Recebi um email com perguntas de um rapaz chamado Leandro (que não conheço pessoalmente). Com certeza que mais gente faria as mesmas, então lá vai:
Olá Soninha, como vai?Estou buscando um candidato a #vereador para chamar de meu. Estou pesquisando pelo partido, formação e propostas, mas está difícil principalmente o último item.
Conheço suas ideias das vezes que se candidatou como Prefeita, e me identifico bastante, mas para ser justo e ter um comparativo com outros candidatos, queria saber mais a seu respeito:
- Quais são suas intenções como Vereadora?
- O que te motivou a se candidatar?
- Qual região de SP você atua ou pensa em atuar?
Acho que isso pode me dar uma ideia melhor para direcionar meu voto.
Minha resposta:
Oba, obrigada por perguntar!! :)
- Quero, em primeiro lugar, ter mais poder para fiscalizar o Executivo e a própria Câmara. Hoje eu fiscalizo sozinha (dados oficiais como contratos, licitações etc e os serviços "reais", como Saúde, transporte público e assistência social) e reclamo na ouvidoria, posto na internet, compareço às audiências públicas, mando para a imprensa, aciono vereadores e... Nada!! Não adianta!!!
E quero fazer propostas concretas de novos serviços e equipamentos públicos (dois exemplos: convênio com clínicas veterinárias para atendimento de animais da periferia, em vez de oferecer apenas dois hospitais veterinários para a cidade toda; áreas para moradores de rua usarem o banheiro, tomarem banho e lavarem suas roupas). Isso significa bater às portas dos órgãos do Executivo, unir forças com outros vereadores, destinar recursos orçamentários etc.
- O que me motivou está mais ou menos descrito aí em cima :) Estar lá dentro é MUITO frustrante, irritante, cansativo - mas estar aqui fora sem poder fazer quase nada é pior.
- Tenho minhas conexões mais fortes em algumas regiões, como a Zona Norte (Brasilandia, Peri, Cachoerinha, onde atuo voluntariamente em favelas e com moradores pobres); Centro (Moinho, Sé, Minhocão etc, com população de rua); Zona Leste (idem). Mas atuo mais "por tema" do que por região: mobilidade, moradores de rua, políticas para mulheres, juventude e LGBT (e estou cada vez mais mergulhada nos problemas dos idosos!!), cultura, esporte, animais, sustentabilidade, moradia...
Na minha "fan page" no Face (soninhafrancine) e no meu blog (http://gabinetesoninha.blogspot.com) dá pra ver mais coisas. E pode mandar mais perguntas, sugestões etc!
"...But when you talk about destruction/Don't you know that you can count me out"
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sábado, 17 de setembro de 2016
Perguntas de um candidato a eleitor :-)
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terça-feira, 6 de setembro de 2016
O que defendo para...
O que eu defendo para as MULHERES:
- Nenhuma criança sem creche ou cuidado.
- Educação e cultura contra a discriminação e a violência.
- Iluminação pública e zeladoria decentes na cidade toda, para mais segurança.
- Mais Centros de Referência e Casas-Abrigo para vítimas de violência.
- Apoio às Mães de Desaparecidos.
Comentários:
1) Não haverá, no curtíssimo prazo necessário, vagas em creches públicas para todas as crianças. A demanda não atendida é descomunal. O poder público não tem o direito de atender uma parte das mães e deixar as outras à própria sorte - acredito que temos o dever de pagar "bolsas" em escolas particulares ou cuidadoras. 2) Não vamos chegar a um mundo mais pacífico e seguro para nossas mulheres enquanto o "pancadão", por exemplo, for a única alternativa de lazer para muitos - defendida inclusive como "cultura da periferia" a ser respeitada e preservada, enquanto o funk trata mulheres como cadelas. 3) Fala por si: atravessar passarelas e locais de mato alto escuros e desertos trazem terror para todos, mulheres em especial. O item seguinte também fala por si. 4) O tema dos Desaparecidos merece toda a atenção que formos capazes de dispensar. Homicídios recebem atenção, aparecem no noticiário, resultam em comoção e solidariedade. Desaparecimentos não... E mães vivem em desespero permanente sem amparo.Comentários:
O que defendo para as pessoas LGBT:
- Educação e cultura contra a discriminação e a violência.
- Informação nos órgãos públicos sobre direitos assegurados em lei.
- Casas de Passagem para adolescentes e jovens expulsos de casa.
- Centros de Referência em todas as Subprefeituras para atendimento psicológico, jurídico e de assistência social
- Oportunidades reais de trabalho e renda para Travestis e Transexuais.
Comentários: nos documentos produzidos pela Sociedade Civil e nas demandas da militância e ativistas, algumas das palavras mais usadas são "capacitação/sensibilização/formação"e "divulgação". Já há muitos direitos assegurados em leis, decretos e portarias, e esses precisam de muito mais divulgação para que as próprias pessoas LGBT e tod@s que as apóiam possam exigi-los. É preciso também que as pessoas conheçam, compreendam, se senbilizem e respeitem as pessoas independentemente de sua orientação sexual e identidade de gênero, precisando cada vez menos de leis que obriguem e punam... Mas como a violência ainda é muito grande e começa dentro de casa, atingindo jovens também na escola, no trabalho, na rua e em todos os espaços de convivencia, além do sofrimento psíquico pelo qual passa uma pessoa que é tida como "errada", "doente", "anormal", "aberração" etc apenas por ser como é, por se apaixonar por alguém do mesmo sexo ou não se identificar com seu sexo genital, é preciso oferecer atendimento, proteção, acolhimento. Sobre travestis e transexuais: oferecer a oportunidade de ampliar sua escolaridade e de formação para o trabalho é bom - mas se não houver trabalho, não adianta, e o mercado é resistente demais a essas pessoas! Temos de trazer travestis e pessoas trans para estagiar e trabalhar na própria prefeitura, respeitando suas diferenças e fazendo jus a seu conhecimento, capacidades e habilidades.
O que defendo para a POPULAÇÃO DE RUA:
- Centros de Referência em todas as Subprefeituras para atendimento psicológico, jurídico e de assistência social
- Atendimento em Saúde Mental compatível com sua relidade.
- Mais vagas em albergues para mulheres, casais e famílias
- Mais Residências Temporárias
- Locais para usar o banheiro, tomar banho e lavar roupa".
- Oportunidades reais de restituir a dignidade e garantir autonomia
O que defendo para ANIMAIS:
- Criação de santuários para animais resgatados de maus tratos e abandono
- Parecerias com ONGs para consultas veterinárias, vacinação e castração na cidade toda.
- Combate efetivo ao comércio ilegal de animais
- Incentivo à adoção.
- Incentivo ao vegetarianismo e veganismo
O que defendo para a MOBILIDADE:
- Frota menos poluente.
- Ônibus mais silenciosos e confortáveis
- Trajetos mais lógicos e menos espera nos pontos.
- Ciclovias bem planejadas e bem feitas
- Calçadas decentes
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terça-feira, 18 de setembro de 2012
Animais "irracionais", outra vez
Essa foi para o JT. Aceito o link, se alguém acha :o)
Faz alguns meses, já.
Faz alguns meses, já.
Que propostas a Soninha tem na área de proteção animal,
especialmente dos animais domésticos, como gatos e cachorros? Atualmente, o
cenário é de superlotação nos abrigos de ONGs e no único abrigo oficial do Centro de Controle de Zoonoses. A Prefeitura não cumpriu a meta de instalar chips
de restreamento em 480 mil animais de rua e o abrigo específico para acolhida
de animais de rua - só de cachorros seriam 240 mil - não saiu do papel.
Enquanto isso, segundo especialistas e ongs, os animais estão se proliferando e
aumento o risco de transmissão doenças à população, como raiva, por exemplo. O
CCZ, antiga carrocinha, não pode recolher e sacrificar animais de rua desde
2008.
1) Precisa haver mais unidades do CCZ, para começar.
Tínhamos dificuldade, na Subprefeitura da Lapa, para realizar operações de
combate ao comércio ilegal de filhotes porque, uma vez apreendidos, não haveria
lugar para os animais! 2) Os mutirões de castração gratuita precisam ser mais
frequentes e em mais lugares da cidade; 3) É preciso haver (mais) atendimento
veterinário gratuito e fornecimento de medicamentos também. Muita gente não tem
a menor condição de pagar por uma consulta veterinária. Para não haver abusos,
talvez seja o caso de pedir comprovação de renda. 4) As entidades (sérias!) de
proteção animal precisam ter mais acesso a recursos públicos, porque prestam
serviço inestimável; 5) Promover e apoiar mais feiras de adoção; 6) Fazer
funcionar de verdade o "RG animal"; 7) Educação, educação,
educação... Em eventos, nas escolas, na mídia (TV ônibus, site, redes sociais,
TV, rádio etc)
2 - Em relação a cães e gatos de moradores de rua, existe
algum plano para abrigá-los quando as famílias a quem pertencem são alvos de
desapropriações, vítimas de incêndios em favelas ou de enchentes? Hoje, por
exemplo, os albergues não têm um local para receber cães de moradores de rua e
das famílias que foram parar lá.
Na verdade, são duas coisas diferentes. Nos albergues, que
servem para o pernoite da população em situação de rua, é preciso criar
condições para que essas pessoas fiquem com seus cães, de modo limpo, seguro e
acolhedor. No caso de emergências como incêndios e enchentes, os animais
precisam ser resgatados de imediato e, se for o caso, ficar em abrigos
específicos até que seus tutores consigam cuidar deles novamente. Em caso de
remoção determinada com antecedência, é preciso fazer o cadastramento dos animais
tanto quanto das famílias e verificar quais terão destino e quais correm o
risco de ser deixados para trás - para que não sejam!
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Em tese, os irracionais
Hoje estive na MOVE (de "Move Your Ass" rsrsrs), entidade que tem vários projetos de combate aos maus tratos aos animais. Chegando de lá, dei uma organizada rápida nas propostas para política pública para animais. Animais não-humanos. rs
Comentários por favor - críticas, sugestões.
1
Criar, dentro da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, setor
encarregado de questões relacionadas a animais domésticos/ urbanos. (Hj existe apenas uma Divisão que trata de animais
silvestres).
2
Divulgar, por todos os meios, a Legislação que dispõe
sobre maus tratos
Lei N° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 - Lei dos Crimes Ambientais
Artigo 32: condena aquele que "praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos".
Lei N° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 - Lei dos Crimes Ambientais
Artigo 32: condena aquele que "praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos".
Decreto-lei N° 24.645, de julho de 1934 - Define o que se consideram maus tratos
(Diz o Art 3º, inciso V: “Abandonar animal doente, ferido, extenuado ou mutilado, bem como deixar de ministrar-lhe tudo que humanitariamente se lhe possa prover, inclusive assistência veterinária”)
(Diz o Art 3º, inciso V: “Abandonar animal doente, ferido, extenuado ou mutilado, bem como deixar de ministrar-lhe tudo que humanitariamente se lhe possa prover, inclusive assistência veterinária”)
(Verificar o
cumprimento da Lei Municipal 14.761 de junho de 2008, que obriga estabelecimentos que ofereçam serviços
ou vendam produtos para animais, a expor um aviso sobre a lei que pune crimes
de maus-tratos).
3
Criar, dentro do serviço 156, um Disk Denúncia para maus
tratos contra animais, que serão verificadas por meio de ação imediata da
Guarda Civil Metropolitana.
*Capacitar agentes da Guarda Civil para essa função;
preferencialmente aqueles que se identificam com a causa.
4
Criar novos espaços para recepção e abrigamento de animais recolhidos.
5
Incentivar a adoção com campanhas de comunicação, orientação e suporte.
Criar novos espaços para recepção e abrigamento de animais recolhidos.
5
Incentivar a adoção com campanhas de comunicação, orientação e suporte.
6
Promover ações educativas temporárias ou permanentes em
praças, parques, escolas e na mídia.
7
Apoiar com recursos técnicos e financeiros entidades não governamentais que atuam nessa área prestando serviço de qualidade e que muitas vezes podem contar apenas com esforços voluntários.
Apoiar com recursos técnicos e financeiros entidades não governamentais que atuam nessa área prestando serviço de qualidade e que muitas vezes podem contar apenas com esforços voluntários.
8
Criar Fundo Municipal de Proteção aos Animais, com
recursos oriundos do pagamento de multas e destinação de verbas orçamentárias
específicas.
9
Ampliar o alcance das campanhas de castração, vermifugação e vacinação, realizando-as com mais frequencia e em mais regiões da cidade
Ampliar o alcance das campanhas de castração, vermifugação e vacinação, realizando-as com mais frequencia e em mais regiões da cidade
10
Criar “Santuário” (Centro de Referência) para reintegração
de espécies em Área de Preservação destinada especialmente para este fim,
possivelmente em parceria com governo do estado e universidades.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Ele dá um jeito
Os outros gatos gostam de almofada, sofá, travesseiro, tapete, toalha, paninho e coisas fofas de um modo geral. TomZé, que já vem almofadado, não. Adora deitar no asfalto, por exemplo (??!!). Quando está a fim de algo mais suave (e mais fresco), escolhe a terra da jardineira. A cestinha - de madeira, sem forro - o atraiu. E ele dá um jeito de caber.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Um afeto imenso
Sabe quando você tem um machucado em algum lugar da boca e não consegue parar de cutucar, para sentir a dor?
***
Foi uma noite terrível. Meus olhos ardiam de tanto que eu chorei.
Foi uma noite terrível. Meus olhos ardiam de tanto que eu chorei.
Já não ando muito bem – chorona eu sempre fui, mas há fases da vida de em que as lágrimas parecem estar sempre ali de prontidão.
Chorei na sexta, com a morte do filho do Paulo Teixeira. Chorei no sábado de manhã, falando sobre isso com a minha amiga Lylian.
Eu choro vendo filmes e fotos, lendo livros, ouvindo histórias. Chorei no Bola da Vez com o Nilton Santos contando de quando foi visitar o Garrincha semi-consciente no hospital. Chorei no Bom Dia Sydney com o boxeador brasileiro que projetou glórias imensas na Olimpíada e caiu na primeira luta – e pedia desculpas via satélite para a namorada, a família, o treinador e todos os que haviam apostado nele, pela “decepção”. Choro com histórias de bichos que morreram – e de bichos que ficaram inconsoláveis quando seus donos morreram.
Chorei pra valer com a morte do meu gatinho.
***
Eu não era de gato, era de cachorro. Tive pastor alemão, doberman, beagle. Minha avó teve boxer, piquinês... Meu tio tinha cães fila e viralatas. Meu tio-avô tinha perdigueiros.
Eu não era de gato, era de cachorro. Tive pastor alemão, doberman, beagle. Minha avó teve boxer, piquinês... Meu tio tinha cães fila e viralatas. Meu tio-avô tinha perdigueiros.
Depois de casar – já com uma filha de três meses me acompanhando até o cartório... – não tive mais bichos. Tive filhas, tive muitos empregos, tive endereços diversos e vida doméstica escassa. Até que, 13 anos depois, decidimos que já estava na hora de ter outro. A Julia, ainda em tratamento de leucemia, se encantou com o gato da Ana, nossa amiga, e a gente achou que um bicho ia fazer muito bem a ela. E gato em apartamento não parecia tão difícil... “Eles são mais independentes, não fazem tanto barulho”. Mas o médico desaconselhou – havia qualquer contraindicação por causa dos medicamentos que a Julia tomava, uma vulnerabilidade que não combinava com gato. “Mas cachorro, tudo bem”.
Pronto, resolvemos ter um cachorro. O Marcelo, pai da Julia, que também era louco por eles – uma vez voltou de Maromba com uma cadelinha guardada dentro da jaqueta, na esperança de que o pai o deixasse ficar com ela em São Paulo – começou a procurar por um. Que seria um viralata adotado, não tínhamos a menor dúvida.
Um dia, me mandou um email com o retrato de um filhote preto e branco, com mancha de pirata em um olho e a expressão do Gato de Botas do Schreck (súplica irresistível!). “É esse?”. É esse.
Dub (batizado depois, em homenagem à vertente do reggae que fala mais ao coração do Marcelo) tinha sido achado debaixo da Ponte Eusébio Matoso. As meninas o salvaram e botaram o retrato na internet, e assim ele deixou de virar panqueca debaixo da roda de um caminhão e veio morar em Perdizes.
***
Anos depois, veio o Taz. “Mãe, um cara lá do trabalho pegou um gatinho preto em um terreno baldio mas não vai poder ficar com ele. Será que a gente fica?”. Pensei um minuto e meio, talvez dois. “Traz”! “Será que o Dub vai se acostumar com ele”? “Já viu quanta história tem de bicho diferente convivendo? Cadela que amamenta leãozinho, gata cuidando de macaquinho... A gente dá um jeito”.
Anos depois, veio o Taz. “Mãe, um cara lá do trabalho pegou um gatinho preto em um terreno baldio mas não vai poder ficar com ele. Será que a gente fica?”. Pensei um minuto e meio, talvez dois. “Traz”! “Será que o Dub vai se acostumar com ele”? “Já viu quanta história tem de bicho diferente convivendo? Cadela que amamenta leãozinho, gata cuidando de macaquinho... A gente dá um jeito”.
Naquela noite ele chegou; cabia na palma da mão. Usava uma coleira cor-de-rosa – a gente achava que era “ela”. Cabeça grande para o corpo, orelhas grandes para a cabeça, pelo acinzentado, fosco, estranho. Uma graça – e feio que só. Pensei em chamá-la de “Betty” (A Feia). As meninas ficaram bravas comigo: “Não é feia”! “É feia sim, mas é linda”.
Curioso...
...E atrevido
Curioso...
...E atrevido
Era feinho ou não era?
Na primeira ida ao veterinário, descobrimos que era gato. O nome demorou a surgir – até que sua natureza de peste nos levou a pensar em Taz...mânia, Demônio da. Como minha mãe costumava dizer a meu respeito - “dormindo, é um anjo”. Se ajeitava no colo da gente e
ronronava feito um ventiladorzinho a pilha. Acordado, era incrível. Brincalhão, irrequieto. Escalava a perna da gente como se fosse um macaco subindo no coqueiro.
Cresceu e ficou lindo, pelo preto lustroso, patinhas brancas. Bigodes pretos de um lado e brancos do outro. E continuava um palhaço.
Uma de suas brincadeiras favoritas era de emboscada. Ia para trás do sofá, do balcão, da porta e esperava o cachorro passar na sua frente. Quando passava, CRAU! Saía voando pra cima dele como se fosse o Hong Kong Fu (um cachorro de desenho animado, procure no You Tube se você não é do meu tempo). Dava altos botes, pulava nas costas, saía correndo e deitava no chão, chamando pra “luta de solo”. Eu me divertia com o jiu-jitsu deles. Às vezes ficava meio violento, eu ia separar – sabe como é, menino adora brincadeira de mão, acabam se machucando.
Taz trocava qualquer almofada felpuda por uma sacola plástica ou caixa de papelão. Depois da mudança, estava em uma espécie de paraíso, escolhendo a cada dia um novo berço no meio da bagunça. Às vezes sumia – estava no alto do meu altar budista ou dentro do guarda-roupa.
***
Quando a gente ainda morava no apartamento, não podia abrir a porta que ele saía para o corredor como um foguete. Adorava se esconder atrás do vaso de flores da vizinha. Quando a gente ia buscar, baixava o “gatinho cambalhota”: começava a rolar pelo chão, cabeça primeiro. Ou corria de lado pelo rodapé. Pura diversão.
Quando a gente ainda morava no apartamento, não podia abrir a porta que ele saía para o corredor como um foguete. Adorava se esconder atrás do vaso de flores da vizinha. Quando a gente ia buscar, baixava o “gatinho cambalhota”: começava a rolar pelo chão, cabeça primeiro. Ou corria de lado pelo rodapé. Pura diversão.
Taz adorava água. Entrava no banheiro para ficar admirando um banho de chuveiro. Se a gente se distraísse e deixasse o box aberto, ele se refestelava no chão molhado. Ah, sim, além de caixas de papelão e sacolas de plástico, adorava deitar em uma pia. E tomar água da torneira.
***
Chegaram mais dois cães viralatas; Taz ficou amigo do Ziggy, que chegou filhotinho e cresceu até parecer um cabrito. Ziggy é catastroficamente desajeitado; não sabe dosar sua força e faz estragos imensos com o rabo, as patas e os dentes. Mas eles brincavam o tempo todo e não se machucavam quase por milagre. Nos momentos jiu-jitsu dos dois, Ziggy abocanhava a cabeça do Taz inteira e o arrastava pela sala. O gato reclamava quando ele pegava forte demais, e se fosse o caso metia-lhe um jab no focinho depois.
Chegaram mais dois cães viralatas; Taz ficou amigo do Ziggy, que chegou filhotinho e cresceu até parecer um cabrito. Ziggy é catastroficamente desajeitado; não sabe dosar sua força e faz estragos imensos com o rabo, as patas e os dentes. Mas eles brincavam o tempo todo e não se machucavam quase por milagre. Nos momentos jiu-jitsu dos dois, Ziggy abocanhava a cabeça do Taz inteira e o arrastava pela sala. O gato reclamava quando ele pegava forte demais, e se fosse o caso metia-lhe um jab no focinho depois.
Com o Limão, o último cachorro a se juntar a família, ele não se enturmou muito não. Mas foi engraçadíssimo ver ele examinando o recém-chegado – consegui fazer umas fotos e vídeos.
Taz também impôs respeito a Menina, a gata da vizinha. O Dub tinha medo dela; ela era brava. Mas com o Taz não adiantou. Ela fez cara feia, mostrou os dentes, mas ele nem aí. Chegaram a brincar um pouco, e ela também não era muito sociável... Irresistível, o Taz.
***
Os três cachorros + o gato transformaram minha casa em um pandemônio. O ecossistema se desequilibrou e eles, na minha ausência, destruíram livros, álbuns, fotos, tupperwares, vasos, plantas, pés de mesa e cadeira, almofadas, puxadores de gaveta, até a beira do degrau. Enlouqueci. Devia ter colocado uma câmera de vídeo para ver o terror que eles tocavam.
Os três cachorros + o gato transformaram minha casa em um pandemônio. O ecossistema se desequilibrou e eles, na minha ausência, destruíram livros, álbuns, fotos, tupperwares, vasos, plantas, pés de mesa e cadeira, almofadas, puxadores de gaveta, até a beira do degrau. Enlouqueci. Devia ter colocado uma câmera de vídeo para ver o terror que eles tocavam.
O gato era cúmplice crucial da bagunça. Usando da técnica desenvolvida quando estava impaciente – subia na geladeira e empurrava o pote de ração lá de cima, para que ele se espatifasse no chão e ele comesse o que caía – Taz alcançava os objetos nas alturas e os entregava para o sacrifício ritual.
***
Taz foi uma das minhas companhias mais queridas nos últimos meses. Continuo amando os cães, mas nunca pensei que eu fosse gostar tanto de um gato. Ele e o Dub eram os meninos de um lar cheia de mulheres; na casa nova, boa parte do gosto em conquistá-la estava em compartilhá-la com eles (Ziggy e Limão foram passar um tempo na casa da avó no interior). Os dois tinham muito mais espaço – mais explorado pelo gato. As pilhas de caixas, os armários. A varanda que dava acesso aos telhados vizinhos, as janelas... A rua.
Taz foi uma das minhas companhias mais queridas nos últimos meses. Continuo amando os cães, mas nunca pensei que eu fosse gostar tanto de um gato. Ele e o Dub eram os meninos de um lar cheia de mulheres; na casa nova, boa parte do gosto em conquistá-la estava em compartilhá-la com eles (Ziggy e Limão foram passar um tempo na casa da avó no interior). Os dois tinham muito mais espaço – mais explorado pelo gato. As pilhas de caixas, os armários. A varanda que dava acesso aos telhados vizinhos, as janelas... A rua.
Taz adorou sair pra rua. Há vários gatos e cães na vizinhança, e eles se freqüentam. Fui soltando aos poucos, me preocupei da primeira vez em que ele saiu de manhã e só voltou à noite. “Gato é assim”, me diziam. “Mas ele é de apartamento... E tem tanta gente malvada...”. "Ele volta". E voltava mesmo. E corria escada acima, escada abaixo, chamando a mim e o Dub para brincar de pega-pega, esconde-esconde.
Outro dia (ver abaixo...) subiu na árvore na frente de casa e não conseguia descer. Foi uma epopéia buscá-lo lá. E ontem... Ontem ele saiu de mansinho e voltou carregado, desacordado, seriamente machucado. Não resistiu.
***
Semana passada, eu olhei para meu gatinho querido, cheio de vida, cheio de graça, e lembrei do que sempre me lembro: “E pensar que um dia eu vou ver esse corpo sem vida... Um dia ele vai deixar de ser, deixar de existir”. Nó na garganta, frio na barriga. Mas esse dia ia demorar. Taz ia morrer de velhice. Passaríamos muitos anos juntos na casa nova.
Semana passada, eu olhei para meu gatinho querido, cheio de vida, cheio de graça, e lembrei do que sempre me lembro: “E pensar que um dia eu vou ver esse corpo sem vida... Um dia ele vai deixar de ser, deixar de existir”. Nó na garganta, frio na barriga. Mas esse dia ia demorar. Taz ia morrer de velhice. Passaríamos muitos anos juntos na casa nova.
Taz se foi na flor da idade... Quem sabe por algum movimento brusco, alguma brincadeira de emboscada que fez com que ele fosse colhido por um carro desprevenido.
Perder um gato não se compara a perder um filho, mas dói, dói demais. E pensar que tem gente que maltrata por querer... Deus do céu, permita que no mundo nunca mais, nunca mais façam mal a um bichinho. Nem a uma criança. Nem a um velhinho.
Pensar no quanto ele era indefeso me fez chorar, chorar, chorar. Tadinho... Tadinho.
Que Deus proteja os indefesos – seja Ele quem for, sejam eles quem forem. E que todos os bichos, todos os seres, possam ser alegres como ele foi, e dar tanta alegria quanto ele deu. A saudade eu logo mais consigo tratar, dando amor em nome dele para outra coisinha feia e linda que aparecer.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Crianças, adultos e bichos
Hoje vi um menino pedindo dinheiro no farol.
Se a sua reação foi um irônico "Ah, não me diga...", pense bem no absurdo que é termos nos acostumado com isso.
Enfim, vi um menino, como volta e meia a gente vê por aí. Por que esse chamou especialmente atenção? Não sei. Talvez porque estivesse sozinho - geralmente, as crianças tem duas ou três outras por perto, ou um adolescente, ou um adulto.
E ele estava bem vestidinho, limpinho, acho que com um uniforme da escola.
Era um menino escurinho, sem sorriso, com uns oito anos de idade. Pedindo dinheiro, e ganhando.
Eu fiquei louca da vida de ver aquele menino ali. Aliás, essa é muitas vezes a minha reação - de raiva: do mundo, do sistema, da história, o cacete.
E o pensamento que me ocorreu foi: "Cadê a mãe desse menino?"
Respondi "talvez ela esteja trabalhando". E: "Então cadê a avó? A tia, a vizinha, quem tinha que estar olhando por ele, sabendo onde ele está, não deixando ele vir pra rua?"
E sabe de uma coisa? Em nenhum momento eu pensei "cadê o pai?".
Que merda, a gente já nem conta com eles. Já supõe uma mãe responsável sozinha por cuidar das crianças.
***
Logo em seguida, me liga uma avó.
Meu cachorro teve os cinco minutos e mordeu a mão de uma menina. Eu quis morrer.
A menina foi mexer no cachorro - que é fofo, expressivo e manso - e o disgramado mordeu a mão dela.
A menina, claro, levou um baita de um susto. Doeu, machucou, e ela chorou muito.
A preocupação da avó era saber se o cachorro estava com as vacinas em dia.
E o medo - PAVOR - que eu fiquei de não estarem?
Porque eu sou a rainha do "preciso marcar dentista", "preciso marcar veterinário" e... não marco.
Liguei para o veterinário. Ele me devolveu a paz: "Tá aqui, ele tomou vacina em janeiro de 2010".
E eu devolvi a paz da avó, ainda bem. Ela passou em casa para pegar a carteirinha da vacina, para ter a certeza de que estava tudo bem - V10, antirrábica - e, principalmente, mostrar para a filha. Porque é claro que, tanto quanto eu, ela estava se sentido hiperculpada pelo que aconteceu, e desesperada para ter certeza de que não havia maiores riscos.
A menina, fofa que só ela, estava com um bandeide colorido na mão. Pedi dois milhões de desculpas. Tomara que ela fique bem.
Se a sua reação foi um irônico "Ah, não me diga...", pense bem no absurdo que é termos nos acostumado com isso.
Enfim, vi um menino, como volta e meia a gente vê por aí. Por que esse chamou especialmente atenção? Não sei. Talvez porque estivesse sozinho - geralmente, as crianças tem duas ou três outras por perto, ou um adolescente, ou um adulto.
E ele estava bem vestidinho, limpinho, acho que com um uniforme da escola.
Era um menino escurinho, sem sorriso, com uns oito anos de idade. Pedindo dinheiro, e ganhando.
Eu fiquei louca da vida de ver aquele menino ali. Aliás, essa é muitas vezes a minha reação - de raiva: do mundo, do sistema, da história, o cacete.
E o pensamento que me ocorreu foi: "Cadê a mãe desse menino?"
Respondi "talvez ela esteja trabalhando". E: "Então cadê a avó? A tia, a vizinha, quem tinha que estar olhando por ele, sabendo onde ele está, não deixando ele vir pra rua?"
E sabe de uma coisa? Em nenhum momento eu pensei "cadê o pai?".
Que merda, a gente já nem conta com eles. Já supõe uma mãe responsável sozinha por cuidar das crianças.
***
Logo em seguida, me liga uma avó.
Meu cachorro teve os cinco minutos e mordeu a mão de uma menina. Eu quis morrer.
A menina foi mexer no cachorro - que é fofo, expressivo e manso - e o disgramado mordeu a mão dela.
A menina, claro, levou um baita de um susto. Doeu, machucou, e ela chorou muito.
A preocupação da avó era saber se o cachorro estava com as vacinas em dia.
E o medo - PAVOR - que eu fiquei de não estarem?
Porque eu sou a rainha do "preciso marcar dentista", "preciso marcar veterinário" e... não marco.
Liguei para o veterinário. Ele me devolveu a paz: "Tá aqui, ele tomou vacina em janeiro de 2010".
E eu devolvi a paz da avó, ainda bem. Ela passou em casa para pegar a carteirinha da vacina, para ter a certeza de que estava tudo bem - V10, antirrábica - e, principalmente, mostrar para a filha. Porque é claro que, tanto quanto eu, ela estava se sentido hiperculpada pelo que aconteceu, e desesperada para ter certeza de que não havia maiores riscos.
A menina, fofa que só ela, estava com um bandeide colorido na mão. Pedi dois milhões de desculpas. Tomara que ela fique bem.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Depois da vacina
Hoje levei meu cão n.3, o Limão, para vacinar.
O veterinário falou sobre sua preocupação com a proliferação de faculdades de Veterinária. Segundo ele, em poucas décadas o número de cursos passou de 3 para mais de 80, só no estado de São Paulo. Nos Estados Unidos, não chegam a 40.
"Não tem mercado para tanta gente! O que acontece? Você vê profissional por aí cobrindo R$10 por consulta, R$50 uma cirurgia... Pelo amor de deus, o que ele usa como anestesia, um martelo?".
O mundo tem cada problema que a gente nem imagina.
O veterinário falou sobre sua preocupação com a proliferação de faculdades de Veterinária. Segundo ele, em poucas décadas o número de cursos passou de 3 para mais de 80, só no estado de São Paulo. Nos Estados Unidos, não chegam a 40.
"Não tem mercado para tanta gente! O que acontece? Você vê profissional por aí cobrindo R$10 por consulta, R$50 uma cirurgia... Pelo amor de deus, o que ele usa como anestesia, um martelo?".
O mundo tem cada problema que a gente nem imagina.
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