"Nós, da Zona Sul, tomamos conhecimento do que acontece na favela pela proximidade, sim, mas isso gera sentimentos ambivalentes. A gente tem até familiaridade com os moradores das favelas porque muitos deles trabalham como porteiros, empregadas domésticas, garçons. Mas a proximidade também gera um pânico que é constante. A gente ouve o barulho de tiro o tempo todo, a gente se acostuma (...). É diferente de São Paulo, daquela vida fechada nos condomínios, onde os bairros dos Jardins estão bem distantes da periferia. Aqui o sujeito sai de casa e vê o pessoal do morro por ali... E o barulho dos tiros... As pessoas da Zona Sul já sabem até identificar o tipo de arma pelo barulho do tiro... Esse é de fuzil, esse é tiro traçante... Já sabem do AR-15".
"Tudo isso gera no Rio uma tensão muito grande. É terrível, doloroso ter isso presente, é viver num alerta constante, e ninguém pode se alienar desse problema, não há lugar seguro, não há condomínio que possa fazer uma barreira contra tiroteio, o barulho chega lá e o medo também".
"Eu moro perto do morro Dois Irmãos. Vejo o morro e penso que não posso me levar tão a sério ao pé daquela montanha".
"Na minha infância, no Rio dos anos 50, havia uma convivência muito natural entre a classe média e a gente pobre. Essa convivência se fazia na praia, no futebol e na música. No tempo do Beco das Garrafas os pianistas, todos brancos, tocavam junto com percussionistas, todos negros, e a música que faziam era a mistura do samba tradicional com elementos vindos de fora do país, um tanto do jazz americano, um pouco da chanson francesa. Essa convivência estava na música de Villa-Lobos, que misturava erudito e popular, ele conhecia muito Pixinguinha, adorava chorinho... E esse contato estava na música porque estava também no cotidiano da cidade. Ainda garoto, eu subia o Morro da Babilônia para soltar pipa e ver a paisagem lá do lado. (...) Não havia hostilidade. Não havia o tráfico de drogas, que criou essa tragédia carioca".
(No Chile, discute-se atualmente a flexibilização da lei antidrogas. É um tema a se discutir aqui também?)
Eu tenho uma canção que fala disso, de sonhos impossíveis, de um Rio onde maconha se compra na tabacaria e drogas, na drogaria. Mas talvez não seja tão impossível assim pensar nisto. Ao contrário, vai haver um momento em que teremos que discutir isto. Se as drogas são um flagelo, o tráfico é muito pior. (...) O Rio virou entreposto de cocaína e aqui você vê garotos cheirando e vendendo cocaína aos 7 anos. Isso não existe nos Estados Unidos e na Europa (...)"
"No começo do governo Lula, quando Márcio Thomaz Bastos foi nomeado ministro da Justiça, tive esperança que este assunto fosse levado a debate. Eu me lembro que ele era a favor da descriminalização da maconha. E depois não se falou mais nisso..."
Subúrbio [trechos]
Letra e música de Chico Buarque
Lá não tem brisa
Não tem verde-azuis
Fala Penha, Irajá
Olaria, Acari, Vigário Geral
Piedade
Casas sem cor
Ruas de pó, cidade
Que não se pinta
Que é sem vaidade
Lá não tem turistas
Não sai foto nas revistas
Lá tem Jesus
E está de costas
Fala Maré
Madureira, Pavuna
Fala, Inhaúma
Cordovil, Pilares
Espalha tua voz
Nos arredores
Fala Penha, fala Irajá
Fala Encantado, Bangu, Realengo
Meriti, Nova Iguaçu
Fala, Paciência
(Chico, entrevista pós lançamento do CD "Carioca")
"...But when you talk about destruction/Don't you know that you can count me out"
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sexta-feira, 5 de julho de 2013
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Enquanto isso
Putzgrila, que tesão deve ser - que é - ser corintiano hoje. Noites de lua linda, manhãs ensolaradas lindas.
Agora eles vão ver, vão sentir, vão admitir que aquele Mundial mandrake, cheio de casuísmos, disputado por times B contrariados ou titulares interessados somente no verão do Rio, não tinha graça nenhuma... Ganhar a Libertadores é OUTRA coisa.
***
Escuta, será que não tem como o Brasil assinar algum tratado internacional pelo banimento das armas com bala de borracha??? Tem coisa mais estúpida para usar durante um tumulto?????
O "armamento não letal" é muito interessante para ser usado, por exemplo, contra um criminoso em fuga - um modo de detê-lo sem tirar a vida. Mas para atirar a esmo, em direção a um monte de gente, é um ABSURDO.
Aconteceu ontem de novo na frente do Pacaembu. Inacreditável.
***
E o cara alucinado que acelerou e atropelou dez pessoas (ou quinze, conforme a fonte) no Tatuapé? Que é isso, meu Deus?
***
Enquanto isso, no Planalto, o Senado aprovou o fim do voto secreto para processos de cassação. Mal posso acreditar. QUEM DISSE que as coisas não podem melhorar?
***
Agora a CPI está votando a convocação do dono da Delta, né? Hmmm...
***
Em algumas faixas do Corinthians exibidas no Anhembi, havia o nome de um vereador. Na premiação, lá estava um deputado federal.
Eita.
***
Ontem parecia que tem mais corintiano em São Paulo do que torcedores de todos os outros times juntos. E a festa em outras capitais? Cuiabá, Salvador, Belém... IMPRESSIONANTE. É um diacho de uma nação mesmo.
***
'Bora continuar fazendo uma das coisas que eu mais gosto nessa vida de política: organizar e reorganizar meu Programa de Governo. #adoro.
Agora eles vão ver, vão sentir, vão admitir que aquele Mundial mandrake, cheio de casuísmos, disputado por times B contrariados ou titulares interessados somente no verão do Rio, não tinha graça nenhuma... Ganhar a Libertadores é OUTRA coisa.
***
Escuta, será que não tem como o Brasil assinar algum tratado internacional pelo banimento das armas com bala de borracha??? Tem coisa mais estúpida para usar durante um tumulto?????
O "armamento não letal" é muito interessante para ser usado, por exemplo, contra um criminoso em fuga - um modo de detê-lo sem tirar a vida. Mas para atirar a esmo, em direção a um monte de gente, é um ABSURDO.
Aconteceu ontem de novo na frente do Pacaembu. Inacreditável.
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E o cara alucinado que acelerou e atropelou dez pessoas (ou quinze, conforme a fonte) no Tatuapé? Que é isso, meu Deus?
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Enquanto isso, no Planalto, o Senado aprovou o fim do voto secreto para processos de cassação. Mal posso acreditar. QUEM DISSE que as coisas não podem melhorar?
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Agora a CPI está votando a convocação do dono da Delta, né? Hmmm...
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Em algumas faixas do Corinthians exibidas no Anhembi, havia o nome de um vereador. Na premiação, lá estava um deputado federal.
Eita.
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Ontem parecia que tem mais corintiano em São Paulo do que torcedores de todos os outros times juntos. E a festa em outras capitais? Cuiabá, Salvador, Belém... IMPRESSIONANTE. É um diacho de uma nação mesmo.
***
'Bora continuar fazendo uma das coisas que eu mais gosto nessa vida de política: organizar e reorganizar meu Programa de Governo. #adoro.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Armas de fogo e de quatro rodas
ASSASSINADA UMA JUÍZA em Niterói. Conhecida como”linha dura”,
ou “martelo pesado”, era conhecida por “atuar com rigor contra grupos de
extermínio”. E não foi lá no Amapá não (pobre Amapá...), foi na Região
Metropolitana do Rio de Janeiro. A cidade que, a se julgar pelo noticiário da
Rede Globo, alcançou status quase alemão de Segurança, de tão pacificada... Acho legal e importante dar notícias boas, mostrar coisas relevantes que acontecem que não são negativas, mas daí a pintar um mundo cor-de-rosa vai uma distância boa.
Nos últimos dias, Rodrigo Pimentel, comentarista de
Segurança Pública do jornal, de quem eu sou fã, não apareceu. As notícias
disseram respeito aos disparos contra o ônibus seqüestrado – a perícia
demonstrou, sem muita dificuldade, que os tiros vieram todos de fora, com os
reféns lá dentro nas mãos dos bandidos!. Na véspera, antes dessa análise,
Rodrigo tinha observado, com muito conhecimento, que para atirar o policial
precisa estar seguro da oportunidade, da sua habilidade e uma ou duas outras
condições de que não me lembro.
Hoje a notícia foi sobre o assassinato da juíza, um absurdo,
coisa típica de faroeste. Pode ser coincidência; não sei se ele tem dias fixos
para aparecer. Mas fico com a impressão de que quando ele seria obrigado a
fazer comentários negativos sobre o Rio de Janeiro, não é escalado para o
programa...
***
Na madrugada, em São Paulo, um carro com 3 pessoas disputava
um racha na Avenida Água Espraiada (lindo nome substituído por “Roberto Marinho”
na gestão da prefeita Marta Suplicy) quando se chocaram contra uma mureta. Segundo
o SPTV, CINCO carros de bombeiro foram deslocados para o atendimento da
ocorrência e os feridos estão hospitalizados.
Devia haver uma lei obrigando àqueles que necessitaram de
socorro em função de seus atos ilícitos a ressarcir a administração pública
pelas despesas decorrentes do seu atendimento. %$#*(
***
O intervalo dos dois jornais, o SPTV e o Bom Dia Brasil, tem muito, mas muito comercial de carro. Quase uma lavagem cerebral. Carros lindos, possantes, invejáveis. Carros associados sempre a mulheres sedutoras, charme e status. Circulando sempre por ruas vazias, nem sempre em velocidade recomendável. Tem até aquele comercial com o "Homem do Ano", surfista, mágico, encantador, que fica impressionado com a habilidade da menina bonita em fazer uma manobra absurda para estacionar o carro - um cavalo-de-pau que um cara fez outro dia, acho que nos arredores de Brasília, e atropelou três ou quatro. Um charme, uau.
O intervalo dos dois jornais, o SPTV e o Bom Dia Brasil, tem muito, mas muito comercial de carro. Quase uma lavagem cerebral. Carros lindos, possantes, invejáveis. Carros associados sempre a mulheres sedutoras, charme e status. Circulando sempre por ruas vazias, nem sempre em velocidade recomendável. Tem até aquele comercial com o "Homem do Ano", surfista, mágico, encantador, que fica impressionado com a habilidade da menina bonita em fazer uma manobra absurda para estacionar o carro - um cavalo-de-pau que um cara fez outro dia, acho que nos arredores de Brasília, e atropelou três ou quatro. Um charme, uau.
***
Em um debate sobre drogas, como sempre acontece, várias pessoas falaram sobre "usar e dirigir". "Claro que o sujeito que fuma maconha não pode dirigir, porque os reflexos ficam prejudicados. Se fizer isso, tem de ser punido". "Cocaína deixa o cara se sentindo onipotente; dirigir cheirado é um perigo". "Beber e dirigir é responsável 50% dos acidentes". "Aliás, falar ao celular dirigindo equivale a dirigir bêbado. O trânsito mata
mais que as guerras".
Pensando bem, dirigir é que é o problema, ehehe. Mas nem por isso vamos criminalizar a direção rs.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Comentários
Comentei no Blog do Gabeira
"O resultado do "Não" no plebiscito por indicar muitas coisas diferentes, como outras pesquisas constataram na época. Optou-se pelo "Não" por muitas razões diferentes; "Diga Não" tem um apelo muito atraente para as pessoas. "O governo quer impor alguma coisa a você [como o próprio referendo, que foi tratado por muitos como uma "imposição", não um direito de manifestação!] - diga não"; "Proteste contra a corrupção, a ineficiência da polícia, o monopólio da segurança pelo governo - diga não"; "Isso é tudo um golpe para que apenas o governo tenha armas - na Alemanha de Hitler foi assim - Diga Não!". Não foi só por não acreditarem em estatísticas, ou por realmente, conscientemente, defenderem que é melhor manter o comércio de armas legalizado (uma opinião a ser respeitada, naturalmente). Foi muito por desinformação, revolta, desinteresse, tudo misturado. Acho bom voltar a discutir o assunto, além de insistir no óbvio: existe o comércio legal e o comércio ilegal de armas; o segundo existe e funciona com imensa facilidade e prosperidade. VAMOS COMBATÊ-LO DE VERDADE! Será possível que é tão difícil conter o tráfico de MUNIÇÕES, por exemplo?? Elas não são fabricadas em fundo de quintal, plantadas no meio do mato, processadas em laboratórios domésticos. Que diabo, não há modo de controlar a circulação da munição por aí??"
Comentei no Blog dos Democratadas
"Além de fazer promessas genéricas, vagas, óbvias, a candidata se comprometeu com coisas bem concretas que não dá o menor sinal de cumprir. Uma delas, cópia descarada nos últimos dias de campanha do que o Serra vinha dizendo desde sempre, era "zerar o PIS/COFINS sobre obras de Saneamento" http://www1.folha.uol.com.br/poder/815861-dilma-promete-zerar-pis-e-cofins-para-saneamento-bandeira-de-serra.shtml. CADÊ???"
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Oitava série
Minha filha já chorou bastante. Podia ter sido ela, podiam ter sido as amigas dela.
É difícil falar friamente agora, mas não custa tentar.
Há três coisas importantíssimas para se discutir em relação ao absurdo de ontem, e se não forem retomadas (nada é novidade) enquanto há comoção, podem ficar em segundo plano outra vez.
1) O elemento mais decisivo: SAÚDE MENTAL. O assassino era psicótico, NENHUMA dúvida em relação a isso. A mãe não pode cuidar dele porque tinha doença mental (tentou se matar, parece). Ele mesmo manifestou sinais de desordem após o 11 de Setembro, dizendo que também tinha vontade de destruir um avião daquele jeito, começou a se interessar por armas e munições...
As questões: 1) Como diagnosticar distúrbios mentais? Por que não fazer uma ampla campanha de conscientização em relação a isso, como se faz com AIDS, dengue, diabetes, câncer de mama, etc? Claro que há dificuldades, mas elas existem em relação aos outros temas também (como alertar para o risco de contrair AIDS sem fazer terrorismo, sem alimentar preconceitos etc). Com o trabalho cuidadoso de especialistas, investimento em publicidade e divulgação na imprensa, pode-se fazer um alerta que salve vidas e reduza o sofrimento de milhares de pessoas. 2) Uma vez que tenhamos mais atenção e condições de detectar sinais inequívocos ou suspeitas de doença mental, COMO ENCAMINHAR? A rede pública de saúde, deficiente já em outras áreas, é muito defasada em relação às imensas demandas em Saúde Mental. São Paulo já tem dezenas de CAPS, Centros de Atenção Psicossocial . Mas eles não dão nem para o cheiro. A cidade tem uma epidemia de pessoas em sofrimento mental – depressão, estresse, pânico, ansiedade. Sem falar nas “clássicas” psicose, esquizofrenia.
2)ARMAS. Como essa pessoa tinha DUAS? Na verdade, é fácil. Basta querer e ter algum dinheiro, nem é muito. O mercado ilegal/paralelo de armas de fogo tem de tudo, para todos os bolsos. Eu fui a favor da proibição da venda de armas para a população – já bastam as instituições armadas. “Ah, mas os bandidos tem armas, vai desarmar os cidadãos de bem?”. Salvo exceções muito bem analisadas, SIM. Os cidadãos de bem que tentam usar armas para se defender de bandidos se dão muito mal – bem o sujeito preparado para atirar, pega um cidadão despreparado para se defender, adivinhe. Cidadãos de bem tem as armas roubadas pelos bandidos. Cidadãos que não são bandidos usam armas para ferir ou matar namoradas, ex-namoradas, ex-mulheres, vizinhos, torcedores do outro time, inimigos reais ou imaginados, motoristas no trânsito. Continuo acreditando que limitar drasticamente a comercialização – e, por conseguinte – a produção de armas de fogo nos faria muito mais seguros. Menos armas em circulação, menos riscos para todos. E tenho certeza que é preciso reprimir MAIS o comércio e a posse ilegal de armas.
3) ESCOLAS. Precisam ser ambientes mais protegidos, mais seguros. Precisa ter Ronda Escolar. Precisa, infelizmente, ter câmeras. Precisa ter alarmes. Precisa ter porteiro. Possivelmente nada disso evitaria a tragédia de ontem – como disse uma pessoa na reunião em que eu estava em Brasília, “como a gente previne o absurdo?” – mas no mínimo desencorajaria e diminuiria os riscos de ataques à vida acontecerem (não só de psicóticos).
Que tristeza. Não sei como encerrar o texto. Não tenho mais nada para dizer agora.
É difícil falar friamente agora, mas não custa tentar.
Há três coisas importantíssimas para se discutir em relação ao absurdo de ontem, e se não forem retomadas (nada é novidade) enquanto há comoção, podem ficar em segundo plano outra vez.
1) O elemento mais decisivo: SAÚDE MENTAL. O assassino era psicótico, NENHUMA dúvida em relação a isso. A mãe não pode cuidar dele porque tinha doença mental (tentou se matar, parece). Ele mesmo manifestou sinais de desordem após o 11 de Setembro, dizendo que também tinha vontade de destruir um avião daquele jeito, começou a se interessar por armas e munições...
As questões: 1) Como diagnosticar distúrbios mentais? Por que não fazer uma ampla campanha de conscientização em relação a isso, como se faz com AIDS, dengue, diabetes, câncer de mama, etc? Claro que há dificuldades, mas elas existem em relação aos outros temas também (como alertar para o risco de contrair AIDS sem fazer terrorismo, sem alimentar preconceitos etc). Com o trabalho cuidadoso de especialistas, investimento em publicidade e divulgação na imprensa, pode-se fazer um alerta que salve vidas e reduza o sofrimento de milhares de pessoas. 2) Uma vez que tenhamos mais atenção e condições de detectar sinais inequívocos ou suspeitas de doença mental, COMO ENCAMINHAR? A rede pública de saúde, deficiente já em outras áreas, é muito defasada em relação às imensas demandas em Saúde Mental. São Paulo já tem dezenas de CAPS, Centros de Atenção Psicossocial . Mas eles não dão nem para o cheiro. A cidade tem uma epidemia de pessoas em sofrimento mental – depressão, estresse, pânico, ansiedade. Sem falar nas “clássicas” psicose, esquizofrenia.
2)ARMAS. Como essa pessoa tinha DUAS? Na verdade, é fácil. Basta querer e ter algum dinheiro, nem é muito. O mercado ilegal/paralelo de armas de fogo tem de tudo, para todos os bolsos. Eu fui a favor da proibição da venda de armas para a população – já bastam as instituições armadas. “Ah, mas os bandidos tem armas, vai desarmar os cidadãos de bem?”. Salvo exceções muito bem analisadas, SIM. Os cidadãos de bem que tentam usar armas para se defender de bandidos se dão muito mal – bem o sujeito preparado para atirar, pega um cidadão despreparado para se defender, adivinhe. Cidadãos de bem tem as armas roubadas pelos bandidos. Cidadãos que não são bandidos usam armas para ferir ou matar namoradas, ex-namoradas, ex-mulheres, vizinhos, torcedores do outro time, inimigos reais ou imaginados, motoristas no trânsito. Continuo acreditando que limitar drasticamente a comercialização – e, por conseguinte – a produção de armas de fogo nos faria muito mais seguros. Menos armas em circulação, menos riscos para todos. E tenho certeza que é preciso reprimir MAIS o comércio e a posse ilegal de armas.
3) ESCOLAS. Precisam ser ambientes mais protegidos, mais seguros. Precisa ter Ronda Escolar. Precisa, infelizmente, ter câmeras. Precisa ter alarmes. Precisa ter porteiro. Possivelmente nada disso evitaria a tragédia de ontem – como disse uma pessoa na reunião em que eu estava em Brasília, “como a gente previne o absurdo?” – mas no mínimo desencorajaria e diminuiria os riscos de ataques à vida acontecerem (não só de psicóticos).
Que tristeza. Não sei como encerrar o texto. Não tenho mais nada para dizer agora.
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