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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Haddad descobriu a pólvora - 2

Conselho da Cidade aprova três diretrizes para garantir investimentos

A maioria dos integrantes do Conselho da Cidade aprovou na tarde desta quarta-feira (17) três diretrizes propostas pelo prefeito Fernando Haddad para garantir avanços de investimentos em São Paulo para os próximos anos. Os princípios para renegociação da dívida da Prefeitura com a União; indexadores para o pagamento de precatórios; e formas de financiamento para o transporte público foram apresentados na terceira reunião do Conselho, realizado na sede da Prefeitura

Para a renegociação da dívida com a União a proposta foi de mudança no cálculo. Segundo o secretário municipal de Finanças, Marcos Cruz, a dívida era de R$ 11 bilhões em 2000, quando foi assinada, e hoje está em cerca de R$ 54 bilhões, mesmo após a Prefeitura já ter pago R$ 19,5 bilhões. O prefeito propôs que as taxas de juros da dívida pagas pelo município não sejam superiores aos que a União paga para arrolar suas dívidas com o mercado

”Estamos desde 2000 pagando uma taxa de juros que é superior à Selic. Isso causou um desequilíbrio na relação entre o município e a União, em prejuízo do município, quando o espírito do contrato era favorecer e acabou prejudicando”, afirmou o prefeito Fernando Haddad.




Não fala que isso foi decorrência do calote dado PELA MARTA, com quem ele trabalhou na Secretaria de Finanças

O segundo princípio defendido por Haddad e também aprovado pelos conselheiros é sobre o novo indexador para o pagamento dos precatórios a ser definido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para o prefeito, é importante que o pagamento seja vinculado ao teto de 3% das receitas das cidades para que a maioria dos estados e municípios consigam quitar as dívidas em até cinco anos. A cidade soma hoje R$ 16,9 bilhões em precatórios.

“Se o Supremo entende que os precatórios precisam ser preservados, nós entendemos que, em função do completo descontrole desse assunto durante décadas, deve ser reservada uma parte da receita para o pagamento dos precatórios”, explicou Haddad.

[Qto a Marta pagou? Qtos resultam de ações do governo dela? E de anteriores?]

No caso de São Paulo, que, assim como outros 10 municípios e três estados, não conseguiria quitar neste prazo só com a vinculação, a idéia é liberar o saque de depósitos judiciais não-tributários, como é feito pelo Rio de Janeiro. “Que a solução do Rio de Janeiro, uma espécie de direito de saque dos depósitos judiciais, seja reservado àqueles entes que não conseguem com a vinculação de 3% honrar seus compromissos em cinco anos”, concluiu.

O prefeito propôs ainda a criação de uma nova forma para financiar o transporte público, atendendo aos pedidos da população para que a tarifa não seja alta. A ideia principal é que o transporte individual financie o transporte coletivo urbano. Haddad sugeriu que a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), cobrada nos combustíveis, seja municipalizada.

Todas as propostas já estão sendo negociadas pela Prefeitura com os órgãos competentes. A municipalização da Cide está sendo discutida no Congresso e é apreciada na Câmara a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 90, que trata do transporte social, prevendo a medida. O prefeito também já se reuniu com ministros do STF e a presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo para tratar do indexador dos precatórios.

”Os conselheiros compreenderam que o caminho que a Prefeitura está tomando é o caminho correto. Essas diretrizes significam a retomada dos investimentos em São Paulo. A cidade não pode continuar com a metade do investimento das outras cidades do Sudeste”, afirmou.










Auditoria internacional

Além do cancelamento da licitação do sistema de transporte público e a criação do Conselho Municipal de Transportes e Trânsito, a Prefeitura de São Paulo abrirá uma auditoria que permitirá a concorrência internacional para analisar os contratos e dar mais transparência ao processo. A auditoria será licitada até o fim do ano, após a conclusão do edital.

“Entendemos que o grau de complexidade que isso ganhou exige que nós possamos fazer um trabalho mais minucioso, comparando internacionalmente, nacionalmente, modernizando os controles e as regras de transparência”, justificou o prefeito.

“Isso é bom para o setor. Não deve ser visto pelo bom empresário como uma ameaça. Ao contrário. O bom empresário tem de ver isso como uma oportunidade de consolidar um entendimento sobre a importância do setor e sobre a qualidade que ele tem de ter nesta etapa que a democracia brasileira atingiu. Hoje, ela é auditada internamente e às vezes com o apoio de instituições externas”, comentou Haddad.

Plano de investimentos

Durante a terceira reunião do Conselho da Cidade, os secretários de Finanças, Marcos Cruz, e de Planejamento, Leda Paulani, também apresentaram o plano de investimentos para São Paulo até 2016. A previsão é de R$ 25 bilhões em investimentos nas diversas áreas. A maior fatia dos investimentos ficará com mobilidade urbana, com 43% do total para construir, por exemplo, 150 km de corredores de ônibus. Moradia e habitação têm previsto 26% do total para atingir a meta de construir 55 mil moradias e garantir a regularização fundiária. Outros 22% serão destinados para equipamentos sociais e 9% para obras de drenagem.

Aqui,a apresentação das contas públicas.

Matéria com declarações (absurdas): http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2013/07/haddad-obtem-apoio-do-conselho-da-cidade-sobre-dividas-e-tarifa.html

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Justo a Sutaco?

Que erro querer acabar com a Sutaco.

1) A função dela é ímpar. Não poderia ser incorporada à Cultura ou ao Trabalho sem perder uma parte importante de suas atividades.

Porque ela é geração de renda sim, mas também é investigação, promoção e preservação de patrimônio cultural, mesmo quando isso não significa, ao menos de maneira palpável, "dinheiro".

E é cultura sim, mas nem todas as atividades que ela fomenta têm necessariamente "valor cultural" - tem geração de renda com trabalhos manuais aos quais a gente procura adicionar valor imaterial, mas nem sempre é o caso.

2) A Sutaco é uma autarquia - recebe recursos públicos e também tem receita própria. Suas fontes de dinheiro são: comercialização de artesanato em suas lojas e eventos; emissão de notas fiscais para artesãos. Se perder sua personalidade jurídica, perde essas possibilidades.

Essa receita própria é um mecanismo incrível de prestação de serviço a quem já tem autonomia, em maior ou menor grau, de modo a fomentar e dar suporte a quem não tem. O artesão que está no mercado e tem uma clientela que precisa formalizar a transação (exemplo, uma rede de lojas de decoração) pode recorrer à Sutaco para emitir a nota com o seu CNPJ e isenção de ICMS. Sobre a nota, em vez do imposto, incide uma taxa que pertence à própria Sutaco - que assim tem mais recursos para cursos, cadastramento de artesãos e aquisição de peças.

3) Não é só potencial e possibilidade - a Sutaco FUNCIONA. Ela é efetiva. São dezenas de milhares de artesãos beneficiados de uma maneira ou de outra, em centenas de municípios. Fora o benefício indireto - no Turismo, por exemplo, ou como parte de mil programas sociais diferentes. Nosso público (nosso = da Sutaco... Peguei amor mesmo, sabe?) inclui comunidades tradicionais, quilombolas, indígenas, assentados, mulheres vítimas de violência, albergados, presidiários, idosos, usuários do sistema de saúde mental, associações de moradores... Uma variedade de públicos dificilmente atendida em qualquer serviço público. Há parcerias firmadas com entidades de todos os tamanhos e características.

E sua matéria-prima é cultura, talento, habilidade, beleza.

O artesanato paulista passa a ser mais conhecido e valorizado. Portanto... os artesãos também. É impressionante o amor que eles, assistentes sociais, secretários de trabalho e desenvolvimento, artistas, compradores, estudiosos, prefeitos tem pela Sutaco.

Uma das primeiras coisas que pensei em fazer lá foi mudar o nome. Desisti logo. O NOME é um patrimônio. Uma marca, um carimbo, uma garantia.

4) A Sutaco é BARATA. Com uma miséria de recursos humanos e financeiros, faz prodígios. Porque é uma equipe pequena e aguerrida, apaixonada. Se com o tamanho que tem já produz tanto benefício real, palpável, capilarizado, imagine se tivesse um pouco mais de estrutura... Um pouco "assim" mais de dinheiro.

Se dissessem "a fase é de contenção, não vamos poder aumentar seus recursos agora", seria uma pena. Mas em nome da contenção ACABAR com um órgão que custa tão pouco e gera tanto benefício?

***
Eu tive bastante respaldo do governador enquanto ele estava lá. O negócio empacava aqui, emperrava ali, uma outra Secretaria ficava meses me devendo resposta ou providência (tomei uma canseira da Agricultura, afe maria), eu recorria à Casa Civil ou ao próprio gabinete e eles me ajudavam a desembaraçar. O Alckmin, diferentemente de 90% das pessoas no governo, sabia o que era a Sutaco. Até porque o seu Vale do Paraíba tem um artesanato típico, inconfundível, muito bonito e de presença muito forte nesse meio. O próprio símbolo da Sutaco, vencedor de um concurso anos e anos atrás, reproduz o pavão feito em barro pelas figureiras de Taubaté. Apreciador de coisas de raiz, da cultura caipira, e também por intermédio da Dona Lu e seu trabalho muito próximo ao "chão" das comunidades, ele fazia propaganda da autarquia e a defendia (acatando por exemplo minha sugestão de presentear autoridades estrangeiras com nossas belas peças... Ele chegou a determinar que o Cerimonial fizesse isso).

Aí fico sabendo que a Sutaco entrou no facão dos cortes do governo?? Ah não!!

Então, governador... reveja. (Alguém vai mostrar esse texto pra ele, ah vai rsrs). Tá certíssimo em cortar gordura, mas tem de tomar cuidado para não ferir tecido saudável... O sr não vai querer entrar na Wikipedia como quem encerrou uma bela história de 40 anos e em pleno vigor rsrs. Tenho certeza, CERTEZA, que do ponto de vista da economia é irrisório, para uma perda enorme na vida de muita gente.

Estou de dedos cruzados. E assinando a petição :-)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Mais um (dia)

Cinco horas de reunião do partido - só amando política mesmo. Foi ótima, amanhã tem mais. E depois de amanhã.

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Havia umas quarenta pessoas na reunião da Executiva Nacional, talvez um pouco mais. Umas vinte pediram a palavra ao longo de todos os pontos da pauta. Dentro de um grupo desse tamanho, composto por pessoas com muita afinidade (presumivelmente), eu ouço alguns oradores e adoro, concordo, vibro; de outros, discordo de quase tudo. Imagine que pretensão maluca é ter quinhentas mil, um milhão de pessoas (membros de um partido) que se entendam e concordem no país todo. Que desafio enorme é debater, argumentar, tentar persuadir, fazer ou não fazer concessões, disputar no voto se for o caso e, ao fim, tomar decisões que o partido todo deve seguir - projetos a curto, médio e longo prazo; construção de candidaturas; posições sobre temas em discussão na sociedade e no Congresso. Quando um partido é de verdade e não um ajuntamento ou uma seita, é muito difícil. E rico. E bonito. #adoro.

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Voltei pra casa escutando a Voz do Brasil (quantas pessoas será que escutam esse troço?). Ouvi o (Edison) Lobão dizendo que o país tem um belíssimo estoque de energia, que a situação dos reservatórios "deve melhorar" porque agora, com a temporada das chuvas, "deve subir o nível", e que nos próximos meses novas hidrelétricas "devem funcionar".

Disse que os primeiros reatores de Jirau devem começar a funcionar daqui a dois ou três meses. E que outras hidrelétricas "devem começar a funcionar também".

Disse, para provar que estamos atentos e seguros, que em outubro já tínhamos recorrido às termelétricas.

E que "a redução de 20% nas contas de luz" continua valendo e começa a vigorar em fevereiro.

Anotado.

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(O governo cansou de defender Belo Monte - aquela aberração - dizendo "vocês preferem o que, as termelétricas?").

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A Embratur está com um programa muito legal - muito pequenininho para o tamanho e necessidades do Brasil, mas melhor que nada - que vai mandar 30 jovens para conhecer alguns lugares dos Estados Unidos,  aprender sobre o país e falar do Brasil, sua cultura, seus destinos turísticos. Eles estão em êxtase, claro. Foram escolhidos por serem estudantes de destaque em escolas públicas.

Lembrei das cotas.

Depois volto a isso. Outro dia.

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Também ouvi o Ministro da Saúde (alô Ministério, cadê a resposta da minha pergunta à Ouvidoria?) falar sobre o Edital do Provab, programa que vai conceder incentivos para que médicos recém-formados trabalhem em locais distantes dos grandes centros. Os selecionados vão receber uma bolsa de 8 mil reais e, se tiverem bom desempenho, um bônus quando fizerem prova de Residência em especialidades. "Se ele quiser ser dermatologista, ou cirurgião plástico, terá uma vantagem muito boa quando fizerem a seleção para a Residência".

Não é que a ideia seja de todo ruim, massss... Não é a primeira vez que se oferecem vantagens financeiras para quem se disponha a trabalhar longe. Isso é feito faz tempo nas periferias dos grandes centros e também nos rincões do Brasil. Nem sempre funciona. Por que? 1) Se as condições de trabalho forem muito ruins, nem com dinheiro se consegue atrair um médico. 2) Se o cabra aceitar só porque o dinheiro é bom, qual será a qualidade do atendimento prestado? (Conheço várias histórias de gente que foi "suportar" o trabalho porque ia juntar dinheiro em pouco tempo e depois voltar. Não é a melhor das motivações). 3) Continuando o item anterior - a maior dificuldade hoje em dia é conseguir clínico geral e médicos de determinadas especialidades, como pediatras e geriatras. Se o interesse do profissional é fazer cirurgia plástica, que tipo médico ele será na atenção básica?

Eu estou de má-vontade, admito. Mas não é porque é o @padilhando (de quem não sou mesmo fã), porque é PT etc. É porque conheço o serviço público e suas dificuldades...

Em 2008 eu falei algumas vezes durante a campanha: tem de chegar o dia em que a gente não vai precisar pensar "Como levar médicos para Cidade Tiradentes?". Na Cidade Tiradentes haverá médicos. Nascidos lá, criados lá, morando lá. E no interior do Acre, Rondônia, etc. Nem que eles tenham de sair de lá para cursar Medicina em outro lugar - normal. Mas não ter de inventar prêmios em dinheiro para quem se "submeter" a isso.

(Por outro lado, tenho certeza que muitos estudantes de Medicina e médicos recém-formados tem paixão por trabalhar em lugares assim. Precisamos ver como dar condições a eles).

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O Ministério da Pesca anunciou que a partir de agora a a identificação profissional dos pescadores será uma carteira de plástico, não mais os documentos em papel usados até hoje. Declaração de um pescador, feliz com a novidade: "A carteira estraga fácil com a água, fica num estado muito ruim, as pessoas olham e até desconfiam que é falsa.". Eita. Até hoje não tinham pensado nisso? #imaginaoresto.

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Na Voz de ontem, ouvi o Jucá dizendo que "a oposição não tem o direito de colocar em xeque a política econômica da presidenta Dilma, que está distribuindo renda bla bla bla". Ok, o líder do governo é um Parlamentar que tem o direito de dizer o que quiser, mas pelamor, "a oposição não tem o direito"??? Pra piorar, opositores não estavam discutindo a política econômica em si, mas exigindo do Guido Mantega explicações sobre a manobra (maracutaia) fiscal para transformar resultado negativo em positivo. A oposição não tem o direito de exigir explicações? Oi?

***
Fui. Partiu. Boa noite.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Ambulantes, mascates, camelôs

Uma vez na SubLapa, onde lidei com inúmeros conflitos relacionados ao comércio ambulante, fiz uma reunião com o pessoal do "rapa".

É muito, mas muito complicado. Tem gente honesta e desesperada, tem malandragem, tem crime. Nem sempre a separação entre um e outro é fácil de perceber. Vem malandro super convincente, chorando desesperado. Depois você pega o sujeito em flagrante no pleno exercício da picaretagem. Tipo - ele é "dono" de uma "rede" de barracas. Ganhava mais por mês do que eu como Subprefeita e pagava uma merreca para as pessoas - idosas, com deficiência... - que tomavam conta dos seus pontos.

***
Uma tarde vieram me avisar: "Não sai agora do gabinete que tem um cara completamente transtornado dando escândalo lá embaixo. Diz que vai quebrar tudo, que vai pegar não sei quem..."

Era um ambulante. Furioso, revoltado. Pedi pra vir à minha sala.

Passou o rapa, mandou ele recolher as coisas, ele resistiu. Quis conversar, "o que é que eu tô fazendo de errado?". Foi o que bastou (ok, talvez ele tenha sido menos gentil do que isso, não duvido. Não importa, dever do agente público é agir corretamente). Quebraram as coisas dele, ele caiu no chão, machucaram o rapaz.

Ele mostrou as marcas. Tinha toda razão. E chorava, chorava. Tinha comprado "meia dúzia de brinquedinhos na 25" e montado um caixotinho na frente da estação da CPTM. Precisava ganhar algum para ajudar a criar o filho, que mora com a mãe.

"Tem foto dele aí?"

Tinha... Menino fofo, lindo. Começamos a falar sobre o menino, fui xeretando a vida dele (onde mora? a mãe era sua namorada? e você, é de onde?), ele foi parando de soluçar.

Oferecemos uma oportunidade de emprego em uma das equipes de manutenção de áreas verdes. R$700, carteira assinada.

E também uniforme, horário para entrar e para sair, chefe...

"Dona Soninha", disse, com o maior respeito e gentileza. "A senhora me desculpe; eu agradeço, a senhora me ouvir, querer me ajudar, mas eu não quer não. Eu quero poder parar quando estiver cansado, ir até o bar tomar umazinha, voltar depois e ficar até mais tarde".

"Mas aí eu não posso garantir que você vai conseguir trabalhar. Violência não pode ter de jeito nenhum, mas  se passarem por você e a mercadoria estiver ali, vão ter de recolher. Ou você vai sempre ter de fugir".

Não teve jeito. Agradeceu efusivamente, sinceramente, e saiu...

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Na reunião com o "rapa" - um povo simples de tudo, como se pode imaginar - perguntei "quem aqui já comprou de ambulante"? Todo mundo levantou a mão. "Quem aqui JÁ FOI ambulante?". Várias mãos levantadas.

Conversamos, orientei, "tem de tudo, a gente sabe, vocês são provocados às vezes, desafiados, agredidos. Mas o nosso dever é agir direito. Se forem agredidos ou ameaçados, recuem. Aí tem de vir a GCM para evitar o conflito, a violência. Não é pra sair briga. Falem com educação. Firmes, mas sem estupidez".

Eles acedem, concordam. Mas talvez pensem lá no fundo "porque não é ela que vai para o pau ver como é que é".

:o(

***
Em 2008, fizemos uma proposta específica para os ambulantes. Revisamos agora; ei-la:


Sobre os ambulantes  

A prefeitura deve normatizar e organizar de maneira justa e realista o comércio ambulante - além de oferecer ou proporcionar a oferta de alternativas de trabalho para a população que hoje garante seu sustento dessa maneira. Em 2004, o PL 296/04, de autoria do Executivo, definiu como atribuição da Guarda Civil Metropolitana “fiscalizar o comércio ambulante nas vias e logradouros públicos”, com poder para multar e apreender mercadorias. Vamos encaminhar projeto à Câmara revogando esse artigo.
O que faremos:
  • Identificar novos locais em que é possível conceder Termo de Permissão de Uso para ambulantes (ruas, praças, passarelas, pontos de ônibus e terminais, mercados e sacolões)
  • Respeitar as prioridades (Pessoas com Deficiência, Idosos)
  • Incentivar a criação de Cooperativas
  • Padronizar as barracas, utilizando elementos gráficos representativos da cidade de São Paulo.
  • Rever a relação de mercadoria que pode ser comercializada, revogando algumas proibições (exemplo: água de coco!)
  • Construir e manter banheiros públicos e garantir a coleta de lixo e material reciclável
  • Estabelecer pontos de comércio e serviços junto a conjuntos habitacionais  (“boulevards", "shopping a céu aberto) e prever a oferta desses pontos em futuros projetos de habitação popular
  • Manter um canal permanente com os próprios ambulantes para discutir seus problemas e a relação com a sociedade e o poder público
  • Oferecer capacitação, linha de crédito e suporte para que pequenos empreendedores possam abrir seu próprio negócio.
  • Combater a ilegalidade com inteligência (e não com truculência) em parceria com as Polícias Civil, Militar e Federal  
O que não podemos permitir:
  • Venda de mercadoria roubada, contrabandeada, falsificada
  • Que o comércio ambulante dificulte ou impeça a circulação de pedestres, ciclistas, transporte coletivo e automóveis e o acesso ao comércio formal
  • Exploração de ambulantes como mão-de-obra contratada
  • Uso da força e intimidação
  •  Tráfico de influência, isto é, favorecimento por politicagem ou corrupção

terça-feira, 17 de abril de 2012

Revolta matutina

Dilma e Mantega agora fazem cara de maus, dão pito em todo mundo: nos Estados Unidos, pela desvalorização da moeda deles em relação à nossa (ooooi?); nos bancos privados, pelas taxas de juros e o spread; na carga tributária...

Serão eles colunistas de jornais? Políticos de oposição? Ah, não, eles são do governo... É mesmo.

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Lula era bom nisso - de ser governo e fazer discurso de oposição, bravo pra caramba. Tem aquele discurso histórico no Pará, depois de 7 anos de governo: "Eu vou tirar o povo da merda!". Pensou que era candidato ainda.

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Ao menos a bronca de Dilma e Guido é nos bancos. Lula uma vez mandou os brasileiros tirarem a bunda da cadeira para encontrar juros mais baixos.

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Mas o que será que aconteceu com o partido da presidente, que antes xingava o governo federal pelo spread dos bancos etc? Antes o Presidente da República só não acabava com a farra dos bancos porque não queria. Agora o chefe do executivo federal só pode ralhar, mais nada?

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Me irrita tanto lembrar de como, enquanto éramos (o PT) oposição, o FHC era culpado por tudo, tudo, tudo... Ele e seus aliados - ou, mais especificamente, o pefelê. Eu realmente acreditava nisso. Se no Brasil havia miséria, milhões de analfabetos, desigualdade, violência, apagão da ética, apagão elétrico, estradas esburacadas, hospitais nojentos, falta de trens, desemprego, salário mínimo insuficiente para atender as necessidades de uma família, corrupção, lucro excessivo dos bancos, universidades federais caindo as pedaços, cidades deterioradas, concentração dos meios de comunicação nas mãos de poucos, coronelismo, esgoto sem tratamento, burocracia, tráfico de influência, uso criminoso da máquina governamental, abuso do poder econômico, ostentação da riqueza, impunidade, lentidão da Justiça, a culpa era DO GOVERNO FEDERAL. Agora é assim: quando tem problemas, é uma questão local. "Violência em São Paulo", por exemplo. Quando alguma coisa é bacana, o mérito é do governo federal ("14 milhões de empregos! Rodoanel é obra do PAC!").

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Estive em Recife outro dia, vi tanta miséria, tanta... Palafitas que formam uma verdadeira cidade degradada na beira do Capiberibe... Política urbana pavorosa - um trânsito medonho, empreendimentos imobiliários totalmente irracionais do ponto de vista do uso do solo... Trânsito violento, transporte público horroroso...  QUANTOS ANOS DE PT LÁ, meu deus? Na prefeitura e no governo federal? De um super aliado no governo estadual? Que MERDA.

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E aí tem a Globo, né? Como sempre teve. Mais descarada, menos descarada... Globo e Globo News substituem perfeitamente a Hora do Brasil. Anunciam tudo como lindo, maravilhoso! "Bancos públicos reduzem os juros, isso aumenta a concorrência e é bom para os clientes, êêê!"; "com mais dinheiro no bolso [oi??], brasileiro já não quer mais carro popular"; "a classe média já pode comprar um iate" (juro, ACABEI de ouvir no Bom Dia Brasil).

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E tem as grandes incorporadoras e empreiteiras, né? Comercial da Cyrela começa assim: "O Brasil nunca viveu uma fase tão boa! Cai a taxa de juros, economia cresce!"

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E a festa que a "TV dos Marinho" fez com a LDO? "Governo otimista, projeto crescimento de CINCO E MEIO POR CENTO para o ano que vem e aumento de SETE POR CENTO no salário mínimo!"

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Ontem, pra completar, o candidato do Lula - portanto, da Dilma, dos ministros, das estatais, das empresas que tem contrato com o governo federal, das empresas que dependem de uma mãozinha do BNDES - esteve na Record E na Bandeirantes.

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Off topic 1 - Geeente, e a Cristina Kirschner? Os argentinos são tão cultos, agerridos, leem mais que os brasileiros, são mais articulados, matam a gente de inveja com seu nível de politização e engajamento etc. Mas se deixam levar na conversa desses populistas demagogos com a maior fé.

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Off topic 2 - Chamar o Cachoeira de "bicheiro" é  uma impropriedade, né? Evidentemente essa era uma ocupação marginal, quase um hobby, porque ele ganhava dinheiro mesmo com os governos!



domingo, 28 de agosto de 2011

Política de quantitativismo etc

Esse vídeo é tão ruim, mas tão ruim, que me surpreendeu o fato dele estar no canal do Palácio do Planalto. Achei que era do Exilado ou coisa assim.
Eu pensei em fazer graça, dizer que era Embromation, mas não é engraçado. É triste. Dilma fica mexendo nos papéis porque NÃO CONSEGUE DISFARÇAR O DESCONFORTO. O fato de estar absolutamente insegura quanto a o que dizer, como dizer, o que não dizer.

Eu tenho impulsos de pena. "Coitada, ela não tem a menor familiaridade com microfones, câmeras e nem precisa ter. Presidente não é artista".

Mas não dá para ter dó. Ela foi artista na campanha. Aceitou os papéis escritos pelo marqueteiro - durona, Mãe, gerentona, doce, supercatólica. Se soltou quando quis, como naquela coletiva em que vociferou contra a Folha. Se fez de vítima do tema "aborto" mas surfou na onda, chamou Gabriel Chalita para apaziguar os antiaborto, disse que nunca tinha dito o que disse, puxou o tema aborto na primeira pergunta que fez no primeiro debate do segundo turno. Deixou dizerem que ela estava fazendo a tal da "faxina", corajosamente, apesar das resistência na base governista, e quando foi conveniente veio a público repisar que "faxina é na pobreza", porque a coisa estava virando galhofa (e a gente ainda quer a cabeça de alguns ministros, como o do Turismo, então precisa mudar de assunto!!!).

Dilma acaba de participar de reunião importante na China e, sem script, não sabe o que dizer??? Sem o Lula ao lado falando umas bobagens para entreter a plateia, ou vociferando contra as elites inimigas; sem o João Santana dando as palavras-chave, ela volta a ser tímida?

O pior não é a falta de jeito, a timidez. É o conteúdo mesmo. A falta dele, naturalmente. O nada embrulhado, alternadamente, em firmeza, descontração, despiste com ares de grande estratégia.

O repórter perguntou sobre o câmbio. Falar sobre comércio exterior e não estar preparada para responder sobre o câmbio é inacreditável. Ela se atrapalha e descobre, lá no meio da resposta, que estava falando sobre juros. Ah, tá - "e o câmbio?", insiste o repórter. Ah, isso ela não pode responder... É "amarrado". Mas "no horizonte de quatro anos...". #falou.

Dilma entrou em uma roubada sem tamanho. Foi ser presidente de um país que viveu uma das maiores bolhas de "prosperidade" e ilusão de grandeza desde os anos 70 (Ame-o ou Deixe-o!, o País-Continente de praias ensolaradas, matas abundantes e petróleo, "Ninguém segura a juventude do Brasil!"). Só que ela não é da oposição, é a responsável pela continuidade. Não pode dizer "meu filho, eu encontrei uma zona e você não espera que eu resolva de uma hora para a outra".

Então é melhor não dizer nada mesmo, e só aparecer em público com o roteiro bem combinado...

PS: E o desconforto do trio de ministros atrás dela? Se bem que o Lobão - o dono do SBT no Maranhão, segundo o Lula - consegue fazer melhor a cara de esfinge.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Corrupção e paralisia


RUBENS BUENO
(Coluna publicada na Folha de São Paulo do dia 14/ago)

Envolto em corrupção, o governo Dilma Rousseff completa mais de sete meses e crava sua marca de paralisia nos investimentos públicos. Os nomes indicados para o Dnit caem como um dominó de gente cuja ficha não é digna da função pública. O PR não tem dado grandes alegrias nem alternativas de substituição para compor um órgão que não se desfaça à primeira notícia. Cada vez fica mais claro que a presidente tem de escolher: o PR ou a moralidade pública.

Antes de ter de lidar com os "inadministráveis" dos Transportes, Dilma fez um estágio no escândalo envolvendo o seu então ministro Antonio Palocci. Dilma deixou o país navegar numa crise política com direito a "fechamento" da Câmara dos Deputados, com o objetivo de evitar que a oposição convocasse Palocci para se explicar. Blindados os ministros, não conseguimos o número de assinaturas para instalar uma CPI, como exigiam os fatos.

Corrupção... Sem velinhas dedicadas a ela, o bolo de aniversário do primeiro semestre da presidente no poder seria uma farsa. O país vai lamentando o uso da máquina do governo para interesses privados de empreiteiras, de clientes de um ministro que vale muito no mercado ou de empresas que tomam dinheiro emprestado a taxas subsidiadas no BNDES para obter altos lucros. A instituição precisa voltar a ser um banco voltado ao pequeno empreendedor e deixar de privilegiar o grande capital.

Por pouco a inflação não disparou, fugiu do controle e caminhou para um passado de triste memória. A alta nos preços tira o sono da população. Ela preocupa mais do que a violência e a saúde pública, segundo pesquisas. Outro fator importante foi o endividamento das famílias, que, no mesmo período de 2010, era de 54% e, neste ano, chegou a 64,1%. A inadimplência das empresas cresceu 23% se comparada com igual espaço de tempo do ano anterior.

O governo está paralisado em termos de investimentos por causa da gastança desenfreada na última eleição. A marca de gerente competente que Dilma vendeu àquela época acabou por esvair-se em sua administração.

Com o peso da herança maldita, cuja responsabilidade também lhe cabe, o governo pouco investe. O acompanhamento da execução orçamentária da União dá conta de que apenas 5,06% foram gastos. E não é porque estão faltando problemas a serem solucionados no país. As portas dos hospitais estão cheias, a miséria castiga milhões, o crack destrói os jovens, a insegurança toma as cidades, as estradas são perigosas, dentre tantos assuntos que devem ser prioridade de um governo. Enquanto isso, 55,24% dos recursos destinados a encargos da dívida já foram gastos. Outros 56,6% de amortização também.

O país precisa que a presidente governe, em vez de estar sempre às voltas com os problemas da corrupção ou de sua base no Congresso, da qual não raro é refém. A oposição não deixará de cobrar. Não abrirá mão de fiscalizar os atos do governo. A inação terá tratamento tão duro quanto a corrupção.

RUBENS BUENO, deputado federal (PPS-PR), é o líder do PPS na Câmara dos Deputados.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Desaceleração do crédito no País é positiva, diz Moody's

(Matéria publicada no Diário do Comércio)

Desaceleração do crédito no País é positiva, diz Moody's - 2/5/2011 - 11h25

Os primeiros sinais de uma desaceleração do crédito no Brasil são um sinal positivo para o sistema financeiro doméstico, afirmou a agência de classificação de risco Moody's Investors Service, em relatório distribuído hoje, 2. Na última quinta-feira (28), o Banco Central (BC) divulgou um relatório de política monetária que "conteve os primeiros sinais de uma desejável desaceleração do crescimento do crédito ao consumo", segundo a Moody's.

"A evidência, embora ainda inicial, é positiva para o crédito do sistema, porque indica que as medidas macroprudenciais introduzidas em dezembro para conter a expansão do crédito estão produzindo os resultados pretendidos", disse.

As carteiras de empréstimos dos maiores bancos do Brasil vêm crescendo cerca de 20% por ano, o que gerou especulações de que poderiam estar sob risco de uma bolha de crédito. O BC tem afirmado que um crescimento de 10% a 15% seria mais desejável e reduziria as pressões inflacionárias. Embora em termos absolutos o BC mostre que o crédito continua crescendo, "o ritmo do crescimento está menor (...) sugerindo que as taxas de juros mais altas e as condições de financiamento mais restritivas estão afetando a demanda por empréstimos", afirmou a Moody's.

A desaceleração é mais pronunciada no segmento de consumo, mas também houve queda forte nos empréstimos para compra de carros, segundo a agência. Isso é "uma estatística importante dado que os empréstimos para compra de carros são responsáveis por cerca de um quarto de todo o crédito ao consumo no Brasil", disse a Moody's.

Comentário meu deixado no site do jornal:

Sonia Francine
2/5/2011 17:47:56

Não tenho nenhum apreço especial pelas agências de classificação de risco (o que só piorou depois de ver o premiado "Internal Job", documentário sobre os antecedentes da crise econômica de 2009), mas estou de acordo com a análise da Moody's: o crédito ao CONSUMO, os empréstimos p compra de carro em "900" meses, foram apostas irresponsáveis e demagógicas do governo anterior - desestimulou-se a poupança, incentivou-se o consumo impulsivo e sem lastro, ao mesmo tempo em que o setor produtivo sofria com o câmbio, juros e impostos.
Curioso é que a "austera" presidente foi colaboradora entusiasmada do governo Lula, de quem teria recebido uma "herança bendita". E não vejo um mísero jornalista questioná-la diretamente sobre a incoerência.


quarta-feira, 27 de abril de 2011

#Chegaporhoje

Ouvido ontem no rádio: "Em entrevista no Palácio do Planalto, a presidente Dilma elevou o tom ao falar sobre a inflação: ´Nós estamos preocupados e atentos, dia e noite, em relação à inflação'".

Falou e disse! A inflação deve ter diminuído só de ouvir o pronunciamento. #sempreumadeclaraçãopertinente

***
Outro dia li uma coluna do Delfim Neto defendendo ele louvando a Dilma - segundo ele, "uma tecnocrata sim, mas com consciência social". Que não permitiu que o salário mínimo fosse aumentado para o valor defendido pelos sindicatos, esses "oportunistas irresponsáveis", porque o aumento teria impacto inflacionário e e o principal prejudicado seria o próprio trabalhador. E que para ajudar os mais pobres tem o Bolsa Família, oras, para que um dia eles tenham lá sua ascensão social etc.

Veja como está dando tudo certo. Não tem inflação e os beneficiados com o Bolsa Família estão cada vez menos dependentes do benefício, né? #Diadamarmota

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De passagem, vi uma tela na TV: "8 milhões de crianças abandonadas no Brasil". Deve ser a tal da #herançabendita.

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Governo federal vai privatizar as reformas em 4 aeroportos. Isso porque eles odeiam privatizar, conceder, terceirizar o que quer que seja, né? Falaram tão mal disso tudo na campanha eleitoral... #gentequemente

Terreno grátis, quem não quer?

Todo mundo quer uma área pública para desenvolver seu trabalho. Atendimento a crianças com autismo, atividade física para jovens e idosos, incubadora de empreendimentos de Economia Solidária, mercado de flores, central de triagem de coleta seletiva, cultivo de fitoterápicos, escola de circo, praça pública, estacionamento, parque para cães, local para receber doações de eletrônicos, academia de boxe, museu da capoeira, usina para produção de material de construção a partir de resíduos orgâncicos, ensaio de orquestra e coral, ETC.

Esses são alguns dos pedidos que me lembro de ter recebido na Sub Lapa. Projetos muito legais, que eu adoraria ter ajudado, mas não é fácil encontrar lugar adequado para todo mundo. Aliás, a prefeitura e o estado também procuram lugares - para hospitais, UBSs, CRAS, creches, Ecopontos, centros de convivência, depósito de veículos apreendidos, desimpermeabilização do solo, etc etc.

Pois bem. Ontem eu soube que a prefeitura de São Bernardo vai doar um terreno para Scania construir uma nova fábrica (ou a extensão da atual, não sei bem). Porque ela vai criar não sei quantos mil empregos e trazer benefícios para a cidade etc.

Não duvido (embora a gente não saiba se os empregos sejam os que a população de São Bernardo precisa ou tem condições de preencher, se o impacto ambiental e de vizinhança será corretamente dimensionado, se a cidade poderá absorver esses novos trabalhadores no sistema de transporte público etc). E o Brasil pode e precisa evoluir muito no setor industrial (que, nos últimos anos, involuiu...), outras cidades certamente adorariam receber a fábrica da Scania e tb ofereceriam maravilhas etc. etc.

Mesmo assim - a ideia de doar uma área pública para uma empresa privada que deveria ter condições de pagar por um terreno me incomoda demais :o/

quarta-feira, 23 de março de 2011

Borges


Procurando informações sobre exportação de artesanato (mais especificamente, sobre a incidência ou não de ICMS sobre exportações - descobri que é uma briga antiga e aguerrida), encontrei, no site do MDIC (www.desenvolvimento.gov.br), na página de Metodologia de Produção de Estatísticas de Comércio Exterior, a  Nomenclatura Comum do Mercosul.  

A Nomenclatura Comum vem atender às necessidades do "Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, ou simplesmente Sistema Harmonizado (SH), um método internacional de classificação de mercadorias, baseado em uma estrutura de códigos e respectivas descrições.

Este Sistema foi criado para promover o desenvolvimento do comércio internacional, assim como aprimorar a coleta, a comparação e a análise das estatísticas, particularmente as do comércio exterior. Além disso, o SH facilita as negociações comerciais internacionais, a elaboração das tarifas de fretes e das estatísticas relativas aos diferentes meios de transporte de mercadorias e de outras informações utilizadas pelos diversos intervenientes no comércio internacional."

Ok, faz todo sentido. 

"A composição dos códigos do SH, formado por seis dígitos, permite que sejam atendidas as especificidades dos produtos, tais como origem, matéria constitutiva e aplicação, em um ordenamento numérico lógico, crescente e de acordo com o nível de sofisticação das mercadorias".

Aí é que a porca começa a torcer o rabo. Porque atender as "especificidades dos produtos" não é tarefa simples, e o "ordenamento numérico lógico" parece coisa de maluco, às vezes.

Vejam a descrição da Nomenclatura, por exemplo: 

"Compreende 21 seções, composta por 96 capítulos, além das Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição. Os capítulos, por sua vez, são divididos em posições e subposições, atribuindo-se códigos numéricos a cada um dos desdobramentos citados. Enquanto o Capítulo 77 foi reservado para uma eventual utilização futura no SH, os Capítulos 98 e 99 foram reservados para usos especiais pelas Partes Contratantes. O Brasil, por exemplo, utiliza o Capítulo 99 para registrar operações especiais na exportação". E por aí vai. 

Não é engraçado descrever tudo assim, nos mííínimos detalhes? Mas isso é só o começo; me acompanhe no post abaixo. Juro que é divertido. 

Borges 2

Estava aqui estudando, como expliquei no post anterior, a NCM - Nomenclatura Comum do Mercosul. Uma coisa mutcho lôca, que deixaria Jorge Luis Borges aflito. Com toda seu afinco em criar bibliotecas e classificações imaginárias, ele nunca chegou a esse requinte! rs

Vejam o texto do Capítulo 96 - Obras diversas. 

É longo, ninguém vai ler tudo, mas eu não resumi porque a graça é dar uma olhada de alto a baixo, ainda que trasnversal.


Notas.

1.- O presente Capítulo não compreende:

a) os lápis para maquilagem (Capítulo 33);
b) os artefatos do Capítulo 66 (partes de guarda-chuvas ou de bengalas, por exemplo);
c) as bijuterias (posição 71.17);
d) as partes e acessórios de uso geral, na acepção da Nota 2 da Seção XV, de metais comuns (Seção XV), e os artefatos semelhantes de plásticos (Capítulo 39);
e) os artefatos do Capítulo 82 (ferramentas, artigos de cutelaria, talheres) com cabos ou partes de matérias de entalhar ou moldar. Apresentados isoladamente, tais cabos e partes classificam-se nas posições 96.01 ou 96.02;
f) os artefatos do Capítulo 90 (por exemplo, armações para óculos (posição 90.03), tira-linhas (posição 90.17), escovas e pincéis dos tipos manifestamente utilizados em medicina, cirurgia, odontologia ou veterinária (posição 90.18));
g) os artefatos do Capítulo 91 (por exemplo, caixas de relógios ou de outros aparelhos de relojoaria);
h) os instrumentos musicais, suas partes e acessórios (Capítulo 92);
ij) os artefatos do Capítulo 93 (armas e suas partes);
k) os artefatos do Capítulo 94 (por exemplo, móveis, aparelhos de iluminação);
l) os artefatos do Capítulo 95 (por exemplo, brinquedos, jogos, material de esporte);
m)os artefatos do Capítulo 97 (objetos de arte, de coleção e antigüidades).

2.- Consideram-se matérias vegetais ou minerais de entalhar, na acepção da posição 96.02:

a) as sementes duras, pevides, caroços, cascas de cocos ou de nozes e matérias vegetais semelhantes (noz de corozo ou de palmeira-dum, por exemplo), de entalhar;
b) o âmbar (sucino) e a espuma-do-mar, naturais ou reconstituídos, bem como o azeviche e as matérias minerais semelhantes ao azeviche.

3.- Consideram-se cabeças preparadas, na acepção da posição 96.03, os tufos de pêlos, de fibras vegetais ou de outras matérias, não montados, prontos para serem utilizados, sem se dividirem, na fabricação de pincéis ou de artefatos semelhantes, ou exigindo apenas, para este fim, um trabalho complementar pouco importante, tais como as operações de uniformização ou acabamento das extremidades.

4.- Os artefatos do presente Capítulo, exceto os compreendidos nas posições 96.01 a 96.06 ou 96.15, constituídos inteira ou parcialmente de metais preciosos, de metais folheados ou chapeados de metais preciosos (plaquê), de pedras preciosas ou semipreciosas, de pedras sintéticas ou reconstituídas, ou com pérolas naturais ou cultivadas, classificam-se neste Capítulo. Todavia, também se classificam neste Capítulo os artefatos das posições 96.01 a 96.06 ou 96.15 com simples guarnições ou acessórios de mínima importância de metais preciosos, de metais folheados ou chapeados de metais preciosos (plaquê), de pérolas naturais ou cultivadas, de pedras preciosas ou semipreciosas, ou de pedras sintéticas ou reconstituídas.

Agora, depois dessas exclusões e definições, é curioso ver as coisas que terminaram juntas na mesma classificação - por exemplo: "Marfim trabalhado e obras de marfim; Cápsulas de gelatinas digeríveis; Colméias artificiais; Vassouras e escovas, constituídas por pequenos ramos ou outras matérias vegetais reunidas em feixes,com ou sem cabo; Escovas de dentes, escovas e pincéis de barba, escovas para cabelos, para cílios ou   para unhas e outras escovas de toucador de pessoas, incluídas as que sejam partes de aparelhos; Escovas de dentes, incluídas as escovas para dentaduras; Fechos ecler; Canetas-tinteiro e outras canetas; Almofadas de carimbo". 

Ok, pode-se argumentar que esse é, afinal, o capítulo das "Obras Diversas". Diversas são, portanto. Mas vejam a Seção XVII (INSTRUMENTOS E APARELHOS DE ÓPTICA, FOTOGRAFIA OU CINEMATOGRAFIA, MEDIDA, CONTROLE OU DE PRECISÃO; INSTRUMENTOS E APARELHOS MÉDICO-CIRÚRGICOS; APARELHOS DE RELOJOARIA; INSTRUMENTOS MUSICAIS; SUAS PARTES E ACESSÓRIOS) - especificamente o Capítulo 92, Instrumentos Musicais. 

Ele exclui "microfones, amplificadores, alto-falantes, fones de ouvido, instrumentos e aparelhos com características de brinquedos, escovas e artefatos semelhantes para limpeza de instrumentos musicais". Mas reúne Caixas de música, órgãos mecânicos de feira, realejos, pássaros cantores mecânicos, serrotes musicais e outros instrumentos musicais; apitos, berrantes (cornetas de sinais) e outros instrumentos, de boca, para chamada ou sinalização; metrônomos e diapasões - junto, claro, com pianos, acordeões, guitarras, pianos de cauda, etc. 

Eu fico tentando imaginar como foi o processo de elaboração dessa nomenclatura... No Mercosul, ainda por cima! Teriam sido reuniões intermináveis, trocas de emails, consulta a dicionários bilingues - ou alguém foi encarregado da tarefa e passou noites e noites em claro? Consultaram manuais empoeirados ou o Google? Ou tudo isso junto?

Bizarro. E divertido :)








domingo, 6 de fevereiro de 2011

"O Malabarismo Brasileiro para Frear a China"

Esse foi o título de matéria do Diário do Comércio publicada na sexta-feira, 4/02.
Algumas de suas informações:













A matéria trata de um estudo da CNI sobre competitividade, com informações da Agência Estado (os grifos são meus):

- Das empresas exportadoras brasileiras que competem com produtos fabricados na China, 4% DEIXARAM de exportar. 

- "21% das empresas consultadas registram importação de matéria-prima chinesa, denotando, segundo a CNI, um aumento da penetração do país asiático na cadeia produtiva brasileira. Além disso, 32% dessas empresas pretendem aumentar as compras de insumos do gigante asiático".

"(...) A valorização do real em relação à moeda norte-americana tem sido o fator determinante para que produtos brasileiros percam mercado para os chineses tanto no mercado internacional quanto no Brasil. A avaliação foi feita hoje, 3, pelo gerente-executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. 

Segundo ele, o aumento da concorrência nos últimos anos está diretamente ligado ao preço dos produtos chineses. O economista lembrou que os custos de produção no país asiático são consideravelmente menores que no Brasil por diversos motivos: os menores salários e encargos sobre a folha de pagamentos, as taxas de juros mais favoráveis, a menor tributação e burocracia para exportação, as menores exigências de conformidade para os produtos, a melhor eficiência de infraestrutura e a maior escala de produção.

No entanto, destacou Castelo Branco, apesar desses inúmeros fatores estruturais que dão vantagem à China no comércio internacional, a concorrência com os chineses aumentou justamente a partir do momento em que o câmbio brasileiro acelerou sua valorização. "As dimensões estruturais pouco mudaram nos últimos anos, a grande alteração está na valorização do nosso câmbio. Esse é o fator mais determinante para o aumento da concorrência e da penetração dos produtos chineses", avaliou.

Para o executivo, além da ampliação das estratégias para enfrentar a competição com a China, por via de redução dos custos e investimentos em qualidade e design, é preciso enfrentar a questão cambial. "É preciso ter menos dependência da taxa de juros para controle da inflação, pois o diferencial de juros brasileiro favorece a entrada de dólares no País e pressiona ainda mais a cotação da moeda. E se a gente não avança nas agendas de competitividade em uma velocidade adequada para enfrentar essa concorrência, o quadro se torna mais preocupante" completou.


A sondagem da CNI foi feita em outubro do ano passado e consultou um universo de 1.529 empresas".

***
Todo mundo aqui conhece os fatos descritos acima por um ponto de vista ou por outro. Como consumidores, tá fácil - faz tempo que o Made in China invadiu o comércio e as nossas casas. Durante um tempo, o movimento Free Tibet - que eu apóio - pregou o boicote aos produtos chineses como forma de pressionar a China a devolver o Tibete aos tibetanos. Inútil... Primeiro, porque o boicote de meia dúzia de indivíduos (devemos ser apenas alguns milhares) "não faz cosquinha"* na balança comercial da China. Segundo, porque boicotar produtos chineses ficou quase impossível!


Quem tem um comércio ou uma pequena indústria ou trabalha nesses setores também sabe o sufoco que o setor produtivo brasileiro passa na competição desigual - e às vezes desleal - com os chineses. 

Quando fui vereadora, tive muito contato com um outro aspecto dessa competição - o trabalho análogo à escravidão em São Paulo. Milhares de bolivianos se submetem a condições desumanas de trabalho, trabalhando em oficinas de confecção clandestinas, costurando para varejistas de todos os tamanhos. Como um colega vereador observou na época, "é efeito colateral da concorrência com a China" - um jeito (desonesto, claro) de baratear a produção por aqui. 

***
Durante a campanha eleitoral, o Serra cansou de falar sobre o processo de desindustrialização do Brasil, provocado por um conjunto de fatores - câmbio, juros, carga tributária, burocracia, falta de fiscalização, corrupção,  precariedade da infra-estrutura (energia, estradas, etc.). Tudo provado, comprovado, demonstrado, irrefutável. Com a desindustrialização, perdemos postos de trabalho, renda, receita e divisas. Damos uma vida mais fácil a quem tem dinheiro para girar no mercado financeiro do que a quem quer investir em produção e emprego. 

Mas a propaganda governamental foi mais convincente... As imagens do Brasil pujante iguaizinhas às da década de 70; ufanismo traduzido em praias e cachoeiras, portos e usinas, sorrisos morenos sob o sol generoso. Pouco importa que a refinaria inaugurada só faz casco de navio; que a obra em curso tinha sido prometida para anos atrás...

A mentira governamental foi aceita por muita gente. A 'herança bendita", amém. O fato é que o Brasil acaba de sair de um governo que oscila entre o medíocre e o horrível, e o atual tem compromisso com o engodo (afinal, é fruto dele) e vai continuar mentindo. Vamos ver por quanto tempo os filhos de Lula continuam se deixando enganar.