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quinta-feira, 28 de junho de 2018

Entre a negação da direita e hipocrisia da esquerda

Assim escreveu o Bruno Frederico Müller em seu Facebook, em post compartilhado por meu amigo Cesar Hernandez, de que gostei tanto que quis importar pra cá.

Estou surpreso com a entrevista de Guilherme Boulos ao programa Roda Viva, e sua repercussão.

Sobre a postura do candidato, destacaram sua coragem e ousadia, sem medo de defender suas posições. Disseram que Boulos saiu da entrevista maior do que entrou, e que encarnou os sonhos e esperanças de uma esquerda renovada. "Está nascendo um novo líder. Um grande líder", eu li por aí.

Medo, Boulos realmente não teve. E de fato, coragem e ousadia são duas grandes virtudes, para qualquer um, embora devam ser bem temperadas pela prudência, especialmente para um grande líder, se ele não quiser levar um país inteiro à estrada para a ruína - o que parece ser o caso. Boulos teve, isto sim, coragem de defender um programa arcaico.

E convenhamos que os entrevistadores, fracos, não se esforçaram para colocar o dedo na ferida. A única pergunta mais espinhosa foi sobre a Venezuela. No que o candidato fracassou tanto em princípio, quanto em estratégia:

Como assim, um candidato que se apresenta como um homem de princípios, faz apenas uma crítica pragmática, de viés econômico ("a Venezuela não expandiu sua matriz econômica"), sobre a ditadura Maduro? E a democracia, que Boulos diz estar a perigo no Brasil, onde as instituições e garantias fundamentais ainda vigem? E os direitos humanos, tortura, prisões arbitrárias sem julgamento, como lida com isso um homem que representa um movimento por direito à moradia e viaja o país denunciando a suposta prisão arbitrária de um ex-presidente a quem se concedeu todas as garantias de ampla defesa?

Abriu-se aqui amplo flanco de ataque, que os entrevistadores não souberam ou não quiseram explorar: a hipocrisia e seletividade dos princípios de Boulos, homem que fala do déficit democrático no Brasil, reduzindo a crise humanitária venezuelana à má gestão da economia.

E essa está longe de ser a única derrapada do candidato.

O Brasil tem problemas sociais graves. Muita pobreza, muita injustiça, muitos privilégios para a elite do nosso Estado corporativo, muito descaso com problemas básicos como saúde, saneamento básico, educação. Muita corrupção que a esquerda decidiu que não é problema, pois seu combate atingiu seu maior líder e seu maior partido. Há uma carência de oportunidades para as pessoas se desenvolverem minimamente. Não falo só de emprego, mas de educação, de cultura, de possibilidades para uma vida plena. Há, também, desigualdades evidentes e impossíveis serem justificadas e relativizadas. Mesmo quem admite que a desigualdade é inerente a qualquer sociedade, há de se empenhar em minimizá-la, e aos seus efeitos mais perversos. E não há um único candidato capaz de articular essas demandas numa proposta coerente, factível e democrática. Vivemos entre a negação/negligência da direita e o voluntarismo/hipocrisia da esquerda.

Em vez de encarar o problema com profissionalismo, seriedade, planejamento, estudo, Boulos segue se portando como se estivesse num comício, não se prestando a liderar a parcela da população que deseja mudanças estruturais, e ocupar o mais alto cargo político da nação com o compromisso de empreender tais mudanças. E, para piorar, incorpora a nova doença infantil da esquerda, esse discurso falacioso das pautas identitárias, reducionista, que nem sequer arranha a verdadeira raiz dos problemas sociais, muito menos o que eles têm de mais perverso. Criar cotas é muito, muito diferente de universalizar direitos. É garantia de mais ódio e divisão social, é garantia de gerar novas formas de exclusão, discriminação e injustiça. É garantia de levar mais água para o moinho da extrema direita. Para dar um exemplo, eu senti um calafrio quando ele falou sobre cotas pra mulheres no parlamento. Trata-se de populismo barato que ignora o básico sobre a realidade das questões de gênero, para além dos slogans feministas. Com essa proposta, ele chama as mulheres de idiotas, traidoras ou preguiçosas por, num regime democrático, não se filiarem a partidos, não concorrerem em eleições livres nem votarem em si mesmas. É uma proposta que, como outras que ele defende, soa bonita e inclusiva, mas requer medidas autoritárias e antidemocráticas para ser implantada.

Não é só a carência de líderes diante de um sujeito minimamente articulado. Nem o encanto com frases de efeito sem conteúdo. Tudo isso é problemático. Mas o pior é a disposição da esquerda para fechar os olhos, ou a incapacidade de enxergar, as armadilhas de autoritarismo e arcaísmo no discurso de Boulos. Mesmo a Venezuela estando aqui do lado. Mesmo havendo inúmeras fontes apontando os buracos no discurso identitário. É triste ver a adesão cega a essa combinação de stalinismo mofado e identitarismo pós-moderno, sem atinar, ou sem se importar, para suas implicações graves.

Chegamos num paradoxo que eu não sei como equacionar: enquanto o Brasil for esse país injusto e desigual, terá oferta e demanda para esse discurso falacioso, populista e autoritário. Romper com esse discurso parece depender de melhorias básicas, tanto nas condições materiais que tornem o extremismo e o voluntarismo menos palatáveis, quanto na educação, que torne as pessoas mais conhecedoras da realidade e críticas de discursos fáceis. Mas essas melhorias básicas não virão enquanto a esquerda não puser o pé no chão, parar de alimentar utopias que se transformam em pesadelos distópicos, e aceitar a via menos glamourosa da democracia, que pode conciliar a luta por justiça com o respeito à vida e à liberdade.

A síntese parece ser essa: Boulos discursa para e como sua plateia, sem profundidade, sem reflexão, sem estudo, sem diálogo como quem não habita sua bolha, cercado de slogans. Ele se apresenta como candidato a presidente, mas segue sendo um ativista social sem maiores compromissos com a realidade e com uma visão ampla do país que quer comandar e os problemas que ele enfrenta. Cheira a oportunismo de quem quer faturar com o desejo de mudança. Mas pode ser estupidez, também.

Eu só fiquei mais desgostoso com Boulos depois da entrevista de ontem, fiquei ainda mais desolado com o vazio de ideias da esquerda, e chocado com as reações positivas. Se o projeto de transformá-lo na nova grande liderança da esquerda brasileira vingar, é a garantia de que ela prosseguirá no pior do século XX, em vez de apontar para algo melhor no século XXII. Lamentável.

Estou surpreso, embora não devesse. Era tudo previsível. E depois as pessoas me dizem que sou pessimista.


Me economizou um post rs. Eu só comentei:

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Dez coisas que você talvez não saiba sobre moradores de rua:

1 - Muitos ligam para a família (mães, filhas e filhos, irmãos, sobrinhas) e desligam quando alguém atende porque têm vergonha. Outros mentem dizendo que está tudo bem, porque não querem que a mãe sofra. A maioria, quando a gente pergunta sobre sua família, responde: "É esta aqui", mostrando os moradores de rua ao seu redor.

2 - Em São Paulo, muitos se referem ao seu lugar (debaixo de um viaduto, colado ao muro, no meio de um canteiro) como "maloca" e se denominam "maloqueiros". Ficam muito irritados se chamados de "mendigos".

3 - Em várias ocasiões, pedem ajuda para parar de fumar, cheirar ou beber. "Me arruma uma internação?" é um pedido frequente. Muitos já passaram várias vezes por CAPS e internações. Muitos pararam de fumar e cheirar, mas não conseguem largar a pinga. Uma garrafa conhecida como "barrigudinha" ou "gorote" custa R$2,50.

4 - Por que não querem ir para albergues? Porque não podem levar a mulher, os amigos, as crianças e os cachorros - e é lógico que jamais os deixariam para trás. Porque não podem deixar a carrocinha na rua (pode ser levada pelo rapa ou roubada). Porque não querem dormir em um quarto com dezenas de conhecidos com quem não se dão ou desconhecidos. Porque não podem beber ou fumar enquanto estiverem lá (e ficam furiosos quando outros cheiram ou usam pedra nos banheiros). Porque as camas têm pulgas. Porque alguns albergues os obrigam a sair da cama antes das 6 da manhã. Porque alguns albergues são muito distantes de onde "moram", e tem kombi pra levar mas ninguém os traz de volta.

5 - Elas e eles adoram ganhar kits de higiene: sabonete, barbeador, desodorante, xampu, escova e pasta de dentes. E também gel (homens) e esmalte de unha.

6 - Muitos cobertores são abandonados durante o dia por motivos diversos, entre eles o fato de que moradoras e moradores de rua, por problemas fisiológicos, psicológicos etc, urinam enquanto dormem. E lavar a roupa, para quem mora na rua, é um luxo. Os que fazem questão procuram um chafariz ou a sarjeta mesmo.

7 - De um jeito ou de outro, assistem televisão. Ontem mesmo um garoto que dormia no meio da ciclovia da Auro Soares viu minha camisa de futebol e perguntou "E o Peru, hein?". Também comentam política e filmes. Outro dia o assunto de madrugada no ponto de ônibus do Pateo do Colégio era "A Lagoa Azul".

8 - Muitos tomam remédios controlados porque têm convulsões. Às vezes (toda hora) o rapa leva seus objetos - mochila com documentos, roupa, livros (sim, livros!), remédios - e eles não conseguem repor o que foi levado.

9 - Se morrerem sem terem nenhum documento com foto (acontece muito) e sem que se localize a família, um amigo que queira evitar que sejam enterrados como indigentes ("não reclamados", "não identificados") precisará ir duas vezes a uma delegacia tentar obter autorização para providenciar a "inumação". Às vezes não dá certo.

10 - É impressionante como gostam de comemorar seus aniversários. Experimente fazer festa para um deles (bolo, velinhas, refrigerante) - os outros todos vão ficar ansiosos na expectativa do seu dia e fazer contagem regressiva.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Imagina na Copinha

Semifinal da Copinha em Barueri: do meu lado da arquibancada, muito mais gente que assento. Do lado de lá, 1/5 de ocupação. Quando vão aprender que jogo com entrada franca tem de ter distribuição de ingresso para um mínimo de controle do número de pessoas no estádio, seus lugares etc?

***
Meus “objetos pontiagudos” foram confiscados na entrada da Arena: canetas para escrever em CD, canetas esferográficas, canetas marcadoras (aquelas amarelas que nem ponta rígida tem). Para poder entrar, o único jeito era me desfazer delas. Larguei ao lado do portão, na esperança de recuperá-las na saída. Arrã. Nem canetas, nem os guarda-chuvas, piranhas (presilhas de cabelo) e isqueiros que outras pessoas tiveram de abandonar também. Chegamos a revirar os tambores de lixo que estavam ali perto mas não tinha nada, alguém levou mesmo.

Taí um bom negócio: esperar os incautos se desfazerem de objetos "perigosos" na porta do estádio e roubar tudo depois.

domingo, 13 de julho de 2014

Por que torço pela Alemanha

Porque em 2006 eu estava lá.

Alemanha não estava nem entre os cinco primeiros lugares que eu queria conhecer na Europa. Sei lá, não me atraía. Castelos? Vejo na Inglaterra. Cidadezinhas, zona rural? Italia, França. Tradição, paisagens, cidades modernas, pra tudo isso eu tinha outras opções. Só fui por causa da Copa.

E AMEI. Mané frieza, mané antipatia. Felicíssimos com a possibilidade de receber gente do mundo inteiro e justamente mostrar sua face calorosa, amiga, acolhedora. E era sincero. A alegria e o orgulho de serem anfitriões era também o orgulho recuperado de ser quem eram. Lá não precisa de Comissão da Verdade: eles expõe os erros, as barbaridades, as chagas o tempo todo. Pedaços do muro, Museu do Holocausto. E queriam muito mostrar que também tinham horror de seu passado e respirava novos ares.

A Copa foi DUCACETE. Em todos os sentidos - conforto, organização, beleza, diversão, alegria, festa. E a seleção da Alemanha era DEMAIS.

Jogo de estreia costuma ser bem chochinho, mas o deles não foi. Jogou bonito, firme, destemido. A tal seleção da renovação, com uma porção de caras desconhecidas e jovenzinhos inexperientes. Com um jogo leve, gostoso de ver, bonito. De passes curtos e rápidos, jogadas envolventes.

Comecei dali a rever os esterótipos também sobre o futebol alemão. E a lembrar dos Beckenbauers... Jogava o fino. Presidia o Comitê Organizador da Copa com a mesma finesse. Inteligente, sensato, honesto em todos os sentidos (pelamordedeus, "não roubar" é o mínimo, ele ia muito além disso. Falava abertamente sobre as perdas e ganhos, o ônus para o país-sede e o bônus para a Fifa).

De lá para cá, além de amar a Alemanha e especialmente Berlim, um dos lugares de que mais gosto no mundo, passei a torcer mais e mais pela sua seleção. Em 2010, a evolução do estilo, sob o comando do auxiliar de Jurgen Klinsmann em 2006, Joachim Loew. E o trabalho na base também foi feito com muita seriedade, muita visão de futuro.

Então não torço pra Alemanha porque não quero ter de aguentar a gozação dos argentinos, mas porque acredito que eles merecem. Tivesse mostrado aquele futebol que a gente às vezes inveja, não teria problemas em torcer para a Argentina contra algum outro adversário. Mas pra completar, os argentinos não fizeram nada nessa Copa, vai. Cada joguinho feio... Como os nossos! Foram mais competentes em segurar a Belgica, ainda mais a Holanda. Fecharam tudo e pronto. Ok, foram modestos e inteligentes, mas não é desse futebol que eu gosto, que eu invejo, que eu quero ver campeão. Qual o jogo memorável da Argenina nessa Copa? Qual a apresentação espetacular do Messi ou dos demais?

Em 94 eu também não vibrei com nosso furebol. Nem em 2002. Já a vitória da Espanha, uau, comemorei. E pelo futebol que eu gosto de ver, vou ficar feliz se a "minha" Alemanha for campeã.

Se não for, ao menos sei que lá dificilmente vai servir para condenar todo o trabalho. Tem ranhetas, tem cornetas, mas tem gente que pensa com paixão e com inteligência no comando do futebol.

Aqui tem o Marin.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Mais Médicos - 3

Um texto muito bom no Facebook - do Padre Genivaldo Ubinge, que nos recebeu (eu e minha amiga Francyene, que já havia passado um tempo lá fazendo atividades em presídios, aldeias e igrejas) em Guajará-Mirim. Discordo de um ponto ou outro - como quando ele afirma (porque certamente acredita) "é claro que o programa Mais Médicos prevê investimentos em infraestrutura, equipamentos, abertura de novas vagas e especializações". Não... Não é claro. Veremos se esses investimentos estão realmente previstos e PRINICIPALMENTE se vão acontecer.

Mas as ponderações são tantas e tão sensatas, honestas e justas que tenho vontade de assinalar várias delas com vermelho em negrito rs. Só não o faço porque a leitura acaba ficando mais cansativa... A elas então:




Reflexões de um homem (um religioso, se é que vem ao caso...) realmente preocupado com AS PESSOAS (e, totalmente off-topic, com senso de humor - olha a "foto" do perfil rsrs)



Depois de algumas horas de leitura e uma gripe que não me deixou dormir:

É realmente lamentável ver essas demonstrações de racismo e certo xenofobismo de alguns brasileiros. Nada justifica atitude de hostilidade que estamos vendo. Só comparáveis em estupidez àquela do manifestante pró-Cuba que não deixou a blogueira Anti-Castro falar numa entrevista aqui no Brasil
.

Mais lamentável ainda é ver como lidamos com algumas questões de modo superficial e injusto: com generalizações, palavras e expressões fortes que nada contribuem para o entendimento das questões. É muito difícil emitirmos uma opinião bem-informada a respeito de qualquer coisa, pois lidamos com fontes comprometidas partidária e ideologicamente, com interesse de classes e de grupos. Fui verificar as dados do governo para o programa Mais Médicos, tentar ver a atuação e a preocupação dos Conselhos de Medicina nesta questão e em outras no debate sobre saúde pública, também recorrendo às experiências pessoais de convívio e atendimento com bons e maus profissionais da medicina e tentar verificar como outras categorias de profissionais e ramos de atividades encaram "sair" de seus lugares e irem trabalhar em municípios distantes do Brasil. Seria apenas uma questão de dinheiro?

... tudo isso para tentar sair da solução mineira apresentada pelo personagem Raymundão qdo perguntado sobre a rivalidade de Silvinho e Badú de Guimarães Rosa na novela o Burrinho pedrês: "Eu cá não quero dar sentença, porque todos os dois tem razão e nenhum tem, também".
Eis alguns pontos: já fui acusado por médico experiente de querer atestado pra fugir do trabalho, que inicialmente foi incapaz de associar minha indisposição ao trabalho, sonolência inconstante e magreza incomum de menino de 14 anos que acabara de ingressar no mercado de trabalho à hipoglicemia (exame tão simples); já tive médico que nem olhou para minha cara e me atendeu em menos de 5 minutos depois de esperar numa fila por mais de 4h, nem sei se ele percebeu que eu falava português ou ouviu eu dizer meus sintomas. já fiz consulta com oftalmologista que foi incapaz de acertar o grau de meus óculos. Mas também fui atendido por bons profissionais, sempre na rede pública de saúde, lembro-me do ortopedista que me encaminhou para uma cirurgia pelo SUS que saiu em menos de 90 dias, depois me encaminhou pra 60 sessões de fisioterapia e resolveu um problema de luxação de ombro q me acompanhava por 10 anos!


Outro dia partilhei aqui o fato de muitos brasileiros atravessarem o Estado de Rondônia para procedimentos médicos na Bolívia, eles assumem o risco da estrada, dos ônibus e dos erros médicos (pois acho que não vão acionar a diplomacia brasileira para recorrer de um erro médico)... tudo isso parece ser mais seguro que o João Paulo II. Há também o caso do gestor público que vê no CAPS e na UTI móvel presentes de grego da união para os municípios que depois não conseguem contratar médicos para os manter. Outro caso: em dezembro de 2012, em viagem de Guajará-Mirim a Porto Velho, o ônibus, último de um domingo, em que estávamos colidiu com um carro e virou na ribanceira. No ônibus, três jovens médicos, recém formados. esqueceram de si, agiram rápido e, certamente, salvaram vidas (uma senhora infartada pelo menos). Quando fomos encaminhados para o primeiro posto médico em Jaciparaná, depois de encaminhar todos os pacientes, um deles disse: "isso é sinal! Devo parar com essa vida!", referindo-se às viagens precárias que constantemente fazia de PVH a municípios menores e a distritos para atender os diversos plantões. Então levantei para mim mesmo algumas questões.

Falta altruísmo aos médicos, são mercenários? E os Conselhos de Medicina estão apenas preocupados com a lei da oferta e da procura ao tentar barrar a entrada de médicos estrangeiros? Realmente faltam médicos? A média 1,8 médico por 1000hab é pequena? Formar 12 mil médicos por ano, com 16 mil vagas nas faculdades de medicina é pouco? Onde estão os cursos? Quem os cursa? Como outras categorias e ramos de atividade encaram irem trabalhar em municípios distantes? Quais são os meios do governo e empresas atraí-los?

Primeiramente: acredito que faltam médicos e emergencialmente justifica o programa Mais Médicos. Acredito também que o fato de os médicos não quererem sair de sua cidade e região não se deve apenas a questões financeiras: se pudermos estudar e trabalhar perto de nossa família e amigos, é claro q vamos preferir isso! Outros agentes do serviço público prestam concurso às cegas, sem saber pra onde, atraídos pela estabilidade e bons salários, aceitam ir pra onde for mandados, por 3 anos (tempo do probatório) e começa a luta pela transferência! Salários iniciais para auditor da receita, Juízes de direito, promotores de justiça... todos são maiores do que dos médicos. Há alguns médicos privilegiados que ganham 40 mil no SUS, mas trabalham 62h semanais e são horas extras, não salário (falta plano de carreira!) Só à guisa de provocação: perguntem aos bispos do sul e sudeste que querem manter o projeto de igrejas irmãs, enviando padres para regiões distante da Amazônia e interior do Nordeste como está o nível de "altruísmo" do clero. Médicos não mercenários. Alguns sim! Como os padres não pedófilos. Alguns sim. Cubanos e outros médicos que estudam bem menos em faculdades da Bolívia, Venezuela etc... não são mal preparados. Alguns sim. Nem todos os Médicos que estudam em instituições brasileiras são não bem preparados! Toda generalização é estúpida e preconceituosa.

Sobre a atuação dos Conselhos de Medicina no debate da saúde pública, indo além do interesse de classe. Se há, não acontece em nível de sociedade, nem mesmo com outros profissionais da saúde; talvez em nível de governo ou tribunais. Mas a verdade é que a grande parte da sociedade não vê legitimidade na atuação destes conselhos. E não são poucos os médicos que não se sentem representados por eles. Poucos médicos no mercado interessam à classe, poucos cursos também; além de garantir poucos médicos, dá a falsa impressão de alguém zela pela qualidade deles! Por isso é tão difícil para a sociedade agora acreditar que os entraves impostos para novos cursos, para convalidação de brasileiros que estudaram fora do Brasil e validação dos diplomas de estrangeiros sejam preocupação com qualidade dos médicos, repentino interesse pela saúde pública e não apenas interesse de classe.

Como ação emergencial, vejo como necessária a abertura para médicos estrangeiros (sem necessidade da convalidação dos cursos no Brasil), deverá ser mantida a abertura para médicos estrangeiros sempre, seguindo os devidos trâmites. Penso, porém, que o governo não tratou com justiça a questão de falta de médicos para os municípios distantes. Não há plano de carreira, os salários não são compensatórios e não há estratégia de atração (como para outras categorias). É claro que o programa Mais Médicos prevê investimentos em infraestrutura, equipamentos, abertura de novas vagas e especializações.

Como que os governos não conseguem evitar as greves nas universidades? Por que não se investe em faculdades de medicina nas fronteiras? Há muitos jovens querendo estudar medicina nos municípios amazônidas e do interior do Nordeste. Não é mais fácil levar educação básica e cursos de medicina de qualidade para estes jovens do que querer fazer migrar vários jovens para estas regiões?

O problema da saúde pública não é apenas falta de médicos, e o problema de falta de médicos não é apenas de falta de altruísmo da categoria. É problema de gestão, de planejamento, de programas que vão além de políticas de governo (refém de ideologias e grupos de interesse) para uma política de Estado. E para isso é necessário mais que o governo, é preciso toda a sociedade, inclusive os conselhos de medicina debatendo com toda a sociedade; é necessário que sociedade brasileira esteja disposta a muito mais que ir a ruas manifestar-se. Para usar uma metáfora recorrente, não basta o gigante acordar, também precisa saber aonde deve ir!

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Links úteis: LDO, PDE, Ideb

1) Lei de Diretrizes Orçamentárias - PL 215/2013

"Art. 1º. Em cumprimento ao disposto no § 2º do artigo 165 da Constituição Federal
e no § 2º do artigo 137 da Lei Orgânica do Município de São Paulo, esta lei
estabelece as diretrizes orçamentárias do Município para o exercício de 2014,
compreendendo orientações para:
I - a elaboração da proposta orçamentária;
II - a estrutura e a organização do orçamento;
III - as alterações na legislação tributária do Município;
IV - as despesas do Município com pessoal e encargos;
V - a execução orçamentária";

2) Discussão da revisão do Plano Diretor Estratégico

Contém, entre outras coisas:

» PL 0671-2007 - Cartilha distribuída nas audiências públicas
» RELATÓRIO DA COMISSÃO DE POLÍTICA URBANA E MEIO AMBIENTE SOBRE O PROJETO DE LEI 671, DE 2007
» 2010 - COMISSÃO DE ESTUDOS PARA ELABORAÇÃO DE PROPOSTA DE SUBSTITUTIVO AO PL 671/07 - REVISÃO DO PLANO DIRETOR ESTRATÉGICO
» TRANSCRIÇÕES DAS REUNIÕES
» Documentos entregues em Audiências Públicas
» Notas Taquigráficas

3) Relatório mensal das despesas de gabinete

Tem o valor de cada despesa reembolsável dos gabinetes dos vereadores, que tem direito a algumas aquisições, locações e contratações conforme lista pré-estabelecida.

4) Notas do IDEB por estado (2011).

Mostra quais melhoraram em relação à avaliação anterior (e, claro, quais pioraram - é, tem uns que conseguem)e quais atingiram a meta.

Estamos TÃO longe de sermos um país desenvolvido... Um país rico, isto é, sem miséria...



sexta-feira, 26 de abril de 2013

Cinquenta tons de cinza

"Vai de metrô até o Brás, pega o trem sentido Estudantes e desce em Ferraz. Até a escola dá 1km e pouco, uns 20 minutos de caminhada".

Trem sentido Estudantes = igual a embarcar no de Guianases, baldear e pegar o que vai pra Estudantes. Mas isso só se desobre perguntando, porque a sinalização da CPTM no Brás continua ruim :o/

***
Íamos andando até a escola (eu e um amigo fotógrafo), mas estávamos de pé há horas com sacolas pesadas, então resolvemos pegar um táxi. Que não reconheceu a rua pelo nome, mas quando a gente disse que era "no São João, uma escola de estado", ele nem perguntou mais nada, "sei".

Tomara soubesse mesmo. Até porque, se dependesse de mim para informar o nome da escola, esquece.

***
"Não tô sequestrando vocês não", brincou, enquanto se enfiava em uma quebrada escura, pouco habitada, mato alto. Mas ali, no meio do mato, no alto do morro, estava a escola. Uma senhora muito expansiva e sorridente, com jeitão de gente finíssima (e no fim era mesmo) gritou para dentro do carro "é aqui mesmo".

Desci; ela ralhava em tom de gozação com um rapaz alto, com ar malandro mas mais atrapalhado que agressivo: "Jogou o cigarro no chão, Gabriel? Pô, Gabriel". Depois descobri que ela é a diretora. 

***
Escola de estado tem tudo aquela mesma cara... A cor das paredes, o piso, as dimensões do pátio, as escadas. Mas essa é bem ajeitadinha. Limpa (diz que depois da saída do turno está suja de novo, mas é assim também na PUC...). Portas, janelas, latas de lixo, sala dos professores, murais... Tudo bem cuidado.

Gostei da diretora, dos professores, dos funcionários. Simpáticos, animados, "descolados". E compreensivos. O portão não fecha rigorosamente às 19h00, porque eles sabem que é difícil chegar ali, principalmente para quem trabalha.

Mesmo assim... Depois de fechados os portões, muitos alunos pulam o muro... pra sair. E é alto.

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A quebrada é feia mesmo. A escola tem um acordo com os bandidos: "da esquina pra lá", eles fazem "o deles". "Da esquina pra cá", não. É espaço da escola.

Eles respeitam.

Mesmo assim, na saída do "merendeiro" (geralmente é mulher, né?) na segunda à noite, mal ele botou o nariz pra fora do portão, encostaram dois garotos armados e levaram a moto. A polícia apareceu rápido e recuperou. O mais triste: "Eram ex-alunos. Com certeza tinham comido do que ele preparou. O que dá nessses moleques?". E fica a dúvida de por que eles não respeitaram o acordo e se serão punidos pelo tráfico.

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A Secretaria de Cultura está organizando um festival com eliminatórias e tudo entre as escolas da cidade. Os alunos estão exultantes. A diretora, compreensiva mais uma vez, autorizou os meninos a sair de alguma aula, se o professor permitir, para ensaiar. "Não tem a menor chance de eles conseguirem se encontrar fora daqui".

Eu lembro quando a gente era liberada, no Colégio, para ensaiar, treinar, passar nas classes dando recado... Ô delícia.

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O prefeito foi lá e falou sobre o estado lastimável em que encontrou a cidade. MUITA conta sem pagar, muita corrupção, prefeitura destruída. Foi lá o "dedo de silicone", lembra? Pois é, dá pra dar uma ideia... A diretora não se surpreendeu nem um pouco. Moradora antiga da cidade, filha do primeiro prefeito que Ferraz teve (foi emancipada não faz muito tempo), comentou enquanto tomávamos suco depois da minha palestra: "A gente sempre dizia "coitado do prefeito que entrar agora"."

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"O Laudo Natal era o governador. Ele asfaltou muitas ruas e mandava os paralelepípedos pra cá. Foi assim que foi feito o primeiro calçamento aqui, quando meu pai era prefeito".

 Não acreditei! Quando fazem capeamento e recapeamento jogando asfalto por cima dos paralelepípedos - isto é, SEMPRE - fico indignada. Que desperdício!! Uma vez, quando era Subprefeita, perguntei se não tinha jeito de primeiro retirá-los, depois fazer o contrapiso e finalmente a "cobertura asfáltica". Riram da minha cara.

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Contei para o Sergio Avelleda, ex-presidente da CPTM, que fui falando bem do trabalho dele no caminho. Em pouco tempo (uma gestão), aquela linha que corta a ZL melhorou muito. Era horrível. O Portela (ex-Secretário de Negócios Metropolitanos) falou no dia em que foi empossado: "Linha F é nossa prioridade. Mandei todo mundo que vai trabalhar comigo dar uma volta nela pra ver como ela está horrível). Chamei a atenção do meu amigo fotógrafo, carioca que mora há 15 anos em São Paulo, para os trens novos, os reformados, as estações idem... Os bicicletários, os muros derrubados... Falei que o presidente pegava o trem regularmente e que isso faz muita diferença...

Pensa que o Avelleda ficou envaidecido com os elogios? Como bom fanático pelo que faz, inevitalmente frustrado, respondeu um pouco trsite: "Putz, aquela estação de Ferraz já era pra estar pronta".

***
Enquanto estávamos na sala dos professores, um menino entrou procurando revistas para fazer uma atividade em sala de aula. Não tinha nenhuma.

Eu guardo tanta, mas tanta revista para alguém usar em sala de aula... Minha mãe sempre fazia isso; sempre tinha que recortar umas fotos, colar no caderno, fazer um cartaz... Com "cartolina branca, cola branca lavável, canetinha hidrocor". Já não tenho criança em casa, vou ver se mando umas pilhas pra lá.


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A sala estava cheia de cartazes da Apeoesp, convocando para a manifestação de hoje na Paulista, xingando o governo de tudo quanto é nome. Sem que eu perguntasse, a diretora disse "eles vieram aí, pediram para colocar, claro que eu deixo". A professora que era minha anfitriã, que foi quem inventou de me levar lá, disse "Tem coisa que eles tem razão. Eu sou classe O. Tinha cinco quinquenios pra receber. Veio o senhor Serra e o senhor Paulo Renato e cortaram tudo. Não respeitaram direito adquirido! Eu encontrei o Serra uma vez em um evento quando ele ainda ia ser candidato a deputado. Ele me deu um quadro do Chaplin. Fiquei com tanta raiva dele que taquei fogo no quadro. E eu amo o Chaplin".

Ele tem um "certo" talento para exagerar na dose da austeridade... É f. Corta privilégios, bota ordem em algumas zonas mas no caminho atropela um monte de gente boa :o/

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Perguntei para os meninos do Ensino Médio no auditório improvisado (eles desceram com as cadeiras da sala de aula) quantos já sabiam o que queriam fazer depois da faculdade. Uns 80% levantaram a mão. Fui tentando adivinhar os cursos: Direito, Medicina, Nutrição, Psicologia, Engenharia, Rádio e TV, Gastronomia... Tinha mão levantada para todos eles.


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No caminho da Câmara para o Metrô (fui pra Ferraz depois da reunião da CCJ na quarta-feira), encontrei um líder muito bacana lá de São Miguel. Ele foi o responsável pela reforma (ressurreição...) do Mercado de lá, que estava um lixo. "Sabe quando você faz uma licitação? As pessoas se inscrevem, né? Lá não. A gente pra licitar os boxes tinha de ir atrás laçando interessado. Nem meu irmão quis entrar. Hoje, vai ver quanto vale um ponto daquele. Agora meu irmão brinca que ele devia ter entrado. Olha, ainda bem que não entrou, senão já iam falar que tinha coisa". Gente boa demais, verdadeiramente preocupado com o seu pedaço de mundo. "Vão inaugurar a estação nova em um lugar muito bom. Mas o comércio que ficava no caminho da estação velha vai ficar largado! A gente tem de pensar em alguma coisa para aquele pessoal ali!".

Conta que ajudou muito um vereador que hoje é Secretário. "Arrumei muito voto pra ele ali. Depois comecei a ver como é que ele trabalha... Não quero mais saber dele não". Eita nóis.

***
Na volta, peguei um táxi na Luz e o motorista me reconheceu. Gosta muito de mim. Odeia o Serra. Foi exonerado da Febem depois de ser acusado de tudo de ruim - agressão, tortura. "Foi pessoal. Me pegaram pra Cristo. Absurdo, um processo que levaria pelo menos dois anos foi concluído em quatro meses. Coisa da Berenice, que está lá até hoje. Agora tô aqui, atrás do volante".

Não tem tanto bode do Alckmin. Diz que "hoje em dia, não tem mais esquerda, nem direita. O que tem é situação e oposição". Tem medo dessa "aproximação do PT e do PSDB".  Eu disse "não se preocupe, ano que vem eles vão estar um contra o outro tentando se matar".

***
Simples o mundo, né? Preto e branco.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Ai Brasil

Educação de qualidade (De qualidade baixíssima)
Alunas brigando dentro de sala de aula no interior de São Paulo

Uma adolescente é jogada no chão e continua sendo agredida, o professor fica olhando meio sem saber o que fazer (ou sem querer fazer nada, não dá pra ter certeza), alguém grava a cena no celular.

Futuros médicos
UFRJ vai investigar trote violento (nojento) na Faculdade de Medicina

Fotos postadas no Facebook da empresa TGF eventos, que ajudou a organizar o trote, permitem conferir um pouco do que aconteceu. No álbum “Trote solidário Med UFRJ”, 95 imagens mostram os calouros carregando placas com identificações depreciativas como “viadinho tatuado”, “chifruda” e “filha do demo”. Outras placas com conotação sexual de mais baixo nível sequer podem ser publicadas. Os alunos também podem ser vistos imersos dentro de uma piscina com um líquido avermelhado.

Ninguém segura esses mosquitos
Surto de malária preocupa moradores da região metropolitana de Belém

A principal suspeita é de que a transmissão da doença tenha começado por um morador que voltou recentemente de uma região no nordeste do Pará, onde a malária é endêmica. Apesar do surto, a Secretaria de Saúde do Pará diz que nos últimos três anos houve redução de quase 50% nos casos de malária no estado. Mas o número de pessoas infectadas ainda é alto: em 2012, foram mais de 95 mil no Pará.

Imagina na Olimpíada
Poluição na Baía de Guanabara prejudica treinamento de vereadores

Pedaços de madeira se transformam em torpedos que podem causar estragos às embarcações. Tem televisão, cadeira, sofá, parachoque de automóvel. O que mais dá é saco plástico. Presa dentro de um pneu, uma tartaruga marinha morta.

Para o secretário estadual do Ambiente, é possível cumprir a meta de sanear 80% da Baía de Guanabara até 2016.

A limpeza da Baía era promessa de legado do Panamericano de 2006.

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Ai mundo

Senado derruba proposta de Obama de controlar a venda de armas

O Senado derrubou a proposta para aumentar a checagem dos antecedentes de pessoas que queiram comprar armamentos nos Estados Unidos. Os senadores também ficaram contra a restrição de venda de armas semi-automáticas.

Resultado de uma pesquisa foi de 90% de aprovação de medidas de restrição pela população - e olha que aquele é um país obcecado por liberdades individuais e, em boa parte, tarado por armas.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Maus humores

Estaríamos perdidos
"A nossa Justiça não é assim não. Porque se a nossa Justiça fosse assim, nós estaríamos perdidos!". Foi a reação do Desembargador Tourinho à afirmação de Joaquim Barbosa de que há muitos juízes desonestos que deveriam ser botados pra fora. Em seguida, Barbosa disse o já famoso "esse conluio entre juiz e advogado é o que há de mais pernicioso".

"Não se pode...
...generalizar", reagiram alguns. Por que, existem casos em que o conluio entre juiz e advogado não é pernicioso?

Pra não acharem...
...que eu não entendi: claro que não se pode dizer que "todos os juízes" fazem conluio com advogados.
E por acaso foi isso que foi dito?

Era segredo
A OAB e a Associação de Juízes Federais talvez não saibam que existam conluios entre juízes e advogados.

Velhice segura
Bom lembrar que o juiz que finalmente foi colocado pra fora por ser desonesto é "condenado" à aposentadoria compulsória. É, senhor e senhora aposentados com uma merreca, nós pagamos e não é pouco.

Generalizar
Já pensou se a moda pega? "O senhor foi pego roubando o caixa da loja. Teje aposentado".

Cretinice superior
"Caloura Chica da Silva" pendurado ao pescoço da estudante pintada de preto e presa a uma corrente. Realmente, eles se superam. Nem precisava disso tudo combinado para ser de uma imbecilidade notável.

Se vira
Com toda benevolência municipal, estadual, federal e internacional, Corinthians ameaça - a-me-a-ça - desistir de construir estádio que esteja apto a receber a abertura da Copa e fazer um "só do Corinthians".
Vá em frente.

Sem fiador
O Banco do Brasil não aceitou as garantias do Corinthinas e da Odebrecht para liberar o empréstimo de R$400 milhões do BNDES. #ImaginanaCopa


A gente somos
Nota mil para a redação com a palavra "trousse". Porque o que vale é a criativdade, espírito crítico, não o rigor da "norma culta". Sim, claro. Mas o estudante não quis ser coloquial ou imitar o jeito cotidiano de falar com suas liberalidades; ele errou no Soletrando.

Não fui eu que inventei
O Inep estabeleceu 5 critérios para avaliar as redações, cada um valendo no máximo 200 pontos. Um deles era objetivo: domínio da norma padrão da língua escrita. Cometeu erros, perdeu pontos. Mas talvez o professor que corrigiu as provas leu e não entendeu as regras.

Dinheiro de volta
O MEC nem cogitou abrir uma sindicância para averiguar se os professores contratados para corrigir as provas fizeram outras avaliações generosas com essa. Se eles tem como explicar a receita de Miojo no meio de uma redação com um "nem vi" ou um "vi e achei legal, ué".


Flash Back
Um aluno da ECA (Escola de Comunicações e Artes da USP) gostava de escrever lá pela lauda 15 de seus trabalhos: "O professor que ler até aqui ganha uma caixa de cerveja". Nunca cobraram.

Mudou
Questionada por não ter se manifestado (nem um pio) sobre a renúncia de Bento XVI, Dilma foi defendida no Twitter por apoiadores do governo: "Brasil é país laico"; "não é relevante". Por isso só foram 4 ministros com ela à cerimônia inaugural do Papa Francisco; se fosse evento relevante teriam ido uns 8.

Nobody home
A presidente não ficou hospedada na Embaixada porque o Brasil está sem embaixador em Roma. E ela não ia querer dar trabalho para as dezenas de empregados que trabalham lá, né? Deixa os caras.

Conciliação
Sugestão: Feliciano, acusado de estelionato, racismo e outros crimes, vai pra Comissão de Constituição e Justiça. João Paulo Cunha, condenado por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, vai pra Comissão de Direitos Humanos.

Não tá fácil pra ninguém
Aumentaram as verbas de despesa para os deputados federais. Os preços estão pela hora da morte.


Compostura nota 10

O Google é incrível quando acha em milésimos de segundo o que a gente estava procurando. E igualmente incrível quando acha o que não estávamos procurando.

Eu queria encontrar uma entrevista recente do ministro da Secretaria Especial de Portos em que ele disse "Faz 15 anos que não se investe em portos no Brasil". Ato-falho, né, porque ele esqueceu que os últimos DEZ foram governo petista, aquele que fez maravilhas.

Queria comparar isso com os Balanços do PAC, que sempre comemoram os super investimentos incríveis em infraestrutura e outras coisas. Não achei a entrevista que procuravam, mas esta aqui já ajuda: "Portos terão capacidade esgotada em dois anos, diz ministro". Isso é que é Programa de Aceleração do Crescimento bem feito!! Parabéns aos envolvidos.

Mas o que eu achei sem querer foi uma longa entrevista da presidente Dilma no dia 27 dezembro do ano passado (1h18 minutos, tem o áudio disponível e também a transcrição) para os setoristas. Vale a pena ler inteira. Depois vou destacar alguns trechos, mas por enquanto fico com este trecho, que mostra a compostura da presidente no relacionamento com os jornalistas.

Presidenta: Tânia, eu vou te falar. Como nós somos, nós temos longos anos de praia juntas, eu vou te lembrar uma resposta que uma vez eu dei: eu não respondo isso, Tânia, nem amarrada. Você lembra do “nem amarrada”?

(O assunto era os royalties. Infelizmente a pergunta ficou inaudível, como muitas ao longo da entrevista. Quer dizer, não providenciaram microfone para os jornalistas, os espertos).

***
Vou copiar e colar também alguns pontos em que o que espanta é mesmo o conteúdo, não a forma.

"Aí tem uma quarta questão, que é muito grave: que é a questão da infraestrutura no Brasil. Ninguém faz infraestrutura em um ano. É uma simplificação que nós não podemos nos permitir ... a infraestrutura dos países, ela é feita ao longo de anos".

1) Quem foi que simplificou tudo e disse que estava fazendo uma incrível "aceleração", com as obras em super bom andamento, foram eles.

2) "Em um ano" não dá pra fazer, mas e nos dez que já se passaram de governo Lula/Dilma? Alem da infraestrutura, esse é um país que não tem ferrovia. Nós estamos no século XXI e não temos".

Será que ela tá mesmo provocando o Lula? Porque não é possível.


  

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Uma sexta qualquer

- Até que não foi tão mal no Detran. De carro teria sido horroroso, mas o metrô Armênia é perto e na plataforma já tem várias placas indicando o lado certo para sair da estação. No prédio do Detran o caos é menor do que parece. Muita muita gente, mas serviço razoavelmente bem organizado (bem sinalizado, sem dúvida). No mesmo prédio tem Banco do Brasil, CET e DEV. As moças da recepção dão nova dimensão à expressão "paciência de Jó".

- Tive de ir até lá porque estou inscrita no CADIN - Cadastro de Inadimplentes, tipo um SPC do governo do estado - porque não paguei uma multa que nem sabia que tinha levado. Mas não era lá, era no DER, do outro lado da avenida, porque a multa foi em uma estrada. (R$85,00 - ok, vai).

- Para atravessar a avenida do Estado (4 ou cinco pistas do lado "de cá", mais 3 ou 4 do lado "de lá", mais o largo "rio" Tamanduateí), tem de andar atééé o semáforo, atravessar, andar atééé o prédio do DER. Com essa calorzinho bão mais a ameaça de temporal, delícia. #imaginaumidoso #imaginaumapessoacomdeficiência. Vou fazer tanta passarela nessa cidade qdo eu for prefeita que ninguém vai nem lembrar que um dia elas não existiam.

- Voltei ao Detran e descobri que meu endereço para correspondência que consta lá é o antigo; não é à toa que não recebi xongas (multa, IPVA, Licenciamento). "Posso mudar o endereço pelo site?". Rá. Tava indo bem demais. Não, tem de levar cópia da CNH, do documento do carro e de comprovante de endereço. Se não fizer isso, o Detran acredita que eu continuo morando na Apinajés e que se dane.

- "Tem xerox aqui"? "Ali do lado do posto de gasolina" (isto é, lá na avenida Tiradentes). No Poupatempo tem xerox... :o/

- Não tinha um p. no bolso. A xerox aceitava cartão de débito... do Bradesco. No Banco do Brasil do Detran e na conveniência do posto de gasolina não tinha caixa eletrônico. Ali em volta, desolação total. Vou ter de voltar outro dia. Tudo bem, tudo bem, já vi que não é tão infernal assim.

***
- Cartaz na vitrine de uma livraria na HADDOCK LOBO (no alto!): fechados por causa do alagamento de ontem. F.

***
- Sempre achei esse Pistorius meio esquisito (falar agora é moleza). Na última Paralimpíada, ele (+ e o mundo) foram surpreendidos por um atleta (ah, não lembro quem :oP) que ficou com o ouro. Ele reclamou, esperneou... Não achei legal. HMPF.

Daí a ter um monte de arma em casa, morando em um "condomínio fechado super seguro", e matar a namorada com quatro tiros... Não, isso eu não achava.

***
Relatos de Tania, minha ex-empregada que agora faz uns frilas lá em casa, sobre o temporal de ontem e a vida no Jardim Capela (Estrada do M'Boi Mirim logo ali, altura do número 2000):

- Não choveu NADA, acredita? Mas ventou muito forte, muito. Arrancou um pedaço do telhado da vizinha. O Luís (filho dela) saiu correndo de medo, nem fechou a porta de casa.

- Faz duas semanas que não recebo (no escritório onde ela faz faxina 1 vez por semana). O homem quer que eu abra conta no Banco. Diz que tem de ser Itaú, porque aí ele transfere direto. Será que precisa fazer algum depósito pra abrir? Mas tenho de esperar a Sabesp terminar a instalação de água, porque aí vai chegar conta e eu vou ter (como comprovar) endereço.

- Antes, quando a gente pagou o funcionário lá da Sabesp para fazer um gato, a água chegava com uma força que era uma beleza. Vinha direto da rua, forte mesmo. Agora não tá vindo. Nas casas lá de cima não chega nada. Nada. E aí, vamos reclamar como? Agora que vai ter conta, espero que não falte mais.

- Você pode me adiantar alguma coisa? Eu vou te falar... Tô passando fome. Ontem não tinha nada, nada, nada pra comer em casa. E o Felipe (ex-marido) diz que "talvez depois" ele consiga me ajudar.

- Uma mulher da minha rua tá pagando telefone e ainda nem instalaram, acredita? A Telefônica puxou a linha até os Bombeiros, lá embaixo, e disse que dali em diante é ela quem tem de puxar.

- Fui levar o Luis na creche porque foi difícil tirar o Luis da cama e ele acabou perdendo a perua. Corri, cheguei às 7h06, a porta estava fechada e a diretora não queria deixar entrar de jeito nenhum. Eu e outras mães desesperadas lá na porta. No fim ela abriu, mas deu uma senhora bronca: "SETE HORAS é para eles estarem DENTRO DA CLASSE",

- Eu vi esse cruzamento aqui do lado na televisão. Quer horror a enchente, hein?

***
Dali a pouco, um amigo meu da ZN veio pegar o material escolar que eu comprei pra filha dele, que se animou a voltar a estudar, graçadeus. Desanimou porque, na 5ª série, não sabia ler e escrever e não entendia bulhufas da aula. A professora, bem legal, toda hora a chamava para fazer a lição na lousa. Ela não conseguia e tomava um "é burra mesmo". Pediu um caderno, lápis, caneta, estojo, mochila, enquanto não chega o material que o governo fornece (não sei se a escola é estadual ou municipal). Mochila fiquei devendo que ♪A coisa aqui tá preta♫

A mulher - famosa Quitéria, pra quem lê blog meu faz tempo - ligou pra ele desesperada de dor de cabeça, pra ele não esquecer de conseguir um comprimido (sem dinheiro pra comprar). "Eu acho que essa dor de cabeça dela é psicológica. É muito nervoso que ela passa. E também ontem ela foi dormir sem comer nada, porque não tinha nada em casa.

Um dia, duas famílias passando fome em São Paulo. #imaginequantas. Na rua - não tô brincando - é mais fácil conseguir comer do que em casa, quando não se tem dinheiro nenhum.

Esse amigo trabalhou para uma "cooperativa" que opera "lotação" (os microônibus) na ZN e saiu agora. Trabalho de cão. Pega o carro na garagem às 4 da manhã - na casa do chapéu (Jaraguá). Sai de casa no escuro, morrendo de medo dos "nóia" etc. Ganha por viagem - portanto, se não tiver um pingo de juízo e correr feito demente, ganha mais. Se quiser esticar 20 horas seguida, beleza.

Hoje era o dia de ir, cheio de esperança, receber o dinheiro que faltava para de desligar de vez. O encarregado queria dar R$200 com a condição de assinar um recibo dizendo que tinha recebido R$3mil. Não aceitou.

***
Um outro amigo, que recaiu no crack e se mandou para longe do ponto de venda porque não estava conseguindo se controlar, ligou pra dizer que conseguiu orçar tratamento dentário mais barato que os anteriores - R$700. Como é canal etc, não conseguiu pelo SUS (sei lá, acho que mandaram de um lado para outro e ele não está aguentando de dor). Ele está trabalhando - 12 horas por dia, 6 dias por semana - por R$600. Como ele vai pagar? With a "little" help from his friends.

País rico é país sem pobreza.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

SOS - SOS - SOS

Se alguém puder ajudar, por favor! Sério. É de cortar o coração.
Mensagens para rp@soninha.com.br (aí eu mando o email do José Carlos).

De: Jose Carlos XXXXXXXXXXXX
Data: 27 de junho de 2012 19:09
Assunto: Contato - Ajuda Especial


Boa Noite
Doutora, por favor sou um chefe de familia tenho 45 anos e me encontro
em uma situação de extrema dificuldade para a Recolocação
Profissional, por causa da faixa de idade estão me humilhando a cada
dia que passa, chegaram ao ponto de rasgar meu curriculum no centro de
São Paulo em uma das agencias de emprego voltei para casa arrasado,
Doutora sempre cunpri com minhas obrigações , criei meu filho
dignamente com muito trabalho, ajudei a muitas pessoas no passado que
precisaram de uma certa maneira fui util, hoje ninguem, mas ninguem
mesmo estende as mãos, para me tirar do poço. Doutora tenho muito
conhecimento em escritorio entre outras atividades, peço por favor de
joelhos se precisar,salve uma familia , genuinamente Brasileira,
nascida em São Paulo. e que não sabe, mas o que fazer.Estou mandando apenas uma parte de minha vida no curriculum, ma meus conhecimentos vão alem. peço desculpas a doutora e gradeço de coração sua educação.
Atenciosamente

José Carlos

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Que potência é essa?

(É tão bom qdo a gente lê algo que poderia/ gostaria de ter escrito...)


BRASÍLIA - A grande (e ótima) novidade anunciada durante as minhas férias foi que o Brasil passou o Reino Unido e é agora a sexta economia do mundo. Uau! Somos uma potência! Mas que potência é essa?
A infraestrutura é sofrível. (...) Quanto à educação: Será que o país tem boas escolas para a maioria e profissionais de ponta para enfrentar os desafios do crescimento e da competitividade em todos os setores? Há dúvidas.
E o país consegue ser a sexta economia mundial com um IDH ainda vexaminoso. Quando você passeia pelo interior do Nordeste, onde as coisas vêm melhorando, é verdade, assusta-se com os ainda extensos bolsões de miséria atolados em dois ou três séculos atrás.
Povoados sem asfalto, um atrás do outro, com crianças barrigudinhas e descalças correndo na poeira, entre mulheres de ar sofrido e pele encarquilhada e homens trôpegos pela cachaça e pelo cansaço de uma vida inteira de trabalho duro, debaixo de sol a pino e em regime de semiescravidão.
Não consta que haja gente e cenários assim no Reino Unido e na França, o próximo país a ser, bem antes do que se previa, ultrapassado pela economia emergente do Brasil.
O que está em pauta não é (só) o ritmo da economia (...) mas principalmente a qualidade do desenvolvimento. Há que se discutir por que, para que e para quem o Brasil assume ares de potência. 

Eliane Cantanhêde, na Folha de terça-feira  (link só funciona para assinantes da Folha ou do UOL :oP)


***
É tão óbvio, tão óbvio, tão óbvio...

É o que a gente dizia no Colégio Santana nos anos 70 e 80, enquanto o governo militar se ufanava da "potência" que o Brasil era... Não gostavam que a gente dissesse "país subdesenvolvido" não, era "em desenvolvimento".

Dava uma revolta que fazia a gente querer entrar para a política, fazer revolução, fundar um partido, votar, eleger, fazer tudo diferente.

Olha no que deu. :o((((

Aqueles caras que antes eram inconformados com essa inversão de valores hoje comemoram a mesma coisa que questionavam, denunciavam, abominavam. 

Cara, falam tanto de 1984 (o Big Brother original, #pobreGeorgeOrwell ), mas o livro mais profético, mais irônico, mais chocante é Revolução dos Bichos. Não é leitura obrigatória nas escolas, né? Pois devia ser sugerida enfaticamente. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Diário de Uma Usuária - desta vez, não sou eu

Anteontem, minha empregada ligou toda feliz para dizer que conseguiu uma ressonância magnética para 5ª-feira (hoje) no HC.

Fazia meses que ela estava esperando. Ela tem dores terríveis nos ombros, coluna... Falta várias vezes ao trabalho, ou chega lá e não consegue fazer nada... Tem dificuldade para carregar sacolas, o filho, o sobrinho... Enfim, sofre.

O retorno para levar o resultado do exame é em NOVEMBRO.

***
Ela já passou pelo Grupo de Dor do HC e tem um retorno marcado para 20 DE ABRIL.

***
O atendimento é de alta qualidade, mas essa demora é uma insanidade.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Desaceleração do crédito no País é positiva, diz Moody's

(Matéria publicada no Diário do Comércio)

Desaceleração do crédito no País é positiva, diz Moody's - 2/5/2011 - 11h25

Os primeiros sinais de uma desaceleração do crédito no Brasil são um sinal positivo para o sistema financeiro doméstico, afirmou a agência de classificação de risco Moody's Investors Service, em relatório distribuído hoje, 2. Na última quinta-feira (28), o Banco Central (BC) divulgou um relatório de política monetária que "conteve os primeiros sinais de uma desejável desaceleração do crescimento do crédito ao consumo", segundo a Moody's.

"A evidência, embora ainda inicial, é positiva para o crédito do sistema, porque indica que as medidas macroprudenciais introduzidas em dezembro para conter a expansão do crédito estão produzindo os resultados pretendidos", disse.

As carteiras de empréstimos dos maiores bancos do Brasil vêm crescendo cerca de 20% por ano, o que gerou especulações de que poderiam estar sob risco de uma bolha de crédito. O BC tem afirmado que um crescimento de 10% a 15% seria mais desejável e reduziria as pressões inflacionárias. Embora em termos absolutos o BC mostre que o crédito continua crescendo, "o ritmo do crescimento está menor (...) sugerindo que as taxas de juros mais altas e as condições de financiamento mais restritivas estão afetando a demanda por empréstimos", afirmou a Moody's.

A desaceleração é mais pronunciada no segmento de consumo, mas também houve queda forte nos empréstimos para compra de carros, segundo a agência. Isso é "uma estatística importante dado que os empréstimos para compra de carros são responsáveis por cerca de um quarto de todo o crédito ao consumo no Brasil", disse a Moody's.

Comentário meu deixado no site do jornal:

Sonia Francine
2/5/2011 17:47:56

Não tenho nenhum apreço especial pelas agências de classificação de risco (o que só piorou depois de ver o premiado "Internal Job", documentário sobre os antecedentes da crise econômica de 2009), mas estou de acordo com a análise da Moody's: o crédito ao CONSUMO, os empréstimos p compra de carro em "900" meses, foram apostas irresponsáveis e demagógicas do governo anterior - desestimulou-se a poupança, incentivou-se o consumo impulsivo e sem lastro, ao mesmo tempo em que o setor produtivo sofria com o câmbio, juros e impostos.
Curioso é que a "austera" presidente foi colaboradora entusiasmada do governo Lula, de quem teria recebido uma "herança bendita". E não vejo um mísero jornalista questioná-la diretamente sobre a incoerência.


domingo, 6 de fevereiro de 2011

"O Malabarismo Brasileiro para Frear a China"

Esse foi o título de matéria do Diário do Comércio publicada na sexta-feira, 4/02.
Algumas de suas informações:













A matéria trata de um estudo da CNI sobre competitividade, com informações da Agência Estado (os grifos são meus):

- Das empresas exportadoras brasileiras que competem com produtos fabricados na China, 4% DEIXARAM de exportar. 

- "21% das empresas consultadas registram importação de matéria-prima chinesa, denotando, segundo a CNI, um aumento da penetração do país asiático na cadeia produtiva brasileira. Além disso, 32% dessas empresas pretendem aumentar as compras de insumos do gigante asiático".

"(...) A valorização do real em relação à moeda norte-americana tem sido o fator determinante para que produtos brasileiros percam mercado para os chineses tanto no mercado internacional quanto no Brasil. A avaliação foi feita hoje, 3, pelo gerente-executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. 

Segundo ele, o aumento da concorrência nos últimos anos está diretamente ligado ao preço dos produtos chineses. O economista lembrou que os custos de produção no país asiático são consideravelmente menores que no Brasil por diversos motivos: os menores salários e encargos sobre a folha de pagamentos, as taxas de juros mais favoráveis, a menor tributação e burocracia para exportação, as menores exigências de conformidade para os produtos, a melhor eficiência de infraestrutura e a maior escala de produção.

No entanto, destacou Castelo Branco, apesar desses inúmeros fatores estruturais que dão vantagem à China no comércio internacional, a concorrência com os chineses aumentou justamente a partir do momento em que o câmbio brasileiro acelerou sua valorização. "As dimensões estruturais pouco mudaram nos últimos anos, a grande alteração está na valorização do nosso câmbio. Esse é o fator mais determinante para o aumento da concorrência e da penetração dos produtos chineses", avaliou.

Para o executivo, além da ampliação das estratégias para enfrentar a competição com a China, por via de redução dos custos e investimentos em qualidade e design, é preciso enfrentar a questão cambial. "É preciso ter menos dependência da taxa de juros para controle da inflação, pois o diferencial de juros brasileiro favorece a entrada de dólares no País e pressiona ainda mais a cotação da moeda. E se a gente não avança nas agendas de competitividade em uma velocidade adequada para enfrentar essa concorrência, o quadro se torna mais preocupante" completou.


A sondagem da CNI foi feita em outubro do ano passado e consultou um universo de 1.529 empresas".

***
Todo mundo aqui conhece os fatos descritos acima por um ponto de vista ou por outro. Como consumidores, tá fácil - faz tempo que o Made in China invadiu o comércio e as nossas casas. Durante um tempo, o movimento Free Tibet - que eu apóio - pregou o boicote aos produtos chineses como forma de pressionar a China a devolver o Tibete aos tibetanos. Inútil... Primeiro, porque o boicote de meia dúzia de indivíduos (devemos ser apenas alguns milhares) "não faz cosquinha"* na balança comercial da China. Segundo, porque boicotar produtos chineses ficou quase impossível!


Quem tem um comércio ou uma pequena indústria ou trabalha nesses setores também sabe o sufoco que o setor produtivo brasileiro passa na competição desigual - e às vezes desleal - com os chineses. 

Quando fui vereadora, tive muito contato com um outro aspecto dessa competição - o trabalho análogo à escravidão em São Paulo. Milhares de bolivianos se submetem a condições desumanas de trabalho, trabalhando em oficinas de confecção clandestinas, costurando para varejistas de todos os tamanhos. Como um colega vereador observou na época, "é efeito colateral da concorrência com a China" - um jeito (desonesto, claro) de baratear a produção por aqui. 

***
Durante a campanha eleitoral, o Serra cansou de falar sobre o processo de desindustrialização do Brasil, provocado por um conjunto de fatores - câmbio, juros, carga tributária, burocracia, falta de fiscalização, corrupção,  precariedade da infra-estrutura (energia, estradas, etc.). Tudo provado, comprovado, demonstrado, irrefutável. Com a desindustrialização, perdemos postos de trabalho, renda, receita e divisas. Damos uma vida mais fácil a quem tem dinheiro para girar no mercado financeiro do que a quem quer investir em produção e emprego. 

Mas a propaganda governamental foi mais convincente... As imagens do Brasil pujante iguaizinhas às da década de 70; ufanismo traduzido em praias e cachoeiras, portos e usinas, sorrisos morenos sob o sol generoso. Pouco importa que a refinaria inaugurada só faz casco de navio; que a obra em curso tinha sido prometida para anos atrás...

A mentira governamental foi aceita por muita gente. A 'herança bendita", amém. O fato é que o Brasil acaba de sair de um governo que oscila entre o medíocre e o horrível, e o atual tem compromisso com o engodo (afinal, é fruto dele) e vai continuar mentindo. Vamos ver por quanto tempo os filhos de Lula continuam se deixando enganar.

sábado, 30 de outubro de 2010

2009: Protestos de estudantes da UEPA durante a "marolinha"

Apenas um recuerdo...

Do Blog Vamos à Luta, O Tempo Não Para

A onda global de demissões influenciou a maré dos rios paraenses. Ao invés da marolinha de Lula, assistimos a uma verdadeira pororoca em nosso estado. O ano de 2009 chegou com uma queda nas exportações. O setor mineral foi afetado. Empresas como a VALE colocam trabalhadores em licença remunerada e férias coletivas.



Em 2009, de acordo com dados do DIEESE aumentaram os casos de demissões, aumentando a fila do desemprego. A indústria madeireira demitiu 19 mil pessoas; fechou 7 mil postos de trabalho, mas que o dobro em relação a 2007. A construção civil desacelerou; demitiu, apenas em março, 8840 trabalhadores; fechou 1062 postos de trabalho. Na indústria de transformação, em 4 meses, foram extintos 7002 postos de trabalho. Das 11 empresas do ramo siderúrgico localizadas em Marabá e Abaetetuba apenas 2 estão funcionando; ao todo são 4 mil novos desempregados no setor. O comércio fechou 2194 postos de trabalho apenas no primeiro semestre de 2009.


Em quatro meses, entre dezembro de 2008 e março de 2009, o Pará fechou 23 mil postos de trabalho. Isso equivale ao fechamento de 192 postos por dia. Nunca antes na história desse estado esse quadro foi alcançado. A situação é desesperadora. O Pará possui cerca de 7 milhões de habitantes, destes cerca de 4 milhões estão localizados abaixo da linha da pobreza. Esse é o quadro da barbárie que envolve o povo trabalhador Paraense. Na outra ponta da sociedade os ricos estão bem. Empresários, madeireiros, banqueiros, sojeiros, latifundiários são protegidos pelo governo Lula, Ana Júlia e pelos prefeitos.

Ana Julia impõe corte de verbas em meio à crise econômica


Em meio à crise econômica mundial Lula cortou verbas das áreas sociais e destinou recursos aos ricos. Aqui no Pará Ana Júlia lançou um decreto visando reduzir despesas. O decreto prevê fechamento de repartições públicas às 14h, extinção das horas extras, suspensão de diárias em viagens fora do estado, redução de 20% em gastos com luz, telefones e materiais de expediente. A saída de Ana Julia frente à redução de arrecadação do Estado é despejar a crise na costa dos trabalhadores. Esse decreto afetou também nossa universidade que teve seus recursos cortados em mais de 20%.


(...)


CORTE DE VERBAS PREJUDICA ESTRUTURA DOS CAMPIS DO INTERIOR


O corte de recursos feito pelo governo da Ana Júlia junto com o descaso da atual reitora com relação a estrutura da universidade como um todo esta causando muitos problemas aos estudantes dos campus do interior. No campus do Mojú, por exemplo, é constante os assaltos aos alunos por que o campus não possui segurança suficiente e também por que os alunos dividem o campus com diversos moradores do local que estão ocupando o terreno da UEPA, já que a mesma não possui muro ou cercado que delimitem o terreno da universidade. Outro problema enfrentado pelos estudantes do campus do Mojú é com relação ao acervo de livros na biblioteca que não consegue suprir a demanda dos estudantes, prejudicando os estudantes, pois os mesmos necessitam ter uma boa produtividade nos trabalhos acadêmicos, e dessa forma precisam de um maior número de exemplares na biblioteca, tanto nas áreas de Ciências Naturais quanto em Pedagogia, Letras e Matemática. Outro fator que prejudica os estudantes é a quantidade grande de déficit de professores efetivos e fixos no campus, sendo que apenas estes podem orientar e assinar projetos de extensão.

PRINCIPAIS PROBLEMAS LEVANTADOS PELO DA NO CAMPUS DE CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA


Em Conceição do Araguaia quando os estudantes procuram a biblioteca é constante perceber que o livro não tem, que já foi emprestado ou que a biblioteca não possui o exemplar. Existe uma grandes deficiências no quis diz respeito à infra-estrutura dos laboratórios de química, física e biologia, sendo que os cursos de matemática, letras e pedagogia se quer tem laboratório, sendo que a alegação da coordenação é que não tem recursos e que nesse semestre está havendo um corte de gastos muito grande por parte do governo. No campus todos os problemas têm que ser resolvidos pela capital o que causa o atraso na resolução dos mais diversos problemas do núcleo. Mesmo o campus sendo o segundo maior da UEPA nunca a coordenação discutiu com os estudantes um projeto de assistência estudantil que contemple Restaurante Universitário e Moradia Estudantil. No campus necessita urgente de mais professores efetivos, pois os estudantes não agüentam mais iniciar os semestres em atraso por falta de professores. A falta de estrutura para os portadores de necessidades especiais é outro problema enfrentado no campus, pois os banheiros dos alunos não são adequados aos portadores de necessidades especiais e isso acaba dificultando a discussão a cerca da inclusão dos deficientes na universidade.


PROBLEMAS NO CAMPUS DE PARAGOMINAS


No campus de Paragominas existe uma carência muito grande nos acervos de livros principalmente nos cursos de TA (madeira) e Eng. Ambiental. Por conta do decreto da governadora a biblioteca deixou de ficar aberta durante todo o dia e passou a fechar em alguns horários do dia, isso quando não fecha a partir das 14h. Pelo mesmo decreto o atendimento da secretaria acadêmica foi reduzido para até as 18h impossibilitando o estudante do turno da noite ser atendido. Um dos maiores problemas do campus de Paragominas é o acesso ao laboratório de informática, já que várias vezes na semana o LABINF fica fechado por não ter monitores ou estagiários ou funcionários aptos a tomar conta do local prejudicando os estudantes que acabam ficando impossibilitado de fazer sua pesquisa na internet.

OS ESTUDANTES DA UEPA NÃO VÃO PAGAR PELA CRISE


Por conta de todos esses problemas os estudantes de vários campi estão realizando assembléias para discutir de que forma podem enfrentar esses problemas e cobrar da reitoria que melhore as condições de ensino. Nesse sentido os estudantes de Paragominas, em conjunto com o DA, realizaram uma assembléia geral na quinta feira, dia 13 de agosto (...) . Por conta dessa assembléia a reitoria foi obrigada a receber uma comissão de estudantes em uma reunião que ocorreu entre a reitoria e os estudantes do campus de Paragominas no dia 17/08 na qual foi exposta a pauta de reivindicação e soluções foram apresentadas.


Essa semana é a vez dos estudantes de Conceição do Araguaia, Redenção e Mojú, que estarão realizando assembléias gerais para debater como podem pressionar a reitoria da universidade no sentido de conseguirem melhorias em seus campi. A principal reivindicação desses estudantes é forçar um canal de dialogo com a reitoria que caso não atenda suas reivindicações os estudantes pretendem paralisar as aulas até que suas reivindicações sejam atendidas. Nesse sentido queremos chamar os estudantes de todos os campi a realizarmos uma jornada de paralisações e atos contra o decreto da governadora Ana Júlia que corta mais de 20% do orçamento da UEPA, e contra o corte de vagas no vestibular. Nós estudantes não podemos pagar pela crise e por isso Vamos à Luta.


REITORIA CORTA MAIS DE 440 VAGAS DO VESTIBULAR E PLANEJA CORTAR MAIS DE 1200.


Em julho quando a maioria dos estudantes da UEPA estavam de férias a reitoria aprovou um corte imenso nas vagas dos vestibulares desse ano e do ano de 2010. O corte foi de 444 vagas, as quais não serão ofertadas no vestibular desse ano; sendo que no do ano que vem já está previsto um corte maior que corresponderá a 1294 vagas. Isso significa que mais estudantes não terão acesso a um curso superior em nossa universidade.


Sabemos que um dos motivos para esse corte de vagas e dos vários problemas que estão passando os estudantes da UEPA tem a ver com a crise econômica. Já que no primeiro semestre a governadora Ana Júlia lançou um decreto que cortou em mais de 20% os recursos da UEPA. Essa é uma demonstração clara de que tanto o governo Lula quanto a governadora Ana Júlia preferem salvar os banqueiros e empresários a ter que investir mais recursos em nossa universidade.

OS CAMPI DO INTERIOR SERÃO OS MAIS PREJUDICADOS


Nessa discussão os mais prejudicados serão os campus do interior que no ano passado ofertaram 2052 vagas, nesse ano ofertarão 1610 vagas e no vestibular de 2010 irão ofertar apenas 890 vagas. Para dar exemplo, campus como o de Conceição do Araguaia que ofereciam para a população da região 306 vagas no ano de 2007, no ano que vem só irão ofertar 70 vagas; o campus do Mojú que no último vestibular ofertou 296 vagas no vestibular do ano que vem irão ofertar somente 40 vagas; o campus de Paragominas que ofertou no último vestibular 206 vagas no vestibular do próximo ano ofertarão somente 80 vagas.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Mensagem do Bispo

O site do PT de Porto Alegre reproduziu a carta do Bispo de Caçador - SC, .lida na missa de 12 de outubro.

O PT não gosta que a igreja se meta na disputa eleitoral - DESDE QUE, naturalmente, ela cisme de apoiar outro candidato que não os seus.

Alguns trechos da carta, grifos meus:

"(...) Passados alguns dias, iniciaram as propagandas eleitorais Subitamente, a minha caixa de correio foi tomada por uma “avalanche” de e-mails contra uma candidata apenas, a Dilma Roussef. Preciso dizer com todas as palavras, que fiquei indignado.

Perguntava-me: por que somente contra ela? Devo ser honesto e afirmar que não recebi nenhuma “matéria” contra qualquer outro(a) candidato(a).

Assim, concluí: Todos somos pecadores, mas uma só pessoa está levando pedrada nesta campanha eleitoral à presidência do Brasil. Aí, eu que já havia escolhido o meu candidato, fiz uma nova escolha. Decidi, diante de Deus, que esta mulher apedrejada é a minha candidata para presidir o Brasil.

Tem também um velho ditado popular que diz: “Só se atira pedras em árvores que dão frutos bons”. E pesquisando descobri que esta candidata, enquanto ministra, produziu muito e bons frutos.

Percebi também que, levando pedradas, não retribuía, e isto está de acordo com o Evangelho.
No domingo à noite, dia 10 de outubro, assisti ao debate promovido pela BAND. Um dos dons que Deus me concedeu foi o de conhecer as pessoas pelos seus olhos. Não costumo revelar o que vejo e sinto para todas as pessoas.

Durante o debate meus ouvidos estavam atentos às palavras dos candidatos, mas meus olhos foram atraídos para a expressão da sua face e a delicadeza do seu olhar.

Percebi duas atitudes muito interessantes: 1) Sua face estava sempre serena e seu leve sorriso não era forçado e nem transmitia falsidade. 2) Seus olhos, que são espelhos de sua alma, transmitiam segurança, confiança, ternura e sinceridade. Estas qualidades agregaram mais alguns pontos a Dilma".

A cada um dos negritos acima, acrescentem um (!!!!!!!!)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Desigualdade social no Brasil por Frei Betto

Relatório da ONU (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Pnud), divulgado em julho, aponta o Brasil como o terceiro pior índice de desigualdade no mundo. Quanto à distância entre pobres e ricos, nosso país empata com o Equador e só fica atrás de Bolívia, Haiti, Madagáscar, Camarões, Tailândia e África do Sul. Aqui temos uma das piores distribuições de renda do planeta. Entre os 15 países com maior diferença entre ricos e pobres, 10 se encontram na América Latina e Caribe. Mulheres (que recebem salários menores que os homens), negros e indígenas são os mais afetados pela desigualdade social. No Brasil, apenas 5,1% dos brancos sobrevivem com o equivalente a US$ 30 por mês (cerca de R$ 54) O percentual sobe para 10,6% em relação a índios e negros.


Na América Latina, há menos desigualdade na Costa Rica, Argentina, Venezuela e Uruguai. A ONU aponta como principais causas da disparidade social a falta de acesso à educação, a política fiscal injusta, os baixos salários e a dificuldade de dispor de serviços básicos, como saúde, saneamento e transporte.

É verdade que nos últimos 10 anos o governo brasileiro investiu na redução da miséria. Nem por isso se conseguiu evitar que a desigualdade se propague entre as futuras gerações.

Segundo a ONU, 58% da população brasileira mantém o mesmo perfil social de pobreza entre duas gerações. No Canadá e países escandinavos, esse índice é de 19%.

O que permite a redução da desigualdade é, em especial, o acesso à educação de qualidade. No Brasil, em cada grupo de 100 habitantes, apenas nove possuem diploma universitário.

Basta dizer que, a cada ano, 130 mil jovens, em todo o Brasil, ingressam nos cursos de engenharia.

Sobram 50 mil vagas. E apenas 30 mil chegam a se formar.

Os demais desistem por falta de capacidade para prosseguir os estudos, de recursos para pagar a mensalidade ou necessidade de abandonar o curso para garantir um lugar no mercado de trabalho.

Nas eleições deste ano votarão 135 milhões de brasileiros. Dos quais, 53% não terminaram o ensino fundamental. Que futuro terá este país se a sangria da desescolaridade não for estancada? Há, sim, melhoras em nosso país. Entre 2001 e 2008, a renda dos 10% mais pobres cresceu seis vezes mais rapidamente que a dos 10% mais ricos. A dos ricos cresceu 11,2%; a dos pobres, 72%. No entanto, há 25 anos, de acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), esse índice não muda: metade da renda total do Brasil está em mãos dos 10% mais ricos do país. E os 50% mais pobres dividem entre si apenas 10% da riqueza nacional.

Para operar uma drástica redução na desigualdade imperante em nosso país é urgente promover a reforma agrária e multiplicar os mecanismos de transferência de renda, como a Previdência Social. Hoje, 81,2 milhões de brasileiros são beneficiados pelo sistema previdenciário, que promove de fato distribuição de renda.

Mais da metade da população do Brasil detém menos de 3% das propriedades rurais.

E apenas 46 mil proprietários são donos de metade das terras. Nossa estrutura fundiária é a mesma desde o Brasil império! E quem dá emprego no campo não é o latifúndio nem o agronegócio, é a agricultura familiar, que ocupa apenas 24% das terras mas emprega 75% dos trabalhadores rurais.

Hoje, os programas de transferência de renda do governo incluindo assistência social, Bolsa Família e aposentadorias representam 20% do total da renda das famílias brasileiras. Em 2008, 18,7 milhões de pessoas viviam com menos de 1/4 do salário mínimo. Se não fossem as políticas de transferência, seriam 40,5 milhões. Isso significa que, nesses últimos anos, o governo Lula tirou da miséria 21,8 milhões de pessoas.

Em 1978, apenas 8,3% das famílias brasileiras recebiam transferência de renda.

Em 2008 eram 58,3%.

É uma falácia dizer que, ao promover transferência de renda, o governo está sustentando vagabundos. O governo sustenta vagabundos quando não pune os corruptos, o nepotismo, as licitações fajutas, a malversação de dinheiro público. Transferir renda aos mais pobres é dever, em especial num país em que o governo irriga o mercado financeiro engordando a fortuna dos especuladores que nada produzem. A questão reside em ensinar a pescar, em vez de dar o peixe.

Entenda-se: encontrar a porta de saída do Bolsa Família.

Todas as pesquisas comprovam que os mais pobres, ao obterem um pouco mais de renda, investem em qualidade de vida, como saúde, educação e moradia. O Brasil é rico, mas não é justo.
 
(Encontrei o artigo acima, publicado originalmente no site do MST, em um site do PT - o que achei curiosíssimo porque, embora tenha duas ou três referências elogiosas ao governo, é muito crítico do que NÃO melhorou nesses anos todos: a desigualdade, o acesso aos direitos básicos de cidadania, a oferta de possibilidade real de as pessoas conseguirem uma existência autônoma digna).

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Três Lagoas, Mato Grosso DO SUL! – 1


Estive lá esta semana para participar da Semana de Comunicação da Faculdade AEMS. Um vôo rápido e confortável até Araçatuba +  150km de estrada boa até Três Lagoas, MS, e pronto.

A expressão “outro mundo” é inevitável. Lugar muito plano, com ocupação também plana (sobre espaço...) fácil de imaginar no calor (estava frio!). Segundo meus anfitriões, por ser cercada de rios,  “parece uma panela Wok”, aquela que cozinha no vapor. Signos de agropecuária pra todo lado – caminhões enormes, chapéus de boiadeiro, lojas de implementos.

Não deu tempo de ver muita coisa da cidade, então quase tudo que eu soube dela foi pelo que os moradores me contaram:

“Três Lagoas cresceu muito nos últimos anos; estamos na expectativa do censo para dizer se a população passou de cem mil pessoas (como acredita a prefeita). Vieram para cá uma papeleira, uma siderúrgica...”
 
“A terra aqui é muito boa, a água brota fácil... Você espeta e já aflora o Aquífero Guarani. O eucalipto que leva sete anos pra brotar na China aqui cresce em três” (Não lembro se foram esses os números exatos, mas a proporção era essa).

“Agora já tem asfalto pela cidade toda, bem mais do que uns anos atrás. Mas não fizeram saneamento, drenagem...”

“Ali tem a termoelétrica do Lula. O gasoduto passa no meio da avenida”.

“Outro dia teve um vazamento da papeleira. A gente teve de cancelar as aulas na faculdade. Agora eles estão tendo de investir em medidas de controle ambiental”

“Aqui tem muita bicicleta e tem ciclovia, mas eles não respeitam muito, não”. “Eles quem” ? “Os ciclistas”.

“Tá vendo esse centro de eventos? Foi feito com dinheiro de uma compensação ambiental da CESP, que era no valor de 18 milhões. Vc acha???”

“Aqui tudo tem o nome do [Senador] Ramez Tebet”. (Que foi muito importante na história da cidade do estado morreu há pouco tempo; a prefeita é filha dele)

“Faz uma década que dizem que vão fazer uma ponte nova aqui, entre Três Lagoas e Castilho (SP). Precisa, viu, porque só tem a ponte em cima da Barragem, então todo mundo tem de vir pra cá. E é pra ser uma ponte rodoferroviária; precisa muito, porque a ponte ferroviária é velha demais. Os trens tem de circular com no máximo 20 vagões [outro número que eu não tenho certeza... Será que ele disse 30?], e podia ter muito mais. Compromete a produtividade”.

“Daqui se transporta mercadoria direto para o Porto de Paranaguá. Nem precisa de motor, a gravidade faz o serviço. Mas sai caro, porque cobram taxas altíssimas”.

“Saiu uma matéria no Correio aqui do estado dizendo que nosso maior prejuízo é com sonegação. Aí você vê o posto fiscal e realmente é uma piada”.

“Nosso Cristo é um fenômeno. Ele foi feito por um artesão de Corumbá e veio de trem. Era igual ao do Rio, com os braços abertos. Mas pra vir deitado no trem, teriam de cortar todas as árvores no caminho. Botaram ele de pé – aí não passavam nos fios. Resultado: cortaram os braços na altura do cotovelo e colocaram em outra posição, como se estivesse dando uma benção. Mas imagina o que o pessoal faz de piada – que o Cristo está sendo assaltado, ou fazendo um sinal não muito religioso...”

“A gente tá a 6km de São Paulo, mas as referências locais são sempre Campo Grande. Era tão fácil ir pra Araçatuba, Rio Preto...”

“Aqui pra baixo do rio é lindo. Você tem de vir no festival de pesca em Castilho em agosto e conhecer o “Pantanal Paulista”.”

Fiquei em frente a uma lagoa, lindo cenário. “Anos atrás, isso aqui estava abandonado, não tinha nada urbanizado. Agora tem calçada, pista, luz... A prefeita deu um bom trato. Mas não pode bicicleta nem cachorro, ‘cê acha?!”

“Às vezes vem artista aqui fazer show, aí sabe como é, o cara viaja tanto que nem sabe direito onde está. Outro dia teve um que passou o show inteiro falando “E aí, Sete Lagoas”!
“Quando o cara faz uma saudação ao “Mato Grosso”, o pessoal grita “Do Sul”!

"Naquela palmeiras moram casais de Arara Azul. Todo fim de tarde elas fazem uma revoada pela cidade" (Eu vi quatro araras, lindas!)

“Três Lagoas é o centro do Brasil. O Mato Grosso do Sul é o centro do Mercosul. Este lugar é muito especial”.