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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A indecência das bandeirinhas

Não as que marcaram impedimentos inexistentes para fúria de alguns.

Não as que posaram nuas, para a fúria dos mesmos ou de outros.

As da conta de luz.

Quer dizer então, cidadão, que o governo fez o PAC 1, o PAC 2, o PAC Mobilidade, o PAC Copa do Mundo, o PAC Energia, o PAC infraestrutura, o PAC KCTA4 e agora ele gentilmente avisa na conta de luz: "a infraestrutura de energia avançou bosta nenhuma, então se prepara aí que de vez em quando a tarifa fica mais cara ainda"??

Botar a bandeirinha vermelha quando aumenta o uso de térmicas - que são mais caras e, como se não bastasse, mais poluentes - para que o cidadão saiba que é melhor economizar é tão descarado, tão torpe...

VOCÊ banca as obras das mega-hidrelétricas carésimas e discutíveis. Jirau, Santo Antonio, Belo Monte. VOCÊ arcará com os danos ambientais irreversíveis. E você arca com o custo adicional do uso das térmicas quando o sistema hidrelétrico não der conta.

Pras distribuidoras de energia, é um negocião. Se chove ou não chove, se precisa recorrer a esta ou aquela fonte, tanto faz, o pobrema é do fregueiz. Ele que economize, ué.

Ai Brasil... Tu não aprende.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O bagulho é louco e o processo é lento

Mais do clássico discurso de Dilma no Dia das Crianças

"Então, eu quero dizer: além disso, não tinha dinheiro. Além de não ter dinheiro, nós não tínhamos engenheiros, não, porque se não tinha obra, não se formavam engenheiro no nosso país. A primeira vez que engenheiro passou advogado foi este ano, em termos do número de formandos. Em 2003, quando nós estávamos tentando fazer plataforma, as plataformas da Petrobras aqui, disseram para mim que nós não éramos capazes de fazer casco. Sabe de que é o casco da plataforma? É feito... é sofisticado, mas é uma sofisticação, eu diria, simples, contraditoriamente, porque você faz o casco e solda. Não tem nenhuma tecnologia. Como é que nós não conseguíamos fazer casco, e nós fomos o oitavo produtor de navios em [19]80?

Então tinha um processo no Brasil, e esse processo é pesado. Eu acredito que há um esforço hoje. Nós colocamos na pauta, a partir de 2011, nós colocamos na pauta mobilidade urbana e demos prioridade a metrô. Por que é que fizemos isso? Por uma concepção: é impossível, com as nossas cidades crescendo – São Paulo com 11 milhões; o Rio com 8 ou 9; Belo Horizonte com um similar; Porto Alegre com os seus 2 milhões – é impossível não construir metrô. Se nós não construirmos metrô agora, nós teremos, na frente, o problema que hoje São Paulo enfrenta.

Então, a nossa prioridade é construir metrô. Prioridade em que termos? Nos termos das grandes cidades e é garantir para as cidades médias uma estrutura de transporte que seja a mais adequada possível no seguinte sentido. Quando tiver possibilidade de integrar diferentes modais, ônibus, se tiver um monotrilho, se tiver um aeromóvel, fazer uma integração e caminhar em direção ao bilhete único, esta é a forma mais racional"

1 - Como já disseram alguns, vai ver Itaipu, o metrô de São Paulo, a Imigrantes, os túneis do Maluf e da Marta etc foram feitos pelos Deuses Astronautas, já que engenheiro não tinha.

2 - "Sofisticação simples, você faz o casco e solda". Ainda bem [modo de dizer] que Dilma é presidente e não engenheira.

3 - "Nós colocamos na pauta a partir de 2011 a mobilidade urbana e demos prioridade ao metrô". Em parte é verdade, porque o Lula se lixava para projeto de metrô, ele quer que "pobre tenha carro". Dilma seguiu na mesma linha com o IPI Zero para indústria automobilística, e as cidades que se danem... Então a "prioridade" é discutível, até porque em 2013 ainda está fazendo o enésimo anúncio-de-assinatura-de-contrato-para-início-de-obras... E o PAC 1, aquele do "espetáculo do crescimento", JÁ PREVIA metrô. Mas foi tão acelerado o plano de aceleração que em 2011 virou prioridade e em 2013 ainda engatinha. #imaginanaCopa

4 - "Belo Horizonte com um similar" (a 8 ou 9 ou 11 milhões, como SP e RJ). NÃO, segundo o último censo, Belo Horizonte tem 2.375.444 habitantes. E o metrô de BH é um dos que estavam previstos lá no PAC 1.

5 - "Se não construirmos agora, teremos o problema que hoje São Paulo enfrenta". É, São Paulo é o pior do Brasil, serve como exemplo para o que de ruim pode acontecer daqui a uns anos... É incrível. Mesmo eu querendo MAIS, MUITO MAIS, mesmo tenho xingado o Maluf por ter investido bilhões em obras rodoviaristas (E superfaturas, para piorar o que já era ruim), o fato é que São Paulo foi A ÚNICA que fez metrô pra valer. A ÚNICA no país. Que tem metrô e uma rede extensa de transporte metropolitano sobre trilhos. Mas São Paulo sofre com o trânsito de caminhões, já que não tem trem nem hidrovia como poderia ter nessa droga de país (e NÃO É por falta de engenheiro). Sofre com a desigualdade, a pobreza da Região Metropolitana e suas dezenas de cidades-dormitório. Com o excesso de automóveis particulares, que o governo federal ajuda a alimentar.

E o governo federal não deu UM TOSTÃO para o metrô de São Paulo no governo Lula. Se dependesse de PAC, governo federal e PT, não teria NADA de metrô aqui. Até a prefeitura deu dinheiro para o metrô.

E tem mais um "detalhezinho". Nos ANOS 50 a população de São Paulo passou de pouco mais de 2 milhões de habitantes para mais de 3,5 milhões. Um milhão a mais do que BH e PoA tem hoje.Foi "FÁCIL" lidar com isso tudo de demanda esses anos todos.

E depois SP é que é lerdo... Brincadeira.

6 - "Quando tiver possibilidade de integrar diferentes modais, ônibus, se tiver um monotrilho, se tiver um aeromóvel, fazer uma integração e caminhar em direção ao bilhete único, esta é a forma mais racional". "Quando tiver". Como se a possibilidade não tenha de ser PLANEJADA, GARANTIDA, e sim resultar de uma feliz coincidência.

Vão bem os conceitos e planos de mobilidade urbana do governo Dilma. Mas é que ela chegou agora NAO PERA.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Metrô é difícil de fazer - 1

Para quem acha ridícula a extensão de 70km de metrô em São Paulo, seguem trechos da fala de uma autoridade dizendo, em outro estado, como essa é uma obra dificílima de fazer, por razões históricas, conjunturais ou permanentes. Grifos meus.

"No caso específico da mobilidade urbana, é [necessário] o reconhecimento de que nosso país, durante 30 a 40 anos não investiu em mobilidade urbana de forma adequada, necessária e sistemática.

Por que é que não investimos? Primeiro porque havia no Brasil determinadas concepções que consideravam que metrô era coisa de país rico. Como nós não éramos um país rico, não podíamos investir em metrô. Essa era a visão dominante no início dos anos 80.

Talvez esse problema de concepção fosse ligado ao fato de que, naquele período de 80, 90, início de 2000, não tinha grandes investimentos em infraestrutura. Além disso, não tinha dinheiro e não tínhamos engenheiros, porque se não tinha obra, não se formavam engenheiro no nosso país.

Então tinha um processo no Brasil, e esse processo é pesado. Eu acredito que há um esforço hoje.
Não é um processo simples. Talvez, das obras, entre as obras complexas que estão em andamento no Brasil, o metrô tenha grande complexidade porque ele está sendo feito sobre uma cidade construída.

Todos os prefeitos e governadores tiveram dificuldades técnicas, todos eles adequaram e aperfeiçoaram cada vez mais seus modelos.

Nós temos uma visão, primeiro, das dificuldades de construir. Ninguém acha que isso é fácil. Vai ter de desapropriar e combinar tecnologia de shield ou tatuzão. Tem discussão hoje em todos os estados: como é que faz?

Qualquer obra de engenharia tem risco. Não é impossível que, mesmo você tendo feito a melhor sondagem, o melhor estudo geológico... aqui neste estado ocorreu uma coisa inesperada num risco de engenharia. Não é possível tratar essa questão do metrô como se fosse uma trivialidade, algo que você aperta um botão e sai fazendo".

***
Quem foi a autoridade que fez esse pronunciamento? Dilma, em discurso em Porto Alegre esta semana. Aquele que ficou famoso por ela ter dito que "sempre que você olha uma criança, há sempre uma figura oculta, que é um cachorro atrás, o que é algo muito importante". [SIC]

No que eu concordo com ela? Metrô é complicadíssimo de se fazer, ainda mais depois que a cidade está construída. Caro, complexo, demorado.

No que eu discordo? Muita, muita coisa. Muita. No próximo post, faço meus comentários sobre o texto acima. No seguinte, vou comentar o discurso na íntegra, que tem coisas... absurdas. Absurdas.

***
Pra adiantar, se alguém quiser ouvir, eis a íntegra (37min25s) do discurso da Presidenta Dilma

segunda-feira, 3 de junho de 2013

"Resolvemos de maneira clara"

O Fantástico tem mostrado uma série de reportagens da Sonia Bridi que revelam, de maneira chocante, escandalosa, intolerável as BARBARIDADES cometidas pelo governo federal Brasil adentro. Um ABSURDO. Deveria levar a discursos inflamados, protestos enfurecidos (cartas para os jornais, artigos, editoriais, blogs) e medidas judiciais. Era pra derrubar ministro, secretário executivo e encostar a presidente na parede. Ela tinha de ser pressionada até fazer um pronunciamento tentando justificar o injustificável.

Dilma, em outro planeta (em que ela fosse mais honesta e competente), poderia dizer: "EU RECEBI UMA HERANÇA MALDITA. Nos últimos oito anos, bilhões foram torrados em obras mastodônticas, mal planejadas, caríssimas, sem contar os desvios de recursos". Mais honesta ainda, diria "Não posso deixar de reconhecer minha responsabilidade, tendo sido designada "Mãe do PAC" pelo presidente Lula, e tendo aceitado disputar a presidência usando essa experiência como meu principal trunfo".

Como o país virou uma zona em que dificilmente escândalos tem consequências, a Globo ouve uma ministra que fala BARBARIDADES e FICA POR ISSO MESMO.

A matéria deste domingo foi sobre os malditos aeroportos. Aqueles que estariam em condições espetaculares para a Copa do Mundo - afinal, essa era a principal razão para investirmos bilhões em recursos públicos para sediar o evento, o "legado" para a população.

P. nenhuma. Continuam um lixo. Acompanhem, são 12 minutos de reportagem.

Aeroportos do Brasil são piores do que de países da África

Esse é o trecho antológico:

No Brasil, estradas, ferrovias, até a transposição do rio São Francisco começaram sem ter projeto.

“O Brasil ficou 30 anos sem fazer obras. [Ela FALOU isso. Sem ficar vermelha]. Isso desmontou a maior parte das empresas de consultoria para realização de projetos. ["Desmontou" as empresas de "consultoria"??]. Então nós tivemos uma deficiência. Tem poucas empresas no mercado para fazer isso. E nós resolvemos, de maneira bastante clara, de que era mais importante começar a fazer obras e entregar obras importantes que o país precisava mesmo sem ter os projetos executivos prontos, porque o mais caro para o Brasil é não ter a obra. Esse é o custo Brasil mais alto”, aponta a ministra do Planejamento, Miriam Belchior.

Obras importantes foram começadas, sim. E não todas. Entregues??? Nada. Mas resolveram de maneira clara fazer as obras SEM PROJETO EXECUTIVO porque era importante que ficassem prontas logo!!! Que ABSURDO!

Nos últimos 30 anos, São Paulo fez metrô, a pista nova da Imigrantes com túneis enormes, o Rodoanel. As rodovias do estado são, DE LONGE, as melhores do Brasil. Congonhas e o Santos Dumont foram reformados; o Rio fez a Linha Amarela. A Petrobrás descobriu petróleo no pré-sal. Empreiteiras brasileiras foram contratadas para obras gigantescas em outros continentes.

O que a ministra diz é tão irresponsável que ela devia ser PROCESSADA por isso. SE fosse verdade, como o governo poderia decidir fazer as gigantescas Belo Monte, Jirau, Transposição do São Francisco?

E pelo amor de deus, precisa muita coisa para fazer um projeto de aeroporto, reformar rodovias? As empresas "de consultoria" desaprendem, se desatualizam?

O Brasil está muito longe de ser um país "de primeiro mundo", desenvolvido, justo. Quando não conseguimos SEQUER fazer as obras de infraestrutura, quando teremos cidades saudáveis e sustentáveis, educação e saúde de qualidade? Em vez de avançar, andamos para o lado e para trás!!

E nem estranhamos. Assim como o funcionário do necrotério não estranha mais os cadáveres, não nos arrepiamos com as barbaridades feitas em nosso nome.

PS: INCRÍVEL como o governo agora fala com a maior naturalidade que portos, aeroportos e rodovias não terão qualidade se não forem concedidos/ privatizados. Nessa matéria, por exemplo, foi ouvido o ministro Moreira Franco, da Secretaria da Aviação Civil (é, aviação civil também tem direito a secretaria com status de ministério... Haja especialização).

"Para dar conta do investimento necessário, o governo anunciou transferir mais aeroportos para administração privada, como já fez com Guarulhos, Viracopos e Brasília. As empresas vencedoras da licitação administram e fazem ampliações nos terminais. “Só pelo setor público, não vamos conseguir resolver o grande desafio que é garantir ao cidadão brasileiro um sistema aeroportuário adequado”, destaca Moreira Franco".

E nunca, jamais se ouvirá alguém dizendo "revimos nossa posição". E é capaz de nas próximas eleições continuarem demonizando a privatização etc.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Compostura nota 10

O Google é incrível quando acha em milésimos de segundo o que a gente estava procurando. E igualmente incrível quando acha o que não estávamos procurando.

Eu queria encontrar uma entrevista recente do ministro da Secretaria Especial de Portos em que ele disse "Faz 15 anos que não se investe em portos no Brasil". Ato-falho, né, porque ele esqueceu que os últimos DEZ foram governo petista, aquele que fez maravilhas.

Queria comparar isso com os Balanços do PAC, que sempre comemoram os super investimentos incríveis em infraestrutura e outras coisas. Não achei a entrevista que procuravam, mas esta aqui já ajuda: "Portos terão capacidade esgotada em dois anos, diz ministro". Isso é que é Programa de Aceleração do Crescimento bem feito!! Parabéns aos envolvidos.

Mas o que eu achei sem querer foi uma longa entrevista da presidente Dilma no dia 27 dezembro do ano passado (1h18 minutos, tem o áudio disponível e também a transcrição) para os setoristas. Vale a pena ler inteira. Depois vou destacar alguns trechos, mas por enquanto fico com este trecho, que mostra a compostura da presidente no relacionamento com os jornalistas.

Presidenta: Tânia, eu vou te falar. Como nós somos, nós temos longos anos de praia juntas, eu vou te lembrar uma resposta que uma vez eu dei: eu não respondo isso, Tânia, nem amarrada. Você lembra do “nem amarrada”?

(O assunto era os royalties. Infelizmente a pergunta ficou inaudível, como muitas ao longo da entrevista. Quer dizer, não providenciaram microfone para os jornalistas, os espertos).

***
Vou copiar e colar também alguns pontos em que o que espanta é mesmo o conteúdo, não a forma.

"Aí tem uma quarta questão, que é muito grave: que é a questão da infraestrutura no Brasil. Ninguém faz infraestrutura em um ano. É uma simplificação que nós não podemos nos permitir ... a infraestrutura dos países, ela é feita ao longo de anos".

1) Quem foi que simplificou tudo e disse que estava fazendo uma incrível "aceleração", com as obras em super bom andamento, foram eles.

2) "Em um ano" não dá pra fazer, mas e nos dez que já se passaram de governo Lula/Dilma? Alem da infraestrutura, esse é um país que não tem ferrovia. Nós estamos no século XXI e não temos".

Será que ela tá mesmo provocando o Lula? Porque não é possível.


  

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Matemágica

No site do Fome Zero, um exemplo Malba Tahan de como o governo brinca com os números:

PAC injeta R$ 7,35 bilhões em moradia e saneamento em SP

[SETE BILHÕES. Acompanhe como chegamos a esse número]

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou nesta terça-feira (26/06), no Palácio dos Bandeirantes, repasse de R$ 4,92 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a execução de obras de saneamento e urbanização de favelas em 58 municípios paulistas. São R$ 2,08 bilhões do Orçamento Geral da União (OGU) e R$ 2,83 bilhões em financiamento. Com as contrapartidas do Estado, de R$ 1,82 bilhão e, dos municípios, de R$ 605 milhões, o investimento chega a R$ 7,3 bilhões.

PORTANTO:
R$ 2,08 bilhões vieram do Orçamento da União.
R$ 2,83 bilhões são FINANCIAMENTO. Portanto, o estado vai ter de pagar por ele. É empréstimo, não transferência.
R$ 1,82 bilhões são do Orçamento do Estado.
R$ 650 milhões, dos municípios.

Dos SETE BILHÕES "injetados", o governo federal entrou com DOIS!!!

(SEM CONTAR que o dinheiro da União sai todinho daqui... Dos estados e municípios... SANGRADOS pelo ridículo sistema tributário centralizador que temos. Mandamos trilhões para lá, eles mandam 2 bi e ainda se fazem de generosos)

Para quem se interessar, segue o complemento da notícia:

Os termos de cooperação serão assinados pelo governador do Estado, José Serra, e prefeitos dos municípios que integram as Regiões Metropolitanas (RMs) de São Paulo (27), Campinas (14) e da Baixada Santista (8), além de nove cidades com população superior a 150 mil habitantes. De acordo com o ministro das Cidades, Marcio Fortes de Almeida, que participa do evento, os recursos serão aplicados em obras de grande porte, como a urbanização de favelas, a remoção de moradias em áreas de risco e a erradicação de palafitas na Baixada Santista.


Na área de saneamento, os recursos destinam-se principalmente a  recuperação de mananciais no entorno das represas Billings e Guarapiranga e à  despoluição da Baía de Santos e da bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí−. Também serão realizadas obras de ampliação e implantação de redes de abastecimento de água e esgotamento sanitário nas três Regiões Metropolitanas. 

Eu venci, nós empatamos, vocês perderam

Como eu sempre digo (e não adianta nada, e por isso quero ser deputada federal para ver se faz mais efeito), o governo federal juntou uma porção de obras e chamou de "Plano" de "Aceleração". Boa parte dessas obras é de responsabilidade de estados e municípios; em alguns casos, o recurso é integralmente do governo federal e a obra também; em outros, ele só coloca o dinheiro. Tem de tudo: da Transposição do São Francisco e Belo Monte à construção de quadras cobertas nas escolas (vê lá se isso deveria ser considerado obra do PAC...). E em outros ainda, o governo local responde pela maioria dos recursos investidos e pela totalidade da obra. Imagine em que estado isso acontece muito - São Paulo, claro.

Aí, se a obra atrasa, se tem problemas com licitações, licenciamento, contratos, pagamentos, acidentes, questionamentos quanto a desapropriações, desocupações e compensação ambiental, é o governo estadual quem responde por tudo isso. MAS quando a obra fica pronta... Ê, é obra do PAC! Vai o Lula na inauguração e fala um monte! O relatório mostra o sinal verde e isso ajuda a elevar o índice de conclusão de projetos.

E depois eles ainda FALAM MAL DE SÃO PAULO, dizendo que a gente está ficando para trás enquanto o país avança celeremente. Que a gente não usa dinheiro federal porque não quer.

)(&*Y*YYGH*&T)(&¨¨¨%#@&¨R

Um exemplo entre muitos:


O governo do estado realiza várias obras de saneamento, melhorando uma cobertura que já é, de modo geral, muito melhor que do restante do país, com grande volume de recursos próprios e a execução todinha sob sua responsabilidade e... o PAC comemora o resultado.

#brincadeira.

Super Transparente [NÃO]

Tenho certeza que antes de lançar o PAC 2 e o Minha Casa, Minha Vida - 2, Lula já dizia que tinha feito "um milhão de moradias" no "maior programa de habitação popular da história do país". Agora o governo federal faz anúncio na TV comemorando a entrega de... um milhão de moradias. Agora. (CLARO que antes era MENTIRA. Adiantava falar? Bem que eu tentei).

E esse um milhão, todos os minimamente interessados sabem, incluem muita coisa que nem de longe é moradia popular. A faixa de 1 a 3 salários mínimos, aliás, é ridiculamente atendida pelo programa. 

Pra variar, tentar conseguir informações nos sites oficiais é trabalho para caçador de tesouros. 

O PAC tem uma página oficial - bem organizada, até. 

De cara a gente encontra informações incríveis, por exemplo:

Autorizada reforma do terminal de passageiros de Salvador
A reforma contemplará, entre outros itens, a modernização do sistema de esteiras de bagagens e das pontes de embarque, e uma nova cobertura do hall entre o terminal de passageiros e o edifício garagem.
"AUTORIZADA a reforma". Puxa, isso é que é Plano de Aceleração. Afinal, foi indagorinha que foi feito o diagnóstico de que os aeroportos precisavam de muitas obras, especialmente nas cidades-sede da Copa, né?
Mas fui atrás das informações sobre o Minha Casa, Minha Vida em sua página específica
Ei-la:

Existem "27 empreendimentos" é uma informação bizarra em - como assim, um empreendimento por Unidade da Federação?? Fui lá saber de São Paulo. Cliquei.

Isso é tudo que eles informam:


Desse "investimento previsto", quanto é do governo federal e quanto do estado e municípios? Quantos, quais e onde são os empreendimentos?

Se vire para descobrir sozinho. #brincadeira


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Pedaços de papel velho

Da série "não consigo jogar fora antes de guardar um pedaço". Guardarei aqui. Porque cadernos de anotação, também já não tenho mais onde guardar.

1 - "Espírito Crítico" 
"O CNT Jornal acertou no conteúdo. A promessa de que ele seria um veículo de boas reportagens vem se cumprindo. Na segunda-feira, o telespectador viu uma matéria sobre os brasileiros presos no Paraguai, depois sobre os travestis assaltantes do Rio de Janeiro e, mais adiante, a mulher que vivia acorrentada como um animal. Sem apelos fáceis. Não que os outros jornais não façam reportagens (estamos aqui chamando de reportagem as histórias da vida real, da vida da gente comum). O que fica diferente no CNT Jornal é a tentativa de mostrar os brasileiros que nunca aparecem no jornal, é a procura de fugir daquela pauta institucionalizada, aquela que aparece na Voz do Brasil e que muita gente ainda segue. Ele não caiu no jornalismo declaratório, que torna qualquer discurso do presidente da República mais importante que tudo. (...) A perfeição plástica tem sido o ingrediente central do embuste do jornalismo na televisão. (...) Mas o tempo passou e o espírito crítico do telespectador mudou um pouco (muito pouco, mas mudou). Hoje ele quer menos teatro e mais informação pra valer. (...) Quer menos ideologismo, menos governismo, mais jornalismo". Eugenio Bucci, especial para o Estado de São Paulo, em alguma data em que os telefones ainda tinha 3 dígitos no prefixo.

Comentários
1 - Aprendi, lidando com o pessoal organizado na defesa dos direitos LGBT, que quando é um homem travestido de mulher, a gente diz "a travesti" :o). 2) Reportagens da vida de gente comum - adoro. 3) A pauta institucionalizada, o jornalismo declaratório... Hoje é menos ostensivo como era nos tempos do Jornal Nacional dos anos 70, mas ainda tratam anúncio de promessa do governo como #fato, declarações de um lado de de outro como "apuração"... 3) Hoje em dia, em vez da "perfeição plástica", o jornalismo tem mais credibilidade com imagens tremidas, de qualidade ruim, de algum cinegrafista amador... O que às vezes vira recurso deliberado - em vez de a imagem tremer porque a qualidade não era,  naquele momento, o mais importante, o cinegrafista corre com a câmera sem necessidade para dar mais emoção etc. A tosqueira evidente deixa tudo mais "real", como quando o Datena briga com o cara do VT, pede uma coisa e entra outra... A "autenticidade" funciona. 4) O espírito crítico do telespectador mudou? Mesmo? JURO - acho que não. TV falou, tá falado.

2 - "Notável"
(...) "O brilhante, o magnânimo, o ilustre, o notável do Orestes Quércia resolveu se enxertar no fascículo "Mil Homens Que Fizeram o Século 20" (...) [Outra pessoa que estaria no fascículo] não chega aos pés da estatura moral do estadista. Quércia, descrito no glossário como um político sempre "identificado com as parcelas pobres da população" e que "nunca se compôs com as elites". (Eduardo Logullo no JT, eu acho - o recorte não preservou nem o nome nem a data do jornal :o/)

Comentários
1 - O autor está sendo irônico, antes que alguém ache que é texto a favor. 2 - Não dá uma impressão que certas coisas se repetem ao infinito? "Identificado com as parcelas pobres", "nunca compôs com as elites"...
#insuportável.

3 - "Virtudes"
"Para virar santo - A Igreja Católica reconhece a santidade após cumpridas quatro etapas: Biografia e virtudes (...) - É preciso que o candidato tenha 11 virtudes (fé, esperança, caridade, prudência, justiça, fortaleza, temperança, pobreza, castidade, obediência e humildade)". (Folha de São Paulo de 11/05/67, na cobertura especial da vinda do Papa ao Brasil para a canonização de Frei Galvão).

Comentário
Essa determinação da Igreja Católica em qualificar sexo como pecado, vício, "malfeito" foi uma das coisas que me afastaram da instituição. "Sexo só para procriação", tenham dó. Nunca me convenci de que era a religião católica que estabelecia isso, mas sim a instituição igreja, a "pessoa jurídica". Que graças aos céus já reviu vários conceitos - não vendem mais Indulgências, né? - mas insiste nessa proscrição. No mesmo jornal uma matéria conta o que está escrito nas famosas pílulas de Frei Galvão, distribuídas no Mosteiro da Luz aos fieis: "Depois do parto, ó Virgem, permaneceste intacta". Puxa vida).

4 - "Feliz"
"Governo derruba competitividade do país, Dilma fica feliz se 60% do PAC for cumprido, Câmara se enterra no aumento para deputados. Alguém duvida que algo vai dar errado?" (No mesmo jornal, no Tiroteio do Painel). 

Comentário
Pois é. Isso porque o Zé Aníbal é amigo da Dilma. Mas no fim ela tinha razão - 60% era uma meta muito ambiciosa... Não rolou.




sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Vamos bem - 2

País rico e sem miséria?

Pesquisa do IBGE recém-divulgada dimensiona os problemas e desafios das cidades brasileiras. Apenas 28% dos municípios têm política de saneamento básico e 32,3% implantaram a coleta seletiva de lixo. Um pouco menos da metade, 47,8%, não possui estrutura para fiscalizar a qualidade da água. E mais: só 6,2% das localidades têm um plano de redução de riscos em caso de desastres naturais, tão comuns durante as intensas chuvas de verão.

Nem nas regiões mais ricas os números empolgam, embora sejam melhores do que nas áreas mais pobres. No Sul, cerca de 70% das cidades possuem planos municipais de saneamento e de fiscalização de qualidade da água. No Sudeste, o índice gira em torno dos 50%.

Quando se fala em coleta seletiva de lixo, o pior indicador cabe a Roraima: nenhum dos seus 15 municípios adotou um plano. O único aterro sanitário fica na capital, Boa Vista. Nos demais, os dejetos hospitalares são, por exemplo, despejados em lixões a céu aberto.

"Os municípios não estão estruturados para a questão de saneamento”, afirmou Daniela Santos Barreto, pesquisadora da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE.  

>>>> 1) Deus queira que o "aterro sanitário" seja digno do nome. No Rio de Janeiro, por exemplo, tinham a cara de pau de dizer "Aterro Sanitário de Gramacho" quando na verdade era um LIXÃO. 2) "Os municípios não estão estruturados". Bom, tem município que não tem dinheiro nem para pagar o piso nacional (que é uma merreca) para os professores de escola pública e depende de repasses do governo federal, Fundo disso, Fundo daquilo. Milhares de municípios, aliás. Se eles "não estão estruturados" - financeiramente, tecnicamente - o governo federal vai fazer O QUE em relação a isso? 3) Em 2009, em um evento no Pará, o então presidente Lula disse "O povo está na merda e eu vou tirar o povo da merda". Realmente, o povo ainda estava na merda depois de 7 anos de governo dele. E continua. 

Contrariada

"Atraso do PAC pode tirar Dilma de inaugurações". Ah, esse atraso é um sem-vergonha! Golpista!
A "lista de problemas" é outra safada. Chama eles aqui pra gente ter uma conversa. 


Deu no Valor Econômico (grifo meu em itálico + negrito)

Burocracia, estudos e projetos mal elaborados, dificuldades com desapropriação e licenciamento ambiental, corrupção, ações judiciais e baixa execução orçamentária. A lista de problemas que impôs ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) uma verdadeira corrida de obstáculos começa a fazer as primeiras vítimas na gestão Dilma Rousseff. Com praticamente metade de seu governo cumprido, Dilma terá que lidar com a contrariedade de não ter mais prazo suficiente para inaugurar uma série de empreendimentos bilionários, obras que foram iniciadas ainda na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a primeira fase do PAC, entre 2007 e 2010.

Vejam que coisa mais impessoal, imprevisível, inevitável: "A lista de problemas" impôs ao PAC uma corrida de obstáculos e agora Dilma terá de lidar com a "contrariedade" de não poder inaugurar empreendimentos bilionários.

Parece que os "problemas" caíram do céu, surgiram do chão, foram trazidos pelo furacão. Mas a lista não tem nada desse tipo (um furacão teria atrapalhado mesmo algumas coisas - mas, como diz a música do Premê: "Aqui/ não tem terremoto/ Aqui/ não tem revolução/ É um país abençoado/ Onde todo mundo mete a mão").

"Burocracia" - ahn, da administração pública, pois não? Sei bem o inferno que é - mas quando você é SUBPREFEITA por um ano, não dá pra mexer substancialmente nisso. Tempo mínimo, poder perto do zero. Mas quando você está na PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA por DEZ ANOS e faz do PAC a coisa mais importante do universo... Não conseguiu mexer na burocracia não?

"Estudos e projetos mal elaborados" - precisa comentar?

"Dificuldades com desapropriação, licenciamento ambiental, ações judiciais" - acontece. Porque as pessoas (proprietários de imóveis afetados pelas obras, por exemplo) tem a possibilidade de entrar na Justiça e é assim que as coisas funcionam e devem funcionar. Ou porque tem gente de má vontade querendo sacanear e sabotar (bem-vindos ao mundo real). Ou porque os "estudos e projetos foram mal elaborados" e por isso mesmo há dificuldades com licenciamento ambiental e a interposição de várias ações judiciais. Oras.

"Corrupção" - ...

"Baixa execução orçamentária" - isso é RESULTADO dos outros problemas. Se tinha previsão no orçamento e o dinheiro não foi gasto, é culpa de burocracia - estudos e projetos mal elaborados - dificuldades com desapropriação ambiental - etc. E... incompetência, falta de interesse, de empenho. Para enfrentar essa "lista de problemas" que surgem no bojo da própria administração pública, cacilda.

Mas a "contrariedade da presidente Dilma", que já está na METADE do seu mandato (e já fez o que mesmo de significativo?) é culpa, também, de seu antecessor, o ex-presidente Luis Inacio. Que fez um milhão de anúncios de um bilhão de obras e elas andaram a passo de automóvel na hora do rush. Portanto, a culpa é também da principal responsável pelo PAC no governo Lula, a quem ele mesmo chamava de "A Mãe do PAC".

Ups.

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Antes de encerrar, uma salva de aplausos para a imprensa, que publica duzentos anúncios do governo: "PAC 1", "PAC 2", "Minha Casa 1", "Minha Casa 2", "Crack, é Possível Venver", sempre reproduzindo o press-release ("Vamos investir ... BILHÕES de reais") e depois conclui, em uma materiazinha, que a presidente vai ficar "contrariada" porque não vai conseguir inaugurar um monte de coisas prometidas na década passada.

Mas antes da próxima eleição ela anuncia o PAC 3, todo mundo publica, o João Santana faz um filme bem legal mostrando como vai ficar bonito quando tudo estiver pronto e, se o marqueting e a grana funcionarem de novo, Dilma ganha mais quatro anos para tentar driblar a contrariedade. Ah, essa lista de problemas não perde por esperar.


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Tudo sempre igual


(Peguei esse texto no Conteúdo Livre. Destaquei em negrito minhas partes favoritas :o))



O governo Dilma Rousseff completa 18 meses. Acumulou fracassos e mais fracassos. O papel de gerente eficiente foi um blefe. Maior, só o de faxineira, imagem usada para combater o que chamou de malfeitos. Na história da República, não houve governo que, em um ano e meio, tenha sido obrigado a demitir tantos ministros por graves acusações de corrupção.


Como era esperado, a presidente não consegue ser a dirigente política do seu próprio governo. Quando tenta, acaba sempre se dando mal. É dependente visceralmente do seu criador. Está satisfeita com este papel. E resignada. Sabe dos seus limites. O presidente oculto vai apontando o rumo e ela segue obediente. Quando não sabe o que fazer, corre para São Bernardo do Campo.  A antiga Detroit brasileira virou a Meca do petismo. Nunca tivemos um ex-presidente que tenha de forma tão cristalina interferido no governo do seu sucessor. Lembra o que no México foi chamado de Maximato (1928-1934), quando Plutarco Elias Calles foi o homem forte durante anos, sem que tenha exercido diretamente a presidência. Lá acabou numa ruptura. Em 1935 Lázaro Cárdenas se afastou do "Chefe Máximo" da Revolução. Aqui, nada indica que isso possa  ocorrer. Pelo contrário, pode ser que em 2014 o criador queira retomar diretamente as rédeas do poder e mande para casa a criatura.

O PAC - pura invenção de marketing para dar aparência de planejamento estatal - tem como principal marca o atraso no cronograma das obras, além de graves denúncias de irregularidades. O maior feito do "programa" foi ter alçado uma desconhecida construtora para figurar entre as maiores empreiteiras brasileiras. De resto, o PAC é o símbolo da incompetência gerencial: os conhecidos gargalos na infraestrutura continuam intocados, as obras da Copa do Mundo estão atrasadas, o programa "Minha Casa, Minha Vida" não conseguiu sequer atingir 1/3 das metas.

O Nordeste é o exemplo mais cristalino de como age o governo Dilma. A região passa pela seca mais severa dos últimos 30 anos. A falta de chuva já era sabida. Mas as autoridades federais não estavam preocupadas com isso. Pelo contrário. O que interessava era resolver a partilha da máquina estatal na região entre os partidos da base. Duas agências foram entregues salomonicamente: uma para o PMDB (o DNOCS) e outra para o PT (o Banco do Nordeste). E a imprensa noticiou graves desvios nos dois órgãos, que perfazem quase 300 milhões de reais. A "punição" foi a demissão dos gestores. Enquanto isso, desejando mostrar alguma preocupação com os sertanejos, o governo instituiu a bolsa-seca, 80 reais para cada família cadastrada durante 5 meses, perfazendo 400 reais (o benefício será extinto em novembro, pois, de acordo com a presidente, vai chover na região e tudo, magicamente, vai voltar ao normal). Isto mesmo, leitor. Esta é a equidade petista: para os mangões, tudo; para os sertanejos, uma esmola.

Greves pipocam pelo serviço público. As promessas de novos planos de carreiras nunca foram cumpridas. A educação é o setor mais caótico. Não é para menos. Tem à frente o ministro Aloizio Mercadante. Quando passou pelo Ministério da Ciência e Tecnologia nada fez. Só discursou e fez promessas. E as realizações? Nenhuma. Mercadante lembra Venceslau Braz. Durante o quadriênio Hermes da Fonseca, Venceslau foi um vice-presidente sempre ausente da Capital Federal. Vivia pescando em Itajubá. Quando foi alçado à presidência da República, o poeta Emílio de Menezes comentou sarcasticamente: "É o único caso que conheço de promoção por abandono de emprego." Mercadante é um versão século XXI de Venceslau. O sistema federal de ensino superior está parado e vive uma grave crise. O que ele faz? Finge que nada está acontecendo. Quando resolve se manifestar, numa recaída castrense, diz que só negocia quando os grevistas voltarem ao trabalho.

A crise econômica mundial também não mereceu a atenção devida. Como o governo só administra o varejo e não tem um projeto para o país, enfrenta as turbulências com medidas paliativas. Acha que mexendo numa alíquota resolve o problema de um setor. Sempre a política adotada é aquela mais simples. Tudo é feito de improviso. É mais que evidente que o modelo construído ao longo das últimas duas décadas está fazendo água (e não é de hoje). É necessário mudar. Mas o governo não tem a mínima ideia de como fazer isso. Prefere correr desesperadamente atrás do que considera uma taxa de crescimento aceitável eleitoralmente. É a síndrome de 2014. O que importa não é o futuro do país, mas a permanência no poder.

Na política externa, se é verdade que Patriota não tem os arroubos juvenis de Amorim, o que é muito positivo, os dez anos de consulado petista transformaram a Casa de Rio Branco em uma espécie de UNE da terceira idade. A política externa está em descompasso com as necessidades de um país que pretende ter papel relevante na cena internacional. O Itamaraty transformou-se em um ministério marcado por derrotas. A última foi na Rio+20, quando, até por ser a sede do evento, deveria exercer não só um papel de protagonista, como também de articulador. A nossa diplomacia perdeu a capacidade de construir consensos. Assimilou o "estilo bolivariano", da retórica panfletária e vazia, e, algumas vezes, se tornou até caudatária dos caudilhos, como agora na crise paraguaia.

O governo Dilma parece velho, sem iniciativa. Parodiando o poeta: todo dia ele faz tudo sempre igual. E saber que nem completou metade do mandato. Pobre Brasil.
O Globo
26/06/2012

(Ou seja: só não concordo com a parte que diz que, na verdade, é o Lula quem governa. O desgoverno é todo Dilma). 

(PS: Comentário no blog: "Anônimo Imagine o (des)governo do PSDB de São Paulo. Faz 20 anos que os tucanos estão falindo o estado, acabando com a educação, aumentando a violência e a mídia vendida não mostra isso. Por isso que só leio essas "babaquices" como as desse articulista tucano por este site, de graça". Ou seja: não assina, não apresenta nenhum argumento para contrapor a tudo o que foi dito (também, vai dizer que o PAC é uma maravilha, a Dilma arrasa na luta contra a corrupção, a infraestrutura não tem gargalos, o ensino superior é um espetáculo etc?) e cai no de sempre: comparar com os tucanos (e quem disse que eles precisam ser o parâmetro de certo e errado nesse mundo? "Se os tucanos fazem, a gente também faz", é assim? "Eles fizeram primeiro, a gente condenava mas quer fazer igual!") e na avacalhação a São Paulo (como se aqui não fosse, apesar do milhão de problemas, um lugar muito mais avançado em políticas públicas do que o resto do Brasil - mesmo os estados mais ricos e menos populosos). Vai ver como está o Maranhão com séculos de Sarney (agora avalizado e apoiado pelo PT!), Recife com 12 anos de PT, o Rio com bastaaante tempo de PMDB...)).



terça-feira, 17 de abril de 2012

Revolta matutina

Dilma e Mantega agora fazem cara de maus, dão pito em todo mundo: nos Estados Unidos, pela desvalorização da moeda deles em relação à nossa (ooooi?); nos bancos privados, pelas taxas de juros e o spread; na carga tributária...

Serão eles colunistas de jornais? Políticos de oposição? Ah, não, eles são do governo... É mesmo.

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Lula era bom nisso - de ser governo e fazer discurso de oposição, bravo pra caramba. Tem aquele discurso histórico no Pará, depois de 7 anos de governo: "Eu vou tirar o povo da merda!". Pensou que era candidato ainda.

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Ao menos a bronca de Dilma e Guido é nos bancos. Lula uma vez mandou os brasileiros tirarem a bunda da cadeira para encontrar juros mais baixos.

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Mas o que será que aconteceu com o partido da presidente, que antes xingava o governo federal pelo spread dos bancos etc? Antes o Presidente da República só não acabava com a farra dos bancos porque não queria. Agora o chefe do executivo federal só pode ralhar, mais nada?

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Me irrita tanto lembrar de como, enquanto éramos (o PT) oposição, o FHC era culpado por tudo, tudo, tudo... Ele e seus aliados - ou, mais especificamente, o pefelê. Eu realmente acreditava nisso. Se no Brasil havia miséria, milhões de analfabetos, desigualdade, violência, apagão da ética, apagão elétrico, estradas esburacadas, hospitais nojentos, falta de trens, desemprego, salário mínimo insuficiente para atender as necessidades de uma família, corrupção, lucro excessivo dos bancos, universidades federais caindo as pedaços, cidades deterioradas, concentração dos meios de comunicação nas mãos de poucos, coronelismo, esgoto sem tratamento, burocracia, tráfico de influência, uso criminoso da máquina governamental, abuso do poder econômico, ostentação da riqueza, impunidade, lentidão da Justiça, a culpa era DO GOVERNO FEDERAL. Agora é assim: quando tem problemas, é uma questão local. "Violência em São Paulo", por exemplo. Quando alguma coisa é bacana, o mérito é do governo federal ("14 milhões de empregos! Rodoanel é obra do PAC!").

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Estive em Recife outro dia, vi tanta miséria, tanta... Palafitas que formam uma verdadeira cidade degradada na beira do Capiberibe... Política urbana pavorosa - um trânsito medonho, empreendimentos imobiliários totalmente irracionais do ponto de vista do uso do solo... Trânsito violento, transporte público horroroso...  QUANTOS ANOS DE PT LÁ, meu deus? Na prefeitura e no governo federal? De um super aliado no governo estadual? Que MERDA.

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E aí tem a Globo, né? Como sempre teve. Mais descarada, menos descarada... Globo e Globo News substituem perfeitamente a Hora do Brasil. Anunciam tudo como lindo, maravilhoso! "Bancos públicos reduzem os juros, isso aumenta a concorrência e é bom para os clientes, êêê!"; "com mais dinheiro no bolso [oi??], brasileiro já não quer mais carro popular"; "a classe média já pode comprar um iate" (juro, ACABEI de ouvir no Bom Dia Brasil).

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E tem as grandes incorporadoras e empreiteiras, né? Comercial da Cyrela começa assim: "O Brasil nunca viveu uma fase tão boa! Cai a taxa de juros, economia cresce!"

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E a festa que a "TV dos Marinho" fez com a LDO? "Governo otimista, projeto crescimento de CINCO E MEIO POR CENTO para o ano que vem e aumento de SETE POR CENTO no salário mínimo!"

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Ontem, pra completar, o candidato do Lula - portanto, da Dilma, dos ministros, das estatais, das empresas que tem contrato com o governo federal, das empresas que dependem de uma mãozinha do BNDES - esteve na Record E na Bandeirantes.

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Off topic 1 - Geeente, e a Cristina Kirschner? Os argentinos são tão cultos, agerridos, leem mais que os brasileiros, são mais articulados, matam a gente de inveja com seu nível de politização e engajamento etc. Mas se deixam levar na conversa desses populistas demagogos com a maior fé.

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Off topic 2 - Chamar o Cachoeira de "bicheiro" é  uma impropriedade, né? Evidentemente essa era uma ocupação marginal, quase um hobby, porque ele ganhava dinheiro mesmo com os governos!



sábado, 2 de outubro de 2010

Concordo com a Dilma!

"O pior dessa campanha foram as mentiras sorrateiras", diz Dilma.

Concordo com ela!

A rede é cheia de mensagens mentirosas, alarmistas, ofensivas, nojentas. O anonimato na internet faz com que as pessoas percam todas as medidas. Acontece no futebol, na política, em tudo.

Mas o que realmente diferencia o PT e este governo dos demais é a disposição institucional de mentir. Não é uma "corrente" anônima, é uma orientação que vem desde cima.

É o Mercadante dizer que "o metrô é só para os ricos" (!!!), que o PSDB "não investe em metrô" (é, quem investiu mesmo foi o PT em Fortaleza, Salvador, em Belo Horizonte...), o governo federal "mandou bilhões para São Paulo fazer metrô", que foi o PT quem fez os investimentos no Rodoanel e nas favelas de Paraisópolis e Heliópolis, que São Paulo tem "a pior educação do Brasil" (os dados do Ministério da Educação dizem que é o Pará), que os policiais de São Paulo tem "o pior salário do Brasil" (o piso exigido pelo Ministério da Justiça para  conceder Bolsas do Pronasci é menor que o piso de São Paulo), que o PSDB "não fez nenhum concurso em 16 anos"...

E tudo o mais que o governo federal diz que fez: mais mutirões de Saúde, 500 UPAs, "4 mil novas casas por dia" e quase tudo o que eles chamam de PAC.

O PT dizer que eles são "os pobres" contra a "elite branca"; os fracos contra "os poderosos"; os independentes contra os "interesses de 8 famílias", os autores do Mundo Novo, responsáveis exclusivos pela redemocratização do país, pela estabilidade econômica, pelo programa de Bolsas, pela descoberta do petróleo, pelo prestígio do Brasil no cenário internacional.

O PT e os aliados dizerem que os tucanos "nunca fizeram nada pelo Nordeste", que a oposição é "raivosa" e "torce contra", que o Serra "vai acabar com o Bolsa Família", tem "nojo de pobre", "manda bater em professor", "manda tocar fogo em favela". "Vai acabar com o 13º, as férias remuneradas, a licença-maternidade", como disse o "Paulinho da Força" em um comício. "Não foi o responsável pelo FAT", "não foi responsável pelos genéricos". "É o favorito dos banqueiros". Ah, sim e que "não tem diploma". É fantástico!
(Acabo de ver que o Delúbio Soares tuitou isso durante o último debate. c.q.d. Dilma inventa um diploma,  Mercadante inventa um diploma, e o Delúbio diz que o Serra é que não tem... Em que mundo eles vivem, em que é possível ser Doutor sem ter feito a graduação? A tese de PhD em Cornell está disponível da biblioteca da Universidade: http://cornell.worldcat.org/title/some-aspects-of-economic-policy-and-income-distribution-in-chile-1970-1973/oclc/4553548?referer=brief_results)

Eu lamento pela sordidez na internet. Lamento pelos emails forjados contra quem quer que seja. Já respondi a emails de corrente contra a Dilma dizendo "não é por aí". Não adianta, poucos escutam. Mas o mundo subterrâneo, impossível de ser eliminado, ganha força quando o mundo institucional o reforça, endossa, alimenta. Mais uma vez, é como acontece no futebol: grupos extremados e dispostos a matar e morrer a pretexto de um time sempre vão existir, aqui e em países mais "civilizados" que o nosso. Mas quando os dirigentes dos clubes sustentam, endossam ou se omitem em relação às barbaridades desses grupos, não há quem possa com eles.