"A frente de partidos e entidades de esquerda que apoiou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última eleição presidencial passou a admitir a posição do PDT de pedir a renúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso. A esquerda também decidiu cacifar o slogan "Fora FHC".
As decisões foram tomadas em reunião ontem, em São Paulo. Até agora, prevalecia na frente a posição do PT de só tentar uma campanha pelo impeachment de FHC, por causa principalmente da denúncia de envolvimento do presidente no leilão das teles.
"Vamos engrossar o movimento pelo impeachment, mas apoiamos também movimentos alternativos como a tese do PDT de pedir a renúncia do presidente", disse Tarso Genro, coordenador da frente"
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc29069905.htm
"...But when you talk about destruction/Don't you know that you can count me out"
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domingo, 16 de agosto de 2015
ImpeachOQUE?
Quem tem a minha idade – 47 – já ouviu essa palavra antes. Mas no começo da década de 90 era novidade, a gente não sabia bem como falar, muito menos escrever. Dava a entender que tinha a ver com piche, pichação... Eu lembrava das histórias de gibi em que jogavam piche e penas em algum malfeitor como castigo. Mas quando explicavam que “impeachment” quer dizer “impedimento”, já ficava mais fácil de entender.
Na época, tínhamos acabadado de eleger um presidente por voto direto pela primeira vez depois de muito tempo. Para minha geração, era inédito. Quando nasci já estávamos na ditadura militar, e ficávamos assistindo à troca de presidentes sem poder fazer muita coisa. O governo fazia um anúncio na TV - algo do tipo “saiu o nome do novo presidente, é o General Fulano de Tal”.
Depois de muita luta, reconquistamos o direito de escolher o presidente, e o primeiro vitorioso nas urnas foi Fernando Collor de Mello. O povo adorou o discurso dele de “Caçador de Marajás” - esse era o nome dado aos funcionários públicos que ganhavam salários altíssimos e trabalhavam muito pouco ou nada. Dizia que tinha acabado com esses privilégios quando era governador de Alagoas. Se hoje, com internet e tudo, ainda é possível enganar as pessoas que estão perto ou longe, quanto mais naquela época...
Em 1992, o irmão de Collor deu uma entrevista acusando o tesoureiro da campanha presidencial, o empresário PC Farias, de articular um esquema de corrupção dentro do governo. Era propina pra cá, dinheiro desviado pra lá... Aos poucos foram aparecendo outras denúncias confirmando e dando detalhes do esquema.
Em um domingo de sol, fui para a frente do Teatro Municipal vestida de preto com meus amigos da faculdade e minhas filhas pequenas para pedir "Fora Collor". Algum tempo depois, uma equipe da MTV, onde eu trabalhava, saiu para fazer a cobertura da grande manifestação de estudantes na Avenida Paulista com a mesma motivação. Eu me lembro da discussão na redação - não era uma emissora jornalística, mas não podíamos deixar de registrar!
Agora as ruas estão sendo tomadas novamente por apelos de "Fora presidente" (Dilma, claro) e no dia 16 de agosto vai haver manifestações no Brasil inteiro. Eu vou. Tem sempre uns doidos, extremados ou "apenas" equivocados, a fim de violência, golpe militar, derrubada na marra. Eu não. Só quero que o Brasil acerte seu rumo outra vez.
Soninha Francine ainda não decidiu se vai de branco, verde-amarelo, vermelho...
Na época, tínhamos acabadado de eleger um presidente por voto direto pela primeira vez depois de muito tempo. Para minha geração, era inédito. Quando nasci já estávamos na ditadura militar, e ficávamos assistindo à troca de presidentes sem poder fazer muita coisa. O governo fazia um anúncio na TV - algo do tipo “saiu o nome do novo presidente, é o General Fulano de Tal”.
Depois de muita luta, reconquistamos o direito de escolher o presidente, e o primeiro vitorioso nas urnas foi Fernando Collor de Mello. O povo adorou o discurso dele de “Caçador de Marajás” - esse era o nome dado aos funcionários públicos que ganhavam salários altíssimos e trabalhavam muito pouco ou nada. Dizia que tinha acabado com esses privilégios quando era governador de Alagoas. Se hoje, com internet e tudo, ainda é possível enganar as pessoas que estão perto ou longe, quanto mais naquela época...
Em 1992, o irmão de Collor deu uma entrevista acusando o tesoureiro da campanha presidencial, o empresário PC Farias, de articular um esquema de corrupção dentro do governo. Era propina pra cá, dinheiro desviado pra lá... Aos poucos foram aparecendo outras denúncias confirmando e dando detalhes do esquema.
Em um domingo de sol, fui para a frente do Teatro Municipal vestida de preto com meus amigos da faculdade e minhas filhas pequenas para pedir "Fora Collor". Algum tempo depois, uma equipe da MTV, onde eu trabalhava, saiu para fazer a cobertura da grande manifestação de estudantes na Avenida Paulista com a mesma motivação. Eu me lembro da discussão na redação - não era uma emissora jornalística, mas não podíamos deixar de registrar!
Agora as ruas estão sendo tomadas novamente por apelos de "Fora presidente" (Dilma, claro) e no dia 16 de agosto vai haver manifestações no Brasil inteiro. Eu vou. Tem sempre uns doidos, extremados ou "apenas" equivocados, a fim de violência, golpe militar, derrubada na marra. Eu não. Só quero que o Brasil acerte seu rumo outra vez.
Soninha Francine ainda não decidiu se vai de branco, verde-amarelo, vermelho...
quinta-feira, 6 de março de 2014
Conselho Municipal de Trânsito e Transportes - primeiros resultados
Encontrei, depois de muito fuçar (e assunto tão importante deveria estar em destaque) o relatório da Comissão Eleitoral a respeito da votação de 15 de fevereiro.
Uma bandalheira foi corrigida, mas é pouco.
A Comissão CONCORDOU em anular a eleição para os movimentos sociais, acatando os argumentos apresentados por duas das chapas participantes, conforme consta no relatório da reunião:
a) A não distribuição organizada das cédulas para votação, mediante a apresentação da ficha cadastral dos participantes;
b) Interferência de candidatos na destruição das cédulas; [eles quiseram dizer "distribuição"]
c) 10 participantes aproximadamente que não conseguiram se cadastrar, portanto não puderam votar;
d) Diferença entre número de participantes cadastrados e o número de votos apurados, sendo esse ultimo superior.
Não levaram em consideração outras reclamações, como a de que em momento algum foi solicitado RG ou Título de Eleitor para conferência.
***
O resultado da eleição por setor revela as distorções no formato proposto. Vejamos os eleitos em cada setor:
Sindicato de Trabalhadores: Titular - Alexandre Gerolamo de Almeida
Sind. dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Escolar do Município de São Paulo
Suplente - Antônio Soares Vieira Filho
Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo
Obtiveram 87 votos.
Comentário: se por alguma razão o representante dos motoristas de transporte escolar não estiver presente, será substituído por alguém do Sindicato dos Bancários - não porque ele tenha sido o segundo mais votado, o que justificaria tamanha discrepância, mas sim porque foi o suplente apresentado na própria Chapa vencedora.
Diferentemente do que aconteceu em outros setores, o relatório não informa quais eram as outras Chapas inscritas (ou não deixa claro se era Chapa Única).
Movimento Estudantil Secundarista: Titular - Marcos Kaue Ferreira de Queiroz
União Municipal dos Estudantes Secundaristas - UMES
Suplente - Thaisa Maria do Nascimento
União Municipal dos Estudantes Secundaristas - UMES
Eleita com 73 votos.
Movimento Estudantil Universitário: Titular - Carina Vitral Costa
União Estadual dos de São Paulo - UEE
Suplente - Bruno Reis
União Estadual dos* de São Paulo - UEE
[*deve ser "dos estudantes universitários"; copiei exatamente o q diz o relatório]
Eleita com 53 votos.
Comentário: os Movimentos Estudantis foram privilegiados com DUAS cadeiras no Conselho. Havia UMA outra reservada para "Movimentos Sociais" em geral. Poderia ter sido eleito um representante dos estudantes de modo geral, com candidatos não necessariamente participantes de um ou outro movimento organizado. De novo, o relatório da Comissão não deixa claro se houve Chapa Única no caso dos Secundaristas ou se apenas deixou de informar as demais. No caso do Movimento Universitário, ele informa que a segunda colocada foi a Chapa do DCE/USP, com 35 votos.
Juventude: Titular - Greg Manoel
União da Juventude Brasileira - UJB
Suplente - Gabriel de Souza Freitas
União da Juventude Brasileira - UJB
Eleita com 68 votos
Comentário: foi Chapa Única? De novo, não sabemos. Mas aqui, mais uma vez por decisão questionável quanto à reserva de vagas por setor, podia ter sido eleito o representante de um Movimento Estudantil - nada impedia.
Idoso: Titular - Sinésio Gobbo
Movimento em Marcha
Suplente - Daniel Santos
Instituto Brasilidade
Eleita com 21 votos
Comentário: aqui sabemos quais foram as 3 Chapas mais votadas. Em segundo lugar, ficou a do Grande Conselho do Idoso, com 18 votos. Em terceiro, a Rede Butantã, com dois votos. No dia da eleição, ouvi os organizadores presentes dizerem mais de uma vez "as outras foram tranquilas, só na do Idoso teve briga".
Meio Ambiente e Saúde: Titular - Paulo de Tarso W. Frangetto
Conselho Municipal da Saúde
Suplente - Fátima Feitosa
Conselho Municipal da Saúde
Eleito com 8 votos.
Comentário: era o setor para o qual eu teria me inscrito, sendo ecomala como sou. Precisaria ter apresentado uma declaração de "entidade, conselho ou instituto". (Aliás, em todos os casos era necessário o candidato apresentar algum tipo de declaração, exceto em "juventude". Se eles foram dispensados, por que os idosos e pressoas com deficiência não foram, visto que era uma condição bem fácil de atestar?). No fim das contas, o forte Conselho Municipal de Saúde levou e ainda ficou com o segundo lugar! O Conselho JÁ É representante da sociedade civil junto à prefeitura, e ainda foi eleito para esse. Era melhor ter reservado assentos para cada Conselho Municipal existente, ou convidar sempre um representante deles para as reuniões, e deixar a população em geral escolher outro para essa cadeira...
Pessoa com Deficiência: Titular: Gilberto Frachetta
Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência
Suplente: Maria de Fátima da Silva Lima
Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência
Eleita com 17 votos.
Comentário: aqui também um Conselho Municipal que já atua junto à prefeitura, conquista na "eleição geral" assento em outro Conselho. Acaba sendo um tipo de concentração de poderes. Em segundo lugar, ficaram os representantes do Movimento Cidade para todos.
ONGs: Titular - Davi de Souza
Associação de Auxilio Mútuo da Região Leste - APOIO
Suplente - Joselina Martins Pereira
Associação de Auxilio Mútuo da Região Leste - APOIO
Eleita com 95 votos.
Comentário: em segundo lugar ficou a Chapa 3, que representava o Instituto de Ética e comportamento no Trânsito - IECT. Não sei se havia Chapa 2. Presumo que sim, porque a inscrição era feita na hora e não sei por que ela se ausentaria logo depois e ter se inscrito.
Movimentos Sociais: esse foi o setor cuja votação foi anulada. Foram inscritas quatro Chapas - a 1 representava Associação Unificada dos Moradores de Bairros Jardim 7 de Setembro e Almeida Prado I e II; a 2 trazia como titular o representante da Associação de Moradia do Parque Otelo e, como suplente, do Movimento em Marcha (que, como se viu, disputou também a eleição no setor Idoso E VENCEU). A 3 era da Frente de Luta por Moradia - FLM e a 4,da Confederação Nacional das Associações de Moradores. Uma das irregularidades constatadas, sem qualquer possibilidade de contestação, nessa votação foi o fato de ter havido mais votos que eleitores inscritos. Como é evidente que a Chapa 2, que saiu vencedora, foi beneficiada (e os presentes testemunharam o candidato eleito entregando várias cédulas para a mesma pessoa), era justo que fosse IMPEDIDA de participar do novo pleito.
Comentários finais:
- Como demonstração de que a divulgação foi tímida, basta ver o número de votos com que os representantes foram eleitos. Para uma votação aberta a toda população paulistana, o quórum foi ridículo. Mesmo assim, FALTARAM CÉDULAS!
- Houve divergência na divulgação do HORÁRIO da votação.
- Era UM local de votação na cidade toda, e todo o processo aconteceu apenas no sábado de manhã. Sequer foi o dia inteiro
- A urna era uma caixa de papelão; os votos, filipetas sem nenhum controle de autenticidade. E com um problema de "design" que não deixava claro qual campo a preencher com o número do concorrente. Segundo denúncia de candidatos, a decisão sobre anular ou não a filipeta preenchida incorretamente dependia de para quem era o voto.
- No auditório onde foi feita a apuração dos votos dos Movimentos Sociais, não havia nenhuma informação sobre quais eram as Chapas e quem representavam.
- A inscrição dos candidatos era feita NA HORA, portanto não havia nenhuma possibilidade razoável de se informar sobre eles com mais cuidado.
***
Ainda não foi publicado o relatório da Comissão Eleitoral (nem há informação sb a data da reunião - se já aconteceu ou não) a respeito segunda parte da votação, a dos representantes Regionais. Ela também repleta de erros absurdos. A da Zona Oeste, onde votei, tinha de ser anulada pelas razões que vou expor no próximo post.
***
PS: eis a lista das declarações que os candidatos deveriam apresentar para concorrer por um setor:
Meio Ambiente e Saúde: Declaração de entidade, Conselho ou Instituto ["entidade" já bastaria, não?]
Juventude: Grupos de igrejas, Conselhos, Juventude de Partidos Políticos, Movimentos [bastava se auto-declarar? O regimento publicado não diz que não... Os movimentos de juventude, na verdade, se ressentem quando os representantes tem mais de 29 anos, uma das convenções mais aceitas para se considerar o ingresso na idade adulta. Há muitos critérios diferentes. Mas, como se vê, idade não foi critério.
Sindicato: Declaração Sindicato que Representa
ONGs: Declaração da ONG
Ciclistas: Declaração dos Movimentos, Organizações Ligadas a Temática
Pessoa com Deficiência: Declaração de Entidade, Movimento ou Conselhos [ou seja, de acordo com o regimento, não bastaria nem seria indispensável ser uma pessoa com deficiência que fosse atuante e se mobilizasse para conquistar eleitores].
Idoso: Declaração de Entidade, Movimento ou Conselhos [idem acima]
Movimento Estudantil Secundarista: Declaração do Grêmio Estudantil, UMES [ibidem... um "reles" estudante secundarista que seja um batalhador pela causa da mobilidade não poderia concorrer sem uma declaração].
Movimento Estudantil Universitário: Declaração do Centro Acadêmico, DCE, UEE e Atléticas [mesma coisa].
Movimentos Sociais: Declaração dos Movimentos que Representam a Sociedade civil
***
Em breve, vou publicar neste post e no próximo a relação completa dos vídeos que gravei durante as duas votações, a do dia 15 e do dia 22. Em post anterior já inseri alguns deles.
Uma bandalheira foi corrigida, mas é pouco.
A Comissão CONCORDOU em anular a eleição para os movimentos sociais, acatando os argumentos apresentados por duas das chapas participantes, conforme consta no relatório da reunião:
a) A não distribuição organizada das cédulas para votação, mediante a apresentação da ficha cadastral dos participantes;
b) Interferência de candidatos na destruição das cédulas; [eles quiseram dizer "distribuição"]
c) 10 participantes aproximadamente que não conseguiram se cadastrar, portanto não puderam votar;
d) Diferença entre número de participantes cadastrados e o número de votos apurados, sendo esse ultimo superior.
Não levaram em consideração outras reclamações, como a de que em momento algum foi solicitado RG ou Título de Eleitor para conferência.
***
O resultado da eleição por setor revela as distorções no formato proposto. Vejamos os eleitos em cada setor:
Sindicato de Trabalhadores: Titular - Alexandre Gerolamo de Almeida
Sind. dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Escolar do Município de São Paulo
Suplente - Antônio Soares Vieira Filho
Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo
Obtiveram 87 votos.
Comentário: se por alguma razão o representante dos motoristas de transporte escolar não estiver presente, será substituído por alguém do Sindicato dos Bancários - não porque ele tenha sido o segundo mais votado, o que justificaria tamanha discrepância, mas sim porque foi o suplente apresentado na própria Chapa vencedora.
Diferentemente do que aconteceu em outros setores, o relatório não informa quais eram as outras Chapas inscritas (ou não deixa claro se era Chapa Única).
Movimento Estudantil Secundarista: Titular - Marcos Kaue Ferreira de Queiroz
União Municipal dos Estudantes Secundaristas - UMES
Suplente - Thaisa Maria do Nascimento
União Municipal dos Estudantes Secundaristas - UMES
Eleita com 73 votos.
Movimento Estudantil Universitário: Titular - Carina Vitral Costa
União Estadual dos de São Paulo - UEE
Suplente - Bruno Reis
União Estadual dos* de São Paulo - UEE
[*deve ser "dos estudantes universitários"; copiei exatamente o q diz o relatório]
Eleita com 53 votos.
Comentário: os Movimentos Estudantis foram privilegiados com DUAS cadeiras no Conselho. Havia UMA outra reservada para "Movimentos Sociais" em geral. Poderia ter sido eleito um representante dos estudantes de modo geral, com candidatos não necessariamente participantes de um ou outro movimento organizado. De novo, o relatório da Comissão não deixa claro se houve Chapa Única no caso dos Secundaristas ou se apenas deixou de informar as demais. No caso do Movimento Universitário, ele informa que a segunda colocada foi a Chapa do DCE/USP, com 35 votos.
Juventude: Titular - Greg Manoel
União da Juventude Brasileira - UJB
Suplente - Gabriel de Souza Freitas
União da Juventude Brasileira - UJB
Eleita com 68 votos
Comentário: foi Chapa Única? De novo, não sabemos. Mas aqui, mais uma vez por decisão questionável quanto à reserva de vagas por setor, podia ter sido eleito o representante de um Movimento Estudantil - nada impedia.
Idoso: Titular - Sinésio Gobbo
Movimento em Marcha
Suplente - Daniel Santos
Instituto Brasilidade
Eleita com 21 votos
Comentário: aqui sabemos quais foram as 3 Chapas mais votadas. Em segundo lugar, ficou a do Grande Conselho do Idoso, com 18 votos. Em terceiro, a Rede Butantã, com dois votos. No dia da eleição, ouvi os organizadores presentes dizerem mais de uma vez "as outras foram tranquilas, só na do Idoso teve briga".
Meio Ambiente e Saúde: Titular - Paulo de Tarso W. Frangetto
Conselho Municipal da Saúde
Suplente - Fátima Feitosa
Conselho Municipal da Saúde
Eleito com 8 votos.
Comentário: era o setor para o qual eu teria me inscrito, sendo ecomala como sou. Precisaria ter apresentado uma declaração de "entidade, conselho ou instituto". (Aliás, em todos os casos era necessário o candidato apresentar algum tipo de declaração, exceto em "juventude". Se eles foram dispensados, por que os idosos e pressoas com deficiência não foram, visto que era uma condição bem fácil de atestar?). No fim das contas, o forte Conselho Municipal de Saúde levou e ainda ficou com o segundo lugar! O Conselho JÁ É representante da sociedade civil junto à prefeitura, e ainda foi eleito para esse. Era melhor ter reservado assentos para cada Conselho Municipal existente, ou convidar sempre um representante deles para as reuniões, e deixar a população em geral escolher outro para essa cadeira...
Pessoa com Deficiência: Titular: Gilberto Frachetta
Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência
Suplente: Maria de Fátima da Silva Lima
Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência
Eleita com 17 votos.
Comentário: aqui também um Conselho Municipal que já atua junto à prefeitura, conquista na "eleição geral" assento em outro Conselho. Acaba sendo um tipo de concentração de poderes. Em segundo lugar, ficaram os representantes do Movimento Cidade para todos.
ONGs: Titular - Davi de Souza
Associação de Auxilio Mútuo da Região Leste - APOIO
Suplente - Joselina Martins Pereira
Associação de Auxilio Mútuo da Região Leste - APOIO
Eleita com 95 votos.
Comentário: em segundo lugar ficou a Chapa 3, que representava o Instituto de Ética e comportamento no Trânsito - IECT. Não sei se havia Chapa 2. Presumo que sim, porque a inscrição era feita na hora e não sei por que ela se ausentaria logo depois e ter se inscrito.
Movimentos Sociais: esse foi o setor cuja votação foi anulada. Foram inscritas quatro Chapas - a 1 representava Associação Unificada dos Moradores de Bairros Jardim 7 de Setembro e Almeida Prado I e II; a 2 trazia como titular o representante da Associação de Moradia do Parque Otelo e, como suplente, do Movimento em Marcha (que, como se viu, disputou também a eleição no setor Idoso E VENCEU). A 3 era da Frente de Luta por Moradia - FLM e a 4,da Confederação Nacional das Associações de Moradores. Uma das irregularidades constatadas, sem qualquer possibilidade de contestação, nessa votação foi o fato de ter havido mais votos que eleitores inscritos. Como é evidente que a Chapa 2, que saiu vencedora, foi beneficiada (e os presentes testemunharam o candidato eleito entregando várias cédulas para a mesma pessoa), era justo que fosse IMPEDIDA de participar do novo pleito.
Comentários finais:
- Como demonstração de que a divulgação foi tímida, basta ver o número de votos com que os representantes foram eleitos. Para uma votação aberta a toda população paulistana, o quórum foi ridículo. Mesmo assim, FALTARAM CÉDULAS!
- Houve divergência na divulgação do HORÁRIO da votação.
- Era UM local de votação na cidade toda, e todo o processo aconteceu apenas no sábado de manhã. Sequer foi o dia inteiro
- A urna era uma caixa de papelão; os votos, filipetas sem nenhum controle de autenticidade. E com um problema de "design" que não deixava claro qual campo a preencher com o número do concorrente. Segundo denúncia de candidatos, a decisão sobre anular ou não a filipeta preenchida incorretamente dependia de para quem era o voto.
- No auditório onde foi feita a apuração dos votos dos Movimentos Sociais, não havia nenhuma informação sobre quais eram as Chapas e quem representavam.
- A inscrição dos candidatos era feita NA HORA, portanto não havia nenhuma possibilidade razoável de se informar sobre eles com mais cuidado.
***
Ainda não foi publicado o relatório da Comissão Eleitoral (nem há informação sb a data da reunião - se já aconteceu ou não) a respeito segunda parte da votação, a dos representantes Regionais. Ela também repleta de erros absurdos. A da Zona Oeste, onde votei, tinha de ser anulada pelas razões que vou expor no próximo post.
***
PS: eis a lista das declarações que os candidatos deveriam apresentar para concorrer por um setor:
Meio Ambiente e Saúde: Declaração de entidade, Conselho ou Instituto ["entidade" já bastaria, não?]
Juventude: Grupos de igrejas, Conselhos, Juventude de Partidos Políticos, Movimentos [bastava se auto-declarar? O regimento publicado não diz que não... Os movimentos de juventude, na verdade, se ressentem quando os representantes tem mais de 29 anos, uma das convenções mais aceitas para se considerar o ingresso na idade adulta. Há muitos critérios diferentes. Mas, como se vê, idade não foi critério.
Sindicato: Declaração Sindicato que Representa
ONGs: Declaração da ONG
Ciclistas: Declaração dos Movimentos, Organizações Ligadas a Temática
Pessoa com Deficiência: Declaração de Entidade, Movimento ou Conselhos [ou seja, de acordo com o regimento, não bastaria nem seria indispensável ser uma pessoa com deficiência que fosse atuante e se mobilizasse para conquistar eleitores].
Idoso: Declaração de Entidade, Movimento ou Conselhos [idem acima]
Movimento Estudantil Secundarista: Declaração do Grêmio Estudantil, UMES [ibidem... um "reles" estudante secundarista que seja um batalhador pela causa da mobilidade não poderia concorrer sem uma declaração].
Movimento Estudantil Universitário: Declaração do Centro Acadêmico, DCE, UEE e Atléticas [mesma coisa].
Movimentos Sociais: Declaração dos Movimentos que Representam a Sociedade civil
***
Em breve, vou publicar neste post e no próximo a relação completa dos vídeos que gravei durante as duas votações, a do dia 15 e do dia 22. Em post anterior já inseri alguns deles.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Conselho Municipal de Trânsito e Transporte - PROBLEMAS
Semana retrasada, escrevi meus primeiros protestos sobre o processo de escolha do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte. Recapitulando:
- 1/3 do Conselho é composto por representantes de 10 setores. A definição dos setores é bastante discutível:
Movimento Estudantil Secundarista
Movimento Estudantil Universitário
Juventude
ONGs
Sindicatos de Trabalhadores
Movimentos Sociais
Idosos
Pessoas com Deficiência
Ciclistas
Saúde e Meio Ambiente
Como se vê, 6 dos 10 são sobrepostos ou coincidentes (Movimentos/ ONGs/ Sindicatos...).
Jovens tem facilidade para eleger 3 representantes (movimentos estudantis e Juventude); idosos tem direito a apenas 1. Pedestres, motoboys e taxistas não foram lembrados. "Movimentos Sociais" e "Ongs" abrem um campo enorme, indefinido, que não chega a configurar um "setor".
- A divulgação foi muito deficiente. Algumas pessoas viram cartazes nos ônibus; andei bastante de ônibus nas últimas semanas e não vi nenhum - não foram colocados em todos os ônibus. Não é difícil constatar que MILHÕES de pessoas sequer ficaram sabendo.
- A inscrição dos candidatos era feita NA HORA. (Como se informar adequadamente?)
- Cada candidato se inscrevia com seu suplente. (Se em vez disso o suplente fosse o segundo mais votado, a vontade dos eleitores seria mais bem representada, mas a prefeitura optou por "The winner takes it all" - o vencedor leva tudo).
- Cada cidadão precisava escolher o setor em que se sentia representado e tinha o direito a um único voto. Se quisesse participar da eleição do representante de meio ambiente e também dos ciclistas, tinha de optar por um deles.
- A eleição dos setores foi marcada para um único dia, em apenas um local de votação e em meio período. É óbvia a dificuldade de muitas pessoas para comparecer. Quem mora longe, quem trabalha no sábado de manhã...
- Havia divergência nos HORÁRIOS anunciados. Quem fosse, fazendo muito sacrifício, ainda corria o risco de comparecer no horário errado.

A frente do folheto informava: sábado, das 8h30 às 12h00.

Já o verso especificava: início da votação às 10; encerramento às 10h40. (QUARENTA MINUTOS para a votação!)
Enquanto isso, o Regulamento publicado no site da prefeitura dizia que a votação começava às 11h00.

- Não presenciei então não tenho como garantir que é verdade, mas candidatos relataram ter visto pessoas votando em mais de uma sala. Fato é que não havia nenhum controle e é perfeitamente possível que um eleitor tenha votado várias vezes. Como observou um eleitor (e o vídeo 2, abaixo, mostra isso), ninguém solicitou RG ou título de eleitor.
- Para comprovar ter relação com o setor, o candidato precisava apresentar uma declaração de entidade, instituição ou Conselho. Ao mesmo tempo em que isso pode ser complicado para um candidato legítimo (ir atrás do documento), é fácil de burlar por alguém mal intencionado. Um sindicato, por exemplo, que quisesse vencer a eleição em dois setores, poderia produzir declarações "atestando" qualquer coisa ("sim, ela atua na área ambiental")

Um eleitor afirma ter visto "o pessoal de camisa amarela", que disputou e venceu a eleição dos Movimentos Sociais, disputando também por outros setores.
- Em algumas salas, o eleitor votava diante da comissão organizadora, sem direito a sigilo.
- Candidatos apontaram que integrantes de setores que disputavam a eleição (entidades estudantis, por exemplo). também faziam parte da organização. De fato, uma entidade estudantil tem assento na Comissão Eleitoral.

***
Fui para o local de votação disposta a visitar as dez salas e ver seu andamento. Quantos tinham mais de um candidato, quais eram eles. Mas entrei logo no setor "Movimentos Sociais" e não saí mais. Gravei:
Parte 1
Destaques:
1:39 - "Tinha de pegar as filipetas lá fora até as 9h30". Mais uma informação que não condiz com o que foi divulgado. O folheto informava apenas - e no verso - que a votação começaria às 10, cf o folheto; ou às 11h, cf o regulamento.
02:09 - "Põe os candidatos atrás da mesa"! O condutor da eleição postou os candidatos de pé à frente da mesa onde seriam apurados os votos, quando poderiam estar sentados de frente para a plateia. Um eleitor protestou.
02:52 - "É lógico que houve desorganização", admite o mediador.
03:09 - Eleitora explica que faltou cédula (impressa na forma de crachá) e começaram a distribuir filipetas (que seriam colocadas na urna) sem controle. Para alguns, faltou. Mas, segunda ela (e muitos presentes), em outros casos sobrou: aos 4:25 ela conta que candidatos saíram distribuindo aos montes, entregando várias filipetas para a mesma pessoa.
03:25 - Organizador informa que a Comissão Eleitoral tem um prazo para analisar e pode impugnar o resultado
Parte 2
Destaques:
- Aos 2:15, depois de ter dito que a votação estava encerrada, o condutor do processo queria reabrir para duas pessoas. A plateia protestou e ele voltou atrás.
- 5:58: "Só aqui candidato distribui cédula" (umas das maiores queixas dos presentes: depois da falta de cédulas, candidatos ajudaram a distribuir filipetas para quem não tinha votado - e entregavam várias para um mesmo eleitor.
- 6:48 - Eleitor reclama que em nenhum momento pediram para conferir seu título de eleitor e RG. (O item 1.4 do Regulamento exigia a apresentação de documento).
Parte 3
Depois de apurados os votos, foi lida a ata com as críticas dos candidatos (infelizmente, não gravei essa parte) e a organização garantiu que a ata seria avaliada pela Comissão Eleitoral.
(Continua...)
- 1/3 do Conselho é composto por representantes de 10 setores. A definição dos setores é bastante discutível:
Movimento Estudantil Secundarista
Movimento Estudantil Universitário
Juventude
ONGs
Sindicatos de Trabalhadores
Movimentos Sociais
Idosos
Pessoas com Deficiência
Ciclistas
Saúde e Meio Ambiente
Como se vê, 6 dos 10 são sobrepostos ou coincidentes (Movimentos/ ONGs/ Sindicatos...).
Jovens tem facilidade para eleger 3 representantes (movimentos estudantis e Juventude); idosos tem direito a apenas 1. Pedestres, motoboys e taxistas não foram lembrados. "Movimentos Sociais" e "Ongs" abrem um campo enorme, indefinido, que não chega a configurar um "setor".
- A divulgação foi muito deficiente. Algumas pessoas viram cartazes nos ônibus; andei bastante de ônibus nas últimas semanas e não vi nenhum - não foram colocados em todos os ônibus. Não é difícil constatar que MILHÕES de pessoas sequer ficaram sabendo.
- A inscrição dos candidatos era feita NA HORA. (Como se informar adequadamente?)
- Cada candidato se inscrevia com seu suplente. (Se em vez disso o suplente fosse o segundo mais votado, a vontade dos eleitores seria mais bem representada, mas a prefeitura optou por "The winner takes it all" - o vencedor leva tudo).
- Cada cidadão precisava escolher o setor em que se sentia representado e tinha o direito a um único voto. Se quisesse participar da eleição do representante de meio ambiente e também dos ciclistas, tinha de optar por um deles.
- A eleição dos setores foi marcada para um único dia, em apenas um local de votação e em meio período. É óbvia a dificuldade de muitas pessoas para comparecer. Quem mora longe, quem trabalha no sábado de manhã...
- Havia divergência nos HORÁRIOS anunciados. Quem fosse, fazendo muito sacrifício, ainda corria o risco de comparecer no horário errado.

A frente do folheto informava: sábado, das 8h30 às 12h00.

Já o verso especificava: início da votação às 10; encerramento às 10h40. (QUARENTA MINUTOS para a votação!)
Enquanto isso, o Regulamento publicado no site da prefeitura dizia que a votação começava às 11h00.

- Não presenciei então não tenho como garantir que é verdade, mas candidatos relataram ter visto pessoas votando em mais de uma sala. Fato é que não havia nenhum controle e é perfeitamente possível que um eleitor tenha votado várias vezes. Como observou um eleitor (e o vídeo 2, abaixo, mostra isso), ninguém solicitou RG ou título de eleitor.
- Para comprovar ter relação com o setor, o candidato precisava apresentar uma declaração de entidade, instituição ou Conselho. Ao mesmo tempo em que isso pode ser complicado para um candidato legítimo (ir atrás do documento), é fácil de burlar por alguém mal intencionado. Um sindicato, por exemplo, que quisesse vencer a eleição em dois setores, poderia produzir declarações "atestando" qualquer coisa ("sim, ela atua na área ambiental")

Um eleitor afirma ter visto "o pessoal de camisa amarela", que disputou e venceu a eleição dos Movimentos Sociais, disputando também por outros setores.
- Em algumas salas, o eleitor votava diante da comissão organizadora, sem direito a sigilo.
- Candidatos apontaram que integrantes de setores que disputavam a eleição (entidades estudantis, por exemplo). também faziam parte da organização. De fato, uma entidade estudantil tem assento na Comissão Eleitoral.

***
Fui para o local de votação disposta a visitar as dez salas e ver seu andamento. Quantos tinham mais de um candidato, quais eram eles. Mas entrei logo no setor "Movimentos Sociais" e não saí mais. Gravei:
Parte 1
Destaques:
1:39 - "Tinha de pegar as filipetas lá fora até as 9h30". Mais uma informação que não condiz com o que foi divulgado. O folheto informava apenas - e no verso - que a votação começaria às 10, cf o folheto; ou às 11h, cf o regulamento.
02:09 - "Põe os candidatos atrás da mesa"! O condutor da eleição postou os candidatos de pé à frente da mesa onde seriam apurados os votos, quando poderiam estar sentados de frente para a plateia. Um eleitor protestou.
02:52 - "É lógico que houve desorganização", admite o mediador.
03:09 - Eleitora explica que faltou cédula (impressa na forma de crachá) e começaram a distribuir filipetas (que seriam colocadas na urna) sem controle. Para alguns, faltou. Mas, segunda ela (e muitos presentes), em outros casos sobrou: aos 4:25 ela conta que candidatos saíram distribuindo aos montes, entregando várias filipetas para a mesma pessoa.
03:25 - Organizador informa que a Comissão Eleitoral tem um prazo para analisar e pode impugnar o resultado
Parte 2
Destaques:
- Aos 2:15, depois de ter dito que a votação estava encerrada, o condutor do processo queria reabrir para duas pessoas. A plateia protestou e ele voltou atrás.
- 5:58: "Só aqui candidato distribui cédula" (umas das maiores queixas dos presentes: depois da falta de cédulas, candidatos ajudaram a distribuir filipetas para quem não tinha votado - e entregavam várias para um mesmo eleitor.
- 6:48 - Eleitor reclama que em nenhum momento pediram para conferir seu título de eleitor e RG. (O item 1.4 do Regulamento exigia a apresentação de documento).
Parte 3
Depois de apurados os votos, foi lida a ata com as críticas dos candidatos (infelizmente, não gravei essa parte) e a organização garantiu que a ata seria avaliada pela Comissão Eleitoral.
(Continua...)
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Mais Médicos - crítica ideológica à ideologização
Alberto Dines assina no Observatório da Imprensa o artigo abaixo:
Mídia não explica, demoniza
Mais médicos, Menos ideologia
Há quase dois meses discute-se a implementação do programa “Mais Médicos” para atender as exigências dos manifestantes de junho. Vacilante, o governo foi apresentando uma sucessão de idéias incompletas que as corporações médica e acadêmica foram torpedeando implacavelmente. Com o decidido apoio da corporação jornalística.
O projeto sobrevivente e o mais consistente, apresentado pela própria presidente Dilma Rousseff em seguida às manifestações, previa a importação de médicos do exterior. Inclusive cubanos. Não era novidade: médicos desse país já prestaram serviço em diversos pontos do Brasil, com excelentes resultados.
À medida que a ideia se cristalizava, aumentava a histeria anticubana que se estendia a candidatos de outros países, especialmente Portugal e Espanha.
Acusações primárias se alternavam: ora dizia-se que os cubanos viriam como espiões ou agentes provocadores, ora que chegariam aqui na condição de escravos (ganhando salários irrisórios enquanto o governo de Havana ficaria com a parte do leão dos 10 mil reais mensais pagos pelo governo brasileiro). Alegou-se que cláusulas especiais foram impostas para evitar que os cubanos pedissem asilo político (por isso vinham sozinhos, sem a família). Nenhum editor deu-se ao trabalho de esclarecer, explicar vantagens e desvantagens.
Gestos e opções
Nos últimos dias, em desespero de causa, celebrados opinionistas acusaram os irmãos Castro de converter seus médicos em simples commodities, fonte de divisas para financiar um país falido. Argumento pueril, enganoso: commodities são bens em estado bruto, médicos são bens com alto valor agregado. A Índia estimula a saída dos seus cientistas e especialistas em informática de olho no retorno que trarão ao país; o mesmo acontece com Israel, que há décadas exporta agrônomos para os quatro cantos do mundo.
O exercício da medicina não pode ser examinado sem levar em conta o seu caráter humanitário. Levar médicos aos grotões do país – além de salvar vidas preciosas, contribuirá decisivamente para desmonetizar uma profissão que vem perdendo velozmente o seu caráter original, solidário e altruísta.
Nossa mídia embarcou de corpo e alma nessa cruzada egoísta, antissocial, fomentada primordialmente pela poderosa corporação médica, pelas empresas de ensino superior & adjacências. E isso no pós-junho, quando nas passeatas ainda reverberam referências pouco airosas à insensibilidade de jornais e jornalistas.
Acusa-se o PT de aparelhar o governo, porém a mesma obsessão ideológica domina os mais instintivos gestos e opções da grande e média imprensa brasileira.
Um jornalista que ouve o coração
Neste ambiente ríspido, desprovido de solidariedade, a coluna de Ricardo Noblat (segunda-feira, 26/8, O Globo, pág. 2) funciona como um alento e, talvez, como um divisor de águas.
O experiente repórter, editor e agora bem-sucedido blogueiro não se deixou enredar pelas armadilhas ideológicas, preferiu entregar-se aos valores morais, como se fazia antigamente quando os jornalistas naquelas redações barulhentas ouviam as batidas do coração e a pressão da consciência.
“Só vejo vantagens” – apesar do pragmatismo e objetividade do título, trata-se de uma calorosa convocação para que os jornalistas deixem as trincheiras partidárias que tanto prejudicam os seus dotes narrativos e se entreguem a devoções mais profundas, essenciais.
“Mais Médicos” é um programa da saúde pública. “Mais humanidade” pode ser um projeto de renovação jornalística.
***
Meu comentário:
A mídia não apura mesmo quase nada - colhe declarações daqui e dali e deixa que o leitor ou espectador conclua por si. É desolador. Às vezes escolhe deliberadamente um lado; às vezes é mais sutil e transforma a palavra do outro em "Fulano nega", "Fulano minimiza".
Este artigo tem o mérito de explicitar seu lado: a favor do Programa Mais Médicos, que o autor chamou de "O projeto (...) mais consistente" entre os cogitados pelo governo (embora não mencione os demais). Afirma tb "médicos de Cuba já prestaram serviço em diversos pontos do Brasil, com excelentes resultados". Não duvido! Assim como chilenos, argentinos, chineses... Nem por isso “excelentes resultados” (apenas invocados, não sei se apurados) significam que os novos profissionais não possam ser questionados.
Dines, aliás, reconheceu q houve resistência a estrangeiros de várias procedências, Europa inclusive, mas manteve a expressão "histeria anticubana" – reforçando a leitura de que toda a oposição ao programa vem de “anticubanismo”. E assegura: "Nenhum editor se deu ao trabalho de esclarecer, explicar vantagens e desvantagens". "Nenhum"?
Vi vários veículos – TV, rádios, jornais - expondo a opinião do CRM, do ministro Padilha e de usuários do sistema de Saúde, favoráveis inclusive. A opinião do CRM foi registrada como deveria ser (eu não concordo com ela). Quanto aos "esclarecimentos": simplesmente não foi possível obter a informação sobre quanto os médicos vão ganhar e quanto será destinado a OPAS e ao governo de Cuba. Os signatários do acordo não esclareceram. Daí a preocupação, histérica ou não, com a condição trabalhista desses médicos – além das condições de trabalho propriamente ditas – e o destino do dinheiro público brasileiro.
Sobre os médicos serem tratados como "produto de exportação": foi um ministro cubano quem o disse. É razoável q se faça juízo de valor dessa declaração, concordando dela ou discordando, por que não? Dines concorda com essa “exportação de cérebros”. Outros lutam contra ela (o próprio governo cubano, aliás, se queixa do “roubo de talentos” por outros países, qualificando como manobra "dos poderosos" para enfraquecer o país):
“La actualización de la política migratoria tiene en cuenta el derecho del Estado revolucionario de defenderse de los planes injerencistas y subversivos del gobierno norteamericano y sus aliados. Por tal motivo, se mantendrán medidas para preservar el capital humano creado por la Revolución, frente al robo de talentos que aplican los poderosos”. (publicado no Granma)
Ou seja, Cuba quer que seus médicos saiam sim, mas apenas para onde o governo autorizar que vão – e obtem divisas a partir do trabalho deles. Não na forma de uma porcentagem retida na forma de imposto, como em outros lugares, mas repassando apenas uma parte do que for recebido para os próprios médicos.
Isso não é “acusação primária”, é minha opinião baseada em afirmações de autoridades cubanas. Sobre Israel e a India, não faço ideia de como funciona sua política.
É verdade que boa parte da classe médica tem como prioridade a "monetização". E foi com dinheiro que o governo tentou resolver o problema, oferecendo os R$10mil por mês para os interessados no Mais Médicos. Antes disso, ofereceu bolsas de R$8mil para estudantes de medicina, no Provab (e fez propaganda dele na TV como se tivesse resolvido o problema de médicos na periferia das grandes cidades e no interior). Mesmo assim o interesse ficou bem abaixo das expectativas, por que? Porque muitos médicos, mesmo interessadíssimos no dinheiro, não querem apenas bom salário, querem boas condições. E quanto a isso, o Mais Médicos não garante nada.
Pagando salário menor para os profissionais cubanos do que o que será pago para brasileiros e outros estrangeiros, poderia usar o "excedente" com a aquisição de materiais e equipamentos - mas preferiu remeter à OPAS e ao governo de Cuba, para que alegadamente invistam na Saúde em outros páises. Os médicos são funcionários do governo de Cuba, e também por isso poderá ser difícil a relação deles com o sistema de saúde no Brasil. As normas são brasileiras; os estrangeiros cubanos não precisam, disse o ministro Padilha, se submeter a elas.
Dizer que a mídia "embarcou de corpo e alma nessa cruzada egoísta e antissocial" não é uma crítica a cobertura do tema, é uma condenação moral. É demonização... da mídia. É jogar todo mundo no mesmo balaio; é não distinguir o que a mídia apenas exibe (tanto os gritos a favor do médicos e do comunismo contra os gritos contra os médicos e o comunismo), o que não explica, o que distorce, o que defende.
Ricardo Noblat é um colunista que, como todos os outros, expressa uma opinião. Não tem compromisso com a apuração dos fatos, como um repórter e um editor. Assina um texto pessoal e se responsabiliza individualmente por ele. Não é "cobertura jornalística". Outros colunistas igualmente deram sua opinião – se for contra o programa, não pode?
Dizer que Noblat "se entregou aos valores morais" e "ouviu as batidas do coração e a pressão da consciência" porque aprovou o programa equivale a dizer que os demais foram imorais e sofreram alguma pressão que não foi a da consciência.
O artigo do Alberto Dines é ideologizado e é partidarizado. Demoniza a "grande e média imprensa". Demoniza, desmoraliza e "imoraliza" as opiniões negativas sobre o Programa Mais Médicos, como se os que o criticam fossem todos xenófobos, racistas, anticomunistas, vendidos à corporação médica etc.
Desqualificar toda crítica é a posição de um governo que não admite oposição e vê "tentativa de golpe" e "subversão" em tudo... E aquele que condena a mídia não admitiu uma, uma ressalva sequer a essa nova promessa do governo.
Mídia não explica, demoniza
Mais médicos, Menos ideologia
Há quase dois meses discute-se a implementação do programa “Mais Médicos” para atender as exigências dos manifestantes de junho. Vacilante, o governo foi apresentando uma sucessão de idéias incompletas que as corporações médica e acadêmica foram torpedeando implacavelmente. Com o decidido apoio da corporação jornalística.
O projeto sobrevivente e o mais consistente, apresentado pela própria presidente Dilma Rousseff em seguida às manifestações, previa a importação de médicos do exterior. Inclusive cubanos. Não era novidade: médicos desse país já prestaram serviço em diversos pontos do Brasil, com excelentes resultados.
À medida que a ideia se cristalizava, aumentava a histeria anticubana que se estendia a candidatos de outros países, especialmente Portugal e Espanha.
Acusações primárias se alternavam: ora dizia-se que os cubanos viriam como espiões ou agentes provocadores, ora que chegariam aqui na condição de escravos (ganhando salários irrisórios enquanto o governo de Havana ficaria com a parte do leão dos 10 mil reais mensais pagos pelo governo brasileiro). Alegou-se que cláusulas especiais foram impostas para evitar que os cubanos pedissem asilo político (por isso vinham sozinhos, sem a família). Nenhum editor deu-se ao trabalho de esclarecer, explicar vantagens e desvantagens.
Gestos e opções
Nos últimos dias, em desespero de causa, celebrados opinionistas acusaram os irmãos Castro de converter seus médicos em simples commodities, fonte de divisas para financiar um país falido. Argumento pueril, enganoso: commodities são bens em estado bruto, médicos são bens com alto valor agregado. A Índia estimula a saída dos seus cientistas e especialistas em informática de olho no retorno que trarão ao país; o mesmo acontece com Israel, que há décadas exporta agrônomos para os quatro cantos do mundo.
O exercício da medicina não pode ser examinado sem levar em conta o seu caráter humanitário. Levar médicos aos grotões do país – além de salvar vidas preciosas, contribuirá decisivamente para desmonetizar uma profissão que vem perdendo velozmente o seu caráter original, solidário e altruísta.
Nossa mídia embarcou de corpo e alma nessa cruzada egoísta, antissocial, fomentada primordialmente pela poderosa corporação médica, pelas empresas de ensino superior & adjacências. E isso no pós-junho, quando nas passeatas ainda reverberam referências pouco airosas à insensibilidade de jornais e jornalistas.
Acusa-se o PT de aparelhar o governo, porém a mesma obsessão ideológica domina os mais instintivos gestos e opções da grande e média imprensa brasileira.
Um jornalista que ouve o coração
Neste ambiente ríspido, desprovido de solidariedade, a coluna de Ricardo Noblat (segunda-feira, 26/8, O Globo, pág. 2) funciona como um alento e, talvez, como um divisor de águas.
O experiente repórter, editor e agora bem-sucedido blogueiro não se deixou enredar pelas armadilhas ideológicas, preferiu entregar-se aos valores morais, como se fazia antigamente quando os jornalistas naquelas redações barulhentas ouviam as batidas do coração e a pressão da consciência.
“Só vejo vantagens” – apesar do pragmatismo e objetividade do título, trata-se de uma calorosa convocação para que os jornalistas deixem as trincheiras partidárias que tanto prejudicam os seus dotes narrativos e se entreguem a devoções mais profundas, essenciais.
“Mais Médicos” é um programa da saúde pública. “Mais humanidade” pode ser um projeto de renovação jornalística.
***
Meu comentário:
A mídia não apura mesmo quase nada - colhe declarações daqui e dali e deixa que o leitor ou espectador conclua por si. É desolador. Às vezes escolhe deliberadamente um lado; às vezes é mais sutil e transforma a palavra do outro em "Fulano nega", "Fulano minimiza".
Este artigo tem o mérito de explicitar seu lado: a favor do Programa Mais Médicos, que o autor chamou de "O projeto (...) mais consistente" entre os cogitados pelo governo (embora não mencione os demais). Afirma tb "médicos de Cuba já prestaram serviço em diversos pontos do Brasil, com excelentes resultados". Não duvido! Assim como chilenos, argentinos, chineses... Nem por isso “excelentes resultados” (apenas invocados, não sei se apurados) significam que os novos profissionais não possam ser questionados.
Dines, aliás, reconheceu q houve resistência a estrangeiros de várias procedências, Europa inclusive, mas manteve a expressão "histeria anticubana" – reforçando a leitura de que toda a oposição ao programa vem de “anticubanismo”. E assegura: "Nenhum editor se deu ao trabalho de esclarecer, explicar vantagens e desvantagens". "Nenhum"?
Vi vários veículos – TV, rádios, jornais - expondo a opinião do CRM, do ministro Padilha e de usuários do sistema de Saúde, favoráveis inclusive. A opinião do CRM foi registrada como deveria ser (eu não concordo com ela). Quanto aos "esclarecimentos": simplesmente não foi possível obter a informação sobre quanto os médicos vão ganhar e quanto será destinado a OPAS e ao governo de Cuba. Os signatários do acordo não esclareceram. Daí a preocupação, histérica ou não, com a condição trabalhista desses médicos – além das condições de trabalho propriamente ditas – e o destino do dinheiro público brasileiro.
Sobre os médicos serem tratados como "produto de exportação": foi um ministro cubano quem o disse. É razoável q se faça juízo de valor dessa declaração, concordando dela ou discordando, por que não? Dines concorda com essa “exportação de cérebros”. Outros lutam contra ela (o próprio governo cubano, aliás, se queixa do “roubo de talentos” por outros países, qualificando como manobra "dos poderosos" para enfraquecer o país):
“La actualización de la política migratoria tiene en cuenta el derecho del Estado revolucionario de defenderse de los planes injerencistas y subversivos del gobierno norteamericano y sus aliados. Por tal motivo, se mantendrán medidas para preservar el capital humano creado por la Revolución, frente al robo de talentos que aplican los poderosos”. (publicado no Granma)
Ou seja, Cuba quer que seus médicos saiam sim, mas apenas para onde o governo autorizar que vão – e obtem divisas a partir do trabalho deles. Não na forma de uma porcentagem retida na forma de imposto, como em outros lugares, mas repassando apenas uma parte do que for recebido para os próprios médicos.
Isso não é “acusação primária”, é minha opinião baseada em afirmações de autoridades cubanas. Sobre Israel e a India, não faço ideia de como funciona sua política.
É verdade que boa parte da classe médica tem como prioridade a "monetização". E foi com dinheiro que o governo tentou resolver o problema, oferecendo os R$10mil por mês para os interessados no Mais Médicos. Antes disso, ofereceu bolsas de R$8mil para estudantes de medicina, no Provab (e fez propaganda dele na TV como se tivesse resolvido o problema de médicos na periferia das grandes cidades e no interior). Mesmo assim o interesse ficou bem abaixo das expectativas, por que? Porque muitos médicos, mesmo interessadíssimos no dinheiro, não querem apenas bom salário, querem boas condições. E quanto a isso, o Mais Médicos não garante nada.
Pagando salário menor para os profissionais cubanos do que o que será pago para brasileiros e outros estrangeiros, poderia usar o "excedente" com a aquisição de materiais e equipamentos - mas preferiu remeter à OPAS e ao governo de Cuba, para que alegadamente invistam na Saúde em outros páises. Os médicos são funcionários do governo de Cuba, e também por isso poderá ser difícil a relação deles com o sistema de saúde no Brasil. As normas são brasileiras; os estrangeiros cubanos não precisam, disse o ministro Padilha, se submeter a elas.
Dizer que a mídia "embarcou de corpo e alma nessa cruzada egoísta e antissocial" não é uma crítica a cobertura do tema, é uma condenação moral. É demonização... da mídia. É jogar todo mundo no mesmo balaio; é não distinguir o que a mídia apenas exibe (tanto os gritos a favor do médicos e do comunismo contra os gritos contra os médicos e o comunismo), o que não explica, o que distorce, o que defende.
Ricardo Noblat é um colunista que, como todos os outros, expressa uma opinião. Não tem compromisso com a apuração dos fatos, como um repórter e um editor. Assina um texto pessoal e se responsabiliza individualmente por ele. Não é "cobertura jornalística". Outros colunistas igualmente deram sua opinião – se for contra o programa, não pode?
Dizer que Noblat "se entregou aos valores morais" e "ouviu as batidas do coração e a pressão da consciência" porque aprovou o programa equivale a dizer que os demais foram imorais e sofreram alguma pressão que não foi a da consciência.
O artigo do Alberto Dines é ideologizado e é partidarizado. Demoniza a "grande e média imprensa". Demoniza, desmoraliza e "imoraliza" as opiniões negativas sobre o Programa Mais Médicos, como se os que o criticam fossem todos xenófobos, racistas, anticomunistas, vendidos à corporação médica etc.
Desqualificar toda crítica é a posição de um governo que não admite oposição e vê "tentativa de golpe" e "subversão" em tudo... E aquele que condena a mídia não admitiu uma, uma ressalva sequer a essa nova promessa do governo.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Sobre as manifestações
)Não sei por que diacho este texto estava nos rascunhos, depois de já ter sido publicado em junho... Em todo caso, aqui está de volta ao ar)
Minha reivindicação pacífica: não desaprovem sem ler, por favor.
1) Sobre os motivos: “Tudo isso por causa de R$0,20”? Não importa o motivo, as pessoas tem o direito, em regimes democráticos, de se manifestar. Na Ditadura, nem 3 podiam ser reunir na esquina para o que quer que fosse; na Democracia, não existe a lista de motivos “permitidos” para manifestação.
Apoio desde sempre a Marcha da Maconha porque sou a favor da legalização e quero exigir que ao menos a lei seja discutida. Não apoio a redução da maioridade penal, mas não tenho o direito de impedir que as pessoas se organizem para pedir. Legalização ou criminalização do aborto, contra ou a favor a União LGBT... Quem “decide” o que se pode ou não pode defender em manifestação? Não é o governo. Não é “a maioria”. Democracia é o direito à divergência e à manifestação da opinião. Mesmo que seja da minoria. (Apenas... a Constituição pode decidir. Mas isso é tema para outro dia).
Também não adianta querer colocar a manifestação em ordem de prioridade: “Estão protestando contra [violência contra animais, construção de um parque, passagem do ônibus], por que não falam nada sobre [superlotação carcerária, corrupção no Congresso, caos na Saúde]”? Não existe a escala “enquanto não reclamarem disso, não podem exigir aquilo”.
2) Sobre quem vai: burgueses, vagabundos, filhinhos-de-papai, crentes, viados, maconheiros, reacionários, alienados, oportunistas... Também não existe a lista de quem pode e quem não tem o direito de se manifestar. A única regra é “como”.
3) Sobre negociar hora e local: por que não? Manifestação precisa de volume e visibilidade. Não precisa necessariamente causar transtornos na vida da cidade.
Quando os manifestantes não são assim tão numerosos, tem de chamar atenção de alguma maneira - mas parar o trânsito é apenas uma das maneiras. O Greenpeace é mestre nos outros métodos: pendura uma faixa enorme na chaminé de uma fábrica, pinta focas com spray... As ucranianas tiram a roupa, os argentinos batem panela...
Os motoboys que pararam a cidade um tempo atrás teriam “agitado” a cidade mesmo que ocupassem em movimento duas faixas da marginal por vários quilômetros. A imagem do alto seria impressionante.
“Ah, mas não dá pra controlar”. Não dá pra ficar todo mundo o tempo todo “dentro do combinado”, mas isso vale para qualquer situação de multidão. Jogo de futebol, show, bicicletada, passeata. Sempre vai haver um ou dois ou dez que vão se lixar para o combinado. Nem por isso você tenta extinguir os eventos com multidão – até porque só piora. Aí sim o confronto vira o ponto de partida, não o desvio do que foi acordado.
Mas se as “lideranças” estiverem de acordo – mesmo que não haja um “líder” formalmente constituído, existem lideranças sim, que são ouvidas pelas pessoas – dá pra coibir os desvios. E no caso de abusos, aí não tem jeito – pra isso tem polícia. Pra proteger os manifestantes pacíficos dos violentos. Os não-manifestantes dos manifestantes e vice-versa. Imagine se não tivesse polícia na Parada Gay – ia morrer gente em confronto com carecas e outras gangues.
A Parada Gay acontece em hora e local marcado. Polícia, GCM, CET, SAMU estão lá pra garantir a realização. Hoje parece que Parada Gay é manifestação “tudo bem”, sem resistência, mas antes não era – e, se bobear, deixa de ser. Primeiro de Maio tem hora e lugar – a CUT vai para um lado, a Força pra outro, a UGT pra outro... Marcha para Jesus também. Diretas Já foram em lugar marcado. Mesmo sem precisar “institucionalizar” tanto – montar palanque, credo, quem quereria isso no ato de hoje? – dá sim para combinar com as autoridades e fazer acordos: “nós desviamos o trânsito, informamos a população para que evite passar de carro naquela região naquele horário, teremos PMs homens e mulheres postados diante do comércio e das estações de metrô para evitar vandalismo, ambulâncias serão estacionadas nas transversais ao longo da avenida, haverá pontos de encontro para pessoas (especialmente crianças) que se percam, teremos banheiros químicos ao longo do caminho. Vocês garantem que não vão fechar a saída do Terminal de Ônibus e que o corredor vai continuar funcionando”.
“Impossível”. Não, não é. Pode levar tempo para aprenderemos todos; será mais fácil em algumas situações que em outras. Mas a multidão originalmente pacífica exerce poder de coerção. Na arquibancada, hoje em dia, o cara que tacar uma garrafa em campo corre o risco de apanhar da própria torcida – precisa ter a polícia lá para tirar o cara e levar detido.
E para que a multidão seja “originalmente”, majoritariamente pacífica, ela precisa ser diversificada. Com mais famílias, mulheres, crianças, trabalhadores e estudantes, militantes partidários e pessoas que estão nem aí pra partidos políticos. E uma coisa leva a outra – quanto mais “combinado” com as autoridades, mais essas pessoas da “sociedade civil desorganizada” se sentem estimuladas a ir. Quanto mais elas forem, menor a probabilidade de “arruaça”. Então radicalizar antecipadamente – “Não negociamos trajeto”, seja pelo lado do movimento ou da polícia – afasta as pessoas “comuns”, reduz a diversidade e favorece a beligerância.
Outra coisa: quem é da manifestação sempre vai desqualificar os que a desaprovam. “Burgueses”, “alienados”, “acomodados” etc. Mas a minha empregada, que mora na altura do número 10.000 da M’Boi Mirim (aka “longe pra cacete”), ODEIA manifestação. Não porque acha que o transporte tá bom do jeito que tá, mas porque depois de sair de casa às 4 da manhã e trabalhar o dia inteiro, quer MORRER quando fica presa no ônibus lotado e desesperada porque já passou da hora da creche fechar.
Deixar de tornar a vida de muitos um inferno, sejam “burgueses” ou “trabalhadores”, não enfraquece a manifestação. Ao contrário, aumenta o apoio a ela, ou ao menos a simpatia!
4) Sobre excessos: abuso é abuso, violência é violência. Venha de que lado vier. Enquanto as pessoas aceitarem que o seu lado se exceda, não teremos paz, respeito, segurança. O jovem revoltado da periferia não tem o direito de apedrejar um ônibus. O policial mal remunerado não tem o direito de chutar um cara caído. O moço humilhado todo dia não pode tacar um coquetel molotov na polícia. O policial que precisa esconder a farda quando volta pra casa na periferia não pode esfregar a cara do moleque no chão porque ele “foi folgado”.
A gente pode e é bom tentar entender as causas de tudo. Sabemos que o abusado de ontem é o abusador de hoje. Quem hoje é violento contra os filhos foi vítima de pai violento. Mas nem por isso aceitamos que um homem espanque a mulher porque “o ambiente em que ele foi criado, as péssimas condições de vida que ele tem hoje”...
Violência: não. Eu sou assim. Admitir que na passeata tinha gente que foi sim pra cima da polícia, que tinha paus e pedras na mochila e que não concordamos com isso; admitir, por parte do comando da polícia, que houve sim abusos e excessos e punir os responsáveis e culpados não é deslegitimar o movimento nem desmoralizar a instituição. É o contrário.
5) Sobre o Choque: governo anunciou que hoje ele não estará. ISSO! “Mas e se sair quebra-quebra”? Ele é o ÚLTIMO recurso. Se houver um conflito DEFLAGRADO, aí o Choque é chamado. Não serve mesmo para dialogar. Então não tem de ir para a rua “preventivamente”, para ver se os manifestantes “cumprem o acordo”. Não tem de ir para cima da manifestação porque “tem uns caras que só vem para depredar”. Não pode sair atirando gás, pimenta e bala de borracha e avançando com seus escudos e carros blindados porque entre aquelas centenas de pessoas tem os vândalos encapuzados tacando pedra na polícia. Aí sim o conflito é deflagrado, perde totalmente o controle, se torna muito, mas muito mais perigoso.
Com tropa de choque não se negocia, então por isso ela não pode ser da linha de frente na rua. Ela é da retaguarda e mesmo assim está lá para defender, não para atacar. Ela é fortemente protegida e armada, não pode confrontar grupos de pessoas na rua. Mesmo que as pessoas fossem DISPOSTAS ao confronto, a extrapolar limites toleráveis (uma turba não pode entrar à força no Palácio do Planalto para “dar um recado”): não são exércitos em guerra. Forças armadas não podem atacar civis. Tem, em situações extremas, de conter e dispersar. Atacar, jamais.
E a bala de borracha foi uma invenção sem cabimento que não serve pra nada em uma manifestação a não ser causar ferimentos que podem ser menos graves ou mais graves. É perigoso e não ajuda em NADA. Em multidão não tem de usar projétil nenhum.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Referendum Bolivariano
Quando Yoani Sanchez esteve no Brasil, fui xeretar em páginas oficiais de Cuba e Venezuela, bem como jornais e blogs, para ter mais elementos em primeira mão sobre a extensão da "democracia" nestes países.
Encontrei a foto da tela de uma urna usada em referendo na Venezuela. Mostrava uma pergunta imensa, que citava uma infinidade de artigos e solicitava que se respondesse apenas sim ou não.
Não reencontrei a foto, mas fucei o suficiente para encontrar, em páginas oficiais, a redação das perguntas dos referendos todos. O caminho não foi fácil, mas depois de muitas buscas "sem resultado", consultas à Gaceta Oficial de datas-chave e obter a resposta do tipo "nessa data não teve", chegar a muitos "404 - página não encontrada", encontrei, no site do CNE (Consejo Nacional Electoral, equivalente ao TSE de lá) os resultados dos referendos, incluindo as perguntas! Aí estão:
Aqui, os Resultados dos Referendos, com link para todos eles.
Comecemos pelo Referendo Presidencial de 2004:
A pergunta era:
"¿Está usted de acuerdo con dejar sin efecto el mandato popular, otorgado mediante elecciones democráticas legítimas al ciudadano Hugo Rafael Chávez Frías, como presidente de la República Bolivariana de Venezuela para el actual periodo presidencial?"
(Ou seja: "O cidadão Hugo Chávez teve seu mandato popular como Presidente da República outorgado por eleições legítimas. Você concorda que ele perca o mandato"?)
Total Electores Inscritos: 14.037.900
Total Votantes Escrutados: 9.815.631 (69,92%)
Total Abstención: 4.222.269 (30,08%)
Total Votos Validos: 9.789.637 (99,74%)
Total Votos Nulos: 25.994 (0,26%)
Resultado:
NO: 5.800.629 (59,09%)
SI: 3.989.008 (40,63%)
(Interessante: 59% dos votos válidos equivalia a pouco mais de 1/3 do total de eleitores inscritos. Abstenção altíssima).
Em dezembro de 2007, houve o Referendo de La Reforma Constitucional.
Pergunta:
¿Aprueba usted el proyecto de Reforma Constitucional con sus Títulos, Capítulos, Disposiciones Transitorias, Derogatoria y Final, presentado en dos bloques y sancionado por la Asamblea Nacional, con la participación del pueblo y con base en la iniciativa del Presidente Hugo Chávez?"
Isto é - um projeto de Reforma Constitucional havia sido apresentado e sancionado na Assembleia Nacional "com a participação do povo e a iniciativa do presidente Hugo Chávez". Com seus Títulos, Capítulos etc, ela foi apresentada em dois blocos e os cidadãos respondiam "sim, aprovo" ou "não" a cada um deles.
"Simples" assim. Foi essa a urna que vi em uma foto no FB.
"Artigos do Bloco A: 11, 16, 18, 64, 67, 70, 87, 90, 98, 100, 103, 112, 113, 115, 136, 141, 152, 153, 156, 157, 158, 167, 168, 184, 185, 225, 230, 236, 251, 252, 272, 299, 300, 301, 302, 303, 305, 307, 318, 320, 321, 328, 329, 341, 342, 348".
Resultado: vitória do "não", com 4.504.354 votos (50,7%)
"Artigos do Bloco B: 21, 71, 72, 73, 74, 82, 109, 163, 164, 173, 176, 191, 264, 265, 266, 279, 289, 293, 295, 296, 337, 338, 339".
Resultado: vitória do "não", com 4.522.332 (51,5%)
Chávez dizia que a reforma era necessária para implementar seu programa Socialista, mas nessa consulta o governo perdeu. Atribuiu-se a derrota aos protestos organizados por universitários. A reação do presidente foi retomar a frase usada por ele depois da tentativa fracassada de golpe de estado em 92: "Por ahora no pudimos".
Apenas um ano e três meses depois foi feita nova consulta, o "Referendo Aprobatorio de la Enmienda Constitucional" (fevereiro de 2009)
Era "el sexto referendum convocado en Venezuela desde 1999, y el cuarto relacionado con un tema constitucional" (Wikipédia)
Em questão: liberar ou não a possibilidade irrestrita de reeleição.
Cinco artigos da Constiuição seriam modificados com uma alteração mínima: sairia apenas a parte do texto que limitava a possibilidade de reeleição.Tomemos dois deles como exemplo:
Artículo 192 (antiguo).
Los diputados o diputadas a la Asamblea Nacional durarán cinco años en el ejercicio de sus funciones, pudiendo ser reelegidos o reelegidas por dos periodos como máximo.
Artículo 192 (enmendado).
Los diputados o diputadas a la Asamblea Nacional durarán cinco años en el ejercicio de sus funciones, pudiendo ser reelegidos o reelegidas.
Artículo 230 (antiguo).
El período presidencial es de seis años. El Presidente o Presidenta de la República puede ser reelegido, de inmediato y por una sola vez, para un período adicional.
Artículo 230 (enmendado).
El período presidencial es de seis años. El Presidente o Presidenta de la República puede ser reelegido.
A pergunta nesse referendo ficou assim:
"¿Aprueba usted la enmienda de los artículos 160, 162, 174, 192 y 230 de la Constitución de la República, tramitada por la Asamblea Nacional, que amplia los derechos políticos del pueblo, con el fin de permitir que cualquier ciudadano o ciudadana en ejercicio de un cargo de elección popular, pueda ser sujeto de postulación como candidato o candidata para el mismo cargo, por el tiempo establecido constitucionalmente, dependiendo su posible elección, exclusivamente, del voto popular?"
Uma emenda que "amplia os direitos políticos DO POVO". Que permite que "QUALQUER CIDADÃO OU CIDADÃ" (no exercício de um cargo de eleição popular...) possa postular o mesmo cargo, "pelo tempo estabelecido constitucionalmente".
Resultado:
Sim: 6.310.482 (54,85%)
Eleitores inscritos: 16.652.179
Votos apurados: 11.710.740.
Como da outra vez, abstenção de quase 30%
***
Detalhes da "viabilização" deste referendo:
- Em agosto de 2006, Chávez mencionou a "necessidade" de emendar o artigo constitucional que dizia respeito a duração do mandato presidencial, assim como a possibilidade de reeleição ilimitadas vezes.
- Em 2007, Chávez apresenta um projeto de Reforma Constitucional em que se modificariam também outros 68 artigos (mais ou menos 10% do total). Além da possibilidade de reeleições sem restrições, a reforma também propunha ampliar o mandato de 6 para 7 anos. A proposta foi reprovada, como vimos acima.
- Logo em seguida, um parlamentar da base governista (do PSUV - Partido Socialista Unido de Venezuela) afirmou, na Assembleia Nacional, que nova proposta poderia ser apresentada, desde que fosse de iniciativa do parlamento (requisição de 30% de seus membros e aprovação da maioria) ou dos cidadãos (petição assinada por 15% do Colégio Eleitoral), não mais do presidente.
- Um mês depois, durante um discurso, Chávez disse que, caso houvesse outro referendo em 2009, incluiria a pergunta "você concorda que se faça uma emenda à Constituição de modo a permitir a reeleição indefinida"?
- A oposição se manifestou dizendo que esta nova consulta seria ilegal, uma vez que não era possível apresentar outra proposta de reforma à Constituição durante uma mesma legislatura.
- Em 2008 o tema saiu de pauta e as atenções se voltaram para as eleições de governadores e prefeitos que ocorreriam aquele ano.
- Em dezembro, um mês depois das eleições regionais, Chávez voltou a propor um referendo com o intuito de aumentar o número permitido de reeleições presidenciais. Um governador da base anunciou que apoiaria o movimento. O partido governista Patria Para Todos apresentou a proposta de incluir todos os cargos eletivos, que naquele momento foi rechaçada por Chávez.
Palavras do presidente em ato político no dia 30/11: "Yo les doy mi autorización al Partido Socialista Unido de Venezuela y al pueblo venezolano para que inicien el debate y las acciones para lograr la enmienda constitucional y la reelección como Presidente de la República". Convocou a população a iniciar a campanha no dia seguinte, com o lema "Uh, Ah Chávez no se va".
- Anunciou-se então que a proposta de Emenda Constitucional seria apresentada por iniciativa dos cidadãos, mas Chávez avaliou que o processo seria lento devido à necessidade de colher cerca de 2,5 milhões de assinaturas, então decidiu encaminhar o assunto através da Assembleia Nacional.
- Em dezembro de 2008, a Assembleia debateu pela primeira vez o início do processo de votação da emenda, com o respaldo de 146 deputados. O PSUV apresentou também um abaixo-assinado com mais de 4,7 milhões de pessoas apoiando a proposta. Em segunda discussão, ela foi aprovada por 156 deputados. 11 foram contra.
- A redação inicial era a proposta por Chávez, centrada na modificação do artigo 230 (que dispõe sobre duração do mandato e reeleição do presidente). No entanto, em janeiro de 2009, o presidente decidiu estender a consulta para governadores, prefeitos, deputados ou qualquer outro cargo eletivo. A oposição afirma, baseada nos resultados das pesquisas até então, que essa foi a maneira de vencer a resistência da população.
- Diante das alegações de inconstitucionalidade da nova proposta de reforma, o governo respondeu que eram iniciativas "totalmente diferentes entre si". Disse Chávez: "Em 2007 havia um conjunto de artigos a serem reformados que incluía a possibilidade de reeleição".
***
Após a vitória em 2009, Chávez se pronunciou em cadeia nacional de rádio e TV a partir do Palácio Miraflores, diante de uma multidão de apoiadores, aos quais agradeceu e anunciou sua pre-candidatura para a presidência no período de 2013-2019:
"Que vea el mundo como brilla la luz del pueblo de Simón Bolívar" (...) "Aquí estoy parado firme. Mándenme el pueblo, que yo sabré obedecerle. Soldado soy del pueblo, ustedes son mi jefe" (...) A menos que Dios o el pueblo dispongan otra cosa, este soldado es ya precandidato a la Presidente de la República para el período 2013-2019. ¡Preparen a sus currutacos!" (...) "Yo sabía que ustedes no me iban a fallar, y yo no les voy a fallar" (...) "Ustedes han escrito mi destino político, que es lo mismo que el destino de mi vida. Yo quiero decirles que lo asumo con plenitud en el alma y el espíritu".
Encontrei a foto da tela de uma urna usada em referendo na Venezuela. Mostrava uma pergunta imensa, que citava uma infinidade de artigos e solicitava que se respondesse apenas sim ou não.
Não reencontrei a foto, mas fucei o suficiente para encontrar, em páginas oficiais, a redação das perguntas dos referendos todos. O caminho não foi fácil, mas depois de muitas buscas "sem resultado", consultas à Gaceta Oficial de datas-chave e obter a resposta do tipo "nessa data não teve", chegar a muitos "404 - página não encontrada", encontrei, no site do CNE (Consejo Nacional Electoral, equivalente ao TSE de lá) os resultados dos referendos, incluindo as perguntas! Aí estão:
Aqui, os Resultados dos Referendos, com link para todos eles.
Comecemos pelo Referendo Presidencial de 2004:
A pergunta era:
"¿Está usted de acuerdo con dejar sin efecto el mandato popular, otorgado mediante elecciones democráticas legítimas al ciudadano Hugo Rafael Chávez Frías, como presidente de la República Bolivariana de Venezuela para el actual periodo presidencial?"
(Ou seja: "O cidadão Hugo Chávez teve seu mandato popular como Presidente da República outorgado por eleições legítimas. Você concorda que ele perca o mandato"?)
Total Electores Inscritos: 14.037.900
Total Votantes Escrutados: 9.815.631 (69,92%)
Total Abstención: 4.222.269 (30,08%)
Total Votos Validos: 9.789.637 (99,74%)
Total Votos Nulos: 25.994 (0,26%)
Resultado:
NO: 5.800.629 (59,09%)
SI: 3.989.008 (40,63%)
(Interessante: 59% dos votos válidos equivalia a pouco mais de 1/3 do total de eleitores inscritos. Abstenção altíssima).
Em dezembro de 2007, houve o Referendo de La Reforma Constitucional.
Pergunta:
¿Aprueba usted el proyecto de Reforma Constitucional con sus Títulos, Capítulos, Disposiciones Transitorias, Derogatoria y Final, presentado en dos bloques y sancionado por la Asamblea Nacional, con la participación del pueblo y con base en la iniciativa del Presidente Hugo Chávez?"
Isto é - um projeto de Reforma Constitucional havia sido apresentado e sancionado na Assembleia Nacional "com a participação do povo e a iniciativa do presidente Hugo Chávez". Com seus Títulos, Capítulos etc, ela foi apresentada em dois blocos e os cidadãos respondiam "sim, aprovo" ou "não" a cada um deles.
"Simples" assim. Foi essa a urna que vi em uma foto no FB.
"Artigos do Bloco A: 11, 16, 18, 64, 67, 70, 87, 90, 98, 100, 103, 112, 113, 115, 136, 141, 152, 153, 156, 157, 158, 167, 168, 184, 185, 225, 230, 236, 251, 252, 272, 299, 300, 301, 302, 303, 305, 307, 318, 320, 321, 328, 329, 341, 342, 348".
Resultado: vitória do "não", com 4.504.354 votos (50,7%)
"Artigos do Bloco B: 21, 71, 72, 73, 74, 82, 109, 163, 164, 173, 176, 191, 264, 265, 266, 279, 289, 293, 295, 296, 337, 338, 339".
Resultado: vitória do "não", com 4.522.332 (51,5%)
Chávez dizia que a reforma era necessária para implementar seu programa Socialista, mas nessa consulta o governo perdeu. Atribuiu-se a derrota aos protestos organizados por universitários. A reação do presidente foi retomar a frase usada por ele depois da tentativa fracassada de golpe de estado em 92: "Por ahora no pudimos".
Apenas um ano e três meses depois foi feita nova consulta, o "Referendo Aprobatorio de la Enmienda Constitucional" (fevereiro de 2009)
Era "el sexto referendum convocado en Venezuela desde 1999, y el cuarto relacionado con un tema constitucional" (Wikipédia)
Em questão: liberar ou não a possibilidade irrestrita de reeleição.
Cinco artigos da Constiuição seriam modificados com uma alteração mínima: sairia apenas a parte do texto que limitava a possibilidade de reeleição.Tomemos dois deles como exemplo:
Artículo 192 (antiguo).
Los diputados o diputadas a la Asamblea Nacional durarán cinco años en el ejercicio de sus funciones, pudiendo ser reelegidos o reelegidas por dos periodos como máximo.
Artículo 192 (enmendado).
Los diputados o diputadas a la Asamblea Nacional durarán cinco años en el ejercicio de sus funciones, pudiendo ser reelegidos o reelegidas.
Artículo 230 (antiguo).
El período presidencial es de seis años. El Presidente o Presidenta de la República puede ser reelegido, de inmediato y por una sola vez, para un período adicional.
Artículo 230 (enmendado).
El período presidencial es de seis años. El Presidente o Presidenta de la República puede ser reelegido.
A pergunta nesse referendo ficou assim:
"¿Aprueba usted la enmienda de los artículos 160, 162, 174, 192 y 230 de la Constitución de la República, tramitada por la Asamblea Nacional, que amplia los derechos políticos del pueblo, con el fin de permitir que cualquier ciudadano o ciudadana en ejercicio de un cargo de elección popular, pueda ser sujeto de postulación como candidato o candidata para el mismo cargo, por el tiempo establecido constitucionalmente, dependiendo su posible elección, exclusivamente, del voto popular?"
Uma emenda que "amplia os direitos políticos DO POVO". Que permite que "QUALQUER CIDADÃO OU CIDADÃ" (no exercício de um cargo de eleição popular...) possa postular o mesmo cargo, "pelo tempo estabelecido constitucionalmente".
Resultado:
Sim: 6.310.482 (54,85%)
Eleitores inscritos: 16.652.179
Votos apurados: 11.710.740.
Como da outra vez, abstenção de quase 30%
***
Detalhes da "viabilização" deste referendo:
- Em agosto de 2006, Chávez mencionou a "necessidade" de emendar o artigo constitucional que dizia respeito a duração do mandato presidencial, assim como a possibilidade de reeleição ilimitadas vezes.
- Em 2007, Chávez apresenta um projeto de Reforma Constitucional em que se modificariam também outros 68 artigos (mais ou menos 10% do total). Além da possibilidade de reeleições sem restrições, a reforma também propunha ampliar o mandato de 6 para 7 anos. A proposta foi reprovada, como vimos acima.
- Logo em seguida, um parlamentar da base governista (do PSUV - Partido Socialista Unido de Venezuela) afirmou, na Assembleia Nacional, que nova proposta poderia ser apresentada, desde que fosse de iniciativa do parlamento (requisição de 30% de seus membros e aprovação da maioria) ou dos cidadãos (petição assinada por 15% do Colégio Eleitoral), não mais do presidente.
- Um mês depois, durante um discurso, Chávez disse que, caso houvesse outro referendo em 2009, incluiria a pergunta "você concorda que se faça uma emenda à Constituição de modo a permitir a reeleição indefinida"?
- A oposição se manifestou dizendo que esta nova consulta seria ilegal, uma vez que não era possível apresentar outra proposta de reforma à Constituição durante uma mesma legislatura.
- Em 2008 o tema saiu de pauta e as atenções se voltaram para as eleições de governadores e prefeitos que ocorreriam aquele ano.
- Em dezembro, um mês depois das eleições regionais, Chávez voltou a propor um referendo com o intuito de aumentar o número permitido de reeleições presidenciais. Um governador da base anunciou que apoiaria o movimento. O partido governista Patria Para Todos apresentou a proposta de incluir todos os cargos eletivos, que naquele momento foi rechaçada por Chávez.
Palavras do presidente em ato político no dia 30/11: "Yo les doy mi autorización al Partido Socialista Unido de Venezuela y al pueblo venezolano para que inicien el debate y las acciones para lograr la enmienda constitucional y la reelección como Presidente de la República". Convocou a população a iniciar a campanha no dia seguinte, com o lema "Uh, Ah Chávez no se va".
- Anunciou-se então que a proposta de Emenda Constitucional seria apresentada por iniciativa dos cidadãos, mas Chávez avaliou que o processo seria lento devido à necessidade de colher cerca de 2,5 milhões de assinaturas, então decidiu encaminhar o assunto através da Assembleia Nacional.
- Em dezembro de 2008, a Assembleia debateu pela primeira vez o início do processo de votação da emenda, com o respaldo de 146 deputados. O PSUV apresentou também um abaixo-assinado com mais de 4,7 milhões de pessoas apoiando a proposta. Em segunda discussão, ela foi aprovada por 156 deputados. 11 foram contra.
- A redação inicial era a proposta por Chávez, centrada na modificação do artigo 230 (que dispõe sobre duração do mandato e reeleição do presidente). No entanto, em janeiro de 2009, o presidente decidiu estender a consulta para governadores, prefeitos, deputados ou qualquer outro cargo eletivo. A oposição afirma, baseada nos resultados das pesquisas até então, que essa foi a maneira de vencer a resistência da população.
- Diante das alegações de inconstitucionalidade da nova proposta de reforma, o governo respondeu que eram iniciativas "totalmente diferentes entre si". Disse Chávez: "Em 2007 havia um conjunto de artigos a serem reformados que incluía a possibilidade de reeleição".
***
Após a vitória em 2009, Chávez se pronunciou em cadeia nacional de rádio e TV a partir do Palácio Miraflores, diante de uma multidão de apoiadores, aos quais agradeceu e anunciou sua pre-candidatura para a presidência no período de 2013-2019:
"Que vea el mundo como brilla la luz del pueblo de Simón Bolívar" (...) "Aquí estoy parado firme. Mándenme el pueblo, que yo sabré obedecerle. Soldado soy del pueblo, ustedes son mi jefe" (...) A menos que Dios o el pueblo dispongan otra cosa, este soldado es ya precandidato a la Presidente de la República para el período 2013-2019. ¡Preparen a sus currutacos!" (...) "Yo sabía que ustedes no me iban a fallar, y yo no les voy a fallar" (...) "Ustedes han escrito mi destino político, que es lo mismo que el destino de mi vida. Yo quiero decirles que lo asumo con plenitud en el alma y el espíritu".
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Povo na rua e a Câmara Municipal se lixando
Mandei um email para o Ministério Público que explica o suficiente sobre a raiva que me deu agora
"To: patrimoniopublico@mp.sp.gov.br
Por favor, gostaria de saber como proceder para encaminhar uma Ação Popular ao MP-SP.
Na semana passada, havia sido divulgada a realização de uma Audiência Pública na CMSP para debater a Lei de Diretrizes Orçamentárias.
Compareci à Câmara e descobri que ela não se realizaria. Não havia nenhum informe no site cancelando.
Acionei a Ouvidoria da Câmara para solicitar explicações sobre o cancelamento e a informação sobre quando seria realizada a seguinte.
Pois bem, acabo de saber, pelo assessor de um vereador, que sabia do meu interesse, que os vereadores receberam HOJE um email comunicando da Audiência Pública amanhã de manhã.
Procurei no site da Câmara e não encontrei a informação (ver anexo - print realizado há instantes).
A Lei Orgânica é clara:
Art. 41 - A Câmara Municipal, através de suas Comissões Permanentes, na forma regimental e mediante prévia e ampla publicidade, convocará obrigatoriamente pelo menos 2 (duas) audiências públicas durante a tramitação de projetos de leis
que versem sobre:
I - Plano Diretor;
II - plano plurianual;
III - diretrizes orçamentárias;
Ainda que o conceito de "prévia e ampla publicidade" possa ser "flexível", é indiscutível que, ao não fazer menção SEQUER em sua página oficial, a CMSP está descumprindo o Artigo 41.
Por isso, então, indago: como se entra com a Ação Popular? Pessoalmente? Onde?
Aguardo resposta o quanto antes. Obrigada".
(Esse o site da Câmara hoje, pouco depois das 17h00)
***
Já na semana passada eu tinha mandado um email para a Ouvidoria da Câmara.

***
Esse foi o email que receberam.
De: Comissão de Finanças e Orçamento
Enviado: segunda-feira, 24 de junho de 2013 14:59
Para: Christiane de França Ferreira; Carlos Luiz Hoty Júnior; silvana.silva@uol.com.br; Alessandro Guedes; Bianca Ferreira da Silva; Alfredinho; ffbm@andreamatarazzo.com.br; Ari Friedenbach; secretaria.tatto@ig.com.br; assessoria.ver.atilio@gmail.com; Paula Regina dos Santos; Fátima Neme; mmcj@uol.com.br; flavio.gonzalez@gmail.com; Aurélio Nomura; ina_aus2@hotmail.com; Yaemi Hirae Enomoto; anahirae@uol.com.br; dominguesydomingues@uol.com.br; Rubens Wagner Calvo; Vereador Claudinho de Souza (PSDB); leandrogimenez@ig.com.br; Antonio José Mogadouro; Luzia Helena Corona Morais; Neide Corona Ramos; Coronel Camilo; Danilo Antão Fernandes; Maria Moreno Martins; Melina Lourenço; Dalton Silvano; pmarchesi@globo.com; David Soares; Francelane da Silva Marçal; Edemilson Chaves; Azelina de Oliveira Ribeiro Leonavicius; edirsales@edirsales.com.br; Rafael Lo Re Pinheiro; Eduardo Tuma; floriano45@gmail.com; brunabcamara@yahoo.com.br; George Hato; Lauane Alves Salazar; monicagva@uol.com.br; Gilson Barreto; Antonio Goulart; contato@vereadorgoulart.com.br; Nazeli Cabral da Silva; Paula Souza Damasceno; Leandro Suzart; marina.tteixeira@gmail.com; Marina Teixeira; Jean Madeira; jmadeira@r7.com; José Américo Dias; José Police Neto; deebbys@gmail.com; vanildanunciacao@yahoo.com.br; Juliana Cardoso; Laercio Benko; zette1@ig.com.br; Márcia Luisa Vannucci Salem; bancada@camaraptsp.org.br; marciofreire@hotmail.com; Giuliano Otavio Piva; Marco Aurélio Cunha; Leticia Naliagaca Stolochi; Maria das Graças Silva Pressi; Marquito; vermartacosta@terra.com.br; Milton Leite; patricia_araujo@ig.com.br; cristina_domingues@ig.com.br; donizetesantanacosta@gmail.com; solangegsantos@ig.com.br; agendanabil@gmail.com; Gilberto Natalini; jbibest@ibest.com.br; Antonio José Mogadouro; Nelo Rodolfo; Regina Célia Presença; Fernando César Domingues Favara; dorivaldo4@hotmail.com; serjohana@yahoo.com.br; pedrosalles07@ig.com.br; Noticias Site CMSP; Orlando Silva; lus_oliver@yahoo.com.br; Marvia Scardua de Carvalho; Masataka Ota; mauro-melo@uol.com.br; Élcita Ravelli; Selma Ferreira Dias; fiorillo@ig.com.br; vereador@paulofrange.com.br; Katia Cristina Lopes; Paulo Victor de Angeli Filho; Milton Alves Júnior; Márcio Brugnera; ryoungsilva@gmail.com; Mara Regina Prado; Elisabete Fernandes M. Maya; Ronaldo Crespilho Sagres; Roberta Rosa; Roberto Tripoli; marioseabra@hotmail.com; Sandra Tadeu; Douglas Gonçalves da Silva; senival.pt@ig.com.br; jorgedocarmoadv@ig.com.br; Ivete Carolina Pucineli; Souza Santos; vereador@toninhopaiva.com.br; toninhovespoli@gmail.com; TV Câmara; Benedito Donizete dos Santos; Verusca da Silva Ribeiro; Valdemar Silva - Vavá do Transporte; Wadih Mutran; Maria Cristina Rodrigues Amorim da Silva
Assunto: Convite para Audiência Pública - PL 215/2013 - Executivo - LDO 2014 - 25/6/2013
Senhores Vereadores
Encaminho memorando da Comissão de Finanças e Orçamento, presidida pelo Ver. Roberto Tripoli, que convida V. Exas. a comparecerem à Audiência Pública que a Comissão realizará em 25 de junho às 10h00, no Plenário 1º de Maio – 1º andar, tendo como objeto discutir o PL 215/2013, de autoria do Executivo, que dispõe sobre as diretrizes orçamentárias para o exercício de 2014 – LDO 2014.
Atenciosamente
Caio Cesar Rodrigues
Secretaria da Comissão de Finanças e Orçamento
Câmara Municipal de São Paulo
Tel: 3396-4216 / 3396-4185
Fax: 3396-3911
***
É mais fácil mudar alguma coisa em Brasília do que na Câmara Municipal??
"To: patrimoniopublico@mp.sp.gov.br
Por favor, gostaria de saber como proceder para encaminhar uma Ação Popular ao MP-SP.
Na semana passada, havia sido divulgada a realização de uma Audiência Pública na CMSP para debater a Lei de Diretrizes Orçamentárias.
Compareci à Câmara e descobri que ela não se realizaria. Não havia nenhum informe no site cancelando.
Acionei a Ouvidoria da Câmara para solicitar explicações sobre o cancelamento e a informação sobre quando seria realizada a seguinte.
Pois bem, acabo de saber, pelo assessor de um vereador, que sabia do meu interesse, que os vereadores receberam HOJE um email comunicando da Audiência Pública amanhã de manhã.
Procurei no site da Câmara e não encontrei a informação (ver anexo - print realizado há instantes).
A Lei Orgânica é clara:
Art. 41 - A Câmara Municipal, através de suas Comissões Permanentes, na forma regimental e mediante prévia e ampla publicidade, convocará obrigatoriamente pelo menos 2 (duas) audiências públicas durante a tramitação de projetos de leis
que versem sobre:
I - Plano Diretor;
II - plano plurianual;
III - diretrizes orçamentárias;
Ainda que o conceito de "prévia e ampla publicidade" possa ser "flexível", é indiscutível que, ao não fazer menção SEQUER em sua página oficial, a CMSP está descumprindo o Artigo 41.
Por isso, então, indago: como se entra com a Ação Popular? Pessoalmente? Onde?
Aguardo resposta o quanto antes. Obrigada".
(Esse o site da Câmara hoje, pouco depois das 17h00)
***
Já na semana passada eu tinha mandado um email para a Ouvidoria da Câmara.
***
O email enviado para os vereadores tinha este anexo - datado do mesmo dia 19.
***
Esse foi o email que receberam.
De: Comissão de Finanças e Orçamento
Enviado: segunda-feira, 24 de junho de 2013 14:59
Para: Christiane de França Ferreira; Carlos Luiz Hoty Júnior; silvana.silva@uol.com.br; Alessandro Guedes; Bianca Ferreira da Silva; Alfredinho; ffbm@andreamatarazzo.com.br; Ari Friedenbach; secretaria.tatto@ig.com.br; assessoria.ver.atilio@gmail.com; Paula Regina dos Santos; Fátima Neme; mmcj@uol.com.br; flavio.gonzalez@gmail.com; Aurélio Nomura; ina_aus2@hotmail.com; Yaemi Hirae Enomoto; anahirae@uol.com.br; dominguesydomingues@uol.com.br; Rubens Wagner Calvo; Vereador Claudinho de Souza (PSDB); leandrogimenez@ig.com.br; Antonio José Mogadouro; Luzia Helena Corona Morais; Neide Corona Ramos; Coronel Camilo; Danilo Antão Fernandes; Maria Moreno Martins; Melina Lourenço; Dalton Silvano; pmarchesi@globo.com; David Soares; Francelane da Silva Marçal; Edemilson Chaves; Azelina de Oliveira Ribeiro Leonavicius; edirsales@edirsales.com.br; Rafael Lo Re Pinheiro; Eduardo Tuma; floriano45@gmail.com; brunabcamara@yahoo.com.br; George Hato; Lauane Alves Salazar; monicagva@uol.com.br; Gilson Barreto; Antonio Goulart; contato@vereadorgoulart.com.br; Nazeli Cabral da Silva; Paula Souza Damasceno; Leandro Suzart; marina.tteixeira@gmail.com; Marina Teixeira; Jean Madeira; jmadeira@r7.com; José Américo Dias; José Police Neto; deebbys@gmail.com; vanildanunciacao@yahoo.com.br; Juliana Cardoso; Laercio Benko; zette1@ig.com.br; Márcia Luisa Vannucci Salem; bancada@camaraptsp.org.br; marciofreire@hotmail.com; Giuliano Otavio Piva; Marco Aurélio Cunha; Leticia Naliagaca Stolochi; Maria das Graças Silva Pressi; Marquito; vermartacosta@terra.com.br; Milton Leite; patricia_araujo@ig.com.br; cristina_domingues@ig.com.br; donizetesantanacosta@gmail.com; solangegsantos@ig.com.br; agendanabil@gmail.com; Gilberto Natalini; jbibest@ibest.com.br; Antonio José Mogadouro; Nelo Rodolfo; Regina Célia Presença; Fernando César Domingues Favara; dorivaldo4@hotmail.com; serjohana@yahoo.com.br; pedrosalles07@ig.com.br; Noticias Site CMSP; Orlando Silva; lus_oliver@yahoo.com.br; Marvia Scardua de Carvalho; Masataka Ota; mauro-melo@uol.com.br; Élcita Ravelli; Selma Ferreira Dias; fiorillo@ig.com.br; vereador@paulofrange.com.br; Katia Cristina Lopes; Paulo Victor de Angeli Filho; Milton Alves Júnior; Márcio Brugnera; ryoungsilva@gmail.com; Mara Regina Prado; Elisabete Fernandes M. Maya; Ronaldo Crespilho Sagres; Roberta Rosa; Roberto Tripoli; marioseabra@hotmail.com; Sandra Tadeu; Douglas Gonçalves da Silva; senival.pt@ig.com.br; jorgedocarmoadv@ig.com.br; Ivete Carolina Pucineli; Souza Santos; vereador@toninhopaiva.com.br; toninhovespoli@gmail.com; TV Câmara; Benedito Donizete dos Santos; Verusca da Silva Ribeiro; Valdemar Silva - Vavá do Transporte; Wadih Mutran; Maria Cristina Rodrigues Amorim da Silva
Assunto: Convite para Audiência Pública - PL 215/2013 - Executivo - LDO 2014 - 25/6/2013
Senhores Vereadores
Encaminho memorando da Comissão de Finanças e Orçamento, presidida pelo Ver. Roberto Tripoli, que convida V. Exas. a comparecerem à Audiência Pública que a Comissão realizará em 25 de junho às 10h00, no Plenário 1º de Maio – 1º andar, tendo como objeto discutir o PL 215/2013, de autoria do Executivo, que dispõe sobre as diretrizes orçamentárias para o exercício de 2014 – LDO 2014.
Atenciosamente
Caio Cesar Rodrigues
Secretaria da Comissão de Finanças e Orçamento
Câmara Municipal de São Paulo
Tel: 3396-4216 / 3396-4185
Fax: 3396-3911
***
É mais fácil mudar alguma coisa em Brasília do que na Câmara Municipal??
terça-feira, 18 de junho de 2013
Só queime DEPOIS de ler
Ontem fiz uma "reivindicação pacífica" (tá aí no post abaixo) - "Não desaprovem sem ler". Até parece que fui atendida rsrs.
Tuitei cinco "capítulos" com algumas opiniões minhas sobre as manifestações, que depois reuni no post. No final, escrevi isso aqui no TwitLonger:
"Eu vou hoje. Não ergo cartazes de tarifa zero porque essa não é a minha causa. Quero o lugar dele, SABIA que ele não tinha preparo para ser prefeito (não só porque foi um ministro fraquíssimo, mas porque nunca foi político, nunca foi “do chão”, conhecia mto por cima a administração pública municipal e a cidade e nem queria ser prefeito, comemorou qdo foi “mais um poste eleito pelo Lula”) mas nem por isso vou dizer que o Haddad “está de má vontade, fazendo o jogo do capital” quando diz que tarifa zero = abrir mão de bilhões para outros gastos e investimentos (como o PT faz quando é oposição, mas enfim... Não vou fazer o que acho errado neles só porque eles fizeram primeiro, capice?). Pretendo levar faixas em branco e canetas para que as pessoas que assim quiserem escrevam sua queixa, seu pleito. Contra a MP 37, por qualidade no serviço público, contra os gastos bilionários na Copa, contra o voto secreto no Congresso, contra o voto obrigatório, contra a corrupção, contra os gastos milionários em propaganda (mentirosa, ainda por cima), contra o auxílio-alimentação para Juízes, contra “empréstimos secretos” para outros países, contra as obras faraônicas".
Tenho dado aulas particulares, então estou com os cacoetes de prova escolar:
Leia com atenção e responda
1) A autora:
( ) apoia a tarifa zero
(x) nao apoia a tarifa zero.
2) Ela não apoia a tarifa zero porque:
( ) é do partido do Haddad e precisa defender o prefeito
(x) é da oposição ao Haddad mas mesmo assim não quer defender algo que considera impossível.
3) Soninha Francine
(x) concorda com Haddad quando ele diz que tarifa zero implica em cortar bilhões de outras áreas
( ) acha que ele só diz isso porque está de má-vontade fazendo o jogo do capital.
4) A ex-candidata a prefeita vai à passeata
( ) porque quer dar um golpe e derrubar o prefeito
(x) porque concorda com várias outras reivindicações e protestos em pauta.
Achou fácil? Pois bem, teve gente (jornalistas, aliás) que acertou a 1ª, não tem noção do que significa a 2ª e errou a 3ª e a 4ª.
Observem:

E tinha mais... Vieram as ameaças ("Ela que apareça!"). Um chegou a dizer "Ela tá literalmente [sic]cagando pro MPL, só pensa em si mesma".
(Imaginem se um dia eu me atrevo a sair na rua com um cartaz "Fora [alguém que seja PT ou aliado]").
Isso porque eu quis explicar honestamente para os defensores do passe livre, mesmo sendo de oposição ao prefeito, que é impossível... Ah, deixa pra lá. Por isso hoje eu me rendi aos argumentos. Talvez o passe livre seja possível, afinal! Se não for, o Haddad e seus apoiadores que expliquem para o MPL e os manifestantes.
Tuitei cinco "capítulos" com algumas opiniões minhas sobre as manifestações, que depois reuni no post. No final, escrevi isso aqui no TwitLonger:
"Eu vou hoje. Não ergo cartazes de tarifa zero porque essa não é a minha causa. Quero o lugar dele, SABIA que ele não tinha preparo para ser prefeito (não só porque foi um ministro fraquíssimo, mas porque nunca foi político, nunca foi “do chão”, conhecia mto por cima a administração pública municipal e a cidade e nem queria ser prefeito, comemorou qdo foi “mais um poste eleito pelo Lula”) mas nem por isso vou dizer que o Haddad “está de má vontade, fazendo o jogo do capital” quando diz que tarifa zero = abrir mão de bilhões para outros gastos e investimentos (como o PT faz quando é oposição, mas enfim... Não vou fazer o que acho errado neles só porque eles fizeram primeiro, capice?). Pretendo levar faixas em branco e canetas para que as pessoas que assim quiserem escrevam sua queixa, seu pleito. Contra a MP 37, por qualidade no serviço público, contra os gastos bilionários na Copa, contra o voto secreto no Congresso, contra o voto obrigatório, contra a corrupção, contra os gastos milionários em propaganda (mentirosa, ainda por cima), contra o auxílio-alimentação para Juízes, contra “empréstimos secretos” para outros países, contra as obras faraônicas".
Tenho dado aulas particulares, então estou com os cacoetes de prova escolar:
Leia com atenção e responda
1) A autora:
( ) apoia a tarifa zero
(x) nao apoia a tarifa zero.
2) Ela não apoia a tarifa zero porque:
( ) é do partido do Haddad e precisa defender o prefeito
(x) é da oposição ao Haddad mas mesmo assim não quer defender algo que considera impossível.
3) Soninha Francine
(x) concorda com Haddad quando ele diz que tarifa zero implica em cortar bilhões de outras áreas
( ) acha que ele só diz isso porque está de má-vontade fazendo o jogo do capital.
4) A ex-candidata a prefeita vai à passeata
( ) porque quer dar um golpe e derrubar o prefeito
(x) porque concorda com várias outras reivindicações e protestos em pauta.
Achou fácil? Pois bem, teve gente (jornalistas, aliás) que acertou a 1ª, não tem noção do que significa a 2ª e errou a 3ª e a 4ª.
Observem:

E tinha mais... Vieram as ameaças ("Ela que apareça!"). Um chegou a dizer "Ela tá literalmente [sic]cagando pro MPL, só pensa em si mesma".
(Imaginem se um dia eu me atrevo a sair na rua com um cartaz "Fora [alguém que seja PT ou aliado]").
Isso porque eu quis explicar honestamente para os defensores do passe livre, mesmo sendo de oposição ao prefeito, que é impossível... Ah, deixa pra lá. Por isso hoje eu me rendi aos argumentos. Talvez o passe livre seja possível, afinal! Se não for, o Haddad e seus apoiadores que expliquem para o MPL e os manifestantes.
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quarta-feira, 6 de março de 2013
"Revolucionários" no poder
Sobre Chávez - tuítes iniciais, expandidos e com comentários adicionais em itálico.
Miriam Leitão pisando em ovos p fazer críticas ao Chávez."Ele governou para os pobres. Violência aumentou muito, inflacão é alta. Mas ajudou os pobres!"
(Muita gente acha que, para fazer críticas, você precisa elogiar alguma coisa também. Aliás, tem gente que cobra isso: "E não tem nada de bom não?". Pra elogiar e exaltar o governo, tá cheio de gente. Maioria absoluta. Não posso simplesmente criticar - com DADOS, como faço questão?)
Se a redução da pobreza extrema lá for como aqui... Com mais de R$2,30 por dia a pessoa já saiu da miséria, msm s ter o q comprar p comer (NE)
(Pois é, esse é o dado oficial: quem não tem renda de R$70/mês (portanto, R$2,30/dia) está na faixa da "extrema miséria". Acima disso, já não está mais. Além de ser um valor que obviamente não permite que se viva dignamente em lugar nenhum - no máximo garante a sobrevivência, coisa que um país tão "rico e bem-sucedido" tinha de ter superado há muito tempo - existem lugares no país em que NÃO HÁ O QUE COMPRAR para comer. Não há o que comer, vide a TRAGÉDIA que afeta o Nordeste com a estiagem. A seca é inevitável - os efeitos dela sobre os seres humanos é o que temos o dever de mitigar).
Dilma sobre Chávez: "Em muitas ocasiões, o governo brasileiro não concordou integralmente com Chávez". No placar Dilma x Lula, ela acaba de marcar mais um ponto.
(Lula é incapaz de tolerar divergências por parte dos opositores - Dilma também não é muito melhor nisso, afinal põe a culpa de tudo na "turma do contra" - mas jamais admite diferenças com os aliados. Pior: ainda pede desculpas e exalta sua história, como já fez com Collor e Sarney respectivamente)
(Lula é incapaz de tolerar divergências por parte dos opositores - Dilma também não é muito melhor nisso, afinal põe a culpa de tudo na "turma do contra" - mas jamais admite diferenças com os aliados. Pior: ainda pede desculpas e exalta sua história, como já fez com Collor e Sarney respectivamente)
(Mas Dilma podia dizer quis foram essas ocasiões, né? Pra gente entender melhor o pensamento do governo brasileiro)
Qdo alguém está há 14 anos no poder, nenhuma intenção de sair, e continua se dizendo líder de uma "Revolução"... Ô revolução lerda.
(O PT, por exemplo, surgiu com a proposta de "revolução e não reforma", isto é, mudanças rápidas e profundas. Nada de transições graduais, negociadas, com concessões. Eu escolhi o PT porque acreditava nisso... Fiquei na dúvida quanto a apoiar ou não Tancredo no colégio eleitoral, mas ela não durou quase nada - logo concordei com o PT, é tudo ou nada, e o que esperar de uma chapa que tem o Sarney como vice?? Como romper com a ditadura tendo junto a você um de seus expoentes? Vai vendo...)
14 anos NO PODER e falando em "Revolução". Sem oposição, sem liberdade. Revolução contra quem???
(Pois é. Depois de chegar ao poder, de governar o país por uma década e meia, alterar a Constituição a seu favor (claro), cercear a liberdade de imprensa e de manifestação, o que ainda FALTA fazer? Como ele pode ser situação e ao mesmo tempo ser o líder da "Revolução"? A população chora: "Nosso guia, nosso líder revolucionário"...)
***
Ainda a Venezuela
Ainda a Venezuela
- A Presidente do Supremo vem a público depois da morte do presidente para tranquilizar a população e assegurar que as instituições democráticas são sólidas. Traduzindo: não são.
- "Os inimigos da pátria causaram a morte de Chávez", diz o vice-presidente. Como é que pessoas inteligentes e bem informadas no Brasil não percebem o ridículo e a nocividade de uma declaração como essa?
- Se um regime depende tanto da sobrevivência de um líder, qual a solidez desse regime? Qual a profundidade de suas conquistas? Ele não foi eleito sempre com a esmagadora maioria? O que temer então?
(Vale para o Brasil também... O PT alega sempre que as "conquistas sociais", a "revolução", as "profundas transformações" seriam ameaçadas ou perdidas se Lula não elegesse a sucessora. Então foram transformações muito frágeis...)
(Quem me acompanha - ou pega no pé, ehehe - sabe que é exatamente o que eu penso: as "transformações", onde houve (no Maranhão, Piauí e outros estados miseráveis continua o desastre de sempre), foram superficiais, cosméticas. O Brasil continua injusto, desigual, cruel como antes com os seus pobres. Os mais pobres e os menos pobres - os que vivem em palafitas penduradas no Rio Capiberibe, nas áreas de risco em Florianópolis, na Zona Leste de São Paulo, na Baixada Fluminense, que podem ter até TV de tela plana mas educação, saúde, lazer e real oportunidade de ascenção social eles não tem).
- Um governo que cultiva a idolatria, a beatificação do presidente, que o trata como herói em batalha inglória contra poderosos inimigos internos e externos, declarados e secretos, não pode ser um governo moderno, democrático, esclarecido. Quem alimenta o fanatismo vai na contramão das conquistas da civilização. Quem jogo o povo contra meios de comunicação não alinhados com o governo não pode ser exaltado por quem, teoricamente, preza a liberdade.
Se houve conquistas sociais na Venezuela? É possível. Na dimensão pregada pelos Chavistas? Duvido. Sequer é possível verificar de fato, tamanho o controle dos meios de comunicação. "Então por que ele é tão amado"? Ora, Hitler também era. ACM também era. As massas, não raro, perdem a razão. São passionais, seduzidas por símbolos e personagens carismáticos. Ser amados pelas multidões não é e nunca foi prova de governo justo, igualitário, progressita, honesto, bom.
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