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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Básico


(Essa foi para o Portal da Band, em resposta a um internauta)

Pergunta: Prezados candidatos, gostaria de saber quais são os projetos referentes ao tema de saneamento básico para a cidade?

O Saneamento é mais crítico nas regiões da cidade que tiveram ocupação desordenada. São centenas de domicílios não ligados às redes de coleta e tratamento de esgoto. 

Em alguns lugares, é necessário fazer projetos completos de urbanização, com verticalização (como nos projetos da Favela do Gato (gestão Marta) e Heliópolis e Paraisópolis (gestões Serra e Kassab), organização do viário (calçadas, ruas, guias), desimpermeabilização e  arborização, implantação de sistemas de coleta e reaproveitamento de água de chuva, aperfeiçoamento do sistema de coleta e destinação de resíduos sólidos (recicláveis, entulho, “bagulho”, material orgânico etc) e recuperação do leito e margem dos córregos. 

Nas áreas completamente reurbanizadas ou naquelas em que não for necessário intervenções tão grandes, vamos estudar qual a melhor solução - que não é necessariamente o modo usual, de conexão a rede e transporte até estações de tratamento a longa distância. Existem muitas tecnologias - antigas e modernas - que permitem o tratamento de esgoto no local, inclusive com a possibilidade de geração de energia.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Recapitulando (pra facilitar aos q se interessam)

Realmente, faz tanto tempo que eu escrevi os primeiros posts sobre a desocupação que é bem fácil passar batido por eles, então vamos lá. Tem um trecho de cada e o link para a íntegra.

C#agadas em Série 1 (publicado em 23/jan)
A combinação de necessidade e desejo, laços de amizade e relações de poder, organização cidadã e organização criminosa, interesses honestos e oportunismo dá merda sempre. E a omissão ou ação errada dos agentes públicos (prefeitura, estado, governo federal, vereadores, deputados etc) é o combustível da catástrofe que vai sendo armazenado até explodir.

C#gadas em Série 2 (publicado em 24/jan)
Quem se ferra? É quem NÃO FAZ PARTE DESSA GUERRA. Quem não tem dinheiro, nem armas, nem padrinho, nem faz parte de alguma organização, seja pela razão que for. Porque é idoso, porque não para em casa (2 empregos + escola), porque não quer se envolver mesmo. Digo isso em defesa dos "desorganizados", sempre os mais prejudicados, mesmo quando são maioria.

C#gadas em Série 3 (24/jan)
Discordo da decisão do governo, de fazer cumprir a reintegração de posse. Desaprovo a ação e condeno a violência policial, os abusos, as barbaridades. Duvido que as pessoas desalojadas tenham encaminhamento decente. É muita gente... Não houve preparação verdadeira para sua realocação. Mas também desaprovo e condeno o oportunismo, a exploração, a incitação ao ódio, a mentira de muitos dos que se colocam em defesa dos moradores do Pinheirinho. É relativismo demais? Sinto muito. A vida é mais complexa do que parece nos slogans.

"Novidade" - Em todo lugar tem gente desonesta (publicado em 27/jan)
Aos que aplaudem a violência de um lado ou de outro (Estado, oposição, esquerda, direita), minha condenação. Os que querem ver os exércitos americanos exterminando muçulmanos e os que acham graça em atentados a bomba contra israelenses. Às vítimas da opressão de bandidos ou terroristas e às vítimas da opressão do Estado e suas Forças Armadas, minha igual solidariedade.

***
Acrescento o comentário mais sucinto e ao mesmo tempo completo que li nos últimos dias, "Tragédia de Erros".

Tks pela atenção até aqui.

sábado, 28 de janeiro de 2012

"Tudo certo", oi???!!!

nirso deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Nem vem!": 

Soninha, desculpe, mas vc não é a pessoa mais indicada para incitar uma reflexão nas pessoas. Você esteve lá em Pinheirinho pra chamar algumas pessoas de "bandidos"? Você sabe o que realmente esta acontecendo lá?

>>>>Nirso, no Pinheirinho eu não estive, mas tenho muita convivência, conhecimento, vivência, conhecidos e amigos em muitas favelas e periferias. Assim como todos nós SABEMOS que há casos e mais casos de violência policial; que na periferia ou com pobres, pretos e homens jovens a “regra” é o abuso, não é possível não saber que nas resistências na periferia há dois grupos perversos de aproveitadores: os bandidos que convivem com os trabalhadores, os “ajudam” e oprimem no dia-a-dia e não querem perder o “feudo”, e extremados militantes partidários que quase torcem para que morra alguém para poderem acusar o governo.

Já me meti em mil brigas e ocorrências confrontando PMs, GCMs, policiais civis... e bandidos “comuns”, mas isso foi mais raro. Às vezes bato e pé e teimo com os recados que mandam: "Não autorizam o evento #myass. Vamos fazer sim um mutirão de mosaico com a molecada aqui e não tem nada a ver com o 'movimento' deles. Não venham com babaquice". Mas acontece muito mais frequentemente de acabar em um DP atendendo a um SOS desesperado, nas horas mais bizarras; Alguns policiais me odeiam porque me acham uma burguesa babaquinha que defende os “direitos humanos dos bandidos”, “maconheira de merda”, “inocente útil”. Do outro lado alguns acham de mim a mesma coisa, só trocando a primeira frase entre aspas por “elites brancas perversas”. Haja...

Sua opinião em relação aos acontecimentos é baseada apenas nas fotografias que vc linkou? Ou nas suas relações com membros do PSDB?

>>> Minha opinião sobre a fotografia que eu linkei é sobre a fotografia que eu linkei, e repito aqui: aquelas pessoas, pra mim, são bandidos infiltrados. Se são trabalhadores, escolheram um método de resistência (repare que são PORRETES COM PREGOS, santo deus!) que eu desaprovo. (Se minha frase acabou associada a outras fotos - nesse álbum do UOL há várias, de muitas outras pessoas - eu sinto muito, sinto muito mesmo, my mistake que devia ter "embedado" a foto certa desde o começo, como aqui) Tanto quanto desaprovo as malditas e perigosas balas de borracha e as estúpidas “bombas de efeito moral” que a polícia emprega a torto e direito (leia aqui, na série de posts “C#gadas em série”)

Bom, sugiro vc ir visitar os "abrigos" onde as familias estão morando agora pra ver se realmente está tudo "certo". 

>>>Onde, Nirso, eu falei que estava “tudo certo”?????????? Tá doido??? Leia AQUI , AQUI e AQUI ! (LEIA, por favor, como eu estou lendo TUDO. Leia e, sendo honesto, interrompa quem disse que eu "defendo a ação da polícia" e "chamei todo mundo de bandido"). Não, eu NÃO ACHO  que tá tudo certo, que foi feito tudo certo, que não havia alternativas, que a população recebeu o tratamento que deveria, que o governo tomou a decisão e providências corretas. Como o começo da frase ficou longe do final, vou repetir: NÃO ACHO. Quer discordar de mim quanto à presença de bandidos, achar que eu estou viajando, ok, é uma divergência entre nós. Mas discordar do que eu NUNCA disse é demais. É como aquelas pessoas que dizem que eu quero incentivar todo mundo a fumar maconha, que não conheço o flagelo da dependência ou que ignoro a violência dos traficantes por causa de minha opinião favorável à legalização de sua produção e comércio.

Justificar sua opnião em relação a 6 mil familias que habitavam o local se baseando apenas em algumas fotografias jornalisticas que mostram grupos de no maximo 50 pessoas é um tant qto precipitado, não?

>>>> De novo, Nirso - QUE opinião em relação às milhares de famílias? QUANDO foi que eu julguei elas todas e neguei que fossem trabalhadores??? Meu deus! Você é um cara que se  interessa e se dispõe a debater, que sabe ler um texto, como é que não nota a diferença de acusar aquele grupo - sim, CLARO, um pequeno grupo oportunista - e desqualificar todo mundo?? Eu não disse que há bandidos APROVEITADORES da situação? Porque uma “situação” real, injusta, lamentável que é fruto  omissão/inoperância/incapacidade/intolerância dos governos e resulta em dano duradouro à vida de pessoas que só queriam um lugar para viver e não tiveram outro. O pequeno (e variado) grupo se aproveita da situação e toca o puteiro.

Há gente de fora realmente preocupada, sensibilizada, interessada genuinamente na situação dos moradores. Mas você REALMENTE não acredita ou não concorda que há aproveitadores? As mulheres e crianças fugiam e pediam misericórdia; foram elas e seus maridos humildes e trabalhadores que atearam fogo em carros?? Bom, se foram os maridos, eu volto ao ponto: má escolha. Não resolve, não ajuda, só aumenta o terror da situação.

Bom, sei que vc vai "desaprovar" esse comment, assim como vc fez com os comments relacionados ao seu outro post. Assim fica fácil né? Deixar apenas os comentarios favoraveis. Porque depois de pesquisar seu blog, cheguei a conclusão de aqui não há espaço pra discussão, apenas para sua opinião.

>>> Eu estabeleci uma regra básica: comentários divergentes, ok. Agressões, ofensas, ataques, violência verbal, não. É meu blog, é meu direito. Durante bastante tempo eu autorizava tudo tudo tudo, por mais nojento que fosse. Queria expor tudo que surge em uma discussão pra gente ter uma visão do mundo como um todo. Vários leitores pediam por favor para eu editar, evitar, excluir, porque não queriam entrar em uma briga de rua, queriam apenas um debate civilizado, ainda que acalorado, e perdiam a vontade de discutir diante de tanta baixaria.

Bom, saiba que sua atitude ignorante em relação aos acontecimentos atuais está lentamente acabando com sua imagem politica. Parabens. Se vc tem intenção de se eleger em qualquer cargo nesse ano, saiba que vc tera no minimo uns 2000 votos a menos. 

>>> Infelizmente, se as pessoas formam sua opinião a partir de frases fora de contexto e deturpações desonestas, não há muito o que fazer a não ser calar a minha boca sempre. Quantos votos você acha que eu perco por defender legalização de  maconha e do aborto ou o reconhecimento e respeito dos direitos dos homossexuais? Quantas pessoas me acusam, por isso, de ser “contra a vida”, a família, a decência? É triste ter de enfrentar ao mesmo tempo a desinformação ou má-fé dos mais conservadores E dos progressistas.

E se as pessoas estão se armando pra se defender da violencia da policia, saiba que é porque a policia usa violencia. Como se defender de balas de borracha, gas lacrimogenio e escudos blindados? Como defender sua moradia de ser destruida por um trator apenas para alimentar os desejos de especuladores?!

>>>> Sou contra a violência, pronto. Você pode discordar, mas precisa respeitar meu ponto de vista. Pra mim, a cena mais absurda, ABSURDA, intolerável da ação policial foi quando aqueles quatro ou cinco policiais com capacetes e cassetete partiram para cima de um homem negro COMPLETAMENTE inofensivo, desarmado, pacífico. Quantas vezes já vimos isso? Eu nunca vou aceitar, nunca vou me conformar. Nem que ali estivesse um meliante, um grupo de policiais JAMAIS poderia agir daquele modo. Mas quanto mais manifestantes reagem com violência, mais gente vai apoiar até mesmo a violência da polícia. Acontece direto nos conflitos com torcida organizada... “Bando de arruaceiros, quem mandou? E quem é decente nem deveria ir ao estádio”. Os que pensam assim aplaudem os policiais por cometer abusos... Parem todos com isso, pelo amor de Deus.

Como se defender qdo a Justiça e o Governo estão contra você e você não fez nada, não cometeu nenhum crime?!?

>>> Não é com violência. É com câmeras nos celulares, é deitando no caminho dos policiais, é levantando cartazes e cruzes, é acionando advogados e cortes internacionais, é gritando contra a intolerância. Morro de ódio às vezes, mas não consigo me permitir se violenta para me defender, não vou admitir a violência como legítima nunca. Perdoável no calor dos eventos, talvez. Premeditada, nunca.

Bom saber que se depender de você, essa estado na mesma merda em que está a anos (assim como outros estados e paises, porque merda tem em qualquer lugar, independente de partido politico ou de "pseudo-jornalista metida a politica". 

>>>> Oooi???
Tem merda em qualquer lugar e sempre terá, e eu sou “metida” a política porque não aceito isso passivamente. Porque desde SEMPRE eu quero fazer mais pelo mundo em que  vivo e tenho absoluta certeza que a política é a forma mais civilizada, ampla e viável de produzir transformações - não a “politicagem”, mas também não apenas a “sociedade civil organizada”, não o “movimento social”. Estes podem e devem influenciar a política, mas eu acredito no papel do Estado e na supremacia do Poder Público, e é onde eu quero estar.

(Para ser um diálogo mais franco, em vez de me acusar de um lugar anônimo (é fácil, eu estou exposta o tempo todo), por que você não me diz quem é, o que faz, quais suas tentativas reais para que, “se depender de você”, as coisas REALMENTE mudem nesta cidade, estado e PAÍS? É só uma provocação. Às vezes eu fico de saco cheio de quem vocifera na mesa do bar e empunha sua pena ferina no computador e JAMAIS sairia da cama às 5 da manhã para socorrer alguém na Brasilandia, mas me chama de "vendida". Talvez você seja super atuante e realmente saia do seu lugar para tentar interferir nas coisas com sua postura e atitude, mas talvez aja mais no computador do que no mundo lá fora. É válido participar na internet, mas acredite, eu  lido muito mais do que isso com a miséria tentando curar de verdade essa chaga).

Obrigado pela atenção e pela hipocrisia de não publicar comentarios que questionam sua posição.

>>> Sarcasmo dispensável (o agradecimento). Uma coisa é questionar a minha opinião - e até me ofender, como você fez no penúltimo parágrafo, mas isso eu debito do calor do debate - e outra é fazer o equivalente a cuspir na minha cara. Não sou obrigada a dar espaço para qualquer tipo de coisa que apareça.
E olha, faço um desafio: qual é o político que você conhece, a quem você já tentou questionar, que expõe tão francamente e extensamente sua opinião sobre o que quer que seja? Somos quantos, uns quatro ou cinco? Então me exclua do seu universo da política se você quiser, mas duvido que encontre alguém com quem tenha interlocução tão próxima.

Abs,
S.
*******

PS: Alguém ligou para me ouvir, entender, tirar a dúvida - UMA jornalista, de UM veículo de comunicação, o portal R7. Agradeço sempre aos que se informam de verdade e dispensam o telefone-sem-fio e o "estão- dizendo-que-ela-disse".

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Nem vem!

1) Para quem tiver real interesse em saber o que penso... Sem essa de pirou, maconheira, bla bla bla: C#gadas em série (Pinheirinho)

2) Pensamentos ou slogans igualmente cretinos: "Na favela/ periferia só tem bandido"; "na favela/periferia só tem trabalhador"

3) Discordar, ok. Distorcer ("olha o que ela pensa de todas vítimas") é desonestidade básica.
Se são trabalhadores, lamento, escolheram métodos de bandidagem. O que pretendem, "matar ou morrer"?
http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/6101-desocupacao-da-favela-pinheirinho#foto-114674

4) Esses [na foto com porretes] são criminosos tirando proveito da situação, não pessoas comuns defendendo sua terra http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/6101-desocupacao-da-favela-pinheirinho#foto-114674



5) Chamo criminosos de aproveitadores, SIM. O que é COMPLETAMENTE diferente de chamar os desabrigados de criminosos. Mas é inútil discutir com a desonestidade...


***Palavras não quebram ossos, mas não vou publicar nenhum comentário semelhante a um porrete com pregos na ponta.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

C#gadas em série (Pinheirinho) - 3

Parte 6 - Afinal, de que lado você está?

Discordo da decisão do governo, de fazer cumprir a reintegração de posse. Desaprovo a ação e condeno a violência policial, os abusos, as barbaridades. Duvido que as pessoas desalojadas tenham encaminhamento decente. É muita gente... Não houve preparação verdadeira para sua realocação.

Mas também desaprovo e condeno o oportunismo, a exploração, a incitação ao ódio, a mentira de muitos dos que se colocam em defesa dos moradores do Pinheirinho.

É relativismo demais? Sinto muito. A vida é mais complexa do que parece nos slogans.

Maniqueísmo é raso, desonesto, sujo.


Policiais são heróis, suas vítimas são sempre bandidos
X
Policiais são bandidos, suas vítimas são heróis da resistência

Na favela todo mundo é bandido
X
Na favela todo mundo é trabalhador

Paulistas ricos votam nos tucanos que odeiam pobres
X
O PT faz tudo pelos pobres

#myass

No Rio o Exército patrulha ostensivamente as ruas das favelas à guisa de "pacificação". Volta e meia um morador toma um tiro de um soldado, fazer o que? Acidente de percurso. Não, o governo Paes-Cabral não é fascista, opressor, a política social deles é joinha.

A Polícia na Bahia é fina, educada, bem preparada, bem equipada, honesta e não se tem notícia de abuso. Se tiver, SE TIVER, o governador não tem NADA a ver com isso.

Em Pernambuco, a reação a uma rebelião no equivalente deles à Fundação Casa termina com adolescentes mortos, um deles degolado. Mas o Eduardo Campos é um socialista, qualquer violência que aconteça contra pobres não tem nada a ver com ele.

Greves em universidades federais são reprimidas com "energia". Indígenas e ribeirinhos são enxotados, encurralados, expulsos por funcionários das empresas que trabalham na m. da usina de Belo Monte. Presídios no Espírito Santo parecem masmorras. Acre, Amapá, Maranhão... Pobres dos pobres de lá. Mas ninguém lá é fascista, nazista, lacaio dos imperialistas, capitalista nojento.

Mas São Paulo...  Ah, São Paulo dá #vergonha, São Paulo é o pior lugar do mundo pra se viver, não faz nada pelos mais pobres, muito pelo contrário. A Saúde em São Paulo é a pior do país, a Educação também, a Polícia é a pior do Hemisfério. O metrô de São Paulo dá vergonha, ver-go-nha. Em todas as capitais é melhor, mais avançado, mais confortável, atende mais gente. As favelas da capital são as piores do MUNDO. Porque aqui, ah, aqui quem manda é a direita. Aqui não se tem a liberdade de manifestação e expressão, de organização e de imprensa que tem em Mato Grosso ou na Bahia. Ou no Irã, Cuba, Venezuela ou na China - esses países "de esquerda", libertários, igualitários, justos, em que os ricos não tem privilégios, os trabalhadores são respeitados, os pobres vivem decentemente e o governo tolera a oposição.

#MYASS.

C#gadas em série (Pinheirinho) - 2

(O primeiro post foi este aqui)

Parte 4: energia, rigor, violência

Já participei do planejamento de ações em que era necessária a presença e quase certa a necessidade de atuação da Polícia Militar em situações de conflito ou tumulto. Jogos de futebol, por exemplo.

Sempre questionei o uso das malditas balas de borracha. A resposta que obtive sempre foi "é o armamento não letal determinado". P., determinado por quem? Podem por favor determinar outra coisa?

Em todo o mundo "riots" são dispersadas com jatos de água. Não consigo imaginar por que não seriam mais indicados do que projéteis. Imagine, no meio do tumulto uma arma é disparada em direção à massa. Quem ela vai atingir e onde? Sabe deus! Uma vez, na Paulista, um fotógrafo (da Folha da Tarde, se não me engano) foi atingido NO OLHO. Não importa - na coxa, na barriga, no braço, é um absurdo.

"Bomba de efeito moral" também é um horror. Gera pânico, desespero. Você ouve os estouros e não sabe se é tiro. Coração vai na garganta, perna fica bamba, nem que seja por um segundo. O "efeito moral" é esse... Pessoas podem sair correndo e caírem, serem pisoteadas... Outras podem, na sua fúria, contra-atacar como der no meio da fumaça, com paus e pedras. É assim que se controla a situação?

Outro erro INACEITÁVEL é bater em alguém caído. Chutar então... E quando são vários contra um, como aconteceu na porta de uma tenda com um sujeito absolutamente indefeso e pacífico, agredido por quatro ou cinco policiais? Crime para detenção em flagrante. Aliás, sair correndo atrás de alguém que está fugindo dando cacetadas nas costas também é errado. É violência, revide, descontrole. Errado.

Assim como é errado rosnar para as pessoas. Rigor, entendo, é necessário. Não dá para parar, conversar, discutir, abrir exceções, quebrar um galho. O bagulho é tenso. Mas um mínimo de humanidade é indispensável. A mulher que não pode voltar para casa e pegar NADA a não ser a mamadeira estava inconformada. Na porta de casa, pediu um segundo, implorou. Também já implorei compreensão de seguranças, guardas, policiais... É desesperador.

Parte 5: a resistência

Não venham falar em resistência pacífica... Pára.

Se quiserem defender o direito de as pessoas se organizarem em guerrilhas, milícias, irem para o pau, resistirem com porretes e coquetéis molotov, ok, temos uma discussão. Mas descrever a situação como um confronto apenas entre pessoas indefesas e pacíficas e as forças de segurança do estado é desonestidade.

A bandidagem que normalmente já dá "proteção" à comunidade participa ativamente da resistência. Claro. E um povo de fora que acha a maior graça em cobrir a cara à moda rebelião em presídio e em coquetel molotov como ícone da resistência ao imperialismo também participa orgulhoso da ação "política".

Em alguns casos de remoção, chega a acontecer o absurdo de uma parte das famílias querer ouvir as alternativas, cogitarem aceitar a mudança para outro lugar porque também já não aguentam mais viver naquelas condições - passei por isso em relação a algumas áreas de risco - e "lideranças" (bandidos ou militantes partidários) PROIBIREM as pessoas de fazer acordo, com postura e atitudes ameaçadoras. "Eles querem nos dividir para enfraquecer o movimento!". Super democrático.

Os moradores do Pinheirinho, teoricamente, haviam pedido mais quinze dias para continuar negociando. Deveriam ter sido dados, mas não ia adiantar nada. Depois de quinze dias, a situação seria idêntica. Não haveria saída pacífica. Na USP, aconteceu algo semelhante. A ordem judicial poderia ter sido cumprida alguns dias antes da noite em que foi executada. Pediram tempo, mais tempo, "vamos sair, mas não desse jeito". A Polícia acatou e no fim os ocupantes não iam sair mesmo e acusaram o estado de intransigência.

A única saída pacífica, inteligente e justa para o Pinheirinho seria a regularização da área, (re)urbanização e, para usar palavra muito apreciada pela Rede Globo, "pacificação". Porque tão equivocado e desonesto quando o discurso reaça de que "na favela só tem bandido" é o discurso "progressista" de que na favela "só tem trabalhador". Tem os dois, minha gente. Os reaças nunca pisaram em uma favela. Os progressistas que já o fizeram SABEM como é.

Pergunte aos trabalhadores - motoristas, garçons, faxineiros, cozinheiros, ascensoristas, porteiros, balconistas, estudantes, auxiliares administrativos, auxiliares de enfermagem, motoboys, estagiários, pintores, pedreiros, eletricistas - se eles não são oprimidos pela bandidagem. Se os bandidos não tocam o terror, controlando desde o uso da quadra de esportes e o horário das festas a conflitos entre vizinhos e casais. Se não é f. ficar espremido entre corrupção e violência policial E a violência dos "chefes" do pedaço. Incrível como fazem o papel do Estado paternalista e opressor - afinal, eles ajudam, de verdade, em algumas situações. Em troca, estabelecem sua ditadura. Suas leis, sua justiça.

Agora, não tem COMO o estado não saber que é assim e que a população local estará em estado de beligerância, por escolha ou por falta de alternativa. Quem não quer ir pra trincheira, só quer zelar por sua TV, seus móveis, suas roupas também tá preso ali. "Por que não saíram antes?". Não só porque os líderes nem sempre permitem, como também porque sair carregando sua vida nas costas não é coisa simples. Então o governo SABE, quando determina a ação, dos riscos que está correndo. E prefere correr. Risco de confronto, óbvio, e de exploração do episódio (o que piora o confronto!).

Quem se ferra? É quem NÃO FAZ PARTE DESSA GUERRA. Quem não tem dinheiro, nem armas, nem padrinho, nem faz parte de alguma organização, seja pela razão que for. Porque é idoso, porque não para em casa (2 empregos + escola), porque não quer se envolver mesmo. Digo isso em defesa dos "desorganizados", sempre os mais prejudicados, mesmo quando são maioria. A organização é um instrumento legítimo e desejável na sociedade, mas a força que os grupos organizados adquirem nem sempre resulta em justiça para a maioria.

[Continuo mais tarde]

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

C#gadas em série (Pinheirinho)

Parte 1: a "Propriedade Privada" e a "Justiça"

Não sei em que condições o terreno foi adquirido. Talvez a situação seja absurda desde a aquisição, vai saber. Grilagem, papéis frios, corrupção, invasão... O Brasil tá forrado de "propriedades legais" que não tem um mísero documento em ordem, que alguém um dia cercou e disse "é minha". Desmatou, usou, parou de usar, largou, deixou especulando.

Se a origem da história for essa, o proprietário já deveria ter perdido o direito a ela séculos atrás. Digamos que nada disso tenha acontecido na história do Pinheirinho: a ÚNICA razão aceitável para que o terreno fosse desocupado e restituído ao proprietário seria para atender as vítimas do Naji Nahas... Que ele estivesse arrolado para saldar dívidas com pessoas "assaltadas" por ele... E olhe lá.

Parte 2: O tempo não foi o senhor da razão

A ação de reintegração de posse já subiu e desceu na Justiça várias vezes. Até onde eu sei, já "transitou em julgado" no STF, não poderia fazer o caminho de volta. E realmente uma ordem da Justiça Federal não poderia se sobrepor à decisão da juíza da Justiça Estadual, embora pareça aos leigos que uma é subordinada à outra.

Mas, como explica o Sakamoto, "ao receber uma ordem judicial, mesmo que formalmente correta, mas cuja execução possa colocar em risco a vida de pessoas, o Poder Executivo tem o dever de tomar todas as medidas para evitar esses excessos. E caso acredite que seja impossível, que pessoas saiam feridas ou com a dignidade vilipendiada, tem o dever de não cumpri-la e procurar alternativas".

Ao longo desses anos todos, a decisão já foi não cumprida. Protelada, empurrada com a barriga. Por que? Mil razões diferentes, possivelmente contraditórias. De coragem a medo. De compaixão à demagogia.

Não ter cumprido porque seria absurdo simplesmente tirar todo mundo dali e obrigar as pessoas a começar tudo de novo sem lhes oferecer nenhum caminho é compreensível - não chega a ser louvável porque se isso significou não tomar iniciativa nenhuma para resolver a situação direito, que grande coisa. Vira omissão. "Alguém que resolva esse problema, eu é que não vou mexer nisso". Quer dizer, é um pouco de compaixão, um pouco de covardia.

Não ter cumprido por demagogia é inaceitável. "Querem expulsar vocês daí, mas eu não vou fazer isso!" é ignorar que, sem tomar providências de verdade, uma hora essa bodega ia explodir. Consolidar, arruar, puxar eletricidade etc. SEM levar em conta que era preciso REGULARIZAR  a posse do terreno é de uma irresponsabilidade tremenda. Até no Morro do Bumba fizeram isso, lembram?

Enfim, quanto mais o tempo passa sem providências, MAIS COMPLEXA é a situação. Barracos de madeira viram casas de alvenaria, surge o comércio local, as pessoas vão aumentando seu patrimônio, os lotes e casas vão valendo cada vez mais... É, imóvel valoriza em tudo quanto é lugar quando a vizinhança faz progressos e/ou tem muita procura. Adiar, sentar em cima, protelar, se omitir, adiar, adiar... Problema SÉRIO na administração pública.

Parte 3: Mas então o que?

Não podendo voltar no tempo e desfazer tudo de errado que foi feito antes, caberia ao Poder Público regularizar a área - será que não poderia ser desapropriada??? Caso isso não fosse possível ou fosse demorar demais por conta de mil recursos na Justiça, a prefeitura/o estado/a União deveriam ter procurado uma área tão próxima quanto possível para realocar os moradores.

Quanto mais demoram esses processos, mais complexa vai ficando a situação. As casas, como disse, vão ganhando solidez e valor - econômico e sentimental. A especulação imobiliária começa a se instalar também... E politicamente o lugar passa a ser cada vez mais atraente, mais interessante. Cenário de promessas e incitações, boatos e contra-informação, poder e terror. Terreno fértil para lideranças picaretas ou criminosas - que, não raramente, se impõem e subjugam lideranças legítimas.

Tô falando isso em tese? Não. Com conhecimento de causa e de casos. De moradores que se viram no meio de um cabo-de-guerra, oprimidos entre quadrilhas de bandidos, autoridades corruptas, servidores públicos abusados, Justiça estrábica, PM mal preparada, mal orientada ou mal intencionada.

Enfim, a combinação de necessidade e desejo, laços de amizade e relações de poder, organização cidadã e organização criminosa, interesses honestos e oportunismo dá merda sempre. E a omissão ou ação errada dos agentes públicos (prefeitura, estado, governo federal, vereadores, deputados etc) é o combustível da catástrofe que vai sendo armazenado até explodir.

[Continua mais tarde]

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Domingo sem fim

Até as seis da tarde, nenhum acontecimento especial. Desliguei o celular para dedicar atenção total ao último período de prática budista ("prática" é o nome que a gente dá às sessões de meditação) antes de eu voltar para São Paulo. O retiro só terminaria hoje, segunda, mas eu teria muitos compromissos (de aniversário da Lapa e do Dia das Crianças) e não poderia ficar lá.

Às oito e pouco, liguei o celular - que não parava mais de apitar, de tantas mensagens não lidas na caixa postal. Umas quinze. Todas com o mesmo recado: "Incêndio outra vez".

****
A Lylian tentou brincar para aliviar a tensão - "O Nero tá solto na Lapa". Só que, ao contrário do princípio de incêndio no Bourbon no sábado à noite, sem gravidade, dessa vez a coisa era feia. A TV mostrava as labaredas. Era fogo na favela, um dos mais difíceis de controlar.

Barracos de madeira, fiação acochambrada, pouquíssimo espaço livre, butijões de gás... O fogo se delicia com tanta alimentação. Os bombeiros chegaram logo, mas o fogo foi muito mais rápido que eles. Por milagre, ninguém se machucou gravemente.
Conseguiram logo tirar as crianças, afastar os butijões e correr pra rua.

****
"Foram 200 barracos". "100". "250". "Uns 400". Escolha sua informação... É tudo estimado, tudo muito impreciso. Não sobram alicerces para serem contados. Não tem rua, não tem número.

"A prefeitura pretendia remover essa favela daí?". Oh yes, não tenham dúvida. Aquilo não é jeito de viver.

"Até o fim do ano?". Quem dera!

A população total de favelas do Jaguaré era, até algum tempo atrás, de 4 mil famílias. Um conjunto habitacional como o que foi inaugurado há pouco tempo recebe, com algum conforto, menos de trezentas famílias (se for com nenhum conforto, cabe muito mais, mas de novo isso não é jeito... Chega de prédio modelo pombal, pelamordedeus). Ou seja, você precisa de muitos empreendimentos para dar conta de todo o déficit (mesmo considerando que uma boa parte da favela não precisa de remoção, e sim de requalificação). Precisa de muitas áreas, muitos recursos, muito tempo - não se fazem prédios da noite para o dia.

"Então para onde vão as pessoas?"
Boa pergunta.
Um pernoite é algo que a gente tenta resolver de alguma maneira, mas para onde elas vão DEPOIS?
É com isso que estamos lidando agora (segunda-feira, 20:00).
E com o que vamos lidar nos próximos dias, semanas...

Oh god. Déficit de moradia é uma das coisas mais complicadas com que lidar no Brasil. E não é só construir, não é só ter terreno, não é só oferecer crédito, baratear o material de construção, arrumar abrigo... É uma combinação de muitas coisas diferentes, difíceis a médio prazo (senão algum governante milagroso já teria acabado com as favelas em algum lugar do país), megadifíceis da noite para o dia.

Longa noite, longo dia...

***
Amanhã conto mais algumas coisas. Sobre a solidariedade e o oportunismo. Sobre o que funciona muito bem e o que precisa ser reformulado. Sobre os personagens curiosos das favelas de São Paulo.

(Hoje choveu a cântaros aqui. O mesmo milagre que poupou todas as vidas fez com que a noite ontem fosse enluarada).

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Mal começou o (tenebroso) dia

- De manhã, problemas pessoais para resolver - a compra do meu apartamento, por exemplo, que acho que vai gorar. E eu já me endividei com o consórcio por conta disso, então tenho agora a prestação do consórcio + o aluguel + o condomínio + o pagamento do empréstimo que um amigo fez p/ completar o lance no consórcio - (menos) um emprego (a Folha). Bateu paúra.

- Nas primeiras horas aqui na Sub, tivemos:

* O síndico de um prédio quer saber se ele não pode mesmo deixar um espelho amarrado a um poste (para ajudar na visão da calçada para quem sai da garagem) por causa do Cidade Limpa. Vou ver.

* Caiu um muro da Sabesp pegado a uma escola estadual e derrubou algumas árvores. Uma funcionária da escola ligou para pedir ajuda para recolher os restos de galhos que cobriram todo o patio.

* Um motorista que trabalhava para uma Cooperativa que presta serviço para a Sub foi dispensado por razões que considera profundamente injustas. Humilde, triste e esperançosamente, trouxe um relatório de duas páginas sobre a situação, para ver se podemos ajudar a reverter a dispensa. Trecho da carta - e juro que é sincera, ainda que ele esteja enganado: "(...) [estou com] com 56 anos de idade vividos com honestidade, e simplicidade e responsabilidade. No decorrer da minha vida profissional já trabalhei com pessoas de variados caráter e níveis sociais (...) e estou estarrecido com a atitude tomada por alguns superiores".

* A Defesa Civil está mudando de mãos; conversei com o antigo supervisor sobre a passagem de bastão, os procedimentos atuais, a estrutura que temos e a desejável, as ocorrências do fim de semana, as dificuldades com outros departamentos da administração, os pedidos de desconto no IPTU por causa de enchentes e as controvérsias na avaliação, etc.

* O setor de cadastro da CPDU mudou de lugar recentemente e tem problemas com as novas instalações (espaço físico, mobiliário, etc.), além de alguns desfalques importantes (um chefe que vai embora e ainda não tem substituto). Faremos reunião nocomeço da tarde.

* Favela da Água Branca (ou "do Lorenzon", nome do córrego em cima do qual ela se "equilibra"): continua crescendo. A cada dia, novos barracos são erguidos - agora mesmo estão subindo um. Anteontem um assessor meu viu um conhecido dele - que mora em outro lugar - subindo quatro "paredes" de madeirite. "Por que você está fazendo isso? Você tem casa, aqui vão tirar todo mundo!". Pra vender. Esse espírito-de-porco-empreendedor me mata.

Foi solicitado que a GCM e o pessoal da apreensão fosse para lá imediatamente para impedir a construção desses novos barracos - quem já está PRECISA sair, é área de risco, não pode chegar mais ninguém! Nada feito. Um funcionário tinha acabado de dizer, aqui no corredor, que lá é "tenso" (e fez o gesto imitando uma arma sendo disparada), quando chegou outro funcionário chegou dizendo "Parar a construção lá? Só com muito reforço policial. Ameaçaram nosso pessoal". Portanto... recuamos. Não estamos prontos para uma mega-operação com todo o cuidado que ela exige. Essa é uma emergencia, mas vocês fazem ideia de quantas são as emergencias na cidade toda? (No domingo, por exemplo, uma das dificuldades para conseguir um caminhão para a Pompéia foi o desastre causado pela chuva na Zona Leste, muito pior do que para o lado de cá. São Paulo é um monstro - 1500 favelas... Algumas com milhares de famílias... A cidade mais rica da América Latina; a cidade mais pobre da América Latina).

Precisamos ir com cuidado e com força, com pressa e com calma. E o céu preto, ameaçando desabar. E as famílias lá, as crianças lá... Apertadas entre a bandidagem, as barrancas do córrego, a autoridade. Ô miséria que não termina.

* (Comentário à parte: Eu sei que há razões para isso, que muitos lucram em cima do suor dos atletas etc., mas ontem eu li no jornal que "o novo piso salarial" de determinado clube de futebol é cinqüenta mil reais. O jogador não tem culpa nenhuma de estar em um mundo irreal, em um mercado em que circulam milhões em patrocínios, direitos de transmissão, operações de compra e venda etc. Se ganham dinheiro com ele, por causa dele, é justo que queira ser remunerado por isso - ele que é xingado, ameaçado, machucado, que com 30 anos já começa a ficar "velho" para o trabalho. Mas eu nunca, nunca vou me conformar com o fato de uns terem tanto e outros terem tão pouco).

* A gente nem teria caminhão apreensão para mandar agora e recolher a madeira dos barracos em construção, porque os nossos estavam na rua recolhendo lixo/entulho e na caixaria da Ceagesp - um imenso capítulo à parte nos problemas da Sub. Existe toda uma indústria irregular e ilegal de reaproveitamento de caixotes; eles são empilhados nas calçadas, nas entradas da estação da CPTM, em terrenos vazios. Entre eles, suas torres e labirintos, acontecem várias outras atividades ilegais (como exploração de crianças). Tem gente trabalhadora que simplesmente vive disso, que quer ganhar dinheiro com seu esforço e não cometer um crime, mas a atividade em si não é tolerável. A solução é complexa (novidade...), mas por enquanto precisamos reprimir para inibir a atividade. E hoje, com seis caminhões lotados (foram várias viagens), conseguimos recolher os caixotes de 50 metros da avenida Mofarrej. Já houve operações com 60 caminhões que não conseguiram recolher tudo - e em um dia os caixotes já estão lá outra vez. Haja reunião para encontrar uma solução verdadeira.

* Ainda a favela - ao lado dela, há um empreendimento particular (residencial, eu acho). Que, segundo dizem, pagou qualquer coisa para as famílias que ocupavam seu pedaço de terreno sairem de lá e construiu um muro para se isolar do problema. É assim que funciona: cada um cuida do seu quadrado, constrói o seu muro, só que o problema é NOSSO (de todo mundo). Se chover e um barraco for arrastado, vão perguntar aqui porque é que eu não tomei nenhuma providencia. E tem de perguntar mesmo. Só não venham me dizer que "é fácil, basta ter vontade política, a gente paga milhões em impostos, a cidade é muito rica", blablablá.

* Uma pessoa muito exigente aqui do bairro ligou para marcar um horário e não acreditou que isso não seria possível agora porque a assessora que faz minha agenda está doente há dois dias; sentiu-se destratada.

* Consegui responder/ encaminhar dois ou três emails - sobre o mercado da Lapa, enchentes, recapeamento. Estou tentando falar com a CPTM sobre um muro em área de enchente. Tem uma audiência pública que me interessa às 18:00 e não vou poder ir - tenho DUAS reuniões de Conseg hoje à noite, no Jaguaré e em Perdizes.

* Problemas com uma escola de samba ampliando suas instalações em área pública sem autorização.

* Chega de escrever. Preciso trabalhar. Mas de vez em quando preciso despejar um pouco do que transborda aqui, tanto quanto preciso de uma pausa para o almoço. (Nunca pensei que blog pudesse servir de boca-de-lobo/ piscinão/ galeria, desculpem). Preciso dividir o espanto com o mundo de problemas que é esse meu novo emprego - e olha que eu sempre soube que seria difícil, como qualquer um saberia.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Parece quarta-feira

Mais um dia começa mal.

A Aldeinha nem está resolvida (do ponto de vista da destinação das pessoas que tiveram que sair de lá), a favela do Jaguaré continua em um impasse (falei disso em outro post - tentei localizar agora, mas não achei, boa sorte para vocês) e temos outras favelas crescendo em lugares inurbanizáveis. Ou seja: as pessoas terão de ser desalojadas, removidas, transferidas, encaminhadas... Muitas pessoas - inclusive algumas que saíram da própria Aldeinha.

Ô, miséria.

Ainda que fossem realocadas imediatamente em um apartamento da Cohab ou da CDHU, ou adquirissem um imóvel por meio de carta de crédito, elas continuariam com problemas. Sem ratos passando sobre a cama, mas incapazes de pagar as contas de água e luz, por exemplo.

Não são raros os casos de pessoas que passam seus apartamentos adiante e voltam para uma favela onde haja um "gato" e dê para viver sem pagar pela água e luz. Sério, eu conheço vários.

Tem gente que mora em favela e tem renda razoável, carro e eletrodomésticos bons (e um monte de carnê das Casas Bahia). Mas tem gente que não tem renda NENHUMA. Mesmo. Que até me implora para conseguir um serviço. Uma licença de comércio ambulante. Um bico qualquer. E no fim manda os filhos pra rua pedir trocado, tomar conta de carro...

Aquela mulher que saiu da Aldeinha enlouquecida de medo de ficar sem casa e sem os filhos decidiu voltar mesmo para a casa do pai.

Mais ainda tem uma dúzia de famílias esperando uma solução. Só entre as que saíram da Aldeinha.

(O título é uma referência ao meu novo dia sombrio da semana - a quarta, quando minha energia já se esvaiu e a semana está na metade. Começou mais cedo a "nhaca").