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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Haddad descobriu a pólvora - 2

Conselho da Cidade aprova três diretrizes para garantir investimentos

A maioria dos integrantes do Conselho da Cidade aprovou na tarde desta quarta-feira (17) três diretrizes propostas pelo prefeito Fernando Haddad para garantir avanços de investimentos em São Paulo para os próximos anos. Os princípios para renegociação da dívida da Prefeitura com a União; indexadores para o pagamento de precatórios; e formas de financiamento para o transporte público foram apresentados na terceira reunião do Conselho, realizado na sede da Prefeitura

Para a renegociação da dívida com a União a proposta foi de mudança no cálculo. Segundo o secretário municipal de Finanças, Marcos Cruz, a dívida era de R$ 11 bilhões em 2000, quando foi assinada, e hoje está em cerca de R$ 54 bilhões, mesmo após a Prefeitura já ter pago R$ 19,5 bilhões. O prefeito propôs que as taxas de juros da dívida pagas pelo município não sejam superiores aos que a União paga para arrolar suas dívidas com o mercado

”Estamos desde 2000 pagando uma taxa de juros que é superior à Selic. Isso causou um desequilíbrio na relação entre o município e a União, em prejuízo do município, quando o espírito do contrato era favorecer e acabou prejudicando”, afirmou o prefeito Fernando Haddad.




Não fala que isso foi decorrência do calote dado PELA MARTA, com quem ele trabalhou na Secretaria de Finanças

O segundo princípio defendido por Haddad e também aprovado pelos conselheiros é sobre o novo indexador para o pagamento dos precatórios a ser definido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para o prefeito, é importante que o pagamento seja vinculado ao teto de 3% das receitas das cidades para que a maioria dos estados e municípios consigam quitar as dívidas em até cinco anos. A cidade soma hoje R$ 16,9 bilhões em precatórios.

“Se o Supremo entende que os precatórios precisam ser preservados, nós entendemos que, em função do completo descontrole desse assunto durante décadas, deve ser reservada uma parte da receita para o pagamento dos precatórios”, explicou Haddad.

[Qto a Marta pagou? Qtos resultam de ações do governo dela? E de anteriores?]

No caso de São Paulo, que, assim como outros 10 municípios e três estados, não conseguiria quitar neste prazo só com a vinculação, a idéia é liberar o saque de depósitos judiciais não-tributários, como é feito pelo Rio de Janeiro. “Que a solução do Rio de Janeiro, uma espécie de direito de saque dos depósitos judiciais, seja reservado àqueles entes que não conseguem com a vinculação de 3% honrar seus compromissos em cinco anos”, concluiu.

O prefeito propôs ainda a criação de uma nova forma para financiar o transporte público, atendendo aos pedidos da população para que a tarifa não seja alta. A ideia principal é que o transporte individual financie o transporte coletivo urbano. Haddad sugeriu que a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), cobrada nos combustíveis, seja municipalizada.

Todas as propostas já estão sendo negociadas pela Prefeitura com os órgãos competentes. A municipalização da Cide está sendo discutida no Congresso e é apreciada na Câmara a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 90, que trata do transporte social, prevendo a medida. O prefeito também já se reuniu com ministros do STF e a presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo para tratar do indexador dos precatórios.

”Os conselheiros compreenderam que o caminho que a Prefeitura está tomando é o caminho correto. Essas diretrizes significam a retomada dos investimentos em São Paulo. A cidade não pode continuar com a metade do investimento das outras cidades do Sudeste”, afirmou.










Auditoria internacional

Além do cancelamento da licitação do sistema de transporte público e a criação do Conselho Municipal de Transportes e Trânsito, a Prefeitura de São Paulo abrirá uma auditoria que permitirá a concorrência internacional para analisar os contratos e dar mais transparência ao processo. A auditoria será licitada até o fim do ano, após a conclusão do edital.

“Entendemos que o grau de complexidade que isso ganhou exige que nós possamos fazer um trabalho mais minucioso, comparando internacionalmente, nacionalmente, modernizando os controles e as regras de transparência”, justificou o prefeito.

“Isso é bom para o setor. Não deve ser visto pelo bom empresário como uma ameaça. Ao contrário. O bom empresário tem de ver isso como uma oportunidade de consolidar um entendimento sobre a importância do setor e sobre a qualidade que ele tem de ter nesta etapa que a democracia brasileira atingiu. Hoje, ela é auditada internamente e às vezes com o apoio de instituições externas”, comentou Haddad.

Plano de investimentos

Durante a terceira reunião do Conselho da Cidade, os secretários de Finanças, Marcos Cruz, e de Planejamento, Leda Paulani, também apresentaram o plano de investimentos para São Paulo até 2016. A previsão é de R$ 25 bilhões em investimentos nas diversas áreas. A maior fatia dos investimentos ficará com mobilidade urbana, com 43% do total para construir, por exemplo, 150 km de corredores de ônibus. Moradia e habitação têm previsto 26% do total para atingir a meta de construir 55 mil moradias e garantir a regularização fundiária. Outros 22% serão destinados para equipamentos sociais e 9% para obras de drenagem.

Aqui,a apresentação das contas públicas.

Matéria com declarações (absurdas): http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2013/07/haddad-obtem-apoio-do-conselho-da-cidade-sobre-dividas-e-tarifa.html

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Haddad e a participação popular bla bla bla

No site da prefeitura: Medidas para melhoria do transporte público

"Informações"

1. Por que a nova licitação para o transporte público na cidade foi cancelada?

De acordo com o prefeito Fernando Haddad, um contrato de 15 anos deve ter participação popular. O prefeito irá instalar o conselho de transporte público para discutir modelo de concessão, planilhas de custo e formato da nova licitação.

- Um contrato de 15 anos tem de ter análises complexas e aprofundadas sob vários aspectos e não tem nada a ver com "participação popular". Ela é fundamental em vários momentos, mas como se discute algo dessa magnitude com o povo? Isso é demagogia pura, abjeta.

- O Conselho de Transporte Público é tudo, menos "participação popular". Tem 13 representantes da prefeitura, 13 representantes de categorias definidas por ela (basicamente, sindicatos de patrões e empregados) e 13 representantes da sociedade civil que um dia virão a ser eleitos... Mas por enquanto serão indicados dentre os escolhidos pelo próprio prefeito para o seu "Conselhão".

- O prefeito Fernando Haddad fez parte da gestão que assinou o contrato de concessão em vigor. Seria muito bom ver se ele tem, então, ressalvas ao modo como foi conduzido e seu teor... Mas isso ninguém lembrou de perguntar.


2. O cancelamento altera alguma coisa da promessa do bilhete único mensal?

Não. A implantação do bilhete único mensal segue nos mesmos moldes.

- QUE moldes? O prefeito já disse que só seria viável em 2014, depois prometeu para este ano mesmo e agora eliminou a previsão da Lei de Diretrizes Orçamentárias.

3.Qual o objetivo do conselho de transporte público?

O conselho terá a participação de usuários e movimentos sociais junto a empresários e governo, a fim de que se discuta as planilhas de custos e serviços. O objetivo é permitir que a sociedade se aproprie dos custos, com participação inclusive do Ministério Público, para que o processo ocorra com máxima transparência e responda aos anseios sociais pela maior qualidade da oferta.

- Defina "usuários e movimentos sociais"... [SONO] Tudo é "movimento social" para o PT, desde que esteja a seu lado (senão são "golpistas"). Quanto aos usuários... Vontade de ir à reunião e perguntar "ALGUÉM aqui anda de ônibus?"

- "Permitir que a sociedade se aproprie dos custos, com participação inclusive do Ministério Público"? Caros, isso não depende da sua "permissão", é nosso direito e seu dever.

- Pensando bem, o que diacho quer dizer "se ~aproprie~ dos custos"?

- "Os anseios sociais pela maior qualidade da oferta" vão muito, mas muito além da discussão de planilhas em um conselho. Aí sim a participação popular é fundamental, porque só quem USA o sistema de ônibus sabe MESMO os defeitos do serviço.


4.Como vai ficar a situação legal das empresas atualmente contratadas, uma vez que os contratos estão para vencer?

Os atuais contratos serão prorrogados até que a nova contratação se efetive. Estão em estudo as despesas com o contrato.

- Não esqueçam de nos atualizar quanto ao prazo da prorrogação e as despesas com ele...

5.Quando deve ser convocado o conselho de transportes que vai definir o novo modelo de concessão? Esse conselho será consultivo, como é o Conselho da Cidade, ou deliberativo?

O conselho será instituído, com as devidas atribuições, por meio de decreto que está em elaboração, para posterior envio à Câmara Municipal.

- O PT sempre exige - quando é oposição, por supuesto - que os Conselhos sejam deliberativos. Isto é, que suas decisões sejam "obrigatórias" - o que é um absurdo em 90% dos casos. E ele sabe disso quando é governo, tanto é que fez a pergunta MAS deixou a resposta em aberto...

6.Como será feita a nova licitação?

O modelo de licitação será primeiramente discutido pelo conselho

Então tá.



terça-feira, 18 de junho de 2013

Só queime DEPOIS de ler

Ontem fiz uma "reivindicação pacífica" (tá aí no post abaixo) - "Não desaprovem sem ler". Até parece que fui atendida rsrs.

Tuitei cinco "capítulos" com algumas opiniões minhas sobre as manifestações, que depois reuni no post. No final, escrevi isso aqui no TwitLonger:

"Eu vou hoje. Não ergo cartazes de tarifa zero porque essa não é a minha causa. Quero o lugar dele, SABIA que ele não tinha preparo para ser prefeito (não só porque foi um ministro fraquíssimo, mas porque nunca foi político, nunca foi “do chão”, conhecia mto por cima a administração pública municipal e a cidade e nem queria ser prefeito, comemorou qdo foi “mais um poste eleito pelo Lula”) mas nem por isso vou dizer que o Haddad “está de má vontade, fazendo o jogo do capital” quando diz que tarifa zero = abrir mão de bilhões para outros gastos e investimentos (como o PT faz quando é oposição, mas enfim... Não vou fazer o que acho errado neles só porque eles fizeram primeiro, capice?). Pretendo levar faixas em branco e canetas para que as pessoas que assim quiserem escrevam sua queixa, seu pleito. Contra a MP 37, por qualidade no serviço público, contra os gastos bilionários na Copa, contra o voto secreto no Congresso, contra o voto obrigatório, contra a corrupção, contra os gastos milionários em propaganda (mentirosa, ainda por cima), contra o auxílio-alimentação para Juízes, contra “empréstimos secretos” para outros países, contra as obras faraônicas".

Tenho dado aulas particulares, então estou com os cacoetes de prova escolar:

Leia com atenção e responda

1) A autora:
( ) apoia a tarifa zero
(x) nao apoia a tarifa zero.

2) Ela não apoia a tarifa zero porque:
( ) é do partido do Haddad e precisa defender o prefeito
(x) é da oposição ao Haddad mas mesmo assim não quer defender algo que considera impossível.

3) Soninha Francine
(x) concorda com Haddad quando ele diz que tarifa zero implica em cortar bilhões de outras áreas
( ) acha que ele só diz isso porque está de má-vontade fazendo o jogo do capital.

4) A ex-candidata a prefeita vai à passeata
( ) porque quer dar um golpe e derrubar o prefeito
(x) porque concorda com várias outras reivindicações e protestos em pauta.

Achou fácil? Pois bem, teve gente (jornalistas, aliás) que acertou a 1ª, não tem noção do que significa a 2ª e errou a 3ª e a 4ª.

Observem:



E tinha mais...  Vieram as ameaças ("Ela que apareça!"). Um chegou a dizer "Ela tá literalmente [sic]cagando pro MPL, só pensa em si mesma".

(Imaginem se um dia eu me atrevo a sair na rua com um cartaz "Fora [alguém que seja PT ou aliado]").

Isso porque eu quis explicar honestamente para os defensores do passe livre, mesmo sendo de oposição ao prefeito, que é impossível... Ah, deixa pra lá. Por isso hoje eu me rendi aos argumentos. Talvez o passe livre seja possível, afinal! Se não for, o Haddad e seus apoiadores que expliquem para o MPL e os manifestantes.

quarta-feira, 27 de março de 2013

É tipo Vapt


São Paulo, 27 de março

Você não tem tempo para acompanhar tudo que acontece por aí? Ninguém tem. Eu faço o que posso pra ajudar. 


Primeira meta de Haddad é “inserir aproximadamente 280 mil famílias com renda de menos de até meio salário mínimo no Cadastro Único. Se cada família for composta por 4 integrantes, teremos mais de um milhão de pessoas.  E eu pensando que a miséria tinha acabado no Brasil.

A bem da verdade
Dilma disse que o Brasil acabou com a “miséria visível”. Esse um milhão de pessoas estava bem escondido.

Pior lugar do Brasil
16 milhões de pessoas saíram da miséria, comemora o governo do PT. A gente vê mesmo que no restante do país não mais ninguém extremamente pobre. Mas São Paulo, tsc tsc, é um fracasso.

Discussão aprofundada
136 VIPs foram convidados pela prefeitura para compor o “Conselho da Cidade”. Ele “se reunirá quatro vezes ao ano e analisará assuntos centrais para a capital, como a revisão do Plano Diretor e o projeto urbanístico do Arco do Tietê”. Nossa, vai sobrar tempo.

Terapia coletiva
“Queremos promover a política com P maiúsculo, a política em que as pessoas, sem cerimônia e com o peito aberto, vão se reunir para expressar seus pensamentos e sentimentos a respeito de São Paulo”, afirmou Haddad.

Cursinho
“Para o prefeito, o objetivo dos encontros é aprofundar e tornar mais participativa a democracia na cidade. “O conselho tem também um papel pedagógico de envolver os cidadãos nos negócios da cidade” explicou Haddad.

Reunião pra marcar reunião
“Na primeira reunião, os conselheiros discutiram maneiras de organizar e sistematizar o diálogo”. Os 136 conselheiros serão um “canal de comunicação com a população” e trazer suas reivindicações, ahn... daqui a um trimestre, na segunda reunião?

Tive uma ideia
As reuniões do Conselhão serão transmitidas pela internet? Assim a população pode entender melhor o que as 136 pessoas aconselham ali.


Pra não dizer
Entre os Conselheiros convidados por Haddad, os 3 Senadores por São Paulo – incluindo, portanto, o tucano Aloisio Nunes – e o presidente da Assembleia Legislativa, o também tucano Samuel Moreira. A lista completa.

Rapidinho
Senado aprovou Medida Provisória que fixa o ano de 2022 como prazo para que todas as crianças brasileiras com até 8 anos estejam alfabetizadas. Quando as crianças que hoje tem quatro anos de idade terão 13.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

E...?

Farra cortada

O governo acaba de anunciar um corte de 50% no valor dispendido com diárias e passagens e a proibição de comprar, reformar ou alugar imóveis ou adquirir veículos para uso administrativo. em 2010, a União gastou gastou R$5,3 bilhões com esses itens: apenas com diárias e passagens no país e no exterior foram R$2,6 bilhões. Com aquisição, aluguel ou reforma de imóveis, mais de R$1,7 bilhão, o equivalente à construção de 28 mil casas populares de R$60 mil cada uma. Apenas com o aluguel, R$756,3 milhões no ano passado. Com a compra de veículos (ambulância, automóvel e caminhão), outro R$1 bilhão, que daria para comprar 33 mil carros populares. 


Não anotei o jornal e a data, mas dá para adivinhar pelo ano citado.

Meus comentários:

1) Medida demagógica, tosca. Do tipo que a torcida aplaude mas não é exatamente o que precisa ser feito. 50% das diárias e passagens são/foram mesmo desnecessárias ou supérfluas? A quantidade pode ter sido 25%, pode ter sido 75%. O corte pode atingir as viagens realmente necessárias enquanto os chefes autorizam as supérfluas. Quanto aos imóveis e veículos, nem se fala. Como assim PROIBIR comprar, reformar ou alugar imóveis?? E se forem necessários? Uma sede para o Ibama, um utilitário... Só servidores federais podem dizer qual foi o verdadeiro resultado dessa proibição para o correto desempenho de suas atividades.

2) QUEM DISSE que isso realmente foi feito, ou ao menos uma parte razoável disso? (A demagogia eu dispenso). Cadê o acompanhamento? 2011, 2012... A mídia sempre diz no fim de ano "Governo vai economizar isso, vai investir bilhões naquilo". E...?

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Sem arrogância ou superioridade pretensiosa

http://www2.planalto.gov.br/imprensa/discursos/discurso-da-presidenta-da-republica-dilma-rousseff-durante-a-cerimonia-de-abertura-do-seminario-201cbrasil-en-la-senda-del-crecimiento201d


Madri-Espanha, 19 de novembro de 2012

...de Estado do Brasil e da Espanha,

Cumprimentar as senhoras e os senhores participantes do Seminário Brasil na Senda do Crescimento,
Senhoras e senhores jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas,
Senhoras e senhores,

Quero, em primeiro lugar, cumprimentar os jornais Valor Econômico e El País, organizadores deste seminário. Ambos se tornaram referência obrigatória de leitura para todos que se interessam pelos grandes temas da atualidade, tratados de maneira séria, responsável e plural.

A mediação de uma imprensa livre, isenta e democrática constitui requisito indispensável para consolidar o caminho dos povos em seu processo de desenvolvimento. Isso é particularmente relevante num momento em que uma crise profunda atinge os países desenvolvidos e afeta também os países emergentes.

Iniciada em 2008, a crise econômica [vulgo "Marolinha"] ganhou novos e inquietantes contornos. A opção por políticas fiscais ortodoxas vem agravando a recessão nas economias desenvolvidas, com reflexos nos países emergentes.

As principais lideranças do mundo desenvolvido não encontraram ainda o caminho que articula ajustes fiscais apropriados e estímulos ao investimento e ao consumo. Esses estímulos são indispensáveis para interromper a recessão e garantir o crescimento econômico.

[Incentivo ao consumo o Brasil tem feito - consumo de carros e linha branca. Produtos, em tese, duráveis, que as pessoas não deveriam trocar todo ano (a menos que os produtos usados também ajudassem a movimentar a economia, mas não tem sido assim. Até porque antigamente era super aceitável começar comprando produtos baratos de segundo mão e, à medida que o dinheiro aparecesse, comprar coisas cada vez melhores. Hoe em dia, gasta-se primeiro e espera-se que o dinheiro venha depois). Incentivo ao investimento... Onde?]

O corte radical de gastos, a política monetária exclusiva e a retirada de direitos não podem ser as únicas respostas para resolver as questões que estão colocadas pelas dívidas soberana e bancária, pelas bolhas imobiliárias e pela desconfiança do mercado. A consequência de tal receituário é, ao contrário, o aumento da desconfiança da população e dos mercados, diante da ineficácia das medidas que são tardiamente tomadas.

Dificilmente os mercados acreditarão na estabilidade financeira e na garantia das dívidas sem uma união bancária, que é urgente, sem um Banco Central com poderes para defender, de forma ampla, a moeda, um Banco Central com poder para emitir títulos, um Banco Central com efetivo papel de emprestador de última instância. Os mercados estão refluindo desaparece o crédito interbancário e fragmenta-se todo o espaço econômico.

[Banco Central com poderes para defender a moeda? Quer dizer, fingir que o Real vale muito mais do que vale de fato e os exportadores que se danem?]

As medidas tomadas até agora foram importantes, sem sombra de dúvidas elas evitaram que houvesse uma crise sistêmica, uma crise do tamanho daquela do Lehman Brothers. É verdade que, além da Europa, os Estados Unidos também passam por dificuldades, e nós esperamos que a questão do chamado “abismo fiscal” tenha uma solução adequada e que fuja das contradições entre os dois partidos.

Já do ponto de vista da população a desconfiança passa a estar baseada no aumento sistemático do desemprego, no aumento da pobreza e numa espécie de desalento que toma conta das famílias e da sociedade. Na constatação de que, apesar de cortar as despesas, o déficit e a dívida pública estão aumentando, as pessoas também ficam com uma visão muito negativa da realidade. Com tristeza vemos a pobreza mostrar sua face maligna nas economias desenvolvidas e as classes médias serem reduzidas ou fortemente impactadas. Tudo isso, ao ampliar a desigualdade, destrói as bases da sociedade de bem-estar social, que foram duramente construídas.

O Brasil sabe, por experiência própria, que a dívida soberana dos Estados e a dívida bancária e financeira não são equacionadas num quadro recessivo. Ao contrário, a recessão só agudiza a crise e transforma em insolvência problemas que inicialmente eram de apenas liquidez. Sobretudo, cobram um preço social elevado que, muitas vezes, pode levar a situações políticas difíceis e à descrença na democracia e à xenofobia.

[Vamos mesmo falar de insolvência?]

É urgente a construção de um amplo pacto pela retomada coordenada do crescimento econômico. Pacto que torne e tome iniciativas que impeçam a desesperança provocada pelo desemprego e pela falta de oportunidades.

Senhoras e senhores aqui presentes,

Meu país tem feito a sua parte. Nós também fomos impactados pela crise, como todos os outros países. Mas, apesar da redução conjuntural de nosso crescimento  ["redução conjuntural". Quando é no governo dos outros...], estamos mantendo o nível de emprego em patamares extremamente elevados ["extremamente"?], continuamos reduzindo a desigualdade social e aumentamos significativamente a renda dos trabalhadores ["Significativamente"? Alargando a chamada "classe média" para incluir famílias que não tem nem 3 salários mínimos de renda?]. Nós estamos esperando e trabalhando para isso, para que, em 2013, tenhamos um crescimento muito significativo.

Superamos a visão incorreta que contrapõe, de um lado, as medidas de incentivo ao crescimento e, de outro, os planos de austeridade. Esse é um falso dilema. A responsabilidade fiscal é tão necessária quanto são imprescindíveis medidas de estímulo ao crescimento, pois a consolidação fiscal só é sustentável em um contexto de recuperação da atividade econômica.

[Quais seriam as medidas de incentivo ao crescimento? PAC, a #farsa?]

A história revela que a austeridade, quando exagerada e isolada do crescimento econômico, derrota a si mesma. A opção do Brasil tem sido a de enfrentar, simultaneamente, esses desafios, mesmo que algumas vezes usando o tempo como uma forma de ajuste. [Não entendi. "Usando o tempo como forma de ajuste"?? Tipo... "Espera que passa"? "Ora que melhora"?]

Ao mesmo tempo em que observamos um estrito controle das contas públicas, aumentamos nossos investimentos em infraestrutura e educação. Ao mesmo tempo em que controlamos a inflação, atuamos vigorosamente nas políticas de inclusão social e combate à pobreza. E, ao mesmo tempo em que fazemos reformas estruturais na área financeira e previdenciária, reduzimos a carga tributária, o custo da energia e investimos em conhecimento para produzir tecnologia e inovação.

["ESTRITO CONTROLE DAS CONTAS PÚBLICAS". E essa foi exatamente a parte que a imprensa reproduziu no dia seguinte, sem fazer uma, uma perguntinha sequer: CUMA? QUE controle? Um exemplo ao menos, pfv?]

Há momentos em que não podemos escolher entre uma ou outra alternativa. Há que desenvolvê-las de forma articulada. Por isso, defendemos que as regiões em crise adotem uma estratégia que abra mais espaço para estímulos fiscais imediatos, escorados por planos de consolidação de médio e longo prazo.

[Quais são os nossos planos de consolidação de médio e longo prazo, pfv?]

Defendemos medidas anticíclicas principalmente dos países superavitários que devem consumir mais, investir mais, importar mais e ser capazes de ajudar na adequação de todos os ajustes.

[1) Consumir mais? Com desemprego de 25%? 2) Importar mais? Como isso vai gerar empregos?]

Portanto, nós temos consciência de que se todos fizerem ajustes simultâneos, o resultado é a recessão. Fazer ajustes simultâneos seria, sem dúvida, uma estratégia perversa. Tal estratégia, aquela de articular a austeridade com o crescimento e defasá-los no tempo seria, sem dúvida, menos perversa para as famílias e para as empresas.

[Não entedi nada. "Fazer ajustes simultâneos seria uma estratégia perversa"? O que diacho ela quis dizer com isso?]

Senhoras e senhores presentes,

O que singulariza o Brasil de hoje é sua determinação em se tornar um país de oportunidades, em que todos os seus filhos e filhas, independentemente da origem social, raça e gênero, possam vislumbrar um futuro melhor. Nós queremos, de fato, um país de classe média, com mobilidade social, vivo e dinâmico, fortalecido pelas suas riquezas naturais mas, sobretudo, pela grande capacidade de criar de seu povo.

[Ai meu Deus, as riquezas naturais... "A capacidade de criar do seu povo"... As escolas sequer ensinam o povo a falar o Português]

É, portanto, com muito interesse que venho a este encontro para compartilhar reflexões sobre o momento atual do Brasil. Nós vivemos na última década, a partir do governo do presidente Lula, uma grande transformação.

[Tem de falar o nome do presidente. Republicano pacas].

Nós tivemos profundas mudanças econômicas, sociais e políticas que explicam, mais do que quaisquer outros fatores, a nova presença que meu Brasil tem hoje no mundo. Essas mudanças têm nos permitido assentar as bases sólidas e duradouras do nosso desenvolvimento e ajudam a entender porque estamos sendo capazes de atravessar melhor este período de turbulências econômicas internacionais.

[Bases sólidas e duradouras. Com mais importação e menos industrialização. Com educação LIXO].

Depois de 20 anos de estagnação ou de crescimento medíocre da nossa economia, com graves consequências sociais, implementamos uma política econômica na qual a redução das desigualdades de renda e oportunidade passou a ser um grande fator de dinamismo.

[Salvadores do mundo. A.L. e D.L. Depois zoam o Freire por acreditar que o dinheiro viria com "Lula Seja Louvado". E qual é a "política econômica com redução das desigualdades"??? Bolsa é no máximo distribuição emergencial de renda, não é "política econômica". Nela, continuamos premiando mais a remuneração do capital no mercado financeiro do que o investimento em atividade produtiva e geração de emprego; continuamos com carga tributária nojenta que pesa mais sobre os mais pobres e centraliza recursos demais na União; damos isenção de IPI para quem comprar automóveis e assim assaltamos os cofres das prefeituras do Brasil todo, de novo penalizando os mais pobres. Dez anos depois dessa maravilha de política, ainda há 16 MILHÕES DE MISERÁVEIS no país. QUE "política econômica" é essa?].

A combinação de salários efetivos reais com a criação de empregos formais – 3,7 milhões de empregos formais entre janeiro de 2011 e setembro de 2012 – asseguram ao país um quadro de renda crescente e de aumento da mobilidade social. Aliás, nos últimos 10 anos criamos 17 milhões de empregos formais.

["Criamos". "O que é bom a gente fatura"].

Além disso, os programas de transferência de renda para a população mais pobre somados à duplicação do crédito determinam a criação de um grande, um muito grande mercado de consumo de massa.

[Pois é, crédito para o consumo de bens duráveis. Em termos de Segurança Alimentar, continuamos péssimos - 16% das crianças em idade pré-escolar é desnutrida. Que espetáculo].

Nos últimos anos, mais de 40 milhões de brasileiros passaram da pobreza à classe média, o que lhes permitiu adquirir bens e serviços antes inacessíveis. Hoje, em torno 105 milhões de homens e mulheres integram o que muitos têm denominado de a “nova classe média” brasileira.

[Aquela mesma, que considera "classe média" famílias que não tem sequer 3 salários mínimos de renda. Faixa que nem o Minha Casa consegue atender - a produção de moradia para essas famílias é ridícula, irrisória].

Em 2011, o Brasil foi o terceiro maior mercado mundial de computadores pessoais e o 5º mercado de telefones celulares. Mais de 61 milhões de brasileiros têm acesso à Internet e este número está em contínua expansão. O Brasil é hoje o 4º maior mercado de consumo no mundo de alimentos e bebidas, automóveis, motocicletas e o 3º em computadores e em geladeiras.

[Que beleza... Já o consumo de livros... Quanto ao acesso à internet, nossa maravilhosa Agência que controla o serviço determinou que as operadoras são obrigadas a garantir, na maior parte do tempo, ao menos 20% da velocidade prometida em contrato. Que rigor! Que seriedade!]

Desde o ano passado, complementamos o programa “Bolsa Família”, que hoje beneficia 13 milhões de famílias. Também temos uma nova iniciativa: o “Brasil sem Miséria”, voltado para atender os cerca de 16 milhões de brasileiros que, em 2011, ainda se encontravam em situação de extrema pobreza. Focamos agora principalmente nas famílias com crianças, assegurando a elas uma maior renda.

[Pois é. Herança bendita]

A inclusão bancária está permitindo o acesso ao crédito a um número cada vez maior de pessoas. A relação crédito/PIB, que está hoje em torno de 51,5% era, há dez anos, de apenas 25%.

[Elas só não tem capacidade de pagar].

O mais relevante é que o centro do nosso modelo de desenvolvimento, é que tenhamos podido retomar o crescimento e, ao mesmo tempo, distribuir renda garantindo o equilíbrio macroeconômico: inflação sob controle, dívida pública em 35% do PIB, com trajetória descendente, reservas cambiais de cerca de US$ 380 bilhões. Nós, que fomos completamente os mais graves devedores, durante mais de 20 anos.

[Blá blá blá]

A redução da vulnerabilidade externa do Brasil e o vigor de seu mercado interno ajudam a explicar a atração exercida sobre o investimento estrangeiro. O investimento direto externo no Brasil atingiu US$ 66,7 bilhões em 2011 e, até setembro de 2012, chega a US$ 63,8 bilhões.

Senhoras e senhores,

O progresso até aqui alcançado nos coloca diante de um novo desafio: é necessário fazer com que a nossa economia seja mais ágil, mais leve, mais competitiva.

A competitividade que almejamos é um meio para aumentar a qualidade de vida da população e garantir mais empregos e crescimento econômico. A competitividade que queremos não resulta da redução da renda e dos direitos dos trabalhadores ou da degradação das políticas sociais.

["Competitividade". Tá certo. Mas esse é um pensamento de esquerda?]

Queremos reproduzir na indústria, sobretudo na indústria, também no setor de serviços de nossa economia, a exitosa experiência que o Brasil teve e que fez dele uma potência agropecuária, produtora de alimentos e de agroenergia, agregando às condições naturais do país tanto a eficiência do trabalho, quanto as descobertas tecnológicas, da ciência, a inovação e as oportunidades que uns centros de educação nesta área ofereciam.

[Esse "uns" foi um Ato Falho na transcrição, né?]

A maior competitividade da economia brasileira, portanto, envolve nossa firme decisão de investir no desenvolvimento científico e tecnológico, no fortalecimento da capacidade de inovação de nossas empresas e na formação profissional, tudo isso em parceria com o setor privado. Por essa razão, criamos também o programa “Ciência sem Fronteiras”, pelo qual estamos enviando mais de cem mil estudantes e pesquisadores brasileiros para centros de excelência pelo mundo afora.

[Bom começo.].

Ao mesmo tempo, estamos reduzindo o custo de capital do país e, portanto, do investimento. Criamos as condições para alterar o mix de juros e câmbio em nossa economia, reduzimos a apreciação cambial de nossa moeda e fizemos os juros internos começarem a convergir para um patamar mais condizente ao do mercado internacional.

Um elemento central de nossa estratégia é a solução dos gargalos históricos da nossa infraestrutura. Para isso, para solucionar esses gargalos, nós priorizamos investimentos em logística e em energia. Na área de logística estamos prevendo licitações para a construção de trem de alta velocidade, de ferrovias, rodovias, portos e aeroportos.

["Estamos prevendo licitações". Há ANOS. E o Trem de Alta Velocidade NÃO É o que precisamos como investimento em "logística e energia" - é insustentável economicamente, tanto é que os muitos leilões promovidos até aqui, com sucessivas mudanças no modelo, fracassaram. É transporte de passageiros a custo muito alto, que não tem um cazzo a ver com solução de gargalo histórico].

Na área de petróleo e de gás estamos prevendo leilões para os regimes de partilha e de concessão de blocos de exploração em março e novembro de 2012. Na área de energia elétrica continuamos com as nossas licitações anuais.

[Leilões para regime de partilha e de concessão, viu? Do governo que aterroriza: "O petróleo e nosso e "eles", os seres do Mal, querem privatizaaaar.... Buuuuuuuu"]

Em todos esses setores apostamos tanto na participação de empresas privadas como nas parcerias entre o setor privado e o setor público. Para tais investimentos queremos que as empresas privadas brasileiras e internacionais assumam um papel ativo e de protagonismo.

[Outro palavrão para os fanáticos pseudoesquerdistas: "empresas privadas" com papel "de protagonismo". Buuuuu].

Outro fator importante está sendo a redução da nossa carga tributária, em especial a desoneração da folha de pagamento das empresas, o que barateia o custo da mão de obra, o que é importante para uma maior competitividade do país.

[Se fosse vdd, seria lindo].

 Importante também está sendo a redução do custo da energia, tendo em vista que os contratos estão vencendo, os contratos de concessão e também providenciamos a eliminação de vários encargos, o que resultará na diminuição dos custos de produção industrial do país. Consideramos que o nosso país tem de ter, na indústria, um elemento fundamental, tanto por ser intensiva em capital quanto por ser capaz de disseminar, ao longo de todas as cadeias produtivas, as inovações que incorporam.

[Pois é. Indústria é elemento fundamental. Mas porque é "intensiva" em... "capital"!!! Palavrão!!!].

Somos um país que aprendeu com seus próprios erros, sobretudo isto: somos um país que aprendeu. Dispomos, hoje, porque lutamos para construí-lo, de um setor financeiro robusto, resultado da ação rigorosa dos agentes reguladores, em especial de nosso Banco Central. Nos anos 90, tivemos uma muito profunda crise bancária. Hoje, exigimos o cumprimento estrito dos requisitos de capital necessários para manter a solidez de nosso sistema financeiro. Por isso mesmo, os nossos bancos não foram atingidos nesta crise.

["Tivemos uma profunda crise bancária" - SIM. Parece que os governos dos anos 90 foram os responsáveis pela crise, não pela solução - afinal, "hoje" exigimos o cumprimento estrito etc].

Celebramos nossa matriz energética, assim como os bons resultados obtidos na redução do desmatamento na Amazônia. Lembro aqui as metas de 36% a 39% de redução da emissão de gases de efeito estufa, que nós, voluntariamente, assumimos, a partir da Conferência de Copenhague.

[Desonestidade intelectual "master". "Assumimos metas voluntariamente". Claro, ninguém é obrigado a assumir metas. Mas as METAS assumidas são "volluntárias", não obrigatórias - isto é, se atingir, atingiu; se não atingir, dane-se. O estado de São Paulo estipulou metas OBRIGATÓRIAS, a partir de um patamar de emissões que JÁ É menor que o nacional].

E essas iniciativas também, e credenciais, nos permitiram receber a Conferência Rio+20 das Nações Unidas e contribuir para o seu êxito.

[QUE ÊXITO??]

O Brasil também não descuidou das trocas com os parceiros tradicionais. É falsa a noção de que mais comércio com outros países em desenvolvimento implique em menos intercâmbio com a União Europeia ou os Estados Unidos. O Brasil é um país que deve se abrir, ainda tem uma abertura baixa para o exterior, e ela foi extremamente atingida pela crise. Nós não temos subtraído, no que se refere ao comércio internacional, mas multiplicado, ampliamos estrategicamente o leque das relações comerciais com a América Latina, com a África, com os BRICS, com a Ásia e o Oriente Médio.

[Especialmente com o "C", né? Com tudo o que isso acaba trazendo, inclusive, de dificuldade para a nossa indústria. E com solene descaso pelos direitos humanos, direitos sociais e trabalhistas dos chineses. O Paraguai a gente retalia; a China... Tá louco?].

Buscamos o fortalecimento de nosso comércio exterior, com a ampliação de mercados e iniciativas nos organismos multilaterais a fim de deter a marcha insensata do protecionismo. Em especial, temos sistematicamente criticado o uso abusivo das políticas monetárias expansionistas que desvalorizam artificialmente as moedas dos países desenvolvidos e se tornam hoje no principal instrumento de protecionismo. Me refiro aqui, sobretudo, aos quantitative easing 1, 2 e 3.

O Brasil está, na verdade, construindo uma nova inserção no mundo. Uma nova inserção que decorre muito dos avanços que nós realizamos dentro do país.

Nós hoje nos inserimos de forma distinta no mundo porque avançamos no combate à desigualdade, porque valorizamos nosso mercado interno doméstico [mercado comprador, porque o produtor...], porque passamos a crescer e exportar e importar mais, porque deixamos de ser o eterno devedor internacional e agora emprestamos para o Fundo Monetário, porque valorizamos nossas commodities e nossos produtos manufaturados [MENTIRA], porque respeitamos nossos parceiros e vivemos num mundo de paz com nossos vizinhos [MENTIRA - vide Paraguai x Venezuela no Mercosul, com o primeiro sacaneado para que a segunda fosse favorecida], porque vivemos em democracia.

Nossa presença internacional é marcada pela reafirmação de valores como o respeito à soberania das nações e à autodeterminação dos povos, de não-ingerência [e o Paraguai, presidenta??], de busca da paz e da solução negociada dos conflitos, e uma ênfase especial no que se refere à origem, uma das origens da nossa nacionalidade, a África, no combate à fome, à pobreza e às desigualdades.

[Uma ênfase especial? Então somos muito incompetentes mesmo].

O surgimento de um mundo multipolar exige que sejamos mais enfáticos na defesa do multilateralismo; que afirmemos nossa cooperação e solidariedade com os países da América Latina, do Caribe e da Europa; que cultivemos nossa relação com a Espanha.

O multilateralismo que propugnamos, fortalece nosso compromisso com a defesa dos Direitos Humanos em escala global, hoje, para nós, um valor essencial da democracia brasileira. Da mesma forma, nos conduz a dar maior e enorme importância às questões relacionadas com o meio ambiente e com o desenvolvimento sustentável.

[Vide China outra vez].
Senhoras e senhores,

Quero deixar-lhes também uma palavra de confiança sobre o diálogo e a cooperação entre o Brasil e a Espanha.

Nossa relação bilateral se desenvolve com uma agenda diversificada e com um grau notável de amadurecimento. Tenho mantido encontros com o primeiro-ministro Mariano Rajoy e o rei Juan Carlos, em que observo a disposição recíproca de aprofundar o diálogo e de construir conjuntamente uma parceria efetiva e voltada para resultados concretos.

Brasil e Espanha têm complementaridades que podem constituir uma base excelente para uma parceria com visão do presente e do futuro. Apesar dos efeitos negativos da crise sobre a economia global, as nossas relações econômicas bilaterais vêm retomando seu dinamismo e podem e devem ampliar-se. A corrente de comércio tem crescido e apesar de nós termos chegado, em 2011, a mais de US$ 8 bilhões, o que é um dos maiores patamares, acredito que apesar de serem números positivos, estão aquém do nosso potencial.
Com esse mesmo ânimo construtivo, empresários espanhóis e brasileiros seguirão renovando suas relações, explorando possibilidades de lado a lado. Lembro que a Espanha é o segundo maior investidor no Brasil, com um estoque de US$ 85,3 bilhões. Lembro também que os empresários espanhóis que estão no Brasil, eu acho que se sentem em casa.

E não é por outra razão que o Brasil procura promover, com a Espanha, uma cooperação cada vez mais estreita. Aliás, a cooperação em inovação e pesquisa, por meio do intercâmbio de pesquisadores, de técnicos, de engenheiros, médicos, enfim, de trabalhadores, é uma questão que o Brasil tem o maior interesse em desenvolver. E os nossos bolsistas, que nós queremos que cheguem até oito mil bolsistas brasileiros aqui, do Brasil aqui, na Espanha, são, de fato, um elemento e uma ponte de unidade entre os dois países.

Como eu disse aos senhores, o Brasil acredita num mundo que busca o multilateralismo e, portanto, tem de dar ênfase à cooperação. Eu acredito que a cooperação é um instrumento de combate à crise [EU TAMBÉM ACHO. Melhor do que falar em "melhorar nossa competitividade - que significa, necessariamente, derrotar alguém]. Acredito que a cooperação é uma forma pela qual Brasil e Espanha, por exemplo, podem responder, de uma forma muito afirmativa, a este momento em que nós vivemos.

O Brasil tem sua palavra a dizer e os que se dispuserem a ouvi-la entenderão que ela não será nunca uma palavra de arrogância ou de superioridade pretensiosa. [Arrã. Somos super humildes, só que temos a receita para salvar o mundo]. Nós já fomos vítimas das duas, tanto da arrogância quanto da superioridade pretensiosa. A palavra do Brasil será a palavra de um país que não cultiva inimigos, que não tem problemas de fronteira, que não tem ressentimentos a compensar, nem intolerâncias a projetar [só com os Estados Unidos e os satélites do "imperialismo ianque" , os poucos partidos da oposição etc]. Será a palavra de um povo que procura aprender com os seus erros e com os acertos de sua experiência histórica de construção da democracia, de luta pelos direitos humanos, de superação das injustiças e da conquista do verdadeiro desenvolvimento.

Esta é nossa maior tarefa, e é nela que pode residir, eu acredito, nossa melhor contribuição ao mundo.

Muito obrigada a todos os senhores e senhoras.


Presidenta, eu sou brasileiro, eu represento uma empresa aqui na Espanha que está trazendo tecnologia do Brasil e de bioetanol, aqui para a Espanha que, como a senhora sabe muito bem nós somos líderes no uso de bioetanol no mundo inteiro. Eu queria saber, como representante também de muito produtores de bioetanol no Brasil, qual é a política que o seu governo está tomando, em relação a essa importante fonte de energia, no qual nós somos um exemplo para o mundo, e eu posso até justificar isso aqui. E concretamente para o bioetanol de primeira geração, como a senhora sabe, o Brasil está importando muita gasolina, e isso está produzindo um problema na parte dos nossos produtores. Então, eles estão precisando de investimento, particularmente para renovar as suas lavouras que, como a senhora sabe, depois do 5º corte, a cana-de-açúcar, a produtividade cai até o chão. E eles se preocupam muito sobre esse tema e, muitas vezes, nos perguntam e a gente, como está aqui, então não tem como responder e, então, aproveitando esta oportunidade lhe faço essa pergunta. Muito obrigado.


Presidenta: Muito boa pergunta. Eu vou aproveitar e fazer uma exposição a respeito de como é que nós vemos a questão do etanol ["Como é que nós vemos a questão"... É o embromation-tion/o embromation-tion].

Desde... Eu tenho muita... fico muito à vontade em responder, porque lidei com etanol desde 2003. Então, nós temos, de fato, no Brasil, uma grande produção de etanol, que é competitiva, [embromation-tion] tanto no que se refere à área agrícola, ou seja, nós temos uma altíssima produtividade na área de cana-de-açúcar, quanto também temos uma ótima produtividade na área propriamente do que eu vou chamar de indústria do etanol, que é a transformação da cana-de-açúcar no álcool. E o Brasil teve um impacto pela crise [a marolinha]. Nós estávamos com um nível de investimento bastante alto, em 2008/2009. A grande maioria dos investidores tinha feito planos de investimento e alguns deles tinham começado seus planos de investimento quando houve todo o problema da crise e do choque de crédito naquela oportunidade. Além disso, e devido a isso, houve, naquele período, um baixo investimento na produção das lavouras de cana.

Nós agora temos uma política bem clara, desde o ano passado, e de incentivo à renovação das nossas lavouras. O Brasil investe na área... O governo brasileiro investe, na área agrícola, em torno, este ano, em torno de 160, 170 bilhões de reais. Desses 160, 170 bilhões de reais, que dá o quê? Que dá a metade, seria, fazendo um cálculo, 80 bilhões de dólares, uma parte expressiva foi colocada para a renovação das culturas. Eu acredito que daqui para a frente nós iremos ter uma melhoria nesta relação, ou seja, na produtividade do setor agrícola.

No que se refere à relação gasolina e etanol, essa é a ordem das coisas. Por quê? Porque nós temos duas formas pelas quais o etanol entra na matriz de combustível brasileira. Primeiro, em toda gasolina tem um mix de, no mínimo, 20% do etanol – hoje está em 20% - do etanol. E no que se refere ao uso do resto da produção, aliás, do resto dos combustíveis, há a opção, por conta que nós usamos... quase todos os carros brasileiros são flex fuel, isso significa o seguinte: o consumidor olha na bomba de gasolina e, se o preço da gasolina estiver mais alto ele usa etanol, se o preço do etanol estiver mais alto ele usa gasolina. [E o preço do etanol sempre vai estar mais alto na entre-safra, porque afinal estamos falando de agricultura, e o governo faz O QUE em relação a isso? Xongas. Aguarde, no começo do ano, o repeteco do noticiário sazonal].

De qualquer forma, como há também uma relação entre etanol e cana-de-açúcar [ah vá], e como a cana-de-açúcar esteve, em períodos recentes, muito alta, [?] também há uma influência disso sobre os preços do etanol no Brasil. Eu acredito que nós vamos ter uma retomada de um surto novo de investimentos na área de etanol. ["Eu acredito". A senhora é a presidente e ele quer saber o que a presidente vai fazer] Por quê? Porque vai amadurecer e vai melhorar a competitividade entre nós [embromation-tion], porque nós, mesmo com a produção ainda não renovada, ainda somos mais competitivos nessa área do que qualquer outro país. Mas vai renovar, dentro do Brasil, essa competitividade, o que vai melhorar a relação de preço etanol-gasolina.

Entonces, eu agradeço a todos a atenção, aos que aqui compareceram. Muito obrigada pela atenção.

[Pelo amor de Deus. Quando tem de falar de improviso, Dilma é sempre "com emoção": para quem é do governo, sobressaltos de montanha russa (Como é que ela vai se virar dessa vez?). Para quem não é, irritação ou tédio].

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

#Falaréfácil

Entre os muitos pontos do debate de ontem (entre candidatos ao governo do estado) que merecem um comentário, quero realçar um que revela o quanto alguns deles vivem em um mundo que não tem a menor relação com a realidade dos desafios de um governante.

Do site da Band, com grifo meu:
Mercadante foi o terceiro a perguntar e direcionou seu questionamento a Skaf. O petista questionou o empresário sobre a questão da educação e da progressão continuada, na qual os alunos não são reprovados.


“No SESI tínhamos a progressão continuada e eu mandei acabar com isso”. Skaf completou dizendo que os alunos devem ir para a escola para aprender e o fim dessa forma de aprovação dos alunos não trouxe evasão ao SESI, pelo contrário, “há filas para estudar no SESI”, disse. “Nós temos que buscar excelência na educação”, completou.

Pois é, Skaf. O SESI recebe uma fortuna em recursos oriundos de contribuições compulsórias, conforme a 5.107 de 1966 (para quem reclama tanto de imposto, pedágio... Contribuição compulsória td bem,né? O_õ).

Em geral, emprega muito bem esses recursos, apesar de um escorregão aqui, outro ali (como a propaganda em que você apareceu meses atrás, que certamente custou uma fortuna no pagamento das longas inserções na TV... >:o/).

Pois bem, o SESI recebe recursos exclusivamente para "promover a qualidade de vida do trabalhador" e se gaba - com motivos - da qualidade de suas escolas. Só que... elas tem fila, veja só. Funciona assim: o Sesi diz "eu tenho x vagas". Lotadas as vagas... "Desculpem, não podemos atendê-los".

Governo é diferente, candidato. Se houver 50 vagas e 200 alunos, não dá pra fechar a porta e dizer "Lotado". Tem de dar um jeito. Aumentar o número de alunos por classe, o número de turnos por escola. Construir escolas (encontrar terrenos, licitar, fazer a obra, equipar). Fazer concursos, contratar professores. Aumentar despesas, agora e para sempre (custeio dos novos equipamentos, milhões de aposentadorias etc). Tem de atender a demanda - que é IMENSA.

Se o SESI não tem o menor compromisso com a fila, fica mais fácil manter a qualidade. Mas governo não pode dizer "é pra quem chegar primeiro".

Se a Educação precisa melhorar? CLARO que precisa. Quem estiver satisfeito com o nível da escola pública no Brasil - e olha que São Paulo tem médias melhores que o restante do país - é conformado demais para o meu gosto.

Mas prometer, como passe de mágica, "período integral para todos!", como Skaf chegou a fazer, é irresponsabilidade.

Se ele precisasse, com os mesmos recursos, dobrar a oferta de vagas no SESI, conseguiria?

>>>>
Atenção para os números:

O estado de São Paulo tem
5.610 escolas
160,4 mil docentes
2,7 milhões de alunos no ensino fundamental
1,5 milhões de alunos no ensino médio

O número de ALUNOS é igual a TODA a população de Salvador (2,8 milhões) + TODA a população de Porto Alegre (1,4 milhão).
 
Mais respeito com São Paulo, candidatos.

domingo, 11 de abril de 2010

Clima, política e coragem

A carta abaixo foi enviada para um grupo de discussão chamado Ouvidoria da Barra e compartilhada por sua autora em um grupo de discussão do PPS. Gostei muito do texto e pedi para compartilhá-la também aqui no blog e ela autorizou. 


Com serenidade para reconhecer que há eventos que superam muito a capacidade de reação de qualquer cidade, por melhor que fossem seus sistemas de drenagem e sua manutenção, mas com a necessária observação dos erros históricos e atuais, ela faz uma boa análise da situação do Rio de Janeiro - que pode ser estendida para várias (todas?) grandes cidades brasileiras.


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Caro Paulo e demais companheiros de Ouvidoria

Não sou e não fui eleitora do Eduardo Paes (pertenço ao PPS), mas neste assunto, por força de minha formação profissional ( sou geógrafa,com especialização em Climatologia...), não posso me calar.


O momento vivido por nós é único.Desde quando se começou a registrar índices pluviométricos ( aproximadamente, em meados do século XIX), não se tem notícias de um desague tão intenso e pontual,como o que aconteceu nessas últimas 48 horas.


Nenhuma cidade no mundo, por mais investimentos em estruturas de escoamento, como rede de águas pluviais e similares , seria eficiente para que se evitasse os alagamentos ( diferente de deslizamentos...),exatamente por causa da geomorfologia de nossa cidade.A conjugação entre montanhas de declividade de média a grande com o mar (que com a  maré alta, "tampona" ainda mais o escoamento das águas no continente...) é pura nitro-glicerina para a ocupação humana.


A história de nossa cidade, recheada de iniciativas de engenharia completamente desvinculadas do compromisso com o ambiente ( seja por incapacidade técnica ou maledicência política), aterrando-se e ocupando-se áreas que naturalmente tem a função de serem depositárias das águas das encostas, faz com que tenhamos uma enorme dificuldade de, hoje, contornar este grave problema.


Ora, se por um lado, precisamos nos convencer de nossa LIMITAÇÃO diante de determinados eventos naturais, que sempre estarão no comando , o que fazer para MINIMIZAR as consequências, que homem nenhum, com o maior dos desenvolvimentos tecnológicos possíveis, pode impedir?


A primeira delas, caros companheiros, é que comecemos por admitir que, em se tratando de natureza, devemos estar sempre abertos para o aprendizado.NÃO SABEMOS E NUNCA SABEREMOS de tudo que pode advir de eventos atmosféricos ou tectônicos ( deste segundo, graças a Deus,sofremos quase nada, em relação a outras partes do mundo...).Simplesmente porque a quantidade de variáveis que determinam o funcionamento destes sistemas são inúmeras e complexas, cuja imprevisibilidade reduzimos muito, mas não acabamos .


A segunda, é mudar-se de mentalidade. As ações administrativas nas áreas urbanas, principalmente, naquelas em que a intensificação populacional causa comportamentos condenáveis pelo simples bom senso,  REQUEREM NOVAS ATITUDES DE GOVERNANÇA , adaptadas às mudanças que nos impõem o planeta em que vivemos.


Compartilho do pensamento de cientistas que já puderam, com seus experimentos, provar que a mudança climática que estamos presenciando é inevitável e pertence ao ciclo natural de oscilações climáticas que a Terra sofre desde sua gênese (não vou entrar em detalhes de como isso é mensurado para não ficar mais longo do que desejo...).Contribuimos com o aumento da temperatura?Sim,com 1%,aproximadamente.Os outros 99%? Determinados  por um aquecimento oceânico ainda cientificamente inexplicado.


Com isso, caros amigos, quero dizer que o nível do mar vai subir mais, as características climáticas vão mudar mais e os eventos de que não estamos acostumados vão se apresentar mais frequentes.

(Lembram-se daquela enorme chuva do sábado, dia 06 de março? Só não foi um tornado porque faltou"pista"(superfície lisa") para a formação dos ventos, já que a concentração de nuvens se deu muito próximo da linha de praia.Fui testemunha privilegiada disso,pois estava,naquele preciso momento, saindo do túnel do Joá, vindo para o Recreio... Alguém poderia imaginar um tornado no Rio? Já não acho tão difícil assim, hoje...)


Estas novas atitudes de governança só trarão governabilidade,diante de eventos inesperados como este, se nossos administradores ousarem com ações políticas de precaução, adaptadas a uma nova realidade que exige,urgentemente,mudança de pensamentos e atitudes.


É preciso que dinheiro haja para limpeza de boeiros e galerias, dragagem de rios e lagoas? Sim,mas PRINCIPALMENTE, RETIRADA GRADUAL DAS OCUPAÇÕES DAS ENCOSTAS, processo difícil e lento, mas muito necessário.


Isto, sim, poderia e pode ser evitado.As ocupações,tais como estão no nosso município, só facilitam com que as águas de escoamento se comportem de forma anormal, acumulando-se onde não devem,fragilizando ainda mais solos que não comportam índices maiores de água infiltrada.E não adianta retirar apenas aquelas de áreas de risco.Qualquer interferência nas áreas íngremes propicia escorregamentos das mais variadas dimensões (a base de uma encosta é o suporte para toda ela). Vide o que ocorreu na Ilha Grande, no Reveillon...

Enfim, caros companheiros de Ouvidoria, é preciso cobrar de nossas autoridades iniciativas enérgicas de limpeza, aumento das redes de coleta de águas pluviais ,dragagem das lagoas e canais,mas o que me parece de fundamental importância é que cobremos menos demagogia de nossos políticos quando apóiam ocupações ilegais ( o que não justifica ausência de uma política de habitação decente..), quando promovem cobertura asfáltica SEM  a rede de coleta de água de chuva ( em anos eleitorais, é claro...!),quando não compreendem que a hora é de se discutir políticas de prevenção e alternativas para futuro ( muito próximo,quase já, agora...), incluindo, procedimentos  de evacuação em massa,se necessário.

Não sou profeta da destruição, mas não gosto que tratem de forças tão além das nossas com tanto desdém. E já passou da hora de que atitudes corajosas e conscientes sejam tomadas.
São as nossas vidas  que estão e sempre estarão em jogo.


Paz.
Cristina Magalhães

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ficha Limpa - calma aí...

Chegou ao Congresso, com mais de um milhão de assinaturas, o projeto de iniciativa popular conhecido como "Ficha Limpa". Ele "torna inelegível candidato condenado em primeira instância ou denunciado por crimes como improbidade administrativa, uso de mão-de-obra escrava e estupro.Pelo texto enviado à Câmara, também não poderá participar do pleito quem tenha sido condenado em primeira ou única instância ou tiver contra si denúncia recebida pela prática de crimes contra a economia popular, administração pública, homicídio, exploração sexual de crianças e adolescentes, entre outros".

A mobilização em torno da causa é linda. Qualquer um que já tentou colher assinaturas para o que quer que seja sabe como até isso é difícil.

Mas o projeto não é perfeito - e não é porque tem 1.300.000 assinaturas que não precisa ser discutido. 1) 1 milhão de pessoas podem perfeitamente estar erradas. 2) Todo PROJETO de lei tem de ser debatido no Congresso - seja de autoria do Executivo, de um parlamentar ou de iniciativa popular. E debater, pelamordedeus, é função do Parlamento. Sem se deixar levar por paixões e emoções; sem medo de contrariar a "opinião pública" (o que é completamente diferente de "se lixar para a opinião pública"). A opinião pública pode ser a favor de linchamento; a gente tem de se posicionar contrariamente...

O fato é que uma pessoa - inclusive um político - pode perfeitamente ser alvo de denúncias infundadas, de boa ou de má fé. Um adversário político, um cidadão mal informado, um promotor público mal intencionado... Não estou formulando hipóteses absurdas - acontece MUITO. Denúncia não é sinônimo de culpa, pelamordedeus!

E a condenação em primeira instância, INFELIZMENTE, também pode ser injusta e mesmo sacana, mal intencionada. Até já me processaram por isso, mas vou dizer de novo: sabemos bem que no Executivo tem corrupção, no Legislativo tem corrupção. Seria ridículo supor que no Judiciário não tem... Juízes de primeira instância podem ser desonestos, tanto quanto vereadores, deputados, candidatos...

Por isso a medida proposta pelo presidente da OAB é muito razoável. Claro que a corrupção pode chegar até as mais altas instâncias, mas é uma medida minimamente razoável: esperar a condenação por um plenário. A chance de vários juízes estarem errados é bem menor, convenhamos.

E é por essa razão que discordo completamente do comentário de Alexandre Garcia na Globo: "Vão sujar à vontade da ficha limpa. Vão se lixar para um caminhão de assinaturas, saídas do âmago deste país imenso, todos os dias indignado com a corrupção. Esses que querem a ficha meio suja não acreditam nos juízes de primeira instância, que são, me desculpem desembargadores e ministros de tribunais superiores, os que mais trabalham, os que mais se dedicam a administrar a Justiça. Parece que esses que admitem a ficha meio suja não usam ler a constituição ou pulam o Artigo 37, onde está escrito, como exigência para o serviço público, a moralidade."

É muita demagogia... Demagogia com os "juízes de primeira instância", demagogia com a opinião pública... O Congresso tem o direito e o dever de discutir com muita ponderação o projeto, e se aprovarem alterações não estarão necessariamente "sujando" a ficha limpa, "se lixando para um caminhão de assinaturas", desconsiderando a "moralidade" como exigência para o serviço público.

Fazer comentários destrutivos, superficiais e desinformativos como esse faz tão mal à política quanto a própria corrupção.