Mostrando postagens com marcador Enchente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Enchente. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Enche

Terríveis as enchentes do PMDB (Rio de Janeiro) e do PSB (Belo Horizonte).

***
RIDÍCULO o comentário acima (é meu mesmo). As enchentes sequer são “da prefeitura”, muito menos do partido do prefeito.

Mas os petistas/lulistas passaram os últimos anos falando em enchente demotucana. (Como incluir o PPS - um dos míseros quatro partidos de oposição - comprometeria a sonoridade da sigla, eles me chamam de demotucana também. Não estão aqui para explicar, estão para confundir).

Em um evento na prefeitura em 2009, com a presença do Lula e tudo, houve uma MANIFESTAÇÃO na porta “contra a enchente e inundação”. "Contra" “a enchente”, como se ela  fosse uma decisão da prefeitura. Com tambores e placas, cantavam “Desce Serra, desce até o chão/ [não lembro o que]/ a enchente e inundação”.

Chegaram a dizer que eles (Kassab e Serra, claro, sempre como se fossem a mesma pessoa) estavam deixando o Jardim Pantanal alagado DE PROPÓSITO para expulsar as pessoas dali e atender aos interesses da especulação imobiliária. (O link com a convocação para a manifestação diz isso).

Alguma semelhança com as recentes alegações sobre os incêndios?

***
Havia umas 30 pessoas, no máximo. Todas "simpatizantes da causa", porque morador do Pantanal quase não havia. E neguin' tira um sarro quando protesto tem pouca gente, como se a causa não fosse justa. Quando se tem grupo organizado, como o "Conlutas", já é difícil encher uma praça. Sem isso então...

***
2009 foi um pesadelo climático. Ao longo do ano (inclusive no inverno), durante muitos dias seguidos a notícia era “choveu em duas horas o previsto para o mês inteiro”. Dias SEGUIDOS. Claro que há enchentes. Claro que o rio sai do leito.

Haddad anunciou no primeiro dia de governo o seu plano anti-enchente. Limpeza de bueiros, re-estruturar a Defesa Civil...

Po**a, isso não é plano. Isso é providência imediata, elementar, + o indiscutível meio vago. A Defesa Civil melhorou nos últimos anos - viaturas novas, computadores nas "salas de situação", maior integração com o Centro de Controle de Emergências. Ainda falta MUITO e eu, na Subprefeitura, tinha mais essa razão para querer esganar o prefeito. Espero que eles vejam honestamente o que falta e providenciem.

Quanto a limpar bueiro... CLARO, né? Em alguns lugares, o intervalo entre cada operação de limpeza vai diminuir para 15 dias (segundo o SPTV, era de dois meses. Não sei). Ótimo, isso realmente é uma providência elementar importante. Mas olha... Eles vão ver o inferno que é limpar em um dia e ver tudo sujo outra vez, em intervalo bem menor que duas semanas. Ver o que é recolher dois caminhões de lixo/entulho jogados no lugar errado e NO DIA SEGUINTE já tem uma pilha outra vez. Se nas esquinas da Pompeia é ruim, precisa ver na Brasilândia, na divisa com Osasco...

É deprimente.

Educação, sabe? Falta muito. Mesmo quando outras coisas são mais acessíveis, tipo carro zero e faculdade privada e por isso o governo se jacta de ter feito “inclusão social”, sem educação a gente não aprende a JOGAR LIXO no lugar certo.

Elementar.

[Continua mais tarde]

***
PS1 - Aquela maravilha do PAC tem plano para as enchentes também. Achei, por acaso, o de Belo Horizonte. Só vendo para crer.

PS2 - Em uma materiazinha de menos de dois minutos, a Globo mostrou que, dois anos depois da "maior catástrofe climática da história do país", a da Região Serrana do Rio de Janeiro, continua tudo MUITO parecido com o que restou daquela tragédia. Casas abandonadas, semi-destruídas; pessoas no aguardo de
um lugar novo para morar.

Cinco mil casas populares foram prometidas pelo governo, mas ainda não estão prontas. Algumas estão condenadas, como o da cabeleireira Úrsula Carvalho, e na fila de demolição. Às 19h, os clientes já foram embora e Úrsula também deveria ir para casa, mas não consegue. Há quase dois anos, mora no mesmo local onde trabalha, porque, até hoje, não recebeu o aluguel social.

O governo respondeu que "é difícil achar terrenos" (e olha que o governo do Rio tem um Subsecretário da Reconstrução da Região Serrana!!). Porrra, isso tinha de ser uma reportagem especial, um Globo Repórter, um bloco inteiro do Fantástico. Mas como é no Rio de Cabral...  

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Globo e Transporte Público: Chavão e Preconceito

(Tenho mania de salvar os textos como rascunho para depois reler e editar. Quer saber? Vou publicar assim  mesmo e depois eu corrijo)

A se julgar pela TV Globo, São Paulo tem o pior transporte público do país – e não o MELHOR (apesar de todos os seus problemas!).

Eles sempre, SEMPRE mostram os trens lotados em São Paulo. No Rio, p.ex., e no resto do Brasil, o transporte sobre trilhos vai muito bem, obrigada? #falaserio

“Aqui, na estação Brás, passam diariamente 500 mil pessoas”, diz a repórter da Globo. P*rra, é 1/3 da população de Porto Alegre, em UMA estação!

Se São Paulo fosse o pior lugar do Brasil, por que 40 milhões de brasileiros teriam escolhido viver por aqui? Ainda que alguém diga "não é escolha, é falta de escolha", dá na mesma - por que falta escolha?? Por que neguin' larga suas raízes, sua família, e vem morar neste lugar, com todos os seus problemas?

***
O mesmo acontece quando o assunto é enchente. Quando é em São Paulo, entra na escalada do jornal (aquela chamada para as principais notícias na abertura),  vira matéria principal, tema de debate no estúdio e dedo em riste para os governantes. Agora o Brasil vive mais uma vez o flagelo das enchentes - começou no Rio e foi subindo - e se fala do assunto de passagem. Lá pelo terceiro bloco informam: "15 mil famílias estão desabrigadas em Pernambuco. Não-sei-qtos municípios decretaram estado de calamidade". Acho que os pernambucanos deveriam inclusive reclamar da falta de interesse - um acidente de trânsito em São Paulo ou no Rio tem mais destaque nacional do que a calamidade por lá.

(Enqto isso, o governador de PE fala no horário do PSB sobre o jeito diferente de governar... Hmm, sei)

***
Agora a Carla Vilhena fala do metrô com cara de desgosto, quase nojo – “a demora, o calor, empurra-empurra, um horror, na maior cidade do Brasil”

“O metrô transporta cerca de 3 milhões e 700 mil pessoas por dia”, informa. P*rra, é mais que a população do Uruguai!

***
Inteligentes, os jornalistas chegam sempre à mesma conclusão: “É preciso fazer mais metrô, e rápido!”. Como se fazer metrô – túneis, estações, trens – pudesse ser rápido.

***
Não se fala nunca do EXCESSO DE DEMANDA! A ocupação e uso do solo em São Paulo é um desastre. Muita gente morando onde não tem trabalho, mto trabalho onde mora pouca gente.

Milhões de pessoas saem de casa todo dia no mesmo horário, na mesma direção, deixando bairros e cidades quase vazias para trás. Não entendo por que o tema "cidade-dormitório" não é tão popular no noticiário quanto o tema "transporte lotado", já que há uma relação direta entre os dois!!

Em vez de fazer repórter pegar trem lotado no horário de pico – meio óbvio, não? – por que não fazer a linha do tempo de mostrar QUEM deveria ter feito alguma coisa (muitas coisas) e não fez?

Quem deveria ter promovido a ocupação mais racional e justa da cidade e fez o CONTRÁRIO?

***
“A gente não pode nem pensar em pedir para as pessoas trocarem o carro por transporte coletivo .... Já passam tanto sufoco no metrô e trem!”

Carla, no horário de pico, é TUDO um sufoco, dentro e fora do transporte coletivo.  E fora do horário de pico, há congestionamento insuportável – e ônibus vazio no corredor.

EU pego ônibus todo dia. Na Fco Matarazzo, Consolação, Rebouças, 9 de Julho, Santo Amaro... Em vários horários – 8:00, 9:00, 12:00, 18:00, 22:00.

90% das vezes é melhor, mais rápido, mais confortável do que carro. Mas a Globo diz para as pessoas que “não dá p trocar pelo coletivo”.

***
Eu vou melhorar MUITO o sistema de ônibus se um dia tiver a oportunidade, mas o chavão “não dá pra deixar o carro em casa” é FURADO.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Fim-de-semana

O Supervisor da Defesa Civil da Sub-Lapa veio me contar como foi o feriado (ele não me requisitou nenhuma vez - só o faria se precisasse da minha intervenção):

- Venancio Aires alagou

- Uma cobertura de Eternit caiu - daquelas de terraço, sabe? A moradora ficou presa dentro de casa, mas não aconteceu nada mais sério. Removeram os pedaços,a "libertaram", vistoriaram e tudo bem.

- Um buraco deixado aberto debaixo de uma escada afundou. A moradora ficou com medo que a casa toda desmoronasse também. Vistoriaram; não havia risco. Recomendaram que ela tape o buraco.

- Colocaram fogo duas vezes nos detritos restantes da antiga favela Aldeinha. Não há caminhão que chegue para remover tanto material. Felizmente, o procedimento para a compra da cerca está adiantado. Amanhã tenho reunião com o idealizador do projeto dos "jardins efêmeros"/viveiros do Parque Aldeinha. Queria tanto que isso saísse logo... Eles estão correndo atrás de recursos de iniciativa privada - o projeto tem o selo de aprovação da Lei Rouanet (de incentivo fiscal para patrocinadores).

Acho que foi só.

Pelo que me informaram, nenhuma árvore caiu. Alguma reza tem de funcionar.

Ou elas estão mais pacientes, esperando a gente chegar para cortar.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Ainda ontem

A dona da casa cujo primeiro andar foi todo alagado, que perdeu coleções inteiras de livros (como Monteiro Lobato e Agatha Chirstie), equipamentos eletro-eletrônicos, móveis, discos, etc., e que mora com duas pessoas com dificuldades de locomoção, e que já foi alagada várias vezes, e que aguarda a conclusão de um processo de desapropriação para sair dali (impossível vender a casa agora), demonstrava senso de humor, calma e paciência inacreditáveis.

Enquanto jogávamos pilhas de livros enlameados no caminhão de lixo, ela às vezes dizia: "Nem vou pensar senão eu choro". Eu já estaria chorando - de raiva, tristeza - há muito tempo.

Ainda teve a idéia de trazer coca-cola na bandeja para quem estava na calçada com ela. Se solidarizava com o vizinho que tem uma loja de peles (a janela foi arrombada pela água), lembrava outros episódios, contava as cenas absurdas que já viu nos últimos anos.

***
Uma das lembranças foi uma reunião na Subprefeitura, na gestão do Adaucto. Enquanto conversavam no auditório, alguém tacou uma pedra - segundo as descrições, quase um paralelepípedo - pela janela próxima ao palco. Só não pegou no Subprefeito porque ele estava na platéia.
Quem atirou? Um ex-funcionário.

(Trilha sonora: faroeste).

***
Naquela época, os moradores que reclamavam mais ardidamente eram qualificados como "gente do PSDB, que só vem aqui pra encher o saco". Nos anos posteriores, os críticos mais contundentes eram classificados como "petistas a fim de atazanar". Ê, laiá.

***
Diz que a água chega a atingir 100km/hora quando desce a Pompéia. Que a Kalunga, para se proteger, subiu um muro meio metro e acabou prejudicando o escoamento do vale. Que o pessoal da escola de samba que fica debaixo do viaduto precisa sair correndo para não se afogar. Que o shopping pagou seis milhões para a EMURB e nada foi usado, até agora, em benefício do bairro. Que precisa fazer a ligação da galeria com o rio. Que a CET costuma aparecer a tempo para fechar o trânsito, mas que dessa vez foi tudo muito rápido. Que foi a comunidade quem conseguiu que o SESC Pompéia botasse uma placa dizendo "Em caso de chuva, não estacione aqui - risco de alagamento".

***
Os lixeiros quiseram tentar salvar algumas coisas, como o aparelho de som. E disseram que a empresa tem uma sala só com coisas "boas" que as pessoas jogam fora - livros, por exemplo. "Esses não têm jeito, mas tem gente que joga livro bom, livro inteiro. Todo mundo gosta e lê".

***
(Dos lixeiros): "Se você fosse prefeita, ia aumentar nosso salário, não ia?"
"Se eu pudesse, não tenha dúvida".

Por enquanto, prometi "só" um lugarzinho no céu. Na área VIP.

***
A moradora não quer sair do bairro. Tem amizade com o pessoal do supermercado, conhece todo mundo no quarteirão e, principalmente, não quer se afastar da unidade de saúde (um CAPS) onde o filho faz tratamento. "Eles são dez. O Dr Luiz é fantástico, todo o pessoal é demais".

O que eu menos esperava àquela altura era uma boa notícia.