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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Parabén$$$!!

Certo estava o meu PT dos anos 80/90: contra o poder econômico + o apoio da grande mídia, um partido que não seja dos “grandes”, que não seja governo, tá ferrado.

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Andar pelos extremos sul e leste de São Paulo é ver cifrões em toda parte: dezenas de cavaletes, faixas, kombis, gente contratada para agitar bandeiras. A foto do Haddad “bonitão” (parece cartaz de faroeste) ladeado por Dilma e Lula a cada 15 metros. Os folhetos são grandes, de várias páginas. Tiragem: sempre pra cima de milhão.

Como se não bastasse, tem a mídia “espontânea”, que é como os publicitários e marqueteiros se referem a espaço nos meios de comunicação que não precisa ser comprado.

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A Folha fala, reiteradamente, em “principais candidatos”. Durante muito tempo foram 3; com muita relutância, incluíram o Russomano. Eu não tive a honra de ser levada a sério por eles.

Quando saiu uma pesquisa em que eu permanecia em terceiro (onde sempre estive desde que o Netinho de Paula saiu do páreo para o PCdoB, como sempre, apoiar o PT), a Folha teve o desleixo de escrever que eu era “Soninha, do PDT”.

Quase ninguém lê jornal hoje em dia, exceto as emissoras de rádio... Então ouvi várias vezes ao longo daquele dia, em várias emissoras diferentes, que “Soninha do PDT estava empatada com Haddad e Chalita”. Quer dizer, é copy/paste no duro, sem a menor atenção.

Depois, no dia seguinte, o jornal corrige... Bem a tempo!

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O Estadão também. Fez lá uma página de cobertura sobre o debate da Band - meu nome apareceu uma vez, quase sem querer, em um comentariozinho de um especialista. A matéria de meia página, teoricamente “objetiva”, IGNORAVA a minha presença no debate. Nada. Os jornalistas disseram depois que “foi uma distração”; que foi só “na primeira versão”. Puxa, que baita distração. Nem me viram.

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Na pesquisa Ibope/Globo/Estadão da semana passada, apareci em terceiro sozinha - mas eles preferem dizer, claro, “empate técnico”. Dias depois, o jornal fez uma matéria com os “quatro primeiros colocados na pesquisa” - adivinhe... Texto e retratos dos outros quatro, me IGNORANDO.

Ou seja, é um puta de um faz-de-conta. Faz-de-conta que tem uma eleição justa e que a mídia está cobrindo os fatos, não torcendo pelo palpite.

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Acontece muito no esporte: o comentarista crava que o São Caetano é cavalo paraguaio e depois fica, mesmo sem querer, torcendo para que o palpite se concretize. E enxergando o que quer enxergar. Pode o São Caetano arrasar o Gremio no Olímpico, vão dizer “tricolor gaúcho estava em um mau dia”. Atropela o Flu no Maracanã, “deu sorte”, sei lá.

Mas comentarista pode dizer o que quiser que não interfere no futebol. Já na política... Torcer pelo palpite interfere no resultado. Afinal, quem determina o placar é a torcida, não os jogadores.

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Desde o começo, os jornalões tem uma certeza: vai dar Serra e Haddad no segundo turno. O resto é fumaça, distração, ruído, coadjuvante. E assim é tratado.

Na Jovem Pan também chamaram 4 candidatos para entrevista ao vivo no estúdio. Adivinhe quais.

Tem entidade de classe que vai na mesma toada. O Secovi não quis nem saber de mim. Anunciou, lá atrás, que o Netinho de Paula estaria entre os convidados, mas eu não. Netinho saiu, a Nadia foi ser vice do PT, tudo bem. Saiu a nova relação de convidados e eles não me chamaram outra vez. Fantástico.

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Agora, segundo o Ibope, Haddad desencantou, o sapo começa finalmente a parecer que talvez vire mesmo o príncipe que todos estavam aguardando, e “se isola” em terceiro lugar. Diz o Ibope que ele tem 9 pontos e nosotros, 5.

Incrível o zelo com que explicam, Estadão e Ibope, o “se isola”. Normalmente, eles só falam que a margem de erro é de 3 pontos e f`da-se. Agora explicaram direitinho que a margem de erro depende da própria intenção de voto constatada. Pro Haddad, a margem de erro é de 2. Para mim, Chalita e Paulinho, é de 1,5. Assim, Haddad tem no mínimo 7, e nós chegamos a no máximo 6,5.

NUNCA vi tamanho detalhamento. Normalmente é “fulanos estão embolados” e pronto.

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Enfim, meu esforço é maior, mas o deles dá mais resultado. E a manchete hoje seria, se não desse demais na vista, “Haddad se isola em terceiro! \o/”

Parabéns, editores dos jornalões, patrocinadores, João Santana. Assim ele realmente chega lá - embora nem quisesse ser prefeito, só queria deixar o ministério e voltar a viver em São Paulo. Foi o Lula quem o convenceu, confiante - não sem razão, percebe-se - no incrível poder da conspiração dos astros a favor. Mas, a despeito dos comentaristas-torcedores, ainda tem muito jogo pela frente.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Virou Manchete

Tem uma piada muito boa que corre a internet há tempos mostrando como seria a manchete do Fim do Mundo nos vários meios de comunicação: Veja, Folha de São Paulo, O Dia, Jornal Nacional, etc.

Olhando o modo como jornais de hoje trataram o incêndio na base brasileira na Antártida, lembrei da piada.

O GLOBO
[Não deu manchete]

FOLHA DE S. PAULO
Governo propõe indenizar família de oficiais mortos [Neutra]

O ESTADO DE S. PAULO
Pane elétrica teria iniciado fogo em base na Antártida [Neutra]

VALOR ECONÔMICO
[Não deu manchete]

CORREIO BRAZILIENSE
Militar alertou sobre falhas na Antártida [Crítica/viés negativo]

ESTADO DE MINAS
[Não deu manchete]

ZERO HORA (RS)
Tragédia na Antártica: Projeto de nova base provoca divergência [Crítica/ viés negativo]

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Mortos na Antártida viram heróis [Viés... positivo, não? Outros usam a palavra "tragédia", "falha" ou apenas trazem alguma informação sobre o ocorrido. O Jornal do Commercio usa a palavra "heróis"].

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Aliás, vejam as outras manchetes do Jornal do Commercio para ver como o mundo anda cor-de-rosa por lá, são só boas notícias...

Piso do professor sobe para R$ 1.451
Dilma chega e hoje inaugura conjuntos residenciais

#governismoexplícito

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E esta manchete do Estado de Minas?
"Tucanos veem trilha aberta para Aécio" #aecismoexplícito #minirelease #elesquese(des)entendam

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Enquanto isso, na Câmara Federal...

Ouvindo a Voz do Brasil agora há pouco, lembrei de um vereador do PT que usava a expressão “cretinice parlamentar” para descrever um tipo muito característico de pronunciamento na tribuna.

Curioso é que esse vereador é uma das lideranças do grupo dominante no PT de São Paulo nos últimos anos, muito ligado à Marta, e portanto do time adversário ao meu no partido, digamos assim. Mas eu gostava muito dele.

Enfim, os deputados sobem à Tribuna para cumprimentar o governo do RS pelo lançamento de um programa de apoio à agricultura, para defender as mudanças no Código Florestal, para pedir ajuda ao governo federal para acabar com a falta d’água em Manaus, para pedir obras nas estradas federais, para pedir campanhas educativas antes dos feriados para diminuir o número de mortes nas estradas federais, para lamentar a queda na produção de gás natural do Espírito Santo X o aumento da importação de gás da Bolívia, para manifestar sua preocupação com a inflação, o custo do alimento para a população e o gasto público, para pedir para que o governo não deixe faltarem recursos para o FIES, para saudar o novo presidente do TJ de São Paulo, para saudar o encontro de Evangélicos em SC, para dizer que a alteração do Código Florestal não deveria ser votada açodadamente, para propor um plebiscito para que a população decida como quer eleger seus representantes, etc.

No meio disso tudo, mais relevante ou menos, um deputado (do PR de Minas, creio) sobe à tribuna para elogiar a estabilidade econômica e cumprimentar o governo federal por ter tirado 10 milhões de pessoas da pobreza e criado empregos com carteira assinada.

Entre todas as falas, essa foi a que mais me lembrou a “cretinice parlamentar” referida pelo ex-colega...

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Código Florestal: acho que nunca cheguei a ler na íntegra o relatório do Aldo Rebelo, só reproduções de vários trechos. Vou tentar ler hoje. Não tenho dúvida que, como SEMPRE acontece, um monte de gente dá opinião a respeito baseado na opinião de outro que só conhece a versão de outro. É assim com assuntos como: PPP, Operação Urbana, Lei das OS etc. Neguin discorda do que a lei NÃO diz, como se ela dissesse.

Do que eu li, discordo do seguinte:

- Anistia a desmatamentos ilegais feitos até 2008 – Tenham dó, se é para anistiar o desmatamento ilegal do começo do século passado por considerar que já é fato mais do que consumado, que não há sentido em punir o tatatataraneto do cara que comprou a fazenda do desmatador etc, vá lá. Mas perdoar o criminoso de outro dia não dá. E a anistia deveria implicar em alguma forma de reparação, isto é: não precisa pagar x em multa, sua propriedade será regularizada/legalizada, DESDE QUE... (você adote uma área de floresta para conservar, assuma o reflorestamento de uma região y, patrocine o tratamento de animais silvestres tirados de cativeiro ilegal etc etc).

- Redução da área de preservação em margens de rios, encostas e pequenas propriedades – Achar que a lei ambiental pode ser mais branda com o pequeno agricultor é um tipo de paternalismo muito absurdo. Como se o pequeno produtor fosse “café-com-leite”, uma espécie de menor incapaz que pode ser desculpado se fizer uma besteira aqui e outra ali. Como se o pequeno produtor pudesse agredir o meio ambiente e não ser ele mesmo atingido pelas conseqüências negativas disso. Como se a soma de milhares de pequenos produtores fazendo pequenos estragos não resultasse em um imenso estrago.

O governo ouviu hoje os líderes de partidos e reivindicações e talvez contemple algumas delas na próxima versão do texto – que será entregue a eles na SEGUNDA, para que seja votada na TERÇA.

Fim da picada.

O líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira, foi quem manifestou preocupação com o “açodamento”, a pressa, a falta de tempo para analisar com calma e permitir que a população se familiarize e entenda melhor a proposta.

Mas o Presidente da Casa diz que na terça vota de qualquer jeito. E o líder do PSDB acha que é isso aí, já foi discutido demais e tem mais é que votar.

Santo deus.

(Quem ouve pode pensar que ele quer logo ir para o pau, isto é, cada um vota como quiser e no final se contam os votos para ver quem venceu. Mas não é nada disso. O projeto só entra na Ordem do Dia quando já está (quase) tudo acertado para sua votação. Se o governo quer votar na terça, significa que tem certeza de que os votos contrários serão minoria. E não há um opositor que não saiba disso...)

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Quando há um crime como o assassinato da Isabella Nardoni, todas as TVs convocam especialistas, curiosos, peritos, estudiosos, líderes religiosos etc. para dissecar o assunto sob todos os ângulos. Por um período, a população vira especialista no tema e começa a discutir se o Transponder do Legacy estava ou não ligado e se o manete na posição errada foi falha mecânica, eletrônica ou humana.

No Mundo Ideal de Sonia Francine, todas as TVs, jornais, rádios e revistas semanais fariam uma corrida semelhante, uma competição para ver quem explicava melhor as mudanças no Código Florestal. Infográficos, animações, imagens aéreas, imagens de arquivo, depoimentos, entrevistas na Ana Maria Braga, debates no Superpop, perguntas provocativas no Datena etc. Seria o assunto da moda nos cabelereiros e botecos. Apareceria nos diálogos de todas as novelas e viraria tema de Quiz no Big Brother.

Mas desconfio que ninguém vai tentar explicar ou discutir coisa nenhuma como se o assunto fosse realmente importante.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

TODAS AS VERSÕES DO MUNDO

1 - Sigilo? Que sigilo?
2 - São bandidos comuns. Vendem sigilos na 25 de março.
3 - PT? O PT não tem nada a ver com isso.
4 - Foi a própria Veronica quem pediu acesso aos seus dados.
5 - PT? O PT não tem nada a ver com isso. E daí que o vigarista é petista? E daí que os funcionários envolvidos também são? E daí que essas agências da Receita estão em redutos petistas?
6 - Ele pediu porque... Ah, sei lá por que ele pediu.

Os tucanos pediram, EXIGIRAM apuração.

Agora, a partir de um depoimento à PF, a primeira pergunta que estava sem resposta...



1- Quem contratou o falso procurador Antonio Carlos Atella para pedir os dados de Veronica em Santo André?

...Foi respondida.

Quem contratou foi o jornalista ("jornalista"?) Amauri Ribeiro. Figura sempre citada em blogs "progressistas-independentes-governistas" como sendo autor de livro bombástico sobre as privatizações. Sempre citado como sendo portador de dados obtidos a partir de quebras ilegais de sigilo. Sempre citado como tendo sido contrato pelo "comando de inteligência" da campanha da Dilma.

Pois é, os tucanos insistiram, a apuração seguiu e Amauri... respondeu. Depois de tantas negativas, tantas declarações em repúdio às "ilações", ele vai lá e confessa um crime com a maior singeleza. "Fui eu".

MUITO estranho. Até a hora em que... ele diz que fez o que fez A MANDO DO PSDB! Conseguiu, ao mesmo tempo, acusar "tucanos ligados ao Serra" e "o Aécio" de cometerem um crime que foi insistentemente denunciado PELOS TUCANOS. Um crime que os petistas mal quiseram reconhecer que aconteceu. (De novo o presidente: "Cadê esse tal de sigilo que eu ainda não vi?" #campeaodacompostura).

É esplêndido. É fantástico. É maquiavélico.

É o império do cinismo.