(Escrevi ontem de manhã, quarta, no Face)
Todo mundo muito louco na discussão sobre o que diz a atual Lei de Entorpecentes sobre maconha. Inclusive jornalista que, pra variar, nao se deu ao cuidado de ler o texto da lei.
Não, porte de maconha para uso proprio nao da cadeia. Mas a policia, se pegar, nao pode fazer vista grossa, sob pena de depois aparecer na televisao em cameras de segurança e dizerem: "A 500 m de uma escola e os policiais nao fizeram nada".
Entao eles tem de fazer. Seja na Pompeia, na quebrada ou no campus da universidade. Em qqer um desses lugares pode até haver uma tolerancia por omissao deliberada... "Vamos mandar as viaturas para coisas mais urgentes".
Na minha rua, fuma-se muita maconha sossegadamente e nao é possivel q ninguem saiba. Alguem ja reclamou no Conseg. Algum vizinho ja reclamou no 190. Aí uma noite passou la uma viatura e enquadrou um casalzinho. Super educados, sem tapa na cara, ameaças, humilhaçao, good cop x bad cop, revista com apertao nos testiculos ou cassetete entre as pernas.
Deu dó. Do casalzinho, que estava tao quieto, sentado na guia, fazendo mal no maximo a si mesmos (fora o fato de que o dinheiro foi para o crime e seria mil vezes melhor q eles pudessem comprar dentro da lei. Do desperdicio de tempo da PM e da Civil.
Voltamos ao Campus. Onde o pessoal da quebrada diria que "só tem burguesinho". Que não é um Vaticano, um território com suas próprias leis. Onde a garantia de liberdade para atividade acadêmica não inclui exceções à legislação vigente.
Entao os usuarios flagrados nao seriam "presos", como disse o Bom Dia Brasil, mas detidos. No "vulgo" é a mesma coisa, mas jornalista tem obrigação de saber e fazer a distinção.
O usuário não vai ser submetido a julgamento e talvez condenado à prisão. Vai assinar, se nao me engano (preciso reler a lei), um Termo Circunstanciado, que é "menos" que um Boletim de Ocorrência.
Entao a discussao nao é "a policia decide na hora se é pra uso proprio ou trafico", mas o usuario tb tem de ser conduzido ao distrito. Pobre, classe media ou rico.
Sou a favor da legalização da produção e comercio e vejo a situação atual como um Frankestein. Nao pode plantar pra consumo proprio nem comprar em estabelecimento com CNPJ, nota fiscal e licença de funcionamento, o trafico vai continuar abastecendo o usuário.
Eu nao me canso de debater esse assunto onde quer que seja, na Luciana Gimenez ou no Senado. Espero q outros q tb pensam assim tenham cada vez dar mais a cara a tapa. Nao do policial na esquina mas em sentido figurado.
***
PS(escrito hoje, quinta-feira):
Estudantes ocuparam a reitoria da Universidade Federal. Não terão a solidariedade de petistas dessa vez, porque não é uma universidade estadual em São Paulo... A Polícia Federal foi quem chamou o Batalhão de Choque da PM para conter o tumulto no Campus. A Polícia Federal "da Dilma"; a PM "do Raimundo Colombo", governador de SC que deixou o DEM para ir para o PSD e ser base da Dilma. A quem ele é "muito grato" pela imensa transferência de recursos federais para o estado - como se fosse um favor, um gesto de carinho da presidente.
Os invasores (ou ocupantes) da reitoria exigem que a polícia seja proibida de entrar no campus. Já disse isso quando era na USP, digo novamente: o Campus é ou não é um espaço público? Polícia pode agir no mundão aqui fora, mas o Campus tem segurança exclusiva? Não tem um diacho a ver a presença da Polícia Militar com a repressão militar à liberdade de pensamento e a autonomia universitária. A PM pode agir certo ou errado, no morro de São José ou na Campus da Federal, e o errado tem de ser combatido. Mas roubo de carro, assalto, agressão, estupro são as ocorrências que queremos evitar e razões pela qual o Estado tem forças policiais, a quem delega o poder-dever de combater. Querer tratar campus como um condomínio com segurança exclusiva é algo com que não concordo.
"...But when you talk about destruction/Don't you know that you can count me out"
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quinta-feira, 27 de março de 2014
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Ai Brasil
Educação de qualidade (De qualidade baixíssima)
Alunas brigando dentro de sala de aula no interior de São Paulo
Uma adolescente é jogada no chão e continua sendo agredida, o professor fica olhando meio sem saber o que fazer (ou sem querer fazer nada, não dá pra ter certeza), alguém grava a cena no celular.
Futuros médicos
UFRJ vai investigar trote violento (nojento) na Faculdade de Medicina
Fotos postadas no Facebook da empresa TGF eventos, que ajudou a organizar o trote, permitem conferir um pouco do que aconteceu. No álbum “Trote solidário Med UFRJ”, 95 imagens mostram os calouros carregando placas com identificações depreciativas como “viadinho tatuado”, “chifruda” e “filha do demo”. Outras placas com conotação sexual de mais baixo nível sequer podem ser publicadas. Os alunos também podem ser vistos imersos dentro de uma piscina com um líquido avermelhado.
Ninguém segura esses mosquitos
Surto de malária preocupa moradores da região metropolitana de Belém
A principal suspeita é de que a transmissão da doença tenha começado por um morador que voltou recentemente de uma região no nordeste do Pará, onde a malária é endêmica. Apesar do surto, a Secretaria de Saúde do Pará diz que nos últimos três anos houve redução de quase 50% nos casos de malária no estado. Mas o número de pessoas infectadas ainda é alto: em 2012, foram mais de 95 mil no Pará.
Imagina na Olimpíada
Poluição na Baía de Guanabara prejudica treinamento de vereadores
Pedaços de madeira se transformam em torpedos que podem causar estragos às embarcações. Tem televisão, cadeira, sofá, parachoque de automóvel. O que mais dá é saco plástico. Presa dentro de um pneu, uma tartaruga marinha morta.
Para o secretário estadual do Ambiente, é possível cumprir a meta de sanear 80% da Baía de Guanabara até 2016.
A limpeza da Baía era promessa de legado do Panamericano de 2006.
***
Ai mundo
Senado derruba proposta de Obama de controlar a venda de armas
O Senado derrubou a proposta para aumentar a checagem dos antecedentes de pessoas que queiram comprar armamentos nos Estados Unidos. Os senadores também ficaram contra a restrição de venda de armas semi-automáticas.
Resultado de uma pesquisa foi de 90% de aprovação de medidas de restrição pela população - e olha que aquele é um país obcecado por liberdades individuais e, em boa parte, tarado por armas.
Alunas brigando dentro de sala de aula no interior de São Paulo
Uma adolescente é jogada no chão e continua sendo agredida, o professor fica olhando meio sem saber o que fazer (ou sem querer fazer nada, não dá pra ter certeza), alguém grava a cena no celular.
Futuros médicos
UFRJ vai investigar trote violento (nojento) na Faculdade de Medicina
Fotos postadas no Facebook da empresa TGF eventos, que ajudou a organizar o trote, permitem conferir um pouco do que aconteceu. No álbum “Trote solidário Med UFRJ”, 95 imagens mostram os calouros carregando placas com identificações depreciativas como “viadinho tatuado”, “chifruda” e “filha do demo”. Outras placas com conotação sexual de mais baixo nível sequer podem ser publicadas. Os alunos também podem ser vistos imersos dentro de uma piscina com um líquido avermelhado.
Ninguém segura esses mosquitos
Surto de malária preocupa moradores da região metropolitana de Belém
A principal suspeita é de que a transmissão da doença tenha começado por um morador que voltou recentemente de uma região no nordeste do Pará, onde a malária é endêmica. Apesar do surto, a Secretaria de Saúde do Pará diz que nos últimos três anos houve redução de quase 50% nos casos de malária no estado. Mas o número de pessoas infectadas ainda é alto: em 2012, foram mais de 95 mil no Pará.
Imagina na Olimpíada
Poluição na Baía de Guanabara prejudica treinamento de vereadores
Pedaços de madeira se transformam em torpedos que podem causar estragos às embarcações. Tem televisão, cadeira, sofá, parachoque de automóvel. O que mais dá é saco plástico. Presa dentro de um pneu, uma tartaruga marinha morta.
Para o secretário estadual do Ambiente, é possível cumprir a meta de sanear 80% da Baía de Guanabara até 2016.
A limpeza da Baía era promessa de legado do Panamericano de 2006.
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Ai mundo
Senado derruba proposta de Obama de controlar a venda de armas
O Senado derrubou a proposta para aumentar a checagem dos antecedentes de pessoas que queiram comprar armamentos nos Estados Unidos. Os senadores também ficaram contra a restrição de venda de armas semi-automáticas.
Resultado de uma pesquisa foi de 90% de aprovação de medidas de restrição pela população - e olha que aquele é um país obcecado por liberdades individuais e, em boa parte, tarado por armas.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Vagas preferenciais
A política de cotas tem razão de ser - mas está perdendo (a razão). Daqui a pouco termos 110% das vagas reservadas para cotistas.
***
A cota é uma "forçação de barra", uma medida de emergência para compensar em curto prazo algo que só seria (será, espero) corrigido de verdade a médio ou longo prazo. É um pouco prático - e muito simbólico.
Começando pelos negros: por mil razões históricas, conjunturais, culturais, econômicas e políticas, no Brasil eles são sub-representados no "topo da pirâmide": boas universidades públicas e ensino superior completo de modo geral. Pense aí: quantos médicos, psicólogos, advogados, dentistas, juízes, jornalistas, engenheiros negros você conhece?
Se alguém acha que isso é porque negro não se esforça o suficiente, nem adianta continuar lendo, temos diferenças inconciliáveis.
***
Entre a razão prática (colocar mais negros nas universidades públicas porque eles precisam de uma força do poder público para chegar lá) e a simbólica, eu fico com a simbólica. É importante garantir AGORA que haja determinada porcentagem de negros na USP para criar, na marra, uma presença e convivência maior entre nós clarinhos (é, eu sou branca...) e os mais escurinhos. Se você olha para a Universidade de São Paulo e o espectro de cores é igual ao de uma universidade europeia, tem alguma coisa errada. E a representação da sociedade na USP é um pouco meritocrática e um pouco arbitrária. Explico.
O tal do vestibular, para começar, é uma ideia cretina para selecionar quem tem e quem não tem direito de estudar lá. PRA QUE uma prova ridiculamente abrangente e igual (com os pesos diferentes, ok) para todos os cursos?
Qdo prestei vestibular, ficava possessa de raiva de ter de estudar, 5 anos depois de ter terminado o colegial, Matemática, Química, Física e Biologia em detalhe e profundidade desnecessários ou inúteis apenas para conseguir uma vaga no curso de Cinema.
Como havia apenas 15 VAGAS, a nota de corte era altíssima. E Cinema constituía uma carreira em si, isto é, lá pelas regras da Fuvest, não havia direito à segunda opção - coisa que outros cursos permitiam. Isto é: não passou, tá fora, todo seu esforço foi inútil.
Portanto, entraram na faculdade de cinema os mais capazes em Matemática, Física, Química, Biologia, História, Geografia... P., isso é arbitrário ou não é? Que critério mais estúpido! Talvez o 16º colocado na Fuvest tivesse muito mais interesse e "aptidão" para cinema do que o primeiro colocado, com suas habilidades especiais para memorizar conteúdo ultrapassado e responder perguntas de múltipla escolha.
Eu fui uma das primeiras colocadas, e nem por isso acho o processo seletivo menos ridículo.
***
Já que é arbitrário sim; já que 15 vagas em cinema são preenchidas por quem obteve melhores notas em uma prova estúpida, acho que é válido reservar uma parte dessas vagas para negros. Acrescentar esse ingrediente à mistura.
Creio que, enquanto vigir a política de cotas para negros, isso deve ser usado como critério de desempate ou bonificação. Se não me engano, na Unicamp é (ou era) assim. Negro? Ponto extra. Estudou em escola pública a vida inteira? Ponto extra (senão vai ter gente fazendo o 2º semestre do 3º colegial na escola pública só pra ganhar vantagem, pensa que não?).
Tem problemas? Opa, claro que tem. Acho que foi no Barraco que um pai disse: "Olha, eu ME MATEI, sacrifiquei muitas coisas para pagar escola particular para o meu filho. Ele também se sacrificou muito, se matou de estudar. Ele fica em desvantagem?"
Ai ai. Por isso talvez seja melhor mesmo restrigir as cotas para negros, e por prazo determinado. E como condição inicial que ele tire a nota mínima necessária para passar - digamos, 60% de aproveitamento no processo seletivo. Aí ele pode fazer jus à preferência na fila; sem nota mínima, não. Do contrário não é justo com ele, não é justo com a universidade, não é justo com a sociedade se for realmente um favorzinho para alguém que não teria condições sozinho.
***
Sem esquecer de mudar o vestibular.
***
Sobre a cota instituída agora de 50% para alunos de escola pública: é a CONFISSÃO de que, dez anos depois de governo do PT, o sistema público de educação em todo país continua RUIM ou PÉSSIMO. Tanto é que o Mercadante disse que cota tem de ser medida temporária, que daqui a dez anos (juro que ele disse isso, dez anos) ninguém tem de precisar de cota. Vê se pode.
***
A cota é uma "forçação de barra", uma medida de emergência para compensar em curto prazo algo que só seria (será, espero) corrigido de verdade a médio ou longo prazo. É um pouco prático - e muito simbólico.
Começando pelos negros: por mil razões históricas, conjunturais, culturais, econômicas e políticas, no Brasil eles são sub-representados no "topo da pirâmide": boas universidades públicas e ensino superior completo de modo geral. Pense aí: quantos médicos, psicólogos, advogados, dentistas, juízes, jornalistas, engenheiros negros você conhece?
Se alguém acha que isso é porque negro não se esforça o suficiente, nem adianta continuar lendo, temos diferenças inconciliáveis.
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Entre a razão prática (colocar mais negros nas universidades públicas porque eles precisam de uma força do poder público para chegar lá) e a simbólica, eu fico com a simbólica. É importante garantir AGORA que haja determinada porcentagem de negros na USP para criar, na marra, uma presença e convivência maior entre nós clarinhos (é, eu sou branca...) e os mais escurinhos. Se você olha para a Universidade de São Paulo e o espectro de cores é igual ao de uma universidade europeia, tem alguma coisa errada. E a representação da sociedade na USP é um pouco meritocrática e um pouco arbitrária. Explico.
O tal do vestibular, para começar, é uma ideia cretina para selecionar quem tem e quem não tem direito de estudar lá. PRA QUE uma prova ridiculamente abrangente e igual (com os pesos diferentes, ok) para todos os cursos?
Qdo prestei vestibular, ficava possessa de raiva de ter de estudar, 5 anos depois de ter terminado o colegial, Matemática, Química, Física e Biologia em detalhe e profundidade desnecessários ou inúteis apenas para conseguir uma vaga no curso de Cinema.
Como havia apenas 15 VAGAS, a nota de corte era altíssima. E Cinema constituía uma carreira em si, isto é, lá pelas regras da Fuvest, não havia direito à segunda opção - coisa que outros cursos permitiam. Isto é: não passou, tá fora, todo seu esforço foi inútil.
Portanto, entraram na faculdade de cinema os mais capazes em Matemática, Física, Química, Biologia, História, Geografia... P., isso é arbitrário ou não é? Que critério mais estúpido! Talvez o 16º colocado na Fuvest tivesse muito mais interesse e "aptidão" para cinema do que o primeiro colocado, com suas habilidades especiais para memorizar conteúdo ultrapassado e responder perguntas de múltipla escolha.
Eu fui uma das primeiras colocadas, e nem por isso acho o processo seletivo menos ridículo.
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Já que é arbitrário sim; já que 15 vagas em cinema são preenchidas por quem obteve melhores notas em uma prova estúpida, acho que é válido reservar uma parte dessas vagas para negros. Acrescentar esse ingrediente à mistura.
Creio que, enquanto vigir a política de cotas para negros, isso deve ser usado como critério de desempate ou bonificação. Se não me engano, na Unicamp é (ou era) assim. Negro? Ponto extra. Estudou em escola pública a vida inteira? Ponto extra (senão vai ter gente fazendo o 2º semestre do 3º colegial na escola pública só pra ganhar vantagem, pensa que não?).
Tem problemas? Opa, claro que tem. Acho que foi no Barraco que um pai disse: "Olha, eu ME MATEI, sacrifiquei muitas coisas para pagar escola particular para o meu filho. Ele também se sacrificou muito, se matou de estudar. Ele fica em desvantagem?"
Ai ai. Por isso talvez seja melhor mesmo restrigir as cotas para negros, e por prazo determinado. E como condição inicial que ele tire a nota mínima necessária para passar - digamos, 60% de aproveitamento no processo seletivo. Aí ele pode fazer jus à preferência na fila; sem nota mínima, não. Do contrário não é justo com ele, não é justo com a universidade, não é justo com a sociedade se for realmente um favorzinho para alguém que não teria condições sozinho.
***
Sem esquecer de mudar o vestibular.
***
Sobre a cota instituída agora de 50% para alunos de escola pública: é a CONFISSÃO de que, dez anos depois de governo do PT, o sistema público de educação em todo país continua RUIM ou PÉSSIMO. Tanto é que o Mercadante disse que cota tem de ser medida temporária, que daqui a dez anos (juro que ele disse isso, dez anos) ninguém tem de precisar de cota. Vê se pode.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
SOS Rondonia
Texto recebido há 11 dias (nossa, já faz tudo isso? :oP)
"No mundo dos quadrinhos, a invisibilidade costuma ser desejável: é um dos superpoderes que os mocinhos usam para combater os vilões. No caso da greve da Unir, a invisibilidade é preocupante. A Reitoria foi ocupada pelos estudantes há 24 dias. A greve resiste há 45 dias. O que saiu ontem na Folha de São Paulo? Um dia de ocupação do prédio da administração da FFLCH na USP. Motivo? Maconha, confronto com a polícia militar. Um dia depois, o que sai na Folha de São Paulo? "Traficante Polegar é transferido para presídio federal de Rondônia."
Nem o tumulto na Usina Santo Antonio conseguiu atravessar a fronteira do Estado de Rondônia. Um professor da Universidade Federal de Rondônia foi preso. O dossiê sobre as irregularidades
administrativas da UNIR foi enviado à Veja, Globo, Folha e políticos de diferentes partidos. Cadê a publicidade da greve de 45 dias na única universidade pública de Rondônia? Sem o apoio da mídia nacional, nossos gritos não encontram ouvidos, nossas denúncias não resultam em ações, nossas condições de trabalho/estudo não têm visibilidade.
Rondônia é o segundo estado mais corrupto do Brasil. Aqui os vilões combatem os mocinhos, condenando-os à invisibilidade, com apoio da Mídia Nacional"
Assistam ao vídeo sobre a prisão do professor grevista: http://www.youtube. com/watch?v=xeBQh3BlGaU
Acessem o blogo do Comando de Greve: http://comandodegreveunir. blogspot.com/
Repassem esse e-mail a sua lista de contatos.
Por favor, ajudem-nos a romper com o silêncio sobre a grave crise pela qual passa a Universidade Federal de Rondônia.
***
Às ordens.
"No mundo dos quadrinhos, a invisibilidade costuma ser desejável: é um dos superpoderes que os mocinhos usam para combater os vilões. No caso da greve da Unir, a invisibilidade é preocupante. A Reitoria foi ocupada pelos estudantes há 24 dias. A greve resiste há 45 dias. O que saiu ontem na Folha de São Paulo? Um dia de ocupação do prédio da administração da FFLCH na USP. Motivo? Maconha, confronto com a polícia militar. Um dia depois, o que sai na Folha de São Paulo? "Traficante Polegar é transferido para presídio federal de Rondônia."
Nem o tumulto na Usina Santo Antonio conseguiu atravessar a fronteira do Estado de Rondônia. Um professor da Universidade Federal de Rondônia foi preso. O dossiê sobre as irregularidades
administrativas da UNIR foi enviado à Veja, Globo, Folha e políticos de diferentes partidos. Cadê a publicidade da greve de 45 dias na única universidade pública de Rondônia? Sem o apoio da mídia nacional, nossos gritos não encontram ouvidos, nossas denúncias não resultam em ações, nossas condições de trabalho/estudo não têm visibilidade.
Rondônia é o segundo estado mais corrupto do Brasil. Aqui os vilões combatem os mocinhos, condenando-os à invisibilidade, com apoio da Mídia Nacional"
Assistam ao vídeo sobre a prisão do professor grevista: http://www.youtube.
Acessem o blogo do Comando de Greve: http://comandodegreveunir.
Repassem esse e-mail a sua lista de contatos.
Por favor, ajudem-nos a romper com o silêncio sobre a grave crise pela qual passa a Universidade Federal de Rondônia.
***
Às ordens.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Polícia para os outros, segurança privativa para a USP?
Qdo fiz cinema na USP, mais de uma vez a ECA (Escola de Comunicações e Artes) solicitou, via ofício, apoio à Polícia Militar para nossas filmagens na rua. Nós achávamos isso muito natural. Um dia meu tio - que era funcionário da Detenção no Carandiru, e nem sei se esse detalhe importa - ficou sabendo e achou um ABSURDO. "Deslocar uma viatura do serviço normal pra ficar protegendo filhinho de papai?". (Acho que a profissão é relevante, sim, para explicar o tipo de bagagem que ele carregava e que o tornava assim tão "doce"). Eu e minha mãe discutimos com ele: "Nós estudamos na universidade pública. Estamos lá fazendo trabalho da faculdade. O equipamento é patrimônio público". "Problema da faculdade. Ela que providencie segurança para os alunos".
****
A posição do meu tio tem sido a de uma parte - uma parte... - da comunidade uspiana. "Não queremos a PM [aqui dentro]. A USP faz sua própria segurança".
Como já escrevi aqui algum tempo atrás, eu discordo disso. A USP não é um condomínio fechado. Não é uma zona de exceção. Não é um território independente. É uma área pública, composta por centenas de edifícios que são patrimônio público, frequentada por milhares de pessoas que estudam e trabalham lá ou que desfrutam de suas áreas verdes, museus, bibliotecas etc. E é uma área extensa e insegura, porque tem vastas áreas "desabitadas", digamos assim. A maior parte do território da Cidade Universitária é tão vazio quanto as ruas do centro à noite ou no fim de semana. Eu me lembro, quando estudava lá, de visitar amigos na PUC e ficar perplexa com a vida, o movimento, a agitação de uma faculdade "normal". A USP parecia um refúgio na zona rural... Aprazível, sem dúvida, mas muito vazia.
***
Um lugar ermo, bastante arborizado, isolado, infelizmente é muito convidativo para a prática de vários tipos de violência. Assaltos, assassinatos, estupros... Andar na USP à noite dá medo. Eu normalmente não tenho um pingo de receio de andar por lugares que apavoram a maior parte das pessoas - cracolândia, Favela do Moinho, Brasilândia à noite etc... Mas já passei medão na USP caminhando de um prédio a outro no escuro. Pensando "E agora? Corro, caminho cantando alto, batendo palma, fazendo coisas inusitadas, finjo que tem um amigo logo ali adiante me esperando?".
Nunca me aconteceu nada, mas já houve episódios terríveis, como o caso recente do aluno da FEA que levou um tiro no estacionamento da faculdade e morreu.
Para prevenir violência desse tipo, há um conceito em voga que eu apoio: delega-se ao Estado o dever de zelar pela Segurança Pública. Em vez de deixar que cada um se defenda como pode, criam-se forças policiais para desempenharem a missão.
Essas forças podem ser bem ou mal preparadas, equipadas, orientadas. Podem ter um comando respeitável ou inaceitável. Podem acertar mais do que errar ou o contrário.
Desde que o Maluf deixou o governo do estado (Graças!), a Polícia de São Paulo tem, em tese ou em princípio, uma orientação menos prende-e-arrebenta e mais calcada nos princípios do regime democrático, em que as instituições tem regras, tem deveres e limites, tem compromisso com as leis do país e algumas convenções internacionais, como a Declaração dos Direitos Humanos... Digo "em tese" porque a gestão de Saulo de Castro me parecia mais próxima do estilo Maluf do que da tradição dos tucanos, em geral muito mais esclarecidos.
Sob orientação de pessoas mais progressistas e humanistas, a polícia ainda comete erros. Mas, como acontece em todas as instituições, a direção faz toda a diferença - começando pelo governador, passando pelo Secretário, Comandante-Geral e daí por diante. Sempre vai haver desvios de conduta, mas a diretriz e o exemplo que vem de cima inibem a má conduta - incluindo, claro, a punição aos delinquentes.
Resumindo: não, a polícia de São Paulo não é perfeita e nunca será, como nenhuma é. Mas melhorou muito nos últimos anos e possivelmente é a melhor do Brasil. (Pelo que eu vejo da polícia de Pernambuco, Pará, Rio de Janeiro... Das outras não tenho muita informação). E se ela for ruim, temos de lutar para que seja boa. Mas não para entregar suas funções para outras entidades.
***
O que querem os alunos e funcionários (alguns alunos e funcionários) da USP? Proibir a polícia de fazer patrulhamento do campus e contar apenas com a segurança específica da Cidade Universitária. Por que? Porque alegam que a presença da polícia equivale a voltar aos tempos da ditadura e da repressão e fere a autonomia universitária.
Pó pará.
A polícia está no Campus para exercer sua função como parte do sistema de Segurança Pública. Isto é, para reprimir o crime e proteger as pessoas e o patrimônio da Universidade.
A PM não está lá para vigiar o currículo dos cursos e o conteúdo das aulas. Para impedir reuniões de caráter político. Para bisbilhotar a produção cultural e determinar o que as pessoas podem ler, ver e ouvir. Para caçar subversivos e subtraí-los da convivência pública. Para espionar professores e ver se ameaçam a ordem.
A presença da PM agora não tem um cazzo a ver com o Regime Militar, o governo de exceção, a ditadura. É uma instituição legítima a serviço da coletividade, zelando pela segurança pública. Inclusive dentro do campus da Universidade Pública.
"Ah, mas essa polícia é uma merda". Insisto que não é, mas digamos que fosse uma merda completa. Então ela vale para nosotros aqui fora, que não temos escolha, mas a USP pode dizer "não, obrigada, fiquem da porta para fora, nós contrataremos nossa própria equipe de segurança"? Comassim?
***
Aí a polícia deteve duas pessoas fumando maconha no campus.
A PM pode fazer isso? Sinceramente, NÃO SEI! Fui estudar a nova Lei de Entorpecentes - embora seja muito, muito, muito interessada no tema (ah, vá), não sou nenhuma expert. E descobri, lendo pareceres convincentes de juristas respeitáveis, que há controvérsias!
Para um deles, o porte de entorpecentes para uso próprio configura uma infração "sui generis" - não é crime, não é contravenção... Não é permitido, mas a sanção não é clara, por isso é difícil enquadrar. Para outro, o fato de não ser crime mas também não ser classificada como contravenção deixa o usuário em situação MAIS complicada, porque não permite que seja feita a "transação penal" (substituição de uma pena por outra), já que não há essa "pena" inicial a ser aplicada. Como negociar algo que não existe?
Um deles argumenta que se deve buscar o "espírito da lei". O que quis o legislador? Outro afirma que é impossível e inadequado tentar inferir a intenção do legislador - há que se interpretar o texto da lei e pronto. Vale o escrito.
***
Diante disso... O que cabe à Polícia? Por mim, não lhe caberia nenhuma função no que diz respeito ao uso de maconha, mas o que diz a lei? Que ela deve ignorar, passar um sermão, levar para a delegacia para fazer um TC?
Adoraria saber qual é a orientação formal do Estado brasileiro e dos governos estaduais de modo geral.
Agora, a PM pegou duas pessoas fumando maconha. Quis levá-las para o Distrito. Aí começa uma agitação para impedir os policiais de fazê-lo. Há um conflito. A polícia endurece, os manifestantes também. E o desfecho da história é a ocupação de um prédio, o clamor pela destituição do Reitor e a expulsão da polícia do Campus.
A polícia errou? Se apenas deteve os maconheiros, talvez (socorro, juristas). Se foi violenta, errou. Se foi atacada e reagiu, é compreensível. Se reagiu com fúria e violência, errou. Mas certamente agiu melhor do que a PM já fez milhões de vezes por aí - gritar, ameaçar, intimidar, humilhar, dar tapa na cara e cobrar propina.
Os manifestantes erraram? Me parece que sim. Se alguém sabe de alguma coisa que eu não sei, ou de algo diferente do escrito aqui, pode dizer.
Enfim, uns vão me chamar de irremediável maconheira (por que fico me perguntando se a polícia pode/deve deter maconheiros) e outros de reaça, neo-con, direitista etc.
Azar. Prezo muito o direito de falar o que eu penso - e desrespeitar, por meio de ofensas e agressões, opiniões divergentes da sua é o contrário de democracia e manifestação de autoritarismo, não?
****
A posição do meu tio tem sido a de uma parte - uma parte... - da comunidade uspiana. "Não queremos a PM [aqui dentro]. A USP faz sua própria segurança".
Como já escrevi aqui algum tempo atrás, eu discordo disso. A USP não é um condomínio fechado. Não é uma zona de exceção. Não é um território independente. É uma área pública, composta por centenas de edifícios que são patrimônio público, frequentada por milhares de pessoas que estudam e trabalham lá ou que desfrutam de suas áreas verdes, museus, bibliotecas etc. E é uma área extensa e insegura, porque tem vastas áreas "desabitadas", digamos assim. A maior parte do território da Cidade Universitária é tão vazio quanto as ruas do centro à noite ou no fim de semana. Eu me lembro, quando estudava lá, de visitar amigos na PUC e ficar perplexa com a vida, o movimento, a agitação de uma faculdade "normal". A USP parecia um refúgio na zona rural... Aprazível, sem dúvida, mas muito vazia.
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Um lugar ermo, bastante arborizado, isolado, infelizmente é muito convidativo para a prática de vários tipos de violência. Assaltos, assassinatos, estupros... Andar na USP à noite dá medo. Eu normalmente não tenho um pingo de receio de andar por lugares que apavoram a maior parte das pessoas - cracolândia, Favela do Moinho, Brasilândia à noite etc... Mas já passei medão na USP caminhando de um prédio a outro no escuro. Pensando "E agora? Corro, caminho cantando alto, batendo palma, fazendo coisas inusitadas, finjo que tem um amigo logo ali adiante me esperando?".
Nunca me aconteceu nada, mas já houve episódios terríveis, como o caso recente do aluno da FEA que levou um tiro no estacionamento da faculdade e morreu.
Para prevenir violência desse tipo, há um conceito em voga que eu apoio: delega-se ao Estado o dever de zelar pela Segurança Pública. Em vez de deixar que cada um se defenda como pode, criam-se forças policiais para desempenharem a missão.
Essas forças podem ser bem ou mal preparadas, equipadas, orientadas. Podem ter um comando respeitável ou inaceitável. Podem acertar mais do que errar ou o contrário.
Desde que o Maluf deixou o governo do estado (Graças!), a Polícia de São Paulo tem, em tese ou em princípio, uma orientação menos prende-e-arrebenta e mais calcada nos princípios do regime democrático, em que as instituições tem regras, tem deveres e limites, tem compromisso com as leis do país e algumas convenções internacionais, como a Declaração dos Direitos Humanos... Digo "em tese" porque a gestão de Saulo de Castro me parecia mais próxima do estilo Maluf do que da tradição dos tucanos, em geral muito mais esclarecidos.
Sob orientação de pessoas mais progressistas e humanistas, a polícia ainda comete erros. Mas, como acontece em todas as instituições, a direção faz toda a diferença - começando pelo governador, passando pelo Secretário, Comandante-Geral e daí por diante. Sempre vai haver desvios de conduta, mas a diretriz e o exemplo que vem de cima inibem a má conduta - incluindo, claro, a punição aos delinquentes.
Resumindo: não, a polícia de São Paulo não é perfeita e nunca será, como nenhuma é. Mas melhorou muito nos últimos anos e possivelmente é a melhor do Brasil. (Pelo que eu vejo da polícia de Pernambuco, Pará, Rio de Janeiro... Das outras não tenho muita informação). E se ela for ruim, temos de lutar para que seja boa. Mas não para entregar suas funções para outras entidades.
***
O que querem os alunos e funcionários (alguns alunos e funcionários) da USP? Proibir a polícia de fazer patrulhamento do campus e contar apenas com a segurança específica da Cidade Universitária. Por que? Porque alegam que a presença da polícia equivale a voltar aos tempos da ditadura e da repressão e fere a autonomia universitária.
Pó pará.
A polícia está no Campus para exercer sua função como parte do sistema de Segurança Pública. Isto é, para reprimir o crime e proteger as pessoas e o patrimônio da Universidade.
A PM não está lá para vigiar o currículo dos cursos e o conteúdo das aulas. Para impedir reuniões de caráter político. Para bisbilhotar a produção cultural e determinar o que as pessoas podem ler, ver e ouvir. Para caçar subversivos e subtraí-los da convivência pública. Para espionar professores e ver se ameaçam a ordem.
A presença da PM agora não tem um cazzo a ver com o Regime Militar, o governo de exceção, a ditadura. É uma instituição legítima a serviço da coletividade, zelando pela segurança pública. Inclusive dentro do campus da Universidade Pública.
"Ah, mas essa polícia é uma merda". Insisto que não é, mas digamos que fosse uma merda completa. Então ela vale para nosotros aqui fora, que não temos escolha, mas a USP pode dizer "não, obrigada, fiquem da porta para fora, nós contrataremos nossa própria equipe de segurança"? Comassim?
***
Aí a polícia deteve duas pessoas fumando maconha no campus.
A PM pode fazer isso? Sinceramente, NÃO SEI! Fui estudar a nova Lei de Entorpecentes - embora seja muito, muito, muito interessada no tema (ah, vá), não sou nenhuma expert. E descobri, lendo pareceres convincentes de juristas respeitáveis, que há controvérsias!
Para um deles, o porte de entorpecentes para uso próprio configura uma infração "sui generis" - não é crime, não é contravenção... Não é permitido, mas a sanção não é clara, por isso é difícil enquadrar. Para outro, o fato de não ser crime mas também não ser classificada como contravenção deixa o usuário em situação MAIS complicada, porque não permite que seja feita a "transação penal" (substituição de uma pena por outra), já que não há essa "pena" inicial a ser aplicada. Como negociar algo que não existe?
Um deles argumenta que se deve buscar o "espírito da lei". O que quis o legislador? Outro afirma que é impossível e inadequado tentar inferir a intenção do legislador - há que se interpretar o texto da lei e pronto. Vale o escrito.
***
Diante disso... O que cabe à Polícia? Por mim, não lhe caberia nenhuma função no que diz respeito ao uso de maconha, mas o que diz a lei? Que ela deve ignorar, passar um sermão, levar para a delegacia para fazer um TC?
Adoraria saber qual é a orientação formal do Estado brasileiro e dos governos estaduais de modo geral.
Agora, a PM pegou duas pessoas fumando maconha. Quis levá-las para o Distrito. Aí começa uma agitação para impedir os policiais de fazê-lo. Há um conflito. A polícia endurece, os manifestantes também. E o desfecho da história é a ocupação de um prédio, o clamor pela destituição do Reitor e a expulsão da polícia do Campus.
A polícia errou? Se apenas deteve os maconheiros, talvez (socorro, juristas). Se foi violenta, errou. Se foi atacada e reagiu, é compreensível. Se reagiu com fúria e violência, errou. Mas certamente agiu melhor do que a PM já fez milhões de vezes por aí - gritar, ameaçar, intimidar, humilhar, dar tapa na cara e cobrar propina.
Os manifestantes erraram? Me parece que sim. Se alguém sabe de alguma coisa que eu não sei, ou de algo diferente do escrito aqui, pode dizer.
Enfim, uns vão me chamar de irremediável maconheira (por que fico me perguntando se a polícia pode/deve deter maconheiros) e outros de reaça, neo-con, direitista etc.
Azar. Prezo muito o direito de falar o que eu penso - e desrespeitar, por meio de ofensas e agressões, opiniões divergentes da sua é o contrário de democracia e manifestação de autoritarismo, não?
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
O presidente mente, mente, mente, mente, mente... Barbaridade
Do Blog do Planalto:
Quinta-feira, 21 de outubro de 2010 às 18:30 (Última atualização: 21/10/2010 às 19:10:10)
O fim da divisão entre quem pode e quem não pode
A divisão da sociedade brasileira entre os que podiam estudar em boas escolas e escolher depois as melhores universidades, e os que não podiam, está no fim. Com os mecanismos criados pelo governo para subsidiar o estudo dos jovens mais pobres, há cada vez mais oportunidades para todos. Dinheiro para educação não é gasto, mas investimento, frisou o presidente Lula durante evento realizado nesta quinta-feira (21/10) para a entrega das novas instalações do campus Porto da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
"O mundo era dividido assim: tinham aqueles que podiam estudar em escolas boas, do ensino fundamental até o segundo grau, escolas bem pagas, escolas de alto nível educacional, e tinha a maioria dos pobres que eram obrigados a estudar em escola pública. Quando chegava no ensino universitário, era o rico, que tinha podido estudar em uma escola boa, que ia para uma universidade grátis, e o pobre, que não tinha estudado em uma escola boa, é que tinha que pagar uma universidade. Era o pior dos mundos… Essa sociedade dividida entre quem pode e quem não pode está acabando no Brasil".
****
Pois muito bem.
A Universidade Federal de Pelotas, onde o Lula fez o discurso de que "o mundo era dividido entre os que podiam ir à Universidade boa e grátis e os que não podiam", foi inaugurada em 1969. Em 1969, ela já foi criada como um desdobramento da UFRGS, que "remonta à fundação da Escola de Farmácia e Química, em 29 de setembro de 1895".
Na verdade, "Participaram do núcleo formador da UFPel as seguintes unidades: Faculdade de Ciências Domésticas, Faculdade de Veterinária (Universidade Federal Rural do Rio Grande do Sul), Faculdade de Direito, Faculdade de Odontologia e Instituto de Sociologia e Política (Universidade Federal do Rio Grande do Sul em Pelotas) e a tradicional Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (FAEM) (a mais antiga do Brasil, tendo suas origens na Imperial Escola de Medicina Veterinária e de Agricultura Practica fundada em 1883)".
Ou seja, a própria UFRS, assim denominada em 1947, já era a incorporação de faculdades criadas ao longo da primeira metade do século XX e até mesmo final do século XIX. Depois ela deu origem, por "emancipação", à Universidade de Pelotas (1969) e à Universidade Santa Maria (1960).
****
Recapitulando:
Em Pelotas, o presidente Lula falou do acesso à universidade pública, vangloriou-se do "fim da divisão entre quem pode e quem não pode". Apesar de estar em uma universidade cuja pedra fundamental tem mais de um século de existência. Que já foi uma extensão da UFRS e se tornou universidade federal em 1969.
****
Isso é tudo? Não.
Abaixo, informação sobre uma das "14 novas universidades" do governo Lula:
"A Unipampa é uma universidade nova e e expansão. A estrutura atual conta com dez campi e uma Reitoria, distribuídos em dez cidades da meso-região sul. Inicialmente, os 10 campi da Unipampa estavam vinculados à UFSM e à UFPel, cada universidade com 5 campi. do Rio Grande do Sul em Pelotas) e a tradicional Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (FAEM) (a mais antiga do Brasil, tendo suas origens na Imperial Escola de Medicina Veterinária e de Agricultura Practica fundada em 1883)"
Em 11 de janeiro de 2008 Lula sancionou a lei que criou a universidade federal. Para que não reste nenhuma dúvida, eis o texto da lei:
LEI Nº 11.640, DE 11 DE JANEIRO DE 2008
Institui a Fundação Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA e dá outras providências
Art. 3o O patrimônio da Unipampa será constituído por:
I- Bens patrimoniais de Universidades Federais, disponibilizados para o funcionamento dos campi de Bagé, Jaguarão, São Gabriel, Santana do Livramento, Uruguaiana, Alegrete, São Borja, Itaqui, Caçapava do Sul e Dom Pedrito, na data de publicação desta Lei, formalizando-se a transferência nos termos da legislação e procedimentos pertinentes;
(...)
Art. 4o Passam a integrar a Unipampa, independentemente de qualquer formalidade, na data de publicação desta Lei, os cursos de todos os níveis, integrantes dos campi das Universidades Federais de Pelotas e de Santa Maria existentes nos Municípios citados no inciso I do caput do art. 3o desta Lei.
Parágrafo único. Os alunos regularmente matriculados nos cursos ora transferidos passam automaticamente, independentemente de qualquer outra exigência, a integrar o corpo discente da Unipampa.
Art. 5o Ficam redistribuídos para a Unipampa os cargos ocupados e vagos do Quadro de Pessoal das Universidades Federais de Pelotas e de Santa Maria, disponibilizados para funcionamento dos campi dos Municípios citados no inciso I do caput do art. 3o desta Lei, na data de publicação desta Lei.
***
Ainda não acabou.
As "novas instalações", inauguradas ontem pelo presidente e o Ministro da Educação, já teve uma... "cerimônia de instalação" em agosto de 2008, como informa o próprio site da Universidade de Pelotas.
A foto no site está pequenininha, mas dá para ver as "novas instalações"
Informa ainda o site oficial:
"A inauguração oficial das novas instalações está prevista para outubro ou novembro [de 2008!], com a presença do ministro da Educação, Fernando Haddad"
Tem mais:
"Em seu discurso, o reitor referiu-se às unidades acadêmicas que serão transferidas para o novo campus, num prazo de um ano [isto é, agosto de 2009], que são os cursos de Letras, Nutrição, Administração, Economia e Museologia, mais o Centro de Informática e a Rádio Federal FM. A primeira unidade a ser transferida será a Faculdade de Letras".
O prazo estourou "um pouquinho"... Veja notícia de agosto de 2010, do site oficial:
A FACULDADE DE NUTRIÇÃO MUDA DE ENDEREÇO
A Faculdade de Nutrição que estava situada no Campus Capão do Leão desde a sua criação, mudou-se essa semana para o Campus Porto na rua Gomes Carneiro, no. 1, no 1andar. Nas novas instalações serão desenvolvidas as aulas teóricas e aula prática no laboratório de Técnica Dietética e de Avaliação Nutricional. As disciplinas que utilizam os laboratórios de Bromatologia, Microbiologia e Nutrição Experimental ainda serão desenvolvidas no campus Capão do Leão porque os laboratórios construidos no Campus Porto ainda não foram finalizados.
Nas novas instalações da Faculdade de Nutrição contará com estrutura moderna e novos laboratórios ampliados e melhor equipados. Também será criado um novo laboratório de Alimentação Coletiva que será utilizado para práticas das disciplinas de Gestão em Unidades de Alimentação e Nutrição e para o curso de Gastronomia.
Quer dizer: um ano depois do prazo, o curso é transferido para um prédio não concluído, e os alunos precisam se deslocar entre dois campi porque a aula é em um, o laboratório é em outro.
Mas precisava inaugurar logo, para que o presidente da República pudesse ir lá dizer que, com ele, graças a ele, a partir dele e de ninguém mais, "termina a divisão" entre quem pode e quem não pode.
Enquanto, na verdade, ele reedita não só a história do governo Fernando Henrique, mas também do Estado Novo, da República Velha, até do Império. Bem disse o senador eleito Itamar Franco: ainda vai dizer que foi ele que abriu os Portos.
***
Daqui a pouco tem mais. Tem, por exempo, a Ata da primeira reunião do D.A. de Letras no campus novo... NÃO PERCAM.
Quinta-feira, 21 de outubro de 2010 às 18:30 (Última atualização: 21/10/2010 às 19:10:10)
O fim da divisão entre quem pode e quem não pode
A divisão da sociedade brasileira entre os que podiam estudar em boas escolas e escolher depois as melhores universidades, e os que não podiam, está no fim. Com os mecanismos criados pelo governo para subsidiar o estudo dos jovens mais pobres, há cada vez mais oportunidades para todos. Dinheiro para educação não é gasto, mas investimento, frisou o presidente Lula durante evento realizado nesta quinta-feira (21/10) para a entrega das novas instalações do campus Porto da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
"O mundo era dividido assim: tinham aqueles que podiam estudar em escolas boas, do ensino fundamental até o segundo grau, escolas bem pagas, escolas de alto nível educacional, e tinha a maioria dos pobres que eram obrigados a estudar em escola pública. Quando chegava no ensino universitário, era o rico, que tinha podido estudar em uma escola boa, que ia para uma universidade grátis, e o pobre, que não tinha estudado em uma escola boa, é que tinha que pagar uma universidade. Era o pior dos mundos… Essa sociedade dividida entre quem pode e quem não pode está acabando no Brasil".
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Pois muito bem.
A Universidade Federal de Pelotas, onde o Lula fez o discurso de que "o mundo era dividido entre os que podiam ir à Universidade boa e grátis e os que não podiam", foi inaugurada em 1969. Em 1969, ela já foi criada como um desdobramento da UFRGS, que "remonta à fundação da Escola de Farmácia e Química, em 29 de setembro de 1895".
Na verdade, "Participaram do núcleo formador da UFPel as seguintes unidades: Faculdade de Ciências Domésticas, Faculdade de Veterinária (Universidade Federal Rural do Rio Grande do Sul), Faculdade de Direito, Faculdade de Odontologia e Instituto de Sociologia e Política (Universidade Federal do Rio Grande do Sul em Pelotas) e a tradicional Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (FAEM) (a mais antiga do Brasil, tendo suas origens na Imperial Escola de Medicina Veterinária e de Agricultura Practica fundada em 1883)".
Ou seja, a própria UFRS, assim denominada em 1947, já era a incorporação de faculdades criadas ao longo da primeira metade do século XX e até mesmo final do século XIX. Depois ela deu origem, por "emancipação", à Universidade de Pelotas (1969) e à Universidade Santa Maria (1960).
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Recapitulando:
Em Pelotas, o presidente Lula falou do acesso à universidade pública, vangloriou-se do "fim da divisão entre quem pode e quem não pode". Apesar de estar em uma universidade cuja pedra fundamental tem mais de um século de existência. Que já foi uma extensão da UFRS e se tornou universidade federal em 1969.
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Isso é tudo? Não.
Abaixo, informação sobre uma das "14 novas universidades" do governo Lula:
"A Unipampa é uma universidade nova e e expansão. A estrutura atual conta com dez campi e uma Reitoria, distribuídos em dez cidades da meso-região sul. Inicialmente, os 10 campi da Unipampa estavam vinculados à UFSM e à UFPel, cada universidade com 5 campi. do Rio Grande do Sul em Pelotas) e a tradicional Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (FAEM) (a mais antiga do Brasil, tendo suas origens na Imperial Escola de Medicina Veterinária e de Agricultura Practica fundada em 1883)"
Em 11 de janeiro de 2008 Lula sancionou a lei que criou a universidade federal. Para que não reste nenhuma dúvida, eis o texto da lei:
LEI Nº 11.640, DE 11 DE JANEIRO DE 2008
Institui a Fundação Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA e dá outras providências
Art. 3o O patrimônio da Unipampa será constituído por:
I- Bens patrimoniais de Universidades Federais, disponibilizados para o funcionamento dos campi de Bagé, Jaguarão, São Gabriel, Santana do Livramento, Uruguaiana, Alegrete, São Borja, Itaqui, Caçapava do Sul e Dom Pedrito, na data de publicação desta Lei, formalizando-se a transferência nos termos da legislação e procedimentos pertinentes;
(...)
Art. 4o Passam a integrar a Unipampa, independentemente de qualquer formalidade, na data de publicação desta Lei, os cursos de todos os níveis, integrantes dos campi das Universidades Federais de Pelotas e de Santa Maria existentes nos Municípios citados no inciso I do caput do art. 3o desta Lei.
Parágrafo único. Os alunos regularmente matriculados nos cursos ora transferidos passam automaticamente, independentemente de qualquer outra exigência, a integrar o corpo discente da Unipampa.
Art. 5o Ficam redistribuídos para a Unipampa os cargos ocupados e vagos do Quadro de Pessoal das Universidades Federais de Pelotas e de Santa Maria, disponibilizados para funcionamento dos campi dos Municípios citados no inciso I do caput do art. 3o desta Lei, na data de publicação desta Lei.
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Ainda não acabou.
As "novas instalações", inauguradas ontem pelo presidente e o Ministro da Educação, já teve uma... "cerimônia de instalação" em agosto de 2008, como informa o próprio site da Universidade de Pelotas.
A foto no site está pequenininha, mas dá para ver as "novas instalações"
Informa ainda o site oficial:
"A inauguração oficial das novas instalações está prevista para outubro ou novembro [de 2008!], com a presença do ministro da Educação, Fernando Haddad"
Tem mais:
"Em seu discurso, o reitor referiu-se às unidades acadêmicas que serão transferidas para o novo campus, num prazo de um ano [isto é, agosto de 2009], que são os cursos de Letras, Nutrição, Administração, Economia e Museologia, mais o Centro de Informática e a Rádio Federal FM. A primeira unidade a ser transferida será a Faculdade de Letras".
O prazo estourou "um pouquinho"... Veja notícia de agosto de 2010, do site oficial:
A FACULDADE DE NUTRIÇÃO MUDA DE ENDEREÇO
A Faculdade de Nutrição que estava situada no Campus Capão do Leão desde a sua criação, mudou-se essa semana para o Campus Porto na rua Gomes Carneiro, no. 1, no 1andar. Nas novas instalações serão desenvolvidas as aulas teóricas e aula prática no laboratório de Técnica Dietética e de Avaliação Nutricional. As disciplinas que utilizam os laboratórios de Bromatologia, Microbiologia e Nutrição Experimental ainda serão desenvolvidas no campus Capão do Leão porque os laboratórios construidos no Campus Porto ainda não foram finalizados.
Nas novas instalações da Faculdade de Nutrição contará com estrutura moderna e novos laboratórios ampliados e melhor equipados. Também será criado um novo laboratório de Alimentação Coletiva que será utilizado para práticas das disciplinas de Gestão em Unidades de Alimentação e Nutrição e para o curso de Gastronomia.
Quer dizer: um ano depois do prazo, o curso é transferido para um prédio não concluído, e os alunos precisam se deslocar entre dois campi porque a aula é em um, o laboratório é em outro.
Mas precisava inaugurar logo, para que o presidente da República pudesse ir lá dizer que, com ele, graças a ele, a partir dele e de ninguém mais, "termina a divisão" entre quem pode e quem não pode.
Enquanto, na verdade, ele reedita não só a história do governo Fernando Henrique, mas também do Estado Novo, da República Velha, até do Império. Bem disse o senador eleito Itamar Franco: ainda vai dizer que foi ele que abriu os Portos.
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Daqui a pouco tem mais. Tem, por exempo, a Ata da primeira reunião do D.A. de Letras no campus novo... NÃO PERCAM.
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