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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Sarau do Binho

Comentário que fiz no blog do Tas relacionado ao post que fala do fechamento do Sarau do Binho.

Buraco é bem embaixo... Muitos comentários divergentes entre si tem razão. 
1) O Kassab nem imagina que existe um bar no Campo Limpo onde acontece o Sarau do Binho. 
2) Provavelmente também não sabe que o bar foi fechado por ordem da Subprefetura. 
3) As leis de uso e ocupação do solo, zoneamento etc tem coisas ridículas, absurdas. As normas para obtenção de alvará e licença de funcionamento... Terríveis. Tão ruins, confusas e obtusas que às vezes quem quer fazer tudo direitinho NÃO CONSEGUE. E quem topa pagar bola para o engenheiro da aprovação ou agente vistor consegue fazer tudo o que quiser, mesmo que esteja completamente errado. 
4) O rigor nunca é igual em toda parte... Aí depende muito de vários fatores, que podem ser ordens "de cima" (prefeito, Secretário), do "meio" (Subprefeito) ou "de baixo" (decisão do próprio agente vistor). Eu uma vez peguei uma equipe da Sub fazendo uma apreensão que eu desaprovava completamente - passei por sorte de Vespa ali na hora e mandei suspender. Correndo o risco de alguém dizer que eu estava protegendo um amigo ou coisa parecida... Também dei ordem expressa para não cobrirem os grafites debaixo do viaduto Antártida - não cobrir nada, na verdade, porque não podia contar que o pessoal que vai lá com o jato de tinta vai saber direitinho a diferença entre pixação e grafite. 
5) Seja de quem for a ordem/decisão, a falta de bom senso, compreensão ou mesmo critério claro dá muita, muita raiva. Deve haver 200 mil estabelecimentos irregulares não só no Campo Limpo, como na cidade toda. (Justiça seja feita, há interdições lamentáveis na cidade toda... Bares "bacanudos" da Vila Madá ou Vila Olímpia já foram emparedados por conta do tal rigor, justo ou leonino). Bares que não só não dão a mínima contribuição para a cultura da região como causam sérias perturbações. Aí vai fechar justo o Bar do Sarau do Binho... Pqp! Qual é o próximo, o da Cooperifa??? 
6) Agora que a Subprefeitura anunciou que fechou o bar porque a lei não permite como ele funcione ali, quero ver como é que eles vão fazer. Porque não demora para o prefeito dizer "tá causando a maior reação negativa, libera o Sarau do Binho"! E aí, como justificar? Enfim: injustiça, falta de bom senso, falta de flexibilidade ou sacanagem mesmo de alguém que não vai com a cara do Sarau e resolver "cumprir a lei". Que raiva, que merda. Não é problema meu resolver como voltar atrás e não incorrer em acusação de "prevaricação", "favorecimento" etc. Então eu apelo: liberem o Sarau do Binho!!!! 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

É bonito

“Mas por que as pessoas gostam tanto de trabalhar na Sutaco, você acha”?

“Bom... Porque, pra começar, a matéria com a qual a gente lida no trabalho é muito legal, que é artesanato”.

“Muito legal é você quem acha”.

“Tá, eu sei que me trolaram no Tuíter[1], mas artesanato é legal. Se você não acha...”

“Não acho”.

“Então você só gosta de produtos industrializados”.

‘ “É”.

AZEDOU meu começo de noite. Eu feliz pra burro porque de manhã, em uma aula na FGV (a primeira de um curso que vamos fazer na Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares), muita gente falou, na rodada de apresentações, sobre o como estava feliz por trabalhar na Sutaco, o quanto adora o que faz, o carinho que tem pela instituição. Entre muitos depoimentos calorosos do tipo “em x anos de casa, nunca aconteceu nada desse tipo”, um me derreteu: “Eu to pra me aposentar, mas agora eu não quero!”.

Aí ele vem e dá um toco logo no começo da minha resposta. )*&(*¨%#.

A voz já estava se elevando alguns decibéis e semitons quando ele tentou amenizar - “aquela dia que eu fui à lojinha você me mostrou algumas coisas que eu achei bonitas, mas...”

“Esquece”.

***
As pessoas que trabalham na Sutaco amam o que fazem porque gostam de artesanato e de gente.

Elas se comovem com a simplicidade de alguns deles. Muitos deles. Gente muito humilde, meu deus do céu, com um talento imenso. Homens idosos e calejados, capazes de entalhes intrincados, imagens delicadas, entrelaçamento, renda, moldagem. Mulheres de passo miúdo com força insuspeita. Quando digo “humildes” não estou escolhendo um eufemismo para me referir a “muito pobres” - eles são humildes MESMO. Modestíssimos, tímidos. Alguns abrem um sorriso orgulhoso quando elogiamos a beleza de suas peças, porque lá no íntimo - de onde as peças vieram - elas já sabiam. Outros parecem não acreditar.

Artesãos e artesãs que precisam se deslocar do rancho onde moram para o centro da cidadezinha esperar uma ligação da Sutaco ao lado do orelhão. Para o “agendamento” do encontro, o pessoal daqui manda recado pelo motorista do ônibus intermunicipal, que por sua vez avisa alguém da farmácia, do açougue, da padaria...

Artistas e artífices que estão cumprindo pena ou acabaram de sair para a rua. Que moram em quilombos, são assentados de reforma agrária. São indígenas aldeados ou não. Mulheres vítimas de violência, mulheres que acompanham filhos em internações que duram meses, mulheres em tratamento de saúde. Povo da rede de Economia Solidária da Saúde Mental. Ceramistas (hoje, 28, é dia deles!), bordadeiras, tecelãs, marceneiros, rendeiras. Pessoas com deficiência. Aposentados, desempregados, pessoas em situação de rua. Mulheres realocadas com suas famílias, mulheres de comunidades diversas.

“Os artesãos estão super felizes com as lojas novas”, dizem os funcionários da Sutaco, orgulhosos e satisfeitos. Funcionários da contabilidade, do financeiro, do cadastro. Da administração. Os do cadastro, comercialização e qualificação, então... O ouvidor...

Desde que eu cheguei à Sutaco, me surpreendi e gostei de ver como eles diziam “nossa artesã”, “artesão nosso”. Como quem tem uma responsabilidade por eles, não como proprietários. Dizem isso o tempo todo, com carinho.

Então eles são felizes por trabalhar na Sutaco porque prestam serviço para os artesãos. Não apenas porque dão suporte para que eles obtenham renda e, em muitos casos, sustento com o artesanato, mas porque adoram vê-los felizes. E querem que eles tenham orgulho do que fazem e que as pessoas reconheçam que coisa linda é o artesanato. Pelo que ele representa de original - não apenas no sentido de “único”, ou aquilo que não é cópia, mas por remeter à origem. Aos primeiros artefatos humanos; à escala da pessoa, não da indústria. À distância mais curta entre o barro e a jarra, a palmeira e o cesto de folha trançada. E pela beleza em si!

Não são poucos os que acham que artesanato é “tranqueira”, “bugiganga”. Então eu digo, parodiando o cartaz dos restaurantes, “conheça nossa lojinha”. Perceba por que os funcionários tem tanto gosto no que fazem. E não se faça de rogado, por favor - se gostar de alguma peça, pode comprar. O preço é justo, o artesão é recompensado, o desenvolvimento local é aquecido, a cultura rica e variada do estado de São Paulo é preservada e divulgada, o dinheiro público é bem empregado.

Se você ainda tem dúvidas, visite a nossa cozinha.

Parabéns, Sutaco, pelos 42 anos de vida (26/05/2012).

_____________
[1] No Dia das Mães, escrevi “é impossível você não encontrar na Sutaco algo que sua mãe goste”. Algumas pessoas responderam: “Então a minha mãe não é normal, porque ela detesta artesanato”.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

3º Encontro da Caravana Arte Contra o Crack

Será realizado amanhã, 19/5, das 19h às 22h, o seminário Políticas Públicas e Cultura na Prevenção ao Crack, com mediação do ex-interno da Febem por 15 anos, dramaturgo e professor, Asdrúbal Serrano. 

Os encontros são os primeiros resultados do Projeto Arte Contra o Crack que realiza em diversas cidades do Estado de São Paulo as Oficinas de Formação de Agentes Multiplicadores voltadas para crianças e adolescentes socialmente vulneráveis. 

O projeto é executado em duas etapas:
Etapa 1:Capacitação e assessoria para 150 crianças e adolescentes como Agentes Multiplicadores nas cidades de São Paulo (Guaianases), Caconde, Divinolândia, Araraquara, São João da Boa Vista, São José do Rio Pardo, Casa Branca e São Carlos. 
Etapa 2: Apresentação dos resultados, intercâmbios e debates por meio da Caravana Arte Contra o Crack.


ServiçoData: 19/05/2012 (sábado), das 19h às 22h
Local: Casa de Teatro Maria José de Carvalho
Endereço: Rua Silva Bueno, 1.533 – Ipiranga- São Paulo/SP

Antes do debate serão apresentadas três peças curtas realizadas pelos adolescentes das cidades de São Paulo (Guaianases), Caconde e Divinolândia


Grupo Cia. Divertilândia de Teatro Comunitário / Divinolândia, SP
Resumo da Peça: Krake – Aviltadas! Texto de Asdrúbal Serrano. A trajetória de um grupo de meninas de rua assediadas pelo crack.
Duração 20m. Classificação 12 anos.

Grupo: Expressão é Arte / Guaianases, São Paulo, SPResumo da Peça: Desculpa Mãe! Dramaturgia Coletiva. Livre adaptação da música homônima, do grupo Facção Central, narra o sofrimento de uma mãe que luta para tirar o filho das drogas. 

Duração 15m .Classificação 12 anos.


Grupo: Teatro Popular Cara e Coragem / Caconde, SP
Resumo da Peça: Cracko City. Dramaturgia Coletiva. A partir das técnicas do Teatro-Jornal, da Estética do Oprimido a peça aborda um grupo de estudantes e o assédio do crack como alternativa de fuga.
Duração 15m. Classificação 12 anos.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Improvisal Design




















Amei esse Tumblr. Por isso que eu não jogo nada fora - peças de Lego, pedaços de papelão, esponja usada... Um dia nós, improvisadores, levaremos a Leroy à falência. Antes que ela me leve.

***
Eu tenho um cadeado de bicicleta daqueles com segredo, e quem disse que eu lembrava qual era? Então me lembrei que um aparelho velho de celular, que aposentei por estar quebrado (visor + tampa da bateria), talvez tivesse algo arquivado na memória.

Xeretando nele, a MINHA memória foi clareando. Talvez eu tivesse enviado uma mensagem para mim mesma, como fiz algumas vezes... Bingo! No dia 14/08/2009, às 14:40, me mandei um torpedo: X2X1. Testei - é o segredo do cadeado.

Por isso que eu não jogo nada fora.