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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Fanatismo



Pensei em "privação de sentidos", "de outro planeta" ou algum outro título irônico para este post. Mas, falando sério, quando não for desonestidade consciente é fanatismo.

O PT convoca um ato em defesa do partido como se ele, o partido, tivesse sido ou estivesse sendo vítima de perseguição no recente julgamento da Ação Penal 170. Julgados foram alguns membros do partido - inclusive dirigentes e parlamentares o que, claro, é significativo. Mas o partido, a instituição, a pessoa jurídica não foi condenada, tolhida, penalizada (como poderia). O governo do partido, de onde partiu o esquema amplo e profundo de compra de apoio (ou ressarcimento, já que uma das teses era de que se tratava o pagamento de "dívidas de campanha") com dinheiro público, também não sofreu punições. Caíram ministros, mas isso foi tudo - poderia ter sido mais. 

O presidente, por exemplo, não teve de responder por nada, a não ser em entrevista escolhida a dedo (em Paris).

Discordar do resultado do julgamento? Permitido. Invocar a tese de golpe, ameaça à democracia, conspiração reacionária é... desonestidade consciente ou fanatismo. Ou, em alguns casos, medo de divergir da cúpula e ser tratado como traidor. (Ainda tem quem justifique o "justiçamento", "à luz do contexto da época". Com o clima de terror que estão pintando, capaz de um mais desequilibrado ir às vias de fato contra um companheiro que não concorde com a teoria de complô das elites). 

Segue abaixo uma nota do PT, com grifos meus em itálico. Depois faço mais alguns comentários

ATO EM DEFESA DO PARTIDO

“Neste momento, nós respondemos ao chamado da Executiva do PT a defender o partido. E nos comprometemos com a mais ampla unidade com todos os setores dispostos a defendê-lo em Debates e Atos Públicos!”

Esta foi a principal decisão do ato público “em defesa do PT” realizado no último 24, no sindicato dos engenheiros, em São Paulo, que repudiou o julgamento político no STF (íntegra em anexo), e reafirmou “Mais do que nunca, nós defendemos o PT que ‘nasce da vontade de independência política dos trabalhadores, já cansados de servir de massa de manobra para partidos e políticos comprometidos com a atual ordem econômica’ (Manifesto de Fundação)”.
A proposta foi apresentada pela mesa do ato - Jacy Afonso e Julio Turra, Executiva da CUT; Gegê, Central de Movimentos Populares; Aton Fon, Consulta Popular; Adriano Diogo, deputado PT-SP; Juliana Cardoso, vereadora PT-SP; e Markus Sokol, membro do DN-PT – e aprovada pelos 500 (450 assinaram a lista) presentes ao evento, que foi ainda acompanhado por milhares de pessoas na noite do último sábado, em transmissão online pela TVLD do Diretório Regional do PT-SP.
Tomaram a palavra na tribuna, os ex-presidentes do PT José Genoino e José Dirceu, acusados na Ação Penal 470 no STF, e o senador Eduardo Suplicy.
No plenário, presentes dirigentes sindicais e intelectuais, além de vários parlamentares - deputados José Zico Prado e Telma de Souza, vereadores da capital e do interior paulista, inclusive de outros Estados.
A atividade marcou a abertura do 5º Encontro Nacional do Diálogo Petista com delegações de 14 estados.
O ato foi encerrado com o grito “PT na rua, a luta continua!”.
Momentos do ato estão disponíveis no youtube.
(Markus Sokol, membro do Diretório Nacional do PT)

>>>>> Primeiro comentário: "PT NA RUA, a luta continua"? O PT que é governo federal e ganhou a prefeitura de São Paulo? Que se gaba de ser "o maior partido ~de esquerda~ do Brasil, que se considera o grande vitorioso das eleições em 2012, que completa 10 anos no poder? Que arrecada junto a grandes empresas DEZENAS DE MILHÕES DE REAIS, algumas delas para remunerar MARQUETEIROS, inclusive com depósitos no exterior, "não-contabilizados"?  "Na rua", como se fosse um movimento social enfrentando o governo, o sistema, os poderes hegemônicos? Isso é loucura!!

Agora, comentários no texto

Convocatória
ATOS EM DEFESA DO PT E DOS DIREITOS DEMOCRÁTICOS
Numa situação em que as organizações sindicais e populares, como a CUT, MST e outras, estão ameaçadas por uma escalada reacionária, através da criminalização dos movimentos sociais,

>>>>1) Organização "popular", a CUT, com os milhões que recebe por força da contribuição compulsória conhecida como "imposto sindical", cuja obrigatoriedade de fiscalização pelo TCU o presidente Lula vetou? 2) QUE escalada reacionária? Do que estão falando? Quem são os reacionários, por que razões são assim considerados, o que chamam de "escalada"? (EU sou uma das reacionárias, de acordo com os progressistas de internet. Inclusive os independentes com patrocínio de estatais). 3) QUE "criminalização" de que "movimentos sociais"?
Numa situação onde se tenta “judicializar” a política em favor de forças reacionárias, derrotadas nas urnas pelo povo que aspira à soberania nacional e à justiça social,

>>> 1) De novo as "forças reacionárias". Que foram "derrotadas nas urnas pelo povo" - então não há escalada, pelo visto... Eles (os progressistas, o PT) venceram nas urnas mas precisam ir para cima das "forças reacionárias" e "derrotadas" para se defender? O sistema eleitoral está ou não está funcionando legitimamente? Então do que se defender? Qual é o ataque? 2) "Judicializar" a política por que? Por causa de um julgamento de crimes de colarinho branco? Se os crimes acontecem no setor público, não podem ir a julgamento? 3) O povo "que aspira" à "soberania nacional" é aquele que vota no PT e derrota os "reacionários". Dez anos de governo do PT e "soberania nacional" e "justiça social" continuam sendo aspirações... Pois é. 

No momento em que o Supremo Tribunal Federal conclui a Ação Penal 470, como um julgamento político que pretende atingir o PT, numa evidente operação eleitoral e midiática, e que continua em novos processos,

>>> 1) O julgamento coincidiu com as eleições porque o revisor demorou meses para dar a sua parte como concluída, e só o fez depois que o presidente do Tribunal assim exigiu - antes que mais crimes expirassem, ou a própria ação. E o presidente "acordou" depois que foi noticiada a pressão do ex-presidente Lula sobre um dos Ministros do STF. 2) Um julgamento "político"? Não um julgamento de políticos que cometeram crimes contra o patrimônio público. E não só do PT. Ou os integrantes de outros partidos são culpados, só os do PT que não tiveram nada a ver com o "mensalão"?
No momento em que os direitos democráticos, duramente arrancados, são agredidos do decisão pelo STF num “julgamento de exceção”, o mesmo STF que utilizou a Lei da Anistia para proteger os crimes da ditadura militar,
>>>> 1 - "O mesmo STF" que tomou centenas de decisões nos últimos anos, algumas de agrado dos petistas, como a constitucionalidade da lei de cotas, e outras não. Invocar a "proteção aos crimes da ditadura militar" como maneira de rebaixar o Supremo é vil. Se é um "Tribunal de Exceção", o presidente que escolheu Ministros e o Senado que os aprovou que sejam, então, considerados co-responsáveis. 2 - QUE "direitos democráticos duramente arrancados" são agredidos?

Neste momento, repudiamos o “julgamento de exceção” que pretende preservar a regra, isto é, o sistema político-eleitoral marcado pela corrupção, pelo caixa dois e o tráfico de influencia,

>>>> "Pretende PRESERVAR a REGRA" (REGRA!), isto é, "o sistema político-eleitoral marcado pela corrupção, pelo caixa dois e tráfico de influência"? O sistema político-eleitoral marcado por isso tudo e que tem dado vitória atrás de vitória ao... PT? E derrotados os "reacionários" pela força "do povo"? Sim, o sistema É MARCADO por caixa-duas, corrupção e tráfico de influência. Sim, o PT FAZ PARTE DISSO. E MEMBROS DO PT foram JULGADOS E CONDENADOS por isso. Por essas práticas. Como o julgamento e condenação pretendem "preservar" a "regra"?
Mais do que nunca, nós defendemos o PT que “nasce da vontade de independência política dos trabalhadores, já cansados de servir de massa de manobra para partidos e políticos comprometidos com a atual ordem econômica” (Manifesto de Fundação)

>>>> "Partidos e políticos comprometidos com a ~atual ordem econômica~". É muito sintomático que o partido que há DEZ ANOS está no poder, que "assina" a "atual ordem econômica", volte ao seu manifesto de fundação para se colocar, novamente, como vítima e pobre coitado, como alguém à margem e contra a correnteza. Assim como Lula até hoje se coloca como "pobre retirante e operário" que nem teve "condições" para estudar. É doentio!
Neste momento, nós respondemos ao chamado da Executiva do PT a defender o partido. E nos comprometemos com a mais ampla unidade com todos os setores dispostos a defendê-lo em Debates e Atos Públicos!
Neste momento, erguemo-nos em defesa das lutas, dos movimentos e militantes sociais agredidos pela judicialização da política e a politização do Judiciário.

>>>> "Lutas", "movimentos" e "militantes" "agredidos". Pelo julgamento de um crime de colarinho branco. Pelo julgamento de um crime de corrupção. 
Jacy Afonso e Julio Turra, Executiva da CUT; Gegê, Central de Movimentos Populares; Aton Fon, Consulta Popular; Adriano Diogo, deputado PT-SP; Juliana Cardoso, vereadora PT- SP, Markus Sokol, DN-PT (O Trabalho).
Adotado por aclamação no Ato Em Defesa do PT, convocado pelo Diálogo Petista, sábado, 24.11.12, no Sindicato dos Engenheiros, SP

****
Insano. 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Peço desculpas pelo Mensalão, só que não



"Eu me sinto traído por práticas inaceitáveis, das quais nunca tive conhecimento".

"O Brasil tem instituições democráticas sólidas. O Congresso está cumprindo com a sua parte, o Judiciário está cumprindo com a parte dele. Meu governo, com as ações da Polícia Federal, estão investigando a fundo todas as denúncias. Determinei, desde o início, que ninguém fosse poupado, pertença ao meu Partido ou não, seja aliado ou da oposição".

"Queria, neste final, dizer ao povo brasileiro que eu não tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir desculpas. O PT tem que pedir desculpas".



"Isso aconteceu no mundo inteiro, aconteceu no PT.
Os erros cometidos devem servir de ensinamento para que a gente não erre outra vez"

"Eu tenho uma tese (...). Eu acho que tem um mistério, que foi a tentativa de golpe no governo".

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Aquele mau humor básico

Hoje o Haddad vai lançar o programa de governo às 10h00. Queria ir pra ver se assim apareço na Folha ou no Estadão.

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Mais de uma vez, um eleitor do Haddad me disse: "Parabéns pela campanha, está ótima. Sua candidatura é importante por defender temas que os outros não bancam". Ora, vão catar coquinho. Sou candidata porque quero ser prefeita, não para levantar bandeiras que eles acham importantes mas seu candidato não tem coragem ou o João Santana não deixa defender. HMPF. 

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Reclamamos com uma jornalista do Estadão sobre a cobertura das eleições em São Paulo. "É que um é candidato da presidente; o outro, do governador e do prefeito". Ah tá. 

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E tem o Chalita, né, que tem desde o começo bom espaço no Estado. Candidato, quem sabe, da presidente e do governador. Jornal gosta tanto de maldadezinhas e fofocas, talvez seja isso.

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Sábado, Serra, Haddad e Chalita "faltaram" a dois eventos para os quais foram convidados. Um foi o lançamento do balanço da série "Seu Bairro, Nossa Cidade", que também não contou com a presença de Russomano e, se não me engano, do Gianazzi. Os presentes foram mencionados; os ausentes, não.

À tarde, estive no debate promovido pela Associação de Moradores de Taipas. Serra, Haddad e Chalita não foram. Nadia Campeão representou Haddad. Não pôde ficar até o fim. Puxa, nem a vice? :oP

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Nesses debates muitas coisas são ditas com mais liberdade, e isso inclui informações, ahn, não verificadas. 
A candidata do PSTU, por exemplo, se diz contra o Rodoanel porque o transporte de carga tem de ser ferroviário. CONCORDO COMPLETAMENTE. Mas não podemos, tanto nesse caso quanto no de transporte de passageiros, esperar as linhas de trem/metrô ficarem prontas... 

Alguém (não sei se foi também a Ana Luiza ou o Gianazzi) disse que o metrô continua andando a passo de tartaruga, porque a previsão de entrega da linha que vai lá pra Zona Norte/Noroeste é 2018. Gente, não dá pra fazer metrô correndo não. Foi lerdo aí durante alguns anos? Foi. Mas vamos fazer o que, acelerar feito doido pra tirar o atraso? 

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A Ana Luiza defendeu a "tarifa social" (R$1). "1/3 das pessoas faz seus deslocamentos a pé porque não tem dinheiro pra condução". Não é isso não... 1/3 dos deslocamentos é feito a pé, por muitas razões diferentes - inclusive as boas. Milhões saem na hora do almoço e andam até o boteco ou restaurante. Milhões andam até a escola ou o centro de compras. Andam até o ponto de ônibus e o metrô. Esse dado (1/3) é invocado sempre para demonstrar que a cidade NÃO É toda motorizada, e se dá muito mais destaque às necessidades e dificuldades da locomoção em automóvel do que nas condições para circulação de pedestres. 

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O Miguel Manso (PPL) estava lá também. Era quem mais tinha bandeiras e militantes distribuindo material. 

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Esse é um dos fatores de desequilíbrio para as campanhas que tem grana. O lado mais explorado na mídia é o do horário de TV e o salário estratosférico dos marqueteiros. Mas a presença das campanhas ricas na periferia é muito, muito, muito maior. São milhares de pessoas contratadas para "bandeirar" e "panfletar" - e, em gratidão, muitas delas costumam votar também... São lideranças remuneradas para orientar seus liderados. São centenas de kombis "envelopadas" percorrendo as ruas. Centenas de comitês montados. Milhares de cavaletes. Milhões de folhetos. 

E como o PT, por exemplo, tem dinheiro suficiente para fazer muito material para seus candidatos a vereador, ele sai todo padronizado - com a foto do Haddad grandona ao lado de cada um deles nos tais dos cavaletes, perfureides etc. No PPS, vou te falar, viu? Candidato arruma recurso próprio pra rodar material e, quando não "esquece" de mim, coloca meu nome no modelo "quero ver você me enxergar". 

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Parece o tamanho das letrinhas nos cavaletes do Antonio Carlos Rodrigues indicando a qual coligação ele pertence. Vê lá se ele quer colocar em risco o eleitorado petista... Se bem que, se ACR disser que é pra votar no Cacareco, pessoal do reduto dele vota. 

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Na campanha de 2004, estávamos almoçando perto do comitê da Marta (eu, Alexandre Youssef, Rui Falcão e, se não me engano, o Ítalo). A dona do restaurante cumprimentou os dirigentes, acostumada a vê-los ali. "A Soninha é candidata a vereadora". "Ah, me desculpe mas eu voto no Antonio Carlos Rodrigues. Ele ajuda muito a gente aqui. A lâmpada na rua aqui na frente foi ele quem consertou".

O Rui deu aquela sua risadinha meio de lado - "Não é bem assim...". "Não, olha, nós pedimos vinte vezes para virem trocar e nada. Aí falamos com ele e ele mandou consertar".

Sem querer esticar a conversa, Rui balançou a cabeça e comentou baixinho, só com quem estava na mesa: "A máquina é terrível".

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IMAGINA se um partido da oposição estivesse sendo julgado no STF como o PT está e o presidente desse partido dissesse "o povo tá interessado na Olimpíada e na Avenida Brasil, não no julgamento". Nossa.





sábado, 10 de março de 2012

Arqueologia 1

Estou revendo a história deste meu blog desde a Antiguidade e encontro vários posts que salvei como "rascunho" (por falta de tempo para comentar etc) e nunca cheguei a publicar. Vou ressuscitar alguns, como o texto abaixo, batizado originalmente de "Valdemar Costa Neto"

A ‘Isto É’ e o ‘Mensalão’ - 3
27 de fevereiro de 2010 

AS TESTEMUNHAS DO CAIXA 2

A ação penal no STF traz depoimentos inéditos de testemunhas que comprovam definitivamente grandes movimentações de “dinheiro não contabilizado”, expressão usada pelo petista Delúbio Soares para justificar o Mensalão. Os testemunhos surpreendem, não apenas pelo seu valor jurídico, mas pela naturalidade com que os envolvidos tratam de uma questão criminal como se fosse algo rotineiro. 

Ex-presidente do Banco Popular do Brasil, Ivan Guimarães confirmou na Justiça Federal em São Paulo, no dia 27 de maio de 2009, que o PT movimentou dinheiro sujo. “Boa parte da crise era devido a esses empréstimos que não constaram da contabilidade, o caixa 2”, disse Guimarães, dando detalhes dos empréstimos que o PT fez no Rural e no BMG. “Tomei conhecimento destes empréstimos. Eu não me lembro o valor total, mas era algo superior a 40 milhões (de reais).” Guimarães afirmou ter participado das reuniões que escolheram a agência de Marcos Valério para trabalhar nas campanhas do Banco do Brasil, mas responsabilizou o conselho diretor e o ex-diretor Henrique Pizzolato.

Pelos depoimentos, fica evidente que práticas ilegais eram cotidianas nos escritórios dos partidos políticos. Funcionários das legendas não se constrangem ao se declarar abertamente como laranjas do esquema. Coordenadora da campanha do PP em 2004 no Paraná e secretária do ex-deputado José Janene (PP), Rosa Alice Valente confirmou à Justiça em 2009 que sua conta bancária foi utilizada pelo PP para receber dinheiro do PT nacional. O dinheiro chegava através da corretora Bônus Banval, que lavava o dinheiro do Mensalão. “O deputado me disse que foi feito um acordo entre o PT e o PP e que o Enivaldo Quadrado (então dono da Bônus Banval) iria me ligar e daí iria passar na minha conta pra mim (sic) repassar”, disse Rosa. 

Entre casos já conhecidos e outros só agora descobertos, as confissões surgem de todo lado. Em Alagoas, o deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT), revelou na Justiça ter recebido R$ 80 mil “não contabilizados” do PT. O dinheiro, segundo ele, era liberado por Delúbio Soares. Presidente do PT no Tocantins na época das fraudes, Divino Nogueira revelou que recebeu dinheiro de caixa 2 do PT nacional, enviado por Delúbio. O ex-deputado baiano Eujácio Simões, que era do extinto PL, afirmou ter recebido R$ 30 mil de caixa 2 do deputado Valdemar Costa Neto (PL-SP), um dos principais protagonistas do esquema.