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quinta-feira, 28 de junho de 2018

Entre a negação da direita e hipocrisia da esquerda

Assim escreveu o Bruno Frederico Müller em seu Facebook, em post compartilhado por meu amigo Cesar Hernandez, de que gostei tanto que quis importar pra cá.

Estou surpreso com a entrevista de Guilherme Boulos ao programa Roda Viva, e sua repercussão.

Sobre a postura do candidato, destacaram sua coragem e ousadia, sem medo de defender suas posições. Disseram que Boulos saiu da entrevista maior do que entrou, e que encarnou os sonhos e esperanças de uma esquerda renovada. "Está nascendo um novo líder. Um grande líder", eu li por aí.

Medo, Boulos realmente não teve. E de fato, coragem e ousadia são duas grandes virtudes, para qualquer um, embora devam ser bem temperadas pela prudência, especialmente para um grande líder, se ele não quiser levar um país inteiro à estrada para a ruína - o que parece ser o caso. Boulos teve, isto sim, coragem de defender um programa arcaico.

E convenhamos que os entrevistadores, fracos, não se esforçaram para colocar o dedo na ferida. A única pergunta mais espinhosa foi sobre a Venezuela. No que o candidato fracassou tanto em princípio, quanto em estratégia:

Como assim, um candidato que se apresenta como um homem de princípios, faz apenas uma crítica pragmática, de viés econômico ("a Venezuela não expandiu sua matriz econômica"), sobre a ditadura Maduro? E a democracia, que Boulos diz estar a perigo no Brasil, onde as instituições e garantias fundamentais ainda vigem? E os direitos humanos, tortura, prisões arbitrárias sem julgamento, como lida com isso um homem que representa um movimento por direito à moradia e viaja o país denunciando a suposta prisão arbitrária de um ex-presidente a quem se concedeu todas as garantias de ampla defesa?

Abriu-se aqui amplo flanco de ataque, que os entrevistadores não souberam ou não quiseram explorar: a hipocrisia e seletividade dos princípios de Boulos, homem que fala do déficit democrático no Brasil, reduzindo a crise humanitária venezuelana à má gestão da economia.

E essa está longe de ser a única derrapada do candidato.

O Brasil tem problemas sociais graves. Muita pobreza, muita injustiça, muitos privilégios para a elite do nosso Estado corporativo, muito descaso com problemas básicos como saúde, saneamento básico, educação. Muita corrupção que a esquerda decidiu que não é problema, pois seu combate atingiu seu maior líder e seu maior partido. Há uma carência de oportunidades para as pessoas se desenvolverem minimamente. Não falo só de emprego, mas de educação, de cultura, de possibilidades para uma vida plena. Há, também, desigualdades evidentes e impossíveis serem justificadas e relativizadas. Mesmo quem admite que a desigualdade é inerente a qualquer sociedade, há de se empenhar em minimizá-la, e aos seus efeitos mais perversos. E não há um único candidato capaz de articular essas demandas numa proposta coerente, factível e democrática. Vivemos entre a negação/negligência da direita e o voluntarismo/hipocrisia da esquerda.

Em vez de encarar o problema com profissionalismo, seriedade, planejamento, estudo, Boulos segue se portando como se estivesse num comício, não se prestando a liderar a parcela da população que deseja mudanças estruturais, e ocupar o mais alto cargo político da nação com o compromisso de empreender tais mudanças. E, para piorar, incorpora a nova doença infantil da esquerda, esse discurso falacioso das pautas identitárias, reducionista, que nem sequer arranha a verdadeira raiz dos problemas sociais, muito menos o que eles têm de mais perverso. Criar cotas é muito, muito diferente de universalizar direitos. É garantia de mais ódio e divisão social, é garantia de gerar novas formas de exclusão, discriminação e injustiça. É garantia de levar mais água para o moinho da extrema direita. Para dar um exemplo, eu senti um calafrio quando ele falou sobre cotas pra mulheres no parlamento. Trata-se de populismo barato que ignora o básico sobre a realidade das questões de gênero, para além dos slogans feministas. Com essa proposta, ele chama as mulheres de idiotas, traidoras ou preguiçosas por, num regime democrático, não se filiarem a partidos, não concorrerem em eleições livres nem votarem em si mesmas. É uma proposta que, como outras que ele defende, soa bonita e inclusiva, mas requer medidas autoritárias e antidemocráticas para ser implantada.

Não é só a carência de líderes diante de um sujeito minimamente articulado. Nem o encanto com frases de efeito sem conteúdo. Tudo isso é problemático. Mas o pior é a disposição da esquerda para fechar os olhos, ou a incapacidade de enxergar, as armadilhas de autoritarismo e arcaísmo no discurso de Boulos. Mesmo a Venezuela estando aqui do lado. Mesmo havendo inúmeras fontes apontando os buracos no discurso identitário. É triste ver a adesão cega a essa combinação de stalinismo mofado e identitarismo pós-moderno, sem atinar, ou sem se importar, para suas implicações graves.

Chegamos num paradoxo que eu não sei como equacionar: enquanto o Brasil for esse país injusto e desigual, terá oferta e demanda para esse discurso falacioso, populista e autoritário. Romper com esse discurso parece depender de melhorias básicas, tanto nas condições materiais que tornem o extremismo e o voluntarismo menos palatáveis, quanto na educação, que torne as pessoas mais conhecedoras da realidade e críticas de discursos fáceis. Mas essas melhorias básicas não virão enquanto a esquerda não puser o pé no chão, parar de alimentar utopias que se transformam em pesadelos distópicos, e aceitar a via menos glamourosa da democracia, que pode conciliar a luta por justiça com o respeito à vida e à liberdade.

A síntese parece ser essa: Boulos discursa para e como sua plateia, sem profundidade, sem reflexão, sem estudo, sem diálogo como quem não habita sua bolha, cercado de slogans. Ele se apresenta como candidato a presidente, mas segue sendo um ativista social sem maiores compromissos com a realidade e com uma visão ampla do país que quer comandar e os problemas que ele enfrenta. Cheira a oportunismo de quem quer faturar com o desejo de mudança. Mas pode ser estupidez, também.

Eu só fiquei mais desgostoso com Boulos depois da entrevista de ontem, fiquei ainda mais desolado com o vazio de ideias da esquerda, e chocado com as reações positivas. Se o projeto de transformá-lo na nova grande liderança da esquerda brasileira vingar, é a garantia de que ela prosseguirá no pior do século XX, em vez de apontar para algo melhor no século XXII. Lamentável.

Estou surpreso, embora não devesse. Era tudo previsível. E depois as pessoas me dizem que sou pessimista.


Me economizou um post rs. Eu só comentei:

sábado, 17 de setembro de 2016

Perguntas de um candidato a eleitor :-)

Recebi um email com perguntas de um rapaz chamado Leandro (que não conheço pessoalmente). Com certeza que mais gente faria as mesmas, então lá vai:

Olá Soninha, como vai?Estou buscando um candidato a #vereador para chamar de meu. Estou pesquisando pelo partido, formação e propostas, mas está difícil principalmente o último item.

Conheço suas ideias das vezes que se candidatou como Prefeita, e me identifico bastante, mas para ser justo e ter um comparativo com outros candidatos, queria saber mais a seu respeito:

- Quais são suas intenções como Vereadora?
- O que te motivou a se candidatar?
- Qual região de SP você atua ou pensa em atuar?

Acho que isso pode me dar uma ideia melhor para direcionar meu voto.

Minha resposta:

Oba, obrigada por perguntar!! :)

- Quero, em primeiro lugar, ter mais poder para fiscalizar o Executivo e a própria Câmara. Hoje eu fiscalizo sozinha (dados oficiais como contratos, licitações etc e os serviços "reais", como Saúde, transporte público e assistência social) e reclamo na ouvidoria, posto na internet, compareço às audiências públicas, mando para a imprensa, aciono vereadores e... Nada!! Não adianta!!!

E quero fazer propostas concretas de novos serviços e equipamentos públicos (dois exemplos: convênio com clínicas veterinárias para atendimento de animais da periferia, em vez de oferecer apenas dois hospitais veterinários para a cidade toda; áreas para moradores de rua usarem o banheiro, tomarem banho e lavarem suas roupas). Isso significa bater às portas dos órgãos do Executivo, unir forças com outros vereadores, destinar recursos orçamentários etc.

- O que me motivou está mais ou menos descrito aí em cima :) Estar lá dentro é MUITO frustrante, irritante, cansativo - mas estar aqui fora sem poder fazer quase nada é pior.

- Tenho minhas conexões mais fortes em algumas regiões, como a Zona Norte (Brasilandia, Peri, Cachoerinha, onde atuo voluntariamente em favelas e com moradores pobres); Centro (Moinho, Sé, Minhocão etc, com população de rua); Zona Leste (idem). Mas atuo mais "por tema" do que por região: mobilidade, moradores de rua, políticas para mulheres, juventude e LGBT (e estou cada vez mais mergulhada nos problemas dos idosos!!), cultura, esporte, animais, sustentabilidade, moradia...

Na minha "fan page" no Face (soninhafrancine) e no meu blog (http://gabinetesoninha.blogspot.com) dá pra ver mais coisas. E pode mandar mais perguntas, sugestões etc!

quarta-feira, 26 de março de 2014

É mentira. E quando é verdade, é pior.

Meu Deus do Céu, estarrecedora a reunião de declarações demagógicas e irresponsáveis do prefeito e do presidente da Câmara Municipal em resposta à manifestação do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) hoje na cidade.

O prefeito diz que vai revogar o Decreto de Utilidade Pública que previa que a área ocupada "por 8 mil famílias" (não faço ideia se esse número é verdadeiro) seria área de preservação/parque municipal.

Abrir mão de uma área de preservação na Zona Sul já é uma coisa temerária ao extremo e nem preciso dizer por que.

Mas aí ele passa bola para a Câmara: "Os vereadores precisam aprovar a mudança daquela área para ZEIS, Zona Especial de Interesse Social, para revogar o Decreto". Mentira. Revogar o Decreto não depende de mudança na lei. Produzir moradia lá pode depender desse zoneamento

(O Decreto do Kassab hoje criticado e prestes a ser revogado pela prefeitura fazia o que tanto cobrávamos: dava efetividade a um zoneamento aprovado no Plano Diretor/ Lei de Uso do Solo aprovado no governo do PT. Mas eles dão a entender "esse Kassab não tinha sensibilidade com os movimentos de moradia, quis fazer um parque ali". Só não usam mais O NOME do Kassab porque ele é um grande aliado da Dilma. Mas vira o genérico "gestão anterior").

Ou seja: ele faz uma promessa muito discutível, ao mesmo tempo em que tira o corpo fora. Assim sai bem na foto com o movimento e na verdade não faz nada.

***
Minha empregada não mora longe da ocupação, que é bem recente. Tanto é que as imagens mostram barracos de madeirite, precaríssimos, construídos há pouco tempo. Os mais pobres, assim que podem, vão construindo barraco de tijolo, batem a laje etc. Se viram - brasileiro é mestre em sevirologia, no que isso tem de bom ou de ruim.

Ela ficou puta com essa história. "ONDE estavam essas 8 mil famílias? Debaixo da ponte é que não estavam. De onde saíram para entrar ali e exigir casa? Eu também quero casa".

Pois é, a ocupação vira um gigantesco "fura-fila" na política habitacional. Não tem casa pronta pra todo mundo, seja com Cohab, CDHU ou Minha Casa, Minha Vida (esse menos ainda, porque depende de parcerias, portanto interesses, do mercado). Tem gente esperando na fila HÁ DEZ ANOS. Tá lá no cadastro. Idoso, com muita dificuldade para sobreviver, morando em área de risco. Conheci muitos. Mas... Não tem vereador amigo para furar a fila, não tem dinheiro para comprar a preferência, não tá em ocupação dos Movimentos.

F*da.

"Tem gente lá", continua minha empregada, "que realmente eu não sei como sobrevive. Tem uma mulher da minha rua que cria quatro filhos sozinha e ela REALMENTE precisa. Mas Sonia, tem gente lá que tem carro, tem o dono de uma pizzaria lá do bairro. Ele tem uma pizzaria e tá lá pedindo casa".

Puta da vida.

***
Aí falam com o José Américo, vereador do PT que preside a Câmara Municipal de São Paulo. Que disse ter prometido ao MTST que "vai votar o Plano Diretor o mais rápido possível"; que em maio já terá sido aprovado.

MEU DEUS.

"O mais rápido possível". Tem PRESSA para aprovar um projeto HIPER complexo.

Na gestão anterior, o PT fez de TUDO para bloquear a votação. Entrou na Justiça. Disse que "como já querem mudar o Plano Diretor se o outro nem foi posto em prática"? Como se Plano Diretor não fosse algo para 10, 20 e 30 anos. Não é coisa que você "faz" e pronto. Precisa ser revisto sim, portanto modificado. Em função das recentes conclusões sobre Mudanças Climáticas e seu efeito na cidade, por exemplo.

Diziam também (tenho transcrição dos discursos) que "o Projeto do Executivo não é só uma revisão, ele muda SUBSTANCIALMENTE o projeto original e não podemos concordar com isso".

Adivinha O QUE o atual projeto faz com o original. Muda MUITO. Eram contra, agora são super a favor e comemoram as grandes mudanças que vão ocorrer, "mudando paradigmas".

Gente, rrrepito, o Plano Diretor em vigor foi enviado e aprovado no governo Marta. O relator foi o Nabil Bonduki. Agora falam em coisas lindas que virão com o novo Plano, sem dizer que se as anteriores eram feias, foram eles que fizeram.

***
Ah, e produzir milhares de moradias lá muito longe na periferia é O CONTRÁRIO do que São Paulo precisa e o prefeito, teoricamente, defendeu na campanha...

***
E tem a história dos "predios altos". Segundo o SPTV, só serão permitidos prédios altos onde houver corredor de ônibus.

Prédio alto, naturalmente, é o que mais interessa às construtoras. Ou "à especulação imobiliária", como o PT sempre diz (e "especulação" é bem diferente da produção imobiliária. Mesmo que esta possa ser bem ruim do meu ponto de vista, especulação é outra coisa).

E, vejam que coincidência, a prefeitura está dizendo que muitas ruas serão agora reservadas para novos corredores. Então vai poder prédio alto em todas elas, duh. Ainda que o corredor fique para as calendas. E se prédio alto tiver garagem com várias vagas por unidade, deusolivre, vai ter um impacto terrível em uma rua onde passa ônibus.

Aí o SP informa que "prédio alto só vai poder ser construído onde já tem predio alto". Ou seja, onde o impacto já f. as ruas, o trânsito, a drenagem etc, vai poder piorar. E o Nabil apareceu defendendo, "em vez de ter prédios altos espalhados pela cidade, vamos concentrá-los". Ai ai ai.

***
Ainda sobre ZEIS: dizer "nesta área só pode construir moradia popular ou habitação social" é medida importante para os terrenos bem localizados não ficarem só pra quem tem muita grana (depois de um bom tempo parados, "especulando", esperando valorizar...). Mas "só pode construir" não é garantia nenhuma de que seja construído... Ou alguém do setor privado se interessa, ou o poder público produz. Senão continuará sendo um terreno ou uma gleba.

***
A matéria sobre esse assunto no site da prefeitura ainda diz: "A Secretaria de Habitação comprometeu-se a analisar, no prazo de 15 dias, a viabilidade de construção de unidades habitacionais em alguns terrenos identificados pelo MTST em diversas regiões da cidade. "Eles conseguem identificar terrenos com maior agilidade, já que conhecem bem a região. onde podem ser construídas moradias. Temos um departamento de planejamento na secretaria que, juntamente com os movimentos, vai trabalhar na elaboração de projetos habitacionais para a comunidade", disse Floriano.

Meu Deus, meu Deus. A prefeitura precisa do MTST para "indicar terrenos", já que eles "conhecem melhor a região". E em quinze dias arrumarão agilidade sabe lá de onde para dar a resposta sobre a viabilidade. Quero ver.

Se dependesse do conhecimento que o Haddad tem da cidade, não sairia mesmo moradia em terreno nenhum. Mas a prefeitura tem de saber onde há areas e não depender do MTST para mostrar onde tem.

***
Acrescentado na quinta-feira as 7h50:

Por coincidência, hoje tem nova manifestação por moradia a caminho do Palácio dos Bandeirantes. Como o governador de São Paulo não vai subir em um carro de som para contar várias mentiras e satisfazer o Movimento com promessas irresponsáveis, fica 1x0 para o prefeito. Ele é o do diálogo; o governo do estado, o da insensibilidade com os movimentos sociais.

O marketing do PT vai comemorar mais uma vitória. Do marketing.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Matemágica

No site do Fome Zero, um exemplo Malba Tahan de como o governo brinca com os números:

PAC injeta R$ 7,35 bilhões em moradia e saneamento em SP

[SETE BILHÕES. Acompanhe como chegamos a esse número]

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou nesta terça-feira (26/06), no Palácio dos Bandeirantes, repasse de R$ 4,92 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a execução de obras de saneamento e urbanização de favelas em 58 municípios paulistas. São R$ 2,08 bilhões do Orçamento Geral da União (OGU) e R$ 2,83 bilhões em financiamento. Com as contrapartidas do Estado, de R$ 1,82 bilhão e, dos municípios, de R$ 605 milhões, o investimento chega a R$ 7,3 bilhões.

PORTANTO:
R$ 2,08 bilhões vieram do Orçamento da União.
R$ 2,83 bilhões são FINANCIAMENTO. Portanto, o estado vai ter de pagar por ele. É empréstimo, não transferência.
R$ 1,82 bilhões são do Orçamento do Estado.
R$ 650 milhões, dos municípios.

Dos SETE BILHÕES "injetados", o governo federal entrou com DOIS!!!

(SEM CONTAR que o dinheiro da União sai todinho daqui... Dos estados e municípios... SANGRADOS pelo ridículo sistema tributário centralizador que temos. Mandamos trilhões para lá, eles mandam 2 bi e ainda se fazem de generosos)

Para quem se interessar, segue o complemento da notícia:

Os termos de cooperação serão assinados pelo governador do Estado, José Serra, e prefeitos dos municípios que integram as Regiões Metropolitanas (RMs) de São Paulo (27), Campinas (14) e da Baixada Santista (8), além de nove cidades com população superior a 150 mil habitantes. De acordo com o ministro das Cidades, Marcio Fortes de Almeida, que participa do evento, os recursos serão aplicados em obras de grande porte, como a urbanização de favelas, a remoção de moradias em áreas de risco e a erradicação de palafitas na Baixada Santista.


Na área de saneamento, os recursos destinam-se principalmente a  recuperação de mananciais no entorno das represas Billings e Guarapiranga e à  despoluição da Baía de Santos e da bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí−. Também serão realizadas obras de ampliação e implantação de redes de abastecimento de água e esgotamento sanitário nas três Regiões Metropolitanas. 

Super Transparente [NÃO]

Tenho certeza que antes de lançar o PAC 2 e o Minha Casa, Minha Vida - 2, Lula já dizia que tinha feito "um milhão de moradias" no "maior programa de habitação popular da história do país". Agora o governo federal faz anúncio na TV comemorando a entrega de... um milhão de moradias. Agora. (CLARO que antes era MENTIRA. Adiantava falar? Bem que eu tentei).

E esse um milhão, todos os minimamente interessados sabem, incluem muita coisa que nem de longe é moradia popular. A faixa de 1 a 3 salários mínimos, aliás, é ridiculamente atendida pelo programa. 

Pra variar, tentar conseguir informações nos sites oficiais é trabalho para caçador de tesouros. 

O PAC tem uma página oficial - bem organizada, até. 

De cara a gente encontra informações incríveis, por exemplo:

Autorizada reforma do terminal de passageiros de Salvador
A reforma contemplará, entre outros itens, a modernização do sistema de esteiras de bagagens e das pontes de embarque, e uma nova cobertura do hall entre o terminal de passageiros e o edifício garagem.
"AUTORIZADA a reforma". Puxa, isso é que é Plano de Aceleração. Afinal, foi indagorinha que foi feito o diagnóstico de que os aeroportos precisavam de muitas obras, especialmente nas cidades-sede da Copa, né?
Mas fui atrás das informações sobre o Minha Casa, Minha Vida em sua página específica
Ei-la:

Existem "27 empreendimentos" é uma informação bizarra em - como assim, um empreendimento por Unidade da Federação?? Fui lá saber de São Paulo. Cliquei.

Isso é tudo que eles informam:


Desse "investimento previsto", quanto é do governo federal e quanto do estado e municípios? Quantos, quais e onde são os empreendimentos?

Se vire para descobrir sozinho. #brincadeira


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Básico


(Essa foi para o Portal da Band, em resposta a um internauta)

Pergunta: Prezados candidatos, gostaria de saber quais são os projetos referentes ao tema de saneamento básico para a cidade?

O Saneamento é mais crítico nas regiões da cidade que tiveram ocupação desordenada. São centenas de domicílios não ligados às redes de coleta e tratamento de esgoto. 

Em alguns lugares, é necessário fazer projetos completos de urbanização, com verticalização (como nos projetos da Favela do Gato (gestão Marta) e Heliópolis e Paraisópolis (gestões Serra e Kassab), organização do viário (calçadas, ruas, guias), desimpermeabilização e  arborização, implantação de sistemas de coleta e reaproveitamento de água de chuva, aperfeiçoamento do sistema de coleta e destinação de resíduos sólidos (recicláveis, entulho, “bagulho”, material orgânico etc) e recuperação do leito e margem dos córregos. 

Nas áreas completamente reurbanizadas ou naquelas em que não for necessário intervenções tão grandes, vamos estudar qual a melhor solução - que não é necessariamente o modo usual, de conexão a rede e transporte até estações de tratamento a longa distância. Existem muitas tecnologias - antigas e modernas - que permitem o tratamento de esgoto no local, inclusive com a possibilidade de geração de energia.

domingo, 26 de agosto de 2012

Carros dormindo x gente morando

Onde hoje "dormem" cinco ou seis carros...

Morariam várias famílias! :o)















O programa do horário eleitoral que falava sobre assunto (morar no centro, mais perto do trabalho, fazendo uso mais inteligente e justo de áreas mal aproveitadas X morar nas extremidades da cidade) foi assim: http://youtu.be/ozON7ZgpZQ8

(Arte: Soninha Francine & Paint)

terça-feira, 31 de julho de 2012

"Com'assim prédio popular nos Jardins?"

Pergunta que eu respondo!
Questiona que eu explico :o)



Amanhã (quarta), às 19h30, vou responder pela internet ao vivo - pode mandar sua pergunta desde já para soninharesponde@soninha.com.br.

Não seja mal-educado senão a sua mãe lava sua boca com sabão.

O endereço da transmissão eu vou passar amanhã mesmo pelo tuíter: www.twitter.com/soninhafrancine

bjs :)


sábado, 7 de julho de 2012

Algumas razões

A pedido do www.twitter.com/alessandrobuzo ... 10 razões para votar em mim :o)

1) VONTADE MONSTRO: já fui militante e defendi causas e bandeiras de muitas formas, na minha atividade profissional (apresentadora, comentarista, etc) e como voluntária. De uns anos para cá, concluí que quero estar na POLÍTICA, na ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, onde é possível ter resultados de alcance muito maior.

2) VONTADE MONSTRO (cont): na vida política, o que mais quero é estar no PODER EXECUTIVO. E meu maior sonho/projeto/objetivo é ser CHEFE DO EXECUTIVO MUNICIPAL. Isto é, prefeita :o). Podia ter disputado a eleição em 2010 para deputada, por exemplo, e provavelmente teria sido eleita. Mas eu não queria ser deputada, quero ser PREFEITA.

3) Reúno EXPERIÊNCIAS que nenhum dos outros candidatos tem: fui repórter e me enfiei em tudo quanto é canto; como voluntária, trabalhei na Brasilândia, em Heliópolis, em um Hospital Infantil; fui vereadora; fui Subprefeita; fui Superintendente de uma autarquia do governo estadual; sou USUÁRIA do serviço público como nenhum deles é ou foi - ônibus, metrô, rua, calçada, UBS, 156, SAC, Zona Azul, teatros distritais, centros culturais, parques etc.

4) ESTUDO pra caramba (palestras, seminários, conferências, livros, manuais, indicadores, legislação, experiências daqui e de tudo quanto é canto).

5) Conheço e me interesso por MUITOS temas, muito variados: mobilidade, habitação, cultura, esporte, juventude, educação, meio ambiente, democracia digital, saúde, planejamento urbano, acessibilidade, indígenas, direitos LGBT, gestão pública etc.

5) ESCUTO as pessoas com muito interesse e paciência - funcionários, munícipes, qualquer um que queira falar. É só marcar horário - ou me pegar por aí na rua, como muitas vezes me pegam :o)

6) CRIO ESPAÇOS para que as pessoas tenham como falar sem depender da minha boa-vontade: na Câmara, fiz PLs (que depois viraram lei) criando os Conselhos Regionais de Meio Ambiente nas Subprefeituras e o Conselho Municipal da Juventude.

7) É MUITO FÁCIL saber o que eu penso dos problemas da cidade - ou sobre qualquer questão, aliás. "Pergunta que eu respondo" - não fujo de temas "chatos", não escondo opiniões porque elas podem me criar problema. Falo com todo mundo que quiser me entrevistar, seja grande mídia, TV comunitária, blog, trabalho de escola. Vou a escolas de ensino fundamental ou a qualquer outro lugar em que queiram me ouvir. As pessoas podem discordar do que eu penso, mas não reclamar que não sabem o que penso!

8) É MUITO FÁCIL acompanhar o que eu faço por aí, por onde ando, quem encontro, o que vejo na TV... Tem blog, tuíter, site etc. Quem quiser ver o que foi o meu mandato de vereadora, por exemplo, pode entrar no gabinetesoninha.zip.net. Tá tudo lá: fracassos e sucessos, certezas e dilemas.

9) Também é muito fácil saber QUEM está comigo - assessores, conselheiros, consultores... Minhas equipes estão sempre publicadas na internet... Aliás, outro PL que eu fiz foi o que obrigava a prefeitura a publicar na web os nomes e a função de todos os funcionários da administração municipal.

10) Quando eu falo o que pretendo fazer, não transformo tudo em um slogan simples: "Mais educação! Mais saúde!". Falo das coisas com mais profundidade, expondo a complexidade delas, e explico como realmente pretendo lidar com elas, a curto e médio prazo.

11) (Tudo bem colocar mais uma, né?) O PPS é um partido que escolhe o caminho mais difícil, onde mais leva porrada, para não abrir mão daquilo em que acredita. Passou de PCB a PPS porque o modelo de regime comunista vigente era de um autoritarismo que o partido não endossava; apoiou Lula no segundo turno em 2002 e deixou a base do governo tão logo percebeu que ele contradizia o que o PT havia defendido a vida toda (política econômica, política de alianças, loteamento da máquina pública etc); dispensou seus dois vereadores eleitos em 2004 em São Paulo porque desaprovava sua atuação na Câmara, e em 2008 partiu "do zero" para eleger vereadores. Não me censura opiniões que podem ser "polêmicas", não me obriga a defender coisas com as quais não concordo. Não faz qualquer coisa para ter mais tempo de TV, mais recursos etc. É intolerante com desvios cometidos por seus membros e aliados. É um partido sempre disposto a se rever, reformular, corrigir os rumos. Na reforma política, defende até a possibilidade de haver candidatos que não sejam filiados a partido algum, isto é, não coloca a sobrevivência do partido em primeiro lugar.

***
Bom, até aqui foram listadas características que eu tenho como qualidades a meu favor.

Agora, um resumo do nosso Programa de Governo para a cidade de São Paulo. Resumo mesmo, porque o texto integral é enorme :o)

Eixo Central:
Reorganização do Território
para diminuir as imensas desigualdades entre as diversas regiões de São Paulo. Só assim poderemos dar conta de verdade de todas as demandas (Educação, Saúde, Transporte Público, Lazer, Segurança etc). Em linhas gerais, o fundamental é aproximar casa e trabalho de modo a diminuir as longas viagens, a longa ausência dos pais, a falta de convivência com os vizinhos, de sono e repouso etc.

Linhas de Ação:

1 - Garantir a oferta de moradia no centro em condições acessíveis para quem tem renda mais baixa (até 3 salários mínimos)

Mecanismos: onerar o uso especulativo de propriedades na região central, aplicando a lei que prevê o IPTU progressivo sobre imóveis sub ou mal utilizados; conceder incentivos e subsídios para investimentos privados em imóveis com esse perfil; empreender, isto é, produzir moradia popular na região central (reformar, edificar).

2 - Promover o desenvolvimento nas periferias, com a criação de postos e oportunidades de trabalho

Mecanismos: ampliar os incentivos para investimento privado em atividades que geram emprego na periferia; criar incubadoras para pequenos negócios; criar postos para trabalho à distância; reservar e oferecer áreas para comércio junto às Cohabs e outros conjuntos habitacionais populares - os já existentes e os próximos a serem feitos.

Outras ações:

Urbanizar as periferias - em muitos casos, é importante promover a verticalização (direito, não no padrão "Cohab Cidade Tiradentes") para ganhar espaço para ruas, calçadas, áreas verdes, equipamentos de educação, saúde, cultura, esporte e lazer, além dos espaços para comércio.

Emergência na Educação - na impossibilidade de oferecer AGORA o número necessário de vagas em creches públicas (diretas ou conveniadas), pagar "bolsas" em escolas particulares e contratar mães crecheiras, ou seja: tirar esse peso ($) das mães E supervisionar o atendimento, tanto nas escolinhas quanto das cuidadoras.

Emergência na Saúde - realizar mutirões de consultas, exames e pequenas cirurgias. É inadmissível que tanta gente espere meses por uma consulta com o Clínico Geral, depois outros tantos pelo especialista, outros tantos para fazer e levar o resultado do exame...

Urgente na área de mobilidade
a) Melhorar muito a disponibilidade de informações sobre o sistema, com uso de aplicativos para celular, totens, mapas nos pontos, pessoas treinadas para "posso ajudar"?
b) Troncalizar os corredores de ônibus; com reorganização das linhas, melhorias nos pontos de parada (incluindo cobrança de tarifa na plataforma, para agilizar o embarque) e algumas obras para "concluir" os corredores, é possível fazer, em curto prazo, que funcionem tão bem quanto uma linha de metrô.
c) Fazer muitas passarelas sobre marginais e vias expressas para travessia de pedestres e ciclistas.

Emergencia na Assistencia e Desenvolvimento Social – abordagem constante, cuidadosa, respeitosa das pessoas em situaçao de rua: debaixo do Minhocao, Pateo do Colegio, etc. É preciso oferecer urgente alternativas mais variadas para essa população - que nao aceitaria, compreensivelmente, dormir em um albergue com regras rígidas e a necessidade de abandonar, por exemplo, sua carroça e seu cachorro. Precisamos de novos equipamentos de entrada e mais opções de saída do sistema

Emergencia para enchentes - desimpermeabilizar o solo; criar áreas verdes especialmente onde há bolsões de calor (inclusive telhados e paredes verdes); manter córregos, galerias e piscinões limpos; criar sistema de informações bem integrado entre Defesa Civil, CET, Subprefeituras, GCM etc.

Subprefeituras - Criar postos avançados das Subprefeituras em cada um dos 96 distritos, aumentar sua autonomia e recursos, criar mais canais de participação da população.

Segurança - mais iluminação, menos muros. Mais comércio de rua, mais áreas de lazer, mais gente morando no centro, mais empregos na periferia (aumenta o movimento diurno e noturno e favorece a convivência)

E-gov - em todos os níveis, melhorar a informatização, acesso, transparência e clareza das informações relacionadas a administração pública e a cidade de modo geral. Sistema de transportes (de rotas indicadas para bicicletas ao trajeto e horário dos ônibus), sistema de saúde (com marcação de consultas pela internet), zoneamento, procedimentos para obtenção de alvarás e licenças etc. Fomentar, por meio de editais, o desenvolvimento de aplicativos que facilitem a vida do cidadão.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Faltou vocação


Eu ia gravar agora um vídeo pra responder a uma das Perguntas Mais Frequentes: "Como você avalia a gestão de Gilberto Kassab"?

As pessoas esperam que eu dê UMA nota. Uma. Pra gestão toda. As notas são muito diferentes conforme a área!

Tenho dito que dou 7 para Educação, Cultura e Meio Ambiente. Para Mobilidade Urbana... 4. Habitação/reurbanização, deixa eu ver... Apesar de haver atuações pontuais muito boas, como em Heliópolis, Paraisópolis, Jaguaré e na beira das represas, além de outras quebradas (que, reconheço, trouxeram benefícios para milhares de famílias), ainda falta muito muito muito. 4,5. Habitação e Mobilidade são as áreas CRUCIAIS para o desenvolvimento de uma cidade - até porque tem efeito quase "automático" sobre Educação, Saúde, Segurança...

Tanto a Saúde quanto a Assistência Social tiveram um aumento de equipamentos/unidades, mas a qualidade do atendimento ainda deixa muito a desejar :o(

E tem o ponto que me irritou profunda e diretamente, a forma como ele conduziu as Subprefeituras. Quase sem atribuições, poder, autonomia e sem os recursos minimamente necessários para executar as poucas funções que lhe restaram.

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Ainda vou gravar esse vídeo, mas achei esse aqui e posso compartilhá-lo desde já :)


Valor de Lixo Econômico

Deu no Sem Valor (comentários no texto):

Soninha, aliada do campo tucano, (...)

Compreensível, não está errado, sou do "campo tucano" uma vez que somos da oposição ao governo federal e apoiamos a candidatura de Serra à presidência em 2010. Mas não sou "aliada" do "campo tucano" como posição fixa, definitiva, incondicional. Tenho horror de "apoio incondicional"; de "aliados" à toda prova. Na Câmara Federal, somos muito mais resolutos na oposição do que os tucanos - que tem um Senador, por exemplo, que manda prender e soltar em Minas Gerais e pouco se dispõe a criticar o governo, a não ser que seja de modo muito confortável.

(...) evitou se associar ao "tchu, tcha, tcha" do ex-governador, (...)

"Evitou se associar". Pouco enviesado esse texto, não? Toda convenção tem sua "musiquinha", cada partido tem seu jingle. A nossa, no sábado, teve vários sons, várias trilhas. De Pink Floyd a Tim Maia a Rita Lee. Foi no sábado. No domingo o PSDB fez a sua e escolheu a paródia do sucesso do momento. E eu "evitei me associar". São uns idiotas.  EU SOU CANDIDATA. EU QUERO SER PREFEITA. Não "evito me associar" a bosta nenhuma, respondo com sinceridade a tudo que me perguntam (provavelmente sou eu a idiota por isso), mas a mídia ridícula não consegue falar de mim sem me "associar" a alguma coisa. "Aquela"... 

Por que não dizem "Netinho de Paula, do PC do B, "aliado do campo petista", viu-se obrigado a abrir mão de sua candidatura a pedido de Lula". "Há quem diga que o PC do B é "linha auxiliar" do PT, porque pela segunda vez consecutiva abre mão de disputar a prefeitura em troca do lugar de vice na chapa do partido de situação no governo federal, onde ocupa um ministério".

Por que não dizem "Chalita, ex-tucano, ex-socialista, atual peemedebista, ex-Secretário da Educação no governo do estado"?

E, se ao menos lembrassem que o Russomanno existe, "ex-integrante do PP, partido de Paulo Maluf; apresentador de TV, ex-deputado federal, hoje milita no PRB, do Bispo Crivella, Senador nomeado para o Ministério da Pesca e sobrinho de Edir Macedo, da Igreja Universal e da Rede Record.

(...) pelo menos na primeira rodada da eleição. 

"Pelo menos". Deixa eu fazer um desenhinho, talvez eles entendam. Eu SOU CANDIDATA A PREFEITURA. Vários outros também são. Cada um de nós tem uma trajetória, fez campanha para um candidato a presidente, teve uma passagem pelo Legislativo etc. No segundo turno, qualquer um de nós que não esteja lá vai optar por um dos dois candidatos na disputa - exceto o PSOL, que certamente vai pregar o voto nulo porque é tudo igual então tanto faz etc. EU QUERO ESTAR NO SEGUNDO TURNO. Seja contra o Serra, o Russomano, o Chalita ou o Haddad. Se os tucanos tivessem insistido naqueles seus pré-candidatos, eu possivelmente já estaria lá, em segundo, atrás do Russomano - que vem se mantendo no alto desde as primeiras pesquisas. Quem sabe em primeiro. Eu e os tucanos, que somos "do mesmo campo", DISPUTAMOS votos uns com os outros. Os votos de quem desaprova várias coisas nos demais candidatos. Mas esses bitolados só conseguem pensar em Serra, Haddad e, no máximo, Chalita. Obsessão. Freud talvez explique.

(...) Lançou sua candidatura na Câmara dos Vereadores, onde dançou ciranda ao som de tambores à la Olodum baiano, e falou de suas ideias para a cidade.

Quer pegar terrenos usados como estacionamento durante o dia, e ociosos à noite, e construir apartamentos que levem a população a deixar a periferia para morar na região central.
Está na contramão das propostas de concorrentes como o deputado federal Paulinho da Força (PDT) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT), calcadas na redução de imposto para empresas que se instalarem nas franjas da cidade. A ex-VJ da MTV não disse em que está baseada. (...)


1- Deixa eu ajudar o Valor Econômico a atualizar seus arquivos. Eu sou ex-estudante de Magistério, ex-atriz de teatro amador, ex-recepcionista de eventos, ex-professora da Cultura Inglesa, ex-redatora/produtora/diretora de programas, ex-VJ da MTV, ex-apresentadora da TV Cultura, ex-comentarista de futebol na ESPN/CBN/Rádio Globo/Folha de São Paulo, ex-AmericaOnLine, ex-Saia Justa. E, para ficar mais dentro do escopo (vida pública/carreira política), que tal ex-vereadora, ex-PT, ex-Subprefeita da Lapa, ex-editora do site de campanha do Serra em 2010 (não escondo, não "evito"!), ex-superintendente da Sutaco, "candidata a prefeita pelo PPS já em 2008, quando começou com 1% e terminou com mais de 4%, ficando atrás apenas dos "peso-pesados", muito mais conhecidos, Paulo Maluf, Geraldo Alckmin, Marta Suplicy e Kassab". FiK DiK.

2 - "Contramão das propostas" #myass. Uma coisa complementa a outra, como bem sabem o FHaddad, que estudou direitinho, e o Paulinho da Força, que também andou pensando no assunto. Tem de aproveitar espaços ociosos ou sub-utilizados no centro, onde já há infraestrutura melhor e maior quantidade de postos de trabalho, E incentivar a atividade econômica nas "franjas" da cidade. Para refrescar a memória (esse foi o segundo programa do horário eleitoral em 2008):




2 - A "ex-VJ da MTV" nem precisaria dizer em que "está baseada", porque usar os recursos da prefeitura para Habitação para adquirir terrenos na região central e erguer moradia ali (e não na casa do cac..., onde o terreno é mais barato", não precisa se "basear" em mais nada exceto a decisão política. Mas há vários mecanismos sim, que não fui eu que inventei - alguns já são lei, olha que beleza. Estão no Plano Diretor, por exemplo, as ZEIS, Zonas Especiais de Interesse Social, que já estabelecem que em determinados lugares só podem ser construídas moradias populares. Tem também a lei que disciplina a aplicação do mecanismo do IPTU progressivo para onerar os imóveis mal utilizados/sub-utilizados. Tem a possibilidade de conceder incentivos ao mercado, com crédito e isenções condicionados à produção de imóveis que atendam às necessidades maiores da cidade (e não apenas imóveis de alto padrão, que são ótimos para "investimento" (a Cyrela faz propaganda disso) ou residência de quem tem muita grana).

3 - A ex-VJ poderia explicar direitinho para o Valor o que pretende, se eles tivessem feito com ela o que fizeram com o Netinho de Paula e outros "prés" - deram-lhes uma página de entrevista. Claro, ele era um dos primeiros em intenção de voto. Eu também - antes do Serra, eu já era terceira. Mas, por alguma razão misteriosa ou nem tanto, o Valor resolveu me ignorar. Marcou um dia, desmarcou, não marcou de novo. (Talvez eles digam "vcs desmarcaram também". Verdade, precisamos cancelar um horário mas prontamente indicamos outro, e eles concordaram. Depois desmarcaram e sumiram).

Eu não devia nunca blogar com raiva, mas... hoje vou. Não quero guardar a raiva aqui dentro. Desonestos, displicentes, enviesados, irresponsáveis.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Andar, conviver e dormir

Soninha Francine (Folha de S.Paulo, 10 de janeiro de 2012)

Andar, conviver e dormir

Quando a população torra seis horas por dia se deslocando, fazer obras na periferia não basta; é necessário trazer as pessoas para perto do trabalho

Para chegar ao serviço às 8h, ela sai de casa às 4h -e não estará de volta antes das 20h ou das 21h.

Uma população de milhões de pessoas torra seis horas ou mais por dia em deslocamentos. É quase um dia de trabalho.

Assim, estudar, fazer atividade física, comer com calma, conversar com os filhos, ajudá-los na lição de casa, frequentar equipamentos culturais, criar laços de amizade com a vizinhança e todas as outras recomendações para uma vida saudável e equilibrada caem no ridículo.

Segundo pesquisa do Instituto AGP, dois terços dos paulistanos sequer dormem o mínimo necessário para se recompor de tão dura jornada e ter energia para a próxima. Como esperar deles disposição para a convivência pacífica e solidária? Pense no seu mau humor depois de uma noite mal dormida. Multiplique por "todas".

Idas e vindas são tão penosas por duas razões. Uma é suficientemente amaldiçoada: o congestionamento. A outra ainda não é tão considerada: as imensas distâncias entre as casas e o trabalho, causadas principalmente pelo desequilíbrio na ocupação do espaço urbano.

Onde há muita atividade econômica -ou seja, postos de trabalho na indústria, no comércio e no setor de serviços-, mora pouca gente. Onde a população incha (como na periferia da capital e nos municípios vizinhos), os empregos são escassos. A escandalosa desigualdade na oferta de serviços públicos e de infraestrutura urbana dispensa maiores comentários.

A solução proposta costuma ser tratar o sintoma: mais creches na periferia, por exemplo. Mas jamais teremos estrutura suficiente para crianças de quem a mãe se despede antes das 4h. É esse o mundo que queremos, com crianças sob cuidados profissionais por 13 horas?

Essa multidão que dorme na cidade B e tem de vir todo dia para a cidade A sabe que um sinônimo para insustentável é insuportável.

São Paulo pode ter uma boa nota naqueles testes antigos de QI, mas hoje se admite que não adianta ter bom desempenho intelectual e ser fraco em equilíbrio emocional e em capacidade de manter relacionamentos sãos.

Se até tecidos podem ser "inteligentes", uma cidade tem de ser. Ela deve aproveitar melhor o que já tem, não desperdiçar energia (começando pela das pessoas), dispor da tecnologia para cruzar informações e incentivar a criação de empregos conforme a necessidade, vocação e os recursos de cada lugar.

Tem também de olhar para um imóvel com o discernimento de um empreendedor e o interesse pelo conjunto da sociedade, assegurando o melhor uso possível.

Isso significa erguer um prédio para pessoas de menor poder aquisitivo no lugar de um estacionamento no centro, em vez de fazê-lo na casa do chapéu e deixar a região central só para o mercado de apartamentos de alto padrão.

Com mais gente morando perto do trabalho, há mais tempo para lazer, estudo, esporte, cultura, convivência, repouso. Com menos deslocamentos, há menos consumo de combustível, barulho e poluição. E mais espaço, mais gente a pé se conhecendo e se encontrando, mais saúde física e mental, maior possibilidade de bem estar.

Porque cidade inteligente é cidade feliz. Se as pessoas estão exaustas e não são felizes, de que adianta o resto?

SONINHA FRANCINE, 44, tem formação em magistério e em comunicação social. Foi vereadora em São Paulo (2005-2008) e subprefeita da Lapa. Atualmente dirige a Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Recuerdos de 2008 - 2

Segundo programa da campanha eleitoral de 2008.

O primeiro explicava os princípios gerais da nossa candidatura (compromisso de conduta durante a campanha + princípios básicos do programa de governo).

Neste, aquilo que eu considero fundamental para São Paulo ter jeito: ou bem a gente ataca a desigualdade, que aqui (como, em geral, no país todo), tem um componente territorial forte (região central rica X periferia pobre, em todos os sentidos), ou a gente não vai conseguir resolver nenhum dos outros problemas. (Se uma mãe precisa sair de casa às 4 da manhã e só vai voltar às 8 da noite porque passa seis horas chacoalhando na condução, o que vamos fazer com as creches? Abrir às 4 e fechar às 8? Esse é só um exemplo básico da inviabilidade)

 

 (O programa já tinha seus defeitos técnicos; a versão no YouTube tem mais ainda. Mas vale pelo conteúdo :oP)