Mostrando postagens com marcador Justiça. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Justiça. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de julho de 2018

"Constituição é clara e equivocada"

O título dessa matéria da Folha já é a síntese perfeita do que eu penso sobre a prisão em segunda instância -

Constituição é clara e equivocada ao vetar prisão em segunda instância, dizem especialistas


Segue uma parte do texto:

Em debate, especialistas em direito afirmaram que a Constituição é tão clara quanto equivocada ao vetar a prisão após condenação em segunda instância.

O evento na Fundação FHC em parceria com o site Jota ocorreu nesta segunda-feira (26), horas antes de o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) negar mudança na decisão que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso tríplex, e abriu caminho para a determinação da prisão do petista.

"Do ponto de vista teórico, não vejo sentido algum em, uma vez que a pessoa tenha sido condenada em primeiro grau e confirmada a condenação em segundo, que ela aguarde o trânsito em julgado. Porque não existe relação lógica entre presunção de inocência e trânsito em julgado do ponto de vista do processo penal", disse Nino Toldo, desembargador do TRF-3 (SP e MS).

"Agora, não posso negar. A Constituição diz claramente lá que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado. Então, se a interpretação for literal, não tem jeito. A Constituição está errada. É um equívoco lógico", sustentou Toldo.

O professor da FGV e colunista da Folha Oscar Vilhena Vieira disse que "a Constituição é razoavelmente clara. Ela diz trânsito em julgado". Ele, contudo, questionou a Carta. "Não existe democracia no mundo em que a execução, ainda que provisória, não se dê pelo menos na segunda instância. Todos os tratados internacionais de direitos humanos trabalham com o duplo grau de jurisdição."


Perfeito! A Constituição garante o princípio da presunção de inocência, e se uma pessoa já teve duas oportunidades diferentes de ser julgada, e já foi condenada duas vezes e por pessoas diferentes, a presunção foi respeitada - e a inocência, denegada. Mas o "trânsito em julgado" é norma, não princípio. Ou seja: a Constituição estabeleceu uma norma que, a meu ver, exorbita o princípio e deveria ser modificada por meio de uma Emenda Constitucional devidamente debatida no Congresso.

Há quem entenda que a questão estaria garantida em cláusula pétrea, portanto nem uma EC poderia modificá-la. Discordo e reitero: o princípio da presunção de inocência não exige mais do que duas instâncias para ser garantido.

A Lei da Ficha Limpa é claríssima também: não pode disputar eleição quem tiver sido condenado em segunda instância. Em vista disso, minha opinião é que o Lula não devia estar preso agora, mas não pode ser candidato de jeito nenhum. Não é a prisão que o impede de disputar a presidência, é a condenação em segunda instância.

Mas o STF decidiu, em relação ao Lula, o que já tinha decidido antes: pode começar a cumprir pena depois de condenação em segunda instância. Eu discordo do Supremo, mas não foi uma decisão-política-destinada-a-impedir-o-herói-do-povo-brasileiro-de-correr-o-país-pedindo-voto. Foi mais um erro do STF em seu "ativismo judiciário"... Todos nós temos nosso juízo sobre quais de suas muitas decisões seriam erros ou acertos e podemos ter, mas precisamos obedecer - fazer o que?

O famosos desembargador lulista que, ~por coincidência~, estava de plantão quando deputados do PT protocolaram o pedido de Habeas Corpus para o ex-presidente e concordou com a tese do "fato novo" ("ele será candidato e precisa ter liberdade para se manifestar como tal") cometeu uma atrocidade jurídica (1 - "Fato novo"?? 2 - Se fosse mesmo um fato novo, seria um que justificaria rever o processo????).

Até aí, enumerei certezas. Tenho apenas uma dúvida: se o desembargador podia ou não decidir um HC de caso transitado em segunda instância. Porque é assim: decisão judicial a gente cumpre, por mais ridícula que seja, e questiona o mérito em instância superior. Mas e se o camarada tomou decisão sobre assunto que não lhe compete? A ordem tem algum valor? Ou tem tanta autoridade quanto um documento assinado por qualquer outra pessoa alheia ao processo?

Podem responder nos comentários, eu realmente quero ouvir opiniões diversas para escolher a minha :-)


quarta-feira, 20 de março de 2013

Maus humores

Estaríamos perdidos
"A nossa Justiça não é assim não. Porque se a nossa Justiça fosse assim, nós estaríamos perdidos!". Foi a reação do Desembargador Tourinho à afirmação de Joaquim Barbosa de que há muitos juízes desonestos que deveriam ser botados pra fora. Em seguida, Barbosa disse o já famoso "esse conluio entre juiz e advogado é o que há de mais pernicioso".

"Não se pode...
...generalizar", reagiram alguns. Por que, existem casos em que o conluio entre juiz e advogado não é pernicioso?

Pra não acharem...
...que eu não entendi: claro que não se pode dizer que "todos os juízes" fazem conluio com advogados.
E por acaso foi isso que foi dito?

Era segredo
A OAB e a Associação de Juízes Federais talvez não saibam que existam conluios entre juízes e advogados.

Velhice segura
Bom lembrar que o juiz que finalmente foi colocado pra fora por ser desonesto é "condenado" à aposentadoria compulsória. É, senhor e senhora aposentados com uma merreca, nós pagamos e não é pouco.

Generalizar
Já pensou se a moda pega? "O senhor foi pego roubando o caixa da loja. Teje aposentado".

Cretinice superior
"Caloura Chica da Silva" pendurado ao pescoço da estudante pintada de preto e presa a uma corrente. Realmente, eles se superam. Nem precisava disso tudo combinado para ser de uma imbecilidade notável.

Se vira
Com toda benevolência municipal, estadual, federal e internacional, Corinthians ameaça - a-me-a-ça - desistir de construir estádio que esteja apto a receber a abertura da Copa e fazer um "só do Corinthians".
Vá em frente.

Sem fiador
O Banco do Brasil não aceitou as garantias do Corinthinas e da Odebrecht para liberar o empréstimo de R$400 milhões do BNDES. #ImaginanaCopa


A gente somos
Nota mil para a redação com a palavra "trousse". Porque o que vale é a criativdade, espírito crítico, não o rigor da "norma culta". Sim, claro. Mas o estudante não quis ser coloquial ou imitar o jeito cotidiano de falar com suas liberalidades; ele errou no Soletrando.

Não fui eu que inventei
O Inep estabeleceu 5 critérios para avaliar as redações, cada um valendo no máximo 200 pontos. Um deles era objetivo: domínio da norma padrão da língua escrita. Cometeu erros, perdeu pontos. Mas talvez o professor que corrigiu as provas leu e não entendeu as regras.

Dinheiro de volta
O MEC nem cogitou abrir uma sindicância para averiguar se os professores contratados para corrigir as provas fizeram outras avaliações generosas com essa. Se eles tem como explicar a receita de Miojo no meio de uma redação com um "nem vi" ou um "vi e achei legal, ué".


Flash Back
Um aluno da ECA (Escola de Comunicações e Artes da USP) gostava de escrever lá pela lauda 15 de seus trabalhos: "O professor que ler até aqui ganha uma caixa de cerveja". Nunca cobraram.

Mudou
Questionada por não ter se manifestado (nem um pio) sobre a renúncia de Bento XVI, Dilma foi defendida no Twitter por apoiadores do governo: "Brasil é país laico"; "não é relevante". Por isso só foram 4 ministros com ela à cerimônia inaugural do Papa Francisco; se fosse evento relevante teriam ido uns 8.

Nobody home
A presidente não ficou hospedada na Embaixada porque o Brasil está sem embaixador em Roma. E ela não ia querer dar trabalho para as dezenas de empregados que trabalham lá, né? Deixa os caras.

Conciliação
Sugestão: Feliciano, acusado de estelionato, racismo e outros crimes, vai pra Comissão de Constituição e Justiça. João Paulo Cunha, condenado por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, vai pra Comissão de Direitos Humanos.

Não tá fácil pra ninguém
Aumentaram as verbas de despesa para os deputados federais. Os preços estão pela hora da morte.


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Punição para ~os culpados~. Para os inocentes, prêmio!

SONINHA FRANCINE
ESPECIAL PARA A FOLHA

Sou contra a punição ao Corinth... Não, melhor começar de outro jeito. Sou a favor de outra punição para o Corinthians, em vez da obrigação de jogar toda a Libertadores com portões fechados.

Jogo sem torcida é punição para quem não tem culpa nenhuma. Eu poderia citar os patrocinadores do clube e do campeonato e até os detentores de diretos de TV --eles têm o direito de esperar retorno por seu investimento, e o espetáculo é prejudicado.
Mas o espetáculo e a grana não são o que me aflige. É a torcida. Milhões de pessoas que iriam ao estádio ou assistiriam em casa a um jogo com muita gente, barulho, bandeiras. Todos sofrendo uma perda por causa de um, dois ou 12 corintianos sem noção.
Não coaduna com o princípio de justiça punir todo mundo pelo erro de uma dúzia. É algo recorrente com policiais e moradores da favela, professores e alunos, políticos e viajantes, encarcerados e carcereiros. E está errado.

A morte do garoto não pode ficar impune. E a Conmebol não pode estabelecer ou ampliar um limiar de omissão, tolerância ou leniência. A pena cumpre também o papel de alerta: Que não se repita ("senão..."). E, em tese, já que o time é o que o torcedor mais ama, prejudicá-lo é a última coisa que ele quer, portanto vai pensar antes de atirar chinelo em campo ou bomba na arquibancada.

Simplesmente não creio nessa tese. Alguns torcedores amam a si mesmos, seus grupo, "sucesso" e popularidade mais do que qualquer outra coisa. A reputação de maus, assustadores, invencíveis. Gente que, no estádio, fica chamando o "inimigo" pro pau. Podem ficar chateados pelo clube, mas contanto que não aconteça nada a eles... Segue a vida loca.
Minha proposta de pena é um castigo, claro, e também um projeto-piloto. Que nos jogos do Corinthians o estádio todo seja "setor família". Que cada homem só entre com mulheres e crianças. Os valentões serão desencorajados. Não estão no bando que dissolve a responsabilidade individual, não esperarão ansiosos pela escaramuça com rivais. Muitos nem irão. Ou se sensibilizarão com o moleque do lado, cujo pai veste a camisa do rival. E, importante: quem desistiu do estádio com medo poderá voltar.

Mas não pode o Corinthians ser o único punido. Alguma coisa precisa sobrar para os anfitriões, por essa "maravilha" de revista feita no estádio. E para quem vende sinalizador para qualquer um.

***

Link para a matéria: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/1237403-soninha-minha-proposta-e-um-castigo-e-tambem-um-projeto-piloto.shtml

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

É sério

A história é a seguinte:

O pai fugiu com o filho. A mãe chegou em casa ontem [sexta] e encontrou um bilhete e os armários vazios. Ele levou tudo que era da criança, não disse para onde ia. 

Ela procurou a polícia, que disse que não pode fazer nada porque "ele é o pai". Registrou o fato, mas não como ocorrência criminal. 

A mãe do menino ligou para a família do pai. Nada. Ligou para a empresa onde ele trabalha, tentando saber de seu paradeiro. "Não podemos informar". 

A polícia reitera: não pode tomar providência nenhuma. Na segunda-feira, com um advogado, ela pode conseguir alguma coisa. (Intimação? Mandado de busca? Não sei).

Pergunto (a mãe é minha conhecida):

É isso mesmo? Não há nada que ela possa fazer HOJE? Não se pode expedir algum tipo de comunicado alertando para a subtração do menor? Não existe algum tipo de plantão (Defensoria Pública, Vara da Infância) que possa determinar uma providência imediata? Até onde eu sei o pai não é um psicopata ou coisa parecida, mas... não se pode dizer que a criança, vítima de ação irresponsável do pai, está correndo risco?

Agradeço MUITO aos que puderem ajudar - com uma dica, um contato, uma orientação. Por favor, respondam por email (rp@soninha.com.br) porque não quero colocar aqui o celular dela porque o mundo está cheio de gente sem noção.

***
Isso foi escrito no sábado de manhã. Não cheguei a publicar porque, enquanto escrevia, pesquisávamos (eu e a minha amiga) aqui e ali para saber o que fazer.

Encontrei algumas páginas bem interessantes, daquelas que é bom favoritar para achar fácil, como o Participais. Ou estes endereços úteis, na página do Pró-Menino.

Encontrei trechos de decisões judiciais, como esta: "O fato de a mãe do menor ter abandonado a residência do casal, sem o consentimento do pai, levando consigo o filho menor, caso comprovado, consubstancia matéria que deve ser enfrentada para a decisão do pedido de guarda, em conjunto com outros elementos que demonstrem o bem estar do menor. A competência para decidir a respeito da matéria, contudo, ..."

Encontrei links e telefones. Minha amiga (vou chamá-la de Eva) conseguiu o número do plantão do Conselho Tutelar no Butantã. Nada, todos os números desligados. Tentou a Lapa e conseguiu falar com a conselheira de plantão, que lhe deu... conselhos. "Olha, conversa com ele, tenta resolver por bem". Finalmente, depois de vencer o porteiro da Defensoria Pública que respondia como um robô "O horário de funcionamento é de segunda a sexta...", conseguiu falar com um plantonista. "Reúna tais e tais documentos e leve até o Fórum da Barra Funda, que hoje atende até as 15h00".

Talvez ele tenha dito "treze" e ela tenha entendido "três". O fato é que chegamos ao Fórum às duas e meia e soubemos duas coisas: 1) O plantão estava funcionando no Hely Lopes Meireles, perto da Praça da Sé; 2) Terminava à uma da tarde.

Em todo caso, corremos ao Hely. Quem sabe era uma outra informação errada, desta vez a nosso favor... Não era.

Eva voltou pra casa, disposta a procurar o Fórum no domingo de manhã. Fiquei admirada com a calma dela. "É porque chorei a noite inteira, agora estou até grogue".

***
Às dez pras nova ela já estava na porta do Fórum, esperando abrir. O Defensor Público escreveu a petição. Eu não estava junto dessa vez, então ela ia me contando por SMS. 10h12: "To aqui no Fórum Hely e eles vão fazer mandado de busca e pedido de guarda a meu favor... Ainda vai demorar um pouco". 12h44: "Já está na mão do juiz o pedido, estou só aguardando a resposta... Mas pode demorar um pouco ainda!". 13: 11: "Soninha foi negado, tô desesperada..."

E, às 18h29: "Soninha, sem citar nomes por enquanto coloca o meu caso na internet, em seu face, twitter, veja se não há um advg que possa opinar, ajudar! Só estou buscando alternativas... bj".

***
Imagine a angústia, a tristeza, a sensação de desamparo e injustiça. Pelo que entendi, o juiz negou o pedido por opinar que o caso era para Vara de Família, não Criminal. Talvez outro interpretasse como sendo sequestro, sei lá. Fato é que o pai arrancou a filha de cinco anos de casa, não mandou mais nenhuma notícia,  não informa o paradeiro.

Mantido, então, o pedido de ajuda. Obrigada. 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Sai baratinho!

É inacreditável como sai barato desobedecer a lei. Mais que isso, escarnecer dela, debochar, dar uma banana para as regras da democracia.

Lula foi ao programa do Ratinho no SBT. Aquele SBT que elaborou a ficção da bolinha de papel, que o então cabo eleitoral/presidente ajudou a espalhar. Em vez de condenar a violência, seja dos "mosquiteiros" que anunciaram e de fato armaram um corredor polonês para o candidato da oposição, seja dos seus cabos eleitorais que reagiram, o presidente debochou do episódio.

Aquele SBT do Silvio Santos, que fez um negocião com a Caixa Econômica Federal em torno do Banco Panamericano. Silvio Santos que sempre mandou um "é coisa nossa" para o chefe de plantão, militar ou civil. SBT que é, como toda emissora de TV, concessão pública. Mas isso não quer dizer nada, não é mesmo?

No programa do Ratinho, Lula foi exaltado por 40 minutos e elevou aos céus seu candidato à prefeitura em São Paulo. Que teria colocado "1 milhão de pessoas" na universidade, por meio do Prouni. 1 milhão é, para começar, arredondar para cima. Desde a criação do programa, quando o ministro era Tarso Genro, ainda não foram tantas as matrículas. E o número de FORMADOS pelo Prouni é muito menor, porque muitos não conseguem terminar a faculdade. E alguns se formam em "fábricas de canudo" sem a mínima qualidade, sem a menor condição de oferecer um curso superior, muito menos com repasse de recursos públicos.

Passaram uma matéria emotiva, mostrando uma moça que só chegou lá graças ao FHaddad. Típico de um programa do Silvio Santos: a moça foi premiada como as meninas do Boa Noite Cinderela; o ex-ministro foi o príncipe que lhe concedeu a graça. Não é um país que dá condições para que "seus pobres" estudem com qualidade, é um ministro que pratica essa bondade, a quem devemos ser gratos.

Acionada, uma Juíza do TRE concordou que houve propaganda eleitoral extemporânea e aplicou uma multa de CINCO MIL REAIS. Vultosa, não?

O problema maior é que não foi "apenas" propaganda eleitoral extemporânea. Houve o uso indevido de uma CONCESSÃO PÚBLICA para fazer propaganda eleitoral. Já não basta a MÁQUINA PÚBLICA propriamente dita??

Enfim, espero que o PPS, que entrou com a ação, tenha como recorrer dessa vergonha. Porque é que nem Boletim de Ocorrência: mesmo que você não tenha esperança de o B.O. resultar em solução do crime e a devolução do que lhe foi roubado, seu dever é registrar a queixa. No mínimo, para entrar para os registros policiais e, quem sabe, ajudar a evitar outros crimes no futuro.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Sonoras

Políticos se matam por um microfone. 15 segundos de sonora no Jornal Nacional valem por meses de esforço para aparecer de outras maneiras. Os motivos pelos quais querem aparecer podem até ser nobres, creiam! Chamar atenção para um tema em pauta (ou fora da pauta :oP) no Congresso... Fazer uma denúncia... Um esclarecimento importante...

Mas não é difícil aparecer no JN, no Bom Dia Brasil, no Datena, no Faccioli. Um monte de gente simplesmente está passando na rua, um repórter lhe faz uma pergunta e pronto: sua resposta é selecionada para mega exibição em horário nobre em rede nacional. Um desabafo, uma opinião irrefletida, uma implicância... Tanto faz. Se encaixar na tese da matéria, entra.

Eu não me conformo com essa falta de critério. E me lembro da primeira vez em que alguém chamou atenção pra isso - foi a Hyliana (Hilyana?), professora de Didática no curso de Magistério no Colégio Santana. Ela pediu para assistirmos o Jornal Nacional prestando atenção na ordem das matérias, sua duração e edição. Na aula seguinte, comentaríamos.

Naquela edição, havia uma matéria falando sobre a obrigatoriedade, recém-estabelecida, de motociclistas usarem capacete. Polêmica! Especialistas falavam sobre a necessidade, a segurança, proteção à vida. Motociclistas estavam divididos... Muitos eram contrários (claro :o/).

Pois bem, a professora ficou indignada com o último depoimento utilizado na matéria. Um motociclista dizia que, na verdade, o capacete atrapalhava e piorava a segurança, porque diminui o raio de visão.

Ela achou isso um absurdo. "Como é que ele fica com a última palavra? A última impressão? Depois dele tinha de ter um especialista, ou os próprios apresentadores no estúdio, dizendo que isso não é verdade. Que a visão é mais do que suficiente para a segurança e a proteção à cabeça é fundamental".

A gente achava a professora meio chata, dramática, exagerada. Mas lá no fundo eu reconheci: "É mesmo. Ela tem razão".

***
Ela tinha razão. É impressionante a quantidade de bobagens ditas na televisão que passam batido, sem contestação, sem esclarecimento. Quem quiser, pode plantar alguma coisa com dolo (acontece muito!). Mas por genuína ignorância também se disseminam informações erradas.

A Jovem Pan, anos atrás, repercutia algumas "notícias" na rua: "Você sabia que o Maguila será o próximo Ministro da Educação? O que você acha disso?". "O Ayrton Senna foi convocado para a seleção brasileira de futebol. Você apoia?". Neguin' respondia QUALQUER NEGÓCIO. "Vi, acho um absurdo. O Maguila?". "Pelo menos o Senna vai vestir a camisa! Tá certo o Parreira".

***
Hoje de manhã a Globo estava comentando a ordem judicial para que o Cingapura perto do Center Norte seja desocupado.

Assim como faz com reconstituições de crimes, esse é o tipo de coisa que merece um "desenhinho" pra explicar. Começa que as pessoas - inclusive as "esclarecidas" - fazem a maior das confusões e não entendem que ordem judicial a prefeitura cumpre; não é uma decisão do Poder Executivo. Ela pode recorrer, ganhar ou perder. Se perder, não tem escolha. É assim que funciona em um Regime Democrático - as instituições se respeitam e as regras do jogo são seguidas.

***
A Justiça tem seu poder, sua autoridade. Mas também é uma instituição humana, sujeita a paixões, equívocos, disputas, vaidade. O fato de a Justiça ordenar a desocupação pode ser uma decisão correta ou equivocada.

É delicado, claro que é. Não é trivial determinar o que é cautela - talvez em excesso, talvez não - e o que é oportunismo e sensacionalismo. POR ISSO A IMPRENSA PRECISA SER CRITERIOSA, oras. Ouvir os técnicos, ler o que escreveu o juiz, confrontar opiniões contrárias, ponderar.

Voltando ao Cingapura: a Globo mostrou "moradores" (dois adultos e uns quinze moleques) virando uma caçamba de lixo no meio da rua em "protesto". E mostrou uma moradora dizendo que era um absurdo sair de lá porque eles não teriam para onde ir e "depois a gente não volta mais!", dando a entender (não me lembro das palavras exatas) que havia uma conspiração para tomar os imóveis deles e colocar outras pessoas no lugar.

E pronto. Foi essa a matéria. A prefeitura está recorrendo da decisão judicial, informaram. E quem assistiu que se vire para ter os mínimos elementos concretos para tentar concluir se o certo é sair ou o certo é ficar; se a Justiça está exagerando ou a prefeitura está sendo negligente.

Se eu tivesse mais tempo, iria atrás do despacho que determinou a ocupação. Se alguém quiser fazer isso por mim, aceito :o/.




quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Anúncio Oficial (sério - e importante)


Secretaria da Justiça lança Observatório Estadual de Direitos Humanos 
Denúncias poderão ser registradas no site da Secretaria da Justiça

A Secretaria Estadual da Justiça e da Defesa da Cidadania lançou na sexta-feira, 2 de setembro, o Observatório de Direitos Humanos, um sistema de monitoramento das violações aos direitos humanos no Estado de São Paulo. Por meio do Observatório, a população poderá registrar denúncias, monitorar os processos existentes contra o Brasil na Justiça Internacional e acompanhar medidas adotadas pela nação em face das violações cometidas.

O canal de denúncias está disponível na página da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania no canal "Observatório dos Direitos Humanos" ou através deste link.

A comissão de direitos humanos da Secretaria da Justiça encaminhará as denúncias aos órgãos competentes para as devidas providências. Poderão ser acionadas as delegacias, polícia civil, instituições de defesa do consumidor, secretarias de estado, Ministério Público, conselhos, comissões processantes, entre outros.

Dados já disponíveis no Observatório revelam que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos registra 70 casos contra o Brasil. Cinco destes processos já estão na Corte Interamericana de Direitos Humanos, responsável por julgar e punir as práticas que violam os tratados internacionais. É possível acompanhar as denúncias, acessar os resultados das ocorrências, inclusive a resposta do Estado, e fazer o download dos documentos na íntegra. A comissão de Direitos Humanos da Secretaria da Justiça fará o acompanhamento de casos em que o Brasil figura como violador de direitos humanos por não ter tomado as medidas necessárias em tempo oportuno, bem como o acolhimento e o acompanhamento continuado dos casos que se originam no Estado de São Paulo.

Com o sistema de monitoramento, a Secretaria da Justiça oficializa mais um canal de denúncias, que já ocorre através dos plantões do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e das Comissões Processantes de Racismo, Homofobia e preconceito aos portadores de HIV. O objetivo é que os casos de violações de direitos humanos no Estado de São Paulo sejam tratados com o rigor necessário pelos diversos órgãos competentes no âmbito estadual, melhorando o aparato governamental sobre a temática, institucionalizando a defesa e a promoção dos direitos humanos e evitando que tais mazelas gerem novas denúncias à Corte Interamericana de Direitos Humanos contra o Brasil.

A intenção da Secretaria da Justiça é concentrar informações sobre quaisquer tipos de violações aos direitos, sejam elas no âmbito da segurança, educação, saúde, entre outros. O formulário de denúncia deve ser preenchido com informações da data, local, motivo aparente do fato, identificação da vítima e do responsável pelo ato e as providências que foram tomadas até o momento do registro. A identificação do denunciante é opcional, mas importante para que a Comissão de Direitos Humanos possa retornar o contato, caso necessário.

O Observatório é fruto da pesquisa "O papel do Ministério Público na efetivação dos tratados internacionais de direitos humanos", tese de doutorado da Secretária da Justiça e da Defesa da Cidadania, Eloisa de Sousa Arruda, na Pontifícia Universidade Católica (PUC).