Não está errado reduzir a velocidade máxima de avenidas para 50km/h. É perfeitamente aceitável se considerarmos o tempo de reação (do motorista e do veículo) em um contexto com pedestres de todas as idades, animais, bicicletas, cruzamentos, entradas e saídas de garagem etc.
Já na pista local da marginal, não concordo. É uma via expressa. Muito melhor seria sinalizar adequadamente os acessos (entrada e saída de vias locais) com zebras etc para obrigar os veículos que já estão na Marginal a reduzir a velocidade ou até mesmo mudar de faixa nos pontos em que outros motoristas querem entrar na via.
***
Se a velocidade máxima dos automóveis é 50, fica mais sem sentido ainda manter a dos ônibus nos corredores nesse mesmo número. Eles passam a centímetros da calçada. Tem pedestre que é atingido só por esticar a cabeça sem perceber o ônibus chegando. Sério.
***
Aliás, é preciso analisar com muito mais seriedade a causa de acidentes para realmente combatê-los. No caso das marginais, por exemplo:
- As colisões aconteceram porque os veículos estavam na velocidade máxima ou porque estavam ACIMA da velocidade?
- Aconteceram colisões abaixo da velocidade máxima MAS acima da velocidade adequada para as condições da via naquele momento?
Na marginal acontecem acidentes porque caminhões entalam debaixo dos viadutos. Porque motoristas mudam de faixa sem olhar no espelho ou sem ao menos usar a seta (o que já ajuda os motociclistas a se prevenir de uma mudança brusca). Porque motociclistas estão rápido demais, mesmo com o trânsito parado. Porque as calçadas somem ou são podres e as pessoas acabam andando pela rua. Porque os acessos são mal feitos, principalmente as alças das pontes. Porque não há pontos seguros de travessia.
Pode-se alegar que, a 50 por hora, todos esses acidentes tem danos menores. Insisto: nos horários da madrugada, acontecem porque motoristas (alcoolizados, em muitos casos) andam MUITO ACIMA da máxima. E na hora do trâncisto pesado, acontecem ABAIXO de 50 por hora, mas causam fatalidades.
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A prefeitura não está mais usando o "radar pistola" para ver se as motos estão circulando acima de 30km/h no corredor?
***
Em outras ocasiões em que houve alterações na velocidade, instalação de radares etc, o PT na oposição sempre acusou o governo de "fúria arrecadatória". Eu me lembro perfeitamente desse discurso nas reuniões da bancada.
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A redução da velocidade máxima não tem nada a ver com congestionamento... Isso é viagem de quem reclama. Andar a 50 é irritante quando a pista está livre. Quando não está, a máxima já é bem menor do que isso.
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Não é incrível a velocidade do andamento do processo judicial desencadeado pela Operação Lava-Jato? Além da prisão de figurões (que costumávamos chamar de "criminosos de colarinho branco", "tubarões" (em comparação aos "lambaris/peixes pequenos), busca e apreensão de bens, recuperação de recursos obtidos de forma ilícita etc, outro fato inédito é ver 3 instituições trabalhando em sintonia (Polícia Federal, Ministério Público e Judiciário) e a Justiça deslanchando como deve.
"...But when you talk about destruction/Don't you know that you can count me out"
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terça-feira, 4 de agosto de 2015
quarta-feira, 6 de março de 2013
Vamos falar de calçadas?
Deu no site da prefeitura (grifos meus)
O prefeito Fernando Haddad anunciou que pretende enviar na próxima semana à Câmara um projeto de lei que irá alterar o sistema a fiscalização e recuperação de calçadas irregulares. A prefeitura dará prazo de 30 dias para o cidadão realizar os consertos antes de cobrar a multa. A verba arrecadada com as multas aplicadas será usada para arrumar a calçada que foi reprovada na fiscalização.
Parece, pelo anúncio, que Haddad vai tomar medida nunca vista na história deste país... O prazo de 30 dias existiu até 2011. Segue um resumo da legislação sobre calçadas nos últimos anos:
- Lei 10.508 de 1988, promulgada por Janio Quadros, "dispõe sobre a limpeza nos imóveis, o fechamento de terrenos nãoedificados e a construção de passeios". Ela estabelecia que:
Art. 14 - As irregularidades constatadas serão objeto de notificação aos responsáveis, que deverão saná-las no prazo improrrogável de 30 (trinta) dias.
Não sanadas nesse prazo, resultariam em multa ao responsável.
- Lei 14.675 de 2008 mantinha essa regra, foi o valor da multa que mudou.
O prefeito Fernando Haddad anunciou que pretende enviar na próxima semana à Câmara um projeto de lei que irá alterar o sistema a fiscalização e recuperação de calçadas irregulares. A prefeitura dará prazo de 30 dias para o cidadão realizar os consertos antes de cobrar a multa. A verba arrecadada com as multas aplicadas será usada para arrumar a calçada que foi reprovada na fiscalização.
Parece, pelo anúncio, que Haddad vai tomar medida nunca vista na história deste país... O prazo de 30 dias existiu até 2011. Segue um resumo da legislação sobre calçadas nos últimos anos:
- Lei 10.508 de 1988, promulgada por Janio Quadros, "dispõe sobre a limpeza nos imóveis, o fechamento de terrenos nãoedificados e a construção de passeios". Ela estabelecia que:
Art. 14 - As irregularidades constatadas serão objeto de notificação aos responsáveis, que deverão saná-las no prazo improrrogável de 30 (trinta) dias.
Não sanadas nesse prazo, resultariam em multa ao responsável.
- Lei 14.675 de 2008 mantinha essa regra, foi o valor da multa que mudou.
Art. 5o Em caso de descumprimento ao disposto no art. 4o desta lei, o responsável pelo imóvel será notificado para sanar as irregularidades no prazo de 30 (trinta) dias, sob pena de aplicação da multa no valor de R$ 1.000,00 (mil reais) por metro linear de passeio danificado, corrigido anualmente pelo Índice de Preço ao Consumidor Amplo - IPCA, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, ou por outro índice que vier a substituí-lo.
- A Lei 15.442 de setembro de 2011, que vigora, foi a que reduziu esse prazo:
Art. 11. O descumprimento das disposições desta lei acarretará a lavratura, por irregularidade constatada, de autos de multa e de intimação para regularizar a limpeza, o fechamento ou o passeio, conforme o caso, no prazo improrrogável de 30 (trinta) dias.
Mas...
Art. 16. Contra a aplicação das multas previstas (...), caberá a apresentação de defesa, com efeito suspensivo, dirigida ao Supervisor de Fiscalização da Subprefeitura, no prazo de 15 (quinze) dias, contados a partir da data da publicação
Resumindo:
Até agosto de 2011, o responsável tinha 30 dias para arrumar sua calçada. Se não arrumasse, tinha de pagar a multa. Com a "lei do Kassab", a multa passou a ser aplicada imediatamente, assim que constatado o problema (art 14) mas o cidadão tinha 15 dias para recorrer e pedir a suspensão da multa (Art. 16). O prazo era menor (e sim, eu prefiro os 30 dias, contratar e executar uma obra não é assim tão fácil), mas dar o prazo para consertar não é uma ideia incrível, inédita, novo modo de governar. É só mudar para o modelo anterior.
E por que ele mudou? Porque o mundo inteiro - associações de bairro, imprensa, cidadãos comuns - reclamava do péssimo estado das calçadas em São Paulo e questionava: "Não é responsabilidade do proprietário? Então por que a prefeitura não fiscaliza?"
Na SubLapa eu recebia muitas reclamações, porque ninguém arrumava nada mesmo... Reconhecendo que as normas podiam ser complicadas para o pobre "cidadão comum", fizemos uma cartilha simplificando a legislação e compartilhamos de todos os meios (site, blog, tuíter, newsletter) os links para explicações, cartilhas, perguntas frequentes etc.
Depois de informar, esclarecer, incentivar, mandamos os agentes vistores a campo para aplicar as notificações. Que, pelo sistema "inteligente" da prefeitura, demoravam MESES para chegar até o responsável pelo imóvel. Aí ele tinha os tais 30 dias para arrumar, senão levava multa. Adiantou?
Mas a lei do Kassab CONTINUAVA tendo problemas, que comentarei abaixo, a partir do Projeto de Lei enviado pelo Haddad à Câmara.
***
Aí estão as alterações propostas por Haddad:
O Artigo 14, que era assim:
Comentário:
1 - Na regulamentação (decreto, portaria), a prefeitura precisa estabelecer um processo ágil de notificação e deixar bem claro como deve ser a "devida comunicação".
2 - A multa será renovada a cada 30 dias, caso a calçada não seja arrumada. A única que poderá ser cancelada é a última. No caso de agências bancárias, grandes edifícios comerciais ou residenciais, hipermercados etc, ok. No caso daquele morador que já não tinha dinheiro para arrumar desde o começo, a possibilidade de ele CONSEGUIR arrumar - que é, afinal, o objetivo - fica cada vez menor. Esse era um problema sério da lei do Kassab e continua sendo no projeto do Haddad.
***
O Artigo 16 era assim:
Art. 16. Contra a aplicação das multas previstas nos arts. 8º, 11, 14 e §1º do art. 20 desta lei, caberá a apresentação de defesa, com efeito suspensivo, dirigida ao Supervisor de Fiscalização da Subprefeitura, no prazo de 15 (quinze) dias, contados a partir da data da publicação do edital referido no §2º do art. 12 desta lei, excluído o dia do início e incluído o dia do vencimento.
O que mudou? Apenas a primeira frase, que ficou assim - "...multas previstas nos arts. 8º, 11, 14, §1º do art. 19 e §§1º e 3º do art. 20 desta lei..."
O que é o art 19, contemplado agora com a possibilidade de recurso em 15 dias?
E o §3º do Art 20, que antes não era contemplado e agora é? Vou ter de reproduzir o artigo inteiro, senão não dá para entender.
Portanto, se tiver uma lixeira, orelhão etc obstruindo a parte da calçadas rebaixada para a travessia de pedestres, o responsável será multado. Em no máximo 15 dias ele pode entrar com recurso pedindo o cancelamento da multa. Ele diria, por exemplo, "Já tirei"! Aí eu concordo.
***
A última alteração proposta pela prefeitura é no Art. 17. Na lei atual, é assim:
A Prefeitura poderá, a seu critério, executar as obras e serviços não realizados nos prazos estipulados, cobrando dos responsáveis omissos o custo apropriado, acrescido de 100% (cem por cento), sem prejuízo da aplicação da multa cabível, juros, eventuais acréscimos legais e demais despesas advindas de sua exigibilidade e cobrança.
Isso continua igual. O que o Projeto de Lei do prefeito propõe é um parágrafo novo:
O valor pago a título de multa poderá ser deduzido do débito referente à realização de obras e serviços pela Prefeitura, mencionado no caput, até o limite do valor deste débito, vedada a restituição do valor excedente da multa.
Comentário:
A intenção é boa - garantir que a multa paga reverta em obras que melhorem as próprias calçadas. Mas a ideia é meio enviesada.
Não se trata de recolher o valor das multas em um fundo específico que sirva para obras de calçadas - o que seria perfeito. O que o Projeto de Lei estabelece é o seguinte:
- Eu (Prefeitura) te dou 30 dias para arrumar a calçada.
- Você não arruma, eu aplico uma multa.
- Passam-se mais 30 dias, você ainda não arrumou. Eu aplico outra multa (e assim por diante).
- No fim, eu decido que vou fazer a obra que você não não fez e cobro a despesa de você. Mas aquela multa que você pagou, eu uso pra te dar um desconto, vai.
Não é "meio" esquisito? Eis alguns problemas da medida:
- Você foi multado porque descumpriu - uma, duas, dez vezes - uma ordem da Prefeitura. A multa é uma penalidade. Mas quando a Prefeitura vai lá e faz ela mesma o serviço, eu transformo a penalidade em um pagamento seu pelo serviço. O princípio da penalidade é afrontado: durante dez meses, um ano, eu (munícipe) deixei o povo tropeçar e cair. Paguei multa. Aí a Prefeitura faz o que eu devia ter feito e não fiz nesse tempo todo, mas me dá um desconto...
- E se o munícipe não pagar a multa, muito menos o serviço? Quais são as penalidades/
- E se o munícipe não tiver a menor condição de pagar a obra, a multa ou o serviço da Prefeitura? Existe algum recorte de valor do imóvel, por exemplo, ou é igual pra todo mundo? Porque o Itaú pagar uma multa e depois ter desconto é bem diferente do seu Zé da Venda.
- E a tramitação disso, não é complicada demais? Paga multa, emite o boleto de pagamento com a multa descontada... Enfim, se eu achasse a ideia boa, isso era o de menos, tinha de resolver e pronto.
***
O que eu proponho então???
Que em vez de fazer esse caminho todo - manda fazer, cobra multa, cobra de novo, resolve fazer e cobrar com desconto - é muito melhor que a Prefeitura se antecipe e assuma logo o conserto de calçadas. Até porque em alguns casos, por mais que o proprietário do imóvel queira arrumar, está fora do seu alcance! A largura é indecente, tem um poste de luz, placa de trânsito, caixa de fibra ótica, poço de vistoria, boca-de-lobo... É a Prefeitura quem tem de botar ordem nisso tudo.
Alguns seriam cobrados pelo serviço - como já adiantei, grandes estabelecimentos comerciais e residenciais. Os pequenos comércios e residências não seriam onerados.
E a multa, cruel no projeto que vigora, segue inalterada. Durante a campanha, a diretora de uma creche veio me pedir ajuda pelo amor de Deus: por causa de um buraco (ela me mostrou), tinha sido multada em 10m x R$1.000. E se não arrumasse o buraco em um mês, a multa aumentaria. "Se eu tivesse dinheiro já teria arrumado o buraco! Como é que vou ter DEZ MIL pra multa?"
***
Em outro post, vou ressaltar alguns bons aspectos inalterados pela proposta do prefeito. A gente tem de vigiar.
Até agosto de 2011, o responsável tinha 30 dias para arrumar sua calçada. Se não arrumasse, tinha de pagar a multa. Com a "lei do Kassab", a multa passou a ser aplicada imediatamente, assim que constatado o problema (art 14) mas o cidadão tinha 15 dias para recorrer e pedir a suspensão da multa (Art. 16). O prazo era menor (e sim, eu prefiro os 30 dias, contratar e executar uma obra não é assim tão fácil), mas dar o prazo para consertar não é uma ideia incrível, inédita, novo modo de governar. É só mudar para o modelo anterior.
E por que ele mudou? Porque o mundo inteiro - associações de bairro, imprensa, cidadãos comuns - reclamava do péssimo estado das calçadas em São Paulo e questionava: "Não é responsabilidade do proprietário? Então por que a prefeitura não fiscaliza?"
Na SubLapa eu recebia muitas reclamações, porque ninguém arrumava nada mesmo... Reconhecendo que as normas podiam ser complicadas para o pobre "cidadão comum", fizemos uma cartilha simplificando a legislação e compartilhamos de todos os meios (site, blog, tuíter, newsletter) os links para explicações, cartilhas, perguntas frequentes etc.
Depois de informar, esclarecer, incentivar, mandamos os agentes vistores a campo para aplicar as notificações. Que, pelo sistema "inteligente" da prefeitura, demoravam MESES para chegar até o responsável pelo imóvel. Aí ele tinha os tais 30 dias para arrumar, senão levava multa. Adiantou?
Mas a lei do Kassab CONTINUAVA tendo problemas, que comentarei abaixo, a partir do Projeto de Lei enviado pelo Haddad à Câmara.
***
Aí estão as alterações propostas por Haddad:
O Artigo 14, que era assim:
Na hipótese do não atendimento da intimação nos prazos estabelecidos no art. 11 desta lei, nova multa será aplicada por irregularidade constatada.
Parágrafo único. A multa prevista no "caput" deste artigo será renovada a cada 30 (trinta) dias até que haja a comunicação do saneamento da irregularidade ou a constatação da regularização pela Administração Municipal.
Ganha um parágrafo novo, que é o que cancela a multa aplicada 30 dias antes:
Parágrafo segundo: A regularização da limpeza, fechamento ou passeio, devidamente comunicada à Subprefeitura competente, tornará sem efeito a multa que tenha sido aplicada, nos termos desta lei, nos 30 (trinta) dias antecedentes à comunicação"
Ganha um parágrafo novo, que é o que cancela a multa aplicada 30 dias antes:
Parágrafo segundo: A regularização da limpeza, fechamento ou passeio, devidamente comunicada à Subprefeitura competente, tornará sem efeito a multa que tenha sido aplicada, nos termos desta lei, nos 30 (trinta) dias antecedentes à comunicação"
Comentário:
1 - Na regulamentação (decreto, portaria), a prefeitura precisa estabelecer um processo ágil de notificação e deixar bem claro como deve ser a "devida comunicação".
2 - A multa será renovada a cada 30 dias, caso a calçada não seja arrumada. A única que poderá ser cancelada é a última. No caso de agências bancárias, grandes edifícios comerciais ou residenciais, hipermercados etc, ok. No caso daquele morador que já não tinha dinheiro para arrumar desde o começo, a possibilidade de ele CONSEGUIR arrumar - que é, afinal, o objetivo - fica cada vez menor. Esse era um problema sério da lei do Kassab e continua sendo no projeto do Haddad.
***
O Artigo 16 era assim:
Art. 16. Contra a aplicação das multas previstas nos arts. 8º, 11, 14 e §1º do art. 20 desta lei, caberá a apresentação de defesa, com efeito suspensivo, dirigida ao Supervisor de Fiscalização da Subprefeitura, no prazo de 15 (quinze) dias, contados a partir da data da publicação do edital referido no §2º do art. 12 desta lei, excluído o dia do início e incluído o dia do vencimento.
O que mudou? Apenas a primeira frase, que ficou assim - "...multas previstas nos arts. 8º, 11, 14, §1º do art. 19 e §§1º e 3º do art. 20 desta lei..."
O que é o art 19, contemplado agora com a possibilidade de recurso em 15 dias?
Art. 19. A abertura de górgulas sob o passeio, para escoamento de águas pluviais, o chanframento de guias, e o rebaixamento de guias, para acesso de veículos, serão executados pela Prefeitura, mediante requerimento do interessado e pagamento dos preços devidos, os quais serão calculados com base nos custos unitários dos respectivos serviços e atualizados em consonância com a legislação vigente.
§1º As pessoas físicas ou jurídicas que realizarem os serviços de que trata o "caput" deste artigo 19 incorrerão em multa correspondente ao triplo do valor do preço do serviço, atualizada anualmente pela variação do índice de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA, apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, ou por outro índice que venha a substituí-lo.
Comentário:
Se é proibido fazer (tem de pedir para a prefeitura) e as pessoas o fizerem, serão multadas. Mas podem recorrer... dizendo o que? "Eu não fiz! Não fui eu!". Estranho.
E o §3º do Art 20, que antes não era contemplado e agora é? Vou ter de reproduzir o artigo inteiro, senão não dá para entender.
Art. 20. A Prefeitura providenciará, sob sua responsabilidade, o rebaixamento da parte dos passeios necessária ao acesso de pedestres, nas travessias sinalizadas e nos canteiros centrais das vias públicas.
§1º Fica vedada a instalação dos mobiliários urbanos de que trata o art. 8º desta lei junto a rebaixamento vinculado às travessias sinalizadas, sob pena de multa constante do Anexo Único integrante desta lei.
§2º O mobiliário existente, que prejudique o acesso de pedestres ou dificulte a sua visibilidade ou de motoristas, será removido pela Prefeitura ou, por sua determinação, pelo órgão responsável.
§3º O descumprimento ao disposto no "caput" deste artigo acarretará ao infrator multa no valor de R$ 1.000,00, atualizado anualmente pela variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA, apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, ou por outro índice que venha a substituí-lo.
Portanto, se tiver uma lixeira, orelhão etc obstruindo a parte da calçadas rebaixada para a travessia de pedestres, o responsável será multado. Em no máximo 15 dias ele pode entrar com recurso pedindo o cancelamento da multa. Ele diria, por exemplo, "Já tirei"! Aí eu concordo.
***
A última alteração proposta pela prefeitura é no Art. 17. Na lei atual, é assim:
A Prefeitura poderá, a seu critério, executar as obras e serviços não realizados nos prazos estipulados, cobrando dos responsáveis omissos o custo apropriado, acrescido de 100% (cem por cento), sem prejuízo da aplicação da multa cabível, juros, eventuais acréscimos legais e demais despesas advindas de sua exigibilidade e cobrança.
Isso continua igual. O que o Projeto de Lei do prefeito propõe é um parágrafo novo:
O valor pago a título de multa poderá ser deduzido do débito referente à realização de obras e serviços pela Prefeitura, mencionado no caput, até o limite do valor deste débito, vedada a restituição do valor excedente da multa.
Comentário:
A intenção é boa - garantir que a multa paga reverta em obras que melhorem as próprias calçadas. Mas a ideia é meio enviesada.
Não se trata de recolher o valor das multas em um fundo específico que sirva para obras de calçadas - o que seria perfeito. O que o Projeto de Lei estabelece é o seguinte:
- Eu (Prefeitura) te dou 30 dias para arrumar a calçada.
- Você não arruma, eu aplico uma multa.
- Passam-se mais 30 dias, você ainda não arrumou. Eu aplico outra multa (e assim por diante).
- No fim, eu decido que vou fazer a obra que você não não fez e cobro a despesa de você. Mas aquela multa que você pagou, eu uso pra te dar um desconto, vai.
Não é "meio" esquisito? Eis alguns problemas da medida:
- Você foi multado porque descumpriu - uma, duas, dez vezes - uma ordem da Prefeitura. A multa é uma penalidade. Mas quando a Prefeitura vai lá e faz ela mesma o serviço, eu transformo a penalidade em um pagamento seu pelo serviço. O princípio da penalidade é afrontado: durante dez meses, um ano, eu (munícipe) deixei o povo tropeçar e cair. Paguei multa. Aí a Prefeitura faz o que eu devia ter feito e não fiz nesse tempo todo, mas me dá um desconto...
- E se o munícipe não pagar a multa, muito menos o serviço? Quais são as penalidades/
- E se o munícipe não tiver a menor condição de pagar a obra, a multa ou o serviço da Prefeitura? Existe algum recorte de valor do imóvel, por exemplo, ou é igual pra todo mundo? Porque o Itaú pagar uma multa e depois ter desconto é bem diferente do seu Zé da Venda.
- E a tramitação disso, não é complicada demais? Paga multa, emite o boleto de pagamento com a multa descontada... Enfim, se eu achasse a ideia boa, isso era o de menos, tinha de resolver e pronto.
***
O que eu proponho então???
Que em vez de fazer esse caminho todo - manda fazer, cobra multa, cobra de novo, resolve fazer e cobrar com desconto - é muito melhor que a Prefeitura se antecipe e assuma logo o conserto de calçadas. Até porque em alguns casos, por mais que o proprietário do imóvel queira arrumar, está fora do seu alcance! A largura é indecente, tem um poste de luz, placa de trânsito, caixa de fibra ótica, poço de vistoria, boca-de-lobo... É a Prefeitura quem tem de botar ordem nisso tudo.
Alguns seriam cobrados pelo serviço - como já adiantei, grandes estabelecimentos comerciais e residenciais. Os pequenos comércios e residências não seriam onerados.
E a multa, cruel no projeto que vigora, segue inalterada. Durante a campanha, a diretora de uma creche veio me pedir ajuda pelo amor de Deus: por causa de um buraco (ela me mostrou), tinha sido multada em 10m x R$1.000. E se não arrumasse o buraco em um mês, a multa aumentaria. "Se eu tivesse dinheiro já teria arrumado o buraco! Como é que vou ter DEZ MIL pra multa?"
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Em outro post, vou ressaltar alguns bons aspectos inalterados pela proposta do prefeito. A gente tem de vigiar.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Jornal release
Pra variar, a prefeitura faz um anúncio (promessa) e o jornal publica como se fosse fato consumado. Reproduzo trechos de matéria do Estadão e faço comentários em seguida.
Após 20 anos, Prefeitura lança pacote bilionário de obras viárias na zona sul
4 - “Desde que assegurados os recursos”. Então podem fazer o favor de se a Lei Orçamentária aprovada previu 1 bilhão para essas obras?
Após 20 anos, Prefeitura lança pacote bilionário de obras viárias na zona sul
Com duas décadas de atraso¹, a Prefeitura de São Paulo vai tirar do papel² parte das obras de um novo plano viário para a zona sul, orçado em R$ 1,8 bilhão. Dividido em duas fases, o pacote inicial, que inclui a duplicação de algumas das mais congestionadas vias da capital, como M'Boi Mirim e Carlos Caldeira Filho, deve custar R$ 1 bilhão
O edital da licitação será publicado em fevereiro e representará a primeira ação do prefeito Fernando Haddad (PT) para cumprir sua principal promessa: o Arco do Futuro, uma lista de obras que promete redesenhar o desenvolvimento da cidade.
O processo de pré-qualificação das empresas interessadas teve início no dia 29 de dezembro, ainda na gestão Gilberto Kassab (PSD). Prometido pelas últimas cinco administrações³, o plano virou prioridade para Haddad, que ordenou rapidez na contratação das obras durante a transição dos governos
O resultado dessa primeira triagem sai no dia 5 de fevereiro. Em seguida, será publicado o edital. A expectativa é de que os contratos sejam assinados no primeiro semestre - desde que assegurados os recursos [4] .
Apesar de pleiteado pelos moradores, o pacote deve encontrar resistência pela lista de desapropriações, ainda não divulgada [5].
1 - “20 anos de atraso”? Se esse plano era mesmo de 1992, foi bem anterior ao Plano Diretor Estratégico. E..? Que se dane o PDE?
2 - “Vai tirar do papel”. Isso é o que eles prometem. O jornal não tem nenhum direito de afirmar isso. “Prefeitura diz que vai tirar do papel” seria aceitável.
3 - “Prometido pelas últimas cinco administrações” (Kassab, Serra, Marta, Pitta e Maluf)? Não me lembro de nenhuma. O jornal pode apurar se é verdade, faz favor, ou se é só discurso da atual prefeitura pra se apresentar como “a tal”?
3 - “Prometido pelas últimas cinco administrações” (Kassab, Serra, Marta, Pitta e Maluf)? Não me lembro de nenhuma. O jornal pode apurar se é verdade, faz favor, ou se é só discurso da atual prefeitura pra se apresentar como “a tal”?
4 - “Desde que assegurados os recursos”. Então podem fazer o favor de se a Lei Orçamentária aprovada previu 1 bilhão para essas obras?
5 - São QUILÔMETROS de prolongamento de avenidas. A quantidade de desapropriações será GIGANTESCA. É IMPOSSÍVEL fazer a licitação e assinar os contratos ainda no primeiro semestre. Sequer será possível estimar o custo real da obra antes de saberem quanto será gasto em desapropriações. E podem esperar protestos - de comerciantes, por exemplo; perder o imóvel é o de menos comparado com perder o ponto comercial - E ações na Justiça questionando o valor estabelecido pela prefeitura.
***
Comentário final: ESPERO (mas não acredito) que o Estadão, nas datas anunciadas pela prefeitura para as próximas etapas do pacote, faça nova matéria atualizando as informações.
Comentário final: ESPERO (mas não acredito) que o Estadão, nas datas anunciadas pela prefeitura para as próximas etapas do pacote, faça nova matéria atualizando as informações.
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quarta-feira, 25 de abril de 2012
Mau humor matinal - 25/04
Impacto no trânsito - 1
Não acompanhei em detalhes o caso do Shopping que teria de executar uma obra viária - mais precisamente, um viaduto - para ter autorização de funcionamento. Peguei a notícia a partir do momento que o Ministério Público entrou no caso para exigir o cumprimento dessa condição.
O Shopping alega que não fez a obra porque a prefeitura não concedeu a licença para que ela fosse feita. Eu... acredito! Acontece muito! Por causa da burocracia asfixiante, da falta de recursos humanos em quantidade necessária que causa um acúmulo de serviço, por má vontade, incompetência ou má intenção, muitas vezes os indivíduos e empresas não conseguem fazer o que precisa ser feito para regularizar seu imóvel ou seu negócio porque as coisas não andam NA PREFEITURA.
É de enlouquecer. E é nessa hora que é (muito) mais fácil ser desonesto - e tentar ignorar a lei ou pagar alguém para ignorá-la - do que ser honesto. É um senhor desafio, porque não é uma questão de mudar um item ou excluir uma pessoa do quadro de servidores; são muitos itens e muitas pessoas... Se você nunca tentou tirar um alvará, licença ou autorização, pergunte a quem tentou :oP.
E não venham dizer que esse é um problema novo!
***
Impacto no trânsito - 2
As regras sobre pólos geradores de tráfego precisam ser revistas com muito cuidado e responsabilidade. Hoje em dia elas estabelecem que, a partir de determinada metragem, um empreendimento tem de oferecer um número de vagas para automóveis. Ou seja: acaba se tornando mais ainda um pólo de atração de tráfego de automóveis. Se for um hipermercado, ok - automóveis são praticamente indispensáveis para se fazer as compras do mês... Mas um prédio de escritórios, por exemplo, teria de ser autorizado a não oferecer vagas de garagem se a intenção do proprietário for estimular o uso do transporte público, de ônibus fretados, táxis, carros compartilhados ou sistema de carona! Pra não dizer estimulado!
E as contrapartidas necessárias tem de ser mais abrangentes do que obras viárias. Que tal obrigar algum investimento na melhora do transporte coletivo?
***
Ausência de CÉREBRO
Quando a escola em que estudei - Colégio Santana - participou do programa É Proibido Colar, da TV Cultura, eu fui escolhida para participar de uma das provas e responder perguntas. Uma delas era relacionada ao noticiário da época: "O que quer dizer 'anencefalia'?". Oba, eu sabia: "AUSÊNCIA DE CÉREBRO". Ponto para o Colégio Santana!
A comemoração entusiasmada não combinava com a gravidade do assunto, então logo a Clarice Abujamra observou: "São casos gravíssimos que estão acontecendo na cidade de Cubatão".
Realmente, era muito chocante na época. Dizia-se que, por culpa da poluição absurda do ar em Cubatão nos anos 70/começo dos 80, algumas crianças eram gestadas sem cérebro. Uma tragédia, um escândalo.
Agora, parece ter se tornado frequente a ponto de merecer decisão do STF autorizando a interrupção da gravidez - e já houve duas autorizações concedidas nos últimos dias. "Frequente" provavelmente é um absurdo, mas alguém pode me dizer (sério, estou perguntando) se anencefalia realmente tem relação com poluição? Se não tiver, qual a causa preponderante? Se tiver, onde é a maior incidência, isso pode ser evitado, pelo amor de deus?
***
"É um trecho perigoso" #ahvá
Os cinco jovens que estavam desaparecidos depois de sair do Espírito Santo em direção à Bahia sofreram acidente gravíssimo na BR 101 e seus corpos foram encontrados ontem. Uma tragédia.
As autoridades confirmam: "É um trecho muito perigoso, em que há alta ocorrência de acidentes". Aliás, outras quatro pessoas morreram perto dali DEPOIS desse acidente.
P#RRA, é um trecho perigoso, em que acontecem muitos acidentes, E AÍ?? Providências, pfv?
Acontecem acidentes e não tem uma correção do traçado, sinalização especial, etc? Acontecem muitos acidentes e demoraram DIAS para saber que o carro tinha capotado ali? Não tem câmeras nesse trecho, nada? Socorro?
Essas m. dessas BRs continuam assassinas. Nos trechos em que houve concessões elas são muito melhores - mas o partido do governo federal passou anos dizendo que concessão é pecado mortal. Agora eles também fazem, escolhendo a concessionária conforme o preço do pedágio, dando preferência ao menor. O viajante fica feliz da vida, mas não tem COMPARAÇÃO o serviço prestado nesses casos. Peguei a Fernão Dias há pouco tempo. Ok, ela era nojenta antes, e agora está bem melhor. Mas as curvas dão torcicolo - são TODAS inclinadas para o lado errado, de modo que o motorista tem de fazer força para o carro não "escapar". E são muitas curvas, muitas. E muitos caminhões pesados. Sinalização? Deficiente. Postos de atendimento e socorro? Raros. Mas é baratinho, né?
***
Sucesso 1
"Segunda noite de tiroteios no Alemão, provavelmente entre duas facções rivais". Ê, pacificação boa!
***
Sucesso 2
Nova epidemia de dengue no Rio de Janeiro e em outras quatro cidades do Brasil. Mas o número de mortes no Rio ainda é menor do que em 2008, quando houve a pior epidemia dos últimos tempo. Ah, bom!
Eu aprendi, durante a campanha de 2010, que a culpa pela dengue no Rio era do Serra. O "presidengue", segundo a bloggov. Os mata-mosquitos foram até fazer corredor polonês para protestar contra ele em caminhada no Rio, mas isso é coisa que acontece no regime democrático [NOT].
***
Dúvida (sério)
Ok, eu sei o que é PIB. Mas como ele é MEDIDO? Como é feita a soma de "tudo que é produzido" em um país? Quem faz?
Respostas nos comentários, por favor. Obrigada.
Não acompanhei em detalhes o caso do Shopping que teria de executar uma obra viária - mais precisamente, um viaduto - para ter autorização de funcionamento. Peguei a notícia a partir do momento que o Ministério Público entrou no caso para exigir o cumprimento dessa condição.
O Shopping alega que não fez a obra porque a prefeitura não concedeu a licença para que ela fosse feita. Eu... acredito! Acontece muito! Por causa da burocracia asfixiante, da falta de recursos humanos em quantidade necessária que causa um acúmulo de serviço, por má vontade, incompetência ou má intenção, muitas vezes os indivíduos e empresas não conseguem fazer o que precisa ser feito para regularizar seu imóvel ou seu negócio porque as coisas não andam NA PREFEITURA.
É de enlouquecer. E é nessa hora que é (muito) mais fácil ser desonesto - e tentar ignorar a lei ou pagar alguém para ignorá-la - do que ser honesto. É um senhor desafio, porque não é uma questão de mudar um item ou excluir uma pessoa do quadro de servidores; são muitos itens e muitas pessoas... Se você nunca tentou tirar um alvará, licença ou autorização, pergunte a quem tentou :oP.
E não venham dizer que esse é um problema novo!
***
Impacto no trânsito - 2
As regras sobre pólos geradores de tráfego precisam ser revistas com muito cuidado e responsabilidade. Hoje em dia elas estabelecem que, a partir de determinada metragem, um empreendimento tem de oferecer um número de vagas para automóveis. Ou seja: acaba se tornando mais ainda um pólo de atração de tráfego de automóveis. Se for um hipermercado, ok - automóveis são praticamente indispensáveis para se fazer as compras do mês... Mas um prédio de escritórios, por exemplo, teria de ser autorizado a não oferecer vagas de garagem se a intenção do proprietário for estimular o uso do transporte público, de ônibus fretados, táxis, carros compartilhados ou sistema de carona! Pra não dizer estimulado!
E as contrapartidas necessárias tem de ser mais abrangentes do que obras viárias. Que tal obrigar algum investimento na melhora do transporte coletivo?
***
Ausência de CÉREBRO
Quando a escola em que estudei - Colégio Santana - participou do programa É Proibido Colar, da TV Cultura, eu fui escolhida para participar de uma das provas e responder perguntas. Uma delas era relacionada ao noticiário da época: "O que quer dizer 'anencefalia'?". Oba, eu sabia: "AUSÊNCIA DE CÉREBRO". Ponto para o Colégio Santana!
A comemoração entusiasmada não combinava com a gravidade do assunto, então logo a Clarice Abujamra observou: "São casos gravíssimos que estão acontecendo na cidade de Cubatão".
Realmente, era muito chocante na época. Dizia-se que, por culpa da poluição absurda do ar em Cubatão nos anos 70/começo dos 80, algumas crianças eram gestadas sem cérebro. Uma tragédia, um escândalo.
Agora, parece ter se tornado frequente a ponto de merecer decisão do STF autorizando a interrupção da gravidez - e já houve duas autorizações concedidas nos últimos dias. "Frequente" provavelmente é um absurdo, mas alguém pode me dizer (sério, estou perguntando) se anencefalia realmente tem relação com poluição? Se não tiver, qual a causa preponderante? Se tiver, onde é a maior incidência, isso pode ser evitado, pelo amor de deus?
***
"É um trecho perigoso" #ahvá
Os cinco jovens que estavam desaparecidos depois de sair do Espírito Santo em direção à Bahia sofreram acidente gravíssimo na BR 101 e seus corpos foram encontrados ontem. Uma tragédia.
As autoridades confirmam: "É um trecho muito perigoso, em que há alta ocorrência de acidentes". Aliás, outras quatro pessoas morreram perto dali DEPOIS desse acidente.
P#RRA, é um trecho perigoso, em que acontecem muitos acidentes, E AÍ?? Providências, pfv?
Acontecem acidentes e não tem uma correção do traçado, sinalização especial, etc? Acontecem muitos acidentes e demoraram DIAS para saber que o carro tinha capotado ali? Não tem câmeras nesse trecho, nada? Socorro?
Essas m. dessas BRs continuam assassinas. Nos trechos em que houve concessões elas são muito melhores - mas o partido do governo federal passou anos dizendo que concessão é pecado mortal. Agora eles também fazem, escolhendo a concessionária conforme o preço do pedágio, dando preferência ao menor. O viajante fica feliz da vida, mas não tem COMPARAÇÃO o serviço prestado nesses casos. Peguei a Fernão Dias há pouco tempo. Ok, ela era nojenta antes, e agora está bem melhor. Mas as curvas dão torcicolo - são TODAS inclinadas para o lado errado, de modo que o motorista tem de fazer força para o carro não "escapar". E são muitas curvas, muitas. E muitos caminhões pesados. Sinalização? Deficiente. Postos de atendimento e socorro? Raros. Mas é baratinho, né?
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Sucesso 1
"Segunda noite de tiroteios no Alemão, provavelmente entre duas facções rivais". Ê, pacificação boa!
***
Sucesso 2
Nova epidemia de dengue no Rio de Janeiro e em outras quatro cidades do Brasil. Mas o número de mortes no Rio ainda é menor do que em 2008, quando houve a pior epidemia dos últimos tempo. Ah, bom!
Eu aprendi, durante a campanha de 2010, que a culpa pela dengue no Rio era do Serra. O "presidengue", segundo a bloggov. Os mata-mosquitos foram até fazer corredor polonês para protestar contra ele em caminhada no Rio, mas isso é coisa que acontece no regime democrático [NOT].
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Dúvida (sério)
Ok, eu sei o que é PIB. Mas como ele é MEDIDO? Como é feita a soma de "tudo que é produzido" em um país? Quem faz?
Respostas nos comentários, por favor. Obrigada.
sexta-feira, 2 de março de 2012
= rinoceronte x passarinho
Eu ia escrever sobre a desigualdade do embate entre automóveis, ônibus, caminhões e bicicletas. Uns são armaduras de metal, com muitos recursos para acelerar e frear, com peso e velocidade muito muito maiores que os de um ser humano. A pessoa dentro do carro, caminhão ou ônibus tem de tomar muito cuidado para não machucar a pessoa fora do carro. Pedestre ou ciclista principalmente, que estão ali muito próximos, muito expostos, muito evidentemente vulneráveis. Mas tem de tomar cuidado inclusive com a pessoa dentro do seu carro, com a pessoa em outro carro.
Não adianta ter faixa de pedestre, ciclofaixa, ciclorrota, semáforo, multa se as pessoas NÃO TIVEREM MAIS A NOÇÃO de cuidado e respeito com as outras pessoas. Tem de ter isso tudo - sinalização, demarcação, penalização. Mas sem respeito... Pedestre morre atropelado na faixa com o sinal verde pra ele. Ou na calçada esperando o ônibus.
Mas eu não vou escrever mais nada não porque hoje li dois textos, entre muitos, que falam tão bem desses assuntos... Um é mais prático, outro mais filosófico, os dois muito lúcidos. Leiam com calma. A calma que falta por aí.
Vá de Bike: Por que não foi acidente
Apocalipse Motorizado: Quem fomos
(O blog Apocalipse Motorizado, como várias outras pessoas que comentaram esse post, me fez rever e mudar de ideia várias vezes. Eu que xingava caminhão como um trambolho atrapalhando o trânsito me dei conta que o caminhão presta serviço para centenas ou dezenas de pessoas... Tudo bem, às vezes ele está prestando um serviço que interessa mais a uns do que a outros, mas caminhão é um tipo de "coletivo", que pode ser "disciplinado", mas não banido! Enfim, um cicloativista - denominação que ele mesmo questiona, mas eu acho boa - me ensinou a ver caminhão com outros olhos!)
Não adianta ter faixa de pedestre, ciclofaixa, ciclorrota, semáforo, multa se as pessoas NÃO TIVEREM MAIS A NOÇÃO de cuidado e respeito com as outras pessoas. Tem de ter isso tudo - sinalização, demarcação, penalização. Mas sem respeito... Pedestre morre atropelado na faixa com o sinal verde pra ele. Ou na calçada esperando o ônibus.
Mas eu não vou escrever mais nada não porque hoje li dois textos, entre muitos, que falam tão bem desses assuntos... Um é mais prático, outro mais filosófico, os dois muito lúcidos. Leiam com calma. A calma que falta por aí.
Vá de Bike: Por que não foi acidente
Apocalipse Motorizado: Quem fomos
(O blog Apocalipse Motorizado, como várias outras pessoas que comentaram esse post, me fez rever e mudar de ideia várias vezes. Eu que xingava caminhão como um trambolho atrapalhando o trânsito me dei conta que o caminhão presta serviço para centenas ou dezenas de pessoas... Tudo bem, às vezes ele está prestando um serviço que interessa mais a uns do que a outros, mas caminhão é um tipo de "coletivo", que pode ser "disciplinado", mas não banido! Enfim, um cicloativista - denominação que ele mesmo questiona, mas eu acho boa - me ensinou a ver caminhão com outros olhos!)
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Agora que Luiza já voltou...
Pqp, empreendimento imobiliário em João Pessoa com "4 suítes, 4 garagens, elevador privativo"... Bem-vindos ao mundo da irracionalidade... Em vez de arrumar espaço para 30 famílias, um imóvel de alto padrão precisa abrigar 30 famílias e 120 automóveis... E adivinha quem se f# quando eles (automóveis) vão todos pra rua? (Yeah, todo mundo).
Enfim, é a cultura do um-pra-cada-um. Um chuveiro pra cada um, uma pia pra cada um, uma privada pra cada um, um automóvel pra cada um... Como se fosse a melhor coisa que um indivíduo pode alcançar na sociedade/ que a sociedade pode oferecer aos indivíduos.
:(
Enfim, é a cultura do um-pra-cada-um. Um chuveiro pra cada um, uma pia pra cada um, uma privada pra cada um, um automóvel pra cada um... Como se fosse a melhor coisa que um indivíduo pode alcançar na sociedade/ que a sociedade pode oferecer aos indivíduos.
:(
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Quase virei pastel
...E o pasteleiro nem se ligou.
Foi aqui:
Eu vinha pela Turiassu de bicicleta - eu sou a linha vermelha, a Turiassu é a verde.
Ou seja, eu ia continuar pela rua em que estava.
Mas ali no entroncamento começa outra rua, a Itapicuru - e vários carros seguem por ela como se estivessem simplesmente indo em frente também.
Por isso, ciclistas já sabem o que fazer: tem de estender o braço mostrando que vão seguir em frente E NÃO VIRAR À DIREITA. A gente já sabe que o carro tem grandes chances de NÃO sinalizar que vai virar, embora DEVA.
A rua estava bem tranquila, então eu nem me preocupei muito. Mas - benza deus - segui em frente olhando para trás, a tempo de reduzir a velocidade para um carro (a linha amarela da ilustração abaixo) vir em alta velocidade e entrar na Itapicuru como se mundo fosse um comercial da Hyundai (ou outra marca, escolha) e ele estivesse sozinho no mundo.
Se eu tivesse feito a bobagem de confiar na tranquilidade da rua e nos meus ouvidos (era um carrão silencioso), o cara teria passado por cima de mim.
E ele nem me viu. Estava atento a tudo, menos ao seu entorno.
Moral da história:
- A sinalização ali não ajuda. Nem a horizontal, nem a vertical. Não é difícil um motorista pensar que ali não precisa dar seta mesmo, porque mal parece uma conversão à direita. Com faixas pintadas no chão e uma placa (sinceramente, não sei qual), os motorizados teriam maiores chances de perceber a lógica do fluxo, isto é - a Turiassu é o caminho "principal" ali.
- Velocidade é um problema sério. O cara vinha ali a uns 50 por hora. Velocidade boa para uma avenida, não para as ruas.
- Dar seta não é mesmo um hábito brasileiro.
- Prestar atenção enquanto dirige também não. Não existe a predisposição para ficar atento a tudo à sua volta - outros motoristas, pedestres, ciclistas. É cada um no seu aquário, pensando na vida, resolvendo os problemas, isolado do exterior pelo mardito vidro preto.
Por tudo isso, uma das medidas mais importantes para a segurança na cidade, a curto prazo, é mesmo reduzir a velocidade permitida por aí, reforçar essa ideia, fiscalizar, punir. Os motoristas vão odiar, mas eles podem se dar conta que o mais irritante é o anda-e-para do congestionamento. Circular por aí calmamente a 40 por hora está bom demais. Qual a distância média percorrida pelos motoristas em São Paulo? 6km? 10? Na maior parte do tempo, eles estão a velocidade de galinha (14km/h); 40 já é um baita ganho. Mas a gente tá tão acostumado a correr quando tem espaço, até para compensar o estresse de ficar parado, que acha que é pouco.
E tem de ter menos carro nas ruas, ô se tem.
Foi aqui:
Eu vinha pela Turiassu de bicicleta - eu sou a linha vermelha, a Turiassu é a verde.
Ou seja, eu ia continuar pela rua em que estava.
Mas ali no entroncamento começa outra rua, a Itapicuru - e vários carros seguem por ela como se estivessem simplesmente indo em frente também.
Por isso, ciclistas já sabem o que fazer: tem de estender o braço mostrando que vão seguir em frente E NÃO VIRAR À DIREITA. A gente já sabe que o carro tem grandes chances de NÃO sinalizar que vai virar, embora DEVA.
A rua estava bem tranquila, então eu nem me preocupei muito. Mas - benza deus - segui em frente olhando para trás, a tempo de reduzir a velocidade para um carro (a linha amarela da ilustração abaixo) vir em alta velocidade e entrar na Itapicuru como se mundo fosse um comercial da Hyundai (ou outra marca, escolha) e ele estivesse sozinho no mundo.
Se eu tivesse feito a bobagem de confiar na tranquilidade da rua e nos meus ouvidos (era um carrão silencioso), o cara teria passado por cima de mim.
E ele nem me viu. Estava atento a tudo, menos ao seu entorno.
Moral da história:
- A sinalização ali não ajuda. Nem a horizontal, nem a vertical. Não é difícil um motorista pensar que ali não precisa dar seta mesmo, porque mal parece uma conversão à direita. Com faixas pintadas no chão e uma placa (sinceramente, não sei qual), os motorizados teriam maiores chances de perceber a lógica do fluxo, isto é - a Turiassu é o caminho "principal" ali.
- Velocidade é um problema sério. O cara vinha ali a uns 50 por hora. Velocidade boa para uma avenida, não para as ruas.
- Dar seta não é mesmo um hábito brasileiro.
- Prestar atenção enquanto dirige também não. Não existe a predisposição para ficar atento a tudo à sua volta - outros motoristas, pedestres, ciclistas. É cada um no seu aquário, pensando na vida, resolvendo os problemas, isolado do exterior pelo mardito vidro preto.
Por tudo isso, uma das medidas mais importantes para a segurança na cidade, a curto prazo, é mesmo reduzir a velocidade permitida por aí, reforçar essa ideia, fiscalizar, punir. Os motoristas vão odiar, mas eles podem se dar conta que o mais irritante é o anda-e-para do congestionamento. Circular por aí calmamente a 40 por hora está bom demais. Qual a distância média percorrida pelos motoristas em São Paulo? 6km? 10? Na maior parte do tempo, eles estão a velocidade de galinha (14km/h); 40 já é um baita ganho. Mas a gente tá tão acostumado a correr quando tem espaço, até para compensar o estresse de ficar parado, que acha que é pouco.
E tem de ter menos carro nas ruas, ô se tem.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Sua excelência, o carro
Excelente texto do José Luiz Portella, que foi Secretário Estadual de Transportes Metropolitanos. E que, antes mesmo de tomar posse, assumiu o compromisso de integrar bicicletas e metrô (no estúdio da ESPN, onde eu lhe dei os parabéns pela indicação e fiz a reivindicação rsrs). Já no discurso de posse, ressaltou a necessidade de investimentos fortes na CPTM, e de fato os trens metropolitanos melhoraram muito com ele na Secretaria e o outro Zé no governo do Estado :o))
Às vésperas do Dia Mundial Sem Carro virou risco andar pelas calçadas.
Não dá para sair tranquilo de um shopping (Villa-Lobos), e caminhar. Vem um carro a 100 km por hora. Não é acontecimento isolado. Outra vez foi um estudante que dispensara o carro e voltava caminhando na Vila Madalena. Sem carro, na calçada. Ficou sem vida. Ontem outro carro entrou pela vitrine de uma loja.
Em 2010: três paulistanos por semana, com mais de 70 anos, foram vítimas fatais.
Já não chegam os acidentes nas vias, agora o carro chega às calçadas. Não chega o estado das calçadas, buracos, desníveis, restos de cachorros. São 100 mil acidentes por ano por conta das condições do passeio. Agora o carro anda pelas calçadas.
No Dia Mundial Sem Carro o ambiente é o da entronização de sua excelência, o carro.
Não há nenhuma medida efetiva para restringi-lo, enquanto sobram medidas para estimulá-lo. Desde a atração de mais carros para o centro expandido até os privilégios para a indústria automotiva: desoneração de impostos, protecionismo, crédito abundante, o que só faz entrarem mais carros na cidade.
Com mil veículos automotores em circulação a mais por dia não há medida de desafogamento nem rede de metrô aumentada que dê conta.
Nova York, Londres, Paris são exemplos de cidades com grandes redes de metrô, com alta capilaridade e com vários congestionamentos de carros. Londres precisa aplicar uma taxa no centro para desestimular o fluxo de veículos.
Isso mostra que a questão do carro não é meramente oferecer mais metrô e pronto; tudo se resolve. Essas cidades mostram que mesmo com redes extensas é preciso restringir o carro. E ter outras opções.
Além disso, segue a impunidade para quem provoca acidentes. A impunidade é o veículo mais rápido para continuarmos a ter acidentes do tipo invasão de calçadas.
A indústria automotiva há anos é uma das mais beneficiadas com privilégios. O carro é uma divindade. Um arquétipo de poder. Nele, o sujeito se julga mais forte. Foram anos de trabalho de marketing.
Ninguém é contra o carro. Não se trata de querer eliminá-lo, seria ingênuo. Mas de colocá-lo no devido lugar.
O carro é um meio para o ser humano. Não o contrário.
Hoje, o que nos prende ao carro vai muito além da mobilidade para a qual ele serve. A ponto de qualquer solução para diminuir sua influência soar impossível.
Andar de bicicleta vira mera questão de lazer quando cerca de 230 mil viagens/dia são feitas a trabalho. E, se houver segurança, haverá muito mais gente querendo fazer.
No Dia Sem Carro, ganhamos 850 m de ciclorrota mais ciclofaixa ligando a USP ao Metrô. E 4,4km de corredor de ônibus na Radial Leste. É bom, não vamos desprezar os avanços.O caminho não é fácil.
Mas mostra o quanto é desproporcional a relação. Emplacaram mais mil veículos hoje e ganhamos 850 m de ciclofaixa. Que não são acrescidas a cada dia, só hoje. Enquanto que o carro, todo santo dia.
A tarefa é tão grande que só com uma decisão muito forte da população é possível sanar nosso maior problema: transporte/trânsito.
Falta uma liderança, alguém do poder público que acredite na ideia. Sem liderança do prefeito, como houve em Nova York, não haveria o 'Tolerância Zero'.
Não criamos o clima necessário para haver a sanção pública. Só a sanção pública vinda da população convicta de uma ideia muda um hábito arraigado como este: sua excelência, o carro.
A cidade precisa de vários dias com menos carro. E do prazer de poder curti-la, a pé, sem medo.
Bom Dia Mundial Sem Carro!
Bom dia para decidirmos o que queremos.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Não dá pra deixar o carro em casa - NOT
Com muita coisa para carregar, hoje vim de carro para o serviço. PQP, como é ruim!
São 40 minutos de tensão e irritação para começar o dia. Ou, na melhor das hipóteses, 40 minutos de atenção e concentração, ou seja, você já gasta uma parte da sua energia antes mesmo de começar o expediente.
De ônibus (ou ônibus + metrô), levo MENOS tempo que isso (leva em torno de meia hora da minha casa na Pompeia para a minha sala na Boa Vista). E é um tempo de caminhada, reflexão, devaneios. De reparar nas amoras e cerejas esmagadas na calçada (que lindo/ que dó!), na tia do café na esquina do Sesc Pompeia, nas capas de jornal na banca de revista, no tamanho que já está o prédio novo no Palestra Itália, nas fachadas das casas, na fisionomia das pessoas.
E você pode, eventualmente, se irritar com o motorista e suas aceleradas e freadas bruscas (não é tão raro, infelizmente) – mas dirigindo você tem um motivo para ficar com raiva a cada 500 metros. Neguin’ rápido demais, devagar demais ou mudando de faixa como se não houvesse amanhã – pra que dar seta e olhar no espelho, não é mesmo?; neguin’ ignorando sua seta e sua necessidade de mudar de faixa; semáforos completamente fora de sincronia, obrigando todo mundo a um anda-para-anda-para de enlouquecer; semáforos com tempo desajustado fazendo com que um monte de gente espere no vermelho enquanto não passa ninguém pela transversal que tem sinal verde.
*&¨¨&%$. É, eu fiquei de mau humor. Mas já vai passar.
Ainda bem que tinha o disco da Adele que a Edvânia me deu de presente.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Fui-eu-que-fiz
Quando eu era vereadora, abri mão várias vezes de assinar alguns projetos de lei e iniciativas diversas porque isso aumentava muito as chances de eles serem aprovados - às vezes porque estávamos em pé-de-guerra (eu X rapa rs), às vezes apenas porque as pessoas se empenham mais em fazer acontecer algo que é delas também e não "dos outros".
Exemplo do tipo 1: PL que criava o Conselho Municipal da Juventude. Ele estava no "acordo de líderes" para ser aprovado, mas quando chegou a vez dele na votação em plenário, o presidente (Antonio Carlos Rodrigues - PR) interrompeu a sessão e avisou: "Projeto dela? Não vota". O co-autor, Carlos Alberto Bezerra (PSDB), ficou louco da vida, compreensivelmente, mas já ia se conformar e escolher outro projeto dele para ser aprovado. Eu preferi mil vezes retirar meu nome do projeto e assim permitir que ele fosse aprovado de uma vez (estávamos há 4 anos tentando!). Se não fosse assim, não haveria outro jeito, porque ninguém ali desafiava o presidente da Casa...
Exemplo do tipo 2: Quando resolvi apresentar Projeto de Lei institucionalizando em São Paulo do Dia Sem Automóvel, concluí que ele teria muito mais chances de ser aprovado se todos os vereadores assinassem como autores do projeto. Embora não fossem necessariamente entusiastas da ideia (muito pelo contrário, em boa parte dos casos...), não se recusariam a fazer parte do movimento coletivo a favor da mobilidade sustentável, capice? :o) E assim foi feito.
Meus assessores não achavam essa ideia muito legal não, por razões óbvias - todo vereador precisa ter uma série de ações das quais possa provar a autoria para prestar contas de seu mandato à sociedade (e, talvez, ser candidato de novo). Mas eu preferia fazer as coisas acontecerem do que ter uma lista de coisas com meu nome e... engavetadas ad infinitum. Enquanto isso, prestaria contas de todos os meus atos e pronto.
***
Nos anos seguintes, já houve momentos em que lamentei tamanho altruísmo, ehehe. Apesar de todos os esforços de um praticante budista para aniquilar o ego, ele é ardiloso que só. Aí quando aparece alguém reinventando a roda que eu já tinha reinventado (rs), me dá um pouco de... raiva. Aquela vontade de aluno cdf subir na cadeira, levantar a mão e dizer: "EU, professora! Eu sei! Eu fiz!".
Uma dessas ocasiões foi qdo o movimento Nossa São Paulo resolveu abraçar - e que bom que o fez - o Dia Mundial sem Automóvel como uma de suas primeiras bandeiras de mobilização mais intensa. Mas parecia até que o Dia tinha sido concebido ali, sem nenhum antecedente na cidade. gnargnargnar
O anjinho em cima do meu ombro diz: "Pouco importa, boba. Quem te acompanha sabe que você é militante antiga nessa coisa de mobilidade, meio ambiente, o coletivo X o individual etc.)". Aí o diabinho retruca: "Então tá, boba. Fica aí esperando que as pessoas sejam justas, tenham boa memória e te reconheçam. E desencana, por exemplo, de ser prefeita um dia".
Resultado:
Anjinho 0 X 1 Diabinho!
Então fui fuçar nos meus arquivos digitais e ressuscitar escritos de 2005 sobre o tema da mobilidade urbana -vamos lá:
- Pronunciamento na Tribuna no dia 21/09/2005 - Dia Sem Automóvel
- Fotos do primeiro Dia Sem Automóvel na Câmara (as sessões plenárias normais foram suspensas para que fizéssemos um debate sobre mobilidade a tarde toda)
- Blog criado especialmente para o Dia
- Projeto de Lei, meu e do Chico Macena (PT), propondo alterações na Lei que instituiu o Dia Sem Automóvel (que acabou sendo aprovada e sancionada apenas em 2006 - eu nem lembrava que tinha demorado tanto!)
- Entrevista ao Boletim da Bancada do PT na Câmara sobre o PL do Dia Sem Automóvel
- Relato sobre a Bicicletada do Dia Sem Automóvel em 2006
- Fotos sobre eventos do Dia Sem Automóvel em 2006 - Bicicletada, Vaga Viva
- Post no Apocalipse Motorizado
- Post no Vá de Bike
- Pronunciamento no Plenário da Câmara em 2008
***
Portanto, Meritíssimo, acho que há elementos suficientes para demonstrar que provar que eu defendo essa bandeira há bastante tempo, aprendi muito desde 2005 e posso ser perdoada por eventuais momentos de irritação e manifestações de orgulho ferido quando aparecem "pioneiros" do movimento que aprenderam ontem o que é "vaga viva" e saem por aí bradando "mais ciclovias!" como se realmente estivessem engajados em mobilidade sustentável #prontofalei. uff
Exemplo do tipo 1: PL que criava o Conselho Municipal da Juventude. Ele estava no "acordo de líderes" para ser aprovado, mas quando chegou a vez dele na votação em plenário, o presidente (Antonio Carlos Rodrigues - PR) interrompeu a sessão e avisou: "Projeto dela? Não vota". O co-autor, Carlos Alberto Bezerra (PSDB), ficou louco da vida, compreensivelmente, mas já ia se conformar e escolher outro projeto dele para ser aprovado. Eu preferi mil vezes retirar meu nome do projeto e assim permitir que ele fosse aprovado de uma vez (estávamos há 4 anos tentando!). Se não fosse assim, não haveria outro jeito, porque ninguém ali desafiava o presidente da Casa...
Exemplo do tipo 2: Quando resolvi apresentar Projeto de Lei institucionalizando em São Paulo do Dia Sem Automóvel, concluí que ele teria muito mais chances de ser aprovado se todos os vereadores assinassem como autores do projeto. Embora não fossem necessariamente entusiastas da ideia (muito pelo contrário, em boa parte dos casos...), não se recusariam a fazer parte do movimento coletivo a favor da mobilidade sustentável, capice? :o) E assim foi feito.
Meus assessores não achavam essa ideia muito legal não, por razões óbvias - todo vereador precisa ter uma série de ações das quais possa provar a autoria para prestar contas de seu mandato à sociedade (e, talvez, ser candidato de novo). Mas eu preferia fazer as coisas acontecerem do que ter uma lista de coisas com meu nome e... engavetadas ad infinitum. Enquanto isso, prestaria contas de todos os meus atos e pronto.
***
Nos anos seguintes, já houve momentos em que lamentei tamanho altruísmo, ehehe. Apesar de todos os esforços de um praticante budista para aniquilar o ego, ele é ardiloso que só. Aí quando aparece alguém reinventando a roda que eu já tinha reinventado (rs), me dá um pouco de... raiva. Aquela vontade de aluno cdf subir na cadeira, levantar a mão e dizer: "EU, professora! Eu sei! Eu fiz!".
Uma dessas ocasiões foi qdo o movimento Nossa São Paulo resolveu abraçar - e que bom que o fez - o Dia Mundial sem Automóvel como uma de suas primeiras bandeiras de mobilização mais intensa. Mas parecia até que o Dia tinha sido concebido ali, sem nenhum antecedente na cidade. gnargnargnar
O anjinho em cima do meu ombro diz: "Pouco importa, boba. Quem te acompanha sabe que você é militante antiga nessa coisa de mobilidade, meio ambiente, o coletivo X o individual etc.)". Aí o diabinho retruca: "Então tá, boba. Fica aí esperando que as pessoas sejam justas, tenham boa memória e te reconheçam. E desencana, por exemplo, de ser prefeita um dia".
Resultado:
Anjinho 0 X 1 Diabinho!
Então fui fuçar nos meus arquivos digitais e ressuscitar escritos de 2005 sobre o tema da mobilidade urbana -vamos lá:
- Pronunciamento na Tribuna no dia 21/09/2005 - Dia Sem Automóvel
- Fotos do primeiro Dia Sem Automóvel na Câmara (as sessões plenárias normais foram suspensas para que fizéssemos um debate sobre mobilidade a tarde toda)
- Blog criado especialmente para o Dia
- Projeto de Lei, meu e do Chico Macena (PT), propondo alterações na Lei que instituiu o Dia Sem Automóvel (que acabou sendo aprovada e sancionada apenas em 2006 - eu nem lembrava que tinha demorado tanto!)
- Entrevista ao Boletim da Bancada do PT na Câmara sobre o PL do Dia Sem Automóvel
- Relato sobre a Bicicletada do Dia Sem Automóvel em 2006
- Fotos sobre eventos do Dia Sem Automóvel em 2006 - Bicicletada, Vaga Viva
- Post no Apocalipse Motorizado
- Post no Vá de Bike
- Pronunciamento no Plenário da Câmara em 2008
***
Portanto, Meritíssimo, acho que há elementos suficientes para demonstrar que provar que eu defendo essa bandeira há bastante tempo, aprendi muito desde 2005 e posso ser perdoada por eventuais momentos de irritação e manifestações de orgulho ferido quando aparecem "pioneiros" do movimento que aprenderam ontem o que é "vaga viva" e saem por aí bradando "mais ciclovias!" como se realmente estivessem engajados em mobilidade sustentável #prontofalei. uff
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Minha vida em oito rodas
Ou doze, ou dezesseis, não sei quantas são em um ônibus biarticulado.
Hoje tive reunião na FGV – mais precisamente, no ITCP, que é o máximo, sou fã.
Da Rua Boa Vista para a 9 de julho, com certeza a melhor alternativa é pegar um ônibus no Terminal Bandeira e descer no ponto em frente à faculdade.
Caminhei uns 5 minutos – embora tenha parado no meio da caminho para cumprimentar o Robson pela Bicicloteca, que é DEMAIS – e cheguei ao Terminal.
Que tem duzentos mil ônibus que seguem pela 9 de julho, cada um com seu ponto final. Aí começa a primeira burrice: você tem de escolher um deles meio a olho e dar sorte dele ser o primeiro a sair.
Beleza, entrei em um com o motor ligado e ele saiu quase imediatamente. Em 5 minutos eu estava na GV. Ônibus vazio, fui em pé mas com espaço.
Na volta... Colapso do sistema. Tudo errado.
O ponto sentido Centro estava lotado de gente. Tem de se acotovelar para chegar junto ao meiofio e fazer sinal para o ônibus parar.
São dois pontos emendados e não consegui descobrir qual ônibus pára onde. Sei que chegou um Terminal Bandeira (quase vazio!), fiz sinal, algumas outras pessoas também e o mardito não parou.
Será que a gente estava no ponto errado??
Em seguida, veio um Princesa Isabel bem cheio. Não quis pegar – vai que não dá tempo de descer no meu ponto?
Aí veio outro Terminal Bandeira. Bem cheio, mas não megahiperlotado. Mas o motorista só parou para o pessoal desembarcar, não abriu as portas de embarque. !!!!!!
Chegou outro Princesa Isabel, desta vez um biarticulado, cheio mas com espaços. “É nesse que eu vou”.
Chegou outro Princesa Isabel, desta vez um biarticulado, cheio mas com espaços. “É nesse que eu vou”.
Bom, embarcar já foi difícil, com a calçada congestionada e algumas pessoas ocupando metade da porta. Aperta daqui, empurra dali, entramos todos. Mas a roleta não girava, de tanta gente logo depois dela; ainda bem que ainda faltava um tempo até meu ponto.
Quando passei, vi que tinha muito, mas muito espaço lá atrás! O ônibus é compridão e tem várias portas lá para atrás, mas o povo fica todo socado depois da roleta, na primeira porta. Que m.
Muito pior que isso foi o fato de o ônibus levar mais de 20 minutos para percorrer uma distância RIDÍCULA. Isso porque o corredor “desaparece” em cima de um viaduto e simplesmente o coletivo que transporta umas 200 pessoas fica parado – PARADO – um tempão atrás de 10 carros com no máximo 15 pessoas. Absurdo.
No fim das contas, levei UMA HORA de volta da GV à SUTACO. Acho que a pé daria menos tempo.
Tá errado o fato de um ônibus daquele tamanho ter de ficar na pista atrás dos carros particulares.
Tá errado ter a porcaria da roleta – não precisa, tem o validador eletrônico! E o cobrador podia estar no ponto, não dentro do ônibus. Quando ele encostasse, podia abrir todas as portas para embarque e desembarque, como um vagão de metrô.
Tá errado não informar direito no ponto de ônibus qual é a parada de cada um.
Tá errado o fato de ter tanto ônibus no corredor! Essa parte não é tão simples de entender, mas depois faço questão de explicar.
Todo mundo ama (ou diz que ama) metrô, mas ônibus em São Paulo é CRUCIAL. Quando funciona, é tão bom... Tô tão mais feliz sem dirigir todo dia... (Eu andava muito de moto, mais do que em qualquer outro meio de locomção). E sem grandes obras, sem enormes investimentos, o sistema de ônibus já podia ser muito melhor. %$#¨&
terça-feira, 28 de julho de 2009
Nós, o Diabo e o Automóvel
Adorei o texto do Jorge Wilheim sobre "O Diabo e o Automóvel" na Folha de hoje (íntegra aqui, mas só para assinantes). Mas tem dois equívocos:
1) "(...) para o alargamento das faixas carroçáveis das marginais do Tietê, começou o corte das árvores. Anuncia-se que haverá vasto plantio de reposição, mas não se diz que tal compensação se dará na APA do Tietê, entre Itaquaquecetuba e as nascentes do rio em Salesópolis".
Não é isso, não. O plantio será da ordem de 20 árvores para cada uma que foi retirada - sendo que algumas já estavam mortas, outras ainda eram pequenas, recém-plantadas; muitas foram transplantadas e uma minoria foi derrubada. E o plantio será nas 8 Subprfeituras que dão "frente" para a Marginal. Cada uma receberá cerca de 10 mil árvores - e é até difícil achar área pública para tanta árvore. Estamos tentando converter parte desse plantio em serviços ambientais (por exemplo, desimpermeabilização de áreas asfaltadas/concretadas para plantio de grama, arbustivas e árvores), mas a Secretaria do Verde tem de avalizar essa conversão.
2) "E não se menciona na mídia a existência de alternativas para obter o pretendido e necessário descongestionamento diário das marginais: o rodoanel norte e as duas vias de suporte leste-oeste, paralelas às marginais, diretrizes do Plano Diretor propostas desde... 1968".
Sempre se fala no Rodoanel como a grande solução para o trânsito. Não é, tanto quanto o alargamento das marginais também não é. A requalificação, realinhamento e alargamento da marginal vai melhorar o trânsito na própria marginal, mas o trânsito na cidade continuará um inferno (e, se nada mais for feito, o da marginal também). As vias suporte leste-oeste eu não sei quais são, e não sei se ainda é possível/desejável fazê-las (de 68 pra cá, as coisas mudaram bastante!).
São Paulo precisa bastante de rodoanéis e minianéis viários, porque o famoso sistema de avenidas desenhado pelo Prestes Maia é semelhante a um asterisco, com vias que se cruzam no centro. É preciso fazer ligações entre os riscos do asterisco, de modo a fechar a teia em torno da cidade. Precisamos dessas conexões também no transporte coletivo - seria muito melhor que o metrô fizesse ligações entre regiões (Sul-Leste, por exemplo) do que ter uma linha muito comprida em direção ao leste (a Linha 3 - quase sempre paralela ao trem, valorizou os terrenos de alguns proprietários bem posicionados junto ao governo e induziu o espraiamento da cidade).
Mas o Rodoanel norte é um problema SERÍSSIMO do ponto de vista ambiental. Cortar as árvores plantadas entre as pistas da marginal e diminuir os canteiros é ruim, mas fazer uma pista atravessando a Serra da Cantareira é de dar medo! Vai ser difícil encontrar um projeto sustentável ambientalmente e viável economicamente.
Enfim, tirando esses dois pontos, gostei muito do texto. E fiquei besta com a informação de que o Pátio do Colégio virou estacionamento para a Associação Comercial. Sério??!! Absurdo.
1) "(...) para o alargamento das faixas carroçáveis das marginais do Tietê, começou o corte das árvores. Anuncia-se que haverá vasto plantio de reposição, mas não se diz que tal compensação se dará na APA do Tietê, entre Itaquaquecetuba e as nascentes do rio em Salesópolis".
Não é isso, não. O plantio será da ordem de 20 árvores para cada uma que foi retirada - sendo que algumas já estavam mortas, outras ainda eram pequenas, recém-plantadas; muitas foram transplantadas e uma minoria foi derrubada. E o plantio será nas 8 Subprfeituras que dão "frente" para a Marginal. Cada uma receberá cerca de 10 mil árvores - e é até difícil achar área pública para tanta árvore. Estamos tentando converter parte desse plantio em serviços ambientais (por exemplo, desimpermeabilização de áreas asfaltadas/concretadas para plantio de grama, arbustivas e árvores), mas a Secretaria do Verde tem de avalizar essa conversão.
2) "E não se menciona na mídia a existência de alternativas para obter o pretendido e necessário descongestionamento diário das marginais: o rodoanel norte e as duas vias de suporte leste-oeste, paralelas às marginais, diretrizes do Plano Diretor propostas desde... 1968".
Sempre se fala no Rodoanel como a grande solução para o trânsito. Não é, tanto quanto o alargamento das marginais também não é. A requalificação, realinhamento e alargamento da marginal vai melhorar o trânsito na própria marginal, mas o trânsito na cidade continuará um inferno (e, se nada mais for feito, o da marginal também). As vias suporte leste-oeste eu não sei quais são, e não sei se ainda é possível/desejável fazê-las (de 68 pra cá, as coisas mudaram bastante!).
São Paulo precisa bastante de rodoanéis e minianéis viários, porque o famoso sistema de avenidas desenhado pelo Prestes Maia é semelhante a um asterisco, com vias que se cruzam no centro. É preciso fazer ligações entre os riscos do asterisco, de modo a fechar a teia em torno da cidade. Precisamos dessas conexões também no transporte coletivo - seria muito melhor que o metrô fizesse ligações entre regiões (Sul-Leste, por exemplo) do que ter uma linha muito comprida em direção ao leste (a Linha 3 - quase sempre paralela ao trem, valorizou os terrenos de alguns proprietários bem posicionados junto ao governo e induziu o espraiamento da cidade).
Mas o Rodoanel norte é um problema SERÍSSIMO do ponto de vista ambiental. Cortar as árvores plantadas entre as pistas da marginal e diminuir os canteiros é ruim, mas fazer uma pista atravessando a Serra da Cantareira é de dar medo! Vai ser difícil encontrar um projeto sustentável ambientalmente e viável economicamente.
Enfim, tirando esses dois pontos, gostei muito do texto. E fiquei besta com a informação de que o Pátio do Colégio virou estacionamento para a Associação Comercial. Sério??!! Absurdo.
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