"A frente de partidos e entidades de esquerda que apoiou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última eleição presidencial passou a admitir a posição do PDT de pedir a renúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso. A esquerda também decidiu cacifar o slogan "Fora FHC".
As decisões foram tomadas em reunião ontem, em São Paulo. Até agora, prevalecia na frente a posição do PT de só tentar uma campanha pelo impeachment de FHC, por causa principalmente da denúncia de envolvimento do presidente no leilão das teles.
"Vamos engrossar o movimento pelo impeachment, mas apoiamos também movimentos alternativos como a tese do PDT de pedir a renúncia do presidente", disse Tarso Genro, coordenador da frente"
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc29069905.htm
"...But when you talk about destruction/Don't you know that you can count me out"
Mostrando postagens com marcador oposição. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador oposição. Mostrar todas as postagens
domingo, 16 de agosto de 2015
ImpeachOQUE?
Quem tem a minha idade – 47 – já ouviu essa palavra antes. Mas no começo da década de 90 era novidade, a gente não sabia bem como falar, muito menos escrever. Dava a entender que tinha a ver com piche, pichação... Eu lembrava das histórias de gibi em que jogavam piche e penas em algum malfeitor como castigo. Mas quando explicavam que “impeachment” quer dizer “impedimento”, já ficava mais fácil de entender.
Na época, tínhamos acabadado de eleger um presidente por voto direto pela primeira vez depois de muito tempo. Para minha geração, era inédito. Quando nasci já estávamos na ditadura militar, e ficávamos assistindo à troca de presidentes sem poder fazer muita coisa. O governo fazia um anúncio na TV - algo do tipo “saiu o nome do novo presidente, é o General Fulano de Tal”.
Depois de muita luta, reconquistamos o direito de escolher o presidente, e o primeiro vitorioso nas urnas foi Fernando Collor de Mello. O povo adorou o discurso dele de “Caçador de Marajás” - esse era o nome dado aos funcionários públicos que ganhavam salários altíssimos e trabalhavam muito pouco ou nada. Dizia que tinha acabado com esses privilégios quando era governador de Alagoas. Se hoje, com internet e tudo, ainda é possível enganar as pessoas que estão perto ou longe, quanto mais naquela época...
Em 1992, o irmão de Collor deu uma entrevista acusando o tesoureiro da campanha presidencial, o empresário PC Farias, de articular um esquema de corrupção dentro do governo. Era propina pra cá, dinheiro desviado pra lá... Aos poucos foram aparecendo outras denúncias confirmando e dando detalhes do esquema.
Em um domingo de sol, fui para a frente do Teatro Municipal vestida de preto com meus amigos da faculdade e minhas filhas pequenas para pedir "Fora Collor". Algum tempo depois, uma equipe da MTV, onde eu trabalhava, saiu para fazer a cobertura da grande manifestação de estudantes na Avenida Paulista com a mesma motivação. Eu me lembro da discussão na redação - não era uma emissora jornalística, mas não podíamos deixar de registrar!
Agora as ruas estão sendo tomadas novamente por apelos de "Fora presidente" (Dilma, claro) e no dia 16 de agosto vai haver manifestações no Brasil inteiro. Eu vou. Tem sempre uns doidos, extremados ou "apenas" equivocados, a fim de violência, golpe militar, derrubada na marra. Eu não. Só quero que o Brasil acerte seu rumo outra vez.
Soninha Francine ainda não decidiu se vai de branco, verde-amarelo, vermelho...
Na época, tínhamos acabadado de eleger um presidente por voto direto pela primeira vez depois de muito tempo. Para minha geração, era inédito. Quando nasci já estávamos na ditadura militar, e ficávamos assistindo à troca de presidentes sem poder fazer muita coisa. O governo fazia um anúncio na TV - algo do tipo “saiu o nome do novo presidente, é o General Fulano de Tal”.
Depois de muita luta, reconquistamos o direito de escolher o presidente, e o primeiro vitorioso nas urnas foi Fernando Collor de Mello. O povo adorou o discurso dele de “Caçador de Marajás” - esse era o nome dado aos funcionários públicos que ganhavam salários altíssimos e trabalhavam muito pouco ou nada. Dizia que tinha acabado com esses privilégios quando era governador de Alagoas. Se hoje, com internet e tudo, ainda é possível enganar as pessoas que estão perto ou longe, quanto mais naquela época...
Em 1992, o irmão de Collor deu uma entrevista acusando o tesoureiro da campanha presidencial, o empresário PC Farias, de articular um esquema de corrupção dentro do governo. Era propina pra cá, dinheiro desviado pra lá... Aos poucos foram aparecendo outras denúncias confirmando e dando detalhes do esquema.
Em um domingo de sol, fui para a frente do Teatro Municipal vestida de preto com meus amigos da faculdade e minhas filhas pequenas para pedir "Fora Collor". Algum tempo depois, uma equipe da MTV, onde eu trabalhava, saiu para fazer a cobertura da grande manifestação de estudantes na Avenida Paulista com a mesma motivação. Eu me lembro da discussão na redação - não era uma emissora jornalística, mas não podíamos deixar de registrar!
Agora as ruas estão sendo tomadas novamente por apelos de "Fora presidente" (Dilma, claro) e no dia 16 de agosto vai haver manifestações no Brasil inteiro. Eu vou. Tem sempre uns doidos, extremados ou "apenas" equivocados, a fim de violência, golpe militar, derrubada na marra. Eu não. Só quero que o Brasil acerte seu rumo outra vez.
Soninha Francine ainda não decidiu se vai de branco, verde-amarelo, vermelho...
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
"E Marina, Soninha?"
"Eu votei em você pra presidente!" (Juro que já ouvi isso...)
"Sou seu eleitor, sempre votei no Partido Verde" (...mais de uma vez)
***
Temos nossas semelhanças, claro. Somos "verdes", ambientalistas, ecochatos (eu sou sensata, mas chata)
Fomos PT. Em proporções mastodonticamente distintas, éramos chatos dentro do PT. Vê lá se a Dilma, a poderosa mãe do PAC, curtia Marina no Ministério do Meio Ambiente?
Acionei a Comissão de Ética do PT quando o Zeca do PT esculachou Marina por não autorizar mais devastação no Pantanal ("Ela não tem nada que se meter aqui", foram mais ou menos as palavras finas da autoridade)
Marina saiu do governo (Bravo!) e do PT. Queria ser candidata a presidente. Que audácia! Tarso Genro - poxa, meu companheiro de inconformismo dentro do PT, um dos principais signatários/autores da tese que admitia erros e propunha a "refundação" do partido. - cravou: "Está a serviço da direita reacionária".
Porque agora, graficamente, a divisão do mundo segundo o PT é assim:
___________________ ______________
Esquerda Revolucionária Direita Reacionária
Então eu e Marina e mais alguns aí, ao sairmos do PT (o que é ruim) e disputarmos eleições ou apoiei candidatos contra o PT (o que é abominável) nos tornamos neodireita.
***
Então além de confundirem uma ecochata com a outra, as pessoas identificavam semelhanças e muitos perguntaram: "Vai pra Rede?"
"Não! 1) Gosto do meu partido. 2) Temos afinidades e certamente seremos aliados em muitos cenários, mas também temos diferenças importantes" que não são, como pareceria à primeira vista, as relativas às partes "de comportamento", como aborto - eu respeito divergências verdadeiras(o que foi podre em Dilma foi ela stanilisticamente querer se apagar do fato em que aparecia defendendo a legalização...se AO MENOS dissesse, pressionada por aliados, dirigida por marqueteiros e ávida pelo eleitorado "conservador", "eu mudei de opinião", OK. Seria mentira, mas...impossível de comprovar. Mas a mentira descarada, 'nunca fui!", revela a extensão do "faço tudo para ser presidenta".
A minha grande divergência com a Marina é: ela não faz oposição ao PT. E eu ser de um partido da oposição. NÃO a oposição "contra tudo que for do governo", NÃO a oposição 'que se dane se é inviável, tarifa zero pra todo mundo". Oposição porque desaprova muito mais do que aprova no governo e que tem a garra, a ousadia, a teimosia de criticar, apontar os defeitos e as mentiras.
"Ah, mas Dilma tem 80% de aprovação!". OK, somos dos 20% que desaprovam. Que consideram medíocres, ineficientes, frágeis, falaciosos os resultados,das políticas sociais. Que não se conformam com as megaobras caríssimas, discutibilíssimas, mal-feitíssimas (transposição do S.Francisco, Belo Monte, TAV). Que reprovam a ênfase no consumo como forma de ascensão social (enquanto a Educação...). Que acha ridículo não termos estradas e portos decentes até hoje! (que dirá ferrovias, hidrovias...). Que lamenta as boas safras desperdiçadas, as culturas perdidas. A importação da gasolina e as dificuldades dos produtores de etanol. A disseminação do crack e o aumento da violência urbana e no campo. A falta de SANEAMENTO BÁSICO. A ineficiência do governo, da máquina. A carga tributária horrorosa, a burocracia e corrupção. As medidas demagógicas, as mentiras ("vamos investir bilhões em um programa com nome bonito e resolve um problema para sempre em dois anos"). A fixação em diminuir tudo o que vem antes, como se tivesse recebido o Brasil no estado em que se encontrava 100 anos atrás. "A maioria aprova". Ok, e 30 milhões telefonam para participar do Paredão do BBB. Eu - e uma porra de gente - não.
***
Se Marina tivesse vindo para o PPS, eu teria perdido casa, carro e a roupa do corpo - tudo que apostei em sua não-vinda.
Marina confronta menos o PT agora do que fazia qdo era do partido. Talvez porque não queira aparecer (inclusive para si mesma) ressentida. Porque não queira ferir o afeto e ao apreço que alguns petistas tem por ela. Porque não quer romper com Lula com quem tem laços tão fortes. E certamente porque preza e quer preservar a posição de equidistância, de "neutralidade". A 3ª via, como se fosse possível e preferível, traçar uma bissetriz, perfeitamente reta, que nunca se aproxima de um lado mais do que outro, estático, "só critico um lado se criticar o outro também", como se precisasse equilibrar uma equação colocando denominador idêntico dos dois lados. "Os terroristas derrubaram o WTC, mas poxa vida, os americanos também barbarizam". COMPREENDER dois ou mais lados é uma coisa. Justificar e compensar uma coisa com a outra, não.
Mas Marina não veio, e não fiquei surpresa por 0,001 seg.
***
Mas ela não foi para "lugar nenhum", ficar em estado político de suspensão como achei que faria. Assumiu uma posição sim. Entrou no partido do mais assumido candidato á presidência (Aécio precisa fazer um pouco o personagem "o partido é quem decide). A ponto de ter saído do governo e aí está algo que não posso deixar de admirar.
Imagino as vantagens fantásticas para ficar depois de ter ameaçado sair...mas largar Dilma e o PT, quem diria.
Uns o chamarão de "traidor' depois de tudo ($$$) que Lula fez por Pernambuco...outros, como os irmãos Gomes, de canalha, aproveitador, a serviço da "direita", sempre. De oportunista.
Se incomoda tanto assim a base do governo...Opa, #significa
***
Qualquer um que lute para ser presidente do Brasil e não for Lula será obcecado, oportunista, "atropelador", vaidoso etc.
Eduardo quer disputar a presidência? Tem todo o direito.
Tem credenciais? Bem, AO MENOS já foi chefe-de-executivo. Experiência que teria feito bem a Lula, Dilma e Haddad (no caso de Lula, especialmente, porque teríamos conhecido antes o resultado de uma vida inteira de discurso de oposição quando empossado e imbuído de da responsabilidade de governar )
Onde mais assinalei ponto positivo p/ o Campos?
- qdo, em plena campanha de 2010, disse em entrevista que a gritaria do PT contra as OS era ideologismo sem compromisso real com o interesse público, ou preocupação verdadeira com a qualidade do serviço público. Caramba, aleluia!
- Quando não aceitou o caudilhismo de Lula querendo impor um candidato abençoado por ele, à prefeitura de Recife - como fez em São Paulo, como fez com Roseana Sarney no Maranhão em 2010. Peitou e ganhou.
Então o rapaz, em sua ambição, tem ousadia e muitas (isso?) qualidades. Tá cheio de ambicioso que não tem (?? - e o PSB) e enfiaram a viola no saco e não disputaram a última eleição para presidente...)
Marina não apoiou ninguém no segundo turno em 2010, mas sinalizou 'inclinação" por Dilma (que teria melhores propostas na área de sustentabilidade). na Rio +20, discursou na Cúpula dos Povos dizendo que o papel da sociedade civil não era de confrontar o governo, mas sim 'oferecer apoio" para a agenda sustentável de modo a aumentar a força política etc.
Marina condenou toda a "velha ordem" e relutou em querer reunir seus apoiadores em um partido. A "Nova Política". Eu detesto o que é ruim, não o que é velho...e todo mundo se diz "novo", é um rótulo! Um slogan! A política tem de ser nobre, digna, honesta. Nem tudo precisa ser "novo", tinindo, zero-bala. Precisa ser verdadeiro, não "novidade".
Eu amo a política, odeio a política. Adoro estar na política, fazer política, viver em política - e isso se faz em um partido. Uma reunião de pessoas em uma instituição, caramba, com estatuto, regras, afinidades, ideais e divergências. Com defeitos, ÓBVIO, a começar pelo formato, pelas condições de existência e possibilidades de sobrevivência. "Sem partido"?! Qual alternativa então, plebiscitar tudo e que vença a maioria, pronto?
***
Marina não viria para o PPS a menos que quisesse muito muito muito ser candidata à presidência e não vislumbrasse nenhuma outra possibilidade.
Mas vivia com receios, restrições...Para ser "avulsa"..."independente"...como se isso fosse sinônimo de equilíbrio perfeito
***
SE Eduardo e Marina juntos representam a aglutinação de forças da oposição ao PT, que não querer que o PT tenha um quarto mandato sucessivo por todos os defeitos e deficiências graves das gestões do PT, ÓTIMO. De alguma forma, a alguma altura, estaremos juntos.
SE forem [mais uma] "terceira via" , nem lá nem cá, "eles são todos iguais", se não for um de nós "tanto faz"...aí não me anima.
"Ah, mas o PSDB tb é uma merda". Mas eu posso - ou não posso? - achar que o PT faz pior. Porque coisas que eu ABOMINAVA no governo Fernando Henrique, o PT fez PIOR. Outras, fez IGUAL, igualmente mal. E outras coisas que a gente enquadrava na categoria "Vade Retro", vejo hoje, não eram diabólicas. Algumas o LulaDilma adotou, mas finge que nunca condenou (concessão de aeroportos, por exemplo). Outras, age como se tivesse inventado, como a concessão de Bolsas para incrementar a renda familiar.
E já foram (quase) DOZE ANOS de governo do PT. E não, nós não encontramos o país pior do que os tucanos encontraram, mesmo com as cagadas da reeleição e segundo mandato do Fernando Henrique.
Que Eduardo e Marina engrossem o caldo de oposição ao atual governo, é minha aspiração. Que não constituam, como temem muitos com razões, um "Plano B" dos governistas. Ou uma oposição "light". Eduardo, honesto e preposto é uma coisa, "Bonzinho" é outra.
E o PPS? Ainda não sabemos. Este é um partido que quebra o pau. Que A CADA cenário toma uma decisão - disputada, sofrida. Que já foi FH e já foi Lula. Já foi Itamar. Já foi União Soviética e deixou de ser faz tempo.
Não é o PMDB, que tanto pode estar no governo ou do outro lado, "vai dependê". Vai dependê dos cargos, das promessas, da probabilidade de vitória.
Com Dilma não vamos. Com quem vamos - um de nós (candidatura própria) ou um dos outros candidatos da oposição é que não sabemos.
"Sou seu eleitor, sempre votei no Partido Verde" (...mais de uma vez)
***
Temos nossas semelhanças, claro. Somos "verdes", ambientalistas, ecochatos (eu sou sensata, mas chata)
Fomos PT. Em proporções mastodonticamente distintas, éramos chatos dentro do PT. Vê lá se a Dilma, a poderosa mãe do PAC, curtia Marina no Ministério do Meio Ambiente?
Acionei a Comissão de Ética do PT quando o Zeca do PT esculachou Marina por não autorizar mais devastação no Pantanal ("Ela não tem nada que se meter aqui", foram mais ou menos as palavras finas da autoridade)
Marina saiu do governo (Bravo!) e do PT. Queria ser candidata a presidente. Que audácia! Tarso Genro - poxa, meu companheiro de inconformismo dentro do PT, um dos principais signatários/autores da tese que admitia erros e propunha a "refundação" do partido. - cravou: "Está a serviço da direita reacionária".
Porque agora, graficamente, a divisão do mundo segundo o PT é assim:
PT, PMDB, PP, PTB,
PRB, PCdoB, PSD,
PSB, PSC
|
PPS
PSDB
DEM
|
PSOL
(é oposição mas tudo bem, é contra todo
mundo e, na hora do par-ou-ímpar, ou anula ou vai com o PT)
|
Esquerda Revolucionária Direita Reacionária
Então eu e Marina e mais alguns aí, ao sairmos do PT (o que é ruim) e disputarmos eleições ou apoiei candidatos contra o PT (o que é abominável) nos tornamos neodireita.
***
Então além de confundirem uma ecochata com a outra, as pessoas identificavam semelhanças e muitos perguntaram: "Vai pra Rede?"
"Não! 1) Gosto do meu partido. 2) Temos afinidades e certamente seremos aliados em muitos cenários, mas também temos diferenças importantes" que não são, como pareceria à primeira vista, as relativas às partes "de comportamento", como aborto - eu respeito divergências verdadeiras(o que foi podre em Dilma foi ela stanilisticamente querer se apagar do fato em que aparecia defendendo a legalização...se AO MENOS dissesse, pressionada por aliados, dirigida por marqueteiros e ávida pelo eleitorado "conservador", "eu mudei de opinião", OK. Seria mentira, mas...impossível de comprovar. Mas a mentira descarada, 'nunca fui!", revela a extensão do "faço tudo para ser presidenta".
A minha grande divergência com a Marina é: ela não faz oposição ao PT. E eu ser de um partido da oposição. NÃO a oposição "contra tudo que for do governo", NÃO a oposição 'que se dane se é inviável, tarifa zero pra todo mundo". Oposição porque desaprova muito mais do que aprova no governo e que tem a garra, a ousadia, a teimosia de criticar, apontar os defeitos e as mentiras.
"Ah, mas Dilma tem 80% de aprovação!". OK, somos dos 20% que desaprovam. Que consideram medíocres, ineficientes, frágeis, falaciosos os resultados,das políticas sociais. Que não se conformam com as megaobras caríssimas, discutibilíssimas, mal-feitíssimas (transposição do S.Francisco, Belo Monte, TAV). Que reprovam a ênfase no consumo como forma de ascensão social (enquanto a Educação...). Que acha ridículo não termos estradas e portos decentes até hoje! (que dirá ferrovias, hidrovias...). Que lamenta as boas safras desperdiçadas, as culturas perdidas. A importação da gasolina e as dificuldades dos produtores de etanol. A disseminação do crack e o aumento da violência urbana e no campo. A falta de SANEAMENTO BÁSICO. A ineficiência do governo, da máquina. A carga tributária horrorosa, a burocracia e corrupção. As medidas demagógicas, as mentiras ("vamos investir bilhões em um programa com nome bonito e resolve um problema para sempre em dois anos"). A fixação em diminuir tudo o que vem antes, como se tivesse recebido o Brasil no estado em que se encontrava 100 anos atrás. "A maioria aprova". Ok, e 30 milhões telefonam para participar do Paredão do BBB. Eu - e uma porra de gente - não.
***
Se Marina tivesse vindo para o PPS, eu teria perdido casa, carro e a roupa do corpo - tudo que apostei em sua não-vinda.
Marina confronta menos o PT agora do que fazia qdo era do partido. Talvez porque não queira aparecer (inclusive para si mesma) ressentida. Porque não queira ferir o afeto e ao apreço que alguns petistas tem por ela. Porque não quer romper com Lula com quem tem laços tão fortes. E certamente porque preza e quer preservar a posição de equidistância, de "neutralidade". A 3ª via, como se fosse possível e preferível, traçar uma bissetriz, perfeitamente reta, que nunca se aproxima de um lado mais do que outro, estático, "só critico um lado se criticar o outro também", como se precisasse equilibrar uma equação colocando denominador idêntico dos dois lados. "Os terroristas derrubaram o WTC, mas poxa vida, os americanos também barbarizam". COMPREENDER dois ou mais lados é uma coisa. Justificar e compensar uma coisa com a outra, não.
Mas Marina não veio, e não fiquei surpresa por 0,001 seg.
***
Mas ela não foi para "lugar nenhum", ficar em estado político de suspensão como achei que faria. Assumiu uma posição sim. Entrou no partido do mais assumido candidato á presidência (Aécio precisa fazer um pouco o personagem "o partido é quem decide). A ponto de ter saído do governo e aí está algo que não posso deixar de admirar.
Imagino as vantagens fantásticas para ficar depois de ter ameaçado sair...mas largar Dilma e o PT, quem diria.
Uns o chamarão de "traidor' depois de tudo ($$$) que Lula fez por Pernambuco...outros, como os irmãos Gomes, de canalha, aproveitador, a serviço da "direita", sempre. De oportunista.
Se incomoda tanto assim a base do governo...Opa, #significa
***
Qualquer um que lute para ser presidente do Brasil e não for Lula será obcecado, oportunista, "atropelador", vaidoso etc.
Eduardo quer disputar a presidência? Tem todo o direito.
Tem credenciais? Bem, AO MENOS já foi chefe-de-executivo. Experiência que teria feito bem a Lula, Dilma e Haddad (no caso de Lula, especialmente, porque teríamos conhecido antes o resultado de uma vida inteira de discurso de oposição quando empossado e imbuído de da responsabilidade de governar )
Onde mais assinalei ponto positivo p/ o Campos?
- qdo, em plena campanha de 2010, disse em entrevista que a gritaria do PT contra as OS era ideologismo sem compromisso real com o interesse público, ou preocupação verdadeira com a qualidade do serviço público. Caramba, aleluia!
- Quando não aceitou o caudilhismo de Lula querendo impor um candidato abençoado por ele, à prefeitura de Recife - como fez em São Paulo, como fez com Roseana Sarney no Maranhão em 2010. Peitou e ganhou.
Então o rapaz, em sua ambição, tem ousadia e muitas (isso?) qualidades. Tá cheio de ambicioso que não tem (?? - e o PSB) e enfiaram a viola no saco e não disputaram a última eleição para presidente...)
Marina não apoiou ninguém no segundo turno em 2010, mas sinalizou 'inclinação" por Dilma (que teria melhores propostas na área de sustentabilidade). na Rio +20, discursou na Cúpula dos Povos dizendo que o papel da sociedade civil não era de confrontar o governo, mas sim 'oferecer apoio" para a agenda sustentável de modo a aumentar a força política etc.
Marina condenou toda a "velha ordem" e relutou em querer reunir seus apoiadores em um partido. A "Nova Política". Eu detesto o que é ruim, não o que é velho...e todo mundo se diz "novo", é um rótulo! Um slogan! A política tem de ser nobre, digna, honesta. Nem tudo precisa ser "novo", tinindo, zero-bala. Precisa ser verdadeiro, não "novidade".
Eu amo a política, odeio a política. Adoro estar na política, fazer política, viver em política - e isso se faz em um partido. Uma reunião de pessoas em uma instituição, caramba, com estatuto, regras, afinidades, ideais e divergências. Com defeitos, ÓBVIO, a começar pelo formato, pelas condições de existência e possibilidades de sobrevivência. "Sem partido"?! Qual alternativa então, plebiscitar tudo e que vença a maioria, pronto?
***
Marina não viria para o PPS a menos que quisesse muito muito muito ser candidata à presidência e não vislumbrasse nenhuma outra possibilidade.
Mas vivia com receios, restrições...Para ser "avulsa"..."independente"...como se isso fosse sinônimo de equilíbrio perfeito
***
SE Eduardo e Marina juntos representam a aglutinação de forças da oposição ao PT, que não querer que o PT tenha um quarto mandato sucessivo por todos os defeitos e deficiências graves das gestões do PT, ÓTIMO. De alguma forma, a alguma altura, estaremos juntos.
SE forem [mais uma] "terceira via" , nem lá nem cá, "eles são todos iguais", se não for um de nós "tanto faz"...aí não me anima.
"Ah, mas o PSDB tb é uma merda". Mas eu posso - ou não posso? - achar que o PT faz pior. Porque coisas que eu ABOMINAVA no governo Fernando Henrique, o PT fez PIOR. Outras, fez IGUAL, igualmente mal. E outras coisas que a gente enquadrava na categoria "Vade Retro", vejo hoje, não eram diabólicas. Algumas o LulaDilma adotou, mas finge que nunca condenou (concessão de aeroportos, por exemplo). Outras, age como se tivesse inventado, como a concessão de Bolsas para incrementar a renda familiar.
E já foram (quase) DOZE ANOS de governo do PT. E não, nós não encontramos o país pior do que os tucanos encontraram, mesmo com as cagadas da reeleição e segundo mandato do Fernando Henrique.
Que Eduardo e Marina engrossem o caldo de oposição ao atual governo, é minha aspiração. Que não constituam, como temem muitos com razões, um "Plano B" dos governistas. Ou uma oposição "light". Eduardo, honesto e preposto é uma coisa, "Bonzinho" é outra.
E o PPS? Ainda não sabemos. Este é um partido que quebra o pau. Que A CADA cenário toma uma decisão - disputada, sofrida. Que já foi FH e já foi Lula. Já foi Itamar. Já foi União Soviética e deixou de ser faz tempo.
Não é o PMDB, que tanto pode estar no governo ou do outro lado, "vai dependê". Vai dependê dos cargos, das promessas, da probabilidade de vitória.
Com Dilma não vamos. Com quem vamos - um de nós (candidatura própria) ou um dos outros candidatos da oposição é que não sabemos.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Cinquenta tons de cinza
"Vai de metrô até o Brás, pega o trem sentido Estudantes e desce em Ferraz. Até a escola dá 1km e pouco, uns 20 minutos de caminhada".
Trem sentido Estudantes = igual a embarcar no de Guianases, baldear e pegar o que vai pra Estudantes. Mas isso só se desobre perguntando, porque a sinalização da CPTM no Brás continua ruim :o/
***
Íamos andando até a escola (eu e um amigo fotógrafo), mas estávamos de pé há horas com sacolas pesadas, então resolvemos pegar um táxi. Que não reconheceu a rua pelo nome, mas quando a gente disse que era "no São João, uma escola de estado", ele nem perguntou mais nada, "sei".
Tomara soubesse mesmo. Até porque, se dependesse de mim para informar o nome da escola, esquece.
***
"Não tô sequestrando vocês não", brincou, enquanto se enfiava em uma quebrada escura, pouco habitada, mato alto. Mas ali, no meio do mato, no alto do morro, estava a escola. Uma senhora muito expansiva e sorridente, com jeitão de gente finíssima (e no fim era mesmo) gritou para dentro do carro "é aqui mesmo".
Desci; ela ralhava em tom de gozação com um rapaz alto, com ar malandro mas mais atrapalhado que agressivo: "Jogou o cigarro no chão, Gabriel? Pô, Gabriel". Depois descobri que ela é a diretora.
***
Escola de estado tem tudo aquela mesma cara... A cor das paredes, o piso, as dimensões do pátio, as escadas. Mas essa é bem ajeitadinha. Limpa (diz que depois da saída do turno está suja de novo, mas é assim também na PUC...). Portas, janelas, latas de lixo, sala dos professores, murais... Tudo bem cuidado.
Gostei da diretora, dos professores, dos funcionários. Simpáticos, animados, "descolados". E compreensivos. O portão não fecha rigorosamente às 19h00, porque eles sabem que é difícil chegar ali, principalmente para quem trabalha.
Mesmo assim... Depois de fechados os portões, muitos alunos pulam o muro... pra sair. E é alto.
***
A quebrada é feia mesmo. A escola tem um acordo com os bandidos: "da esquina pra lá", eles fazem "o deles". "Da esquina pra cá", não. É espaço da escola.
Eles respeitam.
Mesmo assim, na saída do "merendeiro" (geralmente é mulher, né?) na segunda à noite, mal ele botou o nariz pra fora do portão, encostaram dois garotos armados e levaram a moto. A polícia apareceu rápido e recuperou. O mais triste: "Eram ex-alunos. Com certeza tinham comido do que ele preparou. O que dá nessses moleques?". E fica a dúvida de por que eles não respeitaram o acordo e se serão punidos pelo tráfico.
***
A Secretaria de Cultura está organizando um festival com eliminatórias e tudo entre as escolas da cidade. Os alunos estão exultantes. A diretora, compreensiva mais uma vez, autorizou os meninos a sair de alguma aula, se o professor permitir, para ensaiar. "Não tem a menor chance de eles conseguirem se encontrar fora daqui".
Eu lembro quando a gente era liberada, no Colégio, para ensaiar, treinar, passar nas classes dando recado... Ô delícia.
***
O prefeito foi lá e falou sobre o estado lastimável em que encontrou a cidade. MUITA conta sem pagar, muita corrupção, prefeitura destruída. Foi lá o "dedo de silicone", lembra? Pois é, dá pra dar uma ideia... A diretora não se surpreendeu nem um pouco. Moradora antiga da cidade, filha do primeiro prefeito que Ferraz teve (foi emancipada não faz muito tempo), comentou enquanto tomávamos suco depois da minha palestra: "A gente sempre dizia "coitado do prefeito que entrar agora"."
***
"O Laudo Natal era o governador. Ele asfaltou muitas ruas e mandava os paralelepípedos pra cá. Foi assim que foi feito o primeiro calçamento aqui, quando meu pai era prefeito".
Não acreditei! Quando fazem capeamento e recapeamento jogando asfalto por cima dos paralelepípedos - isto é, SEMPRE - fico indignada. Que desperdício!! Uma vez, quando era Subprefeita, perguntei se não tinha jeito de primeiro retirá-los, depois fazer o contrapiso e finalmente a "cobertura asfáltica". Riram da minha cara.
***
Contei para o Sergio Avelleda, ex-presidente da CPTM, que fui falando bem do trabalho dele no caminho. Em pouco tempo (uma gestão), aquela linha que corta a ZL melhorou muito. Era horrível. O Portela (ex-Secretário de Negócios Metropolitanos) falou no dia em que foi empossado: "Linha F é nossa prioridade. Mandei todo mundo que vai trabalhar comigo dar uma volta nela pra ver como ela está horrível). Chamei a atenção do meu amigo fotógrafo, carioca que mora há 15 anos em São Paulo, para os trens novos, os reformados, as estações idem... Os bicicletários, os muros derrubados... Falei que o presidente pegava o trem regularmente e que isso faz muita diferença...
Pensa que o Avelleda ficou envaidecido com os elogios? Como bom fanático pelo que faz, inevitalmente frustrado, respondeu um pouco trsite: "Putz, aquela estação de Ferraz já era pra estar pronta".
***
Enquanto estávamos na sala dos professores, um menino entrou procurando revistas para fazer uma atividade em sala de aula. Não tinha nenhuma.
Eu guardo tanta, mas tanta revista para alguém usar em sala de aula... Minha mãe sempre fazia isso; sempre tinha que recortar umas fotos, colar no caderno, fazer um cartaz... Com "cartolina branca, cola branca lavável, canetinha hidrocor". Já não tenho criança em casa, vou ver se mando umas pilhas pra lá.
***
A sala estava cheia de cartazes da Apeoesp, convocando para a manifestação de hoje na Paulista, xingando o governo de tudo quanto é nome. Sem que eu perguntasse, a diretora disse "eles vieram aí, pediram para colocar, claro que eu deixo". A professora que era minha anfitriã, que foi quem inventou de me levar lá, disse "Tem coisa que eles tem razão. Eu sou classe O. Tinha cinco quinquenios pra receber. Veio o senhor Serra e o senhor Paulo Renato e cortaram tudo. Não respeitaram direito adquirido! Eu encontrei o Serra uma vez em um evento quando ele ainda ia ser candidato a deputado. Ele me deu um quadro do Chaplin. Fiquei com tanta raiva dele que taquei fogo no quadro. E eu amo o Chaplin".
Ele tem um "certo" talento para exagerar na dose da austeridade... É f. Corta privilégios, bota ordem em algumas zonas mas no caminho atropela um monte de gente boa :o/
***
Perguntei para os meninos do Ensino Médio no auditório improvisado (eles desceram com as cadeiras da sala de aula) quantos já sabiam o que queriam fazer depois da faculdade. Uns 80% levantaram a mão. Fui tentando adivinhar os cursos: Direito, Medicina, Nutrição, Psicologia, Engenharia, Rádio e TV, Gastronomia... Tinha mão levantada para todos eles.
***
No caminho da Câmara para o Metrô (fui pra Ferraz depois da reunião da CCJ na quarta-feira), encontrei um líder muito bacana lá de São Miguel. Ele foi o responsável pela reforma (ressurreição...) do Mercado de lá, que estava um lixo. "Sabe quando você faz uma licitação? As pessoas se inscrevem, né? Lá não. A gente pra licitar os boxes tinha de ir atrás laçando interessado. Nem meu irmão quis entrar. Hoje, vai ver quanto vale um ponto daquele. Agora meu irmão brinca que ele devia ter entrado. Olha, ainda bem que não entrou, senão já iam falar que tinha coisa". Gente boa demais, verdadeiramente preocupado com o seu pedaço de mundo. "Vão inaugurar a estação nova em um lugar muito bom. Mas o comércio que ficava no caminho da estação velha vai ficar largado! A gente tem de pensar em alguma coisa para aquele pessoal ali!".
Conta que ajudou muito um vereador que hoje é Secretário. "Arrumei muito voto pra ele ali. Depois comecei a ver como é que ele trabalha... Não quero mais saber dele não". Eita nóis.
***
Na volta, peguei um táxi na Luz e o motorista me reconheceu. Gosta muito de mim. Odeia o Serra. Foi exonerado da Febem depois de ser acusado de tudo de ruim - agressão, tortura. "Foi pessoal. Me pegaram pra Cristo. Absurdo, um processo que levaria pelo menos dois anos foi concluído em quatro meses. Coisa da Berenice, que está lá até hoje. Agora tô aqui, atrás do volante".
Não tem tanto bode do Alckmin. Diz que "hoje em dia, não tem mais esquerda, nem direita. O que tem é situação e oposição". Tem medo dessa "aproximação do PT e do PSDB". Eu disse "não se preocupe, ano que vem eles vão estar um contra o outro tentando se matar".
***
Simples o mundo, né? Preto e branco.
Trem sentido Estudantes = igual a embarcar no de Guianases, baldear e pegar o que vai pra Estudantes. Mas isso só se desobre perguntando, porque a sinalização da CPTM no Brás continua ruim :o/
***
Íamos andando até a escola (eu e um amigo fotógrafo), mas estávamos de pé há horas com sacolas pesadas, então resolvemos pegar um táxi. Que não reconheceu a rua pelo nome, mas quando a gente disse que era "no São João, uma escola de estado", ele nem perguntou mais nada, "sei".
Tomara soubesse mesmo. Até porque, se dependesse de mim para informar o nome da escola, esquece.
***
"Não tô sequestrando vocês não", brincou, enquanto se enfiava em uma quebrada escura, pouco habitada, mato alto. Mas ali, no meio do mato, no alto do morro, estava a escola. Uma senhora muito expansiva e sorridente, com jeitão de gente finíssima (e no fim era mesmo) gritou para dentro do carro "é aqui mesmo".
Desci; ela ralhava em tom de gozação com um rapaz alto, com ar malandro mas mais atrapalhado que agressivo: "Jogou o cigarro no chão, Gabriel? Pô, Gabriel". Depois descobri que ela é a diretora.
***
Escola de estado tem tudo aquela mesma cara... A cor das paredes, o piso, as dimensões do pátio, as escadas. Mas essa é bem ajeitadinha. Limpa (diz que depois da saída do turno está suja de novo, mas é assim também na PUC...). Portas, janelas, latas de lixo, sala dos professores, murais... Tudo bem cuidado.
Gostei da diretora, dos professores, dos funcionários. Simpáticos, animados, "descolados". E compreensivos. O portão não fecha rigorosamente às 19h00, porque eles sabem que é difícil chegar ali, principalmente para quem trabalha.
Mesmo assim... Depois de fechados os portões, muitos alunos pulam o muro... pra sair. E é alto.
***
A quebrada é feia mesmo. A escola tem um acordo com os bandidos: "da esquina pra lá", eles fazem "o deles". "Da esquina pra cá", não. É espaço da escola.
Eles respeitam.
Mesmo assim, na saída do "merendeiro" (geralmente é mulher, né?) na segunda à noite, mal ele botou o nariz pra fora do portão, encostaram dois garotos armados e levaram a moto. A polícia apareceu rápido e recuperou. O mais triste: "Eram ex-alunos. Com certeza tinham comido do que ele preparou. O que dá nessses moleques?". E fica a dúvida de por que eles não respeitaram o acordo e se serão punidos pelo tráfico.
***
A Secretaria de Cultura está organizando um festival com eliminatórias e tudo entre as escolas da cidade. Os alunos estão exultantes. A diretora, compreensiva mais uma vez, autorizou os meninos a sair de alguma aula, se o professor permitir, para ensaiar. "Não tem a menor chance de eles conseguirem se encontrar fora daqui".
Eu lembro quando a gente era liberada, no Colégio, para ensaiar, treinar, passar nas classes dando recado... Ô delícia.
***
O prefeito foi lá e falou sobre o estado lastimável em que encontrou a cidade. MUITA conta sem pagar, muita corrupção, prefeitura destruída. Foi lá o "dedo de silicone", lembra? Pois é, dá pra dar uma ideia... A diretora não se surpreendeu nem um pouco. Moradora antiga da cidade, filha do primeiro prefeito que Ferraz teve (foi emancipada não faz muito tempo), comentou enquanto tomávamos suco depois da minha palestra: "A gente sempre dizia "coitado do prefeito que entrar agora"."
***
"O Laudo Natal era o governador. Ele asfaltou muitas ruas e mandava os paralelepípedos pra cá. Foi assim que foi feito o primeiro calçamento aqui, quando meu pai era prefeito".
Não acreditei! Quando fazem capeamento e recapeamento jogando asfalto por cima dos paralelepípedos - isto é, SEMPRE - fico indignada. Que desperdício!! Uma vez, quando era Subprefeita, perguntei se não tinha jeito de primeiro retirá-los, depois fazer o contrapiso e finalmente a "cobertura asfáltica". Riram da minha cara.
***
Contei para o Sergio Avelleda, ex-presidente da CPTM, que fui falando bem do trabalho dele no caminho. Em pouco tempo (uma gestão), aquela linha que corta a ZL melhorou muito. Era horrível. O Portela (ex-Secretário de Negócios Metropolitanos) falou no dia em que foi empossado: "Linha F é nossa prioridade. Mandei todo mundo que vai trabalhar comigo dar uma volta nela pra ver como ela está horrível). Chamei a atenção do meu amigo fotógrafo, carioca que mora há 15 anos em São Paulo, para os trens novos, os reformados, as estações idem... Os bicicletários, os muros derrubados... Falei que o presidente pegava o trem regularmente e que isso faz muita diferença...
Pensa que o Avelleda ficou envaidecido com os elogios? Como bom fanático pelo que faz, inevitalmente frustrado, respondeu um pouco trsite: "Putz, aquela estação de Ferraz já era pra estar pronta".
***
Enquanto estávamos na sala dos professores, um menino entrou procurando revistas para fazer uma atividade em sala de aula. Não tinha nenhuma.
Eu guardo tanta, mas tanta revista para alguém usar em sala de aula... Minha mãe sempre fazia isso; sempre tinha que recortar umas fotos, colar no caderno, fazer um cartaz... Com "cartolina branca, cola branca lavável, canetinha hidrocor". Já não tenho criança em casa, vou ver se mando umas pilhas pra lá.
***
A sala estava cheia de cartazes da Apeoesp, convocando para a manifestação de hoje na Paulista, xingando o governo de tudo quanto é nome. Sem que eu perguntasse, a diretora disse "eles vieram aí, pediram para colocar, claro que eu deixo". A professora que era minha anfitriã, que foi quem inventou de me levar lá, disse "Tem coisa que eles tem razão. Eu sou classe O. Tinha cinco quinquenios pra receber. Veio o senhor Serra e o senhor Paulo Renato e cortaram tudo. Não respeitaram direito adquirido! Eu encontrei o Serra uma vez em um evento quando ele ainda ia ser candidato a deputado. Ele me deu um quadro do Chaplin. Fiquei com tanta raiva dele que taquei fogo no quadro. E eu amo o Chaplin".
Ele tem um "certo" talento para exagerar na dose da austeridade... É f. Corta privilégios, bota ordem em algumas zonas mas no caminho atropela um monte de gente boa :o/
***
Perguntei para os meninos do Ensino Médio no auditório improvisado (eles desceram com as cadeiras da sala de aula) quantos já sabiam o que queriam fazer depois da faculdade. Uns 80% levantaram a mão. Fui tentando adivinhar os cursos: Direito, Medicina, Nutrição, Psicologia, Engenharia, Rádio e TV, Gastronomia... Tinha mão levantada para todos eles.
***
No caminho da Câmara para o Metrô (fui pra Ferraz depois da reunião da CCJ na quarta-feira), encontrei um líder muito bacana lá de São Miguel. Ele foi o responsável pela reforma (ressurreição...) do Mercado de lá, que estava um lixo. "Sabe quando você faz uma licitação? As pessoas se inscrevem, né? Lá não. A gente pra licitar os boxes tinha de ir atrás laçando interessado. Nem meu irmão quis entrar. Hoje, vai ver quanto vale um ponto daquele. Agora meu irmão brinca que ele devia ter entrado. Olha, ainda bem que não entrou, senão já iam falar que tinha coisa". Gente boa demais, verdadeiramente preocupado com o seu pedaço de mundo. "Vão inaugurar a estação nova em um lugar muito bom. Mas o comércio que ficava no caminho da estação velha vai ficar largado! A gente tem de pensar em alguma coisa para aquele pessoal ali!".
Conta que ajudou muito um vereador que hoje é Secretário. "Arrumei muito voto pra ele ali. Depois comecei a ver como é que ele trabalha... Não quero mais saber dele não". Eita nóis.
***
Na volta, peguei um táxi na Luz e o motorista me reconheceu. Gosta muito de mim. Odeia o Serra. Foi exonerado da Febem depois de ser acusado de tudo de ruim - agressão, tortura. "Foi pessoal. Me pegaram pra Cristo. Absurdo, um processo que levaria pelo menos dois anos foi concluído em quatro meses. Coisa da Berenice, que está lá até hoje. Agora tô aqui, atrás do volante".
Não tem tanto bode do Alckmin. Diz que "hoje em dia, não tem mais esquerda, nem direita. O que tem é situação e oposição". Tem medo dessa "aproximação do PT e do PSDB". Eu disse "não se preocupe, ano que vem eles vão estar um contra o outro tentando se matar".
***
Simples o mundo, né? Preto e branco.
Marcadores:
Administração Pública,
Brasil,
Educação,
escolas públicas,
governo,
oposição,
pobreza,
professores,
São Paulo,
Transporte Público,
violência
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Antes do golpe
Nome de trabalho
O PSD "do Kassab", ao constituir-se como partido, causou o maior desfalque na oposição. Recebeu gente do DEM, PSDB, PPS nas Câmaras Municipais, Assembleias e no Congresso, sem falar em prefeitos e governadores. De um dia para o outro, tornou-se a quarta maior bancada na Câmara Federal. Conforme entendimento da Justiça Eleitoral, os deputados que mudaram de partido puderam "carregar consigo" o tempo de TV e a fração correspondente do Fundo Partidário.
Eis que agora que se anunciam novos partidos do campo da oposição - ou ao menos de fora da base do governo, como a Rede e aquele formado pela união do PPS com o PMN - o governo manda desarquivar uma emenda que impede essa transferência.
Explicando melhor: o Fundo Partidário é dividido entre os partidos conforme o tamanho de sua bancada federal (ou seja, quem já é maior, tem mais influência e poder também recebe mais $ do Fundo. Complicado...). O tempo de televisão também.
A discussão relativa à fundação do PSD foi a seguinte: o tempo e Fundo destinados aos partidos que perderam parlamentares para ele seria calculado conforme o número de deputados eleitos em 2010 ou em função dos que restaram? O PSD, que nem existia portanto não elegeu ninguém em 2010, teria direito proporcional ao tamanho da bancada recém-criada?
Ganhou o PSD, e para a oposição, as cascas das batatas. O novo partido naturalmente passou a ter ainda mais valor como aliado nas eleições municipais, em que o mardito tempo de TV vale mais que platina. E no Brasil todo o PSD foi PT, exceto em São Paulo, onde o fundador fingiu lealdade ao Serra.
Mas agora, casuisticamente, botaram em pauta e apresentaram requisição de urgência para evitar que os novos partidos tenham a mesma possibilidade.
PPS e PMN já se fundiram no MD, Movimento Democrático (nome de trabalho rs). Mas e os outros que virão? E aposto que, mesmo tendo sido criado antes da quase certa aprovação da lei (oposiçao no máximo vai conseguir obstruir por um tempo), o MD vai ter de lutar pelo Fundo + tempo a cada deputado que se filiar depois da lei. Tomara que eu perca essa aposta.
(Governo mobilizou mundos e fundos (?) para ter o quórum para aprovar hoje a Emenda. Por isso também o PPS e o PMN tinham de decidir logo. Foi tenso, como tem de ser quando um partido não engole um "consenso" fabricado. Resistências, preocupações e discordâncias foram manifestadas, mas a maioria teve segurança e disposição de participar da criação de um novo partido. Queremos ser maiores para sermos mais fortes na oposição; que venham os que desafinam o coro dos contentes dos partidos em que estão agora)
O PSD "do Kassab", ao constituir-se como partido, causou o maior desfalque na oposição. Recebeu gente do DEM, PSDB, PPS nas Câmaras Municipais, Assembleias e no Congresso, sem falar em prefeitos e governadores. De um dia para o outro, tornou-se a quarta maior bancada na Câmara Federal. Conforme entendimento da Justiça Eleitoral, os deputados que mudaram de partido puderam "carregar consigo" o tempo de TV e a fração correspondente do Fundo Partidário.
Eis que agora que se anunciam novos partidos do campo da oposição - ou ao menos de fora da base do governo, como a Rede e aquele formado pela união do PPS com o PMN - o governo manda desarquivar uma emenda que impede essa transferência.
Explicando melhor: o Fundo Partidário é dividido entre os partidos conforme o tamanho de sua bancada federal (ou seja, quem já é maior, tem mais influência e poder também recebe mais $ do Fundo. Complicado...). O tempo de televisão também.
A discussão relativa à fundação do PSD foi a seguinte: o tempo e Fundo destinados aos partidos que perderam parlamentares para ele seria calculado conforme o número de deputados eleitos em 2010 ou em função dos que restaram? O PSD, que nem existia portanto não elegeu ninguém em 2010, teria direito proporcional ao tamanho da bancada recém-criada?
Ganhou o PSD, e para a oposição, as cascas das batatas. O novo partido naturalmente passou a ter ainda mais valor como aliado nas eleições municipais, em que o mardito tempo de TV vale mais que platina. E no Brasil todo o PSD foi PT, exceto em São Paulo, onde o fundador fingiu lealdade ao Serra.
Mas agora, casuisticamente, botaram em pauta e apresentaram requisição de urgência para evitar que os novos partidos tenham a mesma possibilidade.
PPS e PMN já se fundiram no MD, Movimento Democrático (nome de trabalho rs). Mas e os outros que virão? E aposto que, mesmo tendo sido criado antes da quase certa aprovação da lei (oposiçao no máximo vai conseguir obstruir por um tempo), o MD vai ter de lutar pelo Fundo + tempo a cada deputado que se filiar depois da lei. Tomara que eu perca essa aposta.
(Governo mobilizou mundos e fundos (?) para ter o quórum para aprovar hoje a Emenda. Por isso também o PPS e o PMN tinham de decidir logo. Foi tenso, como tem de ser quando um partido não engole um "consenso" fabricado. Resistências, preocupações e discordâncias foram manifestadas, mas a maioria teve segurança e disposição de participar da criação de um novo partido. Queremos ser maiores para sermos mais fortes na oposição; que venham os que desafinam o coro dos contentes dos partidos em que estão agora)
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Enche
Terríveis as enchentes do PMDB (Rio de Janeiro) e do PSB (Belo Horizonte).
Elementar.
[Continua mais tarde]
***
PS1 - Aquela maravilha do PAC tem plano para as enchentes também. Achei, por acaso, o de Belo Horizonte. Só vendo para crer.
PS2 - Em uma materiazinha de menos de dois minutos, a Globo mostrou que, dois anos depois da "maior catástrofe climática da história do país", a da Região Serrana do Rio de Janeiro, continua tudo MUITO parecido com o que restou daquela tragédia. Casas abandonadas, semi-destruídas; pessoas no aguardo de
um lugar novo para morar.
Cinco mil casas populares foram prometidas pelo governo, mas ainda não estão prontas. Algumas estão condenadas, como o da cabeleireira Úrsula Carvalho, e na fila de demolição. Às 19h, os clientes já foram embora e Úrsula também deveria ir para casa, mas não consegue. Há quase dois anos, mora no mesmo local onde trabalha, porque, até hoje, não recebeu o aluguel social.
O governo respondeu que "é difícil achar terrenos" (e olha que o governo do Rio tem um Subsecretário da Reconstrução da Região Serrana!!). Porrra, isso tinha de ser uma reportagem especial, um Globo Repórter, um bloco inteiro do Fantástico. Mas como é no Rio de Cabral...
***
RIDÍCULO o comentário acima (é meu mesmo). As enchentes sequer são “da prefeitura”, muito menos do partido do prefeito.
RIDÍCULO o comentário acima (é meu mesmo). As enchentes sequer são “da prefeitura”, muito menos do partido do prefeito.
Mas os petistas/lulistas passaram os últimos anos falando em enchente demotucana. (Como incluir o PPS - um dos míseros quatro partidos de oposição - comprometeria a sonoridade da sigla, eles me chamam de demotucana também. Não estão aqui para explicar, estão para confundir).
Em um evento na prefeitura em 2009, com a presença do Lula e tudo, houve uma MANIFESTAÇÃO na porta “contra a enchente e inundação”. "Contra" “a enchente”, como se ela fosse uma decisão da prefeitura. Com tambores e placas, cantavam “Desce Serra, desce até o chão/ [não lembro o que]/ a enchente e inundação”.
Chegaram a dizer que eles (Kassab e Serra, claro, sempre como se fossem a mesma pessoa) estavam deixando o Jardim Pantanal alagado DE PROPÓSITO para expulsar as pessoas dali e atender aos interesses da especulação imobiliária. (O link com a convocação para a manifestação diz isso).
Alguma semelhança com as recentes alegações sobre os incêndios?
***
Havia umas 30 pessoas, no máximo. Todas "simpatizantes da causa", porque morador do Pantanal quase não havia. E neguin' tira um sarro quando protesto tem pouca gente, como se a causa não fosse justa. Quando se tem grupo organizado, como o "Conlutas", já é difícil encher uma praça. Sem isso então...
***
Havia umas 30 pessoas, no máximo. Todas "simpatizantes da causa", porque morador do Pantanal quase não havia. E neguin' tira um sarro quando protesto tem pouca gente, como se a causa não fosse justa. Quando se tem grupo organizado, como o "Conlutas", já é difícil encher uma praça. Sem isso então...
***
2009 foi um pesadelo climático. Ao longo do ano (inclusive no inverno), durante muitos dias seguidos a notícia era “choveu em duas horas o previsto para o mês inteiro”. Dias SEGUIDOS. Claro que há enchentes. Claro que o rio sai do leito.
2009 foi um pesadelo climático. Ao longo do ano (inclusive no inverno), durante muitos dias seguidos a notícia era “choveu em duas horas o previsto para o mês inteiro”. Dias SEGUIDOS. Claro que há enchentes. Claro que o rio sai do leito.
Haddad anunciou no primeiro dia de governo o seu plano anti-enchente. Limpeza de bueiros, re-estruturar a Defesa Civil...
Po**a, isso não é plano. Isso é providência imediata, elementar, + o indiscutível meio vago. A Defesa Civil melhorou nos últimos anos - viaturas novas, computadores nas "salas de situação", maior integração com o Centro de Controle de Emergências. Ainda falta MUITO e eu, na Subprefeitura, tinha mais essa razão para querer esganar o prefeito. Espero que eles vejam honestamente o que falta e providenciem.
Quanto a limpar bueiro... CLARO, né? Em alguns lugares, o intervalo entre cada operação de limpeza vai diminuir para 15 dias (segundo o SPTV, era de dois meses. Não sei). Ótimo, isso realmente é uma providência elementar importante. Mas olha... Eles vão ver o inferno que é limpar em um dia e ver tudo sujo outra vez, em intervalo bem menor que duas semanas. Ver o que é recolher dois caminhões de lixo/entulho jogados no lugar errado e NO DIA SEGUINTE já tem uma pilha outra vez. Se nas esquinas da Pompeia é ruim, precisa ver na Brasilândia, na divisa com Osasco...
É deprimente.
Educação, sabe? Falta muito. Mesmo quando outras coisas são mais acessíveis, tipo carro zero e faculdade privada e por isso o governo se jacta de ter feito “inclusão social”, sem educação a gente não aprende a JOGAR LIXO no lugar certo.
Elementar.
[Continua mais tarde]
***
PS1 - Aquela maravilha do PAC tem plano para as enchentes também. Achei, por acaso, o de Belo Horizonte. Só vendo para crer.
PS2 - Em uma materiazinha de menos de dois minutos, a Globo mostrou que, dois anos depois da "maior catástrofe climática da história do país", a da Região Serrana do Rio de Janeiro, continua tudo MUITO parecido com o que restou daquela tragédia. Casas abandonadas, semi-destruídas; pessoas no aguardo de
um lugar novo para morar.
Cinco mil casas populares foram prometidas pelo governo, mas ainda não estão prontas. Algumas estão condenadas, como o da cabeleireira Úrsula Carvalho, e na fila de demolição. Às 19h, os clientes já foram embora e Úrsula também deveria ir para casa, mas não consegue. Há quase dois anos, mora no mesmo local onde trabalha, porque, até hoje, não recebeu o aluguel social.
O governo respondeu que "é difícil achar terrenos" (e olha que o governo do Rio tem um Subsecretário da Reconstrução da Região Serrana!!). Porrra, isso tinha de ser uma reportagem especial, um Globo Repórter, um bloco inteiro do Fantástico. Mas como é no Rio de Cabral...
Marcadores:
baixaria,
Defesa Civil,
desonestidade,
Educação,
Enchente,
governo,
Lixo,
Mídia,
oposição,
política ambiental,
política urbana,
prefeitura,
Subprefeitura
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Mais um (dia)
Cinco horas de reunião do partido - só amando política mesmo. Foi ótima, amanhã tem mais. E depois de amanhã.
***
Havia umas quarenta pessoas na reunião da Executiva Nacional, talvez um pouco mais. Umas vinte pediram a palavra ao longo de todos os pontos da pauta. Dentro de um grupo desse tamanho, composto por pessoas com muita afinidade (presumivelmente), eu ouço alguns oradores e adoro, concordo, vibro; de outros, discordo de quase tudo. Imagine que pretensão maluca é ter quinhentas mil, um milhão de pessoas (membros de um partido) que se entendam e concordem no país todo. Que desafio enorme é debater, argumentar, tentar persuadir, fazer ou não fazer concessões, disputar no voto se for o caso e, ao fim, tomar decisões que o partido todo deve seguir - projetos a curto, médio e longo prazo; construção de candidaturas; posições sobre temas em discussão na sociedade e no Congresso. Quando um partido é de verdade e não um ajuntamento ou uma seita, é muito difícil. E rico. E bonito. #adoro.
***
Voltei pra casa escutando a Voz do Brasil (quantas pessoas será que escutam esse troço?). Ouvi o (Edison) Lobão dizendo que o país tem um belíssimo estoque de energia, que a situação dos reservatórios "deve melhorar" porque agora, com a temporada das chuvas, "deve subir o nível", e que nos próximos meses novas hidrelétricas "devem funcionar".
Disse que os primeiros reatores de Jirau devem começar a funcionar daqui a dois ou três meses. E que outras hidrelétricas "devem começar a funcionar também".
Disse, para provar que estamos atentos e seguros, que em outubro já tínhamos recorrido às termelétricas.
E que "a redução de 20% nas contas de luz" continua valendo e começa a vigorar em fevereiro.
Anotado.
***
(O governo cansou de defender Belo Monte - aquela aberração - dizendo "vocês preferem o que, as termelétricas?").
***
A Embratur está com um programa muito legal - muito pequenininho para o tamanho e necessidades do Brasil, mas melhor que nada - que vai mandar 30 jovens para conhecer alguns lugares dos Estados Unidos, aprender sobre o país e falar do Brasil, sua cultura, seus destinos turísticos. Eles estão em êxtase, claro. Foram escolhidos por serem estudantes de destaque em escolas públicas.
Lembrei das cotas.
Depois volto a isso. Outro dia.
***
Também ouvi o Ministro da Saúde (alô Ministério, cadê a resposta da minha pergunta à Ouvidoria?) falar sobre o Edital do Provab, programa que vai conceder incentivos para que médicos recém-formados trabalhem em locais distantes dos grandes centros. Os selecionados vão receber uma bolsa de 8 mil reais e, se tiverem bom desempenho, um bônus quando fizerem prova de Residência em especialidades. "Se ele quiser ser dermatologista, ou cirurgião plástico, terá uma vantagem muito boa quando fizerem a seleção para a Residência".
Não é que a ideia seja de todo ruim, massss... Não é a primeira vez que se oferecem vantagens financeiras para quem se disponha a trabalhar longe. Isso é feito faz tempo nas periferias dos grandes centros e também nos rincões do Brasil. Nem sempre funciona. Por que? 1) Se as condições de trabalho forem muito ruins, nem com dinheiro se consegue atrair um médico. 2) Se o cabra aceitar só porque o dinheiro é bom, qual será a qualidade do atendimento prestado? (Conheço várias histórias de gente que foi "suportar" o trabalho porque ia juntar dinheiro em pouco tempo e depois voltar. Não é a melhor das motivações). 3) Continuando o item anterior - a maior dificuldade hoje em dia é conseguir clínico geral e médicos de determinadas especialidades, como pediatras e geriatras. Se o interesse do profissional é fazer cirurgia plástica, que tipo médico ele será na atenção básica?
Eu estou de má-vontade, admito. Mas não é porque é o @padilhando (de quem não sou mesmo fã), porque é PT etc. É porque conheço o serviço público e suas dificuldades...
Em 2008 eu falei algumas vezes durante a campanha: tem de chegar o dia em que a gente não vai precisar pensar "Como levar médicos para Cidade Tiradentes?". Na Cidade Tiradentes haverá médicos. Nascidos lá, criados lá, morando lá. E no interior do Acre, Rondônia, etc. Nem que eles tenham de sair de lá para cursar Medicina em outro lugar - normal. Mas não ter de inventar prêmios em dinheiro para quem se "submeter" a isso.
(Por outro lado, tenho certeza que muitos estudantes de Medicina e médicos recém-formados tem paixão por trabalhar em lugares assim. Precisamos ver como dar condições a eles).
***
O Ministério da Pesca anunciou que a partir de agora a a identificação profissional dos pescadores será uma carteira de plástico, não mais os documentos em papel usados até hoje. Declaração de um pescador, feliz com a novidade: "A carteira estraga fácil com a água, fica num estado muito ruim, as pessoas olham e até desconfiam que é falsa.". Eita. Até hoje não tinham pensado nisso? #imaginaoresto.
***
Na Voz de ontem, ouvi o Jucá dizendo que "a oposição não tem o direito de colocar em xeque a política econômica da presidenta Dilma, que está distribuindo renda bla bla bla". Ok, o líder do governo é um Parlamentar que tem o direito de dizer o que quiser, mas pelamor, "a oposição não tem o direito"??? Pra piorar, opositores não estavam discutindo a política econômica em si, mas exigindo do Guido Mantega explicações sobre a manobra (maracutaia) fiscal para transformar resultado negativo em positivo. A oposição não tem o direito de exigir explicações? Oi?
***
Fui. Partiu. Boa noite.
***
Havia umas quarenta pessoas na reunião da Executiva Nacional, talvez um pouco mais. Umas vinte pediram a palavra ao longo de todos os pontos da pauta. Dentro de um grupo desse tamanho, composto por pessoas com muita afinidade (presumivelmente), eu ouço alguns oradores e adoro, concordo, vibro; de outros, discordo de quase tudo. Imagine que pretensão maluca é ter quinhentas mil, um milhão de pessoas (membros de um partido) que se entendam e concordem no país todo. Que desafio enorme é debater, argumentar, tentar persuadir, fazer ou não fazer concessões, disputar no voto se for o caso e, ao fim, tomar decisões que o partido todo deve seguir - projetos a curto, médio e longo prazo; construção de candidaturas; posições sobre temas em discussão na sociedade e no Congresso. Quando um partido é de verdade e não um ajuntamento ou uma seita, é muito difícil. E rico. E bonito. #adoro.
***
Voltei pra casa escutando a Voz do Brasil (quantas pessoas será que escutam esse troço?). Ouvi o (Edison) Lobão dizendo que o país tem um belíssimo estoque de energia, que a situação dos reservatórios "deve melhorar" porque agora, com a temporada das chuvas, "deve subir o nível", e que nos próximos meses novas hidrelétricas "devem funcionar".
Disse que os primeiros reatores de Jirau devem começar a funcionar daqui a dois ou três meses. E que outras hidrelétricas "devem começar a funcionar também".
Disse, para provar que estamos atentos e seguros, que em outubro já tínhamos recorrido às termelétricas.
E que "a redução de 20% nas contas de luz" continua valendo e começa a vigorar em fevereiro.
Anotado.
***
(O governo cansou de defender Belo Monte - aquela aberração - dizendo "vocês preferem o que, as termelétricas?").
***
A Embratur está com um programa muito legal - muito pequenininho para o tamanho e necessidades do Brasil, mas melhor que nada - que vai mandar 30 jovens para conhecer alguns lugares dos Estados Unidos, aprender sobre o país e falar do Brasil, sua cultura, seus destinos turísticos. Eles estão em êxtase, claro. Foram escolhidos por serem estudantes de destaque em escolas públicas.
Lembrei das cotas.
Depois volto a isso. Outro dia.
***
Também ouvi o Ministro da Saúde (alô Ministério, cadê a resposta da minha pergunta à Ouvidoria?) falar sobre o Edital do Provab, programa que vai conceder incentivos para que médicos recém-formados trabalhem em locais distantes dos grandes centros. Os selecionados vão receber uma bolsa de 8 mil reais e, se tiverem bom desempenho, um bônus quando fizerem prova de Residência em especialidades. "Se ele quiser ser dermatologista, ou cirurgião plástico, terá uma vantagem muito boa quando fizerem a seleção para a Residência".
Não é que a ideia seja de todo ruim, massss... Não é a primeira vez que se oferecem vantagens financeiras para quem se disponha a trabalhar longe. Isso é feito faz tempo nas periferias dos grandes centros e também nos rincões do Brasil. Nem sempre funciona. Por que? 1) Se as condições de trabalho forem muito ruins, nem com dinheiro se consegue atrair um médico. 2) Se o cabra aceitar só porque o dinheiro é bom, qual será a qualidade do atendimento prestado? (Conheço várias histórias de gente que foi "suportar" o trabalho porque ia juntar dinheiro em pouco tempo e depois voltar. Não é a melhor das motivações). 3) Continuando o item anterior - a maior dificuldade hoje em dia é conseguir clínico geral e médicos de determinadas especialidades, como pediatras e geriatras. Se o interesse do profissional é fazer cirurgia plástica, que tipo médico ele será na atenção básica?
Eu estou de má-vontade, admito. Mas não é porque é o @padilhando (de quem não sou mesmo fã), porque é PT etc. É porque conheço o serviço público e suas dificuldades...
Em 2008 eu falei algumas vezes durante a campanha: tem de chegar o dia em que a gente não vai precisar pensar "Como levar médicos para Cidade Tiradentes?". Na Cidade Tiradentes haverá médicos. Nascidos lá, criados lá, morando lá. E no interior do Acre, Rondônia, etc. Nem que eles tenham de sair de lá para cursar Medicina em outro lugar - normal. Mas não ter de inventar prêmios em dinheiro para quem se "submeter" a isso.
(Por outro lado, tenho certeza que muitos estudantes de Medicina e médicos recém-formados tem paixão por trabalhar em lugares assim. Precisamos ver como dar condições a eles).
***
O Ministério da Pesca anunciou que a partir de agora a a identificação profissional dos pescadores será uma carteira de plástico, não mais os documentos em papel usados até hoje. Declaração de um pescador, feliz com a novidade: "A carteira estraga fácil com a água, fica num estado muito ruim, as pessoas olham e até desconfiam que é falsa.". Eita. Até hoje não tinham pensado nisso? #imaginaoresto.
***
Na Voz de ontem, ouvi o Jucá dizendo que "a oposição não tem o direito de colocar em xeque a política econômica da presidenta Dilma, que está distribuindo renda bla bla bla". Ok, o líder do governo é um Parlamentar que tem o direito de dizer o que quiser, mas pelamor, "a oposição não tem o direito"??? Pra piorar, opositores não estavam discutindo a política econômica em si, mas exigindo do Guido Mantega explicações sobre a manobra (maracutaia) fiscal para transformar resultado negativo em positivo. A oposição não tem o direito de exigir explicações? Oi?
***
Fui. Partiu. Boa noite.
domingo, 6 de janeiro de 2013
Vale tudo? Depende (do lado)
Pergunta infalível naquela semana de Março: "Você sofre ou já sofreu preconceito na política por ser mulher"?
Depende.
Se a mulher estiver a favor, tudo bem.
Se estiver contra, aí eles abrem a caixa de ferramenta.
Acontece também com os opositores/adversários/inimigos, mas contra mulheres o repertório é maior. Pode ser perua ou baranga; puta ou mal comida; nervosinha ou assanhada. Eles babam, arreganham os dentes, deixam escapar aquele seu eu-interior-profundo. Coisa fina.
Nunca vi alguém chamar homem de "barango" ou coisa parecida (qual seria o equivalente masculino? E para perua?). Claro que pode ser viado, corno, mas isso é dito mais como gozação, até entre amigos, do que com ódio e desprezo.
Na hora da raiva, sobra pra mãe mesmo. (É, já me escapou um palavrão, vocês sabem).
No futebol é parecido: tá tudo (mais ou menos) bem até você "ofender" o time do caro espectador. Aí vem: "Só podia ser mulher/ vai lavar roupa/ tá dando pra quem pra estar aí?".
***
No Twitter, pode-se imaginar, já li todo tipo de coisas nojentas. Duas se destacam: a de ontem ("Coitada da @soninhafrancine, não tem mais vagina pra arrumar emprego no governo. Tá velhinha, carcomida de maconha. Nem KY resolve" - se não foi exatamente foi bem parecido, não vou me dar ao trabalho de procurar o original) e a da Barbara Gancia durante a campanha eleitora. Recapitulando: o perfil do PPS-Sampa, inconformado com o tratamento ultra amigável dado ao Haddad na Sabatinha Folha-UOL, depois da recepção hostil ao nível da grosseria dispensada aos seus adversários, disse que os jornalistas tinham "lambido as botas" do candidato. Linguagem pesada sim, mas com DNA político: nasceu em referência às botas dos militares. Gancia respondeu: "E a sua candidata, que lambe as partes de outro candidato"?
Nojo.
Uma jornalista. Que participava da cobertura da campanha. Não um fanático da seita adversária, um inimigo declarado, desafeto histórico ou recente.
Absurdo. Mas... Quando eu disse que o Haddad tinha sido um f-d-p no debate, o mundo desabou. "Não tem preparo para estar na política!". Tá, tá, tá.
***
Não vou eu esquecer de outras vítimas recentes do massacre verbal dos governistas. Em 2010, apagaram as barbaridades que tinham falado sobre a Marina dos blogs amigos (do Lula/da Dilma) para não ficar tão feio pedir seu apoio no segundo turno.
Do Joaquim Barbosa, santo deus, falaram o que a torcida da Lazio não diz na arquibancada sem ser punida e condenada pela opinião pública internacional. Tem uma coletânea aqui.
E do Plinio, quando disse que o Haddad não podia ganhar porque essa seria a vitória dos mensaleiros ou coisa parecida? Recolhi alguns qualificativos dirigidos a ele: gagá, safado, pirou, múmia, vomita rancoroso veneno, caduco, despirocou, comeu bosta. Disseram que estava "abraçado com o Vampirão" e "atracado com a direita". Bom, Vampirão, Nosferatu foram termos frequentemente usados também por governistas e JORNALISTAS isentos nas redes sociais. Chique.
***
Quando FH era presidente, éramos tão desbocados, insolentes... Malcriados. Desrespeitosos. Sacanas. Implicantes. Pentelhos. Ácidos, provocadores, debochados, implacáveis. Nas charges, na Caros Amigos, na Bundas.
Aí podia.
O Lula podia dizer que o Collor tinha uma espécie de debilidade mental. FH podia aparecer na capa da revista vestido de baiana porque o ACM era da sua base. Eram "300 picaretas" na Câmara Federal. "Fora FH!", "Impeachmente já"!. Podia. Porque a oposição era indignada, furiosa, impaciente, inconformada.
Agora é golpe. Criticar, denunciar, ironizar, xingar, debochar. Golpe!! Fazer oposição!
Um dia ainda será sacrilégio. Alguém vai fazer uma charge com Lula e haverá atentados a bomba nas redações.
***
Deus nos livre.
Depende.
Se a mulher estiver a favor, tudo bem.
Se estiver contra, aí eles abrem a caixa de ferramenta.
Acontece também com os opositores/adversários/inimigos, mas contra mulheres o repertório é maior. Pode ser perua ou baranga; puta ou mal comida; nervosinha ou assanhada. Eles babam, arreganham os dentes, deixam escapar aquele seu eu-interior-profundo. Coisa fina.
Nunca vi alguém chamar homem de "barango" ou coisa parecida (qual seria o equivalente masculino? E para perua?). Claro que pode ser viado, corno, mas isso é dito mais como gozação, até entre amigos, do que com ódio e desprezo.
Na hora da raiva, sobra pra mãe mesmo. (É, já me escapou um palavrão, vocês sabem).
No futebol é parecido: tá tudo (mais ou menos) bem até você "ofender" o time do caro espectador. Aí vem: "Só podia ser mulher/ vai lavar roupa/ tá dando pra quem pra estar aí?".
***
No Twitter, pode-se imaginar, já li todo tipo de coisas nojentas. Duas se destacam: a de ontem ("Coitada da @soninhafrancine, não tem mais vagina pra arrumar emprego no governo. Tá velhinha, carcomida de maconha. Nem KY resolve" - se não foi exatamente foi bem parecido, não vou me dar ao trabalho de procurar o original) e a da Barbara Gancia durante a campanha eleitora. Recapitulando: o perfil do PPS-Sampa, inconformado com o tratamento ultra amigável dado ao Haddad na Sabatinha Folha-UOL, depois da recepção hostil ao nível da grosseria dispensada aos seus adversários, disse que os jornalistas tinham "lambido as botas" do candidato. Linguagem pesada sim, mas com DNA político: nasceu em referência às botas dos militares. Gancia respondeu: "E a sua candidata, que lambe as partes de outro candidato"?
Nojo.
Uma jornalista. Que participava da cobertura da campanha. Não um fanático da seita adversária, um inimigo declarado, desafeto histórico ou recente.
Absurdo. Mas... Quando eu disse que o Haddad tinha sido um f-d-p no debate, o mundo desabou. "Não tem preparo para estar na política!". Tá, tá, tá.
***
Não vou eu esquecer de outras vítimas recentes do massacre verbal dos governistas. Em 2010, apagaram as barbaridades que tinham falado sobre a Marina dos blogs amigos (do Lula/da Dilma) para não ficar tão feio pedir seu apoio no segundo turno.
Do Joaquim Barbosa, santo deus, falaram o que a torcida da Lazio não diz na arquibancada sem ser punida e condenada pela opinião pública internacional. Tem uma coletânea aqui.
E do Plinio, quando disse que o Haddad não podia ganhar porque essa seria a vitória dos mensaleiros ou coisa parecida? Recolhi alguns qualificativos dirigidos a ele: gagá, safado, pirou, múmia, vomita rancoroso veneno, caduco, despirocou, comeu bosta. Disseram que estava "abraçado com o Vampirão" e "atracado com a direita". Bom, Vampirão, Nosferatu foram termos frequentemente usados também por governistas e JORNALISTAS isentos nas redes sociais. Chique.
***
Quando FH era presidente, éramos tão desbocados, insolentes... Malcriados. Desrespeitosos. Sacanas. Implicantes. Pentelhos. Ácidos, provocadores, debochados, implacáveis. Nas charges, na Caros Amigos, na Bundas.
Aí podia.
O Lula podia dizer que o Collor tinha uma espécie de debilidade mental. FH podia aparecer na capa da revista vestido de baiana porque o ACM era da sua base. Eram "300 picaretas" na Câmara Federal. "Fora FH!", "Impeachmente já"!. Podia. Porque a oposição era indignada, furiosa, impaciente, inconformada.
Agora é golpe. Criticar, denunciar, ironizar, xingar, debochar. Golpe!! Fazer oposição!
Um dia ainda será sacrilégio. Alguém vai fazer uma charge com Lula e haverá atentados a bomba nas redações.
***
Deus nos livre.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Eu, Adjetiva
Deu na Carta Capital. Tava com uma preguiça doida mas acabei lendo (um monte de gente me mandou o link) e comentando (no texto, em itálico).
A adolescência política
31.10.2012 10:01
A eleição de 2012 transformou ‘Soninha’ em adjetivo
Não deixa de ser uma contradição. O País que se gaba de ter um dos mais modernos e eficientes sistemas de votação e apuração é ainda um adolescente quando o assunto é maturidade política.
>>>Ah, vá.
Há três dias, desde o fim da campanha eleitoral, pipocam por todos os lados, em todas as bandeiras partidárias, sintomas graves de que não estamos perto, mas nem um pouco perto, de cravar, ao menos desta vez, que vivemos num sistema permanente de aprimoramento democrático. Neste mundo ideal, ainda distante da realidade, vencedores governam, oposição fiscaliza e o contraditório impele a avanços, não a rancores. Tese, antítese e síntese é tudo o que não se vê no rescaldo eleitoral.
>>>De acordo.
Pelo contrário. A depender das declarações públicas recentes, estamos mais próximos de transformar em adjetivo um tipo de candidato e eleitor que mostra as garras, com métodos cada vez mais rudimentares, a cada dois anos. É o candidato/eleitor “Soninha”, que em 2012 se transformou em sinônimo de quem se treme diante do contraditório, perde a compostura quando não tem mais argumento, e é adepto do “quanto pior melhor”. (Vide “ave de agouro”, “piti”, “#mtoloco”, “sinais dos tempos”).
>>>> “Treme diante do contraditório”? Putz, é de mim mesmo que ele está falando? Sério?
Sinceramente, imodestamente, não conheço ninguém tão disposto a debater, argumentar, defender pontos de vista civlizadamente quanto eu - da legalização do aborto e da maconha às razões pelas quais eu saí do PT; da importância de se considerar a bicicleta como meio de locomoção desejável e viável à desaprovação ao governo federal. Tudo eu explico por que, em qualquer ambiente...
Pra defender o voto no Serra no segundo turno, por exemplo, tive de ouvir “argumentos” do tipo “Você só quer garantir uma boquinha para você e sua família”; “o PPS é servil ao Nosferatu”; “sua patricinha da Vila Madalena, o que você conhece de São Paulo?” etc.
Quanto às aspas e hashtags usadas como exemplo do “quanto pior melhor”... Não entendi. Talvez seja referência a posts anteriores. Meu aí tem o “mtoloco” - vale a pena retomar a história? Qdo eu achei “mtoloco” estar numa linha do metrô que funcionava na mais absoluta normalidade enqto estava um caos na outra, e nas redes sociais chegaram à conclusão de que eu estava “desdenhando do acidente” e “defendendo o governo tucano”?
“Ave de agouro” foi uma expressão usada pelo Lula para se referir à oposição.
Em outras palavras, é o candidato/eleitor que se comporta durante o processo de sucessão como quem berra numa arquibancada de futebol. Que, a dois meses da posse de um prefeito eleito, deixa claro o quanto torce para que tudo dê errado. E que, no primeiro tropeço do candidato eleito, não contém o sorriso para dizer “bem-feito, eu avisei”.
>>> Sim, fui candidata e SOU eleitora. E às vezes berro na arquibancada, como todo mundo. Ou é direito de alguns torcedores-blogueiros, torcedores-jornalistas e não de outros?
E quem pode definir o “primeiro” “tropeço” do candidato eleito? O que é “tropeço”, qual é o “primeiro”? Pra mim, o candidato já “tropeçava” antes de eleito, oras. Prometendo coisas que não seria capaz de cumprir - se é que isso é um “tropeço” e não uma... trapaça, o que é muito mais grave.
Aí o candidato eleito diz que duas duas principais promessas/trunfos de campanha não são para o ano que vem, mas para o segundo ano de mandato.
E a oposição não pode pegar no pé?
Parece aquele cara que toma uma multa por passar no sinal vermelho a 100 por hora e depois diz: “Pô, eles só querem multar, não orientam!”.
A oposição, no “mundo ideal”, deve “fiscalizar”. Mas não pode sorrir e dizer “eu avisei”?
Hmm.
E aposta que, se 10% das obras prometidas pelo rival estiverem prontas, faria no corpo uma tatuagem do “inimigo”.
>>> Aposto. Pode não? Depois de 10 anos de obras do “PAC” ridiculamente atrasadas, não posso colocar em dúvida a capacidade administrativa do prefeito eleito? Não posso considerar que sua promessa de “Arco do Futuro” é tão fantasiosa quanto era a do Fura-Fila na campanha do Pitta? Não posso levar em conta que os “novos campi” das Universidades Federais entregues pelo prefeito eleito até hoje são “puxadinhos”, pouco melhores que “escolas de lata”?
O eleitor/candidato Soninha não é só sintoma de um sistema imaturo. Ele é o adolescente político. E, como adolescente, não se sente representado por quem governa sem o seu voto e manifesta rebeliões das mais eficientes: bater o pé, chorar, dizer “não, não e não”.
>>>> “Não se sente representado por quem governa sem o seu voto”. Uai, sou obrigada? Sou obrigada a reconhecer como prefeito, governador, senador, presidente, aquele que foi eleito. Mas não a me “sentir representada”.
Adepto do “nós contra eles” (discurso corrente também em alas petistas), o candidato/eleitor Soninha pensa que, como no futebol, a vitória nas urnas representa a automática eliminação do adversário num sistema mata-mata.
>>> Eeeita, não seria esse o pensamento corrente de quem ganhou a eleição? De quem fazia contagem regressiva para “a morte política de José Serra” e agora escreve seu “obituário”, como a Carta Capital?(tá na capa da última edição).
A doença atinge inclusive ministros que, diante da crise de segurança do governo “rival”, corre para dizer: “eu ofereci ajuda, não pegou porque não quis. Bem-feito”.
>>> O Haddad, por exemplo, fez isso - e quem vira adjetivo sou eu?
Atinge também mesários que, ao ver um ministro do Supremo Tribunal Federal que não vota como ele quer, parte para o “método CQC” de conscientização política: o método que esculacha, não informa, confunde alhos com bugalhos e criminaliza o sistema ao repetir velhos chavões. Porque, para o adolescente político, não basta divergir do contraditório. É preciso eliminar tudo o que o representa.
>>> “Mesários”? UM sujeito foi mordaz e mal-educado com o Lewandowski, mandando um abraço para o José Dirceu. Outro recusou-se a estender a mão para cumprimentar o Russomanno. “Atinge mesários” é um pouco demais para reforçar a tese da adolescência e imaturidade. E mesários, em todo caso, não são funcionários da Justiça Eleitoral ou coisa que o valha - são cidadãos comuns convocados para trabalhar um dia. Comparar “mesários” com “ministros” também é um exagero sem tamanho.
É o caldo que permite o protesto indignado (e seletivo) de quem acusa quando há suspeita, condena quando tem acusação, pune quando há julgamento e cobra o direito à eliminação, de votar ou respirar, de quem está julgado, condenado, punido.
Nas redes sociais, o eleitor Soninha nada de braçada. Por exemplo: bastou o prefeito eleito de São Paulo explicar que o bilhete único mensal pode ficar para 2014, em razão do rito democrático básico – apresentação do projeto, apreciação pela Câmara, detalhamento de orçamento, aprovação e sanção – para propagar seu grau de diferenciação política. “Parabéns pra você que acreditou em um partido condenado por ser uma quadrilha”.
>>>>Pois é, “bastou”... Durante a campanha, o “rito democrático” foi solenemente ignorado diante da promessa do Paraíso nos transportes... Tanto é que, seja em 2013, 2014 ou 2020, tudo isso tem de acontecer: apresentação do projeto, apreciação pela Câmara, detalhamento do orçamento... E enquanto eu dizia, durante a campanha, que o Bilhete Mensal não era assim a maravilha simples que eles prometiam E EXPLICAVA POR QUE, a propaganda eleitoral dizia “eles são contra o Bilhete Mensal porque não gostam dos pobres e governam para os ricos”.
Argumentação madura, civilizada. Ô.
Se você é dessas correntes, caro leitor, você é também um sujeito Soninha. Você não entendeu nada do que foi o “mensalão” e nem tem ideia de como funciona uma eleição. E se você acredita também que só a alienação leva à vitória do candidato A, e não do seu querido B, talvez devesse conversar com eleitores de fora de sua bolha. É o método mais eficiente de se combater a alienação – a sua.
>>>>”Sujeito Soninha” = alienação. Fantástico.
Porque o mundo real, este que permite tragédias como o chamado “mensalão”, é de todos, e não do seu rival, e só a lógica da arquibancada permite o elemento irracional do “nós contra eles”. A lógica da vida democrática, não.
>>>> “Tragédia”? Parece até que a gente está falando de um “hurricane”, uma força da natureza que acomete o planeta e não há nada que possamos fazer a não ser limpar o estrago. O “mensalão” foi uma prática criminosa, sistemática, conduzida no seio de um governo de modo a corromper pessoas, partidos, instituições. “O mundo real é de todos”, mas o “mensalão” não é. Que é isso, devemos todos ser condenados pelo que o governo praticou? Ou, se não for pra condenar o mundo todo, que não se condene ninguém?
E, eventualmente, na vida democrática, acontece um “nós contra eles”. Em um segundo turno, por exemplo. A “lógica” seria as pessoas poderem adotar posições, inclusive “contra eles”, “contra todo mundo”, sem serem condenadas por isso.
Quando você transfere um método para o outro, você passa longe de espalhar consciência política. O que você faz é reduzir o mundo entre bons e maus, “tucanos elitistas que não gostam de pobres” de um lado e “pobres petistas comprados por benesses eleitoreiras” de outro.
>>> De acordo.
Sim, porque para cada tucano que contém o sorriso ao ver um ex-ministro petista condenado há um petista feliz diante da atual crise de segurança em São Paulo. A lógica do “nós contra eles” é sintoma, e não patrimônio partidário.
>>>> De acordo - em termos. Comemorar uma condenação na Justiça pode ser revanchismo e rancor mas pode ser “apenas” a satisfação de ver as instituições democráticas funcionando e que não houve, nesse caso, impunidade - apesar do status do réu. Outra, BEM diferente, injustificável sob qualquer ponto de vista, é regozijar com uma onda de violência porque ela demonstra um fracasso do governo tucano. Absurdo comparar as duas coisas. Que seja a comemoração de um petista feliz com a condenação de um “demo”.
O Brasil pós-ditadura completou em 2012 quase 30 anos de tradição. Já passou da hora de abandonar a puberdade.
>>> E a patrulha. Ainda mais quando hoje ela assume, como antes de democracia, ares governistas. É feio fazer oposição ao PT.
[Enquanto isso, o presidente do partido do governo federal comemora o “cinturão vermelho” em torno da capital, como se falasse de um jogo de War. E o ex-presidente da República diz, em programa popular na TV aberta, “não podemos deixar o PSDB governar de novo este país”. E a adolescente imatura que não suporta o contraditório sou eu].
terça-feira, 26 de junho de 2012
"Surpresos"? "Chocados"???
O episódio Lula-vai-à-casa-de-Maluf é muito instrutivo. Não sobre Lula e Maluf, que esses não me supreendem mais já faz tempo. Sobre as pessoas.
***
As pessoas não leem jornais (ah, vá). Digo as pessoas TODAS - incluindo as "politizadas", engajadas, "bem informadas". Acompanham, na política, os escândalos mais ruidosos, os espetáculos do momento.
Não é à toa que a gente (da oposição) grita, esperneia, chora e range os dentes e ninguém escuta. Ainda dizem que "não tem oposição". Fica difícil sem ressonância na sociedade... Nos "movimentos sociais", que hoje em dia ficam cheios de dedos antes de criticar o atual governo... Já deram DEZ ANOS para esse governo promover as "grandes transformações", a gente continua naquele passo arrastado de sempre e elas atacam "o mundo", "as forças contrárias", sei lá. Mas o governo eles poupam. Teve o movimento #vetaDilma, que bom!, mas parou aí. Não fazem troça com a presidente botando na mão dela uma motossera, um saco de dinheiro, um tridente.
Desde a ditadura militar o humor não é tão cuidadoso e ainda assim patrulhado como está sendo nos últimos anos. Durante a campanha de 2010, naquela negociação (que é sempre muito parecida) com os partidos que viriam a compor a aliança - em torno de "programa de governo", claro, naaada a ver com dinheiro e cargos - um chargista desenhou a Dilma com uma bolsinha na esquina dizendo "eu sou uma candidata de programa". NOSSA, o mundo quase veio abaixo. "Falta de respeito com a mulher"! "Chovinistas"! Eu achei genial usar o duplo sentido da palavra "programa" para expor o que realmente acontecia: uma negociação que de "programática" não tinha nada. "Eu te pago o que você pede e você me dá o que eu quero".
Ainda tenho em casa várias Bundas (era uma revista) esculachando o Fernando Henrique sem dó nem piedade. A capa de uma tem o então presidente vestido de Carmem Miranda, criticando de maneira debochada a aliança com ACM. Se alguém fizer hoje coisa parecida, capaz de ser excomungado. Acusado de "golpismo" será, certamente.
***
Há muito tempo o partido do Maluf é base do governo Lula. Ok, o partido não é só Maluf e até o PP tem gente interessada no bem-estar da sociedade, tenho certeza. (Não sei o que fazem lá, mas digo o mesmo de vários ex-companheiros meus no PT... Eles tem vergonha da direção e de algumas decisões do partido, abominam os desvios de conduta, são tratados a pão e água, ficam isolados, não tem um fiapo de voz dentro do partido mas não saem. Vai entender).
Mas o PP não está no governo porque fez concessões e se alinhou a Lula-Dilma porque tem mais convergências que divergências; porque tem posições semelhantes e quer contribuir com a nação. O PP está lá porque tem sua "cota" - e ficou com um Ministério que poderia/deveria ser MUITO importante, muito estratégico: o Ministério das Cidades. Criado no governo Lula, já teve Erminia Maricato e Raquel Rolnik - elas sim, identificadas historicamente com as bandeiras do (antigo) PT. Agora tem alguém indicado pelo Partido Progressista. Cai um (por denúncias insistentes feitas na imprensa), entra outro do mesmo partido.
***
Lula é aquele que dizia que a política econômica era injusta e excludente e trouxe o Henrique Meirelles para presidir o Banco Central. Dizia que a CPMF era um absurdo; que não era dinheiro que faltava para a Saúde porque a carga tributária já era imensa; que bastava haver mais competência e menos corrupção. Depois disse que Deus ia castigar quem tinha votado contra a prorrogação da CPMF.
Lula é do partido que abominava a transposição do São Francisco, depois decidiu fazer a transposição, já gastou bilhões e não fez p. nenhuma. Do partido que criticava o projeto de uma megausina hidrelétrica na Bacia do Xingu, no Sul do Pará. Que defendia dar uma banana, e não quitar a dívida com o FMI. Que dizia que o governo queria deixar as pessoas ignorantes para continuarem reféns de seus favores (continuamos "bem" no ranking do analfabetismo). Que programa de Bolsa era que nem esmola. Que condenava a transferência de recursos públicos para o setor privado (e agora alimenta megafrigoríficos com recursos do BNDES e subsidia a construção de estádios de futebol).
Lula também é aquele que já se desculpou com Collor e disse que Sarney (na época acusado de mil e uma barbaridades na presidência do Senado) merecia "tratamento especial" por sua história. Disse também que o DEM precisava ser extirpado (claro, é oposição, né?).
É aquele que usou como NUNCA ANTES NESTE PAÍS a máquina pública para eleger sua sucessora. Um escândalo. Que atropelou a convenção do PT no Maranhão para obrigá-lo a apoiar ROSEANA SARNEY. Bom, que um dia elogiou Hitler à Playboy, pela determinação em perseguir seus objetivos. Sim, um psicopata determinado, como qualquer serial killer.
***
Aí as pessoas "descobrem" que Lula faz qualquer coisa para ganhar uma eleição. Que não está NEM AÍ para ideologia, programa de governo, postura política, biografia, ficha limpa ou folha corrida. Ficam chocadas, de queixo caído, "até tu, PT?"; "até tu, Lula"?
Eu fico chocada é com as pessoas inteligentes, politizadas, bem informadas.
:o(
***
As pessoas não leem jornais (ah, vá). Digo as pessoas TODAS - incluindo as "politizadas", engajadas, "bem informadas". Acompanham, na política, os escândalos mais ruidosos, os espetáculos do momento.
Não é à toa que a gente (da oposição) grita, esperneia, chora e range os dentes e ninguém escuta. Ainda dizem que "não tem oposição". Fica difícil sem ressonância na sociedade... Nos "movimentos sociais", que hoje em dia ficam cheios de dedos antes de criticar o atual governo... Já deram DEZ ANOS para esse governo promover as "grandes transformações", a gente continua naquele passo arrastado de sempre e elas atacam "o mundo", "as forças contrárias", sei lá. Mas o governo eles poupam. Teve o movimento #vetaDilma, que bom!, mas parou aí. Não fazem troça com a presidente botando na mão dela uma motossera, um saco de dinheiro, um tridente.
Desde a ditadura militar o humor não é tão cuidadoso e ainda assim patrulhado como está sendo nos últimos anos. Durante a campanha de 2010, naquela negociação (que é sempre muito parecida) com os partidos que viriam a compor a aliança - em torno de "programa de governo", claro, naaada a ver com dinheiro e cargos - um chargista desenhou a Dilma com uma bolsinha na esquina dizendo "eu sou uma candidata de programa". NOSSA, o mundo quase veio abaixo. "Falta de respeito com a mulher"! "Chovinistas"! Eu achei genial usar o duplo sentido da palavra "programa" para expor o que realmente acontecia: uma negociação que de "programática" não tinha nada. "Eu te pago o que você pede e você me dá o que eu quero".
Ainda tenho em casa várias Bundas (era uma revista) esculachando o Fernando Henrique sem dó nem piedade. A capa de uma tem o então presidente vestido de Carmem Miranda, criticando de maneira debochada a aliança com ACM. Se alguém fizer hoje coisa parecida, capaz de ser excomungado. Acusado de "golpismo" será, certamente.
***
Há muito tempo o partido do Maluf é base do governo Lula. Ok, o partido não é só Maluf e até o PP tem gente interessada no bem-estar da sociedade, tenho certeza. (Não sei o que fazem lá, mas digo o mesmo de vários ex-companheiros meus no PT... Eles tem vergonha da direção e de algumas decisões do partido, abominam os desvios de conduta, são tratados a pão e água, ficam isolados, não tem um fiapo de voz dentro do partido mas não saem. Vai entender).
Mas o PP não está no governo porque fez concessões e se alinhou a Lula-Dilma porque tem mais convergências que divergências; porque tem posições semelhantes e quer contribuir com a nação. O PP está lá porque tem sua "cota" - e ficou com um Ministério que poderia/deveria ser MUITO importante, muito estratégico: o Ministério das Cidades. Criado no governo Lula, já teve Erminia Maricato e Raquel Rolnik - elas sim, identificadas historicamente com as bandeiras do (antigo) PT. Agora tem alguém indicado pelo Partido Progressista. Cai um (por denúncias insistentes feitas na imprensa), entra outro do mesmo partido.
***
Lula é aquele que dizia que a política econômica era injusta e excludente e trouxe o Henrique Meirelles para presidir o Banco Central. Dizia que a CPMF era um absurdo; que não era dinheiro que faltava para a Saúde porque a carga tributária já era imensa; que bastava haver mais competência e menos corrupção. Depois disse que Deus ia castigar quem tinha votado contra a prorrogação da CPMF.
Lula é do partido que abominava a transposição do São Francisco, depois decidiu fazer a transposição, já gastou bilhões e não fez p. nenhuma. Do partido que criticava o projeto de uma megausina hidrelétrica na Bacia do Xingu, no Sul do Pará. Que defendia dar uma banana, e não quitar a dívida com o FMI. Que dizia que o governo queria deixar as pessoas ignorantes para continuarem reféns de seus favores (continuamos "bem" no ranking do analfabetismo). Que programa de Bolsa era que nem esmola. Que condenava a transferência de recursos públicos para o setor privado (e agora alimenta megafrigoríficos com recursos do BNDES e subsidia a construção de estádios de futebol).
Lula também é aquele que já se desculpou com Collor e disse que Sarney (na época acusado de mil e uma barbaridades na presidência do Senado) merecia "tratamento especial" por sua história. Disse também que o DEM precisava ser extirpado (claro, é oposição, né?).
É aquele que usou como NUNCA ANTES NESTE PAÍS a máquina pública para eleger sua sucessora. Um escândalo. Que atropelou a convenção do PT no Maranhão para obrigá-lo a apoiar ROSEANA SARNEY. Bom, que um dia elogiou Hitler à Playboy, pela determinação em perseguir seus objetivos. Sim, um psicopata determinado, como qualquer serial killer.
***
Aí as pessoas "descobrem" que Lula faz qualquer coisa para ganhar uma eleição. Que não está NEM AÍ para ideologia, programa de governo, postura política, biografia, ficha limpa ou folha corrida. Ficam chocadas, de queixo caído, "até tu, PT?"; "até tu, Lula"?
Eu fico chocada é com as pessoas inteligentes, politizadas, bem informadas.
:o(
Marcadores:
alianças,
baixarias de campanha,
base governista,
campanha eleitoral,
eleições,
governo,
Lula,
Maluf,
Mídia,
oposição,
política,
PPS,
prefeitura,
PT
Assinar:
Postagens (Atom)