiência que fosse atuante e se mobilizasse para conquistar eleitores].
Idoso: Declaração de Entidade, Movimento ou Conselhos [idem acima]
Movimento Estudantil Secundarista: Declaração do Grêmio Estudantil, UMES [ibidem... um "reles" estudante secundarista que seja um batalhador pela causa da mobilidade não poderia concorrer sem uma declaração].
Movimento Estudantil Universitário: Declaração do Centro Acadêmico, DCE, UEE e Atléticas [mesma coisa].
Movimentos Sociais: Declaração dos Movimentos que Representam a Sociedade civil
***
Em breve, vou publicar neste post e no próximo a relação completa dos vídeos que gravei durante as duas votações, a do dia 15 e do dia 22. Em post anterior já inseri alguns deles.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Conselho Municipal de Trânsito e Transporte - PROBLEMAS
Semana retrasada, escrevi meus primeiros protestos sobre o processo de escolha do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte. Recapitulando:
- 1/3 do Conselho é composto por representantes de 10 setores. A definição dos setores é bastante discutível:
Movimento Estudantil Secundarista
Movimento Estudantil Universitário
Juventude
ONGs
Sindicatos de Trabalhadores
Movimentos Sociais
Idosos
Pessoas com Deficiência
Ciclistas
Saúde e Meio Ambiente
Como se vê, 6 dos 10 são sobrepostos ou coincidentes (Movimentos/ ONGs/ Sindicatos...).
Jovens tem facilidade para eleger 3 representantes (movimentos estudantis e Juventude); idosos tem direito a apenas 1. Pedestres, motoboys e taxistas não foram lembrados. "Movimentos Sociais" e "Ongs" abrem um campo enorme, indefinido, que não chega a configurar um "setor".
- A divulgação foi muito deficiente. Algumas pessoas viram cartazes nos ônibus; andei bastante de ônibus nas últimas semanas e não vi nenhum - não foram colocados em todos os ônibus. Não é difícil constatar que MILHÕES de pessoas sequer ficaram sabendo.
- A inscrição dos candidatos era feita NA HORA. (Como se informar adequadamente?)
- Cada candidato se inscrevia com seu suplente. (Se em vez disso o suplente fosse o segundo mais votado, a vontade dos eleitores seria mais bem representada, mas a prefeitura optou por "The winner takes it all" - o vencedor leva tudo).
- Cada cidadão precisava escolher o setor em que se sentia representado e tinha o direito a um único voto. Se quisesse participar da eleição do representante de meio ambiente e também dos ciclistas, tinha de optar por um deles.
- A eleição dos setores foi marcada para um único dia, em apenas um local de votação e em meio período. É óbvia a dificuldade de muitas pessoas para comparecer. Quem mora longe, quem trabalha no sábado de manhã...
- Havia divergência nos HORÁRIOS anunciados. Quem fosse, fazendo muito sacrifício, ainda corria o risco de comparecer no horário errado.

A frente do folheto informava: sábado, das 8h30 às 12h00.

Já o verso especificava: início da votação às 10; encerramento às 10h40. (QUARENTA MINUTOS para a votação!)
Enquanto isso, o Regulamento publicado no site da prefeitura dizia que a votação começava às 11h00.

- Não presenciei então não tenho como garantir que é verdade, mas candidatos relataram ter visto pessoas votando em mais de uma sala. Fato é que não havia nenhum controle e é perfeitamente possível que um eleitor tenha votado várias vezes. Como observou um eleitor (e o vídeo 2, abaixo, mostra isso), ninguém solicitou RG ou título de eleitor.
- Para comprovar ter relação com o setor, o candidato precisava apresentar uma declaração de entidade, instituição ou Conselho. Ao mesmo tempo em que isso pode ser complicado para um candidato legítimo (ir atrás do documento), é fácil de burlar por alguém mal intencionado. Um sindicato, por exemplo, que quisesse vencer a eleição em dois setores, poderia produzir declarações "atestando" qualquer coisa ("sim, ela atua na área ambiental")

Um eleitor afirma ter visto "o pessoal de camisa amarela", que disputou e venceu a eleição dos Movimentos Sociais, disputando também por outros setores.
- Em algumas salas, o eleitor votava diante da comissão organizadora, sem direito a sigilo.
- Candidatos apontaram que integrantes de setores que disputavam a eleição (entidades estudantis, por exemplo). também faziam parte da organização. De fato, uma entidade estudantil tem assento na Comissão Eleitoral.

***
Fui para o local de votação disposta a visitar as dez salas e ver seu andamento. Quantos tinham mais de um candidato, quais eram eles. Mas entrei logo no setor "Movimentos Sociais" e não saí mais. Gravei:
Parte 1
Destaques:
1:39 - "Tinha de pegar as filipetas lá fora até as 9h30". Mais uma informação que não condiz com o que foi divulgado. O folheto informava apenas - e no verso - que a votação começaria às 10, cf o folheto; ou às 11h, cf o regulamento.
02:09 - "Põe os candidatos atrás da mesa"! O condutor da eleição postou os candidatos de pé à frente da mesa onde seriam apurados os votos, quando poderiam estar sentados de frente para a plateia. Um eleitor protestou.
02:52 - "É lógico que houve desorganização", admite o mediador.
03:09 - Eleitora explica que faltou cédula (impressa na forma de crachá) e começaram a distribuir filipetas (que seriam colocadas na urna) sem controle. Para alguns, faltou. Mas, segunda ela (e muitos presentes), em outros casos sobrou: aos 4:25 ela conta que candidatos saíram distribuindo aos montes, entregando várias filipetas para a mesma pessoa.
03:25 - Organizador informa que a Comissão Eleitoral tem um prazo para analisar e pode impugnar o resultado
Parte 2
Destaques:
- Aos 2:15, depois de ter dito que a votação estava encerrada, o condutor do processo queria reabrir para duas pessoas. A plateia protestou e ele voltou atrás.
- 5:58: "Só aqui candidato distribui cédula" (umas das maiores queixas dos presentes: depois da falta de cédulas, candidatos ajudaram a distribuir filipetas para quem não tinha votado - e entregavam várias para um mesmo eleitor.
- 6:48 - Eleitor reclama que em nenhum momento pediram para conferir seu título de eleitor e RG. (O item 1.4 do Regulamento exigia a apresentação de documento).
Parte 3
Depois de apurados os votos, foi lida a ata com as críticas dos candidatos (infelizmente, não gravei essa parte) e a organização garantiu que a ata seria avaliada pela Comissão Eleitoral.
(Continua...)
- 1/3 do Conselho é composto por representantes de 10 setores. A definição dos setores é bastante discutível:
Movimento Estudantil Secundarista
Movimento Estudantil Universitário
Juventude
ONGs
Sindicatos de Trabalhadores
Movimentos Sociais
Idosos
Pessoas com Deficiência
Ciclistas
Saúde e Meio Ambiente
Como se vê, 6 dos 10 são sobrepostos ou coincidentes (Movimentos/ ONGs/ Sindicatos...).
Jovens tem facilidade para eleger 3 representantes (movimentos estudantis e Juventude); idosos tem direito a apenas 1. Pedestres, motoboys e taxistas não foram lembrados. "Movimentos Sociais" e "Ongs" abrem um campo enorme, indefinido, que não chega a configurar um "setor".
- A divulgação foi muito deficiente. Algumas pessoas viram cartazes nos ônibus; andei bastante de ônibus nas últimas semanas e não vi nenhum - não foram colocados em todos os ônibus. Não é difícil constatar que MILHÕES de pessoas sequer ficaram sabendo.
- A inscrição dos candidatos era feita NA HORA. (Como se informar adequadamente?)
- Cada candidato se inscrevia com seu suplente. (Se em vez disso o suplente fosse o segundo mais votado, a vontade dos eleitores seria mais bem representada, mas a prefeitura optou por "The winner takes it all" - o vencedor leva tudo).
- Cada cidadão precisava escolher o setor em que se sentia representado e tinha o direito a um único voto. Se quisesse participar da eleição do representante de meio ambiente e também dos ciclistas, tinha de optar por um deles.
- A eleição dos setores foi marcada para um único dia, em apenas um local de votação e em meio período. É óbvia a dificuldade de muitas pessoas para comparecer. Quem mora longe, quem trabalha no sábado de manhã...
- Havia divergência nos HORÁRIOS anunciados. Quem fosse, fazendo muito sacrifício, ainda corria o risco de comparecer no horário errado.

A frente do folheto informava: sábado, das 8h30 às 12h00.

Já o verso especificava: início da votação às 10; encerramento às 10h40. (QUARENTA MINUTOS para a votação!)
Enquanto isso, o Regulamento publicado no site da prefeitura dizia que a votação começava às 11h00.

- Não presenciei então não tenho como garantir que é verdade, mas candidatos relataram ter visto pessoas votando em mais de uma sala. Fato é que não havia nenhum controle e é perfeitamente possível que um eleitor tenha votado várias vezes. Como observou um eleitor (e o vídeo 2, abaixo, mostra isso), ninguém solicitou RG ou título de eleitor.
- Para comprovar ter relação com o setor, o candidato precisava apresentar uma declaração de entidade, instituição ou Conselho. Ao mesmo tempo em que isso pode ser complicado para um candidato legítimo (ir atrás do documento), é fácil de burlar por alguém mal intencionado. Um sindicato, por exemplo, que quisesse vencer a eleição em dois setores, poderia produzir declarações "atestando" qualquer coisa ("sim, ela atua na área ambiental")

Um eleitor afirma ter visto "o pessoal de camisa amarela", que disputou e venceu a eleição dos Movimentos Sociais, disputando também por outros setores.
- Em algumas salas, o eleitor votava diante da comissão organizadora, sem direito a sigilo.
- Candidatos apontaram que integrantes de setores que disputavam a eleição (entidades estudantis, por exemplo). também faziam parte da organização. De fato, uma entidade estudantil tem assento na Comissão Eleitoral.

***
Fui para o local de votação disposta a visitar as dez salas e ver seu andamento. Quantos tinham mais de um candidato, quais eram eles. Mas entrei logo no setor "Movimentos Sociais" e não saí mais. Gravei:
Parte 1
Destaques:
1:39 - "Tinha de pegar as filipetas lá fora até as 9h30". Mais uma informação que não condiz com o que foi divulgado. O folheto informava apenas - e no verso - que a votação começaria às 10, cf o folheto; ou às 11h, cf o regulamento.
02:09 - "Põe os candidatos atrás da mesa"! O condutor da eleição postou os candidatos de pé à frente da mesa onde seriam apurados os votos, quando poderiam estar sentados de frente para a plateia. Um eleitor protestou.
02:52 - "É lógico que houve desorganização", admite o mediador.
03:09 - Eleitora explica que faltou cédula (impressa na forma de crachá) e começaram a distribuir filipetas (que seriam colocadas na urna) sem controle. Para alguns, faltou. Mas, segunda ela (e muitos presentes), em outros casos sobrou: aos 4:25 ela conta que candidatos saíram distribuindo aos montes, entregando várias filipetas para a mesma pessoa.
03:25 - Organizador informa que a Comissão Eleitoral tem um prazo para analisar e pode impugnar o resultado
Parte 2
Destaques:
- Aos 2:15, depois de ter dito que a votação estava encerrada, o condutor do processo queria reabrir para duas pessoas. A plateia protestou e ele voltou atrás.
- 5:58: "Só aqui candidato distribui cédula" (umas das maiores queixas dos presentes: depois da falta de cédulas, candidatos ajudaram a distribuir filipetas para quem não tinha votado - e entregavam várias para um mesmo eleitor.
- 6:48 - Eleitor reclama que em nenhum momento pediram para conferir seu título de eleitor e RG. (O item 1.4 do Regulamento exigia a apresentação de documento).
Parte 3
Depois de apurados os votos, foi lida a ata com as críticas dos candidatos (infelizmente, não gravei essa parte) e a organização garantiu que a ata seria avaliada pela Comissão Eleitoral.
(Continua...)
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Enquanto isso, na General Olimpio da Silveira...
Esse é o nome da rua que fica debaixo do Elevado Costa e Silva. Passei um tempo lá hoje.
Fui visitar meus ammigos, só encontrei o Moisés. Estava dormindo. Com calor e depressão, como esperar algo diferente? E por mil razões é à noite que eles ficam acordados. Porque é quando compram seus, ahn, aditivos. Quando têm insônia (e não é por ter dormido de dia, é por ansiedade e angústia típicas das horas escuras... Eu tenho, você tem, imagine eles). E alguns porque tem medo; a noite é melhor ficar em vigília.
A roda de conhecidos perguntou se eu queria "deixar recado". Não tinha recado, queria só dar um oi. Achei que podia acordá-lo para saber se estava tudo bem sem incomodar muito. Brinquei com eles; "Passou a noite fritando por aí, né?". "Não, ele não é disso não". Mas eu sei que ele usa cocaína... Passa de uma certa hora, começa a dar desespero. Com dez reais ele compra o suficiente para passar. Então teimei: "Conheço...".
Depois de falar com meu amigo, voltei para me penitenciar. Coitado, estava com uma tosse horrorosa e ardendo em febre. Não foi mesmo "pra balada"; disse que mais tarde vai pro Pronto Socorro. "Ontem teve o maior preju", falou grogue de febre e sono. "Que foi"? "O rapa. Três caminhão. Levaram tudo. Panela, comida, o que tinha. Olha aí".
Bem que eu estranhei que só tinha um dormindo em colchão. O resto, no chão duro mesmo, com no máximo um pano ou papelão por cima.
Daqui a pouco eles se refazem... Doação não falta. Lugar em que possam ficar (em modelo diferente dos albergues e suas regras que afugentam, mesmo quando são bons), não tem.
***
Enquanto isso, o Clube de Mães que funciona no Castelinho da Rua Apa e faz um trabalho lindo, diferenciado, pena até pra pagar a conta de luz. Lá tem chuveiro e eles deixam a turma tomar banho... Nem isso eles encontram em outros lugares. E é só umas das coisas para oferecer "cidadania e dignididade", como o prefeito se gaba de fazer.
***
Um quarteirão adiante, uma viatura da polícia estava parada na faixa de ônibus e achei q podia ser algum problema com povo de rua, fui lá ver. Não tinha nenhum morador ali, mas um ônibus parado, só com o motorista, o cobrador, uma mulher e uma criança. "Que foi?", perguntei para um entregador de água que encostou a bicicleta ali pra ver no que ia dar. "Sequestro". "Como assim? Do ônibus??". "De uma criança. Ela berrava que queria a mãe, de longe dava pra ouvir os gritos. E a mulher que tá com ela diz que não tem nenhum contato da família, pra esclarecer que tá tudo bem".
Os passageiros acharam esquisito demais e, não sei bem como, chamaram a polícia e convenceram o motorista a parar ali (não necessariamente nessa ordem). Mais preocupados com a criança do que consigo mesmos, desceram pra pegar outra condução.
Tem horas que parece que esse mundo tem jeito, não parece?
Não vi o desfecho. O moço da bicicleta achou que também tava muito estranho. A criança gritava demais.
***
No ônibus para a Lapa, o cobrador reclamava. "O Janio fez aqueles ônibus de dois andares. Não falou nada na campanha, aí foi lá e fez". (Não deu pra ter certeza se ele achava isso bom ou ruim, mas tive a impressão que ele aprovou). "Aí a Erundina fez o corredor de Pirituba e Perus e ficou faltando "isso aqui" pra terminar. Passou quatro anos e não terminou. Ficou desenterrando cadáver em Perus". (Foram encontrados corpos sem identificação em uma vala comum; tem um curta sobre isso)Entendendo, claro, que OU faz uma coisa, OU faz outra. Não terminou o corredor (vai saber por que) x ficou desenterrando cadáver . Como sempre acontece. "O mundo caindo e você aí, falando de biometria".
***
Conversa seguiu com passageiro reclamando do absurdo que é a prefeitura querer que os cidadãos consertem as calçadas. "Vê lá em Perdizes, que é só pirambeira. Se não tem os degraus, ninguém aguenta subir. Vai fazer como? Aí multa porque não fez".
Vdd. A multa que o Kassab instituiu era cruel, desmedida. Ai o Haddad disse "vou notificar e dar 90 dias pra fazer; só depois aplico a multa". Também não deu em nada. E não vai dar!! Na maioria absolluta dos casos, é impossível o proprietário do imóvel fazer com que sua calçada tenha os padrões de acessibilidade. Porque ela é estreita demais, porque é um aclive medonho e ele não tem condições de resolver sozinho, porque tem poste/orelhão/lixeira/caixa de correio/árvore etc!
O certo é a prefeitura fazer a reforma e cobrar do proprietário a manutenção. Quando à reforma - pode repassar o custo para os proprietários de alguns imóveis (de maiores dimensões, por exemplo, como hipermercados e grandes condomínios residenciais), que já seriam beneficiados pelo fato de não ter de arcar com toda a dor-de-cabeça de uma obra, e isentar os imóveis mais modestos.
Vou ter eu que dar um jeito nisso!
***
A verba que o Haddad destinou no orçamento para obras de calçadas em cada Subprefeitura e RIDÍCULA. Não dá pra uma rua inteira.
***
Nada a ver, mas também foi hoje: sabe onde comprar o Guaraná Jesus, aquele que é cor-de-rosa e típico do Maranhão? Na LIberdade, o bairro japonês de São Paulo.
***
Fui confirmar se era mesmo Maranhão, e descobri que ele agora faz parte "do portfolio de produtos da Coca-Cola". Acabou com a minha graça.
Fui visitar meus ammigos, só encontrei o Moisés. Estava dormindo. Com calor e depressão, como esperar algo diferente? E por mil razões é à noite que eles ficam acordados. Porque é quando compram seus, ahn, aditivos. Quando têm insônia (e não é por ter dormido de dia, é por ansiedade e angústia típicas das horas escuras... Eu tenho, você tem, imagine eles). E alguns porque tem medo; a noite é melhor ficar em vigília.
A roda de conhecidos perguntou se eu queria "deixar recado". Não tinha recado, queria só dar um oi. Achei que podia acordá-lo para saber se estava tudo bem sem incomodar muito. Brinquei com eles; "Passou a noite fritando por aí, né?". "Não, ele não é disso não". Mas eu sei que ele usa cocaína... Passa de uma certa hora, começa a dar desespero. Com dez reais ele compra o suficiente para passar. Então teimei: "Conheço...".
Depois de falar com meu amigo, voltei para me penitenciar. Coitado, estava com uma tosse horrorosa e ardendo em febre. Não foi mesmo "pra balada"; disse que mais tarde vai pro Pronto Socorro. "Ontem teve o maior preju", falou grogue de febre e sono. "Que foi"? "O rapa. Três caminhão. Levaram tudo. Panela, comida, o que tinha. Olha aí".
Bem que eu estranhei que só tinha um dormindo em colchão. O resto, no chão duro mesmo, com no máximo um pano ou papelão por cima.
Daqui a pouco eles se refazem... Doação não falta. Lugar em que possam ficar (em modelo diferente dos albergues e suas regras que afugentam, mesmo quando são bons), não tem.
***
Enquanto isso, o Clube de Mães que funciona no Castelinho da Rua Apa e faz um trabalho lindo, diferenciado, pena até pra pagar a conta de luz. Lá tem chuveiro e eles deixam a turma tomar banho... Nem isso eles encontram em outros lugares. E é só umas das coisas para oferecer "cidadania e dignididade", como o prefeito se gaba de fazer.
***
Um quarteirão adiante, uma viatura da polícia estava parada na faixa de ônibus e achei q podia ser algum problema com povo de rua, fui lá ver. Não tinha nenhum morador ali, mas um ônibus parado, só com o motorista, o cobrador, uma mulher e uma criança. "Que foi?", perguntei para um entregador de água que encostou a bicicleta ali pra ver no que ia dar. "Sequestro". "Como assim? Do ônibus??". "De uma criança. Ela berrava que queria a mãe, de longe dava pra ouvir os gritos. E a mulher que tá com ela diz que não tem nenhum contato da família, pra esclarecer que tá tudo bem".
Os passageiros acharam esquisito demais e, não sei bem como, chamaram a polícia e convenceram o motorista a parar ali (não necessariamente nessa ordem). Mais preocupados com a criança do que consigo mesmos, desceram pra pegar outra condução.
Tem horas que parece que esse mundo tem jeito, não parece?
Não vi o desfecho. O moço da bicicleta achou que também tava muito estranho. A criança gritava demais.
***
No ônibus para a Lapa, o cobrador reclamava. "O Janio fez aqueles ônibus de dois andares. Não falou nada na campanha, aí foi lá e fez". (Não deu pra ter certeza se ele achava isso bom ou ruim, mas tive a impressão que ele aprovou). "Aí a Erundina fez o corredor de Pirituba e Perus e ficou faltando "isso aqui" pra terminar. Passou quatro anos e não terminou. Ficou desenterrando cadáver em Perus". (Foram encontrados corpos sem identificação em uma vala comum; tem um curta sobre isso)Entendendo, claro, que OU faz uma coisa, OU faz outra. Não terminou o corredor (vai saber por que) x ficou desenterrando cadáver . Como sempre acontece. "O mundo caindo e você aí, falando de biometria".
***
Conversa seguiu com passageiro reclamando do absurdo que é a prefeitura querer que os cidadãos consertem as calçadas. "Vê lá em Perdizes, que é só pirambeira. Se não tem os degraus, ninguém aguenta subir. Vai fazer como? Aí multa porque não fez".
Vdd. A multa que o Kassab instituiu era cruel, desmedida. Ai o Haddad disse "vou notificar e dar 90 dias pra fazer; só depois aplico a multa". Também não deu em nada. E não vai dar!! Na maioria absolluta dos casos, é impossível o proprietário do imóvel fazer com que sua calçada tenha os padrões de acessibilidade. Porque ela é estreita demais, porque é um aclive medonho e ele não tem condições de resolver sozinho, porque tem poste/orelhão/lixeira/caixa de correio/árvore etc!
O certo é a prefeitura fazer a reforma e cobrar do proprietário a manutenção. Quando à reforma - pode repassar o custo para os proprietários de alguns imóveis (de maiores dimensões, por exemplo, como hipermercados e grandes condomínios residenciais), que já seriam beneficiados pelo fato de não ter de arcar com toda a dor-de-cabeça de uma obra, e isentar os imóveis mais modestos.
Vou ter eu que dar um jeito nisso!
***
A verba que o Haddad destinou no orçamento para obras de calçadas em cada Subprefeitura e RIDÍCULA. Não dá pra uma rua inteira.
***
Nada a ver, mas também foi hoje: sabe onde comprar o Guaraná Jesus, aquele que é cor-de-rosa e típico do Maranhão? Na LIberdade, o bairro japonês de São Paulo.
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Fui confirmar se era mesmo Maranhão, e descobri que ele agora faz parte "do portfolio de produtos da Coca-Cola". Acabou com a minha graça.
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domingo, 8 de dezembro de 2013
Depois a gente reclama que não escutam...
[Publicado originalmente as 9h, editado as 15h00)
Uma das coisas mais irritantes desse mundo é falar e não ser ouvido. É querer falar e não ter como.
Viver numa cidade como São Paulo transforma essa irritação em ódio um sem-número de vezes. "PORRA, como é que ninguém resolve essa merda"? Aí pode ser um miserável de um buraco no meio da rua, uma espera de mais de uma hora por um ônibus, um sistema que cai toda hora, uma calçada coberta de mato e entulho, a falta de um equipamento de lazer, a burocracia INSUPORTÁVEL, a má-vontade, a desonestidade, a burrice.
Ou quando "resolvem" alguma coisa da cabeça sabe lá de quem, alguém gênio que nunca na vida precisou pegar um ônibus mas tem a solução para os pontos.
Não é à toa que os programas em que os repórteres enquadram as autoridades ou BERRAM no ar fazem tanto sucesso.
Pois muito bem. Quando aparece uma oportunidade de sermos OUVIDOS, não podemos desperdiçar. Mesmo que elas sejam imperfeitas. Mesmo que, pior do que isso, sejam meia-boca. Porque só entrando onde der para entrar a gente consegue aumentar esse espaço e torná-lo mais verdadeiro. É assim com audiências públicas (quanto mais vazias, melhor para o governo, que vai dizer "EU FIZ A MINHA PARTE"), debates eleitorais, conselhos.
Hoje tem eleição para os Conselhos Participativos nas Subprefeituras. O processo já começou meio torto, com a prefeitura tentando manipular as regras de modo a aumentar as chances dos candidatos apoiados pelo governo (AH VÁ). Mesmo assim – ou POR ISSO MESMO – quem quer participar PARA VALER tem mais é de ir votar.
É rápido, é fácil, é indolor. O local depende do seu título de eleitor – coloca o número dele aqui e você vai saber. Aí você leva o próprio título ou um documento com foto e pode escolher até cinco candidatos da sua região. Aqui tem a lista completa de candidatos.
Eu voto na Lapa e meu candidato aqui é o Rafael Saragiotto – 81.045. Mas conheço e apoio muita gente em outras Subprefeituras. (continua abaixo)
Esta não é a lista completa, porque esses são só os nomes e o número que eu sei de cor. Mas vou até ali na SubLapa votar e depois eu volto “aqui” e completo.
BORA APROVEITAR OS ESPAÇOS QUE ELES ABREM PRA GENTE FALAR!
***
Uma ZONA a eleição do Conselho Participativo.
Pra começar, as regras do processo eleitoral foram manipuladas de modo a dar mais força a candidatos afinados com o governo(como foi o governo quem o fez, como negar?). Eles descaracterizaram COMPLETAMENTE a ideia de um Conselho Participativo por Distrito.
Imagine que os eleitores podem votar em candidatos de qualquer lugar da cidade. O lugar onde você vota é "georreferenciado", como sempre (eu votei no prédio da SubLapa), mas o candidato não. Na prática, isso significa que eu posso ajudar a eleger conselheiros de Itaquera, M'Boi ou Butantã, sem viver lá. E os conselheiros do Jaguaré podem ser todos eleitos com votos vindos do Morumbi ou Cidade Dutra - nos casos dos partidos grandes, fazer campanha assim é muito fácil, é só mobilizar os filiados - e nenhum voto vindo do próprio Jaguaré. Olha o absurdo.
E se você não souber o número do seu candidato, vai precisar ter muito saco para procurar lá. (Imagine se não souber de nenhum dos cinco em que pretende votar). Tem lá uma pilha com 136 páginas e o nome de todos os candidatos. Em ordem alfabética? Não. Organizados por distrito. Aí pode acontecer perfeitamente de alguém conhecer muito bem um candidato mas não saber se aquela rua onde ele mora é do distrito Barra Funda ou Perdizes (dois dos seis distritos da Sub Lapa). Então, como não tem sequer um índice para facilitar, você tem de folhear tudo até encontrar a Subprefeitura que procura e correr os olhos entre todos os candidatos até chegar ao seu. Se tiver mais gente na fila, já viu. Se tirarem os papéis da ordem, idem. E se você nem tiver certeza se o candidato em que quer votar é da Sub de Pinheiros ou da Lapa, vai ter de ter muita paciência e atenção.
(Aliás, é uma lista igual à que tem na internet - um arquivo pdf que não permite busca por nome. Inacreditável)
Pensa que acabou? Algumas zonas eleitorais foram montadas longe demais dos locais "normais" de votação. Alguém que mora, digamos, na Paulista e normalmente vota no Rodrigues Alves vai ter de ir até a Barra Funda (é um exemplo faz-de-conta porque não lembro de nenhum concreto, mas a relação de distância é parecida).
Bom, como a votação vai até as cinco, vão aqui alguns nomes que eu sugiro para tentar ajudar.
Jair do Amaral, de Pirituba - 74033
Rafael Saragiotto, da Lapa - 81.045
Helena Werneck, da Sé - 82.029
Zeca Pauliceia - 75046
Pádua, da Mooca - 86.015
Professor Alessandro Rossini, da Vila Maria - 80003
Estou na rua, quase sem bateria e não consigo pesquisar mais do que isso, mas se votarem em um, dois ou cinco desses seis, juro que serão votos dignos de confiança. E eu mesma vou ficar no pé para cobrar (sou uma mala)
Valeu.
Uma das coisas mais irritantes desse mundo é falar e não ser ouvido. É querer falar e não ter como.
Viver numa cidade como São Paulo transforma essa irritação em ódio um sem-número de vezes. "PORRA, como é que ninguém resolve essa merda"? Aí pode ser um miserável de um buraco no meio da rua, uma espera de mais de uma hora por um ônibus, um sistema que cai toda hora, uma calçada coberta de mato e entulho, a falta de um equipamento de lazer, a burocracia INSUPORTÁVEL, a má-vontade, a desonestidade, a burrice.
Ou quando "resolvem" alguma coisa da cabeça sabe lá de quem, alguém gênio que nunca na vida precisou pegar um ônibus mas tem a solução para os pontos.
Não é à toa que os programas em que os repórteres enquadram as autoridades ou BERRAM no ar fazem tanto sucesso.
Pois muito bem. Quando aparece uma oportunidade de sermos OUVIDOS, não podemos desperdiçar. Mesmo que elas sejam imperfeitas. Mesmo que, pior do que isso, sejam meia-boca. Porque só entrando onde der para entrar a gente consegue aumentar esse espaço e torná-lo mais verdadeiro. É assim com audiências públicas (quanto mais vazias, melhor para o governo, que vai dizer "EU FIZ A MINHA PARTE"), debates eleitorais, conselhos.
Hoje tem eleição para os Conselhos Participativos nas Subprefeituras. O processo já começou meio torto, com a prefeitura tentando manipular as regras de modo a aumentar as chances dos candidatos apoiados pelo governo (AH VÁ). Mesmo assim – ou POR ISSO MESMO – quem quer participar PARA VALER tem mais é de ir votar.
É rápido, é fácil, é indolor. O local depende do seu título de eleitor – coloca o número dele aqui e você vai saber. Aí você leva o próprio título ou um documento com foto e pode escolher até cinco candidatos da sua região. Aqui tem a lista completa de candidatos.
Eu voto na Lapa e meu candidato aqui é o Rafael Saragiotto – 81.045. Mas conheço e apoio muita gente em outras Subprefeituras. (continua abaixo)
Esta não é a lista completa, porque esses são só os nomes e o número que eu sei de cor. Mas vou até ali na SubLapa votar e depois eu volto “aqui” e completo.
BORA APROVEITAR OS ESPAÇOS QUE ELES ABREM PRA GENTE FALAR!
***
Uma ZONA a eleição do Conselho Participativo.
Pra começar, as regras do processo eleitoral foram manipuladas de modo a dar mais força a candidatos afinados com o governo(como foi o governo quem o fez, como negar?). Eles descaracterizaram COMPLETAMENTE a ideia de um Conselho Participativo por Distrito.
Imagine que os eleitores podem votar em candidatos de qualquer lugar da cidade. O lugar onde você vota é "georreferenciado", como sempre (eu votei no prédio da SubLapa), mas o candidato não. Na prática, isso significa que eu posso ajudar a eleger conselheiros de Itaquera, M'Boi ou Butantã, sem viver lá. E os conselheiros do Jaguaré podem ser todos eleitos com votos vindos do Morumbi ou Cidade Dutra - nos casos dos partidos grandes, fazer campanha assim é muito fácil, é só mobilizar os filiados - e nenhum voto vindo do próprio Jaguaré. Olha o absurdo.
E se você não souber o número do seu candidato, vai precisar ter muito saco para procurar lá. (Imagine se não souber de nenhum dos cinco em que pretende votar). Tem lá uma pilha com 136 páginas e o nome de todos os candidatos. Em ordem alfabética? Não. Organizados por distrito. Aí pode acontecer perfeitamente de alguém conhecer muito bem um candidato mas não saber se aquela rua onde ele mora é do distrito Barra Funda ou Perdizes (dois dos seis distritos da Sub Lapa). Então, como não tem sequer um índice para facilitar, você tem de folhear tudo até encontrar a Subprefeitura que procura e correr os olhos entre todos os candidatos até chegar ao seu. Se tiver mais gente na fila, já viu. Se tirarem os papéis da ordem, idem. E se você nem tiver certeza se o candidato em que quer votar é da Sub de Pinheiros ou da Lapa, vai ter de ter muita paciência e atenção.
(Aliás, é uma lista igual à que tem na internet - um arquivo pdf que não permite busca por nome. Inacreditável)
Pensa que acabou? Algumas zonas eleitorais foram montadas longe demais dos locais "normais" de votação. Alguém que mora, digamos, na Paulista e normalmente vota no Rodrigues Alves vai ter de ir até a Barra Funda (é um exemplo faz-de-conta porque não lembro de nenhum concreto, mas a relação de distância é parecida).
Bom, como a votação vai até as cinco, vão aqui alguns nomes que eu sugiro para tentar ajudar.
Jair do Amaral, de Pirituba - 74033
Rafael Saragiotto, da Lapa - 81.045
Helena Werneck, da Sé - 82.029
Zeca Pauliceia - 75046
Pádua, da Mooca - 86.015
Professor Alessandro Rossini, da Vila Maria - 80003
Estou na rua, quase sem bateria e não consigo pesquisar mais do que isso, mas se votarem em um, dois ou cinco desses seis, juro que serão votos dignos de confiança. E eu mesma vou ficar no pé para cobrar (sou uma mala)
Valeu.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Contra o aumento do IPTU - 2
Vereador do PT condena, na tribuna, aumento do IPTU (veja na transcrição de sessão plenária em que o projeto foi aprovado, pág. 14 e 15)
"Falarei, um pouco, sobre a questão do IPTU.
Tivemos um intenso debate sobre a atualização da Planta Genérica de Valores - PGV. Nesse debate, a maioria do Governo se estabeleceu e aprovou a correção da PGV, o que implicará em um aumento de IPTU, para o conjunto dos proprietários da cidade de São Paulo, de cerca de 650 milhões de reais.
Felizmente, todos os cidadãos de São Paulo estão atentos a esse debate. E sabem quais foram os que, na
campanha, prometeram não aumentar impostos. Agora, a correção da PGV, com o consequente aumento de IPTU, implicará em 650
milhões de reais. Valor esse que será tirado do bolso do contribuinte paulistano, em uma situação muito diferente. Na situação atual, o País cresce; a receita da Prefeitura cresce; o Governo Federal apoia a cidade de São Paulo. Enfim, situação muito diferente daquela ocorrida em 2000, 2001, 2002, quando o País estava estagnado, sob a direção do Sr.
Fernando Henrique Cardoso; quando o Governo Federal não repassava os recursos para a cidade de São Paulo e a arrecadação de São Paulo era, absolutamente, insuficiente.
Chamam-nos de incoerentes. Evidente que, ao longo do tempo, vamos aprendendo, inclusive com o resultado das urnas. E tem de ser nosso grande guia o resultado das urnas. A população de São Paulo disse um “não” ao aumento de impostos; um “não”, inclusive, ao PT, naquele momento [governo Marta], por ter aumentado impostos. Revimos nossa posição, falamos que, naquele momento a conjuntura era muito pior, mas mesmo assim, a população sentiu o peso do aumento dos impostos. É natural que, agora, nos coloquemos contra.
É estranho aqueles que nos chamam de incoerentes. Chegaram até a citar aqui que existia um problema de dupla personalidade, que era um problema de psicanálise. Porém, esquecem-se de olhar para a sua prática. Esquecem-se
de que prometeram, na campanha eleitoral, que não haveria aumento de impostos, mas aumentaram. Isso não é problema de psicanálise, não. É, sim, um problema de Código Penal. Chama-se estelionato eleitoral o que fizeram na cidade de São Paulo".
NOSSA, que audacioso, criticando o próprio governo??
Claro que NÃO, duh. Esse era o Donato, então vereador (2009), hoje Secretário de Governo do Haddad.
Ele dizia que a população não queria aumento de impostos e que tinha aprendido isso nas urnas. Que não faz sentido aumentar imposto na cidade quando o país vai muito bem, "crescendo", e o governo federal não "sacaneia" São Paulo.
Aaaaah, tá.
***
O aumento previsto de receita era, segundo o próprio vereador em 2009, de cerca de R$650 milhões. O Haddad, quando enviou o projeto de lei, estimava um aumento de R$1,3 bi de arrecadação. Justo agora, que o país vai bem e o governo federal apoia São Paulo.
"Falarei, um pouco, sobre a questão do IPTU.
Tivemos um intenso debate sobre a atualização da Planta Genérica de Valores - PGV. Nesse debate, a maioria do Governo se estabeleceu e aprovou a correção da PGV, o que implicará em um aumento de IPTU, para o conjunto dos proprietários da cidade de São Paulo, de cerca de 650 milhões de reais.
Felizmente, todos os cidadãos de São Paulo estão atentos a esse debate. E sabem quais foram os que, na
campanha, prometeram não aumentar impostos. Agora, a correção da PGV, com o consequente aumento de IPTU, implicará em 650
milhões de reais. Valor esse que será tirado do bolso do contribuinte paulistano, em uma situação muito diferente. Na situação atual, o País cresce; a receita da Prefeitura cresce; o Governo Federal apoia a cidade de São Paulo. Enfim, situação muito diferente daquela ocorrida em 2000, 2001, 2002, quando o País estava estagnado, sob a direção do Sr.
Fernando Henrique Cardoso; quando o Governo Federal não repassava os recursos para a cidade de São Paulo e a arrecadação de São Paulo era, absolutamente, insuficiente.
Chamam-nos de incoerentes. Evidente que, ao longo do tempo, vamos aprendendo, inclusive com o resultado das urnas. E tem de ser nosso grande guia o resultado das urnas. A população de São Paulo disse um “não” ao aumento de impostos; um “não”, inclusive, ao PT, naquele momento [governo Marta], por ter aumentado impostos. Revimos nossa posição, falamos que, naquele momento a conjuntura era muito pior, mas mesmo assim, a população sentiu o peso do aumento dos impostos. É natural que, agora, nos coloquemos contra.
É estranho aqueles que nos chamam de incoerentes. Chegaram até a citar aqui que existia um problema de dupla personalidade, que era um problema de psicanálise. Porém, esquecem-se de olhar para a sua prática. Esquecem-se
de que prometeram, na campanha eleitoral, que não haveria aumento de impostos, mas aumentaram. Isso não é problema de psicanálise, não. É, sim, um problema de Código Penal. Chama-se estelionato eleitoral o que fizeram na cidade de São Paulo".
NOSSA, que audacioso, criticando o próprio governo??
Claro que NÃO, duh. Esse era o Donato, então vereador (2009), hoje Secretário de Governo do Haddad.
Ele dizia que a população não queria aumento de impostos e que tinha aprendido isso nas urnas. Que não faz sentido aumentar imposto na cidade quando o país vai muito bem, "crescendo", e o governo federal não "sacaneia" São Paulo.
Aaaaah, tá.
***
O aumento previsto de receita era, segundo o próprio vereador em 2009, de cerca de R$650 milhões. O Haddad, quando enviou o projeto de lei, estimava um aumento de R$1,3 bi de arrecadação. Justo agora, que o país vai bem e o governo federal apoia São Paulo.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Se lá tem jeito, aqui também tem
Destaques, pra mim, da apresentação da Secretária de Transportes de Nova York, Janette Sadik-Khan, na Câmara Municipal:
1) Implantar mudanças em "Real Time" - interferências simples com resultado que vão transformando a cultura de mobilidade e demonstrando concretamente como pode vir a ser na cidade toda.
Dá pra fazer isso com pouco dinheiro e pouco material (até com tinta, floreiras, mobiliário simples).
2) Essas intervenções são feitas de maneira provisória dentro de um PLANO de médio e longo prazo. Metas, etapas, custos, atores. (Aqui se chama qualquer promessa/ lista de boas intenções/ ajuntamento de desejos de "plano").
3) Ela teve de enfrentar muita má-vontade, críticas, campanhas contrarias. O prefeito bancou.
4) Tudo é feito com acompanhamento permanente e levantamento de números de todos os tipos, comparando honestamente os resultados para saber se estão no caminho certo ou não (e não usando os mais bacanas, ligeiramente modificados para melhor, para fazer propaganda).
Alguns desses números mostram, por exemplo, que o numero de usuários e a extensão das viagens de bicicleta aumentou MUITO, mas o numero de acidentes não. Praticamente não se alterou.
O movimento no comercio aumentou MUITO nos locais em que passou a haver mais bicicletas e pedestres.
5) Quando o Bloomberg anunciou o plano de mobilidade com bicicleta, designou uma fatia de orçamento para isso
6) Pedestres não precisam só de calçadas melhores e travessias mais seguram (e precisam MUITO), mas também de SINALIZAÇÃO (defendo tanto isso... Imagina na Copa!). A cidade agora tem totens com mapas de localização para tudo quanto é lado. E as pessoas não precisam só de lugar para andar, mas também para FICAR (isso! Isso!). Então ela encheu a cidade de bancos e, em alguns lugares, de "praças pop-up", construídas rápida e temporariamente em fins-de-semana, por exemplo, com mesas, cadeiras e guarda-sóis.
7) Foi necessário reduzir a velocidade em muitas vias para aumentar a segurança. Se os motoristas amam isso tudo? No final (bem no final) das contas, da certo e todo mundo aprova, mas no começo eles querem esganar a Secretaria. Mas no começo a prefeitura tem de fazer um esforço enorme, criativo e consistente para sinalizar, explicar, convencer e acostumar as pessoas à novidade.
Eis aí a síntese da apresentação... O que me fascina é que ela não é uma urbanista sonhadora sem nenhum compromisso com a exequibilidade - ela FAZ. Não é uma funcionaria pública que usa as dificuldades o tempo todo para justificar seus fracassos - ela ENFRENTA as dificuldades. Ela não chega baixando decreto mas também não passa anos "debatendo democraticamente". E ela não está em uma cidade pequena em um país que não liga muito pra carro. Ela está em NY, USA. E FAZ. Se precisar, vai pessoalmente ao mercado comprar cadeiras de praia para a primeira intervenção na Times Square (ela fez isso - pensa que burocracia só tem aqui?)
Amo. Se lá tem jeito, aqui também tem.
1) Implantar mudanças em "Real Time" - interferências simples com resultado que vão transformando a cultura de mobilidade e demonstrando concretamente como pode vir a ser na cidade toda.
Dá pra fazer isso com pouco dinheiro e pouco material (até com tinta, floreiras, mobiliário simples).
2) Essas intervenções são feitas de maneira provisória dentro de um PLANO de médio e longo prazo. Metas, etapas, custos, atores. (Aqui se chama qualquer promessa/ lista de boas intenções/ ajuntamento de desejos de "plano").
3) Ela teve de enfrentar muita má-vontade, críticas, campanhas contrarias. O prefeito bancou.
4) Tudo é feito com acompanhamento permanente e levantamento de números de todos os tipos, comparando honestamente os resultados para saber se estão no caminho certo ou não (e não usando os mais bacanas, ligeiramente modificados para melhor, para fazer propaganda).
Alguns desses números mostram, por exemplo, que o numero de usuários e a extensão das viagens de bicicleta aumentou MUITO, mas o numero de acidentes não. Praticamente não se alterou.
O movimento no comercio aumentou MUITO nos locais em que passou a haver mais bicicletas e pedestres.
5) Quando o Bloomberg anunciou o plano de mobilidade com bicicleta, designou uma fatia de orçamento para isso
6) Pedestres não precisam só de calçadas melhores e travessias mais seguram (e precisam MUITO), mas também de SINALIZAÇÃO (defendo tanto isso... Imagina na Copa!). A cidade agora tem totens com mapas de localização para tudo quanto é lado. E as pessoas não precisam só de lugar para andar, mas também para FICAR (isso! Isso!). Então ela encheu a cidade de bancos e, em alguns lugares, de "praças pop-up", construídas rápida e temporariamente em fins-de-semana, por exemplo, com mesas, cadeiras e guarda-sóis.
7) Foi necessário reduzir a velocidade em muitas vias para aumentar a segurança. Se os motoristas amam isso tudo? No final (bem no final) das contas, da certo e todo mundo aprova, mas no começo eles querem esganar a Secretaria. Mas no começo a prefeitura tem de fazer um esforço enorme, criativo e consistente para sinalizar, explicar, convencer e acostumar as pessoas à novidade.
Eis aí a síntese da apresentação... O que me fascina é que ela não é uma urbanista sonhadora sem nenhum compromisso com a exequibilidade - ela FAZ. Não é uma funcionaria pública que usa as dificuldades o tempo todo para justificar seus fracassos - ela ENFRENTA as dificuldades. Ela não chega baixando decreto mas também não passa anos "debatendo democraticamente". E ela não está em uma cidade pequena em um país que não liga muito pra carro. Ela está em NY, USA. E FAZ. Se precisar, vai pessoalmente ao mercado comprar cadeiras de praia para a primeira intervenção na Times Square (ela fez isso - pensa que burocracia só tem aqui?)
Amo. Se lá tem jeito, aqui também tem.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Porra, Bombig, tadinho do Haddad? - 1
Título de matéria da Época assinada por Alberto Bombig: "Fernando Haddad, o prefeito no moedor de carne" "Isolado, com popularidade em baixa e às turras com o PT, Haddad vive um dos inícios de administração mais conturbados da história de São Paulo"
O tom da matéria é, de alto abaixo, que Haddad é pobre vítima indefesa das circusntâncias. Inacreditável a compaixão que ele desperta nos e nas jornalistas. Acompanhe.
Com a saída de Gilberto Kassab e a entrada de Fernando Haddad, mudou a decoração do gabinete do prefeito de São Paulo. Saíram os tapetes e cortinas de que Kassab tanto gostava. A alteração valorizou os janelões do Edifício Matarazzo. (...) A vista dos janelões não mudou. Parte deles dá para o início da Avenida 23 de Maio, criada para ser uma via expressa de alta velocidade ligando as zonas Norte e Sul da cidade. São 8 e meia da manhã e, do 7º andar do edifício, a paisagem que se descortina é um brutal congestionamento. De longe, não é possível ver os pontos de ônibus envidraçados e os relógios digitais, marcas da gestão Haddad. De perto, os motoristas, dentro dos carros, podem apreciá-los com vagar, em todos os detalhes, como se estivessem num museu diante da Mona Lisa. São Paulo é ingovernável? Haddad faz uma pausa e suspira desalentado antes de responder: – Eu diria que é uma cidade complexa. Não chega a ser ingovernável, mas é um desafio como poucos.
Haddad “suspira desalentado” diante do desafio de uma cidade como São Paulo... Nunca vi tamanha compaixão por um prefeito...
De terno cinza-chumbo impecável, Haddad iniciava, na terça-feira 3 de setembro, seu 245º dia no comando da cidade, período curto em relação aos mais de 1.200 dias que ainda faltam para ele concluir o mandato. Mas tempo suficiente para conhecer a encrenca que tem pela frente. O que se vê da janela é uma pequena parte, mas uma parte importante. Os paulistanos sempre culpam o prefeito pelo trânsito – e eles têm a impressão de que o trânsito piorou desde que Fernando Haddad instalou as faixas exclusivas para ônibus na 23 de Maio e em outras vias paulistanas.
Os paulistanos "tem a impressão" de que o trânsito piorou?
“Tempo suficiente para CONHECER A ENCRENCA”? Não podia ter estudado durante o último ano no ministério, quando foi ungido pré-candidato por Lula? Ou nos dez meses que antecederam a eleição, quando pode ser dedicar exclusivamente a isso? Nos meses de transição depois de eleito? Durante sua vangloriada passagem pelo governo Marta como Subsecretário de Finanças e Desenvolvimento Econômico??
Em oito meses de governo, ele viu a situação financeira da cidade, caótica desde o dia em que assumiu, se agravar ainda mais.
NÃO, a situação não era “CAÓTICA desde o dia em que assumiu”, as Finanças em São Paulo estavam arrumadinhas, porém NÃO SOBRA DINHEIRO e ele tinha OBRIGAÇÂO DE SABER. O quadro que ele apresentou, surpreso, na reunião de seu Conselhão VIP mostra o que qualquer um minimante interessado na realidade já sabia: parte enorme de nossa receita é consumida com serviço da dívida com a União, folha de pagamento, aposentadorias e pensões e custeio e manutenção dos serviços que já existem. Sobra muito pouco para investimentos. A Marta, quando prefeita, sabia. Eu sabia. Meus assessores na Câmara Municipal sabiam. Haddad NÃO SABIA!
Mas ele prometeu dar dinheiro para o metrô. Prometeu mundos e fundos, contando com “dinheiro do PAC”, que depois descobriu que não poderia contar com ele para obras no Arco do Tietê, por exemplo. Acusou os governo anteriores de não receber dinheiro do governo federal por causa de “picuinhas” e talvez agora, OBRIGADO a saber como as coisas são de verdade, descubra que convênios são penosos de se fazer.
Ele caiu no epicentro de um moedor de políticos chamado prefeitura de São Paulo, que já destruiu – ou, na melhor hipótese, arranhou – as biografias de nomes como Luiza Erundina, Paulo Maluf, Celso Pitta, Marta Suplicy e Kassab. Este último deixou a prefeitura em 31 de dezembro de 2012, reprovado por quase 50% da população. Para não falar em José Serra, que largou a prefeitura no meio do mandato, depois de prometer que não o faria. Mesmo considerando esses antecedentes, o desempenho de Haddad nos primeiros 245 dias de governo é preocupante. Isolado, sem dinheiro e às turras com seu partido, ele é o protagonista de um dos inícios de administração mais conturbados da história de São Paulo.
“Ele CAIU no moedor de políticos”? CAIU? Ele foi candidato! Como é que alguém pode ser candidato desavisado a prefeito de São Paulo? Quanto às frases seguintes... O repórter junta Maluf, Erundina, Pitta, Marta e Kassab NO MESMO balaio. A prefeitura DESTRUIU a biografia de Maluf e Pitta? Arranhou a de Marta, Kassab e Erundina? Ou algum deles foi arrasado também? “Sem falar” em José Serra, claro, que pode ser colocado em patamar abaixo de todos os outros porque “largou” a prefeitura...
Haddad está “isolado”? Por que não pede socorro a Lula, que repetiu a tática de escolher um “não-político” para ser mais fácil empurrar goela abaixo do eleitor? “Não precisa saber quem é, só precisa saber que é indicado por mim”. Qualquer político tem trajetória própria... Aprovação e rejeição... Um tecnocrata não tem.
“Sem dinheiro”? Tanto quanto QUALQUER outro prefeito. Na verdade, não. A receita que Marta deixou para 2005 era de 13 milhões de reais. O “fujão” José Serra conseguiu, com medidas duramente combatidas pela bancada do PT (eu estava lá, eu sei... decidíamos em reunião de bancada tentar impedir o aumento da receita...), aumentar muito o orçamento da cidade. SEM FALAR no calote absurdo que Marta deu no final da gestão. Não pagou equipes de capinação de mato nem a Eletropaulo. Contratos milionários como o do lixo e grupos de teatro contemplados pelo Fomento. Isso sim era o caos.
Alas importantes do PT paulista estão insatisfeitas com a forma como Haddad conduz sua relação com o partido e com o Palácio do Planalto. E ele, por seu lado, coleciona mágoas acumuladas após decepções com dirigentes petistas, com a presidente Dilma Rousseff e muitos dos ministros dela. “Ao longo da história política recente do país, o PT tem funcionado como um porto seguro ou como inferno para suas estrelas”, disse a ÉPOCA um dirigente petista. (...)
“Mágoas”. Por que, por ter acreditado que Dilma cometeria o desatino de dar a São Paulo tratamento privilegiado em relação a outras cidades e estados? Porque prometeu negociar a dívida da cidade com o governo federal como se fosse só uma questão de boa vontade do prefeito; como se TODOS os prefeitos e governadores já não tivessem tentado antes?
Haddad e o PT começaram a trombar já no final do ano passado. Integrantes do partido reclamaram da montagem do secretariado, com muitos nomes oriundos dos gabinetes de Brasília, onde Haddad ocupou o Ministério da Educação nas gestões de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência. O maior foco de descontentamento veio logo depois, quando Haddad nomeou engenheiros e técnicos para a maioria das 31 subprefeituras de São Paulo. As subprefeituras, principalmente nos bairros mais populosos das zonas Leste e Sul, são consideradas uma espécie de filé-mignon da gestão, por causa do contato direto com os eleitores. Os políticos do PT ficaram inconformados em perder esse importante instrumento de luta partidária.
MENTIRA. Os “engenheiros e técnicos” nomeados são mero verniz. Não tem poder político nenhum. Os chefes-de-gabinete e ocupantes de outros cargos-chave são nomeados por vereadores. Não é à toa que Haddad aprovou TUDO que mandou para a Câmara Municipal em velocidade ESTONTEANTE. Abandonado? Às turras?
Insatisfeitos, os dirigentes zonais do PT paulistano pediram uma reunião com Haddad, que se recusava sistematicamente a recebê-los. Lula interferiu e, no final do mês passado, Haddad aceitou conversar com o grupo. Prometeu abrir um canal de diálogo mensal com as “bases” do partido. Essas mesmas “bases” também não aceitam o novo Conselho da Cidade montado por Haddad, repleto de notáveis como o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa e o cantor e compositor Arnaldo Antunes. Para o partido, ao colocar quadros técnicos nas subprefeituras e ao criar uma instância consultiva aberta para toda a sociedade, é como se Haddad quisesse governar mantendo o PT à distância.
“Instância consultiva aberta à toda a sociedade”??????????????? Tá brincando???? Um Conselho VIP, com uma centena de pessoas escolhidas pelo próprio prefeito para se reunir quatro vezes ao ano e “aconselhar” o prefeito? AHAHAHAHAHAHAHA até parece que o partido está preocupado com isso!!!
Um documento da Executiva estadual do partido a que ÉPOCA teve acesso cobra Haddad explicitamente. Depois de citá-lo, o texto diz: “Vamos precisar muito dos companheiros como militantes e lideranças que vão para as ruas de suas cidades e para o Estado mostrando que é possível fazer diferente dos tucanos”.
Sem dizer qual foi a citação, fica fácil dizer que o partido está sendo duro com ele... Cadê a cobrança explícita?? O que o PT diz é o que SEMPRE DISSE: “vamos pra rua detonar os tucanos” no estado.
Ainda não recebera seus líderes, por achar que a reivindicação era injusta. Afinal, o reajuste estava abaixo da inflação acumulada no período, de acordo com o que o próprio Haddad prometera na campanha. Ele também lamentava que o PT não o deixara aumentar as passagens em janeiro, quando vivia a lua de mel dos recém-eleitos. Fez isso a pedido de Dilma, que não queria que o reajuste entrasse no cálculo da inflação.
“Quando vivia a lua-de-mel dos recém-eleitos” PORQUE ainda não havia aumentado as passagens de ônibus! Ela é sempre o fim da lua-de-mel. O boneco de Kassab foi queimado diante da prefeitura e da casa dele em aumentos anteriores.
A cena no Palácio dos Bandeirantes foi, segundo eles, uma maneira de mostrar ao PT e a Dilma que Haddad se sentia injustiçado pelo Planalto e pelo partido.
Coitado!!! Foi SUBMISSO às ordens de Brasília ao não aumentar as passagens e agora se queixa.
Continua a seguir.
O tom da matéria é, de alto abaixo, que Haddad é pobre vítima indefesa das circusntâncias. Inacreditável a compaixão que ele desperta nos e nas jornalistas. Acompanhe.
Com a saída de Gilberto Kassab e a entrada de Fernando Haddad, mudou a decoração do gabinete do prefeito de São Paulo. Saíram os tapetes e cortinas de que Kassab tanto gostava. A alteração valorizou os janelões do Edifício Matarazzo. (...) A vista dos janelões não mudou. Parte deles dá para o início da Avenida 23 de Maio, criada para ser uma via expressa de alta velocidade ligando as zonas Norte e Sul da cidade. São 8 e meia da manhã e, do 7º andar do edifício, a paisagem que se descortina é um brutal congestionamento. De longe, não é possível ver os pontos de ônibus envidraçados e os relógios digitais, marcas da gestão Haddad. De perto, os motoristas, dentro dos carros, podem apreciá-los com vagar, em todos os detalhes, como se estivessem num museu diante da Mona Lisa. São Paulo é ingovernável? Haddad faz uma pausa e suspira desalentado antes de responder: – Eu diria que é uma cidade complexa. Não chega a ser ingovernável, mas é um desafio como poucos.
Haddad “suspira desalentado” diante do desafio de uma cidade como São Paulo... Nunca vi tamanha compaixão por um prefeito...
De terno cinza-chumbo impecável, Haddad iniciava, na terça-feira 3 de setembro, seu 245º dia no comando da cidade, período curto em relação aos mais de 1.200 dias que ainda faltam para ele concluir o mandato. Mas tempo suficiente para conhecer a encrenca que tem pela frente. O que se vê da janela é uma pequena parte, mas uma parte importante. Os paulistanos sempre culpam o prefeito pelo trânsito – e eles têm a impressão de que o trânsito piorou desde que Fernando Haddad instalou as faixas exclusivas para ônibus na 23 de Maio e em outras vias paulistanas.
Os paulistanos "tem a impressão" de que o trânsito piorou?
“Tempo suficiente para CONHECER A ENCRENCA”? Não podia ter estudado durante o último ano no ministério, quando foi ungido pré-candidato por Lula? Ou nos dez meses que antecederam a eleição, quando pode ser dedicar exclusivamente a isso? Nos meses de transição depois de eleito? Durante sua vangloriada passagem pelo governo Marta como Subsecretário de Finanças e Desenvolvimento Econômico??
Em oito meses de governo, ele viu a situação financeira da cidade, caótica desde o dia em que assumiu, se agravar ainda mais.
NÃO, a situação não era “CAÓTICA desde o dia em que assumiu”, as Finanças em São Paulo estavam arrumadinhas, porém NÃO SOBRA DINHEIRO e ele tinha OBRIGAÇÂO DE SABER. O quadro que ele apresentou, surpreso, na reunião de seu Conselhão VIP mostra o que qualquer um minimante interessado na realidade já sabia: parte enorme de nossa receita é consumida com serviço da dívida com a União, folha de pagamento, aposentadorias e pensões e custeio e manutenção dos serviços que já existem. Sobra muito pouco para investimentos. A Marta, quando prefeita, sabia. Eu sabia. Meus assessores na Câmara Municipal sabiam. Haddad NÃO SABIA!
Mas ele prometeu dar dinheiro para o metrô. Prometeu mundos e fundos, contando com “dinheiro do PAC”, que depois descobriu que não poderia contar com ele para obras no Arco do Tietê, por exemplo. Acusou os governo anteriores de não receber dinheiro do governo federal por causa de “picuinhas” e talvez agora, OBRIGADO a saber como as coisas são de verdade, descubra que convênios são penosos de se fazer.
Ele caiu no epicentro de um moedor de políticos chamado prefeitura de São Paulo, que já destruiu – ou, na melhor hipótese, arranhou – as biografias de nomes como Luiza Erundina, Paulo Maluf, Celso Pitta, Marta Suplicy e Kassab. Este último deixou a prefeitura em 31 de dezembro de 2012, reprovado por quase 50% da população. Para não falar em José Serra, que largou a prefeitura no meio do mandato, depois de prometer que não o faria. Mesmo considerando esses antecedentes, o desempenho de Haddad nos primeiros 245 dias de governo é preocupante. Isolado, sem dinheiro e às turras com seu partido, ele é o protagonista de um dos inícios de administração mais conturbados da história de São Paulo.
“Ele CAIU no moedor de políticos”? CAIU? Ele foi candidato! Como é que alguém pode ser candidato desavisado a prefeito de São Paulo? Quanto às frases seguintes... O repórter junta Maluf, Erundina, Pitta, Marta e Kassab NO MESMO balaio. A prefeitura DESTRUIU a biografia de Maluf e Pitta? Arranhou a de Marta, Kassab e Erundina? Ou algum deles foi arrasado também? “Sem falar” em José Serra, claro, que pode ser colocado em patamar abaixo de todos os outros porque “largou” a prefeitura...
Haddad está “isolado”? Por que não pede socorro a Lula, que repetiu a tática de escolher um “não-político” para ser mais fácil empurrar goela abaixo do eleitor? “Não precisa saber quem é, só precisa saber que é indicado por mim”. Qualquer político tem trajetória própria... Aprovação e rejeição... Um tecnocrata não tem.
“Sem dinheiro”? Tanto quanto QUALQUER outro prefeito. Na verdade, não. A receita que Marta deixou para 2005 era de 13 milhões de reais. O “fujão” José Serra conseguiu, com medidas duramente combatidas pela bancada do PT (eu estava lá, eu sei... decidíamos em reunião de bancada tentar impedir o aumento da receita...), aumentar muito o orçamento da cidade. SEM FALAR no calote absurdo que Marta deu no final da gestão. Não pagou equipes de capinação de mato nem a Eletropaulo. Contratos milionários como o do lixo e grupos de teatro contemplados pelo Fomento. Isso sim era o caos.
Alas importantes do PT paulista estão insatisfeitas com a forma como Haddad conduz sua relação com o partido e com o Palácio do Planalto. E ele, por seu lado, coleciona mágoas acumuladas após decepções com dirigentes petistas, com a presidente Dilma Rousseff e muitos dos ministros dela. “Ao longo da história política recente do país, o PT tem funcionado como um porto seguro ou como inferno para suas estrelas”, disse a ÉPOCA um dirigente petista. (...)
“Mágoas”. Por que, por ter acreditado que Dilma cometeria o desatino de dar a São Paulo tratamento privilegiado em relação a outras cidades e estados? Porque prometeu negociar a dívida da cidade com o governo federal como se fosse só uma questão de boa vontade do prefeito; como se TODOS os prefeitos e governadores já não tivessem tentado antes?
Haddad e o PT começaram a trombar já no final do ano passado. Integrantes do partido reclamaram da montagem do secretariado, com muitos nomes oriundos dos gabinetes de Brasília, onde Haddad ocupou o Ministério da Educação nas gestões de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência. O maior foco de descontentamento veio logo depois, quando Haddad nomeou engenheiros e técnicos para a maioria das 31 subprefeituras de São Paulo. As subprefeituras, principalmente nos bairros mais populosos das zonas Leste e Sul, são consideradas uma espécie de filé-mignon da gestão, por causa do contato direto com os eleitores. Os políticos do PT ficaram inconformados em perder esse importante instrumento de luta partidária.
MENTIRA. Os “engenheiros e técnicos” nomeados são mero verniz. Não tem poder político nenhum. Os chefes-de-gabinete e ocupantes de outros cargos-chave são nomeados por vereadores. Não é à toa que Haddad aprovou TUDO que mandou para a Câmara Municipal em velocidade ESTONTEANTE. Abandonado? Às turras?
Insatisfeitos, os dirigentes zonais do PT paulistano pediram uma reunião com Haddad, que se recusava sistematicamente a recebê-los. Lula interferiu e, no final do mês passado, Haddad aceitou conversar com o grupo. Prometeu abrir um canal de diálogo mensal com as “bases” do partido. Essas mesmas “bases” também não aceitam o novo Conselho da Cidade montado por Haddad, repleto de notáveis como o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa e o cantor e compositor Arnaldo Antunes. Para o partido, ao colocar quadros técnicos nas subprefeituras e ao criar uma instância consultiva aberta para toda a sociedade, é como se Haddad quisesse governar mantendo o PT à distância.
“Instância consultiva aberta à toda a sociedade”??????????????? Tá brincando???? Um Conselho VIP, com uma centena de pessoas escolhidas pelo próprio prefeito para se reunir quatro vezes ao ano e “aconselhar” o prefeito? AHAHAHAHAHAHAHA até parece que o partido está preocupado com isso!!!
Um documento da Executiva estadual do partido a que ÉPOCA teve acesso cobra Haddad explicitamente. Depois de citá-lo, o texto diz: “Vamos precisar muito dos companheiros como militantes e lideranças que vão para as ruas de suas cidades e para o Estado mostrando que é possível fazer diferente dos tucanos”.
Sem dizer qual foi a citação, fica fácil dizer que o partido está sendo duro com ele... Cadê a cobrança explícita?? O que o PT diz é o que SEMPRE DISSE: “vamos pra rua detonar os tucanos” no estado.
Ainda não recebera seus líderes, por achar que a reivindicação era injusta. Afinal, o reajuste estava abaixo da inflação acumulada no período, de acordo com o que o próprio Haddad prometera na campanha. Ele também lamentava que o PT não o deixara aumentar as passagens em janeiro, quando vivia a lua de mel dos recém-eleitos. Fez isso a pedido de Dilma, que não queria que o reajuste entrasse no cálculo da inflação.
“Quando vivia a lua-de-mel dos recém-eleitos” PORQUE ainda não havia aumentado as passagens de ônibus! Ela é sempre o fim da lua-de-mel. O boneco de Kassab foi queimado diante da prefeitura e da casa dele em aumentos anteriores.
A cena no Palácio dos Bandeirantes foi, segundo eles, uma maneira de mostrar ao PT e a Dilma que Haddad se sentia injustiçado pelo Planalto e pelo partido.
Coitado!!! Foi SUBMISSO às ordens de Brasília ao não aumentar as passagens e agora se queixa.
Continua a seguir.
Porra, Bombig, tadinho do Haddad? - 2
A “HERANÇA MALDITA”
Além do desgaste político, a redução da passagem deixou para o prefeito de São Paulo uma bomba-relógio, programada para explodir nos próximos anos. Segundo cálculos da prefeitura, só em 2014 serão gastos R$ 2,1 bilhões com subsídios ao transporte público, meio bilhão a mais que o previsto por causa da redução. Fazendo uma projeção para todo o mandato, o valor pode passar de R$ 8 bilhões. Parece pouco, comparando com o orçamento de R$ 42 bilhões, o terceiro maior do país. Mas é muito quando confrontado com a realidade das finanças municipais. Segundo Haddad, é seu maior motivo de preocupação.
Mas o prefeito, enquanto candidato, nunca fez menção aos subsídios que mantém o transporte coletivo... Ao aumentar a tarifa abaixo da inflação, já estava comprometendo mais recursos do Tesouro Municipal. E ainda prometeu o Bilhete Único Mensal, cujo subsídio anual eu calculei em R$400 milhões a mais por ano quando ainda era candidata. Falei desse número com o arrogante Zaratini, um dos autores do “programa de governo” no candidato, e ele desdenhou. “Vamos equacionar”.
Sem falar que Haddad criticou a margem de lucro das empresas concessionárias no contrato vigente. Que foi assinado na gestão Marta!!! E ninguém o questionou quanto a isso!
Ele foi eleito em outubro do ano passado com 56% dos votos válidos contra 44% de seu adversário no segundo turno, o ex-prefeito e ex-governador José Serra, candidato do então prefeito Kassab. Haddad fez, portanto, uma campanha de oposição à gestão anterior. Nada mais óbvio então que, uma vez na prefeitura, ele ocupasse as tribunas, as câmeras e os microfones para denunciar a situação de calamidade que encontrou. Serra, ao assumir a prefeitura em 2005, fez exatamente isso com Marta Suplicy (PT). Mandou os credores da prefeitura organizar uma fila em frente ao Palácio Matarazzo e disse a eles que encontrara uma cidade “quebrada”. Haddad, no entanto, não pôde fazer isso. Kassab agora era aliado estratégico do PT para 2014. Dilma e Lula ordenaram que ele deveria ser poupado de ataques. Haddad nega que tenha sido orientado a poupar Kassab. “Quando assumi o Ministério da Educação, em 2005, fiz exatamente a mesma coisa, não critiquei ninguém. As dimensões da política avançam dessa forma, é pedagógico”, afirma. Sem fustigar abertamente o antecessor, restou a Haddad a opção de pedir socorro financeiro ao Planalto. Ele fez isso diretamente com Dilma, antes mesmo de assumir o cargo.
Ah, então Haddad fez uma campanha “de oposição à gestão anterior” só porque não tinha o apoio explícito de Kassab. Se tivesse, não teria achado tanto defeito??? O partido de Kassab JÁ ERA da base de apoio da Dilma. PT e PSD apoiavam-se reciprocamente em vários lugares. São Paulo foi uma exceção. Hoje Haddad conta feliz com o apoio do PSD na Câmara. E não, ele NÃO ENCONTROU UMA CALAMIDADE, é um ABSURDO dizer isso. A cidade estava quebrada em 2005 e não está quebrada agora.
A principal reivindicação de Haddad é a mudança no índice de correção da dívida com a União, federalizada em 2000, na gestão de Celso Pitta. Naquele ano, o valor da dívida estava em R$ 11,3 bilhões. Transcorridos 13 anos, o município ainda deve R$ 54 bilhões, apesar de já ter pagado R$ 19,5 bilhões. Segundo os assessores de Haddad, a dívida está indexada pelo índice IGP-DI mais juros anuais de 9%. A proposta paulistana é substituir esse índice pela Selic, a taxa básica de juros. Isso reduziria os juros, proporcionaria uma economia de R$ 1 bilhão por ano e aumentaria a capacidade do município de contrair novos empréstimos.
Na semana passada, Haddad se encontrou com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em São Paulo. Reforçou seus pedidos para que o governo atenda a suas reivindicações. Da relação com o Planalto, também depende o subsídio à tarifa do transporte. A proposta de Haddad é que o governo federal municipalize a Cide (imposto embutido no valor cobrado pela gasolina), para custear o setor nos municípios. Assim como no caso da dívida, há muita resistência à ideia. Sem isso, ficará muito difícil para Haddad implementar promessas de campanha, como o Bilhete Único Mensal do transporte, a redução do deficit de vagas nas creches municipais e o Arco do Futuro, projeto de urbanização apresentado na campanha com requintes de computação gráfica.
Ele não prometeu “reduzir o déficit”, prometeu ZERAR. Como se fosse fácil. Como se fosse só querer. Como se pudesse fazer mais de 200 creches, "172 em parceria com o governo federal", em uma gestão. Logo depois do início do governo, a Secretária Leda Paulani se queixou da dificuldade de encontrar terrenos em São Paulo. Não sabiam disso antes???
Outro revés financeiro da prefeitura paulistana veio nos Tribunais. Em março, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional parte da Emenda Constitucional 62, que institui o regime especial para pagamento dos precatórios. Segundo Haddad, isso pode representar gastos superiores a R$ 3 bilhões por ano aos cofres da prefeitura. “As finanças de São Paulo estão numa situação muito difícil. Sempre soube do tamanho do problema, agravado pela redução da tarifa do transporte público e pela decisão do Supremo”, afirma.
Pois é, nada indica que ele “sabia o tamanho do problema”... E o repórter endossa a visão de que ele não tinha como saber, coitado.
(Continua no post abaixo)
Além do desgaste político, a redução da passagem deixou para o prefeito de São Paulo uma bomba-relógio, programada para explodir nos próximos anos. Segundo cálculos da prefeitura, só em 2014 serão gastos R$ 2,1 bilhões com subsídios ao transporte público, meio bilhão a mais que o previsto por causa da redução. Fazendo uma projeção para todo o mandato, o valor pode passar de R$ 8 bilhões. Parece pouco, comparando com o orçamento de R$ 42 bilhões, o terceiro maior do país. Mas é muito quando confrontado com a realidade das finanças municipais. Segundo Haddad, é seu maior motivo de preocupação.
Mas o prefeito, enquanto candidato, nunca fez menção aos subsídios que mantém o transporte coletivo... Ao aumentar a tarifa abaixo da inflação, já estava comprometendo mais recursos do Tesouro Municipal. E ainda prometeu o Bilhete Único Mensal, cujo subsídio anual eu calculei em R$400 milhões a mais por ano quando ainda era candidata. Falei desse número com o arrogante Zaratini, um dos autores do “programa de governo” no candidato, e ele desdenhou. “Vamos equacionar”.
Sem falar que Haddad criticou a margem de lucro das empresas concessionárias no contrato vigente. Que foi assinado na gestão Marta!!! E ninguém o questionou quanto a isso!
Ele foi eleito em outubro do ano passado com 56% dos votos válidos contra 44% de seu adversário no segundo turno, o ex-prefeito e ex-governador José Serra, candidato do então prefeito Kassab. Haddad fez, portanto, uma campanha de oposição à gestão anterior. Nada mais óbvio então que, uma vez na prefeitura, ele ocupasse as tribunas, as câmeras e os microfones para denunciar a situação de calamidade que encontrou. Serra, ao assumir a prefeitura em 2005, fez exatamente isso com Marta Suplicy (PT). Mandou os credores da prefeitura organizar uma fila em frente ao Palácio Matarazzo e disse a eles que encontrara uma cidade “quebrada”. Haddad, no entanto, não pôde fazer isso. Kassab agora era aliado estratégico do PT para 2014. Dilma e Lula ordenaram que ele deveria ser poupado de ataques. Haddad nega que tenha sido orientado a poupar Kassab. “Quando assumi o Ministério da Educação, em 2005, fiz exatamente a mesma coisa, não critiquei ninguém. As dimensões da política avançam dessa forma, é pedagógico”, afirma. Sem fustigar abertamente o antecessor, restou a Haddad a opção de pedir socorro financeiro ao Planalto. Ele fez isso diretamente com Dilma, antes mesmo de assumir o cargo.
Ah, então Haddad fez uma campanha “de oposição à gestão anterior” só porque não tinha o apoio explícito de Kassab. Se tivesse, não teria achado tanto defeito??? O partido de Kassab JÁ ERA da base de apoio da Dilma. PT e PSD apoiavam-se reciprocamente em vários lugares. São Paulo foi uma exceção. Hoje Haddad conta feliz com o apoio do PSD na Câmara. E não, ele NÃO ENCONTROU UMA CALAMIDADE, é um ABSURDO dizer isso. A cidade estava quebrada em 2005 e não está quebrada agora.
A principal reivindicação de Haddad é a mudança no índice de correção da dívida com a União, federalizada em 2000, na gestão de Celso Pitta. Naquele ano, o valor da dívida estava em R$ 11,3 bilhões. Transcorridos 13 anos, o município ainda deve R$ 54 bilhões, apesar de já ter pagado R$ 19,5 bilhões. Segundo os assessores de Haddad, a dívida está indexada pelo índice IGP-DI mais juros anuais de 9%. A proposta paulistana é substituir esse índice pela Selic, a taxa básica de juros. Isso reduziria os juros, proporcionaria uma economia de R$ 1 bilhão por ano e aumentaria a capacidade do município de contrair novos empréstimos.
Na semana passada, Haddad se encontrou com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em São Paulo. Reforçou seus pedidos para que o governo atenda a suas reivindicações. Da relação com o Planalto, também depende o subsídio à tarifa do transporte. A proposta de Haddad é que o governo federal municipalize a Cide (imposto embutido no valor cobrado pela gasolina), para custear o setor nos municípios. Assim como no caso da dívida, há muita resistência à ideia. Sem isso, ficará muito difícil para Haddad implementar promessas de campanha, como o Bilhete Único Mensal do transporte, a redução do deficit de vagas nas creches municipais e o Arco do Futuro, projeto de urbanização apresentado na campanha com requintes de computação gráfica.
Ele não prometeu “reduzir o déficit”, prometeu ZERAR. Como se fosse fácil. Como se fosse só querer. Como se pudesse fazer mais de 200 creches, "172 em parceria com o governo federal", em uma gestão. Logo depois do início do governo, a Secretária Leda Paulani se queixou da dificuldade de encontrar terrenos em São Paulo. Não sabiam disso antes???
Outro revés financeiro da prefeitura paulistana veio nos Tribunais. Em março, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional parte da Emenda Constitucional 62, que institui o regime especial para pagamento dos precatórios. Segundo Haddad, isso pode representar gastos superiores a R$ 3 bilhões por ano aos cofres da prefeitura. “As finanças de São Paulo estão numa situação muito difícil. Sempre soube do tamanho do problema, agravado pela redução da tarifa do transporte público e pela decisão do Supremo”, afirma.
Pois é, nada indica que ele “sabia o tamanho do problema”... E o repórter endossa a visão de que ele não tinha como saber, coitado.
(Continua no post abaixo)
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