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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Contas rejeitadas no TCE, candidatura impugnada no TRE. Por que? Explicações

Quando eu li “resultado deficitário em 139%”, SABIA que alguma coisa estava MUITO errada nesse cálculo


Razão citada pelo Promotor do Ministério Público Eleitoral, tirada do relatório do Tribunal de Contas que desaprovou as contas da Sutaco em 2011 e que justificariam, em sua opinião, a impugnação da minha candidatura (porque configurariam “irregularidade insanável por ato doloso de improbidade administrativa”):

- Resultado da Execução Orçamentárias deficitário em 139,88%

Quando eu li “resultado deficitário em 139%”, SABIA que alguma coisa estava MUITO errada nesse cálculo. Se estivesse certo, eu teria estourado o orçamento gastando mais do que o dobro do que tinha em caixa!?! Absurdo! Como isso teria acontecido?

No primeiro relatório do TCE sobre o assunto, informado “falhas” que deveriam ser esclarecidas (e foram, pelos funcionários de cada setor!), havia o quadro que anexei aqui. Acompanhem o tamanho do equívoco:



1 – A Sutaco é uma autarquia – órgão público que recebe recursos do Estado e também tem receita própria. Todo ano, a Lei Orçamentária estabelece a estimativa de receita e previsão de despesa, como em toda a administração pública.

2 – A receita própria da Sutaco é proveniente da venda de peças de artesanato em suas lojas e estandes e emissão de notas fiscais para vendas feitas diretamente pelos artesãos.

3 – Em 2011, a Lei previa que a Sutaco teria R$1,026 milhão de receita própria. Teve R$1.619 mi, ou seja, mais de R$520mil A MAIS do que o previsto. A principal razão foi a abertura, no segundo semestre, de duas lojas – uma na XV de Novembro, junto com a Imprensa Oficial, e outra na estação Vila Madalena do metrô. Antes havia apenas um ponto-de-venda no 3º andar do prédio do governo no centro da cidade.

4 – As despesas fixadas eram de R$4,056 milhões. Foram de R$3,885 mi. A economia foi de R$170 mil.

5 – Portanto: a autarquia teve receita MAIOR e despesa MENOR do que o previsto. (O que normalmente é considerado UM BOM RESULTADO!). Atenção: essa tabela foi reproduzida PELO PRÓPRIO Tribunal de Contas em seu relatório.

6 – A receita própria da autarquia é um complemento; o recurso público é a base de seu funcionamento. Funcionários efetivos, por exemplo, não podem depender de receita variável.

7 – Como a Sutaco ganhou (por conta própria) menos do que gastou no total, o TCE afirmou que a execução orçamentária foi deficitária!!! Que só não ficou no prejuízo porque teria sido “socorrida” com dinheiro público para se manter.

Um ABSURDO de raciocínio. Que induziu o Promotor a dizer que eu pratiquei “gestão temerária”, quando na verdade eu usei MENOS recursos do Tesouro!

!!!!

É ou não é pra querer largar tudo e abrir um boteco?

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Sobre o TRE: Acredito de coração que será revertido

Seja qual for o desfecho desse caso, é de dilacerar as vísceras a INJUSTIÇA de ter de passar por isso.



Passei a tarde no TRE ontem. Um nervoso como não me lembro de ter sentido recentemente. Me veio à cabeça o pavor antes de saltar de para-quedas e a tensão de um filme de tribunal em que você torce desesperadamente por alguém que nem existe.

Logo que cheguei à Sutaco, em fevereiro de 2011, ouvi do pessoal que trabalhava lá alguns problemas com o Tribunal de Contas que eram fruto da incompreensão da natureza da atividade da autarquia.

Cursos de artesanato, por exemplo, estavam suspensos há bastante tempo, para desalento de muitos interessados. A razão: não havia modo de atender à exigência do TCE por provas de “notório saber”. O Seu Tequinho, exímio no entrelaçamento de tiras de PET para confecção de bolsas e excelente professor, não tinha nenhuma titulação do tipo aceito por Tribunais de Contas.

Resolvi que faríamos uma seleção pública de oficineiros de artesanato. Consultados vários modelos de editais, travadas várias batalhas com a Procuradora da Sutaco, publicamos o chamamento de candidatos. Centenas de inscritos, montanhas de trabalho a mais para os funcionários – sobrecarregados mas felicíssimos com a retomada de uma das atividades mais desejadas.

Quando publicamos a lista dos selecionados, vieram demandas de cursos de tudo quanto é lugar do estado. Centenas de artesãos foram beneficiados – alguns, com a remuneração por hora-atividade; outros, com o aprendizado nas oficinas. Que aconteciam em presídios, unidades da rede de Saúde Mental, associações de bairro etc.

Outra “implicância” do TCE era com a “falta de tomada de preços” quando da participação em Feiras. Eles não eram capazes de compreender que, quando se decide participar da Feira Internacional de Artesanato de Florianópolis, não tem como comparar com preços de outras feiras em Florianópolis, porque aquela é a única Feira em Florianópolis. Não dava para locar 15m² de estande em outro galpão, de outro promotor de eventos – não havia outro galpão, outro promotor, outro evento.

Nesse caso só nos restava justificar a participação e era o que faríamos. Em 2011, estivemos em cinco ou seis feiras já tradicionais no calendário. Depois de algum tempo, cheguei à conclusão de que não valia a pena. O custo financeiro era muito alto (passagens, estadia, viagem do caminhão com a mercadoria etc); o impacto no funcionamento normal da Sutaco, enorme. A equipe era tão pequena que a ausência de 4 ou 5 por uma semana fazia a maior diferença. Suspendi as viagens, para frustração de alguns mas compreensão e concordância de quase todos.

Minha história na Sutaco foi assim. Tenho MUITO ORGULHO do que fiz lá – nos quesitos eficiência, eficácia e efetividade. Do dinheiro público que economizei, da valorização dos funcionários que encontrei lá, da receita própria que aumentei muito, do benefício muito maior para muito mais gente. Do estabelecimento de critérios mais objetivos para seleção de peças artesanais para nossas lojas. Da modernização de nossas instalações. Da retomada de atividades interrompidas. Da parcimônia na utilização dos recursos.

Mas agora tenho o Ministério Público Eleitoral me acusando de “gestão temerária” (ouvi isso durante a sessão), porque o Tribunal de Contas do Estado não aprovou as contas da Sutaco em 2011.

O TRE acatou o pedido de impugnação da minha candidatura e indeferiu o registro, mas felizmente é possível recorrer no TSE. Eu acredito de coração que a decisão será revertida. Mesmo. Mas seja qual for o desfecho desse caso, é de dilacerar as vísceras a INJUSTIÇA de ter de passar por isso. Vou depois, com mais tempo, explicar para os que realmente se interessam o que foi que o TCE alegou para desaprovar as contas e por que o parecer estava EQUIVOCADO – eu mesma teria explicado isso no Tribunal de Contas, mas não tive a chance de me defender.

Em resumo: trabalhei com absoluta honestidade e muita competência; as contas da autarquia da qual fui Superintendente foram desaprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado, por razões de que discordo e que faço questão de expor; ainda que se opinasse que o relatório do TCE está correto, o próprio não entende que tenha havido “irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa” – não pediram “reparação ao erário” (devolver dinheiro) ou sequer uma multa.

Agora é esperar pra ver. Fazer o que. Chorar de raiva não vai adiantar.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Justo a Sutaco?

Que erro querer acabar com a Sutaco.

1) A função dela é ímpar. Não poderia ser incorporada à Cultura ou ao Trabalho sem perder uma parte importante de suas atividades.

Porque ela é geração de renda sim, mas também é investigação, promoção e preservação de patrimônio cultural, mesmo quando isso não significa, ao menos de maneira palpável, "dinheiro".

E é cultura sim, mas nem todas as atividades que ela fomenta têm necessariamente "valor cultural" - tem geração de renda com trabalhos manuais aos quais a gente procura adicionar valor imaterial, mas nem sempre é o caso.

2) A Sutaco é uma autarquia - recebe recursos públicos e também tem receita própria. Suas fontes de dinheiro são: comercialização de artesanato em suas lojas e eventos; emissão de notas fiscais para artesãos. Se perder sua personalidade jurídica, perde essas possibilidades.

Essa receita própria é um mecanismo incrível de prestação de serviço a quem já tem autonomia, em maior ou menor grau, de modo a fomentar e dar suporte a quem não tem. O artesão que está no mercado e tem uma clientela que precisa formalizar a transação (exemplo, uma rede de lojas de decoração) pode recorrer à Sutaco para emitir a nota com o seu CNPJ e isenção de ICMS. Sobre a nota, em vez do imposto, incide uma taxa que pertence à própria Sutaco - que assim tem mais recursos para cursos, cadastramento de artesãos e aquisição de peças.

3) Não é só potencial e possibilidade - a Sutaco FUNCIONA. Ela é efetiva. São dezenas de milhares de artesãos beneficiados de uma maneira ou de outra, em centenas de municípios. Fora o benefício indireto - no Turismo, por exemplo, ou como parte de mil programas sociais diferentes. Nosso público (nosso = da Sutaco... Peguei amor mesmo, sabe?) inclui comunidades tradicionais, quilombolas, indígenas, assentados, mulheres vítimas de violência, albergados, presidiários, idosos, usuários do sistema de saúde mental, associações de moradores... Uma variedade de públicos dificilmente atendida em qualquer serviço público. Há parcerias firmadas com entidades de todos os tamanhos e características.

E sua matéria-prima é cultura, talento, habilidade, beleza.

O artesanato paulista passa a ser mais conhecido e valorizado. Portanto... os artesãos também. É impressionante o amor que eles, assistentes sociais, secretários de trabalho e desenvolvimento, artistas, compradores, estudiosos, prefeitos tem pela Sutaco.

Uma das primeiras coisas que pensei em fazer lá foi mudar o nome. Desisti logo. O NOME é um patrimônio. Uma marca, um carimbo, uma garantia.

4) A Sutaco é BARATA. Com uma miséria de recursos humanos e financeiros, faz prodígios. Porque é uma equipe pequena e aguerrida, apaixonada. Se com o tamanho que tem já produz tanto benefício real, palpável, capilarizado, imagine se tivesse um pouco mais de estrutura... Um pouco "assim" mais de dinheiro.

Se dissessem "a fase é de contenção, não vamos poder aumentar seus recursos agora", seria uma pena. Mas em nome da contenção ACABAR com um órgão que custa tão pouco e gera tanto benefício?

***
Eu tive bastante respaldo do governador enquanto ele estava lá. O negócio empacava aqui, emperrava ali, uma outra Secretaria ficava meses me devendo resposta ou providência (tomei uma canseira da Agricultura, afe maria), eu recorria à Casa Civil ou ao próprio gabinete e eles me ajudavam a desembaraçar. O Alckmin, diferentemente de 90% das pessoas no governo, sabia o que era a Sutaco. Até porque o seu Vale do Paraíba tem um artesanato típico, inconfundível, muito bonito e de presença muito forte nesse meio. O próprio símbolo da Sutaco, vencedor de um concurso anos e anos atrás, reproduz o pavão feito em barro pelas figureiras de Taubaté. Apreciador de coisas de raiz, da cultura caipira, e também por intermédio da Dona Lu e seu trabalho muito próximo ao "chão" das comunidades, ele fazia propaganda da autarquia e a defendia (acatando por exemplo minha sugestão de presentear autoridades estrangeiras com nossas belas peças... Ele chegou a determinar que o Cerimonial fizesse isso).

Aí fico sabendo que a Sutaco entrou no facão dos cortes do governo?? Ah não!!

Então, governador... reveja. (Alguém vai mostrar esse texto pra ele, ah vai rsrs). Tá certíssimo em cortar gordura, mas tem de tomar cuidado para não ferir tecido saudável... O sr não vai querer entrar na Wikipedia como quem encerrou uma bela história de 40 anos e em pleno vigor rsrs. Tenho certeza, CERTEZA, que do ponto de vista da economia é irrisório, para uma perda enorme na vida de muita gente.

Estou de dedos cruzados. E assinando a petição :-)

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Um dia e meio na Esplanada - parte 1


Reunião do PAB, Programa do Artesanato Brasileiro, no MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Se o Programa de Artesanato deveria estar alocado nesse ministério? Acho não.

Poderia estar no do Trabalho e Emprego - onde já esteve, aliás. No MDS, no MinC...

***
Em São Paulo, a Sutaco, Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades, é uma autarquia vinculada à SERT, Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho. (Essas siglas todas fazem o texto parecer um diálogo de MIB ou coisa parecida. MIB, Men In Black rsrs).

Se fosse um órgão ligado à Cultura, a atuação seria bem diferente. Como estamos no campo do trabalho, a missão da Sutaco é o fomento ao artesanato como forma de geração de renda E a preservação e difusão do artesanato enquanto manifestação da cultura do estado de São Paulo - nessa ordem.

Isso nos permite lidar com formas de trabalho manual que não passariam pelo crivo da Cultura... O que não quer dizer que a Sutaco trabalhe com “bugiganga”, hmpf.

***
Costumamos lembrar os artesãos - e o público em geral, que fornece recursos para nossa atividade... - que uma coisa ajuda a outra. Apoiar o artesanato como forma de geração de renda ajuda o artesão a permanecer em sua atividade - e evitar que um mestre artesão vá trabalhar em uma borracharia de beira de estrada, como já aconteceu. E quanto mais o trabalho manual incorporar elementos representativos da cultura local, mais valor a peça adquire e mais ele contribui para a promoção do desenvolvimento local - com a associação com o turismo, por exemplo.

***
O PAB foi criado há um bom tempo - coisa de 20 anos, creio (vou verificar) [Já verifiquei: conforme este Decreto, foi criado em 1991 e transferido para o MDIC em 95]. Já foi definido em legislação de forma bem interessante, abrangente e coesa. Hoje em dia está reduzido a uma relação de ações - 3 ações. Não se constitui, absolutamente, em um Programa. As ações são, se não me engano: Capacitação; Comercialização; Organização de Núcleos Produtivos.

A Capacitação tem se dado na forma de parceria com a UnB (Universidade de Brasília) para formação de artesãos e multiplicadores quanto à organização do negócio. Cada Coordenação Estadual - designação atribuída aos órgãos estaduais encarregados da política de artesanato em seu território - tem direito a um ou dois módulos (São Paulo terá o seu no segundo semestre).

A Comercialização significa participar em quatro ou cinco feiras por ano, com o espaço bancado com recursos do PAB - isto é, o estande. Todo o restante (passagens, diárias, combustível, hospedagem etc) sai por conta de cada estado. Frequentemente eles só conseguem concluir as negociações para cessão do espaço a pouco mais de 45 dias antes do evento, o que torna muito difícil a organização para participar dele...

A Organização de Núcleos Produtivos, segundo a descrição oficial da Ação, é feita conforme a disponibilidade de recursos provenientes de Emendas Parlamentares. Isto é: planejamento zero, projeto zero, programa zero :o(

>>> [Escrevi isso de memória, aqui vai o link para a nomenclatura e explicações corretas: Macro Ações do PAB . Aqui também tem, com mais detalhes: Perguntas Frequentes]

***
Nos últimos nove anos, segundo o PAB e os Coordenadores Estaduais mais antigos, muita energia, muita mesmo, foi empregada no desenvolvimento de um sistema de cadastramento único dos artesãos de todo o país. O sistema consiste em um Banco de Dados que reúne os dados coletados pelas coordenações estaduais. Cada artesão tem seu cadastro - um formulário bastante extenso, com dados referentes a sua condição socioeconômica e a atividade artesanal em si.

O acesso ao Banco de Dados - que não é exatamente amigável - só é possível para quem tem uma senha. Ou seja, não vale como fonte de consulta para o público em geral. Só constarão dele os artesãos que quiseram se formalizar -  muitos nem tomarão conhecimento dessa possibilidade, outros não terão interesse. Portanto, também não serve como mapeamento.

Por enquanto, ele serve para emitir uma carteira do artesão de validade nacional - o que tem valor para alguns como fonte de “autoestima” para o artesão. “Em MG, pelo menos, ainda não há nenhum benefício para o artesão com carteira, mas eles se sentem muito bem por terem uma”, disse o Coordenador de lá.  Hmm. Um dia os brasileiros vão se encher desse papo de autoestima, mas deixa isso pra lá agora.

A carteira será obrigatória para os artesãos participarem de atividades  promovidas ou apoiadas pelo PAB. Eles também estão tentando obter benefícios junto às aduanas de Argentina, Paraguai e Uruguais.

Mas é só.

Ah, os funcionários do PAB também alegam que o Banco de Dados (nome oficial, SICAB - Sistema de Cadastramento do Artesanato Brasileiro) servirá para demonstrar a importância do artesanato e conseguir, assim, mais recursos orçamentários.

***
Eles fazem o que podem - o Programa é, na verdade, um departamento(zinho) dentro do MDIC. Uma sala com cinco ou seis funcionários. A Sutaco já é pequena para São Paulo. O PAB é minúsculo para o Brasil...

Mais ainda porque a gente sabe que a União é a grande, imensa sugadora de impostos dos cidadãos, municípios, estados. E devolve pouco e mal. Hmpf.

No começo do ano passado, fomos informados que o PAB seria realocado para a Secretaria Especial da Micro e Pequena Empresa, a ser criada e vinculada diretamente ao Gabinete da Presidência. (Aqui no meu blog, a palavra “presidenta” não entra. E se me chamarem de Superintendenta, eu não atendo).

“O Artesanato vai ter a importância que merece!”, anunciou o Secretário do MDIC ao qual o PAB está subordinado. “A Secretaria será lá NO PALÁCIO DO PLANALTO, muito mais perto da presidenta [aí não tem jeito, é “sic”], portanto ela vai dar uma atenção toda especial, até porque tem muito carinho por artesanato”.

É uma mãe! E carinhosa. [NOT]

***
(Não, a Secretaria não foi criada)

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Na reunião no oitavo andar do ministério, não havia wifi. Quem quisesse usar internet, que consumisse dados do seu 3G.

A reunião - do Ministério  com 27 coordenadores dos estados + Distrito Federal - não tem secretária. Ninguém grava ou toma nota do que está sendo discutido, anunciado, proposto. Depois colaboramos todos para a “memória” da reunião.

O PAB não tem site, tem uma página beeem meia-boca no site do Ministério.

A parte mais legal da reunião (são quatro por ano, se não me engano) é a apresentação que cada estado faz de sua estrutura e ações. Assim, os 27 + os funcionários do PAB ficam sabendo quais são e como funcionam as políticas de cada um; aprendemos muito, é ótimo! Mas... Fica ali entre a gente. 

Gravação em vídeo? Não tem. Possibilidade de acompanhamento à distância? Também não. Quase liguei minha webcam para fazer um webcast ehehehe. Compartilhamento das apresentações? Bom, a gente combina entre a gente, porque o PAB não tem um espaço para isso em sua pobre página.

***
A gente vê que eles se esforçam, se matam, para produzir o pouco que conseguem. Confessam sua frustração na reunião (“É pouco? É, mas já é uma conquista”). Não sei se passam raiva no dia-a-dia ou se “apenas” se matam de trabalhar. Também relatam seu esforço junto à CGU, aos organizadores de feiras etc. Mas parece um esforço modesto, humilde demais, de quem implora por compreensão e ajuda. Sei como é, porque já fui Subprefeita rsrs. Eu implorava sim, mas eu BRIGAVA ahahaha. Quebrava o pau.

***
Agora um pouco sobre Brasília... [Continua no próximo post, abaixo]

Um dia e meio na Esplanada - parte 2


[Cont]

Agora um pouco sobre Brasília. 

Já não gostei, comecei a gostar, desgostei de novo.

Não consigo me imaginar vivendo lá. É como morar em um monumento. No Memorial da América Latina, argh.

Concreto, vãos imensos, distâncias gigantes. Caminhar? ESQUECE. A cidade não foi feita pra isso. São pistas expressas imensas, quadras gigantes (isto é, poucas vias secundárias, poucos cruzamentos). Ir de um lado para outro a pé é como um surfista atravessar a arrebentação. Em Teahupoo, sem tow-in (maiores explicações no Google).

De manhã bem cedo, a cidade ainda envolta em névoa, da janela do hotel você vê carros, carros, carros. Como o horizonte é amplo, dá pra ver muitas avenidas, portanto muitos carros em alta velocidade. Ônibus? Pouquíssimos - e veeelhos.

E aquilo é o “centro” da cidade. O ponto de encontro. O lugar para onde milhares de pessoas se dirigem todo dia. E não dá pra caminhar!! Não tem um centro comercial!!! Não tem vitrines, cafés, mesas na calçada. Meu Deus! Que lugar inóspito!

***
A 500m do prédio imenso do Banco do Brasil, do BNDES, paredes sujas, pichadas, azulejos faltando, viadutos com pontos corroídos. E um “morador de rua” com seus panos e sacolas no passeio estreito da passagem subterrânea.

***
Nosso hotel ficava a cinco minutos de táxi (R$9,00) do Ministério. Uns 2 ou 3 km em linha reta. Fazer uma caminhada em noite agradável? Sério, não dá. NÃO TEM caminho. É como querer passear na beira da Marginal... Da Avenida Brasil no Rio...

Na hora do almoço, a possibilidade de sentar-se ao ar livre e conversar com as pessoas é na areazinha reservada para fumantes. Se quiser dar uma volta antes de recomeçar o serviço, não tem onde.

Se quiser almoçar em outro restaurante que não o da Sobreloja do prédio, nem o bandejão da Sobreloja do Ministério ao lado... Táxi.

Meu, é bizarro.

O bandejão do MDIC - comida era simples e boa, mas nada de mais - ficou LOTADO. A fila para pagar tinha mais de CINQUENTA PESSOAS. Dois caixas funcionando.

É baratésimo - acho que R$14,00 o kg. Os clientes acostumados com esse preço teriam um infarto em São Paulo.

***
 São Paulo... Aqui estou eu. Em Congonhas, fazendo hora antes de uma entrevista (ao vivo na web) as 21h00. Usando meu 3G, porque o wifi que a Infraero prometeu “em todos os aeroportos” em 2008 está disponível aqui - mas ´so na Sala de Embarque. Olha, eu usaria mesmo que tivesse de descontar no meu cartão de crédito, só pela comodidade! Mas acho que eles deviam era fornecer de graça - pombas, o aeroporto é cheio de patrocínio, a gente paga taxa de embarque, as cias aéreas pagam, tem as concessões de lanchonetes etc.

Hmpf.

***
São Paulo é uma zona, mas é a zona que eu amo. 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

É bonito

“Mas por que as pessoas gostam tanto de trabalhar na Sutaco, você acha”?

“Bom... Porque, pra começar, a matéria com a qual a gente lida no trabalho é muito legal, que é artesanato”.

“Muito legal é você quem acha”.

“Tá, eu sei que me trolaram no Tuíter[1], mas artesanato é legal. Se você não acha...”

“Não acho”.

“Então você só gosta de produtos industrializados”.

‘ “É”.

AZEDOU meu começo de noite. Eu feliz pra burro porque de manhã, em uma aula na FGV (a primeira de um curso que vamos fazer na Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares), muita gente falou, na rodada de apresentações, sobre o como estava feliz por trabalhar na Sutaco, o quanto adora o que faz, o carinho que tem pela instituição. Entre muitos depoimentos calorosos do tipo “em x anos de casa, nunca aconteceu nada desse tipo”, um me derreteu: “Eu to pra me aposentar, mas agora eu não quero!”.

Aí ele vem e dá um toco logo no começo da minha resposta. )*&(*¨%#.

A voz já estava se elevando alguns decibéis e semitons quando ele tentou amenizar - “aquela dia que eu fui à lojinha você me mostrou algumas coisas que eu achei bonitas, mas...”

“Esquece”.

***
As pessoas que trabalham na Sutaco amam o que fazem porque gostam de artesanato e de gente.

Elas se comovem com a simplicidade de alguns deles. Muitos deles. Gente muito humilde, meu deus do céu, com um talento imenso. Homens idosos e calejados, capazes de entalhes intrincados, imagens delicadas, entrelaçamento, renda, moldagem. Mulheres de passo miúdo com força insuspeita. Quando digo “humildes” não estou escolhendo um eufemismo para me referir a “muito pobres” - eles são humildes MESMO. Modestíssimos, tímidos. Alguns abrem um sorriso orgulhoso quando elogiamos a beleza de suas peças, porque lá no íntimo - de onde as peças vieram - elas já sabiam. Outros parecem não acreditar.

Artesãos e artesãs que precisam se deslocar do rancho onde moram para o centro da cidadezinha esperar uma ligação da Sutaco ao lado do orelhão. Para o “agendamento” do encontro, o pessoal daqui manda recado pelo motorista do ônibus intermunicipal, que por sua vez avisa alguém da farmácia, do açougue, da padaria...

Artistas e artífices que estão cumprindo pena ou acabaram de sair para a rua. Que moram em quilombos, são assentados de reforma agrária. São indígenas aldeados ou não. Mulheres vítimas de violência, mulheres que acompanham filhos em internações que duram meses, mulheres em tratamento de saúde. Povo da rede de Economia Solidária da Saúde Mental. Ceramistas (hoje, 28, é dia deles!), bordadeiras, tecelãs, marceneiros, rendeiras. Pessoas com deficiência. Aposentados, desempregados, pessoas em situação de rua. Mulheres realocadas com suas famílias, mulheres de comunidades diversas.

“Os artesãos estão super felizes com as lojas novas”, dizem os funcionários da Sutaco, orgulhosos e satisfeitos. Funcionários da contabilidade, do financeiro, do cadastro. Da administração. Os do cadastro, comercialização e qualificação, então... O ouvidor...

Desde que eu cheguei à Sutaco, me surpreendi e gostei de ver como eles diziam “nossa artesã”, “artesão nosso”. Como quem tem uma responsabilidade por eles, não como proprietários. Dizem isso o tempo todo, com carinho.

Então eles são felizes por trabalhar na Sutaco porque prestam serviço para os artesãos. Não apenas porque dão suporte para que eles obtenham renda e, em muitos casos, sustento com o artesanato, mas porque adoram vê-los felizes. E querem que eles tenham orgulho do que fazem e que as pessoas reconheçam que coisa linda é o artesanato. Pelo que ele representa de original - não apenas no sentido de “único”, ou aquilo que não é cópia, mas por remeter à origem. Aos primeiros artefatos humanos; à escala da pessoa, não da indústria. À distância mais curta entre o barro e a jarra, a palmeira e o cesto de folha trançada. E pela beleza em si!

Não são poucos os que acham que artesanato é “tranqueira”, “bugiganga”. Então eu digo, parodiando o cartaz dos restaurantes, “conheça nossa lojinha”. Perceba por que os funcionários tem tanto gosto no que fazem. E não se faça de rogado, por favor - se gostar de alguma peça, pode comprar. O preço é justo, o artesão é recompensado, o desenvolvimento local é aquecido, a cultura rica e variada do estado de São Paulo é preservada e divulgada, o dinheiro público é bem empregado.

Se você ainda tem dúvidas, visite a nossa cozinha.

Parabéns, Sutaco, pelos 42 anos de vida (26/05/2012).

_____________
[1] No Dia das Mães, escrevi “é impossível você não encontrar na Sutaco algo que sua mãe goste”. Algumas pessoas responderam: “Então a minha mãe não é normal, porque ela detesta artesanato”.

sexta-feira, 2 de março de 2012

As últimas por hoje




Mais da Lojinha





Lojinha



















Algumas peças do artesanato paulista à venda na lojinha da Sutaco na Rua XV de Novembro, 318. Bem perto do metrô São Bento, da Praça do Correio, do Largo do Paysandu...

ADORO as miniaturas de prédios históricos de São Paulo. ADORO essa mobília e utensílios. E sou doida por essa cesta de piquenique.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Há um momento em que as pessoas se esgotam da produção em série

Entrevista minha para A CASA - museu do objeto brasileiro.

Você já foi VJ da MTV, apresentadora de um programa jovem na TV Cultura, comentarista esportiva na ESPN. Atuou ainda como vereadora na Câmara Municipal de São Paulo e foi subprefeita da Lapa. De onde vem sua relação com o artesanato e inserção na Sutaco?
Minha relação com artesanato é de apreciadora. Sempre gostei muito de frequentar feirinhas, conhecer o trabalho de vários lugares, sair do Brasil e voltar com peças de artesanato de cada lugar. Admirava a organização da produção artesanal fora do Brasil e lamentava que não tivéssemos nada parecido, que aqui a produção em série, fake, imitando o artesanato, se misturasse tanto com a produção artesanal de verdade – provavelmente, é um problema que outros países tiveram que enfrentar também.
Na Sutaco, juntaram-se três coisas que eu adoro: administração pública, cultura e geração de renda numa escala humana, viável. Às vezes, tenho aflição de olhar para o mundo produzindo coisas aos milhões sabendo que, no fim do dia, será preciso criar necessidades para aqueles milhões de coisas produzidas. Não se trata de suprir as necessidades das pessoas, mas de criar necessidades que sejam atendidas por aquela produção, necessária para gerar emprego. Houve um momento desse tipo quando se incentivou a compra de automóveis para que os empregos da indústria automobilística não fossem perdidos. Onde vamos parar com um automóvel por pessoa? Vamos parar, literalmente! Gosto de pensar em promover geração de renda e desenvolvimento local a partir de uma atividade que é tão significativa, tão importante.
Até quando você fica na Sutaco?
A menos que haja uma grande mudança de planos, saio em abril. Esse é o prazo máximo para ser candidata à prefeita, e o que eu mais quero é ser prefeita algum dia. Mas temos a maior preocupação com o que vai acontecer na sequencia.
Quando se tem um político no cargo de superintendente, isso significa que é uma pessoa que vai defender a Sutaco, que vai lutar pela Sutaco, que vai bater em várias portas, fazer mil e uma conexões e articulações, ou seja, não é simplesmente o executor de uma política. Alguns poderiam alegar que seria melhor ter um técnico nessa posição, mas eu sempre acho que aqueles que ocupam cargos de direção podem ter perfil técnico desde que tenham também um perfil político, de visão de longo prazo e de contatos.
Coisas muito legais têm acontecido com a Sutaco em função de parcerias. Nossa estrutura é mínima – aliás, estamos reivindicando junto ao governo do estado que reconstrua a estrutura da Sutaco, porque ela foi muito enfraquecida ao longo dos anos – mas conseguimos fazer muita coisa com parceiros. Numa parceria com a Imprensa Oficial, abrimos uma loja de porta para a rua na Rua XV de Novembro. Antes, a loja era aqui em cima, no terceiro andar. Agora, dividimos o espaço com a Imprensa Oficial, o que é ótimo. Numa parceria com o Metrô, conseguimos abrir uma loja na estação Vila Madalena. Em parceria com a CDHU, temos cursos de artesanato em vários empreendimentos. Em parceria com o Itesp, iremos cadastrar artesãos de quilombos, aldeias indígenas, assentamentos, dar cursos e, de preferência, trazer seus produtos para vender em São Paulo.
Uma vez começado, acho que é mais fácil manter o trabalho, mas tenho medo. Eu adoro aqui. Se não me eleger dessa vez, pretendo voltar.
De certa forma, um político no cargo de superintendente também confere mais visibilidade à instituição.
Também, nem que seja para esculachar: “olha onde ela foi parar!”

O que é a Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades (Sutaco)?
A Sutaco é uma autarquia do governo do estado, ou seja, recebe recursos do tesouro, recursos públicos, e também gera receita própria, tendo sido criada no início da década de 1970. Sua primeira denominação foi Superintendência do Trabalho em Comunidades e dois anos depois é que se estabeleceu o foco no trabalho artesanal em comunidades.
A porta de entrada na Sutaco é o cadastramento do artesão, isto é, a comprovação de que ele é um artesão mesmo, conforme definições consagradas. Há uma portaria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que abriga o Programa do Artesanato Brasileiro no âmbito federal, definindo o que é artesanato, o que é artesão, o que não é, o que é trabalho manual, e há também outras conceituações, que aparecem, por exemplo, no Termo de Referência do Sebrae, em documentos da Unesco etc.
No cadastramento, o artesão tem que executar uma peça diante do nosso avaliador para mostrar que não tem empregados fazendo o trabalho para ele e que não comprou o objeto na Rua 25 de Março, deu uma mão de tinta e falou que foi ele que fez. A partir do momento em que o artesão é cadastrado, recebe uma carteirinha que o identifica como profissional do artesanato. Em muitos lugares a carteirinha é pedida ou aceita como comprovação de que ele é de fato um artesão – por exemplo, por prefeituras que organizam feirinhas ou festivais de artesanato. Essa carteirinha pode ser obtida não só aqui, em nossa sede na capital, mas também em mais de duzentos municípios do estado, onde a prefeitura local indica dois servidores treinados para fazer essa avaliação, eles nos remetem os documentos e emitimos o documento.

Além de ser identificado como profissional do artesanato, quais as vantagens, para o artesão, de possuir a carteirinha da Sutaco?
A partir do momento em que o artesão tem a carteirinha, pode emitir nota fiscal pela Sutaco – até um determinado valor. Há condicionantes porque é uma nota fiscal com isenção de ICMS sobre a qual incide apenas uma taxa de 5% – no máximo, se for uma venda de fato – para a Sutaco. Essa é uma das nossas fontes de receita própria. Com essa taxa sobre a nota fiscal, conseguimos investir em mais artesanato.
Além disso, a Sutaco adquire produtos de artesãos com carteirinha. Assim, eles têm a possibilidade vender seus produtos em nossas lojas e em nossos eventos, o que é muito bom, principalmente se compararmos com outros programas de apoio à geração de renda. Em geral, a venda fica totalmente por conta do cidadão “empoderado”, “capacitado”, mas ou ele vende ou não vende. Nós garantimos – claro que até certo ponto – o escoamento da produção. O artesão precisa fazer o cadastro, possuir a carteirinha e ter um produto condizente com os critérios da Sutaco. São critérios bem generosos, porque um produto pode ser tradicional, de raiz, ou pode ser contemporâneo, moderno, criativo, diferenciado, ou ainda pode ser um produto que não se distingue muito nem por uma coisa nem por outra, nem é bem tradicional, nem arrojado e moderno, mas é muito bem executado e o artesão tem uma condição socioeconômica muito difícil – tudo isso a gente leva em conta. Desenvolvemos um critério de avaliação e acrescentamos pontos extras se o produto for feito a partir de reciclagem, material pós-consumo, sobra de produção industrial, restos como bagaço, cascas, pseudocaule de bananeira. Também há pontos extras se for feito por indígenas, quilombolas, comunidades ribeirinhas, assentados rurais, cooperativas populares, usuários do Sistema de Saúde Mental, usuários do Sistema de Assistência Social, participantes de programas de pós-ocupação de moradia popular, presidiários ou egressos. Há uma lista de pessoas em situação especialmente vulnerável que têm preferência no momento em que a Sutaco compra os produtos.
Mais ainda, a partir do ano passado, o artesão cadastrado pode se inscrever num edital e se candidatar a dar aulas e oficinas de artesanato contratado pela Sutaco. Abrimos um edital e as pessoas enviam currículo, comprovação de experiência e um projeto de curso. Os que forem aprovados ficam à disposição de qualquer instituição que quiser contratar. A Sutaco paga a hora-aula do artesão e entidade parceira que solicitou o curso providencia um lugar para as aulas, divulga, monta a turma – só mandamos professores para grupos – e fornece material. Muitas vezes, as entidades, prefeituras, associações, já pedem o curso conforme o material que já dispõem: “Recebemos aqui muita doação de retalho de tecido”, ou “Temos muito bagaço de cana”, “Temos palha de milho”. Normalmente, providenciar o material é o de menos.

Para a Sutaco, artesanato é um meio de geração de renda e inclusão social. Quais as vantagens dessa atividade como ferramenta para o desenvolvimento social e econômico?
Gosto muito de pensar na escala humana. O artesanato pode até ser feito a partir de uma matéria-prima que atravessou o mundo de navio, mas isso é a exceção, não é o comum. Normalmente, o artesanato é feito daquilo que está muito próximo; é o barro dali onde as pessoas vivem, são partes da vegetação local, restos de produção agrícola, restos de produção industrial. Isso, para mim, é antigo e moderno. Às vezes, o mais moderno é o mais antigo. Veja o reaproveitamento, por exemplo. O descartável foi o advento da modernidade, a liberdade da mulher moderna – que não precisa mais lavar fraldas –, e, aos poucos, percebemos que não é bem assim, que tudo o que dá para reaproveitar deve ser reaproveitado. Nesse ponto, artesanato é o antigo e o super moderno.
Além disso, o volume de produção não exige que se saia em busca de novos mercados imensos, embora almejemos expandir o mercado de artesanato, porque queremos que o artesão seja reconhecido no trabalho dele, que possa ganhar dinheiro com aquilo que ele faz e que as pessoas tenham a possibilidade de ter artesanato na sua vida, porque artesanato é beleza. Artesanato pode ser funcional ou não, pode ser simplesmente decorativo, agradável de olhar. É um produto que faz bem a quem produz, porque muitas vezes é a tradução, se não da história, da raiz, da tradição, da cultura local, no mínimo de uma habilidade, de um saber fazer, de um olhar, de um gosto, e é bom também para quem consome. E tudo dentro dessa medida mais próxima da escala natural das coisas, não essa escala industrial, mundial, planetária.
No fim das contas, o artesanato como geração de renda traz até uma dificuldade em relação ao estabelecimento do preço do trabalho. Muitas vezes, a matéria-prima não foi adquirida, foi obtida de alguma outra forma. Tem artesã que entra no brejo para pegar taboa – com plano de manejo, que antes ela nem sabia que precisava ter, com autorização do Ibama. Quanto custa essa matéria-prima? Como se calcula o preço? Não dá para dizer que é grátis; ela precisa ter uma bota até o joelho, toma picada de cobra, de aranha, e aí? E o tempo que leva para pegar, cortar, secar, trançar? Como parece que o produto veio a custo zero, ou que o único custo foi o tempo e o trabalho dispendido, é difícil colocar um preço. Mas isso é também uma vantagem do artesanato: você consegue produzir a partir de matérias pelas quais você não precisou desembolsar dinheiro.
Outro problema em relação ao preço é que é difícil dar o valor que o produto artesanal merece: pelo significado simbólico, pelo trabalho que deu, pelo quanto aquilo é único – único nos seus pequenos defeitos, inclusive. Muitas vezes, as pessoas comparam com o preço de um produto massificado: “Por que vou pagar isso nesse vaso, se eu tenho um quase igual custando muito menos?”. Isso é inerente, não vejo como resolver. Colocar o preço é uma coisa que vamos aprendendo com o tempo, nós e os artesãos. Mas é difícil evitar a comparação com o preço do produto industrializado. Eu não vou baratear o artesanato, esse é que é o ponto, essa é que é a dificuldade. Não posso competir barateando artesanato. Tenho que fazer as pessoas perceberem o valor que isso tem e os motivos daquele preço maior do que o do produto que veio da China.
É preciso educar o mercado?
Com certeza.

Ao incentivar a produção de artesanato por pessoas em situação de vulnerabilidade – usuários do Sistema de Saúde Mental, usuários do Sistema de Assistência Social, presidiários ou egressos etc. – com o objetivo de inseri-los socialmente, a Sutaco parece defender a ideia de que o saber fazer artesanal está ao alcance de todos. Nesse sentido, é sintomático que a Sutaco esteja vinculada à Secretaria do Emprego e Relações de Trabalho – SERT e não à Secretaria de Cultura, por exemplo. Assim, ao contrário da “Arte”, o artesanato prescindiria do dom. Isso não contribui na perpetuação do preconceito que hierarquiza atividades como arte e artesanato, atribuindo ao artesanato um lugar inferior?

É um risco e temos que ficar atentos para que isso não aconteça. Às vezes, em outras cidades com as quais mantemos relação, ou mesmo outros estados, o artesanato está subordinado a um órgão de cultura. Aí o recorte seria completamente diferente, porque muita coisa que nos interessa, como geração de renda, não interessaria, de modo algum, a uma pasta de cultura. Mas a condição socioeconômica é apenas um dos critérios que pode servir para desempate, vamos dizer assim. É diferente de um critério de cota, por exemplo. Pessoas nessas condições terão um ponto extra se precisarmos definir uma prioridade de compra, pois nossos recursos finitos e não podemos comprar tudo ao mesmo tempo. Mas em nenhum momento isso dispensa criatividade, qualidade de acabamento, ou um componente histórico, tradicional, de identidade. Tivemos o maior cuidado na hora de pensar essas notas, tanto que algumas são 1 ou 2 – sim ou não –, e outras tem uma escala de 1 a 3 ou 1 a 5, de modo que alguém que não vá bem nos quesitos de qualidade do produto não vai ter seu produto comprado e vendido pela Sutaco só porque tem uma condição difícil. Nesse caso, iremos orientar a pessoa informando que a Sutaco não poderá vender. É o bendito pano de prato. As pessoas vêm à loja da Sutaco e comentam: “Ah, é isso? Pensei que era tipo ‘pano de prato’”. Mas claro que um pano de prato pode ter o seu valor como trabalho manual dependendo do barrado que for feito nele, da aplicação de tecido, pode ser super-representativo da cidadezinha onde aquilo foi produzido. Você pode olhar um pano de prato e dizer: “Isso é de Óbitos, interior de Portugal”, ou “Isso é de Piracicaba, eu conheço essa igrejinha”. Precisamos ter esse cuidado. Quando vim para cá, sugeri que o cerimonial do governo adquirisse produtos da Sutaco para presentear visitantes estrangeiros. Eles resistiram até que eu fosse lá levar um presente. Levei uma peça de cerâmica, e eles: “Ah, é disso que você está falando!”. Já temos a distinção “trabalhos manuais” e “artesanato”. O Renan Novais, nosso ouvidor, que tem décadas de Sutaco, costuma resumir muito facilmente: trabalho manual tem uma receita, uma receita da revista, uma receita da televisão; o artesanato não tem receita, não tem um “faça isso, depois faça aquilo”. Isso não quer dizer que os artesãos sejam autodidatas. O modo de amassar e moldar o barro, por exemplo, tem um aprendizado, mas é outro tipo de transferência de conhecimento.
Apenas para responder sua pergunta de maneira mais direta: “parece até que qualquer um é capaz de fazer artesanato”. Qualquer um pode ser capaz de fazer artesanato, nós não sabemos; assim como qualquer um pode ser capaz de fazer arte e nós não sabemos. Antonio Bispo do Rosário, por exemplo, nem ele sabia. De repente teve o estalo com a estagiária de psicologia e começou a fazer arte; nem sei se ele sabe o que fez. Tanto artistas quanto artesãos podem ser pessoas que não tenham alta escolaridade, que sequer tem um repertório vasto de referências históricas ou estéticas. Por outro lado, podemos tentar abrir o horizonte de alguém que tem uma habilidade manual para outras referências culturais, de modo que aquela capacidade inicial possa vir a ser um artesanato mais distinto.

Como herança da escravidão, existe um velho preconceito que associa a elite ao trabalho intelectual (saber) e as classes subalternas ao trabalho braçal (fazer). Nesse sentido, uma série de projetos de inclusão social voltados à população de baixa renda envolve música, percussão, esportes e trabalhos manuais. Em que medida a ideia de incluir a mão-de-obra marginalizada no mercado de trabalho por meio do artesanato está baseada nesse preconceito?
Isso dá muita briga entre o pessoal que fomenta a produção artesanal em órgãos de governo ou em organizações não governamentais. Tem gente que tem pavor dessa associação entre artesanato e população carente, artesanato e geração renda na periferia. E é uma coisa muito simples: não é uma equação matemática do tipo “artesanato = pobreza”, e nem o contrário, “a melhor saída para a pobreza é o artesanato ou o trabalho manual por falta de uma aspiração a alguma coisa melhor”. O artesanato pode ser produzido e é produzido por pessoas das várias camadas da sociedade. E mesmo que fosse produzido só pelos pobres, mesmo se as elites intelectuais e financeiras não tivessem nenhum interesse em fazer artesanato, nem por isso valeria menos. Há atividades que são características das camadas mais populares da sociedade e nem por isso têm menos valor.
Já discuti muito o fato de que os projetos sociais na periferia costumam dar um tambor na mão das pessoas e eles saem batendo tambor quando deveriam estar fazendo faculdade de Direto. Se quiserem fazer faculdade de Direito, eles têm que ter toda a possibilidade de entrar numa faculdade de Direito, mas música não tem valor? Só tem valor se for sinfônica? Batucada não é importante? E o esporte, não tem valor? O problema é sempre o reducionismo: se alguém achar que pobre só dá para esporte, música ou trabalhos manuais, estará sendo injusto e excludente com os pobres. Eles têm que poder estudar o que bem entenderem. Mas também discordo de alguém que diga que cultura e esporte não têm valor nenhum, que o que tem valor mesmo é diploma de doutor.

O antropólogo Ricardo Gomes Lima afirma que diversas pesquisas demonstram que “uma das características da produção artesanal (...) reside exatamente na integração da atividade manual com a intelectual”.
E é um pensamento aparentemente compassivo – “os pobres vão ficar fazendo cultura e esporte quando deveriam estar estudando” –, mas não deixa de ser um pensamento elitista preconceituoso. Elitista no mau sentido, de que só tem valor a produção acadêmica, intelectual. Tenho certeza que não. Eu não quero que os artesãos permaneçam analfabetos, se for esse o caso deles, nem analfabetos digitais. Espero que eles saibam usar a internet sem descaracterizar o que eles fazem. Mas não vou achar que uma pessoa vale menos porque só estudou até a oitava série, quando ela produz uma coisa tão maravilhosa e encantadora. Não é paternalismo, “Deixa ele ali daquele jeito”, nem glamorização da pobreza, “A pobreza é bonita”, “A baixa escolaridade é bonita”, não acho isso. Mas também não acho que só tem valor na sociedade quem fez pós-doc.

Durante muito tempo, acreditou-se que a industrialização iria acabar com o artesanato. Entretanto, o site da Sutaco informa que “Desde sua fundação em 1970, a Sutaco cadastrou mais de 70 mil artesãos – e esse número aumenta todos os dias”. O lugar do artesanato na sociedade contemporânea está se expandindo?
Eu acredito que sim. Até certo ponto, pode parecer que o objeto artesanal e o objeto industrial competem um com a outro, mas, na verdade, eles mais se contrapõem do que competem, eles não estão disputando o mesmo espaço, o mesmo bolso, o mesmo mercado.
Depois de toda essa discussão sobre o que é pobre, o que é da elite, é curioso notar que a elite financeira adora um produto rústico. A CasaCor está cheia de produtos artesanais, tradicionais, de raiz. Isso é um sinal de que há um ponto de esgotamento em todas as coisas, um momento em que as pessoas se esgotam da produção idêntica, em série. Cansa! No começo é bom, porque é barato, porque todo mundo tem e eu também quero, mas chega uma hora em que isso se dilui na paisagem e outra coisa chama a sua atenção e desperta o seu desejo.
Quem não é sensibilizado pelo belo tem algum problema. Até os animais seduzem uns aos outros com penas coloridas. O ser humano tem uma sensibilidade para a beleza e o artesanato é isso. Seja um artesanato tradicional, seja um trabalho manual bem feitinho, é belo, não é só útil. A não ser que alguém esteja muito mal consigo, numa condição muito depauperada de espírito, o belo sempre vai ser sedutor.

Quais as principais características do artesanato paulista?
É difícil falar em uma linguagem, e por isso mesmo, isto é São Paulo. Temos aqui uma discussão muito acirrada sobre o artesanato típico paulista. No decreto que regulamentou a Sutaco, falava-se no benefício fiscal para o “artesanato típico regional”. Então, tem gente que acha que deveríamos ser muito rigorosos e excludentes em relação a uma boa parte dos trabalhos artesanais que cadastramos e adquirimos para vender. E eu questiono: “Não é tipicamente paulista ter elementos da cultura japonesa, árabe, negra, européia?”. Em alguns lugares, o traço da cultura indígena vai ser predominante; em outros, será o traço da cultura negra. São Paulo é exatamente a mistura disso tudo: a maior cidade nordestina fora do nordeste, a maior cidade japonesa fora do Japão, a maior cidade boliviana fora da Bolívia. Então, é claro que isso se reflete no artesanato. Em alguns lugares, existe a produção quase autóctone, não influenciada por movimentos culturais recentes – foram influênciados pelo contato do negro com o índio e com o português. Então, pode haver uma modelagem em barro, uma técnica indígena, acrescida de elementos da cultura negra de algum vilarejo do interior da África, resultando num santo cristão. Isso é o artesanato de São Paulo.
Há algumas coisas bem típicas, características de alguma região, como esse artesanato do vale do Ribeira, dos quilombos, da região de Taubaté, do vale do Paraíba. Mas o mais comum é que você tenha dificuldade de dizer de que lugar aquilo veio porque o estado é muito misturado. Temos peças em cerâmica com técnicas originalmente japonesas que, aos poucos, vão ganhando contornos ou ilustrações mais brasileiras e mais paulistas. Mas, a não ser que sejam as figuras de Taubaté, que se alguém já conhecer sabe identificar, as pessoas não costumam reconhecer o artesanato paulista. Quando montamos um estande de São Paulo nas feiras, mesmo que tenha peças contemporâneas – temos muitas esculturas feitas de restos de metal reaproveitado, por exemplo –, com elementos urbanos, as pessoas perguntam: “Vocês são de onde?”.
Há ainda o artesanato caiçara, do litoral, que tem uma característica regional muito marcante. Você olha e pode errar: “Isso aí é de Iguape ou de Caraguá?”, mas é possível identificar que é da cultura caiçara.
Pela falta de técnicas e materiais mais marcadamente paulistas, procuramos levar aos nossos artesãos a ideia de inserir na forma ou na ilustração de seus trabalhos algum elemento local. Por exemplo, em uma ecobag. Para mim, é muito bom olhar para uma ecobag e saber que ela é de Bertioga e não de Presidente Prudente. Como se faz isso? É uma sacola, de um jeito ou de outro, mas a de Bertioga pode ter milhões de ilustrações bordadas, pintadas, aplicadas, trançadas do forte de Bertioga, que só tem lá. Eu não quero que escrevam “lembrança de Bertioga”, mas quero que as pessoas pensem cada vez mais em se fazer representar no artesanato naquilo que elas têm de típico delas. Pode não ser uma tipicidade histórica, original, do século retrasado, mas o que é típico do lugar agora. No ABC, por exemplo, eu faria artesanato com perfil de fábrica; o ABC é isso.
Quais as maiores dificuldade do artesão paulista e como o poder público pode atuar em seu apoio?
Um dos problemas é a organização da produção. É onde pretendemos atuar mais agora, sem descaracterizar, sem fazer com que cada artesão vire um microempresário, ou um agente de divulgação de si mesmo, mas ele precisa ter o mínimo de organização para saber quanto gasta, para saber se é capaz de atender uma determinada encomenda. Às vezes, o artesão pode receber uma grande encomenda por um preço final muito atraente, que vai fazer com que seu ganho imediato aumente bastante, mas ele não se dá conta de que o preço individual de cada peça inviabiliza a produção. E não apenas isso, pode ser que o preço seja até vantajoso, mas como ele nunca calculou isso direito, perde o prazo para entregar a encomenda; ou ele se mata para entregar aquilo no prazo, vira noites em claro e termina totalmente esgotado; ou então acaba fazendo um produto de menor qualidade. Os artesãos precisam conhecer o processo produtivo como um todo, saber prever revezes, porque quando ele não tem prazo para entregar uma encomenda, se choveu mais ou menos, se vai demorar um pouco mais para ter o coco seco ou o barro em condições, não faz muita diferença. Mas se ele se compromete com um prazo, ele tem que saber lidar com isso. Ou ele pode não se comprometer, ter uma postura mais de artista: “Olha, não trabalho dessa maneira”.
Outro ponto é justamente a ampliação de repertório, de referências, para que as pessoas façam produtos melhores e mais atraentes do ponto de vista do mercado, e mais recompensadores do ponto de vista da auto-estima. Como o trabalho manual hoje é uma febre – há revistas, DVDs, sites, programas de televisão, canais de televisão – é muito fácil aprender a fazer artesanato, aprender a fazer trabalhos manuais, mas é muito difícil fazer um trabalho diferenciado. Temos agora cursos de técnica artesanal, mas queremos ampliar isso. Por enquanto, fazemos uma consultoria informal, visitamos os grupos, orientamos em relação ao produto, em relação à organização, mas quero que a Sutaco tenha uma metodologia básica condizente com as necessidades de cada grupo. Nós, o quadro de pessoal da Sutaco, iremos fazer um curso para nos aprofundarmos nisso. Em seguida, os artesãos ligados à Sutaco que dão aulas de técnicas artesanais também vão passar por esse treinamento. Finalmente, pretendemos incubar um empreendimento para aprender a fazer. Primeiro seremos “estagiários” de uma incubação para que possamos ser incubadores também, coisa que a Sutaco, hoje, não é.
Como o design pode contribuir na ampliação de referências? A Sutaco tem considerado a parceria entre designers e artesãos em seus projetos?
Acabo traindo um preconceito meu por não ter usado a palavra design até aqui. Talvez porque não tenha boa tradução em português. Eu me censuro, me policio para não dizer design, porque dá impressão de alguma trazida de fora, entregue ao artesão, ensinada para o artesão. Claro, design faz toda a diferença. Precisamos buscar referências, elementos locais, identidade, mas como isso se traduz na ilustração de sacola, na aplicação em camiseta, num bordado, numa peça moldada em barro ou numa peça forjada a ferro? Isso é design. O elemento da identidade pode ser uma espécie endêmica de tartaruga; tudo bem, mas não se vai simplesmente moldar tartarugas, fazer representações exatas da tartaruga. Como é que se estiliza a tartaruga? Como se identifica uma tartaruga numa forma de metal quase abstrata? O design é um elemento de comunicação entre essas referências culturais e de identidade e sua transformação em um produto único, belo, atraente. Quando falamos nessa ampliação de referências, de repertório, o design é elementar. E, às vezes, quando o produto é importante historicamente para determinada comunidade, não há necessidade de incorporar novos elementos de design na peça, mas na loja, na exposição, na embalagem, na etiqueta.
Uma peça com belo design salta aos olhos de um jeito que mesmo o artesão menos familiarizado com milhões de movimentos culturais, artísticos etc., desenvolve uma relação instantânea de olhar, reconhecer e ser impactado por aquilo. O design é também o não verbal. Não é apenas o texto, a explicação, a teoria, a história contada, é um gesto materializado, um movimento corporificado. O design tem um pouco disso, de ser muito moderno, mas sempre comunicar com alguma coisa inexplicável.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

História + histórias + preservação + arte + cultura + artesanato \o/ #adoro


Antigo hotel de Ribeirão Preto é transformado em Centro Cultural




Aha-uhu/ o artesão é nosso rsrsrs

"Os tacos retirados do piso do auditório do antigo Hotel são  transformados em lindas e úteis lembranças pelo artesão: Wagner Cabral Spagnol - Cadastro SUTACO :  46.136 Ribeirão Preto SP", observa o sempre alerta Renan Novaes, ouvidor da Sutaco :o)


A mensagem veio da Patricia, da (Secretaria? Coordenadoria?) de Cultura da prefeitura de Ribeirão:

No dia 20 de outubro passado reinauguramos o Antigo Hotel Palace , hoje Centro Cultural Palace na esquina das rua Alvarez Cabral com Duque de Caxias . O predio foi construido em 1926 e faz parte do Quarteirão Paulista (onde se encontra o Restautante Pinguim e o Theatro Pedro II). Eu estou desde o final de setembro trabalhando neste local junto com a Coordenadora para que fosse possível a reabertura do local.

Tivemos uma importante conquista para o artesanato  de nossa cidade; foi disponibilizada uma sala ampla onde já aconteceu a Oficina de Mosaico com reciclados e também uma sala que denominamos "Empório Artesanal Palace", onde estão sendo expostos e vendidos produtos dos Associados da Associação Projetop Arte Vida-APAV , da Associação dos Artesãos, Artistas e Expositores da Praça da Bandeira e alguns independentes. Conquistamos finalmente o nosso artesanato para lembrança de Ribeirão Preto. Nossos artesãos estão aproveitando os tacos retirados do piso do auditório do antigo Hotel e transformando-os em lindas e úteis lembranças.





Qdo eu for ao Pinguim, ops, a Ribeirão, passarei por lá com certeza.

(Quem vê pensa que eu bebo muito... Até tomo chopp, mas meia tulipa tá bom demais. Não sou boa companhia para bebedores não rsrsrs)

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Novelinha

Fiz uma proposta ao PAB, Programa do Artesanato Brasileiro, sediado no MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior): que seja formado um grupo interministerial com o intuito de formular, na forma de Projeto de Lei, uma proposta do que seria realmente um PROGRAMA do Artesanato Brasileiro, com diretrizes, metas, indicadores, políticas, ações etc., para ser submetido a consulta pública e à tramitação no Congresso.

Hoje, o PAB é uma saleta com 3 ou 4 pobres servidores, um orçamento magrinho de tudo (o da Sutaco, que não é grande coisa, é maior) e algumas ações desconjuntadas, desconectadas umas das outras: uma capacitação que às vezes acontece; algumas feiras decididas de última hora; a composição de um Sistema de Cadastramento do Artesanato Brasileiro de cuja utilidade eu duvido bastante (é um diacho de um formulário enorme para ser preenchido em cada coordenação estadual, com a pretensão de ser um "mapeamento do artesanato brasileiro" e subsidiar inclusive as reivindicações "por mais recursos orçamentários junto ao Ministério do Planejamento". Preencher o formulário é um porre, e no fim das contas ele é a catalogação de artesãos "formalizados", que tem carteirinha, e não um mapeamento do artesanato. Enfim...).

A representante do PAB na reunião (que aconteceu sexta-feira em Belo Horizonte), que sempre justifica a precariedade do "Programa" invocando... a precariedade do programa ("somos poucos, o recurso orçamentário é limitado e foi duramente contingenciado, como tudo mais no governo federal"), concordou e apoiou a sugestão. Pediu para que eu a apresentasse por escrito.

Comecei a redigi-la e cheguei ao ponto em que sugiro quais Ministérios deveriam estar representados nesse Grupo de Trabalho. Depois de fazer uma lista óbvia de cabeça (o próprio MDIC, o Ministério do Trabalho e Emprego e a Secretaria Nacional de Economia Solidária, o Ministério da Cultura etc), quis pesquisar um pouco mais e passei pelo site do Ministério da Agricultura (afinal, muito do que a gente faz em artesanato é na zona rural, com restos de produção agrícola aproveitados como matéria-prima). Descobri que existe uma Câmara Técnica de Fibras Naturais - uma das principais tipologias de artesanato! - e quis entender melhor se a gente poderia se beneficiar do conhecimento e experiências deles.

O site bem que oferece a Ata da reunião da Câmara, uma boa maneira de entender melhor quem são e do que tem tratado os membros da Cãmara. Cliquei no link e... abriu a Pauta, não a Ata. #saco.

Aí fui reclamar, claro. Entrei no Fale Conosco, preenchi o formulário todo, pedi resposta por email (não por carta ou fax, as outras únicas alternativas). Não consegui enviar o formulário, que mandava uma mensagem de #fail: "por favor, cadastre um email válido". Tentei com um email diferente, conferi que estava preenchido direitinho e... nada.

Fui atrás da Ouvidoria, agora com DUAS reclamações - a falta da Ata e o formulário com defeito. Descobri que tem atendimento via chat, oba! Entrei, preenchi o quadro com minhas duas questões e logo tinha uma pessoa me atendendo - nem acreditei.

Massss... O diálogo foi totalmente improdutivo. Reproduzo:
O sistema está iniciando. [terça-feira, 29 de novembro de 2011 18:59:31]
Por favor aguarde, um operador irá atende-lo(a).
Daniely Lins Medeiros entrou no chat online.
Daniely Lins Medeiros 18:59:59
Boa noite senhora Sonia.
Sonia Francine 19:00:03
Boa noite
Daniely Lins Medeiros 19:02:07
Senhora Sonia aguarde um momento por gentileza enquanto verifico esta informação.
Sonia Francine 19:02:10
Ok
Daniely Lins Medeiros 19:02:39
Obrigada por aguardar.
Senhora Sonia o que são Finras Naturais?
Sonia Francine 19:03:16
Desculpe! Fibras Naturais. Uma das Câmaras Técnicas do Min da Agricultura
Daniely Lins Medeiros 19:04:15
Obrigada.
Senhora Sonia esse assunto é pertinente à BINAGRI - Biblioteca Nacional da Agricultura, sugerimos que a Senhora entre em contato com a Central de Relacionamento do MAPA no número 0800 704 1995.
Algo mais em que posso ajudá-la?
Sonia Francine 19:05:54
Sim... Qto ao fato de o formulário do Fale Conosco do site não reconhecer um email válido, e com isso impedir o envio com a pergunta... Por favor, vc pode encaminhar?
PS: A Biblioteca é responsável pelo registro das Atas das reuniões, é isso?
Daniely Lins Medeiros 19:06:59
Senhora Sonia essa informação a senhora obterá na BINAGRI - Biblioteca Nacional da Agricultura.
Eles orientarão a senhora em relação ao registro das Atas da Reuniões.
Sonia Francine 19:07:33
Ok
Daniely Lins Medeiros 19:07:52
Algo mais em que posso ajudá-la?
Sonia Francine 19:08:06
... e o "defeito" no formulário do Fale Conosco?
Daniely Lins Medeiros 19:10:44
Senhora Sonia referente ao erro na página do Fale Conosco provavelmente o site esteja em manutenção, a senhora pode entrar em contato com a Central de Relacionamento do MAPA 0800 704 1995, para obter maiores informações.
Algo mais em que posso ajudá-la?
Sonia Francine 19:12:02
Não... Desculpe, não ajudou quase nada na verdade, mas vou tentar por telefone...
Daniely Lins Medeiros 19:13:36
"Após a conclusão dessa solicitação a Senhora receberá um email (workflow) para informar sua opinião sobre a prestação do serviço. A sua participação é muito importante para o nosso aprimoramento."
A Ouvidoria agradece o seu contato e deseja uma ótima noite.
Sistema 19:34:32

Cheguei a ligar para o 0800 e dizer "quero ler a Ata da reunião, que parece estar no site mas na verdade não está. Com quem eu posso falar?". O rapaz me deu o telefone "do Superintendente". Eu: "Superintendente do que?". "Superintendente... Ah, da Superintendência "geral"". E passou um número de PABX com DDD 11 - "a senhora liga e pede para passar para o responsável".

#FUÉ.

Por email, recebi dois informes: "Solicitação recebida" (assim que pedi para ser atendia no chat) e "Solicitação encerrada". Ainda bem que eles fazem uma pesquisa de satisfação no final, porque assim pude reclamar.

Vamos ver se me respondem ALGUMA COISA :o/