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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Imagina na Copinha

Semifinal da Copinha em Barueri: do meu lado da arquibancada, muito mais gente que assento. Do lado de lá, 1/5 de ocupação. Quando vão aprender que jogo com entrada franca tem de ter distribuição de ingresso para um mínimo de controle do número de pessoas no estádio, seus lugares etc?

***
Meus “objetos pontiagudos” foram confiscados na entrada da Arena: canetas para escrever em CD, canetas esferográficas, canetas marcadoras (aquelas amarelas que nem ponta rígida tem). Para poder entrar, o único jeito era me desfazer delas. Larguei ao lado do portão, na esperança de recuperá-las na saída. Arrã. Nem canetas, nem os guarda-chuvas, piranhas (presilhas de cabelo) e isqueiros que outras pessoas tiveram de abandonar também. Chegamos a revirar os tambores de lixo que estavam ali perto mas não tinha nada, alguém levou mesmo.

Taí um bom negócio: esperar os incautos se desfazerem de objetos "perigosos" na porta do estádio e roubar tudo depois.

domingo, 13 de julho de 2014

Por que torço pela Alemanha

Porque em 2006 eu estava lá.

Alemanha não estava nem entre os cinco primeiros lugares que eu queria conhecer na Europa. Sei lá, não me atraía. Castelos? Vejo na Inglaterra. Cidadezinhas, zona rural? Italia, França. Tradição, paisagens, cidades modernas, pra tudo isso eu tinha outras opções. Só fui por causa da Copa.

E AMEI. Mané frieza, mané antipatia. Felicíssimos com a possibilidade de receber gente do mundo inteiro e justamente mostrar sua face calorosa, amiga, acolhedora. E era sincero. A alegria e o orgulho de serem anfitriões era também o orgulho recuperado de ser quem eram. Lá não precisa de Comissão da Verdade: eles expõe os erros, as barbaridades, as chagas o tempo todo. Pedaços do muro, Museu do Holocausto. E queriam muito mostrar que também tinham horror de seu passado e respirava novos ares.

A Copa foi DUCACETE. Em todos os sentidos - conforto, organização, beleza, diversão, alegria, festa. E a seleção da Alemanha era DEMAIS.

Jogo de estreia costuma ser bem chochinho, mas o deles não foi. Jogou bonito, firme, destemido. A tal seleção da renovação, com uma porção de caras desconhecidas e jovenzinhos inexperientes. Com um jogo leve, gostoso de ver, bonito. De passes curtos e rápidos, jogadas envolventes.

Comecei dali a rever os esterótipos também sobre o futebol alemão. E a lembrar dos Beckenbauers... Jogava o fino. Presidia o Comitê Organizador da Copa com a mesma finesse. Inteligente, sensato, honesto em todos os sentidos (pelamordedeus, "não roubar" é o mínimo, ele ia muito além disso. Falava abertamente sobre as perdas e ganhos, o ônus para o país-sede e o bônus para a Fifa).

De lá para cá, além de amar a Alemanha e especialmente Berlim, um dos lugares de que mais gosto no mundo, passei a torcer mais e mais pela sua seleção. Em 2010, a evolução do estilo, sob o comando do auxiliar de Jurgen Klinsmann em 2006, Joachim Loew. E o trabalho na base também foi feito com muita seriedade, muita visão de futuro.

Então não torço pra Alemanha porque não quero ter de aguentar a gozação dos argentinos, mas porque acredito que eles merecem. Tivesse mostrado aquele futebol que a gente às vezes inveja, não teria problemas em torcer para a Argentina contra algum outro adversário. Mas pra completar, os argentinos não fizeram nada nessa Copa, vai. Cada joguinho feio... Como os nossos! Foram mais competentes em segurar a Belgica, ainda mais a Holanda. Fecharam tudo e pronto. Ok, foram modestos e inteligentes, mas não é desse futebol que eu gosto, que eu invejo, que eu quero ver campeão. Qual o jogo memorável da Argenina nessa Copa? Qual a apresentação espetacular do Messi ou dos demais?

Em 94 eu também não vibrei com nosso furebol. Nem em 2002. Já a vitória da Espanha, uau, comemorei. E pelo futebol que eu gosto de ver, vou ficar feliz se a "minha" Alemanha for campeã.

Se não for, ao menos sei que lá dificilmente vai servir para condenar todo o trabalho. Tem ranhetas, tem cornetas, mas tem gente que pensa com paixão e com inteligência no comando do futebol.

Aqui tem o Marin.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Punição para ~os culpados~. Para os inocentes, prêmio!

SONINHA FRANCINE
ESPECIAL PARA A FOLHA

Sou contra a punição ao Corinth... Não, melhor começar de outro jeito. Sou a favor de outra punição para o Corinthians, em vez da obrigação de jogar toda a Libertadores com portões fechados.

Jogo sem torcida é punição para quem não tem culpa nenhuma. Eu poderia citar os patrocinadores do clube e do campeonato e até os detentores de diretos de TV --eles têm o direito de esperar retorno por seu investimento, e o espetáculo é prejudicado.
Mas o espetáculo e a grana não são o que me aflige. É a torcida. Milhões de pessoas que iriam ao estádio ou assistiriam em casa a um jogo com muita gente, barulho, bandeiras. Todos sofrendo uma perda por causa de um, dois ou 12 corintianos sem noção.
Não coaduna com o princípio de justiça punir todo mundo pelo erro de uma dúzia. É algo recorrente com policiais e moradores da favela, professores e alunos, políticos e viajantes, encarcerados e carcereiros. E está errado.

A morte do garoto não pode ficar impune. E a Conmebol não pode estabelecer ou ampliar um limiar de omissão, tolerância ou leniência. A pena cumpre também o papel de alerta: Que não se repita ("senão..."). E, em tese, já que o time é o que o torcedor mais ama, prejudicá-lo é a última coisa que ele quer, portanto vai pensar antes de atirar chinelo em campo ou bomba na arquibancada.

Simplesmente não creio nessa tese. Alguns torcedores amam a si mesmos, seus grupo, "sucesso" e popularidade mais do que qualquer outra coisa. A reputação de maus, assustadores, invencíveis. Gente que, no estádio, fica chamando o "inimigo" pro pau. Podem ficar chateados pelo clube, mas contanto que não aconteça nada a eles... Segue a vida loca.
Minha proposta de pena é um castigo, claro, e também um projeto-piloto. Que nos jogos do Corinthians o estádio todo seja "setor família". Que cada homem só entre com mulheres e crianças. Os valentões serão desencorajados. Não estão no bando que dissolve a responsabilidade individual, não esperarão ansiosos pela escaramuça com rivais. Muitos nem irão. Ou se sensibilizarão com o moleque do lado, cujo pai veste a camisa do rival. E, importante: quem desistiu do estádio com medo poderá voltar.

Mas não pode o Corinthians ser o único punido. Alguma coisa precisa sobrar para os anfitriões, por essa "maravilha" de revista feita no estádio. E para quem vende sinalizador para qualquer um.

***

Link para a matéria: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/1237403-soninha-minha-proposta-e-um-castigo-e-tambem-um-projeto-piloto.shtml

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Esculhambação Mundial - 2

Os elogios de Blatter ao Mundial

O presidente da Fifa falou bem da organização do torneio, mas ressaltou que continua favorável a que a próxima Copa seja realizada na África do Sul.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, elogiou a organização do Mundial Interclubes, mas isso não quer dizer que a candidatura do Brasil para ser a sede da Copa do Mundo de 2006 sai fortalecida. O dirigente ressaltou que se mantém favorável à realização da competição na África do Sul, para que o rodízio previsto pela Fifa seja respeitado. (...)

O dirigente lembrou que inspetores da entidade vão visitar o país após o Mundial para vistoriar os estádios que receberiam os jogos da Copa do Mundo. Os outros quatro países-candidatos - Marrocos, Inglaterra, Alemanha e África do Sul - também terão seus estádios inspecionados. 

Os delegados do Comitê Executivo da Fifa decidem em julho quem vai organizar a Copa de 2006. O Maracanã e o Morumbi, que foram vistoriados para a realização do Mundial de Clubes, devem ser aprovados na inspeção. "O Maracanã melhorou muito e, agora, é um estádio em nível de Copa do Mundo", observou Blatter (...).

Responsável pela realização da Copa do Mundo da França em 98, Platini lembrou que para realizar uma Copa do Mundo são necessários pelo menos oito estádios. Ressaltando que não vota na escolha do país para a Copa do Mundo, Platini reforçou a ideia do rodízio. "Acho que a África do Sul é a principal candidata, pois nunca houve uma Copa em continente africano". O ex-jogador lembrou que o rodízio prevê que a competição ocorra na América do Sul em 2010. 

Mundial - Joseph Blatter disse que o Mundial de Clubes foi um "evento maravilhoso". "Essa competição é importante porque o clube é a célula básica do esporte". Blatter atribuiu ao ex-presidente da Fifa João Havelange a participação de clubes de vários continentes. "Ele deu força às Confederações da Ásia, América do Norte e África". Segundo Blatter, o Mundial deve ser realizado a cada dois anos e alguns ajustes terão de ser feitos. (...)

Jornal da Tarde, 10 de janeiro de 2000.

Sem comentários.

Esculhambação Mundial

Depois do desastre, ingleses relaxam

Jogadores do Manchester tiraram o dia, ontem, para aproveitar as praias e o calor carioca. Ferguson já volta suas atenções para o campeonato inglês.

A complicada situação no Mundial de Clubes parece não ter afetado os jogadores do Manchester, que ontem tiveram um dia descontraído e repleto de eventos. Na parte da manhã, 22 garotos moradores em favelas participaram do treino dos ingleses e até jogaram bola com os ídolos, numa iniciativa da Unicef. À tarde, os ingleses tiraram o protetor das malas e foram à praia de Copacabana. 

Com a derrota para o Vasco, no sábado, por 3 a 1, o time inglês depende da combinação de resultados até para se classificar para a disputa do terceiro lugar. 

A folga dos jogadores pode ser até maior, porque o técnico Alex Ferguson, argumentando que jogar no Maracanã, em condições climáticas tão adversas, é uma grande experiência para seus jogadores, está pensando em colocar um time misto na partida de amanhã, contra o South Melbourne. "Há uma grande possibilidade de dar uma chance aos jogadores mais jovens. É uma experiência que pode ser útil. Acredito que 90% dos grandes jogadores do mundo nunca atuaram no Maracanã e eles terão essa oportunidade".

Para a imprensa carioca, o Manchester é é a maior decepção no Mundial de Clubes até agora. Mesmo assim, Ferguson não perde a pose: "Não deixamos de ser os melhores do mundo só porque perdemos uma partida, que se fosse disputada em outro lugar, em outro clima, teríamos todas as chances de vencer. O Manchester continua sendo uma equipe muito forte". 

Mas o capitão Roy Keane discorda: "O fato de não ganharmos este Mundial vai ofuscar a conquista em Tóquio. Mas isso não tem importância. Agora temos de nos esforçar para chegar ao próximo Mundial e, dessa vez, conquistar o título". (...)

Time misto?

Fica cada vez mais evidente que, com a desclassificação do time para a final do Mundial, Ferguson começa a pensar apenas no Campeonato Inglês. Por causa da vinda ao Brasil, o Manchester terá cerca de duas semanas para se preparar para a próxima partida na Premier League, contra o Arsenal, no dia 24. Para Ferguson, os jogadores voltarão até mais motivados. "Foi uma grande experiência termos vindo para cá. Treinamos em um clima quente,que ajudará a rejuvenescer os jogadores. Fizemos ótimos treinos".

Nos jornais britânicos, no entanto, a campanha do Manchester tem sido alvo de críticas. Parte da imprensa questiona até se o time inglês contribuiu para a campanha inglesa para sediar a Copa do Mundo de 2006". 

Jornal da Tarde, 10 de janeiro de 2000.

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Até as areias da praia sabem que o Manchester só veio para o "Mundial" da Fifa sob pressão. Estavam NADA interessados. Em "situação difícil", foram para um evento da Unicef de manhã e praia à tarde. Mesmo sabendo que eles não tem o hábito de concentração como nós aqui temos (uma coisa meio militar, meio Jardim da Infância), é ÓBVIO que o time estava suuuper preocupado com o torneio. Ferguson ia colocar reservas no jogo decisivo. "Tivemos ótimos treinos aqui". Ridículo.

O Corinthians é Campeão Mundial com muito merecimento. Arrasou na final da Libertadores contra o Boca e do Mundial contra o Chelsea. Mas bi... Bi não é.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Enquanto isso

Putzgrila, que tesão deve ser - que é - ser corintiano hoje. Noites de lua linda, manhãs ensolaradas lindas.

Agora eles vão ver, vão sentir, vão admitir que aquele Mundial mandrake, cheio de casuísmos, disputado por times B contrariados ou titulares interessados somente no verão do Rio, não tinha graça nenhuma... Ganhar a Libertadores é OUTRA coisa.

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Escuta, será que não tem como o Brasil assinar algum tratado internacional pelo banimento das armas com bala de borracha??? Tem coisa mais estúpida para usar durante um tumulto?????

O "armamento não letal" é muito interessante para ser usado, por exemplo, contra um criminoso em fuga - um modo de detê-lo sem tirar a vida. Mas para atirar a esmo, em direção a um monte de gente, é um ABSURDO.

Aconteceu ontem de novo na frente do Pacaembu. Inacreditável.

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E o cara alucinado que acelerou e atropelou dez pessoas (ou quinze, conforme a fonte) no Tatuapé? Que é isso, meu Deus?

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Enquanto isso, no Planalto, o Senado aprovou o fim do voto secreto para processos de cassação. Mal posso acreditar. QUEM DISSE que as coisas não podem melhorar?

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Agora a CPI está votando a convocação do dono da Delta, né? Hmmm...

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Em algumas faixas do Corinthians exibidas no Anhembi, havia o nome de um vereador. Na premiação, lá estava um deputado federal.

Eita.

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Ontem parecia que tem mais corintiano em São Paulo do que torcedores de todos os outros times juntos. E a festa em outras capitais? Cuiabá, Salvador, Belém... IMPRESSIONANTE. É um diacho de uma nação mesmo.

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'Bora continuar fazendo uma das coisas que eu mais gosto nessa vida de política: organizar e reorganizar meu Programa de Governo. #adoro.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Vai, Pamela, vai...


Acho que vai dar Corinthians.
Se fosse só uma questão de “quem tem mais futebol”, os argentinos sequer estariam na final. Esse ano o Boca tem um time mequetrefe, mas... “tem camisa”, essa coisa mística que explica algumas coisas no ludopédio.
O Corinthians fez uma campanha muito boa, tem um time redondo (dessa vez o time, não um jogador ehehe), coeso, firme, os jogadores estão numa “vibe” muito legal (o Castán e o Fabio Santos falando do Romarinho em uma entrevista outro dia, rachando o bico com a ousadia da “cavadinha”, foi  muito divertida), a torcida tá feliz e não raivosa (o que poderia fazer com que o nervosismo virasse impaciência, mesmo com a tradição corintiana de apoiar o time no-matter-what). Saiu da Bombonera não só com um resultado muito, muito bom (o Telê, por exemplo, não se incomodava de perder de 1x0 fora de casa), mas obtido de maneira gloriosa. Realmente, santa cavadinha, Batman.
(A capa de um jornal esportivo saiu com uma manchete muito boa no dia seguinte, certamente reservada para ocasião afortunada como essa - “O Cala Boca”, com foto do Romarinho. Se eu fosse corintiana, emoldurava).
Se eu to feliz com o palpite? Triste também não estou. Sou meio molenga às vezes. Adoro golear mas fico com dó do time que perdeu, passo tanto nervoso com pênaltis que nem assisto mas depois fico arrasada por causa do adversário que, pra nossa alegria, perdeu a cobrança.
Quando comecei a me interessar por budismo, achei que, para ser budista, teria de abdicar do futebol - uma alegria composta inextricavelmente da tristeza dos outros. E a gente, no budismo, não só se compromete a não torcer pelo mal de ninguém como a se regozijar com a alegria do outro - afinal, nosso anseio é que ninguém seja assolado pelo sofrimento, ao contrário, que todos possam ter os meios e as razões para sua felicidade. As pessoas já se atrapalham bastante querendo ser felizes e achando que estão fazendo tudo certo, não precisam da nossa contribuição para se danarem :o(
Mas pude ser budista e continuar palmeirense rs. É jogo, é brincadeira, a gente ri  e se diverte da cara do outro como ele vai zoar com a da gente. Levar isso tudo verdadeiramente a sério é tão equivocado quanto levar qualquer outra coisa na vida estupidamente a sério, sem se dar conta de que tudo tudo tudo, sucesso ou fracasso, alegria e tristeza, tesão ou desalento, amizade ou inimizade, arte ou entretenimento, é ilusão, é sonho, não é tão real quanto parece. Mas a gente aprender a examinar a coisa além daquele instante em que elas nos atingem como se não houvesse amanhã não nos exime da seriíssima determinação em não causar mal aos outros seres. O que, com todo o empenho do mundo, não é nada fácil.
Semana passada, quando achei que o Corinthians tinha tomado 2x0 (não estava vendo o jogo, tudo o que ouvi foram duas sequencias de rojão com berreiro indecifrável - “vai Corinthians” ou “chupa Corinthians”? ) fiquei morrendo de dó. Pô, eles estavam tão felizes... O pai da Julia, os estranhos completos, a Pamela, o Luis Nader, a avó daquele jogador, a cidade de Palestina...
Aí eu vi que o segundo foi daquele ET daquele Romarinho e fiquei meio decepcionada ehehe. “Que dó que nada, filhas-da-mãe!”.
Só que hoje, me custa reconhecer, não consigo querer que amanhã os corintianos estejam todos unidos em um imenso clima de velório. Estaríamos todos histericamente em festa - palmeirenses, santistas, sãopaulinos, gremistas, cruzeirenses, colorados etc etc. Mas pô, deixa os caras vai. Uma hora, depois de décadas, eles iam acabar chegando onde a gente já chegou ehehehe.
Acho que vai ser sofrido. Acho que vai para os pênaltis. Mas todo torcedor sabe que quando dá certo é ainda mais gostoso, e eles ainda se gabam de serem “maloqueiro-e-sofredor”.
Vai Corinthians, vai... Mesmo sabendo que amanhã (e ainda hoje) vocês vão ME ENCHER MUITO O SACO.
E vou te falar, se não fosse a <3 Pamela <3, não sei não. 

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

De capivaras, futebol e jornalistas. Ah, e a vida

Meu amigo Conrado me enviou, de madrugada, um dos textos mais lindos que eu já vi - e que, como muitas outras coisas lindas, tinha m'escapado. Por que isso veio parar na minha caixa de entrada? Pela referência aos Beatles. Pra completar a lindeza :o)

Por que a crônica não saiu semana passada
Cora Ronai

Em primeiro lugar, agradeço a gentileza dos amigos e leitores que mandaram emails preocupados pela ausência da coluna. Em segundo, peço desculpas pela falha. É que escrevo a crônica às terças-feiras, e a última terça-feira foi o dia do enterro da minha tia Eva, que morreu na segunda à tarde, aos 97 anos, no apartamento em que vivia em Copacabana.

Era a última irmã de meu Pai. Acompanhou a História do Século — nasceu em 1915 — e, como a maioria das pessoas, foi alternadamente feliz e infeliz. Sobreviveu a seu marido, seus irmãos, seus amigos. De certa forma, sobreviveu a si mesma: vítima de uma doença parecida com o Alzheimer, confundia os fatos, não se lembrava das pessoas e se esquecia dos detalhes mais triviais.

Seu enterro foi a minha primeira experiência com funerárias e com a inevitável burocracia da morte. Não há filme, livro ou seriado que prepare a gente suficientemente para isso.

♦ ♦ ♦
Dizem que todo cronista previdente tem uma ou duas crônicas “frias” na gaveta para casos de necessidade. Se isso é verdade, não conheço muitos cronistas previdentes. A maioria deles vem do jornalismo, e é sabido que jornalista só trabalha sob pressão: isso faz parte das idiossincrasias da profissão. Já tentei inúmeras vezes escrever a tal crônica-para-eventualidades, mas nunca consegui passar do primeiro parágrafo. Não dá liga, soa artificial, fica esquisito.

A despeito disso, prometo tentar, mais uma vez, escrever uma crônica-estepe.

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A semana, que começou de forma dramática, terminou tragicamente, com a morte dolorosa e precoce do Rodolfo Fernandes – mágoa com que todos nós, seus amigos, vamos conviver até o fim da vida.

Além da amizade e do carinho, devo a ele uma das partes mais importantes da minha vida profissional, e uma das aventuras mais divertidas que já vivi. Foi ele quem achou que eu tinha algo a dizer fora dos assuntos tecnológicos, e me convidou a escrever neste espaço; e ele quem teve a idéia de que talvez fosse divertido mandar para a Copa do Mundo a única pessoa da redação que nunca tinha visto um jogo de futebol.

Assim é que, quando O Globo foi cobrir a Copa na Alemanha, em 2006, eu fazia parte da equipe. Estava apavorada. Teria que escrever uma crônica diária, e achava que não teria assunto suficiente, que iria cair num frenesi esportivo onde não sobraria espaço para mais nada.

Só fiquei mais sossegada quando chegamos a Königstein, nossa primeira parada, e mergulhamos num clima de strawberry fields forever – o hotel ficava longe de qualquer coisa relacionada a futebol, mas, em compensação, era cercado de infindáveis campos de morango. Assunto perfeito para mim, mas desesperador para os colegas que, ansiosos para escrever sobre futebol, não sabiam mais o que fazer.

Levei uma pequena capivara de pelúcia como coadjuvante. Alguns anos antes, na Turquia, comprara um camelinho que acabou dando charme a fotos em que eu não tinha nenhum primeiro plano decente. A capivara, que viajou com a missão de servir de primeiro plano para algumas fotos, levou, pelo sim pelo não, um guarda-roupa de torcedora, que ia de camiseta do Brasil a cachecol auriverde.

Na Alemanha foi, aos poucos, fazendo parte não só das fotos, como dos textos. Entrevistou algumas pessoas, foi entrevistada, deu palpites e terminou a temporada amada e odiada pelos leitores.

O povo do futebol detestou. O jornal recebeu montes de emails indignados, querendo saber que palhaçada era aquela, e o que diabos alguém que não entendia nada do esporte estava fazendo na Copa. Por outro lado, até hoje encontro gente que se lembra da capivara com entusiasmo, e me pergunta se ela não vai viver outras aventuras. Na verdade, já viveu um tórrido romance entre Berlim e Paris, e uma história confusa (e inacabada) em São Francisco; mas isso ficou online. O link é coracapi.blogspot.com.

Nem preciso dizer que ficava para lá de insegura diante das críticas. Nunca escrevi para caderno de esporte, e estava pouco acostumada à veemência, digamos assim, com que os leitores se manifestam na área. Levava minhas angústias para o Rodolfo, coitado, que além de ter que lidar com os mil problemas de logística da equipe, tinha, agora, uma cronista biruta com dramas de bicho de pelúcia. No seu lugar, até eu teria dado uma enquadrada na cronista; Copa do Mundo não é lugar para frescura. Mas ele percebia que eu estava de fato aflita, e me tranqüilizava, lembrando que eu não estava lá para escrever sobre futebol. Lembrete desnecessário, ça va sans dire, mas sempre bem-vindo.

Não sei se cumpri a missão a contento, mas sei que vivi dois meses inesquecíveis, em que a leveza e a tranqüilidade com que o Rodolfo lidava com os problemas foram pontos preponderantes. Falta de banda larga, hotel longe da concentração, carro quebrado, toda a sorte de imprevistos ele tirava de letra, sem estresse. Não era difícil imaginar como as coisas poderiam ter ficado tensas com outro tipo de chefia.

♦ ♦ ♦
Não tive como não pensar nos 97 anos da minha tia e nos 49 do Rodolfo. Tanto de um lado, tão pouco do outro! Também não consigo deixar de pensar nas sinistras figuras da política que vivem vidas longevas, enquanto ele, tão doce e brilhante, se foi tão cedo. A sensação de injustiça é dilacerante. Então me lembro do meu Pai, que dizia que a vida não faz nenhum sentido, mas que deve ser vivida como se fizesse.

Só pode ser por aí.

(O Globo, Segundo Caderno, 1.9.2011)

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Mas ele achou tempo

Bellini e a menina
RUY CASTRO - Folha, 20/8/2011


RIO DE JANEIRO - Em julho de 1958, uma menina de 10 anos, sofrendo de poliomielite desde bebê, fez sua primeira cirurgia na perna. Enquanto convalescia, montou um álbum de recortes sobre seu ídolo, o homem mais bonito do Brasil, o xodó de todas as mulheres, crianças e até avós: Bellini, zagueiro do Vasco e capitão da seleção brasileira recém-campeã do mundo na Suécia. Certo dia, a porta da casa onde ela morava com sua família no Leblon se abriu, e uma visita de surpresa disse: "Boa-noite". Era Bellini.
Como? Simples. Alguém que conhecia alguém que conhecia Bellini falou-lhe da menina. Bellini tinha 28 anos e não chegava para as encomendas. Quando não estava treinando ou jogando pelo Vasco, tinha de viajar com a Copa do Mundo pelo país e levantar o caneco em festas e banquetes. Mas ele achou tempo para ver a garota, que ficou muda de emoção enquanto ele lhe contava histórias da Suécia.Dois anos depois, em 1960, a menina encontrou Bellini na rua, em Copacabana. Ele a reconheceu e ela lhe disse que, no dia seguinte, iria fazer sua segunda (e última) cirurgia. Bellini se interessou. Dali a dias, ligou para o hospital para perguntar como estava. Ao saber que brevemente ela iria para casa, deu um tempinho e foi visitá-la de novo, desta vez levando bombons. Era assim que ele era.
Passaram-se anos. Celia se tornou a violonista, arranjadora e maestrina Celia Vaz, uma das musicistas mais completas do Brasil e com sólida reputação no Japão, na Europa e nos EUA, muito maior do que em seu país.
Sábado último, após intermediação de amigos, Celia foi a São Paulo para encontrar Bellini e sua esposa Giselda, dar-lhe um beijo e retribuir os bombons. O intervalo de mais de 50 anos -o próprio Bellini tem hoje 81- não impediu que a emoção desandasse e as lágrimas de todos descessem pelos rostos e sobre o estojo da Kopenhagen.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

X-Tudo


Pela experiência na minha casa, a expressão “como cão e gato” não serve para descrever brigas intermináveis e incompatibilidade entre dois seres . Melhor seria dizer “como irmão e irmã”, “como marido e mulher” ou, simplesmente, “como pessoa e pessoa”.

***
Eu nunca tinha reparado que a Miranda de Azevedo – a duas quadras da minha casa – tinha TANTOS ipês. Coisa mais linda.

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Outro dia alguém usou o banco da calçada da minha casa para deixar pilhas de livros.
Não resisti – peguei dois :oP

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(Eu tenho mais necessidade de dar livros do que de pegar outros... Às vezes coloco alguns do lado de fora também. Ainda não fiz minha etiqueta/carimbo do Book Crossing, mas eu vou!)

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Adilson Baptista no São Paulo? Acho ótimo! (Não, engraçadinho, não é porque eu sou palmeirense). Ele fez um excelente trabalho no Cruzeiro. Excelente. O Cruzeiro era muito competitivo e jogava bonito, revelando ou consagrando um bom jogador atrás do outro. É bem o “estilo” do São Paulo, de trabalho de longo prazo (com as exceções de praxe... Manchester só tem um).

“Ah, mas em 8 meses ele ‘saiu pela porta dos fundos’ de 3 times”. Pois é, a impaciência fala por si... Talvez ele tenha mesmo começado muito mal, mas a cartolagem (e a torcida...) costumam ser meio precipitados em suas conclusões.

***
Na Inglaterra, o escândalo dos grampos ilegais foi o principal assunto da mídia nas últimas semanas (a BBC tratou o tema com aquele destaque típico de acidentes aéreos ou catástrofes naturais. Manchetes, escaladas, entradas ao vivo, recapitulação, declarações correndo no pé da tela em caracteres, entrevistas e debates com especialistas...

Aqui, virou galhofa. Durante a campanha eleitoral, as quebras de sigilo foram tratadas como “frescura” das vítimas. Um jornalista admitiu ter vasculhado a vida do Serra porque concluiu que ele queria sacanear o Aécio. Uma coisa “bonita”, realmente. Mais de uma vez esse réu confesso ameaçou “contar tudo”, fazer revelações bombásticas. E... ficou por isso mesmo.

Não é só no lixo na rua e no esgoto não tratado que ainda somos Terceiro Mundo.

***
Ontem o Fantástico mostrou o escândalo do lixo hospitalar misturado a lixo comum. Depois falo mais sobre isso. Sobre Terceiro Mundo. Sobre “herança bendita”. 

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Anotações da semifinal

Ontem eu estava trabalhando na casa de uma amiga e, como lá não tinha ESPN, vi o Uruguai X Holanda na Sportv. Beleza - gosto da dupla Milton Leite e Maurício Noriega. Mas hoje eu estava na rua às 15:20 e aflita como se meu time estivesse para entrar em campo. Quando vi que não daria tempo de chegar em casa sem perder o começo da partida, parei no primeiro bar que apareceu - com a TV sintonizada na Globo.

Fazia tempo que eu não via jogo com o Galvão. Não mudou nada - não gosto. Do timbre da voz, do ritmo da narração, dos comentários. Ele às vezes solta uma observação, se encanta com ela e fica insistindo, repisando, como que encantado com a própria perspicácia. E tem a mania de "marcar" jogadores: quando cisma com um, pega no pé dele a qualquer coisa que ele faça. Se recebeu uma bola quadrada ou um passe a km de distância, não importa: "não teve o domínio", "não alcançou". Ele cansou de marcar assim o meu querido Alex. #raiva

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O garçon do bar reclamou em voz alta: "A Alemanha tá muito retrancada". Pensei: será que ele está reclamando pela Espanha, que não consegue furar o bloqueio, ou pela Alemanha, que podia ser mais ofensiva. Aí ele repetiu o comentário, levemente reformulado: "Tá muito recuada". Achei que a troca de adjetivo revelava uma preferência pela Alemanha. Dali a pouco, Oezil com a bola no pé, ele: "Vai pra cima!" #acertei.

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Como nos outros jogos, a partida teve pouquíssimas faltas. (Aliás, essa foi uma das "descobertas" do Galvão. "NENHUMA falta até aqui". Aí ficou repetindo, repetindo, repetindo...) A Alemanha desarma muito bem.

***
Mas por que cazz a Alemanha resolveu jogar TÃO recuada???

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Eu estou torcendo muito pela Alemanha. Porque me apaixonei por eles (país e seleção) em 2006. Porque o futebol deles desde então é muito legal.
Mas não faz nenhum sentido na minha lógica usual - de torcer pelo "menor". A Espanha disputa a chance de disputar sua primeira final; a Alemanha, a oitava. Se for campeã, será tetra.
Eu gosto muito de muitos jogadores da Espanha.
Mesmo assim... Sou Deutschland :o)

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Qualquer que seja a final, teremos dois times que gostam da bola. A Holanda não é tão atrevida quanto eu gostaria, mas tem bom passe e jogadores de categoria, com alguns belíssimos momentos durante o jogo. Não é só um time sólido, forte, seguro. E Espanha e Alemanha, bem diferentes uma da outra - a Espanha  é mais como a Holanda, gira que gira a bola até encontrar uma oportunidade (e às vezes ainda olha para a oportunidade e diz: "Não, ainda não é bem essa, vou procurar uma melhor"); a Alemanha, exceto por esse jogo, procura criar oportunidades com mais apetite - também são do jogo bem jogado.

***
Saí do bar no intervalo para me refugiar na ESPN (ou éspen, para os familiares :o). Antes de sair, perguntei para o garçon por que ele torcia para a Alemanha. "Ah, tem um brasileiro lá!". Sorri. Ele acrescentou: "E em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, tem muito alemão, né?". "Mas você é de lá?" (Não tinha o menor jeito de ser gaúcho ou catarinense). "Não, mas trabalhei lá".
Misteriosos são os caminhos do coração, inclusive no departamento futebol.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Cornetando (#CopadoMundo)

Polemizando:
Adorei a campanha do Uruguai. Apesar de serem tratados como "campeões mundiais" (porque foram, dã), há muito tempo a Celeste não se alinha com os "grandes" - e é sempre legal torcer para os "pequenos". O técnico deles é talvez o mais bacana da Copa, um cara esclarecido, interessante. A classificação para a semifinal foi heróica - aliás, a campanha teve vários momentos assim, em que a gana dos uruguaios (perdão...) superou um bom momento dos adversários. Foi assim com a Coreia do Sul, foi assim com Gana, quase foi assim com a Holanda.
Mas...
Do ponto de vista do Fair Play, o Uruguai não podia ir para a final (como se o futebol tivesse qualquer coisa de justiça, ainda mais a "justiça da ética"...).
Os africanos, como mostrou uma reportagem feita dias atrás, resolveram torcer para a Holanda na semi porque não se conformaram com a mano de diós que tirou Gana da Copa.
Foi um lance incrível, de reflexo e não de raciocínio, autodefesa em estado puro. Suárez foi tratado quase como um herói - poucas vezes um jogador expulso foi tão adorado por sua torcida. Aquele lance, inegavelmente, foi decisivo para a desclassificação de Gana. A bola ia no gol, praticamente já estava no gol!!!!
A expulsão não compensa o dano causado. O pênalti não compensa o dano causado.
Aí eu pergunto o seguinte: qual a diferença entre esse lance e o do gol do Henry, que classificou a França para a Copa?
Os dois botaram a mão na bola.
Nenhum dos dois quis sacanear o adversário, só quis ajudar seu time.
Os dois protagonizaram lances decisivos.
A ÚNICA diferença é que um deles o juiz viu...
Mas a gente fica (eu fiquei!) com sensação de simpatia pelo uruguaio e antipatia pelo francês.
No primeiro caso, parece valentia, sacrifício. Mas foi trapaça, não foi?
No segundo, parece apenas trapaça. Talvez pela aparente frieza do Henry...
Não sei se a gente precisaria ser mais rigoroso com o Suárez ou mais compreensivo com o Henry.

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A irritação dos sulafricanos foi tal que eles torceram pela HOLANDA, já pensou? O colonizador, o antigo opressor...
Tomara que isso signifique que eles são capazes de separar a história do momento, o passado do presente (ou todos teríamos ódio uns dos outros para sempre... Da Alemanha, dos cristãos, dos japoneses... Dos portugueses...).
Mas talvez seja só pirraça futebolística mesmo, por solidariedade a Gana.

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Imagine quantos textos teriam sido escritos sobre o simbolismo de um confronto Holanda X Gana, que quase aconteceu...

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A Inglaterra teve lá seu gol legítimo não validado no jogo contra a Alemanha.
COMENTÁRIO: um erro absurdo. A bola entrou completamente e sequer triscou a linha; havia um bom espaço entre uma e outra. O placar do jogo teria sido diferente, mas a injustiça ficará na história para sempre.
ANALISE: TODO MUNDO quis ver o replay para saber se a bola tinha entrado ou não. Aí vimos, do alto e em câmera lenta. Aí é moleza. A bola quica no gramado em uma fração de segundo... O juiz está longe, com sabe lá quantos jogadores entre ele e a bola. No mínimo, havia um: o goleiro, em movimento bem na frente do gol. O bandeira foi pego de surpresa pelo contra-ataque - e não podia se desmaterializar e rematerializar na linha de fundo. Cazzo, eles não viram, como se pode culpá-los por não ter visto?
Agora imagine o bandeira na hora do lance - "Entrou ou não entrou???". Ele NÃO PODE  ter dúvida. Tem de ser 100% decidido. Mas e se NÃO SABE? Para e pergunta? Fica quieto, esperando que alguém decida por ele? Faz que vai para o meio do campo para ver o que acontece?
Sim, o erro foi feio. Mas os autores do erro não erraram feio, capice?

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Mesmo com o gol não validado, os ingleses podiam ter jogado mais e segurado a Alemanha - mas não jogaram. Tiveram uns 10 ou 15 minutos de futebol bom e só.
Se em vez da Alemanha tivessem enfrentado Gana, teriam apanhado deles também.

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Depois tem mais.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Já ficou velho

(Este post foi escrito - offline - há dez dias, mas parece que faz um século. Azar, vou publicar assim mesmo)


Revi o jogo da Itália hoje de manhã, ou melhor, revi os últimos 15 minutos. Fiquei fascinada como se não tivesse visto antes. Quem não gosta e não costuma ver futebol vai ficar com idéia errada do esporte – ele não costuma ser emocionante assim não :o).

Gostei do Quagliarella. Me lembrou o Zé Roberto em 2006 – deu um gás, jogou bem, sofreu até o fim, chorou...

Gostei de ver também a ansiedade do Buffon, do Gattuso... Torciam à beira do campo como se fossem garotos entusiasmados na arquibancada, não astros super-experientes com um título mundial no currículo.

Como eu sou a campeã mundial da pena, fiquei com dó do Lippi. A cara de triste dele durante todo o jogo, até mesmo quando a Itália fazia um gol (e ela fez dois! Incrível!), me impressionou. Não era cara de raiva, de irritação, de desgosto – era cara de triste.

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Como se vê, disciplina é importante, espírito de luta também, mas não resolvem. E não foi só isso que faltou em 2006.

Lembro de ir a um treino da seleção logo no começo da campanha. Era a primeira vez que eu tinha essa oportunidade. Achei sem graça que só. Perguntei para o Tostão, que estava do meu lado: “É sempre assim?”. “Não, não é. O Felipão treinava bem. Esse é um treino fraco, mesmo”.

Lembro que o Parreira fazia muito treino tático e coletivo com campo reduzido. É uma das estratégias de treinamento, para acostumar os jogadores a encontrar espaço em um jogo apertado. Mas o tempo todo??
Pior que isso – tanto quanto possível, um coletivo é uma simulação do jogo. Mas os times eram todos misturados; jogava um zagueiro titular com um reserva, idem para a dupla de atacantes... Pra que?

O Parreira até poderia interromper um lance, mostrar por que o posicionamento não estava certo, sugerir uma mudança, pedir determinada jogada. Mas ele não fazia isso não.

Já no começo da preparação na África do Sul, o Tostão escreveu que era bobagem interromper os ótimos treinos que Dunga vinha fazendo para jogar contra Zimbabue e Tanzânia. Mas isso também não resolve tudo... Aí tem a escalação, a estratégia do jogo, a inspiração, o talento individual, o estado psicológico, a pontaria, a sorte.

E não é que tem dias em que nenhum desses aparece?

(Lembrete: isto foi escrito depois de Brasil X Portugal)

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Teve gente que chamou o trabalho de Parreira na África do Sul de fiasco – por ser a primeira vez que a seleção dona da casa não passa da primeira fase. Acho que o trabalho dele foi mais-ou-menos, mas classificar a África seria uma proeza – e o contrário de proeza não pode ser fiasco!

Nunca na história das Copas houve uma seleção-de-país-sede tão fraca. Mesmo a Coréia do Sul estava uns passou adiante. Quer dizer que se a Copa for em Honduras ou Nova Zelândia, o técnico terá o dever de classificá-la?

Às vezes parece até que, entre todos os mil fatores, o mais importante é o apoio da torcida... Mas vuvuzela não desara, não dribla, não bota a bola pra dentro do gol não, viu? Coitado do Parreira.

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Vi  um jornal na CNN repercutindo com os torcedores a eliminação dos EUA. Pra gente que sempre pensa nos estadunidenses como desinteressados no “nosso” futebol, é uma surpresa ver quanta gente se reuniu em praça pública para acompanhar a seleção e roeu unhas, sofreu, vibrou, lamentou. Alguns reconheciam que Gana fez por merecer a vitória; lastimavam o esforço extra que o time sempre precisava fazer por sair em desvantagem e o fato de terem tido tão pouco tempo para se recuperar da partida puxadíssima contra a Argélia.

Como no futebol os EUA ainda são “pequenos” (embora já não sejam “café-com-leite”), fico com dó deles também.

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A frase mais linda sobre o futebol foi dita pelo técnico do Uruguai, um cavalheiro, em sua emocionada entrevista depois do jogo [Uruguai X Coreia do Sul], em que lembrou dos 3 milhões de uruguaios que há muito tempo não tinham uma alegria como essa: “E pra que serve isso tudo, senão pela felicidade de la gente?”

terça-feira, 29 de junho de 2010

"Se eu encontrar um deles na minha frente..."

Há quem diga que o envolvimento das pessoas como a política devia ser como o que existe com o futebol.

Deus nos livre.

Por causa de futebol, de fato se fazem grandes esforços, grandes mobilizações. Consomem-se doses maciças de informação pelo jornal, revistas, internet, rádio e TV. Acompanham-se debates extensos. Fazem-se protestos e outras demonstrações.

Mas é tudo apaixonado, emocional, descambando, muitas vezes, para a violência, verbal ou física. Aí eu dispenso. 

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Na política, aliás, também tem muita paixão e violência, muitas brigas entre torcidas organizadas. Daquelas que já não tem mais nenhuma conexão com o time, o esporte e o gol. O objetivo deixa de ser a vitória em campo, mas a derrota na porrada.

E o pior é que estamos atingindo um nível que há muito não se via, de tão baixo.

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Desde o fim da ditadura militar, não havia tanta liberdade para a difusão de opiniões - até porque a internet permite que milhares de pessoas digam publicamente o que pensam, identificadas ou anônimas. E se as opiniões são qualificadas ou desqualificadas, tanto faz, propagam-se da mesma maneira. Junto com elas, correm "informações" - dados reais ou inventados, manipulados ao gosto de quem os divulga.

A batalha que sempre existiu entre governo e oposição sempre teve escaramuças mais violentas, personagens mais destacados (os Carlos Lacerdas da vida), golpes baixos. Mas com os 80% de aprovação pessoal do Lula e o uso descarado da máquina governamental, a demonização da oposição consegue ser maior do que a vitimou o próprio Lula durante tanto tempo.

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Lula mantém, no poder, o discurso de oposição. Inesquecível aquele seu discurso, depois de SETE Anos como presidente da nação: "O povo está na merda e eu vou tirar o povo da merda".

Quando, presidente? E com que métodos? Com que aliados?

Lula ainda fala como se fosse um pobre operário perseguido pelas elites, um Quixote contra os velhos poderes. Mas Lula está no poder, tem o apoio de poderosos de todas as partes (todo mundo quer tirar uma casquinha de sua popularidade, de Ahmadinejad a Sarcozy), tem entre seus aliados os poderosos de sempre...

E o discurso cola!

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Lula criticava ou condenava FHC com virulência, mas hoje não se admite nenhum discurso de crítica ao Lula. Há quem chame de "golpismo"... Os militares chamavam de "subversão"... São maneiras de desautorizar a oposição. Ou a oposição só pode ser como os governistas aceitarem que ela seja?

Para criticar o presidente, é preciso quase pedir licença, ou desculpas antecipadas. Ou então pagar tributo antes - à sua linda trajetória pessoal (não estou sendo irônica), à projeção internacional, à estabilidade econômica - e só então, com muito cuidado, apontar um problema.

Quem não for assim, quem criticar sem clemência, sem reverência, será considerado um traidor da pátria, entreguista, imperialista, o diabo.

Mas a oposição - ou especialmente o Serra - podem ser ridicularizados à vontade. Insultados, agredidos.
Será que chegaremos ao ponto de proibir charges com o presidente, como muçulmanos fanáticos quiseram fazer com Maomé?? Talvez não precise - quase ninguém critica o presidente. A patrulha surte efeito.

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Eu quero manter o meu direito de criticar o governo e o presidente. E não quero usar as armas de torcida organizada - palavrões, ofensas. Quero discutir, debater. Mas é impossível tentar argumentar com quem prefere logo apelar para adjetivos e acusações.

Acabei de perder tempo trocando emails com uma pessoa que me mandou por email um texto do Nassif - dizendo, como se isento fosse, que tentou avisar que Aécio é que era o melhor candidato para o PSDB, não o Serra - e uma enquete "engraçadinha" do site do Paulo Henrique Amorim sobre o desempenho do Serra na última pesquisa de intenção de voto.

Pra começar, não sei porque alguém se dá ao trabalho de invadir minha caixa de entrada para esculachar o meu candidato a presidente. Eu não fico mandando email para petistas e lulistas - nem com argumentos, muito menos com gozações e baixarias. Por que eles vem gritar no meu ouvido? Escrevo nos meus blogs, não mando spam. Respondo a quem pergunta, falo com quem quer saber o que eu penso.

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No começo da troca de emails, até que se podia falar em argumentos.

Eu disse que a Dilma "se esconde", ele disse que não, que ela "está correndo o Brasil".

Eu disse que "o Brasil continua miserável, injusto, desigual como antes. Melhorou? Ora, vem melhorando faz tempo, até porque a globalização barateou e facilitou o acesso a algumas coisas - mas não à saúde, à educação, aos direitos de cidadania... Não elegemos o Lula para continuar melhorando, mas para promover uma TRANSFORMAÇÃO.  E a transformação não veio".

Ele disse que elegeu Lula "para começarmos a transformação, pois sabíamos que um país que sofreu e sofre como o Brasil, precisará de ao menos uma geração tendo a sorte de viver em três excelentes governos ( 8 Lula, 8 Dilma, 8 de alguém de um novo partido que será melhor do que o PT tem sido ontem e hoje = 24 anos = uma geração de brasileiros) para realmente vivenciarmos e sentirmos as mudanças".

Eu disse que "aqueles que faziam oposição duríssima ao FHC, criticando a política econômica excludente e os lucros recordes dos bancos, apontando a imensa desigualdade e a miséria convivendo com o surgimento de novos milionários, condenando as alianças do governo com as velhas oligarquias do Norte e do Nordeste, protestando contra obras faraônicas superfaturadas e contra a degradação ambiental promovida pelos barões do agronegócio, guardam essas críticas para si mesmos... Ou já acham que isso tudo é normal, é assim mesmo, é assim que se governa, que se mantém o poder... Passando feito um trator sobre o PT no Maranhão, por exemplo, para forçar o apoio ao clã dos Sarney mais uma vez..."

Ele disse "'prefiro' a oligarquia do Sarney do que as paulistas, cariocas, gaúchas e catarinenses, do que as americanas, francesas ou alemãs".

Minha vontade é continuar discutindo, argumentando... Na verdade, continuei discutindo em novo email, mas é inútil. Porque eis a conclusão da sua mensagem:


"Tenho andado pelo Brasil,(...) pelo movimento ambientalista. Tenho visto um novo Brasil que abomina os tucanos paulistas e, alerto, quem deles se aproxima por algum interesse".

["Alerto"... Aproximar-se do governo? Ok. Dos tucanos paulistas? É motivo de abominação. Até porque é por "algum interesse"...]
"Paulistas e paulistanos são motivos de chacota e gozação por causa do acomia e do ex-fhc".

[Então paulistas e paulistanos perderam o direito à preferência política e partidária, caso ela recaia sobre os opositores ao governo federal... E merecem ser discriminados. Quando o Serra diz que há um discurso de norte X sul, ainda tem gente que pergunta: "o que o senhor quer dizer com isso?"] 

"Esses caras precisam ser presos, o acomia e o ex-fhc. Se eu encontrar um deles na minha frente, ali em higienópolis ou nas imediações da pocilga ali da sumaré, não resistirei: vou pregar um ponta pé na bunda mole deles!"

Um pontapé na bunda mole deles.

Esse é o fim do email. 
Pra concluir: veio de um ambientalista, que não me enviou nenhum email comentando o assassinato do Código Florestal proposto por um deputado da base governista. 

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Portugal, Brasil, etc.


Bem que o Cristiano Ronaldo disse na entrevista coletiva antes do jogo: “Tem tempo para eu marcar um gol. E se não for eu, muitos outros podem marcar”.

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A propósito, foi muito boa a coletiva do Dunga ontem depois do jogo. Alegria faz milagres pelas pessoas! :o) Por essas e por outras, no budismo você aspira a que todos tenham alegria, inclusive os seus inimigos, aqueles que desejam e causam o mal a outros seres. A razão disso é, em primeiro lugar, como eu todas as práticas budistas, treinar a própria mente (em desapego, altruísmo, equanimidade etc.) , contrariando nossa tendência a sermos super seletivos e desejar o bem apenas para alguns... E em segundo lugar, entender que as pessoas desejam e causam o mal porque são infelizes... Se ficarem satisfeitas, tendem a ter práticas menos nocivas. (Estou simplificando pra caramba, não sei nem porque entrei nisso...).

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Dunga disse, calmamente, que achou a arbitragem absurda – o time que tentou jogar e apanhou feito boi ladrão teve um jogador expulso; o time que bateu, não. E brincou de um modo que eu adoro, que é brincar consigo mesmo: “Estaria ótimo pra mim. Eu podia fazer faltas à vontade e o juiz ainda ia me dar parabéns no final”.

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O gol do Luis Fabiano foi um espetáculo, mas ele usou o braço para ajeitar a bola.
O Luis Fabiano usou o braço para ajeitar a bola, mas o gol foi um espetáculo.
A ordem das frases muda o peso delas, mas o resultado é o mesmo. Entre lençóis (é o nome da jogada, pessoal!), fintas e a espetacular conclusão, ele usou o braço... E o gol podia ter sido anulado. Na minha opinião ultacaxias, devia. Não consigo achar a mesma graça em gol irregular (a menos que seja por um impedimento de centímetros e centésimos de segundo... Aí seria demais). O Luis ia acabar fazendo outro. E mesmo anulado, o gol seria bem lembrado, como aqueles dois que o Pelé não fez (depois da meia-lua e o do meio campo).

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Umas das coisas que eu acho o máximo no Luis Fabiano é a facilidade com que ele chuta com as duas pernas (uma de cada vez, dã). Ele disse uma vez em entrevista que já se virava bem com a “perna ruim”, mas fez questão de treinar para desenvolver a habilidade com ela. Ontem, fez um golaço com uma e um golaço com a outra.

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Houve outros gols irregulares nessa Copa, como o da Suíça contra a Espanha – o jogador que concluiu estava impedido. Só que antes disso tinha sido pênalti do Casillas, passível até de expulsão; ele entrou com os dois pés no jogador suíço feito uma vaca brava, então ficou barato!

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Foi legal o jogo do Brasil, apesar dos erros de passe etc. (houve muitos). Procuramos jogar e não ficar ensebando, “esperando o erro do adversário”. Elano, mais uma vez, foi muito importante. Sem bola, ele procura o melhor posicionamento o tempo todo, e tem boa noção de onde se colocar. Recompõe rapidamente a defesa, faz cobertura, preenche espaços. No ataque, observa a hora de encostar (no Robinho, Maicon, Kaká) e a hora de abrir. Marca, passa, lança e finaliza bem. Finaliza muito bem, com tanta tranqüilidade que fica parecendo que estava fácil, era só empurrar pra dentro – mas basta olhar para as mil e uma conclusões perdidas que a gente lembra que, seja por nervosismo, jabulanismo, falta de sorte ou de categoria, não é tão fácil assim.

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Uma graça os momentos família de ontem. O Eduardo Elias disse que era Dia dos Pais na África do Sul, mas acho que foi coincidência. Luis Fabiano fez o número 6 ao comemorar o gol - referência ao número de jogos que ele ia completar sem marcar gol? Ao hexa? Não - ao aniversário de 6 anos da filha, que foi ontem. E o Elano mostrou as caneleiras com o nome de suas Marias (o mais gozado foi o nome da Tereza escrito errado... Imagine o quanto a família zoou com ele depois).

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A ESPN (ou melhor, os comentaristas do Linha de Passe) deram uma nota mais baixa para o Julio Cesar do que para vários jogadores de linha. Discordo. Julio fez defesas incríveis, como no toque todo esticado de mão trocada, em que teve força na ponta dos dedos para mandar a bola pra longe, e em uma saída muito corajosa nos pés de um marfinense que vinha correndo feito um elefante na savana.

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O futebol na segunda rodada foi bem mais legal que na primeira – parece até que ela passou mais rápido! Mas uma boa definição para essa Copa foi a que alguém escreveu ontem no Twitter: sabe aquela pessoa (eles disseram “mulher”...) que não entende nada de futebol, que grita “pênalti!” pra falta no meio de campo? Essa é quem acerta no bolão. :oD

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Devem ter sido essas pessoas que votaram no Cristiano Ronaldo como melhor do jogo Portugal X Coreia do Norte. Nada a ver :oP PS: Elogiei o Dunga, muito mais leve e tranquilo na coletiva, mas tinha esquecido do comportamento engimático dele, xingando entre dentes um jornalista, praticamente chamando para a briga. Hoje soube que era o Alex Escobar, da Globo. Pouco importa quem era - que atitude absurda. O Trajano comentou hoje na ESPN.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Sem surpresa, com tristeza

Como o Nelson Alexandre, espectador da ESPN Brasil, escreveu no mural no nosso site (digo, no site da TV), o Uruguai tem uma baita dupla de ataque (Forlan e Suarez); a África do Sul é a "centésima e tralalá no ranking da Fifa) - "deu a lógica".

Mas a lógica às vezes vai passear, e podia ter dado um tempo nesse jogo...

A África do Sul é muito fraca e não teria a menor chance se não fosse o time do país-sede. Provavelmente nem teria se classificado. Mas com o apoio da torcida local e a simpatia do mundo inteiro, ganha uma força adicional, mas evidentemente insuficiente.

Agora precisa ganhar da França (não é impossível...) mas precisa também torcer para empate entre França X México (para que as duas estacionem em 2 pontos) e depois torcer por empate ou contra o México na partida contra o Uruguai... Mas se tiver um vitorioso entre França X México, já haverá dois times com 4 pontos, e suas chances caem a quase zero.

Pena, pena... Em qualquer lugar, a eliminação do país-sede dá uma brochada geral. Quando se trata de um país que desperta tanta simpatia, solidariedade e compaixão, mais ainda.

Enfim, com seu próprio time fora do páreo, o mais provável é que os sul-africanos elejam o Brasil como "seu". Que nós não os decepcionemos.

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Hoje, 16 de junho, se rememora na África do Sul um episódio muito marcante na sua história, a passeata de 15 mil estudantes que terminou em tragédia. Eles protestavam contra mais uma medida ridícula, indecente, abominável de segregação e exclusão dos negros. Como em outros momentos, a tragédia serviu como ponto de partida, momento de virada. No Brasil, muitos atribuem à morte violenta de Vladimir Herzog esse ponto de virada, de BASTA.

O que sempre me assombrou no apartheid foi, além da crueldade abjeta do sistema, o fato de que era uma imposição da minoria branca sobre a vasta maioria negra. Com a força do dinheiro e das armas, a minoria calou a maioria durante muito tempo. E como sofreu essa maioria para conseguir encerrar esse absurdo, mesmo com pressão internacional, sanções e campanhas.

Às vezes é bom relembrar essas conquistas. Pensar que eu cresci "convivendo" com o apartheid, abismada, me sentindo impotente e descrente da humanidade, e ele... acabou. Racismo e discriminação não acabam facilmente, mas deixar de ser política oficial era fundamental. Parecia uma causa perdida, mas o mundo venceu essa atalha. Sinal de que outras coisas com as quais a gente não se conforma ainda tem jeito.

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E que figura o Desmond Tutu!

Tem gente que... - opiniões sobre a Copa e sobre opiniões sobre a Copa

Tem gente decepcionada com o nível dos jogos da Copa. Como é de 4 em 4 anos, é fácil esquecer... Copa do Mundo é isso aí. Futebol bom, mas bom mesmo, é mais fácil ver na Champions League, a Copa dos Campeões da Europa, com muitos times de alto nível, os melhores  jogadores de todos os países e uma disputa mais alongada. As diferenças fundamentais são duas: o fato de serem mesmo TIMES, entrosados, evoluídos, que realmente podem (tanto quanto o dinheiro permite) buscar as melhores opções para cada uma das posições e setores do campo. E o fato de ser mais longa... A brevidade da Copa do Mundo leva os times a serem mais cuidadosos – até demais.

(Ontem li um post muito interessante – sobre o medo de perder até mesmo por parte de quem não tem nada a perder, como Argélia, Eslovênia e outras zebras. É o texto "Humano, demasiado humano", do blog In The Jungle)

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Até aqui, gostei da Argentina e também da Nigéria, de EUA X Inglaterra, da Alemanha e do Chile. Gostei de ver que a Coréia do Sul continua firme (simpatizei muito com eles em 2002). Não me empolguei com Portugal ou Costa do Marfim

Tem gente que ainda se surpreende com os EUA – como se eles já não fossem uma seleção competitiva, amadurecida (vide a Copa das Confederações, em que eliminaram a ótima seleção espanhola e deram um calor no Brasil na final).

Outros se espantaram com o futebol leve da Alemanha, mas em 2006 eles jogaram exatamente assim – velozes, envolventes. Mas todos nós temos um piloto automático que reproduz velhas idéias sobre tudo, como a do “futebol alemão mecanizado”. Joachim Low, o técnico atual, era auxiliar do Klinsmann – e todo mundo sabia o quanto ele era importante ali na comissão técnica. Pode até ser que a Alemanha jogue mal de agora em diante, mas a estréia foi condizente com sua última participação – aliás, na estréia em 2006 eles foram ótimos e golearam a Costa Rica.

(Ah, sim, é quem diga que a Alemanha teve a vida facilitada porque “a Austrália era muito fraca”. Peraê, tá cheio de time “muito fraco” mas ninguém mais goleou. Eles fizeram o jogo ficar fácil e gostoso. Time fraco tem uma capacidade incrível de tornar tudo muito chato e difícil).

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Tem gente que se decepcionou com o Brasil. Esperavam uma goleada contra a fraquíssima seleção da Coreia do Norte.

Eu não...

Estreia em Copa pode ser bem complicado – tem muito nervosismo, expectativa, pressão. E o Dunga, com sua estratégia de clausura, “nós contra todos”, acabou, creio eu, deixando todo mundo mais nervoso ainda. O clima de camaradagem virou estresse – vide o comportamento de alguns jogadores nos amistosos e treinos (e o desempenho do Luis Fabiano na estréia; embora ele insista “estou tranqüilo”, é evidente que não está. A sisudez nas entrevistas já sugeria isso).

E time fraco é um saco. Era óbvio que a Coreia se fecharia loucamente, apostando em contra-ataques com seu astro solitário. Aliás, eu achei até que, por distração e avaliação equivocada da nossa defesa, a Coreia marcaria primeiro... (Meu palpite para o jogo era 3 X 1). Marcou depois, mas a causa foi basicamente a mesma.

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Como eu não tinha a expectativa de goleada, também não achei o jogo tão ruim quanto a maioria.

Gostei das trocas de passes entre Robinho e Elano desde o começo do jogo; Maicon “entrou” depois, no início estava meio preso. Kaká pelejou, mas não foi bem. Luis Fabiano estava irriquieto, inseguro – ficou em impedimento várias vezes (incluindo algumas em que nem chegou a receber a bola, por isso mesmo).

Michel Bastos também foi melhorando durante o jogo. Felipe Melo e Gilberto Silva não comprometeram – o primeiro, aliás, lançou Elano o lance do gol do Maicon. Lúcio é meio afoito nas subidas ao ataque, mas confesso que gostei – esse é o tipo de partida em que o “elemento surpresa” pode ser muito útil. (O Mauro Cézar, da ESPN, só acha que ele sobe tanto que deixa de ser surpresa...). Juan foi muito bem. Julio Cesar não teve quase trabalho nenhum.

Quando o bloqueio é difícil de romper e a troca de passes não está funcionado, a jogada individual pode fazer diferença – a finta, o drible, um toque diferenciado, imprevisto. Por isso eu queria a entrada do Daniel Alves. Trajano e PVC queriam a saída do Elano; eu sugeri Felipe Melo porque achei que podíamos tranquilamente abrir mão de um jogador  de marcação – e até recuar um pouco o Elano, mas podendo contar com seu bom passe e visão de jogo pela direita, enquanto Daniel podia cair tanto pela direita quanto pela esquerda.

Não cheguei a pensar nele no lugar do Kaká, mas bem que podia. E depois Nilmar entrou bem demais no jogo. Ramires não chegou a fazer diferença.

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Elano é um daqueles caras escolhidos... para ser zoado. É um jogador muito técnico, inteligente, competente, dedicado, polivalente capaz até de alguns brilhos (pergunte aos argentinos). Naquele time do Santos que revelou Robinho e Diego, tinha um papel super importante. Mas virou símbolo da mediocridade, da falta de ambição. Sacanagem. Acho que se jogasse em outra seleção, reconheceríamos facilmente o quanto ele é bom.

“Ele errou muitos passes!”, disseram alguns. Quando a gente não gosta de um cara, enxerga todos os erros e despreza os acertos... Daniel Alves errou um passe longo bisonho, e daí? Ninguém deixa de gostar dele por isso. Se fosse o Elano...

Elano acertou muito, e com criatividade (acertar passe de lado é fácil). Fez a enfiada para o gol do Maicon e concluiu muito bem a jogada com Robinho. O que mais querem dele? De novo, se jogasse no Real Madri, valorizariam mais sua participação.

Sempre há cismas, implicâncias, preconceitos. Meu queridíssimo Alex, camisa 10, foi muito vítima disso. Galvão Bueno era líder da torcida adversária... O Zinho ficou com a fama de enceradeira – mesmo que precisasse segurar a bola porque não tinha um cristo desmarcado para quem ele pudesse passar Em 2006, o símbolo da mediocridade e falta de ambição etc. era o Zé Roberto! Escalado como volante, ele realmente parecia ocupar uma vaga que podia ser mais bem aproveitada por um jogador de criação. Ninguém lembrava que o Zé era talentoso, driblador, criativo, só estava mal escalado.  E na Copa ele acabou sendo justamente o que mais nos agradou.

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Prossegue discussão eterna sobre futebol bonito X futebol de resultados (pois se é eterna...). Quase sempre, uma bobagem.

Futebol pode ser bonito de várias maneiras – com jogo envolvente, cheio de fintas e dribles e muita movimentação e liberdade; com esquema super organizado, baseado em defesa firme e contra-ataque. Um drible de entortar é tão legal quanto uma troca rápida de passes, uma antecipação ou um desarme.

E futebol pode ser feio... Tenho discutido com um gaúcho (que faz muita questão de afirmar sua posição de “nós do sul contra vocês do centro”...) que parece não admitir isso - que exista algo chamado “futebol feio”; eficiência parece ser para ele algo que absolve qualquer time, qualquer jogo. “Feio é perder”.

Não concordo, acho que um time pode vencer e ser feio, chato de ver jogar. E a gente não precisa escolher a chatice como caminho para a vitória... Até porque uma não garante a outra. A gente pode jogar de um modo absolutamente sem graça e perder, e aí não sobra nada. Então eu prefiro um jogo gostoso de ver, com marcação forte e com ousadia, criatividade, talento individual – podemos perder jogando assim, mas ao menos teremos tido prazer com a partida em si. A alegria no final nunca é garantida; fiquemos com a alegria enquanto caminhamos.

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E a Espanha? 
 
A Espanha não jogou feio nem bonito, jogou mal. Nervosa, ineficaz. Pode melhorar muito.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Virada

Comecei a noite pela Luz. Ano passado, o Parque da Luz tinha instalações e apresentações lindas; este ano, as principais atrações estavam do lado de fora. Fomos recebidas (eu, filha, amigas da filha) por uma orquestra quando saímos da estação de trem... Palco enorme, multidão entusiasmada, um bom começo.
Demos um tempo ali e fomos à Pinacoteca. Também adorei passear pelas exposições em pleno sábado à noite... Aliás, me dei conta de que ainda não tinha visitado os andares superiores desde a famosa reforma, alguns anos atrás.

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Eu queria ter saído no Trem das Onze, que ia em direção ao Brás ao som de Adoniran Barbosa, mas as meninas não estavam com muita paciência para entrar na fila. Caminhamos, então, até a República – desta vez, a av. Cásper Líbero, que no ano passado estava intransitável com as multidões que foram ver homenagens a Raul Seixas, tinha espaço para andar. Ouvimos uma banda de rock (muito boa) e os primeiros malucos apareceram.

Um grupo de moleques de 16 ou 17 anos, quimicamente alterados (só um pouco mais alegres e extrovertidos do que seria o “normal”), anunciava pacotes de biscoito de polvilho – “2 por R$1,50!” Não foram lá para ganhar dinheiro, só queriam um trocado para ajudar na balada.

Depois que comprei um pacote, um deles gritou: “Não! Peraí! Você é cantora?” Começaram a fazer a maior algazarra. “É!” “Não é!”. Disse “não sou – sei que eu pareço muito com uma cantora, a Fernanda Takai, do Pato Fu”. Começaram a repetir Takai-Pato-Fu como se fosse um trava-línguas, até que um anunciou em altos brados: “Altas Horas do Serginho Groisman!”

Consegui perguntar para um deles: “E se eu fosse cantora?”. “Ah, a gente não ia poder cobrar o biscoito de você”.

Depois fiquei imaginando o que teria acontecido se eu tivesse dito: “Não, sou política”.

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Passamos no palco da Santa Efigênia, onde estavam tocando Reggae Dub, e seguimos pela São João, seguindo as sugestões dos totens de informação, bem colocados em várias esquinas. Pensamos em ficar um pouco na República, mas acabamos indo em direção ao Anhangabaú. Do Viaduto do Chá, vimos um balão e bonecos gigantes, mas seguimos para a frente do prédio da prefeitura.

Um campo de futebol vertical aguardava uma apresentação do Acrobático Fratelli, marcada para as 23:30 (ou era 00:30? Não lembro). Não tinha nem sinal de começar, então fomos dar uma espiada no palco dance da São Francisco.

Na volta, mais um encontro inusitado: um garoto, de uma turma de três (esses, sóbrios), pediu para tirar uma foto comigo. Ele quer ser jornalista e trabalhar na ESPN; o outro, na MTV. O terceiro... quer ser mecânico de aviões :o).

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Ano passado, naquele mesmo lugar (Líbero Badaró X Rua do Ouvidor), havia um grupo animadíssimo, pulando, tocando tambor e distribuindo abraços de cortesia. Chegando mais perto, entendemos o que diziam: “Ah! Jesus te a-ma! Ah! Jesus te a-ma!”

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Já tinha passado muito da hora marcada e nada de começar o espetáculo. Encontrei amigos e esperamos juntos. Um deles convidou outro amigo por telefone: “Vem, vai ter uma apresentação de circo”. O amigo: “O Palmeiras vai jogar aí?”. E eram palmeirenses, os dois. #quefaaaaaaaase

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Para não ficarmos parados esperando, fomos ver suspensão – gente pendurada por ganchos espetados na pele – na Galeria Prestes Maia.

Adivinhe? É chocante. Fiquei com pavor de os ganchos rasgarem a pele e o rapaz cair no chão.

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De volta à rua, ainda demorou bastante até começar o bendito jogo. Uma galera começou a pular abraçada, como se fosse uma almôndega, cantando o Hino Nacional. Direitinho, sem vacilar nem no “Brasil de amor eterno seja símbolo/ o lábaro que ostentas estrelado”.

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Finalmente, uma acrobata atravessou o Vale do Anhangabaú pendurada a um cabo de aço a uma altura impressionante.  Depois a trupe desceu do alto do prédio da prefeitura e logo começou o jogo.

Mas já estávamos exaustos, depois de muito caminhar e muito ficar em pé. Para o ano que vem, quero lembrar de levar banquetas ou papelão para sentar no chão, nem sempre limpo... Vi dois caminhões lotados de sacos de lixo recém-recolhido no começo da madrugada; não sei se era operação cotidiana ou especial para a virada. Mas não tem jeito, as pessoas jogam copos, papéis, espigas de milho no chão com a maior naturalidade. Sem falar no xixi... Mesmo que haja dois milhões de banheiros químicos, tem muita gente (gente com cromossomos XY) que não faz a menor questão de mijar no lugar certo.

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Meus amigos resolveram encarar uma ida ao Arouche tentar pegar o show do Sidney Magal. Soube que estava LOTADO.

Perdi muita coisa boa, mas arreguei. Fiquei com vontade de me programar melhor no ano que vem – desta vez, saí sem projeto, e andei mais do que vi, ouvi, dancei. Também fiquei imaginando uma imensa praça de alimentação no Viaduto do Chá, pra gente comer, sentar, curtir. (As barracas de pastel tinham filas imensas, mas vários bares e lanchonetes estavam funcionando. O problema não era falta de lugar para comer, mas eu queria mesmo algo mais no clima da Virada – ao ar livre, no meio da rua...). Também quis poder contar com táxi-bike...

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Na volta, um menino de uns 17 anos cutucou uma das amigas da minha filha, forgado que só. Ela nem se abalou, mas eu saí atrás dele mostrando o dedo médio. O amigo se incomodou por ele: “Desculpe. Mas... Você é a Soninha?”. Aí o outro, bêbado que só, parou: “Soninha? Ô, desculpe aí”. “Não é pra mim, pede desculpa pra ela”. Aí ele se tocou: “Desculpe... Ô, nem vi que era de menor , foi mal aí. Eu to bêbado, mas eu tenho noção, viu?” – falou, com a voz mais enrolada do mundo.

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Já eram quase duas horas da manhã e o metrô chegou à estação Anhangabaú, vindo da Zona Leste, LOTADO. Desceu quase todo mundo na República, e aí deu pra ver uma imensa mancha de vômito no chão do vagão.

O tempo passa, e a molecada continua achando que se divertir à  noite = beber até passar mal. Multiplique “molecada” por milhões, acrescente alguns milhares de adultos com idéia semelhante, e teremos quase um milagre de convivência.

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De tudo o que perdi (Living Colour, por exemplo), o que mais lamento foi não ter esperado um pouco para embarcar no trem do Adoniran... Deve ter sido divertido. Mas acho que a CPTM vai ter cada vez mais música nos trens e estações (aliás, o Piano da Luz estava lá, sempre à disposição de quem quiser tocar. Devia haver vários desses!)

Terminei a Virada onde não imaginava – no sofá de casa, assistindo transmissão ao vivo da TV Cultura. Ano que vem me preparo melhor na véspera (isto é, durmo) – mais do que qualquer show, andar de madrugada pela cidade fervilhando de gente é muito legal. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Batendo recordes

- Em 87, eu dava aulas de inglês e fazia teatro amador, quando participei da filmagem de um curta-metragem de alunos da ECA. Foi tão legal que eu resolvi fazer faculdade de cinema, mas foi sacrificado também. Passei duas noites seguidas filmando - e os dias, trabalhando. Resultado: em um sábado de manhã, depois de 60 horas em claro, eu dei aula... dormindo. Sonâmbula. Deve ter sido coisa de minutos, mas aconteceu. De repente, assustadíssima, eu acordei sentada à minha mesa. A última coisa de que eu me lembrava era de estar em pé no meio da sala! Os alunos, felizmente, estavam aplicadíssimos fazendo algum exercício escrito - eu só não sabia qual. Tive de ir até as carteiras descobrir o que eu tinha pedido para eles fazerem (ainda bem que não foi nenhum absurdo. Mesmo dormindo, até a página do livro eu acertei).

- Em algum ponto dos anos 90, eu trabalhava na MTV em três períodos e meio. Manhã, tarde, noite e começo da madrugada. Saíamos das gravações às 2:30 ou 3:00 da matina e uma "viatura" da tevê ia levar em casa os cinco ou seis funcionários que dependiam de condução, eu inclusive. Um morava na Paulista, outro no Ipiranga, um perto da Anchieta, outro na Vila Jaguara... Eu morava em Santana e no Jaguaré (algum dia explico). O resultado era uma via sacra; o último chegava em casa uma hora e meia depois.
Nesse contexto eu... morria de sono e cansaço, óbvio. E um dia dormi de pé em um show do James Brown no Palace. Juro. E não sou narcoléptica não.

- Ontem, eu dormi no segundo tempo do PRIMEIRO JOGO DO PALMEIRAS NA LIBERTADORES. Perdi dois gols.
Pelo menos eu estava no sofá e não no estádio. (Mas eu já pesquei no estádio)