"A frente de partidos e entidades de esquerda que apoiou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última eleição presidencial passou a admitir a posição do PDT de pedir a renúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso. A esquerda também decidiu cacifar o slogan "Fora FHC".
As decisões foram tomadas em reunião ontem, em São Paulo. Até agora, prevalecia na frente a posição do PT de só tentar uma campanha pelo impeachment de FHC, por causa principalmente da denúncia de envolvimento do presidente no leilão das teles.
"Vamos engrossar o movimento pelo impeachment, mas apoiamos também movimentos alternativos como a tese do PDT de pedir a renúncia do presidente", disse Tarso Genro, coordenador da frente"
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc29069905.htm
"...But when you talk about destruction/Don't you know that you can count me out"
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domingo, 16 de agosto de 2015
ImpeachOQUE?
Quem tem a minha idade – 47 – já ouviu essa palavra antes. Mas no começo da década de 90 era novidade, a gente não sabia bem como falar, muito menos escrever. Dava a entender que tinha a ver com piche, pichação... Eu lembrava das histórias de gibi em que jogavam piche e penas em algum malfeitor como castigo. Mas quando explicavam que “impeachment” quer dizer “impedimento”, já ficava mais fácil de entender.
Na época, tínhamos acabadado de eleger um presidente por voto direto pela primeira vez depois de muito tempo. Para minha geração, era inédito. Quando nasci já estávamos na ditadura militar, e ficávamos assistindo à troca de presidentes sem poder fazer muita coisa. O governo fazia um anúncio na TV - algo do tipo “saiu o nome do novo presidente, é o General Fulano de Tal”.
Depois de muita luta, reconquistamos o direito de escolher o presidente, e o primeiro vitorioso nas urnas foi Fernando Collor de Mello. O povo adorou o discurso dele de “Caçador de Marajás” - esse era o nome dado aos funcionários públicos que ganhavam salários altíssimos e trabalhavam muito pouco ou nada. Dizia que tinha acabado com esses privilégios quando era governador de Alagoas. Se hoje, com internet e tudo, ainda é possível enganar as pessoas que estão perto ou longe, quanto mais naquela época...
Em 1992, o irmão de Collor deu uma entrevista acusando o tesoureiro da campanha presidencial, o empresário PC Farias, de articular um esquema de corrupção dentro do governo. Era propina pra cá, dinheiro desviado pra lá... Aos poucos foram aparecendo outras denúncias confirmando e dando detalhes do esquema.
Em um domingo de sol, fui para a frente do Teatro Municipal vestida de preto com meus amigos da faculdade e minhas filhas pequenas para pedir "Fora Collor". Algum tempo depois, uma equipe da MTV, onde eu trabalhava, saiu para fazer a cobertura da grande manifestação de estudantes na Avenida Paulista com a mesma motivação. Eu me lembro da discussão na redação - não era uma emissora jornalística, mas não podíamos deixar de registrar!
Agora as ruas estão sendo tomadas novamente por apelos de "Fora presidente" (Dilma, claro) e no dia 16 de agosto vai haver manifestações no Brasil inteiro. Eu vou. Tem sempre uns doidos, extremados ou "apenas" equivocados, a fim de violência, golpe militar, derrubada na marra. Eu não. Só quero que o Brasil acerte seu rumo outra vez.
Soninha Francine ainda não decidiu se vai de branco, verde-amarelo, vermelho...
Na época, tínhamos acabadado de eleger um presidente por voto direto pela primeira vez depois de muito tempo. Para minha geração, era inédito. Quando nasci já estávamos na ditadura militar, e ficávamos assistindo à troca de presidentes sem poder fazer muita coisa. O governo fazia um anúncio na TV - algo do tipo “saiu o nome do novo presidente, é o General Fulano de Tal”.
Depois de muita luta, reconquistamos o direito de escolher o presidente, e o primeiro vitorioso nas urnas foi Fernando Collor de Mello. O povo adorou o discurso dele de “Caçador de Marajás” - esse era o nome dado aos funcionários públicos que ganhavam salários altíssimos e trabalhavam muito pouco ou nada. Dizia que tinha acabado com esses privilégios quando era governador de Alagoas. Se hoje, com internet e tudo, ainda é possível enganar as pessoas que estão perto ou longe, quanto mais naquela época...
Em 1992, o irmão de Collor deu uma entrevista acusando o tesoureiro da campanha presidencial, o empresário PC Farias, de articular um esquema de corrupção dentro do governo. Era propina pra cá, dinheiro desviado pra lá... Aos poucos foram aparecendo outras denúncias confirmando e dando detalhes do esquema.
Em um domingo de sol, fui para a frente do Teatro Municipal vestida de preto com meus amigos da faculdade e minhas filhas pequenas para pedir "Fora Collor". Algum tempo depois, uma equipe da MTV, onde eu trabalhava, saiu para fazer a cobertura da grande manifestação de estudantes na Avenida Paulista com a mesma motivação. Eu me lembro da discussão na redação - não era uma emissora jornalística, mas não podíamos deixar de registrar!
Agora as ruas estão sendo tomadas novamente por apelos de "Fora presidente" (Dilma, claro) e no dia 16 de agosto vai haver manifestações no Brasil inteiro. Eu vou. Tem sempre uns doidos, extremados ou "apenas" equivocados, a fim de violência, golpe militar, derrubada na marra. Eu não. Só quero que o Brasil acerte seu rumo outra vez.
Soninha Francine ainda não decidiu se vai de branco, verde-amarelo, vermelho...
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
A indecência das bandeirinhas
Não as que marcaram impedimentos inexistentes para fúria de alguns.
Não as que posaram nuas, para a fúria dos mesmos ou de outros.
As da conta de luz.
Quer dizer então, cidadão, que o governo fez o PAC 1, o PAC 2, o PAC Mobilidade, o PAC Copa do Mundo, o PAC Energia, o PAC infraestrutura, o PAC KCTA4 e agora ele gentilmente avisa na conta de luz: "a infraestrutura de energia avançou bosta nenhuma, então se prepara aí que de vez em quando a tarifa fica mais cara ainda"??
Botar a bandeirinha vermelha quando aumenta o uso de térmicas - que são mais caras e, como se não bastasse, mais poluentes - para que o cidadão saiba que é melhor economizar é tão descarado, tão torpe...
VOCÊ banca as obras das mega-hidrelétricas carésimas e discutíveis. Jirau, Santo Antonio, Belo Monte. VOCÊ arcará com os danos ambientais irreversíveis. E você arca com o custo adicional do uso das térmicas quando o sistema hidrelétrico não der conta.
Pras distribuidoras de energia, é um negocião. Se chove ou não chove, se precisa recorrer a esta ou aquela fonte, tanto faz, o pobrema é do fregueiz. Ele que economize, ué.
Ai Brasil... Tu não aprende.
Não as que posaram nuas, para a fúria dos mesmos ou de outros.
As da conta de luz.
Quer dizer então, cidadão, que o governo fez o PAC 1, o PAC 2, o PAC Mobilidade, o PAC Copa do Mundo, o PAC Energia, o PAC infraestrutura, o PAC KCTA4 e agora ele gentilmente avisa na conta de luz: "a infraestrutura de energia avançou bosta nenhuma, então se prepara aí que de vez em quando a tarifa fica mais cara ainda"??
Botar a bandeirinha vermelha quando aumenta o uso de térmicas - que são mais caras e, como se não bastasse, mais poluentes - para que o cidadão saiba que é melhor economizar é tão descarado, tão torpe...
VOCÊ banca as obras das mega-hidrelétricas carésimas e discutíveis. Jirau, Santo Antonio, Belo Monte. VOCÊ arcará com os danos ambientais irreversíveis. E você arca com o custo adicional do uso das térmicas quando o sistema hidrelétrico não der conta.
Pras distribuidoras de energia, é um negocião. Se chove ou não chove, se precisa recorrer a esta ou aquela fonte, tanto faz, o pobrema é do fregueiz. Ele que economize, ué.
Ai Brasil... Tu não aprende.
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Por que o Bolsa não funcionou
Um amigo pediu minha opinião sobre o Bolsa Família. Levantei vários dados oficiais e detalhei minhas objeções, que aí estão:
1 - O valor do benefício:
Em áreas rurais, é razoável. Mas em cidades grandes, mal e mal dá pra ajudar um pouco no orçamento doméstico. Pensa: o que uma família com 4 ou 5 filhos consegue fazer em São Paulo com o valor que recebe? (dependendo do caso, dá uns 200 reais por mês...)
2 - A utilidade do benefício:
Em áreas rurais com mercadinho etc, ajuda. Mas em áreas extremamente pobres, em que falta água, alimento, moradia decente, não adianta ter o dinheiro porque NEM TEM O QUE COMPRAR. Tem muita gente passando fome SIM no semiárido e outras regiões Brasil adentro. E em áreas urbanas, repito, o dinheiro não dá pra nada - condução, aluguel, alimentação, vestuário, lazer...
3 - As condicionalidades:
Simplesmente não funcionam, por razões diversas. A família tem obrigação de manter as crianças e adolescentes na escola - já viu a qualidade das escolas no país, né? Sem falar que 24 MIL escolas rurais foram FECHADAS desde 2002; veja este texto do MST condenando isso (mesmo sem responsabilizar o PT, claro - #imagina se fossegoverno PSDB). O transporte escolar no N/NE é uma escândalo, criança continua sendo carregada por aí somo se fosse gado. A família beneficiada em de manter a vacinação em dia, mas nos últimos meses TEM FALTADO VACINA nos postos, um retrocesso medonho, e por aí vai.
4 - O "desenvolvimento/inclusão social":
Se as escolas continuam péssimas, se a Saúde é uma tragédia, saneamento básico não tem, emprego é difícil, que desenvolvimento com inclusão é esse??? O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil continua baixíssimo e é pior justamente onde tem mais gente recebendo Bolsa Família.
5 - O cálculo do que é "miséria" e "pobreza".
Como diz o site do Ministério, extrema pobreza é receber menos de R$77 por pessoa por mês. Portanto, se uma família com 6 pessoas (não é raro no Brasil) vive com R$468 por mês (POUQUÌSSIMO), ela JÁ SAIU da extrema pobreza.
Pobreza é quando uma família recebe mais que R$77 mas menos que R$154 por pessoa por mês. Se uma família com 6 pessoas vive com R$930 por mês, já saiu da pobreza segundo os critérios oficiais!!!
6 - O tempo decorrido
Já faz uma década que tem Bolsa Família. Se as famílias tem pavor de perder o Bolsa Família, se o fim do programa (que não está ameaçado) faria com que milhões retornassem à pobreza ou miséria, que inclusão foi essa? As pessoas não conquistaram autonomia, continuam dependentes, então o programa... falhou!
Em suma: uma política de Bolsa é necessária em caráter emergencial, porque ninguém deve viver sem ter um mínimo de condições - e fracassada se, depois de dez anos, continua sendo tão necesária quanto antes...
1 - O valor do benefício:
Em áreas rurais, é razoável. Mas em cidades grandes, mal e mal dá pra ajudar um pouco no orçamento doméstico. Pensa: o que uma família com 4 ou 5 filhos consegue fazer em São Paulo com o valor que recebe? (dependendo do caso, dá uns 200 reais por mês...)
2 - A utilidade do benefício:
Em áreas rurais com mercadinho etc, ajuda. Mas em áreas extremamente pobres, em que falta água, alimento, moradia decente, não adianta ter o dinheiro porque NEM TEM O QUE COMPRAR. Tem muita gente passando fome SIM no semiárido e outras regiões Brasil adentro. E em áreas urbanas, repito, o dinheiro não dá pra nada - condução, aluguel, alimentação, vestuário, lazer...
3 - As condicionalidades:
Simplesmente não funcionam, por razões diversas. A família tem obrigação de manter as crianças e adolescentes na escola - já viu a qualidade das escolas no país, né? Sem falar que 24 MIL escolas rurais foram FECHADAS desde 2002; veja este texto do MST condenando isso (mesmo sem responsabilizar o PT, claro - #imagina se fossegoverno PSDB). O transporte escolar no N/NE é uma escândalo, criança continua sendo carregada por aí somo se fosse gado. A família beneficiada em de manter a vacinação em dia, mas nos últimos meses TEM FALTADO VACINA nos postos, um retrocesso medonho, e por aí vai.
4 - O "desenvolvimento/inclusão social":
Se as escolas continuam péssimas, se a Saúde é uma tragédia, saneamento básico não tem, emprego é difícil, que desenvolvimento com inclusão é esse??? O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil continua baixíssimo e é pior justamente onde tem mais gente recebendo Bolsa Família.
5 - O cálculo do que é "miséria" e "pobreza".
Como diz o site do Ministério, extrema pobreza é receber menos de R$77 por pessoa por mês. Portanto, se uma família com 6 pessoas (não é raro no Brasil) vive com R$468 por mês (POUQUÌSSIMO), ela JÁ SAIU da extrema pobreza.
Pobreza é quando uma família recebe mais que R$77 mas menos que R$154 por pessoa por mês. Se uma família com 6 pessoas vive com R$930 por mês, já saiu da pobreza segundo os critérios oficiais!!!
6 - O tempo decorrido
Já faz uma década que tem Bolsa Família. Se as famílias tem pavor de perder o Bolsa Família, se o fim do programa (que não está ameaçado) faria com que milhões retornassem à pobreza ou miséria, que inclusão foi essa? As pessoas não conquistaram autonomia, continuam dependentes, então o programa... falhou!
Em suma: uma política de Bolsa é necessária em caráter emergencial, porque ninguém deve viver sem ter um mínimo de condições - e fracassada se, depois de dez anos, continua sendo tão necesária quanto antes...
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Governos do PT não tem nome
Impressionante o gosto com que o Rodrigo Boccardi (Bom Dia São Paulo/ Bom Dia Brasil) mete o pau em São Paulo. "É uma vergonha! As autoridades falam, falam e não fazem nada"! Quando o problema é em outros lugares, o tom é mais do tipo "que chato, isso. Vamos torcer para resolverem".
Hoje houve uma matéria sobre um Pronto Socorro em Osasco onde houve um atendimento à luz de celular (fora os baldes para coletar água da chuva, banheiro quebrado...). Não, não tem gerador. Nem me pergunte o que acontece com os pacientes ligados a algum tipo de aparelho - os repórteres também não perguntaram, então não sei.
Ah, faltam médicos também. Está na matéria exibida na véspera no SP TV. Além de falar dessa ocorrência em Osasco(desde 2005 governado pelo PT; o João Paulo Cunha retirou a candidatura para prefeito em 2012 porque estava sendo julgado pelo "Mensalão"; seu substituto foi eleito) e outra, de Guarulhos (governado pelo PT desde 2001). Um paciente de 62 esperou 15 dias por uma cirurgia no fêmur fraturado. Até email para o Secretário de Saúde uma parente mandou, para receber a resposta "não posso fazer nada, infelizmente". Depois que passou no SPTV, conseguiram fazer alguma coisa.
O Bom Dia Brasil, depois da matéria, falou que "no estado todo, aponta o Cremesp, há deficiências nos Pronto-Socorros"). #ImaginanoMaranhao. Não tem de deixar de criticar São Paulo - mas é repulsivo como querem transformar este no estado do Brasil com mais problemas na área pública. Nem a pau, Juvenal.
Com tanto anúncio de Mais Médicos nos intervalos da Globo, acho que fica chato eles falarem que a Saúde onde o PT ou seus aliados governam é tão ruim quanto a média do Brasil todo. Quando não a joga pra baixo.
***
(O repórter fala de São Paulo como "o estado mais rico do Brasil". Parece que o governo é o mais rico também, isto é, com mais recursos para atender sua população. Acontece que somos mais de 40 milhões de pessoas; na divisão per capita, ficamos em 11º lugar. E boa parte da riqueza produzida aqui é remetida para o governo federal, que devolve como quiser. No sistema financeiro, por exemplo, os impostos são todos federais. Os outros tem uma parte destinada à União - que teoricamente distribuiria os tributos de modo a diminuir a desigualdade no Brasil. Mas ainda assim a Saúde de São Paulo, com os defeitos que obviamente tem, atende gente do Brasil inteiro, porque em seus estados de origem não teriam chance).
***
O Rio Grande do Norte também tem toneladas de problemas, e hoje o BDia mostrou o estado deplorável da Fundação responsável pela internação de menores. E disse o nome da "governadora Rosalba Ciarlini, do DEM".
Brasília aparece muito no jornal com problemas igualmente deploráveis - moradia, segurança, saúde, transporte público, obras supefaturadas, atrasadas e com defeitos graves, "máfia do alvará", duas mortes em intervalo pequeno de tempo por causa de enxurrada debaixo de um viaduto. Em NENHUMA delas disse o nome do governador "Agnelo Queiroz, do PT".
Impressionante.
Hoje houve uma matéria sobre um Pronto Socorro em Osasco onde houve um atendimento à luz de celular (fora os baldes para coletar água da chuva, banheiro quebrado...). Não, não tem gerador. Nem me pergunte o que acontece com os pacientes ligados a algum tipo de aparelho - os repórteres também não perguntaram, então não sei.
Ah, faltam médicos também. Está na matéria exibida na véspera no SP TV. Além de falar dessa ocorrência em Osasco(desde 2005 governado pelo PT; o João Paulo Cunha retirou a candidatura para prefeito em 2012 porque estava sendo julgado pelo "Mensalão"; seu substituto foi eleito) e outra, de Guarulhos (governado pelo PT desde 2001). Um paciente de 62 esperou 15 dias por uma cirurgia no fêmur fraturado. Até email para o Secretário de Saúde uma parente mandou, para receber a resposta "não posso fazer nada, infelizmente". Depois que passou no SPTV, conseguiram fazer alguma coisa.
O Bom Dia Brasil, depois da matéria, falou que "no estado todo, aponta o Cremesp, há deficiências nos Pronto-Socorros"). #ImaginanoMaranhao. Não tem de deixar de criticar São Paulo - mas é repulsivo como querem transformar este no estado do Brasil com mais problemas na área pública. Nem a pau, Juvenal.
Com tanto anúncio de Mais Médicos nos intervalos da Globo, acho que fica chato eles falarem que a Saúde onde o PT ou seus aliados governam é tão ruim quanto a média do Brasil todo. Quando não a joga pra baixo.
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(O repórter fala de São Paulo como "o estado mais rico do Brasil". Parece que o governo é o mais rico também, isto é, com mais recursos para atender sua população. Acontece que somos mais de 40 milhões de pessoas; na divisão per capita, ficamos em 11º lugar. E boa parte da riqueza produzida aqui é remetida para o governo federal, que devolve como quiser. No sistema financeiro, por exemplo, os impostos são todos federais. Os outros tem uma parte destinada à União - que teoricamente distribuiria os tributos de modo a diminuir a desigualdade no Brasil. Mas ainda assim a Saúde de São Paulo, com os defeitos que obviamente tem, atende gente do Brasil inteiro, porque em seus estados de origem não teriam chance).
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O Rio Grande do Norte também tem toneladas de problemas, e hoje o BDia mostrou o estado deplorável da Fundação responsável pela internação de menores. E disse o nome da "governadora Rosalba Ciarlini, do DEM".
Brasília aparece muito no jornal com problemas igualmente deploráveis - moradia, segurança, saúde, transporte público, obras supefaturadas, atrasadas e com defeitos graves, "máfia do alvará", duas mortes em intervalo pequeno de tempo por causa de enxurrada debaixo de um viaduto. Em NENHUMA delas disse o nome do governador "Agnelo Queiroz, do PT".
Impressionante.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Maus Médicos, Mais Médicos, Maus Modos
O debate sobre o Mais Médicos trouxe uma boa novidade: aqueles que normalmente defendem incondicionalmente e homogeneamente categorias inteiras de funcionários públicos reconheceram, pela primeira vez, que há profissionais com zero compromisso no serviço público.
Sou usuária do SUS e tenho amizade bem próxima com usuários da periferia - Brasilândia, Jardim Capela, Santo Amaro, Grajaú. Há ocasiões em que os médicos simplesmente não vão trabalhar. Em outras, chegam com horas de atraso. Ficam batendo-papo enquanto a sala de espera está cheia. "Examinam" as pessoas sem se levantar da cadeira, sem encostar um dedo no paciente. São estúpidos no trato com os doentes. Receitam qualquer coisa, no chute. Não querem nem saber se o medicamento está disponível no SUS ou não.
Com a decisão do Ministério da Saúde de incentivar a facilitar a vida de médicos estrangeiros, petistas começaram a se referir aos médicos que já trabalham no sistema público "vagabundos" e "mercenários". Aí já transformaram todo mundo em vilão.
Se há médicos que nem por todo o dinheiro do mundo aceitam ir trabalhar na periferia, serão eles os mercenários? Não seriam os que aceitam um salário que consideram ridículo, desde que possam trabalhar "nas coxas" na rede pública e acumular outro emprego?
Quem não aceita é muito mais digno do que quem vai só pelo dinheiro. Alguns recusam ir para "as bordas" das cidades ou o interiorzão do país porque temem por sua própria segurança. Outros não suportam a falta de condições de trabalho. Outros não querem levar duas ou três horas para chegar ao seu local de trabalho; outros não querem morar a centenas de km de distância da família. Estão errados?
***
Sem melhorar as condições de trabalho (afinal, o Programa não inclui reformas nos locais de trabalho, aquisição de novos equipamentos, garantia de abastecimento dos materiais necessários, contratação de pessoas para todos os postos de trabalho, informatização dos prontuários etc), o governo oferece dez mil reais para quem aceitar trabalhar no SUS do jeito que ele está agora.
No caso dos brasileiros, bolsistas que estão fazendo Residência. Para quem não sabe, esse é o período em que um profissional já formado na faculdade de medicina começa a dar expediente em um hospital etc sob a supervisão de um profissional experiente. (Veja no site do Ministério da Educação)
Tem gente que até reclama de ser atendido por residente no Hospital das Clínicas, por exemplo, dizendo que não quer passar por "estagiário", mas a Residência equivale a uma pós. Só que EXIGE a supervisão (diz lá o MEC: "sob a orientação de profissionais médicos de elevada qualificação ética e profissional").
Perguntei ao Ministério da Saúde no Twitter como ela seria feita. A resposta foi que haveria um preceptor POR ESTADO. Imagine se é suficiente!
***
Quando da implantação da gestão de unidades de saúde por Organizações Sociais na cidade de São Paulo, os opositores (basicamente o PT) criticavam o programa por ser "privatização" da Saúde (não é; o equipamento continua público, universal, gratuito); pela "precarização" das relações de trabalho (por serem os profissionais contratados em regime de CLT pelas OSs em vez de serem servidores efetivos, portanto com estabilidade); "flexibilização" ou "falta de transparência" no processo seletivo (por não haver concurso público); desequilíbrio entre pessoas que exercem as mesmas funções (o médico que é "de carreira", com seus vencimentos normais, e o celetista contratado pela OS, que tem salário melhor).
Pois bem - o Mais Médicos é tudo isso e pior ainda. Profissionais são incorporados à rede pública em condições nem sempre claras, com processo seletivo "especial", alguns trâmites legais contornados e um salário muito maior do que o dos demais profissionais.
Imagine o médico que há anos pasta no serviço público trabalhando ao lado de um residente que ganha dez mil reais. E imagine o cubano que veio para exercer a medicina, não como militante político, descobrir que ele é tratado como um estrangeiro "diferenciado" - para pior. Ganha muito menos do que os outros e parte de seu salário é depositada à força em uma caderneta de poupança, como fazem com presidiários, ao qual ele só terá acesso quando terminar de cumprir o contrato e voltar para Cuba.
Retenção de rendimentos como forma de manter o profissional "preso" ao contrato é uma das características de trabalho análogo à escravidão... Sem contar as restrições impostas quanto à circulação, convivência com a família etc.
"Vieram porque quiseram", dirão alguns. "Se não leram o contrato, problema deles". "Se leram e não se opuseram antes, por que resolveram falar agora"?
Ora, quem nunca descobriu depois de começar a trabalhar que tinha se metido em uma roubada? Ou se deu conta do tamanho da roubada?
No caso da médica que "desertou" o Mais Médicos (desertou! é a palavra usada quando soldados obrigados a lutar por sua pátria se recusam a fazê-lo), imagine o que é descobrir que foi tapeado pelo patrão e ele é... o governo de seu país. Ou o governo do Brasil. Ou a OPAS, sei lá.
Porque esse é um dos problemas da situação dos cubanos do Mais Médicos. A contratação deles foi "em massa" e passou por um intermediário. Parte do salário ficou retida por ele e parte foi remetida ao governo de Cuba - que é isso, aluguel de mão-de-obra? E o compromisso é com o governo brasileiro, que "flexibilizou" várias regras para poder contar com eles.
"A OPAS já fez convênios assim com dezenas de outros países", defende o Ministério da Justiça. E...? Que sabemos sobre as condições de trabalho nesses outros países?
Enfim, o "programa" é repleto de pontos obscuros ou francamente irregulares. MAS, como é comum acontecer neste governo, quem faz críticas a ele é contra os pobres, a favor das corporações, capitalista maldito, coxinha etc. Impressionante o discurso panfletário em defesa do governo. Do governo!
***
"Programa", entre aspas, porque não faz jus a essa classificação. Trata-se tão somente da contratação temporária de profissionais para preencher postos vagos na rede pública. Supostamente, para reduzir as filas e melhorar muito o atendimento à população, além de fazer a prevenção e promoção da Saúde.
Mas faz muito menos do que isso. A Atenção Básica é fundamental; o acompanhamento atento, próximo, continuado. Perceber as condições que propiciam o surgimento de doenças ou detectá-las bem no início. Mas isso envolve bem mais do que o médico no consultório. As equipes de Saúde da Família, que visitam as residências em vez de esperar que as pessoas vão ao médico, são fundamentais. E são EQUIPES, com vários profissionais envolvidos, não um médico sozinho para dar conta de tudo.
A promoção da Saúde exige mais ainda do que isso. Saneamento Básico, por exemplo. Moradia digna, em condições de salubridade. Meio Ambiente equilibrado. Educação. Alimentação saudável. Boa dentição. Trabalho decente. E o governo é PÉSSIMO na garantia desses direitos.
Para completar, em locais sujos, com janelas quebradas, sem medicamentos, sem lençóis limpos, sem suprimentos como material para sutura ou equipamento de Raio-X, o médico não melhora o sistema o suficiente para reduzir o sofrimento das pessoas. Elas vão continuar na fila, no vai-e-vem, na incerteza, na dor, na recaída.
Os Pronto-Socorros continuam em petição de miséria. Faltam outros profissionais - pediatras, geriatras, ortopedistas, fisioterapeutas, psiquiatras, dentistas. Ambulâncias. Combustível para ambulâncias.
(O Ministério costuma colocar a culpa nas prefeituras pelas ambulâncias que não rodam. Mas se elas NÃO TEM DINHEIRO, o que vão fazer? Vender uma para conseguir abastecer a outra? Os municípios sofrem com falta de dinheiro e não é só um problema de "má gestão" ou da corrupção; nosso sistema tributário, nossa federação toda torta os suga e concentra MUITO dinheiro na União, à disposição do governo federal. Que devolve pingadinho daqui ou dali e ainda diz "e não reclamem! Agradeçam pelo que estamos dando". E os hospitais das Universidades FEDERAIS, como o da UFRJ, estão caindo aos pedaços!!!).
Mas na propaganda - que custa caríssimo! Anúncios no intervalo do Jornal Nacional! - tudo é lindo, claro. Quem está sofrendo lá longe não aparece na TV. E quem está aqui conforável assistindo e tem boa vontade ou paixão pelo governo Dilma diz "como somos bons para os pobres", sem jamais por os pés em uma UBS, UPA, Pronto-Socorro ou coisa que o valha.
***
Tristeza e raiva que me dá.
Sou usuária do SUS e tenho amizade bem próxima com usuários da periferia - Brasilândia, Jardim Capela, Santo Amaro, Grajaú. Há ocasiões em que os médicos simplesmente não vão trabalhar. Em outras, chegam com horas de atraso. Ficam batendo-papo enquanto a sala de espera está cheia. "Examinam" as pessoas sem se levantar da cadeira, sem encostar um dedo no paciente. São estúpidos no trato com os doentes. Receitam qualquer coisa, no chute. Não querem nem saber se o medicamento está disponível no SUS ou não.
Com a decisão do Ministério da Saúde de incentivar a facilitar a vida de médicos estrangeiros, petistas começaram a se referir aos médicos que já trabalham no sistema público "vagabundos" e "mercenários". Aí já transformaram todo mundo em vilão.
Se há médicos que nem por todo o dinheiro do mundo aceitam ir trabalhar na periferia, serão eles os mercenários? Não seriam os que aceitam um salário que consideram ridículo, desde que possam trabalhar "nas coxas" na rede pública e acumular outro emprego?
Quem não aceita é muito mais digno do que quem vai só pelo dinheiro. Alguns recusam ir para "as bordas" das cidades ou o interiorzão do país porque temem por sua própria segurança. Outros não suportam a falta de condições de trabalho. Outros não querem levar duas ou três horas para chegar ao seu local de trabalho; outros não querem morar a centenas de km de distância da família. Estão errados?
***
Sem melhorar as condições de trabalho (afinal, o Programa não inclui reformas nos locais de trabalho, aquisição de novos equipamentos, garantia de abastecimento dos materiais necessários, contratação de pessoas para todos os postos de trabalho, informatização dos prontuários etc), o governo oferece dez mil reais para quem aceitar trabalhar no SUS do jeito que ele está agora.
No caso dos brasileiros, bolsistas que estão fazendo Residência. Para quem não sabe, esse é o período em que um profissional já formado na faculdade de medicina começa a dar expediente em um hospital etc sob a supervisão de um profissional experiente. (Veja no site do Ministério da Educação)
Tem gente que até reclama de ser atendido por residente no Hospital das Clínicas, por exemplo, dizendo que não quer passar por "estagiário", mas a Residência equivale a uma pós. Só que EXIGE a supervisão (diz lá o MEC: "sob a orientação de profissionais médicos de elevada qualificação ética e profissional").
Perguntei ao Ministério da Saúde no Twitter como ela seria feita. A resposta foi que haveria um preceptor POR ESTADO. Imagine se é suficiente!
***
Quando da implantação da gestão de unidades de saúde por Organizações Sociais na cidade de São Paulo, os opositores (basicamente o PT) criticavam o programa por ser "privatização" da Saúde (não é; o equipamento continua público, universal, gratuito); pela "precarização" das relações de trabalho (por serem os profissionais contratados em regime de CLT pelas OSs em vez de serem servidores efetivos, portanto com estabilidade); "flexibilização" ou "falta de transparência" no processo seletivo (por não haver concurso público); desequilíbrio entre pessoas que exercem as mesmas funções (o médico que é "de carreira", com seus vencimentos normais, e o celetista contratado pela OS, que tem salário melhor).
Pois bem - o Mais Médicos é tudo isso e pior ainda. Profissionais são incorporados à rede pública em condições nem sempre claras, com processo seletivo "especial", alguns trâmites legais contornados e um salário muito maior do que o dos demais profissionais.
Imagine o médico que há anos pasta no serviço público trabalhando ao lado de um residente que ganha dez mil reais. E imagine o cubano que veio para exercer a medicina, não como militante político, descobrir que ele é tratado como um estrangeiro "diferenciado" - para pior. Ganha muito menos do que os outros e parte de seu salário é depositada à força em uma caderneta de poupança, como fazem com presidiários, ao qual ele só terá acesso quando terminar de cumprir o contrato e voltar para Cuba.
Retenção de rendimentos como forma de manter o profissional "preso" ao contrato é uma das características de trabalho análogo à escravidão... Sem contar as restrições impostas quanto à circulação, convivência com a família etc.
"Vieram porque quiseram", dirão alguns. "Se não leram o contrato, problema deles". "Se leram e não se opuseram antes, por que resolveram falar agora"?
Ora, quem nunca descobriu depois de começar a trabalhar que tinha se metido em uma roubada? Ou se deu conta do tamanho da roubada?
No caso da médica que "desertou" o Mais Médicos (desertou! é a palavra usada quando soldados obrigados a lutar por sua pátria se recusam a fazê-lo), imagine o que é descobrir que foi tapeado pelo patrão e ele é... o governo de seu país. Ou o governo do Brasil. Ou a OPAS, sei lá.
Porque esse é um dos problemas da situação dos cubanos do Mais Médicos. A contratação deles foi "em massa" e passou por um intermediário. Parte do salário ficou retida por ele e parte foi remetida ao governo de Cuba - que é isso, aluguel de mão-de-obra? E o compromisso é com o governo brasileiro, que "flexibilizou" várias regras para poder contar com eles.
"A OPAS já fez convênios assim com dezenas de outros países", defende o Ministério da Justiça. E...? Que sabemos sobre as condições de trabalho nesses outros países?
Enfim, o "programa" é repleto de pontos obscuros ou francamente irregulares. MAS, como é comum acontecer neste governo, quem faz críticas a ele é contra os pobres, a favor das corporações, capitalista maldito, coxinha etc. Impressionante o discurso panfletário em defesa do governo. Do governo!
***
"Programa", entre aspas, porque não faz jus a essa classificação. Trata-se tão somente da contratação temporária de profissionais para preencher postos vagos na rede pública. Supostamente, para reduzir as filas e melhorar muito o atendimento à população, além de fazer a prevenção e promoção da Saúde.
Mas faz muito menos do que isso. A Atenção Básica é fundamental; o acompanhamento atento, próximo, continuado. Perceber as condições que propiciam o surgimento de doenças ou detectá-las bem no início. Mas isso envolve bem mais do que o médico no consultório. As equipes de Saúde da Família, que visitam as residências em vez de esperar que as pessoas vão ao médico, são fundamentais. E são EQUIPES, com vários profissionais envolvidos, não um médico sozinho para dar conta de tudo.
A promoção da Saúde exige mais ainda do que isso. Saneamento Básico, por exemplo. Moradia digna, em condições de salubridade. Meio Ambiente equilibrado. Educação. Alimentação saudável. Boa dentição. Trabalho decente. E o governo é PÉSSIMO na garantia desses direitos.
Para completar, em locais sujos, com janelas quebradas, sem medicamentos, sem lençóis limpos, sem suprimentos como material para sutura ou equipamento de Raio-X, o médico não melhora o sistema o suficiente para reduzir o sofrimento das pessoas. Elas vão continuar na fila, no vai-e-vem, na incerteza, na dor, na recaída.
Os Pronto-Socorros continuam em petição de miséria. Faltam outros profissionais - pediatras, geriatras, ortopedistas, fisioterapeutas, psiquiatras, dentistas. Ambulâncias. Combustível para ambulâncias.
(O Ministério costuma colocar a culpa nas prefeituras pelas ambulâncias que não rodam. Mas se elas NÃO TEM DINHEIRO, o que vão fazer? Vender uma para conseguir abastecer a outra? Os municípios sofrem com falta de dinheiro e não é só um problema de "má gestão" ou da corrupção; nosso sistema tributário, nossa federação toda torta os suga e concentra MUITO dinheiro na União, à disposição do governo federal. Que devolve pingadinho daqui ou dali e ainda diz "e não reclamem! Agradeçam pelo que estamos dando". E os hospitais das Universidades FEDERAIS, como o da UFRJ, estão caindo aos pedaços!!!).
Mas na propaganda - que custa caríssimo! Anúncios no intervalo do Jornal Nacional! - tudo é lindo, claro. Quem está sofrendo lá longe não aparece na TV. E quem está aqui conforável assistindo e tem boa vontade ou paixão pelo governo Dilma diz "como somos bons para os pobres", sem jamais por os pés em uma UBS, UPA, Pronto-Socorro ou coisa que o valha.
***
Tristeza e raiva que me dá.
Federação Nacional dos Médicos e "os cubanos"
Nota oficial da FENAM sobre o caso da médica cubana refugiada na Câmara dos Deputados
A Federação Nacional dos Médicos (FENAM) tem acompanhado o caso da médica cubana Ramona Matos Rodrigues, que solicitou asilo político ao Brasil. Para a entidade, o pedido comprova as denúncias feitas por esta federação de que o Programa Mais Médicos, com a utilização de atração de profissionais por bolsa, em especial aos cubanos, se reveste de fragilidades legais. Instrumentos que são contrários a acordos internacionais e à legislação trabalhista brasileira de proteção ao trabalho e ao salário.
Durante visita realizada, na tarde desta quarta-feira (05), à médica que está refugiada na liderança do Democratas (DEM), a FENAM prestou solidariedade e demonstrou indignação ao tratamento discriminatório que os cubanos são submetidos. Com o contrato em mãos, ela mostrou a diferença na remuneração oferecida aos profissionais da ilha. De R$ 10 mil, apenas R$ 1.198 é repassado ao trabalhador, ou seja, aproximadamente 10% do valor pago pelo governo brasileiro ao de Cuba.
A situação confirma o que as entidades médicas têm denunciado desde a implementação do Mais Médicos, de que há uma exploração predatória da mão- de-obra, com a participação de intermediários como a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a Sociedade Mercantil Cubana Comercializadora de Serviços Médicos Cubanos.
Havendo permanência da médica no Brasil, a FENAM se comprometeu a dar apoio para que ela possa se submeter ao exame de Revalida, o que a colocará, se aprovada, em livre exercício da medicina no país.
Neste sentido, a entidade reforça sua posição em relação ao programa Mais Médicos. A FENAM volta a afirmar que o projeto precisa, para efetivamente cumprir os seus propósitos de prover profissionais em áreas de escassez, realizar concurso público, criar carreira de estado, oferecer condições de trabalho adequadas e submeter os estrangeiros ao Revalida. Todo o processo deve respeitar os direitos trabalhistas, conforme o que foi denunciado em audiências públicas no Congresso Nacional e ações no Supremo Tribunal Federal (STF), no Tribunal de Contas da União (TCU) e no Ministério Público do Trabalho (MPT).
Por fim, os médicos estrangeiros, de qualquer nacionalidade, são sempre benvindos, de acordo com o sentimento acolhedor do povo brasileiro.
[No próximo post, falo eu sobre isso]
A Federação Nacional dos Médicos (FENAM) tem acompanhado o caso da médica cubana Ramona Matos Rodrigues, que solicitou asilo político ao Brasil. Para a entidade, o pedido comprova as denúncias feitas por esta federação de que o Programa Mais Médicos, com a utilização de atração de profissionais por bolsa, em especial aos cubanos, se reveste de fragilidades legais. Instrumentos que são contrários a acordos internacionais e à legislação trabalhista brasileira de proteção ao trabalho e ao salário.
Durante visita realizada, na tarde desta quarta-feira (05), à médica que está refugiada na liderança do Democratas (DEM), a FENAM prestou solidariedade e demonstrou indignação ao tratamento discriminatório que os cubanos são submetidos. Com o contrato em mãos, ela mostrou a diferença na remuneração oferecida aos profissionais da ilha. De R$ 10 mil, apenas R$ 1.198 é repassado ao trabalhador, ou seja, aproximadamente 10% do valor pago pelo governo brasileiro ao de Cuba.
A situação confirma o que as entidades médicas têm denunciado desde a implementação do Mais Médicos, de que há uma exploração predatória da mão- de-obra, com a participação de intermediários como a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a Sociedade Mercantil Cubana Comercializadora de Serviços Médicos Cubanos.
Havendo permanência da médica no Brasil, a FENAM se comprometeu a dar apoio para que ela possa se submeter ao exame de Revalida, o que a colocará, se aprovada, em livre exercício da medicina no país.
Neste sentido, a entidade reforça sua posição em relação ao programa Mais Médicos. A FENAM volta a afirmar que o projeto precisa, para efetivamente cumprir os seus propósitos de prover profissionais em áreas de escassez, realizar concurso público, criar carreira de estado, oferecer condições de trabalho adequadas e submeter os estrangeiros ao Revalida. Todo o processo deve respeitar os direitos trabalhistas, conforme o que foi denunciado em audiências públicas no Congresso Nacional e ações no Supremo Tribunal Federal (STF), no Tribunal de Contas da União (TCU) e no Ministério Público do Trabalho (MPT).
Por fim, os médicos estrangeiros, de qualquer nacionalidade, são sempre benvindos, de acordo com o sentimento acolhedor do povo brasileiro.
[No próximo post, falo eu sobre isso]
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
O bagulho é louco e o processo é lento
Mais do clássico discurso de Dilma no Dia das Crianças
"Então, eu quero dizer: além disso, não tinha dinheiro. Além de não ter dinheiro, nós não tínhamos engenheiros, não, porque se não tinha obra, não se formavam engenheiro no nosso país. A primeira vez que engenheiro passou advogado foi este ano, em termos do número de formandos. Em 2003, quando nós estávamos tentando fazer plataforma, as plataformas da Petrobras aqui, disseram para mim que nós não éramos capazes de fazer casco. Sabe de que é o casco da plataforma? É feito... é sofisticado, mas é uma sofisticação, eu diria, simples, contraditoriamente, porque você faz o casco e solda. Não tem nenhuma tecnologia. Como é que nós não conseguíamos fazer casco, e nós fomos o oitavo produtor de navios em [19]80?
Então tinha um processo no Brasil, e esse processo é pesado. Eu acredito que há um esforço hoje. Nós colocamos na pauta, a partir de 2011, nós colocamos na pauta mobilidade urbana e demos prioridade a metrô. Por que é que fizemos isso? Por uma concepção: é impossível, com as nossas cidades crescendo – São Paulo com 11 milhões; o Rio com 8 ou 9; Belo Horizonte com um similar; Porto Alegre com os seus 2 milhões – é impossível não construir metrô. Se nós não construirmos metrô agora, nós teremos, na frente, o problema que hoje São Paulo enfrenta.
Então, a nossa prioridade é construir metrô. Prioridade em que termos? Nos termos das grandes cidades e é garantir para as cidades médias uma estrutura de transporte que seja a mais adequada possível no seguinte sentido. Quando tiver possibilidade de integrar diferentes modais, ônibus, se tiver um monotrilho, se tiver um aeromóvel, fazer uma integração e caminhar em direção ao bilhete único, esta é a forma mais racional"
1 - Como já disseram alguns, vai ver Itaipu, o metrô de São Paulo, a Imigrantes, os túneis do Maluf e da Marta etc foram feitos pelos Deuses Astronautas, já que engenheiro não tinha.
2 - "Sofisticação simples, você faz o casco e solda". Ainda bem [modo de dizer] que Dilma é presidente e não engenheira.
3 - "Nós colocamos na pauta a partir de 2011 a mobilidade urbana e demos prioridade ao metrô". Em parte é verdade, porque o Lula se lixava para projeto de metrô, ele quer que "pobre tenha carro". Dilma seguiu na mesma linha com o IPI Zero para indústria automobilística, e as cidades que se danem... Então a "prioridade" é discutível, até porque em 2013 ainda está fazendo o enésimo anúncio-de-assinatura-de-contrato-para-início-de-obras... E o PAC 1, aquele do "espetáculo do crescimento", JÁ PREVIA metrô. Mas foi tão acelerado o plano de aceleração que em 2011 virou prioridade e em 2013 ainda engatinha. #imaginanaCopa
4 - "Belo Horizonte com um similar" (a 8 ou 9 ou 11 milhões, como SP e RJ). NÃO, segundo o último censo, Belo Horizonte tem 2.375.444 habitantes. E o metrô de BH é um dos que estavam previstos lá no PAC 1.
5 - "Se não construirmos agora, teremos o problema que hoje São Paulo enfrenta". É, São Paulo é o pior do Brasil, serve como exemplo para o que de ruim pode acontecer daqui a uns anos... É incrível. Mesmo eu querendo MAIS, MUITO MAIS, mesmo tenho xingado o Maluf por ter investido bilhões em obras rodoviaristas (E superfaturas, para piorar o que já era ruim), o fato é que São Paulo foi A ÚNICA que fez metrô pra valer. A ÚNICA no país. Que tem metrô e uma rede extensa de transporte metropolitano sobre trilhos. Mas São Paulo sofre com o trânsito de caminhões, já que não tem trem nem hidrovia como poderia ter nessa droga de país (e NÃO É por falta de engenheiro). Sofre com a desigualdade, a pobreza da Região Metropolitana e suas dezenas de cidades-dormitório. Com o excesso de automóveis particulares, que o governo federal ajuda a alimentar.
E o governo federal não deu UM TOSTÃO para o metrô de São Paulo no governo Lula. Se dependesse de PAC, governo federal e PT, não teria NADA de metrô aqui. Até a prefeitura deu dinheiro para o metrô.
E tem mais um "detalhezinho". Nos ANOS 50 a população de São Paulo passou de pouco mais de 2 milhões de habitantes para mais de 3,5 milhões. Um milhão a mais do que BH e PoA tem hoje.Foi "FÁCIL" lidar com isso tudo de demanda esses anos todos.
E depois SP é que é lerdo... Brincadeira.
6 - "Quando tiver possibilidade de integrar diferentes modais, ônibus, se tiver um monotrilho, se tiver um aeromóvel, fazer uma integração e caminhar em direção ao bilhete único, esta é a forma mais racional". "Quando tiver". Como se a possibilidade não tenha de ser PLANEJADA, GARANTIDA, e sim resultar de uma feliz coincidência.
Vão bem os conceitos e planos de mobilidade urbana do governo Dilma. Mas é que ela chegou agora NAO PERA.
"Então, eu quero dizer: além disso, não tinha dinheiro. Além de não ter dinheiro, nós não tínhamos engenheiros, não, porque se não tinha obra, não se formavam engenheiro no nosso país. A primeira vez que engenheiro passou advogado foi este ano, em termos do número de formandos. Em 2003, quando nós estávamos tentando fazer plataforma, as plataformas da Petrobras aqui, disseram para mim que nós não éramos capazes de fazer casco. Sabe de que é o casco da plataforma? É feito... é sofisticado, mas é uma sofisticação, eu diria, simples, contraditoriamente, porque você faz o casco e solda. Não tem nenhuma tecnologia. Como é que nós não conseguíamos fazer casco, e nós fomos o oitavo produtor de navios em [19]80?
Então tinha um processo no Brasil, e esse processo é pesado. Eu acredito que há um esforço hoje. Nós colocamos na pauta, a partir de 2011, nós colocamos na pauta mobilidade urbana e demos prioridade a metrô. Por que é que fizemos isso? Por uma concepção: é impossível, com as nossas cidades crescendo – São Paulo com 11 milhões; o Rio com 8 ou 9; Belo Horizonte com um similar; Porto Alegre com os seus 2 milhões – é impossível não construir metrô. Se nós não construirmos metrô agora, nós teremos, na frente, o problema que hoje São Paulo enfrenta.
Então, a nossa prioridade é construir metrô. Prioridade em que termos? Nos termos das grandes cidades e é garantir para as cidades médias uma estrutura de transporte que seja a mais adequada possível no seguinte sentido. Quando tiver possibilidade de integrar diferentes modais, ônibus, se tiver um monotrilho, se tiver um aeromóvel, fazer uma integração e caminhar em direção ao bilhete único, esta é a forma mais racional"
1 - Como já disseram alguns, vai ver Itaipu, o metrô de São Paulo, a Imigrantes, os túneis do Maluf e da Marta etc foram feitos pelos Deuses Astronautas, já que engenheiro não tinha.
2 - "Sofisticação simples, você faz o casco e solda". Ainda bem [modo de dizer] que Dilma é presidente e não engenheira.
3 - "Nós colocamos na pauta a partir de 2011 a mobilidade urbana e demos prioridade ao metrô". Em parte é verdade, porque o Lula se lixava para projeto de metrô, ele quer que "pobre tenha carro". Dilma seguiu na mesma linha com o IPI Zero para indústria automobilística, e as cidades que se danem... Então a "prioridade" é discutível, até porque em 2013 ainda está fazendo o enésimo anúncio-de-assinatura-de-contrato-para-início-de-obras... E o PAC 1, aquele do "espetáculo do crescimento", JÁ PREVIA metrô. Mas foi tão acelerado o plano de aceleração que em 2011 virou prioridade e em 2013 ainda engatinha. #imaginanaCopa
4 - "Belo Horizonte com um similar" (a 8 ou 9 ou 11 milhões, como SP e RJ). NÃO, segundo o último censo, Belo Horizonte tem 2.375.444 habitantes. E o metrô de BH é um dos que estavam previstos lá no PAC 1.
5 - "Se não construirmos agora, teremos o problema que hoje São Paulo enfrenta". É, São Paulo é o pior do Brasil, serve como exemplo para o que de ruim pode acontecer daqui a uns anos... É incrível. Mesmo eu querendo MAIS, MUITO MAIS, mesmo tenho xingado o Maluf por ter investido bilhões em obras rodoviaristas (E superfaturas, para piorar o que já era ruim), o fato é que São Paulo foi A ÚNICA que fez metrô pra valer. A ÚNICA no país. Que tem metrô e uma rede extensa de transporte metropolitano sobre trilhos. Mas São Paulo sofre com o trânsito de caminhões, já que não tem trem nem hidrovia como poderia ter nessa droga de país (e NÃO É por falta de engenheiro). Sofre com a desigualdade, a pobreza da Região Metropolitana e suas dezenas de cidades-dormitório. Com o excesso de automóveis particulares, que o governo federal ajuda a alimentar.
E o governo federal não deu UM TOSTÃO para o metrô de São Paulo no governo Lula. Se dependesse de PAC, governo federal e PT, não teria NADA de metrô aqui. Até a prefeitura deu dinheiro para o metrô.
E tem mais um "detalhezinho". Nos ANOS 50 a população de São Paulo passou de pouco mais de 2 milhões de habitantes para mais de 3,5 milhões. Um milhão a mais do que BH e PoA tem hoje.Foi "FÁCIL" lidar com isso tudo de demanda esses anos todos.
E depois SP é que é lerdo... Brincadeira.
6 - "Quando tiver possibilidade de integrar diferentes modais, ônibus, se tiver um monotrilho, se tiver um aeromóvel, fazer uma integração e caminhar em direção ao bilhete único, esta é a forma mais racional". "Quando tiver". Como se a possibilidade não tenha de ser PLANEJADA, GARANTIDA, e sim resultar de uma feliz coincidência.
Vão bem os conceitos e planos de mobilidade urbana do governo Dilma. Mas é que ela chegou agora NAO PERA.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Mais Médicos - 2
No Facebook:

Meus comentários:
Uma coisa é condenar Cuba seja lá por que razão (direito de qualquer um, como o de criticar qualquer outro país - ou alguns países são "criticáveis" e outros não?); outra coisa é criticar os cubanos como muitos estão fazendo, com raiva e preconceito (ou os americanos, paraguaios, egípcios etc); outra ainda é criticar o "Programa Mais Médicos", seus critérios ambíguos e a pouca transparência quanto ao volume e aplicação dos recursos destinados a ele. Alguns médicos precisam passar por exames, outros não. Alguns vão receber R$10mil, outros não. Se estes aceitam trabalhar por um valor inferior, espontaneamente, por amor à profissão, ok, não são "escravos". Mas então o que não se justifica é o governo brasileiro pagar o valor de R$10mil por profissional para que o "excedente" fique em algum lugar entre a OPAS (agência da ONU) e o governo de Cuba. Há quem defenda essa triangulação dizendo que os recursos que vão para o governo cubano serão usados no atendimento médico gratuito em outros países, como o Haiti. Como podemos ter certeza de que é isso que vai acontecer? Quais esclarecimentos dados ao povo brasileiro, cujos impostos estão sendo empregados dessa maneira? Se o governo brasileiro quer contribuir com a saúde pública de outros países, não é minimamente decente nos informar como e fazê-lo diretamente?
Outra coisa: a carência de médicos é muito, mas muito maior do que o número de cubanos que virão por meio dessa parceria. Até nos grandes centros faltam clínicos gerais, pediatras, geriatras. Poucos são os estudantes de medicina dispostos a seguir essas carreiras menos "rentáveis", quanto mais no serviço público. E os muitos cursos de medicina que proliferaram no país nos últimos anos (a ponto de o Ministro Mercadante ter criado uma saia justa com seu antecessor Fernando Haddad ao declarar que ia "fechar o balcão de negócios" - admitindo, portanto, que ele estava aberto...) são, em grande número, de má qualidade. Até mesmo Universidades Federais - do tão espoliado do Norte do Brasil, p ex... - não tem mínimas condições de ensino de qualidade. Parecendo piada de mau gosto, faltam cadáveres no curso de medicina de uma Federal.
O governo agora gasta MUITO em propaganda (outro valor difícil de auferir) para comemorar a SOLUÇÃO DOS PROBLEMAS DE SAÙDE no Brasil. É MENTIRA. Vão CONTINUAR faltando médicos. MUITOS médicos concursados com estabilidade vão CONTINUAR faltando ao trabalho e atendendo as pessoas com desrespeito e desleixo criminosos. Os órgãos públicos e os Conselhos de Medicina vão CONTINUAR sendo omissos quanto aos maus profissionais do SUS (porque JÁ SÃO). Os demais profissionais de Saúde vão continuar os mesmos, bons ou maus - enfermeiros, técnicos, auxiliares - bem como os materiais, equipamentos e instalações.
A foto é o retrato de um país que, a se julgar pela propaganda milionária oficial, não existe mais. Uma miséria indecente, abjeta, em país tão "rico". Essa mulher talvez não veja médico nenhum, brasileiro, cubano ou chinês. Talvez eles queiram mas não consigam chegar lá. Essa mulher, antes de médicos, precisa de ÁGUA TRATADA. Água em quantidade para se lavar, alimentar a criação, regar a horta, preparar comida. COMIDA em quantidade e qualidade. Precisa de vedação nas paredes de taipa para que não entre o barbeiro. Precisa de proteção para a pele e prevenção do câncer. Precisa de SAÚDE como ela não tem e NÃO TERÁ mesmo que o Hospital Sírio Libanês desça ali de helicóptero com seu corpo fantástico de profissionais - aqueles que atendem o Lula, o Genoíno, o Sarney, a Dilma e o Serra.
Não sou contra Cuba, me oponho à ditadura do governo cubano (lá eles não votam pra presidente até hoje...); adoro o povo cubano e admiro qualquer um que luta por democracia (porque igualdade sem liberdade é opressão); odeio corporativismo (e o da classe médica está em evidência agora, mas quero ver os que gritam contra ele, com razão, fazerem o mesmo em relação ao do funcionalismo público de modo geral); sou a favor da vinda de bons médicos estrangeiros para qualquer canto do país, desde que atendam bem as pessoas; exijo boas condições de trabalho para todo profissional e Saúde para todos os brasileiros. Se em vez de discutir as pessoas continuarem se xingando (uns usam "ofensas" como "comunista" ou "parece empregada doméstica"; outros acusam qualquer crítico de "vendido, mercenário, imperialista"), a ÙLTIMA beneficiada com o debate será a mulher da foto e seus muitos filhos e netos.
***
Não revisei não, escrevi assim no Face, copiei e colei aqui.
***
Pra arrematar:
Médico não é santo.
Nem professor.
Podemos então, sem santificar e sem demonizar, discutir a qualidade das pessoas no serviço público? Porque até outro dia, dizer que há péssimos médicos e péssimos professores desencadeava uma onda furiosa de objeções, quase sempre baseada no "o salário é baixo e as condições são péssimas". Salários são baixos (nem todos) e condições são péssimas (nem sempre), mas isso não justifica um médico tratar a pessoa doente como se fosse lixo, ou professor humilhar aluno.

Meus comentários:
Uma coisa é condenar Cuba seja lá por que razão (direito de qualquer um, como o de criticar qualquer outro país - ou alguns países são "criticáveis" e outros não?); outra coisa é criticar os cubanos como muitos estão fazendo, com raiva e preconceito (ou os americanos, paraguaios, egípcios etc); outra ainda é criticar o "Programa Mais Médicos", seus critérios ambíguos e a pouca transparência quanto ao volume e aplicação dos recursos destinados a ele. Alguns médicos precisam passar por exames, outros não. Alguns vão receber R$10mil, outros não. Se estes aceitam trabalhar por um valor inferior, espontaneamente, por amor à profissão, ok, não são "escravos". Mas então o que não se justifica é o governo brasileiro pagar o valor de R$10mil por profissional para que o "excedente" fique em algum lugar entre a OPAS (agência da ONU) e o governo de Cuba. Há quem defenda essa triangulação dizendo que os recursos que vão para o governo cubano serão usados no atendimento médico gratuito em outros países, como o Haiti. Como podemos ter certeza de que é isso que vai acontecer? Quais esclarecimentos dados ao povo brasileiro, cujos impostos estão sendo empregados dessa maneira? Se o governo brasileiro quer contribuir com a saúde pública de outros países, não é minimamente decente nos informar como e fazê-lo diretamente?
Outra coisa: a carência de médicos é muito, mas muito maior do que o número de cubanos que virão por meio dessa parceria. Até nos grandes centros faltam clínicos gerais, pediatras, geriatras. Poucos são os estudantes de medicina dispostos a seguir essas carreiras menos "rentáveis", quanto mais no serviço público. E os muitos cursos de medicina que proliferaram no país nos últimos anos (a ponto de o Ministro Mercadante ter criado uma saia justa com seu antecessor Fernando Haddad ao declarar que ia "fechar o balcão de negócios" - admitindo, portanto, que ele estava aberto...) são, em grande número, de má qualidade. Até mesmo Universidades Federais - do tão espoliado do Norte do Brasil, p ex... - não tem mínimas condições de ensino de qualidade. Parecendo piada de mau gosto, faltam cadáveres no curso de medicina de uma Federal.
O governo agora gasta MUITO em propaganda (outro valor difícil de auferir) para comemorar a SOLUÇÃO DOS PROBLEMAS DE SAÙDE no Brasil. É MENTIRA. Vão CONTINUAR faltando médicos. MUITOS médicos concursados com estabilidade vão CONTINUAR faltando ao trabalho e atendendo as pessoas com desrespeito e desleixo criminosos. Os órgãos públicos e os Conselhos de Medicina vão CONTINUAR sendo omissos quanto aos maus profissionais do SUS (porque JÁ SÃO). Os demais profissionais de Saúde vão continuar os mesmos, bons ou maus - enfermeiros, técnicos, auxiliares - bem como os materiais, equipamentos e instalações.
A foto é o retrato de um país que, a se julgar pela propaganda milionária oficial, não existe mais. Uma miséria indecente, abjeta, em país tão "rico". Essa mulher talvez não veja médico nenhum, brasileiro, cubano ou chinês. Talvez eles queiram mas não consigam chegar lá. Essa mulher, antes de médicos, precisa de ÁGUA TRATADA. Água em quantidade para se lavar, alimentar a criação, regar a horta, preparar comida. COMIDA em quantidade e qualidade. Precisa de vedação nas paredes de taipa para que não entre o barbeiro. Precisa de proteção para a pele e prevenção do câncer. Precisa de SAÚDE como ela não tem e NÃO TERÁ mesmo que o Hospital Sírio Libanês desça ali de helicóptero com seu corpo fantástico de profissionais - aqueles que atendem o Lula, o Genoíno, o Sarney, a Dilma e o Serra.
Não sou contra Cuba, me oponho à ditadura do governo cubano (lá eles não votam pra presidente até hoje...); adoro o povo cubano e admiro qualquer um que luta por democracia (porque igualdade sem liberdade é opressão); odeio corporativismo (e o da classe médica está em evidência agora, mas quero ver os que gritam contra ele, com razão, fazerem o mesmo em relação ao do funcionalismo público de modo geral); sou a favor da vinda de bons médicos estrangeiros para qualquer canto do país, desde que atendam bem as pessoas; exijo boas condições de trabalho para todo profissional e Saúde para todos os brasileiros. Se em vez de discutir as pessoas continuarem se xingando (uns usam "ofensas" como "comunista" ou "parece empregada doméstica"; outros acusam qualquer crítico de "vendido, mercenário, imperialista"), a ÙLTIMA beneficiada com o debate será a mulher da foto e seus muitos filhos e netos.
***
Não revisei não, escrevi assim no Face, copiei e colei aqui.
***
Pra arrematar:
Médico não é santo.
Nem professor.
Podemos então, sem santificar e sem demonizar, discutir a qualidade das pessoas no serviço público? Porque até outro dia, dizer que há péssimos médicos e péssimos professores desencadeava uma onda furiosa de objeções, quase sempre baseada no "o salário é baixo e as condições são péssimas". Salários são baixos (nem todos) e condições são péssimas (nem sempre), mas isso não justifica um médico tratar a pessoa doente como se fosse lixo, ou professor humilhar aluno.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Mais Médicos - crítica ideológica à ideologização
Alberto Dines assina no Observatório da Imprensa o artigo abaixo:
Mídia não explica, demoniza
Mais médicos, Menos ideologia
Há quase dois meses discute-se a implementação do programa “Mais Médicos” para atender as exigências dos manifestantes de junho. Vacilante, o governo foi apresentando uma sucessão de idéias incompletas que as corporações médica e acadêmica foram torpedeando implacavelmente. Com o decidido apoio da corporação jornalística.
O projeto sobrevivente e o mais consistente, apresentado pela própria presidente Dilma Rousseff em seguida às manifestações, previa a importação de médicos do exterior. Inclusive cubanos. Não era novidade: médicos desse país já prestaram serviço em diversos pontos do Brasil, com excelentes resultados.
À medida que a ideia se cristalizava, aumentava a histeria anticubana que se estendia a candidatos de outros países, especialmente Portugal e Espanha.
Acusações primárias se alternavam: ora dizia-se que os cubanos viriam como espiões ou agentes provocadores, ora que chegariam aqui na condição de escravos (ganhando salários irrisórios enquanto o governo de Havana ficaria com a parte do leão dos 10 mil reais mensais pagos pelo governo brasileiro). Alegou-se que cláusulas especiais foram impostas para evitar que os cubanos pedissem asilo político (por isso vinham sozinhos, sem a família). Nenhum editor deu-se ao trabalho de esclarecer, explicar vantagens e desvantagens.
Gestos e opções
Nos últimos dias, em desespero de causa, celebrados opinionistas acusaram os irmãos Castro de converter seus médicos em simples commodities, fonte de divisas para financiar um país falido. Argumento pueril, enganoso: commodities são bens em estado bruto, médicos são bens com alto valor agregado. A Índia estimula a saída dos seus cientistas e especialistas em informática de olho no retorno que trarão ao país; o mesmo acontece com Israel, que há décadas exporta agrônomos para os quatro cantos do mundo.
O exercício da medicina não pode ser examinado sem levar em conta o seu caráter humanitário. Levar médicos aos grotões do país – além de salvar vidas preciosas, contribuirá decisivamente para desmonetizar uma profissão que vem perdendo velozmente o seu caráter original, solidário e altruísta.
Nossa mídia embarcou de corpo e alma nessa cruzada egoísta, antissocial, fomentada primordialmente pela poderosa corporação médica, pelas empresas de ensino superior & adjacências. E isso no pós-junho, quando nas passeatas ainda reverberam referências pouco airosas à insensibilidade de jornais e jornalistas.
Acusa-se o PT de aparelhar o governo, porém a mesma obsessão ideológica domina os mais instintivos gestos e opções da grande e média imprensa brasileira.
Um jornalista que ouve o coração
Neste ambiente ríspido, desprovido de solidariedade, a coluna de Ricardo Noblat (segunda-feira, 26/8, O Globo, pág. 2) funciona como um alento e, talvez, como um divisor de águas.
O experiente repórter, editor e agora bem-sucedido blogueiro não se deixou enredar pelas armadilhas ideológicas, preferiu entregar-se aos valores morais, como se fazia antigamente quando os jornalistas naquelas redações barulhentas ouviam as batidas do coração e a pressão da consciência.
“Só vejo vantagens” – apesar do pragmatismo e objetividade do título, trata-se de uma calorosa convocação para que os jornalistas deixem as trincheiras partidárias que tanto prejudicam os seus dotes narrativos e se entreguem a devoções mais profundas, essenciais.
“Mais Médicos” é um programa da saúde pública. “Mais humanidade” pode ser um projeto de renovação jornalística.
***
Meu comentário:
A mídia não apura mesmo quase nada - colhe declarações daqui e dali e deixa que o leitor ou espectador conclua por si. É desolador. Às vezes escolhe deliberadamente um lado; às vezes é mais sutil e transforma a palavra do outro em "Fulano nega", "Fulano minimiza".
Este artigo tem o mérito de explicitar seu lado: a favor do Programa Mais Médicos, que o autor chamou de "O projeto (...) mais consistente" entre os cogitados pelo governo (embora não mencione os demais). Afirma tb "médicos de Cuba já prestaram serviço em diversos pontos do Brasil, com excelentes resultados". Não duvido! Assim como chilenos, argentinos, chineses... Nem por isso “excelentes resultados” (apenas invocados, não sei se apurados) significam que os novos profissionais não possam ser questionados.
Dines, aliás, reconheceu q houve resistência a estrangeiros de várias procedências, Europa inclusive, mas manteve a expressão "histeria anticubana" – reforçando a leitura de que toda a oposição ao programa vem de “anticubanismo”. E assegura: "Nenhum editor se deu ao trabalho de esclarecer, explicar vantagens e desvantagens". "Nenhum"?
Vi vários veículos – TV, rádios, jornais - expondo a opinião do CRM, do ministro Padilha e de usuários do sistema de Saúde, favoráveis inclusive. A opinião do CRM foi registrada como deveria ser (eu não concordo com ela). Quanto aos "esclarecimentos": simplesmente não foi possível obter a informação sobre quanto os médicos vão ganhar e quanto será destinado a OPAS e ao governo de Cuba. Os signatários do acordo não esclareceram. Daí a preocupação, histérica ou não, com a condição trabalhista desses médicos – além das condições de trabalho propriamente ditas – e o destino do dinheiro público brasileiro.
Sobre os médicos serem tratados como "produto de exportação": foi um ministro cubano quem o disse. É razoável q se faça juízo de valor dessa declaração, concordando dela ou discordando, por que não? Dines concorda com essa “exportação de cérebros”. Outros lutam contra ela (o próprio governo cubano, aliás, se queixa do “roubo de talentos” por outros países, qualificando como manobra "dos poderosos" para enfraquecer o país):
“La actualización de la política migratoria tiene en cuenta el derecho del Estado revolucionario de defenderse de los planes injerencistas y subversivos del gobierno norteamericano y sus aliados. Por tal motivo, se mantendrán medidas para preservar el capital humano creado por la Revolución, frente al robo de talentos que aplican los poderosos”. (publicado no Granma)
Ou seja, Cuba quer que seus médicos saiam sim, mas apenas para onde o governo autorizar que vão – e obtem divisas a partir do trabalho deles. Não na forma de uma porcentagem retida na forma de imposto, como em outros lugares, mas repassando apenas uma parte do que for recebido para os próprios médicos.
Isso não é “acusação primária”, é minha opinião baseada em afirmações de autoridades cubanas. Sobre Israel e a India, não faço ideia de como funciona sua política.
É verdade que boa parte da classe médica tem como prioridade a "monetização". E foi com dinheiro que o governo tentou resolver o problema, oferecendo os R$10mil por mês para os interessados no Mais Médicos. Antes disso, ofereceu bolsas de R$8mil para estudantes de medicina, no Provab (e fez propaganda dele na TV como se tivesse resolvido o problema de médicos na periferia das grandes cidades e no interior). Mesmo assim o interesse ficou bem abaixo das expectativas, por que? Porque muitos médicos, mesmo interessadíssimos no dinheiro, não querem apenas bom salário, querem boas condições. E quanto a isso, o Mais Médicos não garante nada.
Pagando salário menor para os profissionais cubanos do que o que será pago para brasileiros e outros estrangeiros, poderia usar o "excedente" com a aquisição de materiais e equipamentos - mas preferiu remeter à OPAS e ao governo de Cuba, para que alegadamente invistam na Saúde em outros páises. Os médicos são funcionários do governo de Cuba, e também por isso poderá ser difícil a relação deles com o sistema de saúde no Brasil. As normas são brasileiras; os estrangeiros cubanos não precisam, disse o ministro Padilha, se submeter a elas.
Dizer que a mídia "embarcou de corpo e alma nessa cruzada egoísta e antissocial" não é uma crítica a cobertura do tema, é uma condenação moral. É demonização... da mídia. É jogar todo mundo no mesmo balaio; é não distinguir o que a mídia apenas exibe (tanto os gritos a favor do médicos e do comunismo contra os gritos contra os médicos e o comunismo), o que não explica, o que distorce, o que defende.
Ricardo Noblat é um colunista que, como todos os outros, expressa uma opinião. Não tem compromisso com a apuração dos fatos, como um repórter e um editor. Assina um texto pessoal e se responsabiliza individualmente por ele. Não é "cobertura jornalística". Outros colunistas igualmente deram sua opinião – se for contra o programa, não pode?
Dizer que Noblat "se entregou aos valores morais" e "ouviu as batidas do coração e a pressão da consciência" porque aprovou o programa equivale a dizer que os demais foram imorais e sofreram alguma pressão que não foi a da consciência.
O artigo do Alberto Dines é ideologizado e é partidarizado. Demoniza a "grande e média imprensa". Demoniza, desmoraliza e "imoraliza" as opiniões negativas sobre o Programa Mais Médicos, como se os que o criticam fossem todos xenófobos, racistas, anticomunistas, vendidos à corporação médica etc.
Desqualificar toda crítica é a posição de um governo que não admite oposição e vê "tentativa de golpe" e "subversão" em tudo... E aquele que condena a mídia não admitiu uma, uma ressalva sequer a essa nova promessa do governo.
Mídia não explica, demoniza
Mais médicos, Menos ideologia
Há quase dois meses discute-se a implementação do programa “Mais Médicos” para atender as exigências dos manifestantes de junho. Vacilante, o governo foi apresentando uma sucessão de idéias incompletas que as corporações médica e acadêmica foram torpedeando implacavelmente. Com o decidido apoio da corporação jornalística.
O projeto sobrevivente e o mais consistente, apresentado pela própria presidente Dilma Rousseff em seguida às manifestações, previa a importação de médicos do exterior. Inclusive cubanos. Não era novidade: médicos desse país já prestaram serviço em diversos pontos do Brasil, com excelentes resultados.
À medida que a ideia se cristalizava, aumentava a histeria anticubana que se estendia a candidatos de outros países, especialmente Portugal e Espanha.
Acusações primárias se alternavam: ora dizia-se que os cubanos viriam como espiões ou agentes provocadores, ora que chegariam aqui na condição de escravos (ganhando salários irrisórios enquanto o governo de Havana ficaria com a parte do leão dos 10 mil reais mensais pagos pelo governo brasileiro). Alegou-se que cláusulas especiais foram impostas para evitar que os cubanos pedissem asilo político (por isso vinham sozinhos, sem a família). Nenhum editor deu-se ao trabalho de esclarecer, explicar vantagens e desvantagens.
Gestos e opções
Nos últimos dias, em desespero de causa, celebrados opinionistas acusaram os irmãos Castro de converter seus médicos em simples commodities, fonte de divisas para financiar um país falido. Argumento pueril, enganoso: commodities são bens em estado bruto, médicos são bens com alto valor agregado. A Índia estimula a saída dos seus cientistas e especialistas em informática de olho no retorno que trarão ao país; o mesmo acontece com Israel, que há décadas exporta agrônomos para os quatro cantos do mundo.
O exercício da medicina não pode ser examinado sem levar em conta o seu caráter humanitário. Levar médicos aos grotões do país – além de salvar vidas preciosas, contribuirá decisivamente para desmonetizar uma profissão que vem perdendo velozmente o seu caráter original, solidário e altruísta.
Nossa mídia embarcou de corpo e alma nessa cruzada egoísta, antissocial, fomentada primordialmente pela poderosa corporação médica, pelas empresas de ensino superior & adjacências. E isso no pós-junho, quando nas passeatas ainda reverberam referências pouco airosas à insensibilidade de jornais e jornalistas.
Acusa-se o PT de aparelhar o governo, porém a mesma obsessão ideológica domina os mais instintivos gestos e opções da grande e média imprensa brasileira.
Um jornalista que ouve o coração
Neste ambiente ríspido, desprovido de solidariedade, a coluna de Ricardo Noblat (segunda-feira, 26/8, O Globo, pág. 2) funciona como um alento e, talvez, como um divisor de águas.
O experiente repórter, editor e agora bem-sucedido blogueiro não se deixou enredar pelas armadilhas ideológicas, preferiu entregar-se aos valores morais, como se fazia antigamente quando os jornalistas naquelas redações barulhentas ouviam as batidas do coração e a pressão da consciência.
“Só vejo vantagens” – apesar do pragmatismo e objetividade do título, trata-se de uma calorosa convocação para que os jornalistas deixem as trincheiras partidárias que tanto prejudicam os seus dotes narrativos e se entreguem a devoções mais profundas, essenciais.
“Mais Médicos” é um programa da saúde pública. “Mais humanidade” pode ser um projeto de renovação jornalística.
***
Meu comentário:
A mídia não apura mesmo quase nada - colhe declarações daqui e dali e deixa que o leitor ou espectador conclua por si. É desolador. Às vezes escolhe deliberadamente um lado; às vezes é mais sutil e transforma a palavra do outro em "Fulano nega", "Fulano minimiza".
Este artigo tem o mérito de explicitar seu lado: a favor do Programa Mais Médicos, que o autor chamou de "O projeto (...) mais consistente" entre os cogitados pelo governo (embora não mencione os demais). Afirma tb "médicos de Cuba já prestaram serviço em diversos pontos do Brasil, com excelentes resultados". Não duvido! Assim como chilenos, argentinos, chineses... Nem por isso “excelentes resultados” (apenas invocados, não sei se apurados) significam que os novos profissionais não possam ser questionados.
Dines, aliás, reconheceu q houve resistência a estrangeiros de várias procedências, Europa inclusive, mas manteve a expressão "histeria anticubana" – reforçando a leitura de que toda a oposição ao programa vem de “anticubanismo”. E assegura: "Nenhum editor se deu ao trabalho de esclarecer, explicar vantagens e desvantagens". "Nenhum"?
Vi vários veículos – TV, rádios, jornais - expondo a opinião do CRM, do ministro Padilha e de usuários do sistema de Saúde, favoráveis inclusive. A opinião do CRM foi registrada como deveria ser (eu não concordo com ela). Quanto aos "esclarecimentos": simplesmente não foi possível obter a informação sobre quanto os médicos vão ganhar e quanto será destinado a OPAS e ao governo de Cuba. Os signatários do acordo não esclareceram. Daí a preocupação, histérica ou não, com a condição trabalhista desses médicos – além das condições de trabalho propriamente ditas – e o destino do dinheiro público brasileiro.
Sobre os médicos serem tratados como "produto de exportação": foi um ministro cubano quem o disse. É razoável q se faça juízo de valor dessa declaração, concordando dela ou discordando, por que não? Dines concorda com essa “exportação de cérebros”. Outros lutam contra ela (o próprio governo cubano, aliás, se queixa do “roubo de talentos” por outros países, qualificando como manobra "dos poderosos" para enfraquecer o país):
“La actualización de la política migratoria tiene en cuenta el derecho del Estado revolucionario de defenderse de los planes injerencistas y subversivos del gobierno norteamericano y sus aliados. Por tal motivo, se mantendrán medidas para preservar el capital humano creado por la Revolución, frente al robo de talentos que aplican los poderosos”. (publicado no Granma)
Ou seja, Cuba quer que seus médicos saiam sim, mas apenas para onde o governo autorizar que vão – e obtem divisas a partir do trabalho deles. Não na forma de uma porcentagem retida na forma de imposto, como em outros lugares, mas repassando apenas uma parte do que for recebido para os próprios médicos.
Isso não é “acusação primária”, é minha opinião baseada em afirmações de autoridades cubanas. Sobre Israel e a India, não faço ideia de como funciona sua política.
É verdade que boa parte da classe médica tem como prioridade a "monetização". E foi com dinheiro que o governo tentou resolver o problema, oferecendo os R$10mil por mês para os interessados no Mais Médicos. Antes disso, ofereceu bolsas de R$8mil para estudantes de medicina, no Provab (e fez propaganda dele na TV como se tivesse resolvido o problema de médicos na periferia das grandes cidades e no interior). Mesmo assim o interesse ficou bem abaixo das expectativas, por que? Porque muitos médicos, mesmo interessadíssimos no dinheiro, não querem apenas bom salário, querem boas condições. E quanto a isso, o Mais Médicos não garante nada.
Pagando salário menor para os profissionais cubanos do que o que será pago para brasileiros e outros estrangeiros, poderia usar o "excedente" com a aquisição de materiais e equipamentos - mas preferiu remeter à OPAS e ao governo de Cuba, para que alegadamente invistam na Saúde em outros páises. Os médicos são funcionários do governo de Cuba, e também por isso poderá ser difícil a relação deles com o sistema de saúde no Brasil. As normas são brasileiras; os estrangeiros cubanos não precisam, disse o ministro Padilha, se submeter a elas.
Dizer que a mídia "embarcou de corpo e alma nessa cruzada egoísta e antissocial" não é uma crítica a cobertura do tema, é uma condenação moral. É demonização... da mídia. É jogar todo mundo no mesmo balaio; é não distinguir o que a mídia apenas exibe (tanto os gritos a favor do médicos e do comunismo contra os gritos contra os médicos e o comunismo), o que não explica, o que distorce, o que defende.
Ricardo Noblat é um colunista que, como todos os outros, expressa uma opinião. Não tem compromisso com a apuração dos fatos, como um repórter e um editor. Assina um texto pessoal e se responsabiliza individualmente por ele. Não é "cobertura jornalística". Outros colunistas igualmente deram sua opinião – se for contra o programa, não pode?
Dizer que Noblat "se entregou aos valores morais" e "ouviu as batidas do coração e a pressão da consciência" porque aprovou o programa equivale a dizer que os demais foram imorais e sofreram alguma pressão que não foi a da consciência.
O artigo do Alberto Dines é ideologizado e é partidarizado. Demoniza a "grande e média imprensa". Demoniza, desmoraliza e "imoraliza" as opiniões negativas sobre o Programa Mais Médicos, como se os que o criticam fossem todos xenófobos, racistas, anticomunistas, vendidos à corporação médica etc.
Desqualificar toda crítica é a posição de um governo que não admite oposição e vê "tentativa de golpe" e "subversão" em tudo... E aquele que condena a mídia não admitiu uma, uma ressalva sequer a essa nova promessa do governo.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
"Resolvemos de maneira clara"
O Fantástico tem mostrado uma série de reportagens da Sonia Bridi que revelam, de maneira chocante, escandalosa, intolerável as BARBARIDADES cometidas pelo governo federal Brasil adentro. Um ABSURDO. Deveria levar a discursos inflamados, protestos enfurecidos (cartas para os jornais, artigos, editoriais, blogs) e medidas judiciais. Era pra derrubar ministro, secretário executivo e encostar a presidente na parede. Ela tinha de ser pressionada até fazer um pronunciamento tentando justificar o injustificável.
Dilma, em outro planeta (em que ela fosse mais honesta e competente), poderia dizer: "EU RECEBI UMA HERANÇA MALDITA. Nos últimos oito anos, bilhões foram torrados em obras mastodônticas, mal planejadas, caríssimas, sem contar os desvios de recursos". Mais honesta ainda, diria "Não posso deixar de reconhecer minha responsabilidade, tendo sido designada "Mãe do PAC" pelo presidente Lula, e tendo aceitado disputar a presidência usando essa experiência como meu principal trunfo".
Como o país virou uma zona em que dificilmente escândalos tem consequências, a Globo ouve uma ministra que fala BARBARIDADES e FICA POR ISSO MESMO.
A matéria deste domingo foi sobre os malditos aeroportos. Aqueles que estariam em condições espetaculares para a Copa do Mundo - afinal, essa era a principal razão para investirmos bilhões em recursos públicos para sediar o evento, o "legado" para a população.
P. nenhuma. Continuam um lixo. Acompanhem, são 12 minutos de reportagem.
Aeroportos do Brasil são piores do que de países da África
Esse é o trecho antológico:
No Brasil, estradas, ferrovias, até a transposição do rio São Francisco começaram sem ter projeto.
“O Brasil ficou 30 anos sem fazer obras. [Ela FALOU isso. Sem ficar vermelha]. Isso desmontou a maior parte das empresas de consultoria para realização de projetos. ["Desmontou" as empresas de "consultoria"??]. Então nós tivemos uma deficiência. Tem poucas empresas no mercado para fazer isso. E nós resolvemos, de maneira bastante clara, de que era mais importante começar a fazer obras e entregar obras importantes que o país precisava mesmo sem ter os projetos executivos prontos, porque o mais caro para o Brasil é não ter a obra. Esse é o custo Brasil mais alto”, aponta a ministra do Planejamento, Miriam Belchior.
Obras importantes foram começadas, sim. E não todas. Entregues??? Nada. Mas resolveram de maneira clara fazer as obras SEM PROJETO EXECUTIVO porque era importante que ficassem prontas logo!!! Que ABSURDO!
Nos últimos 30 anos, São Paulo fez metrô, a pista nova da Imigrantes com túneis enormes, o Rodoanel. As rodovias do estado são, DE LONGE, as melhores do Brasil. Congonhas e o Santos Dumont foram reformados; o Rio fez a Linha Amarela. A Petrobrás descobriu petróleo no pré-sal. Empreiteiras brasileiras foram contratadas para obras gigantescas em outros continentes.
O que a ministra diz é tão irresponsável que ela devia ser PROCESSADA por isso. SE fosse verdade, como o governo poderia decidir fazer as gigantescas Belo Monte, Jirau, Transposição do São Francisco?
E pelo amor de deus, precisa muita coisa para fazer um projeto de aeroporto, reformar rodovias? As empresas "de consultoria" desaprendem, se desatualizam?
O Brasil está muito longe de ser um país "de primeiro mundo", desenvolvido, justo. Quando não conseguimos SEQUER fazer as obras de infraestrutura, quando teremos cidades saudáveis e sustentáveis, educação e saúde de qualidade? Em vez de avançar, andamos para o lado e para trás!!
E nem estranhamos. Assim como o funcionário do necrotério não estranha mais os cadáveres, não nos arrepiamos com as barbaridades feitas em nosso nome.
PS: INCRÍVEL como o governo agora fala com a maior naturalidade que portos, aeroportos e rodovias não terão qualidade se não forem concedidos/ privatizados. Nessa matéria, por exemplo, foi ouvido o ministro Moreira Franco, da Secretaria da Aviação Civil (é, aviação civil também tem direito a secretaria com status de ministério... Haja especialização).
"Para dar conta do investimento necessário, o governo anunciou transferir mais aeroportos para administração privada, como já fez com Guarulhos, Viracopos e Brasília. As empresas vencedoras da licitação administram e fazem ampliações nos terminais. “Só pelo setor público, não vamos conseguir resolver o grande desafio que é garantir ao cidadão brasileiro um sistema aeroportuário adequado”, destaca Moreira Franco".
E nunca, jamais se ouvirá alguém dizendo "revimos nossa posição". E é capaz de nas próximas eleições continuarem demonizando a privatização etc.
Dilma, em outro planeta (em que ela fosse mais honesta e competente), poderia dizer: "EU RECEBI UMA HERANÇA MALDITA. Nos últimos oito anos, bilhões foram torrados em obras mastodônticas, mal planejadas, caríssimas, sem contar os desvios de recursos". Mais honesta ainda, diria "Não posso deixar de reconhecer minha responsabilidade, tendo sido designada "Mãe do PAC" pelo presidente Lula, e tendo aceitado disputar a presidência usando essa experiência como meu principal trunfo".
Como o país virou uma zona em que dificilmente escândalos tem consequências, a Globo ouve uma ministra que fala BARBARIDADES e FICA POR ISSO MESMO.
A matéria deste domingo foi sobre os malditos aeroportos. Aqueles que estariam em condições espetaculares para a Copa do Mundo - afinal, essa era a principal razão para investirmos bilhões em recursos públicos para sediar o evento, o "legado" para a população.
P. nenhuma. Continuam um lixo. Acompanhem, são 12 minutos de reportagem.
Aeroportos do Brasil são piores do que de países da África
Esse é o trecho antológico:
No Brasil, estradas, ferrovias, até a transposição do rio São Francisco começaram sem ter projeto.
“O Brasil ficou 30 anos sem fazer obras. [Ela FALOU isso. Sem ficar vermelha]. Isso desmontou a maior parte das empresas de consultoria para realização de projetos. ["Desmontou" as empresas de "consultoria"??]. Então nós tivemos uma deficiência. Tem poucas empresas no mercado para fazer isso. E nós resolvemos, de maneira bastante clara, de que era mais importante começar a fazer obras e entregar obras importantes que o país precisava mesmo sem ter os projetos executivos prontos, porque o mais caro para o Brasil é não ter a obra. Esse é o custo Brasil mais alto”, aponta a ministra do Planejamento, Miriam Belchior.
Obras importantes foram começadas, sim. E não todas. Entregues??? Nada. Mas resolveram de maneira clara fazer as obras SEM PROJETO EXECUTIVO porque era importante que ficassem prontas logo!!! Que ABSURDO!
Nos últimos 30 anos, São Paulo fez metrô, a pista nova da Imigrantes com túneis enormes, o Rodoanel. As rodovias do estado são, DE LONGE, as melhores do Brasil. Congonhas e o Santos Dumont foram reformados; o Rio fez a Linha Amarela. A Petrobrás descobriu petróleo no pré-sal. Empreiteiras brasileiras foram contratadas para obras gigantescas em outros continentes.
O que a ministra diz é tão irresponsável que ela devia ser PROCESSADA por isso. SE fosse verdade, como o governo poderia decidir fazer as gigantescas Belo Monte, Jirau, Transposição do São Francisco?
E pelo amor de deus, precisa muita coisa para fazer um projeto de aeroporto, reformar rodovias? As empresas "de consultoria" desaprendem, se desatualizam?
O Brasil está muito longe de ser um país "de primeiro mundo", desenvolvido, justo. Quando não conseguimos SEQUER fazer as obras de infraestrutura, quando teremos cidades saudáveis e sustentáveis, educação e saúde de qualidade? Em vez de avançar, andamos para o lado e para trás!!
E nem estranhamos. Assim como o funcionário do necrotério não estranha mais os cadáveres, não nos arrepiamos com as barbaridades feitas em nosso nome.
PS: INCRÍVEL como o governo agora fala com a maior naturalidade que portos, aeroportos e rodovias não terão qualidade se não forem concedidos/ privatizados. Nessa matéria, por exemplo, foi ouvido o ministro Moreira Franco, da Secretaria da Aviação Civil (é, aviação civil também tem direito a secretaria com status de ministério... Haja especialização).
"Para dar conta do investimento necessário, o governo anunciou transferir mais aeroportos para administração privada, como já fez com Guarulhos, Viracopos e Brasília. As empresas vencedoras da licitação administram e fazem ampliações nos terminais. “Só pelo setor público, não vamos conseguir resolver o grande desafio que é garantir ao cidadão brasileiro um sistema aeroportuário adequado”, destaca Moreira Franco".
E nunca, jamais se ouvirá alguém dizendo "revimos nossa posição". E é capaz de nas próximas eleições continuarem demonizando a privatização etc.
quarta-feira, 27 de março de 2013
É tipo Vapt
São Paulo, 27 de março
Você não tem tempo para acompanhar tudo que acontece por aí? Ninguém tem. Eu faço o que posso pra ajudar.
Ué
Primeira meta de Haddad é “inserir aproximadamente 280 mil famílias com renda de menos de até meio salário mínimo no Cadastro Único. Se cada família for composta por 4 integrantes, teremos mais de um milhão de pessoas. E eu pensando que a miséria tinha acabado no Brasil.
A bem da verdade
Dilma disse que o Brasil acabou com a “miséria visível”. Esse um milhão de pessoas estava bem escondido.
Pior lugar do Brasil
16 milhões de pessoas saíram da miséria, comemora o governo do PT. A gente vê mesmo que no restante do país não mais ninguém extremamente pobre. Mas São Paulo, tsc tsc, é um fracasso.
Discussão aprofundada
136 VIPs foram convidados pela prefeitura para compor o “Conselho da Cidade”. Ele “se reunirá quatro vezes ao ano e analisará assuntos centrais para a capital, como a revisão do Plano Diretor e o projeto urbanístico do Arco do Tietê”. Nossa, vai sobrar tempo.
Terapia coletiva
“Queremos promover a política com P maiúsculo, a política em que as pessoas, sem cerimônia e com o peito aberto, vão se reunir para expressar seus pensamentos e sentimentos a respeito de São Paulo”, afirmou Haddad.
Cursinho
“Para o prefeito, o objetivo dos encontros é aprofundar e tornar mais participativa a democracia na cidade. “O conselho tem também um papel pedagógico de envolver os cidadãos nos negócios da cidade” explicou Haddad.
Reunião pra marcar reunião
“Na primeira reunião, os conselheiros discutiram maneiras de organizar e sistematizar o diálogo”. Os 136 conselheiros serão um “canal de comunicação com a população” e trazer suas reivindicações, ahn... daqui a um trimestre, na segunda reunião?
Tive uma ideia
As reuniões do Conselhão serão transmitidas pela internet? Assim a população pode entender melhor o que as 136 pessoas aconselham ali.
Pra não dizer
Entre os Conselheiros convidados por Haddad, os 3 Senadores por São Paulo – incluindo, portanto, o tucano Aloisio Nunes – e o presidente da Assembleia Legislativa, o também tucano Samuel Moreira. A lista completa.
Rapidinho
Senado aprovou Medida Provisória que fixa o ano de 2022 como prazo para que todas as crianças brasileiras com até 8 anos estejam alfabetizadas. Quando as crianças que hoje tem quatro anos de idade terão 13.
quarta-feira, 20 de março de 2013
Maus humores
Estaríamos perdidos
"A nossa Justiça não é assim não. Porque se a nossa Justiça fosse assim, nós estaríamos perdidos!". Foi a reação do Desembargador Tourinho à afirmação de Joaquim Barbosa de que há muitos juízes desonestos que deveriam ser botados pra fora. Em seguida, Barbosa disse o já famoso "esse conluio entre juiz e advogado é o que há de mais pernicioso".
"Não se pode...
...generalizar", reagiram alguns. Por que, existem casos em que o conluio entre juiz e advogado não é pernicioso?
Pra não acharem...
...que eu não entendi: claro que não se pode dizer que "todos os juízes" fazem conluio com advogados.
E por acaso foi isso que foi dito?
Era segredo
A OAB e a Associação de Juízes Federais talvez não saibam que existam conluios entre juízes e advogados.
Velhice segura
Bom lembrar que o juiz que finalmente foi colocado pra fora por ser desonesto é "condenado" à aposentadoria compulsória. É, senhor e senhora aposentados com uma merreca, nós pagamos e não é pouco.
Generalizar
Já pensou se a moda pega? "O senhor foi pego roubando o caixa da loja. Teje aposentado".
Cretinice superior
"Caloura Chica da Silva" pendurado ao pescoço da estudante pintada de preto e presa a uma corrente. Realmente, eles se superam. Nem precisava disso tudo combinado para ser de uma imbecilidade notável.
Se vira
Com toda benevolência municipal, estadual, federal e internacional, Corinthians ameaça - a-me-a-ça - desistir de construir estádio que esteja apto a receber a abertura da Copa e fazer um "só do Corinthians".
Vá em frente.
Sem fiador
O Banco do Brasil não aceitou as garantias do Corinthinas e da Odebrecht para liberar o empréstimo de R$400 milhões do BNDES. #ImaginanaCopa
A gente somos
Nota mil para a redação com a palavra "trousse". Porque o que vale é a criativdade, espírito crítico, não o rigor da "norma culta". Sim, claro. Mas o estudante não quis ser coloquial ou imitar o jeito cotidiano de falar com suas liberalidades; ele errou no Soletrando.
Não fui eu que inventei
O Inep estabeleceu 5 critérios para avaliar as redações, cada um valendo no máximo 200 pontos. Um deles era objetivo: domínio da norma padrão da língua escrita. Cometeu erros, perdeu pontos. Mas talvez o professor que corrigiu as provas leu e não entendeu as regras.
Dinheiro de volta
O MEC nem cogitou abrir uma sindicância para averiguar se os professores contratados para corrigir as provas fizeram outras avaliações generosas com essa. Se eles tem como explicar a receita de Miojo no meio de uma redação com um "nem vi" ou um "vi e achei legal, ué".
Flash Back
Um aluno da ECA (Escola de Comunicações e Artes da USP) gostava de escrever lá pela lauda 15 de seus trabalhos: "O professor que ler até aqui ganha uma caixa de cerveja". Nunca cobraram.
Mudou
Questionada por não ter se manifestado (nem um pio) sobre a renúncia de Bento XVI, Dilma foi defendida no Twitter por apoiadores do governo: "Brasil é país laico"; "não é relevante". Por isso só foram 4 ministros com ela à cerimônia inaugural do Papa Francisco; se fosse evento relevante teriam ido uns 8.
Nobody home
A presidente não ficou hospedada na Embaixada porque o Brasil está sem embaixador em Roma. E ela não ia querer dar trabalho para as dezenas de empregados que trabalham lá, né? Deixa os caras.
Conciliação
Sugestão: Feliciano, acusado de estelionato, racismo e outros crimes, vai pra Comissão de Constituição e Justiça. João Paulo Cunha, condenado por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, vai pra Comissão de Direitos Humanos.
Não tá fácil pra ninguém
Aumentaram as verbas de despesa para os deputados federais. Os preços estão pela hora da morte.
"A nossa Justiça não é assim não. Porque se a nossa Justiça fosse assim, nós estaríamos perdidos!". Foi a reação do Desembargador Tourinho à afirmação de Joaquim Barbosa de que há muitos juízes desonestos que deveriam ser botados pra fora. Em seguida, Barbosa disse o já famoso "esse conluio entre juiz e advogado é o que há de mais pernicioso".
"Não se pode...
...generalizar", reagiram alguns. Por que, existem casos em que o conluio entre juiz e advogado não é pernicioso?
Pra não acharem...
...que eu não entendi: claro que não se pode dizer que "todos os juízes" fazem conluio com advogados.
E por acaso foi isso que foi dito?
Era segredo
A OAB e a Associação de Juízes Federais talvez não saibam que existam conluios entre juízes e advogados.
Velhice segura
Bom lembrar que o juiz que finalmente foi colocado pra fora por ser desonesto é "condenado" à aposentadoria compulsória. É, senhor e senhora aposentados com uma merreca, nós pagamos e não é pouco.
Generalizar
Já pensou se a moda pega? "O senhor foi pego roubando o caixa da loja. Teje aposentado".
Cretinice superior
"Caloura Chica da Silva" pendurado ao pescoço da estudante pintada de preto e presa a uma corrente. Realmente, eles se superam. Nem precisava disso tudo combinado para ser de uma imbecilidade notável.
Se vira
Com toda benevolência municipal, estadual, federal e internacional, Corinthians ameaça - a-me-a-ça - desistir de construir estádio que esteja apto a receber a abertura da Copa e fazer um "só do Corinthians".
Vá em frente.
Sem fiador
O Banco do Brasil não aceitou as garantias do Corinthinas e da Odebrecht para liberar o empréstimo de R$400 milhões do BNDES. #ImaginanaCopa
A gente somos
Nota mil para a redação com a palavra "trousse". Porque o que vale é a criativdade, espírito crítico, não o rigor da "norma culta". Sim, claro. Mas o estudante não quis ser coloquial ou imitar o jeito cotidiano de falar com suas liberalidades; ele errou no Soletrando.
Não fui eu que inventei
O Inep estabeleceu 5 critérios para avaliar as redações, cada um valendo no máximo 200 pontos. Um deles era objetivo: domínio da norma padrão da língua escrita. Cometeu erros, perdeu pontos. Mas talvez o professor que corrigiu as provas leu e não entendeu as regras.
Dinheiro de volta
O MEC nem cogitou abrir uma sindicância para averiguar se os professores contratados para corrigir as provas fizeram outras avaliações generosas com essa. Se eles tem como explicar a receita de Miojo no meio de uma redação com um "nem vi" ou um "vi e achei legal, ué".
Flash Back
Um aluno da ECA (Escola de Comunicações e Artes da USP) gostava de escrever lá pela lauda 15 de seus trabalhos: "O professor que ler até aqui ganha uma caixa de cerveja". Nunca cobraram.
Mudou
Questionada por não ter se manifestado (nem um pio) sobre a renúncia de Bento XVI, Dilma foi defendida no Twitter por apoiadores do governo: "Brasil é país laico"; "não é relevante". Por isso só foram 4 ministros com ela à cerimônia inaugural do Papa Francisco; se fosse evento relevante teriam ido uns 8.
Nobody home
A presidente não ficou hospedada na Embaixada porque o Brasil está sem embaixador em Roma. E ela não ia querer dar trabalho para as dezenas de empregados que trabalham lá, né? Deixa os caras.
Conciliação
Sugestão: Feliciano, acusado de estelionato, racismo e outros crimes, vai pra Comissão de Constituição e Justiça. João Paulo Cunha, condenado por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, vai pra Comissão de Direitos Humanos.
Não tá fácil pra ninguém
Aumentaram as verbas de despesa para os deputados federais. Os preços estão pela hora da morte.
Compostura nota 10
O Google é incrível quando acha em milésimos de segundo o que a gente estava procurando. E igualmente incrível quando acha o que não estávamos procurando.
Eu queria encontrar uma entrevista recente do ministro da Secretaria Especial de Portos em que ele disse "Faz 15 anos que não se investe em portos no Brasil". Ato-falho, né, porque ele esqueceu que os últimos DEZ foram governo petista, aquele que fez maravilhas.
Queria comparar isso com os Balanços do PAC, que sempre comemoram os super investimentos incríveis em infraestrutura e outras coisas. Não achei a entrevista que procuravam, mas esta aqui já ajuda: "Portos terão capacidade esgotada em dois anos, diz ministro". Isso é que é Programa de Aceleração do Crescimento bem feito!! Parabéns aos envolvidos.
Mas o que eu achei sem querer foi uma longa entrevista da presidente Dilma no dia 27 dezembro do ano passado (1h18 minutos, tem o áudio disponível e também a transcrição) para os setoristas. Vale a pena ler inteira. Depois vou destacar alguns trechos, mas por enquanto fico com este trecho, que mostra a compostura da presidente no relacionamento com os jornalistas.
Presidenta: Tânia, eu vou te falar. Como nós somos, nós temos longos anos de praia juntas, eu vou te lembrar uma resposta que uma vez eu dei: eu não respondo isso, Tânia, nem amarrada. Você lembra do “nem amarrada”?
(O assunto era os royalties. Infelizmente a pergunta ficou inaudível, como muitas ao longo da entrevista. Quer dizer, não providenciaram microfone para os jornalistas, os espertos).
***
Vou copiar e colar também alguns pontos em que o que espanta é mesmo o conteúdo, não a forma.
"Aí tem uma quarta questão, que é muito grave: que é a questão da infraestrutura no Brasil. Ninguém faz infraestrutura em um ano. É uma simplificação que nós não podemos nos permitir ... a infraestrutura dos países, ela é feita ao longo de anos".
1) Quem foi que simplificou tudo e disse que estava fazendo uma incrível "aceleração", com as obras em super bom andamento, foram eles.
2) "Em um ano" não dá pra fazer, mas e nos dez que já se passaram de governo Lula/Dilma? Alem da infraestrutura, esse é um país que não tem ferrovia. Nós estamos no século XXI e não temos".
Será que ela tá mesmo provocando o Lula? Porque não é possível.
Eu queria encontrar uma entrevista recente do ministro da Secretaria Especial de Portos em que ele disse "Faz 15 anos que não se investe em portos no Brasil". Ato-falho, né, porque ele esqueceu que os últimos DEZ foram governo petista, aquele que fez maravilhas.
Queria comparar isso com os Balanços do PAC, que sempre comemoram os super investimentos incríveis em infraestrutura e outras coisas. Não achei a entrevista que procuravam, mas esta aqui já ajuda: "Portos terão capacidade esgotada em dois anos, diz ministro". Isso é que é Programa de Aceleração do Crescimento bem feito!! Parabéns aos envolvidos.
Mas o que eu achei sem querer foi uma longa entrevista da presidente Dilma no dia 27 dezembro do ano passado (1h18 minutos, tem o áudio disponível e também a transcrição) para os setoristas. Vale a pena ler inteira. Depois vou destacar alguns trechos, mas por enquanto fico com este trecho, que mostra a compostura da presidente no relacionamento com os jornalistas.
Presidenta: Tânia, eu vou te falar. Como nós somos, nós temos longos anos de praia juntas, eu vou te lembrar uma resposta que uma vez eu dei: eu não respondo isso, Tânia, nem amarrada. Você lembra do “nem amarrada”?
(O assunto era os royalties. Infelizmente a pergunta ficou inaudível, como muitas ao longo da entrevista. Quer dizer, não providenciaram microfone para os jornalistas, os espertos).
***
Vou copiar e colar também alguns pontos em que o que espanta é mesmo o conteúdo, não a forma.
"Aí tem uma quarta questão, que é muito grave: que é a questão da infraestrutura no Brasil. Ninguém faz infraestrutura em um ano. É uma simplificação que nós não podemos nos permitir ... a infraestrutura dos países, ela é feita ao longo de anos".
1) Quem foi que simplificou tudo e disse que estava fazendo uma incrível "aceleração", com as obras em super bom andamento, foram eles.
2) "Em um ano" não dá pra fazer, mas e nos dez que já se passaram de governo Lula/Dilma? Alem da infraestrutura, esse é um país que não tem ferrovia. Nós estamos no século XXI e não temos".
Será que ela tá mesmo provocando o Lula? Porque não é possível.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
"Resolvido"
Mandei uma mensagem para a Ouvidoria do Ministério da Saúde, reclamando da falta de informações sobre o Programa "Crack, é Possível Vencer":
- Ele não consta da página Programas e Ações do Portal da Saúde (Saúde.gov.br)
- O site do Programa não informa onde há consultórios de rua. (Tentei três vezes o 132, número que aparece nos comerciais de TV do Ministério) e não atendeu.
- A página de Transparência também não informa gastos, investimentos, orçamento e execuçao orçamentária.
O que solicitei? que me enviasssem as informações solicitadas ou, melhor ainda, o link para onde qualquer um pode encontrá-las.
Essa parte eu já tinha narrado em outro post, este aqui. O Ministério da Saúde encaminhou a pergunta pra Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, como se eles pudessem/tivessem de responder sobre a falta de informações e prestação de contas da política federal.
A Secretaria me telefonou, eu disse que era no site do Ministério que tinha encontrado problemas, ela disse que ia devolver a mensagem então.
Aí a Ouvidoria o Ministério me respondeu, olha só:
MENSAGEM DE CONCLUSÃO DA DEMANDA
PREZADO(A) SR(A) SÔNIA FRANCINE,
REFERENTE A SUA DEMANDA SOB O PROTOCOLO: 672892
ESCLARECEMOS QUE O DEPARTAMENTO DE OUVIDORIA DO SUS TEM COMO ATRIBUIÇÕES, DENTRE OUTRAS: RECEBER SOLICITAÇÕES, RECLAMAÇÕES, DENÚNCIAS, ELOGIOS, INFORMAÇÕES E SUGESTÕES ENCAMINHADAS PELOS USUÁRIOS DO SUS E LEVÁ-LAS AO CONHECIMENTO DOS ÓRGÃOS COMPETENTES SEJAM ELES FEDERAIS, ESTADUAIS OU MUNICIPAIS.
POR OPORTUNO, INFORMAMOS QUE A SEGUINTE RESPOSTA FOI FORNECIDA PELA SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE SAO PAULO A ESTE DEPARTAMENTO DE OUVIDORIA: A COORDENAÇÃO DA SMS/ATENÇÃO BÁSICA ENVIOU OS ESCLARECIMENTOS DA ÁREA TÉCNICA SAÚDE MENTAL: "ESCLARECEMOS QUE, EM CONTATO COM A REQUERENTE, A MUNÍCIPE ALERTOU QUE O QUESTIONAMENTO NÃO SE DIRIGE À SMS/SP, MAS AO MINISTÉRIO DA SAÚDE. A MESMA DESEJA INFORMAÇÕES DETALHADAS SOBRE O PROGRAMA EM NÍVEL NACIONAL.".
COM O OBJETIVO DE AVALIAR O ATENDIMENTO PRESTADO POR ESTA OUVIDORIA DO SUS, SOLICITAMOS GENTILMENTE QUE O(A) SR(A) ENTRE EM CONTATO CONOSCO PARA CONFIRMAR AS INFORMAÇÕES ACIMA, NUM PRAZO MÁXIMO DE 60 DIAS A CONTAR DESTA DATA.
CASO NÃO HAJA NENHUMA MANIFESTAÇÃO CONTRÁRIA SUA DEMANDA SERÁ CONSIDERADA ATENDIDA E ARQUIVADA.
ATENCIOSAMENTE,
OUVIDORIA DO SUS
MENSAGEM AUTOMÁTICA. NÃO RESPONDA ESTE E-MAIL.
OUVIDORIA GERAL DO SUS
MINISTÉRIO DA SAÚDE
SETOR DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL (SAF) SUL
QUADRA 2 LOTES 05/06 ED. PREMIUM TORRE I
3º ANDAR SALA 305
70070-600, BRASÍLIA-DF, 136
***
Dio! Eles NEM LERAM a resposta da Secretaria Municipal. E não responderam nada do que eu perguntei.
Gentilmente, entrarei em contato para que não considerem minha demanda atendida e ela seja arquivada.
Vou ter de entrar no site e procurar o link outra vez, porque a mensagem não incluiu o link para que eu responda.
E terei de fazer isso outra hora, porque neste momento o site do Ministério deu pau. Quando voltar, vou incluir também o link para a página da Transparência, que citei lá em cima.
***
Voltou. Em parte. Já tem link lá em cima.
- Ele não consta da página Programas e Ações do Portal da Saúde (Saúde.gov.br)
- O site do Programa não informa onde há consultórios de rua. (Tentei três vezes o 132, número que aparece nos comerciais de TV do Ministério) e não atendeu.
- A página de Transparência também não informa gastos, investimentos, orçamento e execuçao orçamentária.
O que solicitei? que me enviasssem as informações solicitadas ou, melhor ainda, o link para onde qualquer um pode encontrá-las.
Essa parte eu já tinha narrado em outro post, este aqui. O Ministério da Saúde encaminhou a pergunta pra Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, como se eles pudessem/tivessem de responder sobre a falta de informações e prestação de contas da política federal.
A Secretaria me telefonou, eu disse que era no site do Ministério que tinha encontrado problemas, ela disse que ia devolver a mensagem então.
Aí a Ouvidoria o Ministério me respondeu, olha só:
MENSAGEM DE CONCLUSÃO DA DEMANDA
PREZADO(A) SR(A) SÔNIA FRANCINE,
REFERENTE A SUA DEMANDA SOB O PROTOCOLO: 672892
ESCLARECEMOS QUE O DEPARTAMENTO DE OUVIDORIA DO SUS TEM COMO ATRIBUIÇÕES, DENTRE OUTRAS: RECEBER SOLICITAÇÕES, RECLAMAÇÕES, DENÚNCIAS, ELOGIOS, INFORMAÇÕES E SUGESTÕES ENCAMINHADAS PELOS USUÁRIOS DO SUS E LEVÁ-LAS AO CONHECIMENTO DOS ÓRGÃOS COMPETENTES SEJAM ELES FEDERAIS, ESTADUAIS OU MUNICIPAIS.
POR OPORTUNO, INFORMAMOS QUE A SEGUINTE RESPOSTA FOI FORNECIDA PELA SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE SAO PAULO A ESTE DEPARTAMENTO DE OUVIDORIA: A COORDENAÇÃO DA SMS/ATENÇÃO BÁSICA ENVIOU OS ESCLARECIMENTOS DA ÁREA TÉCNICA SAÚDE MENTAL: "ESCLARECEMOS QUE, EM CONTATO COM A REQUERENTE, A MUNÍCIPE ALERTOU QUE O QUESTIONAMENTO NÃO SE DIRIGE À SMS/SP, MAS AO MINISTÉRIO DA SAÚDE. A MESMA DESEJA INFORMAÇÕES DETALHADAS SOBRE O PROGRAMA EM NÍVEL NACIONAL.".
COM O OBJETIVO DE AVALIAR O ATENDIMENTO PRESTADO POR ESTA OUVIDORIA DO SUS, SOLICITAMOS GENTILMENTE QUE O(A) SR(A) ENTRE EM CONTATO CONOSCO PARA CONFIRMAR AS INFORMAÇÕES ACIMA, NUM PRAZO MÁXIMO DE 60 DIAS A CONTAR DESTA DATA.
CASO NÃO HAJA NENHUMA MANIFESTAÇÃO CONTRÁRIA SUA DEMANDA SERÁ CONSIDERADA ATENDIDA E ARQUIVADA.
ATENCIOSAMENTE,
OUVIDORIA DO SUS
MENSAGEM AUTOMÁTICA. NÃO RESPONDA ESTE E-MAIL.
OUVIDORIA GERAL DO SUS
MINISTÉRIO DA SAÚDE
SETOR DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL (SAF) SUL
QUADRA 2 LOTES 05/06 ED. PREMIUM TORRE I
3º ANDAR SALA 305
70070-600, BRASÍLIA-DF, 136
***
Dio! Eles NEM LERAM a resposta da Secretaria Municipal. E não responderam nada do que eu perguntei.
Gentilmente, entrarei em contato para que não considerem minha demanda atendida e ela seja arquivada.
Vou ter de entrar no site e procurar o link outra vez, porque a mensagem não incluiu o link para que eu responda.
E terei de fazer isso outra hora, porque neste momento o site do Ministério deu pau. Quando voltar, vou incluir também o link para a página da Transparência, que citei lá em cima.
***
Voltou. Em parte. Já tem link lá em cima.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Matemágica
No site do Fome Zero, um exemplo Malba Tahan de como o governo brinca com os números:
PAC injeta R$ 7,35 bilhões em moradia e saneamento em SP
[SETE BILHÕES. Acompanhe como chegamos a esse número]
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou nesta terça-feira (26/06), no Palácio dos Bandeirantes, repasse de R$ 4,92 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a execução de obras de saneamento e urbanização de favelas em 58 municípios paulistas. São R$ 2,08 bilhões do Orçamento Geral da União (OGU) e R$ 2,83 bilhões em financiamento. Com as contrapartidas do Estado, de R$ 1,82 bilhão e, dos municípios, de R$ 605 milhões, o investimento chega a R$ 7,3 bilhões.
PORTANTO:
R$ 2,08 bilhões vieram do Orçamento da União.
R$ 2,83 bilhões são FINANCIAMENTO. Portanto, o estado vai ter de pagar por ele. É empréstimo, não transferência.
R$ 1,82 bilhões são do Orçamento do Estado.
R$ 650 milhões, dos municípios.
Dos SETE BILHÕES "injetados", o governo federal entrou com DOIS!!!
(SEM CONTAR que o dinheiro da União sai todinho daqui... Dos estados e municípios... SANGRADOS pelo ridículo sistema tributário centralizador que temos. Mandamos trilhões para lá, eles mandam 2 bi e ainda se fazem de generosos)
Para quem se interessar, segue o complemento da notícia:
Os termos de cooperação serão assinados pelo governador do Estado, José Serra, e prefeitos dos municípios que integram as Regiões Metropolitanas (RMs) de São Paulo (27), Campinas (14) e da Baixada Santista (8), além de nove cidades com população superior a 150 mil habitantes. De acordo com o ministro das Cidades, Marcio Fortes de Almeida, que participa do evento, os recursos serão aplicados em obras de grande porte, como a urbanização de favelas, a remoção de moradias em áreas de risco e a erradicação de palafitas na Baixada Santista.
Na área de saneamento, os recursos destinam-se principalmente a recuperação de mananciais no entorno das represas Billings e Guarapiranga e à despoluição da Baía de Santos e da bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí−. Também serão realizadas obras de ampliação e implantação de redes de abastecimento de água e esgotamento sanitário nas três Regiões Metropolitanas.
PAC injeta R$ 7,35 bilhões em moradia e saneamento em SP
[SETE BILHÕES. Acompanhe como chegamos a esse número]
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou nesta terça-feira (26/06), no Palácio dos Bandeirantes, repasse de R$ 4,92 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a execução de obras de saneamento e urbanização de favelas em 58 municípios paulistas. São R$ 2,08 bilhões do Orçamento Geral da União (OGU) e R$ 2,83 bilhões em financiamento. Com as contrapartidas do Estado, de R$ 1,82 bilhão e, dos municípios, de R$ 605 milhões, o investimento chega a R$ 7,3 bilhões.
PORTANTO:
R$ 2,08 bilhões vieram do Orçamento da União.
R$ 2,83 bilhões são FINANCIAMENTO. Portanto, o estado vai ter de pagar por ele. É empréstimo, não transferência.
R$ 1,82 bilhões são do Orçamento do Estado.
R$ 650 milhões, dos municípios.
Dos SETE BILHÕES "injetados", o governo federal entrou com DOIS!!!
(SEM CONTAR que o dinheiro da União sai todinho daqui... Dos estados e municípios... SANGRADOS pelo ridículo sistema tributário centralizador que temos. Mandamos trilhões para lá, eles mandam 2 bi e ainda se fazem de generosos)
Para quem se interessar, segue o complemento da notícia:
Os termos de cooperação serão assinados pelo governador do Estado, José Serra, e prefeitos dos municípios que integram as Regiões Metropolitanas (RMs) de São Paulo (27), Campinas (14) e da Baixada Santista (8), além de nove cidades com população superior a 150 mil habitantes. De acordo com o ministro das Cidades, Marcio Fortes de Almeida, que participa do evento, os recursos serão aplicados em obras de grande porte, como a urbanização de favelas, a remoção de moradias em áreas de risco e a erradicação de palafitas na Baixada Santista.
Na área de saneamento, os recursos destinam-se principalmente a recuperação de mananciais no entorno das represas Billings e Guarapiranga e à despoluição da Baía de Santos e da bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí−. Também serão realizadas obras de ampliação e implantação de redes de abastecimento de água e esgotamento sanitário nas três Regiões Metropolitanas.
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Eu venci, nós empatamos, vocês perderam
Como eu sempre digo (e não adianta nada, e por isso quero ser deputada federal para ver se faz mais efeito), o governo federal juntou uma porção de obras e chamou de "Plano" de "Aceleração". Boa parte dessas obras é de responsabilidade de estados e municípios; em alguns casos, o recurso é integralmente do governo federal e a obra também; em outros, ele só coloca o dinheiro. Tem de tudo: da Transposição do São Francisco e Belo Monte à construção de quadras cobertas nas escolas (vê lá se isso deveria ser considerado obra do PAC...). E em outros ainda, o governo local responde pela maioria dos recursos investidos e pela totalidade da obra. Imagine em que estado isso acontece muito - São Paulo, claro.
Aí, se a obra atrasa, se tem problemas com licitações, licenciamento, contratos, pagamentos, acidentes, questionamentos quanto a desapropriações, desocupações e compensação ambiental, é o governo estadual quem responde por tudo isso. MAS quando a obra fica pronta... Ê, é obra do PAC! Vai o Lula na inauguração e fala um monte! O relatório mostra o sinal verde e isso ajuda a elevar o índice de conclusão de projetos.
E depois eles ainda FALAM MAL DE SÃO PAULO, dizendo que a gente está ficando para trás enquanto o país avança celeremente. Que a gente não usa dinheiro federal porque não quer.
)(&*Y*YYGH*&T)(&¨¨¨%#@&¨R
Um exemplo entre muitos:
O governo do estado realiza várias obras de saneamento, melhorando uma cobertura que já é, de modo geral, muito melhor que do restante do país, com grande volume de recursos próprios e a execução todinha sob sua responsabilidade e... o PAC comemora o resultado.
#brincadeira.
Aí, se a obra atrasa, se tem problemas com licitações, licenciamento, contratos, pagamentos, acidentes, questionamentos quanto a desapropriações, desocupações e compensação ambiental, é o governo estadual quem responde por tudo isso. MAS quando a obra fica pronta... Ê, é obra do PAC! Vai o Lula na inauguração e fala um monte! O relatório mostra o sinal verde e isso ajuda a elevar o índice de conclusão de projetos.
E depois eles ainda FALAM MAL DE SÃO PAULO, dizendo que a gente está ficando para trás enquanto o país avança celeremente. Que a gente não usa dinheiro federal porque não quer.
)(&*Y*YYGH*&T)(&¨¨¨%#@&¨R
Um exemplo entre muitos:
O governo do estado realiza várias obras de saneamento, melhorando uma cobertura que já é, de modo geral, muito melhor que do restante do país, com grande volume de recursos próprios e a execução todinha sob sua responsabilidade e... o PAC comemora o resultado.
#brincadeira.
Super Transparente [NÃO]
Tenho certeza que antes de lançar o PAC 2 e o Minha Casa, Minha Vida - 2, Lula já dizia que tinha feito "um milhão de moradias" no "maior programa de habitação popular da história do país". Agora o governo federal faz anúncio na TV comemorando a entrega de... um milhão de moradias. Agora. (CLARO que antes era MENTIRA. Adiantava falar? Bem que eu tentei).
E esse um milhão, todos os minimamente interessados sabem, incluem muita coisa que nem de longe é moradia popular. A faixa de 1 a 3 salários mínimos, aliás, é ridiculamente atendida pelo programa.
Pra variar, tentar conseguir informações nos sites oficiais é trabalho para caçador de tesouros.
O PAC tem uma página oficial - bem organizada, até.
De cara a gente encontra informações incríveis, por exemplo:
Autorizada reforma do terminal de passageiros de Salvador
Existem "27 empreendimentos" é uma informação bizarra em - como assim, um empreendimento por Unidade da Federação?? Fui lá saber de São Paulo. Cliquei.
Isso é tudo que eles informam:
E esse um milhão, todos os minimamente interessados sabem, incluem muita coisa que nem de longe é moradia popular. A faixa de 1 a 3 salários mínimos, aliás, é ridiculamente atendida pelo programa.
Pra variar, tentar conseguir informações nos sites oficiais é trabalho para caçador de tesouros.
O PAC tem uma página oficial - bem organizada, até.
De cara a gente encontra informações incríveis, por exemplo:
Autorizada reforma do terminal de passageiros de Salvador
A reforma contemplará, entre outros itens, a modernização do sistema de esteiras de bagagens e das pontes de embarque, e uma nova cobertura do hall entre o terminal de passageiros e o edifício garagem.
"AUTORIZADA a reforma". Puxa, isso é que é Plano de Aceleração. Afinal, foi indagorinha que foi feito o diagnóstico de que os aeroportos precisavam de muitas obras, especialmente nas cidades-sede da Copa, né?
Mas fui atrás das informações sobre o Minha Casa, Minha Vida em sua página específica.
Ei-la:
Isso é tudo que eles informam:
Desse "investimento previsto", quanto é do governo federal e quanto do estado e municípios? Quantos, quais e onde são os empreendimentos?
Se vire para descobrir sozinho. #brincadeira
Pergunta lá pro município
Não me conformo com a (inexistente) prestação de contas sobre o programa de combate ao crack do governo federal. Postei uma pergunta no site do Ministério da Saúde, na parte reservada à Ouvidoria
Não encontro informações sb o programa Crack, é Possível Vencer. Não aparece na página Programas e Ações do Portal da Saúde e o site do Programa não informa onde há consultórios de rua. Tentei o 132 três vezes e não atendeu. A página de Transparência também não informa gastos, investimentos, orçamento e execuçao orçamentária. Por favor, enviem os dados para o meu email ou os links para onde as informações foram publicadas? Obrigada.
Primeira resposta:
CONFIRMAÇÃO DE RECEBIMENTO DA SUA MENSAGEM
PREZADO(A) SR(A) SÔNIA FRANCINE,
CONFIRMAMOS O RECEBIMENTO DA SUA MENSAGEM NESSA OUVIDORIA DO SUS. O SEU NÚMERO E SENHA PARA ACOMPANHAMENTO VIA INTERNET SÃO:
PREZADO(A) SR(A) SÔNIA FRANCINE,
REGISTRAMOS SUA DEMANDA SOB PROTOCOLO 672892 E ENCAMINHAMOS PARA SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE SAO PAULO
ATENCIOSAMENTE,
OUVIDORIA DO SUS
OUVIDORIA GERAL DO SUS
MINISTÉRIO DA SAÚDE
SETOR DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL (SAF) SUL
QUADRA 2 LOTES 05/06 ED. PREMIUM TORRE I
3º ANDAR SALA 305
70070-600, BRASÍLIA-DF, 136
OU SEJA: Estou perguntando sobre o andamento das ações do Programa NACIONAL de enfrentamento ao uso de crack - batizado como programa não de governo, mas de TV: "Crack, é possível vencer". Anunciado pela Dilma em dezembro de 2011. Citado pelo Haddad como política bem-sucedida, que ele promete aplicar em São Paulo para resolver nosso grave problema. Mencionado pelos governistas, acolhidos sem contestação por parte da imprensa, inclusive a "golpista", como motivo para que a Polícia Militar fizesse aquela ação na "cracolândia" no bairro da Luz ("o governo federal vai lançar um programa, então os demotucanos quiseram sair na frente para poder ficar com o mérito").
O Ministério da Saúde NÃO PRESTA CONTAS do resultado do programa em seu site (mas gasta uma fortuna em anúncio na TV dizendo "X estados já aderiram"!). Eu peço as informações sobre o que está sendo feito no Brasil e eles... encaminham a pergunta para a Secretaria Municipal de Saúde!! Como eles poderiam informar sobre a Execução Orçamentária do Ministério da Saúde etc?
Isso tem um nome: DESONESTIDADE. A presidente fez o seu comercial, como aquele aluno da Escolinha do Professor Raimundo. O Haddad fez sua campanha eleitoral. Os governistas cravaram mais uma facada na oposição ("por desavenças partidárias, o governo de São Paulo é capaz de qualquer coisa"). (Além do já tradicional "reacionários" etc). A imprensa preencheu espaços, foi "contundente", não apurou p. nenhuma e se eximiu de qualquer responsabilidade. Desonestos, todos.
Não encontro informações sb o programa Crack, é Possível Vencer. Não aparece na página Programas e Ações do Portal da Saúde e o site do Programa não informa onde há consultórios de rua. Tentei o 132 três vezes e não atendeu. A página de Transparência também não informa gastos, investimentos, orçamento e execuçao orçamentária. Por favor, enviem os dados para o meu email ou os links para onde as informações foram publicadas? Obrigada.
Primeira resposta:
CONFIRMAÇÃO DE RECEBIMENTO DA SUA MENSAGEM
PREZADO(A) SR(A) SÔNIA FRANCINE,
CONFIRMAMOS O RECEBIMENTO DA SUA MENSAGEM NESSA OUVIDORIA DO SUS. O SEU NÚMERO E SENHA PARA ACOMPANHAMENTO VIA INTERNET SÃO:
NÚMERO: 154035
SENHA: 8468P5
Segunda resposta:
RECEBEMOS MANIFESTAÇÃO VIA FORMULÁRIO WEB NESTE DEPARTAMENTO DE OUVIDORIA GERAL DO SUS, NA QUAL CIDADÃ (ÃO) RELATA NA ÍNTEGRA QUE... [segue a minha pergunta]
Minha mensagem foi considerada procedente e a demanda, acolhida. Foi para análise.
Terceira resposta:
MENSAGEM DE ACOMPANHAMENTO DA DEMANDA
PREZADO(A) SR(A) SÔNIA FRANCINE,
REGISTRAMOS SUA DEMANDA SOB PROTOCOLO 672892 E ENCAMINHAMOS PARA SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE SAO PAULO
ATENCIOSAMENTE,
OUVIDORIA DO SUS
OUVIDORIA GERAL DO SUS
MINISTÉRIO DA SAÚDE
SETOR DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL (SAF) SUL
QUADRA 2 LOTES 05/06 ED. PREMIUM TORRE I
3º ANDAR SALA 305
70070-600, BRASÍLIA-DF, 136
OU SEJA: Estou perguntando sobre o andamento das ações do Programa NACIONAL de enfrentamento ao uso de crack - batizado como programa não de governo, mas de TV: "Crack, é possível vencer". Anunciado pela Dilma em dezembro de 2011. Citado pelo Haddad como política bem-sucedida, que ele promete aplicar em São Paulo para resolver nosso grave problema. Mencionado pelos governistas, acolhidos sem contestação por parte da imprensa, inclusive a "golpista", como motivo para que a Polícia Militar fizesse aquela ação na "cracolândia" no bairro da Luz ("o governo federal vai lançar um programa, então os demotucanos quiseram sair na frente para poder ficar com o mérito").
O Ministério da Saúde NÃO PRESTA CONTAS do resultado do programa em seu site (mas gasta uma fortuna em anúncio na TV dizendo "X estados já aderiram"!). Eu peço as informações sobre o que está sendo feito no Brasil e eles... encaminham a pergunta para a Secretaria Municipal de Saúde!! Como eles poderiam informar sobre a Execução Orçamentária do Ministério da Saúde etc?
Isso tem um nome: DESONESTIDADE. A presidente fez o seu comercial, como aquele aluno da Escolinha do Professor Raimundo. O Haddad fez sua campanha eleitoral. Os governistas cravaram mais uma facada na oposição ("por desavenças partidárias, o governo de São Paulo é capaz de qualquer coisa"). (Além do já tradicional "reacionários" etc). A imprensa preencheu espaços, foi "contundente", não apurou p. nenhuma e se eximiu de qualquer responsabilidade. Desonestos, todos.
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