Mostrando postagens com marcador política ambiental. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador política ambiental. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Ai Brasil

Educação de qualidade (De qualidade baixíssima)
Alunas brigando dentro de sala de aula no interior de São Paulo

Uma adolescente é jogada no chão e continua sendo agredida, o professor fica olhando meio sem saber o que fazer (ou sem querer fazer nada, não dá pra ter certeza), alguém grava a cena no celular.

Futuros médicos
UFRJ vai investigar trote violento (nojento) na Faculdade de Medicina

Fotos postadas no Facebook da empresa TGF eventos, que ajudou a organizar o trote, permitem conferir um pouco do que aconteceu. No álbum “Trote solidário Med UFRJ”, 95 imagens mostram os calouros carregando placas com identificações depreciativas como “viadinho tatuado”, “chifruda” e “filha do demo”. Outras placas com conotação sexual de mais baixo nível sequer podem ser publicadas. Os alunos também podem ser vistos imersos dentro de uma piscina com um líquido avermelhado.

Ninguém segura esses mosquitos
Surto de malária preocupa moradores da região metropolitana de Belém

A principal suspeita é de que a transmissão da doença tenha começado por um morador que voltou recentemente de uma região no nordeste do Pará, onde a malária é endêmica. Apesar do surto, a Secretaria de Saúde do Pará diz que nos últimos três anos houve redução de quase 50% nos casos de malária no estado. Mas o número de pessoas infectadas ainda é alto: em 2012, foram mais de 95 mil no Pará.

Imagina na Olimpíada
Poluição na Baía de Guanabara prejudica treinamento de vereadores

Pedaços de madeira se transformam em torpedos que podem causar estragos às embarcações. Tem televisão, cadeira, sofá, parachoque de automóvel. O que mais dá é saco plástico. Presa dentro de um pneu, uma tartaruga marinha morta.

Para o secretário estadual do Ambiente, é possível cumprir a meta de sanear 80% da Baía de Guanabara até 2016.

A limpeza da Baía era promessa de legado do Panamericano de 2006.

***
Ai mundo

Senado derruba proposta de Obama de controlar a venda de armas

O Senado derrubou a proposta para aumentar a checagem dos antecedentes de pessoas que queiram comprar armamentos nos Estados Unidos. Os senadores também ficaram contra a restrição de venda de armas semi-automáticas.

Resultado de uma pesquisa foi de 90% de aprovação de medidas de restrição pela população - e olha que aquele é um país obcecado por liberdades individuais e, em boa parte, tarado por armas.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Enche

Terríveis as enchentes do PMDB (Rio de Janeiro) e do PSB (Belo Horizonte).

***
RIDÍCULO o comentário acima (é meu mesmo). As enchentes sequer são “da prefeitura”, muito menos do partido do prefeito.

Mas os petistas/lulistas passaram os últimos anos falando em enchente demotucana. (Como incluir o PPS - um dos míseros quatro partidos de oposição - comprometeria a sonoridade da sigla, eles me chamam de demotucana também. Não estão aqui para explicar, estão para confundir).

Em um evento na prefeitura em 2009, com a presença do Lula e tudo, houve uma MANIFESTAÇÃO na porta “contra a enchente e inundação”. "Contra" “a enchente”, como se ela  fosse uma decisão da prefeitura. Com tambores e placas, cantavam “Desce Serra, desce até o chão/ [não lembro o que]/ a enchente e inundação”.

Chegaram a dizer que eles (Kassab e Serra, claro, sempre como se fossem a mesma pessoa) estavam deixando o Jardim Pantanal alagado DE PROPÓSITO para expulsar as pessoas dali e atender aos interesses da especulação imobiliária. (O link com a convocação para a manifestação diz isso).

Alguma semelhança com as recentes alegações sobre os incêndios?

***
Havia umas 30 pessoas, no máximo. Todas "simpatizantes da causa", porque morador do Pantanal quase não havia. E neguin' tira um sarro quando protesto tem pouca gente, como se a causa não fosse justa. Quando se tem grupo organizado, como o "Conlutas", já é difícil encher uma praça. Sem isso então...

***
2009 foi um pesadelo climático. Ao longo do ano (inclusive no inverno), durante muitos dias seguidos a notícia era “choveu em duas horas o previsto para o mês inteiro”. Dias SEGUIDOS. Claro que há enchentes. Claro que o rio sai do leito.

Haddad anunciou no primeiro dia de governo o seu plano anti-enchente. Limpeza de bueiros, re-estruturar a Defesa Civil...

Po**a, isso não é plano. Isso é providência imediata, elementar, + o indiscutível meio vago. A Defesa Civil melhorou nos últimos anos - viaturas novas, computadores nas "salas de situação", maior integração com o Centro de Controle de Emergências. Ainda falta MUITO e eu, na Subprefeitura, tinha mais essa razão para querer esganar o prefeito. Espero que eles vejam honestamente o que falta e providenciem.

Quanto a limpar bueiro... CLARO, né? Em alguns lugares, o intervalo entre cada operação de limpeza vai diminuir para 15 dias (segundo o SPTV, era de dois meses. Não sei). Ótimo, isso realmente é uma providência elementar importante. Mas olha... Eles vão ver o inferno que é limpar em um dia e ver tudo sujo outra vez, em intervalo bem menor que duas semanas. Ver o que é recolher dois caminhões de lixo/entulho jogados no lugar errado e NO DIA SEGUINTE já tem uma pilha outra vez. Se nas esquinas da Pompeia é ruim, precisa ver na Brasilândia, na divisa com Osasco...

É deprimente.

Educação, sabe? Falta muito. Mesmo quando outras coisas são mais acessíveis, tipo carro zero e faculdade privada e por isso o governo se jacta de ter feito “inclusão social”, sem educação a gente não aprende a JOGAR LIXO no lugar certo.

Elementar.

[Continua mais tarde]

***
PS1 - Aquela maravilha do PAC tem plano para as enchentes também. Achei, por acaso, o de Belo Horizonte. Só vendo para crer.

PS2 - Em uma materiazinha de menos de dois minutos, a Globo mostrou que, dois anos depois da "maior catástrofe climática da história do país", a da Região Serrana do Rio de Janeiro, continua tudo MUITO parecido com o que restou daquela tragédia. Casas abandonadas, semi-destruídas; pessoas no aguardo de
um lugar novo para morar.

Cinco mil casas populares foram prometidas pelo governo, mas ainda não estão prontas. Algumas estão condenadas, como o da cabeleireira Úrsula Carvalho, e na fila de demolição. Às 19h, os clientes já foram embora e Úrsula também deveria ir para casa, mas não consegue. Há quase dois anos, mora no mesmo local onde trabalha, porque, até hoje, não recebeu o aluguel social.

O governo respondeu que "é difícil achar terrenos" (e olha que o governo do Rio tem um Subsecretário da Reconstrução da Região Serrana!!). Porrra, isso tinha de ser uma reportagem especial, um Globo Repórter, um bloco inteiro do Fantástico. Mas como é no Rio de Cabral...  

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Seleta Coletiva, ups, Coleta Seletiva

Minhas ações na prefeitura na área de resíduos:

1) Proporcionar melhores condições para as cooperativas

- Galpões do tamanho e localização adequados (para conseguir processar mais material, ampliar o número de cooperados e trabalhar em três turnos - dependendo do lugar, elas não podem passar das dez da noite, ou não tem bom acesso para os caminhões).

 - Maquinário moderno - por exemplo: esteiras que, por suas características, evitam Lesão por Esforço Repetitivo (LER).

- Crédito para aquisição de veículos

- EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) com a qualidade e quantidade necessárias

- Ações educativas para garantir a chegada de mais material e com mais qualidade. (Hoje chega muita coisa suja, muito rejeito).

- Assegurar que o material coletado em domicílio pela empresa concessionária seja transportado em caminhão gaiola e não o compactador (que faz com que boa parte do reciclável fique inutilizado).

- Oferecer assessoria jurídica, contábil, administrativa

- Oferecer qualificação e requalificação permanentes

- Assegurar e exigir boas condições de trabalho (vestiário, refeitório, etc)

- Apoiar a criação de "pools" ou outros arranjos entre as cooperativas para colaboração e troca de materiais (exemplo: uma recebe todo o isopor das demais, e assim adquire mais rapidamente a tonelagem que compense a comercialização, enquanto a outra concentra determinado tipo de plástico).

- CONTRATAR as cooperativas por serviço prestado; hoje sua receita depende exclusivamente do que conseguirem vender e de eventuais contratos com geradores para retirada de material.

[Tem mais, depois eu volto e completo]

2) Melhorar a logística da coleta

- Coleta domiciliar três vezes por semana, com veículos menores e separação por material.
Exemplo: 2ª-feira: vidro e metal; 4ª-feira: plástico e papel; 6ª-feira: plástico e papel
Por que? Porque assim as pessoas não precisam ter um lugar para armazenar o resíduo de uma semana;
porque o material já chega mais separado às centrais que podem ser cada vez mais locais de processamento, não de triagem.

- Comércio e outros grandes geradores: serão obrigados a contratar os serviços de uma cooperativa para coleta, separação e encaminhamento.

- Postos de entrega voluntária: bem localizados, bem desenhados (não podem ter a boca tão pequena que impede vários resíduos de passar pela abertura), monitorados

3) Fortalecer a cadeia produtiva (melhorar a destinação e o mercado)

- Destinar os resíduos dos órgãos públicos municipais para cooperativas ou Oscips preferencialmente (material de escritório, entulho, eletrônicos)

- Incentivar a instalação, em São Paulo, de indústrias/usinas de reciclagem (muitos materiais são processados fora do município)

- Ampliar as Compras Verdes da prefeitura, adquirindo cada vez mais material reciclado (já tem a lei que obriga a comprar papel reciclado, a Lei 14.439/07 . O projeto foi meu; para conseguir aprovar tive de aceitar que a porcentagem obrigatória fosse de 10%, mas eu queria 25%! Pra começar! rs)

- Estabelecer novas regras para a construção civil qto à destinação de resíduos

- Conceder incentivos para empresas que adquiram material reciclado.

Aceito, como sempre, críticas, reparos ou sugestões.





segunda-feira, 23 de julho de 2012

Pergunta que eu respondo: Coleta Seletiva :o)

Pergunta que veio do Paulo, através da minha fan page:


São Paulo é a cidade que mais polui o meio ambiente na América Latina e uma das que mais polui no mundo! E uma enorme parte é simplesmente pelo lixo. Sabe qual percentagem do nosso lixo é reciclada atualmente: pasme, pouco mais de 1%!!!

Como professor universitário faço a minha parte convencendo meus estudantes sobre como é imperativo fazer a reciclagem nas suas residências e SEMPRE ressalvo que A PREFEITURA NÃO FAZ A PARTE DELA, recolhendo e processando esse lixo.

Qual a sua proposta para o tema?


Paulo,

Nas minhas palestras, eu sempre conto uma das razões pelas quais resolvi me candidatar a vereadora e largar de vez as minhas outras atividades para viver imersa na política e trabalhar na área pública.

Eu era apresentadora da MTV e adorava aproveitar toda oportunidade - não só no Barraco, programa de debates que mediei, mas principalmente nos programas de videoclipes - para falar de coisas que para mim era muito importantes.

Perguntava para os espectadores, por exemplo, se eles sabiam quanto São Paulo produzia, na época, de lixo em um único dia. Eram 15 mil toneladas.

Sabendo que ficariam perplexos (a menos que fossem completamente sem-noção), acrescentava: "Imaginem pra onde vai tudo isso. E sequer é tudo "lixo"; uma parte enorme é de material reciclado, que vai ficar séculos amontoado ocupando espaço (e prejudicando a própria decomposição do material orgânico) enquanto poderia estar sendo reaproveitado ou reciclado, poupando recursos naturais (matérias-primas e energia) e gerando renda".

Muitos se sensibilizavam e mandavam emails perguntando: "QUERO SEPARAR MEU MATERIAL RECICLÁVEL! O que faço com ele depois?"

Imagine a quantidade de vezes em que eu não tinha uma resposta satisfatória... Isto é, conseguia despertar o incômodo e a vontade de agir, e ela era desperdiçada por falta de atenção do poder público.

Então resolvi ser poder público :o)

Como vereadora, apesar de criar muito caso (simplesmente por não abrir mão de princípios e convicções, veja você...) e me "isolar", consegui aprovar projetos bacanas. Um obriga a prefeitura a adquirir, em proporções cada vez maiores, material RECICLADO - sendo um grande comprador, a administração pública tem muito peso no mercado, ajudando a aquecer essa atividade econômica. Também apresentei o projeto que instituiu os Conselhos Regionais de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável nas Subprefeituras, compostos por 8 membros eleitos pela população (os chamados "Cadinhos", uma referência ao CADS, Conselho Municipal do Meio Ambiente).

Insatisfeita com as possibilidades de um vereador realmente interferir no rumo das coisas - tanto menores quanto mais "teimoso" ele for em ser correto e transparente - foi que resolvi tentar ser prefeita. Até conseguir. :o)

Então falando concretamente sobre algumas propostas minhas para a área:

1 - Quanto à estrutura atual:

As Cooperativas precisam de um acompanhamento mais firme da prefeitura para que tenham suporte para sua gestão - não é fácil.

Precisa haver um número maior de centrais de triagem, com condições muito melhores de trabalho do que tem hoje.

Os cooperados precisam ser ouvidos pra valer, com atenção à sua experiência, suas dificuldades e propostas.

As cooperativas precisam ser REMUNERADAS pela prefeitura pela PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS que fazem. Não podem depender apenas do preço obtido no mercado por seus materiais... Se o valor da tonelada de papelão cai por causa da crise econômica, por exemplo (aconteceu em 2008), a renda dos cooperados cai muito e a operação fica inviável. Eles prestam um serviço! E não podem também ter de pagar pela remoção de rejeito como se fossem grandes GERADORES! Eles RETIRAM material dos aterros, não PRODUZEM.

A coleta domiciliar feita pelas empresas concessionárias (Loga, Ecourbis) tem de ser feita em CAMINHÕES GAIOLA, aqueles com carroceria cercada por uma grade, e não compactadores!

Os grandes geradores (comércio, serviços) precisam ser fiscalizados para que deem a destinação correta a seu lixo - e separem, armazenem e destinem adequadamente o material reciclável. Não podemos tolerar que despejem papelão etc na calçada porque sabem que um catador vai passar e pegar - e torcer para que seja antes de chuva, por exemplo. TEM de haver um acordo (contrato, de preferência) para que reservem e destinem a uma cooperativa, de preferência, ou empresa.

Os Postos de Entrega Voluntários precisam ser bem localizados, com coleta regular, de acordo com o volume depositado (não pode ficar uma montanha para o lado de fora como as vezes acontece) e, de preferência, MONITORADOS, como já acontece em alguns lugares, para orientar as pessoas.

***
Até aqui, falamos de aperfeiçoamento. Agora vamos falar de mudanças.

1) Quanto mais diferenciada e capilarizada a coleta, MELHOR. A produtividade das centrais de triagem será muito maior quando o reciclado já chegar a elas menos misturado, mais limpo.

Minha ideia é implantar, primeiro como projeto piloto, uma coleta porta-a-porta diária (ou no mínimo três vezes por semana) feita por carros elétricos de pequeno porte (como os que percorrem o calçadão no centro) que substituam as carroças, aproveitando os próprios carroceiros. Nos casos (certamente numerosos) em que o carroceiro não puder ser treinado para pilotar os carros elétricos, podemos ter carros adaptados para operação com pedal, por exemplo. 

Ao ser mais frequente, a coleta será também mais particularizada. Exemplo: às segundas, quartas e sextas, recolhe vidro e alumínio. Às terças e quintas, papel, papelão, isopor e outros materiais.

Em lugares com produção muito elevada, passam vários carrinhos todos os dias, mas um para cada tipo de material.

Para isso, precisaria haver um esforço muito grande de EDUCAÇÃO e orientação, claro. Explicar de novo e de novo a importância da reciclagem, apresentar os catadores às pessoas de quem vão coletar, engajar escolas, empresas e associações de moradores, unir os movimentos (Agenda 21 etc), fazer campanhas na mídia para explicar. E testar, avaliar, corrigir.

terça-feira, 19 de junho de 2012

♫ ♪ Todos juntos vamos, pra frente Brasil! ♪ ♫

Essas cúpulas de países podem ter muita utilidade no sentido de "raise awareness", isto é, elevar o grau de conhecimento, percepção e consciência sobre determinado tema ("awareness" é uma palavra mto legal, sem tradução exata em Português). A mídia fala, a sociedade civil organizada se manifesta (a desorganizada fica meio por fora, como sempre :oP), especialistas são ouvidos, políticos e governantes são cobrados.

Mas o "documento final", sinceramente, não vale quase nada. Para um texto ser aprovado por consenso, tem de ser desidratado, isto é, chocho, café-com-leite, conservador. Ou não tem consenso, óbvio!

Ademais (nossa, acho que nunca disse "ademais"), que adianta assinar os documentos, não cumprir nada e não ter sanção alguma? O Brasil é signatário de uma penca de Tratados Internacionais e só se compromete de verdade com os que bem entende. Uma vez, fuçando muito nos sites do governo federal, encontrei a lista completa de tratados e convenções.

***
Mais uma vez, por ocasião de uma conferência de meio ambiente, caem por terra a máscara, as falácias da propaganda ufanista do governo federal, porque nessas ocasiões protestamos "NÃO SOMOS RICOS! SOMOS POBRES E SUBDESENVOLVIDOS!". Isso porque cobramos, dedo em riste e cenho franzido, que os "países desenvolvidos" paguem a conta dos investimentos necessários para reduzir nossa pegada ecológica.

1 - É verdade! Somos subdesenvolvidos! Educação de m.,  Saúde péssima, Saneamento Básico abaixo da crítica, Infraestrutura do século retrasado - exceto pelos trens, que estavam mais avançados naquela época.

2 - "Os ricos destruíram tudo e agora querem que a gente preserve". Deixa eu entender: os governantes de hoje reivindicam o direito de praticar aquilo que SABEMOS que são erros graves, porque lá atrás os europeus fizeram a mesma coisa? Ah, então vamos escravizar e pretexto de alcançar o desenvolvimento, desmatar à vontade, enforcar criminosos em praça pública... Se eles fizeram isso tudo, por que a gente não pode fazer também?

3 - Os ricos se deram conta que daquele jeito (modelo Sec XVI, XVIII...) não dá e investem cada vez mais em modos sustentáveis de fazer as coisas - não os Estados Unidos em geral, porque esses são, na maioria, de uma arrogância inigualável. Mas os europeus, por exemplo, investem em energias renováveis, carros menos poluentes, tecnologias avançadas. Nem por isso estão ficando menos ricos.

***
E o Brasil da economicamente viável e socioambientalmente responsável [NOT] Belo Monte (não aprovo o quebra-quebra não... :o( ), da ma-ra-vi-lho-sa transposição do São Francisco (barata, eficaz, bem-conduzida), da ex-ce-len-te política de mobilidade urbano ("compre já seu automóvel, pague se der!"), do reconhecimento do valor da floresta em pé (ô!), do rigor na aplicação da legislação ambiental (a-hã), da rede espetacular de Saneamento Básico (um orgulho!), do diesel limpo já a bastante tempo, do cerrado e mangues respeitados, da presidente que realmente se importa com o impacto ambiental de suas decisões, posa de LÍDER da sustentabilidade no mundo.

E nem fica vermelho.





terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Nós nos comprometemos a participar da próxima reunião


Seis razões p elas quais "desconfio" que os resultados da CoP17 não foram exatamente motivo de celebração:

(As informações foram tiradas do texto Durban traz avanços, mas não resolve ameaça ao clima , de Daniela Chiaretti. Repórter especial de meio ambiente do Valor Econômico, Daniela cobre temas ambientais desde a Rio-92 e acompanhou muito de perto várias CoPs. No site do Valor, só é possível ler o texto na íntegra após fazer um cadastro, mas o link acima tem o texto completo. Meus comentários, abaixo, estão em itálico).

"Os resultados da 17ª CoP das Nações Unidas não levam o mundo a um aumento da temperatura menor que 2 ºC, como a ciência considera prudente, mas a algo entre 3 ºC e 4 ºC, um horizonte de intensos desastres naturais". E isso lá é motivo para dizer que a Conferência foi um sucesso??? (1)
"Outro ponto fundamental foi concordar em negociar um novo marco legal - um outro protocolo que inclua todos os países, fique pronto em 2015 e entre em vigor, no máximo, em 2020". 2015, 2020?? ISSO é motivo p dizer que a CoP 17 foi um sucesso? (2)
"As novas metas de redução não foram definidas pelos europeus, que colocaram apenas promessas. A decisão virá em maio de 2012 e deve repetir sugestões antigas. A Europa deve cortar 20% de suas emissões em relação aos níveis de 1990". Em relação aos níveis de 1990?? ISSO é motivo p celebrar a CoP17? (3)
"A comissária europeia Connie Hedegaard repetia que sua proposta era continuar com Kyoto desde que os outros grandes emissores - China, EUA, Índia e Brasil, principalmente - "prometessem se comprometer", em Durban, com outro instrumento legalmente vinculante que fique pronto em 2015, para entrar em vigor em 2017 ou 2018. No final, a UE conseguiu o que pedia. Mas a data ficou em aberto (com prazo em 2020) e o formato jurídico, bastante vago". Data em aberto, formato jurídico vago. Um sucesso para se comemorar?? (4)
"O Fundo Climático, tão esperado pelos países mais pobres do mundo e pelas ilhas, será um canal de recursos para redução de (...) tem agora seu conselho estruturado, com 24 membros divididos entre países ricos e pobres, e fará as duas primeiras reuniões na Suíça e na Coreia do Sul. (...) Mas não tem dinheiro. Nos últimos dias, a Alemanha prometeu € 40 milhões (US$ 53,5 milhões) e a Dinamarca, €15 milhões (US$ 20 milhões). Mas estima-se que será preciso US$ 100 bilhões anuais, até 2020, para que enfrentar o problema. (...) Não há nenhuma perspectiva de dinheiro a longo prazo. "Este é o novo futuro possível", comemorava a ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, ao final das plenárias". Comemorava?? Sério mesmo? (5)
"Suzana Kahn Ribeiro, subsecretária de Economia Verde da Secretaria do Meio Ambiente do Rio de Janeiro (...), uma das cientistas brasileiras do IPCC, o braço científico das Nações Unidas,(...) é uma das coordenadoras do relatório "Bridging the Emissions Gap", do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (UNEP), estudo-referência para indicar o enorme espaço que existe entre o que os cientistas dizem que deve ser feito e o que as negociações internacionais conseguem fazer.
O estudo mostra que, para conter o aumento da temperatura em 2 ºC, as emissões, em 2020, teriam que ser de 44 gigatoneladas de CO2 equivalente por ano. Um estudo feito pela organização Climate Action Tracker (...) estima emissões de mais de 55 gigatoneladas de CO2 equivalente por ano em 2020. Isto significaria um aumento na temperatura de 3,5 ºC ou até de 4 ºC com grande impacto na Amazônia e nos recifes de corais, mais secas e enchentes em países africanos e do sudeste asiático, derretimentos de geleiras
"Não precisamos de mais relatórios e estudos", disse o economista Nicholas Stern, autor do célebre relatório que mostrou que, quanto mais se adiar a redução de emissões globais, mais caro será o processo de adaptação à mudança do clima". E a CoP17 foi um sucesso??? (6)
Ok, é melhor que os países (especialmente China e EUA) tenham saído da CoP dizendo: "Tá bom, vai, nós aceitamos fazer parte desse acordo aí" do que dizendo "me incluam fora dessa". Mas no final foi uma reunião pra marcar reunião... Como se a gente já não estivesse vivendo uma EMERGÊNCIA.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Belo Monte, Bela M.

Movimentos rechaçam licença parcial de Belo Monte concedida pelo Ibama
Karol Assunção - Jornalista da Adital


Movimentos e organizações que lutam contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), receberam, nesta semana, mais um golpe do Governo brasileiro. Na última quarta-feira (26), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu uma "Licença de Instalação Específica” que autoriza a construção de canteiros pioneiros e acampamentos da usina de Belo Monte.

A reação das organizações contrárias à usina não poderia ter sido outra: indignação. Antonia Melo, coordenadora do Movimento Xingu Vivo para Sempre, define a licença como "uma desgraça que o Governo assinou”. "A licença de instalação parcial é uma manobra do Governo para burlar a lei e avançar com as obras de construção”, afirma.

Uma nota emita pelo Ibama revela que a licença, além de permitir a construção dos canteiros pioneiros e acampamentos dos sítios Belo Monte e Pimental da usina de Belo Monte, autoriza ainda a empresa Norte Energia a "realizar outras atividades como implantar e melhorar as estradas de acesso e áreas para estoque de solo e madeira e realizar terraplanagem”. Outra ação permitida pela licença é a "supressão de vegetação de 238 hectares para a implantação do canteiro e acampamento do sítio Belo Monte”.

A indignação dos movimentos sociais não é exagero. A licença parcial concedida pelo Ibama não está formalmente prevista no licenciamento ambiental e, portanto, é considerada ilegal. Para a coordenadora do Movimento Xingu Vivo para Sempre, o documento é uma maneira de já começarem a construir a usina na ilegalidade. "Na verdade, eles já começam a construir a obra; iniciam a construção ilegalmente”, comenta.

O Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) também compartilha da opinião de que a autorização não respeita as leis brasileiras. Ontem (27), o órgão entrou com uma civil pública pedindo "a suspensão imediata” de tal licença. O MPF ainda pediu à Justiça Federal que suspenda a permissão de desmatamento concedida pelo Ibama e que impeça o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de "repassar qualquer tipo de recurso enquanto as ações civis públicas contra o empreendimento estejam tramitando, ou pelo menos enquanto as condicionantes não sejam cumpridas”.

Em nota, o MPF afirma que a licença "é totalmente ilegal porque não foram atendidas pré-condições estabelecidas pelo próprio Ibama para o licenciamento do projeto”. De acordo com o Ministério, até a última quarta-feira – data da emissão da licença -, pelo menos 29 condicionantes não tinham sido cumpridas.

Ações

Os movimentos sociais não ficaram calados diante da concessão da licença parcial. Ontem, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgou uma nota de repúdio à autorização. Mais de 60 organizações denunciam, também através de nota, os problemas que serão gerados por causa da construção de Belo Monte.

"Denunciamos a liberação de Belo Monte como um ato ditatorial da pior espécie. O Ibama afirma que se reuniu com ‘organizações da sociedade civil da região', mencionando nossos nomes. Nestas reuniões, deixamos claro o que pensamos da usina. Deixamos claro que não queremos seu lixo, seus tratores, sua poluição, sua violência, sua exploração, seu trabalho escravo, suas doenças, sua prostituição, suas poças de água podre e seu desmatamento nos nossos quintais (ou naquilo que nos restará de nossas terras e não nos for roubado pelo governo)”, apresentam.

De acordo com Antonia Melo, a ideia é que as ações cheguem a todos os lugares, principalmente às autoridades em Brasília. Segundo ela, no próximo dia 4, os movimentos sociais da Amazônia terão uma audiência com o ministro da Casa Civil para entregar documentos com as principais reivindicações.

Nos próximos dias, participarão de seminários e mobilizações para chamar atenção da sociedade para a questão de Belo Monte. "Queremos pedir que todos digam para o Governo brasileiro para parar com esse modelo de desenvolvimento”, solicita, chamando ainda a população a conhecer e a divulgar as consequências dos projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) voltados para a Amazônia. "Esses projetos trazem miséria, morte, todo tipo de violência e destruição”, afirma.

Além das notas, circulam na internet duas petições contra Belo Monte. Até agora, mais de 390 mil pessoas já firmaram os documentos. Para assinar, acesse:http://salsa.democracyinaction.org/o/2486/o/2486/l/por/p/dia/action/public/?action_KEY=4772 e https://secure.avaaz.org/po/pare_belo_monte/?vl
 
***
Assinei!
Comentei:
 
Se o Xingu fosse um país, ele estaria TODO mobilizado, pressionando o governo federal para interromper esse processo ABSURDO, eivado de irregularidades e desonestidade. Mas o Brasil é grande demais, e infelizmente muitos de nós estão distantes fisicamente e não se dão conta DO QUANTO essa questão é importante para TODOS NÓS. Infelizmente, também, o governo federal fica distante demais das capitais mais populosas, onde grandes manifestações acontecem o tempo todo, onde emissoras de rádio e TV transmitem em rede nacional até mesmo acontecimentos banais, como acidentes de trânsito sem maior gravidade a não ser provocar um congestionamento na via expressa... Que PENA que o Xingu não é a Paulista ou Copacaba, a Marginal Tietê ou a Avenida Brasil, para ocupar o noticiário diariamente e realmente provocar um turbilhão de revolta que detivesse esse projeto absurdo de Belo Monte, com sua enorme área alagada, a extinção da Volta Grande do Xingu, o custo astronômico e o resultado incerto

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

L9 - o Fenômeno

Impressionante o que carisma e currículo podem fazer - além de uma estratégia fenomenal de comunicação, oposição desmobilizada e imprensa com receio de ir contra a maré.

O presidente do Brasil foi escolhido "Homem do Ano" pelo Le Monde, que elogiou (reproduzo o que ouvi na TV, não li o original) o "crescimento econômico", o "combate à miséria" e "o desenvolvimento que privilegia o meio ambiente", entre outras coisas - mais ou menos na mesma linha da exaltação escrita por Zapatero dias atrás no El País.

Essa avaliação se baseia totalmente em impressões subjetivas. No "clima" que exala do governo brasileiro. Na propaganda oficial.

O Brasil vai bem? Muito bem? Sim, em prestígio internacional. Em estabilidade institucional e financeira. Assim como o Flamengo, temos a capacidade de transformar limão em limonada (ou caipirinha) como ninguém. Somos o país que inventou a feijoada, transformando os restos indesejados pelos brancos em um prato delicioso (embora não seja exatamente saudável). Não nos deixamos abalar facilmente por coisas como mega escândalos de corrupção; temos uma capacidade de assimilação impressionante. Outros países sobreviveram a várias guerras; nossa resiliência se manifesta na tolerância infinita a desvios de conduta (depois de alguns minutos de indignação seletiva e polarizada).

Mas o Brasil, meu deus, continua horrível. O que é que estamos comemorando, a empolgação de presidentes de outros países? O aplauso da mídia estrangeira? A consagração de nosso governante? Mas é isso mesmo que é o mais importante em um país?

É, o Brasil está na moda. Mais uma vez. Tivemos nosso grande momento nos anos 50 e 60 - Bossa Nova, Cinema Novo... Juscelino, Brasília, indústria automobilística, Copa do Mundo. Tudo muito bacana, charmoso, mas... Enquanto isso, estávamos construindo um país desigual, injusto, cruel.

Hoje reclamamos do passado como se ele tivesse sido uma imposição de deuses mitológicos, um acaso astrológico ou algo assim. "Não temos ferrovias! Destruímos nossos rios, desmatamos o litoral, nossas cidades não foram preparadas para o crescimento. Não tem redes adequadas ou suficientes de transporte sobre trilhos, não tem sistemas de drenagem, não tiveram planejamento. Nossa educação é deficiente, há milhões de analfabetos. O campo expulsa a população pobre para as cidades".

Verdade, e não foi só o Regime Militar o responsável por esses descompassos. Fizemos da fabricação de automóveis nosso maior orgulho, o passaporte para o primeiro mundo; das estradas de rodagem a coisa mais bonita do mundo. Destruímos serras, várzeas, florestas, mangues. E continuamos nesse passo, longe do desmame do transporte individual motorizado, talvez o mais forte símbolo de sucesso, expressão máxima do consumo como forma de realização pessoal - por extensão, nacional.

Continuamos nos gabando de nossa grandeza e invocando, quando conveniente, nossa condição de pobreza, fragilidade, o chavão consolidado: somos um país "em desenvolvimento". (Desde que eu estava no colégio, o governo - naquela época, o militar - rejeitava o rótulo de "subdesenvolvido". A nova tag acabou pegando). Seremos a 5a maior economia do mundo muito em breve! O petróleo nos transformará em superpotência! Emprestamos dinheiro ao FMI! Mas ainda falamos com desprezo dos "ricos"; os ricos que poluíram e aqueceram o mundo e agora vem encher o saco querendo preservar as florestas, melhorar o clima e blá-blá-blá. Deixem-nos crescer! Se precisarmos desmatar, poluir e aquecer, nós o faremos. No máximo, prometemos não aumentar tanto assim as agressões ao ambiente e pronto, esse é o nosso sacrifício. Em vez de diminuir as emissões de carbono, vá lá, vamos aumentar menos.

(É essa a grande proposta que o governo brasileiro levou à Cop-15... Que um comentarista na Globo News saudou como "audaciosa". Fantástico).

O Brasil continua muito miserável, desigual, cruel, injusto. O campo continua expulsando as pessoas - não porque o mundo mudou e a mecanização chegou a todas as lavouras, mas porque continua gerando muita riqueza para alguns e miséria para tantos outros. Os velhos e aparentemente eternos coronéis, as chamadas "elites" políticas e econômicas continuam mantendo seus currais eleitorais às custas da pobreza, da dependência, do papel de salvadores da pátria. Eles são os que intercedem junto ao poder central de modo a conseguir um auxílio, um socorro, uma esmola. Dirigidos, limitados, finitos, jamais transformadores e capazes de levar à independência, à autonomia.

O povo continua na merda (RT @opresidente). As cidades, incapazes de absorver dignamente os expulsos do campo, incham, se espraiam e deterioram. Aumenta a desigualdade, a violência. Não é a pobreza a causa da violência, é a falta de projeto, de uma perspectiva que não a aspiração do prazer imediato e do consumo. Pesquisas recentes traduziram em números o que mitos já observaram no contato direto e diário: a maioria das meninas se prostitui para conseguir bens como celulares. A maioria dos meninos entra para a indústria do crime para se fazer admirar pela "valentia"; para serem admirados pelas meninas que, imersas nesse mundo em que a "ascensão social" se dá pelo crime, adoram as armas ostentadas por eles.

O Brasil cresceu pouco - aliás, os números da economia no último trimestre foram comentados, muito discretamente, como sendo "decpecionantes" para o governo. E tudo bem. Parece até que vale mais a propaganda ufanista do que o fato em si - "Ah, não vamos abaixar o astral da população, o mundo inteiro aplaudindo o Brasil, o país do momento, e a gente vai contrariar a maioria agora?".

O Brasil cresceu pouco e redistribuiu muito mal. Tenho curiosidade em saber: quantas pessoas recebem o Bolsa Família há vários anos? O que seria delas AGORA se perdessem o benefício? Transferência de tenda é medida emergencial necessária, mas não pode ser mecanismo de eterna dependência. Além de reunir vários benefícios em um só, qual é, afinal, a grande diferença dessa Bolsa para a do governo Fernando Henrique, que criticamos tanto? O quanto melhorou a VIDA das pessoas - não apenas o COMSUMO? Ironizávamos as declarações do então presidente quando ele dizia que a população estava comprando mais dentaduras, frango e iogurte. Não era disso que falávamos quando exigíamos reformas, revoluções. Mas agora erguemos um brinde à venda de carros e geladeiras, como se a nação estivesse melhor por conta do carnê das Casas Bahia. Sim, as pessoas erguem suas casas com material de construção mais barato, compram eletrodomésticos de última geração - mas moram no Pantanal na Zona Leste de São Paulo, uma obra conjunta da qual as últimas quatro ou cinco administrações podem se orgulhar... E continuam se chacoalhando várias horas por dia na condução, jogando lixo em qualquer lugar à sua volta porque essa é a paisagem a que se acostumaram, e repetindo com os colegas os lugares-comuns sobre os políticos que não prestam.

Temos imagens horríveis para mostrar ao mundo, como sempre. Depois da exaltação internacional à India e à China, chegou a vez do Brasil mostrar suas belezas. Assim como India e China, nossa beleza ainda exclui milhões. Nosso sorriso continua banguela. Mas os miseráveis não aparecem tanto, exceto em casos de flagelos - ou nas manisfestações organizadas em cidades governadas pela oposição... Antes, a culpa pela miséria era do governo central. Agora, é dos tucanos, dos demos, de qualquer um, menos do presidente. O presidente combate a miséria e a fome. Se não dá certo, não é ele quem tem de responder por isso.

A história pessoal do presidente é belíssima. Mas o que já foi motivo de chacota indecente agora virou anteparo indevassável; criticar o presidente Lula é quase blasfêmia. E ele investe - inconscientemente, creio - na imagem do homem humilde de baixa escolaridade de modo a acentuar, artificialmente, essas características. O discurso de Lula deputado criticando o Bolsa Escola era muito mais elaborado do que a fala de hoje em dia, com mais expressões chulas e erros de concordância que ele antes não cometia...

Lula antes queria falar de igual para igual com os poderosos e precisava provar que era capaz. Hoje quer provar que é "do povo", e esculacha sua sintaxe para se fazer entender. Não precisa. Não devia. Sua coloquialidade é uma graça; a vulgaridade, um desperdício.

Lula consegue se manter com alta popularidade no sétimo ano de governo entoando um discurso de oposição. "Vamos tirar o povo da merda! Vamos mostras às elites quem é que manda". Mas Lula não é mais o sindicalista, o opositor eloquente, o intruso na festa dos bacanas, o delator dos 300 picaretas. Lula é o anfitrião. Lula é governo. Lula tem a caneta, a faixa presidencial, o poder. Mas os governistas se comportam como mártires da oposição, desqualificando toda crítica como invejosa, ressentida, golpista. Lula pode dizer o que quiser que passa como graça, e os grandes movimentos organizados de outrora - sindicatos, estudantes - quedam-se calados, talvez comentando entre eles que "nessa o presidente pisou na bola", mas jamais convocando manifestações, publicando charges, pichando muros. Resta a um ou outro opositor mainstream fazer um comentário crítico, destilar veneno irônico na televisão ou no jornal e aos pequenos movimentos radicais colar lambelambes de "Fora Sarney, Fora Todo Mundo".

Lula é um grande personagem. Mas o governo Lula é muito ruim, especialmente no balanço a longo prazo. Nos primeiros anos, ocupando o Executivo pela primeira vez, é de se esperar que haja dificuldades. Lidar com o Parlamento venal é sempre um problema, mesmo quando não há uma oposição aguerrida, quase encardida como a que fazia o PT. Mas já se passou tempo demais. E, nesse tempo, os oligarcas se acomodaram. As grandes reformas não saíram. Antigas posições foram abandonadas. O governo se deslumbrou com o aplauso das agências de risco, o deslumbramento de banqueiros, o luxo palaciano, a amizade dos poderosos. Agora não quer queimar o filme com os novos amigos, e se vê defendendo Renans e Sarneys, celebrando Collors e quetais.

Não é raro acontecer essa canonização de um personagem. Quando um Lech Walesa, Nelson Mandela (ou Obama...) chegam ao poder, é difícil criticá-los. Apontar seus erros pode parecer a condenação de toda a luta, de toda a trajetória, da esperança. E não faltará quem aja deliberadamente dessa maneira, pronto a apontar o primeiro deslize, a primeira tentativa frustrada, o primeiro inevitável problema para dizer "Estão vendo? É tudo uma farsa! São todos farinha do mesmo saco! Que saudade de seus antecessores!". E talvez essa reação intolerante, raivosa e injusta seja exatamente o fermento para que, junto com o belo passado, a popularidade de um político aumente sobremaneira. Lula e o PT foram escorraçados de maneira grotesca em vários momentos. Um psicanalista ganhou capa da Folha de São Paulo ao dizer que o acidente da TAM em Congonhas era obra do "governo assassino", uma aberração absoluta. Um canal de TV (se não me engano, a Record) fez um cliping que colava imagens da Marta Suplicy e sua declaração sobre "relaxar" em meio ao caos aéreo à explosão do avião. Uma denúncia de corrupção contra um vereador petista no interior de Minas Gerais gerava uma onda de comentários "e agora, o presidente vai dizer que não sabia de nada?". A governadora do Pará foi cobrada por não saber que um distrito policial a centenas de quilômetros da capital tinha uma menina de 15 anos presa junto com homens.

Lula foi vaiado na abertura do Panamericano, mistura de galhofa e grosseria na qual muitos acharam graça. Lula fez uma pergunta sincera, singela e espontânea ("afinal, o Ronaldo está gordo ou não está?") e de novo acharam graça na resposta deselegante de Ronaldo - que estava gordo.

E, como se gabavam alguns, Lula cresceu feito massa de pão (quanto mais apanha...). E hoje é isso, um presidente que é descrito segundo sua própria propaganda, independentemente de fatos que o desmintam. Não acabamos com a fome, longe disso. Não diminuímos significativamente a miséria, embora massas tenham adentrado o maravilhoso mundo do crediário. Temos uma rota levemente ascendente? Temos, até porque muitas coisas mudaram no mundo a ponto de se tornarem mesmo mais baratas e acessíveis - a tecnologia, por exemplo. A internet e os benditos celulares. As passagens de avião. Mas no máximo mantivemos uma tendência, quando precisávamos de um salto. Chacoalhar as estruturas, modificar a lógica, revolucionar. E isso não fizemos. Diminuiu um pouco a participação proporcional de São Paulo no PIB? Grande coisa, devia ter diminuído muito mais. Continuamos desiguais demais.

Será que é porque ainda estamos verdes, nossa recém-conquistada democracia é imatura? Quem sabe. Continuamos reféns de ídolos carismáticos, simpáticos, salvadores. Continuamos dividindo o mundo em bons e maus. Continuamos simplistas, imediatistas, superficiais. E não é só um problema de baixa escolaridade não - graduados e pós-graduados também produzem juízos de valor preconceituosos, auto-referentes, reproduzindo velhos conceitos cristalizados e jamais revistos. Na biblioteca comunitária do Jardim Fontales ou em uma turma da GV, o nível de conhecimento e informação sobre instituições políticas, por exemplo, é parecido. Ninguém sabe quem faz o que. Ninguém nunca teve a chance de aprender.

Não tenho esperança de que isso melhore a curto prazo. Os que estão dispostos ao debate são muito mais inclinados a simplesmente avacalhar o outro lado do que pensar que não existem só dois lados, duas cores, bons e maus, certos e errados. E há os que sequer estão interessados no debate - "quero saber do meu interesse". Mas se não acreditar que a médio prazo vamos ter mais gente inclinada ao pensamento mais complexo, o olhar generoso e multifacetado, a compreensão das coisas em todas as suas nuances, não sei o que vou fazer. Continuo trabalhando em política, buscando lugares de poder, lendo, escrevendo, debatendo ou vou logo para o Nepal meditar e catar lixo na rua, como oferenda de trabalho? Não sei. No fim de um ano dos infernos como este último não devo estar no melhor dos estados para decidir.