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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Diálogos na Calçada

"Soninha?"

Passou por mim na calçada da Turiassu. Parou três passos depois e chamou: "Soninha! Abraço".

Dei um abraço nele. Figura. Camisa verde tipo futebol, barba, óculos de aros redondos.

"Não votei em você desta vez".

"Mas da próxima..."

Hesitou.

"Você não pode fazer prédios no centro!"

"Por que não?"

"O centro já tá lotado de gente!"

"Não, morando não tem quase ninguém; tem muita gente trabalhando, à noite fica deserto!"

Pausa.

"Não é prédio tipo Vila Olímpia, é predinho!"

"Simpatiquinho?"

"É!"

"Piso de taco, dois dormitórios?"

"Desse tipo!"

"Ah, até eu vou morar lá".

Riu e foi embora.




sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Eu uso, vocês pagam

Bilhete Único Mensal - Pra quem ele é BOM?

Para quem:

- Tem R$140 para carregar o bilhete no começo do mês
- Usa todo dia e quer viagens extras no fim-de-semana

Quem pega várias conduções na ida e volta para o trabalho (dentro do prazo permitido para baldeações gratuitas) gasta R$6 por dia.

Se contarmos 22 dias úteis no mês, serão R$132,00. Sobram, assim, R$8,00 no Bilhete Mensal.

Se o passageiro não fizer, ao longo do mês, ao menos 3 outras viagens de ida e volta, não é vantagem nenhuma.
Mas se ele usar o ônibus bastante nos sábados e domingos, aí pode ser uma boa economia.

Em todo caso, tem de ter os tais 140 à vista. Não é todo mundo que tem. Um autônomo, por exemplo, que vai ganhando o dinheiro picadinho... Um ambulante...

Por outro lado, eu tenho. Já costumo carregar o Bilhete com 100 reais e detesto descobrir, na roleta, que estou sem crédito, fué. Para mim vai ser superprático.

Mas...

1 - E no metrô, vai funcionar? Como? Hoje em dia a gente paga uma tarifa menor na transferência para o metrô, mas paga. Se for gratuita... Vixe, a prefeitura vai ter de pagar por passageiro transferido (de graça é que não sai) e vai custar caro (são milhões de transferências).

2 - Seja qual for a resposta acima - tá, eu comprei R$140 em passagem e, na prática, gastei o equivalente a R$200. A prefeitura cobriu o valor restante, isto é - A POPULAÇÃO DE SÃO PAULO arca com o custo do desconto que eu ganhei.
Portanto... Os mais pobres vão acabar pagando pros mais “ricos”!

Concluindo, o Bilhete Único Mensal:

- Traz praticidade para quem tem dinheiro

- Pode não representar grande vantagem para quem não tem (difícil imaginar alguém dizendo “ei, vamos andar de ônibus, eu tenho crédito!”) 

- Tem um custo para os cofres públicos que não é necessariamente justo.

Também não significa melhoria significativa no serviço, que é o que tem de acontecer! Se o sistema de ônibus funcionar direito, aliás, o custo da operação vai diminuir, o número de passageiros poderá aumentar e a tarifa poderá ser mais barata a médio prazo.

***
Eu quero baratear a tarifa - com mais eficiência na operação do sistema, como disse, e com mais “receitas extra-tarifárias”, isto é, obtendo recursos que não vem do pagamento da tarifa. 

Exemplo: exploração de publicidade nos pontos de ônibus (talvez até nos veículos), licitação de pontos comerciais nos terminais e estações de embarque (como as que vou fazer nos corredores :o)), pedágio urbano (se um dia ele for implementado - depende da aprovação de uma lei, não da minha opinião).

Enquanto isso não acontece, precisamos rever a política de gratuidades/meia passagem. Muitos estudantes não precisam de meia... Outros não tem condições de pagar sequer a meia. Para alunos de baixa renda, a passagem tem de ser 100% subsidiada. Tem uma galera que, se não puder passar por baixo da catraca, tem de ir a pé para a escola, porque a família não tem R$60 por mês e por filho para gastar só em transporte. (A Bolsa Família paga R$70 por criança, é isso?? Em uma cidade grande não dá pra NADA).

***
O Haddad disse, em entrevista, que o Passe Livre (para todos) é inexequível. Parabéns pra ele, de verdade, por ter sido honesto. Se ninguém pagar tarifa para andar de ônibus, a prefeitura vai gastar bilhões dos cofres públicos para sustentar o sistema e a população sai perdendo e não ganhando - não vai sobrar nada para MELHORAR o sistema.

Acho que o Haddad foi sincero por duas razões: alguém ia acabar perguntando “então por que vocês não deram passe livre no governo Marta?”; vai que ele ganha a eleição e é cobrado sobre o assunto ehehe.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Ambulantes, mascates, camelôs

Uma vez na SubLapa, onde lidei com inúmeros conflitos relacionados ao comércio ambulante, fiz uma reunião com o pessoal do "rapa".

É muito, mas muito complicado. Tem gente honesta e desesperada, tem malandragem, tem crime. Nem sempre a separação entre um e outro é fácil de perceber. Vem malandro super convincente, chorando desesperado. Depois você pega o sujeito em flagrante no pleno exercício da picaretagem. Tipo - ele é "dono" de uma "rede" de barracas. Ganhava mais por mês do que eu como Subprefeita e pagava uma merreca para as pessoas - idosas, com deficiência... - que tomavam conta dos seus pontos.

***
Uma tarde vieram me avisar: "Não sai agora do gabinete que tem um cara completamente transtornado dando escândalo lá embaixo. Diz que vai quebrar tudo, que vai pegar não sei quem..."

Era um ambulante. Furioso, revoltado. Pedi pra vir à minha sala.

Passou o rapa, mandou ele recolher as coisas, ele resistiu. Quis conversar, "o que é que eu tô fazendo de errado?". Foi o que bastou (ok, talvez ele tenha sido menos gentil do que isso, não duvido. Não importa, dever do agente público é agir corretamente). Quebraram as coisas dele, ele caiu no chão, machucaram o rapaz.

Ele mostrou as marcas. Tinha toda razão. E chorava, chorava. Tinha comprado "meia dúzia de brinquedinhos na 25" e montado um caixotinho na frente da estação da CPTM. Precisava ganhar algum para ajudar a criar o filho, que mora com a mãe.

"Tem foto dele aí?"

Tinha... Menino fofo, lindo. Começamos a falar sobre o menino, fui xeretando a vida dele (onde mora? a mãe era sua namorada? e você, é de onde?), ele foi parando de soluçar.

Oferecemos uma oportunidade de emprego em uma das equipes de manutenção de áreas verdes. R$700, carteira assinada.

E também uniforme, horário para entrar e para sair, chefe...

"Dona Soninha", disse, com o maior respeito e gentileza. "A senhora me desculpe; eu agradeço, a senhora me ouvir, querer me ajudar, mas eu não quer não. Eu quero poder parar quando estiver cansado, ir até o bar tomar umazinha, voltar depois e ficar até mais tarde".

"Mas aí eu não posso garantir que você vai conseguir trabalhar. Violência não pode ter de jeito nenhum, mas  se passarem por você e a mercadoria estiver ali, vão ter de recolher. Ou você vai sempre ter de fugir".

Não teve jeito. Agradeceu efusivamente, sinceramente, e saiu...

***
Na reunião com o "rapa" - um povo simples de tudo, como se pode imaginar - perguntei "quem aqui já comprou de ambulante"? Todo mundo levantou a mão. "Quem aqui JÁ FOI ambulante?". Várias mãos levantadas.

Conversamos, orientei, "tem de tudo, a gente sabe, vocês são provocados às vezes, desafiados, agredidos. Mas o nosso dever é agir direito. Se forem agredidos ou ameaçados, recuem. Aí tem de vir a GCM para evitar o conflito, a violência. Não é pra sair briga. Falem com educação. Firmes, mas sem estupidez".

Eles acedem, concordam. Mas talvez pensem lá no fundo "porque não é ela que vai para o pau ver como é que é".

:o(

***
Em 2008, fizemos uma proposta específica para os ambulantes. Revisamos agora; ei-la:


Sobre os ambulantes  

A prefeitura deve normatizar e organizar de maneira justa e realista o comércio ambulante - além de oferecer ou proporcionar a oferta de alternativas de trabalho para a população que hoje garante seu sustento dessa maneira. Em 2004, o PL 296/04, de autoria do Executivo, definiu como atribuição da Guarda Civil Metropolitana “fiscalizar o comércio ambulante nas vias e logradouros públicos”, com poder para multar e apreender mercadorias. Vamos encaminhar projeto à Câmara revogando esse artigo.
O que faremos:
  • Identificar novos locais em que é possível conceder Termo de Permissão de Uso para ambulantes (ruas, praças, passarelas, pontos de ônibus e terminais, mercados e sacolões)
  • Respeitar as prioridades (Pessoas com Deficiência, Idosos)
  • Incentivar a criação de Cooperativas
  • Padronizar as barracas, utilizando elementos gráficos representativos da cidade de São Paulo.
  • Rever a relação de mercadoria que pode ser comercializada, revogando algumas proibições (exemplo: água de coco!)
  • Construir e manter banheiros públicos e garantir a coleta de lixo e material reciclável
  • Estabelecer pontos de comércio e serviços junto a conjuntos habitacionais  (“boulevards", "shopping a céu aberto) e prever a oferta desses pontos em futuros projetos de habitação popular
  • Manter um canal permanente com os próprios ambulantes para discutir seus problemas e a relação com a sociedade e o poder público
  • Oferecer capacitação, linha de crédito e suporte para que pequenos empreendedores possam abrir seu próprio negócio.
  • Combater a ilegalidade com inteligência (e não com truculência) em parceria com as Polícias Civil, Militar e Federal  
O que não podemos permitir:
  • Venda de mercadoria roubada, contrabandeada, falsificada
  • Que o comércio ambulante dificulte ou impeça a circulação de pedestres, ciclistas, transporte coletivo e automóveis e o acesso ao comércio formal
  • Exploração de ambulantes como mão-de-obra contratada
  • Uso da força e intimidação
  •  Tráfico de influência, isto é, favorecimento por politicagem ou corrupção

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Em tese, os irracionais


Hoje estive na MOVE (de "Move Your Ass" rsrsrs), entidade que tem vários projetos de combate aos maus tratos aos animais. Chegando de lá, dei uma organizada rápida nas propostas para política pública para animais. Animais não-humanos. rs

Comentários por favor - críticas, sugestões. 

1
Criar, dentro da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, setor encarregado de questões relacionadas a animais domésticos/ urbanos.  (Hj existe apenas uma Divisão que trata de animais silvestres).

2
Divulgar, por todos os meios, a Legislação que dispõe sobre maus tratos

Lei N° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 - Lei dos Crimes Ambientais
Artigo 32:  condena aquele que "praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos".

Decreto-lei N° 24.645, de julho de 1934 -  Define o que se consideram maus tratos  
(Diz o Art 3º, inciso V: “Abandonar animal doente, ferido, extenuado ou mutilado, bem como deixar de ministrar-lhe tudo que humanitariamente se lhe possa prover, inclusive assistência veterinária”)
(Verificar o cumprimento da Lei Municipal 14.761 de junho de 2008, que  obriga estabelecimentos que ofereçam serviços ou vendam produtos para animais, a expor um aviso sobre a lei que pune crimes de maus-tratos). 

3
Criar, dentro do serviço 156, um Disk Denúncia para maus tratos contra animais, que serão verificadas por meio de ação imediata da Guarda Civil Metropolitana.

*Capacitar agentes da Guarda Civil para essa função; preferencialmente aqueles que se identificam com a causa.

4
Criar novos espaços para recepção e abrigamento de animais recolhidos.

5
Incentivar a adoção com campanhas de comunicação, orientação e suporte.

6
Promover ações educativas temporárias ou permanentes em praças, parques, escolas e na mídia.

7
Apoiar com recursos técnicos e financeiros entidades não governamentais que atuam nessa área prestando serviço de qualidade e que muitas vezes podem contar apenas com esforços voluntários. 

8
Criar Fundo Municipal de Proteção aos Animais, com recursos oriundos do pagamento de multas e destinação de verbas orçamentárias específicas.

9
Ampliar o alcance das campanhas de castração, vermifugação e vacinação, realizando-as com mais frequencia e em mais regiões da cidade

10
Criar “Santuário” (Centro de Referência) para reintegração de espécies em Área de Preservação destinada especialmente para este fim, possivelmente em parceria com governo do estado e universidades.

domingo, 26 de agosto de 2012

Carros dormindo x gente morando

Onde hoje "dormem" cinco ou seis carros...

Morariam várias famílias! :o)















O programa do horário eleitoral que falava sobre assunto (morar no centro, mais perto do trabalho, fazendo uso mais inteligente e justo de áreas mal aproveitadas X morar nas extremidades da cidade) foi assim: http://youtu.be/ozON7ZgpZQ8

(Arte: Soninha Francine & Paint)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Como cerveja???



Email nº 1:

Oi Soninha,

Como vai você? Espero que a campanha não esteja te tratando muito mal...

Vi tua declaração corajosa sobre pedágio urbano e maconha, no Uol. Parabéns pela sua disposição de falar sobre as coisas que importam.

Estive conversando com o pessoal da Comissão Global de Política de Drogas e eles me pediram para te transmitir um recado. Na opinião deles, com a qual concordo, a cerveja não é um bom modelo de regulamentação – certamente o cigarro é um modelo melhor, por causa da restrição à publicidade e das campanhas sobre riscos (e isso se reflete numa acentuada redução do uso). O mercado de cerveja é de uma desregulamentação excessiva, com as marcas patrocinando eventos esportivos e festas para jovens, e seus gastos publicitários perto do topo das listas de maiores anunciantes do país.

Espero que o palpite seja útil.

bjs

***

Email nº 2:

Querida,
queria te parabenizar pela coragem na sabatina de hj. Tanto no tema do pedágio, mas, principalmente, no tema da maconha. É lindo ver pessoas defendo aquilo que deveria ser óbvio, mas ainda é um tabu gigante. Parabéns!
Apenas pondero que não deveria ser como cerveja. Não pq haja diferenças... mas pq a venda de cerveja hj, da forma como é, é um absurdo. Associar uma droga a esporte, a juventude é um absurdo. Maconha e cerveja tem tratamentos errados hj, na minha opinião. A maconha deveria poder ser vendida licitamente. E a propaganda de cerveja deveria ser proibida.
beijo grande e muita sorte nessa caminhada.

***

Minha resposta aos dois:

Ah, é verdade, eu concordo completamente com você. Mas sabe como é... Os caras interrompem e mudam de assunto e não deixam concluir o raciocínio e depois fazem a manchete "resumida". Quando eu digo que devia ser vendido como cerveja, significa em lugares decentes, com CNPJ e funcionários registrados, proibido para menores... Mas também acho (e digo sempre nas minhas palestras) que a propaganda de cerveja é ABSURDA. 

Bjs

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Aquele mau humor básico

Hoje o Haddad vai lançar o programa de governo às 10h00. Queria ir pra ver se assim apareço na Folha ou no Estadão.

***
Mais de uma vez, um eleitor do Haddad me disse: "Parabéns pela campanha, está ótima. Sua candidatura é importante por defender temas que os outros não bancam". Ora, vão catar coquinho. Sou candidata porque quero ser prefeita, não para levantar bandeiras que eles acham importantes mas seu candidato não tem coragem ou o João Santana não deixa defender. HMPF. 

***
Reclamamos com uma jornalista do Estadão sobre a cobertura das eleições em São Paulo. "É que um é candidato da presidente; o outro, do governador e do prefeito". Ah tá. 

***
E tem o Chalita, né, que tem desde o começo bom espaço no Estado. Candidato, quem sabe, da presidente e do governador. Jornal gosta tanto de maldadezinhas e fofocas, talvez seja isso.

***
Sábado, Serra, Haddad e Chalita "faltaram" a dois eventos para os quais foram convidados. Um foi o lançamento do balanço da série "Seu Bairro, Nossa Cidade", que também não contou com a presença de Russomano e, se não me engano, do Gianazzi. Os presentes foram mencionados; os ausentes, não.

À tarde, estive no debate promovido pela Associação de Moradores de Taipas. Serra, Haddad e Chalita não foram. Nadia Campeão representou Haddad. Não pôde ficar até o fim. Puxa, nem a vice? :oP

***
Nesses debates muitas coisas são ditas com mais liberdade, e isso inclui informações, ahn, não verificadas. 
A candidata do PSTU, por exemplo, se diz contra o Rodoanel porque o transporte de carga tem de ser ferroviário. CONCORDO COMPLETAMENTE. Mas não podemos, tanto nesse caso quanto no de transporte de passageiros, esperar as linhas de trem/metrô ficarem prontas... 

Alguém (não sei se foi também a Ana Luiza ou o Gianazzi) disse que o metrô continua andando a passo de tartaruga, porque a previsão de entrega da linha que vai lá pra Zona Norte/Noroeste é 2018. Gente, não dá pra fazer metrô correndo não. Foi lerdo aí durante alguns anos? Foi. Mas vamos fazer o que, acelerar feito doido pra tirar o atraso? 

***
A Ana Luiza defendeu a "tarifa social" (R$1). "1/3 das pessoas faz seus deslocamentos a pé porque não tem dinheiro pra condução". Não é isso não... 1/3 dos deslocamentos é feito a pé, por muitas razões diferentes - inclusive as boas. Milhões saem na hora do almoço e andam até o boteco ou restaurante. Milhões andam até a escola ou o centro de compras. Andam até o ponto de ônibus e o metrô. Esse dado (1/3) é invocado sempre para demonstrar que a cidade NÃO É toda motorizada, e se dá muito mais destaque às necessidades e dificuldades da locomoção em automóvel do que nas condições para circulação de pedestres. 

***
O Miguel Manso (PPL) estava lá também. Era quem mais tinha bandeiras e militantes distribuindo material. 

***
Esse é um dos fatores de desequilíbrio para as campanhas que tem grana. O lado mais explorado na mídia é o do horário de TV e o salário estratosférico dos marqueteiros. Mas a presença das campanhas ricas na periferia é muito, muito, muito maior. São milhares de pessoas contratadas para "bandeirar" e "panfletar" - e, em gratidão, muitas delas costumam votar também... São lideranças remuneradas para orientar seus liderados. São centenas de kombis "envelopadas" percorrendo as ruas. Centenas de comitês montados. Milhares de cavaletes. Milhões de folhetos. 

E como o PT, por exemplo, tem dinheiro suficiente para fazer muito material para seus candidatos a vereador, ele sai todo padronizado - com a foto do Haddad grandona ao lado de cada um deles nos tais dos cavaletes, perfureides etc. No PPS, vou te falar, viu? Candidato arruma recurso próprio pra rodar material e, quando não "esquece" de mim, coloca meu nome no modelo "quero ver você me enxergar". 

***
Parece o tamanho das letrinhas nos cavaletes do Antonio Carlos Rodrigues indicando a qual coligação ele pertence. Vê lá se ele quer colocar em risco o eleitorado petista... Se bem que, se ACR disser que é pra votar no Cacareco, pessoal do reduto dele vota. 

***
Na campanha de 2004, estávamos almoçando perto do comitê da Marta (eu, Alexandre Youssef, Rui Falcão e, se não me engano, o Ítalo). A dona do restaurante cumprimentou os dirigentes, acostumada a vê-los ali. "A Soninha é candidata a vereadora". "Ah, me desculpe mas eu voto no Antonio Carlos Rodrigues. Ele ajuda muito a gente aqui. A lâmpada na rua aqui na frente foi ele quem consertou".

O Rui deu aquela sua risadinha meio de lado - "Não é bem assim...". "Não, olha, nós pedimos vinte vezes para virem trocar e nada. Aí falamos com ele e ele mandou consertar".

Sem querer esticar a conversa, Rui balançou a cabeça e comentou baixinho, só com quem estava na mesa: "A máquina é terrível".

***
IMAGINA se um partido da oposição estivesse sendo julgado no STF como o PT está e o presidente desse partido dissesse "o povo tá interessado na Olimpíada e na Avenida Brasil, não no julgamento". Nossa.





quarta-feira, 8 de agosto de 2012

VSF


Prezada ombudsman,
Não é possível.

A Folha publica hoje uma matéria sobre propostas para transporte (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/59507-promessas-de-rivais-na-area-de-transporte-sao-criticadas.shtml) e cita DOIS rivais: Serra e Haddad. O primeiro e o quarto colocados. O único outro candidato citado no texto é Levy Fidelix. Que NOJO.
Como fazer para lembrarem da minha existência? Mando release com minhas propostas para o jornal e vocês publicam? Invento um passeio de ônibus para virar notícia, fazendo disso um evento de campanha?
Depois a Elaine Cantanhede - sei bem que o jornal não tem responsabilidade pela opinião dos colunistas - diz que eu só "reclamo de falta de espaço", mas "cadê as propostas"?
Onde os jornalistas que cobrem as eleições em São Paulo dão expediente, no comitê dos candidatos?
Que LIXO. 

***
Tuíter tá cheio de gente dizendo "até outro dia tinha um blog na Folha"... Sim, e uma coluna no caderno de Esporte. A Folha, super decente [NOT], tirou meu blog do ar quando eu fui para a Subprefeitura e NÃO ME AVISOU. Eu continuava com a senha e postando, até que leitores começaram a perguntar: "Por que não tem mais o seu blog?". Perdi tudo o que tinha escrito, fotos que tinha publicado... Simplesmente apagaram a conta.

E, ao contrário de gente que sempre defende aliados, amigos, patrões e patrocinadores, eu criticava a Folha NO blog na Folha Online. E na coluna, em cartas para o Painel do Leitor e para o ombudsman.

País anestesiado, mídia alienada, blogosfera estatizada... Depois a governanta tem 80% de aprovação e ninguém contesta. Claro. 

terça-feira, 31 de julho de 2012

"Com'assim prédio popular nos Jardins?"

Pergunta que eu respondo!
Questiona que eu explico :o)



Amanhã (quarta), às 19h30, vou responder pela internet ao vivo - pode mandar sua pergunta desde já para soninharesponde@soninha.com.br.

Não seja mal-educado senão a sua mãe lava sua boca com sabão.

O endereço da transmissão eu vou passar amanhã mesmo pelo tuíter: www.twitter.com/soninhafrancine

bjs :)


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Pergunta que eu respondo: Coleta Seletiva :o)

Pergunta que veio do Paulo, através da minha fan page:


São Paulo é a cidade que mais polui o meio ambiente na América Latina e uma das que mais polui no mundo! E uma enorme parte é simplesmente pelo lixo. Sabe qual percentagem do nosso lixo é reciclada atualmente: pasme, pouco mais de 1%!!!

Como professor universitário faço a minha parte convencendo meus estudantes sobre como é imperativo fazer a reciclagem nas suas residências e SEMPRE ressalvo que A PREFEITURA NÃO FAZ A PARTE DELA, recolhendo e processando esse lixo.

Qual a sua proposta para o tema?


Paulo,

Nas minhas palestras, eu sempre conto uma das razões pelas quais resolvi me candidatar a vereadora e largar de vez as minhas outras atividades para viver imersa na política e trabalhar na área pública.

Eu era apresentadora da MTV e adorava aproveitar toda oportunidade - não só no Barraco, programa de debates que mediei, mas principalmente nos programas de videoclipes - para falar de coisas que para mim era muito importantes.

Perguntava para os espectadores, por exemplo, se eles sabiam quanto São Paulo produzia, na época, de lixo em um único dia. Eram 15 mil toneladas.

Sabendo que ficariam perplexos (a menos que fossem completamente sem-noção), acrescentava: "Imaginem pra onde vai tudo isso. E sequer é tudo "lixo"; uma parte enorme é de material reciclado, que vai ficar séculos amontoado ocupando espaço (e prejudicando a própria decomposição do material orgânico) enquanto poderia estar sendo reaproveitado ou reciclado, poupando recursos naturais (matérias-primas e energia) e gerando renda".

Muitos se sensibilizavam e mandavam emails perguntando: "QUERO SEPARAR MEU MATERIAL RECICLÁVEL! O que faço com ele depois?"

Imagine a quantidade de vezes em que eu não tinha uma resposta satisfatória... Isto é, conseguia despertar o incômodo e a vontade de agir, e ela era desperdiçada por falta de atenção do poder público.

Então resolvi ser poder público :o)

Como vereadora, apesar de criar muito caso (simplesmente por não abrir mão de princípios e convicções, veja você...) e me "isolar", consegui aprovar projetos bacanas. Um obriga a prefeitura a adquirir, em proporções cada vez maiores, material RECICLADO - sendo um grande comprador, a administração pública tem muito peso no mercado, ajudando a aquecer essa atividade econômica. Também apresentei o projeto que instituiu os Conselhos Regionais de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável nas Subprefeituras, compostos por 8 membros eleitos pela população (os chamados "Cadinhos", uma referência ao CADS, Conselho Municipal do Meio Ambiente).

Insatisfeita com as possibilidades de um vereador realmente interferir no rumo das coisas - tanto menores quanto mais "teimoso" ele for em ser correto e transparente - foi que resolvi tentar ser prefeita. Até conseguir. :o)

Então falando concretamente sobre algumas propostas minhas para a área:

1 - Quanto à estrutura atual:

As Cooperativas precisam de um acompanhamento mais firme da prefeitura para que tenham suporte para sua gestão - não é fácil.

Precisa haver um número maior de centrais de triagem, com condições muito melhores de trabalho do que tem hoje.

Os cooperados precisam ser ouvidos pra valer, com atenção à sua experiência, suas dificuldades e propostas.

As cooperativas precisam ser REMUNERADAS pela prefeitura pela PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS que fazem. Não podem depender apenas do preço obtido no mercado por seus materiais... Se o valor da tonelada de papelão cai por causa da crise econômica, por exemplo (aconteceu em 2008), a renda dos cooperados cai muito e a operação fica inviável. Eles prestam um serviço! E não podem também ter de pagar pela remoção de rejeito como se fossem grandes GERADORES! Eles RETIRAM material dos aterros, não PRODUZEM.

A coleta domiciliar feita pelas empresas concessionárias (Loga, Ecourbis) tem de ser feita em CAMINHÕES GAIOLA, aqueles com carroceria cercada por uma grade, e não compactadores!

Os grandes geradores (comércio, serviços) precisam ser fiscalizados para que deem a destinação correta a seu lixo - e separem, armazenem e destinem adequadamente o material reciclável. Não podemos tolerar que despejem papelão etc na calçada porque sabem que um catador vai passar e pegar - e torcer para que seja antes de chuva, por exemplo. TEM de haver um acordo (contrato, de preferência) para que reservem e destinem a uma cooperativa, de preferência, ou empresa.

Os Postos de Entrega Voluntários precisam ser bem localizados, com coleta regular, de acordo com o volume depositado (não pode ficar uma montanha para o lado de fora como as vezes acontece) e, de preferência, MONITORADOS, como já acontece em alguns lugares, para orientar as pessoas.

***
Até aqui, falamos de aperfeiçoamento. Agora vamos falar de mudanças.

1) Quanto mais diferenciada e capilarizada a coleta, MELHOR. A produtividade das centrais de triagem será muito maior quando o reciclado já chegar a elas menos misturado, mais limpo.

Minha ideia é implantar, primeiro como projeto piloto, uma coleta porta-a-porta diária (ou no mínimo três vezes por semana) feita por carros elétricos de pequeno porte (como os que percorrem o calçadão no centro) que substituam as carroças, aproveitando os próprios carroceiros. Nos casos (certamente numerosos) em que o carroceiro não puder ser treinado para pilotar os carros elétricos, podemos ter carros adaptados para operação com pedal, por exemplo. 

Ao ser mais frequente, a coleta será também mais particularizada. Exemplo: às segundas, quartas e sextas, recolhe vidro e alumínio. Às terças e quintas, papel, papelão, isopor e outros materiais.

Em lugares com produção muito elevada, passam vários carrinhos todos os dias, mas um para cada tipo de material.

Para isso, precisaria haver um esforço muito grande de EDUCAÇÃO e orientação, claro. Explicar de novo e de novo a importância da reciclagem, apresentar os catadores às pessoas de quem vão coletar, engajar escolas, empresas e associações de moradores, unir os movimentos (Agenda 21 etc), fazer campanhas na mídia para explicar. E testar, avaliar, corrigir.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

É importante reconhecer a importância


"No mês de maio, a Ciclocidade e o CicloBR procuraram os principais pré-candidatos a prefeito de São Paulo para verificar quais suas propostas, metas e iniciativas em favor da promoção do uso da bicicleta e garantia da segurança dos ciclistas na cidade, no caso de um possível mandato.

Os candidatos foram convidados a enviar suas propostas até o dia 22/06 e comunicados que suas intenções seriam publicadas posteriormente, para conhecimento público".


Para nossa alegria, eu fui incluída entre "os principais pré-candidatos", ALELUIA! (Como se fosse um favor... Mas muitos tem considerado que a eleição para prefeit@ em São Paulo tem TRÊS principais candidatos. É costume levar em consideração NO MÍNIMO os cinco primeiros em intenção de voto - o que ainda deixaria o PDT e o PSOL de fora e eles tem todo direito de chiar).

Respondi de forma detalhada e bem concreta - é óbvio que não preciso explicar para o Ciclocidade e o CicloBR que a bicicleta é um meio de locomoção importante etc e tal, tenho mais é que expor como vou agir para criar melhores condições para quem já pedala e estimular mais gente a usar a bicicleta também.

Nem todos tiveram a mesma ideia... Veja, por exemplo, a resposta de um dos candidatos empatados comigo, publicada na página "Confira as ideias dos pré-candidatos à Prefeitura para a mobilidade por bicicletas", com destaques e comentários meus.

Fernando Haddad (PT)

Em primeiro lugar, quero parabeniza-los pela iniciativa de fomentar um debate democrático com o objetivo de inserir a bicicleta como modal de transporte na agenda política dos candidatos durante as eleições de 2012 [bla,bla, bla], e principalmente, por provocar na sociedade reflexões sobre mobilidade urbana e discutir propostas para serem incorporadas ao planejamento da cidade. [bla,bla, bla]


[Resumindo, se é que é possível: parabéns por fomentar o debate, provocar reflexões e discutir propostas. Ok, vamos a elas então?]


Por desconhecimento da importância que a bicicleta tem para estas pessoas, para sociedade, para o meio ambiente e para a cidade em geral, [bla bla bla - parece redação de colégio...] estamos deixando de atender milhares de cidadãos que utilizam este modal, por isso, a bicicleta, como modal de transporte, terá um destaque especial em nosso Plano de Governo, [bla,bla, bla],assim como o transporte coletivo, de cargas e a mobilidade de pedestres.

[Então é assim: bicicleta é importante e as pessoas ainda nem sabem. Bicicleta terá destaque especial em nosso Programa de governo. Tá. Vamos às propostas, então? Já estamos no terceiro parágrafo!] 

Em uma cidade aonde ["para onde?"; não, vcs quiseram dizer "onde", "na qual", né?] se viaja três vezes mais de bicicleta do que de taxi, é imprescindível termos bons projetos [ok, já entendemos] , e mais do que isso, executar, ampliar e dar manutenção as estes projetos, [isso: não basta ter projetos, é preciso executar os projetos. Sabe que isso nunca tinha me ocorrido?], e para isso precisamos da participação efetiva e de forma democrática da sociedade organizada, tanto na  elaboração quanto na execução. [bla,bla, bla],

[Resumindo: precisamos fazer projetos e executar os projetos feitos. Genial. E bem concreto, né?]

Reafirmo [é verdade, afirmar ele já afirmou e vai repetir] que defendemos soluções para a mobilidade urbana, incluindo a bicicleta, [bla,bla, bla], e que nossas propostas serão apresentadas em breve, aonde [ou melhor, "onde" - ou melhor ainda, "em que", uma vez que proposta não é lugar] selaremos com a sociedade um compromisso público, com diretrizes específicas para a bicicleta como modal de transporte e deslocamento. [bla,bla, bla]


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Reafirmo o resumo dos resumos: "parabéns, bicicleta é importante, precisamos debater, refletir, ter projetos e executar projetos com a participação democrática da sociedade".  BOA RESPOSTA!! [NOT]


É uma masterclass em embromation. Parece aquelas respostas de Enem que o pessoal faz circular na rede, quando o estudante não faz ideia do que dizer e enrola, enrola, enrola... Bom, ao menos ele não se enrolou a ponto de dizer "a bicicleta é uma ameaça para o desenvolvimento", como na histórica declaração-ato-falho da Dilma sobre meio ambiente na Cop-15.


Depois não quer que eu trole!!!

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Havendo interesse, as minhas respostas estão aqui.

domingo, 1 de julho de 2012

Tombar para não cair

Cultura é assunto em geral tratado como "secundário" nas discussões sobre políticas públicas/compromissos de campanha/programas de governo. Em primeiro lugar aparecem - não por acaso, claro - os "clássicos" Saúde, Educação, Segurança.

Nesta campanha eleitoral em São Paulo, os temas "mobilidade urbana" e "repovoamento do centro/desenvolvimento econômico da periferia" estão tendo mais destaque do que em outros anos, aparecendo muitas vezes nas entrevistas e palestras dos outros candidatos a prefeito. Legal, porque são temas decisivos para o sucesso das outras políticas públicas. Tenho uma dorzinha-de-cotovelo ("EU JÁ FALAVA MUITO DISSO NA CÂMARA E NA CAMPANHA DE 2008!"), mas fazer o quê, não se pode reivindicar a patente de ideias que nem minhas eram. Hmpf.

Mas voltemos à política cultural - ela acaba aparecendo, junto com o esporte, quando falamos em juventude e uso de drogas, por exemplo. De uma maneira que nem sempre combina com o que eu penso sobre o assunto... É comum as pessoas dizerem "temos que dar esporte e cultura para os jovens para tirá-los da droga e do crime". 

Minhas objeções: 1) Esporte e cultura não são vacinas contra drogas e violência. Nos campos de várzea que sobraram pela cidade, tem cerveja, maconha... Se for à noite, capaz de ter cocaína... E às vezes, pela maldita omissão do poder público, tem o crime organizado patrocinando campeonatos, vereadores comprando voto com um dinheirinho para o churrasco... 2) Os jovens não são assolados/tentados a mergulhar em drogas e violência simplesmente por falta de uma bola ou um violino. 3) Cultura e esporte/atividade física são necessidade e direito de todos os seres humanos, não só dos jovens, e a possibilidade de desfrutar deles tem de ser garantida pelo poder público. 4) A gente não "dá" esporte e muito menos cultura. A gente cria espaços para que ela seja preservada, produzida, cultivada, compartilhada, difundida. 

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Independentemente das razões invocadas ao se falar em política pública de cultura (vamos deixar o esporte um pouco de lado agora), as políticas em si costumam ser do tipo "acesso ao consumo", isto é: oferecer a possibilidade de assistir a uma apresentação musical, peça de teatro, filme, espetáculo de dança. O que é ótimo! Mas não é só isso. 

As pessoas não querem só ver -  e, depois de ver, mais ainda, vão querer FAZER. Música, dança, poesia, teatro, vídeos, filmes, livros, pinturas, esculturas, fotografias etc. Precisamos criar espaços públicos em que isso também seja possível. Já fui de um grupo de teatro amador e sei que o mais difícil não é conseguir um palco para se apresentar (embora seja bem difícil atrair público para sua apresentação, o que é outro problema :o( ) - difícil é onde ENSAIAR. O mesmo vale para uma banda, um grupo de dança.

Tenho o maior orgulho de ter me lembrado disso quando era vereadora e a prefeitura convidou para os primeiros encontros que começariam a definir o destino do antigo "esqueleto do Jânio", construção abandonada pela metade na Cachoeirinha desde que ele foi prefeito de São Paulo. Entre uma sugestão e outra, disse: "Seria bom ter lugar para as pessoas se reunirem, para gravar um áudio, editar um vídeo". Hoje o Centro Cultural de Juventude Ruth Cardoso (ou CCJ, como ficou conhecido desde a inauguração), tem espaços para isso. Bem equipados e muito disputados. 

E, como mencionei de passagem, não adianta compor, gravar, editar, escrever, ensaiar e encenar se não tiver quem veja... Então uma coisa completa a outra: políticas de formação de público instigam as pessoas a se envolver e produzir, isso lhes dá mais estímulo para ver, isso aumenta as chances de todas serem vistas e ouvidas... #Círculovirtuoso :o)

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Quando lembram da Cultura, também se fala bastante em museu. Ótimo. Há cada vez mais espaços belos, atraentes, fascinantes. A molecada adora fazer "excursão" com a escola e passear por eles. Desnecessário se estender muito falando da importância que tem para ampliação de horizontes, enriquecimento da experiência de vida, reconhecimento de diferenças e identidades etc. Claro que museus precisam ser divulgados e aproveitados. 

É claro também que o patrimônio cultural não está apenas nos museus. E não inclui apenas edificações com séculos de idade e obras de arte - uma vila operária do começo do século XX faz parte de nossa história e nossa cultura; os casarões da Paulista também fazem... Faziam :o(

Hj o   me perguntou no Twitter (e já não é a primeira vez): "Quando veremos suas propostas a respeito do patrimônio histórico de São Paulo?". Pois é, entre vários outros assuntos sobre os quais já refleti 400 horas e esmiucei em propostas, não falei quase nada sobre isso.  

Fui buscar no Programa de Governo de 2008 a referência ao tema. Aqui está - na página 53, pra quem for lá procurar: 

Ressalte-sepofimnecessidaddapoià identificaçãocatalogaçãodivulgaçãdemaicuidadonecessárioà valorizaçãpreservaçãdpatrimônicultural, materiaimateriadCidade
-Investiepólocorredoredcultureváriolugaredcidadecocriaçãdlinhadtransportinterligandequipamentoculturais
-PreservaratualizarampliadivulgadocumentaçãoacervoquconstituepatrimôniculturadMunicípio.
-GarantiautonomidCONPRESPcoamplrepresentaçãdsociedadcivil,seinterferência  dCâmarMunicipaesugestão.

É uma pincelada, admito. Posso e preciso pensar um pouco mais.

- Sobre a autonomia do Conpresp: quando era vereadora, passamos pela discussão de um projeto de lei absurdo que mudava a composição e o regimento do Conselho, por isso esse compromisso.

- O segundo item é o que merece ser expandido. O patrimônio histórico, cultural, ambiental do município precisa ser: identificado; tombado; preservado; divulgado e promovido. Identificado: há muitas solicitações de tombamento equivocados. Para evitar a verticalização desorganizada da Vila Romana, por exemplo, alguns grupos reivindicam o tombamento de todo o bairro. Claro que isso não vai acontecer e não é a medida correta: trata-se de um problema a ser resolvido com zoneamento e gabaritos... Por outro lado, decerto há inúmeros bens pelos quais ninguém ainda está zelando. A prefeitura pode contratar pesquisadores que se encarreguem de fazer o mapeamento e identificação desses bens, em suas diversas características. 

O tombamento não pode ser apenas um decreto que, na prática, mais ameace do que proteja o patrimônio. É preciso dispor de recursos para garantir a restauração, quando for o caso, e sua preservação. A relação de bens tombados deve ser facilmente acessível e rica em informações. Com os recursos de TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), é possível fazer um trabalho maravilhoso, enriquecido com áudio e vídeo. A identificação dos bens in loco também é muito importante - e não seria má ideia acrescentar um QRCode que remetesse para o site com as informações mais detalhadas. Mais do que isso, que dependeria do interesse das pessoas, é preciso chamar atenção para o patrimônio, com eventos, roteiros turísticos promovidos e estratégias permanentes de comunicação em várias mídias (rádio, TV, impressos, cinema, banners na internet, mídia indoor, cartões postais, selos postais etc).

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Isso é tudo o que me ocorre dizer sobre o assunto agora. Agora é com você, Douglas: não poupe críticas e sugestões.

:)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Apanhadão TV Estadão

"Vou estar sempre em oposição ao PT", diz Soninha
TV Estadão | 17.12.2011

Ex-filiada ao PT e hoje pré-candidata à Prefeitura de São Paulo pelo PPS, Soninha diz que esgotou sua confiança no Partido dos Trabalhadores

"Mito Lula não funciona em São Paulo"
 TV Estadão | 15.12.2011

 Pré-candidata do PPS reconhece a força da influência de Lula, mas afirma que ele não decide cenário
eleitoral na capital paulista


Soninha: Para PPS, é importante ter candidatura própria em São Paulo
TV Estadão | 15.12.2011

A pré-candidata diz que não há sentido para partido desistir de sua candidatura para eventual parceria com PSDB ou Democratas


Soninha: "SP precisa criar condições para pessoas serem mais saudáveis"
TV Estadão | 17.12.2011

Pré-candidata do PPS diz que melhorar qualidade de vida das pessoas é primeiro passo para garantir qualidade da saúde pública


Viciados em drogas precisam de atenção multidisciplinar, diz Soninha
TV Estadão | 17.12.2011

Para a pré-candidata, problema das drogas deve ser resolvido com um grupo que envolva profissionais de saúde, assistência social e outras áreas